Tokio Hotel Fanfictions
Hello Alien!

Seja bem-vindo ao Fórum dedicado somente a Fanfictions dos Tokio Hotel.

Não estás conectado, por isso faz login ou regista-te!

Estamos à tua espera. Aproveita ao máximo o fórum ;-)

Destinado a Fanfics sobre a banda Tokio Hotel. Os leitores poderão expor as suas fics como também poderão somente ler.


Você não está conectado. Conecte-se ou registre-se

Kiss The Rain

Ir à página : Anterior  1, 2

Ir em baixo  Mensagem [Página 2 de 2]

26 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 19 em Sab Nov 03, 2012 1:29 pm

Capítulo 19
Dê-me o descanso, Madeleyne


[Madeleyne’s POV]

Já nem era mais possível sentir meus movimentos, parecia estar em modo automático, o coração falhava algumas batidas e o ar parecia mais difícil de se conseguir, as lágrimas de medo e pânico molhavam meu rosto enquanto a voz debochada e cínica de Richard aproximava-se cada vez mais, chegando mais perto e mais perto, fazendo com que inúmeros pensamentos assustadores se formassem em minha mente confusa.

Ele parecia um bondoso senhor, com seus quarenta e cinco anos de idade, sempre bem vestido, o sorriso encantador nunca fugia de seu rosto, agora eu podia ver o quão falso era aquele maldito sorriso, os óculos arredondados e estreitos ficavam sempre pendurados por cima de seu jaleco branco, tinha poucos cabelos grisalhos que ficavam bem fixos em um penteado feito com gel, ele possuía um infame cheiro de bebida barata e cigarros de menta.
Mas ainda assim pareciam um bondoso senhor, com seus quarenta e cinco anos de idade, sempre bem vestido e com um desprezível e falso sorriso encantador.

- Madeleyne, eu só quero conversar.. Se não sua querida avó não poderá ver o sol nascer novamente. – Uma risada cínica e cruel se revelou a poucos metros de mim, o que poderia fazer, estava escondida em um quarto vazio, iria esperar até que ele seguisse pelo final do corredor e subisse as escadas que levariam até o terceiro andar do hospital, logo correria até a recepção e chamaria a polícia, a grande porta de ferro não deveria ser tão pesada, estava apenas presa por uma trava, não haviam chaves nas portas dos andares, seria simples.

Escorei-me na porta do quarto enquanto arfava silenciosamente, um arrepio assombroso subia e descia pela minha espinha enquanto o som dos passos de Richard aproximava-se da porta do quarto, parou por um instante e observou o lugar escuro através da grande janela de vidro do corredor.

Virou as costas e o som dos passos começou a se afastar, esperei até que sumissem completamente e girei lentamente a maçaneta da porta, a abri rapidamente e corri pelo corredor sem olhar para trás, as paredes frias e claras daquele lugar pareciam estreitar-se cada vez mais, novamente o ar fugia-me dos pulmões e uma dor aguda machucava meu peito, estava em frente ao quarto de Josefine, não podia ir até a recepção e deixá-la tão perto daquele canalha, ele teria tempo o suficiente para fazer qualquer coisa com ela até que polícia chegasse.

Abri a porta e rapidamente adentrei no quarto, pela rápida observação que fiz notei que estava tudo bem, Josefine apenas dormia serenamente, sem nem ao menos fazer ideia do que acontecia.

- Jose, por favor acorda. – Toquei o ombro de Josefine e logo um par de olhos verdes surgiu em meio ao quarto iluminado apenas pela fresta da porta.

- Madeleyne, o que houve, está tarde ou... Ou eu que dormi demais? – Josefine sentou-se sobre a cama e esfregou os braços devido ao frio, colocou os óculos que estavam sobre a mesinha ao lado da cama e me observou com calma.

- Precisamos sair daqui, o doutor Richard...

- O doutor Richard acaba de chegar, tão óbvio que você correria para cá, feito uma coelhinha assustada. – A voz medonha e vil daquele crápula fez com que meu coração parasse no mesmo instante, virei a cabeça lentamente e o fitei enquanto um sorriso malicioso se apossava de seus lábios.

Num impulso pulou por cima de mim, senti uma dor forte e latejante na nuca e costas, gemi com dor enquanto tentava afastar Richard, empurrava-o com as duas mãos mas nem parecia fazer diferença para ele, que inclinou-se e segurou meu pescoço com força, agora mesmo era impossível de conseguir o ar necessário para os meus pulmões.

[Gustav’s POV]

Era apenas uma questão de tempo até encontrar Madeleyne e Richard, só conseguia ouvir o som dos meus passos, da minha respiração e das gotas de sangue que caíam lentamente da minha mão. Meu coração se apertava a cada segundo que passava, tinha medo do que encontraria atrás de uma daquelas portas e se talvez Madeleyne estivesse machucada, eu jamais me perdoaria por tê-la deixado sozinha.

Subi alguns degraus e me deparei com a figura pálida e assustada de Josefine, ela não disse nada, apenas apontou para a porta do quarto logo a sua frente, ela escorou-se na parede e deslizou, até sentar-se no chão e encolher-se atemorizada.
Abri a porta com força e num impulso joguei-me contra o homem de cabelos grisalhos, que caiu para o lado, inanimado e sem vida.

- Gustav... – A voz falha e amedrontada de Madeleyne acalmou qualquer tensão dentro de mim, os olhos esverdeados brilhavam com as insistentes lágrimas que se formavam e logo escorriam por seu rosto.

- O que houve, ele... morreu? – Madeleyne levantou-se e caminhou até a porta do quarto, saiu sem dizer nada. Fitei o corpo jogado no chão, os olhos abertos e vazios olhavam para o nada, havia sangue em suas narinas. Caminhei até o corredor e encontrei Josefine e Madeleyne abraçadas, choravam silenciosamente, me sentia um completo intruso naquele momento.

XXX

- Senhorita Klaus, beba um pouco de água. – Disse uma jovem enfermeira, entregando um copo com água para Madeleyne.

- Então Madeleyne, posso chamá-la assim? – Madeleyne esfregou os olhos, limpando as pequenas lágrimas enquanto balançava a cabeça positivamente.

- Richard perdeu a mulher e as duas filhas num acidente quando voltavam do cinema, desde então começou a sofrer de sérios e graves problemas psicológicos, dizia que sua família ainda deveria estar viva, que qualquer um deveria ter ido no lugar das três jovens. – Dizia o policial ao lado de Madeleyne e Gustav.

- Mas então por que deixaram que ele continuasse a ser médico? – Perguntou Gustav, abraçando Madeleyne enquanto afagava os ondulados fios castanhos.

- Segundo o psiquiatra dele, Richard já havia superado a perda da família, mas pelo visto na mente dele qualquer jovem, assim como Madeleyne, merecia estar morta e não as filhas e mulher dele. Aqui há uma foto delas, estava no bolso dele. – O policial entregou um envelope para Gustav e virou as costas, sumindo no meio das viaturas policiais.

- Kirsten, Elise e Mellanie, estes eram os nomes delas. – Disse Gustav, observando o verso da foto, onde haviam pequenas letras tremidas.

- Mas então, por que ele morreu assim... sem motivo nenhum? – Madeleyne esfregou as mãos enquanto escondia o rosto no casaco de Gustav.

- Não sei, talvez problemas mentais...

- “Eu já estou indo minhas paixões, os remédios que me curam, serão os mesmo que me levarão até vocês” – Disse uma jovem que aparentava ter no mínimo oito anos, parecia-se com uma das garotinhas da foto. Ela trajava um vestido branco repleto de pequenos laços vermelhos, tinha delicados cabelos loiros e bochechas rosadas.

- Como se chama? – Perguntou Madeleyne, olhando para o nada, fazendo com que Gustav a olhasse de forma preocupada.

- Ele dizia isso toda vez que rezava, que logo viria comigo, com Elise e com a mamãe. – A garotinha segurou a mão de Madeleyne, abriu um sorriso tímido, deixando os desalinhados dentinhos infantis à mostra.

- Então quer dizer que ele tomava remédios não é? Você deve ser a Mellanie, é um prazer conhecê-la. Diga ao seu pai que agora ele pode descansar e que eu fico feliz de tê-lo ajudado. – Gustav respirava pesadamente, observando Madeleyne falar com o nada, o jeito como a jovem de cabelos ondulados falava, parecia haver mesmo alguém à sua frente.

- Sim eu digo, obrigado por trazer meu papai para mim. – A garotinha derramou pequenas lágrimas sobre os joelhos de Madeleyne, sorriu radiante e lentamente começou a evaporar-se, sumindo naquela noite fria.

- Até o outro lado, Mellanie... – Madeleyne sussurrou, olhando para o céu estrelado e sorrindo.

- Madeleyne, com quem estava falando? – Perguntou Gustav, fitando a jovem seriamente.

- Com uma garotinha, mas ela já foi... Foi pra bem longe, com toda sua família. – Madeleyne olhou despreocupadamente para Gustav, como se o loiro é que estivesse louco e tivesse imaginado tudo.

- Não se preocupe, eu estou bem, só preciso dormir um pouco, cuide bem desse machucado na sua mão e obrigado por me ajudar, mesmo que pra isso tivesse que quebrar uma grande janela. – Madeleyne sorriu e levantou-se do banco onde estivera sentada, caminhou até Josefine e a abraçou.

Gustav olhava perdidamente para a jovem, sem entender o que havia acontecido, não fazia nem dois minutos que Madeleyne falava sozinha, dizia o nome de uma das filhas de Richard e logo depois despediu-se do nada, pronunciou palavras ao vento, como se estivesse louca.

XXX

- Madeleyne, quer chá? – Perguntou Josefine, sentando-se em sua poltrona como de costume, suspirou ao olhar em volta e ver sua casa novamente, era bom voltar para seu lar.

- Vovó, a senhora não estava doente não é? Mentiu por que sabia que alguém precisava de mim. – Disse Madeleyne, fechando seu livro e olhando fixamente para Josefine.

- Sim, aquele homem estava apenas se envenenando com todos aqueles remédios, aquilo nunca o mataria, ele precisava de você, precisava rever a família dele. – Disse Josefine, soprando o chá quente dentro da pequena xícara de porcelana branca.

- Entendo... Sabia que eu consegui ver a filha mais nova dele, a Mellanie.. – Disse Madeleyne, espreguiçando-se manhosa no sofá.

- Isto é sinal de que seu dom aumentou, em breve será capaz de visitar o outro lado e até ver sua mãe.

- Vamos ter que nos mudar, Gustav me viu conversando com a garotinha, com certeza irá me fazer muitas perguntas. – Disse Madeleyne, olhando distraidamente para a lareira.

- É uma pena, gosto da Alemanha, mas o que acha de Londres? Seu avô me disse que há muitas pessoas por lá que dizem ver fantasmas.

- Acho que será bom, gosto do clima de Londres, mas falando nisso, como ele está?

- Robert disse que o outro lado é bom, todos sorriem e são felizes, de fato a morte é melhor que a vida, não importa o que faz aqui nesse mundo, a morte sempre será melhor que qualquer riqueza. – Disse Josefine, levantando-se da poltrona e caminhando até as escadas.

- Não demore muito aqui em baixo, falar com almas gasta muito da sua energia, uma pena que sua mãe não foi capaz de continuar com esse dom depois do que aconteceu.

- Ela sofreu muito quando meu pai morreu, não queria que um dia isso me afetasse também. Uma pena mesmo é que nunca poderei me apegar em alguém, essa coisa de ter que me mudar todos os anos. – Disse Madeleyne, levantando-se do sofá e caminhando para perto de Josefine.

- Acalme-se querida, você terá a sua hora de encontrar alguém, precisa de uma filha para continuar trazendo a morte para esse mundo.

- Falando assim parece até que faço uma coisa horrível. – Madeleyne esfregou as mãos e caminhou lentamente pelo corredor.

- Parece não é? Mas você não é má minha querida, você é apenas a ligação entre o desespero mundano e o descanso do outro lado.

- Eu sei disso vovó, mas é estranho saber que eu tenho o dom de tirar a vida das pessoas.

- Madeleyne, quero que me escute com clareza... Você não é capaz de tirar a vida de qualquer pessoa, apenas daquelas que não conseguem ver alegria em viver, que não encontram um motivo para isso. Se a pessoa desejar do fundo de sua alma que quer partir para o outro lado, então você se torna o elo entre a vida e a morte, mas se ela é feliz do jeito que está, se sente prazer em viver, então você é apenas uma garota comum, como qualquer outra.

- Tudo bem, agora está tudo mais claro para mim, obrigado.. – Madeleyne deu um beijo na bochecha de Josefine e caminhou até seu quarto.

- Você terá que fazer uma difícil escolha, por favor minha querida, não cometa os mesmos erros que eu e sua mãe. – Josefine sussurrou para si mesma enquanto abria a porta do quarto e observava o corredor vazio atrás de si.

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

27 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 20 em Sab Nov 03, 2012 9:21 pm

Capítulo 20
Adeus Alemanha



A vida é mesmo uma surpresa... Você a vive do jeito que bem entende, você ama, sorri, entristece-se, odeia, chora, julga, é julgado, faz o bem, faz o mal... Enfim, você vive como um ser humano, bipolar e por vezes até tripolar, nunca se sente satisfeito e por vezes se satisfaz mais do que merecia.. Nem todos têm o direito de morrer, por que sim a morte é um direito, é um descanso, mas e quando você não pode partir inteiramente? Permanece preso à algo, alguém ou algum fato.
O amor te prende na vida terrena da forma mais linda possível, você fica por que quer, cuida ocultamente da pessoa que ama.. Mas jamais queira se prender nesse mundo atravéz do ódio... Por que não importa onde se esconda, seja numa casa, num castelo antigo ou até mesmo em um hospital... Eu sempre estarei em todos os lugares do mundo, pronta para te dar o descanso.. Seja isso por bem ou por mal.

- Madeleyne Klaus Chevalier | 30/12/2008


XXX

- Tom, levanta de uma vez, seu preguiçoso. – Bill sacudia o irmão, que na noite passada havia se escondido em um canto qualquer da grande e vazia casa rústica. Encolheu-se entre alguns edredons e grossas cobertas de lã, ajeitou-se num canto atrás de um dos poucos sofás que já ocupavam a sala amarelada, iluminada por grandes janelas de vidro.

- Bill, some daqui eu não quero conversar. – Tom cobriu a cabeça com o travesseiro e virou-se de costas para o mais novo, que agachou-se ao seu lado e acariciou os dreads do maior, riu silenciosamente para si mesmo ao pensar que em tanto tempo de convivência seu irmão continuava o mesmo, corpo magro, dreads, roupas largas e aquele sorriso travesso que surgiu em seu rosto quando seus olhos passeavam por qualquer silhueta feminina que lhe chamasse atenção.

- A Jessica Alba está te esperando lá fora, vem ver. – Disse Bill, engasgando-se em meio às risadas, Tom levantou o rosto e o fitou com um olhar fuzilador, o mais novo tentava conter as risadas mas a expressão zangada de Tom o faziam rir mais.

- Por que você não vai ver o que está passando nos canais russos ein, quem sabe a Ketlyn aparece com o novo namorado e... – Tom calou-se ao sentir a dor do soco que o mais novo acabara de lhe acertar no canto dos lábios, o de dreads colocou a mão sobre a boca e fitou Bill, enquanto este afastava-se zangado, indo em direção à cozinha.

- Bill, me desculpa. – Tom levantou-se da cama improvisada de cobertas e caminhou até o mais novo, que o olhava com desdém enquanto tomava uma grande caneca de café preto.

- Por que você não vai se desculpar com o Georg e antes que eu me esqueça, vá até a casa do Gustav, ele disse que aconteceram umas coisas estranhas ontem à noite. – Bill levantou-se da cadeira onde estivera sentado e caminhou lentamente até o segundo andar da grande casa.

- Merda, perdi meu amigo e agora até meu irmão fica me socando na nossa própria casa. – Tom bufou enquanto esfregava o rosto com as mãos e caminhava até a janela de vidro ao lado da lareira.

XXX

- Mas então, ela estava falando sozinha? – Perguntou Jaqueline, enquanto sentava-se ao lado de Gustav e tocava levemente as mãos do loiro.

- Sim, e o pior.. Ela disse o nome de uma das filhas daquele doutor... – Gustav deitou-se na cama e fitou o teto, confuso e sem entender nada. Pensou conhecer a jovem de olhos esverdeados e cabelos ondulados, mas agora sentia-se perdido ao ver que não sabia nada sobre ela.

- Mas bem, não me importa o que aconteceu ontem, eu estou mais interessada no que poderia estar acontecendo agora. – Disse Jaqueline, suspirando pesadamente e desviando o olhar de Gustav, um sorriso travesso se formou nos lábios do loiro, que levantou-se da cama e abraçou a ruiva.

- Podemos dar um jeito. – Gustav beijou sutilmente o ombro de Jaqueline, sentiu a pele clara arrepiar-se ao seu toque. Encarou fixamente os olhos claros, que o fitavam com certo medo e insegurança, envolveu a cintura magra da ruiva e juntou os corpos, um dueto de respirações aceleradas se formou e logo os lábios foram tomados com volúpia, há quanto tempo não se provavam? Não sentiam o gosto dos lábios um do outro, quase esqueciam-se da última vez em que haviam estado juntos, não disseram nada, apenas fecharam os olhos e deliciaram-se com a sensação do “redescobrimento” dos lábios macios e desejáveis.

XXX

Tom e Georg encaravam-se perplexos, um esperando que o outro começasse a se pronunciar logo.
Um sorriso debochado formou-se nos finos lábios do baixista, que levantou do sofá e pulou por cima do menor.

- Ge? – Perguntou Tom confuso, sentindo o forte abraço do amigo praticamente esmagando seus ossos.

- Sua galinha magricela, até parece que eu iria deixar de ser seu amigo por culpa de uma garota. – Disse Georg, dando um leve soco no ombro de Tom e abrindo o sorriso mais sincero de toda sua vida.

- Mesmo? Então quer dizer que...

- Sim Tom, eu vou continuar no Tokio Hotel, não vão se livrar de mim tão cedo. – Georg afastou-se de Tom e colocou as mãos no bolso.

- Eu já desconfiava da Liza, mas se o amor é cego, a paixão é teimosa, eu não queria acreditar.. Mas foi melhor assim, você não era o único comendo na minha horta. – Disse Georg, enquanto um bico torto surgia em seus lábios e um olhar chateado se formou nas duas orbes verdes do maior.

- Ge, desculpa por tudo isso.. Eu acho que deixei a cabeça de baixo falar mais alto. – Tom sorriu desanimado, encarando o baixista que ria da frase do amigo.

- Bem, agora que tal se formos incomodar o seu irmão, ele deve estar de "TPM". – Disse Georg, apontando para a porta do quarto de Bill, onde ele havia passado a manhã toda trancado ouvindo suas músicas.

- É por minha culpa, falei coisas que não deveria. – Tom sentou-se no braço do sofá e observou a porta branca de madeira, apenas aquela porta o separava de seu pequeno irmão.

- Então acho melhor sairmos, vamos deixar ele esfriar a cabeça. – Disse Georg, vestindo seu casaco e ajeitando o longo cabelo liso.

- Okay. – Tom pegou as chaves de casa e caminhou até porta, olhou para trás novamente e fitou a porta de madeira, sentia-se culpado por falar de Ketlyn sempre que queria chatear o irmão e na verdade sempre acabava o magoando.

XXX

- Essa é a última mala. – Disse Madeleyne, ofegando enquanto arrastava consigo uma grande mala de couro preto, largou-a ao lado da porta junto com a grande pilha de bagagens e sorriu triunfante.

- Obrigado querida, não conseguiria trazer todo esse peso, saudade da época em que era jovem e tinha tanta força de vontade e astúcia. – Madeleyne colocou as mãos na nuca e sorriu desajeitada, caminhou até a cozinha e fitou atentamente as entradas das casas quase congeladas, se não fosse por seu vizinho rabugento aquela rua poderia ser um lindo paraíso de inverno.

Ele era um homem comum, com uma família comum, um cão comum, uma casa comum e uma vida comum.. Era o "senhor comum". Tornou-se rabugento após a morte do filho mais velho, um jovem astuto que estava no auge dos seus vinte e dois anos de idade.

Antes de sua morte, aquela não era uma família comum, festejavam quase todos os dias, dançavam no jardim enquanto nevava e pela manhã toda aquela neve era transformada em lindos e felizes bonecos de neve, com seus narizes de cenouras, olhos de cerejas e bocas de pedrinhas. Era com certeza a família que todos desejariam ter, se não fosse o alto e robusto jovem de vinte e dois anos perder o amor à vida e naquela noite desafortunada ter encontrado justamente aquela pequena jovem, de cabelos ondulados e olhos esverdeados, segurando uma boneca de porcelana enquanto chorava sentada na sacada de sua casa, lamentando a perda de seu avô, estava assustada pela cena que acabara de ver, sua avó dizia algumas palavras e logo ela viu o mundo de outra forma, agora podia ver o outro lado do espelho, conseguia enxergar o outro mundo e ouvir as outras vozes.

Os pequenos flocos de neve caíam junto com as lágrimas do rapaz e em meio a elas as únicas palavras que a garotinha conseguia ouvir eram: “Eu preciso partir, ela está me esperando, minha eterna Jesse” , a garotinha de olhos verdes apenas realizou o desejo que ele nutria dentro deu seu coração da forma mais pura possível, deu seu último suspiro e então os olhos negros fecharam-se, para encontrar sua Jesse do outro lado, onde prometeu esperá-lo.

- Madeleyne, há dois rapazes lá fora te procurando. – Madeleyne voltou à realidade, deixando seus pensamentos e lembranças infantis guardadas em uma caixinha dentro de sua mente, olhou perdidamente para Josefine que riu da feição desajeitada e boba da mais nova.

- Há dois rapazes te procurando, um deles é loiro e baixo e o outro é moreno e bem vestido, os conhece? – Madeleyne lembrou-se dos únicos rapazes com quem tivera contato nos últimos dias, balançou a cabeça afirmativamente e foi até a porta da entrada. Assim que a abriu deparou-se com os sorrisos de Gustav e Bill, os dois envolveram a jovem nos braços e ela logo sentiu-se envergonhada, o rosto parecia arder em fogo e ria de si mesma ao imaginar o quão vermelha suas bochechas deveriam estar.

- Dormiu bem? Estava preocupado. – Disse Gustav, soltando a jovem primeiramente e segurando suas mãos delicadas e macias.

- Sim eu dormi bem, aquilo tudo foi apenas um susto, aquele homem estava atordoado, precisava de um descanso e o conseguiu...

- Madeleyne, quem está ai? – Gritou Josefine, surgindo da cozinha com uma bandeja e algumas xícaras com chá.

- Vovó, estes são Bill e Gustav, uns amigos que conheci no Natal. – Bill e Gustav fizeram um aceno sutil com a cabeça e esfregaram as mãos ao mesmo tempo, entreolharam-se e riram.

- Entrem por favor. – Madeleyne abriu um pouco mais a porta e deu passagem para os dois rapazes. Bill foi até o sofá e sentou-se tranquilamente, porém Gustav não pode deixar de reparar nas malas ao lado da porta.

- Querem chá ou café meninos? – Perguntou Josefine em meio a alguns pigarros sutis.

- Não, obrigado. – Gustav falou sério e sem muita cerimônia, encarou Madeleyne e correu os olhos até estes pousarem sobre as malas, Madeleyne suspirou e deu um meio sorriso amarelo.

- Vamos para Londres. – Madeleyne dirigiu-se à Gustav, respondendo a pergunta que o loiro tinha feito em silêncio, a jovem ignorou totalmente os outros dois e encarou Gustav do mesmo jeito que ele a olhava, confuso e sem entender os motivos e razões.

- Não gosta daqui? – Bill perguntou, para quebrar o silêncio e o clima pesado que havia se formado entre os quatro naquele recinto.

- Gosto e muito, mas depois de ontem, acho que preciso de algum lugar calmo. – Madeleyne abraçou Gustav, sentindo o desânimo que havia caído sobre o loiro, beijou-lhe a bochecha e sorriu timidamente.

- Entendo, vão querer ajuda na mudança? – Perguntou Bill, levantando-se do sofá e esfregando as mãos, enquanto olhava ao redor da sala.

- Não, vamos levar apenas as roupas, um dia iremos voltar para a Alemanha, prometo que não irei demorar. – Disse Madeleyne, desviando o olhar de Gustav e pegando uma das xícaras de chá.

- Okay, eu e Gustav só viemos para saber se estavam bem, já estamos indo, não é Gust?! – Bill falou enquanto dava leves cutucões no braço do loiro, este assentiu com a cabeça e despediu-se rapidamente de Josefine e Madeleyne, logo já estava do lado de fora da casa, fitando Bill impacientemente.
O moreno olhou para as duas mulheres, incrédulo e desculpando-se pela impaciência do amigos.

- Então tenham uma boa viagem e não esqueçam de escrever, vou sentir saudades. – Bill abraçou Madeleyne e depositou um longo beijo em sua testa, deu dois passos para trás e meteu as mãos no bolso, caminhou apressadamente até a saída e logo ele e Gustav sumiam por entre as ruas do bairro.

- São jovens simpáticos, mas por que será que o loiro ficou tão depressivo?! – Josefine indagou à si mesma, ignorando a presença de Madeleyne, que a fitava com certa preocupação, a mesma pergunta rondava sua mente, o que havia acontecido com Gustav?

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

28 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 21 em Sab Nov 03, 2012 9:34 pm

Capítulo 21
Almas gêmeas



- Gust, o que houve? – Perguntou o jovem moreno e magro que acabara de sentar-se ao lado de Georg, que até aquele momento ria divertidamente dos desenhos obscenos que Tom fazia no caderno de composições do irmão.

- Nada Bill, apenas saudade. – Disse o loiro, levantando-se da poltrona e caminhando lentamente até a janela, suspirou pesadamente e sem dizer mais nada foi para o quarto.

- Mas o que está acontecendo com ele? Já se passaram três dias e ele ainda está triste. – Disse Tom, colocando o caderno rabiscado sobre a mesa de centro e espreguiçando-se manhoso.

- Ah eu não sei, talvez... – Bill pegou seu caderno e observou as figuras desenhadas pelo mais velho, levantou-se e antes que o irmão percebesse, o moreno já havia lhe acertado uma cadernada na nuca.

- Vá comprar papel, seu imundícia! Deixe o meu caderno em paz. – Bill escondeu o caderno dentro de seu casaco e subiu as escadas furiosamente, fazendo questão de bufar e bater os pés com força no assoalho.

- Mas o que foi isso? – Georg perguntou, colocando as mãos na barriga e rindo descontroladamente da face que Tom sustentava desde a pancada na cabeça.

- Naquele caderno tem umas músicas que ele escreveu para a Ketlyn, tinha me esquecido. – Tom fez um bico torto com os lábios e foi até cozinha, abria e fechava com força as portas dos armários enquanto desesperadamente buscava por alguma coisa.

- SEU ROCKEIRO INFELIZ, COMEU OS MEUS WAFFLES! – Gritou Tom, correndo até o pé das escadas e olhando fixamente para a porta do quarto de Bill, virou as costas e sentiu alguma coisa acertar-lhe a cabeça novamente, olhou para trás e deparou-se com o mais novo escorado na porta do quarto o encarando com cinismo, aquela face com sorriso debochado e sobrancelha arqueada que fazia Tom se rasgar de raiva por dentro.

Bill abriu um sutil sorriso e voltou para dentro de seu quarto, o de dreads olhou para o chão e viu o objeto que o mais novo acabara de jogar em sua cabeça, sua caixa de waffles, sacudiu-a algumas vezes e para sua tristeza estava vazia. Bufou raivosamente e voltou para a sala, onde Georg fazia caretas estranhas, tentando conter as risadas.

XXX

Olá Madeleyne, aqui é o Bill...
Eu queria saber como andam as coisas com você, estamos sentindo a sua falta, principalmente o Gustav. Ontem ele me disse que vocês são praticamente primos, é engraçado pensar que ele encontrou um tipo de parente desaparecido...
Mas bem, só escrevi esta carta para que a ideia de que te esquecemos nem passe por sua mente, longe disso, sentimos a sua falta. Eu sei que pelo menos eu sinto.


XXX

- Josefine, olhe esta carta que Bill me enviou. – Madeleyne entregou o papel azulado, com letras deitadas e caprichosas, para Josefine. A mulher ajeitou seus óculos e sorriu ao ver a assinatura no rodapé da folha.

- Eles têm sido muito bons para você, é um tanto estranho, não acha? – Josefine abaixou seus óculos na altura das bochechas e fitou Madeleyne.

- O que quer dizer? – Madeleyne sentou-se na poltrona à frente de Josefine e encarou a mais velha.

- Não se aproxime deles, principalmente deste Bill. – Josefine mostrou um semblante duro e seriamente frio, levantou-se do sofá e foi até a cozinha.

- Mas por que? – A jovem indagou, sentindo seu peito apertar-se em angústia, o que haveria de tão ruim naqueles quatro rapazes, nunca demonstraram segundas intenções, a não ser por algumas piscadelas e frases de duplo sentido ditas por Tom.

- Eles não são bons, trarão problemas no futuro, talvez não hoje ou amanhã mas ainda assim trarão problemas. – Madeleyne buscava pelas palavras certas, queria contestar, não era possível acreditar que eles poderiam ser um problema no futuro mas o que poderia fazer? Sabia que Josefine também tinha dons e que não errava em suas premonições.

- Tudo bem, posso ao menos responder a carta que me enviaram? – Josefine assentiu, olhando desconfiadamente para a mais nova, que já havia sumido de sua visão, correndo até seu quarto para escrever a tal carta.

Preciso tomar cuidado com esse Bill, ele colocaria todo o meu acordo em perigo” – Pensou Josefine, esfregando as mãos e olhando seriamente para o nada.

XXX

- Meninas, mas isso está marravilhoso! Esforrcem-se mais e logo estarrão parrticipando de inúmerras competições.– Uma mulher pálida, de cabelos negros e olhos claros observava atentamente à cada bailarina, todas estavam com expressões amigáveis e determinadas, faziam aquilo com gosto e todo aquele cenário chamava a atenção da jovem, que maravilhada observava a cada passo e gesto.

- Então seu nome é Madeleyne, tenho cerrteza de que se encaixarrá perrfeitamente no Royal Ballet, gostarria de assistirr mais um pouco ou querr mostrrar o que aprrendeu na Alemanha? – Perguntou a mulher de pele alva, cruzando as pernas e sorrindo para o nada.

- Alguns passos daqui são sofisticados mas tenho certeza de que vou me adaptar, posso fazer uma tentativa se me permitir. – Disse Madeleyne, levantando-se da cadeira e alongando-se.

- Fique a vontade, meninas podem descansarr, agorra irremos assistirr uma possível nova colega de balé. – A mulher levantou-se da poltrona e caminhou até o grupo de bailarinas. Virou-se de frente para Madeleyne e a observou fixamente.

- Querrida, sabe fazer La Emerralda? – Madeleyne arregalou sutilmente os olhos, suspirou pesadamente e assentiu, caminhou nervosa e lentamente até o meio da grande sala espelhada, uma jovem loira e de olhos escuros lhe entregou um pandeiro e rapidamente escondeu-se atrás das outras bailarinas.

