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Angels Don't Cry

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76 Angels Don't Cry em Qua Dez 05, 2012 3:34 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 31 - Não deixe de acreditar



Quando adentramos a casa, senti logo uma baforada quente vindo até nós, por causa da lareira que estava crepitando em um canto. Também havia um cheiro gostoso, de comida, que fazia minha barriga se revirar de fome. Deixamos nossas malas na sala, depois iríamos nos ajeitar em nossos quartos, mas por enquanto precisávamos de algo para nos manter em pé.
Fomos para a sala de jantar, onde havia uma mesa rústica de mogno, com uma toalha de mesa nova, que com certeza minha mãe usava em situações especiais. Acima dela havia todos os pratos que eu estava acostumada a comer, como a Tentação de Jannson – é um gratinado de anchovas (peixes) –, sopa de ervilhas secas, feijões estufados à sueca, batatas no forno, Gravlax – fatias de salmão marinadas –, rolinhos de couve e Köttbullar – uma espécie de almôndega.
Eu adorava aqueles pratos e pareciam séculos que eu não os comia já que em Estocolmo praticamente vivíamos de fast food ou de restaurantes pertos da faculdade, nada comparado aos dotes culinários de minha mãe. Mischa também não devia estar muito acostumada já que ela vivia viajando para diversos lugares, mas nunca provou direito a culinária do seu próprio país.
– Sentem-se e provem a comida antes que esfrie! – minha mãe disse para todos nós que estávamos parados apenas olhando.
Todos estavam à mesa, papai, mamãe, Joe, Mischa, eu e Freya no chão esperando que algum pedaço de comida caísse para que ela pudesse comer algo. Nada me impedia de confiscar alguma coisinha para ela, eu sempre fazia isso. Mas eu quase me esqueci de dar algo a Freya, afinal a comida estava tão deliciosa e eu sentia tanta falta desse gosto familiar. Mesmo Mischa que parecia nunca ter provado aquilo, estava comendo com grande apetite. Papai não parava de contar as novidades, ele era o que mais falava, contando tudo que aconteceu com o pessoal da família.
– Aquele seu primo, Alexander, casou, com uma linda mulher – meu pai dizia feliz da vida. Era surpresa isso para mim, por que eu me lembro que havia tido um pequeno caso com ele, coisa de garota, mas mesmo assim isso foi meio um choque para mim – Eles estão vivendo lá no centro da cidade agora, foi um lindo casamento, pena que você perdeu!
– Que incrível! – eu disse com uma voz chocha, nada impressionada – Talvez eu vá dar parabéns atrasado para ele.
– É, mas não faz muito tempo, faz um mês e meio. A moça já está grávida, suspeito que ela tenha engravidado antes do casamento, acho que foi por isso que tudo aconteceu meio as pressas.
Então eu ri, era difícil imaginar Alexander casado, ele era sempre um conquistador barato, tentando seduzir as garotas da cidade. Eu sou quatro anos mais nova que ele e vivia tentando atrapalhar os planos dele, era minha maior diversão vê-lo gritando comigo! Quando completei quatorze anos, eu tive um pequeno caso com Alexander, não durou nem uma semana por que ele teve que ir para Ahus, estudar Medicina. Como pode ver meus relacionamentos amorosos sempre duravam pouco tempo.
– E você, Vig? Namorando? – minha mãe perguntou me olhando com aquele rosto inquisidor, não brava, apenas divertida.
– Bem... eu estava, mas não deu certo – eu disse sendo franca – Ele era meio idiota, filhinho de papai e não era para mim, com certeza.
– Ah, ele não era tão ruim assim – Mischa disse me interrompendo – Na verdade eu pensei que os dois iriam se casar por que todos falavam que eles combinavam. É que ultimamente Hedvig começou a ter mais juízo e decidiu descartá-lo.
– Como assim? – minha mãe perguntou sem entender nada.
– Eu só queria dar um jeito na minha vida – eu disse tentando ser o mais clara possível – Queria voltar as minhas raízes e tentar me encontrar. Descobrir o que é certo para mim.
– E o que descobriu? – meu pai perguntou enquanto comia um rolinho de couve.
– Que o melhor é começar pela minha família, não queria que ficássemos separados. Voltei para me desculpar com vocês por ter fugido, queria apenas que vocês me apoiassem em meus sonhos.
– E qual é seu sonho atual se abandonou a diplomacia?
– Diplomacia não era um sonho, era apenas um modo de me afastar do meu verdadeiro sonho, vocês sabem...
– Os quadros – minha mãe disse com o rosto iluminado, então ela olhou para o quadro na parede, onde estava nossa casa pintada perfeitamente com cores vivazes. Era o quadro que eu havia dado para minha mãe no aniversário dela de dois anos atrás.
– É... – eu disse suspirando – Lembro o que a tia Kendra disse naquele natal quando eu gritei para todos ouvir que seria uma grande pintora. Ela apenas riu e disse que isso não dava dinheiro nenhum, que eu seria uma falida vivendo apenas de sonhos.
– Ela estava bêbada – papai disse tentando me animar – E ela não pode falar nada, ela é solteirona e ninguém realmente a aguenta, afinal só sabe falar mal das pessoas. Devia ter continuado a pintar, você sabia fazer isso tão bem!
– Eu sei, mas ela tinha razão, ninguém vive de quadros, o máximo que vou conseguir com isso é vendê-los para os moradores daqui. Queria algo mais, queria ser realmente reconhecida, ter galerias com minhas artes e pintar para pessoas famosas. Não quero ser uma falida vivendo apenas de sonhos.
– Você quer ir para a França tentar a sorte lá – minha mãe disse simplesmente – É o que você sempre dizia antes, sempre gostou de lá, é só entrar no seu quarto que já descobre seu verdadeiro sonho.
– Isso é um sonho distante – eu disse sabendo que as chances de eu conseguir ir para a França eram as mesmas de voltar para Estocolmo – Não vou conseguir, mas gostaria de pelo menos tentar.
Mamãe se levantou da cadeira e sumiu pela porta da sala, não sabia o que tinha acontecido. Só sei que depois de um tempo ela voltou, segurando um envelope grande e estendendo ele para mim.
– O que é isso? – eu perguntei atônita.
– O dinheiro para ir para a França, seu pai e eu pesquisamos antes quanto era. Agora você poderá realizar seu sonho.
– Não posso aceitar! Depois de tudo que eu fiz!
– Hedvig você foi atrás de seus sonhos e é o que muitas pessoas devem fazer. E isso não é nada, a lã está saindo tão bem ultimamente que estamos a exportando para outros países. Quando você falou dos quadros no telefone, eu sabia que não podia deixar assim, eu não queria vê-la enfunada aqui, apenas querendo saber como seria sua vida se não tivesse abandonado a diplomacia. Aqui é seu lugar, Hedvig, mas não se pode viver no mesmo lugar para sempre, às vezes temos que partir.
– Vocês vão me deixar ir para a França? – eu perguntei sem conter minha voz embargada.
– Vamos – disse meu pai também se levantando e ficando ao lado da minha mãe – Não podemos deixar todo o seu dom para nós, você tem que mostrar a eles do que você é capaz. Quero que quando você volte aqui, já seja uma garota de sucesso, que consiga conquistar tudo o que quer.
Eu me levantei e abracei os dois, não acreditando no que estava acontecendo. Tudo estava acontecendo sem que eu movesse um dedo, talvez quando algo realmente tem que acontecer, nem precisamos nos esforçar tanto. Percebi que Joe também se levantou e veio nos abraçar, logo depois Mischa também fez o mesmo.
– E eu vou com você Hedvig – ela disse animada – Vou cuidar dela para vocês, não vou deixá-la se meter em nenhuma encrenca. Apesar de que agora, eu acho que ela tem mais juízo que eu. Não sei vocês, mas acho que aqui está uma nova Hedvig.
Sim, acho que eu havia nascido novamente. Dessa vez para vencer.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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77 Angels Don't Cry em Qua Dez 05, 2012 3:36 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 32 - Perdoar é um dom



Os dias foram se passando rapidamente, logo o tempo foi ficando mais frio e tudo parecia ser férias, mesmo estando ainda em Novembro. Mischa dormia no quarto de hóspedes, perto do meu e no mesmo dia ela havia decorado ele bem do jeito dela. Na prateleira ela havia colocado todos os seus DVDs e já instalara seu mini DVD na televisão para poder assistir todos eles. Sem contar os pôsteres de todos os galãs principais dos filmes que estampavam na parede.
O meu quarto estava do jeito que eu deixara, logo na porta havia um pôster do Crashdïet. Dentro dele havia um papel de parede de flocos de neve azuis, e várias fotos e cartazes de Paris mostrando seus pontos turísticos principais. Em uma das prateleiras podia-se ver a Torre Eiffel, Notre Dame, Museu do Louvre, entre outros tudo em miniatura. Também havia minhas fotografias de quando eu era pequena, vários quadros que eu pintara e meus antigos patins de gelo.
Eu realmente estava me divertindo, até aceitei um dia assistir filmes com Mischa, minha mãe também se aventurou nessa e só vi as duas chorando rios enquanto eu ria. Também tive que ajudar papai com as ovelhas, colocando elas para pastar e depois colocando elas novamente no celeiro, além de ter que vestir aquelas sem lã com um casaquinho para não morrerem de frio. Já com Joe, Mischa e eu nos aventuramos em ajudá-lo a juntar folhas e depois pular nelas.
Também fui visitar Alexander, a esposa dele não passava de uma moça um pouco mais velha que eu, meio bobinha com seu cabelo feito em uma trança comprida e loira. Foi meio constrangedor se quer saber, afinal lá estava ela com a barriga já proeminente enquanto percebia que meu primo me soltava alguns comentários como: “Nossa Hedvig como você cresceu! Como está linda!”. É claro que dei um chega para lá daqueles quando ninguém estava prestando atenção e ele parou então de me encher.
Depois disso, conforme o tempo foi esfriando, percebi que já estava na época de caçar, então fui ajudar papai com isso. Mischa também foi comigo, louca para ver como era e também para cuidar de Joe. Peguei minha espingarda que eu chamava de Thor e fui dar uma olhada para ver se ela não tinha enferrujado, mas estava em ótimas condições. Nós nos aventuramos na floresta que ficava perto de nossa residência, Freya ia à frente farejando tudo para ver se encontrava algo.
– Nós parecemos a Chapeuzinho Vermelho – Mischa disse andando de mãos dadas com Joe, saltitante como se realmente tentasse entrar na pele da personagem.
– É, só falta o lobo – eu disse calmamente, ouvindo Freya.
Então ela latiu, olhando fixamente para um lugar onde eu podia ver uma pelagem avermelhada que se confundia com a coloração de algumas folhas quase da mesma cor. Era uma raposa! Respirei fundo, cada segundo era precioso, olhei para a raposa e então atirei. A bala passou pela árvore e pelas folhagens e atingiu em cheio nela, a fazendo soltar um ganido.
– Você atirou nela! – Mischa gritou colocando a mão na boca de susto – Oh, Meu Deus! Como pode fazer isso?
– Mischa, você pensou que eu iria convidá-la para ser o prato principal essa noite? – eu disse sarcasticamente – Não, claro. Temos que matá-la antes, limpá-la, ou acha que tudo que você come, surgiu do nada bonitinho.
– Não, mas... mas... – ela disse engolindo seco – Como você consegue? Sabendo que ela está viva e que vai tirar algo dela? Como consegue matar a sangue frio?
– Eu não sei – eu disse indo até onde Freya estava e dando uma analisada na raposa morta e ensanguentada – Acho que faço muitas coisas a sangue frio...
Como explodir seu namorado, a amante e você mesma. Eu senti meu estômago se revirar um pouco quando vi a raposa morta, por um momento realmente desejei que ela me perdoasse pelo ocorrido. Toquei na pelagem dela tristemente, me sentindo horrível por ter retirado a vida dela, então ela começou a se mexer, ela ainda estava viva! Percebi que o ferimento que eu causara não era tão grave, a bala havia passado de raspão, pelo visto perdi a prática.
Ela me olhava tristemente, com olhos suplicantes, como se implorasse que eu não a matasse. Deixei a espingarda de lado e peguei na minha mochila um kit de primeiros socorros que sempre trazíamos desde a vez que meu pai sem querer atingiu uma bala no próprio braço. Cuidadosamente comecei a limpar o ferimento dela, tentando estancar o sangue.
– O que você está fazendo? – meu pai perguntou vindo até a mim.
– Ela não morreu, estou tentando salvá-la – eu disse esperando que ele entendesse – Não consigo matá-la, não posso. Sinto que é algo errado, apesar de eu passar praticamente minha vida inteira fazendo isso.
– Você quer que eu faço? – ele perguntou, segurando a espingarda.
– Não, eu realmente quero deixá-la viver. Acho que morrer é uma realidade que eu quero que fique longe por um tempo – eu disse pensativa enquanto terminava o curativo e a deixava ir embora – Acho que caçar não é mais para mim, sinto muito.
– Tudo bem, isso não é coisa para moças, talvez eu acabe ensinando certas coisas que não se deviam para você. Acho que é por isso que você intimida qualquer homem – meu pai disse me ajudando a levantar – Então vamos voltar para casa, outro dia eu volto a caçar com Joe, ele que precisa realmente aprender.
– Vou ficar feliz em passar Thor para ele, é uma boa espingarda – eu disse sorrindo enquanto o seguia, de volta para casa.


– Papai! O que está fazendo aqui? – Mischa exclamou quando chegamos em casa e encontramos um homem sentado em uma das poltronas, vestindo-se elegantemente com ternos Armani.
– Seu pai veio aqui para ver como está, Mischa – minha mãe disse educadamente enquanto servia chá para ele.
– Mas não era para ele vir – ela disse zangada – Eu fugi, não era para ele me descobrir tão rápido!
– Se quer saber, eu achei você através dos seus cartões de créditos – ele disse com uma voz ríspida e calma – Mischa, usá-lo para comprar uma passagem para Luleå, ainda mais quando soube na faculdade que a última vez que tinham a visto foi na companhia de Hedvig Nondenberg, foi a coisa mais fácil para achá-la. Bastou eu perguntar para o primeiro que apareceu onde era a casa dos Nondenberg, que eu te achei.
– Então o que quer? Levar-me de volta para casa? – ela disse cruzando os braços, nunca a vi desse jeito, Mischa estava realmente brava – Pois saiba que não vou voltar, não vou estudar mais naquela faculdade, não vou voltar para nossa casa para viver com aqueles malditos empregados. Quero ficar aqui. E quer saber de outra coisa? Não vou ser uma executiva, por que não quero ser igual a você.
O silêncio tomou o local, todos estavam tensos com a briga, principalmente quem não era da família Sjodin, nos sentíamos no meio de uma batalha entre tigres prontos para se devorarem. Lá estava o sangue de Mischa mostrando que na verdade ela podia ser tão cruel quanto seu pai era.
– E o que planeja fazer da vida? – ele perguntou sem abaixar a cabeça um minuto se quer – Acha que seu cartão de crédito vai ficar cheio para sempre?
– Vou ser atriz – ela disse o cortando – O que eu sempre quis ser. E era no que minha mãe apoiava, foi ela que me colocou nas aulas de teatro, foi ela que estava na minha primeira apresentação, foi com ela que assisti a meu primeiro filme no cinema. E você? Onde estava? Estava ocupado demais, igual no dia que ela morreu. Você não estava no dia, você não estava lá para evitar, só chegou horas depois, quando ela já tinha partido para sempre.
– Mischa, você não entende. Tudo que tem agora e que teve foi graças aos meus anos de luta, queria que você tivesse tudo. Arrependo-me de não estar aquele dia com vocês, arrependo profundamente por ter perdido sua mãe.
– Claro que se arrepende, logo depois achou outra mulher, me mandou para aquela maldita faculdade sem ao menos se importar com que eu realmente queria. E nas férias simplesmente me mandava para outro país sem que eu visse o seu rosto. Agora que o estou vendo você de verdade, por que às vezes eu me perguntava como era o rosto do meu pai. E olha ao redor, olhe Hedvig, olhe a família dela! Toda unida, com uma mãe viva e com um pai que prefere perder todo o dinheiro a ficar um dia sem ver a filha.
De repente vi que a defesa de ferro dele havia se rompido, lágrimas escorriam pelo seu rosto, ela o havia ferido com as palavras que ela sempre ansiou dizer. Mas a postura imponente de Mischa também pareceu sumir quando ela viu aquela cena, ela não queria o pai daquela maneira, ela queria apenas o que uma filha sempre quis. Então ele se levantou e foi até ela, a abraçando como nunca a abraçou, apenas queria que um gesto ajeitasse as coisas. Talvez o amor seja isso, não precisa de palavras para exprimir o que se sente, um olhar, um abraço, já basta.

