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Angels Don't Cry

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51 Angels Don't Cry em Qua Nov 07, 2012 3:42 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 13 - Não se interaja com vivos



Tudo bem, que lugar é esse? Meus olhos devem estar parecendo holofotes de tanto brilhar! Eles redecoraram um jardim inteiro, está parecendo àquelas festas de casamentos que se fazem ao ar livre, só que cheio de brilho, pessoas bem vestidas, tomando champanhe e bebidas coloridas. Nunca estive em uma festa tão bonita como essa! O máximo de jardim que já vi, foi em uma festa que invadimos a piscina do vizinho que havia viajado e ficamos bêbados no gramado.
Mas isso era muito melhor que invadir o jardim do vizinho! Pena que eu não conhecia nenhum desses famosos franceses, vou ter que fingir ser mais social pelo jeito, ou posso simplesmente perguntar para Bill se ele conhece algum deles. É claro que me perdi naquela multidão de gente que foi cumprimentar o Tokio Hotel.
Decidi que por enquanto, o melhor que eu teria a fazer era me afastar. Acho que Bill nem me viu sumindo, apenas andei entre as mesas, dando uma olhada nas pessoas que estavam por ali. Então eu vi uma bandeja passando na minha frente, com coquetéis coloridos com frutas, que coisa mais exótica! Peguei um deles e bebi, senti o álcool entrar no meu corpo de mentira e isso era tão bom, faz tanto tempo que eu não bebia nada!
Só seria um coquetel, não podia ficar bêbada, afinal tenho que cuidar de Bill, não que ele não saiba se virar, mas é meu trabalho, oras. Sentei em uma das mesas e fiquei olhando eles ao longe, ainda estavam conversando com outras pessoas e rindo. Sentia-me excluída de certa forma, afinal geralmente eu tinha a Mischa nas festas ou outros amigos.
– Sinceramente, você não vai ficar aí sentada para sempre, não é? – Bill disse vindo em minha direção, quando conseguiu sair de perto de todas aquelas pessoas – Sei que não conhece nenhum deles, mas eu poderia te apresentar.
– Como uma maquiadora procurando por emprego? – eu perguntei rindo – Acho que não preciso disso. Espero que as coisas se agitem mais!
– Quando eu disse que essas festas não são grandes coisas, você não acreditou. Bem, por isso eu te trouxe, para agitar um pouco o local.
– Tudo bem – eu disse me levantando e pegando outro coquetel que estava passando em uma bandeja. Bebi tudo em um gole só – Vamos logo mostrar o que uma festa de verdade tem que ter.
Peguei a mão de Bill e o puxei para longe daquelas mesas, primeiro teríamos que mudar essa musica orquestral, parecia mais uma festa fúnebre do que algo que ia arrasar a noite de todos. Fui até o DJ – o cara que cuidava do som, tanto faz – e acenei para ele, para que olhasse para nós.
– Esse é Bill Kaulitz, vocalista do Tokio Hotel e ele não gosta dessa música – eu disse simplesmente em alemão.
– Não entendo o que você disse – ele disse em francês, mas eu entendi. Vamos dizer que o professor de francês era bem bonito, então eu simplesmente prestava atenção nas aulas dele e tentava ser a melhor aluna. Acabei pegando ele em uma festa da escola em que os alunos colocaram vodka no ponche, vamos dizer que ele bebeu mais do que deveria. É, nunca disse que fui uma boa pessoa.
– Eu disse que esse é Bill Kaulitz e ele não gosta dessa música, coloque uma música mega animada para todas essas pessoas aqui botarem para quebrar. Agora! – eu disse na voz mais autoritária que eu tinha. Não era muito diferente da que eu usava normalmente.
O cara olhou para Bill e depois para mim, então a música parou. No lugar dela uma batida começou a tocar, percebi que algumas pessoas ficaram confusas, outras simplesmente começaram a se movimentar conforme a música continuava. Ponto para mim! Logo a pista de dança começou a encher de pessoas conforme mais chegavam.
– Viu? A música melhorou – eu disse falando para Bill e depois indo até os garçons – Quero vocês circulando com as bebidas perto da pista de dança, é lá que as pessoas vão ter sede de verdade.
Os garçons devem ter pensado que eu era alguma espécie de anfitriã, por que saíram correndo para a pista de dança no momento que terminei de falar. Acho que escolher um vestido Dior foi a melhor ideia que tive, isso mostra poder, mesmo que eu não tenha poder nas minhas mãos, posso fingir que tenho.
– Pronto! Agora é só deixar que as pessoas façam a festa de verdade! – eu disse orgulhosa ao ver todos se divertindo – Pode ir se divertir agora, Bill. Vou procurar alguém para você!
– Não é necessário – ele disse segurando meu braço quando eu estava pronta para ir ao Caça as Namoradas – Não se preocupe com isso.
Me virei pronta para xingá-lo por ser um negativo de primeira, mas encontrei aqueles olhos de novo que faziam com que eu afundasse. Um tremor passou por mim e meu coração começou a disparar freneticamente e acho que nem a batida da música nem o álcool estavam me ajudando nesse momento. Tudo bem, eu nunca havia reparado isso, apesar de ele parece uma garota com toda aquela maquiagem, ele era bonito de verdade, como um homem. E ele tinha um cheiro ótimo também, não era por que o perfume ou sei lá o que ele usava fosse caro, mas aquilo realmente era como uma fragrância floral que atraísse abelhas. E eu era uma abelha nesse exato momento.
– E quem é essa bela mulher? – perguntou um cara quebrando totalmente o clima, nunca tinha visto ele antes – É sua namorada, Bill?
– Não – eu disse soltando meu braço do de Bill e saindo o mais rápido possível de perto dos dois.
O que está acontecendo comigo? Eu não estava pensando que ele fosse me beijar estava? Ou melhor, eu ia beijar ele? Ele é seu protegido Hedvig, não um cara que você pode sair por aí e dar uns amassos, nada disso. É errado se envolver com um humano, ainda mais um humano como ele, que está à procura de uma pessoa decente, não alguém como Hedvig Nondenberg.
Mas isso deve ser da minha imaginação, quero dizer, o Bill não pode gostar de mim. Não pode. Isso praticamente deveria ser um dos Dez Mandamentos: “Não se apaixonarás por tua anja da guarda”. E por que ele se apaixonaria por mim? Afinal eu sou terrível com ele, só sei dar patada... a não ser que ele seja masoquista ou goste de mulheres que tem o poder...
– Aí está você! – disse alguém aparecendo bem na minha frente, nada menos e nada mais que Tom – Te procurei em tudo que é lugar, pensei que já tinha achado algum famoso para ser maquiadora.
– Não, eu estava apenas pegando algumas dicas com seu irmão – eu disse tentando fazer com que ele saísse do meu caminho.
– Por que não dança comigo? – ele perguntou de repente, me fazendo fitá-lo sem graça – Prometo que não vou morder.
Tudo bem, vocês podem me matar. Que tipo de pessoa eu sou? Mas não há nada de errado em dançar com ele, não é mesmo? Afinal só vai ser por hoje, nunca mais vou me encostar a Tom ou qualquer pessoa dessa festa. E ele é bonito, tudo bem? Ele tem charme e simplesmente faz você ficar atraída.
E os olhos dele eram iguais os do Bill, daquela cor acastanhada cálida como chocolate quente. Simplesmente fui fisgada. Ele passou o braço em volta de mim e me trouxe para mais perto dele, fazendo meu corpo ficar colado ao seu. Pude sentir seu cheiro bom impregnando minhas narinas. Sua respiração estava um pouco acima da minha orelha, me fazendo ter arrepios contínuos.
Quem diria que o irmão do Bill era tão... assim? Eu o achava um idiota galinha e agora vejo que além de ele ser isso, o cara sabe o que faz. Ele simplesmente conseguia chamar as garotas ao seu encontro. E eu pensando que poderia conseguir fugir dele, cometi um erro muito grande.
Estávamos tão perto que eu sentia seu coração batendo, balançávamos conforme a batida. Seus lábios beijaram o meu rosto e senti a superfície gelada do seu piercing tocar a minha pele e deixando quente o local. Cada vez mais eu o sentia mais próximo de mim, isso parecia ser tão surreal! Tentei virar o rosto, ele não me teria tão fácil assim quanto imaginava.
Foi quando eu vi Bill, olhando para nós dois, eu não sabia ler sua expressão, se ele estava surpreso, com raiva ou qualquer coisa. E havia mais alguém do seu lado, onde ele estava sentado, ao longe, havia uma garota. Foi quando eu de repente acordei de verdade.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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52 Re: Angels Don't Cry em Qua Nov 07, 2012 6:29 pm

Hedvig botando pra quebrar! Mandando na festa, isso ae \o/
Pensei que ia rolar algo entre o Bill e ela, mas não rolou Sad
E ela e o Tom então, bem animadinhos kkkkkk, pena que o Bill ficou com ciúmes kkkkkkk.

Continuaa....

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53 Angels Don't Cry em Dom Nov 11, 2012 1:55 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 14 - Mantenha a Compostura



Então, eu simplesmente saí dos braços dele. Simplesmente empurrei Tom para longe de mim, mesmo sentindo falta do corpo dele perto do meu, mesmo notando como a noite estava fria. Toda a verdade voltou a minha cabeça: você está morta, Hedvig, não está viva! Você simplesmente abandonou seu protegido e ele simplesmente se deu melhor sem você! Ele achou uma garota, e pelo visto ela é loira oxigenada igual a garota da sala 203 de Relações Públicas!
– O que houve? – Tom perguntou, me olhando atônito.
– Olha, eu simplesmente não posso ficar com você – eu disse tentando falar da forma mais sutilmente que eu estava dando um fora nele por que bem... vamos ver... eu estou morta! – Não da, sabe. Eu já gosto de outra pessoa.
Antes que ele abrisse a boca e me questionasse, eu caí fora da pista de dança e corri para a mesa oposta onde Bill estava. Tentei sumir na multidão até encontrar um daqueles garçons com bebidas coloridas, peguei uma delas e tomei em um gole só, a sentindo queimar minha garganta.
Eu estava me sentindo envergonhada, na verdade humilhada por mim mesma. Só me deixei ser levada por Tom por que eu realmente queria dizer: “Hey, minha ultima relação amorosa não foi com um idiota que me traiu, foi com um cara lindo e charmoso”. Mas o que eu fiz? Simplesmente estava quase dando uns amassos no irmão do meu protegido!
Mas por que me importo? Afinal Bill não achou sua tão especial garota? Ele não estava nos braços de outra mulher naquele momento? Ele realmente não precisa de mim, pelo visto! Foi capaz de achar aquela garota vulgar com aquele vestido vermelho do Dolce&Gabbana! Nem para achar uma decente que faça jus a todos os seus critérios!
Caminhei até uma mesa cheia de doces e comecei a comer alguns. Lembro que sempre que ficava triste, Mischa me levava para comprar doces, ela dizia que isso fazia bem. Sei que engordava, mas eu morri, então não vou engordar mais, posso comer o quanto eu quiser. Era bom sentir o açúcar começando a correr no seu sangue, mesmo que seja morto, era como um calmante.
Então eu a vi, a garota, ela me lembrava uma mistura de Marilyn Monroe com Anne Hathaway, ou seja: vadia e um doce na medida certa. O que eu estou fazendo afinal? Eu devia ficar agradecida por finalmente ele se sentir feliz e não ficar xingando a futura Senhora Kaulitz. Era um peso que ia tirar das minhas costas finalmente. Mas eu não estou feliz, mas por quê?
– Essa é a maquiadora que você falou? – ela disse vindo em minha direção, com uma voz tão chata que eu quase enfiei a cascata de chocolate na goela dela – Eu realmente estou precisando de uma maquiadora pessoal.
– Não estou disponível – eu disse secamente, tentando não olhar para Bill e pegando um morango de chocolate.
– Eu sei, bobinha. Não vou pedir para me maquiar agora, estou falando no dia-a-dia – ela disse como se não entendesse o que eu tinha falado. Pelo visto o nível de água oxigenada havia torrado o resto de cérebro que ela tinha.
– Não estou disponível! – eu disse me virando para encará-la, para ela sentir o rancor em meus olhos e depois voltei ao morango com chocolate.
– Não vai dizer que alguém já a contratou? – ela exclamou – Bill disse para mim que você veio para a festa procurando um emprego.
– Olha, eu não quero trabalhar para você, entendeu? – eu disse da forma mais grossa que eu podia, mas ao me virar para ela, encontrei os olhos do Bill, ele parecia estar sem emoção. Ele não estava feliz, decididamente.
– Então por que veio? – ela perguntou agora usando a grosseria igual a mim – Acho que só para pegar o Tom Kaulitz, não é mesmo? Eu vi vocês ali agarrados quase se comendo!
Tudo bem, respire. Não dá.
– Sabe o que você vai comer? Essa merda aqui! – eu disse pegando um copo cheio de chocolate derretido e jogando tudo na cara dela. Fiz questão de sujar aquele maldito vestido caro.
Claro que foi errado. Quero dizer, isso foi muito mau. Acabei de causar um babado daqueles na festa, mas alguém tinha que animar esse lugar! Festas simplesmente têm que ter babados! Ainda mais quando é jogar chocolate derretido em uma garota idiota.
– Sua vaca! – ela exclamou tentando tirar o chocolate do rosto – Você vai me pagar!
Então ela afundou a mão em uma vasilha de manjar e arremessou em mim. Como eu sou mais esperta e ágil, eu simplesmente abaixei, mas o manjar acertou uma velha atrás de nós, bem no suéter Ralph Lauren dela. A mulher praticamente surtou, falou mil palavrões em francês e pegou um pedaço da torta do seu prato e tentou atingir a garota de vermelho. Mas acabou acertando, na verdade, um cara que tinha um terno que parecia ser Armani.
Foi o caos. Comida voando para todo o lado e acertando diversas pessoas que nem deveriam estar na briga. Recebi bolo na cara, pavê no meu vestido lindo da Dior, tinha até raspas de limão no meu cabelo. Mas era a coisa mais divertida que fiz na minha vida! De todas as festas que fui, nunca participei de guerra de comida!
Peguei na mesa um pedaço de mousse de limão e joguei com tudo na roupa de Bill, lá se vai Dior! Ele não ficou bravo, na verdade ele estava rindo, rindo de verdade! Aquela tristeza que havia no seu rosto, havia sumido e agora ele estava se divertindo como todos na festa. Mas ele não ia deixar barato, ele pegou um punhado de brownies e esfregou no meu vestido enquanto eu tentava desviar.
Então, sem perceber, pisei em alguma gororoba que estava no chão e cai, tentei me agarrar em Bill, mas acabei o puxando junto comigo. Só percebi depois que nós dois estávamos no chão, cheios de comida e quase quebrados pela queda. Nós dois continuávamos a rir, só paramos quando nossos olhares se encontraram de repente.
– Tem chantilly no seu rosto – ele disse passando seu dedo em minha bochecha e tirando o chantilly e depois levando até seus lábios – Está bom do mesmo jeito!
– E acho que tem bolo no seu cabelo – eu disse rindo sutilmente, o cabelo era algo que ele mais parecia prezar, espere até ele ver como está – Bem... me desculpe, acho que joguei chocolate derretido na sua namorada e acabei com a festa.
– Ela não é minha namorada! É apenas a filha do dono da festa, do cara que nos divulga na França.
– Então acabei de jogar chocolate derretido na filha do dono da festa? – eu exclamei – Caramba, agora me sinto pior que antes!
Ele se afastou de mim, sentando ao meu lado e me ajudou a se sentar também. Eu queria falar tanta coisa para ele, mas parecia que naquela situação não dava. Ainda havia comida voando para tudo que era lado e a velha com o suéter da Ralph Lauren estava em cima de uma mesa gritando “This is Sparta!”. As coisas estavam saindo um pouco fora de controle pelo visto.
– Vamos cair fora daqui? – eu disse – Acho que essa festa já deu o que tinha que dar.
– Tudo bem – ele disse se levantando e me ajudando – Preciso realmente tirar esse bolo do meu cabelo.
– Veja pelo lado bom, você não está de moicano, acho que o estrago seria maior!
Então, sem avisar ninguém, escapulimos pela guerra de comida, tomando cuidado para não levar mais na cara. Essa noite estava sendo tão divertida! A parte que eu mais gostava era fugir de uma festa, já fugi de tantas. Se não era os vizinhos que chegavam do nada e nos via bêbados no gramado, eram os policiais que vinham descobrir quem estava fazendo tumulto em determinado lugar.
Agora estávamos apenas fugindo por conta própria, ninguém nos estava perseguindo, eu não estava completamente bêbada nem havia perdido meu sapato. A única coisa errada era que eu estava coberta de comida!
– Vig – Bill disse antes de abrir o carro – Obrigado por animar a festa. Acho que essa foi uma das melhores que já fui, se não, a melhor!