- Vejamos o que você tem aprrendido na Alemanha. – A música iniciou-se, alegre e animada.
Madeleyne ignorava os olhares atentos e fixos das outras jovens, a primeira batida no pandeiro. A música a envolvia de uma forma diferente, já havia assistido sua antiga colega de balé, Morgana, fazendo a coreografia com exatidão mas agora era diferente, era a sua vez de mostrar o que era capaz, sem as instruções de Adrian talvez fosse mais complicado, se errasse alguma coisa, talvez não pudesse consertá-la.

Mas não, agora não era a hora certa para pensar nisso, era sua hora de apenas sentir a música envolvê-la em seus braços e como uma folha no vento de outono, deixar-se guiar por ela.

Concentrava-se em seu equilíbrio, o pandeiro tão alto e as pernas tão delicadas e frágeis, pareciam querer quebrar como um graveto sendo pressionado por uma grande pedra mas não era o momento certo para preocupar-se consigo, tinha apenas que preocupar-se com a música e respiração.

Encerrou a coreografia com um doce sorriso, o qual era capaz de arrancar suspiros de qualquer rapaz e admiração de suas colegas de balé.

- Madeleyne, querrida isso foi marravilhoso, a querro o quanto antes trrabalhando conosco! – Disse a pálida mulher, girando nos calcanhares e sorrindo como uma criança que encontra o mais precioso dos tesouros no mundo de suas fantasias.
Madeleyne sorriu desajeitada, escorou-se na parede espelhada e agradeceu à si mesma pelo esforço e dedicação.

De certo modo, La Esmeralda é uma coreografia pequena, podendo ser realizada em menos de dois minutos, mas aqueles foram os minutos mais importantes de sua vida, agora pertencia ao Royal Ballet, uma das escolas de balé onde sua mãe havia estudado e sido reconhecida como um talento jovem.

XXX

- Até amanhã meninas, descansem porr que amanhã terremos um dia cheio, e Madeleyne, esperro que esteja aqui bem cedo, gostarria de lhe fazerr algumas perrguntas. – As jovens entreolharam-se umas entre as outras, para logo depois pousarem seus olhares confusos sobre a garota de pele branca, lábios rosados e cabelos ondulados, que olhava fixamente para o nada.

Madeleyne suava frio, a figura pálida e reluzente à sua frente brincava em uma dança silenciosa, não havia música e sua única platéia era Madeleyne. Sorriu infantilmente e correu até uma grande escadaria, acenou para a jovem de cabelos ondulados e correu pelos degraus, sumindo em meio a risadas, que só podiam ser ouvidas pela jovem Madeleyne.

- O que há lá em cima, subindo as escadas? – Perguntou Madeleyne, mas recebeu apenas olhares receosos em resposta. A jovem garota, que havia lhe entregado o pandeiro há alguns minutos atrás, caminhou lentamente até Madeleyne e sussurrou em seu ouvido:

Você a viu? Minha irmã... Ela me contou que apenas você poderia ajudá-la, por favor, se pode mesmo fazer isso, então faça. Ela quer ir dançar no céu.” – Madeleyne arregalou os olhos, imaginando qual deveria ser a idade da jovem garota, para falar sobre o céu, de uma forma tão inocente e pura. Imaginou que sua irmão era a alma que acabara de ver, de fato sabia que já havia visto aquele rosto delicado e pequeno em algum lugar, sim elas sem dúvida eram irmãs.

- Farei o que puder, só que preciso estar sozinha, pode fazer algo quanto à isso? Não queremos assustar sua irmã com todas essas garotas aqui. – Madeleyne cochichou para a garota, discretamente apontou com o olhar para as outras jovens, que terminavam de vestir-se com grossos agasalhos e casacos.

A garota assentiu e correu até o grupo de bailarinas, falou alguma coisa inaudível e após alguns minutos todas, exceto Madeleyne e a garota, saíam pela grande porta de ferro, que ficava ao fundo do palco. Madeleyne olhou para o alto da escadaria e observou a figura alva lhe observar com um sorriso infantil estampado em seus finos lábios.

- Como se chama? Desça aqui e vamos conversar, eu consigo te ver e entender mas é claro que já sabe disso. – Disse Madeleyne, subindo o terceiro degrau da escadaria.

- Me sinto sozinha durante a noite, eles vêm para me machucar depois das duas. – Madeleyne continuava subindo as escadas em silêncio, observando a cada detalhe atentamente, rezava para que a alma não se assustasse.

- Madeleyne, as duas da manhã, foi o horário em que ela.... – A garota atrás de Madeleyne sussurrou, segurando o casaco da maior, que continuava a subir lentamente a grande e fria escadaria.

- Não deixe eles me machucarem novamente. – A silhueta reluzente recuou alguns passos, observou o nada e tomava o cuidado de falar baixo, como se alguém a estivesse ouvindo.

- Vou te tirar daqui, mas antes me diga seu nome e quem são eles. – Madeleyne parou alguns degraus antes da figura alva, ajoelhou-se e tirou um cordão de prata de dentro da blusa.

- Me chamo Agatha e eles são as criaturas sem rosto, com capas longas e velhas, um hálito que cheira a enxofre e a morte. Eles me assustam. – A silhueta pálida sentou-se de frente para Madeleyne, mexeu em seu cabelo ondulado e sorriu fracamente.

- Dementadores, eles se alimentam da morte das pessoas e tristeza das almas, quando não encontram nenhuma das duas coisas, eles roubam memórias. – Disse Madeleyne, retribuindo o sorriso sem brilho da garota.

- Você pode me tirar daqui, mas precisa saber o que me prende aqui não é? – Madeleyne assentiu, dando um meio sorriso amarelo e olhando em volta.

- Quando você estava dançando lá em baixo, estava me mostrando como aconteceu não é? Você caiu dessas escadas, por que já estava cansada de tanto ensaiar, seus pés doíam e você não conseguiu evitar a queda. – A garota assentiu, ajeitando-se ao lado de sua irmã e olhando-a tristemente.

- Sua irmã te prende aqui, são gêmeas, agora eu posso ver melhor. – Madeleyne tocou os dois rostos exatamente iguais, sorriu desanimada e levantou-se.

- Por que eu a estou prendendo? Não fiz nada de ruim à ela. – Disse a jovem, segurando as mãos da alma de Agatha.

- Você não quer aceitar que perdeu sua irmã, mas se ela continuar aqui poderá perder a alma e assim não poderá reencarnar. – A garota arregalou os olhos, abraçou Agatha e chorou desconsoladamente.

- Não é justo, deveríamos estar sempre juntas, mas não quero que sua alma desapareça. – As lágrimas tocavam a pele alva de Agatha e aos poucos faziam com que desaparecesse.

- Agatha, por favor não se preocupe comigo, mas prometa me esperar no céu. – A garota beijou as bochechas pálidas de sua irmã, um sorriso nasceu no rosto de ambas e logo a silhueta reluzente desapareceu aos poucos, até deixar um espaço vazio.

- Madeleyne, ela está livre? – Madeleyne assentiu, recuou alguns passos e segurou-se nos corrimões da escadaria, dando sinal de que seria capaz de desmaiar ali mesmo.

- Madeleyne, o que houve, está se sentindo bem? – A garota correu até Madeleyne e segurou-a pelos ombros, a maior sorriu e deitou-se ali mesmo nos frios degraus de mármore.

- Estou bem, apenas fico cansada depois de libertar almas. – Madeleyne escondeu o rosto entre as mãos e adormeceu, mas sua face não poderia ser melhor, um sorriso tímido e satisfeito tomava conta de seus lábios. A respiração serena mostrava que ela estava bem, a jovem aninhou-se nos braços de Madeleyne e juntas passaram a noite no Royal Ballet.


Madeleyne acorde, precisa acordar...
Preste atenção minha pequena, por favor, acorde...

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

29 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 22 em Dom Nov 04, 2012 11:07 am

Capítulo 22
Acorde


Madeleyne, acorde, precisa acordar...
Preste atenção minha pequena, por favor, acorde...



Madeleyne abriu os olhos assustada, sentou-se entre as grossas cobertas de sua cama enquanto escondia seu rosto entre os joelhos, abraçou-se nas próprias pernas, como uma criança tentando proteger-se de algo.

Ouviu sons vindos do corredor e logo a porta de seu quarto abriu-se rapidamente, esta bateu na mesa ao lado derrubando um porta-retrato, onde havia uma foto de Madeleyne com os quatro rapazes alemães... Bill, Tom, Georg e Gustav.

- Que bom que já acordou. – Disse Josefine, olhando friamente para a jovem.

- Como sabia que...

- Sabe que posso sentir a energia das almas.. Aliás, a alma de sua mãe estava fraca ontem à noite, usou o cordão não foi? – Madeleyne engoliu a saliva e olhou receosa para a mulher a sua frente, o olhar tão doce de Josefine havia se perdido em algum lugar na Alemanha, via uma criatura totalmente diferente à sua frente, sentia não mais conhecer a doce mulher que havia lhe criado.

- Eu não o usei, não houve nada de mais ontem à noite.

- MENINA INGRATA, NÃO MINTA! – Josefine estendeu os braços, colocando as mãos dentro da blusa da menor e puxando o cordão prateado, que rompeu-se.

- Josefine, devolva o cordão, por favor. – Madeleyne levantou-se da cama, mas Josefine já havia saído do quarto e trancado a porta pelo lado de fora. A jovem forçava a maçaneta mas esta não cedia.

- Josefine, por favor abra a porta, devolva-me o cordão. – A garota de cabelos ondulados surrava a porta até machucar os frágeis dedos magros, chutou-a algumas vezes, deixando mais doloridos ainda seus maltratados pés de bailarina.

- Por favor, devolva. – Madeleyne sussurrou, escorando-se na porta e deslizando por esta até sentar-se no chão frio, encolheu-se entre suas pernas e chorou.

XXX

- Mamãe, quem lhe deu este cordão? – Perguntou a pequena garota, sentada no colo de Helen.

- Eu o ganhei de sua avó, quando ficar mais velha ele será seu. – Disse a mulher, escovando os delicados fios de cabelo da garota.

- Mas cuide bem dele, não importa o que aconteça comigo, se estiver com este cordão eu sempre estarei do teu lado. – A mulher beijou a testa da pequena garota e sorriu gentilmente.

XXX

“Madeleyne, acorde, precisa acordar...
Preste atenção minha pequena, por favor, acorde...”

Ouviu uma voz doce chamar-lhe ao longe, abriu os olhos lentamente e deparou-se com um grande bosque, levantou-se do chão e olhou atentamente para os lados, havia névoa em todo lugar e o céu estava coberto por terríveis nuvens negras.

- Madeleyne. – A garota virou-se para trás e surpreendeu-se com a figura de Helen, tão pálida, tão doce.
As lágrimas começaram a formar-se e a vontade de tocá-la e desejar que aquilo não fosse um sonho logo começou a tomar conta da garota.

- Escute-me, não é hora para chorar. – Madeleyne assentiu enquanto esfregava os olhos para secar as lágrimas. Respirou fundo e observou a figura da mãe.

- Precisou de mim ontem, por que? – Perguntou Helen, segurando as mãos da jovem.

- Me senti fraca, precisei de você... Desculpe-me se...

- Shh, não lamente querida, fez um lindo trabalho. – Helen abraçou a jovem e afagou seus ondulados cabelos.

- Querida, precisa acordar, precisa ver em quem deve confiar, antes que seja tarde – Disse Helen, olhando fixamente para Madeleyne.

-Tarde? Tarde para o que? – Perguntou Madeleyne, afastando-se de Helen.

- Antes que... – Helen arregalou os olhos e segurou as mãos de Madeleyne.

- Prenda seu cabelo querida, prenda-o sempre. – Helen pronunciou a última frase confusa e logo desapareceu, uma forte tempestade começou a formar-se dentro do bosque e Madeleyne sentiu fortes dores em suas costas.

XXX

- Madeleyne, dormiu atrás da porta e nesse chão frio, pode pegar um resfriado. – Disse Josefine, abrindo a porta do quarto e afagando os cabelos da jovem.

- Jose? Você tinha razão, Bill me trará problemas. – Madeleyne levantou-se e rapidamente abraçou Josefine.

- Eu lhe disse.. Mas ainda assim não lhe devolverei o cordão, precisa saber a hora certa para usá-lo. – Madeleyne assentiu enquanto espreguiçava-se lentamente.

- Já é noite, Natasha, sua professora de balé, passou aqui, estava preocupada. – Madeleyne arregalou os olhos, correu até a janela e soltou um suspiro chateado ao observar apenas o véu negro da noite.

- Perdi a aula.

- Tudo bem, agora vamos fazer o jantar e tocar piano mais tarde, o que acha? – Madeleyne abriu um sorriso contente em seu rosto e correu até Josefine, havia enganado-se, talvez fosse apenas coisa da sua cabeça, sabia que Josefine jamais mudaria.

XXX

Olá rapazes, aqui é Madeleyne.
Gostaria de pedir-lhes que não mandem-me cartas, não terei tempo para lê-las e mesmo que tivesse, tenho certeza de que há coisas mais importantes para fazer. Espero que entendam..

- Madeleyne Chevalier

- Esta carta não é dela. – Exclamou Gustav, arremessando a carta dentro da lareira.

- Ah é? E como sabe ein? – Perguntou Tom, cruzando os braços e bufando de raiva.

- Ela teria usado o sobrenome Klaus na assinatura. – Gustav enterrou as mãos dentro de bolso e sentou-se ao lado de Bill.

- Gustav tem razão, ela não...

- PAREM DE SE ENGANAR! NÃO QUEREM ACREDITAR NISSO, POR QUE OS DOIS ESTÃO CAÍDOS DE AMORES POR ELA! PAREM DE SER TÃO IDIOTAS! – Tom gritou e subiu as escadas furiosamente, bateu com força a porta de seu quarto, deixando um clima desconfortável para os outros três.

- Então Georg, vai ficar do lado do Tom, como sempre. – Disse Gustav, recebendo um olhar frio e desconfortável de Georg, que retirou-se da sala e foi para o quarto de hóspedes.

- Gustav, acha que ela...

- Não Bill! Tenho certeza absoluta que não! – Disse Gustav, desviando o olhar para as cinzas da carta na lareira, suspirou pesadamente e retirou-se da sala também, deixando Bill sozinho, atormentado com aquela dúvida...


Cinco meses depois
15/05


- Já está tudo pronto para a viagem? – Perguntou Josefine, segurando uma bandeja de biscoitos.

- Sim, estou muito ansiosa... Finalmente vou para a Rússia, minha professora de balé nasceu lá. – Disse Madeleyne, observando o vapor que saía do bule de chá.

- Fico feliz que tenha gostado do meu presente. – Josefine sentou-se à mesa e observou a jovem tomar seu café.

Já se passaram cinco meses, aqueles rapazes não mandaram mais cartas, que bom que tudo está saindo como planejei.” – Pensou Josefine, olhando distraidamente para os talheres da mesa.

- Acho melhor eu ir agora, o avião parte às dez da manhã. – Madeleyne tomou um último gole de café e levantou-se da mesa, correu até a sala e levou as malas até a porta de entrada.

- Quer que eu a leve no aeroporto? – Perguntou Josefine, colocando uma porção de biscoitos na bolsa da jovem.

- Está tudo bem, eu vou sozinha. – Madeleyne pegou as malas e despediu-se de Josefine.

XXX

- Tom, viu meu cachecol? – Perguntou Bill, abrindo a porta do banheiro e correndo pelo corredor, trancou-se em seu quarto e revirou as malas, procurando por alguma roupa.

- Você deixou na mala preta. – Disse Tom, abrindo a porta e deparando-se com seu gêmeo semi-nu.

- PORRA BILL! POR QUE NÃO ME AVISOU! – Gritou Tom, virando-se de costas e amaldiçoando-se por não ter batido na porta.

- Idiota, até parece que você não tem o corpo igual ao meu. – Bill deu uma risada cinica e jogou a toalha ao lado do irmão, que bufou raivosamente mas não pode deixar de rir da situação.

- Sim, mas eu sou gostoso, você é uma escova de limpar mangueiras por dentro. – Tom riu, recebendo um leve soco de seu gêmeo.

- Em qual mala você disse que estava meu cachecol? – Tom virou-se lentamente e sorriu aliviado ao ver seu gêmeo vestido.

- Na mala preta. – Bill olhou para suas malas e riu debochadamente de Tom, como se todas as suas malas fossem de cores diferentes. Tom riu do mesmo jeito debochado do irmão e abriu a menor mala.

- Você é tão organizado que precisa da minha ajuda pra saber em qual mala colocou suas coisas, compre malas de cores diferentes, seu rockeiro doido. – Tom entregou o cachecol para Bill e deu leves tapas em seu ombro, riu descontraido e se retirou do quarto.

- As malas são minhas e se eu quiser compro todas da mesma cor! – Bill debruçou-se no arco da porta e gritou para seu gêmeo que já havia sumido em algum dos quartos do apartamento.

- Frio, detesto frio... Tom e suas ideias malucas de viagens. – Bill cochichou para si mesmo, enquanto ria ao lembrar-se o quanto Tom o incomodou para que viajassem para a Rússia.

- Londres também é fria... Será que ela está bem?! – Perguntou para si mesmo, abrindo as grossas cortinas da janela e olhando para o sol fraco que lutava contra o frio naquela manhã.

XXX

- Georch, se o Bill perguntar onde eu fui, diga que estou no aeroporto... O Jost pediu-me para buscá-lo. – Disse Tom, vestindo um enorme casaco azul e colocando um de seus bonés.

- Certo e não me chame assim, se não terei que te chamar de Tomuff. – Disse Georg, tomando um gole de café.

- Chame-me de papaizinho e eu já fico feliz, até mais minha querida. – Tom riu, enquanto abria a porta do apartamento, sentiu uma almofada ser arremessada contra ele, se revidasse iria atrasar-se para buscar David, então apenas olhou divertidamente para o amigo e saiu do local.

XXX

Os olhares cruzaram-se naquele momento, Tom fitou os olhos esverdeados e mil perguntas surgiram em sua mente no mesmo momento, o que ela fazia ali? Por que havia sido tão indiferente naquela carta? Não queria perguntar essas coisas à si mesmo, aproximou-se da jovem que sorriu ao vê-lo, deixou as malas ao lado dos bancos e pulou sobre ele, lhe dando um abraço quase sufocante.
Mas por que? Por um momento acreditou em Gustav e Bill, ela não poderia ter escrito aquela carta tão fria.

- Tom, é tão bom te ver, onde estão os outros? – Madeleyne recuou alguns passos e olhou animadamente para o maior.

- Ma... Madeleyne... Olhem só, quanto cinismo! Como teve coragem de escrever aquela coisa horrível, e agora está aí, agindo como se nada tivesse acontecido!

- Escrevi? O que eu escrevi Tom? Está falando da carta? – Tom assentiu, olhando confusamente para os olhos hipnotizantes da garota.

- Eu a escrevi com tanto carinho, não gostaram? – Tom arregalou os olhos, apertou as mãos com força e desviou o olhar.

- Se está tentando ser irônica, saiba que conseguiu. – Tom virou as costas e caminhou a passos largos para longe da garota.

- Tom, espera. – Madeleyne correu até o moreno e segurou seu braço, ele virou-se e a fitou confuso.

- Do que está falando? Eu lembro perfeitamente do que escrevi, disse que estava com saudades, que em Maio viria para a Rússia, por que é meu aniversário... Afinal Tom, que carta vocês receberam? – Tom arregalou os olhos, lembrando-se de que não poderia provar o contrário, já que havia jogado a carta na lareira.

- Pergunte aos outros, a carta que recebemos dizia mais ou menos assim, que você não queria receber cartas nossas, por que não tinha tempo e mesmo que tivesse não iria lê-las. – Madeleyne enrugou o cenho e olhou para o nada.

- Mas eu tenho certeza de que escrevi o que acabei de lhe dizer. – Madeleyne esfregou as mãos e virou as costas, caminhando até suas malas e sentando-se em um dos bancos ao lado delas.

- Tudo bem, deixa pra lá. Deve ter sido uma brincadeira de mau gosto. – Tom sentou-se ao lado da garota, olhou sutilmente para os lados e a abraçou.

- Agora eu estou confusa, mas posso provar que não escrevi isso, tenho o rascunho da carta no meu caderno de anotações. – Madeleyne abriu uma de suas malas e fitou um pequeno objeto reluzente, pegou-o e arregalou os olhos ao ver uma presilha prateada, que até então nem sabia que existia.

- Mas, o que é...

- Está tudo bem? Parece que viu um fantasma.. – Tom segurou os ombros de Madeleyne e esta pareceu acordar de um pesadelo, estava gelada e pálida e seu semblante era igual ao de uma pessoa assustada.

- Fantasma, onde? – A garota virou-se rapidamente para Tom, mas seu olhar estava em todos os cantos possíveis do aeroporto.

- Madeleyne.. Está bem? – Perguntou Tom, sacudindo-a levemente.

- Sim, estou... Tom preciso ir, foi muito bom te reencontrar. – Madeleyne colocou a presilha dentro da mala, abraçou o moreno e sumiu rapidamente, escondendo-se no meio da multidão. Queria ir atrás dela, mas já notava alguns olhares curiosos vindos em sua direção.
Colocou o capuz e correu até a saída do aeroporto, olhou em volta mas Madeleyne havia sumido.

- O que aconteceu com ela?! – Perguntou para si mesmo, enquanto olhava confuso para os lados.

XXX

- Eu espero que não tenha esquecido-se do nosso acordo, Josefine. – Disse o ser, sentando-se em uma das poltronas e olhando fixamente para a mulher que sorria confiante.

- Claro que não, ela está tão focada no balé que mal poderá se fortalecer. – Josefine tomou um gole de chá e um sorriso triunfante rasgou seu rosto.

- Ótimo, do contrário esqueça o que combinamos, mas trocando o assunto... Percebi que Helen está forte novamente, pensei que tinha pegado o cordão. – Disse o ser, batendo as compridas unhas contra a mesa de vidro e olhando cinicamente para Josefine.

- Mas eu o peguei, está aqui. – Josefine jogou o cordão prateado sobre a mesa. O ser estranho o avaliou cuidadosamente e notou a falta das pequenas pedras de quartzo rosa e turmalina.

- Não estão aqui, onde as colocou? – O ser exaltou-se, jogando o cordão e o pingente na lareira.

- Como não, tenho certeza de que estavam! – Josefine exclamou, levantando-se da poltrona e correndo até a lareira, arregalou os olhos ao ver que nada de anormal aconteceu ao fogo da lareira.

- Como eu disse, o fogo não mudou... Significa que não há nenhuma pedra aí.. Josefine, se está tentando me enganar...

- Jamais! Vou procurar pelas pedras. – Disse Josefine, olhando assustada e confusa para o ser, que acabar de levantar-se da poltrona e ir em sua direção.

- Ótimo, sabe que se tentar enganar-me... Vai pagar caro, não vou testar apenas sua neta, mas você também. – O ser segurou com força os pulsos de Josefine, que sentiu sua pele queimar e congelar-se ao mesmo tempo.

- Não se preocupe, as pedras devem ter caído em algum lugar do meu quarto. – O ser a soltou e caminhou lentamente até a estante de fotos que havia atrás das poltronas.

- Quem são estes garotos? – O ser pegou um dos porta retratos e observou atentamente os rosto dos quatro rapazes ao lado de Madeleyne.

- Não se preocupe com eles, já os afastei dela.

- Na verdade, posso lhe dar umas dezenas a mais... Se me trouxer o garoto afeminado.

- Ele se chama Bill e é famoso, a morte dele traria problemas... – Disse Josefine, pegando o porta retratos das mãos do ser e o colocando sobre a estante novamente.

- Se não me trouxer ele, irei retirar centenas de você... E sabe o que irá acontecer, você irá virar pó, sua velha desprezível! – O ser arremessou Josefine contra a parede, que caiu quase inconsciente no chão.

- Espero que tenha entendido... – O ser desapareceu enquanto Josefine adormecia aos poucos, olhou uma última vez para o porta retratos e fitou fixamente o rosto de Bill, sorrindo ao lado de Madeleyne enquanto a envolvia em um abraço.

- Está com seus dias contados... – Sussurrou para si mesma e logo adormeceu.



Última edição por Mey Kütz em Dom Nov 04, 2012 11:17 am, editado 1 vez(es)

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

30 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 23 em Dom Nov 04, 2012 11:16 am

Capítulo 23
Mais uma mudança



- Bill, tenho boas notícias! – Gritou Tom, adentrando a sala do apartamento e pulando sobre o sofá, onde estavam Bill e Georg.

- O que foi? Não me diga que encontrou a Jessica Alba. – Disse Georg, em meio a risadas sarcasticas.

- CALA A BOCA GEORG! – Tom puxou as lisas madeixas do maior e levantou-se do sofá.

- Encontrei a Madeleyne, ela me disse que não escreveu aquela carta! – Tom correu até a cozinha, abriu a geladeira rapidamente e retirou uma caixa com latas de cerveja e energéticos.

- Então é hora de um teagá party? – Georg pulou do sofá e rapidamente se pôs a ajudar Tom a carregar a pesada caixa.

- Ya! Vem Gustav, sei que não gosta de beber, mas se junte à nós! – Gritou Tom, subindo rapidamente as escadas e abrindo a primeira porta que encontrou pela frente.

- Por mim tudo bem... Você vem, Bill? – Perguntou Gustav, enquanto caminhava calmamente até a cozinha e procurava por alguns pacotes de salgados.

- Nein.. pra mim uma teagá party é pra comemorar premiações, prefiro mandar uma carta pra Madeleyne. – Disse Bill, subindo as escadas e trancando-se em seu quarto.

PAREM DE SE ENGANAR! NÃO QUEREM ACREDITAR NISSO, POR QUE OS DOIS ESTÃO CAÍDOS DE AMORES POR ELA! PAREM DE SER TÃO IDIOTAS!” – Gustav lembrou-se da frase dita por tom há cinco meses atrás, uma sensação de dúvida percorreu seu ser por inteiro.

Bill... será que... Nein!” – Gustav balançou a cabeça, colocou os salgados em um prato e foi para o quarto onde Tom e Georg já aproveitavam suas cervejas e energéticos.

Madeleyne, acabo de receber uma notícia ótima do Tom.
Fico feliz em saber que você não escreveu aquela carta, me sinto um idiota por ter duvidado de você em algum momento, perdoe-me por isto.
Gostaria de lhe contar uma coisa, que apenas os teagá estão sabendo por enquanto, pode guardar segredo? Espero que sim...
Estou em um relacionamento, já faz dois meses..
Conheci uma garota na Alemanha, no momento estamos na Rússia, então sinto falta dela...
Bem, era isso mesmo.. Queria dizer que estou feliz por você ser nossa amiga.
Em breve iremos para Londres, assim poderemos nos ver novamente.
Estamos com saudades...

- Bill Kaulitz

XXX

- Josefine, eu continuo confusa... Tom me falou sobre um carta que eu enviei para eles, mas ela é totalmente diferente da que escrevi. – Disse Madeleyne, sentando-se na beirada da cama e observando a presilha que acabara de encontrar.

- Madeleyne, já lhe disse que eles são sinônimo de problemas, tome cuidado... Ainda mais por que eles estão na Rússia, perto de você.

- Tudo bem, tomarei cuidado.. Vou dormir agora, estou cansada da viagem. – Antes que Josefine dissesse algo, Madeleyne desligou o celular e jogou-se para trás, deitando-se esticadamente na macia cama do hotel.

Um problema? Não me parece...” – Adormeceu ali mesmo, com as roupas desconfortáveis e grossas. Sonhou com tudo quanto podia, estava feliz, era seu aniversário de dezoito anos...
Nada poderia ser melhor do que atingir a maioridade.

XXX

- Josefine, seu tempo vai acabar, já me conseguiu o garoto afeminado? – Disse o medonho ser, arranhando a lisa superfície do piano ao lado da janela.

- Ainda não, mas acalme-se... Lhe entregarei ele logo. - Josefine sorriu cinicamente enquanto preenchia generosamente uma taça de vinho seco.

- Esta bebida é fascinante, aproveite-a bem.. Não temos coisas assim no inferno, vai gostar de lá.. – O ser sorveu um grande gole da bebida rubra e olhou divertidamente para a mulher pálida que apertava os punhos sobre a mesa.

-... Tenho um canto reservado com o seu nome, almas como a sua só poderão ir para o inferno, parece grosseria de minha parte mas entenda que meu irmão tem andado solitário, essa coisa de ser o “deus” do inferno é muito entediante. – O ser engoliu a bebida que restava na taça e levantou-se, seguiu até a lareira e começou a brincar com a lenha que ardia em fogo.

- Seu sarcasmo seria capaz de tirar até Deus do sério, sabia? – Josefine riu, servindo uma xícara de chá e observando distraída as chamas estalando na lareira.

- Se já me acha irritante, deveria conhecer o Luci... Sabe, ele é tão chato que conseguiu ser expulso do céu, meu irmão perguntou quanto tempo irá demorar para poder finalmente tocar na sua “querida” neta, os seios fartos dela agradam e muito os olhos dele. – O ser riu divertido, passando a língua por cima dos lábios e olhando luxuriosamente para algumas fotos de Madeleyne.

- Covardia da parte de vocês, ela acaba de completar dezoito anos, deveriam esperar um pouco mais... E até por que você não gostaria de manchar sua reputação, enfrentando alguém de nível tão baixo quanto ela. Deixe-me treiná-la, se não perderá toda a graça. – Josefine levantou-se e caminhou lentamente até o medonho ser.

- Josefine, deveria ter feito este pacto quando era mais jovem, uma jovem tão bonita... Transformada em uma velha cínica, tão fraca e falsa.

- Olhe quam fala, o caçula do capeta.

- NÃO ME CHAME ASSIM! Sorte sua ainda precisarmos de você mas basta tornar-se inútil e eu não hesitarei em mandá-la para o quinto dos infernos! – O ser esvaeceu-se diante da lareira, deixando apenas seu cheiro podre de sangue seco.
Josefine sorriu para si mesma enquanto limpava a sala e os rastros de lama deixados pelo ser.

- Manson, que bagunça você deixa em minha casa...

XXX

O sol aparecia lentamente pelo horizonte, seus fracos raios atingiam em cheio o rosto da garota adormecida, que despertava vagarosamente, espreguiçando-se manhosa. Levantou-se rapidamente e com a mesma rapidez arrumou-se e logo deixou o quarto de hotel.

Passeou por toda Moscou, ou pelo menos pelos lugares que pôde.
Avistou uma praça no que parecia ser o centro de uma pequena cidade, sentou-se em um dos bancos e observou a movimentação. Centenas de pessoas passeavam por ali, tão apressadas e grudadas em seus celulares, que mal prestavam atenção no lindo lugar à sua volta.

XXX

[Bill’s POV]

No outro lado da praça avistei uma garota de aparência conhecida, os olhos esverdeados, o cabelo ondulado e comprido, a pele clara e os lábios rosados. Poderia ser ela? Tom havia me dito que a encontrou mas e se não fosse Madeleyne? Havia cuidado tanto para não me reconhecerem, não podia simplesmente me aproximar de uma estranha dizendo ser Bill Kaulitz.

