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Darkside - The World Has Changed

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51 Re: Darkside - The World Has Changed em Dom Jun 01, 2014 2:33 pm

Sei que andei bastante desaparecida daqui, mas tu sabes o motivo ...
Agora estou aqui à esperar ansiosamente por cada capitulo novo.
Apesar de ter tido o privilegio de ler a fic antecipadamente, tive o prazer de voltar a ler e ver o quanto ela está OTIMA. A partir de agora vai ser completamente surpresa para mim também. Por isso menina Sam diz à tua inspiração que as férias terminaram e que te deixe trabalhar.

Não vou comentar todos os capitulos atrasados, mas esse último está fantástico. Simplesmente AMEI o que o Bill fez à Anny. Gosto dessa relação deles. <3
Posta logo o próximo! Razz

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52 Re: Darkside - The World Has Changed em Dom Jun 08, 2014 6:58 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Você por aqui!   

Sei sim! Mas fico feliz por tu ter arrumado um tempinho para vir aqui ler e comentar! *O*
Siiim! Eu sei o que é isso! hauahauah E também teve algumas modificações, sempre que vou aditar arrumo uma coisinha aqui e outra ali. A inspiração aparece de vez em quando, escrevo um pouco, depois outro pouco e assim vai indo ahuahauhaau E espero que tu goste do que vem ai pela frente!
Não faz mal, só de ter comentando já fico feliz! <3

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53 Capitulo 11 - The Other Side em Dom Jun 08, 2014 7:44 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Olááá!' ^^
Olha eu aqui novamente, exatamente uma semana depois do último hauahaaaha Sei que demorei um pouco porque como eu disse, eu estava escrevendo o capitulo... que na verdade  não terminei de escrever, mas pelo que eu já tinha tava enorme, então resolvi dividir ele. E antes que quem gosta de capítulos grandes me matem, calma! Esse capitulo até que ficou grande.
Aproveitem o capítulo, porque vocês vão descobrir um pouquinho sobre uma das personagens da fic! E acho que essa musica combina bastante com a personagem em questão.
Kings of Leon - Closer


Depois de descontar toda minha raiva socando a cama, acabei ficando cansada e sem força alguma, e aquela típica depressão agoniante me invadiu novamente, com uma força que há muito eu não sentia. Logo senti algumas lágrimas descendo pelo meu rosto, tentei a todo custo não deixa-las cair, mas infelizmente foi inevitável, me deitei na cama e fiquei olhando para a parede, chorando silenciosamente e desejando estar em qualquer festa ou show completamente bêbada e dançando sem parar apenas para esquecer tudo o que havia acontecido naqueles últimos dias.
Só percebi que o cansaço havia me dominado quando acordei às duas da manhã completamente faminta. Eu havia apagado por umas oito horas. Me levantei da cama e fui até o banheiro, tomei um rápido banho quente e logo depois voltei até o quarto para vestir uma roupa. Meu estomago roncou me fazendo lembrar que estava com fome, eu preferiria comer em meu quarto, mas sabia que as probabilidades de encontrar alguém acordado aquela hora eram mínimas, e eu precisava realmente de ar fresco, do ar gélido das típicas noites de New London.
Assim que cheguei perto do jardim central senti o ar mais puro e uma paz se instalando dentro de mim, respirei fundo e pude sentir o delicioso cheiro de café.  Café? Parei olhando para os lados e respirando fundo novamente, sem dúvida o cheiro que eu estava sentido era café. Mas não consegui ver ninguém por perto, balancei a cabeça espantando os pensamentos que tentavam dominar minha mente.
Aquele lugar era enorme e qualquer pessoa poderia estar tomando café, talvez até mesmo alguém que trabalhasse no refeitório. As probabilidades de me encontrar com alguém que eu não queria, como Bill ou Gustav, não eram tão grandes assim. Antes de dar qualquer passo pra trás e voltar ao meu quarto com o receio de sentir toda aquela raiva por estar naquele lugar e de ver alguém que eu não gostaria, ouvi o meu estomago roncar novamente. Suspirei e resolvi continuar meu caminho, mesmo que eu desse de cara com alguém ali, não precisaria me comunicar com ninguém. Eu só queria comer algo sossegada.
Ao chegar ao refeitório, respirei aliviada, ou quase. Havia apenas uma pessoa ali, e de todos aqueles instrutores, ela talvez fosse a que menos me incomodasse. Samantha olhou por cima da xícara fumegante de café procurando quem se aproximava do refeitório, assim que seu olhar se encontrou com o meu vi um pequeno sorriso sincero nascer em seus grossos lábios vermelhos.
– Perdeu o sono? – Samantha perguntou tranquilamente e logo depois voltou a bebericar seu café.
– Não. – respondi secamente, queria manter distancia dela e de qualquer outra pessoa, mas por algum impulso idiota, continuei a falar como se devesse dar alguma explicação a ela – Na verdade, acabei de acordar e estou morrendo de fome.
– Se quiser se sentar comigo, fique a vontade. – encarei Samantha com a sobrancelha arqueada. Vai falar que ela não sabia que Bill tinha me feito pagar o maior mico da minha vida? Claro que sim, ela era o braço direito dele ali dentro, e provavelmente sabia de tudo que ele fazia. Talvez ela queira apenas se tripudiar de mim – Pare de ser desconfiada e achar que o mundo é um complô contra você. Apenas sente-se e coma alguma coisa, prometo não te perturbar.
Fiquei ainda por um momento a olhando pra tentar descobrir se ela estava realmente falando serio, foi então que ela sorriu, aquele sorriso de lado que era refletido em seus olhos claros dando um brilho inocente a eles. Soltei o ar, que até então não sabia que estava prendendo, e resolvi confiar naquele sorriso.
– Tudo bem, mas não pense que confio em você. – disse apontando o dedo na cara dela, que começou a ri.
Revirei os olhos e fui até o balcão, pedi meu jantar a um dos robôs que estavam ali e voltei até a mesa em que Samantha estava, e me sentei em sua frente, que continuava tomando seu café.
– O que faz acordada até essa hora? – perguntei e pela primeira vez vi Samantha desconfortável, ela deixou sua xícara em cima da mesa e se virou encarando um ponto qualquer do refeitório evitando me olhar, o que não pareceu o seu normal, já que ela sempre conversava olhando diretamente em meus olhos.
– Estava sem sono e não estou a fim de assistir nenhuma luta de robôs hoje.
– A sua afirmação soa tão verdadeira como a minha felicidade por estar aqui. – disse com sarcasmo enquanto Samantha apenas dava um sorrisinho de lado.
– Aqui não é tão ruim quanto você imagina.
– Estávamos falando de você, não dessa penitenciaria.
– Não estou querendo jogar a conversa pra você, só não quero falar o porquê estou aqui. – ela respondeu com um tom serio, como se estivesse realmente irritada e voltou a tomar seu café sem me encarar.
Por alguns segundos permaneci a observando, e quando ela finalmente se virou e me encarou, pensei que iria receber alguma bronca ou que ela se levantaria dali com raiva, mas a única coisa que pude ver era a tristeza em seus olhos, aquele sorriso que se estendia até eles, não estava ali naquela noite, o que me deixou intrigada. Franzi a testa tentando pensar no que havia acontecido com ela, mas antes que Samantha percebesse minha curiosidade, desviei meu olhar para o prato com Sunday roast a minha frente. Meu estomago se revirou e vi como um sinal de que eu não deveria perguntar nada para Samantha, não antes de devorar toda a comida.
Comecei a comer e a cada garfada sentia que o gosto do carneiro só melhorava em minha boca, eu já havia comido nos melhores restaurantes de New London, mas nada se comparava a comida daquele Instituto, e isso eu não poderia negar.
– Isso é tão bom. – comentei com a boca ainda um pouco cheia e soltando um pequeno gemido de satisfação.
– É seu prato preferido? – Samantha perguntou me olhando com um pequeno sorriso nos lábios, sorriso diferente de todos que eu já havia visto em seu rosto, era como se ela tivesse um ar superior ao falar aquilo. Ou talvez fosse apenas impressão minha, ela só deveria estar se divertindo com toda minha pressa por devorar toda a comida.
– Não. – respondi franzindo a testa e limpando a boca com o guardanapo a minha frente – Mas a comida daqui é a melhor que já comi em toda minha vida. Vocês sequestram os melhores cozinheiros do mundo e colocam aqui a seu dispor?
– É claro que não! Não sequestramos ninguém! – Samantha respondeu rapidamente, levantei as sobrancelhas em desafio.  Bem, eu havia sido praticamente sequestrada, ou quase. – Você não foi sequestrada, sua mãe deu permissão para você estar aqui. E respondendo a sua pergunta, digamos que são nossos ingredientes secretos.
– E eu sou uma cyborg. – respondi ironicamente.
Samantha abriu a boca para falar algo, mas logo a fechou, como se não valesse a pena dizer o que quer que seja que ela havia pensado. Decidi ignorar aquela conversa e voltei a me concentrar em minha comida, que estava boa demais para deixar esfriar. Quando eu estava quase terminando, Samantha se levantou da mesa sem dizer uma palavra, a olhei pensando que ela estava indo embora por ter ficado irritada com minha brincadeira, mas ela foi até o balcão, deixou sua xícara com um robô e pediu algo, logo após vindo se sentar a minha frente novamente.
– Chocolate? Depois do café? – perguntei com a testa franzida olhando para as mãos de Samantha, que abriam rapidamente um pacote enorme de chocolate.
– Qual o problema? – perguntou dando uma mordida no chocolate e suspirando logo em seguida. – Não tem hora pra se comer chocolate. Chocolate deve ser apreciado sempre que se tem a oportunidade.
– Não sou eu que estou fazendo essa mistura mesmo. – dei de ombros enquanto Samantha se deliciava com seu chocolate, mas continue a olhando com nojo, ela tinha um gosto muito estranho para comida, eu jamais faria uma mistura daquele tipo.
Um bipe soou me fazendo dar um pulo na cadeira, era algo baixo, mas eu estava tão concentrada em comer que acabei me assustando. Samantha riu enquanto clicava em seu relógio de pulso, e logo após um retângulo holográfico apareceu acima do relógio mostrando a imagem de Tom.
– Não acredito que você ainda tá puta da vida com ele e não vai vir a luta! – Tom dizia gesticulando com as mãos em frente ao rosto, enquanto Samantha suspirava e revirava os olhos irritada. Com quem ela estava puta da vida? E por que Tom estava tão agitado? Me perguntei internamente.
– Eu tenho motivos pra isso, Tom, e você sabe muito bem que estou certa. Agora se me der licen... – Samantha respondeu grosseiramente e já ia desligando a ligação quando Tom a cortou.
– Não desliga! – Tom praticamente gritou e pulou da tela holográfica, se isso fosse possível, obviamente.
– O que foi?
– Bem, é que... – Tom deu um pequeno sorriso de lado e depois bufou, como se tivesse perdido a paciência com algo, e parecia até um pouco irritado – Não vai ter luta hoje, Bill está trabalhando na sala dele, provavelmente tentando evitar seu olhar inquisitório. – Tom voltou a olhar para dela e revirou os olhos, como se tudo aquilo fosse uma grande besteira e eu ficava cada vez mais curiosa pra saber o porquê Samantha e Bill estavam chateados um com o outro. Tom deu um sorriso sincero empolgado e continuou a falar. – De qualquer maneira, eu não estou com sono e estava pensando se você não queria vir até a garagem.
– Sem chances! Pra você desmontar outro carro novamente e eu ter que te ajudar a concertar os estragos que você faz porque não sabe fazer isso sozinho? Não vou fazer isso novam...
– Não! Não vou fazer isso de novo, acho que aprendi a lição da última vez. – Tom respondeu dando um suspiro. – Mas então, você vem? – perguntou empolgado levantado uma sobrancelha.
– Se você se quer pen...
– Prometo, Samantha! – Tom disse revirando os olhos para a insistência dela.
– Tudo bem! Então daqui a pouco estarei ai. – ela respondeu assentindo, enquanto Tom sorria.
– Ótimo! – foram suas últimas palavras antes da ligação se encerrar.
– Então você está ‘puta da vida’ – disse tentando imitar o jeito que Tom havia falado – com o Bill? – Samantha apenas deu de ombros e voltou a comer seu chocolate, mas não pareceu se irritar com a pergunta. A analisei por um tempo e me senti uma idiota por não ter percebido aquilo antes. – Você gosta dele! – soltei rapidamente.
Não era algo que eu deveria realmente me espantar, já que eu mesma havia pensando que eles poderiam ter um caso romântico. Mas olhar para Samantha e encarar aquela probabilidade, por algum motivo, aquilo me pareceu um completo absurdo e me incomodou um pouco.
– Não! – Samantha quase gritou arregrando os olhos. – Dá onde você tirou isso? Eu não gosto dele. Quer dizer, não como você tá pensando.
– É claro que gosta! – acusei.
– Você... – Samantha franziu a testa me olhando atentamente e depois me olhando divertidamente. – Você tá com ciúmes?
– O que? Não! Tá louca? Eu não sou lésbica!
– Eu estava falando de estar com ciúmes de Bill, e não de mim. – Samantha disse rindo histericamente, enquanto eu começa a ficar realmente irritada.
– Você tá jogando a conversa pro meu lado para não me responder, novamente! – disse a encarando seriamente e cruzando os braços. Dá onde ela tinha tirado aquela ideia idiota? Eu não estava com ciúmes de Bill, ele não passava de um idiota mandão e eu não acreditava nem um pouco que ela não sentisse nada por ele.
– Não é isso. É que... – ela parou de rir e sacodiu a cabeça, como se tentasse tirar algum pensamento da cabeça, mordeu o lábio e me olhou por alguns segundos antes de continuar a falar, como se estivesse pensando nas palavras certas para usar. – Temos gênios fortes e trabalhamos juntos, e muitas vezes temos opiniões opostas sobre algo. Não me importo se ele é meu chefe ou não, porque acima de tudo ele é meu amigo e o cara que, de certa forma, sempre me protegeu, e quando não gosto de alguma atitude dele, falo isso diretamente, sem me importar se ele irá gostar ou não do que vai ouvir. Mas você já deve ter percebido que Bill é o tipo de cara que não muda de opinião fácil, ainda mais quando acha que está certo. – Samantha deu de ombros, como se aquilo nem fosse tão importante assim. – Nada que já não tenha acontecido antes. Mas quando isso acontece, me afastado dele um pouco, ou eu seria obrigada a socar a cara dele. – Samantha sorriu com sua péssima piada e voltou a comer tranquilamente seu chocolate, enquanto eu havia esquecido totalmente de terminar de comer.
– Não parece só uma questão de opiniões diferentes, até porque vocês estão tentando ignorar um ao outro. – a encarei seriamente, mostrando que eu não acreditava realmente naquela história. Ela e Bill pareciam maduros demais pra ficarem se evitando por uma coisa tão simples.
– Essa é a verdade, acredite se quiser. – Samantha me olhou nos olhos tentando mostrar que era só aquilo, e ela realmente parecia estar falando a verdade, mas sem duvida não toda ela.
– Qual o motivo da discordância?
– Apenas algumas coisas que ele faz no Instituto que eu não concordo.
– Tipo o que, por exemplo?
– Coisas. – respondeu simplesmente, como se não se importasse, mas Samantha tentava passar uma tranquilidade que não existia, eles poderiam até ter opiniões diferente sobre algo, mas sem duvida alguma não era algum motivo bobo, já que ela não parecia disposta a compartilhar isso comigo.
– O que quis dizer sobre o Bill sempre te proteger? – perguntei tentando mudar de assunto e ao mesmo tempo, conseguir alguma outra resposta sobre ela e Bill.
– Não fui criada como você, Anny. – Samantha me olhou seriamente ao terminar de comer seu chocolate – Não vivi no mesmo mundo que o seu.
– E por acaso existe outro mundo além desse? – perguntei sem entender o que ela queria dizer com aquilo.
Samantha deu um pequeno sorriso de canto, não sabia identificar se era de ironia ou de tristeza, ou quem sabe um misto dos dois. Então ela se levantou, arrumando a blusa vermelha de manga longa e depois olhando para mim.
– Vamos. Te respondo no caminho até a garagem. Se demorarmos muito Tom irá me infernizar a noite inteira e não estou a fim de brigar com outro Kaulitz hoje.
A olhei espantada e curiosa, aquela seria a segunda vez que ela iria me deixar entrar em alguma área que eu não estava autorizada, pelo menos não sozinha. Mas a garagem me parecia um lugar bem mais arriscado para me deixar entrar. Sorri com a ideia de ver a saída e conseguir, finalmente, sair daquele lugar. Me levantei rapidamente ficando ao lado de Samantha, que fez um gesto de cabeça para a seguir e começando a andar em direção a área da garagem, que não era apenas uma garagem normal. Haviam garagens com várias salas de mecânica, mantimentos e outras coisas que eu não tive o interesse de procurar saber o que era. Apenas três das portas daquela área eu não tinha acesso, e talvez eu tivesse naquele momento a que eu mais queria.
– Respondendo a sua pergunta. – Samantha começou a falar, enquanto caminhávamos pelo corredor – Ao contrário de você, não nasci uma milionária, ou no mínimo rica. E quando você tem o azar de nascer sem dinheiro no atual mundo que vivemos, ou você morre jovem, ou luta a qualquer custo por sua vida. – ela parou de falar e se virou para ver minha reação. Eu sabia que quanto menos dinheiro você tinha em sua conta bancaria, mais difícil era a vida atualmente, mas o que ela tentava descrever era algo extremo demais para o que eu havia imaginado. – Obviamente você percebeu que escolhi a segunda opção. Quando conheci Bill eu estava no momento mais critico da minha vida e eu devo a minha vida a ele.  – ela parou de andar e se virou pra mim respirando fundo, enquanto eu tentava digerir suas palavras – A partir desse dia eu passei a fazer parte da família de Bill, e ele meio que me vê como um bichinho indefeso que precisa proteger. – Samantha revirou os olhos – Ele tem um instinto protetor enorme quando se trata de família, mais ainda se você é do sexo feminino.
Minha cabeça girava com tudo aquilo, eu conseguiria ver um Bill protetor, principalmente depois da noite que vi ele rindo e brincando com Samantha. Mas eu não conseguia se quer imaginar o porquê Samantha devia sua vida a ele. Ela ter estado em perigo por causa de algum acidente ou uma briga e Bill ter salvado sua vida pareciam algo tão pequeno perto do que ela tentava descrever.
– Por que você deve sua vida a ele? – perguntei baixo olhando o rosto delicado e de traços fortes de Samantha, ela não parecia uma pessoa que se quer sabia lutar, mas talvez eu estivesse errada. Quem me visse não pensaria que eu fosse tão boa em um combate.
– Ele salvou minha vida, eu não estaria viva hoje se não fosse por ele. – respondeu simplesmente enquanto se virava para uma porta ao seu lado e colocava sua mão na parede para se identificar. – E ele acha que precisa continuar me protegendo a cada segundo, mesmo que de uma simples borboleta.
A porta a nossa frente se abriu e Samantha a adentrou, fazendo que o assunto se encerasse ali. Minha cabeça estava cheia de perguntas que eu gostaria de fazer a ela a seu respeito, e sobre Bill, mas pelo visto eu teria que me contentar apenas com aquelas informações, ou esperar outra oportunidade para descobrir um pouco mais sobre eles.