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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54 Angels Don't Cry em Dom Nov 11, 2012 2:10 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 15 - Não beije seu protegido



Bill estava dirigindo de volta para o hotel, eram duas horas da manhã e Paris estava quase vazio por causa do frio. Era a hora de eu esclarecer um pouco as coisas, eu tinha feito algo errado e sabia que isso tinha causado algo ruim em Bill. Eu simplesmente não queria ver ele triste. Não queria ver mais ninguém triste por minha causa.
– Me desculpe – eu disse quebrando o silêncio de repente, isso foi meio estranho e por um momento eu quis voltar a ficar quieta – Por ter quase pegado seu irmão.
– Ah... isso não foi nada... – ele disse sem saber o que dizer – Esqueça isso.
– Claro que foi, eu deveria estar te ajudando, cuidando dos seus relacionamentos e não dos meus, afinal eu morri. Não tenho que cuidar de mais nada na minha vida.
– Não, nós prometemos nos divertir hoje, não importando como. Se ficar com Tom fosse algo que você quisesse, você tinha todo o direito. Você tem o direito de se apaixonar por ele, não importa se já morreu.
– Eu não estou apaixonada por ele, só foi uma tentação, algo passageiro. Ele não faz muito o meu tipo.
– É, o Tom faz esse tipo de coisa com as garotas, ele consegue atraí-las facilmente – ele disse gesticulando com uma mão e dirigindo com a outra.
– Você também consegue! É que você está procurando “A Garota”, já seu irmão está interessado em pegar todas as garotas. Cada um tem suas ideologias... mas é que... eu vi você, Bill. Você não estava feliz por me ver com ele – eu disse me lembrando do rosto dele quando estava dançando com Tom.
– Está tudo bem, Vig. Não estou bravo com você nem com ele – ele prosseguiu com a mesma besta explicação.
– Bill, se quiser me chamar de traidora, vadia ou imbecil, pode falar agora, sei que sou uma dessas coisas nesse momento. Ou até mais, como neurótica, maluca, briguenta e insensível. Sou tudo isso e eu sei, mas acho que se vir de você esses xingamentos, talvez seja como um tapa na cara, talvez eu acorde.
– Você não é assim – ele disse de repente estacionando o carro há alguns metros do hotel, ele deixou a chave na ignição e se virou para mim – Eu sei que você é a pessoa com a personalidade mais forte, corajosa e divertida que eu já vi. Vi a forma como olhou a foto da sua família, sei que cometeu erros, mas se há alguém que mais mereça o Céu, é você. Você aprendeu a crescer, a tomar conta de si mesma e a fazer coisas boas, não esta sendo falsa, nem fingindo ser a melhor pessoa do mundo. E é isso que eu quero ver de você, é o que você esconde atrás de seus defeitos.
– É para me proteger – eu disse quase sem palavras, sentindo meu coração quase na boca.
– Se proteger do que?
– Das pessoas... Ah... – eu disse tentando me explicar – De você... De pessoas que podem me fazer sentir algo que eu não quero sentir, como você.
Não sei como as palavras saíram da minha boca, mas de repente tudo ficou muito claro. Eu estava apaixonada por ele, era isso. Por isso eu o tratava mal, tentava me afastar dele, por que simplesmente eu estava me apaixonando e no fundo, no fundo, eu sabia disso. Eu sabia que tinha fazer de tudo para que isso não acontecesse, por que nós dois não temos nenhum futuro juntos e eu não sou a garota especial para ele. Bill precisa de uma garota doce e gentil como ele, não uma idiota como eu sou. Sem contar que estou morta, sempre me esqueço disso.
Mas quando eu falei aquilo, pensando que ele ia sair do carro e não olhar na minha cara, ele fez algo totalmente inusitado. Seus olhos ganharam aquele brilho que eu tanto conhecia, era como se as faíscas de antigamente virassem chamas de verdade. Ele se inclinou até a mim e quando percebi seus lábios haviam tomados os meus, eram tão cálidos quanto eu imaginava e me beijavam de forma tão intensa, que não pude hesitar também em correspondê-lo.
Sua mão percorreu minhas costas descobertas, me puxando para mais perto dele, e eu praticamente passei meus braços em volta do seu pescoço, segurando fervorosamente seu paletó da Dior. Por um momento eu desejei que meu cabelo não estivesse preso naquele maldito penteado, eu o queria solto para que ele pudesse passar a mão se quisesse. Mas eu me lembrei que podia fazer isso. Então em segundos meu cabelo se desfez em cachos caindo pelos meus ombros e costas.
Como mágica, suas mãos em minhas costas subiram para o meu pescoço, segurando meus cabelos, enquanto nosso beijo ficava mais impetuoso. Eu praticamente estava quase sentada no mesmo banco que ele, tentando aproveitar o pouco espaço para ficar mais perto. Minhas mãos escorregaram pelo seu paletó, o retirando aos poucos, ele colocou seu corpo um pouco mais para frente, para que eu pudesse retirar aquilo mais fácil. Tchau Dior!
Eu estava errada sobre a camisa, na verdade era uma regata que ele usava, apesar do maldito frio que fazia. Ele passou seus braços descobertos por volta da minha cintura e de repente eu estava no colo dele, pegando o rosto dele em minhas mãos e encarando aqueles olhos que eu tanto odiava e amava. Ele me beijou novamente, movendo seus lábios pelo meu maxilar.
– Hedvig – ele disse sussurrando, fazendo minha pele se arrepiar ao ouvi-lo tão perto de mim – Você é tão linda que quando me contou que era um anjo, eu realmente quase acreditei.
Meu coração disparou quando ouvi aquilo, mas no mesmo momento algo veio à tona: eu era um anjo. Que eu saiba anjos não ficam beijando seus protegidos no carro deles e arrancando seus paletós da Dior. Só que desde que eu morri, eu nunca me senti tão viva quanto agora, meu corpo parecia receber informações a cada momento, a cada toque dele.
Só que eu estou sendo egoísta, estou pensando só em mim. E depois que eu for embora para o Paraíso, como ele vai ficar? Simplesmente vivendo de minhas lembranças, sem uma pessoa que o ame de verdade. Não posso deixar assim, se for para concertar algo, vou fazer do modo certo e não vai ser ferindo ele.
Quando ele voltou para os meus lábios, os procurando, eu simplesmente virei meu rosto e o parei. Senti a dor amarga ao negar isso a ele, mas seria o melhor. Ele também de repente ficou tenso sem entender o que estava acontecendo, apenas deixou seus lábios tocando minha bochecha e sua respiração me atingindo e me aquecendo.
– Isso não é certo – eu disse para quebrar o silêncio constrangedor que havia, onde a única coisa que fazia barulho era as batidas cardíacas de nossos corações – Não podemos.
– Por quê? – ele perguntou se afastando de mim e pegando meu rosto para olhá-lo. Por favor, não me faça olhar para seus olhos – Por que está morta? Ou por que simplesmente tem medo de se apaixonar novamente?
– Por que isso não é certo – eu disse rispidamente tentando me afastar dele – Sim, por que estou morta! Por que vou embora daqui uma semana! Por mil motivos!
– Então você acha que se afastar de mim é certo? – ele perguntou com o orgulho ferido, quando eu finalmente consegui sentar no meu banco novamente.
– Olha, deixe-me fazer a coisa certa pelo menos uma vez na minha vida, Bill! Não é certo nós juntos, não quero te fazer sofrer, não quero que você cometa os mesmos erros que eu!
– Não vou cometer, eu...
– Já está cometendo só de termos feito isso! Vamos fazer o seguinte, apenas se esqueça do que aconteceu, OK? – eu disse tentando pensar, mas eu estava tão confusa – Retome a sua vida normalmente. Faça de conta que nunca me viu e nem sabe quem eu sou. Um dia simplesmente vou sumir e vai se esquecer de mim.
– Tudo bem, então – ele disse falando friamente enquanto pegava seu casaco e abria o carro – Ótimo.
Ele saiu sem olhar para mim e trancou o carro. Fiquei por ali um momento e então voltei a ser eu mesma, um espírito que parecia ter uma morte tão parecida com a vida. Tudo bem e vocês queriam que eu fizesse o que? Que eu simplesmente desse uns amassos nele e depois sumisse como se tudo tivesse bem? Não vou fazer isso, me desculpem.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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55 Re: Angels Don't Cry em Dom Nov 11, 2012 6:21 pm

Nossa que cap empolgante! A festa da guerra de comida foi muito divertida. Mas e o que aconteceu dentro do carro? Eu pensei que eles iam pros "finalmente"
Hedvig, sempre fazendo merda. Ao invés de continuar parou, se bem que os anjos não devem se relacionar com seus protegidos, mas nesse caso isso era um bem maior!

Continuaaaaa

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56 Re: Angels Don't Cry em Dom Nov 11, 2012 9:34 pm

Anny V.

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Moderadora
Eu senti um apertinho no coração agora, fiquei com dó da Hedvig e do Bill, acho que os dois deveriam ficar juntos... só acho.

Adorei a guerra de comida e a velinha gritando "This is Sparta!" eu ri imaginando a cena kkkkkk
Tom querendo da uns pega na Hedvig, safadinho! Perdeu pro irmão querido

No começo quando eu imagine a hipótese dos dois se apaixonarem, eu não gostei da ideia, agora eu acho que ela meraça uma segunda chance pra poder ficar com o Bill.

Continua, Sam!

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57 Angels Don't Cry em Qua Nov 14, 2012 4:05 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 16 - Não machuque seu protegido



Eu sentia como se tivesse um buraco no meu peito, sentia uma dor languida dentro de mim. Acho que passei a noite inteira o observando de verdade, vendo ele de uma forma que nunca vi. Bill parecia ser outra pessoa agora, era como se de repente ele pudesse brilhar em uma multidão. Como se eu pudesse reconhecê-lo em qualquer lugar que ele estivesse.
Ou era isso ou eu havia mentido para mim mesma desde a primeira vez que eu o vi. No começo eu simplesmente não ligava para quem ele era, só queria terminar meu trabalho o mais rápido possível, mas tenho que dizer que fiquei surpresa ao descobrir que ele era vocalista de uma banda e como era uma gracinha.
Agora lá estava ele, dormindo profundamente, quem sabe sonhando com o que? Será que era comigo? Ou ele será realmente capaz de acordar mais tarde e perceber que cometeu um erro enorme ao me beijar? Eu queria com todas as forças que isso acontecesse, que ele se esquecesse de mim, mesmo que isso fosse um pouco doloroso para mim. Afinal eu não estou realmente amando, estou? Isso deve ser só uma paixonite passageira, não é?
Mas se eu fosse viva e por um momento pudesse escolher Lukas ou ele, eu acho que escolheria ele. Quero dizer, eu realmente amei Lukas, ele era tudo para mim e qualquer milhões das manias que ele tinha, eu realmente amava! Por exemplo, como ele amava cappuccino descafeinado ou quando ele sempre tirava as frutinhas do Muffin, por que ele nunca conseguia comprar um de chocolate já que acabavam rápido. Só que depois de tudo que aconteceu, foi como se eu não conhecesse mais ele.
A única coisa que me resta fazer é terminar meu principal objetivo e tentar conseguir uma vaga no Céu. Eu realmente esperava alguma carta de Deus, apontando todas as coisas erradas que fiz só ontem a noite, mas não veio nada, o que isso significa? Será que ele vai esperar até o fim da minha missão para dizer como que eu me saí?
Quando Bill começou a acordar, tentei me manter em meu devido lugar, sentada em uma das poltronas no canto do hotel. Iria tentar ser o mais impassível, como um anjo de verdade, sem emoções ou sentimentos. Ele apenas se levantou, tentando desligar o despertador do seu celular e esfregou os olhos. Quando ele abaixou as mãos, seus olhos me encontraram. Foi como uma flechada no meu peito, eu senti uma dor enorme dentro de mim. E sabia que ele sentia a mesma coisa.
– Bom dia – eu disse tentando parecer que tudo estava bem, mas minha voz pareceu falhar um pouco.
Ele murmurou um bom dia chocho e foi até o banheiro, dando as costas para mim. Bill estava decididamente zangado comigo, eu realmente queria que as coisas voltassem a ser como antes, mas pelo visto terei que continuar a ser cruel. Terei que deixá-lo de lado um pouco e fixar no que ele mais quer. Só isso vai me ajudar nesse momento.


– Aquela festa foi incrível! – exclamou Gustav animado durante o almoço – Tinha comida voando para tudo que é lado!
– E você recebeu pudim bem na cara – Tom disse rindo – Ainda bem que tenho mira boa!
– E o bolo no cabelo do Bill? Quem vocês acham que foi? – Georg disse também rindo – Agora, só preciso descobrir o filho da puta que jogou creme no meu cabelo! Fiquei horas tentando tirar aquilo.
Ah, acho que esse do creme fui eu! Ainda bem que ele nunca vai saber! Não foi minha culpa que ele colocou a cabeça bem na frente da minha real mira: a garota loira com a voz chata. Mas foi legal ver o creme se desfazer no cabelo dele!
– Mas o Bill foi embora muito rápido – disse Gustav – Ele sumiu da festa de repente.
– Ele foi lavar o cabelo com certeza, era o que eu devia ter feito também, antes de esperar aquilo secar! – Georg disse bufando – Mas eu vi você saindo com a prima da Nathalie, ela devia estar pê da vida por terem sujado o vestido dela.
– O Tom nem perdeu tempo, ele já foi tentando dançar com ela! Mas eu vi o fora que ela deu nele, você apalpou alguma parte que não devia? – Gustav disse me deixando tensa de repente. Bill que estava comendo calmamente também deixou o garfo vacilar um pouco da sua mão.
– Não, eu não fiz nada! – Tom disse tentando conter o sorriso malicioso – Eu só tentei beijá-la, então ela simplesmente se afastou e disse que já gostava de outra pessoa e não podia ficar comigo.
Então o garfo de Bill caiu de sua mão e foi parar no chão, ninguém simplesmente deu bola para o ocorrido, mas quando ele se abaixou para pegar o garfo, eu peguei e entreguei a ele. Meus dedos tocaram os seus e seus olhos se conectaram aos meus novamente.
– Senhor – disse o Garçom o cutucando e Bill se afastou de mim rapidamente – Aqui está outro garfo.
– Ah, obrigado – ele disse atônito e meio perdido.
– Aí o Tom levou um fora e o Bill a pegou de jeito – Georg disse falando isso na brincadeira, mas o garfo do Bill voou de novo para o meio da mesa.
– Está de brincadeira, não é? – ele disse engolindo seco. Eu estava quase batendo nele para ele parar de ficar tão tenso, era só ele não dar bola, mas daqui a pouco ele acabaria abrindo a boca.
– Por quê? Você a pegou?
– Não, claro que não – Bill disse tentando não gaguejar – Só a levei até onde ela mora. Ela precisava ir embora logo e me pediu, então apenas a levei.
– Então você precisa passar o endereço para mim – Tom disse passando a língua pelo piercing e pelos lábios – Acho que ela realmente não queria me recusar, apenas tinha medo de ficar com a consciência pesada. Mas eu não me lembro de ver nenhuma aliança na mão dela.
Quando ele falou isso, eu olhei para minha mão, onde devia estar a aliança de Lukas, mas eu estava sem ela. Havia jogado ela na cara dele quando o peguei no quarto com a outra garota, então morri sem ela. Lembro que quando tirava ela para tomar banho, me sentia desprotegida e lá estava eu sem ela, vivendo – ou morrendo – normalmente.
– Mas não é por que ela está com aliança que ela não tenha compromisso com alguém – Bill disse simplesmente – vai que ela jurou amor eterno a alguém da infância dela e não vai quebrar a promessa?
– Essas coisas só acontecem em filmes – Tom disse simplesmente – Mas não ligo muito. Talvez ela seja mais a sua cara, Bill, você tinha que ver sua cara de babaca olhando para ela.
– Eu não olhei com cara de babaca! – ele disse ficando vermelho, acho que fiquei da mesma cor que ele.
– Imagine – Tom disse rindo – Eu vi quando você caiu em cima dela na festa, se aquilo não foi cara de babaca, foi algo bem próximo. Você devia ter aproveitado que estava no carro com ela e deveria tê-la pegado de jeito como o bom e velho Tom.
– Não daríamos certo – Bill disse o cortando e eu senti a frieza na voz dele, meu coração se afundou ao vê-lo falar daquele modo, mas não era isso que eu queria? Que ele simplesmente me esquecesse? – Ela é prima da Nathalie, está estudando aqui e como você disse, ela gosta de outra pessoa.
– Isso não me impediu de pegar garotas – Tom prosseguiu, como se não tivesse prestado atenção no que Bill acabara de dizer – O negócio é o seguinte, quando você quer uma pessoa, você não pode pensar que não vai dar certo, se não acaba com todas as suas chances. Elas podem parecer que não está a fim de você, mas uma hora elas vão cair de amores, principalmente se você for irmão de uma pessoa como eu. Temos o mesmo sangue.
– Se você for pelo Tom, você está ferrado, Bill – Georg disse pegando uma azeitona e acertando Tom – Não faça isso, siga o que a pessoa aqui diz, por que tenho uma namorada. Apenas vá com calma, elas podem ficar assustadas por você ser famoso ou simplesmente maravilhada, primeiro mostre como você é de verdade para ela. Aos poucos ela não vai ligar para o que a mídia e as revistas dizem sobre você. Ela só quer apenas conhecer o cara que há no interior do seu coração.
– Obrigado, mas acho que nenhuma dessas duas dicas podem me ajudar – Bill disse se levantando – Já vou indo, quero descansar.
Então Bill simplesmente se foi, sem me esperar, deixando eu sozinha e os outros todos confusos. Ele ia superar, ele era forte, logo ele iria me esquecer. Agora eu sei como é difícil, mas depois ele vai rir de tudo que aconteceu. Eu realmente espero.

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58 Angels Don't Cry em Qua Nov 14, 2012 4:07 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 17 - Anime seu protegido