Continuei a caminhar lentamente, mas sem tirar os olhos da garota.
Ouvi alguns sutís estrondos e logo senti os pingos gelados de chuva em meu rosto, por alguns segundos perdi a garota de vista e isso bastou para que ela sumisse completamente, de fato nunca saberia se ela era mesmo a Madeleyne ou não.
Droga! E se fosse? Que diferença faria, ela era apenas uma amiga, mas sinto-me tão estranho em relação à ela desde o dia em que dormi em sua casa.

Alguns dias depois - Londres

- Madeleyne, quantas saudades! – Disse Josefine, abraçando a jovem que acabara de sair do aeroporto.

- Jose, pensei que nos encontraríamos no Starbucks. – Madeleyne desvencilhou-se do apertado abraço e caminhou até o táxi mais próximo.

- Não me contive, queria te contar logo uma coisa. – Disse Josefine, segurando as mãos da garota.

- E o que é? – Perguntou a jovem, sorrindo empolgada enquanto sentava-se no banco do carona.

- Vamos nos mudar para a França, sabe como é... O clima de Londres tem me deixado tão fraca.. Peguei três gripes enquanto você estava na Rússia.
Madeleyne arregalou os olhos, não sabia o que dizer com tal notícia, não havia se passado nem um ano desde a mudança da Alemanha, agora que começava a se acostumar com Londres, Josefine queria se mudar?!

- Bem, é um pouco confuso, mas se é por causa de sua saúde, então tudo bem. – Madeleyne sorriu enquanto colocava o cinto de segurança.

- Perfeito, iremos semana que vem.

Precisamos nos mudar o mais rápido possível, não posso deixar que Madeleyne se aproxime daqueles garotos antes de estar treinada, por sorte aquela carta do Bill foi enviada para Londres e eu a li antes de chegar às mãos de Madeleyne, quando eles chegarem, já estaremos bem longe daqui.” – Pensou Josefine, olhando distraidamente pela janela do carro.

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

31 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 24 em Dom Nov 04, 2012 11:27 am

Capítulo 24
Com o passar do tempo



Os fios negros de cabelo balançavam conforme o vento soprava, a fumaça do Marlboro dançava lentamente até sumir da vista daquela figura magra e pálida, que suspirava suas dores silenciosamente.

Deu uma última tragada em seu cigarro e fechou a janela onde fumava há poucos instantes atrás, atirou-se bruscamente na cama e fitou o teto, sentia a pele coçar devido à maquiagem borrada que escorria por suas bochechas, manchando a pele alva e macia do jovem homem com jeito de adolescente, coisa que aborrecia seu gêmeo, este detestava ver o caçula agir como se ainda tivesse treze anos e aquela garota fosse seu primeiro de muitos amores, como se Bill não soubesse lidar com algo assim.

Bill levantou-se da cama e caminhou calmamente até a porta de seu quarto, abriu-a e deparou-se com a face desconcertada de seu irmão.

- Está aí há quanto tempo? – Perguntou Bill, virando as costas e olhando fixamente para a janela fechada do outro lado do quarto.

- Desde que você abriu o maço de cigarros. – Respondeu Tom, observando a carteira de cigarros sobre a mesa de Bill, pegou-a e a analisou, era uma carteira nova, que havia sido comprada naquela mesma manhã, notou a falta de pelo menos oito cigarros.

- Você a abriu hoje, em menos de uma hora fumou tudo isso? – Perguntou Tom, amassando a carteira de cigarros e a colocando no bolso de suas enormes calças, Bill virou-se e riu de algo que nem Tom sabia o que podia ser, não sabia se o irmão ria de sua cara ou de si mesmo.

- Como sabe que foi em menos de uma hora, está enganado se pensa que fumei oito cigarros desde às nove da manhã.

- Eu não disse quantos faltavam na carteira, e são apenas dez e meia da manhã, se quer morrer tudo bem, mas que não estrague os pulmões, poderia salvar uma vida com eles. – Tom virou as costas e saiu do quarto, o mais novo correu em seu encontro e segurou seus braços.

- Me desculpa tá bom, mas eu não consigo! Você não entende o que estou sentindo, por que não é capaz de amar! – Um semblante zangado e ao mesmo tempo penoso formou-se no rosto de Tom, bruscamente retirou as mãos do mais novo de seus braços e afastou-se alguns passos.

- Não sou capaz de amar? Desculpe senhor sentimental, se não sou capaz de amar meus amigos, minha família, os animais, nossos fãs... Desculpe se não sou capaz de amar o meu irmão, que age como se eu fosse apenas um bruto que não entende que o motivo de tudo isso é uma vagabunda que achou seu dinheiro mais importante do que passar noites inteiras conversando sobre qualquer assunto, coisa que o idiota incapaz de amar faria sem exigir nada em troca! – Tom virou as costas e trancou-se em seu quarto, havia chegado em um ponto que não sabia mais o que fazer, Bill agia como se apenas ele sofresse por coisas tão bobas assim.

XXX

- Eles estavam discutindo de novo, Bill se isolou tanto nas últimas semanas. – Disse Georg, secando a louça sobre a pia.

- Ele nem percebeu que Tom também não está bem, às vezes eu acho que eles vão fazer uma terceira guerra mundial a qualquer momento, só de se verem quase pulam no pescoço um do outro. – Gustav completou, enquanto colocava a louça seca sobre a mesa e arranjava os lugares para o almoço.

- Não sei se vou sair hoje, vá se encontrar com a Jaqueline e eu termino as coisas por aqui.

- Obrigado Gee, essa briga deles têm afetado todos nós, talvez devêssemos viajar, isso sempre melhora o clima não é?! – Disse Gustav, caminhando até a porta da frente.

- É uma boa ideia, sinceramente não sei o que deu neles, ultimamente eles têm brigado tanto, como se nem fossem irmãos. Mas eu não posso dizer muito sobre isso, não sei ao certo o que é ter um irmão. – Georg suspirou pesadamente enquanto colocava alguns temperos na comida.

- Mas você tem à mim, não se esqueça. – Gustav sorriu e logo sumiu pela porta, deixando o outro com um sorriso animado no rosto enquanto cantarolava.

XXX

- Olá aos telespectadores, voltamos agora de um breve intervalo, enquanto nossa última entrevistada se arrumava no camarim, recebam com calorosas palmas a cantora que está entre o top três da música romantica contemporânea.... Madeleyne Klaus Chevalier.

Uma alta garota entra no palco, caminha graciosa até a poltrona de veludo enquanto milhares de palmas a recepcionam.

- Danke, Danke. – Sorriu nervosa enquanto bebia um gole d’água.

- Do piano para o balé, do balé para o violino, do violino para o canto. É uma jovem muito talentosa, poderia falar um pouco desse amor pelas artes.

- Bem, já dei muitas entrevistas, mas a resposta dessa pergunta sempre será igual, esse amor vem da minha mãe, que me dizia que se eu gosto de algo, não há motivo para não tentar fazê-lo.

- Entendo, segundo uma pesquisa feita na Alemanha, você é a segunda colocada no top três de melhores artistas alemães, mesmo que tenha nascido na França, sua descendência é totalmente alemã não é?

- Nein, sou metade alemã e metade francesa, mas tenho um enorme carinho pela Alemanha, minha infância e adolescência se passou toda lá.

- Mas você nasceu na França, quando foi “oficializada” como cidadã alemã, se posso dizer assim?!

- Foi aos seis anos, após a morte da minha mãe.

- E morou na Alemanha por quanto tempo?

- Uns onze anos, morei por lá até os dezessete.

- É verdade que passou seu aniversário de dezoito anos na Rússia, bem pertinho do hotel onde estavam seus concorrentes do top três alemão?

- Concorrentes? Rammstein não é um concorrente e mesmo que fosse, eles não estavam por lá.

- Me refiro aos Tokio Hotel, os conhece?

- Tokio Hotel? Como pude me esquecer?! Encontrei Tom no aeroporto.

- Ele foi buscá-la?

- O que? Não, foi apenas um acaso.

- Hum, com a fama que este jovem leva, pensei que os dois..

- Nein! Não conheço muito a fama dele, mas só pelo jeito que o senhor está falando, penso que imaginou algo como um relacionamento.

- E não houve nada?

- Sei onde quer chegar.. Não, na verdade eu os conheço pessoalmente, mas foi apenas amizade.

- Então conhece os Tokio Hotel, isso é maravilhoso, uma entrevista com eles é o que faltava nesse programa.

- De fato sim, ligarei para Gustav para providenciar isto. – Diz Madeleyne, em tom de brincadeira.

- Faça isso. – O entrevistador ri.

- E poderia falar um pouco sobre eles?

- Na verdade não, faz tempo que não os vejo.

- Sente saudades?

- E quem não sentiria? Eles salvaram o meu Natal uma vez, ainda não os retribui por isto.

- Como faz tempo que não os vê, gostaria de dizer algo?

- Ah, sim... Meninos, sinto falta de vocês, espero que esteja tudo bem com todos e que estejam se comportando.

- Por que acha que não se comportariam?

- Tom... Ele é o mais engraçado, quando junta-se com Georg é melhor fugir, são tão engraçados.

- De fato devem ser... Madeleyne Klaus, obri... Klaus?

- Algum problema?

- É irmã de Georg?

- Nein, Klaus é o Gustav. Somos algo do tipo primos de terceiro grau, essa é a parte mais legal, reencontrei um parente desconhecido. – Madeleyne ri.

- Sim, é muito legal. Bem senhorita Klaus, obrigado mais uma vez por arranjar um tempo para nós.

- Eu é que agradeço.

- Espero que volte aqui mais vezes e que tenha uma grande carreira pela frente.

- Obrigado.

XXX

- Bill, acorda.. Tá vivo? – Georg riu da cara “hipnotizada” de Bill.

- Era ela... Está tão diferente.. – Bill sorriu, observando a garota de cabelos ondulados e olhos verdes se retirar do palco.

- Como eu disse, Bill é louco de amores por ela. – Tom riu, jogando uma almofada em seu gêmeo e desligando a televisão.

- Não é isso... Só que ela tem algo que consegue prender as pessoas à ela.

- Só você sente isso Bill. – Disse Georg, servindo generosas fatias de pizza para todos.

- Não incomodem o Bill, eu entendo o que ele sente.. É como se ela fosse a amiga que ele perdeu. – Disse Gustav, abraçando Jaqueline que revirava os lhos ironicamente.

- Ele não perdeu, você a roubou dele.. Ursinho. – A ruiva mordeu a bochecha de Gustav e deu um demorado selo em seus lábios.

- Éca, vão se comer em outro lugar... Ursinho.. Eu termino o namoro se minha namorada me chamar assim. – Disse Tom, colocando ketchup sobre sua fatia e a devorando.

- Tom, você nem namora... Só come, de todos os jeitos possíveis. – Disse Georg, dando um soco fraco em Tom, que sorriu malicioso.

- Vão virar velhos amargos e solteiros, que terão uma casa no meio do mato com trinta e três gatos. – Disse Jaqueline, dando alguns tapinhas nas costas de Georg, que a olhou debochadamente.

Todos riam enquanto comiam suas pizzas, exceto Bill, que como uma criança assistindo seu desenho favorito, continuava sentado no chão em frente à televisão, com as pernas cruzadas e um sorriso divertido no rosto.

Tão linda...” – Bill sussurrou para si mesmo, antes de se levantar e sentar-se à mesa para o jantar.


~
Haallooo \õ \õ/ \õ/ õ/
Sinceramente, trinta e três gatos, eu sempre digo que não vou me casar e terei trinta e três gatos... Isso é tão.. sei lá.. :p
E aí, estão gostando da fic?? comentem!

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

32 Re: Kiss The Rain em Dom Nov 04, 2012 11:42 am

Oh godi....Até chegar no final.... Tô louca pra saber o que vai acontecer.....

Continua logo, please!!!

Ver perfil do usuário

33 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 25 em Seg Nov 05, 2012 11:28 am

Capítulo 25
Apenas esperar



- Sentiremos falta de vocês, mandem e-mails todos os dias, por favor. – Disse Gustav, abraçando Bill calorosamente e dando alguns tapinhas nas costas do moreno.

- Claro, vamos respirar novos ares, quem sabe assim as coisas melhorem. – Disse Tom, olhando animadamente para Bill, que deu um meio sorriso torto e envergonhado abaixou o rosto.

- Vocês ainda não foram embora? Vão logo, seus malas! – Exclamou Jaqueline, que rapidamente vinha ao encontro dos quatro rapazes, trazendo consigo duas caixas de tamanho médio, embrulhadas em um papel prateado, preso por fitas de cetim azul.

- Eu sei que você nos ama, priminha. – Disse Tom abraçando a ruiva e a girando no ar, beijou estaladamente suas bochechas e a apertou em um abraço, o qual queria que nunca tivesse um fim.

- Tchau Kaulitz, vou sentir falta de vocês dois. – Disse a ruiva, derramando algumas lágrimas enquanto abraçava Gustav que ria sutilmente. Apesar de brigarem, se estapearem e quase se atracarem no pescoço um do outro, Tom e Jaqueline deveriam ser os primos mais sentimentais que já existiram.

- Até mais Trümper. – Disse Tom, afagando rapidamente os longos fios ruivos da garota e olhando maliciosamente para Gustav.

- Quando terão filhos? Não me importaria de ficar de titio, desde que pudesse ensinar eles à enlouquecerem a mãe... – Gustav e Jaqueline arregalaram os olhos rapidamente, a ruiva desferiu um leve soco no ombro de Tom e encolheu-se entre os braços de Gustav.

- Meus filhos com o Gustav nunca chegarão perto de você! Quero crianças, não protótipos de cafetões! – Jaqueline parou por um momento, olhou desconsertada para Gustav, seu coração falhou algumas batidas, se perguntou se havia mesmo dito aquilo, mas o sorriso divertido no rosto de Georg indicava que sim, ela havia mesmo dito aquilo.

- Teremos três filhos, vou chamá-los de Georg, Tom e Bill. – Disse Gustav, em tom de brincadeira, tentando acalmar a ruiva, que quase corria para dentro de casa para esconder-se de tanta vergonha.

- Esses casais jovens, gostaria de ficar mais um pouco... – Disse Tom, olhando para Bill que calmamente olhava distraído para os lados, notou o silêncio repentino e deparou-se com os olhos do de tranças o observando, sorriu tímido enquanto colocava as mãos no bolso e abaixava o rosto novamente.

- ...Eu tenho que consertar uma coisa. – Tom abraçou seu gêmeo e beijou o alto de sua testa, não que fosse fácil alcançá-la, já que mesmo sendo alto, Bill insistia em usar aqueles saltos enormes em seus sapatos.

- Tchau Gês e Jaque.. Cuidem-se bem, por favor. – Os gêmeos entraram no carro e rumaram para o aeroporto, tentariam consertar seu relacionamento de gêmeos, que há muito tempo parecia caminhar em direção à um grande abismo. Iriam para os Estados Unidos, uma casa perto de tudo e perto do nada ao mesmo tempo. Los Angeles era o destino escolhido pelos dois, olharam-se algumas vezes durante o voo e aqueles olhares já não pesavam tanto, sentiam-se aliviados, dessa vez daria certo, tudo iria se reencaixar em seu devido lugar.

XXX

Algum tempo depois

- Bill, onde colocou os pratos que comprei? – Perguntou Tom, revirando os armários da cozinha, procurando por toda a louça.

- Eu troquei tudo de lugar, você misturou talheres com copos e pratos, panelas, facas de corte, garrafas... Tudo na mais perfeita bagunça!

- Quem cozinha nessa casa sou eu! Eu me acho na minha bagunça, é igual ao meu quarto, é MINHA bagunça... – Os dois entreolharam-se receosos, os olhares pesaram por um momento e um calor gélido percorreu suas espinhas.

- Deixa pra lá, não vou cozinha hoje... Que tal pizza? ... Irmãozinho. – Tom sorriu, quebrando o grande iceberg que havia se formado naquele momento de silêncio, lembraram-se do motivo pelo qual mudaram-se pra Los Angeles, queriam consertar e logo seus laços de afinidade, não poderiam brigar por uma besteira como alguns pratos, panelas e talheres.

- Eu coloquei no armário branco, abaixo do balcão de granito. – Disse Bill, retirando uma caixa de papelão, onde estavam os pratos comprados por Tom na tarde anterior.

- Obrigado, ficou mais organizado.. – Tom sorriu enquanto procurava pelo número de alguma pizzaria na agenda telefônica.

- Quer sair depois? Pra comemorar o fim da mudança... – Perguntou Bill, colocando a louça para o almoço, o moreno não dirigiu o olhar para o de tranças, apenas sorria divertidamente.
Tom apenas assentiu com a cabeça e sorriu igualmente ao irmão.

XXX

Era um lugar calmo, até que uma mulher de pele alva, olhos azuis e um comprido cabelo loiro, visivelmente pintado com tinta barata, entrou no restaurante e acomodou-se na mesa ao lado dos gêmeos. Bill apertou os punhos com força e raiva, fitou a mulher, supostamente encantadora, que lhe respondeu os olhares, abriu um sorriso e caminhou lentamente e sedutora em direção ao Kaulitz mais novo.

- Bill, quanta coincidência te encontrar aqui... Mudou-se para Los Angeles? – Ela perguntou, segurando o ombro direito do moreno, Tom observava tudo silenciosamente, sabia que Bill nunca o perdoaria se dissesse uma palavra que fosse para aquela mulher.

- Não, não... Eu só queria ver se esse restaurante tinha cadeiras azuis ou vermelhas.. – Disse Bill, com um olhar travesso, Tom não foi capaz de segurar algumas sutís risadas, recebeu um olhar frio da loira e rapidamente desviou o olhar.

- Como está seu marido? Aquele russo bilionário, que está entre seus noventa e a morte... – Disse Bill, passando delicadamente os magros dedos pela borda da taça e olhando debochadamente para a loira.

- Infelizmente ele faleceu no ano passado. – A garota respondeu, sentando-se ao lado de Bill.

- Entendo, e ele não deve ter deixado nada para você, vi em algum jornal por aí que ele tinha mais de vinte filhos, todos com prostitutas espanholas. Ele deu a herança para os filhos e as amantes, e o que sobrou para a Ketlyn? Pois é.. Se me dá licença, estou jantando com meu irmão.. Passe bem.

- Hey Bill, isso não é jeito de falar com sua futura namorada. – A mulher colocou uma das mãos sobre a coxa de Bill e sorriu maliciosa para ele.

- EX. – Disse Bill, retirando bruscamente a mão da garota. - Se esqueceu de que me trocou pelo seu falecido marido russo, que aliás tinha um peculiar cheiro de frutos do mar.. Talvez peixe..

- Bill, continua preso ao passado... Se você fosse odiar todas as mulheres que te trocaram para ficar com outros homens.. Homens de verdade aliás, você nem iria se casar.. – A loira levantou-se e apoiou-se nos ombros de Bill, aproximou os lábios de sua orelha e sorriu travessa.

- Mas sabe de uma coisa... Seu brinquedo bem que faz falta.. – Sussurrou no ouvido de Bill e fitou os olhos do moreno, que agora segurava-se para não soltar milhares de palavras e ofensas contra a garota.

- O que foi Ketlyn? O dinheiro acabou e agora você corre para mim? Desculpe mas eu... – Por um momento Bill viu a garota que começara a preencher seus desejos íntimos, seu egoísmo todo se converteu na vontade de poder ver aquela garota mais uma vez e então roubá-la apenas para ele. Queria afagar os longos e ondulados fios castanhos de seu cabelo, contemplar os hipnotizantes olhos esverdeados e provar o sabor dos carnudos e rosados lábios daquela jovem. Nem ele sabia mais o que sentia, há dias procurava por tudo sobre ela na internet, admirava-se com suas apresentações ao vivo e adormecia com o som de sua voz, tocando em seu celular, bem baixinho, para que ele pudesse imaginas que a garota estava mesmo ali, cantando apenas para ele, sussurrando em seu ouvido, acariciando-o até que adormecesse, queria sentir seu cheiro adocicado mais uma vez, queria simplesmente vê-la mais uma vez.

- Bill, faça o favor de olhar para mim quando eu estiver falando.

- T...Tá tudo bem Ketlyn, vá procurar outro idoso rico e passe bem. – Bill levantou-se rapidamente e caminhou até a mesa do outro lado do restaurante, onde uma jovem bebia seu vinho branco e ria de alguma coisa que seu acompanhante dizia.

Por um momento Bill pensou em desistir, e se fosse o namorado dela.. A decepção de saber que ela poderia estar indo para a cama com outro homem que não fosse ele, o simples fato de saber que outro poderia estar provando o sabor dos lábios que tanto desejava, mas nunca pôde ter. Não! Não podia desistir, não queria recuar, engoliu o medo e rumou calmamente até a mesa, olhou maravilhado para a jovem, que confusa o fitou fixamente.

- Madeleyne...

- Sim, sou eu... E você, como se chama? – Bill sentiu seu coração falhar o máximo de batidas que pôde, aquilo foi como uma facada, como ela não lembrava-se dele?

- Está tudo bem? – A jovem levantou-se, tocou o ombro do moreno que rapidamente virou o rosto e fitou intensamente os olhos esverdeados.

- Não se lembra de mim? Eu mudei tanto assim?

- Desculpe mas... Espera.. Se eu te imaginar com uma juba e mais jovem.. Bill? – A garota arregalou os olhos, observando cada traço do moreno à sua frente, sorriu tímida e o abraçou.

- Não acredito que te encontrei... – Bill envolveu Madeleyne em seus braços e a apertou delicadamente, seu cheiro doce o deixava embriagado, se perguntava mesmo se aquilo era real, sentiu medo de que fosse acordar a qualquer momento.

- Nem eu, você mudou tanto, cadê sua juba.. Raspou o cabelo dos lados, está mais alto.. E cadê o All Star? Mein Gott! – Madeleyne desvencilhou-se dos braços do maior, e sorriu infantil para ele.

- Ah que grosseria.. Bill, este é o Nick, meu produtor e manager. – Bill suspirou aliviado ao saber que era um relacionamento profissional, sorriu contente e cumprimentou o homem.

- Madeleyne, não sabia que tinha amigos tão... bonitos. – Nick sorveu um gole de seu vinho tinto e olhou maliciosamente para Bill.

- Se comporte... Antes que pergunte, Nick é gay.. Mas é um gay muito tarado.

- Tadinha, inveja por que uma pessoa como eu não repara nos seios dela... Tenho pessoas mais interessantes para observar, não é.. Bill? – Nick bebeu mais um gole de seu vinho e olhou travesso para Madeleyne e Bill, que segurava-se para não rir, era uma situação diferente, perguntou-se por um breve momento se talvez o Jost também... Melhor deixar para lá, pensou. Não gostaria de imaginar coisas em sua cabeça.

- Não liga pra ele.. Sabe como são esses tarados.. – Madeleyne apontou sutilmente para Tom, que implorava para aquela loira sumir logo da mesa e desistir de esperar por Bill.

- Noite difícil? – Perguntou Madeleyne.

- Sim, uma aproveitadora folgada resolveu pegar no meu pé.

- Quem é o homem que entrou com você? Não me diga que este corpo já tem um dono. – Bill arregalou os olhos, olhando desconsertado para Nick, que ria malicioso... Se não fosse pela pouca barba e a falta do piercing, Bill poderia jurar que estava falando com uma versão gay de Tom.

- É o irmão dele, abaixe seu fogo... Bill não gosta dessa fruta... Pelo menos eu acho. – Madeleyne sorriu divertidamente enquanto Bill a encarava com um ar de deboche.

- Até você, senhorita Klaus! – Bill e Madeleyne riram de toda a situação.. Um gay tarado e uma loira golpista, bela maneira de terminar um dia de mudanças...

- Bill, foi bom te reencontrar, mas infelizmente eu tenho que voltar para o estúdio. – Disse Madeleyne, pegando sua bolsa e pagando a conta.

- É uma pena, está morando em Los Angeles? – Perguntou Bill, acompanhando Madeleyne e Nick até a porta, porém não sentia-se muito seguro com o fato de Nick estar vindo justamente atrás de si, rezava para que aquele se comportasse naquele momento.

- Não, estou aqui apenas para gravar uma parceria.. Depois de amanhã eu volto para a Europa.

- Onde está morando? – Perguntou Bill, caminhando mais lentamente para aproveitar os possíveis últimos momentos do lado de Madeleyne, não sabia quando poderia vê-la novamente.

- Na França, pode vir me visitar quando quiser.

- Seria ótimo. – Bill sorriu, mas por dentro sua alegria diminuía ao ver o arco da porta do restaurante, sabia que logo ela desceria a escadaria da entrada e talvez não a visse mais.

- Pode me dar seu e-mail, assim te mando o endereço. – Por fora Bill apenas assentiu, mas por dentro soltava fogos de artifício e festejava. Entregou um pequeno cartão para Madeleyne, que sorriu e o abraçou.

- Foi muito bom te ver novamente, vou até me sentir mais animada para ficar no estúdio até de madrugada.

- Foi ótimo te encontrar, prometo te visitar logo. – Bill beijou as macias bochechas de Madeleyne, que sorriu e rapidamente desceu a escadaria com Nick.

- Tchauzinho Billi, até mais... – Nick acenou para Bill, que retribuiu o gesto, totalmente desconsertado, um arrepio gélido percorreu sua espinha só de imaginar que Nick poderia dar uma de visita de última hora e ir na casa de Madeleyne justamente quando Bill a visitar.

Balançou a cabeça e afastou os pensamentos, olhou para a mesa onde Tom estava e sorriu aliviado ao notar que a loira já havia sumido.
Voltou para a mesa, sentia-se como uma criança naquele momento, como se acabasse de ganhar um brinquedo totalmente novo e único.
Não sabia ao certo o por que, mas Madeleyne o encantava de uma forma totalmente única.


O maior problema com o passar do tempo foi o total desaparecimento de Madeleyne, ela não havia mandado o e-mail com seu endereço, mais uma vez Bill só podia recorrer à internet para poder vê-la..
Novamente ele sentiu milhões de facas apontadas contra seu corpo e não podia fazer nada, apenas esperar.

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

34 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 26 em Seg Nov 05, 2012 11:33 am

Capítulo 26
Meyko Tashimura



- Mas Madeleyne minha querida, compreenda que...

- NEIN! Eu já disse, não vou sair da França, e se Bill vier me visitar? Não poderei vê-lo. – Disse Madeleyne, tirando suas roupas de dentro da mala, bufava com raiva enquanto Nick a observava, cansado de todos aqueles ataques da garota.

- Querida, acha que eu também não gostaria de ver aquele corpinho novamente? Mas aprenda que sua carreira é mais importante, aliás... Sua avó é mais importante..

- O que Josefine tem com isso? – Madeleyne olhou receosa para Nick, que a encarou fixamente, riu debochadamente, como se a garota já não soubesse o por que.

- Tudo bem, mas eu só queria vê-lo... Ele nunca responde meus e-mails, já perdi a conta de quantos mandei e ele nunca responde. – Madeleyne sentou-se na cama e fitou a janela entreaberta, abraçou-se em seus joelhos e suspirou pesadamente.

- Ele deve estar com alguma garota, desculpe mas é a verdade. Do contrário teria respondido seus e-mails. – Nick abraçou Madeleyne, depositando um estalado beijo em sua testa, a jovem sorriu e suspirou novamente.

- Tudo bem Nick, eu vou para o Japão, vai ser bom pra mim não é? E para a Josefine, a França já deve estar enjoando à ela. – No fundo Madeleyne sabia o real motivo pelo qual deixaria a França, já não havia mais nada para fazer ali. Vasculharam todo o país, uma cidade por semana, tudo que fosse diagnosticado como espírito já estava livre e descansando em paz.
Não havia mais nada para se fazer ali, então passaria algum tempo no Japão, havia tantos boatos de aparições sobrenaturais por lá, de fato o Japão seria seu trabalho mais demorado.

- Esta é a garota que eu conheço, agora querida, arrume-se rapidinho... O avião não vai te esperar.

- Me esperar? Você não virá comigo? – Perguntou Madeleyne.

- Claro que não, tenho coisas importantes para fazer aqui. – Disse Nick, recolhendo alguns papéis que estavam sobre a penteadeira de Madeleyne.

XXX

[Madeleyne’s POV]

Ela era uma garota de estatura mediana, magra, tinha cabelos curtos e pintados de preto, cheirava a doces e seus olhos eram de um castanho avermelhado tão bonito, parecia ter saído de um daqueles animes.

Aproximou-se de mim, sorriu gentilmente e sem pronunciar nenhuma palavra levou-me até o táxi. O trajeto todo foi feito em silêncio, às vezes a tal garota me encarava, com um olhar infantil e meigo, ajeitou seu cabelo inúmeras vezes e notei um tipo de mania que ela tinha, levemente mordia a ponta de suas compridas unhas enquanto observava o nada, com um olhar perdido e muito distante.

Finalmente havíamos chegado no prédio onde eu iria morar por um tempo, era muito bonito, cheio de grandes árvores carregadas de flores rosas, lilás e vermelhas.

- Eu meu chamo Meyko... Mas se quiser, me chama de Mey. – Disse a garota, ajeitando suas meias sete oitavos e olhando timidamente para o chão.

- Sou a Madeleyne, pode chamar apenas de Madê ou Leyne. – Respondi enquanto entrava no apartamento.

- Me disseram para não falar com você, pra não te estressar mas você não me parece do tipo nervosinha. – Meyko riu timidamente, abriu a porta do apartamento e o adentrou.

- Nem um pouco, sou bem calma. – Eu estava calma e controlada até aquele momento, mas ver aqueles olhos castanhos em vários lugares de várias paredes simplesmente me fez paralisar, meu sangue havia congelado e meu coração falhou algumas batidas. Não podia ser, coincidência demais...

- Só não repara na bagunça, o apartamento é bonito mas deve levar em conta que é habitado por uma adolescente... Se quiser eu coloco os pôsteres no meu quarto.

- Não, tá tudo bem.. Pode deixar o Bill aí.

- O que? Acho que ouvi você dizer Bill.. Foi isso? – A garota me encarou por alguns instantes, desviei o olhar e caminhei pela sala, evitando olhar para as paredes.

- É que alguns pôsteres estão com o nome dele... É Bill não é? – Disfarcei rapidamente minha falha e caminhei por um longo corredor que estava à minha direita.

- Ah, eu gosto muito do irmão dele... Uma pena ele ser tão galinha e eu tão nova. – Ri descontroladamente do jeito natural e tão simples como ela adjetivou Tom, mas quem podia contrariar o incontrariável?

- Tudo bem, não sirvo para mentir... – Falei em meio à um longo suspiro.

- O que?

- Eu os conheço... São os Tokio Hotel, não é? – Pelo canto do olho vi Mey arregalar o olhar, olhou para seus pôsteres, se estivéssemos em um desenho animado este seria o momento em que um grande ponto de interrogação apareceria sobre sua cabeça.

- Pode se dizer que eles salvaram meu Natal quando éramos mais novos.

- Ah! Isso é maravilhoso, por favor me conta como foi, a voz do Tom é igual a das entrevistas ou é mais bonita? O Georg tem um cabelo macio? O Bill tem cheiro de que? E o Gustav...

- Hey, se acalma garota... A voz do Tom é bonita sim, o cabelo do Georg é macio e tem cheiro daqueles cremes para tratamento capilar e o Bill... – Ele não havia respondido nenhum dos meus e-mails, enviei meu telefone para ele, porém ele nunca ligou... Depois de três meses sem ser respondida eu apenas desisti e comecei a esperar... Foi só o que me restou, esperar...