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78 Angels Don't Cry em Dom Dez 09, 2012 11:54 am

Sam McHoffen

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Capítulo 33 - Não corra e olhe por onde anda



Naquela noite, o Senhor Sjodin jantou em casa. Mischa parecia estar iluminada de felicidade, acho que fazia séculos que ela não fazia isso com o pai dela e ele até que falou bastante para um homem que parecia turrão. Meu pai até trouxe um pouco de vodka para tomarmos, claro que para mim ele deu um copo bem pequeninho, mas se ele soubesse já quanto eu tomei disso!
Depois o deixamos conversar com Mischa, para eles colocarem em ordem tudo que deviam. Eu fui para o meu quarto e olhei para o calendário onde eu marcava quantos dias faltavam até chegar dia 14 de dezembro. Já tinha falado para os meus pais que iria para Paris dia 13 para tentar arrumar emprego e alguma vaga na Academia de Belas Artes. Tentei me manter informada sobre o paradeiro do Bill, tentando descobrir por onde ele andava e se ia mesmo para lá.
Eu também andava ouvindo as músicas dele, quando ouvia sua voz era como se eu estivesse realmente perto dele. O que me incomodava era que eu realmente não saberia o que fazer quando o encontrasse, não sabia como proceder, será que ele iria sentir que eu era a garota que ele esperava? Bobagem! Tantas garotas por aí e ele vai se importar justo comigo? Além de que as chances de eu conseguir conversar com ele são mínimas. Talvez valha a pena sonhar.

– Meu pai vai pagar tudo – Mischa disse para mim quando estávamos no avião, indo para a França – Ele falou que isso é o mínimo que pode fazer pelo que fez por mim, me acolheu e mostrou o verdadeiro significado de uma família.
– Não é grande coisa, não precisava, eu tenho dinheiro – eu disse realmente agradecida, mas incomodada ao mesmo tempo.
– Guarde o dinheiro para gastar enquanto estiver lá! Isso é o mais espero a fazer, afinal têm tantas lojas, vou te levar a várias – ela disse realmente animada, abrindo outro saquinho de amendoim – Esses amendoins que servem nos aviões são tão bons!
– Estamos na primeira classe, você devia ter escolhido champanhe isso sim!
– E chegar bêbada na França? De jeito nenhum, lá não se pode perder a classe de forma nenhuma – ela disse rindo.
Eu nem conseguia dormir, estava eufórica, principalmente depois de ler em um site que Tokio Hotel iria lançar um novo clip justamente no dia 14, o que significava que eles – talvez – estariam na França, naquela festa. Parecia uma coisa tão distante agora, eu me lembrava de ter dançado com Tom, de ter participado de uma guerra de comida e de depois ter beijado Bill pela primeira vez.
– E o cara com quem você sonhou? Do Tokio Hotel? – Mischa perguntou, praticamente lendo minha mente.
– Ele está vindo para cá também, deve estar em algum avião chegando da Alemanha. Queria poder encontrá-lo – eu disse suspirando – Mas acho que será uma coisa meio difícil.
– Se eu fosse você, não me preocuparia. Se já aconteceu antes, certamente vai acontecer novamente. Você conseguiu vir para Paris e já é meio caminho andado, deixe que o destino mostre para você qual será o próximo passo.
– Pensei que não acreditasse no que eu te contei sobre tudo.
– Eu não acredito, mas em destino, isso sim eu acredito – ela disse sorrindo e talvez se lembrando de um dos seus filmes.
O avião avisou que iria pousar, e na janelinha, ao longe já se podia ver a Torre Eiffel sendo iluminada pelo céu da manhã. Meu coração parecia que a qualquer momento iria rasgar meu peito e sair correndo. Nem acreditava que estava em Paris, viva e pronta para tentar fazer o melhor por mim, além de que, Bill está por aí, em algum lugar.
Descemos do avião e estava tremendo quando finalmente meus pés tocaram o chão parisiense. Mischa também estava toda animada, tagarelando e colocando seus óculos de sol para evitar todo aquele sol. Fomos até o aeroporto esperar por minha mala e as oito de Mischa, pelo visto, iríamos ficar um bom tempo ali, ainda mais quando havia várias pessoas.
– Respire, Hedvig, se não a qualquer momento você vai desmaiar – Mischa disse vendo que eu estava muito nervosa.
– Eu estou bem – eu disse respirando fundo – Eu...
Então eu o vi, meus músculos ficaram hirtos de repente sem acreditar no que meus olhos viam. Bill estava do lado de Nathalie conversando, igual ao dia que eu estive lá, só que dessa vez não havia uma Hedvig fantasma ao seu lado. Não fazia ideia do que fazer, eu queria correr até ele e pular nos seus braços, mas meus pés não saíam do chão.
– Mischa – eu disse com uma voz tremida – Lá está ele. Ele está aqui!
– O que? – ela exclamou tirando os óculos de sol e tentando localizá-lo – Aonde? Qual deles?
– O de cabelo preto, conversando com a loira. Eu não consigo acreditar! Eu nem sei o que fazer! – eu disse ficando cada vez mais nervosa.
– Calma! Nem eu acredito no que está acontecendo, mas... Você precisa falar com ele, não o agarre nem nada, por que só você sonhou o ocorrido, ele nem faz ideia de quem seja você.
– Não posso falar com ele – eu disse a cortando – Ele vai pensar que sou uma fã dele ou que estou interessada no dinheiro dele. Não tenho a mínima chance.
– Hedvig, tudo que você sonhou, até agora aconteceu. Vai lá e tenta algo, você simplesmente não pode ficar parada sem fazer nada! – Mischa disse me empurrando para onde eles estavam – Eu cuido das malas, mas faça algo!
Tudo bem, eu sou Hedvig, não tenho medo de nada, então por que estou com medo de enfrentá-lo? Eu conheci o Bill, sei mais ou menos como ele é, tenho todas as cartas na manga, não posso simplesmente desistir. Mas como eu estou? Será que é decente? Estou basicamente com uma bata vermelha e xadrez, calças de couro pretas, colete de couro e botas quase até o joelho. Bem... está bem Hedvig!
Agora eu tenho que planejar o que vou fazer, se vou falar com ele ou deixar as coisas como estão e ver o que acontece. Hey, talvez eu deva passar na frente dele! Talvez se ele me ver, quem sabe ele não sente algo por mim? Então decidi caminhar até onde ele estava, casualmente, como se fosse uma turista querendo dar uma olhada em tudo.
Então eu não vi um banco por causa da multidão acumulada em um lugar e caí com tudo no chão, fazendo praticamente todas as pessoas do aeroporto olharem para mim. Eu realmente não sabia onde enfiar minha cara – quero dizer, ela já estava enfiada no chão –, acho que tenho tendência a cair sempre que tento me apresentar a alguém.
– Você está bem? – eu ouvi uma voz conhecida, não, não era Bill para minha decepção. Na verdade se tratava de Nathalie que estendeu a mão para mim para me ajudar a levantar.
– Ah, não foi nada – eu disse me levantando com a ajuda dela – Foi apenas falta de atenção... eu não vi o banco...
Quando olhei atrás dela, tentando localizar Bill, ele não estava mais lá. Olhei ao redor o procurando, então o vi pegando sua mala na esteira, perto de onde eu estava antes. Do seu lado estava Mischa fazendo sinal para mim e apontando para ele, só espero que ele não perceba o escarcéu que ela estava fazendo!
– Obrigada, mas agora eu tenho que ir! – eu disse apertando a mão dela e saindo dali o mais rápido possível. Mas enquanto eu corria para lá, notei que Mischa estava fazendo algo diferente, fazia um sinal negativo.
Pena que descobri tarde demais. O piso estava molhado e levei um escorregão pior que o outro e acabei parando na esteira junto com Mischa. Quando levantei um pouco a cabeça, com todo meu cabelo caindo no meu rosto vi que ao meu lado havia um Bill extremamente assustado. Então apenas deixei o cabelo cobrir todo meu rosto que estava rubro e o deixei ir.

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79 Angels Don't Cry em Dom Dez 09, 2012 11:55 am

Sam McHoffen

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Capítulo 34 - Aumente sua auto-estima



– Você fez tudo errado! – Mischa exclamou quando finalmente conseguimos um táxi – Ele estava do seu lado! Devia ter andado calmamente, dado uma olhada no chão antes de se aventurar a fazer algo como aquilo.
– Eu estava nervosa, não sabia o que fazer! – eu retruquei de volta – E também não vi o chão molhado nem aquele banco!
– Você é Hedvig, não fica nervosa com coisas bobas como essa! Você não tem medo de relacionamentos nem de caras, sempre está mostrando quem manda. O que houve de errado dessa vez?
– Não sei, eu simplesmente tenho medo que ele não goste de mim, de que não dê certo, de que vir para cá seja um erro.
– Primeiro, se ele não gostar de você, o mande para o espaço como você faz com todas as pessoas que não vão com sua cara. Segundo, se não der certo, estamos em Paris, há diversos caras franceses prontos para um romance. Terceiro, você veio aqui para ir atrás do seu sonho, não é um erro.
– Está certa! – eu disse sentindo minha coragem voltar – Vou conseguir, afinal sou Hedvig Nondenberg!
– Sim, e você sabe usar uma espingarda! Se não der certo, já sabe o que fazer com ela! Bang! Bang! Bang! – ela disse me cutucando e me fazendo pular dessa vez.
Quando o pai de Mischa disse que ia pagar tudo, eu realmente deveria ter esperado algo grandioso. Lá estava o hotel onde íamos ficar, em plena Champs Elysées, mas ele nem de longe era meio rústico como o de Bill, parecia ser mais moderno, mas com aquele toque aristocrata. O nosso quarto era bem mais aberto, todo em cor branca e vivaz, com uma varanda enorme e cortinas brancas com renda nas janelas. Havia duas camas no local, duas camas grandes e cheias de almofadas.
– Muito bom! – exclamou Mischa dando uma olhada no quarto – É bem iluminado, nada muito rústico e entristecido. O que acha?
– Eu gostei – eu disse sentando na cama e percebendo como ela era mole, me senti em um pula-pula – Dá para ver o arco do triunfo da varanda.
– Sim! E também ficamos com um acesso mais fácil as lojas de roupas, precisamos renovar todo nosso guarda-roupa. Principalmente se você vai querer ficar bonita para o seu vocalista.
– Bem... eu sei em que hotel ele está – eu disse pensativa – Mas acho que não devo ainda ir vê-lo. Acho que devo esperar o momento certo.
– Como assim? – Mischa exclamou pasmada.
– Vamos supor, se eu viesse para a França apenas com o interesse de estudar e não soubesse de nada sobre o meu futuro, no aeroporto eu não o teria procurado. Já que eu supostamente não o conhecia, então seria apenas algo passageiro, sem nenhum grande valor. Tão próximos e tão distantes. Mas se tivéssemos que nos conhecer, algo aconteceria, no momento certo.
– Então vai entregar sua sorte ao destino? – ela perguntou pensativa.
– Eu vou, é o que acho certo a fazer.
– Isso me lembra de um filme, que uma mulher encontra um cara várias vezes, mas não ficam juntos por que já tem outros compromissos. Então eles decidem brincar com o destino, ela escreve no livro favorito dela o número de telefone dela e vende, dizendo que se fosse para ele encontrá-la, o livro viria até ele.
– É um filme, Mischa. Duvido que se eu fizesse uma coisa dessas, iria acontecer – eu disse suspirando.
– Tudo bem, não vamos ficar tristes, afinal estamos em Paris e precisamos fazer compras. Então vamos fazer isso agora! – ela disse me puxando para eu me levantar – Isso sempre me anima quando estou triste, então vai animá-la também.
Concordei levemente, e acompanhada de Mischa, nós descemos até o hall do hotel para irmos até a Champs Elysées que estava lotada de pessoas, afinal o Natal estava se aproximando – novamente – e as pessoas precisavam fazer compras. Mischa apenas me guiou pelo local, apontando para todas as lojas e fazendo comentários bons ou ruins. Paramos em frente a uma loja enorme com vários manequins na frente, parecia ser um lugar bem chique, acho que até demais para mim.
– Olá Georgette! – Mischa disse cumprimentando a atendente – Que bom vê-la novamente!
– Mischa, quanto tempo! – ela disse a abraçando – Você vai adorar as roupas que chegaram, vou te mostrar todas as novidades! E quem é essa?
– Ah, essa é Hedvig, minha melhor amiga, ela veio comigo – Mischa disse me apresentando a mulher.
– Prazer em conhecê-la – Georgette disse apertando minha mão – Você também vai adorar as roupas!
Claro que eu iria adorar, só quero ver se eu iria conseguir pagar. Mas Mischa havia me dito que Georgette fazia descontos especiais para ela, já que ela sempre comprava nessa loja. E como ela era a dona da loja, ela podia fazer esse tipo de coisa para clientes especiais. Isso não me deixou aliviada, afinal minha melhor amiga é podre de rica e eu não posso dizer a mesma coisa de mim mesma.
Mas acho que Georgette não sabia sobre minha infra-estrutura, por que começou a jogar várias roupas para mim, dizendo que aquela ficava boa, aquela outra não, que aquela combinava comigo e por aí vai. A maioria eu achava que não fazia muito a minha cara, apesar das roupas serem realmente bonitas.
– Alô? – disse Mischa no telefone que tocava, tentando segurá-lo com uma mão, enquanto com a outra segurava várias roupas – Ah! Que incrível! Sim... claro... pode contar comigo. Sim... sim... OK! Até mais e obrigada!
– Quem era? – eu perguntei.
– Ah, era uma amiga de minha mãe, ela ouviu falar que eu estava por aqui e quis me convidar para uma festa amanhã à noite – Mischa disse sorrindo só de ouvir a palavra festa – Ela está chamando algumas pessoas importantes, então vai ser meio que uma festa VIP! Você está convidada, claramente, vai comigo.
– Uma festa? – eu perguntei piscando os olhos várias vezes – E qual o porquê da festa?
– Não sei bem, é algo relacionado a uma comemoração para uma coisa nova que vai sair amanhã – ela disse dando de ombros – Mas isso não importa, o que importa é que estaremos lá. Por isso, Georgette, nos apresente roupas de festas!
Claro que a mulher nos apresentou diversos vestidos e nos mandou para os provadores para que pudéssemos prová-los e quem sabe deixar um sorriso feliz na cara dela ao falarmos que compraríamos. Ela também nos mostrou algumas jóias que combinariam com as roupas, eram colares, anéis e braceletes.
Apesar de o movimento estar grande na loja, ela tentava dedicar o máximo de atenção a nós. Eu vestia as roupas e me olhava no espelho, algumas eram chiques demais para mim, nada do que eu usualmente eu vestiria. Tentei focar mais em roupa de festa, afinal era nisso que eu iria precisar. Foi quando eu estava tirando um vestido prateado que eu deixei cair um dos braceletes no chão, ele rolou pelo chão até sair provador.
Coloquei a minha mão por baixo da porta do provador tentando localizar o bracelete, afinal eu não podia sair, estava praticamente nua. Então uma mão o estendeu por baixo do provador, uma mão que eu conhecia, afinal já a tinha analisado antes quando estávamos no banheiro do aeroporto.
– Aqui está – ele disse do outro lado da porta – Você deixou cair, não é?

– Eu... – eu não conseguia dizer nada, estava petrificada, sem acreditar no que estava acontecendo – Obrigada!
Eu peguei o bracelete lentamente, sentindo os dedos dele nos meus. Ficamos por alguns segundos daquele jeito, como se ele também pudesse sentir que quem estava desse lado era eu. Mas uma hora ele teria que ir, então sua mão desapareceu e eu fiquei ali parada, olhando para o bracelete prateado.
Quando acordei, comecei a colocar minha antiga roupa rapidamente, precisava vê-lo, talvez falar com ele, ou apenas queria que ele me visse. Então quando me aprontei, abri a porta do provador e comecei a procurá-lo naquela confusão de pessoas que estavam ali. Mas ele não estava em nenhum lugar, em nenhum dos provadores e em nenhuma parte da loja. Corri para a Champs Elysées olhando para todos os lados, tentando localizá-lo, mas não havia sinal nenhum.
– O que foi? – Mischa exclamou me seguindo – O que está fazendo?
– Ele esteve aqui – eu disse com uma voz triste – E eu não pude fazer nada.