– E então o que planeja fazer agora? – eu perguntei quando apareci no quarto dele e o vi deitado na cama, com os braços atrás da cabeça, apenas encarando o teto.
– Descansar – ele disse secamente.
– Vai tirando o cavalinho da chuva – eu disse com minha voz mandona. Não deixaria ele me deixar para baixo. Eu que faço isso com as pessoas – Coloque a roupa menos Bill que você tem e vamos sair.
– Não vamos sair, Hedvig.
– Sim, vamos. Eu falei que quero conhecer a França e vou mostrá-la a você. Então pare de ser hipócrita, levante-se e vamos sair. AGORA!
– Hipócrita? – ele disse se sentando e me olhando ainda de forma ferida, pelo visto, ele estava com muita raiva de mim – A única pessoa que não está sendo hipócrita aqui, sou eu.
– Tudo bem – eu disse suspirando e engolindo o que ele disse – Eu sou uma hipócrita. A maior hipócrita que já existiu. Agora podemos sair? Por favor?
Bill não disse nada, continuou sentado sem saber o que dizer ou fazer. Sentia-me tão culpada por ter feito aquilo com ele, eu tinha vontade de ir até onde ele estava e beijá-lo novamente. Mas eu não podia, tinha que continuar a ser firme, cruel e impiedosa com ele, não importando se ele for tão pior que eu nisso.
– Tem uma Paris inteira esperando por você lá fora, Bill – eu disse indo até ele e me sentando ao seu lado, tentando manter o máximo de espaço possível para que nada acontecesse – Não estou falando de fãs, estou falando das maravilhas que esse lugar esconde. Eu quero conhecer tudo isso e vou levar você comigo, acho que também merece descobrir se tudo que falam daqui é verdade.
– Você não conhece minhas fãs, Hedvig, elas vão me reconhecer assim que eu por o pé para fora – ele disse deixando aquela voz frívola de lado e usando a gentil de sempre, justamente a que me fazia implorar por mais ar para respirar.
– Então você terá que escolher algo bem diferente para não ser reconhecido, além de que se você estiver acompanhado de uma garota como eu, as chances de acharem que é apenas mais um casalzinho pacato em Paris, é muito grande. Além disso, você é Bill Kaulitz e que eu saiba, você não desiste fácil.
Tudo bem, eu não queria ter falado a última frase. Eu percebi as centelhas queimarem novamente nos seus olhos como se eu estivesse dando passagem para ele não desistir de mim. Então simplesmente sai da cama e fui até a janela, fingir que estava checando o tempo, que parecia estar muito frio.
– Invista em cachecóis, toucas, o que for! Está realmente frio e quanto mais roupa você usar, não vão reconhecer sua magreza. E em hipótese nenhuma use salto, vão te reconhecer na primeira esquina que passarmos.
Quem está acostumado a ver Bill Kaulitz excêntrico e chamativo como sempre é, deve ter ficado igual a mim quando o vi normal. Ele usava calças jeans de uma marca comum, nada caro demais, com tênis também normais e pretos, um casaco grosso de lã que com certeza custava os olhos da cara por que já tinha visto em alguma revista de moda, uma touca preta escondendo seu cabelo e um cachecol. Também estava sem maquiagem e não estava tão chamativo.
Decidimos que a melhor maneira para escapulir do hotel sem ser perseguido pelos milhares de fãs que estavam do lado de fora gritando praticamente o dia inteiro era pelos fundos. Saímos pelos fundos do restaurante, onde serviam o café-da-manhã, almoço e jantar para os hóspedes. A saída dava em uma ruazinha pequena e malcheirosa, onde ficava uma caçamba cheio de lixos e gatos fuçando por ali.
Tudo bem, agora era minha vez de me materializar. Eu ainda me sentia meio estranha por causa de ontem, talvez eu tivesse perdido muita energia. Tentei me lembrar de todas as revistas de roupas que eu tinha, precisava de um look legal para eu andar por aí, nada muito caro como da última vez. Então, em alguns segundos eu estava materializada, vestindo um vestido de algodão listrado, com meia calça, botas marrom escuro até os joelhos, um bolero de algodão marrom e uma touca com pelinhos.
– Acha que está bom? – eu perguntei dando uma olhada em mim mesma.
– Está ótimo – ele disse me fazendo olhar para ele ao ouvir as palavras calorosas dele. Mas Bill percebeu o que estava dizendo e voltou com a voz fria – Então, para onde vamos?
– Vamos andar de barco no Rio Sena, aproveitamos a paisagem e também a “carona”, para chegar até a Torre Eiffel. Então poderemos conhecê-la, o monumento mais bonito da França!
Ele assentiu, colocando as mãos nos bolsos e olhando para o céu meio acinzentado. Não era o melhor dia para passear em Paris, mas pelo menos você estava em Paris! Fiz sinal para ele me seguir e nós caminhamos lado a lado, precisávamos chegar até a Pont-Neuf onde os barcos saíam. Meu coração, de certa forma, estava na boca, estávamos tão perto por causa do frio e eu tinha um pouco de medo das fãs descobrirem ele. Mas ninguém havia nos parado no percurso todo, nem uma garota com a camiseta da banda que passou perto de nós.
– Seu plano deu certo – Bill disse baixinho – Quando você está na companhia de uma pessoa casual e não sozinho, não ligam muito para você.
– Então poderemos sair assim sempre que quiser – eu disse o motivando a conhecer mais os lugares, não a sair comigo – Também fica mais fácil para eu achar a garota certa para você, deve ter alguma francesa aqui que fará você ver brilhos e ouvir um coral de Anjos. Se quiser eu até canto atrás dela.
– Tudo bem – ele disse mordendo seu lábio – Mas não é realmente necessário.
Senti uma pontada em mim. Como assim não era mais necessário? Ele realmente gostava tanto de mim a ponto de não querer achar sua alma gêmea? Tudo bem, ele só deve estar desanimado, logo tudo vai dar certo, vocês vão ver.
Chegamos ao Pont-Neuf, era uma ponte enorme feita de granito, cheia de detalhes como cabeças nas laterais, com colunas e arcos dando um ar de ponte de castelo, como se adiante você poderia ver uma princesa ou um príncipe. Eu sempre gostei muito da França – e não foi por causa do meu professor lindo de francês, ele só me ajudou mais a seguir meu sonho de conhecer o local – eu colecionava miniaturas que vinham em uma revista sobre o lugar e sabia várias curiosidades.
Havia uma escadinha em uma das pontes que levavam a margem do Rio Sena, ali se podiam ver várias casinhas onde se alugava os barcos. Peguei no pulso de Bill e o puxei para que me seguisse, descemos as escadas com cuidado para não cair e eu fui até um dos homens dos Stands. Perguntei para ele em francês se havia um barco e quanto que era o passeio, dessa vez quem teria que pegar seria o Bill, mas acho que ele não se importaria de apenas gastar dez euros.
– Dez euros em uma viagem de barco? – ele perguntou surpreso – Não é muito barato?
– Sim, não vamos querer chamar atenção em um barco luxuoso, vamos apenas passear. E no caso são vinte euros, por que você vai me levar também – eu disse na maior cara de pau.
Bill pagou o homem e logo um enorme barco veio buscar nós e mais outras famílias que estavam lá para apreciar o passeio. Crianças entraram sorrindo no barco, tentando ficar na janela para poder ver as águas do Rio Sena, casais entravam abraçados, com as maçãs do rosto rosados por causa do vento, ou seria apenas a sensação de se sentir rubro ao ver a pessoa amada? Eu não sabia.
A única coisa que sabia era que a primeira vez, depois de tempos, eu me sentia bem. Não totalmente resolvida, mas pelo menos sentia que tudo podia ficar bem, eu estava realizando um dos meus sonhos, de conhecer a França. Claro que não era da maneira que eu queria, mas já era algo. Quando dei por mim, lágrimas estavam rolando pelo meu rosto, não sabia se eram tristes, felizes ou simplesmente de alivio. Só queria apenas chorar.
Caminhei até uma das janelas do barco e fiquei olhando para a paisagem, para as luzes que já começavam a se acender ao longe, o mundo logo iria se engolido pela escuridão noturna. Senti a superfície gelada do vidro, havia me esquecido de imaginar luvas, minhas mãos estavam descobertas, mas eu as queria assim. Queria sentir os últimos vestígios de como é estar viva.
Então uma mão com luva pousou sobre a minha, olhei para trás e vi Bill, sorrindo para mim. Ele pegou um lenço em seu bolso do jeans e passou no meu rosto, secando as minhas lágrimas, enquanto minha mão no vidro era envolvida pela sua.
– Vai ficar tudo bem – ele disse com uma voz baixa e cálida – Eu prometo a você.

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59 Angels Don't Cry em Sab Nov 17, 2012 9:36 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 18 - Mostre o mundo ao seu protegido



Bill e eu nos sentamos em um dos bancos, perto da janela onde poderíamos ver toda Paris. Eu ainda não conseguia conter as lágrimas que caíam, meus olhos brilhavam cada vez que via algo no lugar que me lembrava minha casa, onde tinha minhas miniaturas. Eu sentia falta de minha mãe, de meu pai e do pequeno Joe. Sentia falta de Luleå, o lugar onde eu nasci, nunca gostei muito, por isso acabei fugindo para Estocolmo. Mas agora, eu realmente sentia vontade de voltar.
– Fique com o lenço – Bill disse estendendo para mim – Acho que você ainda vai chorar muito. Isso é bom, demonstra que tem emoções.
– Eu queria estar viva – eu disse sem conseguir segurar as palavras – Queria poder voltar para minha casa e ver minha família, queria contar tudo que está acontecendo para a Mischa. Queria acordar na minha cama em Estocolmo e descobrir que tudo isso é um sonho.
– Um sonho bom ou ruim?
– Os dois. É uma mistura dos meus sonhos mais queridos com uma realidade que machuca – eu disse amargamente – Mas tenho que agradecer por ser um anjo, não é mesmo? E não um espírito vivendo essa dor de não poder mais viver.
– Mas é o que você sente, não é mesmo?
– Sim, mas não tem mais volta – eu disse suspirando – Mas está tudo bem. Acho que tudo pode melhorar. Talvez eu não esteja fazendo tudo errado como eu pensava, pelo menos, eu espero.
– Você está – Bill disse pegando minhas mãos e segurando entre as suas – Eu que estou complicando as coisas, fazendo você ficar confusa. Hedvig, você estava certa quando disse que não daríamos certo e sei que falou isso mesmo quando pensava ao contrário. Vou encontrar a pessoa certa para mim e em troca salvarei sua alma, é tudo que eu mais quero.
Mais lágrimas desceram pelo meu rosto, eu sabia que o amava tanto, mas não podia levar isso para frente. Bill foi a pessoa que de repente mudou todo meu ponto de vista. Ele virou meu melhor amigo, um namorado, um amante e a pessoa mais importante que apareceu nesse pouco tempo. Quando eu olhava para ele, por um momento, eu podia jurar que tudo realmente iria ficar bem.
– Obrigada – eu disse, fazendo minha voz sair embargada – Eu... eu... não sei o que dizer! Só queria pedir desculpas, por ter te machucado daquela forma, ter ditos palavras frias.
– Você disse a verdade, mesmo que machuque, você foi clara. Eu devia ter compreendido isso no primeiro momento. Confio em você, Hedvig, mesmo te conhecendo por pouco tempo. Acho que te conhecer foi o melhor que me aconteceu há muito tempo.
Ele falava tudo aquilo sério, mas eu sentia cada emoção nas palavras dele. Tinha vontade de abraçá-lo e de dizer as mesmas palavras, mas me contentei em ficar quieta, apenas pensando. Não fazia ideia de como seria depois que eu fosse para o Céu, não sabia se lá era tão bom quanto as pessoas falavam – ou imaginavam –, mas se era para lá que todos vão, talvez eu devesse ir também.
Ficamos meia hora no barco, apenas apreciando a paisagem e rindo com as pessoas desesperadas em tirar fotos ou das brigas entre as crianças para ocupar o espaço da janela. Decidimos sair no meio da viagem para ver a Torre Eiffel, que cada vez mais se aproximava de nós. Com seus 318 metros imponentes 10.100 toneladas, ela fazia qualquer pessoa do mundo suspirar ou querer conhecê-la. Lembro muito bem da minha miniatura dela no quarto, não passava de dez centímetros, mas tinha um lugar de destaque no meio de tantas outras miniaturas.
– Ela foi construída por Gustave Eiffel para a Exposição Mundial de 1889 – eu disse me lembrando claramente do que eu havia lido na revista que viera junto com a miniatura – Você tem que conhecê-la, ela é incrível! Vamos subir no topo!
– No topo? – Bill exclamou olhando abismado para o topo, que parecia extremamente distante de onde estávamos – Quanto mesmo você disse que mede a torre?
– Não tenha medo – eu disse pegando a mão dele e sorrindo – Vamos subir o mais rápido possível! Da para ver Paris inteira lá de cima!
Corremos até a torre e ficamos bem embaixo dela, nos sentíamos como formigas prestes a ser pisada por um pé gigante. Na verdade, mais parecíamos crianças descobrindo um mundo novo e diferente do que estávamos acostumados a ver. Decidimos ir pelo elevador, apesar da fila, era melhor do que subir todos aqueles lances de escadas.
Quando finalmente conseguimos uma vaga no elevador – depois de Bill dar um pouco de gorjeta a um dos caras que cuidavam da fila, conseguimos passar na frente – começamos a nos sentir ansiosos. Principalmente, quanto mais subia e sentíamos que cada vez mais estávamos longe do chão. Depois de muito esperar de vermos que seríamos um dos únicos que se atreveram a ir até o topo, nós chegamos.
Saímos do elevador e nos deparamos com algo incrível, Paris escurecendo de um lado e do outro havia os últimos vestígios de um Sol sendo engolido pelo horizonte. Havia dezenas de pessoas ali em cima, com câmeras fotográficas tentando tirar foto da cidade e de tudo que eram capazes.
– Isso é incrível! – Bill disse se aproximando da grade e olhando para a cidade inteira que parecia ser feita de caixinhas de fósforos – A vista... o pôr-do-sol... como nunca pude vir aqui antes?
– É lindo, não é? Nós somos tão insignificantes perto dessas maravilhas! – eu disse me sentindo feliz, mesmo de estar sentindo um frio enorme – Você não veio aqui antes por que simplesmente achava que não valia a pena, por que estava preso em si mesmo o tempo todo, apenas levando a vida. E quer saber de uma coisa, o mundo é nosso, Bill!
Agarrei-me as grades e subi um pouco, então como uma louca varrida eu gritei que o mundo era nosso para toda Paris ouvir. Queria que ela chegasse até os céus e que todos os anjos que estivessem lá, ouvissem o que eu estava dizendo. Não importava se eu estava morta, se eu estava aqui, eu iria aproveitar esses poucos segundos que eu tinha.
– Não precisava gritar para todos ouvirem – Bill disse rindo e me ajudando a descer enquanto várias pessoas olhavam para mim.
Mas quando fui descer, tropecei e tive que me agarrar em Bill para não ir com tudo no chão. Ele passou os braços em volta de mim para me segurar e nossos rostos ficaram tão próximos que nossos lábios se encontraram por segundos. Pensei em me afastar, mas antes que pudesse fazer algo, eu o estava beijando. Senti uma felicidade enorme invadir o meu peito e de repente eu não sentia mais frio, só queria ele mais perto de mim como sempre quis.
Ele foi me soltando aos poucos até meus pés tocarem o chão, então envolvi meus braços em seu pescoço para que nosso beijo não se rompesse. Não éramos ninguém naquela noite, éramos apenas duas pessoas há mais de trezentos metros do chão, se beijando enquanto de um lado o Sol dizia adeus e Paris toda ficava iluminada.
A Torre Eiffel começou a acender suas luzes, mas meus olhos estavam fechados nesse momento para apreciar uma noite parisiense. Só percebia o quanto através das minhas pálpebras tudo adquiria um brilho diferente, talvez não fosse só as luzes, fosse algo de mim que se acendia. Talvez isso se chamasse amor. Talvez todas minhas tentativas de não se apaixonar estavam sendo em vão, mas eu ainda sentia que tinha que lutar contra isso. Mas depois. Depois eu realmente tento, mas agora não.
Nosso beijo se desfez e Bill sorriu para mim, senti que era um sorriso culpado, como se tentasse dizer: “Desculpe, mas não resisti”. Então lhe mandei outro sorriso dizendo: “Eu também”. O abracei com força, enterrando meu rosto em seu peito, ouvindo o coração dele bater. Ele estava vivo. Será que ele era capaz de ouvir o meu também? Ou meus batimentos cardíacos seriam falsos e sem vida?
Isso não importava. Não importava se eu estava morta, se eu não deveria estar fazendo esse tipo de coisa. Acho que nunca vivi tanto na minha morte quanto vivi na minha vida, talvez eu estivesse tão focada em passar na faculdade de Estocolmo, em ser uma pessoa popular, em ter vários amigos e ser convidada para várias festas que acabei me esquecendo de viver. Não me importo mais de ter morrido. Acho que as memórias mais bonitas que vou guardar, são de agora.

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60 Angels Don't Cry em Dom Nov 18, 2012 12:35 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 19 - Apóie seu protegido



– E aonde vamos agora? – Bill perguntou olhando para o relógio no seu pulso que marcavam quase sete e meia.
Estávamos já nos pés da Torre Eiffel, olhando para todas as luzes nela que tentavam afastar um pouco do negrume noturno. Se Paris é linda de dia, imagine de noite, acho que fica mais bela! Ainda mais com todas aquelas luzes de Natal, eu havia me esquecido como aquela data comemorativa estava chegando perto. Todas as árvores estavam enfeitadas com luzes que se refletiam no chão cheio de névoa e molhado por causa do frio.
– Vamos para algum café – eu disse patinando pela calçada escorregadia – Aqui está bastante frio, acho que seria bom tomarmos algo quente.
Tivemos que pegar uma das pontes para atravessar o Rio Sena e irmos para a Champs Elysées, a avenida mais famosa de Paris onde nós poderíamos achar diversos cafés. Eu já me imaginei caminhando por aqui, mas nunca aqui! Era muito mais impressionante do que eu imaginava! Havia diversas lojas e diversas pessoas com sacolas na mão, comprando os presentes de Natal.
– E pensar que tudo isso estava tão perto de mim – Bill disse também maravilhado – Acho que vou passear mais pelos países que eu fizer show. Isso deixaria tudo menos estressante.
– Você devia aproveitar, se eu pudesse ter a grana que você tem, viajaria pelo mundo inteiro para ver essas maravilhas – eu disse finalmente avistando uma Starbucks na Champs Elysées – Vamos ali! Lá é ótimo!
A Starbucks do Champs Elysées era enorme! Era uma construção de dois andares branca, com colunas enfeitando a fachada. Tinha janelas enormes e pretas, com cortinas douradas por dentro. O lugar também estava lotado de pessoas querendo se aquecer ou apenas descansar depois de um dia cansativo de compras.
Bill e eu conseguimos uma mesa no canto, era melhor do que sentar na janela, afinal ainda tínhamos medo de que alguma fã o identificasse. Mas o lugar estava tão cheio que duvido que alguém se preocupe com quem está sentado ao seu lado, então estávamos seguros de certa forma.
– O que vão querer? – disse uma garçonete com cabelo castanho avermelhado indo até a nossa mesa.
– Eu vou querer um Caffè Mocha – eu disse em francês para ela e depois me virando para o Bill, falando em alemão – E você? Vai querer o que?
– Um Cafè Latte – Bill disse tentando falar o mais francês possível para a garçonete entender.
– Vocês são da onde? – ela perguntou, pelo visto, interessada.
– Eu sou da Suécia, além do sueco, minha língua nativa, sei falar alemão e francês. Já o Bill é alemão e ele só sabe falar inglês – eu disse percebendo como ela olhava maravilhada para nós.
– Que incrível! – ela disse anotando nossos pedidos – O nome dele é Bill, e o seu?
– Hedvig – eu disse soletrando meu nome logo em seguida. Era impressão ou o modo que ela disse Bill foi... com certas intenções?
– Vou trazer os seus pedidos – ela disse falando em inglês. Demorei a entender o que ela havia dito, ou melhor, o que ela havia dito para Bill, por que com certeza isso não foi para mim.
Tudo bem, o que aquela francesa metida a garçonete simpática está pensando? Como ela vai dando em cima assim de caras que estão acompanhados de moças? Sei que não sou namorada dele, mas isso é errado! Se eu fosse, nesse momento, estaria socando a cara dela na mesa. Calma, suspire! Ela gostou do Bill, ela gostou de verdade dele sem saber que ele é famoso! Talvez essa seja a saída!
– Ela gostou de você – eu disse tentando fazer com que ele não lesse minha verdadeira expressão que era: “QUEM AQUELA VADIA PENSA QUE É?” – Você devia falar com ela.
– O que? – ele exclamou surpreso – A garçonete?
– É! Ela é bonita, tem um cabelo legal e os olhos dela são de um verde escuro bonito. Sabe falar inglês, além do francês e não sabe nada sobre você além do seu nome. Uma boa oportunidade para mostrar a ela quem você é por dentro de verdade, além do mais, você não está vestindo Dior – eu disse surpreendendo até a mim mesma por estar empenhada em ajudá-lo.
– Não – ele disse rapidamente – Não quero conversar com ela...
– Bill, você nem deu uma chance para você conhecê-la! Talvez não tenha sentido aquele amor a primeira-vista, mas você tem que conhecer pessoas, não pode ficar se afastando delas para sempre.
– Hedvig... – ele só conseguiu dizer meu nome. Eu parei de falar, mas sabia que ele queria tentar e não era pela garota, era por mim. Nós havíamos se beijado fazia pouco tempo, eu ainda o queria da mesma forma que antes, mas nós não podíamos ficar juntos.
– Aqui estão os seus pedidos – a garçonete disse em inglês novamente, tive que quebrar a cabeça para lembrar o que as palavras significavam.
– Charlotte? – eu disse, lendo o nome dela no crachá. Peguei meu Caffè Mocha e fui me levantando – Por que você não conversa um pouco com meu amigo? Acho que vocês se dariam bem.
– O que? – ela exclamou pasmada, ao me ouvir dizer aquilo – Não posso, tenho que trabalhar... E está cheio o lugar.
– Eu converso com seu chefe – eu disse a empurrando para se sentar no meu lugar, enquanto Bill me olhava surpreso – Só conversem um pouco, só isso. Bill é uma pessoa muito legal.
Saí dali o mais rápido possível, bebendo meu café quente. O lugar estava tão cheio que duvido que o chefe dela fosse perceber que umas das garçonetes não estavam trabalhando. Sentei-me em uma das mesas que um casal havia abandonado e fiquei ali sozinha, apenas olhando de longe. Sim, eles estavam conversando, apesar de Bill parecer um pouco tenso.
Tudo bem, eu não estava feliz. Realmente não queria Bill com aquela garota, mas eu realmente precisava que ele achasse alguém legal. Eu só tinha dois dias para organizar tudo aqui na Terra e ver se sou aceita no Céu, por que no terceiro dia eu já terei que ir embora. Era incrível como só tinha se passado cinco dias, parecia que já era um mês que eu estava ao lado de Bill e isso foi realmente incrível. Eu podia me sentir triste, mas já tinha me acostumado com a ideia de ir embora para sempre.
Segundo o relógio na parede, eles ficaram conversando uns vinte minutos até que vi Bill dando tchau para ela e indo ao meu encontro. Meu coração pulou até minha garganta, um lado meu gritava para que ele não gostasse dela, o outro lado torcia para que tudo desse certo.
– Vamos? – ele perguntou para mim – Acho que é bom voltar para o hotel, os outros podem estar preocupados.
– E como foi? – eu disse me levantando e o acompanhando até a saída – Ela é legal? O que achou?
– Bem... ela tem dezoito anos, está trabalhando para conseguir pagar a faculdade de administração. Mora perto da Avenida Félix Faure, mora com sua mãe e mais dois irmãos e nos fins de semanas gosta de praticar tênis. Aprendeu a falar em inglês por correspondência e sempre quis conhecer os Estados Unidos. Acho que foi mais ou menos isso que conversamos.
– E sobre você? – eu disse notando como a temperatura caiu quando finalmente estávamos do lado de fora – O que você falou?
– Bem pouco, ela gosta mesmo de falar e achei que foi melhor assim. Só falei que gosto de música e é a carreira que quero seguir, que estou a passeio em Paris. Também disse que sou vegetariano e que gosto de moda, que crio alguma das minhas próprias roupas e que amo animais.
– Isso já é um começo, acho que vocês podem se dar bem, o que acha? Será que pode dar certo?
– Eu não sei – ele disse suspirando – Mas acho que vale a pena tentar. Talvez eu tenha que dar chance para as pessoas, para eu as conhecê-las.
Eu sorri feliz por ouvi-lo dizer aquilo. Queria que tudo desse certo e que eu não causasse mais confusão. Quem sabe tudo não se ajeite agora? Faltam só dois dias. Só dois dias. Por que me sinto tão tensa?

