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Tarde demais

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1 Tarde demais em Qui Fev 07, 2013 10:55 pm


Autora: Micheli Nayara (Mih)
Gênero: Drama.


“Quanto tempo você vai esperar pra dizer 'eu te amo' para uma pessoa? Vai esperar ser tarde demais? Não deixa pra fazer amanhã o que você pode fazer hoje, o amor não espera!”.

Tarde Demais...

Amargamente levo minha vida por um caminho de escuridão. E por mais que houvesse atalhos de luz, nunca observei a existência deles. Não culpo todo o meu passado, apenas meus pais que foram negligentes no requisito: amor.

Amor... Única coisa que conheço é o amor próprio. No entanto, sei de um rapaz que tenta demonstrar o quão complexo e bonito esse sentimento pode ser.

Este cara sempre é carinhoso, gentil e educado comigo. Enquanto que até agora, fui somente o contrario.
Procuro sempre estar de consciência limpa, mesmo quando me sinto ruim por ser grosseira demais. Só não entendo o porquê ele nunca descontou, já que seu irmão não media esforços para devolver na mesma moeda.

Diferente do que era provocar seu metido irmão, com ele não havia graça, pois no final ao olhar seus olhos amargurados, sentia mais ódio de mim mesma. E já que não posso mais mudar meu jeito de ser, decidi que machuca-lo seria minha ultima opção. De alguma forma ou outra, sou perdoada sem pedir perdão.

Antes dividíamos um apartamento.
Morávamos Tom, Bill, Andreas e eu. Na época eu era a namorada de Andreas, e foi assim que me aproximei dos Kaulitz. Ocasiões fizeram me separar daquele ser chato e arrogante. E quando pensei que afastaria de tudo, Bill não permitiu que eu deixasse o apartamento porque ficaria sem rumo, já que não sou desta cidade.
Houve um maior bate-boca no dia do fim do meu namoro. Nunca pensei que Bill fosse me defender, vindo a ficar contra o melhor amigo e seu próprio irmão. Mas chegou um ponto em que tive que me mudar. Tom tonou-se infernalmente irritante para mim, e ao revidar tudo que fazia, eu me tornava cada vez pior. Não media mais minhas palavras, não queria nem saber se ofenderia Bill junto, só queria descontar minha raiva em quem estivesse na minha frente...

Com algum esforço consegui trocar de prédio, não deu muita diferença, pois é muito perto do antigo. Pelo menos Tom não apareceu mais aqui...
Como sempre, a maior parte do tempo estive sozinha. Isso já é fato! Porém, não foi escolha, e sim a única alternativa. Além de Bill, não existe mais ninguém com paciência para me aturar.

Hoje é apenas mais uma tarde em que me afundo no tédio de um livro idiota que comprei para passar as horas.
Deitada de pernas para cima no sofá, eu folheava o objeto procurando por algo que não fossem apenas letras.

Inesperadamente um barulho já esquecido por mim soou.

-Campainha? –questionei a mim mesma, olhando em volta.

Parecia não ser real, talvez sejam coisas da minha mente perturbada. Mas antes que eu pudesse voltar a folhear o livro, novamente o mesmo som...

DING DONG!

-Que... Que droga! –reclamei por ter de me mover e ir ver o desocupado que viera me incomodar.

Abri a porta de uma vez, dando de cara com Bill e seus olhos arregalados a me encarar.

-Me assustou! –disse levando a mão ao próprio peito, e aos poucos tomando folego.

Ah! É ele o desocupado que veio me incomodar... E antes que consiga, eu vou fechar a porta na cara dele...

-Espera! Não faça isso comigo...

Um baque na porta me impedia de fechá-la, forcei mais um pouco e desisti. Não queria ter a ideia de uma visita hoje, ainda mais se for o Bill. Droga! O livro estava interessante...

-E porque eu não deveria? O que quer de mim, Bill? –perguntei rispidamente.
-Me deixa entrar? Por favor...  Prometo não ser chato contigo dessa vez.

Irônico ele admitir uma coisa que nunca foi, se rebaixar apenas para entrar no meu apartamento, inventar apenas para estar comigo.

-Não sei. –olhei para ele, pensativa.

Seu jeitinho doce tentava me convencer de que não haveria mal naquilo, que sua companhia pudesse ser saudável para meu mundo naquela tarde.
Que seja! Tanto faz...