- E o Bill o que? Vamos, fale logo! – Infelizmente, apenas Mey saboreava daquela enorme alegria, tantos lugares no Japão para Nick escolher e ele foi justamente me mandar para o apartamento de uma fã dos rapazes, quanta sorte.

- Tudo bem, se não quer falar... Eu vou dar uma volta com alguns amigos, quer vir junto? – Perguntou Mey, colocando seu celular e um óculos escuro na bolsa.

- Não, vou tomar um banho e dormir. Divirta-se Mey. – Devem estar se perguntando o por que de eu ter vindo morar com uma desconhecida no Japão. Sendo que eu podia alugar meu próprio apartamento por aqui. Pois bem, essa foi mais uma das grandes ideias do Nick, além de ser meu produtor, ele era meu melhor amigo. E como tal não queria que eu ficasse sozinha por aqui, admito que foi uma boa ideia, mas me mandar justamente para a casa de uma fã dos Tokio Hotel? Ela nunca me deixaria em paz, vai querer saber tudo sobre eles e o pior, eu não estava nem um pouco a fim de falar sobre isso...

XXX

Madeleyne’s Diary

12 de Setembro de 2012

Já se passaram doze dias desde que vim morar no Japão, e surpreendentemente já fui convidada para algumas entrevistas e até para ser uma das apresentadoras do J-Festival.

É um tipo de Festival de música, cultura e culinária, que é realizado anualmente no Japão, de fato isso interessou-me muito e claro não pude recusar o maravilhoso convite, pediram-me para arranjar um assistente e claro que Mey se ofereceu para tal cargo, acho que este não poderia ter sido preenchido por outra pessoa que não fosse ela.

Nos últimos dias temos nos conhecido bastante e agradeço por ela não querer falar sobre os Tokio Hotel, talvez ela pense que eu tenho algum tipo de ressentimento com eles, longe disso é claro. Na verdade tenho medo de Nick estar certo e se Bill estiver mesmo namorando?!

Que besteira eu me preocupar com isso, o que temos é apenas um tipo de amizade, é mais provável que eu me apaixonasse por Gustav, já que passei mais tempo com ele.
Ah que bobagem pensar nisso, já decidi que ficaria sozinha. Não quero ter que passar pelo mesmo que a minha mãe, eu sei o quanto doeu tê-la perdido, não desejaria essa dor para ninguém.

XXX

- Madê, o Nick perguntou se você quer um vestido rosa ou lilás. – Mey surgiu de trás das grossas cortinas vermelhas do palco, segurando um copo de café e uma lancheira exageradamente repleta de várias comidas, todas ajeitadas caprichosamente.

- Vou usar um rosa, ele combina com a minha presilha de cabelo. – Madeleyne sentou-se na beirada do palco e suspirou pesadamente.

- O que houve? – Perguntou Mey, colocando a lancheira sobre o palco e ajeitando-se ao lado de Madeleyne.

- Sei lá, estou cansada, fiquei até tarde escrevendo umas coisas ontem.

- No seu diário, preciso te contar uma coisa. – Mey fitou a maior de forma receosa, desviava o olhar algumas vezes, brincava nervosamente com o zíper de seu casaco, abriu os lábios umas três vezes mas lhe faltavam palavras para falar.

- Eu... Eu li o seu diário. Desculpa sei que é algo particular seu mas vi algo sobre espíritos e fiquei curiosa, por favor M-Chan, não fica brava. – Madeleyne arregalou os olhos, levantou-se do palco e caminhou até a poltrona onde estava sua bolsa. Tirou o diário de lá e voltou a sentar-se do lado de Meyko.

- Mey, preciso te dizer algo, para o seu próprio bem. Várias “coisas” poderão vir atrás de você a partir de agora, já que você leu meu diário. É uma obrigação minha escrevê-lo, pelo menos uma vez por semana, preciso relatar tudo que vivi.

- Por que? É como se fosse um livro?

- Sim, e tem mais uma coisa. eu decidi não me envolver em nenhum tipo de relacionamento, pode parecer estranho mas pessoas como eu, arriscam a vida o tempo todo.

- Não estou entendendo. Como assim?

- Sou uma mediadora, vejo e falo com espíritos. E alguns deles vem atrás de mim, pedindo por ajuda.

- Que tipo de ajuda, pra voltarem à vida?

- Do contrário, para descansarem em paz. Voltando ao ponto, como não terei filhos, tenho a obrigação de nomear um novo mediador e treiná-lo para que ele possa me substituir um dia.

- Por que está me contando isso?

- Por que eu quero que você.... Nunca mais toque no meu diário, do contrário mandarei os espíritos te levarem para o além. – Madeleyne riu divertidamente, Mey ficou paralisada, sem acreditar na brincadeira da mais velha.

- Achei que estava falando sério, sem graça você ein! – Mey levantou-se do palco e sumiu em meio às cortinas por onde havia entrado.

Onde eu estava com a cabeça, não posso contar isso à ninguém” – Pensou Madeleyne, pegando um dos bolinhos de arroz da lancheira.

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

35 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 27 em Seg Nov 05, 2012 11:39 am

Capítulo 27
Preparando-se para o J-Festival



Madeleyne ajeitava algumas faixas que haviam sido escolhidas para decorar o corredor que levava até o banheiro da grande estrutura do J-Festival.

- Madê, Madê! – Mey gritava, ou melhor, berrava pelo corredor, nos últimos dias aquela garota divertia muito à Madeleyne, pelo seu jeito infantil e meigo.
Madeleyne virou-se na direção da garota e riu do esforço que ela fazia para equilibrar vários copos de café.

- Seu café, aliás, o Nick pediu para você ir no carro buscar os desenhos que ele fez para as roupas da Girls’ Generation... Ah, esqueci de te dizer, eu sou uma das primas da Sunny. Ela vai se apresentar aqui no J-Festival. – Mey sentou-se no chão e começou a arrumar os copos de café sobre a bandeja.

- Sério? Em que grupo ela toca? – Perguntou Madeleyne, ajudando Mey a ajeitar os copos.

- Ela não toca, ela canta e dança. Ah... Ela nasceu no mesmo ano que os Kaulitz. – Madeleyne rolou os olhos e fitou Mey, que rapidamente disfarçou.

- Ela é como uma irmã pra mim, já que eu sou filha única, ela sempre vinha brincar comigo. – Mey sorriu, tirou um pedaço de papel do bolso e o entregou para Madeleyne.

- Essa é uma foto minha com a Girls’ Generation, elas são muito divertidas. Faz um bom tempo que não falo com elas, fiquei muito feliz quando você me convidou para ser sua assistente.

- Eu é que agradeço, você tem se esforçado bastante. – Madeleyne sorveu um grande gole de café e caminhou até a entrada do corredor.

- Vou ver se o Nick precisa de ajuda, se eu não ficar controlando ele vai dar em cima dos rapazes da filmagem, que estão verificando as câmeras. – Mey levantou-se do chão, pegou a bandeja e entregou a chave do carro de Nick para Madeleyne.

XXX

- Tom, tem certeza de que é aqui? – Perguntou Bill, observando a grande estrutura, parecia-lhe um tanto deserta e sem vida, não poderia ser ali o local escolhido para o J-Festival.

- É aqui sim, deixa de ser cabeça dura! – Tom resmungou, contemplando as grandes janelas do lugar.

- Eu estou cansado, quero café... Bill você é o empregado, vá buscar café. – Disse Georg, pendurado na janela do carro de Tom, como se fosse uma criança entediada.

- Eu vou, por que é mais certo que a cafeteria seja o local do J-Festival do que essa coisa aí, que mais parece um estacionamento. – Bill rumou para a cafeteria, que ficava duas quadras dalí.

- Não entende nada de arquitetura. – Tom virou-se para seu carro e sentiu o sangue ferver ao ver Georg daquele jeito, praticamente todo torto, com os pés sobre os bancos e pendurado na porta do carro.

- Georg, vou dizer apenas uma vez.. SAI DO MEU CARRO... – Tom segurou-se para não ir alí e puxar Georg para fora do carro.

- Tom, querido amigo... Eu quero conhecer algumas garotas, será que podemos sair daqui? – Disse Georg, no mesmo tom de voz que o de dreads.

- Fiquem aqui, eu vou lá dentro perguntar que horas começará o J-Festival. – Tom colocou os óculos escuros e adentou o prédio, era um tanto escuro, o que fez com que tropeçasse algumas vezes.
Avistou um vulto passar correndo, parecia uma garota baixa, de cabelos curtos, carregando alguns copos de café.

- Com licença, eu gostaria de... – Tom fitou o lugar procurando pela garota, mas esta já havia sumido, aquele lugar aparentava ser a área dos camarins.

- Mey... – Tom ouviu uma voz vinda de uma daquelas portas, caminhou lentamente observando cada uma das portas.

- Mey, avisa pro Nick que... Tom? – Tom virou-se para trás, rapidamente seus olhos encontraram as duas orbes esverdeadas, sorriu ao ver a figura confusa logo à sua frente.

- Madeleyne, mas quanta coincidência.

- Pois é, minha vida tem tido muitas coincidências ultimamente. – Madeleyne abraçou Tom, que a levantou do chão e a girou no ar.

- O que está fazendo aqui? – Tom perguntou, soltando Madeleyne.

- Sou uma das apresentadoras do J-Festival, mas no momento estou ajudando na organização. – Madeleyne fechou a porta de onde havia saído, fitou Tom por alguns instantes, pensando que aquilo seria um sonho, se o rapaz estava ali... Então sem dúvidas, Bill estaria junto.

- Isso é muito legal, eu estou bastante interessado no J-Festival, agora que sei que você está aqui, com certeza ficarei do início ao fim! – Disse Tom, verificando as horas em seu relógio de pulso, um silêncio incômodo tomou conta do lugar, o de dreads fitava o chão, como se ele fosse a coisa mais interessante do mundo.

- Então... Como está o Bill? – Madeleyne perguntou, colocando uma mecha de cabelo para trás da orelha.

- Ele está bem, finalmente aquela ex-namorada dele largou do nosso pé... Ela é daquele tipinho que só pensa em dinheiro. – Disse Tom, enfiando as mãos dentro do bolso do casaco.

- Acho que a vi uma única vez, parecia uma Barbie... – Madeleyne riu ao lembrar-se da aparência de Ketlyn.

- E você? … Continua solteira? – Tom perguntou, num ar malicioso.

- Sim e pretendo continuar assim. – Madeleyne cortou qualquer esperança de Tom, que fechou a cara num beicinho decepcionado.

- Uma pena... Isso é egoísmo da sua parte, privar os homens de uma garota tão bonita. – Disse Tom, acariciando o rosto de Madeleyne.

- Você é hilário Tom, quase me mata de tanto rir. – Madeleyne segurou a mão de Tom e riu num ar debochado.

- Você não se acha bonita? Por que sabe, se eu fosse um pouco mais decente com certeza namoraria com você. – Tom umedeceu os lábios e aproximou-se da jovem, que recuou alguns passos.

- Eu acho que sou sem graça, muito comum, entende? E aliás, falou bem... “Se”. – Madeleyne riu, olhou para baixo e notou que ainda segurava a mão de Tom, que levemente acariciava seus delicados dedos.

- Bem, eu tenho que ir... Te vejo no J-Festival. – Tom abraçou Madeleyne, lentamente se aproximou do rosto da jovem e depositou um pequeno selo em seus lábios, sorriu malicioso e rapidamente saiu do prédio.

O que aconteceu aqui?” – Pensou Madeleyne, tocando os lábios com a ponta dos dedos.



- Hey você! Nós somos o Tokio Hotel e gostaríamos de convidar você para um incrível evento de música, culinária e cultura japonesa! – Disse Bill, sorrindo para a câmera à sua frente.

- Estaremos no J-Festival durante os dias quinze e dezesseis de Setembro, prontos para conhecer à todos nossos fãs do Japão. – Tom completou, segurando o microfone e sorrindo.

- E o que haverá por lá, Gustav? – Perguntou Georg.

- Concurso de cosplays, entrevistas com escritores de mangás, karaokê e diversos meet & greet com mais de trinta grupos de J-Pop e J-Rock, incluindo algumas bandas europeias, assim como nós. – Respondeu Gustav.

- Por isso contamos com a visita de todos, beijos e até o J-Festival! – Completou Bill.

XXX

- MADELEEEEEYYYNEEEE!!!! – Mey gritou, correndo desesperadamente pelo apartamento, esbarrou em alguns vasos de flores mas não importou-se muito, avistou a jovem de cabelos ondulados deitada sobre o sofá, lendo o livro “Coraline”, pulou sobre a garota e a encarou com olhos de um cão pidão.

- O que houve? Por que gritou desse jeito? – Madeleyne perguntou, empurrando Mey para o chão.

- OS TOKIO HOTEL! VÃO ESTAR NO J-FESTIVAL!! POR FAVOR, ME APRESENTA PRA ELES.. EU TENHO QUE CONHECER O TOM!! EU NECESSITO DISSO PARA VIVER, SABE O QUANTO É IMPORTANTE PRA MIM? VOU MORRER SE NÃO ABRAÇAR ELE, EU DEPENDO DISSO PARA CONTINUAR SENDO FELIZ NA MINHA VIDA! ME APRESENTA PRA ELES, PELO AMOR DE DEUS!! – Madeleyne arregalou os olhos, ficou imóvel por alguns instantes, não sabia se ficava nervosa com a garota com jeito de fã psicopata à sua frente ou ao fato de saber que Tom não estava brincando e falou a verdade quando disse que estaria no J-Festival.

- Mas quando eles vão aparecer? – Madeleyne perguntou, marcando o livro na página em que havia parado a leitura.

- Nos dias quinze e dezesseis. – Mey respondeu, enquanto rolava de felicidade no chão.

- Justamente nos dias que eu não vou, mas divirta-se! – Madeleyne levantou-se do sofá e caminhou até a cozinha.

- Mas o que? Tá zoando com a minha cara! Para de se fazer de louca! Sabe que se eu for sozinha eles nem vão dar muita importância, afinal imagina quantos fãs vão ter por lá.

- Eles amam todos os fãs, boa sorte Mey. – Disse Madeleyne, abrindo a geladeira e pegando uma tigela de morangos.

- Mas, você como sendo da equipe do festival, pode conseguir com que eu passe facilmente pela multidão. – Mey retrucou, sentando-se no balcão da cozinha.

- Isso é injusto com os outros fãs. – Madeleyne respondeu, pegando uma caixa de cereais de dentro do armário.

- Eu sei, mas Madeleyne, mesmo que eu consiga vê-los, eles talvez nem queiram conversar comigo. – Disse Mey, entortando os lábios em um beicinho.

- Nem vem, eu já disse que não vou. Durante esses dias eu vou sair com o Nick. – Madeleyne sentou-se ao lado de Mey.

- Por acaso sair com ele é mais importante do que me ajudar a conquistar o Tom? – Mey abaixou a cabeça, fingindo chorar.

- Mey, não faz drama... Credo nunca vi uma garota tão dramática! E é importante que eu saia com o Nick, vamos comprar algumas coisas para a minha apresentação no festival. – Disse Madeleyne, comendo um dos morangos.

- Madê, por favor... – Mey pegou uma colher e começou a comer os cereais.

- Mey, diga que me conhece, isso vai bastar. Tenho certeza de que pelo menos o Gustav vai querer falar com você. – Madeleyne também pegou uma colher e serviu-se de uma porção de cereais com morangos.

- Me anima muito saber que meu futuro noivo vai preferir as outras garotas e o Gustav é que vai dar em cima de mim. – Mey desviou o olhar, enquanto desenhava círculos imaginários sobre o balcão.

- Vai nada, ele tem a Jaque.

- Jaque? Quem é essa? – Madeleyne sentiu a espinha congelar, como pôde ter sido tão idiota ao ponto de deixar escapar que um dos Tokio Hotel tinha namorada.

- Ninguém, esquece o que eu disse... – Madeleyne virou o rosto, tentando disfarçar.

- NÃO ACREDITO QUE ELE TEM NAMORADA! O QUE MAIS NÃO ME DISSE? O TOM SE CASOU? OU CONTINUA TENDO UM CASO COM A RIA? – Mey saltou do balcão, colocou as mãos na cintura e encarou Madeleyne seriamente.

- Isso não, ele chutou ela já faz três meses. – Disse Madeleyne, com um semblante debochado e despreocupado.

- MADELEYNE! – Mey exclamou.

- Tá... Não falo mais nada, apenas o Gustav está namorando, mas você não pode dizer à ninguém, é um segredo. Nunca vi nada sobre eles na internet, e é melhor assim, Gustav é tímido e não gosta de ficar se expondo.

- Eu sei, mas é que... Como eu nunca desconfiei? – Mey sentou-se novamente, formando um bico torto nos lábios.

- Fica calma, esses dois simplesmente se escondem muito bem, até acho certo que se escondam, a Jaque é muito legal pra ser chamada de vadia pelas fãs dos rapazes.

- Se você diz, mas se fosse com o Tom, daí a história seria outra.

- Falando nele, ontem ele esteve no prédio do J-Festival. – Disse Madeleyne, já se preparando para gritos histéricos da garota.

- MAS O QUE? E VOCÊ NEM PARA ME CHAMAR! – Madeleyne riu e olhou debochadamente para Mey.

- Você o teria visto, se não estivesse com tanta pressa de comer os muffins do Nick.

- Eu tenho culpa do câmera ser gay e guloso, ele ia comer todos os muffins que o Nick fez. – Mey fechou o rosto novamente, desviando o olhar e murmurando alguma coisa para si mesma.

- Não se preocupa, você vai conhecê-los em breve. – Disse Madeleyne, levantando-se do balcão.

- Vai me apresentar para eles? – Mey sentiu toda aquela mágica alegria esperançosa retornar, abriu um largo sorriso e aproximou-se de Madeleyne.

- Não, como eu já disse, você vai vê-los amanhã no Meet & Greet. Boa sorte. – Madeleyne colocou a colher dentro da pia e caminhou em direção aos quartos, Mey ouviu o som de uma porta fechando-se, suspirou pesadamente e praguejou alguma coisa.

XXX

- Josefine, tenho péssimas notícias. – Disse Trix, adentrando o quarto da “simpática” senhora.

- O que houve? – Josefine perguntou, levantando-se da poltrona ao lado da penteadeira.

- Fui dormir, para fazer o que você me pediu... E tinha razão, é a Madeleyne, ela...

- Como eu suspeitava irmãzinha. – Manson interrompeu, um frio instalou-se pelo cômodo, Trix revirou os olhos enquanto cruzava os braços e olhava cinicamente para o ser.

- Lúcifer não está gostando do rumo das coisas, Madeleyne está ficando muito forte, velha tola. Ela está treinando sem a sua ajuda! – Disse Manson, socando o espelho da penteadeira e o partindo em dezenas de pedaços.

- Eu não imaginava, manipulei os organizadores daquele maldito festival, para que a convidassem, assim ela ficaria ocupada. – Disse Josefine, fitando os estilhaços do espelho.

- Fique calma Jose, você me chamou para te ajudar, comigo aqui tudo vai dar certo. – Trix levou Josefine até a cama, abraçou-a de forma aconchegante e afagou seus compridos fios de cabelo.

- Irmãzinha, só pra te lembrar de uma coisinha simples.. Fui eu quem matou Helen, por que você não conseguiu nem se aproximar da casa dela! – Disse Manson, mordendo um dos estilhaços do espelho e o mastigando.

- Cale a boca Manson! Você não tem outros pactos para fazer por aí, ou algumas entregas do Lúcifer para receber? – Trix perguntou, socando a boca do estômago de Manson.

- Vadia! Te chamaria de filha de uma cadela se não fossemos irmãos! – Manson cuspiu os cacos de vidro e encarou a garota à sua frente.

- Sabe que Lúcifer sempre gostou mais de mim, por isso você me odeia tanto.

- Vá fazer uma de suas premonições e me diga quem vai ganhar o torneio de boxe, será mais útil, sua vidente do quinto dos infernos! – Manson desapareceu, deixando apenas o clima frio no ar.

- Não se preocupe Josefine, assim que Lúcifer tiver a sua neta, e eu tiver o Bill, lhe daremos mais quinhentos anos de vida... Cada um. – Trix beijou o rosto de Josefine e assim como Manson, também desapareceu, levando consigo o cheiro de sangue seco e enxofre.

E agora, o que farei?” – Pensou Josefine.

- Senhora Chevalier, posso lhe dar uma sugestão? – O espírito de uma garota surgiu de um dos cantos do quarto, sentou-se na poltrona e encarou Josefine fixamente.

- Bem que eu havia sentido uma presença de angústia. – Josefine afaga lentamente os cabelos da jovem.

- Posso lhe ajudar com a sua neta, posso deixá-la fraca, com a ajuda dos meus amigos.

- Pode? – Josefine surpreende-se com a notícia.

- Sim, morremos ano passado, quando estávamos indo para a praia, mas nunca conseguimos atravessar o portão. – Josefine não deu muita importância à história do jovem espírito, apenas sorria ao pensar que agora tudo daria certo.

- Entendo, querem oferecer sua ajuda em troca de descanso?!

- Exatamente.

- Faça como quiser, apenas dê um jeito de deixar Madeleyne Klaus Chevalier fraca o bastante para que Manson a derrote facilmente, mas não a mate, a vida dela vale mil anos para mim.

- Como quiser, mas depois disso, quero que liberte eu e meus amigos. – A jovem respondeu, olhando contente para Josefine.

- Claro, até já tenho um novo mediador em mente.

- Seja como quiser, assim que fizermos nossa parte eu voltarei. – O espírito da garota caminha até o canto do quarto de onde surgiu e rapidamente desaparece.

Perfeito, tudo dará certo e eu não preciso mover um único dedo” – Josefine pensa.

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

36 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 28 em Seg Nov 05, 2012 11:45 am

Capítulo 28
Reencontro



- Você não vai mesmo? – Mey perguntou, enquanto colocava os brincos, encarou Madeleyne pelo espelho e suspirou desanimadamente.

- Já sabe a resposta. – Madeleyne levantou-se da cama e caminhou lentamente até a sacada.

- É o Bill, não é? – Mey perguntou, segurando a mais velha pelo antebraço.

- Que besteira! Só não quero ir, tenho que ajeitar meu vestido...

- Nick já trouxe seu vestido. – Mey interrompeu, abrindo a porta do guarda-roupas e tirando um vestido rosado de dentro deste.

- Também tenho que ir no estúdio...

- Ele está fechado hoje, é sábado, se esqueceu? – Mey interrompeu novamente, olhando impacientemente para a outra, procurando alguma resposta nos olhos esverdeados e tão sem vida.

- Admita! Sente algo pelo Bill, não pode negar isso. – Mey foi até a penteadeira, ajeitou a franja e retocou o batom.

- Fica bonita com esse batom. – Madeleyne sentou-se ao lado da jovem pálida, de lábios avermelhados e destacados.

- Não muda de assunto, você adora ficar fazendo isso! – Mey observou Madeleyne pelo canto do olho, passou seu perfume de Jasmim e virou-se para a outra.

- Não está enganando à ninguém. Você gosta dele, e se não gosta...

- Mas eu não gosto, é apenas...

- Como eu estava dizendo, se não gosta, pelo menos sente uma enorme vontade de vê-lo novamente, porém não quer admitir... Por isso fica desse jeito, tão pensativa quando vê qualquer coisa que te faça lembrar dele... Outro dia você simplesmente paralisou quando eu disse que não queria chá de maçã e falei em tom de brincadeira que eu era alérgica.

XXX

– Bill? – Vi uma figura magra e alta entrar no quarto, estava enrolado em uma toalha, cobrindo apenas de sua cintura até os joelhos.

– O..Oi, que.. que sorte eu ti... tive né? – Bill gaguejava por causa do frio, fechei a porta do quarto e liguei o aquecedor, o ajudei a vestir a blusa e o agasalho, virei de costas enquanto ele mesmo vestia a calça de moleton, depois ajeitei a cama dos meus pais e o fiz sentar-se na beirada, enxuguei seus longos fios negros de cabelo enquanto ele abraçava o próprio corpo para espantar o frio.

Coloquei a mão em seu peito, seu coração batia acelerado, empurrei-o devagar até repousar a cabeça no travesseiro, puxei três grossas cobertas e o cobri, ele se encolheu e escondeu o rosto em baixo dos cobertores.

– Desculpa, não queria te dar trabalho. – Bill sussurrou, enquanto fechava os olhos e quase adormecia.

– Não se preocupe, me deixaram passar o natal com vocês, o mínimo que posso fazer é deixar que passem a noite aqui. – Coloquei a mão na testa de Bill para ver se ele já estava começando a recuperar uma boa temperatura, ele continuava gelado, seus lábios já estavam um pouco mais vermelhos mas ainda havia um pouco de roxo, lembrei-me do chá que havia feito, corri até a cozinha, peguei duas xícaras com chá de maçã e voltei para o quarto.

– Bill? – Sacudi seu ombro e ele logo levantou o rosto que estava escondido, sentou-se na cama e ficou me observando por algum tempo.

– Trouxe chá.

– É maçã? – Ele perguntou, eu apenas assenti.

– Usou maçã para fazer o chá? – balancei a cabeça novamente, cofirmando um sim.

– É que eu sou alérgico. – Senti-me envergonhada, deveria ter perguntado se ele era alérgico ou algo do tipo.

– Desculpa, eu não fazia ideia. – Respondi, peguei a xícara de Bill, coloquei-a sobre a bandeja e caminhei até a porta.

– Espera, não precisa, fica aqui comigo por favor. – Aquela frase tão dolorosa voltou a ser repetida, e justamente por um homem deitado sobre uma cama, a cena se distorceu e pude ver meu pai deitado no lugar de Bill, por que esse simples pedido torturou-me tanto?

– Desculpa, o que foi? Falei algo de errado? …

XXX

- Madeleyne, está me ouvindo? – Perguntou Nick, enquanto servia alguns biscoitos e chá.

- Sim, só estava lembrando de uma conversa que tive com a Mey. – Nick fitou Madeleyne de forma desapontada.

- Eu sei, ela foi para o festival, segurando o coraçãozinho nas mãos.

- Além de gay, ainda é dramático demais. – Madeleyne riu debochadamente.

- Mas você, queridinha, não vive sem mim... E sabe o quanto é importante para a Mey conhecer o incrível Deus do sexo alemão... Um bofe daqueles... – Disse Nick, entregando um prato com biscoitos e uma xícara de chá para Madeleyne.

- NICK!! Mas que coisa, se comporta pelo amor de Deus. – Madeleyne olhou surpresa para Nick, quase engasgando-se com o chá.

- Madeleyne, você não queria vir para o Japão, por medo de não ver o tal Bill... E agora que ele está aqui, você quer fugir dele? – Nick encarou a jovem, que apenas abaixou a cabeça e sussurrou algo para si mesma.

- Bem, apenas pense melhor... Se não quer fazer isso por você, faça pela Mey... – Nick levantou-se da cadeira, pegou seu casaco e as chaves de seu carro, retirando-se do cômodo e deixando Madeleyne sozinha.

XXX

- Tudo bem Mey, é apenas o Tom Kaulitz... Apenas o Tom... Um homem, bonito, amigável, apenas o Tom...” – Mey caminhava distraída pelos corredores, perdida em seus milhões de pensamentos e nervosismo, as celebridades a cumprimentavam, porém ela nem percebia, abaixava a cabeça e continuava caminhando apressadamente até a sala do Meet & Greet do Tokio Hotel.

Avistou de longe a entrada da sala, ouviu vários gritos e risadas vindas desta, virou-se de costas para a porta e respirou fundo, tomando fôlego e coragem para não ter um ataque de ansiedade quando avistasse os rapazes com quem tanto havia sonhado.
Virou-se para a porta novamente, caminhou de olhos fechados até ser interrompida por um brusco esbarro com alguém.

- MERDA! – Gritou ao sentir suas costas encontrarem o chão com força, permaneceu imóvel por um tempo até acostumar-se com a sensação de dor.
Abriu os olhos lentamente e levantou-se de súbito, caminhou furiosa até o outro ser que também estava caído no chão.

- SEU IMBECIL, FILHO DE UMA MÃE, POR ACASO É CEGO? SEU BURRO APRESSADO, SÓ POR QUE SOU PEQUENA ACHA QUE PODE ME ATROPELAR, VÁ TOMAR NO SEU... – O homem levantou o rosto, olhando assustado para Mey, sorriu sem entender de onde aquela pequena garota estaria tirando toda aquela raiva e nervosismo.

- EU JÁ ESTOU NUM DIA PÉSSIMO, CHEGUEI ATRASADA POR QUE A MINHA AMIGA NÃO QUIS VIR COMIGO, A FILA DO MEET & GREET ESTÁ ENORME, A SALA DEVE ESTAR UM INFERNO COM ALIENS SAINDO ATÉ DO BOEIRO... – O homem começou a rir enquanto olhava para a sala atrás de si.

- É verdade, a sala está um caos.

- E TEM MAIS, AGORA SUJEI MEU VESTIDO E O TOM...

- O Tom o quê?

- ELE NEM VAI ME OLHAR DESSE JEITO.

- Nossa! Ele deve ser muito idiota para não te ver.

- MAIS IDIOTA FOI VOCÊ, POR ESBARRAR EM MIM.

- Tem razão, o Tom é muito idiota. – O rapaz ria de todo o nervosismo da garota.

- NÃO! VOCÊ É IDIOTA... VOCÊ!! – Mey gritava, quase avançando para cima do pescoço do rapaz.

- Sim, Tom Kaulitz é o rei dos idiotas. – O homem deu uma longa e baixa risada.

- NÃO!! VOCÊ ALÉM DE CEGO É... – Mey ouviu uma sútil, porém conhecida, risada. Aos poucos acalmou-se e pode enxergar com mais clareza o ser à sua frente.

- … surdo?...

- Meu irmão diz isso toda hora, eu acho que ando um pouco desligado das coisas, por isso estou um pouco surdo e cego... Mas então, o que dizia, sobre eu tomar no meu...

- Ops! Me desculpa por isso... ãhn, Tom... MEU DEUS!! É O TOM, CARALHO GENTE! É O TOM!!

- Haha, você é muito engraçada... – Tom riu enquanto ajeitava sua camiseta e os dreads.

- Me desculpa de novo, é que.. Eu estou um pouco nervosa hoje.

- É por causa da sua amiga? – Tom perguntou, escorando-se na parede.

- Sim, ela deveria ter vindo comigo. – Mey sentou-se no chão, ao lado de Tom, que a fitava com um sorriso bobo no rosto.

- Bem, pelo visto estou diante de uma fã. – Tom abaixou-se e fitou seriamente os olhos de Mey.

- A sua melhor fã! – A menor respondeu com um sorriso convencido no rosto.

- Claro, afinal quantas fãs iriam me xingar no momento em que me conhecessem?! – Tom riu ironicamente, levantou-se novamente e estendeu a mão para a garota.

- Quantos anos tem? – Tom perguntou, caminhando até a sala do Meet & Greet, sendo seguido por Mey.

- Ãhn, tenho dezenove. – Mey respondeu, desviando o olhar.

- Sério, parece mais nova.

- Muita gente me diz isso, dizem que pareço ter uns dezesseis. – Mey corou violentamente, abaixou a cabeça e calada seguiu Tom.