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61 Re: Angels Don't Cry em Dom Nov 18, 2012 6:23 pm

Nossa quantos caps! Razz
Eles se divertiram, se resolveram, mas não assumiram que gostam um do outro!
Justo quando eu pensei que eles iam ficar junto, a Hedvig diz pra ele conhcer a garçonete lá.
Bem, apesar de eu achar que isso não vai dar muito certo, vamos ver no que vai dar. Ela tem dois dias.

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62 Angels Don't Cry em Qua Nov 21, 2012 12:11 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 20 - Um anjo é capaz de voar



– Tudo bem, você vai voltar para vê-la – eu disse quando voltamos para o hotel depois dele ter voltado de uma entrevista.
– Eu estou cansado, Hedvig, acho que o melhor é eu ficar por aqui. Amanhã volto a vê-la – ele disse se sentando na cama, pronto para deitar.
– Não! Amanhã é tarde demais, Bill! Você precisa vê-la e é agora – eu disse pegando o braço dele e o puxando para se levantar – Mas antes podemos sair um pouco. Você não quer sair?
– Ah, Hedvig! – ele disse rindo e de repente ficando de pé, eu vacilei e quase caí para trás, mas ele me segurou. Algo não muito necessário, afinal eu podia flutuar, mas era melhor assim, da última vez eu caí feio – Tudo bem, vamos sair.
– Está brincando? – eu perguntei piscando atônita novamente – Você está mesmo a fim de sair? Não vai ficar reclamando meia hora de como as fãs podem ficar te perseguindo?
– Não e vamos logo antes que eu mude de ideia – ele disse me empurrando para ele conseguir passagem até a sua mala, onde ele pegou roupas menos chamativas para se trocar – Espero que você saiba para onde vamos hoje. Quero conhecer os lugares mais lindos da França.
Eu já sabia o que queria visitar dessa vez, era outra das minhas miniaturas, uma das que eu mais gostava e era cenário de uma das histórias que eu mais gostava quando pequena. A Catedral de Notre Dame ficava a beira do Rio Sena, imponente com seu estilo gótico, enfeitada por gárgulas, que são usados para afastar maus espíritos.

– O que viemos fazer aqui? – Bill perguntou olhando pasmado para a Catedral, ele sabia que era incrível, mas talvez estivesse esperando algo mais divertido do que uma igreja.
– Bem, eu nunca fui muito a igrejas quando eu estava viva. Essa é um dos lugares religiosos que eu mais gostaria de conhecer. Não estou dizendo que agora vou rezar, implorando por Deus que me salve, mas depois que você morre, você descobre como as coisas são realmente. Não sei se ir a igreja é um modo de ir ao Céu ou só é uma enganação, só sei que há algo sempre acima de nós.
– Você quer rezar? – ele perguntou, piscando, ainda atônito.
– Só quero conhecê-la – eu disse pensando bem – Mas só de você chegar perto, você sente algo diferente. Por mais que já ocorreu derrama de sangue por perto, o solo é decididamente sagrado. Ela começou a ser construída em uma época que todos chamam de Trevas, em 1163 na Idade Média. Duraram 170 anos até ficar pronta e só foi finalmente concluída por volta de 1330. Diversos reis e rainhas já passaram por aqui, foram coroados em cerimônias lindas, mas também, houve sangue, como eu disse.
– Como sabe tudo isso? – Bill perguntou com seus olhos brilhando para mim.
– Eu comprava revistas que vinham com miniatura de lugares famosos, lá falava um pouco sobre cada lugar. Li diversas vezes por isso acabei decorando – eu disse ficando vermelha – Vamos entrar?
Quando atravessamos o portal, eu não consegui andar mais adiante, eu fiquei parada, olhando para aquela maravilha! Não tenho palavras para descrever o local, só sei que era como se sentir mesmo no Céu. Havia diversas colunas com capitéis coríntios e arcos de ogiva que formavam as abóbadas no teto da Catedral, havia diversos lustres acesos para iluminar todo o local. Eram cinco e meia, por que o órgão estava tocando e tinha várias pessoas sentadas nos bancos.
– Pensar que a história do Corcunda de Notre Dame se passa aqui – eu disse sussurrando para não atrapalhar as pessoas que rezavam – E olhe os vitrais! São lindos, todos inspirado em cenas religiosas.
– Acho que quem mais merecia essa viagem é você, simplesmente por que sabe apreciar cada detalhe desse lugar. Um guia turístico talvez não se expressasse tanto quanto você, pelo visto não é tão automática quanto eu imaginava.
– Eu gosto de artes – eu disse de repente – Eu pintava quadros, mas parei uns dois anos atrás por que apareceram outras coisas na minha vida. Sinto falta de certa forma, talvez por estar aqui agora e por ter me esquecido do meu sonho antigo de se formar em artes plásticas. Eu sonhava em usar aquelas boinas francesas, em pintar quadros nas ruas de Paris e sempre ir aos cafés. Não era algo luxuoso, era só algo que me agradava.
– Por que desistiu? – Bill perguntou preocupado.
– Por que as coisas não são tão fáceis assim, as chances de eu conseguir ser uma grande artista plástica eram mínimas. Comecei a sonhar alto demais com dinheiro e percebi que essa não era a forma mais fácil de conseguir, por isso segui Diplomacia. Na verdade, era por que no fundo, eu queria vir aqui, mesmo que fosse por curto tempo e a trabalho. Acho que acabei virando uma pessoa diferente do que eu era – eu disse amargamente.
– Eu queria poder lhe dizer que deveria seguir seu sonho, mas já não é possível – ele disse pegando a minha mão e a acariciando com o polegar.
– Sim, mas isso não importa – eu disse, afinal não queria começar a chorar novamente – Espero que você tenha fôlego, Bill, por que vamos subir 422 degraus até chegar ao topo da igreja. Vamos voltar a ver um pouco de Paris.
Tudo bem, eu nunca me cansei tanto na minha vida. Tivemos que parar umas duas vezes para recuperar o fôlego até alcançarmos o topo. Mas foi divertido correr com Bill pelos degraus, olhando para as pessoas que desciam ou subiam tão cansados quanto nós. A primeira parada foi perto das gárgulas que protegiam a igreja, elas olhavam melancolicamente para o céu.
– Pobres criaturas – eu disse olhando para elas – Acreditavam que eram guardiãs, destinada de dia a serem de pedras e de noite a ganharem vida. Gárgulas vêm de garganta, por que elas escoam água quando chove muito.
Levei Bill até a torre sul, onde ficava o sino Emmanuel, que pesava 13 toneladas e só batia em datas especiais. Depois disso, tivemos que subir mais lance de escadas até chegar, finalmente, ao topo da catedral. Um frio enorme nos atingiu, com ventos gélidos que pareciam facas prestes a cortar nossa pele. Mas a paisagem era incrível como a da Torre Eiffel, claro que lá era bem mais alto, só que ficar naquela Catedral parecia ser algo especial.
– É como estar em outro mundo, não é mesmo? – eu disse quando Bill ficou ao meu lado – Como se tudo parecesse estar bem novamente.
– Sabe, Hevig – Bill disse se apoiando no muro – Quando você for embora, promete não se esquecer de mim? Quero dizer, falam tantas coisas sobre o outro lado, tenho medo que perder a memória seja uma das formas de recomeçar, mas eu realmente não gostaria que você me esquecesse.
– Não vou te esquecer – eu disse rapidamente – Não me perdoaria se eu fizesse isso. Vou guardar tudo que aconteceu esses dias para sempre na minha memória. E quem sabe quando você for para o outro lado, nós poderemos voltar a ser bons amigos. Mas espero que demore, você tem uma longa vida pela frente.
– É verdade, tem ainda muita coisa a vir, mas talvez eu não tenha tanto medo de morrer quanto tinha antes – ele disse pensativo.
– Nem eu! – eu disse começando a subir no muro da Catedral, me apoiando em uma das gárgulas que havia ali.
– O que você vai fazer? – ele perguntou surpreso, várias pessoas que estavam ali, olharam para mim com medo de que eu fosse me suicidar.
Fiquei de pé no muro, com os braços abertos, sem apoiar em nada. Eu não precisava ter medo, afinal eu já estava morta, nenhuma queda iria me parar agora. A sensação era estranha, sentir o vento congelante na pele, estando acima de metros e mais metros do chão. Acho que o meu maior medo antigamente era viver, por que viver era se arriscar demais, era não aproveitar o máximo com medo de perder tudo o que conquistou. E aqui estava eu, vivendo após ter morrido.
– Me dê a mão – eu disse estendendo ela para Bill – Segure firme e suba, não vou deixá-lo morrer.
– Hedvig, todos estão olhando e você está fazendo uma loucura – Bill sussurrou baixinho, olhando para minha mão, sem saber o que fazer.
– Desde quando você se preocupa com os que os outros vão pensar, Bill? Venha comigo – eu disse tentando convencê-lo que tudo estava bem. Então ele pegou a minha mão e apoiando em uma gárgula, ele subiu no muro ao meu lado. Eu era capaz de sentir o pavor nele, enquanto ele se equilibrava e segurava minha mão fortemente – Bill, você está nesse momento em cima da Catedral de Notre Dame, como se sente?
– Como se fosse cair – ele disse totalmente apavorado.
– Eu te amo, Bill – eu disse baixinho.
– O que? – ele perguntou se segurando na gárgula, pronto para descer o mais rápido possível.
– Ah, nada. Nada demais.

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63 Angels Don't Cry em Qua Nov 21, 2012 12:12 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 21 - Ache um amor para seu protegido



– Você é louca, não é? – Bill disse para mim quando estávamos saindo da Catedral – Quero dizer, uma pessoa normal não faria aquilo.
– Eu não sou uma pessoa normal, sou uma pessoa morta – eu disse rindo, isso nunca me soara tão divertido – E acho que vou aproveitar isso, de alguma forma, isso trás mais benefícios do que imagina.
– Tudo bem, mas quanto a mim, prefiro ficar com meus pés no chão e vivo.
– Hey, olhe! – eu disse apontando para o céu – Está nevando! Finalmente!
Logo vários flocos de neve começaram a cair, rodopiando entre si, lotando todos os lugares com sua coloração branca. Não sei você, mas o jardim ao redor da Catedral ficava muito mais bonito com neve salpicada nas árvores e na grama. Abri a boca, esperando que um floco de neve caísse na minha língua, tive que esperar um tempo para que isso acontecesse.
– Nevava muito em Luleå – eu disse me lembrando de casa novamente – Fazia um frio enorme e o mar se congelava, é que a arquitetura do local amplifica as correntes de vento e a sensação de frio. O frio de Paris não é nada comparado com o que eu geralmente estava acostumada. Além da grande quantidade de neve.
– Você queria voltar para lá, não é mesmo?
– Sim, queria que meus pais parassem de chorar de noite – eu disse tristemente – Eu sou capaz de ouvi-los, eu ainda sinto a conexão que tenho com as pessoas vivas e eles estão extremamente tristes. Muitas das coisas que eles pensam ou falam sobre mim, eu consigo ouvir. Queria também que eles fossem capaz de me ouvir, gostaria de dizer que tudo está bem.
– Por que você não tenta? Poderia ligar para eles e dizer algo, não pode? – Bill falou, pegando o celular do seu bolso e estendendo para mim.
– Não, isso vai confundi-los. Não quero piorar as coisas, uma hora eles vão superar, sei que pode demorar, mas... é melhor assim. Mischa já está superando, para ela é bem mais fácil, só se conhecemos esse ano. Eu também a ouvia depois que morri. Mas deixe isso para lá, já está ficando tarde e você precisa ver a Charlotte.
– Eu não sei o que dizer para ela nem o que fazer, Hedvig – ele disse colocando as mãos nos bolsos e me seguindo.
– Vamos passar em alguma floricultura, então você compra uma rosa para ela. Uma só, por que acho mais romântico do que aqueles ramalhetes gigantes e chamativos – eu disse pensativa – E você pode dizer... uma rosa vermelha para combinar com a cor dos lábios daquela que quero beijar.
– Isso é intenso demais! – Bill disse corando de repente – Não vou dizer isso, estou apenas a conhecendo.
– Tudo bem, então... trouxe-lhe uma flor, para mostrar a ela, que beleza igual a sua não existe.
– Desde quando você virou uma romântica incurável? – ele perguntou atônito.
– Fiquei de recuperação em literatura uma vez, tive que ficar horas lendo diversos livros, então acho que fui aprendendo. E você que devia saber o que dizer a ela, afinal não é um músico? Músicos sabem como expressar um sentimento. Você poderia cantar para ela, sabe?
– E todos descobrirem que sou Bill Kaulitz? Sem chance.
– Existem vários artistas de rua por aí, e olhe como tudo está cheio, as pessoas não vão dar a mínima para você, ainda mais quando precisam terminar suas compras de Natal. Só uma música e pronto, Bill – eu disse o encorajando.
– Tudo bem... – ele disse pensativo quando paramos em frente a uma floricultura. Pedi a mulher do balcão uma rosa e Bill pagou por ela (se eu tivesse dinheiro eu pagava, mas quando você é anjo, fica desprovido de bens materiais) – Acha mesmo uma flor romântica? Elas acabam morrendo depois de um tempo.
– É verdade, mas o que vale mesmo é o momento. Chocolates também vão embora, mas acho que é o sentimento que fica – eu disse pensando nas vezes que Lukas me presenteava com vários presentinhos. Eram flores, chocolates, ursos e tudo parecia ser tão perfeito, com um significado indefinível – Agora vá lá dentro, dê a flor para ela e a chame para vir aqui fora. Vou procurar alguém que possa tocar uma música para ela.
– Hey, Hedvig! – Bill disse me segurando – Não acho que isso seja uma boa ideia...
– Claro que vai ser! Vá para lá, já! Eu já volto.
Bill ficou me olhando ainda sem saber o que fazer enquanto sumi na multidão, tentando procurar um daqueles artistas que ficavam tocando nas ruas de Paris. Perto de onde estávamos achei alguns que tocavam no frio para poucas pessoas que decidiam parar para apreciar um pouco de arte.
– Hey, o senhor sabe tocar alguma música do Tokio Hotel? – eu perguntei para um cara que tocava violão.
– Tokio o que? – ele exclamou para mim. Tudo bem, ele não sabia.
Tive que perguntar para diversos artistas que estavam lá, se algum sabia. Demorei séculos até encontrar um cara que sabia tocar algumas músicas, teria que ser uma delas, Bill não teria muita escolha. Que pena que eu não conheço nenhuma música deles, se não eu poderia me arriscar um pouquinho com o violão.
– Meu chapa – eu disse para o cara com cabelo comprido que vinha com o violão atrás de mim – É o seguinte, meu amigo quer fazer uma serenata para a garota que ele gosta. Você pode tocar, enquanto ele canta? Ele vai te pagar.
Claro que ele aceitou ao ouvir a palavra pagamento. Coitado do Bill, estava torrando todo o dinheiro do coitado... como se isso fosse digno de pena, não é? Ele tem mais grana que eu e todas essas pessoas da praça juntas. Mas claro que não é por isso que vou me aproveitar dele, só o estou ajudando. Charlotte parece ser uma boa pessoa e tem uma aura bonita, eu dei uma analisada nela com meus poderes sobrenaturais e tudo parece ok.
Falei para o cara esperar do lado de fora e entrei na Starbucks, vi Bill falando com ela, ele estava sem-graça enquanto Charlotte com a rosa o olhava maravilhado. Tudo bem, minha vontade era de realmente arrancar aquela flor da mão dela, mas eu seria cruel se eu fizesse isso, ainda mais quando parecia que entre ela e Bill havia algo. Afinal, havia as malditas auras, odiava olhar para elas e evitava ao máximo usar meus poderes, mas lá estavam elas, vermelhas e evidentes.
Fiz sinal para Bill, para que ele me visse e usei leitura labial para avisá-lo que eu havia achado um cara para tocar a música. Bill pareceu entender, por que chamou Charlotte para acompanhá-lo. Eu suspirei fundo, o que estava acontecendo comigo? Eu devia estar feliz, tudo parecia estar ocorrendo bem.
– Olá Charlotte! – eu disse da maneira mais simpática que pude, mas acho que saiu meio falso. Depois me virei para Bill e sussurrei – Converse com o cara, ele sabe algumas músicas da sua banda, vê qual é a melhor!
– Ah, ok! – ele disse indo até o cara e perguntando algo, tudo foi muito rápido, acho que a música que Bill queria, o cara sabia – Charlotte, vou cantar uma música para você.
Meu coração pareceu se dilacerar quando ele disse aquilo, principalmente a ver a expressão dela, os olhos dela brilharam, o sorriso aumentou e suas maçãs do rosto adquiriram uma tonalidade rosada. Agora olhava para mim, poderia ver que eu estava pálida, com uma raiva enorme nos olhos e com uma expressão nada satisfeita.
O cara começou a tocar a música e Bill começou a cantar. Havia algo de errado, muito errado. A música não era em inglês, ela era em alemão... mas como Charlotte iria entender o que ela passava? Então eu percebi que ela não precisava entender, não ela. Bill estava cantando para mim, em alemão, por que eu entenderia. Por que simplesmente ele queria me dizer algo.

Tão automática, és como uma máquina,
O seu coração não bate mais por mim.
Tão automática, as suas mãos me tocam,
Sinto tudo, mas não consigo te sentir.
Tão automática, a sua voz elétrica.
Onde está você quando ela fala?
Tão automática, como você diz que eu sou importante para você
Quem te programou?