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54 Capitulo 12 - Me Against The World em Qua Jun 18, 2014 3:52 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Oii!'
Sei que demorei um pouco mais dessa vez, mas em compensação o capítulo ficou enorme. O maior até agora! hauhauahauaah Espero que gostem dele, e assim que eu tiver escrito o próximo posto aqui.
Simple Plan - Me Against The World


A garagem era bem maior do que eu havia se quer imaginado, e diferentemente das outras, que serviam apenas como deposito ou sala de mecânica, aquela realmente parecia uma garagem. Havia vários carros ali dentro, tanto esportivos como de cargas, além de quatro motos. Tom estava no fundo da sala, mexendo em uma enorme moto preta, extremamente concentrado no que estava fazendo que mal percebeu eu e Samantha nos aproximando. Perto dele havia umas dez mesas enormes e prateleiras de aço, que cobria toda a parede do fundo da sala, lotada com peças e ferramentas mecânicas, e outros acessórios que eu nunca havia visto na vida.
– Eu sabia que você não iria resistir a mexer em algum motor. – Samantha disse num tom brincalhão enquanto se aproximava de Tom e sentava em uma moto vermelha próxima a ele.
– Como se você conseguisse ficar longe também. – Tom se virou em sua direção lhe lançando o olhar desafiador e logo depois olhando pra mim seriamente – O que ela faz aqui? Bill vai te matar se souber que deixou ela entrar.
– Ah claro! Como se ele fosse realmente fazer alguma coisa contra mim, no máximo vou ouvir algum sermão, o que já estou acostumada. E estou pouco me lixando pro que ele vai ou não falar.
– Já falei que você fica extremamente sexy nervosa? – Tom sorriu perversamente passando a língua pelo piercing em seu lábio inferior, enquanto eu e Samantha revirávamos os olhos para sua tentativa barata de conquista.
– Idiota. – Samantha disse enquanto se levantava e acertava um tapa em sua cabeça.
– Ai. – Tom gemeu e passou a mão na cabeça fazendo uma careta de dor um pouco exagerada.
Samantha foi em direção a um carro esportivo vermelho e cromado, extremamente chamativo para o meu gosto. e começou a olhá-lo como se caçando algum arranhão ou sujeira. Tom ainda reclamando do tapa voltou a mexer na moto. Comecei a me sentir meio perdida ali no meio dos dois, que pareciam bastantes concentrados no que estavam fazendo, pensei em voltar para o meu quarto, mas eu estava em um dos lugares que não era permitida minha entrada, e talvez aquela fosse minha única chance de estar ali. Então comecei a andar entre os carros os observando, eu não era uma grande fã de carros, mas tentei ignorar esse fato.
Assim que cheguei ao final da garagem e iria voltar pelo mesmo caminho percebi que a parede do lado direito de Tom havia uma divisória. Parei onde estava, respirando fundo e observando cada mínimo detalhe daquela parede de longe, sorri ao notar que talvez aquela não fosse uma parede normal, e sim uma porta. Olhei a minha volta observando os carros de cargas e um pequeno sorriso começou a brotar em meus lábios, enquanto meu coração ia se acelerando pelas conclusões que eu iria chegando. O motivo de não ter acesso aquela garagem em particular, provavelmente se deveria ao fato de que ali era a saída, por isso todos aqueles carros estavam guardados naquele lugar. Mas eu precisava ter certeza antes de fazer qualquer tentativa de abrir aquela porta, até porque provavelmente eu não conseguiria abri-la sozinha.
Andei a passos rápidos até o carro em que Samantha estava dentro, e me escorrei perto da porta aberta. Se alguém ano Instituto era capaz de me dar qualquer informação, por menor que seja, sem dúvidas seria ela, e também porque das duas pessoas que eu estava mais próxima, era melhor tentar tirar algo de Samantha do que de Tom, já que ele provavelmente iria se recusar a me dar alguma resposta decente e ainda iria jogar alguma cantada para o meu lado.
– O que é exatamente essa sala? – perguntei baixo tentando usar um tom despreocupado – Vocês gostam de colecionar carros ou o que?
Samantha colocou apenas a cabeça para fora do carro e me olhou com as sobrancelhas arqueadas parecendo curiosa sobre a minha pergunta.
– Depende de quem estamos falando. – ela deu pequeno sorriso e olhou na direção de Tom – Assim como Gustav, eu e Tom temos nossos brinquedos favoritos, e alguns deles estão aqui nessa sala. – Samantha saiu do carro, fechou a porta e assoprou o capô, como se para tirar alguma sujeira, se é que houvesse alguma, porque o carro parecia mais limpo do que minhas roupas – Mas a maioria dos carros aqui são do Instituto, os de carga principalmente, essa é nossa garagem para guardar os carros, mas também usamos como oficina, já que nós mesmos arrumamos quando algum carro apresenta defeito. É um dos passatempos meu e do Tom.
Samantha parecia empolgada ao falar daquele lugar, como se fosse um dos seus lugares preferidos, mas eu estava mais preocupada em saber como perguntaria se aquela divisão na parede realmente significava que ali era a porta de saída daquele lugar. Juntei minhas mãos entrelaçando os dedos na frente do corpo e olhei da parede para Samantha, que continuava olhando o carro, sem prestar muita atenção em mim. Ela era inteligente o suficiente para saber o que eu queria se eu jogasse alguma indireta, e sem ter muitas opções de como perguntar o que queria saber, resolvi ser direta.
– O que há atrás daquela parede? – perguntei apontando para frente, enquanto Samantha apenas se virava me encarando, prendi a respiração esperando sua resposta e que ela não me colocasse para fora dali antes de me dar a resposta que eu tanto gostaria de ouvir, mas ela nada disse, apenas levantou uma sobrancelha me olhando desconfiada e foi em direção ao Tom, ignorando completamente minha pergunta.
– Você usou meu carro. – Samantha acusou, parando em frente a Tom e cruzando os braços.
– Claro que não.
– Usou sim, Tom. Tem uma rota traçada no GPS, e você é o único com coragem suficiente pra tocar no meu carro.
– Você não respondeu minha pergunta! – disse sem dar importância para aquela pequena discussão a minha frente.
Eu não queria saber se Tom havia usando ou não o carro de Samantha, e também não iria ser ignorada por ela. Eu precisava daquela resposta, e se ela não estivesse disposta a me responder, eu iria tentar tirar isso de Tom. Os dois se viraram em minha direção e depois se encararam por dois segundos, antes de Tom revirar os olhos e se abaixar para voltar a mexer em sua moto.
– E por que teria alguma coisa atrás daquela parede? – Samantha disse com desdém.
– Você acha que sou burra? Por favor! Aqui está cheio de carros, que sem duvida devem sair e entrar por algum lugar, e aquela parede tem uma divisória, o que provavelmente deve ser uma porta. – me aproximei dela a olhando nos olhos e dando um sorriso irônico – Aquela é a saída, não é?
– Se você sabe, então por que pergunta? – Tom respondeu se levantando e jogando alguma ferramenta em cima da mesa perto dele. – E como você não é nenhuma idiota, sem duvida alguma deve saber que também não vai conseguir abrir aquela porta, muito menos sair daqui.
Tom não se parecia muito com Bill, não em seu modo de agir, mas o tom autoritário que ele usou o fez ficar idêntico ao irmão, me fazendo trincar os dentes de raiva. Eu não precisava de mais um idiota autoritário querendo me dizer o que fazer e falando que eu jamais conseguiria sair daquele lugar.
– Você está superestimando a pessoa errada.
– Não, Anny. Você que está superestimando as pessoas erradas e o lugar errado. – ele deu um de seus sorrisinhos tortos e cruzou os braços na frente do peito, se escorando na mesa atrás dele, fazendo com que parecesse mais forte e autoritário do que era.
Eu estava prestes a responder Tom e começar uma discussão com ele quando ouvimos passos pesados e uma voz afiada cortando o ar entre nós.
– Você desobedeceu minha ordem. – Bill vinha em nossa direção, com os olhos faiscando de raiva, fazendo com que eu, Tom e Samantha o olhassem assustados.
Prendi a respiração tentando manter uma aparência tranquila, enquanto que por dentro eu estava tremula pelo que Bill falaria e faria comigo, porque sem duvida alguma aquela raiva toda iria ser direcionada a mim, provavelmente por Samantha ter me deixado entrar naquele lugar.
Bill não deu mais que dois passos ao terminar de falar, quando seus olhos pousaram em mim e ele parou onde estava, seus olhos antes raivosos, agora mostravam um pouco de duvida e confusão. Ele arqueou o corpo e olhou de mim para Tom e depois para Samantha, assim que seus olhos pararam nela toda aquela raiva havia voltado. Bill caminhou em longos passos até parar a minha frente e apontar o dedo no meu rosto.
– Você não deveria estar aqui, mas resolvemos isso mais tarde, agora tenho coisas mais importantes para resolver. – ele disse trincando os dentes e abaixando a mão, depois se virou para Samantha, cruzando os braços na frente do peito, ele respirou fundo, talvez tentando se acalmar antes de continuar a falar. – Por que você desobedeceu minha ordem? E não me venha falar que foi porque estava com raiva de mim, isso não justificada a idiotice que você fez.
Bill parecia tão furioso, como eu jamais havia visto, todas as vezes que ele havia ficado nervoso comigo, comparadas aquele momento, era como se ele estivesse completamente calmo. Eu estava tão perplexa por ele ter ignorado o fato de eu estar na garagem, e ter ido brigar com Samantha, a quem ele parecia sempre tão propicio a sorrisos e ser educado, que mal percebi quando Tom saiu de onde estava e parou ao lado dela, como se estivesse disposto a defende-la caso Bill tentasse ataca-la. O que eu duvidava que fosse possível acontecer, mas olhando para ele naquele momento, eu não tinha tanta certeza se ele não seria capaz de fazer aquilo.
– Calma ai, Bill. Samantha não fez nada demais em trazer a Anny aqui, até porque ela não veio sozinha, qualquer gracinha que ela tente eu e Samantha estaríamos aqui pa...
– Não estou falando disso, Tom. – Bill disse secamente, não deixando Tom terminar sua frase e fazendo com que ele olhasse de Bill para Samantha confuso.
– Se não é disso que você tá falando, então... – Tom começou a dizer baixo, olhando desconfiando para Samantha, assim como ele, eu também estava pensando que Bill estava furioso por ela ter me deixado entrar na garagem, mas pelo visto Samantha havia feito algo muito mais grave que isso.
– Não contou a ele? – Bill disse dando um sorrisinho irônico em direção a Samantha, que permanecia séria o olhando diretamente nos olhos, seja lá o que ela tenha feito, parecia não ter medo das consequências disso. – Ela me desobedeceu. – ele voltou seu olhar para Tom e travando a mandíbula de raiva terminou sua frase. – Samantha foi até o Beco. Sozinha.
– O que? – Tom soltou um grito de espanto enquanto olhava de um para o outro, tentando descobrir se Bill estava ou não brincando com a cara dele.
Beco. Eu havia ouvido aquela palavra apenas umas duas vezes na vida, e o pouco que sabia sobre aquele lugar, era que ali moravam as pessoas mais pobres de New London, as que não nasceram ricas ou por algum motivo haviam perdido sua fortuna. Nunca pensei muito sobre aquele lugar, eu si quer pesquisei sobre ele, apenas imaginava que tivesse pessoas com menos dinheiro que eu vivendo ali, com casas mais simples e trabalhos inferiores, somente isso.
– Isso mesmo que você ouviu, Samantha foi ao Beco depois da nossa discussão. Sozinha, sem avisar ninguém e sem minha permissão. – Bill respondeu ao irmão, mas seus olhos não desgrudavam dos de Samantha.
– Me diga que Bill está errado. Por favor, diga que ele está louco e que você não fez isso. – Tom praticamente implorava para Samantha contradizer Bill, mas ela apenas se virou em direção a Tom e deu de ombros, mostrando que ele não estava errado e que não era realmente uma grande coisa o que ela havia feito. – Eu não acredito que você fez isso! Tudo bem se você queria sair do Instituto para ficar longe de Bill, mas que pelo menos me chamasse, ou Georg, ou Gustav, ou seja quem fosse para ir com você! Onde estava com a cabeça quando resolveu fazer isso? – Tom colocou as mãos na cabeça a sacudindo, completamente indignado com o que Samantha havia feito e com tanta raiva, ou até mais que Bill, os dois pareciam a ponto de pular em cima de Samantha e lhe arrancarem a cabeça, enquanto eu apenas permanecia parada perto deles, assistindo a toda aquela cena sem entender o porque eles estavam tão irritados. Sem duvida não era só por Samantha ter desobedecido Bill, se não Tom não estaria tão furioso, e eu não conseguia imaginar o que poderia existir no Beco para que Bill proibisse Samantha de ir até lá sozinha.
– Parem de dar chilique! – Samantha disse irritada colocando as mãos na cintura – Eu não desobedeci suas ordens, Bill. Eu estava apenas irritada demais pra ficar trancada dentro do Instituto, peguei a moto e fui dar uma volta, só isso. Não queria ir pra nenhum lugar especifico, apenas queria dirigir por ai, tudo bem?
– Mas você foi até o Beco! Você mais do que ninguém sabe que não deveria ter ido lá sozinha! – Bill a questionou num tom de voz um pouco alto demais para seu normal e gesticulando com as mãos, ele estava quase gritando tamanha era sua raiva.
– Eu não estava pensando quando sai daqui, queria só andar por ai e quando percebi eu estava no Beco, mas não passei da entrada! Quando eu percebi isso dei meia volta e fui para outro lugar, não tem porque vocês estarem tão preocupados. E eu estou aqui, não estou? – Samantha falava rápido, tentando se explicar e manter a calma, mas percebi que ela estava quase entrando em desespero. Ela parecia a ponto de começar a gritar ou chorar a qualquer momento, e mesmo encarando Bill e Tom, ela parecia culpada pelo que havia feito.
– Mesmo assim, Samantha. Você deveria ter tomado mais cuidado e não ter saído sozinha. – mesmo com toda sua explicação, Bill permanecia irritado, era como se nada do que ela pudesse dizer fosse diminuir a gravidade do que ela havia feito.
– Ah! Faça me o favor, né Bill! Quantas vezes eu já não sai sozinha daqui? E uma vez que me descuidei fui até a entrada do Beco. Uma vez! – ela gritou as palavras gesticulando nervosamente com as mãos – Não vai acontecer novamente, pode ficar tranquilo.
– Bill está certo, você não podia ter vacilado tanto assim, Samantha. Você deveria ter me chamado se queria dar uma voltar, pra onde quer que fosse. – Tom disse nervoso, mas ao contrario de Bill, a raiva dele havia passado, ele parecia mais tranquilo, mas sua preocupação por Samantha ainda ter ido ao Beco ainda permanecia no fundo de seus olhos castanhos. E se eu não estivesse muito errada, ele parece até um pouco ofendido, talvez por ela não o ter chamado para darem uma volta de moto, já que ela havia falado que aqueles eram os brinquedos dos dois.
Samantha suspirou e sentou na moto que estava a minha frente, ficando de costas pra mim, ela colocou as mãos no rosto e suspirou, cansada de toda aquela discussão. Ela parecia culpada por ter ido além dos limites que Bill havia imposto, mas cansada demais para tentar colocar qualquer ideia que fosse na cabeça dele. Porque o modo que ele estava furioso, nada faria com que percebesse que ela jamais faria aquilo de proposito.
Olhei de Bill para Tom e percebi que apesar de estarem irritados por Samantha ter desobedecido Bill, o real motivo de tanta raiva não era só por isso, e sim por ela ter corrido algum tipo de risco. Eu não sabia se era realmente perigoso ir até o Beco, talvez as pessoas não fossem tão sociais como os ricos com quem convivi a minha vida toda. E foi olhando para Samantha de cabeça baixa que algumas coisas que ela havia me falado mais cedo começou a fazer sentido.
Samantha havia dito que Bill a protegia e a tratava como se fosse da família, aquilo não podia ser só proteção de amigos ou irmãos, provavelmente Bill sentia algo mais por Samantha, por isso toda aquela cena. Me senti uma idiota por estar ali naquele momento, toda aquela discussão era algo que me parecia intimo demais para ser compartilhado com alguém como eu, que não queria estar naquele lugar. Senti um cansaço me dominar, por ter presenciado aquilo, por ver o quanto Samantha parecia cansada de tentar explicar que não fez por mal, de ver que aquilo não importava para Bill e Tom, e o quanto eles estavam preocupados e com raiva por se quer cogitar a possibilidade de algo ter acontecido com ela.
Aguentar estar naquele Instituto e toda a indiferença de Bill parecia mais fácil do que ter que presenciar aquela cena fraternal a minha frente. Me virei tentando ignorar as três pessoas a minha frente e pensando se valia a pena ir embora dali, e deixar mais uma tentativa de sair para depois. Meus olhos se fixaram na mesa ao meu lado, reparando em cada ferramenta disposta ali em cima, e foi quando percebi uma espece de pistola de pregos, ou o que quer que aquilo se chamasse. Estiquei meu braço e a peguei na mão a observando, era tão leve quanto um prato qualquer, e tinha um cartucho de pegos prontos para serem atirados apenas com um toque no gatilho.
Uma ideia insana surgiu na minha mente, fazendo com que eu sentisse um calafrio na espinha. Olhei ao meu redor observando atentamente a expressão de preocupação de Bill e Tom, tentando ignorar todos os pensamentos que agora dominavam cada pedaço do meu cérebro, parecia errado fazer aquilo, ou até extremo demais, mas ao lembrar de como eu havia sido levada pra aquele lugar e como Bill havia me tratado aquele tempo todo, a ideia em minha mente não me pareceu tão assustadora assim. E eu precisava arriscar, mesmo que as consequências, caso eu não conseguisse o que queria, talvez fossem bem pior do que eu se quer poderia imaginar.
Segurei a pistola mais firmemente em minha mão direita e dei dois passos para frente, Samantha estava ali sentada, completamente vulnerável a loucura que eu estava prestes a cometer. Sem duvida alguma Bill e Tom iriam fazer o que eu exigisse, somente para não ter a queridinha deles ferida bem na frente deles, sem que pudessem fazer o que quer que fosse pra impedir. Antes que qualquer uma ali dentro percebesse minhas intenções, fiquei bem atrás de Samantha e apontei a pistola para a cabeça dela, que se assustou com o movimento.
– O que você pensa que está fazendo? – Samantha disse tentando se virar em minha direção, e antes que ela conseguisse, peguei em seu braço esquerdo, o levando para trás de seu corpo e o torcendo para que ela não conseguisse se afastar ou fugir de mim.
– Abra a porta. – disse rápido e olhando diretamente nos olhos de Bill, que me olhava completamente surpreso pela minha atitude. – Sei que atrás daquela parede está a saída, e que eu não vou ter acesso para abri-la. Então antes que eu encha a cabeça dela de pregos, abra a porta!
Há duas semanas eu jamais poderia imaginar que seria capaz de ameaçar alguém que estava sem defesas tão facilmente, mas eu também não poderia imaginar que seria obrigada a estar aquele Instituto Athena. Por fora eu parecia calma e prestes a cometer uma loucura, mas por dentro eu estava tremendo e a ponto de explodir de nervoso por causa de toda aquela situação.
Bill continuava me encarando com a maior cara de incredibilidade do mundo, provavelmente ele jamais havia imaginado que eu estivesse tão desesperada para sair dali, não ao ponto de ameaçar a vida de alguém. Tom permanecia em seu lugar, sem esboçar qualquer reação, provavelmente chocado demais com tudo aquilo. Eu não podia ver o rosto de Samantha, mas podia sentir que ela estava ereta demais, talvez tentando com que o medo não a dominasse.
– Solte-a, Anny. – Bill disse simplesmente, enquanto sustentava meu olhar.
– Não enquanto você não abrir essa porta!
– Você não vai conseguir sair daqui desse jeito.
– Isso é o que vamos ver. Agora abra a maldita dessa porta ou eu atiro! – gritei enquanto apertava mais a pistola na cabeça de Samantha.
– Samantha! – Tom chamou, num tom baixo e calmo, o olhei por apenas um instante, vendo ele com a testa franzida e as mãos levantadas, como se estivesse confuso ou incrédulo demais, mas ele não parecia muito assustado.
Senti Samantha se levantar da moto, se aproximando de mim, ainda de costas e relaxar um pouco de sua postura, soltou um suspiro alto fazendo com que eu apertasse mais seu braço com medo que ela tentasse se soltar, enquanto Bill e Tom se viravam para encara-la.
– Abra a porta, Bill. – sussurrou lentamente.
Fiquei com vontade de vira-la de frente para mim e ver qual era sua expressão, mas a mantive onde estava, eu não poderia arriscar com que Bill ou Tom tentasse tira-la de perto de mim. Olhei para os dois homens um pouco a frente e percebi que não era somente eu que estava surpresa pelo pedido de Samantha. Imaginei que ela jamais deixaria que um deles abrisse a porta para que eu saísse dali, mesmo que eu estivesse ameaçando sua vida, o tempo todo pensei que Bill seria o primeiro a ceder. Ele a protegia demais, e sem duvida alguma deveria estar apavorado com a possibilidade de perder Samantha bem a sua frente.
– Você sabe que ela... – Bill disse olhando para Samantha, que não o deixou terminar a frase.
– Abra! É isso o que ela tanto quer, e não vai descansar enquanto não tiver.
– Saman...
– Abra, Bill!
– Não! – respondeu seco e decidido, para minha completa surpresa, e por mais que eu não quisesse admitir, ele parecia determinado demais a não fazer o que eu pedíamos.
– Eu vou atirar nela se você não... – tentei o ameaçar, mas antes que pudesse terminar minha frase, ouvi um suspiro de Samantha e logo depois o que eu achava que não seria possível aconteceu.
Samantha se curvou para frente ao mesmo tempo que torcia seu braço esquerdo na direção contraria a que eu o apertava, fazendo com que meu braço girasse junto me fazendo sentir uma dor enorme. Em menos de dois segundos ela conseguiu se virar, se livrando do meu aperto, com a mão livre ela segurou meu pulso direito, o que estava segurando a arma, o apertando tão forte que soltei um gemido de dor e soltei a pistola no chão. Samantha se mexeu rápido demais, e quando percebi, só senti uma dor atingir a parte de trás do meu joelho direito, me fazendo cair de joelhos no chão. Senti alguém virando meu corpo de frente para a parede de saída e meus cabeços sendo puxados para trás, me fazendo soltar um pequeno grito de dor.
– Abra a porta, Tom. – Samantha ordenou no tom de voz mais sem vida e raivoso que eu já havia ouvido na vida, aquele grito de comado me fez tremer por dentro era bem pior do que os de Bill.
Vi Tom se aproximar da porta pelo meu lado esquerdo e começando a digitar algo ali, ele parecia tentar segurar um sorriso de satisfação no rosto, que me fez trincar os dentes de ódio. Como ele havia dito, eu estava subestimando as pessoas erradas, por toda aquela proteção em volta de Samantha, jamais pensei que ela pudesse ser tão forte, ágil e que fosse conseguir me desarmar tão facilmente como havia feito.
Ouvi um bipe soar e logo após a parede a minha frente começou a se mover, dando acesso ao que tudo indicava, ser saída do Instituto Athena.
– O que...? – tentei disser enquanto meu cérebro tentava absorver o que meus olhos estavam vendo.
Senti todo meu estomago revirar, enquanto uma onda de desespero tentava me invadir com aquela visão. Não podia ser verdade, aquela não poderia ser a saída. Soltei uma exclamação de surpresa enquanto eu tentava aceitar que no momento que eu tinha o que queria em minhas mãos, eu deveria aceitar que Bill estava completamente certo quando havia dito que eu nunca conseguiria sair daquele lugar sozinha.