- Também acho... – Um silêncio incômodo instala-se sobre os dois, que seguem quietos até o Meet & Greet.

- Você ainda não me falou seu nome, me sinto em desvantagem. – Disse Tom, abaixando a cabeça e timidamente fitando o chão.

- Ah, me chamo Meyko Tashimura, mas pode me chamar apenas de Mey.

- Mey... Quer sair comigo?

- Mas ein? – Mey assustasse com o convite repentino, ela rapidamente encara Tom, que continua de cabeça baixa.

- Eu sei que é bem inesperado, mas eu achei você muito divertida...

- Divertida? Eu estava a ponto de te estrangular, poderia ter matado você há uns cinco minutos atrás.

- Eu sei, ainda estou com um pouco de medo, mas uma garota como você é bem diferente, mesmo me xingando você foi sincera.

- É POR CAUSA DA PUTA DA RIA? O QUE ELA TE FEZ, FALA QUE EU MATO ELA!! SABIA QUE AQUELA VAGABA SÓ QUERIA TEU DINHEIRO!!

- Haha, calma aí Little Mey. É mais pelo fato de você falar o que vem na sua cabeça, posso estar errado, o que é muito difícil por que mesmo errado eu sempre estou certo, mas você parece ser uma garota muito engraçada, divertida e cheia de ideias doidas. – Disse Tom, enfiando as mãos no bolso e fitando a garota com olhar de psicopata.

- O fato de eu sair xingando uma criatura inocente e um tanto cega como você, já me torna doida. – Mey aliviou a expressão e apenas colocou um tímido sorriso nos lábios.

- Então, nos encontramos no final do J-Festival?

- Sim.

- Perto da mesa dos doces lá no restaurante do segundo andar? – Perguntou Tom, olhando as horas em seu relógio de pulso.

- Claro. – Mey respondeu.

- Então até depois Mey, foi um imenso prazer te conhecer. – Tom abraçou Mey, que correspondeu o abraço da forma mais tímida e desajeitada que podia.

XXX

- Bill, vou pegar um pouco de água, minha garganta está muito seca. – Disse Georg, apoiando-se no ombro de Bill e levantando-se com dificuldade.

- Tudo bem, mas vá com calma... Sabe, tem fãs. – Sussurrou Bill, olhando receosamente para Georg.

Georg caminhou rapidamente até a mesa de bebidas, serviu um copo de água e sentou-se ofegante em uma cadeira ao lado da mesa.

- Está tudo bem? – Uma jovem de cabelos castanhos, olhos escuros e pele amorenada se aproximou de Georg, colocando uma das mãos em seu ombro e o fitando com preocupação.

- Sim, eu estou bem... É o calor, minha pressão está um pouco baixa. – Georg respondeu, mostrando um sútil sorriso.

- David me falou sobre isso. – A jovem sentou-se ao lado de Georg, colocou um doce sorriso nos lábios e virou-se para o maior.

- O David? – Georg perguntou, franzindo o cenho.

- Desculpe-me, é melhor eu me apresentar... Eu me chamo Larissa. – Disse a jovem.

- Larissa? É um nome bem bonito. – Disse Georg, servindo mais um copo de água.

- Na verdade é Larissa Monique, mas pode me chamar de Lara.

- E por que eu teria tanta intimidade para chamá-la por um apelido?

- Por que eu por acaso sou a nova manager dos Tokio Hotel? David precisava de ajuda e nós nos conhecemos desde a infância, somos quase irmãos. – Lara revirava sua bolsa em busca de alguma coisa, encontrou um pequeno papel e o entregou para Georg.

- Se ele confia em você então está tudo bem. – Disse Georg.

- Se precisar, meu telefone está anotado nesse papel. – Disse Lara, levantando-se da cadeira.

- Ah, sim... – Georg levantou-se também e voltou para a mesa do Meet & Greet.

Georg observava Lara, ela parecia ter um tipo de brilho, algo que era apenas dela, um brilho que ele jamais tinha visto em lugar algum, era um brilho de bondade.

- Ge, me responde uma coisa. – Disse Bill, dando alguns cutucões em Georg.

- O que é? – Perguntou Georg.

- Aquela garota de rosa, ali na frente, é a Madeleyne? – Bill estreitou os olhos, mas com tantos fãs e pessoas andando de um lado para o outro, ficava quase impossível concluir quem era a garota do outro lado da sala.

- Eu acho que... SIM! – Georg gritou, puxando Bill da cadeira e caminhando com este até a garota.

- Madeleyne! – Bill gritou, soltando-se de Georg e empurrando algumas pessoas.

- Bill?! – A garota gritou, fitando o ser alto que exprimia-se entre a multidão para se aproximar dela.

- Madeleyne... – Bill gritou mais uma vez, jogou-se mais uma vez pelo meio da multidão, dessa vez tropeçou e foi de encontro ao chão, em questão de segundos, dezenas de fãs o cercavam, tentavam levantá-lo mas cada um puxava-o apenas para o seu lado, tornando impossível que este levantasse do chão.

- Bill!! – Madeleyne gritou, sentiu alguém puxar seus braços e ser arrastada para longe de toda a confusão.

- Me solta, é o Bill... Ele pode se machucar... Me solta! – Madeleyne continuava com o olhar fixo no aglomerado de pessoas, mas não entendia por que Bill não levantava, ninguém o impedia de fazer tal coisa, ele apenas estava ali, sentado no chão e gritando por ela.

- Bill, levanta! Por que ele não levanta, ajudem ele... ME SOLTA!!

- Desculpe senhorita, mas você é que precisa de ajuda. – Madeleyne virou-se para a pessoa que a segurava, surpreendeu-se ao ver quatro jovens espíritos a segurando com força, enquanto a arrastavam para fora do J-Festival.

- Mas o que está acontecendo? – Madeleyne foi arrastada até um carro, um quinto espírito surgiu de dentro deste e ajudou os demais a prenderem a jovem no carro.

- Por favor, me soltem!

- Não podemos, queremos ser livres. – Um dos espíritos respondeu, Madeleyne sentiu o carro começar a andar.

- Eu posso libertar vocês, não precisam me sequestrar nem nada do tipo.

- São ordens de Josefine.

- Josefine?! – Madeleyne paralisou, sentiu seu corpo inteiro pesar, milhões de perguntas surgiram em sua mente, que aos poucos começava a desligar-se, a visão embaçou-se e aos poucos tornou-se um grande breu. Ouviu barulhos ensurdecedores e que a angustiavam, uma dor aguda tomou conta de seu corpo e ela rapidamente adormeceu.

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

37 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 29 em Qua Nov 07, 2012 4:37 pm

Capítulo 29
Sete dias de sumiço



“- Como ela pode ter feito isto? Pensei que jogássemos no mesmo time e de repente um grupo de espíritos dão um jeito de sumir comigo, à mando de Josefine... tão escuro, sombrio, molhado, cheiro de grama... Tão frio.”

XXX

- EU NÃO QUERO DESCULPAS! LEVANTEM SEUS RABOS GORDOS DESSAS CADEIRAS E PROCUREM PELA MADELEYNE! – Mey gritava, enquanto segurava com firmeza a gola da camiseta de um policial.

- Senhorita, por favor acalme-se! Não há mais o que fazer, já se passaram cinco dias e não tivemos nenhum sinal de que ela está viva. – Disse o delegado, segurando os braços de Mey e a afastando do policial.

- NÃO! SÓ ESTÃO COM PREGUIÇA DE TIRAR ESSA BUNDA DA CADEIRA! O QUE FOI, DELEGADO? SUAS ROSQUINHAS E CAFÉ VÃO FUGIR?! – Mey esbravejou, batendo com força sobre a mesa e olhando fixamente para o grupo de policiais.

- Mey, por favor se acalma. – Disse Tom, abraçando a menor pelas costas e afagando seus cabelos.

- Tom... – A jovem arregalou os olhos, desvencilhou-se do abraço de Tom e o fitou confusamente.

- Fica calma, pelo jeito eles não podem ajudar. – Tom olhou com desdém para os policiais, que receosos observavam o grupo formado por quatro homens fortes e uma garota que parecia ser a mais valentona de todos.

- Obrigado e tenham um bom dia. – Tom puxou Mey para fora da delegacia, a menor protestou silenciosamente, mas logo rendeu-se à força do Kaulitz mais velho.

XXX

- Tom... – Mey sussurrou, olhando tímida para o mais velho.

- O que foi? Está com fome? – Tom perguntou, abaixando o volume da televisão.

- Não, eu queria te agradecer. – Mey engatinhou lentamente pela cama, enrolou-se em um cobertor e sentou-se ao lado de Tom.

- Posso saber por que? – Perguntou Tom.

- Lá na delegacia, eu perdi a razão, quase tentei matar um daqueles políciais.

- É mocinha, você poderia ser presa...

- Poderia nada, a lei determina que eu vá para um reformatório.

- Está louca é? Você seria presa ou algo do tipo, já é maior de idade. – Tom trocou de canal enquanto observava Mey pelo canto do olho.

- Ah, sim! É verdade, não ligo muito para a minha idade, então até me esqueço. – Mey abriu um sorriso amarelo, escondeu o rosto debaixo do cobertor e fingiu se interessar pelo programa que passava na televisão.

- De qualquer modo, eu estou com fome... Sinta-se em casa, Mey. – Disse Tom, engolindo a saliva e levantando-se da cama.

“- Mey, não estraga as coisas.” – Pensou Mey, seguindo Tom até a cozinha.

XXX

- Jose, Todos pensam que Madeleyne morreu, por que não foi atrás dela ainda? – Perguntou Trix, entregando uma xícara de chá para Josefine.

- Por que a velha não sabe onde ela está, os espíritos ainda não disseram para onde levaram a garota. – Disse Manson, ajeitando sua jaqueta em frente ao espelho.

- Ora meu irmão, não seja tá rude com Josefine, ela é uma boa senhora. – Triz deu um leve soco no ombro de Manson e sentou-se em uma poltrona no canto da sala.

- Tudo bem, conheço esse gênio insuportável de Manson. – Josefine sorveu um gole do chá, enquanto fitava Manson com um olhar debochado.

- Fala demais, para uma velha que pode morrer há qualquer momento. –Manson atirou-se em cima do sofá ao lado de Trix e Josefine.

- Jose... Os espíritos chegaram. – Trix olhou fixamente para o nada, três jovens espíritos surgiram por entre as paredes da casa, com um sorriso confiante rasgando-lhes a face morta e acinzentada.

- E então? – Perguntou Josefine.

- Fizemos o que pediu, ela está em um barranco ao Sul daqui. – Um dos espíritos respondeu.

- Marcamos o local com pilhas de pedras do rio que havia por perto. – Disse o outro espírito.

- Perfeito, Manson... são todos seus. – Disse Josefine, virando as costas aos espíritos.

- Mas o que? E a nossa liberdade? – Os espíritos perguntaram em uníssono.

- Escutem bem, sumam daqui ou irão conhecer meu irmão caçula... – Disse Manson, espreguiçando-se no sofá.

- Mania de envolver o pequeno Luci nos seus negócios sujos! É mais preguiçoso do que um gato gordo. – Disse Trix, acompanhando Josefine.

- Não quero perder meu tempo com um bando de espíritos de adolescentes, o inferno já está cheio desses pivetes ingratos. – Disse Manson, evaporando pouco a pouco.

- Meu irmão já deixou o recado, não apareçam aqui novamente, do contrário conhecerão um lugar muito quente, que chamo de lar. – Disse Trix, fechando a porta da sala e deixando os espíritos sozinhos no cômodo.

- Eles nos enganaram! – Esbravejou o espírito mais baixo.

- Não se preocupe, daremos o troco um dia... – Dito isto, os espíritos desapareceram.

XXX

3 dias depois


- Mey, está tudo bem? – Tom perguntou, retirando alguns fios do rosto da menor.

- Sim, só estou um pouco nervosa, acham que a Madeleyne está bem... E se ela..

- NÃO! É claro que ela está bem! – Bill exclamou, um silêncio incômodo instalou-se no local, Mey mexia os lábios algumas vezes, tentando dizer algo à Bill, mas este apenas virou as costas e rumou até o quarto, trancando-se lá dentro, como sempre fazia quando algo o aborrecia.

- Meyko, fique calma. O Bill está um pouco estranho ultimamente. – Disse Georg, colocando seu celular e as chaves no bolso de seu jeans.

- Por que? – Mey perguntou, esfregando os braços devido ao frio que fazia naquele dia.

- Ele disse que no dia que a viu no J-Festival, algo o empurrou para o chão e não o deixava levantar, mas eu vi com meus próprios olhos que não havia nada em volta dele, a multidão de fãs se afastou de Bill quando ele caiu, e mesmo que todos estivessem longe, ele gritava e se debatia. – Georg sentou-se no braço do sofá ao lado de Tom, ajeitou seu anel no dedo anelar e suspirou.

- E ontem fomos para a piscina coberta do prédio, ele tirou a camiseta e tinha algumas marcas nos braços. – Tom esfregou as mãos, apoiou os cotovelos nos joelhos e fitou o chão, como se este fosse a coisa mais interessante de todo o mundo.

- Marcas? – Mey perguntou, olhando preocupada para Tom.

- Sim, marcas de mãos... Pode ter sido apenas impressão minha. – Disse Tom, levantando-se do sofá e caminhando até a
janela.

- Eu espero que tenha sido mesmo. Se me dão licença eu tenho que encontrar a Lara. – Georg estampou um pequeno sorriso no rosto, abraçou Mey e rumou até a porta.

- Tem saído bastante com ela. – Tom riu divertidamente, olhou malicioso para Georg enquanto arqueava a sobrancelha.

- Desde que você não dê em cima do que não é seu. – Georg fitou Tom cinicamente, o de dreads fechou o rosto num semblante irritado.

- Já faz quase cinco anos, dá para esquecer isso? – Tom bufou, enquanto observava o céu.

- Estou apenas te lembrando, para não fazer burrice de novo. – Georg saiu do apartamento. Mey olhava confusa para Tom, afinal do que os dois falavam? A menor sentiu-se perdida e o pior, completamente esquecida, presenciou uma breve briga de Georg e Tom, e os dois haviam agido como se ela não estivesse presente.

- Mey, o Gustav precisa da sua ajuda... Ele quer comprar um presente para uma pessoa, pode acompanhá-lo? – Tom perguntou, ainda de costas para a menor.

- Sim... Tom...

- Está tudo bem, eu preciso ficar sozinho. – Tom espalmou as mãos no vidro da janela, enquanto observava Georg conversando com Lara do outro lado da rua.

XXX

- Mey, o que acha deste colar? – Gustav perguntou, mostrando uma correntinha de prata com um pingente em forma de flor-de-lís.

- É lindo.

- É um símbolo francês. – Disse Gustav, admirando a jóia.

- Por que está tão calmo? A Madeleyne desapareceu e você está...

- Eu sei que ela está bem. – Gustav demonstrou um semblante otimista com um tímido sorriso nos lábios.

- Como pode ter tanta certeza?

- O Bill me disse. – Gustav entregou o colar para uma funcionária da joalheria e virou-se para Mey.

- E como ele pode ter certeza disso?

- Ele não tem certeza, apenas sabe que ela está bem. – Gustav sorriu tão sereno que chegou a arrepiar Meyko, afinal como eles podiam estar certos disso? Já havia se passado uma semana e nada de Madeleyne aparecer.

- Com licença, você é o Gustav Klaus? – Uma senhora acompanhado de uma jovem gótica perguntou ao loiro que acabara de pegar um embrulho no balcão da joalheria.

- Sim, por que? – Gustav perguntou, ele sabia que conhecia aquela senhora de algum lugar, seu rosto não era desconhecido.

- Graças à Deus o encontrei! Procurei um de vocês por toda parte. – Disse a senhora, abrindo sua bolsa e tirando algumas fotos desta. Entregou-as à Gustav e sorriu fracamente.

- Madeleyne? – Perguntou Gustav, observando as fotos em sua mão.

- Fico feliz que tenha se lembrado dela. – Disse a senhora.

- E você é a Josefine, não é? – Gustav perguntou, entregando as fotos à senhora.

- Sim, preciso de um favor seu.

- Que tipo de favor?

- Se eu disser você não vai acreditar, pode vir até a minha casa?


XXX

- Então Georg, continua com a pressão baixa? – Lara perguntou, enquanto brincava delicadamente com os dedos em volta da borda de uma taça de cristal.

- Sim, estou bem melhor. Isso sempre acontece quando viajamos, o fuso horário me deixa um pouco desconfortável. – Disse Georg, desviando o olhar para todos os lugares do restaurante, evitando fitar as duas orbes castanhas que o observavam fixamente.

- Está nervoso? Tinha algum compromisso? Se quiser podemos sair outro dia, eu não...

- Está tudo bem, é que estou com a sensação de que já te conheço de algum lugar.

- Mesmo? De onde? – Lara perguntou, apoiando os cotovelos na mesa e olhando serenamente para Georg.

- Não apenas de um lugar, mas de vários... É como se já tivesse te visto em todos os lugares que visitei. Devo estar louco. – Georg riu desconfortavelmente.

- Não haveria graça no mundo se não fossem os loucos. – Lara inclinou a cabeça para o lado, o que fez com que Georg não pudesse mais desviar o olhar, ele olhava fixamente para a garota, sem entender que tipo de charme ela tinha para deixá-lo com sensações tão estranhas e boas.

- Então você será nossa nova manager? – Georg mudou de assunto enquanto sorvia um gole de seu vinho branco.

- Na verdade eu não serei apenas manager, mas também um tipo de psicóloga de vocês. – Disse Lara.

- É por causa dos gêmeos, não é?

- Sim, David me disse que eles andam um pouco estranhos.

- Bill está nervoso, qualquer coisa o tira do sério. Tom está carente e deprimido, ele diz ter conhecido a garota da vida dele, mas duas semanas depois ela sumiu com o cartão dele.

- Não sabia que as coisas estavam tão sérias assim.

- Não faz o tipo do Tom se apaixonar, mas certas pessoas podem mudar outras, não é?

- Não certas pessoas, Georg... Mas sim as pessoas que se esforçam para isso.

- Isso parece o tipo de coisa que o Bill diria.

- Bill acredita que almas gêmeas já nascem destinadas à se encontrar, eu acho que almas gêmeas se constroem.

- Você é daquele tipo de garota romântica?

- Sem rótulos por favor, pare de falar de “tipos” e comece a falar de personalidades.

- Ok, você é uma personalidade rara. – Disse Georg, mostrando um sútil sorriso.

- A linha de raciocínio segue bem por aí...

- Por que não pediu sobremesa? – Perguntou Georg, enquanto comia seu sorvete de morango.

- Não gosto muito de doces, prefiro salgados.

- Ah, é um desperdício, esse sorvete está muito bom... – Disse Georg, olhando maliciosamente para Lara, enquanto colocava outra colherada de sorvete em sua boca.

- Que bom, então coma o resto. – Lara desviou o olhar, fazendo uma careta debochada e risonha.

- Não quer mesmo? – Perguntou Georg, estendendo a colher com sorvete para Lara.

- Não, obrigado.

- Abre a boca, lá vem o aviãozinho.

- Mas o que? Ficou louco é? – Lara riu do semblante bobo que Georg fazia.

- “Não haveria graça no mundo se não fossem os loucos” - Disse Georg, afinando a voz para imitar a frase dita por Lara.

- Por acaso esqueceu de tomar seus remédios para não fazer idiotices? – Perguntou Lara, enquanto ria das caretas de Georg.

- Se não comer o sorvete eu vou subir na mesa e imitar um porco assustado.

- Faça, a reputação de louco vai ser toda sua.

- Só uma colherada, não vai te matar... Abre a boca, se não o avião vai derreter.

- Só para não passar por um mico desses, eu vou aceitar. – Disse Lara, tentando pegar a colher da mão de Georg, mas este desviou e fitou a jovem com um semblante debochado.

- Deixa que eu faço isso.

- Georg..

- Shiu, sem protestos por favor... Abre a boca. – Lara revirou os olhos e logo em seguida os fechou, abriu a boca devagar e sentiu o gosto gelado de morango em sua língua.

- Viu, não foi tão ruim assim. – Disse Georg, comendo outra colherada de sorvete.
Lara olhou em volta e percebeu que algumas mulheres, acompanhadas de seus namorados a observavam, algumas cutucavam seus parceiros e cochichavam alguma coisa.
O rosto de Lara corou violentamente, sem passar despercebido por Georg, que começou a rir, ou melhor, gargalhar.

- Que bonitinha. – Disse Georg, bebericando um pouco de seu vinho.

XXX

[Gustav’s POV]

Eu não entendia o que Josefine queria dizer, ela contava histórias confusas sobre espíritos, anjos, demônios, morte... Coisas que eu achava impossíveis de existirem.
Mas a cada argumento, uma mudança súbita das reações de Mey apenas confirmava tudo o que Josefine dizia.
Mey falou sobre um diário e que acreditava que este não passava de uma besteira de Madeleyne, mas quando sua avó disse sobre o diário de vida de um... mediador?! Esta foi a palavra que ela utilizou cinco ou seis vezes.

Saímos de seu apartamento com mais perguntas do que respostas, aquilo tudo era mesmo real?
Ela havia me pedido para fazer uma conexão, precisava apenas que eu me deitasse em uma cama e me concentrasse em Madeleyne, se fizesse da maneira certa seria capaz de encontrá-la.
Ela precisava saber se Madeleyne estava viva, e a confirmação de sua morte abalou tanto à mim quanto à Mey, que suportou de toda a forma que podia, segurou as lágrimas e as derrubou apenas quando já estávamos no nosso apartamento, ao lado dos gêmeos.

Bill trancou-se em seu quarto mais uma vez, Tom consolava Mey e eu apenas fiquei alí, incapaz de expressar qualquer emoção, eu não queria acreditar que Madeleyne poderia estar morta, ou talvez já acreditasse nisso, mas minha ficha ainda não havia caído.

Se fosse mesmo verdade tudo o que Josefine havia dito, como Madê poderia ter sumido sem deixar rastros? Uma garota que supostamente libertava espíritos e estava destinada a enfrentar demônios, falar com anjos e a lidar com a própria morte, como ela poderia ter sumido por tão pouca coisa?

XXX


[Tom’s POV]

- Já se sente melhor? – Perguntei, adentrando o banheiro e me deparando com uma jovem tão sem vida, escorada ao lado da banheira. Ela soluçava quietinha, para que ninguém a ouvisse, levantou o olhar algumas vezes, mas não era capaz de conter o choro para me dizer alguma coisa.

- Faz uma semana que não vejo minha amiga, e quando tenho a chance de saber se ela está bem, descubro que ela está morta. – Disse Mey, escondendo o rosto entre os joelhos, não pude deixar de reparar a roupa que ela vestia, um pequeno short branco, uma regata rosa e nenhum sutiã. Vê-la daquele jeito, inocente e perdida deu-me cada vez mais vontade de aproximar-me, mas isso não seria me aproveitar de um momento de fraqueza? E se fosse isso que ela quisesse, ou até isso o que ela precisasse? Sentei-me ao seu lado, puxei-a para meu colo, deitei sua cabeça em minha clavícula.
Senti as gotas quentes de seu choro escorrendo pelo meu peito, uma de suas mãos agarrou com força o tecido da minha camiseta e os sútis soluços tornaram-se quase um desabafo em voz alta, afaguei seus cabelos e a puxei mais para mim.

- Vou ficar aqui até essa dor passar. – Duas orbes castanhas e molhadas voltaram-se para mim, umedeci os lábios e depositei um pequeno selo em sua testa.
Mey enlaçou meu pescoço com os braços, puxando-me para perto de seus rosados lábios, sequei as lágrimas que escorriam pelas rubras bochechas tão macias.

Aproximei nossos rostos, fundindo nossas respirações numa só, o que eu estava esperando? Não era tão difícil, já tinha feito aquilo milhares de vezes, mas algo me impedia, por que ela tinha que se parecer tanto com Karen? Talvez fosse a minha chance de consertar as coisas, traí Karen tantas vezes e quando comecei a realmente me apaixonar por ela, fui trocado pelo meu próprio dinheiro.

- Tom... – Mey sussurrou, segurando a barra da minha camiseta, a ajudei a tirá-la, ela parou por alguns instantes, passou a admirar meu peito, sorri um pouco, o rostinho tão sereno e transbordando de felicidade no olhar, parecia uma criança ao ganhar o brinquedo que tanto queria.

Lentamente retirei a regata rosa que Mey trajava, ela desviou o olhar envergonhada. Eu estava certo, por baixo da regata havia apenas um par de seios.
Segurei-a pela cintura, de imediato senti a pele alva arrepiar-se, depositei um beijo em seu pescoço e outro em sua clavícula, tinha tanta vontade de tocá-la.
No dia em que nos esbarramos no J-Festival, senti seus macios seios baterem contra meu peito, vê-la com aquele vestido justo, delineando suas curvas tão jovens e sensuais.

O rosto parecia ter sido esculpido numa porcelana, despertando um lado meu que poucos conhecem, nem mesmo Bill deve conhecer este meu lado.
Não é um lado romântico, longe disso! Está mais para uma obsessão, fiquei obcecado por aquela garota no dia em que ela me derrubou, literalmente.

Estava tão obcecado para tê-la, que quando finalmente a consegui eu não sabia o que fazer.
Eu não queria sexo, queria apenas poder tocá-la, deixar minhas mãos passearem por seu corpo, queria apenas matar minhas curiosidades, igual a quando você entra em uma loja e vê tantas coisas interessantes, você não se contenta em apenas olhar, você precisa tocar, pegar, segurar, sentir a textura.
Era isso que eu queria, queria sentir a textura daquela pele, deixar o cheiro dela impregnado nas minhas roupas, na minha cama, em mim. Aquele cheiro doce de Jasmim, cheiro delicado, sútil, marcante... Cheiro de flor, uma flor de porcelana.
Estiquei minha camiseta sobre o chão e deitei Mey por cima desta, deitei por cima de seu corpo, sem soltar o peso. Aproximei os lábios lentamente de seus seios, mas não era por eles que eu buscava, pelo menos não agora.

Subi os lábios, arrastando-os suavemente por sua pele, até encontrar os delicados e rosados lábios que tanto desejava, envolvi-os com volúpia, num beijo ansioso, meio errado, curioso.
Desacelerei o ritmo, para não perder todo o fôlego de uma vez só, queria aproveitar aquele momento antes de sentir falta de um pouco de ar.

- Tom... – Mey murmurou em meio ao beijo, afastei nossos lábios e fitei os castanhos olhos amendoados.

- Não precisa me amar, mas fica aqui comigo... Por favor. – Novamente seus olhos deixaram algumas lágrimas caírem, enxuguei-as e depositei um delicado selo em sua testa.

- Você confia em mim? – Perguntei, levantando-a do chão e a segurando no meu colo.

- Sim, de olhos fechados. – Ela respondeu, rodeando meus pescoço com as mãos e escondendo o rosto em meu peito.

- Então descanse. – Levei-a até o quarto, a vesti com uma de minhas camisetas e deitei-a sobre a cama.

- Mas... – Coloquei o indicador sobre seus lábios, sorri gentilmente e deitei-me ao seu lado.

- Reputação é mesmo uma desgraça, se você tenta agir diferente, as pessoas acham que você mudou, quando na verdade você só tenta ser você mesmo. – Falei enquanto cobria Meyko, ela sorriu, talvez por que tivesse entendido o que eu queria dizer com aquela frase, ou justamente por que não a tinha entendido.
Afaguei seus cabelos até que ela dormisse, não demorou muito e eu também já estava entregue ao mundo dos sonhos.

A minha obsessão ainda não havia terminado, mas eu estava tão eufórico por dentro, andava tão ansioso por aquela garota e quando tinha ela somente para mim, não consegui raciocinar direito, senti-me um novato inexperiente naquele momento. Como se tivesse voltado aos meus treze anos de idade, quando jogar videogame com meu irmão era mais importante do que procurar garotas.

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

38 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 30 em Qua Nov 07, 2012 4:42 pm

Capítulo 30
Os sonhos



3 Dias depois

[Bill’s POV]

Era como se milhões de facas atravessassem meu peito, sentia dores terríveis, um pouco de sangue escorria lentamente pelo vidro que ainda se mantinha inteiro nas janelas do carro.
Tinha sido uma queda e tanto, deveria agradecer ao fato de estar vivo e inteiro,
Caminhei lentamente pelo meio daquele bosque, tremia de frio, minhas pernas insistiam em fraquejar a cada passo que eu dava.

Lembro-me apenas de estar dirigindo de volta para a casa, quando de repente eu não conseguia me mover, o carro acelerava cada vez mais, não podia apertar o frio e muito menos esticar os braços até o volante.
Saltei para fora da estrada, que ficava logo acima de um bosque.

O carro voou por alguns instantes, até cair no meio das árvores, como eu disse, devo agradecer por estar vivo.
Caminhei até não poder mais, cheguei até a margem de um pequeno rio que corria por ali, cinco pilhas de pedras estavam dispostas em volta deste, mas o que mais me chamou a atenção foi a silhueta de uma jovem, largada à própria sorte no meio das pilhas de pedra.

Aproximei-me do corpo, mas a cada passo seu tamanho diminuía, até que ficasse do tamanho de uma boneca, peguei-a em minhas mãos, era uma pequena boneca de porcelana... Tinha olhos verdes, cabelos ondulados e castanho, parecia-se tanto com... Ma...

- AAAAHH!! – Gritei desesperado, sentindo uma dor aguda em meu peito, rasguei os lençóis da cama na tentativa inútil de fazer a dor parar.

- Bill?? – Tom adentrou o quarto, jogou-se sobre a cama e me abraçou, segurando meus braços com força.

- Pare com isso! Está se machucando sozinho, pare por favor!! –
Tom gritava, enquanto me levantava da cama e me puxava para o banheiro, eu só conseguia me debater, eu sabia que era meu irmão que estava ali me segurando, mas a cada olhar dele a dor aumentava, estava desesperado, precisava que essa dor parasse, faria de tudo para fazê-la parar.

- Tom, o que houve? – Ouvi a voz de Mey, que olhava-me assustada, por um instante me senti a vítima, desvencilhei-me dos braços de Tom e avancei para cima da garota. Céus! Por que fiz isso? Segurei-a pelo moletom que trajava e a joguei contra o espelho que ficava ao lado da pia.

- Meyko! – Tom gritou, correu até a garota, pegou-a no colo e correu até o quarto, deixando-a sobre a minha cama.
Tom voltou rapidamente até o banheiro, retirou a chave que ficava do lado de dentro deste, fechou a porta, trancando-me sozinho.

Escorei-me na porta e tudo que podia ouvir era a respiração acelerada de Tom, ouvi um pequeno soluçar e palavras inaudíveis do meu irmão.
Depois de algum tempo eu já não podia ouvir mais nada, ele não estava mais ali, e também não iria me deixar sair do banheiro tão cedo.

O que eu fiz? O que aconteceu comigo? Só agora percebi que estava sangrando, várias marcas de arranhões profundos podiam ser visto no meu peito e braços, que diabos aconteceu?
Tom disse que eu estava me machucando sozinho, eu fiz isso durante aquele sonho estranho?

Por que fiz? Por que machuquei Meyko? Tom nunca me perdoaria por tê-la machucado, nossa relação ia de mal à pior nesses últimos dias, agora eu havia acabado de estragar o pouco que restava...
Por que eu fiz isso? Era só o que eu conseguia me perguntar.