Quando você ri, você não ri
Quando você chora, você não chora
Quando você sente, você não sente
Porque você não tem Amor

Automática, eu corro por todas as ruas
E nenhuma me leva a você.
Automática, as suas sombras me seguem
E me agarram friamente.
Você é assim, controlada por controle
Estática e mecânica, tão automática

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64 Re: Angels Don't Cry em Sab Nov 24, 2012 9:50 pm

Anny V.

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Ok, no começo eu não gostava da ideia da Hedvig e o Bill ficarem juntos, mas agora, eu realmente acho que esses dois merecem uma chance pra serem felizes juntos.

É óbvio que quando a Hedvig for embora, o Bill não vai ser uma pessoa feliz, seja com quem for.
Não sei como isso vai terminar, mas deve ter um jeitinho dos dois ficarem juntos.
To torcendo por esses dois >.<

Continuuua!

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65 Angels Don't Cry em Dom Nov 25, 2012 5:22 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 22 - Um anjo sabe o que faz



Eu não compreendia o que estava acontecendo. Bill devia estar se apaixonando por Charlotte, você tinha que ver o modo como ela começou a chorar enquanto ele cantava e ela nem sabia o que a música dizia! Mas eu sabia, por que eu entendi tudo e a mensagem não era para ela, ela para mim. Dizendo que sou uma pessoa insensível, por que simplesmente não posso ficar com ele. E talvez eu seja uma estúpida insensível, mas o que posso fazer?
Mas não tenho que me importar, Charlotte simplesmente nos deu café por conta da casa e ela não parava de falar em nenhum momento. E o pior que falava em inglês, assim eu só conseguia entender poucas palavras. Bill sorria o tempo todo, a compreendendo completamente. E eu com minha cara de tacho, notando que meu café estava com pouco açúcar.
Ela perguntou um pouco sobre mim para ele, como se desconfiasse que tínhamos algo. E tínhamos se ela quer saber. Mas Bill apenas falou que éramos amigos, ele estava saindo muito bem fingindo e eu tinha que parar de ficar com raiva. Tudo estava saindo como o planejado. Só que não parece que tudo está bem, não me sinto nem um pouco feliz.
Por quê? Por que simplesmente hoje é o meu último dia no mundo dos vivos. A meia-noite eu vou embora, para receber o fim do meu julgamento, saber o que Deus decidira quanto a mim. E não estou nem um pouco ansiosa, afinal cometi tantos erros, mas no final, tudo está indo bem, não é? Achei uma namorada para o Bill e ele me parece bastante feliz.
– Hoje é meu último dia – eu disse a Bill, para lembrá-lo, quem sabe ele havia esquecido. Percebi como ele ficou tenso de repente – E preciso de muito mais se quero provar a Deus que você está apaixonado por Charlotte.
– Não é tão rápido assim – ele disse com uma voz triste – Eu gosto realmente dela, mas ainda não é amor. Mas acho que isso já é um começo, você já conseguiu concluir sua missão.
– Mas ainda não está certo. Falta algo, eu sinto isso – eu disse com meu sexto sentido aguçado. Algo realmente me incomodava e eu não sabia o que era – Tenho que descobrir o que é.
– E quais são os planos para hoje? – Bill perguntou, parecendo preocupado comigo.
– Ver Charlotte novamente, claro. Você também tem que decidir Bill, se é ela mesmo que você quer, logo terá que voltar para a Alemanha e talvez não possa levá-la junto. Terá que pensar um pouco.
– Eu vou pensar – ele disse simplesmente.
Eu olhava o tempo todo no relógio, com medo de que a hora passasse rápido demais. Parecia que meu coração estava preso a chumbo, me sentia pesada, realmente não queria ir embora. Se eu pudesse escolher, gostaria de continuar a ser a Anja da Guarda do Bill para sempre, será que Deus me concederia esse privilégio? Tentei falar com ele, esperando uma resposta por carta, mas nada chegava.
– Hoje a Charlotte está de folga, ela me convidou para ir ao Museu do Louvre com ela, o que acha? – Bill perguntou, ao ver que eu estava sentada em silêncio em sua cama.
– Você vai, claro! – eu disse me pondo de pé e mantendo minha pose de mandona novamente – Mas eu vou como espírito, não como uma humana. Vocês precisam ficar mais a vontade.
– Como se eu fosse ficar a vontade com você ao meu lado.
– Quer dizer que prefere que eu não vá? – eu disse pensando qual seria a melhor forma de resolver esse problema. Esganá-lo era a melhor alternativa no meu ponto de vista.
– Não é isso que eu quis dizer, só disse que é difícil ficar a vontade com você por perto. Às vezes prefiro que fique como humana do que como espírito – ele disse tentando se explicar rapidamente.
– Eu vou ficar como espírito, apenas te observando de longe, vou evitar ficar na sua frente. Vai ser melhor do que eu chegar com você no Museu, Bill! Isso é algo que acaba com o dia de qualquer garota. Foi igual ao dia que marquei com Lukas de ir ao teatro e ele trouxe a mala da irmã dele, você não tem ideia de como ela pode ser insuportável.
– Você não é insuportável, eu aprendi a suportar você – ele disse se encostando à parede e levantando a sobrancelha.
– Mas Charlotte não está acostumada comigo. E ela fala demais para o meu gosto e inglês ainda, como se não quisesse que eu entendesse nada... – eu parei percebendo que eu estava falando demais. Não era para eu apontar os defeitos dela – Quero dizer, você que tem que entender, não é mesmo? Então ela tem que falar em inglês mesmo.
– Você está com ciúmes – ele disse rindo, gargalhando na verdade. E eu odeio quando riem de mim!
– Não estou com ciúmes! Claro que não, só estou comentando. Todos têm defeitos e só apontei um dela, mas acho que você gosta quando ela fala demais, afinal você também fala bastante se quer saber.
– Hedvig você não cala a boca, como pode falar dela?
– Então você quer que eu cale a boca? – eu disse já ficando neurótica. Tudo bem, o que está acontecendo comigo?
– Não! Hedvig! Só estou dizendo que... tudo bem, melhor eu ficar calado. Não estou tentando dizer o que você deve fazer ou ser, só haja do modo que quiser, entendido?
– OK, eu ajo do modo que eu quero – eu disse mal humorada, voltando a me sentar na cama e cruzando as pernas – Vou com você no museu, como espírito, ficarei longe da sua vista para você gastar saliva falando com ela. E é claro, terá que ter bons ouvidos para aguentar tanta falação. Mas é bom, por que assim vocês se apaixonam mais rápido e hoje, quando eu for embora, as portas do Paraíso estarão abertas para mim. Eu espero.
– Você realmente quer ir? Acha que não pode ficar mais?
Tudo bem, eu realmente queria ficar. Com todas as forças eu gostaria de continuar por aqui, mas o que iria acontecer? Eu iria ter que aguentar aquela maldita Charlotte do lado do Bill, além de que vou ficar para sempre ao lado dele, vendo ele se apaixonar, casando, tendo filhos e envelhecendo ao lado de uma pessoa que não sou eu. Não que eu quisesse qualquer coisa com ele, mas tenho que dizer que eu gosto realmente dele. E depois de Lukas, eu simplesmente fico feliz de saber que último amor que eu tive, não foi um traidor.
– Acho que não posso ficar por mais tempo – eu disse amargamente – Talvez seja melhor assim. De certa forma, acho que fiz um bom trabalho, olha como nós éramos e como somos agora. Antes não nos aguentávamos e agora... somos melhores amigos. E tudo em uma semana, foi um grande trabalho!
– Sabe, acho que seu Deus sabia o que estava fazendo – ele disse de repente. Bill era ateu, por mais que eu fosse uma comprovação morta de que Deus existe, ele ainda não parecia acreditar muito – Quero dizer, ele poderia ter escolhido um anjo de verdade, daqueles sem sentimentos ou que me daria àqueles ensinamentos que demoraria séculos para eu compreender. Mas ao invés disso, você, uma anja que age como uma pessoa normal, é direta e tenta fazer as coisas do seu jeito.
– Não vejo isso como benefícios – eu disse secamente – Está mais para: “Não tinha ninguém melhor, então vamos mandá-la”. Mas acho que estou sendo rude, afinal acho que Deus confia em mim demais, mais do que deveria realmente. Só que vou dar o meu melhor, não vou cometer os mesmos erros novamente.
– Acho que não está cometendo – Bill disse sorrindo para mim – Se eu fosse Deus, seu lugar no Paraíso já estaria garantido.

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66 Re: Angels Don't Cry em Dom Nov 25, 2012 5:23 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 23 - Anjos não choram



O Museu do Louvre foi construído em 1190, contra ataques de Vikings, na época do rei Felipe Augusto. Ele é considerado um dos museus mais importantes do mundo e só de saber que artes têm lá dentro, já dá para sacar o porquê de tanta importância. Tenho que dizer, que só ver ele de fora, meu coração já dava altos pulos, ainda mais ao ver a pirâmide de vidro.
– Esse lugar é incrível! – exclamou Charlotte em inglês. Tudo bem, tico-teco, tente relembrar as aulas de inglês! – Foi construído em 1180.
– 1190 – eu corrigi, mas só Bill ouviu e me lançou um olhar de reprovação – O que foi? Ela é francesa, deveria saber uma coisa dessas.
Tudo bem, cale a boca Hedvig! Você não deveria estar arruinando o momento dos dois, apenas deixe Charlotte pagar uma de garota inteligente. É claro que ela não sabe decorar datas, mas todo mundo tem essa dificuldade, não é culpa dela que ela não tem uma miniatura do Museu do Louvre, nem leu aquelas revistas milhões de vezes. Isso é coisa sua, só você faz.
Eu mantive uma distância dos dois, ficando mais atrás e evitando entender o que tanto ela falava, ou o modo como ela envolvia o braço do Bill, ou como ela ria e mexia a cabeça quase tocando no ombro dele. Hedvig se concentre! Hoje é um dia para você apreciar o mundo das artes e não para ficar com raiva e socar tudo e todos. E nada de explodir pessoas, entendeu?
Olhe só a arquitetura do museu! Isso não é digno de imensa atenção? Ainda mais quando a verdadeira arte está dentro, mas também transpira por fora! Hey, quem ela pensa que é, abraçando ele daquela forma? Sinceramente, essa garota é muito rápida para o meu gosto, nem o conhece direito! E se Bill for um psicopata que viaja pelos países atrás de garotas bobinhas e inocentes? Tudo bem, ele não é assim.
Calma, vou respirar fundo. Vamos entrar no museu e tenho que estar preparada! Olhe só a escadaria, as estátuas que parecem que vão sair do lugar a qualquer momento, como se estivessem vivas. E olhe as pessoas sentadas por aí, despreocupadas, afinal elas estão no Louvre! Quer lugar mais lindo e calmo que esse? E eu aqui sobrando. Não totalmente, afinal só Bill me vê, mas no momento ele não está me vendo, por que está com ela.
Sério, não estou com ciúmes, só não gosto que me deixem de lado. Mas ele está namorando agora, gosta dela, não posso ficar atrapalhando. E tenho que colocar um sorriso na cara, eu pareço totalmente entediada. E estou no Louvre! Como posso ficar entediada? Ainda mais com todas essas galerias e esses quadros incríveis! Um dia sempre sonhei em pintar igual a esses grandes artistas.
– Vamos ver a Mona Lisa! – exclamou Charlotte puxando o braço de Bill até onde estava um dos quadros mais famosos.
E lá estava ela, sorrindo misteriosamente, com seus traços feitos perfeitamente pelas mãos habilidosas de Leonardo da Vinci. Só falta Charlotte dizer que a pintura era de Picasso, mas ela acabou falando certo. Na verdade, eu me sentia como a mulher na pintura, tentando ser forte e sorrir, mas por dentro havia algum mistério, algo que a incomodava seriamente.
– O quadro começou a ser feito em 1503 – eu disse, Bill se virou para trás para me ouvir – E foi terminado três ou quatro anos depois. A pintura foi feita a óleo sobre madeira de álamo. O sorriso dela é um dos mais misteriosos que existe, você pode tentar desvendar o que ela sente, mas realmente nunca vai saber. Talvez ela possa ser definida para você como “Automatisch”.
Ele ficou pensativo, olhando para o quadro e depois olhando para mim, como se tentasse ver um pouco dela em mim. Charlotte continuava a falar, enquanto tentava analisar a obra ou lendo o que dizia ao seu lado. Bill simplesmente parecia estar distante, como se não ouvisse mais nada. Nada, além de mim. Senti aquela sensação eufórica dentro de mim. Eu realmente não podia sentir isso.
– O que acha dela? – Charlotte perguntou para Bill, que acordou de repente.
– Ah... que... ela não devia ter medo.
– O que? – ela exclamou. Ele estava falando inglês lentamente para que eu entendesse aos poucos e para Charlotte não desconfiar.
– Ela parece ter medo de expressar o que realmente sente, fica sorrindo o tempo todo, mostra que é forte, mas na verdade ela está escondendo seu lado fraco. Ela não tem ideia de como as pessoas a apreciam de verdade, mas às vezes pensa que todos a esqueceram. Ela não está morta de verdade, sua lembrança não.
Charlotte ficou atônita, tentando entender as palavras filosóficas dele. Mas não era filosofia, era realismo, ele estava falando de mim. Não era Mona Lisa que precisava ouvir aquilo, era eu. Talvez fosse isso que me incomodava, eu não tinha terminado com Bill, não da maneira certa. Eu simplesmente disse para ele esquecer tudo, mas não era tão fácil. Antes de eu ir, eu precisava ajeitar tudo.
– Isso foi lindo, Bill! – Charlotte exclamou quebrando totalmente o clima. Bufei baixinho e me afastei, deixando os dois novamente a sós.
Continuamos a ver o resto dos quadros, eu não conseguia analisá-los direito, parecia que minha mente estava enevoada. Era como estar no Louvre e não estar ao mesmo tempo. Será que isso tinha a ver com meu último dia no mundo dos vivos? Espero que não, estou a fim de aproveitar tudo isso ainda.
Depois de andar muito e de Charlotte tentar apresentar a maioria das artes para Bill, eles decidiram descansar um pouco. Voltamos para a escadaria onde várias pessoas ficavam sentadas lendo, não sei como elas conseguem fazer isso quando tem muito a se ver! Mas os dois haviam comprado café – como se Charlotte não convivesse com isso todos os dias – e um lanche para comerem. Fiquei há alguns metros, fingindo apreciar uma escultura que havia por perto.
– Obrigado pelo passeio – Bill disse para Charlotte enquanto ela sorria bobamente para ele. Eu tentava aguçar meu ouvido e também tentar ver se eu compreendia tudo que ele dizia.
– Não foi nada, eu só gostaria de encontrar você em outro lugar que não seja o meu lugar de trabalho.
– É, eu apenas fiquei te atrapalhando o tempo todo – Bill disse sem-graça. Ele estava vermelho! Como ele pode ficar assim? Cala boca Hedvig. Tudo está ocorrendo como o planejado.
– Claro que não! Eu adorava sua visita! Gostei de você desde a primeira vez que te vi, Bill – ela disse também ficando vermelha.
Tudo bem, vou surtar. Meu Deus, preciso me acalmar, mas como? Respire, você não pode jogar tudo fora, não pode simplesmente destruir tudo que construiu. É o que você quer! É o que você quer! Pare de ser estúpida uma vez na vida e deixe as coisas tomarem seu curso, não atrapalhe. Bill a ama, e ela também o ama. E eu não pertenço a isso, estou fora, por que estou morta. Hoje simplesmente eu vou atravessar o outro lado e descobrir que tudo que senti foi apenas uma bobeira. O meu amor pelo Bill só foi uma paixonite boba, quando você convive com alguém por um tempo, você pode acabar se apaixonando. Mas isso passar, vai passar.
Então quando me virei novamente para olhá-los, eles estavam se beijando. ELES ESTAVAM SE BEIJANDO. Calma, Hedvig, calma. A estátua que eu estava vendo começou a tremer freneticamente, algumas pessoas olharam assustadas. Coloquei a mão na minha cabeça e me abaixei.
– Acalme-se, não faça nenhuma besteira, por favor – eu disse baixinho para mim mesma – Por favor, não acabe com tudo novamente. Controle sua raiva, isso não é bom. Você quer vê-lo feliz, isso não inclui você.
A estátua parou de tremer, várias pessoas ainda olhavam atônitas para aquilo como se fosse explodir a qualquer momento. Bill nem prestara atenção no que acontecia, estava mais ocupado desentupindo a boca da garota. De repente coloquei a mão no meu rosto, senti algo gelado. Era uma lágrima. Mas anjos não choram, ou pelo menos, não deviam chorar. Eles são livres de emoções, então por que não me sinto como se fizesse parte deles? Na verdade, sinto como se eu não fizesse parte de nada.
Talvez esse seja o melhor que eu tenha a fazer. Ir embora. Quem sabe Deus planejou isso, para que eu me machucasse e aprendesse alguma lição valiosa. Mas o que posso concluir com isso? Que o amor é uma droga, que ele só machuca? Não era isso que eu queria aprender. Mas aí está a prova da maior dor de todas, uma lágrima. Uma lágrima gélida, contendo um sufoco de desamor. Eu me sentia ferida.