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55 Capitulo 13 - Open Your Eyes em Sex Jun 27, 2014 8:23 pm

Sam McHoffen

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Olá!' Tudo bem com vocês? A curiosidade fizeram vocês roerem todas as unhas ou não? hauahaauauaahauah
Ok, vou deixar de ser malvada e matar a dona curiosidade... espero que se surpreendam e gostem do que a Anny viu de tão assustador. Boa leitura! ^^
Thirty Seconds to Mars - End Of All Days


– Lhe apresento o que a senhorita tanto desejava: a saída. – Tom disse formalmente, mas se divertindo com a situação e fez uma reverência indicando a parede que havia se aberto completamente.
Há um ou, no máximo, dois metros de mim estava à saída, um enorme vácuo a minha frente. De onde eu estava podia ver que era algum tipo de túnel subterrâneo, mas não era como os antigos metrôs por baixo da terra, aquilo parecia ser bem mais complexo.
Senti que Samantha havia se afastado de mim, e sem que eu percebesse, levantei e automaticamente me aproximei da saída, engolindo em seco e sentido um arrepio de medo invadir todo meu corpo. O túnel era enorme e fundo, e até o final dele havia várias saídas, para todos os lados possíveis. Percebi que seria impossível sair dali sem usar um carro ou moto que flutuasse. Mas a pior parte era que mesmo que eu conseguisse um dos carros daquela garagem, eu não saberia qual daquelas saídas pegar, e pior ainda, onde elas poderiam dar.
– Para onde vai cada túnel? – perguntei e minha voz não passava de um sussurro, provavelmente ninguém tinha ouvido a pergunta, mas para minha surpresa, eles foram capazes de ouvir.
– Os túneis são como um labirinto, alguns se encontram em algum ponto, outros são sem saídas e outros dão em vários lugares da grande New London. – Bill respondeu calmamente, o que me fez virar para encara-lo, aquele tom de voz era completamente diferente do que ele havia usado há instantes atrás, ele parecia mais calmo agora, mas continuava com sua postura rígida e completamente serio. – Agora você percebe que não irá conseguir sair? A menos que tenha permissão e alguém para te levar para fora?
– Isso não muda minha vontade de querer sair. – disse tentando manter um pouco do orgulho que me restava depois de toda aquela cena.
– Já chega! – Samantha disse se aproximando de mim e me encarando irritada. – Primeiro. – ela levantou o dedo indicador – Já chega de tentar fugir, você acabou de ver que enquanto não tiver autorização, não vai conseguir. Segundo – ela levantou o dedo médio – Quanto mais você se recusar a aceitar tudo o que está acontecendo na sua vida, mais você vai demorar a sair e entender o porquê está aqui. Terceiro e último. – em vez de levantar o próximo dedo, ela se aproximou de mim, como se fosse me ameaçar a qualquer momento. – Parabéns! Você acaba de irritar a única pessoa dentro do Instituto Athena que estava tentando te ajudar e ser sua amiga.
Ficamos por alguns segundos nos encarando, Samantha com seu olhar irritado, e eu completamente confusa pelo que ela havia acabado de dizer. No momento que ela se virou de costas para mim e começou a se afastar, percebi o enorme erro que havia cometido. Ela parou em frente Bill, e o encarou, da mesma forma que havia feito comigo.
– Pode comemorar agora, você estava certo, ela é infantil demais para perceber tudo o que está bem na frente do nariz dela.
– Não vamos disc... – Bill tentou conversar com Samantha, mas no estado que ela estava, aquilo não parecia ser possível.
– Não, Bill. Não vamos discutir novamente por causa dela, porque você estava certo. Como sempre. – Samantha andou a passos rápidos e longos até a saída, mas antes de abrir a porta, se virou e olhou para Bill e Tom. – Eu realmente não fui ao Beco de proposito, e não passei da entrada. Vocês me conhecem o suficiente pra saber que eu jamais cometeria o erro de entrar naquele lugar sozinha.
Então ela se virou, abrindo a porta e desaparecendo pelo corredor, me deixando sozinha com Bill e Tom. Suspirei e esperei a bronca ou castigo que eles iriam me dar por ter ameaçado a vida de Samantha.
– Você devia ir atrás dela. – Bill disse na direção de Tom, logo após soltar um pesado suspiro de derrota.
– Sem chances! Ela está furiosa, e se eu chegar perto dela, sem duvidas ela irá arrancar meu coro para fazer um novo estofado para seu carro. – Tom respondeu fazendo uma careta – Amanhã quando ela se acalmar, tentamos falar com ela.
Bill não o respondeu, apenas ficou o encarando seriamente, e eles ficaram se olhando por alguns segundos, sem dizer uma só palavra, como se tivessem apenas se comunicando pelo pensamento. Antes que eles resolvessem perceber novamente minha presença, resolvi sair dali, aquela noite já havia rendido mais do que deveria. Mas assim que dei um passo, os dois voltaram seu olhar em minha direção, me fazendo estacar onde estava. Não seria agora que eu conseguiria me livrar de mais um sermão.
– De todas as coisas que você poderia fazer para tentar sair daqui, essa foi, sem duvida alguma, a mais idiota e estupida que você poderia ter tentado. – Bill começou a falar, se aproximando de mim. – No pior momento possível, e usar a última pessoa que você deveria ameaçar aqui dentro.
– O que? Vai dizer que a Samantha queria ser minha amiga? Ninguém aqui é meu amigo ou quer isso, todos estão me mantendo aqui como prisioneira!
– Meu Deus! Você nunca vai largar de ser cabeça dura e ver além do seu mundinho? – Tom disse encabulado e me olhando com as mãos para cima, como se eu tivesse dito que a terra estava sendo abduzida por alienígenas. – Acorda para a vida, garota!
– Quem você pensa que é pra falar qualquer coisa ao meu respeito, seu idiota? – dei um passo para frente completamente furiosa e louca para enfiar a mão na cara de Tom.
– Chega! – Bill gritou autoritário se enfiando entre mim e Tom, para que nenhum de nós avançasse sobre o outro e começasse uma briga. – Por hoje chega! Estou cansado de toda essa discussão e atitudes idiotas. – Ele se virou na minha direção me olhando nos olhos. – Samantha nunca fez nenhum mal a você, e tentou da melhor forma que pôde ser sua amiga e fazer com que você não se sentisse tão perdida aqui no Instituto. Você se aproveitou de uma situação complicada para conseguir o que queria, e acima de tudo, fez e está fazendo um julgamento errado de todos e tudo dentro do Instituto Athena. Agora vá para seu quarto e repense em tudo que fez.
– Não sou uma criança para me mandar fazer o que você quer e me deixar de castigo. – contra ataquei.
– Infelizmente não, porque se fosse, eu já teria dado um jeito em você, mas não posso fazer isso. E você não tem escolha, não pode sair daqui até que eu lhe dê permissão. – Bill suspirou e deu um passo em minha direção, contraiu a mandíbula de raiva e disse sua ultima frase num sussurro. – Agora pare de agir como uma menininha mimada e abra seus olhos.
Antes que eu pudesse falar o que quer que seja, Bill se virou de costas para mim e foi fechar a porta que dava saída ao temível túnel, ignorando minha existência. Eu queria gritar, socar e dizer o quanto ele não passava de um idiota, mas contive toda aquela raiva e dei as costas para Bill e Tom, sai a passos largos daquela garagem, sem olhar para trás, porque se eu fizesse isso, seria capaz de jogar os dois naquele maldito buraco que eles diziam ser a saída.
Assim que cheguei ao meu quarto, pude gritar o mais alto que eu podia, tentando fazer com que toda a irritação e desespero que haviam dentro de mim saísse dali, junto com meus gritos. Não derramei uma lagrima se quer, eu não estava triste ou magoada, apenas decepcionada pela minha melhor tentativa ter dado completamente errado.
Você que está subestimando as pessoas erradas”, a frase que Tom havia me dito voltou a minha mente, e por mais que eu quisesse negar, ele estava certo. Eu havia subestimado Bill, Tom, e principalmente, Samantha. Havia pensado que Bill não seria capaz de me vencer em uma luta, que ele e Tom fariam qualquer coisa para salvar Samantha, e que ela não seria capaz de lutar contar quem quer que fosse, mas eu estava redondamente enganada. Sentei em minha cama, apoiei os cotovelos nos joelhos e as mãos no rosto, exausta mentalmente de toda aquela confusão. Eu gostaria de dormir e acordar em minha cama, em minha casa, ou em qualquer outro lugar do mundo, onde eu poderia abrir a portar e ir para qualquer lugar que eu quisesse, sem Instituto Athena, Bill, Gustav, Samantha e todas aquelas pessoas daquele maldito lugar.


Depois de andar pelo quarto tentando pensar no que fazer a partir daquele momento, deitei na cama e tente dormir, fiquei acordar por um longo tempo, mas por fim acabei pegando no sono. Acordei com a droga do despertador infernal que Bill havia colocado, me fazendo lembrar que tudo aquilo não era um pesadelo, e que eu deveria encarar mais um fatídico dia no Instituto Athena.
O dia passou se arrastando lentamente, assisti às aulas no modo automático, eu ouvia o que os instrutores diziam, mas não compreendia nada, nem fazia questão disso. Bill não fora o instrutor da aula de luta daquele dia, em seu lugar estava Georg, que ao contrario de Bill, que era exigente o tempo todo, ele era brincalhão e levava um tom mais tranquilo para a luta.
– Por que você deu a aula hoje? – perguntei a Georg assim que ele encerrou a aula e havia apenas alguns alunos ali.
– Sentiu tanta falta assim do Bill? – Georg perguntou enquanto vestia seu casaco e sorria divertidamente pra mim.
– Claro! Muita saudade do idiota. – respondi ironicamente.
– Imaginei. – Georg sorriu e parou a minha frente, colocando a mão em meu ombro esquerdo. – Mas não se preocupe, amanhã ele estará de volta, só dei a aula hoje porque ele teve que resolver algumas coisas fora do Instituto.
– Que não volte nunca mais. – disse me virando de costas para Georg e saindo da sala de luta irritada.
Eu preferia mil vezes que Georg desse as aulas no lugar de Bill, ainda me recusava a aceitar ficar ali, mas sem duvida alguma era melhor ter o tranquilo Georg me dando aulas, do que o autoritário Bill.

Quando fui jantar no refeitório naquela noite, Bill, Tom, Samantha e Gustav, que pareciam extremamente cansados e famintos, estavam sentados numa mesa jantando, juntamente com Georg e Evelyn. Ignorei todos eles e me sentei o mais distante possível deles, numa mesa ao fim do refeitório, onde havia apenas uma garota negra, extremamente magra e que parecia ser bem alta. Me sentei do outro lado da mesa, e assim que ela percebeu minha presença, me olhou com seus grandes olhos castanhos escuros e curiosos.
– Olá. Meu nome é Amber, cheguei hoje no Instituto Athena. Você está aqui há muito tempo? – ela disse rápido demais e completamente animada, fazendo com que eu me arrependesse de ter sentado perto dela, eu não estava a fim de ter uma conversa com alguém tão alegre.
– Não muito.
– Nossa! Que sorte a sua, quer dizer, a nossa, já que agora eu também faço parte do Instituto. Eu fiquei tão feliz quando soube que viria pra cá, quase não acreditei... – ela continuou falando sem parar, totalmente empolgada e animada de estar ali, olhei incrédula com toda aquela animação e resolvi ignorá-la. Comecei a comer meu jantar, enquanto Amber continuava falando a minha frente, sobre as maravilhas do Instituto Athena, ao qual ela falava como se idolatrasse esse nome. – ...e tem também todos os boatos que existem sobre os instrutores aqui ter grandes influencias por todo o mundo, e alguns deles serem parte do governo ou coisa assim, não sei se realmente acredito neles, mas tenho certeza que aqui não é só uma escola e...
– O que? – parei de comer e olhei incrédula para Amber. – Você quer dizer que os instrutores daqui trabalham para o governo?
– São os boatos. Você nunca ouviu nenhum deles?
– Eu nem sabia da existência desse lugar antes de vir pra cá.
– O que? Em que mundo você vive? – perguntou de olhos arregalados de surpresa, como se eu tivesse acabado de falar que uma criança havia destruindo um país inteiro. – Todo mundo conhece e gostaria de entrar para o Instituto Athena!  E principalmente, fazer parte da elite.
– Elite?
– Sim. Elite, é como chamam os instrutores e pessoas que saem daqui para algum cargo de importância lá fora, já que dizem que eles têm muita influencia no mundo. Dizem até que algumas pessoas aqui trabalham como agentes secretos ou algo assim.
– Isso aqui não passa de uma escola idiota para novos milionários, ou melhor, para ganharem o dinheiro dos ricos idiotas, que estão loucos para se livrarem de seus filhos. – disse revirando os olhos sem dar importância pelo que ela havia acabado de dizer, aquilo não fazia o menor sentido.
Aquele lugar poderia ser guardado a sete chaves, esconder segredos, como a sala de luta robótica, mas sem duvida não tinha tanto poder assim, não da forma que ela estava dizendo. No máximo, Bill e sua corja teriam alguma influencia no mundo dos milionários, mas apenas para trazer seus queridos filhos para dentro daquela prisão.
– Como você veio parar aqui? – ela perguntou me olhando desconfiada, como se eu fosse uma intrusa ou uma ameaça.
– Minha mãe me colocou aqui, não tive escolha.
– Então agradeça a ela por ter feito um favor a você. Talvez você não queira ver isso agora, mas um dia vai perceber que essa foi a melhor atitude que ela tomou a seu respeito, porque a maioria dos nomes mais importantes de New London e da Nova Europa passaram por aqui. – Amber me olhou seriamente e logo se levantou da mesa, andando para longe e me deixando sozinha com meus pensamentos.
Me virei para olhar a mesa no inicio do refeitório, onde todos os instrutores que eu conhecia estavam sentados, Bill parecia extremamente cansado e já havia devorado toda a comida que estava em seu prato, Samantha estava ao seu lado, tomando alguma bebida que não consegui identificar, Gustav, Georg e Evelyn estavam conversando calmamente entre si. Tom foi o único a se virar em minha direção e perceber que eu os observava, assim que nossos olhares se encontraram pensei em me virar e fingir que não estava olhando para a mesa em que estavam, mas algo me chamou a atenção nele, sua mão direita estava com algum tipo de atadura. Franzi o cenho pensando no que poderia ter acontecido para ele ter se machucado, talvez em alguma luta, já que ele era instrutor de luta, assim como Bill. Tom desviou seu olhar do meu e soltou uma gargalhada, e logo percebi que Samantha havia falado algo, porque todos a olhavam e riam.
Terminei de comer meu jantar rapidamente e voltei ao meu quarto, sem olhar para a mesa em que eles estavam. Assim que me deitei em minha cama, tudo o que Amber havia tido voltou aos meus pensamentos, fazendo com que eu me perguntasse o quanto do que ela havia dito era verdade.
“Agora pare de agir como uma menininha mimada e abra seus olhos.” a última frase que Bill havia me dito voltou a minha mente, me fazendo acreditar que talvez Amber não estivesse tão errada sobre o Instituto, e antes que eu começasse a pirar, me sentei na cama e acessei o computador interno do quarto. A parede a minha frente se iluminou e comecei a fazer uma buscar por informações sobre o Instituto na internet.
Para minha completa surpresa, algumas coisas que Amber havia dito eram verdades, como alguns dos nomes influentes em New London terem passados pelo Instituto, mas Samantha havia dito no meu primeiro dia ali, que a área hospitalar tratava de algumas pessoas influentes no mundo. Pelo que havia disponível na internet, o nome do Instituto Athena estava no primeiro lugar da lista de melhor Instituto da Europa, em todas as áreas. Mas algo que me chamou a atenção foi que em nenhum dos artigos que eu havia lido diziam a localização exata do instituto, talvez eles não soubessem onde ficava, ou apenas não divulgavam. Havia alguns artigos informais com algumas teorias estranhas, mas não considerei esses artigos, eles pareciam não passar de textos ofensivos a toda a sociedade milionária.
Percebi que o que tanto queriam que eu visse era que muitas pessoas gostariam de estar no meu lugar, que aquela era uma oportunidade rara, e provavelmente a única que eu teria, de ter a melhor formação da Nova Europa. Mas eu não estava interessada nisso, e continuaria a não me importar com tudo aquilo. Pelo menos era o que eu realmente pensava naquele momento.

Os próximos dias foram o mesmo tedio e chatices de sempre. Bill havia voltado a dar suas aulas de luta, mas para minha surpresa, ele havia parado de ser meu instrutor nas aulas de luta robótica, e quem assumira seu cargo foi Gustav. Ele era bem mais rígido e grosso que Bill, provavelmente por eu ter derrotado ele na nossa primeira e ultima luta.
Não tentei fugir ou brigar com alguém, sabia que no fim das contas seria inútil, então eu esperava que uma hora ou outra Bill se cansasse da minha falta de interesse e me mandasse de volta para casa, mas infelizmente isso não aconteceu.
Eu e Samantha nos encontrávamos todos os dias, olhávamos uma na cara da outra, mas nenhuma das duas dizia nada, era como ver apenas mais um rosto conhecido que nunca trocaram nenhuma palavra em suas vidas. Era estranho vê-la me encarar com ressentimento no fundo de seus olhos, por mais que eu quisesse negar, ela havia sido gentil comigo. Por algum motivo, eu acho que ela esperava que eu fosse me desculpar pelo que havia feito, mas eu me conhecia o suficiente pra saber que não iria fazer aquilo, não enquanto fosse mantida presa ali.
– Vejo que acabou seu jantar. – Bill disse em pé na frente da mesa ao qual eu estava no refeitório, enquanto eu levantava minha cabeça assustada com sua aproximação repentina. Não havíamos conversado mais que o necessário nas aulas, durantes aqueles dias que se passaram.
– É o que parece, não?!
– Levante-se e me acompanhe, por favor.
– Dessa vez devo avisar que não fiz nada de errado.
– Não estou te acusando de nada, Anny. Apenas pedindo que me acompanhe a um lugar, pode ser?
O observei atentamente, antes de me levantar e segui-lo, seja lá pra onde ele quisesse me levar. Reparei que Bill parecia tranquilo, e tinha um olhar de expectativa, sobre o que, eu não fazia a mínima ideia. Fui andando ao lado dele, ambos em silencio, até chegarmos à porta que dava acesso a garagem de carros. Ele queria que eu entrasse ali novamente? Me perguntei confusa, imaginei que depois do que eu havia feito, ele jamais me deixasse chegar perto daquela garagem novamente.
Assim que Bill abriu a porta, pude ver Samantha e Tom rindo e brincando entre si, ou melhor, tendo uma pequena luta. Um pouco mais a frente pude ver Georg e Gustav discutindo sobre qual carro eles iriam usar, se um preto enorme, o que Gustav queria, ou um esportivo prata, o que Georg dizia enfaticamente que usariam. O clima ali parecia calmo e amigável, esperei que eles percebessem minha presenta para o clima mudar completamente, e ver tensão no rosto de cada um. Mas não foi isso que aconteceu.
– Já podemos ir? – Tom perguntou olhando para Bill, enquanto tentava segurar Samantha presa na chave de braço que ele dava nela.
Bill apenas assentiu com a cabeça, enquanto Gustav e Georg tiravam no par ou impar para ver em qual carro eles usariam, Gustav ganhou, mas Georg que entrou do lado do motorista. Tom soltou Samantha se afastando rapidamente, antes que ela pudesse acertar um soco em seu braço e foi até a parede que dava acesso ao túnel, assim que ele a abriu, foi em direção ao esportivo vermelho de Samantha, ao qual ela já estava entrando no lado do motorista. Bill caminhou até um carro esportivo branco, mas antes de entrar, se virou em minha direção levantando as sobrancelhas.
– Você vem ou vai ficar parada ai?
Olhei incrédula para Bill tentando perceber se ele realmente estava me chamando para sair com eles, sair do Instituto. Respirei fundo e caminhei até o carro, entrando do lado do passageiro, não queria pensar e nem perguntar onde iriamos, eu só queria sair daquele lugar. Não iria importar se Bill fosse me deixar em alguma esquina desconhecida, na minha casa, ou apenas fazer algo para me passar medo, naquele momento, qualquer daquelas opções pareciam ótimas, só por eu ter  a oportunidade de sair daquela prisão. Bill ligou o carro e acelerou, logo atrás do carro de Samantha. Olhei para ele e vi que estava calmo e tranquilo, senti vontade de sorrir, mas me contive. Para onde iriamos? Eu não fazia a mínima ideia, mas naquele momento, isso não importava.

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56 Re: Darkside - The World Has Changed em Sex Jun 27, 2014 10:27 pm

Oiiiii!
Cheguei finalmente... E gostei mesmo desse capítulo. Achei que a música fez a diferença. Deu um tom meio sombrio pro capítulo todo. Meio como me fazendo sentir do mesmo modo que Anny estava se sentindo.
E acho bom ela se sentir 'culpada' (ou pelo menos um resquício de culpa, não sei se ela tem a capacidade de sentir esse tipo de coisa) por ter feito aquilo com a Samantha. E adorei ela finalmente tendo alguma reaçã também.
E eu ia dizer que se fosse ela ia usar outra tática. Me fazer de boazinha até que eles decidissem que eu era inofensiva e me levassem pra dar uma volta. Aí eu ia dar um jeito de fugir. Mas parece que isso já aconteceu. Vamos ver se vai dar pra ela aproveitar...
Mais capítulos como esse por favor!

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57 Re: Darkside - The World Has Changed em Sex Jul 11, 2014 12:35 am

Sam McHoffen

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Carooool! *O*
Já falei que amo quando tu diz que eu acertei na música?! Já? Pois é, eu amo isso! Tu sabe, fico sempre indecisa com a música, e quando tu fala que acertei, sinto um alivio no peito hauahahaaa
Que maldade! Sim, ela ficou um pouco culpada (não muito, porque ela é orgulhosa, mas ficou). Também, depois dessa a Samantha tinha que largar de ser boazinha né?!
Acho que agora ela pode usar da tua tática em... hauhauahauh
Vou tentar! Razz

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58 Capitulo 14 - Careful em Sex Jul 11, 2014 12:55 am

Sam McHoffen

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Primeiramente: Desculpe! Me desculpem pela demora por postar esse capitulo, mas é que essa última semana pra mim foi cheia e quase impossível pra escrever. Quem aqui me segui no Twitter deve ter quase me dado unfollow do tanto que eu reclamei nesses últimos dias, tinha visita aqui em casa, eu tinha que sair, e quando achava que iria conseguir um tempo de madruga pra escrever, algo me impedia. Mas consegui escrever um pouco nesse tempo e o resto antes de ontem (ou ontem, não lembro e.e).
Esse capitulo seria maior, eu tinha mais coisas pra colocar nele, mas achei melhor dividir o que eu tinha em mente em dois capítulos, pra que eu não demorasse mais ainda pra postar, e também porque ele iria ficar imenso! Mas esse aqui não tá tão pequeno, acho.
E queria dizer obrigado pra uma amiga, a Carol, que corrigiu alguns (vários) erros e deu uma ajuda nesse capitulo! Obrigada, Carolinda! *O*
E a Anny também, que sempre faz as capas, ajuda com o nome dos capítulos e me dá umas dicas. Obrigada, Sunshine! *O*
E a todos vocês que leem a fanfic e esperaram pacientemente (ou nem tanto) pelo capitulo. Obrigada! *O*
Agora chega de enrolação, boa leitura!
Paramore - Careful


O carro de Samantha foi o primeiro a sair da garagem, e assim que ele desapareceu em queda livre por aquele túnel, senti um arrepio percorrer todo meu corpo só de imaginar que eu teria que passar por aquilo. Antes que o nervosismo começasse a tomar conta de mim, Bill acelerou o carro em que estávamos saindo da garagem e fazendo com o que o carro despencasse túnel abaixo, assim como o de Samantha havia acabado de fazer. Automaticamente me agarrei ao banco e senti meu estômago se revirar enquanto descíamos mais e mais a cada segundo, me deixando completamente apavorada. Quando eu estava prestes a soltar um grito de pavor, o carro deu um solavanco, fazendo com que ele parasse de cair e começasse a flutuar, me deixando um pouco mais aliviada. Mas essa sensação durou pouco, pois Bill acelerou e entrou por um dos túneis em alta velocidade.
O túnel era iluminado apenas por duas fileiras de algum tipo de iluminação artificial azul, e pelos faróis extremamente fortes do carro, obviamente. Olhei a nossa frente tentando achar o carro em que Samantha e Tom estavam, mas eu não conseguia ver nenhum sinal deles. Bill fez uma curva extremamente fechada, numa velocidade que deveria ser estritamente proibida de ser usada naquele local. Mas se a intenção dele era fazer com que eu pensasse que iriamos bater em uma das paredes do túnel a qualquer momento, infelizmente eu teria que admitir que estava funcionando, porque eu me sentia completamente apavorada.
Virei em direção a Bill, para ver se ele demonstrava pelo menos um pouco de receio com todas aquelas manobras que fazia, mas para minha tristeza, ele tinha o semblante calmo e tranquilo, e parecia não fazer nenhum esforço para dirigir e se concentrar em qual caminho tomar. Provavelmente ele fazia aquele caminho há anos e já conhecesse tudo aquilo de cor.
Ele parecia nem se dar conta da minha presença ao seu lado, pois em nenhum momento ele desgrudou o olhar do caminho a nossa frente. Voltei a olhar para o túnel, mas eu continuava tensa com toda aquela velocidade e as curvas arriscadas e para todos os lados que Bill fazia, e antes que eu ficasse enjoada com tudo aquilo, comecei a olhar o carro. Não era uma boa distração, mas sem duvida era melhor do que vomitar daqui alguns instantes em mim mesmo ou nele.
– Pra onde estamos indo? – arrisquei perguntar para tentar me distrair e quem sabe ao mesmo tempo, tirar alguma informação dele.
– Você verá quando chegarmos. – respondeu calmamente, sem se virar em minha direção.
– Por que vai me deixar sair do Instituto? Até que enfim percebeu que nunca vou estar contente de ficar presa e vai me levar de volta para casa?
– Se você acha que vai voltar pra casa – ele se virou na minha direção me encarando com um sorriso enviesado – pode tirar essa ideia da sua cabeça, porque isso não vai acontecer.
– Qual é! Você não acha que já chega de joguinho, Bill? – disse irritada batendo minhas mãos em minhas pernas e o encarando furiosa, enquanto ele permanecia me olhando. – E olha pra frente seu idiota! Se não quer me libertar daquela prisão, pelo menos não tente acabar com minha vida.
Bill continuou me encarando, e seu sorriso foi crescendo mais e mais, até se transformar numa gargalhada irônica, me fazendo ficar irritada. Irritação era um sentimento que eu estava sentindo com muita frequência ultimamente, e geralmente por causa dele.
– Tudo bem. – ele disse sem tirar os olhos de mim e fazendo uma curva fechada, que me fez arregalar os olhos e soltar um palavrão por pensar que nosso fim seria naquele momento. Mas Bill não bateu o carro, ele voltou seu olhar para o túnel e começou a rir, não aquele riso irônico de antes, ele ria como se estivesse realmente achando graça, da minha cara, mas de qualquer forma ele estava rindo, e isso era algo que eu havia visto poucas vezes, e nunca comigo, ou por minha causa.
Pela primeira vez desde que conheci Bill, me permitir o observar mais atentamente, ele era bonito, não do tipo que chamava a atenção da maioria das pessoas, com um porte físico extremamente definido. Ele era o tipo de cara que chamava atenção por ser diferente do padrão, era magro e alto, mas nada esquelético demais, ele era definido e tinha tudo nos lugares certos. Ele continuava sorrindo enquanto eu o observava, ele tinha o sorriso bonito, do tipo que te prendia e fazia você querer rir junto com ele, o tipo do sorriso que provavelmente derretia vários corações. Seus olhos castanhos eram pequenos, mas fazia um belo contraste com as maças salientes e o nariz proporcional a seu rosto.
Por que eu estava pensando isso? Por que eu estava reparando em Bill logo agora? Virei para frente e tentei ignorar sua presença, mas sem obter sucesso. Eu tinha que admitir, Bill era atraente, e se ele não tivesse me levado para aquele Instituto e sido o cara grosso que queria mandar em mim, provavelmente eu teria observado melhor ele antes, e teria ao menos tentado beija-lo.
Nunca fui uma daquelas garotas atiradas que tentavam agarrar o máximo de caras bonitos que encontravam pelo caminho, mas se alguém despertasse algum interesse em mim, eu não media esforços para conquistá-lo. Só que Bill não merecia qualquer esforço, não merecia nem que eu o olhasse com algo além de raiva e desconfiança.
Balancei a cabeça tentando mandar aqueles pensamentos para longe e resolvi me concentrar no caminho que Bill fazia pelo túnel, talvez eu conseguisse decorar a direção que ele seguia e se ele me fizesse voltar ao Instituto, eu pudesse tentar fugir mais uma vez. Mas se eu tentasse isso novamente, pensaria muito bem em um bom plano antes de fazer outra idiotice.
Não levou mais do que dois minutos para que eu desistisse de qualquer ideia de decorar aquele caminho, Bill fazia curvas e mais curvas, e tudo era exatamente igual, não havia nenhum ponto de referencia para me auxiliar. Se eu tivesse a oportunidade de dirigir por ali, me perder não seria uma possibilidade, e sim uma enorme certeza.
Eu estava começando a pensar em dormir quando Bill ligou o som do carro, em algum musica eletrônica e animada, ele até que tinha bom gosto musical. Permanecemos rodando pelo túnel durante mais ou menos duas horas, as quais passamos no maior silencio, a não ser o barulho da musica. Não tentei conversar novamente com Bill, e nem ele comigo.

Havíamos chegado ao final de um dos túneis, logo a nossa frente pude ver o carro de Samantha e uma imensa parede cinza. Pensei que eles poderiam ter se perdido, mas estava apenas esperando alguém abrir aquela parede, que provavelmente deveria ser uma porta. Não precisei esperar muito tempo para descobrir que minha intuição estava correta. A porta se abriu e Samantha saiu do túnel, e Bill logo atrás.
– Um estacionamento? – perguntei olhando Bill ao meu lado e depois voltando meu olhar para frente, estávamos entrando num típico estacionamento coberto.
– Essa não é nossa parada final. – Bill respondeu e apontoou com a cabeça para frente.
Virei olhando o que ele queria mostrar e percebi que era apenas a saída do estacionamento, e logo após passarmos por ela, estávamos em uma rua normal de New London. Bom, eu achava que deveria ser New London, já que nunca tinha passado por aquele lugar. Bill dirigiu pelas ruas desconhecidas por mim, ainda rápido demais para o meu gosto, mas ele parecia ser um bom motorista. Tentei inutilmente reconhecer algum prédio ou rua, mas os lugares pelo qual passávamos eram sem duvida lugares que eu nunca tinha estado na vida.
Bill dirigiu por mais meia hora, e ao atravessar uma ponte antiga ele desativou a flutuação do carro, e comecei sentir a diferença de lugar pelo qual passávamos. Não estávamos mais em ruas impecavelmente limpas e rodeadas por prédios, cheias de arvores, carros e pessoas. Ali parecia com a antiga New London que eu só havia visto em livros da escola, as ruas eram sujas, os prédios extremamente antigos, muitos deles pareciam ter sido abandonados há anos. E para minha surpresa, não havia ninguém nas ruas, e os únicos carros que passam por ali eram os de Bill, Samantha e Georg.
Um pensamento começou a tomar conta da mina mente, fazendo com que minha respiração ficasse mais pesada e eu me sentasse mais ereta no banco do carro. Aquele lugar não poderia ser o que eu estava pensando, Bill não estaria me levando para aquele lugar. Ou poderia?
– Onde estamos? – perguntei baixinho, mas sabia que Bill poderia ouvir.
– Você não é tão esperta? Deveria saber onde estamos.
– Pare de ser sarcástico e me responda! – Bill apenas se limitou a me lançar um olhar de desdém, ele não iria dizer, queria que eu dissesse, e antes de fazê-lo, respirei fundo tentando ganhar coragem. – Estamos no Beco?
– Não. Ainda não. – respondeu dando um pequeno sorriso.
Por sua expressão eu sabia que ele não iria dizer mais nada, não por enquanto, então virei para frente e fiquei observando a nova paisagem a minha frente. Aquele lugar era completamente diferente de todos os que eu já tinha estado, ele parecia pertencer há pelo menos uns quinhentos anos atrás, ou até mais.
Eu nunca havia entrado no Beco, mas reconheci o lugar no momento que entramos nele, tudo ali parecia tão igual, mas ao mesmo tempo tão diferente de New London. As ruas continuavam sujas, mas eram bem conservadas e estavam abarrotadas de pessoas, de todos os tipos. Quando Bill havia falado do Beco, eu tinha imaginado um lugar violento e cheio de pessoas não civilizadas, mas o que eu via eram pessoas bem vestidas, outras nem tanto, carros antigos, outros que pareciam ter acabado de sair da loja. Uma completa mistura de estilos e classe social.
O caminho que seguíamos parecia ser uma ala comercial, pois consegui ver várias lojas de roupas, calçados, carros, oficinas, boates, bares e muitos outros lugares que eu não conseguia identificar. Eu estava acostumada com a sobriedade e tecnologia de New London, no Beco tudo parecia uma bagunça de cores e anúncios. Havia vários estabelecimentos com enormes telas de neon fazendo comercial, outras já possuíam comerciais em 3D no topo dos edifícios. Muitas pessoas na rua dançavam, outras estavam praticamente caindo de bêbadas, havia casais se agarrando descaradamente em alguns muros e becos por ali. Aquele tipo de comportamento me assustou um pouco, eu estava acostumada a ver tudo àquilo em festas, mas não no meio da rua.
– Essas pessoas se agarrando no meio da rua não tem medo de serem presas? – perguntei a Bill, observando um casal que estavam praticamente entrando um dentro do outro aos olhos de todos.
– Apesar de o Beco ficar em New London, ele não segue as mesmas regras. – Bill respondeu me dando um sorriso presunçoso de lado – Primeira regra para entrar no Beco: esqueça todas as regras que você conhece.
Olhei desconfiada e tentando entender o que Bill queria dizer com aquela frase, mas antes que eu pudesse fazer qualquer pergunta sobre isso, ele entrou com o carro na garagem de um antigo prédio.
–Vamos. – disse simplesmente assim que estacionou e desligou carro.
– Você deveria parar com essas suas ordens, elas me irritam. E eu não estou a fim de te obedecer, se quer saber.
– Você nunca está a fim de me obedecer, mas se quiser ficar sozinha no carro em vez de sair com a gente, à escolha é sua.
– Ótimas as opções que você está me dando... Hey! – grito irritada por Bill ter simplesmente me ignorado e saído do carro para ir conversar com Tom.
Cruzo os braços e solto o ar, pensando seriamente em ficar trancada dentro daquele minúsculo carro e ter pelo menos algum sossego, mas assim que olho para fora e os vejo conversando animadamente, fico curiosa pra saber aonde eles vão. Respiro fundo tentando ignorar minha pequena discussão com Bill e saio do carro, como se nada tivesse acontecido.
– Que lugar é esse? – perguntei assim que fechei a porta do carro e observava a enorme garagem, lotada de vários tipos de carros.
– Uma de nossas garagens. – Georg respondeu parando ao meu lado – E ai, o que tá achando do Beco?
– E eu tenho que achar alguma coisa?
– Educação mandou lembranças. – Gustav disse seco enquanto tirava uma mochila do porta malas do carro e colocava nas costas.
Dei um passo pra frente já pronta para discutir com ele, mas fui impedida por Bill, que parou na minha frente colocando uma mão em meu braço e lançando um olhar de descrença para Gustav.
– Não começa, Gustav. Vocês dois já quase se mataram antes, agora não é hora de terem outra briga, então se controlem.
– Ouçam o chefe, nada de brigas por hoje. – Samantha falou animadamente, recebendo um olhar de reprovação de Bill, enquanto Georg soltava uma enorme gargalhada, levando todos a rirem junto com eles, menos eu, é claro. – Relaxe, Gust. – Samantha disse logo após dar um beijo na bochecha de Gustav e sair correndo para perto de Georg.
– Samantha! – Gustav esbravejou enquanto ela ria e os outros reviravam os olhos.
– Vamos logo, antes que Gustav mate Samantha ou Anny. – Tom disse fingindo estar entediado.
Todos começaram a andar para a saída da garagem, e eu apenas os segui fingindo desinteresse, mas por dentro eu estava um pouco ansiosa. Aquele era um mundo que eu desconhecia completamente, e por mais que nunca tenha dado importância para os lugares que eu sempre ia quando mais nova, o Beco me pareceu algo tão fora da realidade que eu vivia antes, e isso me deixava morta de vontade de explorar aquilo tudo. Queria poder caminhar tranquilamente pelas ruas movimentadas do Beco, observar as pessoas, saber por que aquele lugar era tão próximo e ao mesmo tempo tão diferente de New London e, principalmente, queria pelo menos tentar esquecer que o Instituto Athena existia.
– Antes de tudo. – Bill parou assim que chegou a porta e se virou, encarando eu e Samantha. – Vocês duas, nem pensem em se afastarem da gente. Entenderam?
– De novo com esse papo, Bill? Acho que já ouvi esse sermão pelo menos umas quatro vezes. Só hoje” – Samantha respondeu com cara de desânimo, enquanto se escorava e passava o braço pelo pescoço de Georg. – Além do mais, hoje sou babá do Georg.
– Fala sério! Você não vai ficar na minha cola e contar tudo o que faço pra Evelyn, né? – Georg perguntou se lamentando enquanto tirava os braços de Samantha de cima dele.
– É claro que vou! – ela sorriu e voltou a abraça-lo toda sorridente.
– Se ferrou. – Tom caçoou de Georg e lhe deu pequeno soco em seu braço.
– Se eu fosse você ficaria quieto, ou eu conto para Samantha onde você está planejando ir.
– Cala a boca, seu idiota! – Tom deu outro soco no braço de Georg, dessa vez mais forte, fazendo com que ele gemesse de dor, enquanto Tom olhava para Samantha parecendo apavorado.
– Ok, chega. Parem de brincadeiras, temos mais o que fazer do que ficar de implicância um com os outros. – Bill esbravejou tentando colocar ordem em seus pirralhos. Sim, pirralhos, pois era isso que aqueles loucos pareciam naquele momento. – Anny.
– O que é? – disse enquanto Bill segurava firmemente meu braço, evitando que eu saísse junto com o resto deles.
– Estou falando sério quando digo que não é pra se afastar da gente, você não conhece esse lugar e sem dúvida alguma acabaria se perdendo aqui. – ele afrouxa a mão em meu braço lentamente, e vou sentido aos poucos sua mão se afastado de mim – Além do mais, você pode encontrar pessoas nada amistosas, então não tente nenhuma gracinha. Pode ser?
Eu estava pronta pra falar a Bill que eu não poderia prometer nada, mas assim que olhei em seus olhos, as palavras morreram em minha garganta. Ele me olhava serio e com um olhar de preocupação, um pouco parecido com o que ele havia olhado para Samantha quando brigou por ela ter ido ao Beco sozinha. Eu poderia aproveitar aquele momento para fugir, mas ao ver a face preocupada de Bill, aquele desejo não estava tão presente assim, talvez eu só piorasse as coisas se tentasse me afastar dele.
– Tudo bem. – afirmei olhando para baixo e me livrando de sua mão para poder sair da garagem.
Antes de atravessar a porta olhei para Bill e o vi logo atrás de mim, com um pequeno sorriso de satisfação nos lábios. Talvez conquistar a confiança dele fosse um caminho melhor para conseguir minha tão sonhada liberdade. E naquele momento, era minha melhor aposta.