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80 Angels Don't Cry em Dom Dez 09, 2012 11:57 am

Sam McHoffen

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Capítulo 35 - A vida sabe o que faz



– Anime-se! – Mischa disse enquanto passava um pouco de blush no rosto – Vocês dois já se encontraram duas vezes ao acaso! Uma hora simplesmente vai dar certo.
– Talvez – eu disse colocando uma meia calça – Eu não sei.
Estávamos nos arrumando para a festa, enquanto Mischa havia comprado um vestido vinho, com alças e balonê que combinava perfeitamente com o tom de pele dela. Eu havia escolhido um vestido com estampa Pied-de-poule cruzado acima do balonê preto, com um laço de cetim preto o segurando. Sapatos de salto alto pretos combinavam perfeitamente, acompanhado de luvas pretas.
– Vamos arrasar nessa festa! – Mischa disse terminando de se maquiar – Claro que ela não será igual ao que estamos acostumadas, sem regras ou coisas do tipo. Nessa teremos que agir como garotas comportadas, álcool apenas na quantidade certa e postura de mulheres de poder.
– Olha quem fala, a garota que solta a franga nas festas – eu disse rindo dela.
– Shiiiiiu! Isso é segredo! – ela disse jogando uma almofada em mim.
Claro que nos atrasamos, Mischa precisava terminar seu penteado que consistia em alisá-lo o máximo possível e eu apenas o enrolei, decidi que fazer algo complicado estava fora de cogitação. Não queríamos chegar de táxi na festa, por isso Mischa alugou um carro e é claro, ela que teve que dirigir, afinal ela é louca por carros!
– Espera até eu conseguir um Lamborghini – ela disse entusiasmada – então vou ser a pessoa mais feliz do mundo! Claro que também quando eu conseguir estrelar meu primeiro filme.
– E quando eu conseguir passar na Academia de Belas Artes – eu disse me lembrando do meu sonho – Você acha que consigo? Pensando bem, não é tão fácil assim.
– Você deveria voltar a pintar, vai que perdeu seu dom! Precisa resgatá-lo quanto antes, precisa de algo para mostrar a eles, algo incrível.
Era verdade, eu precisava me dedicar mais, voltar a me sentir inspirada como antes. Não podia desistir facilmente, achando que não tinha chance, por que sou Hedvig Nondenberg e não desisto. Nunca.
Comecei a olhar para a janela, olhando todas as luzes de Paris, enfeitadas para o Natal. Havia vários lugares que não me eram estranhos, estava reconhecendo vários que eu não tinha visitado, mas tinha visto de forma efêmera. Foi quando percebi que esse era o caminho para a festa que estavam fazendo para os Tokio Hotel, a que eu tinha ido e tinha feito uma guerra de comida.
– Mischa – eu disse pasmada – Eu já fui aqui antes, no sonho. Eu fui nessa festa com o Bill.
– O que? – ela exclamou quase perdendo a direção do carro – Está brincando? Quer dizer que você vai vê-lo! Você conseguiu!
– Eu não estou preparada! – eu disse sentindo o nervosismo tomar conta de mim – Nem sabia que ele estaria aqui.
– Mas ele está e você já lidou com ele uma vez, não é? Pode conseguir de novo.
Tudo bem, suspirei fundo e me acalmei. Afinal ele não era o macumba de galinha? A Bordel Reformatório sabe como lidar com ele. Estacionamos o carro perto de onde estava acontecendo a festa, antes de sair dei uma checada no espelho, vendo se tudo estava OK. Para entramos, precisávamos dar nossos nomes, claro que quando Mischa falou que era uma Sjodin e que eu era sua acompanhante, o segurança musculoso não questionou nada, mas eu sentia que já o tinha visto de algum lugar, ele era negro, forte e alto e me deu uma piscadela quando passei pelo portal. Estranho.
A festa estava como eu me lembrava, o jardim redecorado, com várias mesinhas brancas, as flores enfeitando vários cantos, os garçons bem arrumados servindo várias bebidas e pessoas refinadas por todos os cantos. Novamente me sentia meio deslocada, afinal, quando eu era um espírito, pelo menos meu Dior disfarçava um pouco minha situação atual. Mas mesmo meu vestido não sendo Dior agora, ele também não foi nada barato se quer saber.
– Senhorita Sjodin! – exclamou um cara em francês, ele era alto e tinha os cabelos grisalhos e tinha a certa impressão de que ele era o anfitrião e também pai da loira que eu jogara chocolate derretido – Que bom vê-la aqui! Como está seu pai?
– Ele está ótimo, cuidando dos negócios como sempre, mas acho que em breve vamos passar as férias juntos nas Filipinas – ela disse falando com uma voz firme, mostrando sua postura de pessoa poderosa.
– Que bom! E quem é sua acompanhante? – ele perguntou se dirigindo a mim.
– Prazer, sou Hedvig Nondenberg – eu disse o cumprimentando com meu francês perfeito. Preciso agradecer algum dia desses ao meu lindo professor!
– Os Nondenberg donos de uma fábrica de chocolate suíço? – ele perguntou, talvez pensando que eu era milionária.
– Não, não – eu disse sem saber ao certo o que dizer – Eles trabalham com exportação de lã.
Acho que o cara ficou um tempão tentando se lembrar de alguns Nondenberg famosos que exportassem lã, mas é claro que ele não iria saber. Isso que é o ruim de ir a festas de ricos, eles sempre acham que todos que estão lá são realmente ricos. Mas eu não ia afirmar e nem negar.
– Acho que sei quem são – ele disse tentando ser educado, mas soando falsamente, afinal ele não sabia mesmo – Entrem e aproveitem a festa!
– Isso foi engraçado! – Mischa disse rindo – Você o pegou direitinho!
– Não é nada engraçado não ser rico – eu disse rindo também.
Então logo eu o encontrei, lá estava ele segurando uma taça de champanhe conversando com um grupo de pessoas junto com seus amigos. Meu coração parou de repente e depois voltou com força total. Era agora, havia conseguido a minha chance e aqui estava eu, razoavelmente bem com o colar que ele me dera. Será que ele se lembraria? Ou na verdade, tudo que aconteceu só fui eu capaz de ver, sentir e ouvir?
– Vamos cumprimentá-los – Mischa disse descobrindo para o que eu estava olhando – Essa festa é para eles, não é mesmo? Vamos ser educadas e sutis.
– Tudo bem – eu disse respirando fundo.
– Olá, sou Mischa Sjodin – ela disse indo até Bill e o cumprimentando – Parabéns pelo novo vídeo clip.
– Ah, obrigado – ele disse a cumprimentando também, quando ele a abraçou e colocou seu rosto no ombro dela, ele olhou para mim. Percebi algo em seus olhos, havia uma espécie de surpresa neles.
– Essa é minha melhor amiga – Mischa disse me puxando para mais perto – Hedvig Nondenberg.
– Olá... eu... ah... parabéns – eu disse gaguejando.
– Você não me é estranha – exclamou alguém atrás dele, quando vi, era Tom – Hedvig... Hedvig... Eu já peguei você alguma vez?
– Não! – eu disse ficando vermelha, dançar não é pegar, não é mesmo? – Nunca o vi antes pessoalmente.
– Hum... que estranho – ele disse pensativo e depois olhando para Mischa – Você eu nunca vi antes, a quem devo a honra?
– Mischa Sjodin...
– Cuidado! – exclamou Georg atrás de Tom – Ele é perigoso, se eu fosse você me afastava.
– Sim, sou muito perigoso. GRRRRAL – Tom disse rindo.
– E eu rio na cara do perigo – Mischa disse com seu sorriso doce e afetado. Pelo visto, Tom estava tentando dar em cima dela, mas se eu a conheço, isso não teria um efeito tão imediato quanto teve comigo. Mischa é romântica e quer um romance daqueles de cinema, algo que Tom com certeza não quer.
– Pois não estou vendo você rindo – ele disse passando a língua no piercing. Esse truque! Espero que Mischa não caia.
– Talvez por que você não seja realmente perigoso, é um tigrinho domável.
– Então acha que é capaz de me domar? – ele disse rindo – Duvido muito.
– Você está falando com Mischa Sjodin, meu caro. Não tenha tanta certeza quanto a isso.
Tudo bem, o que estava acontecendo? Era impressão minha ou Mischa realmente gostara dele? Vamos analisar os fatos! Ela está mexendo no cabelo, primeiro sinal que ela esta a fim de alguém. Ela está com o sorriso afetado de garota que tem o poder nas mãos, segundo sinal. A outra mão dela está segurando seu colar como se não tivesse nada para fazer, terceiro sinal. E seu pé direito está inclinado para frente, quarto sinal. Meu Deus! Como isso?

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81 Angels Don't Cry em Qua Dez 12, 2012 1:49 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 36 - Ame descontroladamente



– Acho que Mischa foi fisgada – eu disse picando várias vezes enquanto eu a via se afastando com Tom para uma mesa – Eu não estou acreditando.
– Bem, ele é o Tom. Às vezes também não sei como ele consegue – Bill disse olhando para a mesma direção que eu e depois se virando para mim – Ah, eu sou Bill Kaulitz, esqueci de me apresentar.
– Ah, eu sei quem você é – eu disse mais perdida do que nunca – O vocalista da banda Tokio Hotel e tudo mais.
– Então você é fã da minha banda?
– Naquelas, quero dizer, ela é muito boa, mas descobri recentemente – eu disse tentando me explicar – Mas você é muito talentoso e tem uma ótima voz.
– Obrigado – ele disse corando levemente, então ele olhou para o meu colar fixamente – Pelo visto, gosta mesmo da França.
– É, mas isso foi um presente muito especial. Acho que foi isso que me impulsionou a vir para cá, correr atrás de um sonho antigo.
– E qual é?
– Ser artista plástica, quer dizer, não é grande coisa pintar quadros, não parece algo muito importante. Mas eu realmente gosto, é uma espécie de hobby que eu gostaria de levar a sério.
– Na verdade eu acho incrível pintar quadros, eu aprecio qualquer tipo de coisa artística. Por exemplo, sou cantor e componho letras, acho que é um modo de expressar o que eu penso e sinto. É a mesma coisa com você, só que se expressa através de imagens e acho isso importante.
– Mas tenho medo de não dar certo – eu não sei como a conversa fluía com ele, simplesmente ele parecia a pessoa com quem eu gostaria de contar tudo sobre mim, mesmo as coisas mais secretas – Queria tentar entrar para as Belas Artes, mas não tenho certeza se sou boa o suficiente.
– Você tem que tentar mesmo assim, não desista só por que se sente insegura, sei que você é capaz de ser aceita, Hedvig.
O modo que ele falava é como se ele me conhecesse há tempos, não era o jeito de se falar com alguém que mal encontrara. Será que ele se lembrava de mim? Ou apenas sentia que me conhecia de algum lugar? Queria realmente dizer tudo a ele, mas tinha medo de assustá-lo, ou de ele me achar totalmente maluca.
– Ah... você quer se sentar? – Bill perguntou para mim indicando uma mesa perto de onde nós estávamos. Eu assenti e nós fomos até lá – Acho que o melhor de uma festa é poder conversar com pessoas que se identificamos.
– Você se identifica comigo? – eu perguntei rindo – Não temos nada a ver! Você é todo romântico e eu toda insensível.
Tudo bem, falei demais. Como posso saber que ele é romântico, em Hedvig? Tente explicar isso a ele, vamos lá!
– Não é verdade – ele disse sem ao menos perguntar nada – Acho que só faltou uma pitada de romance na sua vida. Nada que não seja resolvido com o tempo.
– E para você faltou um pouco de realidade, nem tudo é tão bonito quanto parece. Nada que um tapa da vida não resolva.
– Eu já levei muitos tapas da vida, espero não levar mais – ele disse pegando mais uma taça de champanhe e eu também fiz o mesmo.
– E já recebi também umas pitadas de romance, no começo parece bom, mas depois que se percebe o quão é amargo.
Falando em amargo, o garçom que acabara de nos servir com champanhe, tropeçou em uma mesa e derrubou todos aqueles copos bem em cima de mim. Todo aquele líquido alcoólico que eu apreciava estava nesse momento destruindo meu vestido caro, não como Dior, mas era caro. Levantei-me estupefata, louca para enfiar a cabeça daquele garçom na mesa.
– Meu vestido! – eu exclamei tentando analisar o estrago – Mas que merda!
– Calma, melhor irmos ao banheiro e ver se tentamos concertar um pouco do estrago – Bill disse pegando alguns guardanapos e tentando secar onde molhara, quando ele sem querer passou perto do meu busto, ele corou e se afastou de mim.
Eu também fiquei bastante sem-graça, mas para disfarçar o ocorrido ele me levou até o banheiro que tinha na casa ao lado do jardim, que era enorme, diga-se de passagem. Mas na verdade não era banheiro, era apenas uma espécie de lavabo, com pia, uma latrina e graças aos céus um daqueles secadores de paredes! Nós entramos e fechamos a porta, enquanto tentávamos tirar a macha enorme que aparecia na pobre estampa Pied-de-poule. É claro que nada parecia fazer efeito.
– Tudo bem, nada vai dar certo, perdi o vestido! – eu disse inconformada, desistindo de tentar e indo abrir a porta.
O problema é que a porta não abriu. Tentei ver se ela estava trancada, mas não estava. Tentei empurrá-la ou puxá-la com toda força, mas acho que estava emperrada ou algo do tipo.
– Ela não quer abrir! – eu disse desesperada – Ela não abre!
– Calma, deixe-me tentar – Bill disse virando a maçaneta e puxando, mas ela não cedeu. Ele fez força e novamente nada aconteceu – É, estamos trancados.
– Não podemos estar trancados, não podemos! – eu disse socando a porta – Eu tenho claustrofobia! Meu Deus do Céu, eu vou morrer!
– Hedvig, acalme-se – Bill disse me segurando, vendo que eu estava histérica – Vamos tentar chamar alguém e ver se conseguem abrir a porta para nós.
– Tudo bem – eu disse suspirando e virando para a porta – SOCORRO! ALGUÉM ABRE A MERDA DESSA PORTA! EU ESTOU PRESA AQUI! AJUDEM, PUTA QUE PARIU!
Mas ninguém ouvia! Eu estava gritando igual a uma louca sendo morta e ninguém se quer apareceu. Lembro-me claramente de como começou esse meu medo compulsivo por ficar presa em lugares pequenos. Foi quando eu me tranquei no porta-malas do carro do meu pai e não consegui sair. Chorei e gritei e só foram me encontrar meia hora depois. Fiquei traumatizada.
– Ninguém está vindo – eu disse quase a ponto de chorar – Eu estou com falta de ar, acho que o oxigênio está diminuindo. Vamos morrer!
– Não vamos morrer, por que tem oxigênio passando debaixo da porta – Bill disse tentando me acalmar – Você só está desesperada, nada vai acontecer.
– Vamos morrer! Eu não quero morrer! Estou sentindo minha garganta seca, não consigo respirar, vou desmaiar! – eu disse ficando realmente tonta.
– Ah, caramba! – Bill exclamou, me segurando quando eu vacilei – Hedvig, por favor, se acalma. Eu vou passar oxigênio para você.
– O que? – eu exclamei quando ele apertou meu nariz com uma mão e aproximou a boca da minha passando o ar dele para mim. Foi estranho se quer saber, mas sentir os lábios dele no meu foi algo realmente bom – Eu acho... eu acho que isso só funciona com pessoas afogadas.
– Não se sente melhor? – ele perguntou preocupado. Pobre tolinho.
– Claro que me sinto – eu disse meio que me aproveitando da situação – Acho que na verdade preciso de mais ar.
Então ele se aproximou novamente de mim para fazer respiração boca-a-boca, mas não foi isso que aconteceu dessa vez. Nossos lábios estavam envolvidos novamente, nossas línguas entrelaçadas e nossos corpos pressionados um ao outro, enquanto minhas costas tocavam a superfície gelada do azulejo do banheiro. Tudo bem, se antes eu estava com falta de ar, agora estou totalmente sem ar!
Eu o agarrava com toda a força que tinha, afinal eu morria de medo de isso ser outro sonho ou coisa da minha cabeça, mas lá estava Bill, feito de carne e osso e eu também. Suas mãos seguravam firmemente minha cintura, enquanto eu tentava perscrutar com as minhas o seu tórax através daquela regata. Então eu envolvi o corpo dele com minhas pernas, enquanto ele me levantava para ficar da altura dele.
Arranquei o paletó dele e eu sentia as mãos dele procurando o zíper do meu vestido, atrás das minhas costas. Deus que me não mande para o Inferno, mas eu realmente não estava a fim de pará-lo. Bill me puxou da parede e se encostou à porta, finalmente conseguindo achar o zíper e abaixando devagarzinho, mas então a maldita porta abriu.
Bill caiu no chão com tudo e eu em cima dele, com o vestido meio caído, com o cabelo todo bagunçado, vermelha e ofegante. E o pior ainda foi ver que a velha com o suéter da Ralph Lauren estava bem na nossa frente. Fora ela que abrira a porta.
– Meu Deus! – ela exclamou nos olhando – Como os jovens de hoje são! No meu tempo não havia essas safadezas de ficar se pegando no banheiro! Sinceramente, olha o que eu preciso ver!
Então ela saiu bufando e praguejando, enquanto eu não sabia onde enfiar a minha cara. Tudo bem, fomos longe demais. Sentei-me no chão tentando me arrumar o máximo possível, enquanto Bill fazia o mesmo, ele parecia tão sem-graça quanto eu. Ele olhou para mim rubro, então passou a mão pelas minhas costas e começou a subir o zíper.
– Eu não sou assim a maior parte do tempo – ele disse realmente envergonhado.
– Conta outra – eu disse rindo – Conheço você, garoto vampiro. Da próxima vez que decidir me sugar, me avise.