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67 Angels Don't Cry em Dom Nov 25, 2012 5:27 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 24 - O amor é o tesouro mais valioso



Charlotte havia ido embora, já eram sete da noite e ela ainda tinha trabalho na Starbucks. Eu estava flutuando ao lado de Bill, enquanto ele acenava para ela. Sentia-me incrivelmente triste, mas tentei não demonstrar, afinal eu conheci Paris, a Torre Eiffel, o Rio Sena, Notre Dame e agora o Museu do Louvre. Devia estar feliz por apenas ter tido essa oportunidade.
– E então? – eu perguntei tentando quebrar o silêncio que se instalara entre nós – Como se sente? Acha que consegui concluir minha missão?
– Claro que conseguiu concluir a missão – ele disse olhando para o relógio – Mas não dá.
– O que não dá? – eu perguntei atônita. O que ele estava querendo dizer?
– Não posso enganar Charlotte – ele disse com a voz baixa – Estou fazendo isso por você Hedvig, mas realmente não quero passar o dia todo ao lado dela quando gostaria de estar perto de outra pessoa.
– Não – eu disse rapidamente me virando para ele – Não, você não pode abandoná-la Bill, você ama ela e eu sei disso. Você vai gostar dela mais ainda com o tempo.
– Não vou, Hedvig. Eu não a amo, ela pode ser legal, bonita, mas amor... não é o que eu sinto.
– Sim, é o que você sente – eu disse desesperada. Olhei para os lados vendo se ninguém estava nos olhando e me materializei do jeito que eu estava, senti um frio cortante graças as minhas roupas curtas, mas não ligava – Você a ama, não minta!
– Eu não amo ela, Hedvig! – ele disse segurando meus braços quando comecei a segurar a camiseta dele – Eu amo você! E não quero jogar fora essas cinco horas que tenho ao seu lado! Juro que tentei fazer de tudo, se eu saí com a Charlotte foi por você, queria que você conseguisse ir para o Céu. Mas sei que sou um egoísta, hipócrita, o que for, só não quero realmente que você vá embora sem saber o que sinto de verdade.
– Não... – eu disse com a voz embargada. Não era isso que você queria Hedvig? Não queria que ele dissesse isso? – Bill, por favor...
As palavras dele pareciam ter ficado gravadas em mim, eu queria tanto que isso acontecesse, mas parecia tão errado. Então mais lágrimas deslizaram pelo meu rosto. Não ligo mais, não ligo mais para o Paraíso, não ligo de ir para o Inferno, não ligo de acabar com o resto de vida que eu tenho.
– Eu também te amo, nem que por isso eu tenha que ir para o Inferno. O que eu mais quero é ficar ao seu lado! – eu disse o abraçando com toda força que eu tinha – Se for para eu dar um jeito na minha vida, que seja dessa forma.
Ele me abraçou de volta, me apertando contra si. Eu era capaz de ouvir o coração dele batendo e o meu também. O meu coração estava batendo de verdade, parecia até que eu realmente estava viva, não eram aqueles batimentos falsos, apenas para enganar. Havia vida neles.
– Precisamos conversar, Vig – ele disse levantando meu rosto para poder encará-lo – Temos que ajeitar tudo, não quero que isso acabe desse jeito.
– Eu sei, mas não me importo, Bill. Existem coisas mais importantes que a felicidade e não me importo de abdicá-la por você. Não importa para onde eu vá, o que eu quero é guardar todos esses momentos para sempre – eu disse enquanto ele começou a procurar algo em seus bolsos e tirou uma caixinha.
– Isso é pela nossa memória – ele disse abrindo a caixinha e mostrando um colar que parecia brilhar mais que todas as luzes de Paris. Ali, havia um pingente da Torre Eiffel tão brilhante quanto à própria – Quero que leve com você, quando sentir que estiver se esquecendo de mim, olhe para ele e se lembrará de tudo. Um dia eu me juntarei a você Hedvig, não importa se for no Céu ou no Inferno.
Eu peguei o colar e olhei maravilhada para ele, talvez minhas lágrimas aumentassem o brilho que ele emanava, ou talvez fosse o significado dele que o tornava mais importante ainda. Bill o pegou de minha mão e colocou em meu pescoço, onde ele ficou acima da minha blusa do Crashdïet.
– Bill... é lindo demais! – eu não sabia o que dizer, eu estava tão feliz, mas tão triste ao mesmo tempo. Era uma mistura de sentimentos que me deixavam confusa.
– Agora vamos! – Bill disse estendendo a mão para mim – Não quero perder mais tempo sem você, Hedvig.


Nós voltamos para o hotel, os outros garotos estavam preocupado com Bill, alegando que ele anda saindo demais. Bill apenas disse que estava querendo conhecer um pouco de Paris, ele nunca havia saído sozinho por aí e gostaria de conhecer tudo.
– O Bill deve estar apaixonado – Tom disse brincando, fazendo os outros rirem.
– E estou – Bill disse já entrando no elevador e deixando a porta fechar enquanto todos olhavam atônitos para ele – Eles só não precisam saber sobre tudo ainda.
– Talvez seja bom que eles nem saibam – eu disse pensativa, me materializando ao lado dele. Isso causaria uma confusão, com certeza.
O elevador parou no andar de Bill, eu olhei no relógio dele e já eram oito horas e pouco. Só faltavam quatro horas antes de eu ir embora, isso estava me matando, a ansiedade de que tudo na verdade não acabasse ou que algo bom acontecesse. Mas foi quando olhei para o quarto que eu tive a verdadeira surpresa, metade dele estava escuro a outra estava iluminada pela Torre Eiffel na janela que estava perto de nós.
E havia também as luzes de natais, parecendo cristais presos ao teto, como se desse a impressão de estar em um quarto de gelo. Havia velas avermelhadas em um canto, com suas chamas dançantes na parede e um buquê de rosas na mesa central do quarto. Bill foi até o buquê e pegou uma rosa, veio até a mim e a estendeu.
– Certa pessoa me disse uma vez que uma rosa basta para conquistar uma pessoa. Então aqui está uma rosa vermelha para combinar com a cor dos lábios daquela que quero beijar e para mostrar a flor que beleza igual a sua não existe – ele disse relembrando de todas as palavras que eu havia dito – Por que é com você que essas frases tem o efeito que eu quero.
– Como... como você fez tudo isso? – eu perguntei sem saber como a decoração havia parado ali já que eu vivo seguindo Bill e saberia se ele tivesse planejado algo.
– Banheiro é o único lugar que você não me segue. Isso me ajudou de certa forma para planejar tudo.
– Mas... mas... – eu disse tentando encontrar palavras – Ah, eu te amo, garoto vampiro!
Deixei a rosa de lado e o envolvi com os meus braços para poder beijá-lo, nossos lábios se encontraram uma vez, mais uma vez e mais. O que eu sentia por ele, eu nunca senti por ninguém antes, nem por Lukas. Meu ex-namorado era o tipo de cara que eu achava perfeito para mim, o tipo de pessoa que todos falavam: “Esse é para a Hedvig”. Bill e eu éramos uma combinação totalmente diferente que pelo incrível que pareça deu certo.
As mãos de Bill passaram por minhas costas, retirando meu casaco de couro que caiu no chão, ele me trouxe para mais perto dele, descendo seus beijos para o meu pescoço. Tudo bem, tudo bem, as coisas estão indo meio rápidas demais! Quero dizer, meus relacionamentos nunca avançaram nessas proporções por que eles nunca deram certo e... estou com um pouco de medo.
Mas não adiantava mais eu pensar de forma coerente, quero dizer, essa é minha última vez no mundo dos vivos e agora estou arrancando o casaco dele fora. Tchau Dior, novamente! E conforme ele avançava para mim, eu ia dando passos para trás, até que me encostei a algo e caí o levando junto comigo. Estávamos na cama, meu Deus do céu! Vou para o Inferno! E quem disse que me importei?
Só sei que eu sabia que isso teria que acontecer. Ele me amava e eu o amava, queria coisa mais simples que isso? Além de que tínhamos pouco tempo juntos, por que desperdiçamos todos os nossos segundos preciosos tentando ser o que não éramos e tentando esconder o que sentíamos. Mas talvez tudo deveria acontecer dessa forma, por mais que seja errado. Acho que é uma das primeiras vezes que não me arrependo do que fiz.
Quando me disseram que o amor bastava, eu não acreditei. Quão boba eu fui. Não são as roupas da Dior que fazem a diferença, não era o dinheiro, o poder ou a fama. Havia algo mais além disso, o resto é supérfluo. Quando você morre você descobre que tudo que você sempre almejou era nada perto do que você pode conseguir. A única coisa que levamos para o outro lado é nós mesmos e o que guardamos em nós. Apenas isso. Afinal é riqueza mais inestimável do mundo.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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68 Angels Don't Cry em Qua Nov 28, 2012 10:38 am

Sam McHoffen

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Capítulo 25 - Parabéns, você concluiu sua missão!



Eu estava deitada ao lado de Bill, com a cabeça encostada em seu ombro, enquanto seu braço estava em volta de mim. Meu coração batia depressa, o relógio marcava onze e cinquenta e em dez minutos tudo se acabaria.
– Hedvig, lembra do dia que você apareceu? – Bill perguntou baixinho para mim, eu fiz que sim com a cabeça, afinal como eu poderia me esquecer? – Eu estava na cobertura, mal humorado com tudo e todos, por isso eu estava sozinho, precisava de um tempo só para mim. Fiquei observando a cidade, o céu... quando eu vi uma estrela cadente, então fiz um pedido, desejei algo ou alguém para mudar a minha vida. Uns minutos depois, você apareceu.
– Mas você não acreditou em mim no primeiro momento.
– Não, por que eu vivo sendo perseguido por fãs, então pensei que você fosse mais alguma tentando invadir o hotel. Mas depois que tudo se esclareceu, eu percebi que de certa forma, o que eu havia pedido, tinha se realizado.
– Claro que não era o que você imaginava, quero dizer, eu acabo com quaisquer expectativas de qualquer pessoa.
– Não fale assim – ele disse rindo – Eu realmente fico feliz de você ter vindo, acho que outra pessoa não serviria para mim. Por que se você ouviu quando eu disse que a amava, é bom saber que não falo isso por falar e nem para qualquer pessoa.
– Sim, eu sei – eu disse sorrindo – Se eu pudesse, Bill, eu não teria feito o que fiz quando morri. Teria deixado isso de lado e ido até você, teria feito a coisa certa e não destruir tudo como eu fiz.
– Eu sei – Bill disse tristemente – Você mudou Hedvig, eu mudei. Queria também ter o poder de mudar nossas vidas também...
Olhei para o relógio, era onze e cinquenta e nove. Um minuto. Meu coração se congelou, era agora.
– Meu tempo está acabando – eu disse começando a chorar e vi que também havia lágrimas nos olhos dele – Bill, eu te amo realmente. Mas quero que siga com sua vida, quero que sua banda seja a mais famosa do mundo, quero que você conquiste tudo que quer, que você case, tenha filhos e seja feliz. Desejo uma vida longa para você e se alguma vez pensar em desistir, lembre-se de mim e siga em frente. Um dia vamos se encontrar novamente.
– Obrigado Hedvig, por tudo – ele disse beijando minha testa e depois meus lábios – Tome jeito e seja feliz agora.
Meia noite. Eu ainda sentia os lábios dele aos meus quando tudo ficou escuro, quando senti uma sensação estranha no meu corpo. Quando voltei a abrir meus olhos, não estava mais no quarto de Bill, eu estava de onde eu parecia ter saído, estava na sala de Deus novamente, sentada na cadeira de couro, olhando para um homem negro e forte, mas com aquele olhar cheio de sabedoria.
– Olá Hedvig! Bem vinda de volta! – ele disse abrindo os braços e com um sorriso enorme. Mas eu estava chorando, não conseguia conter os soluços nem as lágrimas que empapavam meus olhos – Por que choras, minha filha?
– Eu fiz tudo errado novamente – eu disse tentando limpar as lágrimas com as costas de minhas mãos, mas parecia que quanto mais eu fazia isso, mais eu chorava – Não fiz o que o Senhor queria, eu falhei como sempre.
– Por que acha isso? – ele perguntou bondosamente.
– Por que eu não achei a garota certa para o Bill, por que eu o deixei iludido lá na Terra, eu abandonei meu protegido e segui apenas o que eu queria para mim.
– Tem certeza? – ele perguntou – Lembra-se quando eu mandei uma carta para você, Hedvig? A primeira que falava sobre Bill? O que eu pedi que fizesse por ele?
– Você disse... que ele andava triste, não encontrava sentido na vida... mesmo ele tendo tudo que queria – eu disse me recordando aos poucos.
– É isso Hedvig, não pedi para você achar a alma gêmea dele, não pedi para achar alguém para que ele se apaixonasse. Pedi apenas que o tornasse feliz, que mostrasse o outro lado da vida que ele se esquecera e foi isso que você fez.
– Mas... mas... – eu disse tentando encontrar motivos para que ele me xingasse e não fosse bondoso comigo. Eu não merecia isso – Eu fui além, eu fiz coisas que não se podiam fazer.
– Por quê? Só por que estava morta? Hedvig, não é pecado se apaixonar e não quando isso é verdadeiro. Eu não posso proibir uma pessoa como você que só encontrou tristeza, dor e desilusão, que abominava o amor. Não foi só Bill que mudou, você também não é mais a mesma e era isso que eu queria.
– Então o que eu fiz de errado? – eu perguntei sem entender nada.
– Nada – ele disse sorrindo para mim – Você levou Bill para conhecer Paris, mostrou para ele que havia muito ainda para se ver e que ele ainda tinha muito a viver. Com isso, mostrou a si mesma que não pode se desistir dos seus sonhos, que eles são tudo que uma pessoa tem de verdade. Você deixou Bill tentar se apaixonar por outra pessoa, mesmo que não fosse você, com isso mostrou compaixão e humildade. Você se importava mais com a felicidade dele do que com a sua.
– Mas eu era a anja da guarda dele, deveria agir de um modo mais profissional, evitar que meus pensamentos pessoais se misturassem com meu trabalho.
– Hedvig, você nunca foi anja da guarda dele, eu não poderia dar tantos poderes para uma pessoa como você que ainda não sabe controlá-los. Além de que não se pode trocar anjos da guarda assim como se eles fossem trabalhadores, eles são muito importantes. Você foi para lá como uma Anja da Morte.
– Então... você mentiu para mim? – eu exclamei ultrajada. Deus mentiu para mim!
– Não, se você tivesse prestado atenção nas aulas de como ser um Anjo da Morte, saberia que Anjos da Guarda não podem ser trocado, por que são um tipo muito especial. Além de que algo inusitado aconteceu, Bill era capaz de te ver como eu presumi.
– O que isso quer dizer? Por que ele era capaz de me ver? – eu disse cada vez mais confusa.
– Não sabe Hedvig? Se você não tivesse morrido talvez você tivesse se encontrado com Bill. Se isso tivesse realmente que acontecer, por que você acha que Bill te viu mesmo depois de morta?
– Por que precisávamos nos conhecer – eu disse surpresa, agora começando a entender – Eu sou a pessoa para ele?
– Não sei – ele disse dando de ombros. Como ele pode não saber? Ele é Deus! – Algumas perguntas você mesma que terá que descobrir as respostas. Mas é com orgulho que digo que você passou Hedvig, pode ir para o Céu, finalmente.
– O que? – eu exclamei ficando de pé de repente – Está brincando, não é?
– Não, você passou, se tornou uma boa pessoa – ele disse se levantando também – Aprendeu a amar e isso é o que eu mais queria que aprendesse. Mas saiba que ao ir para lá, recomeçará uma nova vida e terá que abandonar a antiga.
– Quer dizer que vou me esquecer de tudo? – eu exclamei assustada, segurei o colar que Bill me dera fortemente, com medo de que ele pedisse aquilo – Não posso fazer isso.
– Hedvig, você não pode viver de passado...
– Não vou me esquecer do Bill, de forma nenhuma quero esquecer tudo, eu prometi a ele. Prefiro ir para o Inferno, mas não vou esquecer tudo que vivi com ele, vou esperá-lo até podermos ir juntos para o outro lado.
– Você prefere ir para o Inferno e ser atormentada por suas lembranças do que ir para o Céu? Prefere escolher ele ao seu paraíso eterno?
Eu não sabia o que dizer, eu havia conquistado tudo que eu queria, mas não era da forma que eu imaginava. Queria realmente ficar em paz e ir para o Céu, só que de forma nenhuma eu queria me esquecer de Bill, eu havia prometido guardar cada memória comigo até ele se juntar a mim. O que vou fazer quando ele chegar ao Céu e nenhum de nós nos reconhecermos por que teremos que viver uma nova vida?
– Sim – eu disse firmemente – Vou para o Inferno, fico o tempo que tiver até Bill morrer. Então eu vou com ele para o outro lado.
– Tem certeza que é isso que você quer, Hedvig? Você não merece o Inferno – Deus disse pacientemente.
– Tenho toda certeza.
– Então, Hedvig, venha comigo – ele disse colocando a mão em meu ombro carinhosamente e me levando até um lado da sala onde tinha uma porta marrom escuro que eu não tinha visto antes. O medo começou a tomar conta de mim, mas o engoli todo – Bill não poderá viver sem você, sabia? Vamos dizer que hoje, às sete da noite em plena Champs Elysées, o carro dele sofreria um acidente fatal?
– O que? – eu exclamei quando ele abriu a porta e vi um lugar todo escuro – Mas...
– Sim, mas acho que às vezes, Hedvig. As pessoas apenas deveriam me escutar, eu sussurro as verdades para elas, mas poucas são capazes de me ouvir. Mas acho que você me ouviu, acho que tudo pode dar certo daqui para frente.
– Como assim? – eu perguntei sem entender nada.
Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Deus colocou a mão por trás das minhas costas e me empurrou pela porta. Eu caí na escuridão, no infinito, não sabendo quando eu me encontraria com o chão. Só sei que vi vários rostos enquanto caía, o de mamãe, papai, o pequeno Joe, Mischa, Lukas e... Bill. O rosto dele foi o último que eu vi.

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69 Re: Angels Don't Cry em Qui Nov 29, 2012 1:24 pm

Ohh que fofo *-* Eles ficaram juntos, de uma certa forma \o
A Hedvig não vai pro inferno, vai? Eu acho que não kkkkkkkkk
Talvez dê a chance dela, ser humana de novo, pra poder ficar com o Bill.

Continuaaa

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70 Re: Angels Don't Cry em Sex Nov 30, 2012 8:56 pm

Anny V.

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O Bill não vai se matar por causa da Hedvig, vai? Suspect

Achei muiiiito fofo da parte dela preferir ir pro inferno e esperar pelo Bill, do que ir pro céu esquecer dele

Agora eu to curiosa pra saber pra onde ela foi.
Sera que ela foi mesmo pro inferno, ou Deus deu uma chance pra ela voltar a terra agora viva e ficar com o Bill?

Acho improvável que ela volte a ser viva '-'

Continuuuuua!

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71 Re: Angels Don't Cry em Sab Dez 01, 2012 3:15 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 26 - Como recomeçar sua vida



– Meu Deus, será que ela está bem? Melhor chamarmos uma ambulância! – alguma voz ao longe disse, senti que havia mais pessoas por perto, todas pareciam bem apreensivas – Ela está passando muito mal!
Então abri meus olhos, tudo parecia estar rodando, eu só conseguia distinguir alguns vultos na minha frente. Sentia uma enorme dor de cabeça e uma louca vontade de vomitar, mas meu corpo parecia tão mole que levantar parecia ser algo muito distante para mim.
– Ela abriu os olhos! Hedvig, você está bem? – disse alguém que eu conhecia, de repente percebi que se tratava de Mischa. Lá estava minha melhor amiga, com seus cabelos loiros totalmente despenteados e seus olhos azuis enormes marejados de lágrimas.
– O que aconteceu? – eu perguntei colocando a mão na minha cabeça, ela parecia latejar.
– Você entrou em coma alcoólica – Mischa disse desesperada – Pensei que ia morrer, você parecia estar tão ruim, Hedvig! E pensar que fui eu que a arrastei para essa festa e fiz você brigar com Lukas.
– Lukas? – eu perguntei me lembrando que esse nome não me era estranho – Morrer?
– Sim, o seu namorado, eu espero. Acho que vocês voltam, são tão perfeito um para o outro – ela disse arrumando meu cabelo que estava quase todo na minha cara.
Eu fechei os olhos de novo, tentando entender. Lukas era meu namorado, certo? Mischa é minha melhor amiga e... eu estou viva. Eu estou viva! Me pus rapidamente sentada, como se tivesse levado um choque, e comecei a tocar em mim mesma. Eu estava ainda com minhas botas, com minha saia e com minha camiseta do Crashdïet e a jaqueta de couro.
– Eu estou viva! – eu exclamei explodindo de felicidade e abraçando Mischa com toda força – Eu não morri! Estou bem! Estou de volta!
– Vig, você enlouqueceu ou ainda é o efeito de todo aquele álcool que você tomou?
– Isso não pode ter sido um sonho – eu disse a soltando e tentando me por de pé, mas eu ainda estava fraca e tive que me sentar novamente – Quero dizer, eu não posso ter sonhado tudo que aconteceu, não é mesmo?
– Do que você está falando, Vig? – Mischa perguntou, ela realmente achava que eu tinha enlouquecido assim como todos os outros que estavam na sala, parecendo piores do que eu.
Então eu passei a mão no meu pescoço e agarrei algo, quando fui deslizando as mãos até meu pingente, lá estava a Torre Eiffel brilhando como nunca. Mischa piscou várias vezes atônita para aquilo, tentando entender o que estava acontecendo.
– Não me lembro de você ter esse colar, quando comprou? – ela perguntou.
– Eu ganhei, Mischa! Eu... eu... tenho tanta coisa para te contar, mas aqui nem agora dá para contar! – eu disse finalmente me pondo de pé – Vamos embora daqui! Preciso tomar banho, me arrumar e tirar essa roupa! Não aguento mais olhar para ela, sinto que a uso há séculos.
Mischa realmente parecia confusa, peguei a mão dela e a puxei para longe dali sob o olhar de todas aquelas pessoas que me olhavam como se eu fosse louca. Eu nem me lembrava em que casa eu estava, mas isso não importava muito agora, eu tinha que esquecer meu passo e seguir em frente.
– Hedvig, acho melhor você falar com o Lukas – Mischa disse enquanto descíamos as escadas do pequeno sobrado até irmos para a rua.
– Eu não quero mais nada com ele, Mischa. Ele está me traindo com a loira oxigenada da sala 203 de Relações Públicas.
– O que? Está brincando? Com aquela garota que precisa retocar as raízes?
– Essa mesma. E não estou brincando, ele deve estar nesse momento com ela. Mas eu realmente não ligo, Lukas é perfeito demais para mim, e isso é insuportável se quer saber.
– Mas como pode saber? Você já os viu juntos? – ela disse me seguindo pela rua, enquanto íamos direto ao carro dela, um Land Rover prateado.
– Bem... não sei como explicar, mas de certa forma já os vi juntos e não quero vê-los novamente – eu disse entrando no carro dela enquanto ela ligava a ignição – Só quero voltar para o meu quarto no Campus e ajeitar tudo que eu fiz errado.
– O que está havendo com você Hedvig, você de repente acordou falando coisas confusas! Não estou entendendo mais nada!
– Mischa, eu não sei se foi sonho ou o que foi. Só sei que eu tinha morrido, por que peguei Lukas me traindo e fui tentar matá-lo com gás de cozinha, mas tudo explodiu e eu acabei morrendo e levando ele e a amante junto comigo. Então eu quase fui para o Inferno, mas Deus me deu várias chances de ir para o Céu, uma delas era que eu teria que cuidar de um cara famoso na Terra, mas eu acabei me apaixonando por ele. Então nós andamos por Paris inteiro juntos e... meu tempo tinha acabado e eu voltei para o mundo dos mortos, então Deus falou que eu podia ir para o Paraíso, mas com a condição de me esquecer do meu amor, mas não aceitei. Então quando pensei que iria para o Inferno, acordei como se nada tivesse acontecido. A única coisa que prova o ocorrido é o colar com a Torre Eiffel.
– Nossa! Que sonho impressionante! Por que não sonho com algumas coisas desse tipo quando quase caio bêbada? – Mischa disse enquanto dirigia, achando que tudo que eu contara na verdade era ilusão minha – Quanto ao colar... vai ver ganhou de algum cara na festa, só que estava bêbada demais e não se lembra.
– Você não acredita em mim? Eu sei que isso realmente aconteceu, e talvez eu voltei a ser uma pessoa viva para conquistar o cara de verdade! – eu disse desesperada, afinal alguém teria que acreditar em mim e esse alguém era Mischa.
– E quem é o cara afinal? Você se lembra do rosto dele ou de quem quer ele seja? Por que todos os caras que já peguei em sonhos, nunca lembro seus rostos e isso é péssimo se quer saber.
– Ele é Bill Kaulitz, vocalista da banda Tokio Hotel...
– Está brincando? – ela disse apertando o freio com tudo quando olhou para mim atônita e se esquecera do sinal de trânsito – Você está apaixonada por ele? Quero dizer, Hedvig se você não estiver louca, não sei o que está acontecendo. Minha prima ama essa banda e eu já vi os milhões de pôsteres deles nas paredes, e se quer saber, prefiro o Lukas do que ele.
– Você não o conhece Mischa! Eu também não o conhecia, nem sabia da existência dele, quanto mais ele da minha, mas agora tudo mudou! Eu passei a melhor semana da minha vida ao lado dele e realmente acredito que posso passar por isso tudo de novo, só que da maneira certa, comigo viva!
– Tudo bem, vamos com calma, Mischa não aguenta tantas informações de uma vez – ela disse respirando fundo e tentando prestar mais atenção no trânsito – Hedvig, isso que aconteceu pode ser um sonho ou não, você não sabe realmente se Lukas traiu ou está traindo você. Nem sabe se for atrás desse cara vai dar certo como aconteceu antes. Então pense bem antes de fazer qualquer coisa.
– Eu sei, tenho dois meses até o dia que ele vá para a França, até lá tenho muito que fazer. Uma delas é visitar minha família, preciso vê-los novamente e me desculpar pelo o que eu fiz. E também vou abandonar as aulas de Diplomacia.
– O que? – ela exclamou brecando de novo – Como? Você lutou tanto para passar e agora vai abandonar tudo?
– Não é o que eu quero Mischa! Não é meu sonho e não estou a fim de seguir essa carreira. Eu só achei que seria bom para mim, como pensei quando namorei Lukas, quando eu era convidada para festas... mas pensar que é bom não torna algo totalmente bom. Dessa vez vou fazer tudo certo.
– E se você estiver cometendo um erro? Se isso for precipitado demais?
– Já cometi erros demais na minha vida, acho que mais alguns não vão fazer diferença. Mas dessa vez, sei que vou acertar de verdade. Eu tenho uma nova chance de mudar tudo e recomeçar. Isso é o certo.

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72 Angels Don't Cry em Sab Dez 01, 2012 3:17 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 27 - Esqueça o Passado



Nem acreditava que estava novamente no Campus, lá estava a enorme faculdade nos seus tons azulados sobre um sol de dez da manhã. No lado oeste, no dormitório masculino, Lukas deve estar dormindo ao lado da vaca loira, mas isso não me importava, por que eu não vou vê-lo. Na verdade não quero vê-lo nunca mais.
Mischa estacionou seu carro no estacionamento para alunos, ainda bem que hoje era sábado, se fosse dia da semana e estivéssemos chegando a essa hora, no mínimo iríamos ser punidas severamente. De certa forma eu sentia saudades da faculdade, mas uma hora teria que abandonar isso, não era o lugar que eu devia estar.
– Você está bem? – Oliver Meinertz veio até a mim, quando me viu saindo do carro, ele estava tão bonito quanto eu me lembrava, acho que em alguma festa que já fui, acabei beijando ele, mas não me lembro muito bem – Todo mundo estava comentando sobre você, contaram que estava em coma alcoólica.
– As pessoas não deviam ficar perdendo seu tempo contando rumores sobre mim. Como pode ver estou bem e inteira – eu disse caminhando em direção a escola.
– Como eu poderia saber a verdade? Só estou comentando, é o que estão falando por aí, só queria saber o que estava realmente acontecendo.
– Então, Oliver, conte a todos como estou ótima e não tem nada de errado comigo. E diga a eles que perderam uma das melhores festas que já se teve por aqui.
Talvez certas coisas não mudem nunca, quando você vive em uma faculdade como a de Estocolmo, você tem uma reputação a zelar. E quando se trata de Hedvig Nondenberg, as pessoas sempre tentarão acabar com você. É só perguntar pelos corredores, sou uma das pessoas mais influentes do lugar por uma série de fatos. E pensando bem, estou louca para abandonar tudo isso.
Quando entrei no corredor lotado de pessoas, todos os olhares se voltaram para mim, Mischa e Oliver. Claro que logo depois Oliver sumiu, louco para contar para todos que sobrevivi novamente a uma noite daquelas, eu apenas mantive meu rosto levantando e fui direto para o lado leste onde ficava o meu dormitório.
Perto de onde eu estava vi uma cena mais do que cotidiana, Lutz Attberg estava tentando trancar Walleska Wolff em um dos armários de vassouras só por que ela o havia humilhado na classe por ele não saber algo simples. Infelizmente Lutz só entrou para a faculdade, por que seu pai desembolsou muito para ele ser aceito, afinal ele é um cabeça oca total.
– Hey, Lutz! – eu disse com minha voz mandona – Deixe Walleska em paz, agora.
– Pensei que não gostasse dela, Hedvig – ele disse com sua voz de troll – Não foi ela que chamou você de vaca nazista?
– Foi – eu disse pensando seriamente que ele poderia trancá-la no armário e não soltá-la nunca mais. Mas eu deveria ter piedade, afinal Walleska é uma das garotas mais estranhas que eu já vi e ninguém realmente gosta dela – Mas a deixe em paz pelo menos dessa vez, talvez assim ela aprenda a calar a boca.
Lutz simplesmente não discutiu, apenas concordou. Ele soltou Walleska e juro que vi um brilho de agradecimento nos olhos dela, pelo menos hoje ela não teria cândida derrubada em uma de suas roupas. E não é que me senti bem por fazer isso? Quero dizer, antigamente eu realmente adorava ajudar Lutz a colocá-la no armário, mas agora isso não parece tão divertido.
– Também decidiu ser a protetora dos fracos e oprimidos? – Mischa perguntou me olhando cada vez mais surpresa.
– O que tem de errado? Não era você que me dizia que trancar Walleska no armário era maldade? Como eu disse, estou tentando concertar as coisas.
– Isso é estranho, é como se ontem eu estivesse saindo com Hedvig e hoje outra pessoa acordou em seu lugar. Uma pessoa responsável – ela disse rindo, talvez da sua própria confusão.
– Talvez esteja na hora de eu tomar um pouco de juízo.
Deixei Mischa no seu quarto e fui para o meu, o que eu mais precisava era um banho para tirar aquele cheiro de álcool e de fumaça de cigarro que havia em mim. Além de que eu não aguentava mais usar aquelas roupas, aquelas mesmas roupas sempre. E eu cantei no banho, sabe quanto tempo não faço isso? Séculos se quer saber, por que sempre andava estressada ou atolada de provas e trabalhos.
Enquanto me trocava, coloquei Crashdïet no último volume, fazia séculos que eu não os ouvia e como sentia falta! Peguei uma camiseta amarela minha, escrito “Thriller me, don’t kill me” – sim, tenho várias camisetas com frases das músicas do Crashdïet –, coloquei uma saia bufante preta e minhas botinas de couro com fivelas. Tudo bem, eu gostava de por medo nas pessoas.
– Hedvig? Você está aí? – disse alguém batendo na porta. Tudo bem, eu congelei, era Lukas. Eu realmente pensei que podia ser capaz de enfrentá-lo, mas lá estava eu indefesa, olhando para a porta. Respire fundo, você sabe o que fazer.
– O que você quer? – eu disse abrindo a porta e o olhando friamente.
– Você está bem? Eu... eu ouvi dizer que você entrou em coma alcoólica, eu fiquei preocupado quando me contaram.
Tudo bem, o que estava acontecendo comigo? Lá estava o cara que eu gostei de verdade, me olhando com seus olhos azuis preocupados, o mesmo cara que me traiu essa noite. Será que eu podia estar errada? Será que ele me traiu mesmo? Mas havia o colar provando tudo, provando que tudo que acontecera não fora apenas um sonho.
– Estou ótima, obrigada por se preocupar – eu disse friamente, atacá-lo dessa forma era como me atacar. Quando comecei a fechar a porta, ele colocou o pé na frente, me impedindo de fechá-la.
– O que aconteceu Evvy? – ele disse me chamando pelo apelido especial – Tem algo te incomodando?
– Tem, inúmeras coisas! Você não tem ideia! Primeiramente, eu vou embora daqui, não quero mais saber dessa faculdade. Segundo está tudo terminado entre nós, entendido? – eu disse da forma mais fria possível. Eu realmente sentia vontade de chorar, de acreditar que tudo que eu vi era mentira. Talvez eu pudesse ficar na faculdade, me forma em Diplomacia, ser uma pessoa bem sucedida e casar com Lukas. O que há de errado nisso? Não é a vida que eu queria?
– Evvy, por favor, me ouça! Se alguém contou a você, eu preciso me explicar, não queria que tivesse acontecido! – ele disse entrando no quarto e eu me afastando dele. Então era verdade, ele havia me traído. E minha vontade de chorar era imensa, queria explodir tudo novamente – Você foi para aquela festa, fiquei bravo e acabei bebendo demais, então... quando vi... já era tarde. Não me lembro quase de nada!
– Está acabado – eu disse novamente – Já fiquei bêbada diversas vezes, mas nunca te traí em nenhum momento, Lukas. E não me importo se você fez isso ou não, realmente não quero mais nada com você.
– Por favor, Evvy, não faça dessa forma. Pense antes, nós somos perfeitos juntos, somos o casal do ano praticamente. Lukas Kamark e Hedvig Nondenberg, são os nomes mais falados pelos corredores e...
– Só por que as pessoas falam que nós somos perfeitos por que temos uma reputação, por que temos as melhores notas, por que somos as pessoas mais requisitadas... Isso não forma um casal perfeito – eu disse percebendo certas coisas que não tinha visto antes – Um casal perfeito é formado por amor, por diversão, por sorrisos, não importando quem a pessoa é. Grande coisa eu ser Hedvig Nondenberg, se for para ser o que as pessoas querem que eu seja, prefiro não ser nada.
– Então me diga quem você é, por que não a reconheço mais.
– Sou Hedvig Nondenberg, moro em Luleå, uma cidade do fim do mundo, bem longe de Estocolmo, tenho bolsa na faculdade por que fui uma das primeiras colocadas e se sou tão famosa pelos corredores da escola é por que fui uma idiota o tempo todo e todos amam seguir idiotas que tem pulso firme. Não sou a pessoa de antes, eu simplesmente mudei, não quero mais ser a pessoa irresponsável que fazia tudo sem pensar, não quero virar minhas noites bebendo por aí, por que não quero acabar com minha vida. E principalmente, não quero viver de um amor que segundo os outros é melhor para mim, eu quero que eu saiba o que é melhor para mim.
– Isso é o fim, então? Se pensar antes de agir é jogar tudo o que você conseguiu para o alto, então você mudou para pior – ele disse com raiva, eu sentia o orgulho dele ferido só de olhar nos olhos dele.
– Diplomacia não é para mim, você não é para mim, isso não é para mim, essa vida não é para mim. Vou correr atrás dos meus sonhos, Lukas e você deveria correr atrás dos seus.
Então saí do meu quarto o deixando para trás. Tudo ia ficar para trás e eu não me importava, sabia que agora eu realmente precisava era seguir em frente.

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73 Angels Don't Cry em Dom Dez 02, 2012 2:43 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 28 - Reate laços antigos



– Então você terminou com Lukas? – Mischa perguntou quando me viu sentada na escadaria da faculdade – É o que todos estão comentando, muitas pessoas ouviram a conversa. Você devia ter fechado o quarto.
– É bom que todos saibam – eu disse calmamente – Não sou tudo que imaginam.
– Mas terminar com Lukas, Vig? Quero dizer, há tantas loucuras para se fazer e você faz isso? Eu realmente pensava que vocês iam se casar!
– Ele me traiu. Não quero saber mais dele.
– Você o ama, Vig. Pode perdoá-lo, não pode?
Tudo bem, isso estava sendo muito mais difícil do que eu imaginava. Eu gostava de Lukas, eu realmente o amava, mas isso já tinha acabado. Da última vez eu tinha nos matados, agora era a vez de eu concertar tudo. E eu realmente estava vendo como as coisas eram, talvez Lukas não se importasse comigo, estava apenas tentando cuidar de sua reputação, tentando encontrar a namorada perfeita para apresentar a seus pais. Mas eu assistia seriados e sabia que por trás de todo bom executivo, há uma amante.
– Não, não posso – eu disse rispidamente – As únicas coisas que me preocupam agora é: falar com minha família e ir à França. Tenho dois meses para isso e acho que tenho que fazer tudo o mais rápido possível.
– Você não tirou essa ideia louca da cabeça? Hedvig, isso foi apenas um sonho, você não morreu, apenas ficou em coma por tempo o suficiente para me fazer chorar igual a uma louca. E tenho certeza que você não teve tempo para morrer, ir para o futuro e renascer no passado.
– E se isso for um aviso? Não acredito muito nesse tipo de coisa, mas vai saber. Realmente quero tentar Mischa. Por exemplo, você sabia que meu sonho de dois anos atrás era ser artista plástica e trabalhar com desenhos? Mas não segui em frente, por que me diziam que isso não dava dinheiro, que eu não teria uma boa infra-estrutura no futuro. Então achei uma revista no consultório de odontologia que eu ia e falava sobre diplomacia. Foi assim que quis ser diplomata. Foi apenas uma última opção.
– Legal – ela disse pensativa, enquanto segurava um copo de chocolate quente, ela parecia bastante pensativa – E eu nem queria estar na faculdade, meu pai só quer que eu tenha um diploma para mostrar para seus amigos: “Olhe, tenho uma filha que será uma grande executiva igual a mim!”. Mas eu não preciso disso, por que simplesmente meu pai vai me colocar para trabalhar na sua empresa. Meu sonho era apenas aproveitar a vida e nada mais, acho que por isso vivo arrastando você para essas festas.
– Então abandone isso tudo e venha comigo – eu disse sorrindo para ela – Encontre a si mesma também. Acho que não quero viver mais alguns anos nesses corredores, ouvindo todos falarem de mim como se eu fosse uma espécie de passatempo.
– O que vai fazer quando for para a França?
– Eu vou tentar localizar Bill, mesmo que você ache idiota ou algo do tipo e vou tentar realizar meu sonho. Vou virar uma famosa artista plástica.
– Isso parece tão... diferente do que eu conhecia de você – Mischa disse revirando os olhos – Eu gostaria de saber realmente o que aconteceu enquanto estava em coma.
– Eu contei a você, não é minha culpa se não acreditou!
– Claro, é maluquice. Não acredito nesse tipo de coisa.
– Uma hora você vai acreditar – eu disse me levantando – Vou para o meu quarto agora, quero tentar falar com minha família, vou trancar minha matrícula e tentar recomeçar minha vida.
– Hum... vou ficar aqui com meu chocolate quente, ainda tentando descobrir o que faço da minha vida...
– Espero que descubra – eu disse piscando para ela.
Mischa parecia ser tão perdida quanto eu, acho que por isso nos dávamos bem. Talvez seja o momento de nós nos encontrarmos. Agora eu teria que enfrentar outras pessoas: os meus pais. Tinha medo de que eles simplesmente me dissessem que não tinham uma filha, que eu fora deserdada ou que não me perdoavam. Mas eu tinha que tentar, não é? Sei que sou forte o suficiente para isso.
No corredor novamente, várias pessoas olhavam para mim e cochichavam, eu era capaz de ouvir meu nome e o de Lukas. Isso seria uma das coisas mais comentadas durante esses dias, só não precisava dar mais motivos para meu nome sair rodando por aí de boca em boca.
Fui para o meu quarto e ele estava vazio, mesmo com a porta aberta, as pessoas não entravam assim no domínio dos outros. Peguei o telefone e fiquei olhando para ele, sem saber ao certo o que fazer. Será que era o mesmo número? Ou eles haviam mudado para que eu não ligasse para eles? Pare de pensar besteiras, Hedvig! Faça isso logo! Disquei o número que eu ainda sabia de cor e esperei que alguém atendesse. A cada bip, meu coração parecia quase sair do meu peito.
– Casa dos Nondenberg – uma voz feminina atendeu, falando calmamente – Com quem deseja falar?
– Mãe? – eu disse como um sufoco, senti que do outro lado, a pessoa que atendera ficara tensa, dava para perceber por causa da respiração.
– Hedvig? – ela disse com a voz embargada – É você? Meu Deus! Como está?
– Eu estou bem, mamãe! – eu disse sem conter as lágrimas que caíam pelo meu rosto – Estou em Estocolmo e passei em Diplomacia. Mas isso não importa, como está o papai e o Joe?
– Não acredito que você ligou, estamos tão preocupados! Já faz quase um ano que você foi embora, não sabíamos mais o que fazer.
– É Hedvig no telefone? – eu ouvi a voz do meu pai ao longe – Meu Deus! Passe para mim!
– Calma, estou falando com ela! – minha mãe disse.
– Mãe, acho que estou voltando para casa – eu disse rapidamente, querendo saber logo de uma vez o que ela pensava.
– O que? Como? Mas você não passou na faculdade, não era o que queria?
– Eu sei, era o que eu fingia querer. Não é meu sonho de verdade ser diplomata e você sabe disso. Eu queria voltar para os meus quadros, para o que eu amava fazer antes.
– Então você vai voltar para nós? – minha mãe disse chorando do outro lado.
– Sim, mas não sei por quanto tempo, eu realmente tenho que organizar minha vida e planejar outras coisas. Mas não quero ficar brigada com vocês dessa forma, quero ter minha família de volta.
– Oh, meu Deus! Estou tão feliz em ouvir isso! Papai e Joe querem falar com você, também estão eufóricos!
Não sei quanto tempo fiquei falando no telefone, só sei que matei um pouco da saudade que tinha deles. Falei com meu pai, ele contou tudo que aconteceu em Luleå enquanto eu estive fora. Joe com seus cinco anos falava sem parar e coisas meio sem nexo, mas fiquei feliz em poder falar com eles. E lá estava no meu mural, no canto havia a mesma fotografia que estava no meu Facebook.
Quando eu desliguei o telefone senti que realmente tudo poderia melhorar, que eu não estava fazendo uma besteira. Em algum lugar do mundo, Bill estava por aí sem saber o que estava para vir, nem eu saberia, afinal sabia como proceder quando estava morta, mas não faço ideia do que vou fazer agora que estou viva. Talvez eu deva deixar isso nas mãos de alguém que está lá em cima, olhando por mim. Acho que se algo tiver que acontecer, acontecerá.

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74 Angels Don't Cry em Dom Dez 02, 2012 2:44 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 29 - A dor tbm ajuda a crescer



– Eu vou com você – Mischa disse parada no meu quarto enquanto eu arrumava minhas malas – Vou com você para Luleå se não se importa.
– Por quê? – eu disse pasmada, sem entender o que ela queria.
– Se meu pai descobrir que abandonei a faculdade vai me matar, não posso voltar para casa. Quero ficar com você por um tempo, afinal você vai decidir o que fazer da vida e também vou fazer o mesmo. Também não quero mais ser o que os outros queiram que eu seja.
– Então vai vir comigo? Não acha mais isso tolo? – eu disse abrindo um sorriso enorme e pulando no pescoço dela, a abraçando com força.
– Ainda acho que é a maior tolice que vou fazer na vida, mas acho que vou fazer da mesma forma. Talvez de certo ou apenas vou quebrar a cara.
– Vai dar certo para nós duas – eu disse voltando para minha mala e a fechando.
– Pelo menos terei que ficar do seu lado e evitar que você faça alguma besteira, esse negócio do vocalista daquela banda está me mandando mensagens que isso significa perigo.
– Sei que parece meio louco, mas talvez em breve você acredite. Mas tudo foi real demais para se deixar passar.
Quando todos ouviram que eu iria embora de Estocolmo, acharam que era por causa de Lukas, por causa da traição – que se espalhou rapidamente pelos corredores – e por causa do término. Eu dizia claramente que não tinha nada a ver, e não tinha realmente. Não dava mais a mínima para Lukas nem para aquela faculdade idiota com pessoas idiotas, eu queria agora seguir minha própria vida. Os professores tinham me dito que iriam perder uma grande aluna, mas diplomacia não era para mim. Havia algo em algum lugar do mundo que devia ser para mim, mas isto não era.


– Me sinto naqueles filmes de adolescentes rebeldes que fogem para outro país – Mischa disse comendo um saquinho de amendoins enquanto estava sentada no banco do avião – É tão emocionante! Eu liguei para o meu pai dizendo que desistia de tudo e ele ficou furioso, mas fiz isso ontem, acho que ele está vindo para cá.
– Não seria melhor você falar com ele? – eu perguntei olhando pela janelinha do avião.
– Quando ele ver que eu sumi, vai ficar preocupado, talvez isso mude um pouco as coisas. Se ele me encontrasse lá, teríamos a maior briga de todos os tempos e no final teria que ser obrigada a ficar na faculdade.
– Então você planeja vir comigo para minha casa, ficar por lá uns dois meses até eu conseguir ir para a França?
– Você vai mesmo para a França? Se você for, vou com você. Lá é um lugar legal, algumas férias de julho eu costumava ir com minha mãe para lá. É um ótimo lugar para fazer compras.
Tudo bem, eu havia me esquecido de como Mischa era rica. Enquanto para mim, França era um sonho desconhecido, para ela era uma realidade mais que cotidiana. Talvez uma temporada em Luleå seja algo bem estranho para ela. Quero dizer, nós vivíamos em uma espécie de fazenda, só que em vez de em um lugar quente, era um lugar bem frio. Minha casa era grande para poder suportar o frio intenso que sempre atingia o local e nós tínhamos criação de ovelhas, toda a lã era vendida na cidade. Era um lugar legal de se passar as férias, mas não para morar.
– Espero que você goste de Luleå, não é nada comparado ao que você está acostumada, mas também não é tão ruim assim – eu disse meio preocupada.
– Vig, onde você e eu estivermos, qualquer lugar ganha uma graça. Vamos animar as coisas se forem tediosas. Vai ser legal conhecer um lugar assim, com ovelhas e tudo mais – ela disse rindo enquanto continuava a comer os amendoins – Só espero que tenha caras gatos.
– Se você gosta do tipo trabalhador rural, bem têm de monte, principalmente aqueles que trabalham com lenhas.
– Lenhas? Aqueles com músculos enormes, sem camiseta com aqueles machados partindo madeira? Não é nada ruim – ela disse pensativa – Meu pai vai me obrigar a casar com algum cara rico e metido, então tenho que aproveitar a vida antes que isso aconteça. Imagine eu vivendo um romance daqueles em uma cidadezinha fria como Luleå?
– Mischa, isso é vida real, não é como seus filmes românticos – eu disse lembrando que uma das milhares de malas que ela havia trazido, havia os DVDs dos seus filmes melosos favoritos. Ela iria me obrigar a assistir todos novamente com ela. Isso para mim se chamava tortura.
– Mas posso sonhar! Todos os romances que vivi foram tão sem sal e sem açúcar, eu queria algo emocionante. Pelo menos você sonhou algo bem legal, aquilo da França com o vocalista da banda parecia coisa de filme.
– Nem tanto – eu disse tentando me lembrar de alguns fatos, mas tudo parecia tão vago agora, como se o que eu estivesse fazendo fosse uma besteira. Acho que era bom eu começar a escrever o que eu me lembrava do ocorrido, se não, posso acabar esquecendo tudo.
– Quero dizer, você e Lukas eram perfeitos, em todos os quesitos. Podiam virar um belo romance, mas se pensar bem... podia, não foi um belo romance. Acho que você estava certa, não havia aquela mágica, havia?
– Eu não sei. Como assim mágica? Algo como um amor a primeira vista ou sei lá? – eu perguntei sem entender qual era a lógica de Mischa.
– Bem... tem essa, mas não é tão legal se quer saber. Deixa eu me lembrar de algum filme para eu poder te explicar... ah! Aquela coisa que você sente quando vê uma pessoa, mas também sente uma repulsa? Então os mocinhos ficam brigando o tempo todo, por que querem evitar que o sentimento vire uma realidade, sabe? Mas de tanto tentar refrear isso, uma hora acaba explodindo e eles se pegam de jeito. É isso que estou falando, é mágica. Você pensa que nunca vai acabar com aquela pessoa, mas na verdade você gostava dela desde o começo, sem saber.
– Mischa, você é meio louca, não é? – eu disse piscando freneticamente, tentando descobrir de onde ela tirava essas ideias. E de certa forma, eu já tinha visto isso de algum lugar. Acho que foi do mesmo filme que ela tirou.
– Isso que é um romance daqueles! Você não gostaria de viver um desses? – ela disse sonhadoramente – Acho que é bem mais legal do que aqueles amores à primeira vista. Por que entre o casal principal tem mais obstáculos e tudo mais. Preciso assistir mais filmes!
– Vou esconder todos os seus filmes de você, ou melhor, agora quem vai ser torturada vai ser você. Vamos assistir filmes de guerras, terror, policias, suspense e ficção. Esses são os filmes de verdade, com os mocinhos morrendo no final!
– Eu não ouvi isso Hedvig! – Mischa disse tapando os ouvidos – Gosto de finais felizes, não quero mais desgraças do que as que eu já tenho. Preciso dos meus filmes bonitinhos que me fazem chorar de alegria e não de tristeza por causa de morte.
– Mas é divertido! Ver sangue voando para todos os lados, cérebros explodindo e tiros vindo de todas as direções!
– Cala boca, Hedvig! Para! Não quero escutar! – ela disse ainda apertando os ouvidos e deixando os amendoins de lado pelo menos um segundo.
– Bang! Bang! Bang! – eu disse cutucando ela enquanto ela dava altos pulos de susto. Então eu sosseguei e fiquei rindo, enquanto Mischa continuava quieta no canto dela, ainda decidindo qual era a hora certa para destampar os ouvidos.
– Não faça mais isso – ela disse voltando para os amendoins como se nada tivesse acontecido – Não gosto desse tipo de coisa. Minha mãe morreu por causa de um assalto e eu estava no dia, vi como tudo aconteceu e não gosto de relembrar...
Eu não sabia disso. Eu realmente não sabia, afinal Mischa não falava muito de si mesma, mas eu devia presumir afinal ela falava raramente na mãe, só falava do pai que parecia ser um sujeito amargo. Claro, a mãe morreu. Por isso o pai age dessa maneira e pressiona tanto Mischa. Agora estava me sentindo terrivelmente culpada pelo ocorrido, afinal armas nunca foram um problema para mim já que eu costumava caçar com eu pai, mas para ela isso era algo terrível. A única coisa que pude fazer foi abraçá-la e pedir desculpas. Eu pensando que minha vida era terrível, existia pessoas em pior situação. Sim, existia.

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75 Angels Don't Cry em Qua Dez 05, 2012 3:31 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 30 - Sua família é tudo que terás



Lá estava Luleå, do mesmo jeito que eu me lembrava que era. Havia aquele frio, ainda não tão rígido, pois estávamos em Outubro, outono e não inverno. Por isso o local estava com cores amarronzadas e amareladas, com as árvores parecendo esqueletos, contendo apenas algumas poucas folhas. Dava para sentir o cheiro de chuva nas folhas que estavam no chão, entre o barro, amassadas por carros, tratores, carroças e pessoas.
– Não é tão ruim assim – Mischa disse parecendo empolgada – É como viajar para o campo igual um filme que eu assisti, que uma mulher trocou de casa com a outra e foi para uma espécie de chalé. Deve ser mais ou menos parecido.
– Também não é assim, mas não é ruim mesmo. Acho que eu sentia falta daqui, passei meus dezessete anos nesse local. Tem coisas divertidas a se fazer.
Estávamos em uma das rodovias do local, sentadas em um banco, esperando que alguém nos buscasse já que não estávamos a fim de se aventurar nas estradas com lama. Meu pai havia avisado que estaria aqui e eu realmente estava ansiosa por encontrá-lo, mas é claro que também havia o nervosismo. Na verdade eu parecia tão ansiosa por tudo, havia tanta coisa que eu queria que acontecesse, mas ainda levaria um tempo.
Uma caminhonete de repente apareceu, ela era grande e preta, com a pintura um pouco riscada, mas estava praticamente do jeito que eu me lembrava. Era nela que meu pai levava as toneladas de lãs que se retiravam das ovelhas, lembro que sempre o ajudava nesse tipo de trabalho. E lá estava meu pai, com os cabelos loiros meios grisalhos, olhos azuis límpidos e músculos fortes de tanto trabalhar. Vestia com um de seus casacos feitos de sua própria lã.
Não sabia o que fazer, só sentia meu coração batendo fortemente dentro do meu peito por causa da emoção. Então quando ele saiu do carro e deu alguns passos para frente, com os olhos marejados de lágrimas, eu corri até ele e o abracei fortemente. Sim, eu sentia falta dele e de toda minha família, também sentia falta do lugar de onde eu viera.
– Oh, Vig, como sentimos sua falta – ele disse com a voz embargada, me dando um abraço de urso daqueles que quase quebravam minhas costelas – ficamos com tanto medo que você fizesse uma bobagem.
– Eu voltei papai – eu disse nem ligando ao saber que ele sabia que eu era uma louca varrida – Mas não fiz nenhuma bobagem, não vou fazer mais bobagens na minha vida.
Ele me soltou e ficou encarando meus olhos da mesma cor que os dele, e tirou um lenço do bolso para limpar as minhas lágrimas e depois as dele. Depois ele percebeu que Mischa estava por perto, totalmente sem-graça e também foi dar um abraço de urso nela, falando abertamente que se ela era minha amiga, também era de toda a família.
Peguei minha mala e tive que ajudar Mischa com todas suas oito, tivemos que colocar tudo na parte de trás da caminhonete para ter espaço para nós na cabine. Tanto Mischa quanto eu parecíamos eufóricas, como se isso fosse uma grande viagem, mas era de certa forma, afinal havia uma garota voltando para casa e uma fugindo de casa.
– Mamãe fez sua comida favorita! – papai disse sorrindo para mim – E Joe realmente não vê a hora de vê-la! Ele está aprendendo também a caçar, ando ensinando algumas coisas a ele, mas nada que se compare ao que você já fazia com a idade dele.
– Vocês caçam? – Mischa perguntou parecendo interessada – Mas soltam depois, não é?
– Na verdade não – eu disse pensando seriamente se deveria falar a verdade – Nós matamos e depois comemos. Mas é divertido se quer saber... é... caçar.
– Vocês caçam de verdade? – Mischa disse pasmada – Mas que tipo de animais?
– Coelhos, raposas, algumas espécies de pássaros, por aí – eu disse ficando desconfortável, afinal que eu saiba, as pessoas de Estocolmo não caçam de forma nenhuma.
– Meu Deus! Isso é realmente assustador! Matar animaizinhos, como consegue? Quando eles olham com aquela carinha suplicante por vida?
– Mischa, já falei que o inverno aqui é rigoroso, e você tem que abastecer comida em casa já que por causa da neve é difícil se locomover até um supermercado. Caçar é algo para garantir nossa própria sobrevivência, e também é uma espécie de hobby praticado apenas na época certa e quando se precisa.
– Hum... se vocês forem, me levam? Acho que não é tão ruim assim – ela disse pensativa – Quero dizer, uma vez fui a um restaurante lá em Paris que tinha um aquário gigante com lagostas, você escolhia a que queria e depois eles preparavam para você. Deve ser a mesma coisa!
Decididamente não era a mesma coisa, mas é melhor eu não especificar para Mischa. Não quero nem ver ela nos acompanhando em uma caçada, ainda mais ela que odeia esses filmes sangrentos, ela não vai gostar nada. Eu já estou acostumada com esse tipo de coisa, com cinco anos eu já sabia atirar em um coelho mais rápido do que alguém conseguiria com essa idade. Mas um ano longe de toda a minha realidade realmente muda uma pessoa, isso não me parece tão divertido quanto antes.
A caminhonete parou em frente a um portão de madeira, papai saiu da caminhonete e o abriu para podermos passar. Ao longe podia-se ver uma enorme casa de madeira com base feita de pedras, com telhado em V de cabeça para baixo bem vermelho e uma chaminé em cima por onde saía fumaça. O capim que se estendia estava meio ralo e amarronzado e em um canto, havia uma casinha pequena onde um boxer estava deitado com as orelhas abaixadas, mas que se levantaram subitamente quando viu a caminhonete avançando.
– Freya! – eu gritei pela janela do carro e vendo a cachorra correndo até a mim e começando a arranhar a porta, então a abri – Oh, cadê a coisa mais linda do mundo? Como você está menina?
Freya pulava em mim, me enchendo de baba, tão contente em me rever. Também sentia falta dela, da minha companheira de caça, ela que me avisava quando encontrava algum coelho ou algo do tipo. Pelo visto um ano não foi o suficiente para ela se esquecer de mim!
– Hedvig! – gritou alguém aparecendo na varanda e lá estava Joseph, ou como o chamávamos, o pequeno Joe com seus cabelos lisos e extremamente claros iguais aos de meu pai antes de ficarem boa parte grisalhos, seus olhos azuis faiscaram quando me viram e ele correu até a mim com suas botinhas de chuva – Você veio! Pensei que tinha sumido!
O peguei no colo e comecei a girar com ele, enquanto ouvia seus risos histéricos. Seus bracinhos envolveram meu pescoço e ele deitou sua cabeça no meu ombro, parecia uma criança inofensiva se eu não conhecesse sua natureza destruidora. Esse vai puxar a irmã, já estou vendo.
E lá na varanda, havia outra pessoa, minha mãe com cabelos pretos e compridos, caindo em cascatas nas costas, com olhos também claros igual a todos nós. Ela estava com um avental na frente da roupa e segurava um pano de prato como se tentasse limpar as mãos de algo. Seus olhos estavam marejados de lágrimas, mas ela não ousou vir até a mim, talvez com medo de que eu fosse apenas uma miragem.
Coloquei Joe no chão e corri até ela e pulei em seu colo a abraçando com força enquanto a ouvia soluçar freneticamente. Também deixei as lágrimas rolarem pelo meu rosto, como eu sentia falta dela! Mas tudo parecia estar bem agora, eu estava concertando tudo que fiz de errado, começando pela minha família, é neles que realmente preciso confiar.
– Oh, Vig – ela disse me abraçando e me olhando com seus olhos tão límpidos e incisivos – Sentimos tanto sua falta, ficamos tão felizes quando disse que voltaria, estávamos errados quanto a você.
– Na verdade, acho que estavam certos, só tentavam me proteger para que eu não fizesse nenhuma besteira. Talvez devêssemos ter conversando antes, há coisas que não se pode decidir sozinha – eu disse falando a mais pura verdade. Só espero que eles não se assustem quando eu dizer que vou para a França.
– Então vamos conversar, colocar tudo em dia! E você, pode também me dar um abraço – mamãe disse para Mischa que estava parada sem saber o que fazer da vida, percebi que minha amiga ficou feliz ao receber um abraço, ela havia perdido a mãe e eu não me importava de emprestar a minha um pouco.
Talvez essa mudança não sirva só para mim. Acho que há algo mais além. Sim, acho que há.

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