XXX

[Gustav’s POV]

- Continue tentando Gustav, precisamos ter cem por cento de certeza de que ela não morreu! – Era apenas o que Josefine conseguia dizer, havíamos descoberto que talvez Madeleyne ainda estivesse viva.

Ontem Josefine havia conseguido me convencer de toda essa história de Mediadores, espíritos, demônios e anjos. Ela me mostrou tantas coisas, tantos fatos, argumentos... Todos me convenceram, conseguiram mudar meu ponto de vista.
E agora vejam só, ela já falava algo sobre me tornar um mediador caso não conseguíssemos encontrar Madeleyne ainda com vida.

Estávamos tentando fazer uma espécie de “conexão” , se eu conseguisse me conectar com Madeleyne, seria capaz de descobrir o exato lugar onde ela está.
Mas de nada adiantava, Josefine dizia que eu ainda não tinha experiência suficiente para isso.
Eu não entendia o que era essa tal de experiência, mas sabia que precisava consegui-la de alguma maneira.

- Gustav, vamos tentar outra pessoa... Preciso falar com a Meyko, pode me levar até o apartamento dela? – Josefine perguntou, guardando os objetos utilizados na conexão.

- Sim, mas ela não está no apartamento, desde que Madeleyne sumiu ela está morando com os gêmeos, parece que ela não pode ficar sozinha no apartamento.

- É uma daquelas coisas de faculdade, enquanto ela não completar dezoito anos, precisa de um responsável maior de idade morando com ela. – Disse Trix, surgindo do corredor que levava até os quartos. Essa garota causava-me arrepios, carregava sempre um olhar bondoso, porém um sorriso malígno nos lábios, usava um pingente de Yin-Yang, que ficava pendurado em uma corrente avermelhada.
Sempre que se aproximava de mim, um arrepio gelado percorria minha espinha

- Mas Meyko já tem dezenove, ela poderia ficar sozinha.

- Dezenove? Estamos falando da mesma garota? – Josefine perguntou.

- Ela não parece ter dezenove anos de idade, mas todas as garotas daqui do Japão parecem ser bem mais novas do que realmente são. – Falei, levantando-me da grade mesa redonda.

- É verdade. – Disse Trix, olhando para Josefine com um sorriso perturbador.

- E o Bill, como ele está? – Trix perguntou, abrindo as grossas cortinas vermelhas da sala.

- Acho que está bem. – Respondi, desconfiado da pergunta.

- Ainda bem, às vezes o Manson exagera um pouco. – Trix recebeu um olhar frio de Josefine, sorriu cinicamente e caminhou até o corredor de onde havia surgido.

- Não dê ouvidos às besteiras que ela diz. – Disse Josefine, dando leves tapinhas no meu ombro.

XXX

[Bill’s POV]

Já haviam se passado algumas horas desde que Tom havia levado Meyko até o hospital, ela precisaria tomar alguns pontos acima da sobrancelha.
Tive tempo suficiente para refletir sobre o que tinha feito, era como se eu tivesse me transformado num animal selvagem, ataquei por medo, por defesa... Mas do que? Ninguém tentou me fazer mal, mas a sensação era de ameaça... Como se eu estivesse ficando louco.

Sentei-me sobre o banco que ficava perto do piano de Tom, ele finalmente estava se dedicando totalmente àquele instrumento tão bonito e lustroso. De vez em quando eu tentava formar algumas notas, mas apenas quando estava sozinho, Tom já havia me ensinado a tocar violão, e devo dizer que foi a muito custo, depois do que fiz com Mey, eu não seria capaz de pedir mais nada ao meu irmão. Por que fiz aquilo?!

Vi a luz da rua refletida sobre a superfície negra do piano, ela parecia dançar, moldou-se lentamente, adquirindo a forma de um rosto.... Um rosto?!
Era Madeleyne... Eu só podia estar ficando louco!

- Bill... – Uma voz sussurrou, enquanto tudo tornava-se branco, naquele momento existia apenas eu, o piano e uma linda silhueta que dançava lentamente pelo ar.

- Venha me buscar... – A voz sussurrou novamente, a silhueta continuava a dançar, era apenas uma figura com longos cabelos cacheados, que a envolviam por inteiro, cobrindo seu rosto.

- Onde? – Perguntei, mas não obtive resposta.
Aos poucos aquela garota que dançava se aproximou de mim, e a cada passo tornava-se menor, como no sonho que tive na noite anterior, ela viraria uma boneca de porcelana novamente?

- Minha mãe me dizia que o rio era perigoso, a água sempre me fez mal... Mas ela é tão linda. – A voz sussurrou novamente, mas dessa vez não era uma voz adulta como antes, parecia uma criança.
A garota que dançava havia se tornado uma pequena garotinha, com grandes olhos castanhos, pele alva e finos cabelos ondulados.

- A água sempre foi perigosa para mim, mas a chuva me mantém viva... Precisa me buscar, antes que a chuva acabe. – Disse a garotinha, que dançava em pequenos pulinhos, dando contínuas voltas pelo espaço vazio.

- A chuva? Está chovendo no lugar onde você está?

- Ela sempre me machucou, e agora está triste, ela está chorando...

- Poderia dizer alguma coisa que faça sentido?

- Cinco jovens, cinco pilhas de pedras, na margem, o verde tornou-se escuro... sem vida... apenas por um fio, pela chuva... Beije-a... Agora faz sentido?

- Só piorou as coisas. Quem devo beijar?

- A chuva, ainda não entendeu? Ela está triste, só quer ser amada, a outra nunca permitiu, sempre a escondeu do mundo, escondeu os sentimentos dela, por medo de morrer.

- Por favor, diga algo que faça algum sentido, não consigo entender, não consigo.

- Se junte ao inimigo, para encontrar a chuva, quando a encontrar... Beije-a, salve a chuva. – Disse a pequena garota, afastando-se de mim.

- A chuva é a Madeleyne? – Perguntei, indo atrás da garotinha.

- Você é o seu maior medo... Qual seu medo Bill? Perder Tom? Então você é o Tom... Ela tem medo da chuva, do frio, da neve... O inverno a machuca tanto, você é o seu medo, ela é a solidão, é a chuva, é a morte, o abandono, o vazio sem amor... Esse é o princípio da nossa existência, você é o seu medo... Qual seu medo? – Aos poucos a visão da sala do piano ia voltando, a garotinha sumiu aos poucos, deixando apenas sua risada infantil em meus ouvidos.
Ouvi tantas coisas confusas e sem sentido... Você é o seu medo... O que ela quis dizer?

XXX

[Meyko’s POV]

- Eu não consigo entender o que deu nele, agora há pouco o vi falando com o piano. – Disse Tom, tomando num gole só um copo inteiro de água com açúcar.

- Ele deve estar perturbado. – Disse Trix, acariciando as costas de Tom.

- Sim, essa coisa de possessões demoníacas existem? – Tom perguntou.

- É apenas uma história para assustar os padres sem fé, o que eles enfrentam, na verdade, são espíritos que não conseguem descansar. – Disse Trix, sentando-se ao lado de Tom e segurando suas mãos.

- Vai ficar tudo bem, eu prometo.. Tomy. – Trix sorriu de um jeito incrivelmente enojante, a vontade que tive foi de estrangulá-la naquele momento.

- Obrigado. – Tom levantou-se do sofá, aproximou-se de mim, depositando um selo nos pontos que havia levado acima da sobrancelha.

- Desculpem fazê-los esperar, o chá da conexão demora um pouquinho até atingir o ponto perfeito. – Disse Josefine, carregando uma bandeja com um grande prato fundo de porcelana.
Despejou um líquido quase preto dentro deste, tirou uma fita de cetim do bolso e a jogou dentro do recipiente.

- Essa é a única coisa que tenho de Madeleyne, portando será a segunda e última conexão que faremos... Se concentre bastante Meyko. – Disse Josefine, me entregando o recipiente com o líquido escuro.

- Beba tudo, vai se sentir um pouco exausta durante e depois da conexão, mas não se preocupe.

- Tudo bem. – Bebi o chá negro, tinha um gosto realmente nojento, cheirava à plantas mortas e à terra úmida. Por um momento pensei que aquilo fosse lodo, segurei a mão de Tom enquanto terminava de beber aquela mistura de água e coisas que eu nem gostaria de saber o que eram.
Senti uma dor de cabeça enorme, minha temperatura aumentava rapidamente, sentia o súor escorrendo pela minha testa, coloquei o prato de porcelana sobre a mesa no centro da sala, me ajoelhei e rapidamente tirei o casaco que vestia.

- O que está acontecendo? Mey, você está bem? – Tom perguntou, me segurando pelos ombros e chacoalhando-me um pouco.

- Está tudo bem Tom, ela vai ficar bem... Meyko, o que está vendo ou ouvindo? – Josefine perguntou, segurando as mãos de Tom para que ele se acalmasse.

- Tem um rio e está chovendo, tem uma garota no chão.

- Pode se aproximar dela? – Perguntou Josefine.

- Estou tentando, mas minhas pernas não se movem, está doendo... Falta ar. – Comecei a tossir com força, podia sentir o tapete molhado abaixo de minhas mãos, eu estava tossindo água? Era como se tivesse uma pedra presa nos meus pés, me arrastando para o fundo daquele rio.
Meus pulmões expremiam-se cada vez mais, a angústia de buscar ar e não conseguir encontrá-lo, eu precisava sair dalí, minha cabeça começava a pesar e aos poucos eu apenas adormeci.


Acordei muito tempo depois, já era noite e minha cabeça ainda doía um pouco.
Olhei em volta e percebi que não estava sozinha, Tom dormia do outro lado da cama, segurando meu casaco.
Passei a mão por seu rosto, ele despertou, levantando-se rapidamente e me abraçando.

- Pensei que não fosse mais acordar! – Ele sussurrou, afagando meus cabelos e soluçando baixinho.

- Está chorando? – Perguntei, acariciando suas costas.

- Não, é que caiu uma sujeirinha no meu olho. – Disse Tom, afastando-se lentamente e esfregando os olhos.

- Eu fiquei preocupado, você parecia estar se afogando. – Tom sussurrou, desviando o olhar para os lençóis.

- Está tudo bem agora. – Abracei-o com força, enlaçando seu pescoço e sentindo aquele cheiro tão refrescante que ele tinha. Suas mãos seguraram minha cintura com firmeza, deitei-me lentamente, puxando Tom para cima de mim, ele escondeu o rosto na curva do meu pescoço, a respiração quente e descompassada arrepiava cada parte de mim.

- Tom... – Arranhei suas costas levemente, arrancando um pequeno gemido de Tom, ele levantou-se e me encarou por alguns segundos, suspirou pesadamente e sorriu um pouco.

- Eu não consigo, você me deixa muito feliz, me diverte bastante, mas... Olhar para você me deixa triste.

- Por que?

- Você parece tão inalcançável para mim. – Disse Tom, desviando o olhar para os lados.

- Mas eu estou aqui, só para você. – Falei, segurando seu rosto com as duas mãos.

- Eu sei, mas eu fico triste. – Tom mordeu o lábio inferior, olhando para os travesseiros.

- Por que? – Perguntei, passando os dedos por entre os compridos dreads negros.

- Por que você me lembra ela... A Karen. – Tom levantou-se, engatinhou até a beirada da cama e ficou alí por um tempo, suspirando e fitando o chão.

- Quem é ela? – Perguntei, me aproximando de Tom e o abraçando pelas costas.

- Eu não sei, pensei que sabia... Eu sempre fui idiota, dava esperanças falsas às minhas namoradas, e quando me apaixonei, recebi o troco por ter magoado tanto.

- Se quiser eu vou embora, se eu te deixo triste é melhor você não me ver.

- Não! Me mostra que você é diferente, promete que nunca vai mentir pra mim.

- Tom... eu....

- Promete! Por favor, promete que não vai esconder nada de mim.

- Eu... Eu prometo.

- Obrigado. – Me envolveu em um abraço, escondi meu rosto em seu peito, eu não seria capaz de olhá-lo depois de ter feito uma promessa falsa.
Se me dissessem que Tom Kaulitz havia se apaixonado de verdade, eu não teria acreditado nunca... Mas os olhos sem vida e quase transbordando algumas lágrimas me disseram isso, convencendo-me na mesma hora.
E logo eu tinha que me parecer com essa tal Karen? Eu não tinha culpa se ela só estava de olho no dinheiro... E talvez Tom pensasse o mesmo de mim se descobrisse que eu tinha apenas dezesseis anos de idade.

XXX

- Está um tédio aqui, o David sempre reclama quando eu me atraso, eu não posso chegar nem dois minutos atrasados, mas ele pode né?! – Georg esbravejou, dedilhando seu baixo verde e fazendo caretas de deboche.

- Devo estar louco, agora fico pelo estúdio sozinho, em plena madrugada, e ainda conversando comigo mesmo! Calma, Georg! Você só está cansado, entediado e querendo matar o Jost. Ah é, e falando so-zi-nho! Nossa, como você é otário, imbecil, retardado. Deveria ter escolhido a minha cama, seu imprestável!

- Eu sabia que os loucos falavam sozinhos, mas não que faziam questão de se xingarem. – Disse Lara, olhando com um ar debochado para Georg, ela ajeitou alguns papeis que trazia consigo, tentando disfarçar a risada.

- Ah... Eu não sabia que tinha mais alguém aqui, pensei que estava sozinho. – Disse Georg, colocando seu baixo no suporte e olhando envergonhado para Lara.

- Se quiser eu vou embora e você pode continuar essa conversa tão emocionante com sua criança interior. – Lara riu, fazendo com que alguns dos papeis que segurava caíssem no chão.

- Ah, eu te ajudo a pegar. – Disse Georg, se abaixando para pegar os papeis.

- Não precisa. – Na mesma hora em que Georg levantava, Lara abaixou-se, fazendo com que os dois batessem as testas um no outro.

- Eu sou muito desastrado, me desculpa... Ai Georg, seu burro! Desse jeito atrapalhado vai matar alguém! – Georg esbravejou contra si mesmo, dando alguns pequenos tapas na cabeça.

- Vai me matar de rir, isso sim! – Disse Lara, esfregando a testa.

- O que estava fazendo aqui até essa hora? – Georg perguntou, entregando para Lara os papeis que havia recolhido.

- Estava organizando os demos, imprimindo possíveis capas do novo álbum, passando as composições do Bill para o computador e afinando os violões favoritos do Tom. – Disse Lara, colocando os papeis sobre a mesa de centro da pequena sala de lazer da banda.

- Você toca? – Perguntou Georg, sentando-se no sofá, esticou-se para pegar seu baixo e logo começou a dedilhá-lo.

- Só de vez em quando, não tenho muito tempo, e eu também nem consegui terminar as aulas de baixo.

- Eu poderia te ensinar.

- Você deve ter coisas mais importantes para fazer do que ficar algum tempo do meu lado. – Disse Lara, pegando seus papeis e rumando em direção ao corredor.

- Lara, espera... Claro que não, se quiser eu posso te ensinar. – Disse Georg, colocando seu baixo sobre o sofá e indo atrás de Lara.

- Eu não sei se quero ficar algum tempo do lado de um cara tão louco e atrapalhado, você pode tentar me matar quando eu dormir.

- Ah é, como se eu fosse ficar no seu quarto... – Georg e Lara entreolharam-se, as duas faces coraram quase que de imediato.

- Mudando de assunto... Quer ir no cinema? – Georg perguntou.

- Quando? Não sei se tenho tempo para um louco assassino.

- Agora, tem uma sessão daqui uns vinte minutos, e não é muito longe.

- Que tipo de filme? São duas da manhã, só pode ser pornogra...

- NÃO! Eu nem gosto desse tipo de coisa... éca, coisa de macho carente, cinco contra um, descabelar palhaço, éca.. é nojento. – Disse Georg, fazendo algumas caretas.

- Além de louco é gay? Que tipo de homem não gosta de sexo? Quanto mais descubro sobre você, mais fico preocupada com meu bem estar e sanidade mental, tomara que não seja contagioso. – Lara olhou com um ar irônico para Georg, arqueou uma das sobrancelhas e cruzou os braços.

- Haha, engraçadinha... Estou morrendo de rir! – Disse Georg, debochando de Lara.

- Mas tudo bem, eu aceito o seu convite, mas prometa que eu irei voltar sã e salva para casa.

- Tudo bem, prometo não tentar te matar.... Hoje..

- Haha, agora sou eu que estou morrendo de rir. – Disse Lara, colocando suas luvas e cachecol.

- Não morra ainda, temos que ir ao cinema primeiro, se bem que eu acho que gente morta paga só a metade do ingresso.

- Se continuar assim, nós dois pagaremos apenas meia entrada.

- Quem vai me matar? Você?! Até parece. – Georg gargalhou, inclinando-se para trás, como se fosse um daqueles vilões convencidos de desenhos animados.

- É o que veremos. – Disse Lara, dando um leve soco no ombro de Georg.

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

39 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 31 em Qua Nov 07, 2012 4:50 pm

Capítulo 31
O que há com Bill?



5 Dias depois

[Bill’s POV]


Não houve um único dia em que eu não tivesse sonhado com ela.
Todas as noites, os mesmos olhos verdes, a mesma garotinha, a mesma dança, o rio, as pedras... As palavras desconexas e sem sentido, tudo martelando minha cabeça durante a noite.

O suor escorrendo em minhas costas, em meio ao quarto frio e escuro. O acidente no barranco, por que tudo aquilo me perturbava? Era apenas estresse, qualquer um ficaria assim se sua amiga fosse sequestrada.... amiga? Era isso mesmo? Depois de seu sumiço na França, em 2010, eu comecei a pensar nela apenas como uma conhecida, que eu queria ter como minha.

Era uma desconhecida, minha desconhecida.
Tom ainda não havia falado comigo desde o episódio no banheiro. Eu estava ficando louco? Estava sendo consumido por esse sentimento? Era um sentimento?
Eu precisava saber que ela estava bem, precisava saber que aqueles olhos verdes um dia olhariam para mim com o mesmo desejo que eu a observo.

Não era pela aparência, mas sim por que não havia jeito de tirá-la da minha mente, a cada minuto do dia eu a via, ela estava em todos os lugares, menos onde deveria estar... Comigo..
Cinco noites cheias de pesadelos, cheias de chuva, de calor, de medo, de loucura, de... solidão?!

XXX

[Meyko’s POV]

- Ainda bem que vocês moravam juntas, conseguimos muitas coisas dela para fazer as conexões. – Disse Gustav, colocando a caixa de papelão sobre a mesa de vidro.

- Ela tinha muitas fitas de cabelo, pedaços de tecidos, flores artificiais... São coisas simples e úteis. – Falei, cortando a fita durex da caixa com meu canivete.

Estranho não? Uma garota como eu, que aparenta ser tão meiga e inocente, andar por aí com um canivete... Tom o havia me dado no dia em que levei alguns pontos na sobrancelha, caso o Bill... Que besteira, mesmo que fosse para salvar a minha vida, eu não faria isso com o Bill, com nenhum daqueles quatro rapazes.
Foi apenas uma preocupação de Tom, aceitei o canivete para não aborrecê-lo, mas seu uso não seria para grandes coisas, a não ser cortar fitas durex de caixas cheias de objetos de Madeleyne.
Do jeito que estávamos indo, precisaríamos de muitos mais, infelizmente...

- Oi, como estão? – Disse Tom, espreguiçando-se ao lado do arco da porta. Era difícil me concentrar nas conexões, quando Tom estava por perto, ele andava pela casa um tanto à vontade demais, tudo bem que era a casa dele, mas precisava andar apenas com um jeans velho por todo o lugar? Me desconcentrando à todo instante, e ainda encarava-me com aquele olhar infantil e malicioso, fingia nem prestar atenção em mim, mas sempre que podia, corria os olhos por mim, mordia os lábios e voltava a fingir-se de desentendido.

Era estranho, eu estava eufórica por estar debaixo do mesmo teto que os meus ídolos, mas eu não conseguia deixar de pensar na Madeleyne... Eu tinha que encontrá-la.

- Estamos bem, já estávamos indo preparar o café. – Disse Gustav, retirando todos os objetos de Madeleyne de dentro da caixa.

- Hum... E...Eu queria falar com a Meyko, se não se importar é claro. – Tom parecia desanimado naquela manhã, apenas pelo sorriso torto e descontente de Gustav eu pude ver que algo não estava bem alí, o loiro apenas assentiu e rumou até a cozinha, fechando a porta da pequena sala de visitas do apartamento.
Tom vestiu a camisa que estava pendurada em seu ombro, esfregou os olhos enquanto bocejava lentamente.
Me encarou por algum tempo, dando um pequeno sorriso sem dentes, respirou fundo, soltando o ar vagarosamente.

- Mey... Eu queria me desculpar com você. – Disse Tom, sentando-se sobre o grande tapete peludo da sala.

- E por que? – Perguntei, sentando-me ao seu lado.

- Eu acho que me aproveitei de você, de um momento de fraqueza... Mas eu não queria ver você chorando, tanta coisa mudou de alguns meses pra cá, e agora eu não consigo ver uma garota chorando, eu fico pensando que é por minha culpa, fico imaginando quantas ex-namoradas minhas devem ter chorado. – Tom falou, desviando o olhar para seus dedos, brincou com o anel que usava, ele estava sempre com aquele anel... Sempre no dedo anelar direito, claro que era besteira, mas era um anel fino de ouro, haviam duas pedras pequenas ao lado do anel, seu aspecto é que me assustava... Parecia tanto com uma aliança, eu nunca quis perguntar se aquele anel era isso mesmo, e nem me importava saber, tinha medo da resposta.

- Tom, não foi por sua culpa, e você não se aproveitou, poderia ter feito algo comigo naquela noite, mas não fez... Por que sente falta da sua ex, e eu de alguma forma pareço com ela, e isso te deixa triste, mas você não quer que eu vá embora, certo? – Perguntei, deitando minha cabeça em seu ombro.

- Sim, eu não quero encontrar outra garota como ela, a sensação de ter sido enganado é horrível, um bolo se formou na minha garganta, eu queria socar o desgraçado do amante dela. E ela, indo para a cama comigo, e logo em seguida fugindo pra foder com ele. É como se eu não tivesse sido bom o bastante pra ela. – Tom escondeu o rosto com as mãos, ouvi sua respiração pesada e dolorosa, era como se eu estivesse assistindo ao seu desmoronamento e não pudesse fazer nada, por que em algum lugar da mente de Tom eu iria magoá-lo do mesmo jeito que a ex dele fez.

- Naquela noite, você disse uma coisa que me machucou um pouco, disse que eu não precisava te amar, bastava ficar do seu lado. Eu não sou esse cara incapaz de amar que foi criado pela mídia, é só que eu não acredito que o amor dure para sempre, mas não era isso que os fãs ouviam, eles só conseguiam escutar “Tom Kaulitz, o Deus do Sexo alemão” durante um tempo isso era legal, mas agora isso já se tornou quase uma vergonha. – Tom continuava daquele jeito, cabeça baixa, olhos sem vida e com respiração pesada.

- Tom, você me fez prometer que não iria mentir para você, eu também quero que prometa uma coisa. – Falei, colocando-me à frente de Tom, segurando seu rosto com as duas mãos.

- O que? – Ele perguntou, fitando-me com um pequeno sorriso sútil.

- Promete que não importa o que aconteça, você vai ficar bem. – Tom franziu o cenho, deixando um grande ponto de interrogação surgir em sua testa.

- Tudo bem, eu prometo. – Disse Tom, inclinando-se em minha direção e depositando um beijo em minha testa.
Ficamos nos encarando por um tempo, sem dizer nada, o silêncio tornava-se mais incômodo a cada minuto, até que Tom o quebrou, com uma leve risada.
Levantou o rosto, exibindo um sorriso malicioso e cheio de travessuras.

- Ainda temos algum tempo até que o Bill e o Georg acordem, o Gustav deve estar ocupado lendo o jornal e a porta dessa sala tem uma chave... – Disse Tom, engatinhando lentamente pelo tapete, fui afastando-me aos poucos, até ser interrompida pelo sofá que bloqueava o meu caminho, agora não podia mais recuar, e eu por acaso queria fugir daquele cara?

Tom afastou a mesinha de centro da sala, me fitou por algum tempo, um pequeno sorriso surgiu em seu lábios, como eu gostava daquele sorriso fino e sem dentes, o olhar infantil e bobo.
Um pouco de luz adentrava por entre as grossas cortinas escuras da sala, deixando um ar misterioso naquele cômodo.
Deitei-me sobre o tapete, puxando Tom pela camiseta, passei os dedos por entre seus dreads, aproximando-o lentamente.

- Meyko, eu... Desculpa. – Tom beijou minha testa, levantou-se e rumou até porta, abriu-a e logo sumiu pelo corredor.
O que havia acontecido? Ele mesmo deu a entender que queria algo, seus lábios murmuravam algo que eu não fui capaz de entender. Eu tinha feito algo de errado, ou era a simples paranóia dele com a ex-namorada?

Estava confusa e não conseguia entender, eu queria que algo tivesse acontecido, talvez nem tanto quanto Tom, mas eu tinha a certeza de que ambas as partes queriam aquilo, pediam por aquilo.

E se Tom já soubesse de toda a mentira que contei à ele? E se fosse apenas um jogo, talvez ele estivesse apenas brincando, para descobrir até onde eu levaria essa farsa.
Não! Não podia ser isso, não pode!


XXX

- A Lara passou por aqui? – Perguntou Georg, surgindo da sala.

- Bom dia pra você também. – Exclamou Bill, bebericando uma grande caneca de café preto.

- Depois que arranjou uma namorada, ele esqueceu de nós! – Disse Gustav, sorrindo matreiro para Georg.

- De ressaca Bill? – Perguntou Georg, levantando o dedo do meio para Gustav enquanto olhava com pena para o Bill.

- Não, até parece, bebi só um copinho...

- E mais três garrafas de uísque. – Tom murmurou de cabeça baixa e olhar tristonho.

- E você Tom, o que tem? – Perguntou Gustav, olhando sutilmente para Meyko.

- Nada, é que não me agrada nem um pouco ver o Bill assim. – Disse Tom, apontando para o irmão que o olhou com indignação.

- Tapa os olhos então! Eu não tenho culpa se tua namoradinha te trocou e ainda levou teu cartão junto!

- O que você disse, Bill? – Perguntou Tom, cerrando os punhos e socando a mesa.

- Vão começar. – Bufou Georg.

- O que você ouviu, eu não teria bebido tanto se você não ficasse me aporrinhando com essa choradeira toda!

- Retira o que disse!

- Ene, a, ó, til... NÃO! Quer que eu desenhe? Quer saber?! Esquece! Vou dar uma volta. – Bufou Bill, pegando sua jaqueta pendurada na cadeira e rumando em direção à porta.

- Se me dão licença, eu vou assistir televisão no meu quarto. – Tom pegou alguns pães e uma grande xícara de café preto, trancou-se em seu quarto, como fazia todas às vezes que algo o chateava.

- Não se preocupa Mey, estamos todos nervosos com essa coisa da Madeleyne ter sumido e a avó maluca dela aparece com umas macumbas, falando de espíritos e besteiras do gênero. – Disse Gustav, abraçando a menor, consolando-a em seu peito.

- Bem, espero que as coisas melhorem, agora eu preciso procurar pela Lara, ela já devia ter me ligado. – Disse Georg, olhando impacientemente para seu relógio.

XXX

[Meyko’s POV]


Já deveriam ser seis da tarde quando Josefine voltou ao apartamento dos Tokio Hotel, trazendo consigo alguns livros de aspecto sombrio, contou histórias sobre espíritos, anjos, demônios e pessoas chamadas de mediadores.

Madeleyne era uma dessas pessoas, seu trabalho era assegurar o “descanso” desses espíritos, que antes eram pessoas comuns, com vidas comuns, sonhos comuns e etc.
Se alguém não fizesse essa trabalho, os espíritos se tornariam vingativos, tentariam buscar seu descanso por outros meios, infelizmente a maioria desses meios era, e ainda é, significativamente ameaçador às pessoas que continuam vivas.

Josefine explicou o motivo pelo qual teríamos que encontrar Madeleyne o mais rápido possível, para que evitássemos que os espíritos tornassem-se vingativos. Doideira, não? Numa tarde você conhece o seu ídolo, ele te convida para sair e então sua amiga some sem deixar rastros, você descobre que existem coisas... Seres, que tentarão ferir o maior número de pessoas possíveis, apenas por que sua amiga, uma mediadora, não pode acalmar esses seres.
Tanta informação, digna de parar em um filme. Quem sabe, não é?

- O que é preciso para ser um mediador? v Perguntou Bill, interrompendo os milhares de pensamentos confusos que se formavam em nossas cabeças.

- Eu já sei o que está sugerindo, garoto. Isso não é uma brincadeira, não pense que vai sair por aí caçando fantasminhas. – Disse Josefine, olhando para Bill com desdém. Era como se ela se sentisse superior à ele. Já não era a primeira vez que ela o fitava com aquele jeito debochado, tipo “sua opinião pouco me importa, eu sou melhor, estou acima de você”

- Mas eu quero ajudar! – Disse Bill, cruzando os braços e batendo o pé impacientemente.

- O melhor jeito de ajudar é não atrapalhando. – Josefine retrucou, guardando seus livros velhos e empoeirados dentro de uma caixa.

- Ela também é minha amiga, eu poderia tê-la ajudado, mas algo me segurou. Acho que algo está conspirando...

- Nem tudo são espíritos, às vezes é o próprio destino, você não pode tentar lutar contra ele. – Disse Josefine, interrompendo Bill e voltando-se para ele com aquele mesmo olhar desdenhoso.

- Às vezes, isso significa que não é sempre! Eu quero ajudar! – Bill bufou, gesticulando descontroladamente com as mãos no ar.

- Isso não é uma brincadeira de criança, então cresça e aceite um não! – Bill bufou novamente, soltando o ar com força, virou as costas para nós e rumou até seu quarto, deixando um silêncio incômodo no ambiente.

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

40 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 32 em Qua Nov 07, 2012 4:55 pm

Capítulo 32
A mentira de Mey



[Bill’s POV]

Por que era tão difícil para ela aceitar que eu quero ajudar? Será que eu era o único que passava noites em claro pensando em Madeleyne? Apenas eu me culpava por não tê-la protegido? Talvez sim, fui o único que ficou imóvel enquanto ela sumia por entre o nada.
Nada... Esse era o problema! Nada havia me segurado, Madeleyne sumiu no nada, minha mente se resumia à nada! Tudo estava tão nada...

Eu precisava fazer algo, nem que fosse por conta própria. Eu precisava encontrar Madeleyne! Aqueles olhos, eu me odiaria para sempre se aqueles olhos não fossem meus, se eu não conseguisse ser o que aqueles olhos precisavam para transbordarem de alegria e sentimentos, me culparia pelo resto da vida se eu não conseguisse deixar aqueles olhos apaixonados por mim. Eu sou bom o bastante para fazer com que eles me olhem com amor? Amor... Já nem entendo mais as coisas que digo, as coisas que penso, as imagens que vejo, os sonhos que tenho, as atitudes que tomo.
Mas é assim que me sinto mais eu, quando eu não consigo me entender, por que nos últimos dias, todas as vezes que estava “consciente” era como se eu estivesse afogado em mim mesmo e algo me manipulasse, como se fosse um boneco de cordas.