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82 Angels Don't Cry em Qua Dez 12, 2012 1:51 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 37 - Aceite algumas oportunidades


Tudo bem, estou realmente pasmada. Afinal eu conheço Bill e sei que ele não faz uma coisa dessas com a primeira garota que aparece na sua frente, ainda mais quando ela se trata de mim. Mas ele lembra alguma coisa, eu sei que lembra, por que se não nada teria acontecido e eu vi o interesse dele em mim.
Só que fiquei totalmente desconcertada depois do ocorrido e é claro, depois de ver Tom e Mischa quase se engolindo em um canto. Oras, que mundo louco eu estou? Claro que não perdi a oportunidade de passar meu número do celular para Bill, além de contar onde estávamos hospedadas. Ele não contou onde estava hospedado, mas eu já sabia e tinha a certa impressão de que foi por isso que ele não falou nada.
Mas eu estava feliz, realmente feliz. Tudo parecia estar nos seus devidos trilhos, eu estava em Paris com minha melhor amiga, em um hotel luxuoso, vivendo um romance e correndo atrás de meu sonho. Eu já tinha até comprado uma tela, uma aquarela e tintas para eu pintar, enquanto ficasse na varanda. Estava planejando algo muito especial para apresentar a Academia de Belas Artes, me sentia inspirada mais do que nunca.
– Então deu tudo certo, afinal? – Mischa disse olhando para mim, enquanto eu pintava calmamente – Pela sua felicidade, dá para ver que se saiu muito bem com ele.
– O mesmo digo de você, Mischa – eu disse rindo – Se atracando com o irmão de Bill.
– Ah, ele tem charme e é bonito – ela disse assoprando as unhas enquanto as pintava de rosa – Mas é muito safado, se quer saber. Só que fui meio fria com ele, não o deixei avançar muito, afinal esse é o jeito de fisgar um cara desse tipo: seja difícil.
– Nem sei como consegui fisgar Bill – eu disse pensativa – Só sei que aconteceu de repente, de maneira inesperada.
– Através daquele sonho. Sério, estou ficando com medo. Acho que agora estou começando a acreditar em você, afinal tudo está acontecendo de maneira estranha.
– Sim, mas muita coisa está ficando vaga – eu disse pensativa – Há coisas que eu não lembro direito. Mas de certa forma, eu acho que Bill também presenciou as mesmas coisas que eu, afinal ele falava comigo como se me conhecesse há tempos.
– Que incrível! Parece até coisa de filme – Mischa disse sonhadoramente enquanto seu celular começava a tocar – Alô? Ah, Tom! Como vai? Sim... claro! Entendi... obrigada! Até mais!
– O que ele quer? – eu disse continuando a pintar.
– Ele nos convidou para sair, eles alugaram um barco no Rio Sena para nós jantarmos com eles. Isso não é incrível? – ela disse saltitante pelo quarto – Será que posso viver algum romance igual a você?
– Igual ao meu eu não desejo para ninguém, pelo menos o meu antigo. Morrer não é tão divertido assim – eu disse me lembrando disso como se fosse algo distante, difícil de acontecer – Mas foi bom.
Segurei o meu colar, era isso que fazia me lembrar daquela época. Algo que eu havia trazido, quem sabe, de outra dimensão? Isso era confuso e eu não entendia nada dessas coisas divinas, mas não importava, acho que não queria entender de qualquer forma. Deixei meu quadro de lado e decidi que nesse momento eu precisava era me arrumar, queria dar uma ótima impressão a ele.
Vesti uma camiseta de gola alta branca, saia plissada preta e um casaco preto, de dois botões que ia até o joelho, meia calça preta e botas marrons que combinavam com a boina em minha cabeça. Olhei-me no espelho e quase parecia uma pessoa decente, ou pelo menos, uma pessoa mais no estilo Mischa de ser. Já ela investira em calças jeans, botas de couro marrom que combinavam com seu cinto, camiseta marrom e uma blusa de lã. Mischa sim parecia uma garota fofa.
– Eu estava pensando em usar algum vestido – ela disse se olhando no espelho também – Mas está muito frio e não quero pegar uma pneumonia.
Em minha opinião estávamos ótimas para jantar em um barco no Rio Sena, nem acreditava que nesse mesmo instante – em algum lugar do passado ou presente – eu estaria indo com Bill fazer a mesma coisa só que apenas em um barco de passeio. Dessa vez estaríamos em um barco luxuoso e eu estava tão empolgada, afinal parecia que tudo estava dando certo, eu até me sentia uma pessoa diferente. Talvez eu tenha amadurecido. Ou não.

Lá estava o barco, enorme e imponente, com luzes a sua volta lembrando que o Natal estava mais próximo do que se pensava. Talvez eu esteja sendo Mischa demais, mas era como estar em um filme, afinal tudo estava acontecendo de um modo mágico e bizarro.
Mischa e eu entramos no barco, a mulher loira que estava vistoriando as pessoas nos deixou passar sem perguntar se nossos nomes estavam na lista, eu tinha quase certeza que já a tinha visto em algum lugar, mas não me recordo. Não dei muita atenção, ainda mais quando vi como era o barco por dentro, ele era imenso, com várias mesas de madeira lustrosas de frente para um palco onde uma mulher cantava e outros caras tocavam.
– Vocês vieram! – Tom exclamou, saindo de uma mesa aonde se sentavam ele, Bill, Georg e Gustav – Fico feliz em vê-las, venham se sentar.
– Você acha que iríamos perder essa? – Mischa disse indo até a mesa e se sentando, logo fiz o mesmo.
Meus olhos encontraram os de Bill e ele sorriu para mim, senti a euforia invadir o meu peito, me sentia tão feliz! Eu precisava falar com ele, queria saber se ele se recordava do que aconteceu, talvez ele sentisse o mesmo medo que eu, de que na verdade tudo não passou de um sonho louco. Mas se nós nos encontramos, isso não é a prova viva de que tudo realmente aconteceu?
Conversamos animadamente enquanto jantávamos, Mischa era uma das que mais falava, ela literalmente não tinha papas na língua, principalmente quando Tom sugeria algo fora dos padrões dela se é que me entende. Georg também adorava zoá-lo, tentando dizer a Mischa que o melhor que ela tinha a fazer era fugir dele. Bill, Gustav e eu fomos os que mais ficaram na sua, apenas rindo de algumas coisas e soltando alguns comentários.
– Hedvig – Bill disse me chamando e sussurrando para mim – Venha comigo por um instante.
Levantei-me enquanto todos continuavam a conversar, eles pararam quando viram que Bill e eu íamos dar uma saída.
– Aonde vocês vão? – Gustav perguntou antes que qualquer um dos outros fizesse a pergunta.
– Tomar um pouco de ar – Bill disse simplesmente.
– Ah, sei! Eu também usava essa desculpa antigamente – Tom disse lançando um olhar para Bill – Acho que finalmente decidiu seguir os meus ensinamentos!
– Quando algumas pessoas falam que vão tomar ar, quer dizer que elas vão conversar ao ar livre. Espero que seja isso que insinua – Bill disse levantando a sobrancelha.
– Claro, você sabe do que eu falo – Tom disse rindo – Por enquanto nós vamos continuar a beber um pouco e conversar. Mais tarde nos vemos!
Bill apenas riu e me guiou para longe das mesas, para uma das portas no fim do barco onde dava para uma escada. Nós subimos alguns lances e abrimos uma porta branca como o resto do barco que dava para o ar livre parisiense no empavesado* do navio.
Estava um frio enorme, mas era incrível ficar acima do navio, passando abaixo das pontes, olhando o céu, vendo as águas passarem abaixo de nós e ver as pessoas que passavam em cada lado do rio. Da última vez que estive em um barco no Rio Sena eu me sentia triste e feliz ao mesmo tempo, querendo recomeçar a minha vida. E agora eu estava aqui novamente, com um pouco da minha vida resolvida e totalmente feliz ao perceber que tudo estava acontecendo da forma que eu queria.
Talvez seja a hora de agradecer a alguém lá em cima.

Nota da autora: Empavesado do navio é aquela proteção que coloca no navio, igual a uma sacada sabe? Onde a Rose do Titanic abriu os braços com o Jack. Só que eles estavam na frente do navio, neste caso é na parte superior do navio, em cima. Espero que entendam.

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83 Angels Don't Cry em Sab Dez 15, 2012 1:34 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 38 - Tudo tem um por que



– Você se lembra, não é? – eu perguntei quando Bill se aproximou e ficou ao meu lado – De tudo que aconteceu?
– Algumas coisas, às vezes tudo fica tão vago – ele disse me olhando – Mas há coisas que marcaram, não posso simplesmente esquecê-las.
– Acha que realmente aconteceu ou que foi algum sonho louco?
– Não sei, não tenho certeza, mas acho que aconteceu. Tudo foi tão real, acho que não foi apenas um sonho, pois Tom não comentou nada comigo. Geralmente sonhamos coisas parecidas, além de que ele também parece se lembrar de você, como se já tivesse visto antes. O mesmo disse Nathalie, ela disse que você foi a garota que caiu no aeroporto e quando ela te ajudou, falou que ela tinha a sensação de que te conhecia.
– Só sei que não preciso compreender, foi a melhor coisa que me aconteceu. Quando acordei, percebi que tinha a chance de mudar tudo e recomeçar a minha vida do momento que eu tinha parado. Eu abandonei a faculdade de Diplomacia, disse a Lukas o que eu pensava e terminei com ele sem matá-lo, reatei os laços com minha família e vim aqui atrás de muitas coisas.
– Talvez tudo que aconteceu foi para mudá-la, para você evitar cometer mais erros – Bill disse pensativo – Mas fico feliz de você ter conseguido Hedvig. Eu não sabia o que fazer quando você foi embora, fiquei totalmente acabado até que consegui dormir. Depois que acordei percebi que tudo parecia não ter acontecido, havia acordado dois meses atrás pensando que eu havia tido o melhor sonho da minha vida.
– Então no começo pensou que tinha tido um sonho?
– Sim, mas eu me lembrava de muita coisa, muitas informações sobre você, por exemplo, seu nome completo e onde morava. Pesquisei sobre você e acabei parando no site da sua faculdade, onde mostrou que entrara em décimo segundo lugar. Então percebi que de fato você existia, eu não tinha inventado. Não corri atrás, por que sabia que tinha que esperar até o dia certo, mas tinha medo que chegasse essa semana e você não aparecesse.
– Eu não sabia como chegar até você, mas tudo aconteceu sem que eu percebesse. No aeroporto e também naquela loja, lembra-se do bracelete? – eu disse o fazendo ficar surpreso – Era eu.
– Então o tempo todo você estava perto de mim e eu não percebi? Acho que vou me atirar daqui – ele disse revirando os olhos.
– Não faça isso ou vou ter que pular também para te salvar – eu disse me aproximando dele.
– Mais do que você já me salvou? – ele disse me abraçando – Acho que você sempre será minha anja da guarda.
Eu ia falar para ele que na verdade eu não era, mas ele estava me calando com seus lábios. Talvez não houvesse explicação lógica para o que passamos, apenas tinha que acontecer do mesmo jeito que nosso beijo acontecia: simples, cálido e memorável.
– Lembra-se do dia que você gritou na Torre Eiffel que o mundo era nosso? Que você queria que todos ouvissem o que você tinha a dizer? – ele disse se afastando de mim.
– Sim, me lembro – eu disse piscando atônita.
– Então também tenho algo a dizer – ele disse subindo na grade de proteção, olhando para mim. Então ele encheu o pulmão de ar e gritou – Hedvig eu te amo!
Senti meus olhos ficarem molhados de repente, eu não sabia o que falar, só sorria para ele, enquanto o louco varrido igual a mim descia da grade tomando cuidado para não cair igual a certa pessoa que tem tendência a fazer isso.
– Eu também sempre! – eu disse o beijando várias vezes – Não me arrependo de ter vindo para cá, não me arrependo de nada do que fiz depois que te conheci.
Não se precisava de palavras, todas as estrelas, todas as luzes de Paris, todas as pessoas eram testemunhas do que sentíamos. Podíamos ser mais um casal apaixonado nessa cidade, mas era pelo que havíamos passado que nos diferenciava dos outros. Havíamos vencido a morte para ficarmos juntos, se isso não significava muito, o resto, perto disso, não significa nada.

– Aonde vamos agora? – Gustav perguntou quando saímos do navio – Daria tudo por um bom café se quer saber.
– Também quero! – Bill disse logo em seguida.
– Tem muitos cafés por Paris, vamos achar algum bom – Mischa disse nos guiando pela Champs Elysées.
Bill estava do meu lado, com o braço em volta de mim me aquecendo enquanto andávamos. Quem diria que finalmente Hedvig Nondenberg tinha uma relação estável! Claro que não estávamos namorando ainda, mas isso não era questão de tempo. Logo eu passaria na Academia de Belas Artes, começaria a estudar, conseguiria montar uma galeria e estaria na companhia de Bill. Era tudo que eu sempre quis!
– Vamos aqui! – Mischa exclamou apontando para a Starbucks – Tem os melhores cafés.
Tudo bem, eu congelei. Não queria ir lá, por que havia a tal garota, Charlotte, com quem Bill teve um caso rápido quando eu estava morta. É claro que fui eu que praticamente o obriguei a fazer isso, mas agora eu não estava a fim que ela o ficasse paparicando. Apesar de que agora eu posso muito bem proteger o que é meu, então não tenho com o que me preocupar.
Entramos na Starbucks, acompanhados de uns seis seguranças atrás de nós, olhando para todos os cantos para que nenhuma fã nos atacasse. Lá dentro estava bem cheio, algumas pessoas olharam para nós com certo interesse, mas ninguém se atreveu a passar pelos seguranças. Claro que logo percebi que uma das garçonetes se tratava nada mais e nada menos de Charlotte.
Tentei fazer com que Bill não a notasse, então o puxei para uma mesa no canto inverso onde havíamos nos sentado na última vez. Os outros nos seguiram até a mesa que eu havia escolhido, bem longe de Charlotte. Claro que isso fez com que demorassem a nos atender, mas eu não me importava muito.
– O que vão querer? – perguntou alguém em francês que eu já conhecia. Era Charlotte, acho que tem coisas que não dão para se fugir.
– Todos vão querer um Caffè Mocha – eu disse em francês – São seis, um para Tom, Georg, Gustav, Bill, Mischa e Hedvig.
Ela anotou calmamente, principalmente quando precisei soletrar alguns nomes. Mas ela não olhou para Bill nenhum momento sequer, na verdade ela nem ligou para a existência dele, mas parecia ter se encantado com outra pessoa. Meus olhos piscaram atônitos quando eu a vi com olhos brilhantes para Gustav. Então era isso! Claro! Da outra vez ela havia se encantado por Bill por que simplesmente ela precisava encontrar Gustav, uma hora ela teria que conhecê-lo, mas eu havia mandado Bill para atrapalhar tudo.
– Ela gostou de você! – eu exclamei quando ela foi embora. Gustav deu um sobressalto – A garçonete, a tal de Charlotte, você não viu como ela te olhou?
– Hedvig, já conheço essa história – Bill sussurrou ao meu lado – Não tente bancar a cupido.
– Não, você não entendeu! Ela realmente gosta de Gustav, tenho certeza absoluta – eu disse para todos ouvirem e depois me virei para Gustav – Vai falar com ela! Você sabe inglês e ela também!
– Como você sabe que ela fala inglês? – Gustav perguntou atônito.
– Ah... é... a maioria das garçonetes de Starbucks falam inglês, já vim com Mischa aqui uma vez – eu disse lançando um olhar para Mischa, ela assentiu com a cabeça, mesmo não entendendo o que eu estava tentando dizer.
– Eu não sei o que dizer a ela – Gustav disse corando. Ele estava interessado nela também! Por isso ele havia ficado vermelho quando ela chegara!
– Apenas se conheçam – eu disse rapidamente quando a vi chegando com nossos pedidos – Hey, Charlotte! Por que não conversa com nosso amigo Gustav?
– O que? – ela exclamou totalmente vermelha quando ela viu de quem se tratava – Meu chefe não iria deixar.
– Ele nem vai ligar, esse lugar está cheio de pessoas! Não deixe oportunidades como essa passar, falo por experiência própria! – eu disse sorrindo para ela, de verdade.
Nem acreditei quando vi Gustav e Charlotte em uma mesa conversando e rindo animadamente. Era diferente do modo como ela conversava com Bill, dessa vez havia sentimento de verdade de ambas as partes. Quem diria que por minha causa, não só Bill achou seu amor, como Tom e Gustav! Se isso não é destino, não sei o que é.

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84 Angels Don't Cry em Sab Dez 15, 2012 1:36 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 39 - Ame de verdade



Eu estava na frente do hotel de Bill, ele havia me convidado para ir até lá ontem. Claro que tive um déjà vu quando vi o lugar, afinal eu já tinha estado ali antes talvez em realidade ou em sonho, eu não sabia. Caminhei até ele e atravessei o Hall para falar com a atendente. Ela havia me dito que eu podia subir, pois Bill já havia avisado sobre minha vinda.
Fui para o elevador meio nervosa, me olhei no espelho para ver se eu estava decente. Eu usava um top roxo e decente – bem decente, ouviu? –, saia roxa com alguns rebites, meia calça preta, sapatilha preta e meu casaco de couro. Ah, está bom, não está?
O elevador abriu e eu empurrei a porta do andar único que deu para o quarto tão conhecido de Bill. Ele estava sentado na cadeira de ferro preta com estofado branco perto de uma mesa da sacada, com uma taça de vinho na mão. Quando eu apareci, ele olhou rapidamente para mim.
– Hedvig! – ele disse colocando a taça de lado e se levantando – Você veio!
– Claro – eu disse o abraçando, enquanto ele pegava meu rosto e beijava meus lábios – Você falou que precisava falar comigo e aqui estou.
Ele pegou em minha mão e me levou até a mesa onde ele estava sentado, era tão romântico ver a Torre Eiffel da janela da sacada, ainda mais tomando vinho, algo tão parisiense! Eu me sentei em uma cadeira perto da dele, enquanto ele colocava vinho em outra taça para mim. Hedvig, prometa não beber demais, não queremos que tenha outra coma alcoólica!
– Já tentou se comunicar com a Academia de Belas Artes? – Bill perguntou enquanto tomava meu primeiro gole. Ele queria dizer algo, mas estava enrolando... hum... – Quero estar aqui quando você me disser que entrou.
– Ou que não entrei – eu disse dando de ombros – Quando você vai embora?
– Pare de ser negativa, eu sei que você vai entrar e será a melhor artista plástica de Paris. Vou embora quarta-feira que vem para passar o Natal com minha família e pretendo levá-la – ele disse lançando um olhar para mim, então me engasguei com o vinho.
– Vou passar o Natal com sua família? – eu disse tentando me recompor, apesar de estar tossindo muito – Eu? Mas como? Não estou preparada!
– Não é nada demais, você já conhece o Tom – Bill disse brincando com a taça, ele estava se divertindo muito com minha reação – Tem a minha mãe, com certeza ela vai aprová-la. Tem meu padrasto também que é ótimo, você vai adorá-lo e meus cachorros! E eles também são mansos se quer saber.
– Mesmo assim, eu nem sei como vou agir, eu nem sei o nome da sua mãe! Não sei muito sobre sua família!
– Você vai aprender com o tempo, e a propósito, o nome da minha mãe é Simone. Não precisa ter medo, tudo vai ficar bem – ele disse segurando minha mão, mesmo assim não me acalmei, isso foi uma surpresa e tanto!
Decidi que beber outro gole de vinho me acalmaria, então olhei para a mesa e notei que havia algo do lado da garrafa, era uma rosa, mas não parecia ser uma rosa de verdade, havia algo estranho... então a peguei e fui analisar o seu botão, na verdade ela era feita de camurça vermelha e havia um risco no meio dela. Então percebi que era para abri-la, levantei cuidadosamente a tampa dela com meu coração martelando no peito. Lá estava um anel prateado, com um diamante cintilante no meio que parecia brilhar tanto quanto a Torre Eiffel atrás de nós.
– Hedvig Nondenberg – Bill disse sorrindo para mim – Você aceita namorar comigo oficialmente?
– Ah... mas... o que? É... ahn? – eu mais gaguejei do que falei algo coerente. Meu coração estava saindo pela boca e eu estava tremendo tanto enquanto segurava o anel. Calma, Hedvig, é apenas anel de namoro, imagine quando ele te pedir em casamento!
– Respire fundo e pare de tremer – ele disse rindo de mim – Você já me disse coisas piores do que um não.
– Não! Quer dizer, não é não que quero dizer – eu disse ficando rubra e tentando organizar as ideias – Claro que sim! Eu aceito... é tudo que eu mais quero e...
Ele tirou o anel da flor e segurou a minha mão direita, então colocou o anel delicadamente em meu dedo anelar. Bill tirou outra caixinha do bolso e a abriu, mostrando seu anel e mostrando-o para mim. Com a mão tremendo eu toquei a superfície gelada do anel e segurando a mão de Bill, coloquei em seu dedo também.
– Pronto – ele disse suspirando – Até que não foi difícil, fiquei com meu coração na garganta.
– Achou que eu iria recusar? – eu perguntei pasmada.
– Não sei, achei que talvez um outro relacionamento poderia te assustar.
– Sou Hedvig Nondenberg e nada me assusta!
– Você parecia bem assustada quando viu o anel – ele disse rindo.
– Fiquei surpresa, isso é diferente de medo. Não tenho medo de ficar perto de você, Bill e sim longe – eu disse ficando vermelha quando disse isso o fazendo parar de rir e me olhar seriamente.
Ele passou os dedos pelo meu rosto delicadamente, acariciando minha pele enquanto se aproximava de mim para me beijar. Seus lábios tinham o gosto do vinho doce que tínhamos acabado de beber, o que me deixava mais sedenta por ele. Aproximei-me mais dele, até sentar no seu colo, onde o envolvi com meus braços enquanto as mãos dele dedilhavam em volta do meu corpo.
Meu casaco de couro caiu no chão, então comecei a puxar a camiseta dele de gola alta para fazer companhia ao meu casaco. Comecei a descer meus beijos, passando pelo seu maxilar, pelo seu pescoço, por sua clavícula, até chegar em seu peito onde havia um piercing que envolvi com minha língua o fazendo gemer.
Bill me pegou em seus braços e levantou da cadeira, me empurrando até a cama, onde eu me deitei e ele veio logo em seguida me beijando intensamente. Ele passou a mão pelas minhas costas, tirando o meu top e o jogando longe, enquanto eu desabotoava as calças dele para finalmente ele poder se ver livre delas.
Logo todas as nossas roupas estavam no chão do quarto e nossos corpos unidos pela primeira vez de verdade. Seus lábios passavam pelo meu corpo me dando arrepios e deixando minha pele ficar em brasa, isso parecia mais real do que a última vez, que estava vaga nas minhas memórias. Pelo visto, eu continuava tão virgem quanto antes, afinal eu senti uma dor lancinante quando ele me penetrou – com camisinha, não se esqueçam disso! –, mas logo isso foi ocupada pela onda de prazer que se apoderou de mim.
– Eu te amo, Hedvig – Bill sussurrou ao meu ouvido, ofegante.
– Eu também – disse o abraçando enquanto eu tentava recuperar um pouco do ar que sumira dos meus pulmões.
Ele me beijou novamente, enquanto me envolvia em seus braços. Deitei a cabeça em seu ombro, enquanto encarava aqueles olhos castanhos líquidos e quentes, que tinham aquela chama tão conhecida por mim. Eu me sentia feliz, agora realmente acreditava que minha vida iria tomar um rumo certo, que eu iria passar na Academia de Belas Artes e que traria orgulho para todas as pessoas ao meu redor. Na verdade, não importava se eu falhasse, desde que tivesse aqueles olhos me mirando e dizendo que tudo estaria bem.
O colar no meu pescoço ainda mostrava que nos conhecíamos de algum lugar distante, de uma realidade que parece nunca ter acontecido, mas para nós, realmente ocorreu. Talvez eu pudesse acordar agora e descobrir que além do colar, agora eu havia um anel vindo dos meus sonhos, eu poderia realmente fazer tudo que eu fizera para voltar aos braços dele.
– Às vezes me pergunto o que você viu em mim – eu disse enquanto ele passava a mão em meus cabelos, tirando uma mecha do meu rosto.
– O que eu vi? Eu vi luzes e ouvi o coral de anjos atrás mostrando que você era a pessoa para mim – ele disse sorrindo zombeteiramente – Eu vi uma garota linda e incrível, que era forte, corajosa e podia fazer qualquer coisa sem medo de errar. Vi a garota divertida que sempre me fazia rir, mesmo depois de dizer duras verdades que me faziam chorar. Vi a garota que gostaria de passar o resto da minha vida ao seu lado.
– Você não pode ter visto tudo isso da primeira vez – eu disse sem-graça.
– Não vi, mas acho que não me importaria de perder todo o meu tempo só para descobrir tudo isso sobre você.
Então eu soube, naquele instante, que nada poderia me tirar dele. Espero que eu não esteja errada.

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85 Angels Don't Cry em Ter Dez 18, 2012 4:18 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 40 - A verdade pode machucar



Era quinta-feira, eu estava empenhada em meu quadro, pintando agora dentro de casa já que começara a nevar do lado de fora e o frio estava insuportável. Mischa havia saído para fazer compras, ela disse que como o frio estava piorando, ela estava sem muitas roupas quentes, na verdade acho que é uma desculpa para sair com o Tom.
Bill andara muito ocupado hoje com entrevistas, então decidi não amolá-lo muito, além de que eu teria que me preparar para a entrevista que terei segunda que vem com a diretora da Academia de Belas Artes. Eu estava tão eufórica e queria terminar logo meu quadro para mostrar a ela um pouco do meu talento.
Havia também ligado para os meus pais, contando um pouco do que havia acontecido esses dias, não falei em Bill, por que ainda não estava preparada. Acho que seria um choque para eles se eu contasse que em apenas alguns dias eu estava namorando com o vocalista de uma banda alemã famosa.
Mesmo assim eu não via a hora de contar a eles, afinal meus pais sempre diziam que eu devia ter um namorado para arrumar juízo, até eles sabiam como meus relacionamentos amorosos foram cheios de problemas. Só que eu iria esperar algum tempo para que isso acontecesse, tudo estava acontecendo rápido demais. E algo estava ligeiramente me incomodando, mas eu não sabia o que era. Algo não está certo!
O interfone do hotel começou a tocar, deixei meu quadro de lado e fui atendê-lo, pensando que talvez fosse Mischa que chegara das compras – ou do encontro com Tom – ou quem sabe fosse Bill querendo fazer alguma visita surpresa!
– Senhorita Nondenberg? – disse a voz da atendente – Estou com uma pessoa aqui em baixo querendo vê-la, se trata de Lukas Kamark.
– O que? – eu exclamei sentindo meu coração pular desesperado. O que ele estava fazendo aqui? Como conseguira me localizar?
– Posso deixá-lo subir? – ela perguntou vendo que eu não havia dito nada – Ou lhe digo que a Senhorita não está?
– Não... é... fale para ele que já estou descendo, mande ele se encontrar comigo no restaurante do hotel – eu disse falando a primeira coisa que veio na minha cabeça.
Tudo bem, eu iria falar com ele? Sim, eu vou! Vou dizer umas verdades para ele, dizer para ele nunca mais me procurar por que absolutamente não quero mais nada com ele. Peguei meu casaco para cobrir a minha blusa toda suja de tinta e peguei as chaves do quarto antes de descer. Eu me sentia nervosa, não de raiva, mas por que eu não sabia nem o que dizer nem o que fazer. Não esperava que ele aparecesse assim do nada em Paris me procurando.
Saí do elevador e passei pela recepção, tentando me preparar fisicamente para falar com ele. Tentei fazer a expressão mais brava possível para quando nos encontrássemos ele visse que eu não estava nada, mas nada feliz! E se ele pedisse para eu voltar com ele, lhe diria para ele voltar para o Inferno!
Mas o chão sumiu quando eu o vi. Lá estava Lukas Kamark, sentado em uma das mesas circulares de madeira, tomando um café enquanto me esperava. Ele estava com os cabelos loiros bem penteados, com um casaco de tweed marrom que lhe dava um ar de advogado e seus olhos azuis encontraram os meus quando me aproximei. Não consegui fazer minha expressão de furiosa, eu ainda estava magoada com ele por tudo que fez.
– Olá Evvy – ele disse me chamando pelo meu apelido.
– Oi – eu disse secamente, me sentando na cadeira e olhando para ele. Lukas também parecia triste, mas eu não podia pegar leve com ele por causa disso – O que você quer?
– Eu vim te ver, queria saber como você está.
– Estou ótima, se é isso que quer saber – eu disse ignorando o garçom quando ele veio até mim, perguntando se eu queria algo – Como me achou?
– O pai de Mischa é amigo do meu pai, ele me contou que ela estava na França, então simplesmente perguntei em que hotel. Tenho meus contatos Evvy, quando quero algo, vou atrás.
– Então você já veio até aqui, já sabe como estou e pode ir embora – eu disse a ponto de surtar – Vá embora, entendeu?
– Por favor, Evvy, me escute – ele disse sem se mover do seu lugar – Eu quero que você me perdoe pelo o que aconteceu, não quis trair você. Aquela noite, havíamos brigado, você saiu sem dizer nada, acabei bebendo e aconteceu. Pensei que tínhamos terminado e que você encontraria outra pessoa na festa e que se esqueceria de mim.
– Mas não fiz isso por que ao contrário de você sou uma pessoa fiel. Não beijei nem me entreguei a nenhum cara enquanto estive nas festas que você não foi, por que eu te amava e isso para mim estava acima de tudo – eu disse com tanta raiva que senti meus olhos lacrimejarem – Você me machucou, sabia? Se me amava tanto, isso superaria qualquer pensamento insano ou bebedeira que você tivesse!
– Eu sei, Evvy, você não acha que eu me culpo todos os dias pelo que aconteceu? Você era a pessoa que eu queria para mim, eu sonhava com o dia que te apresentaria aos meus pais e com o dia do nosso casamento! Se eu não te amasse, eu não teria viajado tanto para vir até aqui, eu estaria com aquela garota.
– Não é tão simples assim – eu disse mordendo meus lábios, eu estava confusa novamente – Lukas, já estou com outra pessoa, uma pessoa que me ama de verdade e tenho certeza que nunca cometeria o mesmo erro que você.
– E quem é ele? – ele disse surpreso – Como pode ter tanta certeza?
– Você não o conhece, ou talvez o conheça. Ele é de uma banda famosa na Alemanha e...
– Você está apaixonada por um rockeiro? – ele disse rindo – Evvy, sei que ama bandas de rock, mas isso não é para você. Claro que ele pode ser do jeito que você falou, mas qual o futuro que vocês tem juntos? Você mesma falou que ele é de uma banda famosa, ele terá que fazer shows por aí, terá milhões de fãs atrás dele... você vai ficar de lado várias vezes.
Tudo bem, eu não sabia o que dizer. Quero dizer, eu estava com Bill, feliz da vida aqui em sua companhia. Mas isso é agora e depois? Eu nunca havia pensando no depois, por que o meu agora estava sendo maravilhoso. Ele não iria ficar em Paris para sempre, ele teria que viajar, fazer shows, voltar para a Alemanha, eu simplesmente não poderia segui-lo já que irei estudar aqui.
– Evvy – ele disse preocupado vendo que eu não dissera nada – Não estou dizendo que não dará certo, estou apenas falando a verdade. Claro que existem milhões de relacionamentos à distância, mas quantos deles deram certo? Só realmente acontecem e dão certo quando as pessoas se aproximam e ficam juntas.
– Eu vim para cá por ele – eu disse tentando me justificar – Aqui é o melhor para mim, ele é o melhor para mim. Paris era meu sonho desde que eu era pequena, aqui o encontrei e sei que é com ele que devo ficar.
– Meu sonho era ser astronauta quando pequeno, mas quando cresci percebi que isso nunca aconteceria, que o máximo que eu conseguiria seria um emprego na NASA. Por isso segui os caminhos do meu pai, queria ser advogado por que sabia que isso seria bom para mim, se eu me dedicasse, seria tão bem sucedido quanto meu pai.
– O que quer dizer com isso? – eu perguntei temerosa.
– Estou tentando lhe dizer que nem todos os sonhos são possíveis, por isso se chamam sonhos, a maioria é inalcançável. Evvy, você largou sua faculdade de Diplomacia, onde você era uma das melhores alunas. Com certeza conseguiria um emprego logo que se forma-se e seria uma pessoa bem sucedida, mas você abandonou tudo isso por um capricho.
– Diplomacia não é para mim, sempre quis pintar e...
– Pintar é um hobby, Evvy. Você poderia ser uma diplomata bem sucedida e pintar sempre que quisesse, seus quadros seriam mais apreciados, principalmente vindo de mãos de uma milionária. Mas agora, as únicas coisas que você tem são esses sonhos difíceis de realizar. Você com certeza poderá entrar na Academia de Belas Artes, mas e depois? Terá que se sobressair para não perder para nenhum outro artista. Tudo que pensa agora é passageiro, agora tudo parece perfeito, mas e no futuro?

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86 Angels Don't Cry em Ter Dez 18, 2012 4:20 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 41 - Não tenha medo do futuro



– Evvy, vim aqui para te dar a oportunidade de voltar, de concertar as coisas. Tenho duas passagens para a Suécia e estarei te esperando amanhã no aeroporto as cinco e meia. Saiba que eu te amo e quero o melhor para você.
Essa frase que ele disse ficou em minha cabeça, mesmo depois de ele ter ido embora. Eu me sentia mais confusa do que nunca, nem consegui voltar ao quadro que eu estava pintando, simplesmente me sentei em um divã perto da varanda e fiquei olhando o céu de Paris. Sentia a preocupação e também o medo em mim, tinha medo de decepcionar meus pais, que queriam tanto que meus sonhos se realizassem. Tinha medo de decepcionar a mim mesma ao descobrir que eu não era boa o suficiente.
– Hey, Vig! – exclamou Mischa com várias sacolas de compras na mão, entrando no quarto – Como está?
– Lukas veio até aqui hoje – foi a primeira coisa que consegui dizer, vi a expressão contente de Mischa se transformar em surpresa.
– O que? Como?
– O pai dele é amigo do seu pai, através disso ele conseguiu informações sobre nosso paradeiro.
– Mas o que ele queria? O que ele falou? – ela disse soltando a sacolas em um lado e vindo até mim – Por que está assim? O que aconteceu?
– Ele veio atrás de mim pedir perdão – eu disse mordendo os lábios – Ele disse que foi estupidez minha largar a faculdade de diplomacia por artes plásticas, disse que pintar é um hobby e que isso não poderia me sustentar.
– Mande ele para o buraco de onde veio, Vig! Não ligue para ele, Lukas não é dono da razão.
– Mas ele disse verdades! Ele disse que Bill e eu não poderíamos dar certo, quero dizer, Mischa, você já pensou o que vai acontecer depois que eles voltarem para a Alemanha? Eles precisam fazer shows, fazer fãs felizes e nós?
– Eu vou seguir com minha carreira de atriz – ela disse pensativa – É a única coisa que sei. Por enquanto estou muito bem com o meu presente, não quero saber do meu futuro mesmo que ele seja sem o Tom. Quero acreditar que de alguma forma ainda vamos continuar juntos, eu gosto realmente dele.
– Você é rica, Mischa, pode ir para onde ele for sempre que quiser, nada a impedirá de vê-lo. Agora eu só conto com a Academia de Belas Artes e algum emprego por aí, não posso seguir Bill pelo mundo afora e ele estará muito ocupado para vir me ver.
– Vig, você não pode desistir de tudo! Você está seguindo o seu sonho, só por que um idiota diz que tudo que você está fazendo tudo errado, você acredita? – ela disse me sacudindo.
– Antes você dizia que foi um erro terminar com Lukas – eu disse me lembrando de como foi difícil fazê-lo.
– Antes, você disse certo. Eu não conhecia Bill e não acreditava no que você havia me dito, mas agora é diferente! Vocês estão juntos de verdade, ou acha que não notei o anel no seu dedo? Isso mostra que ele fará de tudo para ficar ao seu lado não importando como.
– Lukas estará me esperando no aeroporto amanhã, às cinco e meia. Eu estava pensando se não era certo eu ir, pelo menos eu poderia ir para casa e pensar um pouco, além de passar o Natal com minha família.
– Hedvig – Mischa disse brava – e o que você vai dizer para Bill? Que precisam de um tempo ou vai terminar com ele?
– Eu não sei – eu disse apoiando o rosto em minhas mãos – Pensei em entregar o anel dele para você para entregar a ele.
– De maneira nenhuma! Não vou fazer isso, quero ver se você tem coragem de olhar nos olhos e dizer que tudo está acabado! – Mischa disse realmente furiosa, se levantando – Quero ver se vai conseguir terminar com ele! Eu entendo quando você terminou com Lukas, por que ele cometeu um erro grave. Agora o único erro que Bill cometeu foi te amar demais!
Mischa simplesmente deu as costas para mim e saiu do apartamento sem falar mais nada. Será que ela estava confundindo novamente a realidade com os filmes dela? Ela não compreendia que eu precisava tomar a decisão certa na minha vida, que eu precisava de um tempo? Eu não sabia o que fazer agora. Não sabia quem era a pessoa da minha vida, se era Bill ou Lukas. É que com Lukas eu via o meu futuro perfeito, ele advogado e eu diplomata, casados e felizes juntos por que a relação seria de companheirismo mútuo. Mas com Bill tudo era tão incerto, eu não me conseguia ver casada com ele por causa da fama dele. Se eu fosse famosa, aí sim, poderia acompanhá-lo sempre, mas eu não sou. Acho que é a primeira vez que não gosto de ser Hedvig Nondenberg.


Eu estava arrumando minha mala, colocando todas as minhas roupas nos devidos lugares, por que as cinco e meia eu teria que ir para o aeroporto. Mischa estava deitada na cama, lendo uma revista da Vogue, mas olhando mais para mim do que para ela, dava até para sentir o olhar de raiva dela.
Não tive coragem de ligar para Bill e nem sabia o que eu faria com meu anel, estava pensando em deixar ele no balcão do hotel dele, falando que é uma entrega e um pedido de desculpas. Isso parecia tão frio, mas era a única coisa que veio a minha cabeça, eu não conseguiria enfrentar os olhos dele.
– Mischa... – eu disse pegando minha mala quando ela estava pronta – Por favor, não fique brava comigo, eu preciso ir.
– Então já vai tarde – ela disse secamente – Não entendo você Hedvig, quando tem tudo que quer nas mãos, simplesmente abandona tudo por que tem medo de seguir em frente. Pensei que tinha mudado para melhor, vejo que não.
Então ela simplesmente voltou para a revista enquanto fiquei parada sem saber o que fazer. Percebi que nada que eu dissesse faria mudar o pensamento dela, então abri a porta e fui embora. Tentei segurar as lágrimas por ter brigado com Mischa, eu não queria as coisas dessa forma, mas o que eu poderia fazer? Entreguei as chaves no balcão e já estava indo pedir um táxi, quando alguém surgiu do nada.
– Vig! – exclamou Bill vindo ao meu encontro, saindo de uma Mercedes prateada, senti meu coração parar e ficar feito pedra do meu peito, o que eu faria agora? – O que está fazendo? Eu vim te visitar e... o que é essa mala?
– Eu... eu... eu vou embora – eu disse com minha garganta seca.
– Embora? – ele disse atônito – Para onde? Por quê?
– Vou voltar para Estocolmo – eu disse fechando os olhos fortemente para não olhá-lo, mas acho que na verdade era para segurar as lágrimas – Eu vou voltar para a faculdade de diplomacia.
– Vig, o que está acontecendo? – ele disse me virando para encará-lo, aqueles olhos me atingiram em cheio e antes que pudesse segurar, mais lágrimas desceram pelo meu rosto. Odeio chorar, absolutamente odeio chorar – Por que está fazendo isso? E a Academia de Belas Artes?
– É apenas um sonho, como vou me sustentar apenas vivendo de quadros que vou vender na rua? Isso não tem futuro nenhum!
– Não precisa se preocupar, eu te sustento, eu não me importo! Só não deixe esse sonho para trás, você não pode...
– Bill, você não pode me sustentar para sempre, eu não quero isso! – eu disse o cortando – Quero dizer, você tem coisas muito mais importantes a se preocupar, têm a sua carreira, seus shows, suas fãs. Você não pode jogar tudo fora por mim.
– Minha carreira não importa quando você está em primeiro lugar! – ele disse ficando desesperado.
– Não é certo. Você precisa achar alguém do seu porte Bill, alguma garota rica, do mesmo jeito que você, alguém que honre o seu sobrenome quando ganhá-lo, alguém que poderá estar do seu lado sempre. Eu simplesmente não posso.
– Uma garota rica? Eu não quero uma garota rica. Se você se sente menosprezada pelo meu dinheiro, eu doo ele todo para uma instituição, eu não me importo de jogar todas as minhas roupas da Dior fora, por que já me cansei disso. Não quero ter mais dinheiro se é para ficar longe das pessoas que amo.
– Sou apenas uma garota, não faça isso! – eu disse tirando o anel do meu dedo e devolvendo a ele, eu já estava soluçando, com o rosto empapado de lágrimas, mas eu não podia voltar, não podia – Dê isso a alguém que mereça.
Quando ele pegou o anel com lágrima nos olhos, eu o abracei com toda a força que eu tinha, sentindo os últimos vestígios que eu teria dele. Nunca desejei tanto morrer quanto nesse momento, quando o deixei para trás e entrei no táxi e o vi sumir ao longe, quando eu sabia que o que eu mais merecia era morrer por fazê-lo sofrer, quando eu sabia que era a maior hipócrita do mundo. Hoje eu merecia morrer.

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87 Re: Angels Don't Cry em Qua Dez 19, 2012 4:44 pm

Anny V.

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O que foi isso? Shocked
Sério que ela vai deixar ele depois de tudo?
A menina morreu, ressuscitou, largou o namorado, saiu da faculdade, foi até a França pra encontrar o Bill, e agora simplesmente deixa ele?

Faz tempo que não comento, por preguiça mesmo u.u
O capítulo 39 foi o mais perfeito *-----*

Eu não acho que o ponto de vista do Lukas esteja errado, mas a Hedvig desistir do Bill depois de tudo o que passou, é de mais pra minha cabeça!

Vai lá, Bill! Corre atras dela. Não deixa a Vig ir embora Sad

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88 Angels Don't Cry em Dom Dez 23, 2012 10:51 am

Sam McHoffen

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Capítulo 42 - Sentimentos de verdade


O aeroporto estava cheio de pessoas, mas na frente de uma loja de revistas, como o combinado, lá estava Lukas lendo um livro. Eu queria tentar chegar apresentável, mas desde que entrara no táxi eu não conseguia parar de chorar, eu nem conseguia ver direito com tantas lágrimas.
– Evvy! – ele exclamou quando me viu – Pensei que não viria, chegou atrasada como sempre. O que aconteceu?
– Nada, nada demais – eu disse limpando meus olhos com as costas das minhas mãos.
– Ah, você não devia estar chorando – ele disse se levantando – Deveria estar feliz, tudo vai voltar ao normal novamente, Evvy. Você fez o certo abandonando aquela ideia estúpida da arte plástica, ninguém leva a sério um artista.
“Na verdade eu acho incrível pintar quadros, eu aprecio qualquer tipo de coisa artística.”
Um flash veio na minha cabeça no mesmo momento que Lukas havia dito aquilo, apenas meneei minha cabeça, tentando deixar isso de lado. Eu tinha que me esquecer, não podia acreditar mais nos meus sonhos bobos.
– Além disso, mesmo que você passasse na Academia de Belas Artes nada garantiria que você seria uma grande pintora.
“Pare de ser negativa, eu sei que você vai entrar e será a melhor artista plástica de Paris”.
– Mas era meu sonho – eu disse simplesmente – Por mais estúpido que seja, era o que eu realmente queria. Eu nunca te contei sobre isso antes?
– Não – ele disse dando de ombros – Isso não é muito importante, tem coisas mais importantes para saber sobre você.
“Acho que não me importaria de perder todo o meu tempo só para descobrir tudo isso sobre você”.
– Então agora sorria – ele disse para mim, colocando a mão nos meus ombros – Você ficará mais decente sorrindo.
“Você é linda sorrindo, devia sorrir mais”.
– Não consigo sorrir, estou triste demais para fazer isso – eu disse me desvencilhando dele – É triste abandonar tudo aqui.
– Você é forte Hedvig, vai aguentar. Não me vai dizer que Paris é mais importante que a Suécia?
“Ela parece ter medo de expressar o que realmente sente, fica sorrindo o tempo todo, mostra que é forte, mas na verdade ela está escondendo seu lado fraco”.
– Os dois lugares são importantes para mim, não quero me esquecer de nenhum.
“Quando você for embora, promete não se esquecer de mim?”.
– É, mas vou mostrar que a Suécia é melhor. Podemos passar o Natal no meu chalé, em breve vamos fazer um ano que nos conhecemos e nos apaixonamos – ele disse mexendo em uma mecha do meu cabelo – Poderemos nos unir finalmente.
“Então também tenho algo a dizer. Hedvig eu te amo!”.
– Não posso – eu disse de repente – Eu quero passar o Natal com minha família.
– Mas você já passou dezessete anos ao lado deles, o que custa passar um comigo?
“Vi a forma como olhou a foto da sua família, sei que cometeu erros, mas se há alguém que mais mereça o Céu, é você”.
– Eles são a minha família – eu disse secamente o olhando bravo – São muito mais importantes do que qualquer outra pessoa e é com eles que quero passar meu Natal.
“Vou embora quarta-feira que vem para passar o Natal com minha família e pretendo levá-la”.[/i– Evvy, calma, estou apenas sugerindo passarmos um Natal romântico – ele disse tentando me abraçar, mas fugi dele – Sei que você ainda é...
– Não sou virgem – eu disse rispidamente – Anteontem perdi a virgindade a pessoa mais maravilhosa do mundo.
– O que? – ele exclamou pasmado – Como isso?
– Oras Lukas, você pode pegar a loira oxigenada da sala 203 de relações públicas e não posso fazer o mesmo? Apesar de que não foi diversão, não foi sexo, foi amor de verdade.
– Quer dizer que, em apenas alguns dias você vai para a cama com ele e eu tive que esperar um ano de namoro para isso acontecer. Não sabia que você decaiu tanto a esse ponto.
– Eu decaí? Pelo menos eu fui lúcida para a cama, não igual a você que é um fraco. E não foi uns dias, foi uma vida inteira esperando pela pessoa importante da minha vida, foi uma vida inteira sabendo que em algum lugar desse mundo havia alguém para mim. E sabe do que eu me arrependo nessa vida? De ter tido algo com um completo idiota como você, que não sabe nem correr atrás dos próprios sonhos por que é um incapaz!
Eu sentia tanta raiva, tanto ódio dele e de mim mesma por ser uma estúpida de acreditar nele e ter abandonado tudo que eu amava. Isso que não era o certo, voltar para a mesma droga de onde eu vim, achar que diplomacia era bom para mim por que eu poderia ganhar alguma grana.
– Então volte para a Suécia, onde você poderá o bem sucedido e vazio advogado, case com uma garota de cabeça oca e com boa aparência só para mostrar como troféu aos seus amigos, crie sua vida falsa, de plástico que você se orgulhará pensando que é de ouro.
[i]“Eu posso ter tudo, fama, dinheiro e luxo... mas não tenho ninguém”.

– E sabe o que mais? Quando você estiver velho e olhar para trás e ver o que fez de bom da sua vida, descobrirá que não foi nada, por que você abandonou seus sonhos, tudo que temos na nossa vida. Ao contrário de você, ele nunca desistiu em nenhum momento, mesmo quando estávamos entre a vida e a morte, entre o Céu e o Inferno. Ele sabe o que significa amor de verdade e não o amor por aparência, por isso não vou com você para a Suécia, prefiro ir para o Inferno do que voltar e cometer os mesmos erros de novo!
Espere um momento... inferno... mas o que?
Bill não poderá viver sem você, sabia? Vamos dizer que hoje, às sete da noite em plena Champs Elysées, o carro dele sofreria um acidente fatal?”
Ele não poderá viver sem você. De repente eu descobrira o que estava me incomodando o tempo todo, sabia que algo de ruim iria acontecer, mas eu não fazia ideia do que. Agora eu havia me lembrado do aviso! Eu havia rompido com Bill, algo iria acontecer por que ele pensou que eu iria embora para sempre.
– Então volte para ele – Lukas disse – Vá lá e quebre a cara, então depois você vai vir se rastejando até mim pedindo perdão.
– Você não me conhece mesmo, Lukas. Você acha que Hedvig Nondenberg iria rastejar por um idiota como você? Sem chances, meu bem. Volta lá para o buraco de onde você veio – eu disse pegando minha mala e dando as costas para ele.
Corri desesperadamente até um táxi, olhei para o meu relógio onde marcava seis horas e quinze minutos. Eu tinha apenas quarenta minutos para evitar um possível acidente, precisava primeiro verificar se Bill estava no hotel, então mandei o taxista voar para lá o mais rápido possível, claro que tive que jogar uma boa quantidade de grana na cara dele para ele fazer isso.
Eu estava quase enfiando minha cabeça no vidro por ter feito uma burrada dessas, por culpa minha, Bill iria sofrer um acidente só por que a anta aqui deu uma de covarde na última hora. Claro que eu estava com medo de namorá-lo e enfrentar a família dele, mas bater em retirada? Isso não é uma coisa que eu faço! Hedvig, burra, burra, BURRA! Agora vou ter que concertar tudo de novo, todos os erros que insisto em cometer. Mereço ir para o Guinness como a garota que mais cometeu erros na sua vida, começando por ter nascido.