-Entre! –dei as costas, deixando a porta aberta pra ele entrar.

Segui com meu livro, jogada na mesma posição de antes no sofá. Deixa-lo entrar, não significaria dar atenção.

- Te trouxe um bichinho de pelúcia.

Sempre acabo por me arrepender... Porque o deixei entrar?
Não que ele me incomodasse, realmente, oque me incomoda sou eu... por ter de trata-lo indiferentemente.
Olhei para cima e Bill com seus braços estendidos para mim, mostrava-me um pequeno ursinho roxo. Tive de sentar para encarar a situação, e olhar para o largo sorriso dele não foi a melhor escolha.
Ele parece feliz em me dar um presente... Pois não é o primeiro, e como nas vezes passadas, ele nunca aprende com o resultado.

-Um urso? –arfei arrogantemente, dando pouquíssimo caso com as intenções dele.
-Coisas caras você não aceita! Sei disso porque já tentei de tudo... Restou-me um simples ursinho como opção. Está difícil de agradar...
-Não quero que me agrade! –o interrompi. –O que passa pela sua cabeça? Que só porque não estou mais com o Andreas, e estou fora do meu país, estou precisando de afeto?
-Tudo bem... Esquece ok? –aquele sorriso largo dele se foi. Tudo que demonstra agora é desmotivação e uma leve tristeza. Mesmo assim, ele sentou-se de frente para mim, lá no outro sofá.

Minha grosseria nos levou a um ambiente calmo e silencioso. Um encarando o outro... Como dois desconhecidos.

-Então... O Tom parou de mexer com você? –creio que ele perguntou por perguntar, uma das mais opções para puxar papo.
-Sim. Não o culpo por nada. Tom sabe se defender.
-De você, não é mesmo?
-Sim! Surpreso?

Pressionando os lábios, ele deu de ombros para me responder:

-Não tanto quanto queria.
-E por quê?

-Eu não sou tão tapado quanto pensa Heloise! –estranhei seu tom de voz aumentar. –Surpreso realmente estaria se eu batesse na sua porta, e você me recebesse com um sorriso. Se me desse um abraço, talvez eu caísse morto no chão... Mas não. Acostumei-me com seu pior, sempre esperando pelo melhor. “Não... Um dia vou ganhar um sorriso dela”, quantas e quantas vezes me peguei pensando assim? Inúmeras! Muitas dessas vezes, eu havia acabado de passar por problemas sérios. Meu maior alívio seria seu apoio no momento, mas antes, precisei demonstrar o meu apoio que estava decadente, porém disfarçado.
-Momento drama agora não...
-Nunca! Nunca fiz nada querendo algo em troca! Eu tento te agradar, pouco me lixando para sua opinião sobre mim! Eu sou muito trouxa!
–indignado, ele se levantou.

Isso tudo foi o que se acumulou no coração sensível dele. Sim, isso é culpa minha. Ele gosta de sofrer, e eu de judiar. Bill não merece isso... Porque diabos ele ainda insiste comigo? Não consigo entender isso! Pois é destrato após destrato, e ele nunca saiu de perto. Mas vai chegar a hora em quem vai ter que parar, e espero não notar diferença.

-Tem mais algo a me dizer a seu respeito? –perguntei entediada.

Seus lindos olhos denunciaram lagrimas. De fato seus olhos são muito lindos mesmo. Ele por completo é bonito... Mas não é por isso que vou dar atenção. Pois se eu trocar toda essas palavras por uma cena, com certeza seria a de minha mão segurando fortemente o coração de Bill.  

-Você não precisa ter um coração de pedra apenas pelo oque aconteceu no passado. Você pode esquecer isso e viver um futuro melhor, basta querer...
-Dicas de folhinha não ajudam! –o interrompi novamente. –A menos que tenha uma maquina do tempo, não consigo apagar ou reverter nada! Querer um futuro melhor? Com quem? Ao seu lado, querido amigo? Incrível como se ilude tão facilmente... Pois tudo que tenho feito, mesmo sem querer às vezes Bill, é pisar nos seus machucados e piorar! Não sou a pessoa certa pra você.

Dando um passo à frente, ele diz determinado, porém, deixando lagrimas escorrerem:

-Avisa meu coração... Juro que já não sei mais como agir. Mesmo machucado e pisoteado como diz, ele reúne forças para dizer que gosta de você e que te quer por perto, pois isso o cura. Consolo-me em saber que não é nada pessoal.
-Não mesmo. E é melhor você ir, Bill.
–apontei para a porta que ainda jazia aberta.
-Por favor, não me deixe sair, para depois descobrir que se arrependeu.
-Isso não vai acontecer, não tão facilmente. Pare de ser tão... tão...
-Ingênuo?
-Sim, agora vá!


Sem hesitar ele saiu não ousando olhar para trás. Senti que seria a coisa certa a se fazer, perto de mim ele só iria sofrer cada vez mais. Encostei a porta, e voltei a fazer nada, como sempre...

Quando me dei por mim, abri meus olhos e a escuridão dominava meu apartamento. Sem perceber peguei no sono e acordei assustada, o mau pressentimento fazia com que meu coração disparasse sem motivos.
Em meu celular havia 30 chamadas perdidas. Um número bastante exagerado, ainda mais por serem de Tom. Mas vindo dele, nada me interessaria... Por isso não retornei.

Levando a vida na calma, levantei, fiz um café e tomei um bom banho quente. Não havia pressa, não tenho compromissos, nem o que fazer... Entediada, peguei uma xícara de café e liguei a TV no noticiário.

-Que...? –minha primeira visão parecia brincadeira da minha mente. A programação exibia uma foto do Bill, e em abaixo letrinhas corriam: –“Vocalista do Tokio Hotel se envolve em acidente, e se encontra em estado grave”.

Ler isso há umas cinco horas, talvez me trouxessem risos sádicos, mas não... Nem mesmo eu me conheço. Minhas pernas ficaram bambas, e a xícara caiu de minha mão, manchando todo o carpete com café. Meus olhos não conseguiam parar de ler a tal faixa vermelhinha abaixo da foto do Bill. Agora sei o porquê de o Tom me ligar feito louco! Ele vai me culpar... Não somente ele, porque eu mesmo sei que tenho parcelas de culpa nisso.
Não queria que isso acontecesse... Droga! Tudo que eu queria era que ele escolhesse algo melhor.
Sou um monstro!

-Mais noticias... –voltei a ler. –Multidões de “Aliens” (nome dado aos fãs) estão do lado de fora do hospital, aguardando noticias e desejando melhoras. O caso clínico do cantor é critico...

Não consegui me manter parada, um impulso fora do comum me fez sair de casa logo após conseguir reconhecer o local onde esses fãs estavam. Tenho que ir para lá, o mais rápido possível.
Tomei um táxi, e somente chegando à entrada do hospital que pude perceber o quão Bill era querido. Cartazes diziam coisas doces, fãs chorando, algumas mais religiosas deram as mãos para uma prece.
Ali fora, não sou como elas, e nunca conseguirei ser.
Elas o amam, e eu sou uma preocupada com a saúde dele. Apenas isso...

Em um canto cheio de repórteres, Tom era bombardeado por perguntas, uma atrás da outra. Apesar de estar distante, tentei esconder o rosto, porque ele não poderia nem sonhar com minha presença. Tudo foi em vão. Logo o ouvi gritar meu nome, e o mesmo tumultuo veio para cima de mim, cercando-nos.
Sem medo das consequências na mídia, Tom começou a me agredir verbalmente na frente das câmeras.

-Sabe que a culpa disso tudo estar acontecendo é sua Heloise! Ele mentiu para mim, e foi na sua casa.
-Ele se acidentou depois de sair da minha casa, e não dentro dela!
–gritei, tentando me defender.
-Antes de bater o carro, Bill ligou para mim e me mandou uma mensagem de voz! Ele estava desesperado! Ele me contou tudo que disse... Você não passa de uma pu... - levamos um puxão ao mesmo tempo, isso fez com que o guitarrista não conseguisse terminar sua frase. Georg puxou Tom, e Gustav me puxou. Todos entraram no hospital, deixando o exercito de câmeras para trás.

Eu me via desnorteada sem saber o que fazer. Ver Tom tentar se soltar do Georg, e Gustav tendo de me afastar dali para nada acontecer, eu tinha a certeza de que tudo acabaria mal.

-Me solte Georg! Aquela puta vai me ouvir! –gritou Tom.

Todos os funcionários do hospital pararam para ver o showzinho particular que Tom estava dando. No mesmo instante Gustav pegou na minha mão, e me tirou do campo de visão do guitarrista alterado.
Trazendo-me para uma sala de espera particular, o baterista amigo de Bill, não escondia a tristeza no olhar. Nunca fui de conversar com ele, e não seria agora que faria isso por mim.

-Oque veio fazer aqui? –não esperava por ser questionada. Surpresa, olhei para ele, e o vi encarar o chão.
-Quero saber como está o Bill! –perguntei, ignorando-o.

Arrumando os óculos com a ponta do dedo, ele responde:

-Todo quebrado, e em coma.
-Em coma? –indaguei assustada.
–O noticiário não disse nada disso...
-Tom não revelou relatórios primordiais. A intenção é não deixar nossos fãs sofrerem.
-Como aconteceu?
–minha voz falhou, a garganta começou a doer, e a vista embaçar.

Será que estou querendo chorar?

-Bill perdeu a direção do carro, saiu da pista e capotou.
-Vai me culpar também?
-Heloise... Você não é uma das melhores pessoas que conheço, mas não sou como o Tom que julga descaradamente sem saber. Para a perícia, vai ser falha do Bill.
-Eu falei um monte de merdas para ele...
-Mas você pode ter sido uma influencia sim!  


O pânico tomou conta de mim. Não pelo medo de ser culpada e presa, e sim de não ter a oportunidade de me redimir do grande mal que provoquei dessa vez. Mas o que posso fazer?

-Eu não desejava isso... –murmurei deixando uma lagrima maldita cair.
-Ninguém desejava. –consentiu calmamente.
-Para quem eu peço desculpas agora?
-Sinceramente?
-Sim.
-A única pessoa para qual tem que pedir desculpas está imóvel, talvez te ouça, mas o irmão dele não permitirá que vá de encontro. É estranho, mas Bill adoraria te ver assim...  
-Está dizendo que meu sofrimento é merecido?
–indaguei incredulamente. –Nunca foi de falar, né Gustav? E agora, assim como o Bill antes do ocorrido, está a falar tudo que pensa sobre mim.
-De forma alguma. Estou falando do meu amigo, que muitas vezes veio desabafar sobre você. Bill queria sua atenção!
-Eu dei atenção... Mas o que ele queria era amor!
-Ele me disse uma vez que você é desprovida de amor, sabia? Engraçado, pois você percebeu facilmente o que o Bill queria. Ele nunca te viu sorrir... Eu ri da cara dele, como pode né? Uma garota tão linda não sorrir.


Estou pouco me lixando para o que o Tom pode fazer contra mim. Tenho que pedir desculpas para o Bill, desculpas por tudo. Cada erro, cada insulto, cada resposta grosseira. Se eu pudesse voltar no tempo teria aceitado aquele ursinho, que possivelmente agora está no meio das ferragens do carro batido.

“–A menos que tenha uma maquina do tempo, não vai conseguir apagar ou reverter nada! Querer um futuro melhor? Com quem? Ao seu lado, querido amigo? Incrível como se ilude tão facilmente... Pois tudo que tenho feito, mesmo sem querer às vezes Bill, é pisar nos seus machucados e piorar! Não sou a pessoa certa pra você.”

Como tive coragem de dizer isso a ele? Essas palavras agora vagavam na minha mente, trazendo lentamente desespero na alma. Quem me dera realmente reverter isso... Sou eu que quero uma maquina do tempo agora. Amigo? Talvez o único que tive até hoje.


...

A agonia durava duas semanas. O quadro clínico de Bill só piorava...

“Mas vai chegar a hora em quem vai ter que parar, e espero não notar diferença.”

Se antes pensava assim, pois bem, o que “esperei” não ocorreu. Aos poucos sentia Bill desfalecendo, e aos muitos eu sentia sua falta. Quem não notaria a diferença?
Sou a tola que não deu valor...

-Hey, Heloise... –uma voz conhecida me despertou. Abri meus olhos e vi Georg sutilmente tentando me chamar. –Heloise... Tom quer falar contigo.
-Tom? –me sentei surpresa.
-Aconteceu uma coisa noite passada, e Tom precisa falar contigo.

Algo dentro de mim começou a gritar que essa coisa ocorrida era com o Bill. Sou pessimista, e nos meus pensamentos só vinha coisas piores.

-Onde ele está?
-Vai lavar o rosto, ele te encontra na frente da UTI, ok? –Georg sorriu, e tentou aparentar estar bem, mas somente pelo seu olhar sem brilho, pude notar o contrario. Em seguida ele saiu cabisbaixo e com as mãos no bolso.

Hoje é a décima quarta vez que venho dormir aqui no hospital. Não poderia perder a oportunidade de vê-lo acordar, para enfim, pedir desculpas. Entretanto, após lavar o rosto e me dirigir para perto da onde Tom estava, acabo tendo o desgosto de presenciar a pior cena do mundo. Tom abraçado em sua mãe, juntos ambos choram inconsolavelmente.

-Nã... Não... pode ser. –murmurei querendo muito chorar junto.

Vendo minha presença, o guitarrista veio até mim, deixando sua mãe no consolo de seu padrasto ao lado. Tom tem seus olhos vermelhos, e seu semblante não trazia mais nada do que não fosse aflição.

-Não vou conseguir falar nada. –admitiu ele, rouco. –Só peço que pelo menos cumpra um ultimo pedido de Bill.
-Pode dizer...
-Ele lhe espera depois daquela porta.
–apontou-me a porta. –Sabes que... que por mim, você jamais chegaria perto do meu irmão! Tudo que trouxe foi desgraça garota. Mas ele ainda deseja te ver... –não consegui me controlar e comecei a chorar.
-Ele acordou?
-Sim, mas a qualquer momento ele pode fechar os olhos para nunca mais abrir. –Tom desmoronou, voltando a chorar como criança. E não querendo que eu o visse, ele tampou o rosto com o braço. –Então eu te peço... Que entre lá, e dê atenção, mas não conte nada sobre o que o medico disse. –consenti.

Encarei a porta branca à minha frente.
Depois dela, eu poderia presenciar a pior cena da minha vida. Nada comparado com o meu passado. Respirei fundo, sequei meu rosto e girei a maçaneta gélida.
Envolvido por penumbras, aquele quarto tinha um cheiro estranho, seu clima era fúnebre e os únicos sons ouvidos eram os bipes das maquinas ligadas no corpo imóvel de Bill. Meu pé teimava em querer não andar, era puro medo.

-Heloise...? –logo a voz fraca dele veio me chamar. –Pode se aproximar? Não consigo te ver. –sua voz que antes era linda, agora se fazia em pura rouquidão e fraqueza.
-Sim, Bill. –me aproximei, parando ao lado de seu leito.

Seu lindo rosto estava desfigurado, e as partes do corpo que as faixas não tampavam, mostravam-se em puro ralados. Doía em mim o ver assim.
Temo não consegui pedir desculpas...

-Gustav me disse que chorou, é verdade? –consenti lentamente, tentando ao máximo segurar o choro. –Tentei te fazer sorrir, não te fazer chorar. Falhei novamente, Heloise.
-Bill, por favor, não diga nada... Eu, eu é que tenho que pedir desculpas... Fui um monstro com a melhor pessoa que apareceu na minha vida. Nunca dei valor aos teus esforços, aos teus sentimentos. Quem merecia estar no seu lugar sou eu, e daria tudo para reverter isso.
-Confesso que não aguentaria te ver no meu lugar. E te peço para não chorar, independente do que acontecer comigo. Eu havia pedido antes para não me deixar sair, para depois te ver se arrepender.
-Me perdoe Bill...
-Único motivo que vai me fazer te perdoar, Heloise. É o fato de meu amor ser maior do que tudo.
-Bill...
-Quero te pedir três coisas, ok?
-Sim, o que desejar...
-Quero que cuide bem do meu irmão, ok? Ele é tudo pra mim. Sempre me defendeu, mas é um chorão.

Sabendo de seu possível destino, não poderia deixa-lo desanimar assim.

-Você vai melhorar, não precisarei cuidar dele Bill. Você vai cuidar, assim como sempre fez...
-Não sou burro, Heloise. Agora sim, está me iludindo.


Abaixei a cabeça e passei a mão no rosto.

-Segundo pedido: Quero te ver sorrir. Sei que é inapropriado para o momento, mas com qualquer esforço seu, eu ficarei feliz.

Como ele poderia ser tão egoísta. Não posso chorar, tenho que sorrir! Vamos, eu tenho que tentar! Droga!

Obtive flashes de memorias, momentos bons que tive perto dele, mas que não dei valor ou atenção. Não aproveitei nada disso na hora e agora vivo de lembranças, para talvez, tentar sorrir. Fechei meus olhos, e em questão de segundos relembrando esses momentos, eu sorri, mas por dentro, a vontade era de gritar e chorar. Quando por fim abri meus olhos, dei de cara com o sorriso de Bill. Emocionado, ele deixou escorrer uma lagrima do olho direito.

-Por favor, se chorar... Vou chorar também. –saquei aquela lagrima dele com o polegar.
-Meu ultimo pedido é algo que não posso te obrigar.
-Farei qualquer coisa.
-Eu quero um primeiro e ultimo beijo.


Aproximei-me dele para beijá-lo, tocando de leve seu queixo, senti seus lábios nos meus. Precisei de muito para perceber que eu o amo, e que agora era tarde demais... Esse será nosso primeiro e ultimo beijo.
Ao me afastar e olhá-lo nos olhos, Bill me estendia a sua mão.

-Agora posso dormir feliz. –disse sorrindo levemente. –Obrigado.

Aflita, peguei na mão dele, e clamei:

-Bill, por favor... Não faça isso comigo?
-Uma vez você me disse “e porque eu não deveria?” Eu te respondo que não deveria porque no fundo, nós nos amamos. Pelo menos eu posso dizer que te amo. Desde a primeira vez que te vi, passando pela minha porta, andando de mãos dadas com o meu melhor amigo. Infelizmente não vou poder fazer o mesmo com você.
-Estou segurando sua mão.
-Eu não posso andar mais, Heloise. Acabou.
-Bill... Não!
–lentamente seus olhos foram se fechando. –Bill! Eu te amo, não se vá, por favor!

Desespero era um sentimento incalculável para o momento. Vê-lo fechar seus olhos, e lentamente deixar de respirar, me fez surtar!

-Bill! Por favor! –mesmo prometendo não chorar, não consegui me controlar. –Alguém, por favor! –gritei para os paramédicos.

Muitas pessoas de branco passaram pela porta, uns trouxeram um desfibrilador. Tentei me aproximar loucamente, mas Gustav me puxou para o canto do quarto e me abraçou forte.
Um dos médicos tentava reanimar Bill, mas sem efeitos:

-Afastem-se... 1,2,3! –e lhe aplicava choques que fazia o corpo de Bill pulsar para cima. Porém, ainda se ouvia o bipe continuo.

Tentativas em vão, eu me via chorar inconsolavelmente. Aquilo parecia ser um pesadelo sem fim. Queria acordar e não conseguia.

-Hora da morte: 00:36... –declarou, o medico frustrado.

...

Hoje faz exatamente 1 ano que Bill se foi... 365 dias sem o ver, 8.760 horas sem ouvir sua voz, 525.600 minutos sem sentir sua presença.
Por dentro, eu estava morta. Eu vi oportunidades passarem diante do meu nariz, mas Ignorei tudo isso. Ele me ofereceu seu amor, e eu o desprezei sem motivos. Hoje já não posso mais voltar no tempo, e no máximo, a única coisa que posso fazer, é não deixar que esse mesmo tempo me faça esquecer quem foi Bill Kaulitz... Meu anjo!

AMO-TE.


“Se um dia olhar pra trás e não me ver, saiba que esperei demais você me notar, mas é tarde demais, a morte foi mais rápida”.


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2 Re: Tarde demais em Qui Fev 07, 2013 11:38 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Tu poooooostou! Toh tão feliz por ter conseguido te convencer a postar essa One Mih!

Sabe... Quando tu me disse que tinha uma One e que provavelmente me faria chorar, eu não imaginei nada desse tipo... algo que me fizesse realmente chorar de soluçar, porque eu odeio morte... porque a morte é algo irreversivel na vida da gente, e não podemos voltar atrás e mudar coisas que gostariamos... E pelo que me lembro, é a primeira fic que leio do Bill morrendo... jah li tantas com morte do Tom, mas do Bill... Isso é completamente assustador pra mim!

Sobre a fic... tu escreve bem Mih, e deve postar mais fics ok?! Estarei esperando uma certa fic de comédia ok?! Razz
Eu deveria tah xingando a Eloise certo? Mas não vou fazer isso... acho que ela teve ter sofrido muito na infância, na vida dela e nunca aprendeu a amar, a ser carinhosa, a aproveitar as boas pessoas que apareceram na vida dela... Porque as vezes somos tão machucados, que chega um ponto que fechamos os olhos para as coisas boas da vida e apenas tentamos nos defender das más. E acho que a Heloise foi assim, e não percebeu que esse medo de lutar por algo que ela nunca conheceu, poderia trazer um arrependimento tão grande pra ela!

E meu Deus! Que Bill mais fofo e querido! Eu queria tanto esse ursinho! Eu me derreteria com o ursinho dele, com o sorriso do Bill... com tudo nele!
Ai eu penso: por que ele não pode viver mais pra lutar por ela?... Talvez não adiantesse... Acho que só assim, pra Heloise perceber que é capaz de amar, de ter boas pessoas em sua vida. Acho que ela aprendeu da pior maneira, que pode amar!
Pelo menos nos últimos momentos o Bill teve o que sempre quis e mereceu, o sorriso e um beijo de amor com a mulher que ele amou! Não deve ter sido fácil pra ele ver a Heloise com o melhor amigo, e depois ela sendo essa grossa com ele, por simplesmente não conseguir ver que ela podia amar!

Bem... Se tu queria me fazer chorar Mih, tu conseguiuuu! Eu chorei a primeira vez que li, chorei lendo agora novamente... e toh chorando agora escrevendo esse enoooorme comentário!

Mas... PARABÉNS pela fic! Tu é boa escritora, e deve postar mais o que tu escreve! Tu sabe que eu não falaria isso se não fosse verdade! E ameiiiiiiii a one, apesar de triste, é linda a sua maneira!

“Se um dia olhar pra trás e não me ver, saiba que esperei demais você me notar, mas é tarde demais, a morte foi mais rápida”.
Sabe, eu penso nisso todo dia... que talvez se eu não falar um "eu te amo" pra alguém que eu realmente ame, ela possa virar a esquina e nunca mais voltar. E se um dia isso acontecer, eu sei que jamais vou me perdoar por nunca dizer isso. Mas eu sempre tento dizer o que sinto pras pessoas que realmete importam pra mim!...

Estarei te esperando na próxima fic! E que não demore em?!

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3 Re: Tarde demais em Sab Fev 09, 2013 9:14 pm

Anny V.

avatar
Moderadora
Aaaaaaaaaaaah, odeio esse povo que me faz chorar com Fics Sad

Essa boba da Heloise merecia ter apanhado do Tom, e eu bem que ia gostar se ela tivesse levado uns tapas, fiquei torcendo pra isso
Que idiota não daria valor pra um cara igual o Bill? Independente do que ela viveu antes, ela tinha que ter dado uma chance pra alguém que fazia de tudo pra vê-la sorrir.

Eu chorei com esse final!
Muito triste imaginar o meu Bill morrendo, e eu não posso ler aquele pedacinho de final que volto a chorar. Aaaaah, Mih malvada!

Ótima fic, achei linda. Amei esse fim triste por mais que tenha me feito chorar.
To aqui esperando por novas fics como essa, escritas por você, e espero que seja rápido

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4 Re: Tarde demais em Ter Fev 12, 2013 12:19 pm

Ella.McHoffen

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Administradora
Quando vi a capa da fic no face pensei "É mesmo a da nossa Mih?!" e depois de perceber que sim disse "Wow! Que bom, finalmente vou ler te o privilégio de ler algo dela. ;-)" Confesso que o titulo me deixou com medo, mas a verdade é que NUNCA NUNCA imaginei que algum dos nossos meninos morresse, sempre pensei que seria a amada. Não vim ler de imediato, porque não tinha tempo, mas hoje que arranjei um tempinho vim ler.

E deixa eu te dizer eu vou te bater muito muito muito. Eu chorei imenso. Lágrimas grossas escorriam pela minha cara. Porra eu ODEIO ler sobre morte dos nossos meninos. Essa foi a primeira que li sobre a morte de Bill. Do Tom eu chorei chorei, acabei por chorar baba e ranho. Do Bill foi o mesmo, uma tortura.

Sobre a fic eu não tenho muito a dizer, só que é maravilhosa apesar de triste. A escrita está simples mas ótima. Bill foi um querido (quero ele pra mim) e Tom chorando matou-me. Anny falou que queria ver Tom dar uns tapas na Heloise, não vou negar mas também gostaria de ter visto, mas ao mesmo tempo fiquei com pena dela. Ela com certeza sofreu muito, e de certo que o peso da consciencia de que "a culpa foi minha" é mais cruel, doi mais que uns tapas, por isso ela foi/é sacrificada todos os dias por tal comportamento que levou à tragédia.

Muitos parabéns Mih!
Vou ficar aqui à espera de mais fics tuas. Wink

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5 Re: Tarde demais em Ter Fev 12, 2013 7:41 pm

:O Sem palavras para a one. MUITO LINDA e triste ao mesmo tempo.
Eu me identifiquei bastante com a história porque antigamente eu conhecia muita pessoa igual a Heloise. Com as mesmas atitudes e pensamentos.. Mas que graças a Deus já pararam de ser assim e de se auto-destruir e a quem está perto também. É tão triste quando o amor deixa a pessoa indefesa. O Bill nem tentava se defender das grosserias dela. Era uma masoquista por ela. Mas mais raiva me deu foi no final que ela se arrependeu. Fazem o que fazem pra depois se arrepender ¬¬ ok todo mundo erra e tal, mas bah da raiva!
Eu te disse que nao gostava muito de drama né kkkk Mas eu realmente fiquei muito emocionada com a tua OnE. De verdade.
Imaginar o Tom soluçando, abraço na mãe dele. Os G's desolados. Foi horrível D:
Mas tu escreves bem. Parabens. Amei a one.

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6 Re: Tarde demais em Ter Fev 12, 2013 8:56 pm

Uau! Essa One foi muito profunda! Eu nunca imaginei o Bill morto, nem mesmo em fics. Foi estranho, até porque eu me senti dentro da One, como se eu tivesse assistindo tudo, e foi bem chocante. Profunda mesmo! A única coisa que eu tenho pra dizer é : Parabéns! A One foi bem escrita, foi profunda e passou o sentimento dos personagens e uma mensagem.

Muita boa, parabéns

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7 Re: Tarde demais em Sex Fev 15, 2013 8:18 pm

OMG! Estou tãooooo contente *-----*

A ideia dessa one surgiu a partir de varias coisas, uma delas é a personagem de uma série (Jade West – Victorious), ela não é tão intensa como Heloise, mas é malvadinha do mesmo jeito

Sam: Agradeçooooo muito por ser insistente comigo! Tu me ajudou a evoluir muito. Mais uma vez, obrigada por tudo! Razz

“Se um dia olhar pra trás e não me ver, saiba que esperei demais você me notar, mas é tarde demais, a morte foi mais rápida”.

Legall que pense assim... Eu pelo menos não sei ficar dizendo com facilidade, mas tento demonstrar com atitudes Razz

Anny: aaaaah! Choraste?... Shocked
Heloise merecia levar uma surra não só do Tom, mas do Georg e do Gustav... Mas existem momentos que palavras e consciência pesada doem mais do que um tapa. Infelizmente ela permitiu que o passado atrapalhasse tudo...
Ok! Sou malvada, imaginar o Bill morrendo é terrível!
E Obrigadaaaa! Quem sabe mais fics em breve, né? Smile

Ella: Aaaaah *------*
Tu falando da capa, relembrei dos velhos tempos....
Descobri minha paixão por edição de fotos quando comecei a ajudar você e a Sam com capinhas... lembra? (Unfaithful e Nothing more than just dreams). Comecei a tentar escrever porque gosto muito de criar capas Laughing Então é culpa de vocês, viu?

Muitooo obrigada por tudoo, mesmo que queira me bater Razz

Pois é, Heloise escapou de apanhar... Porém, roxos e machucados somem mais rápido do que consciência pesada e culpa, certo? Smile

Pâmee: Obrigadaaaaa Razz
Que bom que se identificou com a One ^^ Pessoas como Heloise são difíceis de lidar, e é triste quando não percebem o que fazem a si mesmo e aos outros.
Também concordo que é triste quando um amor deixa a pessoa indefesa/ bobo/ irracional... sei como é
Drama é meiooo tenso as vezes, mas vou me esforçar com comédias também Wink


Paloma: OMG *-----*
Obrigadaaaaa
Saber que a one conseguiu transmitir isso é muitoo gratificante. Razz

Thank you! cheers

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