Ouvi algumas batidas tímidas na porta, tão tímidas quanto a pessoa que adentrava lentamente pelo quarto escuro.

- Bill, já está melhor? – Perguntou Gustav, retirando o pano úmido que estava em minha testa.

- Por que o Tom me amarrou aqui mesmo? – Indaguei-o, ignorando sua pergunta.

- Você e a Mey, por que fez aquilo? Ela teve que tomar mais pontos, está com ciúme do seu irmão, por que se for isso, saiba que é um motivo idiota. – Disse Gustav, soltando as amarras que seguravam meus pulsos.

- Não, eu não sei o que fiz, pode me dizer? Por favor Gustav, tem que acreditar em mim. Não era eu! – Gustav suspirou, enquanto checava as horas em seu relógio.

- Eu acredito em você, sei que não fez aquilo, pelo menos não consciente.

Consciente? … Era isso então? Eu estava mesmo sendo manipulado? Era tudo parte de um pequeno teatro de marionetes?

- Bill, quero que fale com Josefine, peça à ela que te ensine a ser um mediador. Não creio no que vou dizer, mas está tudo virado de cabeça para baixo. Quem sabe assim você consegue controlar essa coisa que tenta te manipular. – Disse Gustav, virando as costas e rumando até a porta.

Eu já havia falado tantas vezes com aquela mulher, discutimos até altas horas da noite e ela apenas me ignorava, sua única resposta era um olhar frio e desdenhoso.

XXX

Manson caminhava descontroladamente de um lado para o outro, Trix o observava com tédio, há dias que Josefine não dava notícias sobre o “caso Madeleyne” , já estava em todos os jornais e revistas.
Depois de quase duas semanas começou-se a perceber a falta da garota, mas isso pouco importava, o que incomodava os dois irmãos era o fato de Josefine ter sumido desde então.

- Eu disse, essa velha acha que pode nos enganar, Trix! – Resmungou Manson, batendo contra o vidro da mesinha de centro.

- Se acalme Manson, não é motivo para destruir o apartamento da Jose! – Manson jogou um olhar frio contra a irmã, bufou com força e logo desapareceu.

- Tão típico seu, sempre que se aborrece, faz “puff” no ar e some! Patético. – Disse Trix para as paredes.

“- Eu sei que Jose não iria nos trair, eu sei... Ela prometeu... Pelo Adryen...” – Pensou Trix, abrindo um pequeno pingente em formato de coração, admirando a foto de um lindo rapaz de olhos verdes, pele branca e cabelo negro. “- Eu vou te ajudar, irmãozinho, eu prometi que faria isso”

XXX

Josefine terminava de arrumar todos os seus objetos espirituais, quando uma doce melodia preencheu o apartamento, conhecia-a muito bem. Quem no mundo não conhecia a adaptação de “Kiss the rain”, tocada por Madeleyne?
Correu até o piano, mas para seu descontentamento, encontrou apenas Bill, tocando solitário o instrumento frio.
O rapaz parou de tocar, lentamente virou-se para Josefine, sorriu por alguns instantes e logo desmaiou.

- Helen, sua ordinária!” – Pensou Josefine, arrastando Bill pela sala.

XXX

- Tom, eu já disse que posso ir sozinha. – Disse Mey, abrindo a porta do apartamento que dividia com Madeleyne.

- Eu insisto, posso te ajudar a procurar os objetos. – Tom não havia desgrudado de Mey nem que fosse por um segundo, desde os “surtos” de Bill.
Se sentia dividido, precisava ajudar o irmão, mas sempre que tentava, este o atacava com milhares de ofensas e olhares frios, como ajudar alguém que não quer ser ajudado?

- E se o Bill estiver ficando louco? Se ele não consegue engolir toda essa coisa de espíritos? Nem eu mesmo acredito nisso, nem sei por que estou ajudando Josefine... Mas tem a Mey também, ela poderia ficar no apartamento, assim não teria que me preocupar tanto com ela e poderia ajudar o Bill, céus! O que houve com ele?!...”

- Tom! Acorda garoto, me dá a chave. – Disse Mey, puxando a camiseta de Tom.

- Ah, claro! Eu estava pensando numa coisa. – Disse Tom, retirando o molho de chaves do bolso.

- No que? – Disse Mey, procurando pela chave do apartamento, em meio à tantas chaves.

- Eu não sei bem como funcionam as coisas por aqui, mas a Trix disse algo outro dia. – Disse Tom, com uma voz tão baixa que por pouco Mey não o escutou.

- O que ela disse? – Perguntou Mey, revirando os olhos ao ouvir o nome da criatura.

- Essa escola onde você estuda, quando termina? – Perguntou Tom, procurando pelo interruptor de luz.

- Calma Mey, calma... Não precisa se preocupar, logo eles vão embora e você não precisa se preocupar, não precisa!" – Pensou Mey, fingindo estar procurando alguma coisa.

- Essa escola é um pouco diferente das outras, ela tem um curso preparatório, para a faculdade, sabe... – Disse Mey, rumando até o quarto de Madeleyne.

- Ah, tinha uma escola assim em Leipzig, minha mãe queria que eu e Bill tivéssemos estudado lá. – Tom foi até o quarto de Mey, que estava identificado por uma plaquinha na porta.

O quarto de Mey era realmente a cara dela, todas as paredes estavam cobertas por posters e mais posters do Tokio Hotel.
Haviam grandes cortinas vermelhas e brancas nas duas janelas, e haviam pelo menos três prateleiras repletas de livros, de diversos gêneros, principalmente sobre vampiros.

Notou que havia um livro sobre a cama, pegou-o e percebeu que alguma coisa caiu deste, indo parar em baixo da cama. Ajoelhou-se para pegá-lo e percebeu que era a carteira de identidade de Mey.
Observou-a por um tempo, leu os nomes dos pais de Mey, até perceber uma coisa errada na carteira...
Tom rumou até a porta da frente, sentou-se no corredor enquanto esperava por Mey.
Algum tempo depois ela apareceu, trazendo alguns objetos de Madeleyne, que haviam sido pedidos por Josefine.

- Tom, está tudo bem? – Perguntou Mey, trancando o apartamento.

- Quando é seu aniversário? – Perguntou Tom, levantando-se do chão e segurando a caixa com os objetos.

- Daqui a três meses eu faço vinte, por que? – IndagouMey, entregando a chave para Tom.

- Eu pensei que depois dos dezesseis viesse o dezessete, não o vinte. – Disse Tom, com um ar frio e indiferente.

- Se quer mentir sua idade, trate de esconder sua carteira de identidade, Meyko. – Tom entregou a carteira de identidade para Mey, que surpreendeu-se. Afinal, ela não esperava que Tom descobrisse, pelo menos não tão cedo.

- Tom?! – Mey falou, mas sua voz saiu falha, trêmula. Por pouco não saiu palavra alguma.

- O que deu na sua cabeça? Achou que eu era idiota o suficiente pra não descobrir, e você prometeu, prometeu! E ainda assim, mentiu pra mim. É isso que eu ganho por tentar ser gentil e carinhoso demais com uma garota, foi a mesma coisa com a Karen. – Tom exclama e gesticulava com raiva, frustração. Sentia como se estivesse segurando aquele prédio inteiro nas costas, na verdade, os dois sentiam um enorme peso sobre seus ombros.

- Para Tom! Eu não sou a Karen, sei que eu errei, mas é bem diferente, ela levou o seu dinheiro, eu menti por que gosto de você! – Mey exclamou, derramando algumas lágrimas desesperadas, tentava se aproximar de Tom, mas este recuava com ódio.

- Mas você é uma criança, Meyko! Uma criança! O que deu na sua cabeça? – Tom cerrou o punho, parecia querer socar aquelas paredes, mas não o faria, a discussão já chamava a atenção de algumas senhoras que caminhavam ao fundo do corredor.

- Eu não sou criança, já sei cuidar de mim, sou tão responsável quanto você! – Mey exclamou, apontando o indicador para Tom.

- Então tá, já que é tão responsável, então se cuide sozinha, não espere que eu vá te consolar de novo.

- Afinal, qual é o problema? Logo você vai embora do Japão e pouco vai importar a idade das garotas que você pegou por aqui. – Disse Mey, apontando para o nada, como se ali, no nada, houvessem milhares de garotas.

- Deixa eu explicar de novo, crianças custam a entender as coisas... Você só tem dezesseis anos, eu tenho vinte e três, sou um homem adulto, você é praticamente uma criança...

- Tudo bem. – Disse Mey, abaixando o rosto.

- Isso significa que... o que disse? – Tom perguntou, virando-se repentinamente para Meyko.

- Que está tudo bem, é tudo por que acha que não tenho maturidade, então tá... Só não esquece, foram mulheres da sua idade que te traíram e levaram o teu dinheiro. – Meyko virou as costas, rumando até o elevador.

[TOM’s POV]

Eu não conseguia mais enxergar aquela garota de rosto inocente, essa nem é a melhor hora para ficar aqui pensando nessas idiotices filosóficas, deve ser muita convivência com os dramas de Bill.

Os números iluminados do elevador iam decrescendo, enquanto que, o silêncio incômodo apenas aumentava. Eu não queria estar naquela situação, sabe quando você quer abraçar alguém, se aproximar dessa pessoa e simplesmente poder tocá-la? E daí você lembra que por algum motivo, tem que colocar uma máscara de indiferença e frieza, fingindo não se importar com ela, mas no fundo dói por que o que realmente se quer, é achar um jeito de praticamente colocar aquela pessoa dentro de você, pra que nada faça ela deixar de sorrir? Eu e essas besteiras filosóficas de novo, tenho que me lembrar de ajudar o Bill com os seus problemas, pra voltar a ser como antes, talvez seja assim mesmo, não é?

Essa imagem que a mídia criou sobre mim, já me acostumei tanto à ela que talvez eu seja assim realmente, talvez não... Eu sou assim.

Tom Kaulitz, o sexgott. Da última vez que tentei ser diferente, fui usado, traído, recebi de volta as coisas que fiz com outras garotas, mas não importa. Aconteceu apenas por que me deixei de lado... Bill também nunca será feliz se colocar uma garota a frente do seu bem estar, não é preciso colocar ninguém à sua frente quando se está apaixonado, ninguém!

Foi até bom ter descoberto a idade de Mey, teria poblemas se a levasse para a cama. O que deu na minha cabeça pra achar que eu estava fascinado por ela? Só a achava especial por que ainda não havia dormido com ela, só pode ter sido isso! Sempre nos encantamos por aquilo que não temos, por isso o Bill está surtando desse jeito.

Se eu já tivesse deixado a Mey deitada por baixo de mim, talvez eu estivesse com outra garota, com certeza! Preciso de regras. É disso que preciso.
Nada de sexo sem verificar a carteira de identidade das garotas. Romantismo e carinho? Apenas um buquê de rosas ou uma taça de vinho com morangos. Consolo? Eu compro um cachorro para a garota, compro quantos ela quiser, mas que não espere que eu acorde no meio da noite pra ver o por que de ela estar chorando...

Mas antes, tenho que encontrar uma garota. Isso! Chega de Mey pra mim, chega de mentiras.

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

41 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 33 em Qua Nov 07, 2012 5:04 pm

Capítulo 33
Bill mediador



[Meyko’s POV]

Já haviam se passado três dias desde que Tom descobriu minha idade. Naquele dia, eu poderia jurar pelo meu braço direito que ele estava sorrindo no elevador, como se já estivesse pensando nas garotas com quem iria sair. Pouco me importava, era isso mesmo que aconteceria, mais cedo ou mais tarde... Ele iria embora e eu ficaria, eu já tinha certeza disso e estava conformada. Pelo menos é o que eu digo para mim a cada momento que o vejo, eu já sei como é o final dessa história...

- Mey, nenhum daqueles objetos vão funcionar... Será que por acaso você tem uma presilha de pedras preciosas, que era dela? – Perguntou Josefine, fechando a caixa com os objetos de Madeleyne.

- Eu acho que sei que presilha é essa, mas ela não estava no apartamento. – Josefine encarrancou o rosto, cruzou os braços e caminhou até Bill, que conversava por meio de olhares com Tom.

- Bill, quero conversar com você, vou aceitar sua ajuda. – Disse Josefine, rumando até o segundo andar do apartamento.

- Mesmo? Finalmente! Tom, eu... ah você sabe, fica aqui. – Bill olhou sútil e rapidamente para mim, fingi que nem havia percebido e continuei folheando o jornal daquela manhã.

- Crianças entendem o que está escrito no jornal? – Perguntou Tom, com um ar desdenhoso e a cara mais nojenta que conseguia fazer. Como o homem dos sonhos de qualquer garota, consegue se tornar no playboyzinho babaca de um dia para o outro?

- Eu não quero falar com você, e não me venha com gracinhas. – Falei, sem dirigir o olhar ao Tom.

- Quero te irritar, pra ver se você vai para o segundo andar também, a Trix já deve estar chegando. – Eu sabia que tinha dedo podre dessa garota na história toda, mas eu também não ia aguentar calada, nunca fui de levar desaforo para a casa.

- Tudo bem, eu vou sair com a minha prima. – Falei, levantando-me da mesa e rumando até a porta.

- Quem é sua prima? – Tom perguntou, tentando fazer aquele ar malicioso, como se estivesse interessado em conhecer a minha prima.

- Sabe a tal Sunny do SNSD que estava no J-festival? Ela me convidou pra sair com uns amigos. – Respondi, novamente não dirigi meu olhar ao de Tom, sinceramente, quanta cara-de-pau, fingir que quer pegar até a minha prima.

- Que amigos? – Ele perguntou, alterando um pouco o tom de voz e, em seguida pigarreou um pouco para disfarçar a mudança do timbre.

- Não tenho certeza, mas ela disse que eles são legais, avisa pro Bill que não precisa se preocupar, vou dormir na casa da Sunny, é noite do videogame. – Falei, virando as costas e rumando porta afora, antes que Tom fizesse mais uma pergunta.

Mas eu não podia negar, que no fundo, queria que Tom tivesse me perguntado mais alguma, que tivesse alterado a voz novamente e disfarçado com aquele jeito “eu não ligo”...

XXX

- Se concentre, garoto! Disse que queria ajudar, então se concentre! – Dizia Josefine, dando um leve tapa na nuca de Bill.

- Eu já entendi, vê se para de me bater! – Bill gritou, passando os mãos pelo pescoço.

- Quero ver se entendeu, se arrume. – Disse Josefine, guardando seus imensos livros sobrenaturais.

- Aonde vamos? – Bill perguntou, tentando equilibrar os vários cálices de Josefine e Trix.

- Vou te levar até uma igreja que Trix encontrou, suspeitamos que existe um espírito por lá, vai ser um bom treinamento para você. – Disse Josefine, com aquele mesmo tom de voz desdenhoso e seco de sempre.

- Tenho certeza de que vai se sair bem. – Trix correu até Bill e o abraçou, sorrindo daquela mesma forma gentil e meiga de toda as vezes. Mas se olhasse bem, por outro lado, Trix sempre fora mais gentil com Bill, e Josefine tratava apenas ele com toda a sua acidez.

- Vou buscar meu casaco. – Disse Bill, correndo pelo enorme apartamento.

- Jose, o que está fazendo? Prometeu que o deixaria fora disso! – O semblante meigo e gentil de Trix desmanchou-se, dando lugar a um rosto preocupado e perplexo.

- Preciso de um substituto para a Madeleyne. – Disse Josefine, lançando um olhar frio para a garota.

- Você me prometeu que usaria o loiro e a garota japonesa, por que...

- Quer saber meus motivos? Bill vale mais do que aqueles dois juntos, sabe quem ele é? – Perguntou Josefine, jogando um vaso de flores na direção de Trix, que abaixou-se para proteger-se;

- Eu não faço ideia, mas por favor, não o machuque. – Trix implorou, juntando os cacos de vidro.

- Não me diga que você... O que eu já lhe disse? São todos iguais, não acredite naqueles olhos doces que ele possuí... – Josefine gritava, como se ela e Trix fossem as únicas no apartamento.

- Vou te dizer quem ele é, ou pelo menos, quem será se não morrer junto com a Madeleyne. Ele e Madeleyne, são os futuros tutores das mediadores que vão acabar com você, com o pequeno Lúcifer, com o Manson e até com aquele sangue-suga...

- NÃO! – Trix gritou, segurando o cordão em seu pescoço com força.

- Está mentindo, não é verdade! – Trix encolheu-se em um canto, chorava como se fosse seu último dia de vida e precisasse chorar todas as lágrimas que seria impedida de derramar.

- Se não acredita, use suas premonições e veja qual o seu futuro enquanto o Bill está vivo, depois que ele morrer, faça isso novamente e veja o quão diferente e radiante é o seu futuro! – Disse Josefine, demonstrando um semblante frio e indiferente.

- Pense o que quiser minha querida, mas um de seus amores é a sua destruição e o outro é a vitória... Pense no pobre Adryen, sozinho naquela prisão, sendo maltratado todos os dias, pelos malditos anjos que se dizem bondosos com todos. – Josefine virou-se, rumando até a porta do corredor, para esperar por Bill.

- Você tem razão, suas premonições são mais corretas do que as minhas, desculpe por questioná-la. – Disse Trix, secando o rosto molhado e caminhando ao lado de Josefine.

- Podemos ir? – Perguntou Bill, surgindo da escadaria do segundo andar.

- Sim, podemos. – Disse Josefine, afagando os cabelos de Trix e sorrindo gentilmente para esta.

XXX

[Bill’s POV]

Já sonhou que estava perdido em um lugar sombrio? Já se sentiu indefeso? Já se sentiu frio, por estar em um lugar morto?
Era isso que eu sentia naquele momento, sentia tudo ao mesmo tempo.
O vento gélido parecia sussurrar ameaças em minha nuca. Meus pés moviam-se por simples reflexo, eu não queria ficar parado num lugar como aquele.

Era uma igreja velha, havia sido queimada há algumas décadas atrás, dezenas de pessoas haviam morrido com o fogo, incluindo crianças, de fato eu não queria saber a história daquele lugar, mas Josefine havia dito que eu precisava saber. Devia conhecer um território que não era meu, só assim poderia “limpá-lo”...

Caminhamos até o confessionário que ficava ao fundo da igreja. Fitei o lugar por algum tempo, era estranho o fato de a madeira da cabine não ter queimado. Abri a porta do confessionário e quando ia colocar o rosto para dentro deste, senti alguma coia puxar meu casaco, virei-me em sua direção e lá estava ela.
Uma pequena garota, trajando seu vestido de domingo, dois laços delicados prendiam seus curtos cabelos lisos e negros.

- Você quer brincar? – Ela perguntou, ajeitando o vestido rosado.

- Como se chama? – Perguntei, não acreditando que aquilo fosse real, quero dizer, eu estava mesmo conversando com um espírito! De tão nervoso, encarei a situação da forma mais impensável possível, fingi estar diante de uma daquelas garotinhas que iam à igreja em Leipzig, quando eu era mais novo. As odiava por seguirem as ordens de seus pais e ficarem longe de mim apenas por que eu era diferente.
Que culpa eu tinha de odiar igrejas e não ser devoto à Deus? Só por que eu e Tom pichamos algumas igrejas alemãs, não queria dizer que eu era algum tipo de delinquente.

- Mokaryu, mas pode me chamar de Moka, se quiser ser meu amigo. – Ela disse, girando nos calcanhares e batendo palmas.

- Moka, eu vim aqui para te libertar, assim você pode brincar com seus amigos, que estavam nessa igreja.

- Eles me deixaram sozinha, me trancaram dentro do confessionário, eu ia contar ao padre que eles estavam brincando com as velas da igreja, então tudo pegou fogo, todos correram, mas ninguém me ouviu gritando, eu fiquei sozinha aqui, brinque comigo. – Disse Moka, pulando em meu colo. Josefine e Trix observavam tudo atentamente, com semblantes carregados de dúvidas.

- Se eu brincar com você, promete que vai para o céu? – Ela assentiu, com aquele pequeno sorriso infantil e meigo.
Imaginem agora, brinquei com aquela garotinha durante as duas horas seguintes. Ela me contou que as outras crianças da igreja a maltratavam, me mostrou cortes que tinha nas pernas e costas, que haviam sido feitos por Ten, um garoto que era considerado “líder” pelas outras crianças. Me contou também que seus pais nem chegaram a importar-se muito com sua morte, já que antigamente, as meninas não eram tão valorizadas quanto os meninos, que um dia cresceriam e cuidariam de seus pais até que estes morressem, enquanto que as mulheres, seriam tiradas de suas casas e seriam praticamente usadas como empregadas domésticas pela família de seu futuro marido.
Aquela igreja nem me parecia tão assustadora agora, Moka iluminava todo o lugar com seu brilho infantil e frio.

- Eu me diverti muito. – Ela disse, deitando-se em meu colo.

- Eu também! Agora, você vai descansar, não é? – Perguntei, afagando seus cabelos lisos e delicados.

- Sim, antes, tenho que te contar uma coisa. – Ela disse, puxando-me mais para perto, senti sua respiração gelada em minha orelha, enquanto ela parecia ouvir atentamente algo dito por alguém que não estava muito longe. Assim como um filho escuta a mãe que lhe dá explicações sobre coisas importantes.

- Aquela mulher bonita me disse algo muito estranho, ela quer que você... prenda o... Cabelo?! Acho que é isso, para você prender o cabelo. – Arregalei os olhos com aquelas palavras, como assim, prender o cabelo?! Mesmo não entendendo nada, apenas assenti e sorri para Moka.

- Meu vovô está me esperando lá em cima, apenas ele sentiu a minha falta, vou poder vê-lo agora... Obrigado. – Ela disse, enquanto seu corpo sumia lentamente, evaporando-se no vento gelado.

- Durma bem, Moka. – Sussurrei, ainda ouvindo a baixa risada da garotinha.

- Muito bem, Bill. Até fiquei surpresa com você. – Disse Josefine, batendo palmas debochadamente.

- Por que? – Perguntei, ajeitando meu casaco.

- Nunca vi um mediador inexperiente, conseguir entender a língua dos espíritos! – Disse Trix, abraçando-me com força.

- Isso é sério? – Perguntei, afastando Trix e caminhando até Josefine.

- Sim, Bill... Madeleyne demorou dois anos para entender a linguagem dos espíritos, se continuar assim, vai superá-la! – Disse Josefine, rumando até a saída da igreja.

- Superá-la, o que quer dizer? – Perguntei. Não por que não havia entendido, mas por que senti uma ponta de felicidade, um tanto maldosa, nessa frase.

- Que será um excelente mediador. – Ela respondeu, mostrando um sorriso carregado de inseguranças, da minha parte, é claro...

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

42 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 34 em Qua Nov 07, 2012 5:15 pm

Capítulo 34
Contra a morte (pt.1)



[Bill’s POV]

Eu não havia conseguido dormir na última noite, que história era aquela de prender o cabelo? Tinha algo relacionado com o desaparecimento de Madeleyne? Já se passou tanto tempo, talvez três ou quatro semanas, ela ainda estaria viva? Talvez não... Por que nossos caminhos eram tão distantes? Por que não podiam se cruzar novamente? Perguntas e mais perguntas, era apenas isso que rodeava minha mente. Se fosse qualquer outra pessoa, já teria enlouquecido. Talvez até eu já esteja ficando um pouco louco.

Mas o mais importante por enquanto é a história de “prender o cabelo”...

- Espíritos, por que vocês não falam normalmente, sem usar charadas e coisas do tipo?!” – Pensei, enquanto abria a porta do apartamento de Mey e Madeleyne.
Antes mesmo de dar um passo para dentro do local, ouvi um estrondo vindo do quarto de Madeleyne.

Corri até a porta branca, onde havia a placa com as iniciais de Madeleyne... M.K.C.
Abri-a e encontrei uma caixa caída no chão, ao lado da cama perfeitamente arrumada. Haviam vários objetos e fotos espalhados pelo chão do quarto, mas a única coisa que realmente chamou-me a atenção, foi uma delicada boneca de porcelana, idêntica à Madeleyne, em seu cabelo havia uma presilha... Será que era isso que Moka tentou me dizer?

Mais um estrondo ecoou pelo apartamento, dessa vez vinha da sala.
Caminhei lentamente até o local, não havia ninguém, eu até diria que estava sozinho naquele lugar, se não fossem as pegadas recentes pelo tapete felpudo, o qual Mey se orgulhava de possuir, dizia que era um item único no mundo... Ela tinha cada ideia.

- Bill, finalmente tenho o prazer de te conhecer. – Uma voz seca falou, enquanto alguns lentos passos aproximavam-se de mim.

- Quem é você, por que está no apartamento de Madeleyne? – Perguntei, afastando-me da silhueta magra e estupidamente alta, que sustentava um sorriso sarcástico nos lábios.

- Eu é que faço as perguntas aqui, por acaso se acha melhor do que eu? – Ele perguntou, chutando com força a mesa de centro que estava em seu caminho.

- O que? Mas eu nem te conheço! – Falei, recuando alguns passos.

- Acha que pode roubar a Trix de mim? – Ele gritou, chutando as poltronas que ficavam no centro do tapete.

- A Trix? Eu não entendo nada do que você está falando. – Falei, afastando-me daquele ser e indo lentamente até a cozinha.

- Ela é minha irmã, e nem morto eu vou deixar um humano imundo se aproveitar dela! Não como aquele sangue-suga, filho de uma mãe, fez! – Ele gritou, arremessando as cadeiras e a mesa da cozinha para longe, de uma vez só.

- Sangue-suga? – Mais enigmas, esses seres sobrenaturais,afinal, a força desse ser só poderia ter vindo de outro mundo ou coisa assim, adoravam falar em enigmas!

- Já disse que eu faço as perguntas! – Ele gritou, estendendo a mão na minha direção, fui arremessado para cima do balcão onde ficavam as frutas.

- E...Eu não entendo... eu não quero roubar a Trix, só quero encontrar a Madeleyne.

- E ainda por cima prefere essa garota sem graça... Seria melhor se você quisesse a minha irmã. – Ele gritou, puxando-me pela camiseta.

- Manson! – Ouvi a voz de Trix logo em seguida ela surgiu, segurando os braços daquele ser, que agora eu sabia o nome... Manson..
Ela o encarou por alguns segundos, Manson bufou e logo me soltou, esbravejou alguma coisa contra o nada e rumou até a porta do apartamento.

- Se tiver sorte, não vai encontrar Manson novamente. – Ela falou, aproximando-se lentamente de mim.

- Bill, eu quero que fique com uma coisa, eu não preciso mais... – Trix segurou minhas mãos e lentamente colou nossos lábios em um beijo, ela tinha lábios tão frios e sem impacto algum. Era como se eu beijasse o nada. Ela interrompeu o beijo, murmurando alguma coisa que eu não conseguia ouvir.

- Bill, use isso em Madeleyne, se encontrá-la é claro... – Trix virou as costas e rumou até a porta do apartamento, onde a ouvi conversando com aquele homem, o tal Manson...
Mas o que ela quis dizer com “Use isso em Madeleyne” ? O que eu tinha que usar? O beijo? Mas um beijo não era exatamente o tipo de coisa que podia ser usado, não é?

XXX

6 dias depois


- Bill, pode vir aqui? – Josefine perguntou, subindo as escadas que levavam até o segundo andar do apartamento.
Bill levantou-se do sofá, lançando um olhar receoso para o irmão, que observava Meyko discretamente.

- Vamos tentar novamente? – Bill perguntou, acendendo as velas em volta da mesa de conexões.

- Bill, eu receio que isso não será mais preciso. – Disse Josefine, derramando algumas lágrimas sobre seus livros antigos.

- Por que? – Bill perguntou, engolindo aquela frase em seco.

- O outro lado, ela já está lá... Agora você é o novo...

- NÃO! Não pode ser! – Bill esbravejou, batendo com força na mesa.

- Eu também não queria isso, mas está feito! Seja lá o que aconteceu, já passou! – Disse Josefine, apagando as velas que Bill havia aceso.

- Vou provar o contrário, ela está viva, eu sei que está! – Disse Bill, rumando até a porta da pequena sala escura e desaparecendo pelo corredor.

XXX

Bill’s POV


- Bill, você está vendo? Estamos no céu... Esse é o meu vovô, vamos brincar de novo? – Era a voz de Moka, agora que eu havia prestado atenção, podia ver seus lindos cabelos negros e os imensos olhos brilhantes.
Ela estava com aquele seu mesmo vestido rosado, acompanhada de um senhor alto e elegante.

- Podemos brincar mais tarde, agora você deve tomar cuidado, vai passar pela igreja, eu não estou mais lá... Mas uma garotinha está perdida por ali, ajude-a... É a filha da linda senhora, promete que vai ajudá-la, do mesmo jeito que me ajudou... Venha me visitar de novo, okay?! – Moka sumiu aos pouquinhos, junto com o homem elegante.
Agora eu estava dentro de um carro, por algum motivo me sentia sufocado e extremamente cansado, meus olhos estavam tão pesados que eu mal conseguia mantê-los abertos.
Ouvi algumas vozes, mas não conseguia ver ninguém, podia jurar que estava regravando o clipe de Monsoon, pois o carro estava dirigindo-se para algum lugar, sem ninguém estar sentado no banco do motorista.
Passei pela mesma igreja onde conheci Moka, ela tinha razão, eu passaria por ali mesmo.
Ouvi um estrondo horrível e logo o carro atravessou por entres as folhas das imensas árvores, eu já havia sonhado com aquilo... Sim, já havia sonhado! Agora eu encontraria um rio, cinco pilhas de pedras e a boneca... A boneca?... Eu já sei onde te encontrar, Madeleyne! Por isso Trix havia escolhido justamente aquela igreja, ela sabia que de alguma forma eu iria descobrir como encontrar Madeleyne.

Acordei algum tempo depois, o suor frio escorria por minhas costas e testa. Passei os dedos por entre os fios prateados do meu cabelo, notei que eles estavam um pouco sujos de lama. Eu havia apenas sonhado com aquilo tudo?
Levantei rapidamente da cama, vesti algumas roupas mais quentes. Peguei uma mochila e joguei a boneca de porcelana e a presilha de cabelo para dentro desta. Calcei um par d ebotas e silenciosamente rumei até a porta do apartamento, deixando apenas um bilhete no quarto de Tom.
Fui buscá-la, prometo voltar o mais rápido possível.

Eu espero que apenas o Tom entenda do que estou falando, por algum motivo, eu não devo mais confiar em Josefine, não depois do jeito frio e indiferente que ela me olhou quando discutimos sobre continuar as buscas por Madeleyne, que tipo de avó desistiria tão fácil da neta, que tem um trabalho tão importante?! Alguma coisa estava escondida por trás disso tudo!

XXX

Dirigi o mais rápido que pude, até chegar no local do acidente. As barreiras em volta da estrada estavam totalmente quebradas, haviam marcas de pneu que levavam até o barranco, era ali mesmo, onde Madeleyne estava.
Desci lentamente, tentando não escorregar, mas era quase impossível, se não fosse por toda aquela lama. Com certeza havia chovido muito por ali nos últimos dias. Se Madeleyne estivesse viva, seria muito difícil para ela caminhar, depois de ter ficado largada todo esse tempo no frio.