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89 Angels Don't Cry em Dom Dez 23, 2012 10:55 am

Sam McHoffen

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Capítulo 43 - Minha vida pela sua



O táxi parou na frente do hotel de Bill, peguei a minha maldita mala e corri até o Hall o mais rápido possível, me choquei com algumas pessoas e uns turistas que me xingaram em uma língua que eu não sabia. Nada disso importava, eu tinha vinte cinco minutos antes de algo acontecer.
– Por favor, moça – eu disse desesperada – Pode ligar para o quarto de Bill Kaulitz e verificar se ele está lá?
– Qual o seu nome? – ela perguntou secamente.
– Faça o que eu estou mandando, é caso de vida ou morte, rápido! – eu disse com raiva.
Ela se assustou e fez o que eu mandei, ligou várias vezes, mas ninguém atendeu. Ele não estava lá, meu Deus!
– Ligue para o irmão dele, o Tom Kaulitz!
– Tudo bem, calma... – ela disse discando o número do quarto dele – Alô? Senhor Kaulitz tem um garota aqui querendo falar com...
– Passa isso para cá já! – eu disse puxando o telefone da mão dela – Tom? É a Hedvig! Você sabe onde está o Bill?
– Hedvig! O que? Ele não foi para o seu hotel? Ele disse que ia te ver – ele disse sem entender nada.
– Então ele não voltou? – eu disse tentando me acalmar para não assustá-lo.
– Que eu saiba não, mas o que está acontecendo? Você parece preocupada!
– Tom, você tem algum carro aqui? Algum carro que possa me emprestar por algum tempinho?
– Tem o do hotel que eu aluguei, a chave está com eles. Mas me fale o que está acontecendo! Vocês brigaram?
– Fale com a atendente, diga a ela para me emprestar o carro, rápido! – eu disse olhando para o relógio que agora marcava seis e meia.
Eu entreguei o telefone a ela que me olhava sem saber o que fazer, pelo visto, Tom a mandara fazer o que eu pedira, por que ela desligou e me entregou as chaves do carro alugado. Deixei minha mala ali mesmo no balcão e corri direto para o estacionamento, tentando procurar o carro certo, só descobri quando apertei o alarme dele.
– Preciso me apressar! Meu Deus do Céu! Me ajude, eu imploro – eu disse abrindo a porta do carro e entrando nele.
Foda-se policiais, eu arranquei com tudo e acelerei para longe do hotel, eu precisava ir para a Champs Elysées, que não ficava muito longe de onde eu estava só tive que evitar um trânsito que estava em uma das ruas adjacentes por causa da neve. Eu nem conseguia mais respirar enquanto olhava para o relógio, já era seis e quarenta e cinco minutos e eu nem chegara ao meu destino.
Então finalmente os carros conseguiram passar e eu acelerei mais ainda, tentando passar por eles. Quase que bati em outro carro quando fui fazer uma virada brusca, mas eu não estava com medo de ter que pagar qualquer coisa, o que mais me importava era Bill.
Quando finalmente consegui chegar a Champs Elysées, já era seis e cinquenta e seis minutos, ela não estava muito cheia, a maioria dos carros estavam estacionados. Agora eu estava indo com calma, tentando procurar o carro de Bill, mas não conseguia encontrá-lo em nenhum lugar.
– Senhorita – disse um guarda parando o carro, pensei que ele fosse me multar ou me apreender por ter acelerado lá trás – Cuidado com a primeira esquina, acabamos de tirar neve de lá e está bastante escorregadia, pode acontecer um acidente.
Acidente. Eu disse obrigada a ele e parti para a primeira esquina, com o coração batendo conforme o ponteiro de segundos do relógio. Faltavam dois minutos! Onde ele está? Onde? Então há alguns metros eu vi a Mercedes prateada, imponente e acelerada indo bem em direção a primeira esquina. Ele não sabia que a pista estava escorregadia!
Pisei no acelerador e usei toda a velocidade que eu podia para chegar até ele, não fazia ideia de como pará-lo, só queria mais tempo para saber o que fazer. Cada vez mais eu estava mais perto dele, abaixei o vidro, tentando ver se eu conseguia falar com ele caso conseguisse me aproximar mais. Então lá estava a primeira esquina com o semáforo vermelho, vi que Bill tentou brecar, mas a pista estava escorregadia.
Se quando o lustre quase caiu em cima dele, eu vi tudo em segundos, dessa vez eu vi tudo em microssegundos. Ouvi uma buzina vindo do lado direito e lá estava um enorme caminhão de cargas, mas ele também não conseguiu brecar por causa da neve, então tive que tomar a decisão mais rápida da minha vida.
Acelerei o máximo que o carro podia e consegui passar o carro de Bill, então virando o volante com tudo para o lado esquerdo eu passei na frente dele. Senti o metal do meu carro riscar todo o outro carro, o empurrando para longe, fora do alcance do caminhão. Nem acreditei quando deu certo, minha única preocupação era que ele não se machucasse por causa da batida.
Mas minha felicidade sumiu rapidamente quando percebi que meu carro não brecava, que a neve o levava para longe enquanto eu tentava desesperadamente parar. Um arrepio passou pelo meu corpo quando a Catedral de Notre Dame soou o seu sino batendo sete horas. Bang-bang-bang-bang-bang-bang-bang. Por um momento pensei que a luz ao meu lado direito fosse algum enfeite natalino, mas eram duas bolas de luz que se aproximavam mais e mais conforme uma buzina aumentava.
O carro foi arrastado pelo caminhão, ele acertou com toda a velocidade amassando-o todo, conforme não conseguia brecar. Todo aquele metal que antes era um automóvel foi virando algo retorcido, alguma arte louca de algum artista que simplesmente não conseguia segurar seus instintos. Havia vidro por todos os cantos e o impacto foi enorme, senti meu corpo ir com tudo para o lado enquanto minhas mãos seguravam firmemente no volante.
Quando eu havia explodido, tudo foi muito rápido, não cheguei a sentir nada e quando vi estava na cozinha toda preta e pegando fogo. Eu havia morrido e meu corpo estava há alguns metros de onde eu estava, todo carbonizado. Um anjo da morte que teve que me acudir por que fiquei desesperada no primeiro momento, sem saber o que havia acontecido.
Morrer em um acidente de carro é tudo lento demais, você é capaz de ver em segundos tudo se transformar em sucata com você lá dentro. Seus sentidos parecem ficar mais apurados e antes que você perceba, está morrendo lentamente, sua mente vaga, mas fica lúcida ao mesmo tempo. Só sei que um dos meus últimos vislumbres foi uma olhada pelo espelho retrovisor, onde vi Bill saindo inteiro do carro e tentando descobrir o que havia acontecido. Ele estava bem.
Tudo fica mais apertado conforme os segundos se prolongavam, então senti uma fisgada no lado direito do peito, senti o lugar ficar quente de repente, havia uma mancha de sangue enorme escorrendo pelo meu corpo. Não houve sangue da última vez, isso parece ser tão cruel. Talvez eu mereça algo desse tipo, mais cedo eu não falei que merecia morrer por ser uma idiota? Aqui estou eu levando o que realmente merecia. Meu coração precisava sangrar igual ao dele, precisava sentir o que eu causara nele.
Senti que tudo chacoalhava, pelo visto o carro rolara metros e metros pela Champs Elysées, só eu mesma para causar uma confusão dessas na avenida mais importante do mundo, sinta-se honrada Hedvig. Havia também cheiro de queimado e gasolina, será que agora eu iria morrer do mesmo jeito que antes? Acho que eu não tinha medo, afinal já aconteceu isso uma vez, mais uma vez não faria diferença.
Então todo aquele metal retorcido me envolveu como garras, me puxando para baixo e mais baixo, me senti sumindo em uma escuridão. Meus olhos não agüentavam ficar mais abertos por que eu não conseguia mais respirar, eu sentia dor só de inflar meus pulmões. Novamente eu havia morrido, talvez dessa vez para sempre. Levada para a escuridão de onde eu nunca devia ter saído.

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90 Angels Don't Cry em Dom Dez 23, 2012 10:59 am

Sam McHoffen

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Capítulo 44 - Não tenha medo de recomeçar



Eu estava em uma sala branca, totalmente branca, não havia nada lá. Na verdade ela não tinha fim, era só um lugar inteiramente branco, mas eu estava sentada em algo e encostada na parede. Toquei no meu corpo procurando por algum ferimento, mas não havia nenhum... onde estou afinal? Isso é o Inferno ou o Céu?
– Olá Hedvig! – disse alguém do meu lado que me fez dar um grito. Lá estava ele, do jeito que eu o imaginava, velhinho, com uma barba branca comprida. Não se tratava de Papai Noel, claro, era Deus – Que bom vê-la novamente.
– Deus? – eu perguntei mesmo sabendo a resposta.
– Quem você esperava? – ele disse piscando atonitamente apenas se fingindo de desentendido.
– Ninguém, na verdade eu pensei que seria engolida pela escuridão eterna, mas aqui está tudo branco – eu disse analisando o local – Onde eu estou?
– Logo você vai descobrir quando sua mente clarear – ele disse sorrindo – Mas quem diria que eu iria vê-la de novo! Acho que você gosta mesmo daqui, Hedvig.
– Então estou morta de novo? – eu suspirei – Pelo visto eu teria que morrer de qualquer jeito, não é mesmo?
– Não sei, na verdade isso foi uma escolha sua. A vida é cheia de escolhas, algumas pessoas escolhem viver outras simplesmente morrer.
– Eu não sabia que ia morrer – eu disse falando a verdade – Só precisava salvar Bill, não queria que ele morresse por uma burrice minha. Acho que não aprendi nada, cometi os mesmos erros novamente.
– Como eu disse, a vida é cheia de escolhas, às vezes tantas que nos deixam confusos. Muitas pessoas não sabem se devem seguir o caminho dos sonhos ou o caminho do dinheiro, um deles vai te fazer feliz, mas depende de casa um qual caminho escolher.
– Eu seguia o caminho do dinheiro, então percebi que não era o que eu queria, então fui para o caminho dos sonhos, mas fiquei com medo do que encontraria por lá, achei que no caminho do dinheiro eu estaria mais segura, mas eu não seria feliz. Tentei voltar para o outro caminho, mas acho que não deu certo.
– Não? – ele perguntou pasmado – Você salvou Bill! Ele deveria ter morrido, era o destino dele, mas você, Hedvig, que adora se meter onde não é chamada, conseguiu mudar a vida dele colocando a sua em risco. Preferiu morrer por ele a imaginar ele no seu lugar atual. Se isso não é amor, não sei o que é.
– Mas eu o feri, eu rompi com Bill!
– Sim, se analisar bem, poderá ver que fez isso por egoísmo e medo, simplesmente por que achava que ele não teria tempo para você e por que achava que teria outro relacionamento que não deu certo. Bill é famoso, Hedvig, mas ele é humano também, ele tem muitas coisas a se preocupar, mas sempre terá um tempo para as coisas mais importante no ponto de vista dele. Ele conquistou tanta coisa, mas sentia falta do que mais ele não teve na vida: amor.
– Viu, eu fiz tudo errado – eu disse com raiva.
– Mas você pensou nele também, pensou que já que ele preza tanto o amor, ele deveria achar alguém do mesmo ramo que ele. Pensou que se ele tivesse sempre alguém ao seu lado, ele seria mais feliz e você estava certa, mas também estava errada. Com seu jeito simples, você é o mais próximo do que ele já viveu algum dia, você tem tudo que ele quer. Tem uma vida longe de fotógrafos e pessoas o perseguindo, consegue ser forte a maior parte do tempo, tem uma família bastante unida, tem amigos e está aí, correndo atrás de um sonho simples e bonito.
– Ele também tem uma família unida, ele tem Tom e pelo modo que ele fala sua mãe e seu padrasto são ótimos. Além de que o sonho dele já foi simples e bonito, agora é uma realidade.
– Sim, mas ele já sofreu muito, por isso que ele tem Tom, alguém para ele contar sempre que precisar, alguém do mesmo sangue que dividiu a mesma barriga por nove meses. Ambos sofreram muito com a separação dos pais e na escola também quando as pessoas não os aceitavam. Hedvig, os humanos têm a mania de achar que alguém que não haja de modo “normal”, precisa ser banido. Não existe um jeito de ser, de se vestir, de se falar ou de sentir, cada um é único e sabe o melhor para si mesmo. Não existe certo ou errado, cada um sabe que caminho seguir e os outros não deviam se importar com isso.
– Eu não sabia disso sobre Bill, na verdade eu não sei muita coisa sobre ele, acho que ainda preciso de muito tempo para conhecê-lo de verdade. Fiquei tão encantada pelo sorriso dele e pelo modo de sempre estar feliz, que não percebi que por dentro não era isso que ele gostaria de demonstrar.
– Ele tenta mostrar que tudo está bem, que tudo é ótimo na vida dele, mas muitas vezes não é isso. Por isso você está viva Hedvig, por isso que te mandei como suposta “anja da guarda” dele, para mostrar a ele que na vida não tem só coisas ruins. Tanto você quanto ele estavam desacreditando no amor, por que achavam que o mundo era cruel e injusto, mas eram vocês que estavam sendo assim com si mesmos. Para você, foi mais fácil se sentir livre quando estava morta por que os outros não estavam opinando sobre você, mas na vida sempre vai aparecer alguém querendo te tirar do seu verdadeiro caminho. Só que a decisão é sua.
– Eu quero ser artista plástica independente do que acontecer depois – eu disse firmemente – Não importa se eu não for famosa, se eu não for rica, o que eu quero é aquele antigo sonho de viver em uma casa decente, pintando, sempre indo a cafés e vivendo algum romance.
– Então você tem tudo para dar certo – ele disse sorrindo para mim – Sabe, as pessoas vem para cá, pensando que vão direto para o Inferno ou pensando que sou tão mal a ponto de querer que elas vivam de castigos cruéis. Não é verdade, eu simplesmente quero que todos concertem seus erros e vivam felizes, sem se importar com mais nada. Não julgo ninguém por cor, sexo, raça, opção sexual ou qualquer coisa, afinal todos são meus filhos e um pai quer o melhor para eles.
– A felicidade – eu disse também sorrindo esperançosa – O que todos procuram e o que você entrega para nós todos os dias, mas rejeitamos.
– Isso mesmo! Você aprende rápido, Hedvig! Acho que se você olhar bem agora, saiba onde estamos – ele disse meneando a cabeça para um canto do quarto.
Vi que não estávamos mais naquele infinito branco, mas tudo ainda era branco. Tratava-se de um quarto de hospital realmente enorme, Deus e eu estávamos sentados em um armário baixo e do outro lado dava para ver uma cama, onde eu estava deitada totalmente machucada, com bandagem na cabeça e com aparelhos me ajudando na respiração.
Do meu lado, sentando em uma poltrona estava Bill, ele tinha olheiras abaixo dos olhos e parecia cansado. Pelo visto ele andara chorando e isso me deixou triste, não queria vê-lo naquele estado. Ele acaricia calmamente a minha mão onde havia uma agulha com soro.
– Não quero vê-lo assim – eu disse a Deus – O que eu posso fazer?
– Talvez devesse ouvir o que ele tem a dizer.
– Vig... – Bill disse me fazendo olhar para ele novamente – Não morra, por favor, não sei o que aconteceu, só sei que salvou minha vida mais uma vez. Não suportaria saber que preferiu morrer para me ver salvo.
– Eu queria falar para ele que está tudo bem, que ele não precisa se preocupar. Queria dizer que não planejava morrer, mas algumas coisas têm que ser assim.
– Vai desistir tão rápido? – Deus exclamou me olhando pasmado – Acho que você nunca assistiu Grey’s Anatomy, se você ouve aquele bip do aparelho, quer dizer que uma pessoa continua viva. Você não morreu ainda, apenas está em coma.
– Quer dizer que eu posso voltar de novo? Mas isso não é errado, me dar mais uma chance depois de milhões?
– Não estou te dando uma chance, Hedvig, simplesmente não é sua hora de morrer. Como eu disse era a hora dele, não a sua. Quando você se sacrificou no lugar dele, deu a chance de ele viver mais e por pouco, conseguiu salvar sua própria vida.
– Então eu vou voltar – eu disse descendo do armário e caminhando até a cama – Obrigada por me ajudar! Não sei como agradecer!
– Só volte para o seu corpo, viva intensamente, não cometa mais tantos erros e siga o que você acha bom para si mesma independente do que os outros digam. Ah! E não quero mais te ver por aqui, chega de vir para esse lado, só quero vê-la quando for uma velhinha bem faladeira, para me contar tudo que fez de bom na sua vida.
Eu sorri para ele e me virei para Bill, fui até o ouvido dele e sussurrei “Perdoe-me”, ele simplesmente se virou para o meu lado como se me visse ou me ouvisse. Então coloquei minha mão sobre a dele, que estava sobre a minha mão do meu corpo vivo.
– Sim, Bill – eu disse chorando lágrimas que não eram reais, eram feitas da felicidade que vinha de dentro de mim – Eu voltarei para você.
Dessa vez não fui agarrada pelas sombras, tudo se iluminou e eu sabia que dessa vez tudo ficaria bem.