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59 Re: Darkside - The World Has Changed em Sex Jul 11, 2014 10:34 pm

Aeeeeeeeeee!
Sim, esse capítulo não tá pequeno. Tá bom!
E não precisa agradecer, tu sabe que eu gosto de te ajudar!

Gostei. Definitivamente.
Anny finalmente reparando no Bill. E ele sendo preocupado com ela (e com a Samantha, mas com ela TAMBÉM) *-*

Só quero saber que diaaacho tem nesse beco aí. E onde que o Tom não pode ir. Acho que tem algo relacionado com o que aconteceu com a Samantha. Mas quero saber exatamente o que.

Quero mais logooo!

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60 Re: Darkside - The World Has Changed em Sab Ago 02, 2014 10:35 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Siiim! Anny acordou pra vida pra reparar no Bill hauhauahau Sim! Ele tá preocupado com as 'fêmeas' do bando. hauhauaaha
Uma parte das suas perguntas será respondida jájá!
Sorry pela resposta ruim. Mas eu acho que já comentei sobre ela contigo, então...
Mas eu sempre amo seus comentários!' *O*

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61 Capitulo 15 - Welcome to Reality em Sab Ago 02, 2014 10:49 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Olha a cara de pau que demorou décadas pra postar a fic, novamente, aqui. Bom, eu sei que falei que iria tentar não demorar, mas eu simplesmente travei completamente nesse capitulo, custei a escrever ele. Terminei essa semana, mas só agora a Anny pode fazer a capa. Peço mais uma vez desculpa, mas se serve de alguma coisa, o capitulo está enorme, e pra minha tristeza, bem maior que eu imaginava e sem tudo o que eu esperava pra ele, algumas coisas que imaginei que ficariam nesse capitulo, vai acontecer no próximo, e vou tentar encaixar a revelação de um segredinho do Instituto Athena também. Então, parando de enrolação, ai vai o capitulo. Boa leitura.
Black Rebel Motorcycle Club - Too Real


Caminhar tranquilamente pelas ruas do Beco era praticamente impossível, a todo o momento surgia alguém tentando vender algo, ou alguém extremamente bêbado ou despercebido aparecia em nossa frente e esbarravam em nós. Eu tentava a todo custo me desviar dos caras bêbados com cara de tarados e que pareciam não tomar um bom banho há pelo menos um mês. Mas em alguns momentos era impossível não acabar me esbarrando em uma ou outra pessoa que passavam perto de mim.
Bill andava sempre ao meu lado, como se fosse o meu guarda costas particular, isso era algo que me deixaria irritada, se não fosse por ele afastar alguns homens completamente chapados que tentavam se aproximar de mim. Olhei para frente tentando ver se alguém tentava alguma coisa com Samantha, alguns até davam um passo em sua direção, mas logo se afastavam dela, era como se ela tivesse algum inibidor de idiotas. Ou quase, já que Tom era um idiota e vivia grudado nela.
Após alguns minutos caminhando entre as ruas do Beco, o movimento de pessoas e lojas extremamente chamativas ia ficando para trás e dando lugar a um ambiente mais calmo e com aparência sombria, com alguns prédios destruídos ao nosso redor, e as pessoas pareciam não se aventurar muito por aquelas ruas mal iluminadas.
– Onde estamos indo? – perguntei assustada pela escuridão que nos dominou assim que começamos a descer por uma larga escada que dava para um dos velhos metrôs da cidade.
– Logo você descobrirá. – e lá estava ele novamente, o sorriso torto e irônico no rosto de Bill que eu estava começando a odiar, e que se alargava mais e mais, quase se transformando numa gargalhada.
O idiota parecia ter prazer em me ver curiosa ou assustada, e pelo seu jeito debochado e relaxado ele estava aproveitando aquela noite ao máximo. Bufei de raiva e sai andando a passos rápidos a sua frente, mantendo meus olhos grudados nas costas de Samantha, que estava bem a minha frente.
 O metrô estava completamente deserto e abandonado, deveria ser mais um dos muitos inativos de New London, ou no caso, do Beco. Mas apesar de não ser usado há muito tempo e demonstrar claros sinais de destruição, como o chão todo esburacado e várias vidraças quebradas, o que mais me surpreendeu foram às paredes e teto daquele lugar, elas eram completamente tomada por um tipo de pintura complexa e bem elaborada.
Só percebi que havia parado para admirar as pinturas quando Bill parou ao meu lado e puxou meu braço.
– Você vem ou vai ficar ai?
– Elas estavam aqui na época que o metrô era ativo ou fizeram depois? Digo, as pinturas. – perguntei ainda admirando as pinturas.
– Pinturas? – me virei assustada com o coro de vozes dizendo aquela palavra.
Bill, Samantha, Tom, Gustav e Georg estavam me olhando incrédulos, como se eu tivesse dito a maior barbaridade da vida deles.
– Pinturas? – repetiu Gustav debochando de mim. – Você tem certeza que é desse mundo?
– Você nunca viu grafite antes? – Tom perguntou apontando para as paredes repletas por pinturas, balancei a cabeça em negação a sua pergunta, eu nunca tinha ouvido falar de grafite. – Isso que você está vendo nas paredes se chama Grafite, e não pinturas. Atualmente você não vê muitos grafites pelo mundo, principalmente onde milionários como você, costumam ir. Antigamente o grafite era conhecido como arte de rua e você poderia vê-los em vários muros, prédios, pontes e onde mais os grafiteiros se aventuravam para grafitar, mas infelizmente essa não é uma das coisas que o novo mundo aprecia.
– E por quê?
– Por quê?! Por favor! Olhe o mundo em que você vivia, acha que algo que está aqui no Beco se encaixaria nesse mundo? – Tom cuspia cada palavra com uma irritação que eu não havia visto antes, ele abriu os braços apontando e olhando ao redor, para que eu reparasse no lugar que estávamos. – Você conseguiria ver alguma dessas ‘pinturas’ – ele disse dando ênfase a palavra, fazendo com que ela parecesse uma ofensa quando proferida daquela maneira – em qualquer lugar da sua casa? – Não o respondi, fiquei quieta, apenas olhando para Tom e tentando descobrir onde ele queria chegar com aquela pergunta, até porque eu não conseguiria ver nenhum daqueles grafites em minha casa, ou qualquer lugar de New London, talvez, no máximo, como tema de alguma festa das que eu costumava ir. Ele voltou seu olhar pra mim e sorriu confiante – Como eu imaginei.
Olhei para o restante das pessoas que estavam ali e elas me olhavam seriamente, analisando minha reação ao pequeno discurso de Tom. Eu poderia falar alguma coisa em vez de apenas ficar ali parada, olhando para todos, procurando por alguma explicação daquela mudança de humor do rei da mulherada, mas eu sabia que não iria adiantar. Vendo que eu não iria falar nada, eles se voltaram para frente e continuaram a caminhar pelo metrô, até chegarmos ao fim dele. Olhei ao redor procurando alguma porta ou saída secreta, mas não havia nada ali, a não ser o enorme espaço onde há vários anos atrás deveriam passar vários trens por dia.
No momento que pensei em perguntar o que estávamos fazendo naquele lugar sem saída, Tom pulou para os trilhos e ajudou Samantha a descer, sendo seguidos por Georg e Gustav, que começaram a caminhar entre os trilhos destruídos. Bill foi o próximo a descer, mas antes de sair andando ele se virou rapidamente em minha direção, pensei em perguntar o que eles estavam pensando em fazer ali, mas fui interrompida pelas ágeis mãos de Bill sendo pressionadas fortemente em cada lado da minha cintura, e antes que eu percebesse, ele já havia me puxado e me levado para baixo. Enquanto eu levantava minha cabeça para olhar em seus olhos e entender o porquê ele havia feito aquilo, senti suas mãos se afastarem do meu corpo, tão rápidas como haviam surgido e no instante que meus olhos encontraram seu rosto, ele se virou e começou a caminhar, se distanciando cada vez mais de mim. E eu fiquei parada, o olhando caminhar tranquilamente, às vezes desviando de algo pelo caminho.
Por que ele havia me levado até o Beco? O que estávamos fazendo naquele metrô? E andando pelos antigos trilhos? Eu queria gritar aquelas perguntas o mais alto que meus pulmões permitissem, queria exigir as respostas de Bill, queria entender porque todos eles eram tão enigmáticos e sarcásticos quando eu perguntava algo que eu não sabia, mas eles sim. Porém eu não o fiz.
Respirei fundo uma vez e soltei o ar devagar, engoli todas as perguntas e desaforos que eu queria falar e comece a segui-los pelo túnel iluminado apenas por poucas e pequenas lâmpadas laranja, tentando desviar dos trilhos destruídos e não cair de cara no chão. Minha cabeça girava de perguntas, confusão e um pouco de medo de que algo ruim acontecesse, mesmo que eu tentasse evitar ter medo de qualquer coisa por toda minha vida, naquele momento eu não podia ignorar a sensação estranha de estar naquele lugar desconhecido e sombrio. Ainda podia sentir onde Bill havia me tocado, era como se suas mãos estivessem em chamas e por aqueles míseros segundos, pudessem ter me marcado, mas eu sabia que aquilo se devia apenas por sua inusitada gentileza, se é que eu poderia chamar aquela atitude de gentileza, ou talvez a falta desse gesto em minha vida.
Após alguns minutos caminhando pelos trilhos do metrô comecei a ouvir várias vozes, no inicio eu não conseguia identificar o que elas falavam, mas assim que nos aproximávamos do barulho de pessoas percebi que elas soltavam exclamações de surpresa, incentivo e muitos gritos, de todo tipo. E acima da multidão de vozes às vezes uma única voz se destacava gritando ordens, e ao que parecia, essa pessoa estava usando algum tipo de microfone ou coisa do tipo, pois só assim para ser ouvida.
Quando o barulho ficou próximo demais e comecei a me dar conta que estávamos caminhando para onde quer que fosse que aquelas pessoas se encontravam, meu coração começou a bater mais aceleradamente e ao mesmo tempo em que eu queria seguir em frente e descobrir o que estava acontecendo, eu queria voltar por onde tínhamos vindo e sair daquele lugar.
Como se tivesse sentido minha ansiedade, Bill se virou para trás, olhando diretamente e seriamente, nossos olhares se encontraram e eu pude ver que sair dali seria o mesmo que tentar sair do Instituto, ele não iria permitir. Onde quer que Bill quisesse me levar, ele ia conseguir, custasse o que custasse. Respirei fundo tentando segurar a vontade de sair correndo, apenas para vê-lo furioso comigo, mas talvez ele não fosse levar aquela ameaça como das outras vezes, e como eu não sabia onde iriamos, era melhor não arriscar, então tentei ignorar sua presença e continuar andando, demostrando uma confiança que eu não tinha, não naquele momento.
Não demorou muito para que algumas pessoas surgissem no meu campo de visão e os gritos estivessem altos o suficiente para que uma conversa normal não pudesse ser ouvida. Onde antigamente parecia haver mais uma estação do metrô, restava apenas um grande vácuo, que parecia ter sofrido drásticas modificações, pois aquele lugar parecia mais um enorme galpão do que uma estação. As paredes do lugar estavam completamente tomadas por pinturas, – porque não importe o quanto aquilo irritasse o Tom, pra mim continuaria sendo pinturas – onde os passageiros embarcavam deveria ter sido destruídos e o chão ficado ao nível dos trilhos, que não existiam mais. Havia um cheiro estranho no ar, além do de pessoas suadas e sujeira, havia um forte cheiro de umidade misturado com mofo, como se aquele espaço estivesse por vários anos com alguns vazamentos na encanação.
As pessoas estavam agitadas e não paravam quietas a nossa frente, e o que quer que fosse o motivo de toda essa agitação parecia estar bem à frente deles, onde todas aquelas pessoas estavam rodeadas, mas havia gente demais para que eu pudesse ver o motivo de tudo aquilo.
Bill parou bem ao meu lado observando cada reação minha, Samantha estava ao seu lado, mas olhando entre as pessoas e os outros continuavam andando, procurando alguma brecha para adentrar no meio da multidão. Virei para frente novamente, tentando não demonstrar qualquer emoção, mas isso foi impossível, principalmente no momento que meus olhos captaram uma figura masculina baixa e rechonchuda saindo meio cambaleante do meio da multidão, eu conhecia aquele homem, franzi a testa e o encarei, tentando acreditar no que eu estava vendo. Doutor David White, eu tinha certeza que era ele, o médico gordinho e careca que parecia ser extremamente correto e chato, que morava no final do quarteirão em que eu morava em New London. Era difícil acreditar que justo aquele cara que sempre usava o terno impecável e tentava ser educado e agradável com todos estava naquele lugar.
– Eu conheço aquele cara. – falei sem perceber e sem realmente ter intenção de entrar em uma conversa, mas Bill ouviu e procurou com os olhos sobre quem eu estava falando.
– Doutor White?
– Sim. Ele mora no mesmo condomínio que o meu. Você o conhece? – perguntei desviando minha atenção para Bill, que levantou a sobrancelha esquerda e deu aquele maldito sorriso de lado.
– É claro. Ele estudou no Instituto Athena, e até pouco tempo era um dos instrutores de medicina. É um dos melhores médicos da Nova Europa na área cardiovascular.
– E o que ele faz aqui?
Uma onda de gritos estourou no ar fazendo com que minha atenção fosse atraída para a multidão novamente, algumas pessoas pareciam estar explodindo de felicidade, outras estavam irritadas e xingando.
– O mesmo que todas essas pessoas, Anny. Elas estão procurando por diversão. – mesmo com aquela enxurrada de exclamações, consegui ouvir a voz de Bill perto de mim, deveria ser impossível ouvi-lo com tantos gritos.
Doutor White saiu de onde estava com um discreto sorriso nos lábios e passou bem a nossa frente, ele se virou na nossa direção olhando de Bill para mim, pensei que ele iria nos cumprimentar como sempre fazia quando eu o via, mesmo que muita das vezes eu o ignorasse, mas ele apenas pareceu confuso ao me reconhecer e continuou andando, até sumir de minhas vistas, sem dizer uma única palavra.
– Várias pessoas que são influentes no novo mundo passam por aqui procurando um pouco de diversão, um modo de fugir do mundo em que vivem, mas quando estão aqui, ninguém conhece ninguém, e nada do que elas vejam sai daqui. – Bill respondeu a pergunta não proferida por mim – Lembra quando eu disse sobre as regras que você conhecia não valerem aqui? – apenas assenti, lembrando do que ele havia dito minutos atrás – Nada do que elas fazem no Beco é aceito lá fora, e nada melhor do que manter o que cada um faz para si mesmo, pois todos que veem aqui tem telhado de vidro.
A frase vaga de Bill me fez lembrar os casais se agarrando na rua, aquele era um dos comportamentos que eu não via em New London, mas pelo tom que ele usava, era como se o que as pessoas fizessem ali fossem mil vezes pior, mas antes que eu pudesse pedir uma explicação para sua frase, algumas pessoas se afastaram uma das outras e pude ver um pouco do que acontecia no meio daquela multidão, havia dois caras completamente banhados de sangue se socando. Aquele lugar era um ringue de luta. Talvez Bill falasse um pouco sobre aquilo, já que em New London era extremamente proibido lutas ilegais. Quando me virei para perguntar se eu estava correta percebi Tom se aproximando de nós, sendo seguido por Georg e Gustav.
– Ele não veio hoje. – disse calmamente se dirigindo a Bill – Pelo que James contou, ontem ele quebrou dois dedos e preferiu não arriscar lutar hoje, mas deve estar numa daquelas festas de sempre ou no apartamento da namorada.
– Então nos separamos e vamos atrás dele. – Bill sugeriu.
– Beleza! Eu, Georg e Gustav vamos atrás dele na festa e você, Samantha e Anny vão até a casa da namorada dele.
– Nem pensar! – Samantha se enfiou na frente dos dois apontando o dedo no peito de Tom – Só passando por cima de mim, querido.
– O que foi?
– Você sabe que eu não sou tão idiota assim, Tom! Eu sei que você e Georg vão aprontar algo!
– Eu? O que? Mas o que eu tenho a ver com isso? – Georg pareceu confuso pela irritação de Samantha, e principalmente por ela ter citado seu nome.
– Vocês dois estavam planejando algo, acha que eu esqueci o que você disse quando saiu do estacionamento, Georg?! E conhecendo o Tom como eu conheço, certeza que ele vai aprontar alguma. Além do que, não vou desgrudar meus olhos de você, Georg, eu prometi para Evelyn.
– Você me conhece, sabe que não vou trair ela.
– Ah, mas eu não sei não, não mesmo!
– Parem! – Bill disse calmamente, mas puxando o braço de Samantha para que ela se acalmasse. – Samantha está certa, você vão aprontar algo...
– Bill! Você é meu irmão! Não pode ficar contra mim!
– Não estou contra ninguém, só que não estamos aqui para diversão. Você, Georg e Samantha vão até a casa da namorada de Robert, Gustav e Anny vão comigo até a festa.
– Sem chances. – Gustav abriu a boca pela primeira vez, olhando diretamente na minha direção – Vou com Samantha, porque seria muito arriscado ficar perto dessa menina por muito tempo.
– Que seja. – Bill revirou os olhos e segurou em meu braço me puxando novamente por onde tínhamos vindo, mas antes olhando para os outros e dando sua última ordem. – Peguem um carro em algum estacionamento, se forem a pé vão demorar mais que o necessário. E Tom, se comporte e não tire os olhos de Samantha.
Tom não respondeu, apenas fez um gesto de ‘sim senhor’, como os antigos soldados faziam aos seus generais, enquanto Samantha revirava os olhos, se pelo gesto de Tom ou pela ordem de Bill, eu julgava que fosse pela segunda opção.
À volta até a saída do metrô foi silenciosa, não arrisquei nenhuma pergunta a Bill e ele disse nada, novamente ele me ajudou a sair dos trilhos, mas sem nenhuma palavra trocada entre nós. Depois caminhamos pela escura e tranquila rua até um prédio mal cuidado e um pouco estruído, que parecia ser um antigo armazém, Bill abriu a porta e pude ver vários carros, mas não tão modernos como o que havíamos usado e dos que estavam na garagem do Instituto.
– Espere aqui e quando eu voltar com o carro aperte esse botão para fechar a garagem. Tudo bem? – ele pediu e apenas assenti.
Não demorou para que ele saísse da garagem com uma picape preta, fiz como ele pediu, fechando a porta da garagem e logo entrei no carro. Bill seguiu pelas ruas em más condições dirigindo rapidamente, mas a picape parecia aguentar muito bem todas as curvas e solavancos quando Bill passava ou evitava um buraco no caminho. Às vezes um ou outro carro passava pelo nosso, mas não era com uma constante frequência, tentei manter meus olhos presos por onde passávamos, mas a curiosidade para minhas perguntas ainda prevalecia em mim. Cruzei as mãos no colo e fiquei brincando com meus dedos, tentando me controlar, mas chegou um momento que eu não conseguia mais aguentar aquele silêncio e falta de respostas, então me virei na direção de Bill resolvendo confrontá-lo.
– O que você quis dizer sobre o doutor White ter nos ignorado e sobre as pessoas que veem até o Beco? Isso tem a ver com a luta que estava tendo no metrô?
Bill se virou, me olhando nos olhos, ele parecia analisar se iria ou não me responder. Não tirei os olhos dos seus, eu não iria desistir até que ele tirasse minhas duvidas, e percebendo isso, ele suspirou e voltou a olhar para a estrada.
– Já que você andou perdendo algumas aulas de história no colégio, vamos começando pelo inicio do surgimento do Beco. – ele se virou novamente na minha direção – E não me interrompa.
– Tudo bem, professor. – respondi ironicamente, enquanto ele apenas revirava os olhos e voltava a olhar a estrada.
– O que você conhece por New London atualmente foi antigamente uma parte de Londres e de cidades nos arredores. Se não me engano, por volta dos anos 2300, a população mundial que já havia sentindo os efeitos da superpopulação, do avanço de tecnologias e desastres ambientais, sem contar à destruição que os humanos causavam no mundo, aconteceu a 4º guerra mundial, que foi a pior guerra que o mundo já enfrentou. O que você sabe sobre os conflitos de atualmente não é nada comparado a 4º guerra mundial, de certa maneira, temos sorte por não termos vivido naquela época. – Bill deu um sorriso irônico, provavelmente pensando que nossa sorte não era tão grande assim – Junto com a guerra veio vários tipos de doenças, que nos perseguiu por muito tempo e devastou boa parte da humanidade, sabe? Algumas doenças chegaram a destruiu muitos lugares mundo a fora. A partir dai as pessoas parecem que resolveram fazer algo para o bem da humanidade. Algumas cidades foram completamente destruídas pela guerra, algumas foram isoladas, outras utilizadas para uma nova ideia de lugares perfeitos, outros para fazerem novas áreas ambientais. Os países mais infectados pelas doenças foram completamente destruídos por bombas atômicas. Mataram pessoas de países inteiros, algumas poderiam estar condenadas a morte, mas outras não. Isso soa terrível, não é? – Bill contraiu a mandíbula e pude ver que ele sentia raiva pelo que havia acontecido, ele não era sequer nascido naquela época, mas pelo jeito que falava, era como se lamentasse profundamente por toda a perda que nosso planeta havia sofrido nos últimos anos, ele respirou fundo tentando se controlar e assim que conseguiu voltou a falar, só que mais tranquilamente – Como você deve imaginar, as pessoas mais afetadas nessa história toda foram as mais carentes, as que tinham péssimas condições de vida. Sendo assim, as pessoas mais ricas ajudavam mais na, digamos que – ele pareceu procurar a melhor palavra por alguns segundos e quando a encontrou, virou em minha direção a pronunciando mais enfaticamente – Construção! Na construção do novo mundo. Mas é claro que essas pessoas estavam pensando nelas mesmas, em comprar o mundo melhor pra elas, só que de qualquer forma elas estavam mais protegidas de doenças por isso. Atualmente o planeta possui um bilhão de pessoas, a maioria com ótimas condições de vida, que você conhece muito bem qual é, porque vive nela.
– Sua ironia não funciona quando você também vive no mesmo mundo que o meu.
– Não me interrompa. – rebateu irritado mais por eu estar correta, do que por tê-lo interrompido – Voltando ao que eu estava falando, as pessoas que acabam perdendo tudo que construíram e as que tentam sobreviver sem nada aqui em New London, se encontram no Beco. As pessoas que vivem aqui são as que os pais não têm condições financeiras para uma vida decente e tentam sobreviver nos empregos mais baixos que você possa pensar, se bem que duvido que você consiga se quer imaginar metade deles. E isso não acontece só aqui, há lugares assim por todo o mundo, pessoas que lutam todo dia por sua sobrevivência e vivem em lugares destruídos como o Beco. A luta que você viu hoje é uma das maneiras de ganharem dinheiro e uma das coisas que o novo mundo tirou das pessoas, um pouco de tranquilidade e diversão, não que brigas seja algo tranquilo. Só que as pessoas vêm até o Beco para verem brigas de rua, irem a festas regadas de bebidas e drogas, pessoas dispostas a uma noite de sexo. Há também outros tipos de diversões, como boates com stripers, prostitutas, corridas de moto ou carro, e outros tipos mais sujos de lugares, que acho que não vale a pena ser mencionados. Já o mundo que você conhece, é onde existem todas as coisas corretas, todos sabem se defender, mesmo que a maioria não saiba pra que exatamente precisam disso – ele sorriu ironicamente e levantou uma sobrancelha, como se me desafiasse, talvez imaginando que eu não soubesse o porquê a maioria das pessoas aprendiam a lutar. Não disse nada, não porque eu não deveria interrompê-lo novamente, mas sim porque ele estava correto, eu não sabia o porquê disso, eu lutava porque gostava, simples assim. Não ouvindo nada de mim, ele continuou a falar – As pessoas possuem água e alimentos suficientes, casas confortáveis, carros em ótimas condições, sistemas ecológicos extremamente eficientes. E principalmente, o seu mundo é constantemente protegido desse mundo mais desfavorecido, nem todos sabem realmente como tudo isso funciona, ao mesmo tempo em que existem pessoas esbanjando tudo o que possuem, outras estão lutando desesperadamente por sua sobrevivência da melhor, na verdade, da pior maneira possível.
– Pela sua descrição, o mundo de antigamente parece praticamente idêntico a esse que vivemos. – minha cabeça parecia estar rodando de tanta informação, e algumas coisas pareciam não se encaixar no que Bill dizia.
– Na verdade, é praticamente o mesmo, o mundo nunca teve uma grande mudança, a sociedade continua dividida entre os mais e menos favorecidos, entre as coisas legais e ilegais. A diferença é que antes a divisão era bem menor, os mundos estão mais separados, para ser direto, entre os que têm dinheiro e os que não têm. E obviamente, porque temos bem menos pessoas vivendo no planeta que antes, mais países devastados, e também, uma melhor qualidade de vida. As pessoas atualmente cuidam mais do meio ambiente, só que pra isso, antes foi preciso quase à extinção de toda a população do planeta. E sobre o Doutor White fingir que não nos reconheceu, muitas pessoas que vivem em New London vem até o Beco a procura de alguma diversão, ele é viciado em assistir e apostar nas lutas. Outras pessoas vêm atrás de sexo ou drogas, na maioria dos casos, e como você sabe, cada um tem seu vicio ou algo de errado por aqui que gostam, então cada um fica na sua e finge nunca ver quem conhece no mundo lá fora. Porque caso você conte algo sobre alguém, esse alguém pode ter algo pior contra você.
Quando Bill se calou, virei o rosto para frente, fixando o olhar na cidade destruída a minha frente sem realmente prestar atenção, eu tentava colocar meus pensamentos em ordem, tentava aceitar toda aquela bagunça que o mundo em que vivemos havia se transformado. E principalmente, como todas aquelas informações nunca haviam sido passadas pra mim, eu nunca ouvi metade daquilo nas aulas de história, e mal sabia sobre o Beco e a real situação das pessoas que ali viviam. Talvez também porque eu sempre tentei fugir de toda a realidade, preferia sempre fugir do meu mundo que nem ao menos prestei atenção que havia outro tipo de mundo bem ao meu lado.

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62 Re: Darkside - The World Has Changed em Seg Nov 24, 2014 4:06 pm

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