Caminhei até o pequeno rio que corria por entre as árvores, estava tudo como nos meus sonhos. As pilhas de pedras, o rio... Tudo estava ali, menos o mais importante, onde estava Madeleyne? Aproximei-me do lugar exato onde a havia visto, ela esteve ali sim, a marca de seu corpo na lama não mentia, mas ela não saiu caminhando, mais uma vez a lama me ajudou, lá estavam as marcas que indicavam que alguém ou algo arrastou Madeleyne pela floresta.
Segui os rastros, até que encontrei aquele ser novamente. Ele me encarava com um ódio profundo, segurando Madeleyne em seus braços.

- Meu trabalho seria tão mais fácil se não existissem caras metidos a espertos como você, Bill. – Ele falou, colocando Madeleyne sobre um tronco caído.

- Esse tempo todo, ela esteve aqui sozinha no frio, eu não quero cruzar seu caminho ou algo assim, só quero levá-la para a casa. – Falei, aproximando-me de Madeleyne e afagando seus cabelos ondulados. Finalmente ela estava ali, do meu lado, daria tudo para ver aqueles olhos verdes. Eu teria que implorar para vê-la abrindo-os mais uma vez?

- Pode pegá-la, Madeleyne não tem grande valor para mim. – Ele falou, puxando-me pelo cabelo e olhando friamente para mim.

- Mas você já é outra história, quero que você mate uma sangue-suga para mim. – Manson falou, jogando-me com força contra o chão.

- O que? De novo essa sangue-suga, me explica de uma vez o que está acontecendo! – Gritei, levantando-me com dificuldade.

- Josefine não lhe disse? Mais uma vez vou ter que explicar, a maldita da Helen demorou séculos para entender. – Manson bufou, cruzando os braços e olhando-me sarcasticamente.
– A mãe de Madeleyne? – Perguntei, olhando para a jovem desfalecida sobre o tronco.

- Sim, a desgraçada que começou tudo! Um dia, Josefine invocou Lúcifer, Trix, Adryen e eu para a terra. Cada um de nós trabalha há séculos para manter o outro mundo na mais perfeita ordem. Trix é a última Moira, depois que os mediadores nasceram, as primeiras criaturas condenadas à morte foram as minhas irmãs trigêmeas, Trix, Triméa e Trina.
Triméa e Trina deram suas vidas para que Trix continuasse viva. Se quiser saber sobre Lúcifer, é só ler a bíblia, sabe quem ele é... Adryen é o senhor das almas, braço direito de Lúcifer, ele é o encarregado de guiar as almas até o outro mundo, e o meu trabalho é conseguir essas almas, pode me chamar de morte, ceifador.. o que quiser, mas eu prefiro Manson.
Josefine fez um acordo conosco, ela queria vida eterna e em troca toda as almas de sua família de mediadores seriam do outro mundo, já que as almas de mediadores sempre irão para o céu, essa besteira toda e blábláblá, elas são muito preciosas para nós do outro mundo.

- Quer dizer que se Madeleyne morrer, a alma dela será sua, não é? – Perguntei, Manson apenas abriu um sorriso perverso e assentiu.

- Correto. Quase que Helen estragou todo esse acordo. Ela aprisionou Lúcifer e Adryen. Eu tentei de tudo para libertá-los, até que Trix me contou uma de suas premonições, dizendo que Adryen iria me matar se escapasse da prisão do outro mundo. Desde então eu faço o trabalho dele, afinal, é melhor que ele continue preso, não é? Eu consegui matar Helen, num momento de fraqueza, até fiz parecer suicídio. Quando Josefine, me contou que Madeleyne era a nova mediadora eu quis acabar com aquela velha, essa garota está longe de ser o que eu procuro, na verdade, eu enfrento os mediadores, o que conseguir me vencer, irá me ajudar a acabar com Adryen. – Ele falou, pisando com força no chão, como se alí estivesse a cabeça do tal Adryen

- E por que você o chama de sangue-suga? – Perguntei.

- Essa coisa de vampiros nunca existiu, mas Adryen alimenta-se de sangue, por isso eu o chamo assim.

- E como eu faço pra te vencer?

- Sou a morte, Bill. Eu apodreço seus órgãos, quebro seus ossos, acabo com suas memórias, tiro sua visão... Eu te envelheço, até você morrer, mas se conseguir me suportar por um mísero minuto, considere-se vencedor. O problema é que eu me empolgo, e acabo matando todos antes dos vinte segundos.

- Eu consigo.

- Bill, fez uma péssima escolha. – Disse Mansoon, esvaindo-se lentamente, pensei que este havia ido embora, até que percebi o que se passava, Manson não era apenas a morte, ele era o tempo de vida, algo que não pode ser visto... Senti um cheiro forte adentrando minhas narinas, um frio insuportável tomou conta do meu corpo.

Era como se um veneno estivesse mergulhando em todo meu sistema nervoso, já não sentia meus braços e pernas, a visão ficava cada vez mais embaçada, minha garganta secava rapidamente, sentia toda a minha pele enrugar-se, mas eu tinha que suportar, Madeleyne estava tão perto, eu não podia morrer alí.

- Bill... – A voz de Madeleyne parecia tão longe, senti suas mãos segurando meu rosto, mas eu já não conseguia enxergar mais nada, fechei os olhos e me entreguei ao que poderia ser o fim... Desculpe por não conseguir suportar... Desculpe...

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

43 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 35 em Qua Nov 07, 2012 5:18 pm

Capítulo 35
Contra a morte (pt.2)



Era como se um veneno estivesse mergulhando em todo meu sistema nervoso, já não sentia meus braços e pernas, a visão ficava cada vez mais embaçada, minha garganta secava rapidamente, sentia toda a minha pele enrrugar-se, mas eu tinha que suportar, Madeleyne estava tão perto, eu não podia morrer alí.

- Bill... – A voz de Madeleyne parecia tão longe, senti suas mãos segurando meu rosto, mas eu já não conseguia enxergar mais nada, fechei os olhos e me entreguei ao que poderia ser o fim... Desculpe por não conseguir suportar... Desculpe...

- Eu queria ver seus olhos, eles têm um verde tão bonito. – Sussurrei, lutando contra a dor que sentia em meu corpo, levantei as mãos em direção ao seu rosto, imagino que minha “velhice” havia tirado o sentido de tato de minhas mãos, era como se eu não estivesse segurando o rosto alvo e delicado de Madeleyne.

- Bill... Por que você veio? Por que se arriscou? – Ela perguntou, soluçando entre cada palavra que pronunciava.

- Eu não sei, acho que é por que eu... – Senti uma dor aguda em meu coração, seria isso então? Terminaria alí? Eu não poderia saber se manson realmente libertou Madeleyne, ou se mentiu com toda aquela conversa de vampirinhos, inferno e sobre Josefine?

- Bill, por favor, continua conversando comigo, por favor... Por favor... Bill?! – Foi a última coisa da qual lembro-me de ter ouvido, então era verdade, acabaria alí. Uma vez ouvi uma frase em um filme, ironicamente sobre vampiros... Algo sobre morrer no lugar de quem você ama... era alguma coisa do tipo... Talvez aquela frase estivesse correta, eu estava correto quando dizia para mim mesmo, que amava aquela garota. Não por ela ser bonita, talentosa ou meiga... Ela era como qualquer outra, tinha seus dias ruins, dias bons. Sorria, chorava, vestia roupas normais e folgadas quando estava em casa, talvez... Não sei ao certo, na verdade eu mal a conhecia. E era toda a curiosidade sobre ela acumulada, que me fazia ficar tão fascinado, era o fato de nunca poder tê-la. Aquilo era algo que não era meu, e se fosse para ser, eu jamais saberia...


[Writer’s POV]


A chuva caía furiosamente pelas ruas de Tóquio. Tom acabara de chegar da rua, ensopado e tremendo de frio. Espirrou algumas vezes, até que Meyko percebeu sua presença.

- Tom, você os encontrou? – Meyko perguntou, trazendo algumas toalhas e roupas secas para o de dreads, que lançou-lhe um olhar frio e logo rumou até a sala.

- Não, procurei por toda a cidade, Bill e Josefine devem estar aprontando alguma coisa em algum cemitério ou algo do tipo. – Disse Tom, tirando o casaco e a blusa que trajava.

- Será que eles estão bem? – Meyko perguntou, colocando a toalha seca ao lado de Tom, que novamente lhe jogou aquele mesmo olhar carregado de frieza.

- Se quer conversar, o Georg está no quarto dele, deprimido por causa da Lara, vê se me erra, okay?! – Disse Tom, rumando até seu quarto. Meyko pegou a toalha e o seguiu.
Tom deitou-se em sua cama e só então percebeu que a garota estava escorada na porta de seu quarto, o observando com um semblante nada confortável.

- O que foi? Quer conversar justamente comigo? O Gustav também está no quarto dele, por que não vai contar quantos fios de cabelo ele tem? – Tom virou-se de costas para Mey, cobriu-se com as cobertas até o pescoço e desligou o abajur que estava sobre o criado mudo.

- Se não quer falar comigo, tudo bem... Mas... Eu estou preocupada. Primeiro a Madeleyne some, depois a Lara, então é a vez de Bill e Josefine... É só que..

- Está com medo de que eu seja o próximo? – Tom perguntou, sentando-se sobre a cama e encarando Meyko.

- Não comece a ficar aí se achando o sol do meu mundinho, tem o Georg e o Gustav também! – Meyko virou as costas e rumou rapidamente até a sala, Tom levantou-se da cama e correu atrás da garota, que murmurava alguma coisa para si mesma. Meyko pegou seu casaco e caminhou até a porta do apartamento.

- Meyko, espera. – Disse Tom, segurando o casaco de Meyko, que o puxou com força e encarou Tom, com os olhos transbordando de lágrimas.

- Desculpa, tá bom?! Eu estou nervoso, meu irmão sumiu, minha ex-namorada não para de me ligar, meu melhor amigo está trancado no quarto chorando por causa de uma garota que mal conheceu, e eu estou com medo de que a próxima pessoa a tomar um chá de sumiço seja... Você.

- Você não deveria se preocupar comigo, se preocupe com as pessoas que não mentiram pra você. Acho melhor eu ir para a casa, minha prima, Sunny, já deve estar preocupada comigo. Infelizmente eu perdi a esperança de ver Madeleyne novamente, mas você não deve desistir do Bill, ele prometeu que voltaria. – Disse Meyko, abrindo a porta do apartamento e se deparando com o que poderia ser um sonho. Lá estavam os dois, Bill e Madeleyne. Sujos de lama, desde a cabeça até os pés.

- Eu disse que voltaria... – Bill sussurrou, olhando para Madeleyne, que estava adormecida em seus braços. Tom pegou a garota do colo do irmão e a colocou sobre o sofá. Quando virou-se novamente para Bill, este lutava contra o cansaço para não desmaiar alí mesmo.

- Que merda você foi fazer, ein Bill?! Eu achei que tinha perdido você! – Disse Tom, colocando o braço de Bill por cima de seu ombro e praticamente “arrastando-o” até o outro sofá. Meyko já havia pegado uma bacia com água morna e alguns panos, para limpar o rosto dos dois.

- Onde a encontrou? Como chegaram aqui? Ela está desmaiada ou dormindo? – Meyko perguntava para Bill, que apenas sorria para o nada.

- Depois eu te conto tudo, Mey... Eu só não sei como chegamos aqui, quando percebi, estava parado no corredor, encarando os números da porta.

- Você só está cansado. Depois falamos sobre isso. Meyko, avise para o Georg e o Gustav que eles voltaram.

- Sim. – Meyko levantou-se e correu até o segundo andar do apartamento.

- E a Josefine? Ela não foi com você? – Tom perguntou, pegando um dos panos e limpando as bochechas do irmão.

- Ela foi o motivo de tudo isso, ela ia matar Madeleyne para continuar viva por mais um bom tempo. E então o tal Manson, irmão da Trix, me contou tudo. Eu ganhei dele, não sei como, eu já tinha morrido, mas eu ganhei.

- Sinceramente, eu não quero mais saber dessas coisas de espírito. Vá dormir, quando acordar você conta a história para os Gês. Sou o único aqui que não conseguiu acreditar numa única palavra daquela velha louca?! – Disse Tom, carregando Bill até o segundo andar.

XXX

- E como ele está? – Perguntou Trix, olhando friamente para seu irmão.

- Está bem, ele me venceu... Sabe o que isso significa. Você falhou irmãzinha, Adryen morre! – Disse Manson, sorrindo vitoriosamente.

- É o que veremos.

- Não era você que estava apaixonada por ele?

- Claro que não! Eu queria matá-lo, mas para isso precisava conquistar a confiança dele.

- Que engraçado, e eu que queria acabar com a vida dele, agora tenho que fazer de tudo para protegê-lo... Pelo menos até ele matar o Adryen, depois disso a história será outra!

- Como eu disse, é o que veremos. – Trix falou, num ar debochado.

- Ingrata, ainda prefere aquele desgraçado? Não se esqueça do sacrifício de Triméa e Trina, elas morreram por você. Sabe por que? Por que esse maldito sangue-suga simplesmente se escondeu enquanto a ordem dos engomadinhos do céu mutilava suas gêmeas... Elas morreram e a culpa é dele, e você sabe muito bem disso! – Disse Manson, olhando para o quadro à sua frente, onde estavam pintadas três garotinhas idênticas.

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

44 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 36 em Qua Nov 07, 2012 8:27 pm

Capítulo 36
Adeus Mey, olá Lara!



Meus olhos doíam com a forte luz que adentrava o quarto parcialmente escuro. O cheiro de baunilha nos edredons misturava-se com a irritante fumaça do cigarro de Bill, que estava escorado na janela, escondendo-se atrás das cortinas vermelhas de seda ou cetim.
Minha cabeça latejava de tanto ficar deitada naqueles travesseiros altos, que passavam longe de ser macios.
Levantei-me daquela posição desconfortável em que me encontrava, sentei na beirada da cama, com a cabeça baixa e sorrindo aliviada por finalmente ter conseguido dormir...

Os dias que passei naquele bosque foram os piores possíveis, a chuva, o frio, a solidão, o medo, a lama, as risadas medonhas de Manson. Ele era a criatura mais mesquinha que já tive o desprazer de conhecer.

- Ma..Madeleyne! – Não se passaram nem dois segundos e eu já podia sentir o forte abraço de Bill, ele afagava meus cabelos com carinho enquanto fungava algumas vezes, senti lágrimas quentes escorrendo por meu ombro.

- O que aconteceu? Eu não estou em casa, né? – Perguntei, com a voz um pouco grogue e sonolenta.

- Não, é uma longa história. Vamos comer alguma coisa. – Disse Bill, ajudando-me a levantar da cama.

- Eu não quero. – Respondi, escorando-me em seu ombro, não conseguia sentir minhas pernas, era como se elas ainda não tivessem percebido que já era hora de acordar.

- Por favor, você dormiu por cinco dias, precisa comer alguma coisa.

- Não Bill, eu não como... Eu.. – Minha voz estava fraca demais para tentar dizer qualquer coisa.

- Você o que? – Bill perguntou, firmando a mão em minha cintura.

- Eu não me alimento há um ano. – Respondi, abrindo um pequeno sorriso sem dentes.

- O que?! – Bill pareceu espantado, e quem não ficaria?!

- Eu não preciso de comida, não mais. – Falei, tentando dar alguns passos, mas Bill parecia ter congelado, ele me encarava confusamente, abri mais um sorriso e tentei puxá-lo.

- Você está bem, ou isso é uma brincadeira? – Bill perguntou, virando-se de frente para mim.

- Isso também é uma longa história, mas já que insiste tanto, eu vou comer alguma coisa. – Respondi, rumando até a porta do quarto com Bill.

XXX

- Então, eu estava sumida por quase um mês? – Madeleyne perguntou, tomando um gole de suco de laranja.

- Sim, e Josefine estava por trás disso tudo! – Tom respondeu, cortando seu sanduíche ao meio.

- Será que ela também... A Lara... – Georg não conseguiu terminar, virou o rosto para cima, tentando segurar algumas lágrimas, que ainda assim conseguiram escorrer pelo canto do olho.

- Ge, calma cara. – Disse Gustav, dando um leve tapinha nas costas de Georg.

- Eu vou para o quarto. – Georg levantou-se e rumou rapidamente para o segundo andar do apartamento.

- Eu já volto. – Madeleyne levantou-se da cadeira e foi atrás de Georg.
Antes que o de olhos verdes pudesse alcançar o quarto, Madeleyne tocou seu ombro, o maior virou-se para ela e tentou fingir um sorriso.

- Seu anjo voltará, fique calmo. – Georg arregalou os olhos enquanto Madeleyne abria um gentil sorriso. Ela virou as costas e voltou para a cozinha, deixando um Georg confuso no corredor.

XXX

Já eram cinco horas quando Meyko começou a preparar o café da tarde. Bill, Madeleyne e Gustav foram até o centro de Tóquio para se divertir, Georg estava no apartamento de Jost, onde haviam improvisado um estúdio de ensaios. Mey encontrou a oportunidade perfeita para desculpar-se com o Kaulitz mais velho.

Ajeitou uma farta bandeja e a levou até o segundo andar do apartamento, abriu a porta do quarto de Tom lentamente, havia algo escondido embaixo de alguns edredons, Mey suspirou ao ver que Tom não estava acordado, colocou a bandeja sobre o criado-mudo.
Quando saía do quarto, esbarrou justamente em Tom, que voltava do banheiro.

- Eu achei que você tinha ido embora. – Disse Tom, esfregando os braços devido ao pouco frio que fazia.

- Eu vou, só queria ter certeza de que você comeria algo, comeu tão pouco hoje pela manhã. – Disse Mey, fechando a porta atrás de si.

- Eu só estou nervoso com toda essa situação, Madeleyne some, Bill some, Lara some, você é bem mais nova do que pensei, Georg está arrasado, Gustav não para de falar sobre... ah, esquece! – Tom chacoalhou a cabeça, espantando pensamentos que o atormentavam.

- Desculpa por ter mentido, tinha certeza de que não ia ficar interessado por mim se soubesse minha verdadeira idade. – Mey escorou-se na parede, enquanto fitava o chão, como se fosse a coisa mais interessante do mundo.

- Você nunca vai saber, preferiu mentir e as coisas se complicaram, eu... Quem sabe eu teria me interessado sim, claro que teria que esperar um pouco, mas eu acho que estaria muito interessado. – Tom olhou cabisbaixo para o chão.

- Pois é, eu nunca vou saber... Bem, Tom, agora eu estou indo, se cuida daqui pra frente. – Disse Mey, recuando alguns passos.

- Você não vai mais aparecer por aqui, sei lá, para visitar os outros? – Um leve tom rubro tomou conta do rosto de Tom.

- Não, talvez a Madeleyne sim, mas eu acho melhor deixar vocês em paz, já arrumei muita confusão. – Mey virou as costas e rumou até algumas malas que estavam ao lado das escadas do segundo andar.

- Mey... – Disse Tom, forçando a voz, que já se tornava fraca e incompreensível.

- O que foi, Tom? – Perguntou Meyko, tentando esconder uma pequena alegria que tentava nascer em seus lábios, escorrer por seus olhos e molhar sua pele alva.

- Espero que ache alguém que goste muito de você... – Mey assentiu com a cabeça,um tanto inconformada com a frase do maior, pegou as malas e caminhou para fora do apartamento.

- ...Tanto quanto eu gostei. – Tom sussurrou para si mesmo.

XXX

“Maldita hora para esquecer a carteira em casa, poderia chamar um táxi agora! E por que o Jost resolveu alugar um apartamento tão longe?!” – Pensou Georg, encolhendo-se dentro de seu grosso casaco de imitação de pele.

- Que droga, droga, droga! E pra ajudar tô sem bateria, nem posso ligar para alguém vir me buscar. – Disse Georg, checando pela milésima vez a telinha escura de seu celular.

- Burro fui eu, de ter saído sem verificar a carga! Georg, seu besta! Nunca aprende mesmo, desastrado, anta, mongolóide, abes...

- Falando sozinho de novo? – Georg congelou por míseros segundos, sem acreditar na voz que ouvia atrás de si.

- Lara? – Perguntou Georg, fitando fixamente os brilhantes olhos à sua frente.

- Quem mais seria?! – Lara riu, abraçando Georg firmemente.

- Achei que... – Lara interrompeu Georg, colocando o indicador sobre seus finos lábios.

- Alguém já lhe disse que você fala demais? – Ela riu, fazendo com que Georg abrisse um sorriso bobo em sua face.

- Desculpe, eu não vou sumir mais. – Disse Lara, olhando para os próprios pés, calçados por uma elegante bota de cano alto, preta, de veludo.

- Eu sei, tenho a leve impressão de que você não vai conseguir se afastar de mim. – Um semblante um tanto convencido tomou conta do rosto de Georg.

- Mesmo? Como pode saber, por acaso é um medium ou algo do gênero? – Perguntou Lara, arqueando uma das sobrancelhas, de forma debochada.

- Não, eu só sei... Algo como... – Disse Georg, coçando a nuca enquanto procurava pela palavra certa.

- Um pressentimento? – Lara palpitou, esfregando os braços devido ao frio.

- Exatamente. – Georg tirou seu grosso casaco e o colocou por cima dos ombros de Lara.

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

45 Re: Kiss The Rain em Qua Nov 07, 2012 9:10 pm

Primeiro....Santa mãe da demora!!!Tá pior que o CD do TH!!! tongue
Já tava ficando doida aqui....

Por quê a Mey foi embora assim??Tom, seu mongo, vai atrás dela....

EU VOLTEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEIIIII...Agora pra ficar...Por que aqui, aqui é meu lugar!!Eu VOLTEEEEEEEEIIIIIIIIIIII, pro Georg que eu deixei!!

~ignore meu momento Roberto Carlos..É que o natal tá chegando~

Que lindo, eu voltei para o meu lindo amor.....Achei tão bonito essa coisa de ''Seu anjo voltará!'' Eu sou o anjo do Moritz!!

Mas, ainda não entendi, porque eu sumi, afinal?? scratch

Continua, rapidamente, pelamor!

Ver perfil do usuário

46 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 37 em Qua Nov 14, 2012 9:24 pm

Capítulo 37
O fim...?



[Bill’s POV]

Eu não conseguia acreditar no que via, ela era lindamente parecida com Madeleyne. Eu podia ouvi-la falar apenas por pensamento, não era preciso pronunciar uma única palavra. Ela sorriu, estendendo a mão para mim, segurei-a, tinha um toque gelado, porém, macio como veludo.

Acompanhei-a até o quarto onde Madeleyne dormia. Pediu-me para que a acordasse, então assim fiz. Ela despertou, abrindo os lindos olhos verdes e sorrindo gentilmente, exatamente como sempre fazia.

- Bill? – Ela sussurrou.

- Tem uma pessoa que quer ver você. – Afastei-me alguns passos, deixando Madeleyne e a linda figura feminina que havia me acordado há alguns minutos.

- Mãe? – Madeleyne arregalou os olhos, paralisou por alguns segundos, mexia os lábios algumas vezes, mas as palavras pareciam fugir de sua boca.

- Eu finalmente posso ir para o outro lado, agora que o pacto de Josefine foi quebrado, nossa família estará segura.

- Mas que pacto, por que tudo isso aconteceu? Eu tentei não ficar confusa, mas agora milhões de perguntas surgem na minha mente. – Disse Madeleyne, olhando fixamente para os olhos de sua mãe, seria a hora perfeita para deixá-las à sós, mas eu também tinha milhões de perguntas não respondidas;


- Josefine tinha um acordo com o irmão mais velho de Lucifer, Mansoon. Trocava as almas das pessoas por anos de vida, assim teria vida eterna. Mas com o tempo, ela não podia mais libertar as almas e aprisioná-las para depois trocá-las, já que tinha uma filha, os poderes de mediadora, passariam para ela, mas não pense que Josefine era minha mãe e sua avó, tudo não passava de fingimento. Foi então que Mansoon disse que as almas de mediadoras valiam muito mais do que simples almas humanas. Então o pacto foi mudado, ela trocaria as almas das futuras gerações de mediadores por cem anos de vida, cada uma.
- Mas então, ela não era uma parente tão próxima assim? – Perguntei, segurando as mãos de Madeleyne.

- Não, ela esperava até a mediadora ter um filho, quando este demonstrava que tinha os poderes, geralmente aos cinco anos de idade, ela permitia que Mansoon roubasse a alma da mediadora.

- Então você não se matou?

- Claro que não, tinha uma vida perfeita, uma linda filha, um marido carinhoso, que deu a vida para salvar à nós duas. Quando seu pai descobriu sobre o pacto, ele ofereceu a própria alma, em troca, Josefine não poderia nos machucar, mas ela não cumpriu.

- Por que você não me disse tudo isso antes? Poderia ter feito algo, e se eu tivesse morrido? Isso continuaria!

- Eu não podia, Mansoon e Josefine me impediam de chegar perto de você, eu estava fraca. Mas sempre estive ao seu lado, através da presilha, na noite em que Mansoon envenenou meu vinho, eu usava um colar, feito com as pedras preciosas que estão na presilha, parte de mim sempre esteve do seu lado, cuidando de você.

- Obrigado, mãe.

- Mas agora, outra pessoa será responsável por cuidar de você, e garantir o futuro dos próximos mediadores.

- Como assim? Eu ainda estou confusa. – Disse Madeleyne, aproximando-se de Helen.

-Vocês dois, juntem suas confusões, e formem uma resposta lindamente óbvia. – Disse Helen, entregando uma aliança de prata para Bill.

- Cuidem-se, as dificuldades não terminam aqui. – Helen sumiu aos poucos, deixando o clima tímido e angustiante para Madeleyne e eu.

Afastamo-nos lentamente, olhares envergonhados e cabeças baixas, o que eu podia fazer? Pedi-la em casamento? E se fosse isso, o tempo todo, o motivo pelo qual eu a salvei, apenas eu... Só podia ser isso!

- Bill? – Ela sussurrou, levantando a cabeça e dirigindo-me um olhar tímido.

- Madeleyne, eu não quero mais esperar. Tenho que fazer isso antes que você tenha que mudar-se novamente, eu não vou aguentar ficar longe de você novamente. Quer... Você quer... – Por que eu não conseguia perguntar? era tão simples, e talvez por ser tão simples eu não conseguia fazer, mas tinha de ser feito, finalmente minha chance havia chegado!

- Bill, eu aceito...


XXX

2 meses depois - Los Angeles



- Pelo poder que à mim foi concedido, eu vos declaro marido e mulher... Pode beijar a noiva. – Não haviam palavras para descrever aquele momento, aquela mistura de sentimentos, todas as sensações.

Gostaria de agradecer aos leitores que acompanharam a fic, obrigado à todos, o que é um escritor sem leitores? OBRIGADO!

- Estão preparadas? Vou jogar o buquê! – Disse Madeleyne, virando-se de costas para a multidão de convidados.

Obrigado à Lara Monique, minha leitora e escritora número 1! Ah é, e também a personagem mais legal que já tive o prazer de colocar em uma fanfic. Beijos Lara!

Madeleyne jogou o buquê, este manteve-se por três segundos no ar, pousando certeiro sobre as mãos de Meyko.

Obrigado às músicas do Florence + The Machine, que me deram muita inspiração para escrever esses dois últimos capítulos! Principalmente “Breath of life”

Tom arregalou os olhos, abrindo um sorriso torto e sem graça, enquanto Mey dava alguns suspiros e risadas.
- Hey Tom, o que vai fazer agora? – Disse Gustav, dando leves tapinhas nas costas de Tom.

- Fica quieto, idiota... Ela não dirigiu um olhar que fosse para mim... E ela está tão bonita. – Disse Tom, observando Mey de longe.

Gostaria de pedir desculpas por toda a enorme demora, passei por tempos bem difíceis, alguns até compartilhei com meus leitores mais queridos, mas saibam, meus lindos, que superei à todos, com força, fé e garra! Por que é isso que sou, uma verdadeira guerreira! (não exagera Kiva)

- E você Gustav, o que vai fazer? – Disse Tom, apontando para Jaqueline, que bocejava devido ao cansaço da longa viagem que havia feito para chegar em Los Angeles.

- Eu? Vou fazer a pergunta mais importante da minha vida. – disse Gustav, ajoelhando-se de frente para Jaqueline, segurou suas delicadas mãos, olhou-a fundo nos olhos e começou a sorrir.

- Jaqueline, eu te amo desde o primeiro instante em que te vi, há vários anos atrás, nem sei ao certo, por que eu nunca parei para contar, as pessoas contam aquilo que terá fim, e nós dois, eu não quero que tenha fim, nunca. Por isso, eu quero lhe perguntar algo muito importante... Você aceita se casar comigo?

- E você ainda pergunta? Claro que sim! – Disse Jaqueline, pulando sobre Gustav e depositando um demorado selo em seus lábios.


- Lara.. Aproveitando essa situação... sabe.. O casamento.. eu... – Georg gaguejava, segurando as mãos de Lara.

- Shh, já disse que você fala demais? – Lara soltou as mãos de Georg, ergueu o indicador até os lábios de Georg, fazendo com que este se calasse.

Outra música muito importante, é a própria Kiss The Rain, do pianista Yiruma... Aconselho que a ouçam!

- Bill.. – Sussurrou Madeleyne, entrando no Audi vermelho de Bill.

- Sim? – Perguntou Bill, acenando para os convidados.

- Obrigado por não desistir de mim. – Disse Madeleyne, olhando para a aliança de prata que havia sido dada por Helen.


Fim




- POR FAVOR, PROMETE QUE NÃO VAI SOLTAR A MINHA MÃO!

- O que? Não é hora para promessas!

- Georg...

- Não preciso prometer nada para você!

- Eu sabia, nada te faz diferente dos outros! Me solta e me deixa cair.

- Calma! Eu não preciso prometer nada para você, por que eu já prometi para mim mesmo que quando te encontrasse de novo, eu iria te abraçar e nunca mais deixar você sair dos meus braços!

- Georg...?!

- Confia em mim?

- Eu... eu acho que sim..


~
Heeey, então? Final um pouco sem graça... Na verdade, essa parte de Kiss The Rain nem existia, mas eu tinha que contar como os personagens se conheceram, e acreditem, bolar a "1ª parte" não foi fácil...
E aquele finalzinho ali, bem... é uma fic futura, continuação de Kiss The Rain...
Tenho certeza de que a Lara vai adorar. E vamos descobrir se tom conseguirá ficar muito tempo longe de Mey. E o Gustav e a Jaque, será que casaram mesmo??
E que fim levou Manson e Trix? E a Josefine?? Bem, aguardem >.<

Ver perfil do usuário http://tokiohotelmateriais.blogspot.com.br/

47 Re: Kiss The Rain em Sab Maio 25, 2013 9:12 pm

Hällo!

Acho que eu estava lendo KTR desde o início do ano e nunca que eu conseguia terminar.... falta de tempo por conta de faculdade.
Mas hoje eu vim aqui e não ia sair antes de terminar de ler e.... TERMINEI!! Smile
Bom, eu ameeei demais a história, fiquei fuper curiosa com cada capítulo que se passava.
O final foi lindoooo e se tiver continuação mesmo, POR FAVOR poste. Eu adoraria saber o que iria acontecer com a Mey e o Tom, eles têm que ficar juntos! Hehehehehe
Enfim, parabéns, sua fic é linda. ADOREI!

Beijos

Ver perfil do usuário http://www.twitter.com/gabrolla483

Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo  Mensagem [Página 2 de 2]

Ir à página : Anterior  1, 2

Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum