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Sobre as asas de um demônio

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26 A águia e a Lebre em Dom Nov 17, 2013 11:18 pm


Pov narradora

Bill chegou à sala de aula batendo a porta com força e olhando os lugares que tinha para se sentar, ou ao lado de Ariel ou ao lado de Michael. Ele suspirou fundo estava com raiva, muita, muita raiva

-Onde você estava, Bill? –Tom perguntou

-Vai se fuder, Tom! –Ele disse estressado tacando a mochila na cadeira e se sentando ao lado de Ariel

-Nossa, quase feriu meus sentimentos –Tom falou irônico –É sério, onde você estava? Você não dormiu em casa...

Ele estava sentado de costas para Ariel, mas se virou fazendo uma careta estranha e olhou para Hoshi. Estava vindo uma energia estranha dela, uma energia que ele já tinha sentido uma vez. Uma energia estranha... Ele arregalou os olhos e se virou rápido para falar algo com o Tom.

-O que aconteceu com a Hoshi?! –Ele perguntou sério segurando o ombro de Tom com força

-Sei lá –Ele disse confuso e Bill apertou mais o ombro dele –Ai! Ai! Ai! Para com essa porra Bill!

-Mas é um viadin mesmo –Georg falou rindo

-Desculpa, mas eu não sou um monstro super dotado como vocês –Tom falou dando língua

-Parece que a Coraline veio hoje –Bill ignorou o que o Tom disse olhando para ela que conversava com a Ariel

-Ela estava se alimentando ontem –Georg respondeu

-E precisava faltar? –Bill arqueou as sobrancelhas –Que fresca...

-Não somos como você Bill! –Georg respondeu sério

-Que isso? Briguinha de monstro para ver qual é melhor? –Gustav rindo entrou na conversa

-Cala a boca! –Bill suspirou –Mas Georg, você também tá sentindo essa energia vindo da Hoshi?

O menino de cabelos longos ficou observando a menina por um tempo e quando ela viu que ele a observava sorriu

-É estou –Ele disse se virando para falar com Bill –Vem do corte da barriga dela, ou ela se cortou com alguma coisa do capeta ou o médico dela passou cuspe de anjo no machucado.

-Isso quer dizer que ela não é humana?
–Gustav perguntou e Georg e Bill entreolharam-se

-Não quer dizer nada –Bill encarou sério

-Sim, quer dizer que ela conhece alguém que sabe da nossa existência –Georg contrariou –Ou ela mesmo sabe...

-Vocês não podem ler a mente dela?! –Tom perguntou confuso

-É, mas é como se estivesse apagada... Não tem memória de nenhum corte ou coisa do tipo, só há memórias de uma humana normal –Bill respondeu

-Ou pode haver –Georg encarou Bill o contrariando de novo–Ela pode estar escondendo-as

-Vamos ficar de olho nela –Bill falou suspirando –Só isso.

Os meninos concordaram e Georg foi falar com ela

-Hoshi! –Georg foi falar com ela –O que aconteceu? E que corte é esse na sua barriga?

-O que??!?! –Ela perguntou desesperada –Que corte, Georg?!?! Você tá louco?!

-Como assim que corte? –Ele perguntou, mas já sabia a resposta

-Não tem nenhum corte!! –Ela disse levantando a blusa e, de fato, não havia nada

-Impossível –Bill olhou incrédulo sussurrando para si mesmo

[Já fora da sala]

-Fico feliz que você irá substituir o professor –A diretora falou para Rose enquanto as duas caminhavam para a sala –Bom saber que  filha dele ira substituir o trabalho do pai.

-Por favor Senhora –Ela disse com sua postura séria –Não quero que saibam que sou filha do Sr. Wilson

-Como você quiser –Disse a diretora e as duas entraram na sala fazendo Rose sorrir ao ver Ariel, mas seu rosto mudou quando viu a assassina do seu pai, Hoshi.

Pov Ariel

As aulas passaram lentas, mas graças a Deus era a hora do recreio. Peguei o meu lanche e quando estava indo para a mesa, que a Hoshi já estava sentada, eu vejo o cara da cicatriz no fundo do pátio encostado em uma viga. Balancei a cabeça tentando espantar essa imaginação, mas quando olhei de volta... Ele ainda estava lá.

Comecei a andar para a mesa de Hoshi ignorando a sua aparição, mas ele começou a me chamar com o dedo enquanto ria

“Está com medo?”

Escutei a voz dele na minha cabeça e respirei fundo, ele está me desafiando... E adivinha? Conseguiu. Andei até onde ele estava parando na sua frente

-O que é você? Ou quem é? Você é real? Eu não deveria falar com você, o que você quer comigo? –Comecei a perguntar e ele riu –Não ria! –Falei um pouco mais alto e firme fazendo seu rosto ficar sério e ele se colocou numa postura séria

-Fique longe da Rose –Disse ignorando as minhas perguntas

-A professora? –Perguntei confusa

-Sim, fique longe dela

-Por quê?

-Apenas fique!! –Respondeu em um tom mais alto

-Você não manda em mim –O desafiei com o olhar e ele riu ríspido

-Olha aqui –Disse rígido –Ou você fica longe dela ou eu te faço ficar!

Seu olhar transmitia ódio e raiva e isso me deu um pouco de medo. Olhei para trás e Coraline, Tom, Bill, Georg, Gustav e Hoshi me encaravam, me afastei dele e sentei na mesa que estava a Hoshi, deixando ele lá do jeito que estava. Ela estava sentada numa mesa separada enquanto os outros estavam na mesa do lado.

-Por quê está sozinha? –Perguntei me sentando

-Por que eu gosto da solidão –Ela girou os olhos –Você sabe muito bem que é por causa daquela bolacha tabajara! –Cruzou os braços

-Bolacha tabajara seria a Coraline? –Perguntei rindo

-Bléh e que... –Antes que a Hoshi terminasse de falar, Coraline chega e senta na mesa acompanhada de Georg, Gustav e Tom

-Ariel com quem você estava falando? –Coraline perguntou dando um sorriso ardiloso

Olhei para trás e “ele” ainda estava lá me observando

-Com ele –Disse voltando a olhar para ela

-Não tem ninguém ali –Sua expressão facial mudou para uma mais séria

Olhei para trás de novo, mas ele ainda continuava ali e, só para me provocar, ele deu um tchauzinho

Eles não estavam conseguindo vê-lo?!

-Eu estava no celular –Menti com a primeira coisa que veio na minha mente olhando para ele que ria. Filha da puta!

[...]

Depois de algumas aulas chatas, finalmente a hora da saída chegou, me despedi de Hoshi, da Coraline e dos meninos, tirando o Bill. Eu sei que eu devia ligar para o Elliot vir me buscar, mas eu acabei preferindo não, por que eu queria ir para o parque.

Comecei a caminhar para o parque, o qual eu tinha descoberto ontem quando eu me perdi. No caminho eu fui chutando algumas pedrinhas e quando cheguei me sentei em um banco que batia um pouco de sol. Suspirei fechando os olhos deixando os raios de sol, que batiam em mim, me esquentar. Mas eu abri os olhos... E me arrependi de ter feito isso

“Ele” estava do outro lado do parque, sentado em um banco que tinha uma sombra vinda de uma árvore que estava ao lado do banco. E ele fez a mesma coisa de hoje cedo, me chamou com o dedo e antes que eu escutasse a voz dele na minha cabeça tentando me desafiar. Fui até o banco e sentei ao seu lado e pude perceber que ele deu um pequeno sorriso de canto.

-Não gosta do sol? –Veio uma pergunta aleatória na minha cabeça e ele não respondeu me fazendo suspirar

Uma senhora passou me olhando estranho e isso me fez rir, apesar da situação não ter graça

-Qual é a graça? –Ele perguntou

-Você é só coisa da minha imaginação

-Mas você continua falando comigo –Riu como se estivesse me desafiando

-Você é só coisa da minha imaginação -Repeti para mim mesma fechando os olhos

-Então você tem uma imaginação muito sexy -Riu convencido

-Por que você está na minha mente?! -Eu já estava frustrada com isso

-Pergunte para si mesma... –Falou dando os ombros -Mas quem disse que eu sou apenas a sua imaginação?

Sorriu petulante, ele sempre dava esse sorriso convencido e esse olhar persuado. Ele conseguia confundir a minha cabeça

-Qual é o seu nome? -Perguntei curiosa. Será que pelo menos o nome dele eu posso saber?

-Eu não sou sua imaginação? Se você me imaginou, deveria ter imaginado um nome -Ele sempre tinha resposta para tudo, mas não as respostas que eu queria

Suspirei fundo olhando para seu rosto, ele estava com os olhos fechados e sentado todo largado no banco com os braços flexionados atrás da cabeça, ele parecia relaxado. O vento soprava balançando a árvore que nos dava uma sombra.

Eu olhava atentamente cada pedaço do seu rosto e era quase impossível não olhar para sua cicatriz enorme, queria perguntar o porquê dessa cicatriz e a minha vontade era de tocar. Mas eu sabia que ele não era real

As pessoas devem estar me achando louca, me vendo conversar sozinha... O parque tinha várias crianças brincando de brincadeiras diferentes, umas brincavam no balanço, outras de pular-corda, umas se escondiam no pique-esconde, outras concentradas no jogo de bolinha de gude e umas correndo para lá e para cá por causa do Frisbee.

Ele abriu os olhos rápido e dali em diante eu não acompanhei mais os movimentos, consegui ver um vulto e quando vi, ele estava na mesma posição, apenas com o braço esticado segurando o frisbee a alguns centímetros do meu rosto.

Ele era rápido... Muito, muito rápido.

Eu montei a cena na minha cabeça, a criança tacou o frisbee na minha direção e em um movimento veloz, rápido e exato, ele pegou o disco antes que ele me atingisse

-Desculpa moço! -Um garoto falou arrependido

-Tudo bem, só cuidado -Ele tacou de volta o frisbee para o garoto que continuou a brincadeira

-Ele consegue te ver? -Eu estava incrédula com tudo que tinha acontecido, a velocidade, os olhos dele abrindo rápidos como se algum perigo estivesse se aproximando, o garoto conseguindo vê-lo

Ele apenas deu um sorriso de canto esnobado e se inclinou para sussurrar no meu ouvido

-Sou mais real do que pensa, daughter!

-ARIEEEEEEEEEEEEEEEEL -Escutei Coraline gritar e vir correndo na minha direção com uma cara confusa -Está falando sozinha?

-O que? Não! Es-tou  fa..lan... -Minha voz foi morrendo quando vi que ele não estava mais aqui

-Uhum, está falando com Deus né? -Disse levantando uma sobrancelha e depois riu da própria piada

-Por quê? Não acredita em Deus ? -Perguntei ignorando a piada

-Deus é como papai noel, Ariel -Ela disse se sentando -Uns acreditam, outros não. E eu? Digamos que eu estou na lista negra dele

-Lista negra de Deus? -Perguntei confusa -Mas você ainda acredita nele certo?

-Sim, mas não faz diferença. Para que acreditar em papai noel se você não irá ganhar presente no natal? -Ela deu um curto riso -É mais fácil roubar o presente dos outros, afinal... Você já está na lista negra, não é? -Dessa vez ela me olhou nos olhos e me deu um pouco de medo

-E qual é o presente de Deus que você iria roubar? -Perguntei com receio e até um pouco de medo da resposta

-O que Deus dá de mais belo para o ser humano? -Fiquei calada esperando a resposta, que não veio -Vamos! Pense um pouco Ariel -Ela falou colocando o braço no meu ombro

-N-Não sei

-Apenas olhe em volta e responda -Disse ela estendendo a outra mão e apontando para as pessoas do parque

-Não sei! Crianças? Família? Natureza? -Falei tudo o que eu conseguia ver

-Não, minha cara. O melhor presente de Deus... -Ela deu uma pausa e me olhou com um olhar fixo - ...É a vida -Disse em um tom frio, que me fez arrepiar    

Coraline rouba o melhor presente dado por Deus para as pessoas... Então ela rouba a vida?


Meu pensamento estava confuso, mas antes que eu começasse a viajar nos meus pensamentos ela começa a dar uma gargalhada.

-O que está fazendo sozinha aqui? -Tirou o braço do meu ombro me olhando com um sorriso malicioso (?). E então eu percebi que ela e "ele" eram idênticos, no jeito de falar, as expressões faciais, o jeito de responder tudo com comparações, mas não as respostas que eu quero

-Pegando um ar fresco -Menti observando o chão

-Se eu fosse você não sairia assim sozinha, você é A garota, Ariel -Disse frisando bem o A como se eu fosse importante -Não se esqueça!

-Mas e você? -Perguntei ignorando o que ela havia tido

-Vim tomar um ar fresco -Disse sentando igualzinha a "ele"

Fiquei calada por um tempo até ver o Bill de longe e ele parecia distraído  

-Veio tomar um ar fresco com o Bill?!?!?! -Perguntei incrédula fazendo-a sentar normal

-Sim. -Respondeu sem animo

-O que? Mas espera... Desde quando você sai com o Bill? Quer dizer, vocês saem juntos?! -Perguntei tudo de uma vez quase atropelando as palavras e me enrolando

-Desde que nos conhecemos, eu acho -Respondeu ainda sem animo -Saímos quase todos os dias

-O que?! Mas... Ele...E... Você? Ele é um saco! Urgh! Como consegue ficar perto dele? Ele é estressado, chato, mimado e se acha o dono do mundo! A existência dele me irrita!

-Ariel, Ariel... Ariel... -Falou voltando a posição largada no banco -Se eu pudesse ler seus pensamentos... Diria que você está com ciúmes!

-O que?!!? Ciúmes?... Do Bill? -Olhei para onde ele estava e ele me encarava, estava concentrado em mim como se pudesse escutar a conversa -Claro que não. Só to impressionada por que ele é um chato de galocha

-Comigo ele é legal -Ela disse sorrindo

-Vai ver por que ele gosta de você -Girei os olhos e cruzei os braços. Hm... Bill gosta da Coraline, que os dois morram felizes!

-Bill não pode gostar de ninguém. -Ela falou um pouco... Triste?

-Por que não?

-Por que uma águia não pode se apaixonar por uma lebre?
-Ela perguntou e isso me fez olhar para ela -Por que apesar do amor, tem o desejo e o medo. O desejo da águia de comer a lebre e o medo da lebre das garras da águia e eles sempre vão estar com um pé atrás pensando: O que vai ganhar o medo/desejo dele ou o amor? E enquanto no coração de um houver essa dúvida, nem um nem outro poderão se amar

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27 Re: Sobre as asas de um demônio em Seg Nov 18, 2013 10:02 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Primeiramente, TODO mundo é algo sobrenatural nessa fic e só o TOM é normal? Sem graça? Sem sal? Pera ai, deixa eu terminar de rolar no chão de rir e já volto... hauahauaauaha
Eu acho é pouco pra esse Super Ego! Bem feito, é normal, sem graça, todo mundo foda e ele ai, normalzinho! u.u

Por que Coroline se alimenta, e pelo visto todos também, e Bill não? Não de espécies diferentes ou ele é especial? '-'
Eles não sabem quem é ou não sobrenatural? É isso mesmo? Que legal, em?!
Ok, Hoshi é sobrenatural e tem o poder de esconder o que se passa na mente dela... ou é alguma bruxaria do papai dela. Legal, ou não...

Então a Hoshi matou mesmo o professor... E pelo visto a filha segue os rumos do pai e vai ficar de olho na dona Ariel, ai aiiii.

E ok, como eu imaginava, o tiozinho da cicatriz não é do mal. Ele tenta proteger a Ariel. Porque exatamente não sei, mas minha teoria é que ele é alguém enviado da mãe dela, acho.

Me pergunto porque a dona Ariel é tão burra... Vai sair sozinha, sem o Elliot, espero que alguém a sequestre ou a torture pra ela largar de ser idiota e ignorar todas essas coisas sobrenaturais que acontecem com ela. Ainda acha que o tio da cicatriz é imaginação dela... faça-me o favor Ariel! Pelo menos a burrinha tentou fazer algumas perguntas pra ele, mas respostas que é bom, nada!

Coraline e uma dementadora por acaso? '-'
Me passou uma coisa pela cabeça... ela sempre está com o Bill... Ele se alimenta dela? '-'

Uma coisinha que fico de olho, nas frases em itálico e negrito... Posso tá sendo paranoica, mas pra mim são frases que no futuro irão se encaixar com todos os segredos escondidos nessa fic.
E quanto mistério! Até agora só sei que o tio da cicatriz é do bem, Tom é bobão e Hoshi assassina.

Continue dona Caroul, e comece a desvendar os segredos! Porque tô ficando louca aqui!  

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28 Re: Sobre as asas de um demônio em Ter Nov 19, 2013 3:53 pm

Nossa, a cada capitulo eu fico mais curiosa e confusa com esses mistérios affraid 

Como assim a Hoshi morre, e depois "desmorre"? Eu aqui achando que ela era a garotinha meiga da fic, ela MATOU um já!?
E pelo visto o professor que eu falei que ia se ferrar, se ferrou, aquele tongo... u.u Agora a filha dele vai começar a dar encrenca, tô até prevendo.

Qual a verdadeira ligação de Coraline e Bill? Ariel com ciuminhos... Hmmmmmm, sei não hein.

O cara da cicatriz me lembrou muito um Shinigami, tipo o de Death Note, some e volta, meio debochadinho, né...
Alguns tem poderes, uns mais que outros... O poder do Tom é dar com língua nos dentes.
(Tom o todo poderoso) lol! 

Tá na hora da Ariel ser mais ousada, desvendar essas duvidas... Sair mais com o Elliot tbm né Razz

E continue aê! cheers cheers

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29 Re: Sobre as asas de um demônio em Qui Nov 28, 2013 12:48 pm


Pov narradora

Depois da aula, Rose foi caminhando lentamente até a banca de jornal que se encontrava no parque

-Idiota! Idiota! Você está aí? –Ela perguntou de pé fora da banca

-Idiota? –Um cara disse surgindo de dentro da banca –Você não é muito diferente de mim –Ele riu

-Logo, logo eu recuperarei a honra para a minha família

-Pena que ela está toda morta –Ele disse rindo e ela ergueu ele pelo pescoço o sufocando

-Olhe aqui, eu vim te pedir um favor e você vai fazer por bem ou por mal! –Ela apertou mais a mão no pescoço dele

-Diga o que você quer, que eu faço –Ele se rendeu e ela o largou

-Quero que você leve a Ariel para a floresta

-Ariel? A menina nova de cabelos ruivos?

-Sim, ela mesma

-Como você quer que eu leve a garota para a floresta? Vai ser impossível –Ele disse impaciente –“Olá menininha, você gostaria de entrar nessa floresta sombria?” –Disse irônico fazendo uma voz fina

-Dê um jeito –Rose disse de costas indo embora

Pov Ariel

-O que!? –Eu não havia entendido nada do que ela tinha dito –Eu não entendi nada -Falei fazendo uma careta

-Apenas veja as coisas Ariel... E você entenderá –Ela disse fechando os olhos

Suspirei e olhei para minha frente, olhei para Bill na verdade e ele olhava para mim.

-Não vejo nada –Disse ainda olhando para o ser maquiado

-Ás vezes... –Ela falou calma e deu uma pausa enquanto eu continuava olhando para o Bill. Inclinou-se e sussurrou no meu ouvido –Nós temos que fechar os olhos para ver alguma coisa

-Você não gosta muito da lógica, não é? –Perguntei virando o rosto para olha-la, mas ela não estava mais ao meu lado

-Tchau Ariel, nos vemos mais tarde –Ela gritou, pois já estava longe. Como eu não vi ela saindo?!

-Tchau –Disse mesmo que ela não pudesse escutar

Ela foi correndo falar com ele, que ainda me olhava. Dei um tchauzinho só para ver se ele estava me olhando mesmo, mas ele virou o rosto para falar com Coraline me ignorando completamente, ela me olhou sorrindo maliciosa como sempre e falou alguma coisa para ele, que me olhou dando os ombros

Peguei o meu celular e liguei para o Elliot, não sou obrigada a ficar aqui vendo o mimimi dos dois.

-A quem devo responder? –Elliot não sabe usar um telefone não?

-Olá Elliot –Disse e dei uma risada –Você pode vir me buscar no parque?

-Tem como você ir para a Hauptstraße? Algumas ruas fecharam e eu não vou poder ter acesso para ir ao parque...

-Claro... –Respondi mesmo não sabendo onde era a Hauptstraße

-Ok então nós vemos daqui a pouco

-Tchau –Respondi e desliguei

Fiquei sentada encarando a grama até que avistei uma banca de jornal, na qual havia um homem que me olhava, me levantei e fui até lá.

-Olá pequena jovem... Algum problema?

-Na verdade sim... –Disse um pouco sem graça ainda fora da banca–Você sabe onde é a Hauptstraße?

-Claro –Ele disse dando um sorriso . Todos nessa cidade tem esse sorriso macabro ou é impressão minha? –Venha cá

Entrei dentro da banca e ele foi atrás do balcão mexendo em alguns papéis velhos fazendo um poeira subir

-Aqui! Achei! –Disse tirando um papel velho de uma pilha de papel velho

-O que... –Comecei a tossir por causa da poeira –O que é isso?

-É um mapa da cidade –Ele disse e deu um sorriso falso –Aqui... É só você seguir esse caminho –Disse marcando um caminho no mapa com uma caneta

-Obrigada –Disse sorrindo e pegando o mapa –Quanto o mapa custa?

-Não precisa pagar, fique com ele. Ninguém ia querer esse mapa velho mesmo –Disse dando os ombros –Obrigado

-Pelo que? –Perguntei confusa... Não era eu que tinha que agradecer?

-Por facilitar as coisas –Um sorriso medonho se formou em seus lábios

-Como? –Perguntei confusa

-Nada, apenas vá e verá

-Ok –Disse ainda confusa e sai da banca

Comecei a caminhar lentamente chutando umas pedrinhas pelo caminho. Continuei andando e andando, e andando, e andando, mas nunca chegava nesse lugar... Ou esse lugar é muito longe ou eu estou no caminho errado, pois estou andando faz 1 hora e nada. As ruas, pelas quais eu passava, eram estranhas...

Eram vazias e sombrias (?) e as pessoas eram mais estranhas que as ruas. Elas me olhavam como se estivessem vendo uma assombração, quando eu passava elas trocavam de rua me evitando. Elas tinham uma aparência doente e estranha, deixei isso de lado e continuei andando e andando

-Porra! Esse lugar fica na puta que pariu?!!?!? –Perguntei-me já puta com a situação e peguei o meu celular para liga para o Elliot

E adivinhem? Meu celular está sem sinal

-Merda! Mil vezes merda!! –Xinguei guardando o celular imprestável

Continuei andando até parar num campo totalmente plano, sem casa, sem árvores, sem prédios, com a grama morta e nenhum sinal de vida. Nada, absolutamente nada, apenas o vazio

–O que?!?!

Eu olhei para trás onde estaria à rua de qual eu tinha saído, mas ela não estava lá... Tinha apenas o enorme campo com a grama morta e nada mais. Virei meu rosto e me deparei com uma floresta enorme á minha frente. Como se aquilo tudo era um campo enorme? Como aquela floresta foi parar aqui!?!?!

Dei um passo para trás e me virei para ir embora...

Pov narradora

A menina estava confusa, ela tinha acabado de sair de uma rua e ir para um campo, mas quando se virou a rua não estava mais ali... Voltou seu rosto para frente e havia uma floresta, onde antes havia o campo. Ela ficou com um pouco de medo, obviamente, então deu um passo para trás se distanciando da floresta e se virou para ir embora

Mas já era tarde...

Ela já estava dentro da floresta


Olhou em volta e havia muitas árvores finas, mas altas, muito altas, era uma floresta densa e fechada só alguns raios de sol passavam pelas árvores e isso tornava a floresta fria e escura com um cenário sombrio, a neblina carregada se formava dificultando a visão junto a escuridão por falta do sol. O chão era coberto por folhas mortas caídas das árvores, cobrindo-o com a cor marrom.

-Olha, olha, olha –Uma voz soou entre as árvores fazendo a garota se virar bruscamente para a direção de onde veio a voz –Não é que você veio mesmo para a minha festinha...

-ONDE EU ESTOU!?
–A ruiva gritou um pouco desesperada e com medo, ela tinha medo da escuridão e o pior... Tinha medo de estar sozinha nela.

-Calma flor –A voz agora veio de outra direção fazendo a garota se virar novamente –Você está na minha festa. A festa do sacrifício

-QUEM ESTÁ AI?!!? –Ariel correu na direção da voz, mas não encontrou ninguém

-Olha que coincidência perfeita –A mulher riu macabra –Só há eu e você na festa, sendo que a festa é minha e eu preciso de um sacrifício. Não vai existir nada mais vivo do que a cor vermelha do seu sangue na minha coroa

-O QUE VOCÊ QUER COMIGO?!

-Dá para você parar de berrar!?!? –Ela disse em um tom mais auto e autoritário –Você é burra ou faz aula para ser?! Não está obvio que eu vou te matar?! Não se preocupe não vou ser tão cruel, será uma morta rápida

A menina engoliu seco e saiu correndo pela floresta se cortando um pouco nas árvores e plantas e quando mais ela pensava que estava distante da voz da mulher a risada dela voltava mais alta

-Você acha que pode fugir de mim aqui?! –Disse dando uma longa gargalhada

-ME DEIXA EM PAZ!!


Ela correu mais rápido, correu com todo o seu folego, correu como se a vida dela dependesse disso e, talvez, dependia. Medo era o que ela sentia, medo, pavor e ódio por te parado ali, ódio por ter confiado no mapa inútil do cara da banca e ódio por tudo isso acontecer com ela

Ela estava correndo com os olhos fechados com medo de abri-los e ver algo que assustasse mais e no meio disso acabou batendo em alguém que a segurou forte pelo braço.

-ME SOLTA! ME DEIXA IR EMBORA! –Ela gritou se debatendo ainda de olhos fechados e a pessoa a segurou pelos dois braços

-FICA QUIETA! –Ele disse sacudindo-a e ela abriu os olhos

-Bill? –Sua voz saiu um pouco chorosa e então ela o abraçou forte. Apertou mais o abraço e ele não sabia o que fazer, não esperava essa reação da menina e se separou dela.

Ariel sabia que o Bill não era a melhor companhia numa floresta sombria com uma pessoa maluca a ameaçando, mas pelo menos era alguém e se, por um acaso, ela morresse...

Não morreria sozinha... Que era o seu maior medo

-Quem está te seguindo!?!? –Ele perguntou sério ainda segurando ela pelos ombros

-Eu não sei.. –Ela respondeu e queria chorar

-Quem está te seguindo, Ariel?!

-Eu. Não. Sei! –Respondeu pausadamente

-Pense um pouco! –Ele falou sem paciência

-EU NÃO SEI! –Ela gritou e alguma coisa se mexeu nas plantas fazendo o Bill encarar para o lugar sério. Ele poderia ficar e lutar, mas não com a Ariel aqui... Eram muitos e ele sabia disso, não daria conta de lutar e proteger a menina, foi quando ele escutou uma risada

-O que é isso!?!? –A menina perguntou assustada

-Shhhh! –Ele sussurrou se colocando na frente da pequena menina como se estivesse protegendo de alguma coisa... E certamente estava.

Um silêncio parou no ar e o Bill observava tudo quando se escutou um pequeno “crashh” de um galinho se quebrando

-CORRE! –Ele gritou e a menina correu.

Ela estava correndo e tinha certeza que Bill estava correndo atrás dela, mas tinha certeza que havia outra coisa os seguindo. Quando ela ia virar, sentiu como se alguém fosse a morder, mas ele a puxou e começou a correr na direção contrária. Ele a segurava pela mão enquanto corria carregando-a, ele era muito mais rápido então quase arrastava a garota com a velocidade sobre humana.

Foi quando ele parou do nada fazendo a menina bater nas suas costas. Ele tinha parado na divisão com a outra parte da floresta, a pior parte...

A parte mais escura, mais sombria, mais densa, mais assustadora e ruim, se a outra parte só alguns raios de sol passavam pela árvores... Nessa parte nem o menor raio de sol conseguia atravessar as espessas árvores, que nesse lado eram maiores e mais grossas.

Bill teria certeza que se entrasse nessa parte seria o fim para Ariel, ninguém humano que entrou nessa parte da floresta retornou e muitas criaturas fortes... Também não retornaram

Ele olhou para trás e viu que estava cercado pelas criaturas, que estavam escondidas atrás das árvores, Ariel não via nada e procurava com o olhar, mas ela não conseguiu. O único jeito era entrar, pois as criaturas não os seguiriam nessa parte, mas as criaturas do outro lado eram bem piores... E quando Bill sentiu que uma das criaturas iria atacar, ele entrou e correu à dentro dessa parte da floresta despistando as criaturas

-Merda! Merda! Merda! –Ele falava sozinho enquanto andava perdido pela floresta

Ele olhava para os lados tentado descobrir por qual lado ir e também para ver se tinha alguma criatura. Ariel só o seguia, ela não havia entendido nada e estava perdida nos seus pensamentos e por incrível que pareça ela não estava com medo. Ela olhava para a sua mão, na qual ele segurava com força, e, ao contrário do que tinha pensado, ele não largou e continuou andando segurando firme.

Ele falava alguma coisa, mas ela não prestava atenção só prestava atenção na mão dele segurando a sua.

-Ariel –Ele falou parando de andar e soltando a mão dela

-Hãn? –Respondeu meio perdida

-Você precisa tentar descobrir quem era essa mulher que estava te ameaçando –Ele a olhou nos olhos e tentou não mostrar que estava preocupado com o fato de estar nessa parte da floresta

-E-Eu não sei, Bill –Ela disse já exausta disso

-Você precisa descobrir, quem teria motivos para te ameaçar!?

-Eu cheguei aqui essa semana, Bill! Por que diabos alguém teria motivo para me ameaçar?!?!

-Assim não facilita as coisas –A paciência dele estava indo embora

Ficou um silêncio um pouco constrangedor até a menina lembrar de um detalhe

-Bill, a mulher tinha a mesma voz da Rose! –Ela falou mordendo o lábio

-A professora de alemão?! –Ele arqueou uma sobrancelha

-Sim, mas por que ela estaria me ameaçando?! Eu... Ela... Nós, tipo... Eu nem a conheço –Ela se enrolou um pouco na fala enquanto articulava com as mãos

-Você pode não conhecer ela, mas nada diz que ela não te conhece –Ele disse enquanto observava a floresta

O silêncio voltou e dessa fez ficou por longos minutos, Ariel passou a observar a floresta e se encolheu um pouco assustada e com frio

-Bill... –Ela o chamou tirando-o dos seus pensamentos

-Hm? –Respondeu olhando-a de canto enquanto ela se encolhia mais e cruzava os braços tentando se esquentar

-Vamos embora dessa floresta...

E ele riu.

Riu com a inocência da garota


Sair dessa floresta é mais difícil que procurar agulha no palheiro, mas, ainda sim, é possível encontrar a agulha já sair dessa floresta é quase impossível.

-Queria que fosse tão fácil assim –Ele a olhou sério

-E não é?

-Você sabe onde você tá, garota?! –Ele já estava irritado

-Não me chame de garota! –Ela falou entredentes

-Você está no lado negro da floresta negra! –Ele falou com um sorriso sinistro –A floresta negra é uma das 13 florestas mais assombradas do mundo! Fica em segundo lugar, essa floresta é tão densa que a luz do sol raramente passa entre as copas das árvores, criando um cenário ideal para as criaturas que aqui vivem. E, como se não fosse o suficiente, ela tem outro lado... Um lado mais sombrio, mais sinistro, mais diabólico, mais monstruoso e mais horroroso com as criaturas mais horrendas e infernais que você possa imaginar. Nenhum humano conseguiu sair dessa floresta. Você entra... Você morre. O inferno perto disso... É um parque de diversão

-Criaturas horrendas seriam animais perigosos, não é? –Ela perguntou horrorizada

-Entenda como quiser –Ele deu os ombros

-Mas voc...-Ela ia dizer algo até que se escuta um barulho de alguém, mais provavelmente algo, andando entre as folhas

-Calada –Bill a cortou enquanto tentava descobrir que criatura era com a mente e pelo cheiro

-O qu..- Ela ia falar de novo, mas ele a corta novamente

-Quieta!

-Você n...

-Cala a porra da boca! –Ele disse em um tom bem alto, quase em um grito, e a criatura, que já se distanciava de onde eles estavam, ouviu e começou a andar na direção deles

A criatura estava bem perto e Bill sabia que correr seria inútil a partir do momento que ele descobriu que criatura era. Ele pegou a mão da menina e começou a andar pela floresta procurando algum lugar para se esconder

“Você pode correr, mas não pode se esconder”

É como diz o ditado, mas, no caso deles, é ao contrário. Você não pode correr, pois isso alimenta o desejo da criatura de te alcançar, dando inicio a uma caçada. Então não corra por que você pode ter certeza que ela é mais rápida que você, se esconda e reze para que ela não te ache.

Bill encontrou um grupo de 5 árvores que se juntavam e formava um circulo fechado, como se fosse uma bola fechada com um buraco oco dentro, ele empurrou a menina dentro e entrou. Apesar de serem cinco árvores formando o circulo, o buraco era pequeno então eles tiveram que se espremer ali

-O que você tá fazendo?! Por que a gente está aqui!?? –Ariel perguntou confusa e estranhando a situação, afinal não é todo dia que você se perde numa floresta, uma mulher te ameaça, um aluno da sua turma te salva e sai correndo com você pela floresta para depois te empurrar para dentro de umas árvores velhas

-Tem uma criatura nos seguindo –Ele sussurrou baixo no ouvido dela já que eles estavam espremidos no buraco, ela estava grudada no peito dele, totalmente desconfortável e ele estava curvado, por causa do tamanho do buraco, fazendo seu rosto ficar ao lado do pescoço dela.

-Uma criatura!?!?!? –Ela perguntou espantada

-Fala baixo –Ele sussurrou de novo –Ele vai te escutar

-Por que tem uma criatura nos seguindo!?!? –Ela não se acalmou e ele virou o rosto para olha-la nos olhos

-O que eu tenho que fazer para te deixar calada? –Ele perguntou meio debochado com o rosto a centímetros do dela, tão perto que ele sentia a respiração dela

-Mas t...

Então ela se calou


Ele colocou a mão na boca dela para fazê-la calar a boca. Ele ficou imóvel e ela também, mas ela ficou imóvel de medo, dava para escutar o som da criatura andando bem ao lado deles

Então um rosnado

E a respiração do bicho mais perto deles...

E um grunhido mais perto...

A respiração asquerosa mais próxima...


O rosnado da coisa que estava lá fora era alto, a menina fechou os olhos com força com o pensamento bobo de que quando ela os abrissem, ela estaria na cama e tudo não passaria de um pesadelo. Mas quando ela abriu viu o rosto do Bill, o rosto dele não demostrava reação nem emoção nenhuma, nem medo, nem pavor, nem parecia assustado, pelo contrário... Estava calmo

A menina virou o rosto e observou que tinha uma frecha na árvore...

E decidiu olhar por ali...

E se arrependeu amargamente...

Ás vezes, vemos coisas... Mas não há nada que diga que elas não sejam reais














_________________________________________________________________________________________________________________
"* Floresta negra = Muitos dos contos dos irmãos Grimm foram situados nesta floresta situada ao longo do rio Reno, no Sudoeste da Alemanha. A Floresta Negra é tão densa que a luz do sol raramente passa entre as copas das árvores, criando um cenário ideal para fábulas de personagens como lobisomens, bruxas e gnomos. A escuridão de floresta misteriosa faz com que, muitas vezes, ela incite lendas e histórias de assombrações, fenômenos inexplicáveis e histórias assustadoras."
As fotos da capa não são da floresta negra, pois eu achei que a foto dessas outras florestas caíssem melhor. Apesar de dizerem que a floresta é mal-assombrada, nesses últimos anos estão se fazendo um monte de atrações turísticas na floresta XD

/\ Viu como fanfic tbm é cultura u-u

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30 Re: Sobre as asas de um demônio em Qui Nov 28, 2013 2:50 pm

Sam McHoffen

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Ariel burra. Fim. u.u

Não, serio. Eu falo zoando, mas a Ariel tá vendo que coisas sombrias e nada normais está acontecendo com ela, mas não quer enxergar, ela fica no mundinho inocente dela. Isso que me irrita, mesmo com tudo isso que tá acontecendo bem na cara dela, ela tenta ignorar.

Essa coisa que a Coraline falou, pra Ariel fechar os olhos e ver as coisas como são... É o que digo, a Ariel não quer ver o que acontece, a partir do momento que ela quiser, ela vai ver e tentar ligar todas as coisas que estão acontecendo na vida dela.

E que tapada! Acreditar o cara da banquinha de jornal. Por que não foi falar com a Coraline ou com o Bill? Pelo menos a informação seria mais confiável u.u

Eu não teria saído do lugar, teria falado pro burro do Elliot me buscar a pé e me levar até o carro... pelo menos seria mais tempo com ele u.u
Mas se bem que agora ela está com o Bill, que é opção melhor... ou não '-'

Cara, eu teria corrido sem parar nessa floresta, sem pensar no amanhã! O_O
Essa Rose... hmm... Muito malvadinha ela.

Bill querido, me leve pra floresta negra também! Por favor u.u
Quero até ver o que esses dois vão fazer nessa floresta... se não se derem uns pegas, espero que consigam sair e não encontrem mais bicho, ou seja lá o que for que a Ariel viu... Falando nisso, espero que agora que ela viu essa 'coisa', acorde pra vida e veja as coisas sobrenaturais que acontecem a sua volta, mas que ela teima em ignorar.

Continue logo dona Caroul! 

P.S.: Eu já ouvi falar da Floresta Negra, não sei muito a respeito, mas já tinha ouvido o nome u.u

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31 Re: Sobre as asas de um demônio em Qua Dez 04, 2013 8:46 pm


Pov Ariel

Eu estava com muito medo, o pavor corria nas minhas veias e tudo que eu podia fazer é ficar quieta e esperar que essa “criatura”, seja lá o que for, não nos ache. A mão do Bill ainda estava na minha boca, evitando-me de fazer qualquer som e o seu rosto estava a milímetros do meu. Seu rosto, diferente do meu, estava calmo e isso, e o fato dele estar perto demais, me incomodou então eu virei o rosto encontrando uma frecha na árvore. Eu queria olhar, mas estava entre duas coisas... Entre o medo e a curiosidade

O medo de ver algo que eu não quisesse ver e a curiosidade de vê-lo...

Mas a curiosidade venceu...


Eu olhei entre a frecha da árvore e se o Bill não estivesse com a mão na minha boca, com certeza, eu teria gritado. Não tinha palavras para descrever... Aquilo. Era uma pessoa? Um alienígena? Não... Essas coisas não existem. Eu estou em um pesadelo, mas por que eu não acordo?

Ele, quer dizer, aquilo se rastejava no chão andando de um jeito estranho... Ele tem uma cor de pele meio bege, normal como uma pessoa e é careca, parece uma pessoa deformada  e corcunda com o corpo torto como se, realmente, tivesse sido acidentado... Atropelado por um caminhão talvez.

Eu não sabia dizer se era uma pessoa, mas o que quer que seja não usava roupas. Ele andava com as mãos e os pés, como se fosse um animal. Era super, hiper magro e como estava de costas, eu conseguia ver perfeitamente a sua coluna vertebral e podia contar cada osso... Um por um. Ele estava de costas e virava o pescoço para todos os lados e eu podia ouvir o barulho dos seus ossos estalando e batendo um nos outros. Sabem aquelas pessoas possuídas que começam a mexer a cabeça como se não tivessem ossos? Então exatamente isso, e isso estava me dando um medo que vinha do fundo da alma.

Então ele começou a se virar...

Eu escutava seus ossos estalando enquanto se virava...

E se virou mais...

E quando eu, finalmente, ia ver o seu rosto...


Bill vira a minha cara para a dele para não ver o rosto da criatura, sua expressão era séria e a minha respiração estava acelerada pelo susto que tomei do Bill virando o meu rosto de repente e como se a situação não fosse assustadora o suficiente, Bill move o rosto para o lado para ficar com os lábios perto do meu ouvido e sussurra baixo e num tom que chegava a ser... Sexy?

-Nunca... Nunca na sua vida...olhe nos olhos dele.

Eu não pude dizer nada por que a mão dele ainda estava na minha boca e eu estava quase mordendo ela. Eu ainda escutava o grunhir da criatura e então uma dor aguda nos meus ouvidos. Ela estava... falando!?

Eu ouvia a voz, uma voz estridente...

Mas não entendia o que ele dizia...

E então o silêncio...

E do nada:

-Seu coração está batendo rápido –Bill disse perplexo e surpreendido tirando a mão da minha boca

-Jura?! –Girei os olhos debochada, já aborrecida e ele continuou olhando para o meu “coração” no caso para os meus peitos. E ele olhava como se fosse uma criança olhando um doce, mas tinha inocência no seu rosto –Dá para você parar de olhar? –Pedi colocando a mão na frente dos meus peitos

-Você está com medo? –Ele agora encarava o meu rosto admirado

-E você não!??! –Perguntei espantada

Ele não respondeu, apenas ficou me encarando enquanto eu me remexia um pouco tentando encontrar uma posição agradável, mesmo sendo impossível então bufei e ele continuou me encarando

-Tem alguma coisa no meu rosto? –Perguntei fazendo uma careta e ele negou com a cabeça. Voltei a me remexer, pois tinha a porra de um galho machucando as minhas costas, então eu fiquei me mexendo tentado ver se achava uma posição que ele não me machucasse

-Você se mexe muito não é? –Ele perguntou piscando os olhos várias vezes como se não compreendesse

-Tem...-Me mexi mais –Uma porra...de galho... machucando as minhas cost... Ai!

E do nada eu senti a mão dele deslizando pelas minhas costas e então me puxou fazendo-me arquear as costas e, literalmente, colar nele. Se antes eu já estava colada nele, agora eu estou quase entrando nele. Ok... Essa posição é muito, muito desconfortável além do que ele está me apertando e está me deixando sem ar, sem falar que o meu rosto está no pescoço dele. Ok, ele é cheiroso, muito, muito cheiroso

-Acho que eu prefiro do outro jeito –Falei sem graça e ele me soltou fazendo a minha costas bater no galho. Se eu preferia ficar cheirando o pescoço cheiroso do Bill? Sim, mas eu não ia admitir. Ficou um silêncio infernal e eu fiquei me mexendo –Será que a gente pode sair daqui agora?!?!

Ele ficou em silêncio e depois saiu sem falar nada então eu sai também, ele estava de costas e só agora eu percebi que carregava uma mochila nas costas, obvio que estava apertado dentro da árvore, por que o idiota não tirou a mochila? Argh! Eu fiquei parada atrás dele esperando ele pelo menos se mexer, mas ele estava igual a uma estatua.

-Está limpo... –Ele falou mal movendo os lábios –Por enquanto...

Eu estava morrendo de medo e tudo que eu queria era a minha cama, os meus pés estavam me matando, mas acho que o pior era o pavor daquele troço voltar e o temor de descobrir o que realmente esse troço era. Eu queria perguntar para o Bill o que era, mas é capaz dele me dar um coice, já que ele tá com uma cara de cu que está me incomodando.

-Aquilo... Vai voltar? –Eu não consegui não perguntar, o medo já estava transbordando em mim

Ele não disse nada, só continuou caminhando

-Perfeito! –Ele disse quando encontrou uma casa abandonada no meio da floresta e começou a andar até ela

-Você está brincando que quer entrar ai!?!

Ele me ignorou e já estava de pé na porta da casa

-Eu não vou entrar ai –Falei negando com a cabeça

-Certo –Ele deu os ombros e virou o rosto até o ombro me olhando de lado –Então fica ai e convida aquilo para tomar um chazinho

Olhei em volta com medo e suspirei olhando a casa. Ela estava totalmente velha e abandonada, era uma casa grande com uns três andares, os vidros estavam sujos, a parede descascando e cheia de teia de aranha... Se ela é assim por fora, não quero nem saber como é por dentro. Bill estava parado na porta esperando alguma reação minha e então eu andei até o seu lado e ele abriu a porta

E um rangido enorme...

E o grunhido da criatura em algum lugar perto dali...

Ela não tinha indo embora...


Eu entrei rápido não querendo ficar do lado de fora quando a criatura nos achasse, Bill entrou e a porta foi rangendo, e rangendo, e rangendo até se fechar. Caminhei um pouco pela casa, ela por dentro era enorme... Tinha uma mesa enorme, um sofá e alguns móveis completamente cobertos por poeira e teias de aranha e estava completamente um breu... E eu mal consegui ver e acabei tropeçando

-Merda! –Xinguei e olhei para o Bill que ainda estava parado na porta –Bill?

Apesar do escuro eu consegui ver o rosto dele por causa da “luz” que vinha da janela. Ele estava parado com os olhos arregalados e com uma cara de dor, ele parecia tentar mexer o corpo, mas era como se tivesse algo o impedindo, ele tentava andar, mas não conseguia. Suas veias já estavam exaltadas e ele estava me dando medo

-Bill você está bem? –Perguntei andando até ele cuidadosamente

Ele abriu a boca várias vezes, mas não disse nada apenas levantou a cabeça e me olhou. O seu olhar era assustador e, realmente, parecia que ele iria me matar e se não tivesse muito escuro eu podia jurar que os olhos dele estavam de outra cor, mas eu não conseguia ver qual, ele me olhava e eu senti que ele me machucaria se eu chegasse mais perto

Mas eu cheguei...

Toquei em seu rosto...

E ele caiu no chão.


Parecia que o que “prendia” ele tivesse “soltado”, ele respirava ofegante e me olhou assustado. A poeira voava e eu não sabia o que fazer, ele estava de joelhos e com as mãos no chão... Eu o olhava assustada e ajoelhei para ver se ele estava bem e quando fui colocar a mão no seu rosto, ele segurou meu pulso forte e me olhou nos olhos... Mas agora seus olhos estavam normais.

-Você está bem?! –Perguntei e ele se levantou me levantando junto pelo pulso

Ele não respondeu só soltou o meu pulso e começou a caminhar pela sala, pegou um isqueiro da mochila e começou a acender umas velas e lampiões que tinham na sala.

-Melhor agora... –Falei do escuro e ele foi até a porta tirando uma faca da mochila -Bill, você tá me assustando, aquilo está me assustando. Será que você pode explicar o que tá acontecendo?! –Perguntei segurando meu pulso que doía um pouco pela força que ele tinha feito. E ele começou a marcar a porta com um símbolo estranho

-Canibal –Restringiu-se responder

-“Aquilo” era uma pessoa, um canibal!? –Fiz aspas com a mão quando disse “aquilo”

-Sim –Deu os ombros

-E ele está atrás da gente?!

-Provavelmente –Deu os ombros de novo

-E você não está nem um pouco nervoso!?

Deu os ombros de novo e dessa vez não respondeu, continuou a observar a sala e eu comecei a observar também. A escada de mármore que dava para o segundo e terceiro andar estava rachada e quebrada então só podíamos ficar no primeiro andar. Tinha apenas duas portas contando com a da entrada, a segunda devia ser algum escritório ou coisa do tipo

-O que nós iremos fazer agora?! –Perguntei com medo e ele caminhou até a segunda porta

-Nós?! –Ele perguntou debochado de costas para mim, me olhando por cima do ombro enquanto abria a porta –Você fica aqui... E tente não fazer merda!

E bateu a porta me deixando sozinha naquela sala.

-“Você fica aqui e tente não fazer merda” –Imitei o Bill fazendo uma foz fina de gay e uma careta -“Por que eu sou machão e não tenho medo e mimimimi” Argh!

Assoprei o assento do sofá para tirar a poeira e sentei com os braços cruzados e fiquei batendo o pé esperando a madame sair para dar noticia de vida. Mas ele não saiu... E o tempo passou, e passou, e passou...

Levantei-me e comecei a andar pela sala e acabei reparando num quadro de um homem e eu podia jurar que já vi esse quadro antes... Mas aonde? Continuei andando e tinha um tapete grande, chutei ele com o pé e havia uma porta debaixo dele

-Yeah... As pessoas já foram mais criativas com portas secretas –Disse me gabando e abri essa porta, mas não tinha nada... Apenas cimento –Me senti enganada...

Fechei a porta emburrada voltando a andar e depois de um tempo acabei percebendo que numa parede havia uma rachadura...

-Perai... Não é uma rachadura –Falei empurrando um móvel fazendo mais poeira subir e a “rachadura” era uma porta escondida atrás do móvel –Háhá ai está a minha porta secreta

Fiquei empurrando a porta para ela abrir, já que ela não tinha maçaneta, e depois de alguns empurrões e chutes ela abriu. Peguei um lampião e entrei... Tinha uma escada enorme e a minha curiosidade me fez descer por ela e no final tinha uma porta sem fechadura apenas com uma maçaneta...

Mesmo com empurrões, chutes, palavrões, porradas... A porta não abriu, tentei girar a maçaneta para todos os lados e nada... Tentei arrombar a porta e nada, mas do lado da porta tinha um buraquinho pequeno e parecia que era para haver um botão ali. Coloquei o dedo e senti uma dor

-Merda! –Falei tirando o dedo que estava sangrando por causa de um furinho que o buraco fez

E do nada a porta abriu... Ela dava para um quarto e, por incrível que pareça, ele não estava empoeirado, esse quarto não tinha janela e em uma parede tinha vários papéis e fotos grudados. As fotos eram da mesma menina e os papéis eram cartas, mas todos estavam rasgados na mesma parte e diziam:

“Querida Sarah,
Eu estive esperando por você, eu estive lutando por você e eu estive te amando como um anjo ama suas asas e um demônio ama o sofrimento...”

Os restos das cartas estavam rasgadas, mas todas estavam escritas isso. Eu me sentei na cama que tinha ali e percebi que tinha alguma coisa debaixo do travesseiro, eram dois colares cada um com uma chave e um papel preso

“Essas chaves abrem as portas da Terra para o céu e da Terra para o inferno...
                                                                                          Então que um bom dangeli as peguem
                                                                                                                                    -Amém”

Eu fiquei encarando aquelas chaves, eram bonitas e pareciam velhas, mas continuavam perfeitas. Guardei no bolso e voltei para a sala que eu estava antes, fechei a porta e coloquei o móvel no lugar. Bill ainda não tinha saído do cômodo que ele havia se enfiado ou se saiu não me deu por falta. Voltei a me sentar no sofá e eu estava morrendo de frio, lá fora já estava escuro e eu tentava me esquentar com o lampião. Eu fiquei olhando para a porta do cômodo que o Bill tinha entrado tentando deixar o meu orgulho de lado e ir falar com ele

Suspirei bem fundo e fui até a porta, mas quando eu ia bater... Ele abre só um pouco, o suficiente para eu poder vê-lo, mas eu não conseguia ver o que havia dentro do quarto

-O que foi? –Ele perguntou com um tom sério

-Er... Que... Eu estou com frio... –Falei um pouco sem graça de ter interrompido ele, seja lá o que esteja fazendo –E já está escuro...

-Toma –Ele falou tirando a jaqueta dele e me dando

-O que? –Perguntei perdida

-Você não está com frio? Então toma

-Mas e você? –Perguntei colocando o casaco

-Eu não s... Eu não estou com frio –Disse saindo do cômodo e fechando a porta atrás de si

Coloquei a jaqueta, mas ela estava fria então fiz uma careta voltei para o sofá e me sentei encolhida, ele ficou me olhando e depois olhou para o lado

-Já volto –Disse indo em direção a porta

-Aonde você vai!?!? –Perguntei me levantando vendo que ele já abria a porta

-Pegar lenha... Tem uma lareira ali –Disse normal

-Você vai sair nessa floresta escura para pegar lenha!? Sendo que tem uma coisa por ai nos caçando e também vai me deixar sozinha aqui com essa coisa por ai?!?!?! –Perguntei desesperada

-Calma... Ela não pode entrar aqui e eu vou ficar bem... Alias você não está com frio? –Perguntou levantando a sobrancelha

-Sim, mas...

-Então pronto –Disse abrindo a porta e saindo, mas antes de fechar disse -E eu não tenho medo daquela criatura... Ela tem medo de mim

E saiu

Eu me sentei no sofá encolhida abraçando as minhas pernas e sussurrei, mesmo que ele não fosse escutar;

-Mas eu preferia ficar com frio do que saber que você saiu nessa floresta escura sozinho...

Eu fiquei tentando me convencer que tudo vai ficar bem, eu estava contando os segundos para que o Bill voltasse e nós fossemos embora dali. Peguei uma das chaves e fiquei a admirando até que escutei uma batida na porta

-Bill?! –Perguntei e me levantei

E mais uma batida...

-Bill? É você?

E mais uma batida

-Bill, por que você não responde?

E então as batidas pararam...

-Ariel abre a porta! Minhas mãos estão ocupadas –Escutei a voz do Bill e suspirei de alivio correndo para a porta para abri-la

Mas não havia ninguém lá...

Olhei para um lado...

E nada.

Olhei para o outro...

E nada.

E quando eu olhei para frente... Eu me arrependi.


A criatura estava lá, de costas e em pé, ela era alta, muito, muito alta, devia ter uns 4 metros. E a sua coluna vertebral, que era visível por causa da sua magreza, além de estar reta, estava torta como se estivesse quebrada. Eu não conseguia me mexer, eu queria fechar a porta ou fechar os olhos... Mas eu não consegui

E ela foi se virando...

E virando...

E virando...

“Nunca... Nunca na sua vida...olhe nos olhos dele”

Lembrei do que Bill tinha me dito, mas já era tarde demais.

Eu vi o seu rosto

E olhei nos seus olhos...


Os seus olhos eram negros, mas quando eu olhei para eles... Eles ficaram brancos e brilharam.

Eu olhava nos seus olhos...

E ele olhava no fundo da minha alma.


Eu não conseguia mais me mexer, nem pensar, nem fazer nada. Apenas sentia... Sentia medo, sentia uma dor no peito, sentia uma angústia, sentia uma agonia, sentia pavor e podia jurar que estava sentindo a morte

E ele não parou de me olhar

-ARIEL, PARA! –Senti Bill me segurar pelo braço, ele fechou a porta e me segurou pelos ombros –ARIEL ACORDA! FALA COMIGO! ARIEL ACORDA

Eu sabia que ele estava gritando, mas apenas escutava sua voz de longe, eu estava tonta e me sentia... Vazia e eu queria dormir. E quando eu ia fechar os olhos

-HEY, HEY, NÃO DORME! –Bill começou a me sacodir e eu empurrei ele caminhando de costas até o sofá, onde me sentei

E parece que eu sai do transe, pisquei os olhos várias vezes e Bill já estava sentado do meu lado

-Você está bem?!

-Bem? –Ri irônica –Você ainda pergunta se eu estou bem....

-Ariel, eu…

-O QUE ERA AQUILO?!?! VOCÊ DISSE QUE ERA UM CANIBAL, MAS AQUILO NÃO ERA UMA PESSOA!! –Comecei a gritar meio desesperada –QUE CARALHO ERA AQUILO!?!? NÃO ME VENHA COM HISTORINHA  QUE É O CHUPACABRA, NEM O PATINHO FEIO. Eu... E-Eu estou ficando louca

-Você tem que compreender que...

-COMPREENDER UM PAU, O QUE QUE ERA AQUILO?!! –Levantei e apontei para porta como se apontasse para a criatura

-Dá para você parar de se desesperar!?

-COMO VOCÊ QUER QUE EU NÃO FIQUE DESESPERADA?! VOCÊ MENTIU PARA MIM!!

-O QUE VOCÊ QUERIA QUE EU FALASSE?!?! "OLHA SÓ TEM UM MONSTRO NOS SEGUINDO, MAS FICA CALMA QUE EU VOU DOMESTICA-LO!" ACORDA!!!


Eu abri a boca para falar alguma coisa... Mas não saiu nada, ele estava certo. Sentei no sofá e comecei a chorar

-O que vai acontecer agora?! -Perguntei em lágrimas

-Eu vou ac...

-Eu vou morrer?! –O cortei antes que falasse algo

-Você não vai morrer –Disse suspirando

-E-Eu olhei nos olhos dele... Bill... E-Eu olhei... E me senti morta. –Coloquei as mãos no rosto chorando um pouco mais e ele ficou calado. Depois de alguns minutos, eu limpei o rosto

-Por que você abriu a porta? –Ele perguntou como se não compreendesse

-Eu escutei a sua voz...

-Mas não era eu –Disso agora eu sei né...

-O que é aquilo?!

-Ele não tem um nome especifico... –Falou baixo –Uns chama de oculi necem ou só oculecem

-Tá! Mas, o que ele faz?

Ele deu um longo suspiro

-Ele aparece quando as pessoas estão dormindo, ele escolhe alguém para ser a vítima e essa pessoa passa a ter uma ligação direta com a criatura. Se você for um dos escolhidos, ele vem durante a noite e se senta na beirada de sua cama, você tem pesadelos com ele. E se você acordar e vê-lo, ele te mata... Tecnicamente é isso...

-Tecnicamente!?

-Sim, pois na verdade na primeira vez a pessoa dorme e sente a presença dele, mas quando acorda não vê nada. Na segunda noite ela dorme e passa a ver o formato da criatura sentada na borda da cama. Na terceira noite, ouve-se a voz, uma voz estridente, mas não se sabe o que a criatura diz, apenas se pode ouvir ela de costas falando algo. Na quarta noite a criatura aparece novamente sentada, mas dessa vez virada pra vítima a observando. Após isso a próxima noite será a morte da vítima, então ela tem que se preparar, pois a próxima vez que dormir, não irá querer acordar, pois o monstro irá matá-lo de uma forma horrível.

-História animadora –Falei abaixando o rosto e limpando uma lagrima que ainda estava na minha bochecha

-Mas ele está aprisionado nessa floresta... –Bill disse colocando um dedo no meu queixo e o levantando –Isso quer dizer que quando formos embora dessa floresta, ele não irá atrás de você...

-Obrigada por tentar me animar –Falei colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha –Bill... O que você estava fazendo na floresta?!

-Eu? –Ele disse me encarando –Eu gosto de ir para floresta pensar, mas não esse lado... O outro.

-Pensar numa floresta dessas?! –Perguntei surpresa –Yeah... Você é esquisito mesmo...

-E você? –Ele perguntou –Você estava correndo daquela mulher quando eu te encontrei, mas como veio parar do outro lado da floresta? A mulher te trouxe ou...?

-Eu estava no parque e queria ir para a Hauptstraße...

-Nossa... E como você fez a proeza de vir parar na floresta?! A Hauptstraße era só atravessar a rua e seguir reto

-Hunf... Obrigada pela informação –Fiz uma cara de cu –Eu fui perguntar para um cara da banca onde ficava e ele me deu um mapa de merda que me trouxe para a floresta de merda. –Cruzei os braços

-Um mapa?! –Perguntou arqueando a sobrancelha –Você tá com ele ai?

-Todo amassado, mas tá aqui –Falei entregando para ele

-Ótimo! –Ele pegou o mapa e ficou analisando ele um pouco –Fica aqui!

-O que!? Você vai sair de novo!??! –Perguntei apavorada –Olha, se você for sair eu vou com você!

-Eu não vou sair, se acalma... Eu só vou no segundo e no terceiro andar ver se tem algum mapa que nos ajude a sair daqui. Bem provável que tenha...

-Eu não posso te ajudar a procurar?

-Vai ser difícil subir as escadas... A maior parte está quebrada, prefiro que fique aqui

Suspirei fundo acenando com a cabeça e ele subiu. Fiquei parada fazendo nada tentando não me lembrar dos olhos da criatura e nem dos seus ossos todos de fora. Até que olhei a porta do cômodo que o Bill estava e um pensamento veio até a minha mente

“Vá até lá... Afinal, o que o Bill teria para esconder de mim?”


Suspirei mais uma vez naquele dia, cruzei os braços me apertando mais no casaco dele e andei até a porta abrindo-a. Era um pequeno quarto apenas com uma mesa e uma cadeira, na mesa havia a mochila do Bill e vários, vários, vários papéis. Cheguei mais perto da mesa e comecei a ler alguns

“Vários relatos de encontros com a criatura ocorreram desde o século 12,em quatro continentes diferentes.
[...]
Essa criatura tem uma cor de pele meio acinzentada, mas quando se alimenta fica da cor natural de um humano, ele é careca e tem o corpo todo torto e deformado, e seus olhos são completamente negros, mas parecem brilhar quando olha as vítimas. [...] Ele consegue entrar no quarto sem fazer barulho, ou seja, você só saberá que ele está no quarto quando ele já estiver na sua cama.”
Peguei outro papel que era uma carta muito, muito antiga;

“Uma nota de suicídio: 1834
Enquanto me preparo para tirar a minha vida, sinto que é necessário escrever isso para amenizar qualquer culpa ou dor que tenho. Não é culpa de ninguém além dele. Pela primeira vez eu acordei e senti sua presença. E mais uma vez acordei e vi a sua forma. Mais uma vez acordei e ouvi a voz dele, e olhei em seus olhos... Eu não consigo dormir sem medo de que eu poderia encontrar ao acordar. Eu não posso jamais acordar. A morte será meu sono eterno. Adeus.
"
E em outro papel:

“Daniel frequentava psicólogos, era taxado como louco por dizer ver uma criatura que o observava a noite, depois de ser consumido pela loucura aos poucos dizendo que a criatura iria o matar... Decidiu-se tirar a própria vida e escrevendo em uma carta apenas uma frase:
"Cara Linnie,
Tenho orado por você. Ele falou seu nome. "”
Havia um diário marcado, na última coisa escrita:

“Eu experimentei o maior terror. Eu tenho experimentado o maior terror. Eu tenho experimentado o maior terror. Eu tenho experimentado o maior terror. Vejo os seus olhos quando eu fecho os meus. Eles são ocos. Negros... Eles me observam quando acordo. Suas mãos com garras... Não vou mais dormir. Sua voz ... "
Dai em diante o diário estava rasgado, mas havia mais papéis

“Pedaço de um diário de um fuzileiro na guerra Guerra de los Nueve Años (1691):
Ele veio em meu sono. No pé da minha cama... senti uma sensação. Ele levou tudo. Nós devemos retornar para a Inglaterra. Nós não voltaremos aqui novamente a pedido dele."
Havia um papel que parecia ter sido escrito pelo Bill

“Em 1850, Duma, anjo príncipe dos sonhos, atordoado pela criatura estar assombrando o sono –que logo afetava os sonhos- de seus protegidos decidiu que deveria por fim nessa criatura, matando-a. Mas quando ela estava na Alemanha e ele iria fazer o que era certo, Batzelt apareceu e acabou protegendo o monstro, Duma insatisfeito aprisionou a criatura na parte mais escura, mais sombria e mais assustadora da floresta negra, da qual ele nunca mais iria apavorar os sonhos dos humanos. Mas a criatura como gratidão a Batzelt, mata 4 humanos a cada ano. Ele aprendeu o dom de enganar os humanos e traze-los para a floresta, imitando a voz de quem elas conhecem e trazendo elas para a parte da floresta a qual o monstro está preso.
Quatro humanos... A cada estação do ano, uma pessoa... Dois meninos e duas meninas...
Na primavera... Um menino de cabelos castanhos
No verão... Um menino de cabelo preto
No outono... Uma menina ruiva
No inverno... Uma menina loira”

Bill entrou na sala me assustando um pouco, mas eu já estava apavorada

-Em que estação nós estamos? -Perguntei e o meu corpo já estava gelado

-Ariel... Eu -Ele tentou falar, mas eu estava desesperada

-EM QUE ESTAÇÃO NÓS ESTAMOS? -Gritei deixando visível meu medo na voz e o pavor

Ele me olhou com um olhar vazio e respondeu num sussurro muito baixo:

-Outono



A casa que eles estão:

E a chaves que a Ariel achou:

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32 Re: Sobre as asas de um demônio em Qui Dez 05, 2013 5:07 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Tudo bem, acho que essa noite eu não vou dormir '-'
Não, tô brincando. Eu não acredito nessas coisas. Mas esse bichinho ai dá um medinho lascado!

Ariel é trouxa, o Bill dá uma encoxada nela e ela prefere fica incomoda com o galho. Ai aiii... Se fosse eu pedi pra ele me abraçar mais u.u

Eu tô aqui me perguntando o que o Bill é, e até agora nada faz sentido na minha mente, nem a Ariel. Pelo titulo eu tinha ideia de um ser anjo e outro demônio, mas até agora isso não faz muito sentido pra mim '-'
Pensei na Ariel ser uma bruxa... e agora o Bill ser um vampiro. Mas eu penso e repenso, e tento encaixar cada coisinha e nada se encaixa em nada '-'
Tudo bem que eu sei muito sobre seres sobrenaturais, mas eu tento achar uma conexão pra saber o que eles são... A minha certeza é que eles não são a mesma 'coisas' e que são proibidos de ficar juntos, na teoria u.u

Sobre esse bichinho, eu acho que ele vai tenar pegar a Ariel novamente, mas acho que ou o Bill vai proteger ela, ou até ela mesmo. Quem sabe ela não descubra algum poder, ou que acabe dando medo no bichinho. Vai saber né?!

Essa casa... essa casa... Sei não. Mas pra mim dois grandes amores morram ai, ou tem algo haver com essa casa, acho isso pela chave. Eu sei, não faz sentido alguma, mas me deixa aqui pensando sem rumo u.u

Tá, onde o Bill arrumou esses papeis? Ele é um bruxo ou mágico? Ou ele apenas leva papeis sobre esse monstrinho pra todo lado? '-'
O que o Bill vai fazer agora? Salvar a princesa Ariel? Ou gritar pelos seus súditos? hauhaauhauaa

É, tu agora viu um pouquinho da Sam paranoica e cheia de teorias sobre a estória. Eu sempre sou assim, leio já pensando no que vai acontecer, no que são cada coisinhas e por ai vai. Eu tenho esse habito por causa dos livros do Harlan Coben, que é bem suspense e eu tenho fazer as ligações pra descobrir o final dos livros... Com fanfic eu geralmente consigo descobrir a estória toda, mas com os livros do Harlan, nunca consegui, triste! Sad

Esperando pelo próximo capitulo, e esperando que ele seja bem mais revelador do que todos esses juntos u.u

P.S.: Eu sinto que essas chaves vão ter algo relacionado ao Bill e a Ariel, posso tá louca, mas acho que no final vai até ser, talvez, a salvação pra relação dos dois.

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33 Re: Sobre as asas de um demônio em Sex Dez 27, 2013 11:46 pm

Pov narradora

Enquanto Ariel conversava com Coraline..
.



A casa estava calma, principalmente a sala do escritório de William. O escritório tinha uma estrutura antiga, com o chão de madeira e moveis também de madeira. As janelas estavam fechadas, as cortinas paradas e a porta aberta, a grande luminária de cristal iluminava bem a sala. William estava sentado em sua mesa mexendo em alguns papéis e resolvendo algumas coisas, em sua mesa havia várias pilhas de papéis. Elliot estava parado na porta com uma postura séria, com o rosto erguido e as mãos atrás do corpo.

Todas as janelas se abriram de repente, as cortinas balançavam com o vento que entrava pelas janelas que, agora, batiam desesperadamente. A porta se fechou em uma grande batida enquanto a luminária piscava e todos os papéis voavam. William esfregou as têmporas, suspirou fundo e fechou os olhos

Quando abriu tudo já estava calmo, as janelas pararam de bater, mas ficaram abertas, as cortinas também tinham parado de voar junto com os papéis, que agora estavam todos espalhados pelo chão, a porta continuou fechada e a luminária parou de piscar. Mas havia algo de incomum, um homem parado á frente de sua mesa, o cara da cicatriz...

-O que você está fazendo aqui?!?!?!? –Elliot perguntou exaltando a voz

-Você precisava de todo esse show, Akira? –William perguntou largando a caneta que tinha nas mãos e se sentando mais “relaxado” em sua poltrona

-Claro –Ele disse se divertindo –Afinal, um grande rei precisa da sua entrada triunfal!

-O que você faz aqui? Seu verme! –Elliot, que estava com o punho fechado se preparando para dar um soco na cara de Akira, disse

-Você continua seguindo ordens e sendo controlado como um cachorrinho... –Ele disse debochado ignorando sua pergunta –Continua o mesmo otário de quando eu te conheci, Hemiolt

-Seu... –Ele deixou as palavras no ar de tanta raiva ainda com as mãos em punho –E para sua informação, é Elliot!!!

-Tá, saúde –Disse dando os ombros

-Deixe ele, Akira –Will disse colocando um pequeno sorriso

-Você o trata com muita intimidade, não acha? Ele é apenas... Um servo – O rei disse

-Eu o trato como eu quiser

-Certo –Deu os ombros –Não quero me meter na relação de vocês dois –Akira levantou as mãos como se rendesse

-Eu não te vejo há muito tempo... –William cruzou os braços e colocou um sorriso no rosto –Até parece que a sua cicatriz diminuiu –Fez uma piadinha e ficou com um sorriso travesso, mas Akira não gostou da piadinha, nem um pouco

-17 anos e um mês, para ser exato –Akira falou sério –Não se lembra?

-Não... –Will negou balançando o rosto

-Bom, então eu te ajudo a lembrar... –Caminhou um pouco pela sala ainda com a expressão séria

O homem de cabelos cacheados colocou a mão no queixo com um sorriso de canto esperando pelo o que o ser da cicatriz ia dizer

-17 anos e um mês atrás... Dia do nascimento da Ariel... –Caminhou pela sala e fez uma cara de puro deboche –Oh... Espere! Você não estava lá...

Will trocou o sorriso travesso para uma cara de desgosto, que fez Akira dar-lhe um olhar vitorioso

-Você não pode lembrar de algo que você não presenciou, mas eu prometi fazer você lembrar

O pai de Ariel sentou-se com uma postura séria na poltrona o que fez Akira rir

-O dia em que Jane te deixou... –O pai da menina agora tinha raiva, mas ele continuou –Disso você se lembra... Afinal, não acho que você iria esquecer o dia em que sua amada te abandonou!

-CALA A BOCA! –William se levantou e bateu as mãos na mesa com raiva. Akira não tinha medo dele, mas calou a boca por que já tinha conseguido o que queria, irrita-lo. Colocou um sorriso travesso na boca e andou mais um pouco pela sala

-Vá embora! –Elliot, que permaneceu calado esse tempo, falou

-Você me irrita –Akira suspirou e fez um gesto com a mão tacando Elliot em um armário, o armário quebrou e Elliot caiu no chão. Quando o armário quebrou formou uma ponta afiada que cortou um pouco da bochecha dele –Isso, fica quietinho, cachorrinho –Akira não perdeu a oportunidade de debocha-lo

-Akira! Pare! –Will voltou a se sentar na poltrona com as mãos nas têmporas –Vá embora...

-Não... Ainda não pedi o que eu vim pedir

-Você não tem que pedir nada! –Elliot disse tentando se levantar

-Você veio me pedir algo? –Will ficou curioso

-Sim, você me deve algo –Akira agora ficou com uma cara fechada

-Ah sim... Mas é claro... Disso eu lembro –Will voltou-se a relaxar na poltrona –Mas me diga, por que demorou tanto para pedir?

-Estava esperando o momento certo –Ele deu os ombros

-Então peça

O ser da cicatriz sorriu malicioso deixando seu rosto sombrio



Horas mais tarde...



Pai de Hoshi estava preocupado com a filha desde o acidente a filha parece estar mal, vomita muito, tem constantes enjoos e muita dor de cabeça

-O que foi, Sr. Miguel? –Amy perguntou quando viu a cara de preocupação de seu senhor

-Estou preocupado...

-Com o que?

-Hoshi... Ela está doente. Ela nega, mas eu leio sua mente, está péssima. Isso me preocupa

-Calma, não deve ser nada de mais –Amy disse docemente tentando acalma-lo –Deve ser efeito do feitiço... Logo passa

-Obrigada por me acalmar –Miguel tentou dar um sorriso, mas saiu como uma careta

-De nada –A menina ficou um pouco sem graça, mas sorriu –Mas onde está ela?

-Ela descobriu que havia um demônio no parque e resolveu ir mata-lo –Ele esfregou o rosto e suspirou

-Mas ela não está mal!? Como você deixou ela ir?!

-Eu não deixei!! Mas você sabe como a Hoshi é, tentar repreende-la é como falar com paredes

-Ela é forte, vai ficar bem –Amy colocou a mão no ombro dele ainda tentando acalma-lo

-É o que eu espero


Já no parque...


Hoshi andava devagar até o parque, sentia-se tonta e um mal estar. A dor de cabeça estava quase a matando e a dor nas pernas a deixa frustrada

Ela dava um pequeno passo

E depois outro


Suas pernas doíam e sua visão ficava turva, mas ela esfregava os olhos e continuava andando

Mais um passo...

E uma dor no coração.

Colocou a mão no peito tentando, inutilmente, fazer a dor parar. Olhou para os lados, mas não tinha ninguém. O jeito era levantar e continuar...

E foi o que ela fez.


Ao chegar ao parque, foi direto para onde o demônio estava, na banca. Tirou a faca, que era própria para matar demônios e colocou nas costas dele

-Não se mexa! –Ela falou séria e ele levantou os braços em rendição

-Me pegou de surpresa –Ele disse rindo

-Qual é a graça?! –Perguntou entredentes e sua dor de cabeça ficou mais forte

-Nenhuma... Afinal, você vai me matar

-Que bom que entendeu –Ela sorriu de canto e balançou a cabeça –Quais são suas ultimas palavras?

-Eu me sinto honrado –Ele virou de frente olhando para a menina e agora a faca estava apontada para seu peito

-Honrado?! –O rosto da menina demonstrava o quanto ela estava confusa. E com dor

-Honrado por conseguir te ver assim... Quase morta –O rosto da criatura demonstrava satisfação

-O que você quer dizer com isso!?!?! –Hoshi forçou um pouco a faca em seu peito e ele fez uma careta

-Que você está morrendo... Você pode me matar agora, mas será a última coisa que terá feito... Por que antes conseguir chegar em casa, você caíra morta no chão

-Você está mentindo! Não devo ouvidos a um nojento como você!!

-Certo, afinal todas essas coisas que você está sentindo é por que você está gripada. Poupe-me garota!

-Vamos supor que eu estou morrendo –Ela supôs, mas no fundo sabia que era verdade –Como? Por que o corte na minha barriga já está 100% curado

-Você não sabe como o seu pai curou isso? –O demônio mostrou-se surpreso

-Sim, com Sanitatum Angeli

-Ok, já vi que seu pai te faz de idiota, por que não foi assim!

-E você sabe de algo por acaso!? –A menina já estava perdendo a paciência e o controle do seu corpo, que doía cada vez mais...

-Qualquer um sente o que o seu pai fez

-O que ele fez?! –Hoshi estava séria, mas o demônio se divertia

-Pare de apontar essa faca para mim e eu conto, me sinto desconfortável assim

Ela pensou três vezes antes de parar de apontar a faca, mas parou. Hoshi queria saber o que seu pai tinha feito, mesmo que fosse contado por um demônio

-Assim é melhor –Ele deu um sorriso, mas Hoshi continuou com a cara séria –Ok, seu pai contratou uma bruxa

-Uma bruxa?!!?! Isso é impossível!! Você está mentindo!!! –Ela voltou a apontar a faca para ele sem paciência nenhuma

-Posso continuar? –Ele levantou a sobrancelha e ela suspirou abaixando a faca –Seu pai tentou inutilmente usar o Sanitatum Angeli e como não deu certo, ele “contratou” uma bruxa. Na verdade ele forçou uma bruxa a te curar, por que você sabe que as bruxas não gostam de vocês, não é? Então seu pai falou que se ela não te curasse, ele iria matar ela

-E dai?!

-E dai?! A bruxa fez um feitiço e te curou, mas não deixou passar por isso. Ela fez uma magia negra e envenenou seu sangue para que aos poucos você morresse de dentro para fora e ninguém iria desconfiar que você está envenenada

-E então como você desconfiou?! –Apesar de estar com medo, ela disfarçou com uma postura séria, mas seus olhos demostravam o quanto ela já estava exausta preste a desmaiar

-Demônios sentem magia negra de longe, por mais escondida que seja

-Obrigada por me responder... –Hoshi enfiou rápido a faca no peito dele e rodou. Ele apenas deu um gemido de dor e enquanto olhava mortalmente para a menina disse;

-Que Batzelt reine!

E morreu...

E a dor no coração da garota voltou.



Pov Ariel




Eu não podia acreditar... Eu não... E-Eu... Outono, não...

-Ariel, eu ia... –Bill tentou me explicar algo, mas eu não queria escutar nada

Eu coloquei a mão na boca tentando entender tudo o que está acontecendo. Isso é impossível, não pode ser real... Deve ser um pesadelo

Mas por que eu não acordo?

Minha cabeça começou a doer e os meus olhos já estavam marejados. Eu queria chorar, depois de muito tempo, eu queria chorar por horas. Chorar sozinha, mas sozinha é a ultima coisa que eu estou.

Eu estou com frio, com dor de cabeça, com medo, cansada, confusa, cheia de arranhões pelo corpo e quase morta

E do nada um flash back de tudo que tinha acontecido

“-Obrigado [..] Por facilitar as coisas –Um sorriso medonho se formou em seus lábios.

[...]

- Não está obvio que eu vou te matar?! Não se preocupe não vou ser tão cruel, será uma morta rápida



Deparei-me com uma floresta enorme á minha frente, e quando vi... Já estava dentro dela.

[...]

A floresta negra é uma das 13 florestas mais assombradas do mundo! Fica em segundo lugar, essa floresta é tão densa que a luz do sol raramente passa entre as copas das árvores, criando um cenário ideal para as criaturas que aqui vivem. E, como se não fosse o suficiente, ela tem outro lado... Um lado mais sombrio, mais sinistro, mais diabólico, mais monstruoso e mais horroroso com as criaturas mais horrendas e infernais que você possa imaginar. Nenhum humano conseguiu sair dessa floresta, você entra... Você morre. O inferno perto disso... É um parque de diversão



Então um rosnado

E a respiração do bicho mais perto de nós

E um grunhido mais perto...

A respiração asquerosa mais próxima...

[...]

-Tem uma criatura nos seguindo

[...]

-Ele aparece quando as pessoas estão dormindo, ela escolhe alguém para ser a vítima e essa pessoa passa a ter uma ligação direta com a criatura. Se você for um dos escolhidos, ele vem durante a noite e se senta na beirada de sua cama. Se você acordar e vê-lo, ele te mata...



"Cara Linnie,

Tenho orado por você. Ele falou seu nome. "”

[...]

Eu ainda escutava o grunhir da criatura e então uma dor aguda nos meus ouvidos. Ela estava... falando!?

Eu ouvia a voz, uma voz estridente...

Mas não entendia o que ele dizia...



- Nunca... Nunca na sua vida...olhe nos olhos dele.

[...]

Eu queria fechar a porta ou fechar os olhos... Mas eu não consegui

E ele foi se virando...

E virando...

E virando...

Eu vi o seu rosto

E olhei nos seus olhos...



Anjo príncipe dos sonhos decidiu que deveria por fim nessa criatura, matando-a. Mas, Batzelt apareceu e acabou protegendo o monstro, Duma insatisfeito aprisionou a criatura na parte mais escura, mais sombria e mais assustadora da floresta negra. Mas a criatura como gratidão a Batzelt, mata 4 humanos a cada ano.

Quatro humanos... A cada estação do ano, uma pessoa... Dois meninos e duas meninas...

No outono... Uma menina ruiva”

O pavor tomou conta de mim e eu comecei a chorar. Eu me sentia presa, claustrofóbica, sem saber o que fazer ou para onde ir

Mas não tinha para onde ir...

Mas eu corri...

Mesmo sabendo que não podia fugir


Empurrei o Bill que estava bloqueando a porta e sai correndo. Corri para a porta de saída daquela casa, mas quando eu ia abrir, Bill me segura pelo braço e me em joga na outra parede. Ele fez tudo muito rápido me deixando confusa por tanta velocidade...

-O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?! –Ele gritou comigo com uma cara de raiva e apertando mais o braço no meu ombro me pressionando na parede

-E-Eu... Eu só que-quero ir embora... –Minha voz saiu chorosa e mais lagrimas rolavam no meu rosto  -Eu vou... m-mor...morrer... então eu quero acabar logo com essa agonia...

Ele parou de apertar o meu braço e o semblante do seu rosto mudou. Parecia... Preocupado?

-Ariel... Eu não vou deixar nada acontecer com você! –Ele olhou no fundo dos meus olhos e eu neguei com a cabeça

-Já aconteceu –Sussurrei baixo e me soltei do braço dele

Eu já estava encostada na parede então fui escorregando até cair sentada, abracei as minhas pernas e comecei a chorar. Fiquei chorando por alguns minutos com o Bill em pé na minha frente e depois de algum tempo ele se ajoelhou

-Ei... –Me chamou, mas eu continuei chorando –Ariel!

Ignorei ele, estava com raiva. Até quando ele ia esconder aquelas coisas pra mim?! Por que ele não me falou a verdade?

-Por que você não confia em mim? –Eu olhei no seu rosto com raiva, ele ainda pergunta?!

Continuei ignorando e ele bufou, se levantou e foi para uma janela fumar, mas eu continuei ai. No chão frio e chorando. Depois de um tempo parei de chorar, mas continuei no chão

-Seu choro me irrita –Ele falou depois de soltar a fumaça do cigarro

-Ok –Falei irritada limpando algumas lagrimas do meu rosto –Se vamos morrer pelo menos vamos morrer estando quites.

-O que?

-Você me irrita. O jeito que você se acha o fodão me irrita, a sua bipolaridade me irrita, uma hora tá calmo e outra hora tá com fumaça saindo pelo ouvido. Você diz que quer ficar longe de mim, mas você me ajudou. Você mentiu o tempo todo para mim e quer que eu confie em você. Isso irrita –Falei cuspindo as palavras e ele riu debochado

-Você tem outra escolha além de confiar em mim? –Ele levantou uma das sobrancelhas e eu suspirei

“Não, não tenho e isso também me irrita” Pensei e suspirei, passou um tempo e ele continuou fumando e eu sentada no chão

-No que está pensando? –Ele perguntou quebrando o silêncio

-Quantos anos você tem? –Ignorei sua pergunta, não queria responder. O que eu estava pensando não me agradava, pelo contrário, dava-me medo.

Ele ficou pensando um pouco, mas acabou respondendo;

-17, por quê?

-Nada... É porque você tá fumando –Falei me balançando para um lado e para o outro e ele riu

-O que? Vai falar que você é daquelas que defendem a boa causa de não fumar e blábláblá e que gosta de se meter na vida das pessoas que fumam falando para elas pararem de fumar?

-Não, a vida dos fumantes não me interessam –Dei os ombros

-Então por que a pergunta? –Ele jogou o resto do cigarro no chão e apagou com o pé

-Nada, acho que eu gostaria de experimentar um cigarro antes de morrer

Ele deu uma gargalhada jogando o corpo para frente, hm... Ok, eu to achando ele bonito ou é a poeira dessa casa que está me fazendo mal? Ele começou a andar até mim e ficou em pé na minha frente

-Você acha que eu vou te dar um cigarro?

-Sim –Respondi como se fosse obvio

-Está enganada

-O que?! Por quê?

-Por que cigarro faz mal? –Ele falou como se fosse obvio

-Você sabe que é uma ironia você está falando isso, não sabe? –Arqueei as sobrancelhas e ele riu

-Vamos supor que o cigarro não faz mal para mim

-Ah é –Girei os olhos –Esqueci que você é o fodão

Ele deu uma curta risada e estendeu o braço para mim para eu segurar e ele me levantar. Eu olhei para a tatuagem no braço dele e depois para o seu rosto, mas não segurei na sua mão

-Como vamos sair daqui? –Perguntei um pouco com medo

-Achei uns mapas que mostram como sair daqui –Ele suspirou –Agora é só esperar a criatura parar de ficar cercando a gente, quando ela der um deslize e sair. Nós vamos sair

Eu ri e balancei a cabeça

-Acha mesmo que ela vai me deixar fugir assim? –Olhei para o rosto dele e ele parou de estender o braço para mim –Acha que ela vai se dar o trabalho de ter que enganar alguém e trazer essa pessoa aqui para matar sendo que eu já estou aqui?!

Ele ficou calado e voltou para a janela, ele ficou parado olhando por ela. Passou mais um tempo até que uma pergunta veio na minha cabeça

-Bill... –O chamei

-Hm?

-Por que você tinha tudo àquilo da criatura na mochila? –Perguntei olhando-o curiosa –E nem venha dizer que é para contar historinha para as criancinhas –Fiz uma cara de irritada e ele me olhou sério, virou o rosto e respondeu olhando para nada

-Ela matou um amigo meu... Então nada mais justo que eu matar ela

-Você está mentindo, não está?! –Percebi pelo jeito que ele deixou de me olhar quando respondeu. Ele abaixou o rosto e ficou calado –Se for para mentir prefiro que você não diga nada...

Depois disso ele não falou mais nada e eu não perguntei mais nada. Depois de algum tempo ele foi para aquela salinha e voltou com a mochila no ombro

-Vamos! –Disse abrindo a porta

-O que?! –Levantei-me e parei na frente da porta –Vamos sair?! E se a criatura tiver por ai?!?!? –Perguntei com medo e ele me olhou com tédio

-Ela está por ai –Ele me colocou mais medo –Só que, agora, está longe então temos que aproveitar

Bill saiu andando e a minha única escolha era segui-lo. Ficamos andando por um bom tempo naquela parte da floresta que parecia não ter fim. Eu não sabia mais diferenciar as coisas, não sabia o que era bicho, planta, galho ou ilusão minha.

Continuamos andando e andando e andando... Até que ele parou do nada, fazendo-me bater nas costas dele

-O que foi?

Ele não respondeu, apenas virou o rosto rápido para um lado e os olhos dele estavam... Vermelhos? Dei um passo para trás com os olhos arregalados de medo, mas virei o rosto para onde ele estava olhando

Havia uma voz chamando o nome dele...

Mas não era da criatura...

E quando eu virei o meu rosto para falar com o Bill, ele não estava mais lá...

Eu estava sozinha... Ou melhor, eu estava com aquela criatura
.

-BILL!??! –Gritei andando um pouco pela mata –BILL?! ONDE VOCÊ TÁ?! SE ISSO FOR UMA BRINCADEIRA PODE PARAR! ISSO NÃO TEM GRAÇA! BILL!

Gritei, mas a minha voz só ecoava e sumia, deixando-me no silêncio. E pela primeira vez... O silêncio me incomodava.

Eu tremia e tentei ficar parada, no lugar que o Bill tinha me abandonado, na esperança de que o ele voltasse.

Mas ele não voltou.

Comecei a andar na direção que estávamos indo, eu estava tremendo e com uma puta vontade de sentar e chorar, mas isso é a última coisa que eu posso fazer agora. Comecei a correr e correr e correr, mas parecia que eu não saia do lugar. Parecia que não tinha fim esse inferno e eu só adentrava mais e mais nas chamas.

Até que eu cheguei a um lugar...

Era uma parede de pedra que era envolvida por um circulo no chão, nela tinha uma flecha presa e, na flecha, um colar pendurado. O colar era um potinho e tinha alguma coisa dentro, mas eu não conseguia ver o que era. Estiquei-me e peguei o colar

E vi o que tinha dentro

Eram olhos...


Assustei-me e joguei o colar no chão e acabei caindo também pelo susto, voltei a ficar em pé e peguei na ponta do colar esticando-o para olhar melhor

E do nada uma flecha atravessou o vidro quebrando o colar

Os olhos caíram no chão...

E viraram pó.


Olhei assustada para onde a flecha tinha vindo e tinha um homem em cima de um cavalo branco. Não consegui ver seu rosto, mas ele sorria, sussurrou um “obrigado” e sumiu pela névoa da floresta

Na parede de pedra começaram a aparecer um monte de frases, mas estavam em latim. Eu não entendia, mas as palavras começaram a se formar

E sumiram...

E, então, um rosnado atrás de mim

Era a criatura.


O meu corpo paralisou, eu conseguia escutar o maldito barulho dos seus ossos e sentia ela se mexendo atrás de mim. Eu fiquei parada, minha respiração acelerou assim como os batimentos do meu coração

Era uma batida e um rosnado...

Uma batida e um rosnado...

Uma batida e um rosnado...

E eu fui me virando... E virando, e virando

E a última coisa que vi foram seus olhos, pretos, mas que brilharam quando eu os olhei

E tudo ficou preto.


Quando acordei, eu estava deitada e tinha algo em pé me olhando. Mas como a minha visão estava embaçada eu não consegui ver direito

Esfreguei os olhos e vi

-Elliot?!

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34 Re: Sobre as asas de um demônio em Sab Dez 28, 2013 6:32 pm

Sam McHoffen

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Tá, pera ai... meu cérebro tá girando. Eu realmente não sei o que pensar desse capitulo...

O que o cara da cicatriz quer? O que o Will prometeu a ele? Não foi a Ariel, né? G.G

A Hoshi.... ela tá morrendo? Oi? E quanta burrice, estar passando mal e ir tentar matar demônio, por favor. E por que eu sinto que quem vai salvar ela no final vai acabar sendo a Ariel? '-'

Pera aiiii, deixa ver se entendi... Todos aqueles sonhos de alguém olhando e agarrando a Ariel era esse monstrinho ai que esqueci o nome? É isso mesmo? E eu aqui com outros pensamentos...

Por que o Bill deixou ela sozinha? Quem era o cara no cavalo branco?... Minhas suspeitas é que o cara era o Bill, e ele deixou ela sozinha porque seria mais fácil salvar a Ariel. Sei lá, mas de alguma forma acredito que o Bill meio que protege a Ariel.

Ela já acordou na casa dela... o Elliot salvou ela, ou o Bill salvou e deixou a Ariel na casa dela?

Tá, sua fic é sem dúvida a fic que eu só tenho perguntas e nenhuma resposta as minhas perguntas... isso é frustrante.  Crying or Very sad 

Esperando os próximos capítulos pra ver que algumas de minhas perguntas se esclarecem.

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35 Re: Sobre as asas de um demônio em Sab Jan 25, 2014 4:06 am


Pov Ariel

-Elliot?! –Perguntei confusa sentando no... sofá? –Onde eu estou?!!? O que aconteceu?! Ai! –Falei colocando a mão na cabeça quando uma dor agoniante me atingiu

-Ei, calma. Você está em casa e vai ficar bem. –Elliot, que estava sentado na minha frente, sorria, mas seu olho estava inchado e havia um corte em sua bochecha

-O que aconteceu com você?! Como eu to em casa?! –Esfreguei meus olhos e passei a mão na cabeça por causa da dor –E-Eu tava numa f-flo... Floresta e tinha um monstro e ... Eu acordei aqui... E você tá machucado. Céus! Elliot, ele te machucou muito?!?! –Coloquei minha mão no seu rosto, preocupada pelo que possa ter acontecido, e ele riu

-Monstro?! Que monstro, Ariel!? Nossa, você bateu a cabeça muito forte –Ele riu de novo –Você está confusa tem que descansar.

-Não, não! O que aconteceu com aquela criatura!?!? E o Bill?! Por que ele me deixou sozinha?! – Por que Elliot não responde?!!? Isso está me deixando mais confusa, parece que a minha cabeça vai explodir e esse suspense todo não está ajudando -Como eu vim parar aqui!? –O nervosismo e agonia tomavam conta de mim e eu me sentia sufocada

-Ariel, respira... Você está bem...

-COMO EU ESTOU BEM SE TINHA UM... UM MONSTRO ME SEGUINDO?!?! COMO VOCÊ QUER QUE EU FIQUE BEM!?!? ELE TAVA TENTANDO ME MATAR E QUASE CONSEGUIU!! ME DIZ LOGO COMO CARALHOS EU VIM PARAR AQUI! EU TAVA NO MEIO DE UMA FLORESTA FUDIDA QUE NEM SEI COMO FUI PARAR LÁ E AGORA VOCÊ ME DIZ QUE EU “BATI A CABEÇA?!!?” –Gritei e a minha dor só piorava, estava desesperada, aflita, impaciente, com os pensamentos à mil e ele me mandando ter calma. Ele me segurou pelos ombros e olhou no fundo dos meus olhos

-Ariel, nunca houve floresta ou monstro algum. Você teve um pesadelo, por favor se acalma!! –Ele me sacudiu pelos ombros, fazendo-me arregalar os olhos -Você, depois da praça, foi ao shopping com seu amigo Bill e com a Coraline, seu celular estava sem área e você não conseguiu me ligar. Como você estava sem comer, você acabou desmaiando, nem Bill nem Coraline sabem onde você mora ou o telefone aqui de casa porque você não o tem na sua agenda. Então eles te levaram para casa da Coraline, onde lá você ficou gritando coisas enquanto dormia, quando seu celular pegou sinal, eles atenderam o telefone e eu fui para lá te buscar! Apenas isso! Foi um pesadelo, pe-sa-delo! Olha para mim!! –Sacudiu-me de novo, mas isso não estava ajudando

-N... Não! –Eu neguei com a cabeça e fugia do olhar dele –Havia... Uma floresta... E o Bill... Com um monstro... E tinha cartas... Com outono... E um cara com cavalo branco... –Comecei a fazer sinais com as mãos tentando explicar, mas era inútil -E olhos...Haviam olhos e eles brilharam, mas eu não podia olhar... Eu olhei, Elliot, eu olhei... Eu n-não queria, mas eu olhei. Por que eu olhei?! – Meus olhos estavam marejados e eu me encolhi abraçando as pernas enquanto falava coisas desconectadas e, talvez, para Elliot, sem sentido

-Ariel! Olhe para mim –Eu ergui a cabeça, que parecia que pesava toneladas, e o olhei -Eu não vou deixar nada acontecer com você!

“-Ariel... Eu não vou deixar nada acontecer com você!”

Lembrei-me de Bill dizendo isso meio que preocupado comigo e depois lembrei do meu desespero por ele ter me deixado sozinha com aquela criatura... -Se não vai deixar nada acontecer comigo... Por que me deixou sozinha? Por que me abandonou? –Falei sozinha com uma expressão vazia e ele me olhou confuso

-O que?! Do que você está falando? Ariel, quantas vezes eu vou ter que dizer? Você está bem! Só um pouco cansada e confusa, não se preocupe! Foi um pesadelo! Só isso! Você estava desmaiada!

-Como eu ia desmaiar do nada, Elliot!?!? –Quase gritei novamente, mas tentei me controlar –Eu não iria desmaiar do nada ou desmaiar por que fiquei sem comer!! Isso é ridículo! Por que você não me diz a verdade?! –Uma lagrima, uma maldita lagrima, caiu. Eu me sentia enganada e presa no escuro sem saber por quê. Tudo que eu quero é saber a verdade....

-São 00:00, Ariel. Você não come desde manhã e ainda está exausta dessa mudança inesperada. Por favor, tente se acalmar e descanse –Ele implorou com os olhos e eu fiquei sem graça por ter feito esse show todo

Balancei a cabeça, suspirei e esfreguei os olhos para limpar as lagrimas. Não queria entrar em uma discussão, não agora. Eu só queria deitar e dormir por anos

-Você tem razão... – Rendi-me, mesmo acreditando que tudo havia sido verdade

-Foi um pesadelo, voc... Espera, você disse que eu tenho razão? –Ele arqueou uma sobrancelha

-Sim... Eu tenho uma doença chamada “Infirmorum somniorum”, que quer dizer “doente dos sonhos” em latim... – Abaixei a cabeça enquanto mexia na minha própria mão sem graça, não gostava de falar sobre essa doença. Eu já sofri, e ainda sofro, muito por causa dela... -Tudo que eu sonho eu acho que é real. Tudo, sonhos bons, pesadelos... É como se eu vivenciasse os sonhos, se sonhar que estou em uma floresta, eu vou achar até o fim que estive nessa floresta. –Levantei o rosto e olhei no fundo de seus olhos –Quando, na verdade, tudo não se passou de um sonho. –Suspirei e ele me olhava estranho

-Quando você descobriu que tinha essa doença? –Sua cara estava com um semblante sério e preocupado

-Aos 8 anos... Quando eu vi monstros no quarto da minha mãe, quer dizer, sonhei com monstros.

-E essa doença tem cura? –Ele parecia desconfiado e também analisava o que eu falava... Mas parecia não acreditar…

-Não, é uma doença super rara... Minha mãe parou de me levar aos médicos, cansada por eles dizerem a mesma coisa... E me tirou da escola, porque tinha medo que eu contasse essas coisas lá. Eu cheguei a pesquisar sobre a doença, mas não há nada sobre ela... Nem em livros, nem em sites. Nada, absolutamente nada. Já cheguei a desconfiar que era uma desculpa da minha mãe...

-Desculpa? –Ele fez uma careta

-Ela... Eu acho, bem... Ela se arre...Arrepende de me ter como filha e eu acho que no fundo... Ela me acha louca.

As palavras saíram pela minha boca, mas feriram o meu coração. Elliot não disse nada apenas ficou me olhando... estranho

-Por isso você acha com todas as forças que “viu” essa criatura? –Ele perguntou fazendo aspas com a mão

-Eu vi essa criatura! –Afirmei com forças batendo com as mãos na minha perna e aumentando um pouco o tom de voz. Apesar da doença, eu tenho certeza que dessa vez não passou de um sonho.

-Você não viu os anões da Branca de Neve também, não? –Uma voz familiar e debochada veio da escada e isso me fez olhar para trás

E eu não acreditei em quem eu vi...

-Não encontrou o pântano do Shrek também não?! –O cara da cicatriz estava parado atrás do sofá, com um sorriso tosco, e meu pai estava ao seu lado

-Que bom que você acordou, filha. Como está se sentindo? –Meu pai estava com um sorriso no rosto, mas eu não respondi, estava ocupada olhando para a pessoa que estava ao lado dele. Eles conseguiam vê-lo? –Ariel?

-Sim? É... To cansada... –Continuei olhando para o cara da cicatriz e meu pai o olhou também

-Oh, quase me esqueci –Ele deu uma curta risada –Esse é Akira, um antigo amigo meu.

Akira?

Esse é o nome dele...

E eles podem vê-lo...

Então não é coisa da minha imaginação…


Eu o olhava com uma cara de espanto e parece que meu pai percebeu:

-Algum problema, filha? Parece que viu um fantasma.

-Não… Nada, é que parece que eu já vi o Akira antes…

-Eu te conheci quando ainda era um bebê. Surpreende-me você ainda lembrar – Akira disse debochado, mas é claro que ele estava mentindo!! Eu tinha visto ele hoje no parque!!

Sorri torto para ele, porém saiu mais como uma careta

-Vem, Ariel. Você precisa descansar. –Elliot me ajudou a ficar em pé

-Boa noite, pai. Boa noite, Akira –Falei sem graça e comecei a andar para as escadas

-Não precisa me dar boa noite –Akira falou com uma voz firme e isso me fez parar para escutar o que ele tinha para dizer -Ainda vamos conversar muito essa noite…

Sua voz soou autoritária e firme, fazendo-me ter calafrios.

-Trate de ficar longe dela, seu verme! –Elliot começou a caminhar em direção a ele, mas eu o segurei antes que ele fizesse qualquer coisa.

-Ele só está debochando Elliot, vamos. –Falei tentando fazer o Elliot desistir de ir até Akira e dar um soco nele, que já estava de costas para nós e indo em direção da porta para ir embora como se não ligasse para Elliot.

-Boa noite, Hemiolt

Falou dando um sorriso só para provocar e saiu pela porta

-Esqueça ele, Elliot. –Meu pai disse de costas para nós já subindo as escada, mas parou no topo e falou o olhando de canto–Se continuar se metendo com Akira, ele irá te matar… E eu? Só poderei assistir... Não estrague tudo, Elliot. Eu já te salvei e fiz muito por você, não me faça querer te ver morto.

Dizendo isso sumiu pelos corredores provavelmente indo para o seu quarto, deixando um clima muito pesado. Meu mordomo me ajudou a subir as escadas, já que meu corpo parecia estar em pedacinhos e Elizabeth me trouxe um prato de boolacha e coca-cola. Ela me deu boa noite e foi dormir, tomei banho, coloquei o meu pijama e Elliot continuou comigo no quarto

-Então… -Tentei puxar um assunto já que o silencio deixava um clima pesado

-O que? –Ele perguntou soando meio frio (?) já que depois do que o meu pai disse, ele não olhou na minha cara. Eu estava sentada na cabeceira da minha cama e ele sentado, no canto da cama de costas e bem longe de mim.

-O que aconteceu com seu rosto?

-Akira –Limitou-se a responder e eu mordi o lábio percebendo que não tinha feito a pergunta apropriada para aquele momento –Boa noite.

Apenas disse isso e saiu do quarto apagando as luzes, deixando-me na escuridão. Apesar do meu corpo está em estilhaços, eu não queria dormir. Sendo verdade ou não, tendo acontecido ou não, tudo o que eu passei hoje estava rondando a minha cabeça e isso me dava medo. Ficar lembrando da criatura, do pavor que eu passei, de tudo… Me dava medo.

Levantei da cama descalça mesmo e fui para o jardim. Parei em pé na grade da piscina observando os vagalumes e as estrelas refletidas na água. Minha cabeça estava vazia e eu apenas observava as coisas, mas um sentimento estranho tomava conta do meu corpo. Eu me sentia completamente vazia

-Deveria estar dormindo, você precisa descansar… -Por um segundo pensei que era Elliot, mas a voz era diferente

-O que você está fazendo aqui? –Perguntei quando Akira parou ao meu lado se encostando na grade

-Eu estava falando sério quando disse que iriamos conversar mais tarde…

Bufei e me apoiei na grade esperando ele começar a falar, mas ele ficou em silêncio observando as estrelas.

-Eu gostaria de saber voar –Falei quando vi um vagalume pousar na sua mão

Ele pegou a minha mão e juntou com a sua, fazendo o vagalume passar da mão dele para a minha

-Basta sonhar e um dia, quem sabe, você estará cruzando as estrelas com os vagalumes –Ele sorriu sincero, mas seu sorriso sumiu quando viu que eu não sorria

-Acho que sonhar não está nos meus planos ultimamente –Balancei a mão para que o vagalume voasse dela

-Por que não?

-Eu me sinto vazia… E se eu for sonhar, terei apenas pesadelos.

-Vazia? –Ele arqueou a sobrancelha –Você está assim porque olhou nos olhos daquela criatura, não se preocupe… Logo passa.

-O que?! Então você acredita em mim?! Acredita que existe uma criatura e que tudo não passou da minha cabeça!?

-Desculpe por não ter te protegido. –Ele se virou para mim e eu o olhei confusa cheia de perguntas

-Pensei que você tinha dito que iria me machucar…

O encarei lembrando que alguém havia invadido o meu quarto, mas eu não sabia quem era. Porém sua voz era familiar

-E eu vou. –Seus olhos azuis ficaram prateados e uma raiva tomou conta de mim

-Então foi você que invadiu o meu quarto!?! –Comecei a bater nele, mas ele nem saiu do lugar

-Parou? –Perguntou quando eu já estava cansada de bater nele –Escandalosa!

-Seu idiota! Você não tem o direito de fazer isso!!

-Isso não vem ao caso agora –Sua expressão séria me fez parar. Eu não conseguia tirar o olhar da sua cicatriz e, mesmo sem perceber, seus olhos estavam azuis de novo.

-Legal… Você acabou de me contar que você invadiu o meu quarto e que aquela criatura era real. –Dei uma risada falsa e olhei para o céu como se pedisse ajuda

-Em nenhum momento eu disse que aquela criatura era real… -Sua voz saiu meio sombria e isso me fez duvidar do que ele havia dito

-Você acabou de me pedir desculpas por não ter me salvado!!

-Sim, eu disse –Afirmou dando os ombros. Ele tá me fazendo de trouxa…

-Então como você quer dizer que a criatura não é real agora?!

-Eu não estava falando de ter salvo você da criatura… -Ele parou de me encarar e ficou olhando a água calma da piscina

-Então… Do… Do que você está pedindo desculpa? –Minha voz saiu tremula e eu estava com medo da resposta

-Estou pedindo desculpa por não ter salvo você… -Ele olhou no fundo dos meus olhos com uma cara fechada –De você mesma.

O silêncio tomou conta e a única coisa que se escutava era os grilos e água da piscina batendo na borda. Eu não sabia o que falar… Me salvar… de mim?! Não tinha sentido. Fiquei calada tentando descobrir alguma lógica nessa frase, mas não achei nenhuma.

-O que mais você sonhou? Além da criatura e aquele garoto estranho te salvando? –O silêncio foi quebrado, mas dessa vez ele se referiu ao que tinha acontecido como “sonho”

-Ahmmm… Tinha um cara em um cavalo branco e tipo que santuário… Ele quebrou um colar que tinha lá e me agradeceu. –Dei os ombros, mas a cara de espanto de Akira me incomodou

-Cara de cavalo branco?! Na parte sombria da floresta negra?! –Acenei com a cabeça e o seu olhar ficou sério –Algo me diz que não era o principe da Cinderella

Fez uma piadinha para tentar disfarçar a surpresa, mas ele parecia um pouco tenso e eu percebi

-Akira, você sabe de alguma coisa, não sabe? –Perguntei na esperança que ele me contasse

-Sim, eu sei de tudo. –Me olhou torto e ficou sinistro –Você que não sabe de nada. Tola,  indefesa e inútil… Você não sabe nem quem você é!

-Claro que eu sei quem eu sou!

-Quem é você? –Perguntou sem expressão

-Meu nome é Ariel Heller Angels. Tenho 17 anos, sou brasileira, mas estou vivendo na Alemanha.

-Diga-me… Por que você veio para a Alemanha? –Perguntou sarcástico cruzando os braços

-Por que? Ah.. Para visitar o meu pai… -Dei os ombros e ele riu zombado

-Viu não sabe… Você não sabe quem você é! –Falou indiferente indo embora –Você é um corpo vazio

-EU SEI QUEM EU SOU! –Gritei e ele parou de andar, mas não me olhou

-Primeiro você tem que saber que sangue corre nas suas veias para depois descobrir quem você é, daughter. –Continuou andando de costas para mim

-Não me chame de daughter, você não é meu pai!! –Disse num tom alto irritada, o que fez ele parar para me olhar pelos ombros

-Sou muito mais seu pai do que William é.


-O q… -Antes que eu pudesse perguntar o que ele queria dizer com aquilo, uma forte ventania tomou conta do jardim. As árvores se mexiam freneticamente parecendo que estavam dançando e a água da piscina se movimentava rapidamente, os fortes ventos fizeram com que eu me encolhesse tampando os olhos . Mas quando eu os abri, ele não estava mais lá e o jardim estava calmo novamente.

Fiquei parada tentando entender o que ele tinha dito, mas não havia nenhum sentido

-Ótimo, veio aqui só para me confundir mais! –Bufei e voltei para o meu quarto

Cai na cama e depois de algum tempo, dormi. Mesmo estando com a cabeça à mil, com os pensamentos confusos e me sentindo maluca, eu consegui dormir. Mas eu não estava livre dos pesadelos.

Acordei apavorada e com a respiração ofegante no meio da madrugada. Me sentei na cama e senti que estava sendo observada, meu coração começou a bater mais rápido e eu, lentamente, virei meu rosto para a borda da minha cama .

Virei mais o rosto…

E mais…

E quando eu finalmente olhei…

Não vi nada lá…

Mas eu sentia sua presença.


Me apertei no cobertor e quando coloquei o pé no chão, um vulto branco, que estava debaixo da minha cama, correu para a porta e saiu.

Eu só vi um vulto

E escutei seus ossos batendo uns nos outros.

“Ele estava de costas e virava o pescoço para todos os lados e eu podia ouvir o barulho dos seus ossos estalando e batendo um nos outros”


Acabei me lembrando da primeira vez que vi a criatura e cai sentada na cama

-Não é possível… -Coloquei a mão na boca não querendo acreditar

“Na primeira noite a pessoa dorme e sente a presença dele, mas quando acorda não vê nada.”

Então, quer dizer, que a criatura está solta?

Pov narradora

Ainda na floresta…


O homem estava parado em seu cavalo branco, sorrindo para a escuridão da floresta. Ali, todas as criaturas tinham medo e veneravam ele, a floresta sombria era sua segunda casa e ele sabia tudo sobre ela, de saídas até poços para morte. Ele olhou para os lados  atento quando ouviu o piscar dos olhos de alguém.

-Você está ai! Você tem noção do que me fez passar?!?!?! Bill poderia ter me matado! –Uma mulher de cabelos loiros e olhos negros surgiu pela névoa

-Olá, Rosely –Ele falou calmo, não se importando com o que ela disse, descendo do cavalo

-Batzelt, você sabe muito bem que eu estou fugindo dele! E o que você faz? Me chama para essa floresta com o Bill cheio de fúria, qual é o seu problema?!?!?! Quer me ver morta?!

-Rose, você não quer ter o controle desses vermes que se denominam de “humanos”? –O tom da sua voz era ríspido e seu rosto agora estava fechado.

-S… Sim… -Rosely abaixou a cabeça e respondeu gaguejando. Todos tinham medo de Batzelt, ele era sarcástico, frio, cruel, sádico, calculista e mais poderoso do que poderiam imaginar. E ela, assim como os outros, tinha medo das forças dele, mesmo ele sendo seu irmão.

-E como, querida irmã, você pretende fazer isso sem o garoto? –Sua cara estava raivosa e sua voz rude

-N-Nã… N-ão sei –Ela apenas respondia com a cabeça baixa temendo olhar nos olhos do irmão

-Claro que não sabe –Ele disse sarcástico –Não existe outro modo, então trate de colocar a coleira no cachorrinho e fazer ele me dar a patinha!

-Certo, não vou te decepcionar

-Não –Ele falou rindo –Eu sei que não. E finalmente o mundo humano será seu, minha irmã! –Ele forçou uma alegria falsa, mas Rose acabou acreditando

-Nós dois iremos governar! –Ela sorriu e ele girou os olhos sem que ela visse

-Rosely, o que aconteceu com o seu corpo?! –Seu irmão perguntou olhando os olhos negros da menina

-Eu tive que possuir outra pessoa, temendo que Bill me reconhecesse se eu aparecesse por essas bandas com a minha “aparência”

-Certo – Ele deu os ombros – Mas ele te reconheceu, o menino é esperto. Gosto dele

-Realmente… Mas diga, por que me chamou aqui?! –Rose estava impaciente e com medo

-Para destrair o Bill –Ele sorriu subindo no cavalo

-Destrair?!!? Eu não sou uma isca Bat, voc…

-Batzelt! –Ele a cortou seco – Sou um rei, trate-me com respeito. Rei Batzelt, seu senhor.

-D-Desculpa… -Ela mordeu os lábios e se arrependeu de ter chamado seu irmão pelo apelido de infância –Mas por que você queria distrair o Bill?

-Para deixar a menina sozinha –Ele sorriu divertido –Para fazer o trabalho sujo.

-Trabalho sujo?! –Rosely perguntou confusa

-Sim, libertar um de meus servos

-Ela libertou a criatura?! –A mulher perguntou pasma

-Exato, o feitiço que a deixava presa nessa floresta se quebrou -Ele sorriu para a escuridão novamente –Esse é a nossa vez, Rosely, e dessa vez todos irão se curvar diante de mim.

A garota percebeu o tom autoritário do irmão e sorriu, ela pensava que os dois um dia iriam governar. Só pensava, por que nos planos de Batzelt só um iria reinar.
Batzelt observou Rose indo embora e quando ela já estava longe o suficiente para escuta-lo, ele disse;

-Saia dai, Megan! Eu sei que você está escondida ai –Ele sorriu, havia sentido a presença da garota há muito tempo

-Desculpa, meu Senhor –Megan se redimiu ajoelhando para seu mestre

-Espiar a conversa dos outros é feio –Ele sorriu falando em um tom agradavél, não iria brigar com ela. –Vamos, levante-se do chão

Megan era a única pessoa que Batzelt se sentia a vontade, ela sabia de todos os seus planos e ele confiava nela, mesmo ela sendo uma pobre e fraca humana.

Apenas uma humana…

Que serve ao rei.


-Desculpe a pergunta, meu senhor… Mas Rosely é a sua irmã? –A menina de cabelos curtos não entendia o que acabará de acontecer

-Sim, por que?

-Pensei que o senhor não gostasse dela… -Ela segurou o próprio braço um pouco hesitante de falar aquilo.

-Apenas 3 coisas, doce e pequena Megan –Ela se estremeceu com os apelidos do mestre e ele riu –Primeiro: Pare de me chamar de senhor, segundo: Não, eu não gosto dela

Meg o olhou tentando dar um sorriso, mas não conseguiu

-E a terceira coisa? –Perguntou curiosa

-A única coisa que me une ao verme da Rosely… É a palavra irmão.

-Então por que você quer que ela consiga dominar os humanos? –Meg não entendia o planos do mestre, mas quando entendia… Ela ficava triste, porque só podia observar sem fazer absolutamente nada.

-Para ela fazer o trabalho pesado de tomar o poder, para depois eu destruí-la e reinar sobre eles. E finalmente terei poder de tudo –Ele sorriu malévolo e foi embora com seu cavalo deixando Megan para trás.

Uma simples humana naquela floresta… Cheia de criaturas.

Mas Meg não se importava… Pois por algum motivo desconhecido…

Batzelt colocou uma ordem nas criaturas.

Que ordem? As criaturas estão proibidas de tocar em um único fio de cabelo da Meg.

A pergunta é porque ele fez isso… Por uma humana.

-Você não terá poder de tudo –Ela falou sozinha, talvez para a escuridão ou para alguma criatura que se rastejaste por ali –Você não tem o céu e é lá que minhas esperanças dormem.



No quarto de Bill…




Ele estava em pé olhando alguns papéis em cima da escrivaninha, mas ele sentiu uma presença e se virou bruscamente para trás

-Calma, querido –Coraline falou se divertindo da atitude dele –O que você tá fazendo? –Ela tentou ler o que estava escrito nos papéis que Bill tinha em cima da mesa, mas ele os recolheu

Ela tomou isso como uma provocação e leu a mente dele.

-Procurando a Rosely? Realmente Bill… -A menina cruzou os braços e girou os olhos

-Ela estava na floresta!! Eu a escutei!! –Ele segurou a garota pelos ombros e ela olhou para ele com tédio

-Por que não a seguiu?

-Por que… -Ele a soltou e caminhou para a janela, sentando na mesma –Eu segui… Mas não encontrei nada.

-Você devia esfriar a cabeça –Em um movimento rápido, ela sentou ao seu lado –Você não ia na floresta matar aquela criatura para ficar mais forte?

-Sim… Mas surgiu um imprevisto –Ele não olhava no rosto dela, mas ela olhava em seu rosto

-Que imprevisto?! –Ela arqueou a sobrancelha e ele a olhou

Ele não disse nada, mas isso foi um convite para a menina sapeca ler a sua mente

-Hm, Ariel hein? –Ela cutucou provocando-o

-Menina estúpida –Cuspiu as palavras fazendo a menina ao seu lado rir

-Eu não diria isso –O contrariou

-Por que não?

-Ela é filha de William com Jane, alôôôô? Esses nomes não te são familiares?

-Eles são da realeza…
-Respondeu e ela girou os olhos

-Você sabe quem eles são! Todos sabem!

-Ela não é a dangeli… Ela foi morta depois de nascer, não se lembra? –Ele disse num tom grosso

-Claro, como poderia esquecer? Mas, me surpreende William ter uma filha e mais… Uma filha da qual eu não consigo ler os pensamentos!

-Coincidência! Ele pode ter adotado uma garota para preencher o lugar da filha morta, sei lá! –Bill articulava com as mãos não querendo aceitar a opinião de Coraline

-Coincidência? Sério isso, Bill? Você já foi mais realista

-Ela chora igual a uma criança e é medrosa, como você quer que eu aceite que ela é um dangeli? –Bufou com raiva

-Chora igual a uma criança, mas você a salvou –Coral disse com um sorriso malicioso já com segundas intenções

-Cala a boca, quero distancia daquilo

-Certo! –Ela levantou as mãos se rendendo –Até mais, Bill

Coraline deu um beijo na bochecha dele e saiu pela janela. O menino de cabelos pretos a observou até que estivesse fora de seu alcance, depois disso levantou mas quando ia abrir a porta, ela se abre

-Bill? –Tom perguntou olhando o irmão preocupado

-O que você quer?! –O de maquiagem perguntou rispido

-Aonde você estava? Você sumiu, quer dizer, quase todo dia você some agora. Aonde você tava?

-Em lugar nenhum –Bill disse passando pelo irmão fechando a porta de seu quarto

-Em lugar nenhum?! Você usa essa desculpa há cem anos, Bill! Eu me preocupo com você!

-Você não entende, Tom –Bill deu as costas para o irmão –Você é um mísero humano.



Já no parque…



A menina dos olhos puxados cambaleava pelo parque, a dor no seu coração não cessava.

Ela continuou a cambalear

E a dor só aumentava…

E aumentava…

Até ela cair no chão.

Mas alguém a segurou.


-Ei… Você tá bem?! –Alguém tinha segurado a menina, mas ela não conseguiu identificar pela voz  

-Quem é? –Hoshi esfregou os olhos tentando ver algo, mas sua visão continuou embaçada

-Sou eu, Georg –O menino falou sorrindo –O que aconteceu com você?

-Casa… Ahnn –Um gemido de dor saiu pelos seus lábios –Georg, por favor, me leva para casa.

-Ok, onde fica a sua casa? –Ele perguntou segurando a menina no colo

-Perto do posto –Sussurrou com dor e deitou com a cabeça no pescoço dele, se sentia tonta, enjoada e seu coração não parava de bater.

Georg começou a andar enquanto Hoshi lutava para ficar acordada, depois de algum tempo a menina estranho o fato deles ainda não terem chegado, então levantou a cabeça para olhar onde eles estavam.

-Georg… Aonde estamos? –Ela perguntou assustada já que não conhecia a rua –Georg! Para onde você está me levando

O menino de cabelos longos entrou num beco enquanto sorria perverso.

-Georg, me solta! –Inutilmente, ela tentou sair de seus braços, mas ele era muito forte –ME SOLTA!

Quando eles já estavam no fim do beco, que era fechado e escuro, Georg a jogou no chão.

-Qual é o seu problema!?!? –Ela falou em um tom desesperado tentando se levantar, mas estava muito fraca –Georg… O que você tá fazendo!?!?

Não havia ninguém naquele beco, então gritar era inútil, pois só gastaria as poucas forças que Hoshi tinha. Georg sóco observava o desespero da menina sorrindo e então a agarrou pelos braços, a jogou na parede e prensou seu corpo no dela

-Você sabe que eu to me divertindo bastante –Ele riu se divertindo com a situação e ela começou a se debater

-O QUE VOCÊ QUER? –Ela gritou com suas ultimas forças e ele sorriu.

Sorriu, mas não era era um sorriso normal

Havia dentes enormes e pontudos

E olhos vermelhos


-O que eu quero? –Ele perguntou sarcástico –Eu vou te mostrar!

E com isso ele mordeu o seu pescoço e ela sentiu a aguda dor dos dentes dele perfurando sua pele. Nessa hora, ela reprimiu um grito de dor, conseguia sentir seu sangue saindo dela, suas pernas começaram a fraquejar enquanto ela se sentia cada vez mais fraca. Ela sabia que deveria lutar, mas sua mente estava vazia e por incrível que pareça a dor do seu coração sumiu.

Por um momento Hoshi acreditava que ia morrer e finalmente a dor passou quando Georg se afastou do pescoço da menina, mas já era tarde.

Ela já havia apagado  

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36 Re: Sobre as asas de um demônio em Sab Jan 25, 2014 10:24 pm

Sam McHoffen

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Já falei e repito: Ariel é burra.
Eu não odeio a Ariel e entendo que ela precisva manter os 'olhos fechados' pro desenvolver da fic, mas ela não tentar ir atrás do que acontece com ela, das coisas que ela vê e percebe, e principalmente, por acreditar em tudo o que inventam pra ela, isso realmente me irrita e me faz chamá-la de burra e estúpida. u.u

Você que não sabe de nada. Tola, indefesa e inútil… Você não sabe nem quem você é!
Concordo completamente com o Akira. u.u

Elliot, por que tão estúpido? Eu gostava de você, mas ficar mentido pra Ariel não é legal, e desafiar o tio Akira também não, seu bobão u.u

Pera aiiiii! Teu pani aqui na minha mente. Bill quer matar a Rose, que quer mandar nos humanos, que por sua vez tem ajuda do irmão, que quer ajudar, mas só pra matar ela depois, e que é apaixonado por uma humana? É isso mesmo? '-'
E ele só 'ressuscitou' a ferra (que eu esqueci o nome, porque sou péssima com nomes), em vez de matá-la. E ele era o cara do cavalo branco... bem que eu sabia que não se pode confiar em caras de cavalo branco u.u

O que é um dangeli? '-'
Bill é um demônio e o Tom humano sem graça? Deixa eu rir de novo disso u.u ahhaahhaahahahahah

Geooooorg! O_O
Georg tu é um vampiro? Tu vai tomar o sangue da japa? Tu vai matar... ou salvar ele? O.o
Acho que até fiquei com medinho do Georg, agora.... Não, não fiquei, se quiser pode me morder, eu deixo. U_U

E continue dona Caroul, mas para de fazer mistérios e comece a relevar eles!!!

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37 Re: Sobre as asas de um demônio em Dom Abr 20, 2014 1:47 am


Pov Ariel

Meu quarto estava frio, devido ao ar que vinha das janelas e escuro tirando apenas uma luz pequena que vinha da lua. Eu ainda estava sentada na cama, segurando meu cobertor e com o pé no chão olhando em direção a porta por onde o vulto correu. Minhas mãos soavam frias e o meu coração batia cada vez mais rápido

Então eu coloquei o pé no chão frio…

E meu coração bateu mais rápido.

Dei um passo para perto da porta…

E o silêncio foi quebrado pelo rangido da madeira do chão…

Mais um passo…

Mais uma rangido…

E mais uma batida do meu coração desesperado…


Coloquei a mão na maçaneta e girei bem lentamente, minha mão soada não ajudou muito, mas eu continuei girando até escutar o “click”. A porta estava aberta, mas aonde estava a coragem de sair e encontrar seja lá o que estivesse do outro lado? Abri a porta em um movimento só e fechei os olhos esperando algo me atacar

Mas não veio nada…

Olhei pelo corredor, que estava totalmente escuro, e o mesmo vulto apareceu no final correndo para o quarto do meu pai, abrindo a porta e depois fechando-a em uma batida.

-Merda! –Falei sozinha

Por que diabos aquilo foi para o quarto do meu pai?

Andei pelo corredor escuro e frio e aquela mesma sensação voltou

Meu coração bateu mais rápido…

Dei mais um passo …

Mais rangido da madeira do chão…

Mais um passo…

Mais uma rangido…

E mais uma batida do meu coração, que parecia que ia saltar do meu peito.


Abri a porta em um impulso só, mas não havia nada lá… Nem meu pai, nem o vulto, nem a criatura… O quarto estava normal, com a luz apagada, janelas abertas com o vento passando por elas.

Fiquei parada em frente à cama tentando entender alguma coisa, até que a porta se abriu atrás de mim e a minha respiração parou.

Eu podia escutar passos vindo até mim…

O rangido do chão ficando cada vez mais alto…

Minha respiração estava presa…

E meu coração batendo cada vez mais rápido…

E senti uma respiração atrás de mim…

Então algo me tocou e eu dei um grito.


-Ei, Ariel! Calma! –Elliot me olhava assustado, talvez pelo berro que eu dei.

-Céus! Elliot, você me assustou –Falei colocando a mão no peito –Nunca mais faça isso!

-Desculpa, Senhorita. Concedo-lhe meu perdão, por favor, aceite.

-Credo! Não precisa ser tão formal, Elliot. –Falei colocando a mão no peito sentindo meus batimentos se normalizarem

-Desculpa, Senh… Ariel… -Ele deu um sorriso de lado

-Cadê meu pai? –Observei o quarto vazio e voltei a olha-lo

-Foi para uma reunião –Dei um sorriso torto e suspirei –E você? O que está fazendo aqui?

-Quem? Eu? Ah… Eu to… Er… -Tentei pensar em uma desculpa para não ter que falar que vi a criatura, ou pelo menos, acho que vi… -Eu tive um pesadelo…

-Outro? –“Hoje não foi um pesadelo!” Respondi mentalmente e bufei

-Sim...

-E por que veio para o quarto de seu pai? –Ele cruzou os braços desconfiando do que eu havia dito

-Porque… Eu não queria ficar sozinha no meu quarto escuro e eu pensava, que diferente da minha mãe, meu pai estaria aqui para me acalmar depois de um pesadelo. –Abaixei a cabeça e ele coçou o pescoço sem graça –Nossa, to parecendo uma criança, não é? Desculpa por fazer esse teatrinho aqui, já vou para cama.

-Não. –Ele segurou meu braço quando passei pelo seu lado –Eu que fui um idiota. –Falou com a cabeça baixa

-Ei, claro que não. –Disse levantando o rosto dele –Você é um anjo, Elliot.

Não sei porque, mas ele colocou um sorriso tão grande e tão sincero no rosto que me fez sorrir também. Então ele me segurou pela mão e saiu me puxando para o meu quarto.

-Elliot, eu não vou conseguir dormir. –Abaixei a cabeça e disse com uma voz fraca. –Eu estou com medo.

-Não se preocupe… –Ele sorriu e deu um passo para perto de mim –Eu estou aqui com você

Dizendo isso ele me abraçou apertado e eu fiquei um pouco sem jeito, mas acabei  o abraçando também. Depois disso eu deitei na cama enquanto ele sentou ao meu lado, ficamos conversando um pouco e o sono começou a chegar então fechei os olhos, mas continuei falando com ele

-Acho que tá na hora de alguém dormir

-Não! –Abri os olhos rápidos e o segurei pelo pulso quando ele ameaçou se levantar –Eu não vou conseguir dormir, por favor, Elliot… Fica aqui comigo.

Ele ficou me olhando por um tempo como se analisasse se devia fazer isso ou não

-M-Mas se o Sr. William entrar e me ver deitado com você? Não irá cair bem…

-Eu me resolvo com ele depois, por favor, Elliot. –O encarei com os olhos tristes e ele deu uma olhada na porta como se ainda estivesse indeciso, mas suspirou e deu um pequeno sorriso

-Ok, já que você tá me implorando… Eu fico –Sorri e ele deitou ao meu lado

A conversa fluiu mais um pouco assim como o sono, me aconcheguei nos braços do Elliot e percebi que ele ficou um pouco sem graça. Mas a verdade era que eu estava com medo… Ficamos em silêncio, eu só ouvia a sua respiração e seus batimentos cardíacos fracos... Muito fracos, por pouco eu diria que ele não tinha batimentos cardíacos, mas escutava seu coração pulsar de leve… Bem fraco e lento.

-Elliot… -Chamei em um sussurro enquanto deitava a minha cabeça no seu peito

-Hm…? –Ele perguntou sem jeito enquanto decidia se me envolvia com o braço ou não

-Você… Er… Você acredita em demônios? –Perguntei com um tom de voz baixa meio sem graça

Eu pensei que ele ia me achar idiota ou doida, mas ele simplesmente ficou calado me encarando

-Sim… -Deu uma resposta curta

Espera… Ele disse sim? Meus pensamentos começaram a ficar confusos e eu não sabia mais o que era real ou o que era coisa da minha cabeça, mas antes que os meus pensamentos ficassem mais confusos Elliot me chamou

-Minha vez de perguntar…

-Ok… -Respondi meio incerta e com medo da pergunta

-Você acredita em anjos?

Era uma pergunta tão tosca, que até pensei que era uma piada, mas ele me olhava tão sério que demonstrava que ele não estava para brincadeiras.

Eu passei minha vida inteira vendo, acreditando e tendo medo de demônios que nunca parei para pensar que possa existir anjos, ou acreditar que algum deles me “proteja”.

Pov narradora


William ainda estava “trabalhando”, estava sozinho em uma sala tentando resolver alguns problemas até que ele dá uma pausa para respirar, tirou os óculos, passou a mão no rosto e ficou esfregando as têmporas.

-O que eu vou fazer? –Perguntou para si mesmo, mas seus pensamentos foram interrompidos por batidas na porta

-Entre! –Disse falou largando todos os papéis na mesa e voltando a por os óculos

-Parece cansado, William… -Benjamin, mais conhecido por ser o professor de historia de Ariel, entrou na sala.

-Estou ótimo! –Will afirmou e Benjamin riu

-Minta o quanto quiser, mas a mim você não engana

-Eu... Eu, apenas, estou… Estou preocupado –Ele demorou a dizer se enrolando um pouco.

-Medo não seria a resposta certa? -O professor arrancou as palavras da boca de William e continuou –Medo… Medo de descobrirem o que a Ariel é? Medo de descobrirem que ela está viva? Ou medo de que ELA descubra o que ela é?

-Eu não sei do que você está falando… -Tentou desviar o assunto

-Will… Will.. Você não pode se esconder de mim com essa capa de mentiras.

-Não é uma capa de mentiras! –O pai de Ariel disse nervoso

-Então é o que? –Ben o olhava desafiador enquanto caminhava lentamente pela sala… -Os demônios já suspeitam e nós… Bem, nós já estamos de olho…

-Eu… Eu não sei o que fazer. Eu es… estou perdido.

-Então se ache logo, isso não é um jogo de pique-esconde –Respondeu debochado – Essa capa de mentiras está se rasgando e se desfazendo. O que você irá fazer quando Ariel conseguir ver o mundo, como ele realmente é, por debaixo destas mentiras?

-TUDO O QUE EU FIZ FOI PARA PROTEGE-LA! –Will gritou com a voz angustiada

-Você mentiu… -Ben manteve o seu tom de voz calmo como um bom sábio

-EU NÃO PODERIA DEIXAR MINHA ÚNICA FILHA MORRER! –Ele levantou batendo as mãos na mesa não podendo compreender o que Benjamin falava

-É por isso que você é fraco William, há amor no seu coração. Se não fosse por isso, você não estaria com tantos problemas…

-Você está dizendo que eu tinha que deixa-la morrer? –Will estava achando tudo um absurdo, não conseguia mais pensar, nem sabia mais o que dizer

-Não importa o que eu estou dizendo, você já fez a sua escolha! Arque com as consequências…

O pai da menina caiu sentado na cadeira olhando para o teto desordenado

-Só posso lhe desejar boa sorte, sorte para que as pessoas continuem acreditando nas suas mentiras

-Benjamin, por favor… -William implorou

-Só mais uma coisa… Estou de olho na Ariel na escola…

-Algum problema?!?! –Ele se mostrou preocupado

-Ainda… Não.

-O que aconteceu?!

-Akira está visitando Ariel na escola, tome cuidado para que ele não dê com a língua nos dentes

-Akira?! Você tem certeza?!?! Isso é impossível.

-Você está duvidando de mim? –Benjamin se aproximou lentamente apoiando as mãos na mesa e encarou William bem sério

-Desculpa, Ben… Você sabe que é um irmão para mim, a pessoa que eu m…

-Escute bem, Thompson! Eu posso ser seu amigo, mas não se esqueça quem eu realmente sou… Eu sou o olho que tudo vê e a mente que tudo sabe, seja cuidado.

E com essas palavras Benjamin sumiu diante dos olhos de Thompson.



Já um lugar distante…



Seu corpo doía, mas nada se comparava a dor de seu pescoço. Seus pulsos ardiam, se sentia cansada, e exausta, e dolorida, e confusa, e sonolenta, e esgotada, como se sua alma estivesse sido torturada. Até respirar causava dor, sentia que a cada inspiração seus ossos se partiam como um espelho, e que os cacos de vidro a rasgavam por dentro, sentia que a cada expiração seus pulmões ferviam em uma dor latejante.

Não conseguia abrir os olhos, suas pálpebras pesavam toneladas e todas as suas forças, as que ainda restavam, estavam sendo usadas para que ela continuasse acordada.

Apesar de não conseguir abrir os olhos, ela sentia uma claridade em seu rosto, queria cobrir seu rosto com uma das mãos, mas elas estavam amarradas… Isso explicava seus pulsos estarem ardendo. Tentou então, inutilmente, falar algo, mas sua boca estava completamente seca e desidratada. Se ela não conseguia abrir os olhos, quem diria falar algo, então apenas um suspiro escapou de seus lábios…

Mas esse suspiro significava muita coisa…

Significava sua dor…

Seu desespero…

E, talvez, o fim.


Quando ela começou a achar que estava sozinha, escutou uma voz feminina:

-Você tem que conseguir informações, Georg! –Hoshi não conseguiu identificar de quem era a voz…

-Eu sei!

-Você sabe o risco que estamos correndo?! Você não sabe o que ela é, Georg! Como você vai resolver isso!?!?

-Eu vou dar meu jeito, você não confia em mim?!

-Sim, confio… Descubra logo o que eu quero.

-Certo, mas por que você quer tanto saber disso?

-Por que? Porque se for o que eu estou pensando… Uma guerra virá e nós temos que ficar ao lado do mais forte.

-O que eu faço com a menina depois?

-Livre-se dela… Do jeito que você quiser –Mesmo sem ver, Hoshi podia sentir que a garota, que disse isso, sorria.

Depois ouviu-se alguns passos e logo silêncio, a menina tentou abrir os olhos, mas não enxergava nada. Sua vista estava embaçada e ardia, a única coisa que conseguia enxergar era uma silhueta e uma luz forte que quase a cegava

-Olhem só, a princesinha acordou… -A pessoa que disse isso chegou mais perto e pela voz ela descobriu quem era… Georg!

-G...e...org… -A menina tentou falar, mas sua boca ainda estava desidratada e tentou forçar a vista para ver se conseguia enxergar o rosto de Georg, mas sua visão estava turva

-Não tá conseguindo falar? –Ele disse debochado… -Quer que eu pegue um pouco de água para você?

Depois dessa pergunta, ela conseguiu ver ele se afastando e som de passos… Até eles pararem. Novamente ela estava sozinha, mas ele retornou…

-Toma a água –A garota esperava que ele desse um copo de água na boca dela, mas não foi isso que aconteceu. Ele jogou um balde de água nela e ela começou a se debater na cadeira…

A água escorria por todo seu corpo...

Escorria por todos os machucados…

Todos os cortes…

Um por um…


Eles ardiam, doíam, latejavam, queimavam e a água estava quente… Facadas no peito iriam ser cosquinhas perto disso e, talvez, o fogo do inferno doesse menos do que isso.

Ela queria gritar… Gritar o mais alto que puder, mas não tinha forças…

Ela queria chorar… Chorar até não conseguir mais, porém não havia lágrimas…

Ela queria implorar por misericórdia… Implorar para que parasse com isso, mas nenhum som saia de sua boca.


Georg a olhava rindo, pegou um banco e sentou na sua frente.

-Ok, garota. Tá na hora de você abrir a boca!

Hoshi deu um sorriso, mas não foi qualquer sorriso, foi um sorriso que contia ódio e sarcasmo. Ele se irritou e segurou o rosto dela

-Quem é você?

A menina esfregou o rosto molhado no ombro afim de seca-lo, depois o encarou feio e como resposta ela conseguiu cuspir na cara dele.

-Sua… filha… da… puta!

-O que você vai fazer?!? –Agora ela conseguia falar e cuspiu as palavras com ódio –Vai me bater? –Ela riu –Voc…

Antes que ela terminasse, ele irritado se levantou e deu um soco na cara dela. O rosto dela virou e ela não podia acreditar, estava incrédula e assustada, nunca pensou que ele poderia fazer isso

-QUAL O SEU PROBLEMA? O QUE VOCÊ É? O QUE VOCÊ QUER COMIGO? –Ela gritou, tinha tanta coisa entupida na garganta, mas essas perguntas conseguiram escapar

-O que eu sou? Tão bonita… Mas tão burra. Não está na cara? –Ele se aproximou dela, que inutilmente tentou fugir, e se inclinou para sussurrar no seu ouvido:

-Eu sou um vampiro. -Ele sorriu mostrando as presas, mas elas eram diferente das que são retratadas nos filmes de vampiro...

Os olhos de Hoshi se arregalaram, ela não acreditou no que tinha escutado… Seu pai nunca havia contado que existiam vampiros, quando Georg a mordeu, ela pensou que ele fosse um yokai. Ela olhou na cara do menino surpresa não podendo aceitar que aquilo fosse verdade

-Que foi? –Ele perguntou confuso com a cara da garota –Espera… Você não sabia que vampiros existiam?!

-V…o..c.. Você… me mordeu! –Ela disse preocupada –Eu vou virar um vampiro também? –Era notável o panico nos seus olhos

-O que? Claro que não –Ele riu –Você não sabe de nada, não é?

-Que? Se você me morder eu não viro vampiro? – Os pensamentos dela estavam embaralhados e Georg só piorava

-Você não sabe mesmo, não é? –Ele a olhava estranho, talvez surpreso, ela como resposta apenas negou com a cabeça e ele se afastou dela

-Ok… Então vou te explicar como as coisas funcionam –O vampiro começou a andar pela sala, que agora ela pode observar.

A sala era vazia, tirando um quadro cheio de papéis e um armário. Ela forçou a vista para ver o que estava no armário e pensou:

“Aquilo são instrumentos de tortura?”

-Sim –Ele respondeu sorrindo malicioso

-C..omo.. Como você? –Ela perguntou com os olhos arregalados

-Acho que você ainda não entendeu que eu sou um vampiro, não é mesmo? Eu consigo ler mentes, sua babaca.

-Só o que me faltava –Ela girou os olhos

-Continuando… Virar um vampiro não é uma tarefa tão fácil. Quando um vampiro te morde, ele libera um veneno no seu sangue –Hoshi nessa hora fez uma cara de espanto – Calma, deixa eu terminar. Mas esse veneno não é suficiente para transformar todo o sangue de um humano, pois o veneno tem que tomar todo o  corpo e ainda envenenar o sangue. Então o que nós fazemos?

-Tiram todo o sangue do humano? –Ela arriscou um palpite com medo

-Não… -Ele riu –Se tirar todo o sangue de uma pessoa ela acaba morrendo…

Ela ficou em silencio esperando que ele continuasse:

-Para transformar uma pessoa você precisa beber quase todo o sangue dela, quase todo… Apenas deixar sangue o suficiente para uma batida do coração. Com essa pouca quantidade de sangue, o veneno domina o seu corpo e consegue envenenar o sangue para que ele vá para o seu coração. E depois começa o sofrimento, primeiro a dor da mordida e sensação do sangue sendo arrancado de você, mas isso não se compara a dor de ser transformado. –Ele falava com um tom de voz frio e dava para sentir o sofrimento na sua voz -Primeiro seu corpo começa a ferver, uma dor absurda, começa a arder o seu interior queimando-lhe todas as veias, uma dor tão intensa que te dilacera o peito. Uma dor inexplicável e ao mesmo tempo agoniante. Uma dor tão monstruosa que faz você orar querendo a morte e do nada… Acaba!
Depois você se sente em um escuro vazio e frio, abandonado, esquecido e então todas suas lembranças passam com flashback na sua cabeça…


-Lembranças? –Hoshi estava com medo e apavorada com o que tinha escutado

-As lembranças da sua vida… -Ele falou baixo e de costas para a menina –Mas não todas as lembranças… São as piores lembranças. –A voz dele soou dolorosa, como se ele estivesse relembrando pelo o que passou –Você se sente sem ninguém e vê suas piores lembranças, é uma das piores dor. Tudo que você sentiu antes não parece que doeu tanto, porque essa dor é diferente…
E logo você sente uma facada no peito, como se o seu peito fosse um alvo e atirassem uma flecha bem no meio, mas então para... E a única coisa que você escuta nesse infernizante silêncio é uma única batida do seu coração.


-E depois?

-Depois? –Ele virou para olhar no rosto dela –Depois você vira… isso. Um monstro!

-Você deve ter sofrido muito… -A garota dos olhos puxados não sabia o que falar

-Own, que lindo! Agora você conta os seus problemas e depois fazemos trancinhas um no cabelo do outro –Ge disse com um tom tão irônico e debochado que deu raiva nela

-Idiota…

-Isso não importa agora! –Ele sorriu –Vamos começar com as perguntas! O que os anjos estão planejando?

-O que? –“Anjos? Do que ele está falando?” A menina pensou –Eu não sei do que você está falando…

-Não me faça de tolo! –Ele socou a cara dela –Eu sei o que você é!

-O que eu sou? –O tom da voz dela era de provocação –Me diga, por que nem eu mesma sei

-Um anjo!

A garota começou a rir e ele ficou cada vez mais irritado

-Eu não sou um anjo –Disse quando parou do rir

-Quase me convenceu… -Ele saiu de perto dela indo até o quadro e pegando um papel. Voltou a se aproximar e a segurou pelos cabelos de um jeito bruto–Você tá vendo isso?! Tá vendo esse cara? Ele é o seu pai! –Ele segurava uma foto de Miguel bem na cara de Hoshi –Ele é um anjo! Um dos anjos mais poderosos! Você é a filha dele e quer me dizer que não é um anjo?

-Eu não sou um anjo –Repetiu sem paciência e ele soltou os cabelos delas empurrando sua cabeça

-NÃO ME FAÇA PERDER A PACIÊNCIA COM VOCÊ! –Ele gritou fazendo a menina se assustar –A princesinha não vai querer que eu use os instrumentos de tortura, não é?

-Eu não sou completamente um anjo –Ela resolveu falar logo de uma vez, já estava toda machucada, não iria aguentar.

-Não completamente? –O menino parou em pé na frente dela não entendendo nada

“Imbecil…” A menina de cabelo castanho pensou e Georg se inclinou novamente para encara-la de perto

-Posso ser imbecil, mas sou sexy –Ele lambeu os lábios provocando

-Eu não tenho nada a ver com isso –Ela respondeu sem graça

-Não? Mas eu li os seus pensamentos, que feio… Ficar pensando em mim além de prestar atenção na aula...

-Idiota! –Ela já estava vermelha e ele riu

-Sem enrolações, o que você quer dizer com “não completamente”?

-Eu sou metade anjo… -Nessa hora Hoshi abaixou a cabeça e falou em um tom muito baixo –E metade humana.

O vampiro arregalou os olhos perplexo e deu dois passos para trás olhando a menina surpresa.

-I..sso… não… é… pecado? –Ele gaguejou, não sabia que isso era possível

-Sim! Eu sou como você, Georg! Eu sou um monstro… -Ela falou com a voz rouca

-Não… Você não é um monstro. –Ele negou com a cabeça –Eu mato pessoas para viver! Eu não fiz nada para merecer isso!

-Tinha que acontecer com alguém…

-POR QUE COMIGO?! -Ele gritou com raiva –EU NUNCA QUIS ISSO! EU SEMPRE FUI UMA PESSOA BOA E O QUE EU GANHEI EM TROCA? EU VIREI ESSE MONSTRO!

-Foi o seu destino, Georg –A menina falou tentando acalma-lo

-Destino? –Ele perguntou debochado e depois deu uma risada –Vai falar que o SEU Deus queria que eu virasse um vampiro? SEU DEUS QUERIA EU VIRASSE UM ASSASSINO? É ISSO?

-DEUS NÃO TEM NADA A VER COM ISSO
–Ela se irritou quando ele colocou o nome de Deus nisso –ELE NOS CRIOU E NOS DEU LIVRE ARBÍTRIO PARA QUE CADA UM FIZESSE A SUA ESCOLHA!

-EU NÃO ESCOLHI ISSO! –Ele rebateu –Eles nos criou e nos jogou no mundo? É isso?

-Não…

-Você está falando que ele nos deu livre arbítrio sabendo da maldade e tudo de ruim que tem no mundo?

-Cada um escolhe o que vai fazer, ele não tem culpa se alguém escolheu o caminho errado…

-MAS SE UMA PESSOA ESCOLHE O CAMINHO ERRADO AS OUTRAS SE FODEM TAMBÉM! ISSO NÃO É JUSTO!

-A VIDA NÃO É JUSTA!

-A VIDA QUE O SEU DEUS CRIOU!

-EU JÁ DISSE Q
… -Antes que ela terminasse ele interrompeu

-Deus nos criou imperfeitos e nos jogou em um mundo “perfeito” –Ele riu negando com a cabeça –Por que isso? Para ele ficar nos vendo sofrer sem fazer nada? EU NÃO VOU SER MAIS UM PERSONAGEM DESSE MUNDINHO IDIOTA QUE ELE CRIOU PARA FICAR RINDO DA MINHA CARA! ELE NÃO QUIS QUE EU VIRASSE UM MONSTRO?! AQUI ESTOU! E ele precisa tomar cuidado, porque já está na hora de outro subir no trono.

-Georg… Você fala isso, mas olhe para mim! EU SOU UM MONSTRO TAMBÉM!

-Monstro? –Ele riu –Você não é um monstro!

-Os anjos me veem como uma aberração, eu faço de tudo para que eles me vejam como alguém, mas não adianta! Eu nunca vou me encaixar em nenhum desses mundos! –Sua voz saiu triste –Quando eu morre? Diga-me… Para onde eu vou?

-Céu? –Ele olhou confuso

-Céu é só para humanos OU anjos –Ela suspirou –Eu não sou um anjo e nem humana… Não completamente. Então, para onde eu vou quando morrer?

-Eu… não sei. –Georg estava confuso e não sabia onde ela queria chegar com essa conversa

-Eu vou para o mesmo lugar que você… -Ela o encarou séria –Quando você morrer aposto que encontrará outros vampiros, mas e eu? Quem vai querer ficar ao lado de uma anja/humana? Ninguém… E lá eu vou encontrar um monte de criaturas que eu matei…
Georg, você pode ser um monstro, mas não está sozinho nessa. E pense, se você acha isso injusto, imagina eu… Que sirvo aos anjos e ajudo os humanos e não posso ficar em nenhum dos mundos…

-Se você acha injusto, por que continua servindo aos anjos e ao Deus? –Ele perguntou mais curioso do que confuso.

-É a minha fé –Ela falou com a cabeça erguida –Você não pode mudá-la, se não consegue entende-la

-Isso é ridículo –Ele negou com a cabeça

-Eu só quero mostrar que existe pessoas com situações piores que você, mas acreditam que isso possa mudar…

-Para que acreditar se você não sabe se irá mudar? –Ele fez uma careta enquanto perguntava

-Você precisa arriscar e tentar… E acreditar é o primeiro passo. –Ela sorriu, mas ele a olhava com desprezo e começou a andar para a porta da sala –Onde você vai?!

-Esfriar a cabeça

-Georg… O que você fará comigo?

O menino a olhou nos olhos e abaixou a cabeça, a menina o olhou espantada como se soubesse o que ele quis dizer

-Georg! O que você vai fazer comigo?!?! –Dessa vez ela tentou se soltar da cadeira em vão e recebeu como resposta a batida da porta anunciando que o menino tinha indo embora.

E ela estava sozinha…

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38 Re: Sobre as asas de um demônio em Dom Abr 20, 2014 2:43 am

Sam McHoffen

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Administradora
Quem era esse vulto que a Ariel viu? O que ele/ela pretendia mostrar pra ela? Porque ele/ela não foi até o quarto do pai dela atoa, certeza. Posso estar enganada, mas pra mim esse vulto queria mostrar algo dentro do quarto do pai da Ariel pra ela.
Elliot, você é gay? Você é assexuado? Não? Nenhum? Pois é meu querido Elliot, tu parece! Fica com medo de ser pego no quarto da Ariel, de dormir com ela... se tu fosse hétero já teria atacado a Ariel, sem duvida alguma. Mas caso tu queria virar hétero, pode me procurar, ok? u.u
E pra mim Elliot e a corja todo da pai da Ariel são anjos. Só ele sendo anjo e 'puro', explicaria essa falta de malícia. E como citei, o modo dele falar é muito formal, como se não pertencesse a essa década.
Ariel acredita em Anjos? Quero saber u.u

Você é um mentiroso, Will, tinha que ter matado a Ariel, porque é isso que pessoas de Deus fazem, são assassinas... -.-'
Eu não exatamente qual é a do Will, mas gosto de saber que ele não teve coragem de matar a Ariel e está protegendo ela, mesmo que de uma maneira meio torta.

Quanto rancor nesse teu coração, Georg! Aceite que tu sofreu para se transformar e vá viver o lado bom de ser um vampiro!
Essa discussão da Hoshi e do Georg sobre Deus: zzZZZzzZZZzz
Eu prefiro não entrar nesse assunto, mas espero que o Georg viva o lado bom de ser um mostro u.u
E Hoshi, tu é um mostro?! O mostro é teu pai que era um anjo e foi ficar com uma humano, o idiota é ele. E eu gostei do ego e da malícia do Georg. hauahauahuah
E da malícia de quem quer que seja que estava falando com o Georg...

Caroul, OBRIGADA! Obrigada por até que enfim termos uma resposta decente a certas perguntas, o que exatamente o Georg, a Hoshi e o pai dela são. Acredite, esse suspense tava me agoniando, de verdade. E saber algo aqui já é um alivio. E não demore a postar u.u

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39 Uma humana entre demônios. em Qui Maio 22, 2014 10:45 pm


Pov narradora

Rosely estava parada batendo o pé impaciente e bufando, estava ansiosa e antes que sua ansiedade aumentasse bateram na porta.

-Posso entrar? –A pessoa, que estava no outro lado da porta, pediu educadamente

-Claro –Rosely disse sorrindo

Um homem loiro com o cabelo bagunçado entrou olhando para os lados meio desconfiado

-Se o Sr. Batzelt me ver aqui… -Antes que o garoto terminasse de falar, Rosely interrompeu

-Ele não irá vê-lo aqui –Ela deu uma risada

-Diga logo o que você quer, Rosely! –Nicholas estava com medo de ser pego por Batzel… Ser pego por Batzelt, o rei do inferno, era a pior coisa que alguém poderia pedir.

-Você não está quebrando nenhuma regra, não precisa ficar com medo do meu irmão –Ela sorriu maliciosa caminhando até ele –E eu não deixaria o Bat tocar em um fio de cabelo seu –Ela acariciou os cabelos dele, mas ele tirou a mão dela

-E quem é você para impedir o Batzelt?!?

-Eu sou a irmã dele! Tão forte que irei dominar o mundo dos humanos… E eu te chamei para saber sobre o Bill, você sabe sobre ele?

-Além de saber que ele tem um puta ódio de você? Nada… Mas por que você quer saber dele?

-Eu preciso dele para que meu plano tenha sucesso! Merda!

-Por que ele é tão importante? –Nicholas perguntou confuso

-Eu que o transformei no que ele é hoje, ele seria a minha arma, minha mais poderosa arma! Usei um feitiço tão poderoso para transforma-lo… Precisei matar os mais poderosos para que Bill sugasse as forças deles e ainda não adiantou… Ele sugou todas as minhas forças também. –O olhar dela quando disse era vazio, Nicholas não sabia direito essa história, mas ele não iria deixar passar.

-E por que você escolheu transformar ele?

-Porque eu precisava de alguém que seguisse as minhas ordens e o Bill era um cego apaixonado por mim –Quando ela terminou de falar acabou dando uma risada, lembrou de como o Bill era um tolo apaixonado

-Espera… Me perdi, ele te amava e agora te odeia? –Ele articulou com as mãos confuso

-É, digamos que ele não aceitou virar o que é hoje.

-Hmm… E como você vai fazer? Você precisa dele, mas ele quer te matar.

-Com meu charme –Deu uma piscadela e um rebolada que fez Nicholas revirar os olhos –E quando eu conseguir o Bill de novo… Eu e Batzelt iremos reinar juntos! –Ao finalizar a frase, o garoto de olhos negros riu –Qual é graça?

-Você? E Batzelt? Reinarem? Juntos? Não me faça rir –Seu rosto tinha um semblante debochado, que a irritou –Rosely… Você sabe muito bem o irmão que tem… Acha mesmo que ele irá dividir o mundo com você?

-Ele é o meu irmão! Ele irá dividir o poder comigo! E se você ficar do meu lado… Quem sabe eu divido com você. –Ela sorria de canto enquanto mordia os lábios provocando-o, ele por sua vez apenas girou os olhos de novo e negou com a cabeça

Nicholas era um dos demônios mais ágil, mais inteligente e mais esperto, ele conseguia perceber o que as pessoas queriam só por olhá-las. Não importa se ele não conseguisse ler os seus pensamentos, ele lia você como um livro qualquer analisando qualquer movimento. Conseguia brincar nas páginas dos seus desejos e desvendar as suas ações. Você poderia mentir sobre seus planos, poderia enganar qualquer um com um sorriso, poderia esconder o que você planeja, mas ele sabia e você não poderia fugir.

O próprio Batzelt convocou Nicholas para ser um de seus subordinados, claro que ele daria um alto cargo para ele. Mas Nicholas desvendou os planos malignos de Batzelt, onde ele era o centro de tudo, e recusou. Batzelt era ciente das habilidades do demônio e sabia que ele poderia acabar com todo o seu plano. Então proibiu o demônio de falar qualquer coisa sobre ele ou contra ele, proibiu também qualquer contato com os demônios mais poderosos. Mas Nicholas não era de receber ordens e tentou avisar os outros.

Ele não devia ter feito isso…

Batzelt não é alguém com quem se brinque,

E não é alguém que se quer ter como inimigo.


Batzelt o condenou a morte, mas por sorte, ou digamos, por ajuda de Rosely, ele conseguiu sobreviver. Ele é obrigado a viver escondido, fugindo dos seguidores de Batzelt. Agora ele está no castelo dele, no quarto de sua irmã.

-Você sabe mais que ninguém que ele NUNCA irá dividir o poder com você! Imagine comigo… O demônio que ele quer ver fora do mundo. –Nicholas olhou fundo nos olhos de Rosely e disse: -Rosely… Toma cuidado! Você confia mesmo no seu irmão?

-Claro! Ele é meu irmão! Foi ele que cuidou de mim quando eu precisei e nós dois iremos reinar! –Seu tom de voz aumentou, Rosely não podia acreditar como ele é capaz de dizer umas coisas dessas. Mal sabe ela… Que ele tem razão

-Rosely! Por favor, tenha em mente que ele não irá dividir o poder com você! –Ele tentou falar calmo, para que ela não se irritasse e chamasse a atenção

-Se ele não me quer junto com ele. O que ele irá fazer comigo? –Os olhos dela demonstravam preocupação e algo mais além disso, demonstravam medo.

-É disso que eu temo. –Nicholas não deu a resposta certa. Ele sabia o que aconteceria com ela, aliás, qualquer um sabia. Seu irmão sempre descartou as pessoas que não precisava, ele as usava e depois as jogava fora. –Ele quer que você domine o mundo dos humanos, quando você fizer isso… O que você acha que ele irá fazer?

-Nós DOIS iremos acabar com o céu –Isso estava tão óbvio para ela, mas quando ela disse isso ele só deu uma risada

-Ele te disse como vocês irão fazer isso? –Ele cerrou os olhos como se a desafiasse

-N-ã..o –Sua resposta oscilou e ela parecia perdida

-Venha comigo, Rosely! Eu sei que poderemos ter uma vida boa, sem traições ou mentiras –Ele chegou perto da garota e segurou na sua mão – Batzelt é um monstro e você é só mais uma presa nos feitiços dele. Ele não merece você como irmã, Batzelt irá fazer tudo para conseguir o que quer… –Nessa hora a menina olhou com tristeza no olhar e ele disse uma frase, que era melhor ter guardado para si –Não quero ver você sendo usada por Batzelt para depois ser morta.

A cara dela mudou de tristeza e confusão para ódio e raiva.

-COMO VOCÊ PODE DIZER ISSO DO MEU IRMÃO!? –Ela gritou

-Se acalma!! –Ele se assustou com a possibilidade de alguém ter a escutado

- Batzelt é meu irmão, Batzelt é o seu rei, Batzelt conduzirá nossa “espécie” para glória, Batzelt merece respeito. –Ela foi jogando as palavras na cara de Nicholas, que a cada palavra dava um passo para trás –Você não pode falar dele! Você é um verme! Não é ninguém perto dele, você tem inveja do poder dele. Você quer me colocar contra meu irmão, mas você não vai. EU TENHO NOJO DE VOCÊ!

-Sabe, eu pensei que você fosse mais inteligente. Mas tudo bem –Ele riu irônico –Quando Batzelt enfiar uma faca no seu peito e você sentir a dor da morte… -Ele disse se aproximando e terminou a frase sussurrando no seu ouvido –Você irá se lembrar de mim.

-VAI EMBORA! –Ela tentou socá-lo, mas ele já tinha sumido.

A cabeça da jovem estava pegando fogo, já não sabia o que Batzelt queria ou se o que Nicholas disse era certo. Antes que ela xingasse até cansar a porta se abre…

-Algum problema, irmã? –Batzelt estava na porta, com seu olhar sereno e calmo. Sua voz mansa, porém fria, ecoou pelo quarto fazendo Rosely tremer. O que será que esse olhar tranquilo e indiferente escondiam?

-Batzelt?! –Rosely não esperava pela aparição de seu irmão e acabou soando assustada

-Algum problema? –Ele perguntou erguendo uma sobrancelha

-N-ão… N-enhum… Eu estou ótima. –Ela gaguejou e se enrolou na fala

-Eu escutei você gritando… -Ele fechou a porta atrás de si e começou a andar pelo quarto com as mãos nas costas. Seus olhos estavam semicerrados observando cada detalhe sem esboçar nenhuma expressão

-Eu estou bem. –Ela ignorou a pergunta subentendida dele e tentou fugir do assunto. Ela tinha que pensar bem nas suas respostas, qualquer deslize ela entregaria Nicholas e seria o seu fim.

Batzelt deu um pequeno riso falso e parou em frente dela

-Eu pareço louco ou idiota?

-O que? –Ela ficou confusa e ele deu mais um passo ficando cara a cara com ela. Ele a encarou no fundo de seus olhos como se quisesse ler sua alma, ela por sua vez tentava desviar o olhar, mas era quase impossível.

-Me diga! Ou eu sou louco e ouvi coisas… -Ele deu uma pausa seguida de um riso irônico –Ou eu sou idiota e você acha que pode me enganar? –Sua cara fechou nesse momento, seus olhos não demonstravam raiva, mas sim indiferença e frieza.

-Desculpa… -Ela disse de cabeça baixa –Mas, irmão, me diga uma coisa. Por favor, eu preciso saber!

O rei fechou a cara mais uma vez por ter sido interrompido, mas ignorou vendo o desespero da irmã. Ficou calado esperando a irmã continuar

-Nós iremos governar juntos, não é? Eu e você! Nós… Juntos! –Ela tentou segurar a mão dele, mas ele deu um passo para trás

-O nosso nome irá chegar no topo, não se preocupe –Batzelt disse apenas isso fazendo a irmã sorrir e lhe dar um abraço

Ele fez uma careta e girou os olhos. Não gostava desses contatos físicos, ele não abraçou a irmã de volta. Quando ela voltou ao normal pode perceber que ele a olhava com desdém

-Por que você veio falar essas coisas comigo agora? –Seu tom era tão sério que a fez arrepiar

-Me disseram que você ia me matar para conseguir o que você quer –Sua voz saiu receosa e ele arregalou os olhos

-Rosely, não fique nervosa. Não acredite em tudo que dizem, as pessoas querem te enganar –Rosely não compreendeu, mas em nenhum momento Batzelt disse que ele nunca iria trair ela e, talvez, essa fala dele… Ele estivesse se referindo a si próprio.

-Eu sabia! Nicholas é um idiota…

Um descuidado…

Um deslize…

E a morte apontava sua foice no pescoço de Nicholas.


Ao reparar que havia dito besteira, Rosy, seu apelido dado pelo próprio Nicholas, tampou a boca e arregalou os olhos. Dessa vez os olhos de Batzelt expressavam tanta raiva, tanto ódio, tanta ira e tanto rancor que fez Rosy se arrepender de viver. Ele a segurou pela gola da blusa e a levantou do chão

-Você disse o que? –Mais que seus olhos, sua voz transmitia todo esse ódio. Ela tentava falar, mas agora a mão dele estava no seu pescoço a sufocando –O gato comeu sua língua? -Ele ainda conseguia ser frio a ponto de fazer piadinhas –Você encontrou o Nicholas?

-M-e s-olta e eu dig…o a… verdade! –Ele a soltou e ela caiu no chão com a mão no pescoço –Nicholas veio aqui e me disse toda essa baboseira… Eu tentei trazer ele para o nosso lado, mas ele recusou. –Não podia mentir, se mentisse o irmão descobriria de qualquer jeito. Melhor contar e ele saber logo do que ela ser torturada.

-Você tem encontrado com Nicholas?

-S-im… -Ele a olhou com nojo no olhar e deu as costas indo em direção da porta –Por favor! Irmão, não faça nada com Nicholas! Deixe-o, por favor, eu lhe imploro!

-Eu? –O rei tinha um sorriso sombrio nos lábios e a olhou de canto dizendo calmamente e friamente: -Eu não irei tocar nem em um fio de cabelo dele, e nem sujar minhas mãos com ele.

-Eu te agrad…

Antes que a irmã terminasse, ele bateu a porta e olhou para a porta ao lado, onde tinha alguém que se escondia.

-Nunca te falaram que escutar a conversa dos outros é falta de educação? –Sua voz estava calma agora, como se nada no quarto estivesse acontecido e mesmo parecendo uma grosseira, ele não queria soar grosso… Não com ela…

Uma menina saiu da porta com a cabeça baixa e mordendo os lábios. Essa era Megan, uma humana que vivia com Batzelt, ninguém sabe por que ele anda com essa humana e nem mesmo ela sabe, todos se perguntam isso… O rei do inferno com a companhia de uma simples e mortal humana.
Ela era uma menina bonita com seus 19 anos, tinha curtos cabelos castanhos e olhos também castanhos. Quando a viu, ele levantou uma de suas sobrancelhas e deu um sincero sorriso de canto

-Desculpa… Senhor. -Ela disse segurando o braço ainda com a cabeça baixa sem olhar para ele.

-Eu já disse para não me chamar de senhor –Ele girou os olhos e ela o olhou, ele por sua vez deu as costas e desceu as enormes escadas, mas quando viu que ela não o acompanhava parou e olhou para trás –Você não vem?

-Claro… -Ela pensou que levaria uma bronca por ouvir a conversa dele, mas parece que ele não se importou.

No centro do castelo, ele chamou por um de seus servos e um alto e forte veio se ajoelhando na sua frente

-O que você deseja, senhor? –Ele disse ainda ajoelhado e Megan que estava atrás de Batzelt olhava curiosa.

“Por que ele tem que ser tão formal e eu não?” A garota se perguntava.

-Nicholas esteve no MEU castelo e parece que não foi só uma vez… -Ele suspirou tentando conter a raiva –Ele acabou de sair daqui, ainda deve estar pelos arredores… Chame seus homens e o caçe para mim.

-Sim, senhor –O homem permanecia ajoelhado –Mais alguma coisa?

-Eu vou ter um demônio morto no meu porão… E não importa quem seja! -Ele disse e o ódio das palavras pesaram –Se você não encontrar o Nicholas, o demônio será você.

-Sim, meu senhor –Ele permaneceu sendo formal perante ao rei –Prometo não falhar

-Está perdendo tempo –Batzelt girou os olhos e o servo já tinha partido

-Qual é o seu problema?!?! –Megan disse em um tom alto o que vez ele a olhar com uma cara confusa

-Como?

-Você acabou de dizer para a sua irmã que não iria nem tocar no Nicholas! E agora mandou caçarem ele! –Megan expressava confusão e revolta

-Eu sou um homem de palavra, Megan… -Sua voz não demonstrava expressão

-Então me explica por que mandou caçar ele!?!? –Ela passou a mão nos curtos cabelos e ele se aproximou dela e sussurrou no seu ouvido

-Eu não irei fazer nada, mas eu não disse que o meu torturador não vai –Depois disse ele sorriu enquanto ela olhava perplexa

-Como você consegue fazer isso?! –Ela disse nervosa –Mentir com a maior naturalidade!

-Eu não menti. –Ele continuava calmo e começou a andar para seu escritório

-Como não?! –Ela começou a seguir ele –Deixe Nicholas em paz! Você não consegue ver que sua irmã gosta dele?!?! –A menina parou na frente dele fazendo-o parar também. Ao parar olhou ela por cima por causa da diferença de tamanho, já que Megan era um pouco baixa. Eles ficaram se encarando por um tempo até ele desviar dela para continuar andando

-Ou sou eu, ou ele –Ele dava respostas curtas não querendo prolongar o assunto. Megan ficou parada enquanto ele se distanciava, mas ela apressou os passos e ficou na frente dele de novo

- Por que isso?! Deixe-o em paz! Você nunca gostou de alguém!? –Ele a encarou nos olhos e permaneceu calado. Antes que ele desviasse dela, ela se colocou na frente de novo

-Ela gosta dele! Como você acha que ela vai ficar quando descobrir que ele morreu!?!?

-Eu não ligo –Disse dando os ombros e continuou andando. Dessa vez além de ficar na frente dele para para-lo, ela o segurou pelo braço fazendo-o parar

-Não liga?! Ela é a sua irmã!! –Megan parecia não compreender, como ele podia ser tão insensível com Rosely? Ela colocou a mão na boca e arregalou os olhos –O que Nicholas disse era verdade!?!? Você pretende matar a sua irmã?!

Batzelt olhava a mão de Megan segurando a sua e puxou sua mão para separa-las. Entrou no seu escritório e ficou esperando a menina entrar para poder fechar a porta. Ela girou os olhos, mas entrou.

Ele se sentou na poltrona e apontou para uma cadeira para que a jovem pudesse sentar.

-Estou ótima em pé! –Respondeu meio ríspida que o fez rir

-Whisky? –Ele ofereceu e ela se irritou

-Pare de ser cínico e me responda! –Falou cruzando os braços

-Se eu pretendo matar ela? –Ele levantou uma sobrancelha –Sim. –Ele disse e sentou relaxado na poltrona como se não falasse nada tão importante.

Megan por sua vez o olhou perplexa, seus olhos encheram de lágrimas. Ela estava cansada de conviver com tanta maldade, tanto ódio, tantas mentiras, tantas farsas, tanta crueldade, estava cansada! Ela não queria mais essa vida, mas também não podia muda-la.

-Mas você disse que o nome da sua família chegará ao topo –Sua voz saiu meio chorosa, isso fez ele suspirar

-Sim, eu disse. Mas eu não preciso dela para levantar o nome da minha família. –Ele disse observando atentamente os movimentos da menina

-Então Nicholas tinha razão? –Uma lágrima correu pelo seu rosto –Você é um monstro!

-Megan… Eu… -Ele tentou explicar, mas ela não deixou

-Eu não quero saber desse seu plano! Eu não quero aturar isso! Por que eu?! Eu não quero ficar assistindo tudo isso, eu não quero! Esse não é o meu lugar! –Ela articulava com as mãos e falava tudo muito rápido, estava nervosa, aflita e apavorada –Chega, Batzelt, chega! Eu sou uma humana entre demônios, eu não quero mais isso! Olhe para você, irá trair a própria irmã!

-Não fui eu que escolhi isso, foi você. –Ele se levantou e andou até ela, que recuou –Megan, você não entende o nosso mundo. Nicholas me odeia e Rosely o ama, pessoas cometem loucuras por amor… Se eu deixasse eles vivos, eles iriam me matar.

-NÃO! Isso não tá certo! –Ela passou a mão no rosto agoniada. –Eu NUNCA vou entender você! Sabe por que? Porque eu te odeio!

A garota de cabelos curtos empurrou ele para poder passar, ela saiu andando em passos duros enquanto chorava. Não chorava por causa daquela situação, mas sim por causa da sua vida, tudo tinha dado errado e quando ela tentou consertar… Teve que ficar o resto da sua vida com Batzelt.

-Megan! –Ele disse e a seguiu –Para onde você vai? –Ele gritou já que ela estava longe

-Eu preciso pensar! –Ela abriu a porta do castelo e antes que fechasse olhou para ele, que estava de longe.

-Megan… Volte antes das 19:00. Você sabe como o mundo dos humanos é perigoso

Ela sorriu de canto, por um momento pensou que ele se preocupava com ela.

-Isso é uma ordem –Ele deu as costas e sumiu em um dos corredores, ela negou com a cabeça e bateu a porta.

Ela saiu correndo, e a medida que foi se distanciando do castelo se sentia mais livre, suas lágrimas caiam espontaneamente. Estava frio, mas ela não ligava, corria com todas as suas forças decidiu parar e olhar para trás, o castelo não estava mais a vista. Ela voltou a correr para longe, não sabia para onde ia, mas isso não a importava. Queria esquecer de tudo, mas parece que mais as lembranças perfuravam o seu coração. Megan corria muito e tentava limpar suas lágrimas que caiam cada vez mais….

Lágrimas de tristeza…

Lágrimas de dor…

Lágrimas de saudades…

Lágrimas de sofrimento...

Uma tristeza profunda tomava conta de seu interior, em meios de soluços se perguntou quando foi a última vez que se sentiu realmente feliz, mas não soube responder. Estava acabada, tão quebrada por dentro, tão triste… Queria morrer, essa era sua vontade, morrer para esquecer de todo o sofrimento, de todas as mentiras, de todas as farsas e enganações. A morte era o único jeito de escapar, o único jeito de sair dessa vida. Essa era a única maneira, a morte.

Chegou na cidade, o castelo não era muito longe, apenas muito escondido no meio da floresta. Pegou um ônibus e foi para qualquer lugar, não sabia para onde ir, não sabia onde queria ir, não tinha para onde ir. Não podia fugir, sua vida era aquilo, tentar negar era inútil. Seu coração tinha um buraco, tinha um vazio, esse vazio só acumulava dor, tristeza, angustia, mágoa e sofrimento. Suas lágrimas, que haviam parado, voltaram agora com mais força…

As pessoas do ônibus olhavam estranhas, cansada disso decidiu sair e ir para o parque. Quando o ônibus parou, foi correndo para o balanço, mas sua vista estava embaçada por causa das lágrimas acabou esbarrando em alguém e caiu

-Droga! Desculpe-me! Você está bem? –Uma voz masculina perguntou e estendeu a mão para que a menina se levantasse, mas ela apenas continuou chorando. –Você está chorando?! –A voz da pessoa pareceu mais preocupada –Você se machucou?! Tá tudo bem!?

Ela negou duas vezes com a cabeça e passou as costas das mãos nos olhos limpando as lágrimas, segurou na mão do menino e se levantou. Megan olhava o menino loiro de óculos a sua frente, ele parecia realmente preocupado.

Pov Megan


-O que você tem?! –Ele segurou na minha mão e arregalou os olhos –Nossa, você está congelando! Quer que eu te leve no hospital?

Eu apenas neguei, mantive a cabeça baixa segurando as lágrimas e ele continuou me olhando espantado

-Você está bem? –Ele perguntou de novo e eu neguei, mas dessa vez as lágrimas voltaram. Eu o abracei, foda-se se eu não o conhecia no momento eu só queria chorar, ele me abraçou de volta me fazendo chorar mais. –Vem, você vai congelar se ficar aqui fora.

Ele começou a me levar para algum lugar que eu não sei e também nem prestei atenção. Sabe quando a mãe diz “Não fale com estranhos” então acabei de quebrar essa regra, mas não importa muito eu nunca tive uma mãe que me falasse isso. Ele me levou para um Starbucks e nós nos sentamos no fundo, uma garçonete veio e ele pediu alguma coisa, mas eu não prestei atenção

-Então… Meu nome é Gustav –Ele sorriu fofo e isso me fez sorrir também

-Meu nome é Megan! –Retribui o sorriso e a partir disso começamos uma conversa animada

Eu conheci o Gustav, ele era legal e por algum tempo me fez esquecer minha dor para colocar um sorriso no meu rosto. Digamos que eu conheci mais o Gustav do que ele me conheceu, afinal o que eu falaria? Que vivo com o rei do inferno? É… Não seria um bom começo. Ele me pagou um café por mais que eu falasse que não precisasse, a conversa fluiu e quando vimos o Starbucks estava prestes a fechar.

-Quer que eu te leve para casa? –Ele perguntou assim que saímos

-Não, não precisa. –Coloquei um sorriso torto –Que horas são?

-18:30. –Disse olhando em seu relógio de pulso

-Droga, tenho que ir… -Eu realmente não queria ir, Gustav era uma boa companhia e eu queria ficar para conversar mais com ele

-Eu te levo.

-Não precisa, é sério –Falei sem graça, não seria legal ele me levando para um castelo, ainda mais na floresta negra.

-Nem adianta recusar –Ele sorriu travesso e eu suspirei –Então, onde é a sua casa?

-Hm… -Mordi os lábios e procurei na minha mente o nome de alguma rua que eu pudesse mentir, mas como eu quase não conheço nada não funcionou. –Eu… não… tenho casa. –Falei muito sem graça e abaixei a cabeça

-Você fugiu de casa? –Ele levantou a sobrancelha

-Sim, e não sei como voltar –Menti, mesmo odiando isso… Eu menti, não poderia nunca contar a verdade.

-Eu não vou te deixar sozinha aqui na rua! –Eu sorri por esse preocupar comigo, diferente de Batzelt… Aquele idiota só pensa em si mesmo e só pensa no seu triunfo. –Já sei, você pode dormir na minha casa e amanhã você pensa com calma o que você vai fazer.

-O que? –Eu o olhei confusa –Você vai mesmo deixar uma estranha na sua casa? Gustav, você quase não me conhece direito…

-Olha, eu conheço muita coisa ruim para saber que você é boa –Ele sempre mantinha esse sorriso fofo nos lábios?

-Na verdade, não… Você não conhece as coisas que são verdadeiramente ruins…

-E você conhece? –Ele arqueou as sobrancelhas e eu dei os ombros, começamos a andar em silêncio e do nada me perguntou –É por isso que você estava chorando?

-Por isso o que? –Perguntei meio perdida enquanto chutava umas pedrinhas na calçada

-Por ter fugido de casa –Ele falou como se fosse óbvio

-Ah! Sim, foi –Tentei dar um sorriso, mas saiu mais para uma careta

Quando chegamos a casa dele, sua mãe estava na cozinha ela veio receber o Gustav e pareceu um pouco surpresa de me ver com o seu filho

-Ahn… Mãe, está e a Megan e Megan está é minha mãe –Ele falou meio sem graça

-Olá! –Disse sorrindo

-Oi! Ela vai dormir aqui, Gustav? –A mãe dele não foi nem um pouco discreta e isso fez Gustav virar um pimentão de tão vermelho eu só consegui morder os lábios para evitar uma risada.

-Sim, mãe. –A mãe dele fez uma cara maliciosa e dessa vez me deixou sem graça –Ela é só uma amiga e irá dormir no quarto de hospedes.

Sua mãe girou os olhos e voltou a fazer seja lá o que estava fazendo, Gustav me levou para um quarto no final do corredor

-Aqui, espero que você goste –Ele analisava o quarto que estava bem arrumado

-Tá, ótimo –Sorri e suspirei queria muito dormir ali, mas eu tinha que voltar… -Que horas são?

-19:15 –Mordi o lábio por conta do nervosismo, quando Gustav saísse eu tentaria fugir… É, foi legal, mas essa vida não me pertence. Amigos, família, escola, trabalho, nada… -Ok, se você quiser tomar banho tem umas toalhas na gaveta do banheiro –Ele apontou para uma porta branca que devia ser o banheiro

-Ok…

-Minha mãe está fazendo o jantar, quando estiver pronto eu venho aqui te chamar

-Ok –Apenas concordei e antes que ele saísse do quarto eu lhe dei um abraço –Obrigada, Gustav.

-De nada –Ele falou meigo e retribuiu o abraço, talvez ele não saiba, mas para mim era um abraço de despedida e não de agradecimento.

Depois que Gustav saiu eu corri para o banheiro ver se tinha alguma janela que eu pudesse pular e tinha, mas ela tinha grades.

-Droga! –Xinguei para mim mesma e encarei o chuveiro –É, acho que não vai ter problema em tomar um banho…

Tomei um banho não muito rápido, mas também não demorei... Coloquei a mesma roupa que eu estava antes e me joguei na cama. Eu estava exausta e ainda tinha que voltar para o castelo, minhas pálpebras pesavam e eu não aguentava ficar com os olhos abertos, por fim, acabei dormindo.

“Eu abraçava Noah, mas seu corpo estava frio. Eu o chamava, e chamava, e chamava, mas ele não respondia, seu corpo estava morto. Eu não podia acreditar, ver seu corpo caído sem vida para mim era o fim, meu mundo tinha acabado. Eu só tinha o Noah, meus pais estavam mortos e agora ele também, eu não tinha com quem ficar ou para onde ir.

Então tudo virou fumaça e eu estava em uma escuridão profunda. Eu gritava, mas minha voz ecoava e sumia, eu estava perdida e com uma dor no coração. Noah estava morto, a única coisa que me mantinha viva acabará de me abandonar. Eu tentava achar uma saída daquela escuridão, mas não adiantava...

Quanto mais eu corria…

Mais escuro ficava…

Mais frio ficava…

E eu com mais medo ficava.

Aquilo não tinha fim, um sofrimento que não acabava, mas surgiu uma luz… E quando eu olhei para ela, eu não acreditei. Batzelt estava parado lá me olhando com aquele sorriso de canto e a última coisa que eu escutei foi sua voz:

-Você não vem comigo, Megan?”

Eu acordei assustada, meu coração parecia que ia saltar do meu peito. Era a quinta vez que eu sonhava com isso… Eu já não sabia mais o que significava…

Por que eu sonhava com o Noah?

E foi Batzelt que me salvou da escuridão?


Meus cabelos estavam bagunçados, fui no banheiro e joguei uma água no rosto. Queria tentar entender esse sonho, mas a única explicação que eu encontrei foi a ligação entre Noah e Batzelt porque foi por causa do Noah que hoje eu sou presa a Batzelt. Voltei a deitar na cama e lembrei de como eu perdi Noah e fiquei presa à Batzelt:

Quando eu tinha 13 anos, eu e meu irmão, Noah, fomos abandonados por nossos pais em um orfanato. Quando Noah completou seus 3 anos um homem bêbado o atropelou, ele foi internado e entrou em coma. Os médicos disseram que as chances dele acordar eram poucas e o orfanato não conseguiria pagar para ele continuar internado, então a única solução era desligar os aparelhos. Eu não concordei com isso e comecei a trabalhar em uma lanchonete para ajudar a pagar, mas não adiantava muito. Foi ai que eu conheci Rosely, em um dia normal na lanchonete uma mulher loira e muito bonita entrou e eu a servi normalmente, mas quando eu ia voltando para o orfanato eu a encontrei de novo e ela me ofereceu um acordo…

Minha alma pela do Noah

No início eu achei que ela fosse louca, mas então ela me provou que poderia fazer isso e eu aceitei, mas ela me deu um prazo de 8 anos para que eu pudesse ficar um tempo com Noah. No ano seguinte Noah desenvolveu um câncer e seria impossível que o orfanato pagasse os remédios e o tratamento, então eu fui atrás de Rosy, mas quem eu encontrei foi Batzelt…


Hoje Noah está saudável e com uma bela família, ele nunca chegou a me ver de novo depois daquele dia.

E nesse dia eu aprendi uma coisa…

Nunca se faz dois pactos com um demônio…

Pois no primeiro ele quer a sua alma…

E no segundo ele te quer como serva para sempre.

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40 Re: Sobre as asas de um demônio em Qui Maio 22, 2014 10:51 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Olá, como vai você? ~voz do PC Siqueira~
Passando só pra falar oi, já que eu comentei no SS. u.u
E dizer que a Rosely é uma toupeira de acreditar no ~nome estranho~ irmão dela. Não confie em demônios, querida.
E espero que invadam a casa do Gustav pra ele deixar de ser bobão também e convidar estranhos para a casa dele. Mesmo que seja uma mulher bonita.

Tchau. ~abana a mão graciosamente e sai desfilando~

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41 Monarquia Phoenix: Os 11 dragões em Ter Jun 10, 2014 9:13 pm


Pov narradora

Megan sentou na cama e esfregou os olhos, suspirou e teve mais vontade de chorar, mas já estava cansada disso… Seus olhos estavam inchados e ardiam, sua cara estava amassada e ela se sentia perdida. Ouviu-se batidas na janela e ela olhou assustada, mas só conseguiu ver um vulto

-Posso entrar? –Gustav perguntou e ela sussurrou um sim, mas continuava olhando atentamente para a janela –Dormiu bem?

-Mais ou menos –Seu olhar curioso continuava fixo na janela criando várias especulações para o vulto

-Pesadelo? –Gustav sentou na cama olhando calmo para ela

-Sim… -Dessa vez Megan o olhou e ficaram se encarando

-Ah, entendi –Ele ficou quieto esperando que ela contasse, mas ela permaneceu quieta –Tá com fome? Eu vim te chamar para comer, mas você estava dormindo.

A carinha amassada e de sono dela virou uma cara de espanto

-Que horas são?! –Perguntou e saiu correndo para a janela para ver o céu, ele já estava bastante escuro e ela se assustou

-Meia-noite –O menino respondeu meio perdido

-O QUE?! –Ela gritou

“-Megan… Volte antes das 19:00 […] Isso é uma ordem” A voz de Batzelt ecoou pelo sua mente e um calafrio passou pela sua barriga. Ela começou a se desesperar, descumprir uma ordem dele era como se você estivesse o desafiando e ele nunca perde um desafio. Tudo de ruim passou pela mente da jovem, Batzelt iria fazer alguma coisa de ruim, de muito ruim, com ela. Ele já estava com raiva de Nicholas e Rosy e com certeza ela o deixou com mais ódio. Ela não sairia imune dessa…

-Eu preciso ir AGORA! –Falou se levantando e andando em passos largos até a porta

-Espera! –Gustav a segurou –Para onde? –Ela não respondeu apenas suspirou –Megan, se acalma…

-Você não sabe o que vão fazer comigo… Gustav… -Sua afeição era de pavor e angustia, seus olhos encheram de lágrimas e Gustav ficava cada vez mais confuso –Eu vou embora, antes que você pague por isso…

Antes que ela terminasse de falar, a campainha tocou os dois ficaram estáticos e imóveis. Na cabeça de Megan só vinham imagens ruins… Será que Batzelt seria capaz de matar Gustav?

-Não… -Ela respondeu em voz alta enquanto a campainha continuava a tocar. Gustav começou a andar para abrir a porta, mas dessa vez foi ela que o impediu. O medo e o pavor dos seus olhos imploravam para que ele não abrisse a porta.

Mas ele ignorou e abriu a porta,

Não era Batzelt que estava lá…

Mas isso não quer dizer que Megan está salva.

Um homem que aparentava ter mais de 30 anos, loiro e com os olhos azuis estava na porta. Megan suspirou forte quando o viu, já o conhecia… Ele era o braço direito de Batzelt, Jasper.

-Olá, algum problema? –Gustav perguntou quando viu o desconhecido na porta.

-Com você nenhum. –Ele disse sério e então olhou para Megan, que se escondia atrás de Gustav. –Vamos para casa, Megan.

-Você o conhece? –O menino de óculos perguntou

-Sim… -Ela suspirou novamente saindo de trás do Gustav –Oi Jasper.

-Tem alguém muito furioso com você e te garanto que não sou eu –Ele sorriu e ela se encolheu –Vamos logo

-O que? Você vai com ele?

-Sim, eu tenho que ir… -Megan olhou para Gustav triste e mordeu os lábios

-Eu vou esperar lá fora –Jasper disse e saiu

-Eu vou encontrar você de novo, não vou?

-Claro que sim! –Ela sorriu, mas seu sorriso era morto, as chances eram poucas, pois Batzelt quase nunca a deixava sair do castelo –Obrigada, Gustav, de verdade!

-Eu não fiz nada –Sorriu fofo e a abraçou, depois do abraço eles se despediram com um “Adeus” e ela foi até Jasper, que fumava um cigarro encostado em um poste.

-Quer? –Ele mostrou a cartela de cigarro e Megan recusou enquanto olhava Gustav fechar à porta

-Não –Falou e os dois começaram a andar

-Então, quem é o gordinho? –Ele perguntou tirando  o cigarro da boca

-Ei! –Ela deu um empurrãozinho nele

Jasper era o único demônio que Megan tinha mais intimidade. Ele era o braço direito de Batzelt, logo era um demônio super temido e forte, não forte como seu rei, mas o suficiente para que as pessoas também tivessem medo dele. Mas ele era diferente, era mais legal, era mais engraçado e não era sério o tempo todo, adorava fazer piadinhas e isso fazia a vida da garota não ser tão chata naquele castelo.

-Gustav o nome dele. –Respondeu por fim

-Hm, e por que você tava na casa dele? Você ia dormir com ele? –Jasper deu uma gargalhada depois da pergunta demonstrando que estava brincando com ela

-Sem graça –A menina mostrou a língua e os dois riram

-O Batzelt ia fazer um drama se você dormisse com outro cara–Eles continuavam andando, mas nesse momento ela parou

-Ele está muito zangado comigo? –Ela mordeu os lábios e fez uma cara de medo

-Zangado? Não… -Ele pareceu pensativo –Ele tá mais que zangado, ele tá irritado, estressado, aborrecido, furioso, enfurecido, enraivecido, put…

-Tá! Tá! Já entendi que eu estou frita. –Ela cobriu os olhos com as mão escondendo o rosto

-Sim, mais que frita –Ele disse dando uma piscadela como se fosse a coisa mais legal do mundo.

Quando chegaram ao castelo, Megan ficou paralisada na porta. Ela se enchia de pavor, de medo e de temor, Jasper abriu a porta e ela foi se abrindo devagar… Lentamente se abrindo em um rangido mostrando Batzelt e mais 3 demônios no salão principal conversando animadamente.

-Senhor… -Jasper entrou e empurrou Megan para dentro, Batzelt olhou com cara de poucos amigos e voltou a conversar normalmente –Droga! –Jasper sussurrou baixo quando viu com quem Batzelt conversava –Megan, vai para o seu quarto! Agora!

-Qual é o problema? –Nenhum dos dois se mexiam, estavam estáticos em frente à porta, Jasper se mexeu apenas para sussurrar no ouvido dela

-Aqueles três são Luther, Jack e Heron, são eles que governam o sul, o leste e o norte, respectivamente, do inferno obviamente governam seguindo as ordens de Batzelt. Luther é o mais novo 500 anos, é conhecido por gostar de brincar com as suas “vítimas”. Ele não é tão conhecido, ele governa o sul e lá não há tantos demônios fortes, somente aqueles que acabaram de se tonar um. Digamos que ele é mimado, “patricinho” e infantil, odeia perder e não é tão forte, chegou onde estar por ser filho de Chiara. Chiara era uma das demônios mais poderosas em quesito batalha, nenhum demônio era capaz de ganhar uma batalha com ela. Mas, na guerra antes do apocalipse, os anjos armaram para ela e ela acabou morta.

-Apocalipse? –Megan disse um pouco alto com os olhos arregalados

-Shiu! –Ele a repreendeu –Sim, nunca ficou sabendo? É uma longa história, depois te conto…

-Ok –Ela respondeu assustada e olhou para Luther, ele era bonito, muito e extremamente perfeito, estava mais para um Deus do que um demônio. Ele tinha olhos azuis e cabelo loiro escuro, usava roupas que pareciam ser bem caras. “Com ele até seria bom ficar no inferno” pensou e mordeu o lábio para segurar uma risada

-Ei! Para de pensar essas coisas –Ele balançou a cabeça o que a fez rir –Continuando… Aquele é Jack, ele deve ter uns 2000 anos? Não sei… Jack se destacou nas lutas contra os anjos, nenhum anjo conseguia escapar das suas armadilhas. Ele é observador e frio, prefere matar suas “vítimas” rápido do que vê-las sofrendo, seu intelecto também o destaca. Ele governa o leste, lá os demônios já são mais fortes… E ele é bem mais poderoso que eu.

-Hm… -Ela observou o Jack, ele tinha cabelos negros e olhos puxados, já este usava roupas comuns. –E o outro?

-Heron… -Jasper suspirou olhando o demônio –Tirando o Batzelt, com certeza ele é o demônio mais frio, mais sombrio, mais forte, mais sábio e mais poderoso. Ninguém que algum dia já subestimou o Heron sobreviveu para contar história, ninguém sabe da sua história na verdade… De onde ele veio, como ele chegou aonde está… Além de ser foda, ele é misterioso. Só sabemos que se alguém mata as suas vítimas do jeito mais frio e doloroso é ele. Seus poderes não se igualam à Batzelt, mas tenho certeza que em uma luta ele daria bastante problema para o nosso rei. Ele governa o norte e são lá que ficam os demônios mais poderosos. Eu sou completamente fã desse cara! E eles formam um grupo da monarquia phoenix...

Megan os observou e pode perceber que os 3 tinham a mesma tatuagem no braço, um simbolo, que não consegui ver muito bem o que era, junto com uma fênix. Quando Jasper terminou de falar, Heron virou para trás olhando para os dois, Jack e Luther o acompanharam.

-Vejam! Uma humana! –Luther falou e correu parando em frente à Megan, mas ele correu tão rápido que Megan só o viu brotando na sua frente –Ela é a sua comida Batzelt?

-Deixa-a em paz –Ele disse sério e sua voz contia raiva, Luther por sua vez segurou o braço da menina e voltou para onde estava, Megan foi puxada pelo braço até o Luther parar.

-Veja Jack! O grande rei tem uma humana em seu castelo! –Ele disse rindo segurando a garota

-Ela é minha serva –Batzelt disse e o olhou com um cara fechada

-E por que ela mora no seu castelo? –O demônio continuou a rir

-Eu não devo explicações para um demônio tão fraco e ignorante como você –Batzelt disse superior e isso irritou o fraco demônio

-Vamos ver se ela é uma boa serva –Ele o desafiou

-Luther! Pare de estupidez. –Jack tentou avisa-lo, mas ele ignorou

-Vamos, se ajoelhe –Ele disse, mas Megan só se encolheu. –VAMOS, VADIA!

Megan ficou quieta, queria poder estar atrás de Batzelt porque sabia que ele a protegeria. Luther levantou a mão e ela se encolheu esperando a dor do tapa

-Toque nela e morra. –O rei disse sem expressão enquanto segurava o pulso dele com força, Luther sentiu por um momento que seu pulso fosse quebrar

-Foi bom te reencontrar, Batzelt –Jack disse tentando amenizar o clima, Batzelt soltou o braço dele e puxou Megan para trás de si

-Vá para seu quarto –A garota acenou com a cabeça e subiu as escadas, depois disso um clima tenso reinou

Batzelt encarava Luther matando-o mentalmente e no meio disso Heron, que até agora não tinha se manifestado, andou até Jasper calmamente ignorando os outros. Jasper olhou assustado e ficou parado, os outros 3 ficaram observando

-Você tem um cigarro? –Heron falou calmo

-Ah… Sim. –Jasper tirou a cartela de cigarro do bolso e deu um para ele

-Melhor fumar do que ficar vendo Luther querendo chamar atenção, não é mesmo? –Heron tirou um isqueiro do bolso e acendeu o cigarro –Batzelt, por que você não coloca o… -Heron voltou para onde estava e olhou para Jasper como se perguntasse o seu nome.

-Jasper.

-Por que você não coloca o Jasper para governar o sul? Tenho certeza que ele não é tão infantil como o Luther e ele me deu um cigarro –Ele falou como se Luther não estivesse ali –Luther, aprenda que quem era alguém entre nós era a sua mãe. Mas ela está morta e você não passa de mais um verme qualquer. O fato de ser filho de Chiara o torna diferente, não poderoso porque você não passa de um demôniozinho –Ele disse agora se referindo ao próprio -Batzelt, Jack e Jasper foi um prazer encontra-los, mas governar o norte não é fácil… Há muito para se fazer para eu perder meu tempo com um demôniozinho querendo chamar atenção, não é mesmo Luther? –Heron foi andando até a porta e por fim disse –Que Batzelt reine!

E sumiu.

Luther bufou de raiva, mas foi embora também.

-Adeus meu rei, se precisar dos meus conhecimentos já sabe onde me encontrar –Jack disse se curvando brevemente e sumiu junto com os outros

-Jurei que você fosse matar Luther –Jasper disse se aproximando

-Eu… -Antes que ele respondesse a porta se abriu drasticamente

-SOLTEM-ME! –O demônio, o qual Batzelt tinha pedido para ir atrás de Nicholas, entrou pela porta seguido de mais dois demônios que carregavam Nicholas

-Vejam só… -O rei sorriu ao ver a cena

-Batzelt seu imbecil! ME SOLTE! –O demônio se debatia mais estava algemado com umas algemas que eram contra demônios

-Por que eu faria isso? –Ele sorriu cínico –Megan! –Ele a chamou, não gritou apenas disse em um tom forte e alto

Megan, que estava no seu quarto, ignorou continuou olhando para o teto pensando em nada

-EU TE ODEIO! ME TIRE DAQUI AGORA! –Ela ouviu alguém gritando e se levantou

-Mas o que é isso? –Ela saiu do seu quarto e olhou das escadas. Nicholas além de algemado estava acorrentado, seu rosto estava repleto de sangue assim como suas roupas, havia cortes por todo seu corpo e ele parecia exausto.

-Megan, você achou mesmo que você ia sair imune depois de me desafiar? –O rei falou com uma cara de maníaco

-Eu… Não quis… -Ela falou gaguejando olhando estática para Nicholas –Eu dormi… E acabei perdendo a hora.

-Eu não ligo, ordens são ordens –Ele falou em um tom alto –Agora você pagará por isso

-Vai fazer o que? Me colocar de castigo no quarto? -Ela riu debochada

Ele negou com a cabeça e tinha nos lábios um sorriso ardiloso

-Você! Leve Nicholas para o torturador –Batzelt disse sorrindo –E Jasper, leve Megan junto.

Jasper concordou com a cabeça e subiu as escadas lentamente atrás de Megan

-O que você vai fazer comigo? –Ela perguntou dando passos para atrás apavorada

-Desculpe, Megan…



Enquanto isso em outro lugar…



Estava escuro, Georg havia saído deixando as luzes apagadas e a menina no escuro. Ela se concentrava em não desmaiar ou ficar com medo, estava com os olhos fechados e tentava não lembrar de algo… Algo que ela queria esquecer para sempre…

As luzes foram acesas o que irritou sua visão, mesmo que ela estivesse com os olhos fechados. Alguém dava passos para perto dela, mas ela continuou com os olhos fechados, essa pessoa soltou seus pulsos da algema.

-Deus! –Ela mexia os pulsos doloridos e abriu os olhos encontrando Georg com um prato de comida e água

-Coma… Você precisa. –Ela falou pegando outra cadeira e se sentando

-Isso tá envenenado? –Ela arqueou a sobrancelha o fazendo rir

-Anjinha, eu tirei o veneno de uma bruxa do seu corpo… Acha mesmo que eu faria esse trabalho à toa?

Ela suspirou, ele estava certo. Por um breve momento ela o observou se havia uma chance dela sair dali era agora. Estava desamarrada e Georg parecia estar distraído, mas ela estava com fome então pensou em comer primeiro. Comeu rapidamente e bebeu toda a água, se sentia melhor... Óbvio que seus machucados ainda doíam, seu corpo ainda estava dolorido e sua cabeça doendo, mas matar a fome e a sede já era grande coisa.
Ela colocou a mão no seu pescoço e sentiu os furos que Georg deixou ali

-Você pode curar isso? –Fez uma careta por conta da dor

-Sim, mas não vou. Quero deixar minha marca em você –Um sorriso malicioso tomou conta de seus lábios e a menina apenas girou os olhos –Bom, agora chega de papo. Vamos para o que interessa, afinal eu não lhe perguntei o que queria.

Georg foi se aproximando e quando ele esteve próximo o suficiente ela levantou e tentou lhe dar um soco, ele apenas sorriu desviando do soco e retribuiu com um chute na barriga que a jogou no outro lado da sala.

-Sério que você tentou me atacar? –Ele riu –Eu sou um vampiro, consigo ler sua mente. Dá próxima vez não pense antes de agir

-I…diota. –Ela gemeu colocando a mão na barriga. Ele andou até ela, a segurou pelo braço e a jogou na cadeira de novo.

-Pronto! –Disse quando voltou a algema-la –Menina boa é menina algemada –Ele piscou

-Babaca! –Bufou irritada –O que você quer saber?

-Ariel! –Seu semblante agora era sério

-O que tem a Ariel? –O espanto era evidente em seu rosto

-Você não sabe nada sobre ela? –Georg fez uma cara confusa

-Eu deveria saber?

-William e Jane tiveram uma filha, mas ela foi morta no tribunal dos céus… Mas há quem diga que é mentira, pois Ariel é filha de William…

-Quem é Jane? –Ela não havia entendido nada –Eu não tenho ideia do que você está falando.

-Como não?! Que tipo de anjo é você?! Você não sabe que o céu e o inferno estão prestes a entrar em guerra? Você ao menos sabe que já aconteceu uma guerra?

Ela apenas negou com a cabeça e ele deu um soco nela

-QUE TIPO DE ANJO É VOCÊ?!?! –Ele gritou a segurando pelos ombros

-Eu não sou um anjo… -Hoshi o encarou nos olhos sem medo

-Estou vendo, você é só mais uma usada por eles… -Ele a olhou com nojo –Você é inútil para eles e para mim.

-Georg… O que você vai fazer comigo? –Dessa vez o medo que predominava na sua voz –Eu juro que se você me soltar eu não contarei isso para meu pai, nem de você e nem de nada.

-Eu não posso confiar em você –Ge respondeu suspirando

-Por que não?!

-Você pode dizer isso, mas seu pai não irá deixar isso passar em branco… E tentará vir atrás de mim. –Ele caminhava para porta de novo

-NÃO! –Ela gritou –GEORG! NÃO ME DEIXA AQUI! POR FAV…

Antes que ela terminasse de falar, as luzes se apagaram e a porta se fechou. Estava no escuro, não conseguia ver nada… O silêncio predominava.

O silêncio parecia carregar facas que a furavam a cada barulho que tentava, em vão, fazer.

E o escuro parecia tomar forma dentro da sua cabeça.

Suas lembranças era esse alguém que tomava forma no escuro e gritava nesse silencio tornando tudo um pesadelo…

Do qual não sairia tão cedo…

Isso se saísse.


Georg estava longe, ele conseguiu achar a casa da menina e conseguiu entrar no seu quarto despercebido. O pai da menina devia estar muito atarefado procurando, inutilmente, a filha. Georg observava e revirava as coisas, até encontrar uma foto de Hoshi com um menino japonês. Ge por imediatamente pegou o celular e ligou para alguém

-Alô? Cara eu preciso da sua ajuda –Falou encarando a foto

-O que você precisa? –A outra pessoa respondeu

-Preciso que você sequestre alguém para mim…



No quarto de Ariel…




-Você acredita em anjos?

-Bom… Seria legal acreditar que tem alguém lá em cima olhando por nós… -Ariel falou dando os ombros –Mas, na verdade, eu não acredito.

-O que?! Por que não?! –Elliot quase gritou

-Porque eu não gosto de pensar que existe algo nos vendo lá de cima e não move um dedo para nos ajudar…

-Mas Ariel, os anj…

-Elliot, eu não quero falar sobre isso… Nós dois temos opiniões diferentes para um assunto delicado… -A menina cortou a fala dele, fazendo-o suspirar.

Ele ficou em silêncio, ele precisava fazer Ariel acreditar em anjos e, mais que isso, faze-la acreditar que eles são bons. O silêncio tomou conta do quarto, Ariel passava os dedos no seu colar de cobra e lembrou o que sua mãe lhe disse:

“Sua mãe sorria quando lhe entregou uma caixinha –Vai abre, é um presente.

-Um presente? Você nunca me deu um presente

-Abre logo!

Ariel abriu a caixinha que revelou um colar, a garota fez uma careta quando o vi. O colar era uma serpente de prata que se enrolava em círculo com uma estrela de 5 pontas e dentro dessa estrela tinha uma pequena lua. E quando a menina o pegou, no colar apareceram umas escrituras, mas depois simplesmente sumiram.

-O que é isso? –Perguntou a menina

-É um colar e eu lhe peço que você sempre o use...

-Ele tem um significado? –Sua voz saiu sem animo

-Tem, o nome é defebnemsecretum, mas o significado você irá descobrir mais tarde –Disse encarando-a nos olhos”


Ariel ficou encarando o colar, ele tem algum significado especial? Ou será que era só mais uma jóia de família?

-Elliot… Você sabe o significado desse colar? –Ela perguntou mostrando-o

-Não é um colar, é o defebnemsecretum –Ele a corrigiu. Ela não se importava com o nome estranho dessa coisa, mas deveria começar a se importar, pois aquilo salvará a sua vida…

-Dá no mesmo –Girou os olhos

-Ele serve para proteção… -O mordomo respondeu e tentou tocar no colar, mas o colar acabou queimando o dedo de Elliot. Parecia que qualquer pessoa que tentasse tocar no colar, além da menina ruiva, levava um choque. Isso fez Ariel lembrar do homem que a visitou no quarto, aquele que ela ficou em dúvida se foi um pesadelo ou não, mas ele era bem real…  -“Defe” seria um derivado do latim, que significa “defesa”. “Spiritus et animae secreta” seria o “bnemsecretum”, que quer dizer “Alma e espirito secretos”.

-Defesa da alma e do espírito secreto? –Ariel reformulou o que ele tinha dito e ele concordou –O que isso quer dizer?

-Existe uma monarquia… Monarquia Phoenix… Ela é formada pelo rei e por 11 representantes. O rei governa o inferno, seria o mais poderoso e forte demônio que já existiu… Ninguém é forte o suficiente para o derrota-lo, um cargo tão alto como esse nunca foi preenchido por alguém tão poderoso. Nem Lúficer, que era um anjo, conseguiu derrotá-lo…

-Lú..L-úcifer? –A menina falou gaguejando e engoliu seco. Era o mesmo Lúcifer que ela lia em todos os lugares? O anjo caído? O anjo que caiu, mas levantou os demônios com ele para acabar com o céu… Isso é impossível!

-Ele seria a fênix, o homem que morreu, mas ressuscitou no fogo do inferno e voará espalhando o fogo e o caos pelo mundo… E também há os 11 dragões, eles seriam divididos em 2 grupos. O primeiro grupo há 4 demônios que governam o Norte, Sul, Leste e Oeste do inferno, e os outros 7 seriam os demônios dos sete pecados capitais.

-Isso é uma lenda, certo? –Ela deu uma risada nervosa

-Lendas não passam de histórias reais, que foram distorcidas a cada vez que passa pela boca de alguém –Ele falou frio e ela se encolheu –É claro que existem aquelas lendas que são falsas, por que não vai achar que irá encontrar o bicho papão debaixo do colchão. Mas isso também não quer dizer que monstros não existam.

-Você não está ajudando… -Ela falou com medo se lembrando de tudo que tinha acontecido hoje cedo.

Se lembrou da fera, com os olhos negros…

Lembrou de Bill e seus olhos vermelhos…

Lembrou das cartas…

E lembrou do homem no cavalo branco… Afinal, quem era ele?


-O seu colar, Ariel, serve justamente para te proteger disso. Desses demônios, mas não só eles como os outros monstros. Esse colar protege sua alma e esconde quem você é.

-E quem eu sou? –Sua voz oscilou. Ela não acreditava na história que Elliot acabará de contar, mas parecia tão real e se encaixava com tudo. Precisava de respostas, era isso que queria… Respostas! Tudo na sua cabeça estava confuso, não consegue compreender nada.
Parecia que vivia isolada em um mundo fantasia, onde nada era real, mas ela conseguia ver tudo. Quando isso vai acabar?

-Está na hora de você descobrir, não acha? –Elliot falou calmo, mas ela não queria isso! Ela queria respostas, não mais perguntas… -Agora esfria a cabeça e durma um pouco… Você precisa.

-Sim… Boa noite Elliot. –Tentou sorrir, mas saiu mais para uma careta

-Boa noite, Ariel. –Ele começou a acariciar os cabelos de menina, ela não conseguia dormir só lembrar...

Flash back on

A garota estava de frente para uma parede de pedra, que era envolvida por um círculo no chão, nela tinha uma flecha presa e, na flecha, um colar pendurado. O colar era um potinho e tinha alguma coisa dentro, mas ela não conseguiu ver o que era. Esticou-se e pegou o colar

E viu o que tinha dentro

Eram olhos...

Assustou-se e jogou o colar no chão, mas acabou caindo também pelo susto, voltou a ficar de pé e pegou na ponta do colar esticando-o para olhar melhor

E do nada uma flecha atravessou o vidro quebrando o colar

Os olhos caíram no chão...

E viraram pó.

Ariel olhou assustada para onde a flecha tinha vindo e tinha um homem em cima de um cavalo branco. Não conseguiu ver seu rosto, mas ele sorria, sussurrou um “obrigado” e sumiu pela névoa da floresta

Na parede de pedra começaram a aparecer um monte de frases, mas estavam em latim. Ela não entendia, mas as palavras começaram a se formar

E sumiram...”

Flash back off


A menina tinha tantas perguntas, mas o sono venceu e ela acabou adormecendo no colo de Elliot. Teve um dia cheio, mas com certeza terá mais problemas para resolver…
Ela devia começar a acreditar nos seus “instintos” e passar a tomar mais cuidado com as coisas, pois de longe uma criatura observava seu quarto…

Não era uma criatura qualquer…

Era A criatura…

Com seus olhos negros e seus ossos que estalavam a cada passo…


Uma coisa que ela não sabia era que o homem de cavalo branco era Batzelt e a parede, a qual o colar com os olhos estavam presos, era o lugar onde o anjo dos sonhos tinha aprisionado a fera. Mas Batzelt atraiu a menina para a floresta, para poder libertar a criatura e foi isso que aconteceu.

“E a única coisa que libertará a fera da floresta negra é se alguém, que contenha sangue de anjo, quebrar o colar que contém os olhos da criatura que foram arrancados pelo próprio Duma, príncipe dos anjos dos sonhos. E quando os olhos forem libertados, o feitiço aparecerá escrito na parede de pedra e sumirá.

E quando as escrituras sumirem…

O feitiço estará quebrado…

E a fera livre…

A pessoa que a libertou será sua primeira vitima e a fera começará um caminho de morte, sangue e destruição. E, talvez, ninguém poderá impedi-la.”

Era isso que estava escrito na parede de pedra, Ariel havia libertado a criatura. Não foi ela que quebrou o vidro, mas foi ela que pegou o colar e quebrou o círculo de proteção que o envolvia… A criatura estava observando a casa da Ariel esperando o momento perfeito para atacá-la. A criatura não mata no primeiro dia…

Na primeira vez a pessoa dorme sente a presença dela, mas quando acorda não vê nada. Na segunda noite, ela dorme e passa a ver o formato da criatura sentada na borda da cama. Na terceira noite, ouve-se a voz, uma voz estridente, mas não se sabe o que a criatura diz, apenas se pode ouvir ela de costas falando algo. Na quarta noite, a criatura aparece novamente sentada, mas dessa vez virada pra vítima a observando com seus olhos negros. Após isso a quinta noite será a morte da vítima, então ela tem que se preparar, pois a próxima vez que dormir, não irá querer acordar, pois o monstro irá matá-lo de uma forma horrível.

Ariel já tinha visto a criatura e já havia olhado em seus olhos… Então é como se ele estivesse na quinta noite, por enquanto está segura com Elliot, mas na próxima noite, quando acordar…

A primeira coisa que verá serão os olhos negros da criatura brilhando…

E esse será seu fim.

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42 Demônios não podem amar em Ter Jun 10, 2014 9:27 pm


Pov Narradora

Jasper foi andando até Megan, que dava passos para trás

-Jasper… V-o…cê n-ão precisa fazer isso –Ela disse parando no topo das escadas

-Ordens são ordens… -Antes que ele a segurasse a menina saiu correndo pelo enorme corredor, mas quando virou na primeira porta era Jasper que estava lá.

Não se pode fugir de um demônio…

Não quando você é um mero mortal.


Ele a segurou pela cintura e a botou, quer dizer, a jogou por cima dos ombros em um movimento tão rápido que ela só pode sentir um puxão. Ele voltou para onde Batzelt estava tranquilamente enquanto Megan se debatia incansavelmente e Nicholas permanecia parado apenas com os olhos fechados parecendo tentar aguentar a dor ou, talvez, imaginando a dor que sofreria logo logo.

-Sigam-me –Batzelt entrou em um corredor que Megan nunca tinha visto. Ela estava em cima do ombro de Jasper e atrás de Jasper havia os 2 demônios carregando Nicholas. Nicholas andava mancando, mas não tentava lutar contra isso, apenas seguia os demônios com uma expressão vazia e de dor. A humana continuava resistindo e gritando para solta-la, mas seus gritos ecoavam, ecoavam e sumiam até que o rei se irritou –Cale a boca dela.

Jasper a levou até uma porta, a qual ela nunca tinha visto na vida, e a trancou. A sala era enorme cheia de armários, que formavam um labirinto, ele soltou a menina e sumiu. Ela só tentava abrir, desesperadamente, todas as portas que tinham ali mesmo se não soubesse para onde iriam. Ela queria e precisava sair dali.

Jasper havia sumido, ela estava nervosa, desesperada e agoniada. Só de pensar o que Batzelt faria com ela um frio percorria seu corpo. Ela ficou parada analisando o que fazer, mas antes que fizesse qualquer coisa… Alguém, ou melhor, Jasper veio por trás e tampou a sua boca com um pano, ela inutilmente tentou lutar, mas não conseguiu. Ele também tampou seus olhos e a jogou por cima dos ombros novamente.

Agora, mais do que nunca, Megan não sabia para onde ia. Gritar era inútil e lutar era perda de tempo, o que ela iria fazer? Jasper parecia descer algumas escadas em espiral, mas depois seguiu em um corredor. Nesse corredor podia se escutar gritos de longe, ela não sabia de onde vinham, mas eram horripilantes.

Eram vários gritos misturados…

Gritos de culpa, de arrependimento, de raiva, de dor, de tristeza…

Outros pediam misericórdia…

Outros imploravam por perdão…


Esses gritos faziam um medo pecorrer o corpo da garota, ela se sentia em um lugar de morte, dor e sofrimento. Não era só medo, que esses gritos proporcionavam, eles proporcionavam também angústia, uma aflição, um vazio sufocante e a cada grito uma espada atravessava o seu coração.

Onde ele estava indo? A única coisa que passou pela mente da menina foi algo que ela se recusava a acreditar.

Aquilo eram os gritos do inferno?

Seria possível que ali fosse a porta do inferno?


Impossível…” Pensou, mas se não era o inferno… De onde vinha esses gritos?

Ela tentava gritar, mas seus gritos abafados eram risadas perto desses gritos estridentes

Tentava entender para onde estava indo, mas parecia que estava em um labirinto, onde, talvez, o inferno seja o fim.


Jasper abriu uma porta, que rangeu, e começou a andar. Seus sapatos faziam um barulho que parecia estar pisando em poças de água. Então ele a soltou em uma cadeira. O cheiro daquela sala era horrível, um cheiro enjoativo, um cheiro de sangue… Parecia que alguma coisa tinha morrido ali. Jasper a amarrou na cadeira com as mãos para trás, mas não amarrou muito forte porque não queria machuca-la.

Então tiraram o lenço que cobria seus olhos e ela teve a pior visão que podia imaginar…

Nicholas estava amarrado em uma cadeira de ferro na sua frente, diferente dela, as mãos dele estavam presas com barras de ferro no braço da cadeira. Mas não era essa visão que a torturava…

Sentia algo molhado no pé, o barulho que os pés de Jasper faziam eram de estar pisando em poças, mas não poças de água e sim de sangue. A sala estava literalmente coberta por sangue, havia vários esqueletos e alguns ossos espalhados por todo canto. Tinham duas mesas cirúrgicas, uma das mesas era mais complexa com vários ganchos e coisas de torturas e a outra era feita de aço, que estava bem enferrujada, e só tinha umas algemas para prender as pessoas ou coisas ali. Havia um tanque de água, transparente e em forma de tubo, onde havia água até o topo e uma pessoa mergulhada. A pele dela estava toda queimada e desconfigurada, parecia que estava mergulhada em ácido e, ao lado disso, havia um labirinto de arame farpado, onde uma mulher morta estava presa.

Megan começou a se debater mais na cadeira, mas isso só fez com que Jasper se afastasse e ficasse ao lado do Batzelt, o qual ela nem tinha percebido que estava ali.

-Olha, não é que eu vou me divertir essa noite –Um homem negro, que surgiu de um canto da sala de tortura, falava limpando uma faca –Desculpe a bagunça, meu rei. –Ele se ajoelhou no sangue e abaixou a cabeça –Mas você sabe… Foi bem movimentado aqui hoje. –Terminou de falar se levantando e dando uma piscadela.

-Bem, então sua festa vai continuar –O rei sorriu irônico

-Vejamos quem temos aqui, Nicholas! –O demônio falou se aproximando dele –Vamos ver quantos cortes esse rostinho de bicha aguenta.

Nicholas apenas ergueu a cabeça para olhar na cara do demônio e suspirou voltando a abaixa-la. Michael, o torturador, desaprovou seu movimento e lhe deu um soco na barriga. Megan, que ainda tinha o lenço em sua boca, tentava gritar ao mesmo tempo que tentava sair dali, mas era inutil. Seu desespero fez com que Michael caminhasse até ela sorrindo.

-Uma humana, quanto tempo eu não vejo uma… -Michael se aproximou de Megan, que ainda tentava gritar, mas estava com o lenço na boca. –Qual é o seu nome, gracinha?

A menina virou o rosto quando viu que ele se aproximava mais, ele fedia e só de pensar nas crueldades que ele já tinha feito… Ela ficava com nojo. Tentou falar um “vai se fuder”, mas sua voz foi abafada pelo lenço e pareceu apenas um resmungo.

-Um gato mordeu sua língua? –Ele disse rindo em um tom de deboche, mas depois tirou o lenço da boca dela, que como resposta cuspiu em seu rosto.

-SEU NOJENTO! ME TIRA DAQUI! –Ela gritava com toda a força do seu pulmão enquanto se balançava na cadeira

-Ora sua filha da p… -Ele levantou a mão, mas foi impedido

-Não ouse machucar ela –Batzelt falou frio

-Mas ela é uma humana… -Michael insistiu

-Eu disse para não machuca-la –Batzelt deu as costas e começou a ir embora

-NÃÃO! BATZELT NÃO ME DEIXA AQUI
! –Ela se debatia e as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto, mas ele continuou andando em passos calmos –EU TE ODEIO!

Essa frase fez Batzelt parar, mas ele não fez nada apenas ficou parado de costas. Megan começou a soluçar, morrer seria melhor do que ficar ali… A sala tinha cheiro de morte, aquele lugar guardava tanta dor e sofrimento e agora Megan iria presenciar tudo o que aquela sala guardava.

Os soluços da menina ecoavam pela sala silenciosa onde a morte gritava…

Suas lágrimas caíam como se pudessem limpar o sangue do chão…

E sentia que o coração sofria toda dor que já ocorreu ali
.


Batzelt continuou parado apenas escutando os soluços da menina e fechou os olhos com força e balançou a cabeça tentando fazer com que esses soluços saíssem da sua cabeça. Michael voltou a colocar o lenço na boca da menina, que tentou, em vão, lutar.

-Não a machuque… -Batzelt voltou a repetir em um tom fraco e por um momento pareceu triste, mas depois ele deu um sorriso –Mas dê a ela uma boa visão do seu trabalho.

O demônio sorriu perverso e Batzelt voltou a andar, mas antes que ele sumisse no corredor a voz de Nicholas o surpreendeu

-Batzelt, antes da minha morte… -Ele fez uma pausa e Batzelt ficou de costas esperando ele continuar –Diga-me… Como você virou…isso?

O senhor virou e andou para perto com uma expressão confusa e Nicholas sorriu de canto por conseguir prender a atenção dele.

-Do que você está falando? –Ele arqueou a sobrancelha e o sorriso de Nicholas sumiu

-Rosy me contou a sua história… Você era bom. Você era bom!

-O que mais ela te contou? –Ele engoliu seco e seus olhos estavam vazios

-Ela me deu uma coisa, mas acho que te pertence… -Nicholas olhou para o bolso da sua calça, como se mostrasse que tinha algo ali, e Michael tratou de pegar o que tinha lá. Era um colar, bastante antigo, que tinha um formato de um leão. Michael andou até Batzelt e lhe entregou o colar.

-Onde você conseguiu isso? –Ele apertou o colar com força enquanto fechavas os olhos tentando controlar as lembranças

-Rosy… Era da sua mãe, não era? –Nicholas tentou soar sereno e tomava cuidado com as palavras –Ela era muito importante para você, Rosy me disse que ela era a pessoa que você mais amava… Disse-me também que você era um bom filho e uma boa pessoa, mas você sumiu… Deixou a sua mãe, a pessoa que você mais amava… Por que?

Antes que Nicholas continuasse, o rei deu as costas e voltou a andar para fora dali ignorando a pergunta

-Batzelt, quando você sumiu… Você tinha virado um demônio, não tinha? –Nicholas continuou a falar e isso fez Batzelt parar de andar novamente. Megan ouvia e prestava atenção em tudo, querendo saber onde Nicholas queria chegar e foi ai que ele disse… -Mesmo sendo um demônio, a sua mãe era a pessoa que você mais amava. Por que você não ficou com ela nos seus últimos minutos de vida para realizar o sonho dela? Que era lhe dar esse colar?

O senhor fechou os olhos com força, por mais que não queira admitir, doía ouvir aquilo. Ainda estava de costas, suspirou fundo e respondeu Nicholas com uma pergunta:

-Nicholas, você ama a Rosy?

-Rosy? –Nicholas fez uma expressão confusa –Eu gosto dela.

-Nicholas, você AMA a Rosy? –Batzelt repetiu a pergunta

-Amar? Não… -Ele falou observando atentamente Batzelt, que agora o olhava por cima do ombro.

-Exatamente… Não há o pulso do coração em nós, ou seja, demônios são incapazes de amar.

Apenas respondeu e voltou a andar, Megan virou o rosto querendo chorar. Por mais que isso não significasse nada para Nicholas, ele sentiu uma tristeza profunda. Então, demônios não amam.

-E o que eu faço com Nicholas, Senhor? –Michael disse em um tom alto para que ele pudesse escutar, já que o mesmo estava longe

O rei parou novamente e olhou para trás por cima do ombro com um sorriso maligno e disse:

-Apenas não o mate… -Ele riu –Ainda.

E com isso voltou a andar sumindo pelo corredor. Jasper olhou com um semblante triste para Megan, que retribuiu o olhar implorando por misericórdia, mas ele apenas abaixou a cabeça e foi embora junto ao Rei.

-E que a festa comece! –Michael fechou a porta e andou até Nicholas com uma faca na mão. –Me falaram que você é um demônio muito poderoso… Mas olhe para você. Igual a um idiota

Nicholas continuou calado, seu olhar era vazio e seus pensamentos estavam em outro lugar. Não se sentia fracassado por estar ali, se sentia vitorioso.

Vitorioso por confrontar o rei…

Vitorioso por seguir a verdade, que muitos sabiam, mas a ignoravam com medo…

Mas nem todo herói tem seu reconhecimento e o prêmio que ele ganhou é a morte.


Não é por que alguém diz que você tem que seguir um caminho, que você tem que seguir. Mas lutar para encontrar o seu próprio caminho é difícil…

-Você está muito calado –Michael falou bufando –Vamos mudar isso…

E em um movimento rápido, ele fez um corte na bochecha de Nicholas com a faca que carregava. Este por sua vez não esboçou dor ou sofrimento apenas suspirou enquanto sentia o sangue escorrer pelo seu rosto. Apenas facas com feitiços ou símbolos contra demônios os machucavam, se você o ferir com uma faca normal, nada irá acontecer. Porém se você o cortar com uma faca contra demônios, ele irá sangrar e se você o ferir no coração… Ele irá morrer.

Michael ficou observando a faca suja com o sangue de Nicholas e sorriu olhando Megan, andou até ela com um sorriso nos lábios e disse:

-Isso foi por ter cuspido em mim –Abriu um sorriso enquanto limpava o sangue da faca no rosto da menina.

Ela tentava virar o rosto em vão, suas lágrimas caiam e tentava soltar seus pulsos, que começavam a arder. Seu rosto agora estava sujo de sangue, suas lágrimas continuavam a cair e seus soluços tomavam conta do lugar

-Você continua calado Nicholas? –Michael parou na sua frente –Vamos ver se isso muda algo…

E com isso ele enfiou a faca em sua mão, atravessando-a, formando um buraco com a faca. Nicholas gritou de dor, jogando a cabeça para trás. A faca queimava sua pele e ela continuava atravessada na sua mão, ele agarrou o braço da cadeira tentando fazer com que aquela dor passasse, mas acabou arranhando a cadeira de ferro. E para completar Michael pegou outra faca e perfurou a outra mão, dessa vez bem lentamente, fazendo com que a dor só ficasse mais agonizante…

O sangue escorria… Suas mãos latejavam e duas facas permaneciam atravessadas na sua pele. Nunca sentiu uma dor tão profunda e aguda como esta… E isso era só o começo. Nicholas esvaziou os seus pulmãos do grito alto que deu quando outra faca lhe atravessou, agora, em seu ombro.

Os gritos de Nicholas misturados com os soluços de Megan formavam uma dolorosa harmonia musical na qual a dor dançava com leveza.

Batzelt estava no seu escritório, onde podia se escutar os gritos de Nicholas e os soluços de Megan, Jasper estava sentado balançando o pé nervoso e agoniado por ouvir isso

-CHEGA! –Ele gritou se levantando, fazendo com que Batzelt o olhasse de canto de olho –Você tem que parar com isso, Batzelt!

-Diga-me um motivo para isso –Ele parou de fazer o que estava fazendo para olhar para Jasper

-Megan NUNCA se quer vai pensar em gostar de você assim! –Ele falou andando para lá e para cá

-Eu não preciso que ela goste de mim –Disse voltando a fazer o que fazia –Ela é só uma serva.

-Ela não merece isso! –Ele falou em um tom mais alto

-Ela descumpriu minhas ordens –O Rei manteve seu tom calmo

-Ela não teve a intenção! –Jasper bateu as mãos na mesa e Batzelt olhou sem paciência

-Ele se preocupa com a Megan, que fofo, dá proxima vez te indico para o Nobel da paz –Batzelt disse girando os olhos e debochado –Agora faça algo que me seja útil e chame Akira para mim

-Akira? –Ele fez uma careta –Eu não gosto dele, o jeito que ele governa é infantil

-Akira é um rei. Ele é muito forte, muito forte… Mais forte que Jack, Luther e Heron juntos… Com certeza ele me dará trabalho caso fique contra mim. Eu sou um rei e ele é outro, precisamos juntar as nossas forças.



Já longe dali…



Georg abriu a porta com força fazendo um estrondo que assustou Hoshi, a menina permanecia sentada e amarrada. Georg chegou perto dela e a desamarrou da cadeira, mas prendeu seus pulsos com uma algema.

-Que merda é essa? –A menina perguntou enquanto o vampiro a puxava pelo braço

-Vamos, levante! –Ele disse sério e parecia estar com pressa

Hoshi não ousou não obedecer e levantou, suas pernas estavam bambas então ela quase caiu, mas Georg a segurava forte pelo braço. Ele começou a arrasta-la para algum lugar, o corpo da menina doía e quanto mais rápido o Georg ia, mais o corpo dela doía. Então chegaram a um estacionamento e Georg foi até seu carro, Hoshi pensou em fugir, mas seria impossível…

Georg era um vampiro e era muito veloz e ela estava mancando e com dor por todo o corpo. Ele colocou Hoshi no banco de carona e a amarrou com o cinto de segurança.

-Só para ter certeza que a anjinha não vai tentar voar –Sorriu irônico e foi para o banco do motorista ligando o carro.

A menina ficou o caminho todo pensando em como se soltar do cinto de segurança e pular para fora do carro, mas provavelmente Georg estava lendo seus pensamentos. Então ela começou a pensar em coisas aleatórias enquanto tentava se soltar

-O que você está faz… -Antes que Georg terminasse, a menina lhe deu um soco fazendo com que ele perdesse o controle do carro. Ela, mesmo algemada, conseguiu abrir a porta e pulou.

O vampiro conseguiu controlar o carro antes que ele batesse e parou a alguns metros da menina. Ao pular, Hoshi saiu rolando pela estrada e acabou quebrando uma perna, seus braços estavam todos arranhados e cheios de sangue. Ela tentou se levantar, mas não conseguiu devido a dor da perna…

Então começou a chorar…

Tentar fugir era inútil…

Sua dor só aumentava…

E, talvez, ela só tenha fim quando a morte chegar.


Georg desceu do carro falando ao telefone e parou ao seu lado olhando com desdém e com pena. Pena… A pior coisa que ela queria que alguém sentisse por ela, não queria que as pessoas tivessem pena dela. Ela não precisava desse sentimento falso dos outros, que fingem se importar, mas na verdade te amam ver sofrendo

Georg colocou o celular no viva voz e apontou ele para a garota

-Hoshi? –Uma voz masculina falou pelo celular –Hoshi?

-Shin?!? -Hoshi arregalou os olhos quando ouviu a voz dele –Como você está!?!?!? O que fizeram com você?!?!? Você tá bem?!!? –A voz dela demonstrava desespero e medo

-E-u… to bem... –Ele respondeu, mas sua voz soava com pavor –Hoshi, eles vão fazer alguma coisa comigo, Hoshi! Nã-ão deixa nada acontecer comigo… Por favor… Hos…

Antes que ele terminasse, Georg desligou o celular.

-O QUE VOCÊ FEZ COM ELE?!?! –Ela conseguiu levantar, mas, ao tentar bater em Georg, caiu novamente.

-Até agora? Nada… Ele é o seu amiguinho do Japão, não é? –Georg sorriu –Eu tinha uns capangas lá e agora a vida do seu amiguinho tá em minhas mãos

-Não faça nada com ele, por favor! Eu lhe imploro, Georg –As lágrimas voltaram com mais força agora e a menina começou a soluçar.

-Eu não vou fazer nada com ele… Com uma condição… -A menina parou de soluçar e olhou para Georg para ouvir o que ele tinha a dizer –Se você não contar para ninguém, você escutou? NINGUÉM! Sobre o que aconteceu hoje.

-Eu não conto! Eu vou ficar calada! Eu prometo

-Certo –Georg colocou o celular no bolso –A vida do seu amiguinho vai ser poupada. Alias… Eu iria te largar em um lugar melhor, onde você poderia ligar para o seu pai, mas como você preferiu ficar aqui… Até mais!

Ele falou sorrindo e começou a andar para o carro. A menina arregalou os olhos e um desespero começou a tomar conta do seu corpo.

-O QUE?! VOCÊ VAI ME DEIXAR AQUI?! GEORG! –Ela se levantou com muita força, mas deu dois passos e voltou para o chão, Georg apenas ligou o carro e sumiu pela estrada escura.

Estava frio, escuro e silencioso. Aquela era uma estrada pouco utilizada, não havia carros passando ou qualquer outro sinal de vida. Hoshi estava no chão frio chorando, só conseguia chorar… Chorava por sentir dor, chorava por estar sofrendo aquilo tudo e chorava por estar sozinha…

Ela se sentia a beira de um penhasco…

E o penhasco era a morte…

Na qual ela queria pular para acabar com o sofrimento.


Levantou-se com muito esforço e começou a dar passos lentos e mancando. Não havia palavras que descrevesse a sua dor e não havia ninguém que entendesse essa dor.

A dor dos machucados…

A dor de ser diferente…

A dor de se enganada…

E a dor de estar sozinha nisso tudo…


Depois de alguns minutos, que pareceram séculos na cabeça da menina, ela chegou a um telefone público e entrou na cabine. Procurou algumas moedas no bolso e apoiando-se no vidro conseguiu ligar para casa.

-P-Pai?! –Sua voz estava rouca por causa do choro –Pai, por favor, me salva.

-Hoshi?! Onde você está?! O que aconteceu?! –O pai, que já estava desesperado procurando pela filha, falou aflito

-Só me salva, pai… -Uma lágrima rolou pela sua bochecha –Me ajuda…

E antes que pudesse dizer outra coisa, a ligação acabou pois não tinha dinheiro o suficiente e a menina deslizou pelo vidro chorando.

Talvez, não seja o seu fim…



No castelo…




Nicholas estava ensopado de sangue, seu joelho estava deslocado, seu lábio estava cortado, seu nariz sangrando, suas mãos furadas e ele tinha vários cortes pelo corpo. Nesse momento, Michael ameaçava jogar um balde de água benta nele.

E ele fez…

Nicholas já estava rouco de tanto gritar…

Seu corpo queimava por causa da água…

O seu sangue escorria…

E a morte se aproximava…


Megan já estava cansada de chorar, seus soluços não saiam mais e seus olhos estavam inchados.

-Será que você vai sentir muita falta do seu dedo? –Michael falou colocando a faca sobre o dedo indicador de Nicholas, Megan arregalou os olhos e depois os fechou com força não querendo presenciar a cena

-Cortar o meu dedo? –Nicholas riu e depois cuspiu um pouco de sangue –Sabe… Cortar o dedo é uma tortura tão comum, pensei que você fosse um torturador mais criativo

Megan abriu os olhos não acreditando no que ele tinha dito. Nicholas havia ficado louco? Michael se irritou e deu um soco no rosto dele.

-Eu sou um dos melhores torturadores e você vai se arrepender de ter falado isso –E com isso Michael saiu da sala.

Nicholas ficou de cabeça baixa falando alguma coisas em um idioma que Megan não conhecia, latim talvez… Depois de alguns minutos, o silêncio reinava no lugar então Megan conseguiu se soltar.

-Consegui! –Ela falou depois de tirar o lenço que estava em sua boa e colocou uma de suas mãos no pulso que estava vermelho e ardia. Ela andou calmamente e se ajoelhou na frente de Nicholas –Como você está?

Ela colocou a mão no rosto dele e ele levantou a cabeça rápido assustando a menina.

-Droga! Você tá muito machucado –Ela falou mordendo o lábio –Como eu faço para te soltar daqui?! –Megan colocou a mão no ferro que prendia as mãos dele e tomou cuidado para não colocar a mão nos machucados.

-Qual é o seu nome? –Ele perguntou olhando para a menina admirado ignorando completamente a sua pergunta

-Megan, mas isso não importa! Como eu te tiro daqui?! –Ela perguntou desesperada quando viu a quantidade de sangue que ele estava perdendo

-Não dá, as chaves não estão aqui… -Nicholas respondeu e Megan tentou pressionar o machucado do ombro dele –AI AI AI!

-Desculpa… -Ela falou sem jeito –Você tá perdendo muito sangue…

-Você é uma humana? –Ele continuava olhando para ela com brilhos nos olhos –Por que Batzelt tem uma humana no castelo dele?

-Nem eu mesma sei –Ela o encarou nos olhos, os olhos azuis dele eram bonitos, na verdade, ele era bonito  –O que eu faço para te ajudar?! –Ela falou desesperada vendo o sangue sujando suas mãos

-Por que você quer me ajudar? –Ele ficou interessado em Megan e ela suspirou, não tinha respostas para esse pergunta… Ela só queria ajudar.

-Porque você foi o primeiro demônio que eu vi que não tem tenta maldade no coração.

-Eu sou um demônio… Isso já me torna mal. –Seus olhos perderam o brilho e dessa vez foi ele que suspirou –Mas tem um modo de você me ajudar…

-Como?! –Ela arregalou os olhos

-Matando Michael…

A menina deu uma gargalhada e Nicholas a fitou por completo olhando para cada detalhe da menina.

-Você tá brincando? Eu? Uma mera humana, matar um demônio? –Ela continuou rindo, mas quando viu que Nicholas falava sério, parou. –Como eu vou fazer isso!?

-Tá vendo aquela faca? –Nicholas apontou com o rosto para uma faca de ouro que estava em uma prateleira de ferro –Pega ela e senta onde você estava, fingindo que tá amarrada. Quando ele vier e for me torturar com alguma coisa, ele estará de costas para você, então você o apunhala pelas costa.

-Por que aquela faca? Se existe tantas aqui? –Ela perguntou desconfiada

-Essa faca é a mais mortal que tem aqui –Ele falou e ela concordou pegando a faca

Voltou a se sentar na cadeira, a qual ela estava amarrada, e colocou as mãos para trás segurando a faca. Suspirou fundo, estava com medo… E se desse algo errado?

-Megan… Não pense nisso, demônios consegue ler pensamentos e se Michael ler os seus…

Nicholas não terminou a frase, Megan engoliu seco e voltou a colocar o lenço que estava na sua boca para que Michael não desconfiasse. Ela tentou prender seus pensamentos em outra coisa e acabou lembrando do dia em que se separou de Noah…

-Megan… Se eu sair daqui, eu prometo voltar para matar Batzelt e te salvar. –Nicholas esboçou um sorriso no rosto e a menina o olhou perplexa.

“Matar Batzelt?”
Ela se perguntou mentalmente… Será mesmo que ela queria isso? Michael entrou pela porta com uma maleta enorme e a abriu na frente de Nicholas que olhou assustado.

-Vamos ver o que você acha do meu estilo de tortura agora…

-MEGAN, AGORA! –Nicholas gritou e Megan se levantou rápido com a faca nas mãos bem na mira das costas de Michael

O torturador conseguiu desviar, mas Megan acabou tropeçando e a faca perfurou o peito de Nicholas.

Nicholas parou de respirar e de se mover…

Todas as lembranças, todas as dores, tudo que ele já havia vivido passou diante de seus olhos…

E quando as lembranças acabaram…

As pupilas dos seus olhos dilataram e suas íris azuis “explodiram”

E, finalmente, a morte o acolheu.


-N-Ni…Nicholas? –Megan colocou a mão na boca e em seus olhos começaram a se formar lágrimas –Nic…holas? –Ela colocou as mãos nos ombros dele e o sacudiu –NICHOLAS!!

Ela continuava sacudindo ele, mas o corpo dele estava mole, suas lágrimas começaram a cair sem parar e ela observou a faca de ouro cravada em seu peito.

-OLHA O QUE VOCÊ FEZ SUA VADIA! –Michael gritou tirando a faca do peito de Nicholas e apontando para ela

-Eu n… -Antes que ela respondesse alguma coisa, Michael bateu forte com a faca na cabeça dela.

O impacto da batida fez Megan dar uns passos para trás e tropeçar, ao tropeçar seu pé virou fazendo com que ela torcesse o pé, e quando caiu bateu a cabeça na cadeira.

E desmaiou…



Algumas horas depois…



Batzelt estava no seu escritório sozinho batendo o pé angustiado. Ele esfregava o rosto, olhava no relógio e voltava a resolver um problema e isso ocorreu por bastante tempo, até que se cansou.

-Chega! Não consigo mais me concentrar –Ele largou os papéis bufando –Argh!

Ele ficou pensando no que Jasper tinha falado…

“Megan NUNCA se quer vai pensar em gostar de você assim!”

-ARGH! –Ele chutou a mesa e saiu do seu escritório para a sala de Michael. Ele continuou andando e quando chegou ficou estático na porta.

-O que diabos aconteceu aqui!? –Ele olhava perplexo e confuso

Megan já tinha acordado, mas não saiu do lugar de onde tinha caído. Ela chorava e soluçava compulsivamente, as lágrimas rolavam e rolavam sem parar, sua testa sangrava e doía por causa do corte, que Michael tinha feito ao bater nela. A dor do seu pé torcido a rasgava por dentro e a sua garganta seca queimava.

Lágrimas…

Soluços…

Dor…

Era tudo que a menina presenciou naquela sala…

Sofrimento…

Angustia…

E morte.


O corpo de Megan estava coberto por sangue, sangue de outros que sofreram ali. Suas mãos tinham o sangue de Nicholas, mas o seu coração tinha a culpa de sua morte. Nenhuma dor física era pior do que essa, pois a física com o tempo sara, mesmo deixando cicatrizes não irá voltar a doer. Mas essa dor sempre irá machucar, pois as lembranças estão ali para te atormentar.

Carregar a culpa da morte de alguém era a última coisa que Megan queria, a coragem de pegar uma faca e se matar não faltou, mas a única coisa que conseguia fazer era chorar… Chorar, e chorar, e chorar.

Batzelt correu até Megan preocupado e aflito.

-Megan, você está bem? O que aconteceu? –Ele não havia entendido nada e nem Michael e nem Nicholas estavam lá

-EU TE ODEIO!
–Ela gritou e ele se assustou. Ele tentou levanta-la, mas ela o empurrou –NÃO TOCA EM MIM! EU TE ODEIO COM TODA A MINHA FORÇA, VOCÊ É UM MONSTRO! EU NUNCA MAIS QUERO VER VOCÊ.

Ela gritava e se debatia enquanto Batzelt tentava fazer com que ela se levantasse, mas então ele percebeu que o pé dela estava torcido.

-Megan! PARA! –Ele falou em um tom alto, a menina parou e o olhou com tristeza no olhar.

-E-Eu… E-u… matei Nicholas

–Venha comigo, eu vou te tirar daqui. –Ele apenas respondeu enquanto Megan soluçava mais

Ela hesitou um pouco, mas concordou. Ele a pegou no colo estilo noiva e foi andando lentamente para o quarto dela e durante o caminho ela apoiou a cabeça no peito dele e continuou a chorar. Suas lágrimas molhavam a blusa dele, mas ele não se importava. Ao chegar no quarto dela, ele a colocou sentada em uma cadeira e suspirou fundo a observando. Ele queria ver o machucado que havia em sua testa, mas quando foi afastar o seu cabelo, ela se afastou com medo.

-Calma, deixa eu ver esse machucado –Ela concordou com a cabeça e ele colocou a mecha do seu cabelo para trás com cuidado, fazendo com que ela ficasse um pouco sem jeito. Havia um corte em sua testa, que ainda sangrava, então ele colocou a mão em cima do corte e pressionou com força. A dor fez com que ela fechasse os olhos, mas então a dor parou e o machucado havia sumido

-Pronto. –Ele falou e se ajoelhou para ver o pé dela

Foi ai que o rosto dela ficou corado, Batzelt nunca havia se ajoelhado para alguém e ele era o rei, mas agora estava se ajoelhando para ela, então virou o rosto envergonhada.

-Onde tá doendo? –Ele perguntou enquanto apertava o pé dela

-Não é a…AIIIIII! –Ela gritou quando ele apertou determinado lugar do pé dela. Ele apertou mais forte e ela mordeu os lábios tentando controlar a dor, então, assim como o corte, a dor parou.

-Pronto –Ele se levantou –Agora me conta o que aconteceu.

Megan suspirou e contou, as lágrimas voltaram junto com a culpa e a dor. Batzelt suspirou, ele estava com raiva, mas não por Nicholas ter morrido, mas sim por Michael machucar Megan…

-Não chore –Batzelt limpou uma lágrima que escorreu –Vá tomar um banho…

Megan concordou com a cabeça novamente, ela não sabia o que fazer estava perdida e abalada. Quando foi levantar da cadeira acabou vacilando com o pé e quase caiu…

-Cuidado! –Batzelt a segurou pela cintura e o corpo dela acabou colando no seu. Megan ficou sem reação nenhuma enquanto os dois se encaravam. O rosto dela agora queimava de tão corada que estava, Batzelt percebeu isso e colocou um sorriso de canto nos lábios enquanto soltava a garota. –Vou resolver um negócio… Tome um banho.

Disse e saiu do quarto, Megan o observou sair e foi para o banheiro. Batzelt saiu pisando em passos duros até chegar na sala de Michael

-Senhor… -Michael falou quando viu Batzelt

-Seu idiota! –Batzelt xingou

-Eu posso explicar… Nicholas… Ele…

-Eu não quero saber de Nicholas! –Batzelt falou em um tom de raiva

-Mas Senhor ele…

-Eu disse que NÃO quero saber! –Batzelt disse e seus olhos demonstravam pura raiva –Eu disse para você não tocar na Megan!

-Ela é só uma humana, Senhor! –Michael confrontou o Rei e se arrependendo minutos depois…

Batzelt apenas fez um movimento com a mão e Michael foi jogado no outro lado da sala caindo em cima de uma faca. Ele ficou caido enquanto outro demônio entrava pela porta

-Esta sala não é mais sua –Batzelt falou sorrindo –Isaac é o novo torturador daqui

-O que?! Senhor, você não pode fazer isso comigo por causa daquela humana! –Michael xingava e a raiva de Batzelt só aumentava.

-Ela não é só uma humana, ela é minh… -Batzelt respirou fundo e deixou a frase no ar –Conheça Isaac… Isaac, Michael é o primeiro demônio que você vai torturar… Bom trabalho.

Batzelt saiu da sala e a última coisa que escutou foi a batida da porta e um grito de Michael. O rei trocou de roupa já que a sua estava suja e sangue e depois foi para o quarto de Megan. Ele ficou parado na porta onde podia escutar os soluços da garota então bateu na porta, mas ela não respondeu.

-Megan? –Ele entrou e viu que a menina chorava sentada na cama

Batzelt fechou a porta e se sentou na ponta da cama. Megan estava encolhida, segurando as pernas e com a cabeça baixa enquanto chorava, ele não sabia como fazer ela parar de chorar então ficou em silêncio.

-Megan! Pare de chorar, a culpa não foi sua. –Ele falou se sentando ao lado dela

-É claro que é minha! Fui eu que matei ele! –Falou entre lágrimas e soluços

-Ele iria morrer de qualquer jeito, Megan… Você estava tentando ajuda-lo a fugir, você não queria isso.

-Mas não deu certo! Eu acabei tirando a vida dele! –Ela falou e se afastou de Batzelt

-Você teve uma boa intenção. –Ele tentou convence-la, mas ela continuou chorando -Se você parar de chorar, eu te levo para ver o seu irmão.

Nesse instante Megan parou e olhou perplexa para Batzelt, ela nunca mais tinha visto o irmão e agora, mais do que nunca, queria vê-lo.

-Você tá falando sério? –Sua voz saiu chorosa

-Eu sou um homem de palavra –Ele disse colocando o dedo no queixo dela levantando sua cabeça para poder olhar nos seus olhos –Mas só se você parar de chorar.

A menina rapidamente começou a limpar as lágrimas com as costas das mãos e isso o fez rir. O silêncio tomou conta do quarto e a única coisa que se escutava era Megan suspirando fundo para conseguir conter o choro, mas ela não conseguiu…

-Megan…

Antes que Batzelt pudesse falar, a menina o abraçou. Ele ficou um pouco sem jeito, mas acabou acariciando o seu cabelo enquanto ela chorava no seu peito. Megan tinha raiva de Batzelt, porque ele era o culpado… Tinha raiva e ódio dele, pois foi ele que a colocou lá e foi ele que pediu para que prendessem o Nicholas. Tinha sido ele! Ele foi o culpado da morte de Nicholas…

Mas apesar de todo esse sentimento ruim, sentia tristeza por ele… A história que Nicholas contou mexeu com Megan e ela queria saber o que realmente tinha acontecido com Batzelt, mas sentia medo também…

Pois se pessoas, com coração, são capazes de matar uns aos outros…

Imagine um demônio sem coração…


Megan já tinha parado de chorar, mas continuava abraçada com Batzelt. Ela se sentia protegida com ele, um sentimento bobo, mas puro… Acreditava que mesmo ele fazendo várias crueldades ainda existia algo bom nele…

“Não há o pulso do coração em nós, ou seja, demônios são incapazes de amar.” A voz fria e vazia de Batzelt ecoou a sua mente…

A menina ficou abraçada com ele pensando sobre essa frase, suspirou fundo fazendo com que o perfume de Batzelt invadisse suas narinas e o abraçou mais forte.

“Será mesmo que ele não tem um coração?”

Ela se perguntou mentalmente e delicadamente descansou a cabeça no peito dele ficando em silêncio…

Esperou, mas não escutou nada…

Pois, realmente, o seu coração não batia.

Então, é verdade… Demônios não podem amar.

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