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91 Angels Don't Cry em Dom Dez 23, 2012 11:04 am

Sam McHoffen

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Capítulo 45 - O sorriso é o Sol de alguém



Tudo bem, eu sentia dores, isso é mau. Pensei em voltar a dormir, talvez nos meus sonhos eu não sentisse isso, mas eu decidi que o melhor era abrir os olhos. Como tudo estava fosco! Parecia que eu havia bebido litros de álcool e acordei no dia seguinte depois de uma ressaca daquelas. Eu me sentia meio grogue e parecia que meus músculos tinham se transformado em gelatina. Vamos com calma, tente mover um dedo... consegui! Agora levante a mão só um pouco... espere um momento, tem algo em cima da minha mão!
– Hedvig? – uma voz ao meu lado me fez dar um sobressalto, então virei meu rosto de lado e lá estava Bill – Você está bem? Meu Deus! Como se sente?
– Me sinto estranha – eu disse com uma voz rouca, havia um caninho na minha garganta, que coisa desconfortável! – Onde diabos eu estou?
– Você sofreu um acidente – Bill disse se levantando e falando rapidamente – Eu fiquei tão preocupado quando vi que a pessoa naquele carro era você! Não sabia o que fazer, não sabia nem falar francês! Tive que ligar para Mischa para mandá-la chamar uma ambulância o mais rápido possível, pois por um momento pensei que tinha morrido!
– Acho que vaso ruim não quebra – eu disse tentando me ajeitar na cama e uma dor daquelas me atingiu o peito – Ah, caramba! Posso não quebrar, mas com certeza trinquei!
– Não faça tanto esforço! – Bill disse preocupado, me ajudando a me deitar em uma posição melhor – Uma ferragem acabou perfurando seu pulmão direito, fizeram uma cirurgia em você, mas você ainda precisa repousar para melhorar.
– E meus pais? Eles sabem que a filha irresponsável deles quase morreu?
– Não, não tive coragem de contar ainda, pedi para Mischa um tempo. Queria que você melhorasse para que eles não tomassem um susto tão grande, mas tive medo de ter que contar uma notícia ruim para eles. Você não devia ter feito isso! O que você teve na cabeça quando jogou o carro na minha frente?
– Eu tinha que te salvar, não podia deixar que morresse! Foi a melhor coisa que eu pude fazer em alguns segundos, acho que foi algo digno do filme Duro de Matar. Vou tentar pegar o papel do principal da próxima vez.
– Não brinque com coisas sérias – Bill disse passando a mão em meus cabelos e os ajeitando, percebi que havia um curativo na testa dele, pelo visto eu não tinha conseguido deixá-lo intacto – Mas por que você voltou? Quero dizer, você não ia para a Suécia?
– Tudo bem, pode me socar, mas soque bem forte, entendido? Eu posso aguentar. Eu sou a pessoa mais estúpida da face da Terra, se não, do universo. Como eu pude pensar isso, meu Deus! Preciso pedir perdão de joelhos, me deixa tentar levantar – eu disse tentando me sentar, mas vieram mais dores e eu caí de novo na cama – É, não dá agora, mas eu faço isso depois. Bill, eu não devia ter abandonado você nem meu sonho, só por que um idiota me disse que isso não era o certo, o que eu tinha na cabeça?
– Está tudo bem – ele disse simplesmente, piscando várias vezes.
– Bill, pare de ser bonzinho e me xingue agora – eu disse olhando brava para ele – Vai, aproveita que eu não posso fazer muita coisa e me dá um soco ou um chute se preferir, por que essa sua bota de ponta fina vai fazer um estrago em mim.
Então o maldito se aproximou e me beijou, não foi um beijo de língua por que com aquele caninho na minha goela não dava para investir nisso. Mas ele envolveu meus lábios carinhosamente e depois se afastou de mim.
– Pronto – ele disse sorrindo levemente.
– Falei para me xingar, não para me fazer agrados! Xingue-me de burra, hipócrita, traidora, fraca, covarde, vamos lá!
– Tudo bem – ele disse bufando – Hedvig, você foi uma burra, hipócrita, traidora, fraca e covarde. Mas todo mundo é assim alguma vez na vida, no seu caso várias vezes, só que é isso que eu gosto em você.
– Gosta que eu seja burra, hipócrita, traidora, fraca e covarde? – eu perguntei atônita.
– Não, é de você voltar atrás quantas vezes precisar. Não importa quantos erros você cometa, sempre está disposta a concertá-los. Tem pessoas que simplesmente fogem do passado, achando que ele não é importante, mas é dele que temos que tirar as aprendizagens para fazer nosso futuro melhor. Eu li isso em algum lugar alguma vez – ele disse rindo logo em seguida.
– Tudo bem, então eu quero sair daqui o mais rápido possível, não estou a fim de passar meu Natal deitada nessa cama. Prefiro enfrentar sua família a isso, quero dizer, se você me quiser na sua família, por que depois do que eu fiz, eu mereço é ser jogada no Rio Sena.
– Hum... vou pensar – ele disse levantando a sobrancelha e tirando o meu anel do seu bolso – Afinal o que vou fazer com esse anel? Acho que tem um dedo que precisa mais dele do que eu.
– Também acho – eu disse rindo e tentando levantar a minha mão, então Bill a pegou e colocou o anel de volta no meu dedo anelar – Que dia é hoje afinal?
– Segunda, você ficou em coma por três dias, falaram que no mínimo ficaria de uma a duas semanas.
– Ah, não! Não terminei meu quadro e perdi a chance de falar com a diretora da Academia de Belas Artes!
– Eu liguei para lá avisando que você não poderia ir hoje por que sofreu um acidente, os avisei para marcarem outro dia, no meio de Janeiro onde você estará mais preparada.
– Sério? – eu exclamei feliz da vida – Acho que até lá, eu terei terminado o quadro! Na verdade só faltam alguns acabamentos e pronto.
– Estou ansioso por vê-lo! Mischa veio aqui mais cedo e disse que eu iria adorá-lo. Será que tem algo a ver com o que passamos?
– Sobre anjos, Inferno e Céu eu quero ficar longe por um tempo! Também acho que pintar Paris era algo clichê demais, então me baseei em outra coisa, logo você vai saber. Quando terminar, eu te mostrarei.
– Mas o que aconteceu enquanto você estava em coma? Você se lembra de algo? – Bill perguntou curioso.
– Não, que eu me lembre não aconteceu nada – eu disse tentando me recordar de algo, mas só me lembro de alguns sonhos confusos que eu tive como eu sentada em cima de um armário... estranho!
– Acho que tenho que agradecer a alguém lá em cima, por que enquanto você esteve aqui, eu nunca rezei tanto na minha vida. Eu pedi a ele para lhe dar outra chance, para voltar para mim... acho que ele ouviu.
– Você não era ateu? – eu perguntei pasmada.
– E você não era um anjo? Acho que se isso não me mostra que há algo acima de nós, então não sei que prova vou precisar para acreditar nisso.
– Bem... acho que Deus é um cara legal – eu disse pensativa olhando para a televisão – Liga a TV? Será que está passando algum seriado legal? Ouvi falar sobre Grey’s Anatomy, sabe?
Por mais que meu peito estivesse doendo, por mais que tivesse um caninho na minha goela, por mais que eu estivesse presa naquela cama, tudo parecia incrivelmente feliz. Até o branco das paredes parecia mais vivo hoje do que qualquer dia. Bill havia me perdoado, eu iria visitar a família dele – e espero sobreviver –, vou passar na Academia de Belas Artes e se eu não passar simplesmente vou tentar por conta própria virar uma grande artista. Nada iria tirar meu sorriso.

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92 Angels Don't Cry em Dom Dez 23, 2012 11:08 am

Sam McHoffen

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Capítulo 46 - Sonhos se realizam é só querer



– Hedvig, nem pense em carregar essa caixa! – minha mãe exclamou enquanto eu tentava carregar a caixa do forninho para a cozinha, para assarmos pãezinhos – Você sofreu um acidente e não pode ficar se esforçando!
– Calma, mãe! – eu disse brava – Isso nem pesa tanto!
– Deixa que eu levo para você – Bill disse tirando da minha mão – Sua mãe tem razão, não pode se esforçar.
– Você também! – eu exclamei bufando – Estão de complô contra mim?
– Claro que não, querida – minha mãe disse me abraçando – O Billzinho é um cavalheiro e também sabe o que é melhor para você.
Lá estava minha mãe babando pelo meu namorado, isso é incrível! Simone também estava na cozinha, ajudando a minha mãe a preparar a ceia de Natal, rindo animadamente do que minha mãe dizia. Nem acreditei quando a mãe de Bill me abraçou, ela disse que eu era bem-vinda na família e que ela estava feliz por Bill ter me escolhido como a namorada dele.
Gordon – o padrasto de Bill –, meu pai e o Senhor Sjodin estavam cantando animadamente enquanto bebiam mais um copo de conhaque, pelo visto já estavam bêbados! Mischa e Tom estavam sentados em um canto com Joe atrapalhando eles sempre que se beijavam, afinal Joe não parava de falar que iria se casar com Mischa e que Tom estava atrapalhando seus planos.
Eu estava sorrindo por dentro ao ver todos felizes, tudo parecia bem de verdade agora. Claro quando meus pais souberam do acidente, tiveram um surto, mas tudo logo ficou bem quando Bill me levou para Luleå junto com sua família, dizendo que esse Natal, todos nós passaríamos juntos. Foi bem engraçado ver a reação dos meus pais quando Bill chegou, meu pai não tinha ido muito com a cara dele já que ele era meio excêntrico, mas minha mãe caiu de amores por ele depois de ele tê-la ajudado quando ela derrubara um monte arroz no chão.
Freya estava em um canto da cozinha, balançando o rabo e esperando que algo mais delicioso do que arroz caísse no chão. Ela sempre encrencava com várias pessoas, mas não estava calma na presença de estranhos, talvez ela sentisse que não precisava ficar brava, que tudo estava bem.
– Como se sente? – Bill perguntou me abraçando – Não está sentindo dores?
– Não muitas, só um pouco de dificuldade de respirar, mas tenho minha bombinha! Acho isso um saco se quer saber, mas pelo menos respiro melhor – eu disse lembrando que bombinha geralmente é coisa de nerds ou chatos como a Walleska Wolff – Mas deixe isso para lá, me ajude a subir as escadas que tenho algo para te mostrar.
– Tudo bem – Bill disse passando o braço em volta de mim para se servir de apoio.
Depois de subir um bom lance de escadas para o meu quarto – onde Bill ficou maravilhado ao descobrir todas as minhas miniaturas de quem eu sempre falava –, perto da janela havia algo coberto com um lençol branco. Andei até lá e o mandei se aproximar, então tirei o lençol, mostrando finalmente o meu quadro.
Lá estava uma réplica exata de um dos olhos que mais me prendiam em toda a face da Terra, com suas voltas oblíquas, as cortinas de cílios compridos, sem contar a cor da pupila da cor de um castanho esverdeado. Mas como eu era fã de surrealismo, era só se aproximar para notar que os riscos na íris eram na verdade como degraus de uma escada que levava para a “pupila” como se fosse um lugar fundo e indeterminado.
– É o meu olho – ele disse atônito – O que significa?
– Significa que é um olhar importante, daqueles que te tragam, que te fazem se sentir perdido e te atraem pelos degraus, descendo lentamente até ser preso bem no fundo dele. Quando você olha para eles, pode ter certeza que é como se pudessem saber o que você pensa ou sente, simplesmente não consegue tirar os olhos, mas às vezes é difícil de olhar, com medo de se sentir mais preso ainda. É um calabouço onde eu sempre gostaria de ficar.


– Fascinante! – exclamou a Senhora Champoudry, que para meu desconforto era nada menos e nada mais que a velha que usava o suéter da Ralph Lauren na festa em que Bill e eu estávamos trancados no banheiro – Isso é incrível! Realmente amei esse quadro e o modo como você o detalhou, mostra que colocou sentimento nele. Consigo me sentir dessa forma que você falou, quando olho para ele.
– Que bom que a Senhora gostou! Esse quadro é muito importante para mim!
– Eu sei, se trata do garoto que você estava pegando no banheiro – ela disse me olhando enquanto abaixava os óculos para a ponta do nariz. Senti um medo tomar conta de mim, será que ela não deixaria entrar na Academia de Belas Artes por que me achava indecente? – O tal vocalista daquela banda, eu vi os olhos dele, ele arregalou bem quando me viu no banheiro aquela vez.
– Nós ficamos presos no Box por que tentávamos limpar meu vestido que se sujara de champanhe – eu disse tentando me justificar.
– Não precisa mentir, quando eu tinha a sua idade, eu fingia que ia rezar e ia para a Notre Dame só para se encontrar com um cara que eu era apaixonada. Acho que foi graças a ele que me apaixonei pelo mundo das artes, pelo visto aconteceu o mesmo com você.
– Sim, ele está me apoiando de verdade – eu disse sorrindo.
– Senhorita Nondenberg, eu ouvi falar de você, abandonou diplomacia em uma faculdade renomada da Suécia para vir tentar artes plásticas. Acho que não é o talento que diferencia uma pessoa das outras, é a dedicação e o amor, e tenho certeza que é isso que você tem pela arte. A Academia de Belas Artes vai ficar muito feliz de recebê-la como nossa nova aluna!
– Quer dizer, que fui aceita? – eu exclamei pulando da cadeira.
– Sim, parabéns! – a Senhora Champoudry saiu da sua cadeira e veio me dar um abraço. Quem diria que eu estaria abraçando ela algum dia? Isso me soa realmente irônico!
A Senhora Champoudry pegou o meu quadro e colocou em um dos corredores da Academia e disse que ia mandar fazer uma placa especial com meu nome embaixo. O Calabouço, como eu o chamava, estava agora praticamente em exposição! Diversos alunos olhariam para ele e sentiriam como eu me sinto, apreciariam minha arte e irão me olhar com admiração quando soubessem quem eu era.
Simplesmente saí pulando dali, feliz da vida por ter conseguido o meu sonho! Precisava gritar para o mundo ouvir que tudo havia dado certo, eu fui capacitada! Lá na frente da Academia, encostado em um carro preto, estava Bill com uma jaqueta de couro e óculos de aviador, na maior pose de bad boy, me esperando. Eu voltei para trás para esconder o meu sorriso e evitar que ele soubesse o que havia acontecido.
– E então como foi? – ele disse tirando os óculos e me olhando preocupado.
– Eu... eu... – eu disse tentando fazer cara de quem ia chorar, mas não consegui, logo meu sorriso descarado já estava contando a verdade antes mesmo de falar – Eu passei! Eu consegui!
Corri até ele e Bill me abraçou, me girando e gritando junto comigo. Nós havíamos conseguido! Juntos nós conseguimos mudar nossa vida de ultra chata para mega empolgante.
– Preciso contar para meus pais! Eles vão pirar quando souberem – eu disse animada quando Bill me soltou – E também para Mischa, mas vou fazer depois da apresentação dela. Vamos estar na primeira fila aplaudindo ela quando ela atuar em Os Miseráveis!
Sabe, não importa que daqui há umas semanas vai começar a turnê do Tokio Hotel e que só vou ver Bill depois de um tempo, acho que vou conseguir esperar por ele, leve o tempo que levar. Nosso amor já superou tanta coisa, que com certeza vai superar a distância, só queremos que nossos sonhos se realizem, algo que também é muito importante.
E sabe de uma coisa? Esses dias me contaram que Lukas também abandonou a faculdade e que ele conseguiu um emprego na NASA! Pelo visto algo naquela cabeça oca dele funciona. Mas isso que é importante, o tempo todo tem pessoas nos pressionando a sermos o que não somos, temos que simplesmente não ligar para o que elas pensam, temos que acreditar em nós mesmos! Não se pode desistir, mesmo que digam que somos incapazes, temos que ir atrás e mostrar a todos o que podemos fazer!
E o meu futuro? Simplesmente não vou me preocupar com ele agora, acho que meu presente precisa de muito mais dedicação, quero viver o meu agora e o depois, vou ver o que eu faço!
Sou Hedvig Nondenberg de Paris, e ficamos por aqui! Câmbio, desligo.

Eu posso guiar até tua casa?
Eu posso entrar na sua vida?
Você pode consertar a minha queda?
Pode quebrar meu coração esta noite?

Alguns anjos não choram
E nós somos, e nós somos
Apenas dois deles
E nós estamos a cair pelo céu
E esta noite

Vou descer com você
Beijos abençoados esperam
Vou descer com você
Bom quarto, desejos desaparecem

Correr para me entregar nos seus braços
Os sonhos podem ser um ponto de vista
Eu vou pra baixo, para baixo e para cima com você
Vou para baixo com você

Eu vou fazê-la se sentir em cima
Com o meu vazio esta noite
Consigo aguentar a sua cabeça,
Nós estamos a cair para a luz?

Porque os anjos caiem
E nós somos e nós somos
Apenas malditas almas
Mas o céu quando nós morrermos
E esta noite

Nós somos, nós somos
Os anjos não choram
Duas almas que colidem
Venha para mim

(Down on You – Tokio Hotel)

Fim

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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93 Re: Angels Don't Cry em Dom Dez 23, 2012 11:10 am

Sam McHoffen

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Administradora
Espero que tenham gostado de Angels Don't Cry. Eu simplesmente adoro essa fic!

Desculpem a demora em postar os últimos capítulos, mas é que eu estava sem computador.

E até a próxima!' alien

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94 Re: Angels Don't Cry em Dom Dez 23, 2012 11:47 am

Anny V.

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Moderadora
Aaaaaah, que lindo!

Eu juro que pensei que a Hedvig ia morrer de novo. Eu ia surtar se isso acontecesse!
Tudo deu certo no final, e ficou tão perfeito. Até o Tom acabou com a Misha \o/

No começo eu não botava tanta fé que o Bill e a Vig dariam certo, ela tava morta!
Só que depois de tudo o que passaram na França, eu torci tanto pra que eles ficassem juntos. E ela teve que passar por tanta coisa pra chegar até ele, depois que teve uma nova chance. E quando ela conseguiu fiar frente a frente com ele, eu pensei que ele não iria se lembrar dela. Aaaah, foi tudo perfeito de mais *-----*

E esse fim? Lindo! Eu adorei a descrição dela sobre o quadro. Eu acho que todo mundo se sente assim em relação ao olhar do Bill.
A Vig conseguiu entrar para A Academia de Belas Artes por causa do quadro dele

A Dasty escreve incrivelmente bem. Tanto fics como outras coisas que li no Blog dela - Sim, eu andei fuçando o blog da Dasty, por que achei as fics dela realmente muito boas, e precisa saber mais dela u.u- Enfim, a Dasty esta de parabéns pela história , e a forma de escrita ambas ótimas.

E muito obrigado, Sam, por ter o interesse e a paciência de postar essa Fic. Tu tem um bom gosto pra leitura, para a minha alegriaaaaaaa!

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95 Re: Angels Don't Cry em Sex Jan 04, 2013 10:41 am

Samantha McHoffen escreveu: Mas isso que é importante, o tempo todo tem pessoas nos pressionando a sermos o que não somos, temos que simplesmente não ligar para o que elas pensam, temos que acreditar em nós mesmos! Não se pode desistir, mesmo que digam que somos incapazes, temos que ir atrás e mostrar a todos o que podemos fazer!

QUE SAUDADE QUE EU ESTAVA DESSA FIC!

Eu havia lido ela há tanto tempo e quando vi ela postada aqui, não resisti eu tinha que rele-la!!
Angels Don't Cry é uma das minhas fics fa-vo-ri-tas, e eu simplesmente me emociono toda vez que a leio. Ela é simplesmente maravilhosa... muito amor por ela!
Adoro a Vig e o Bill, e como eles se completam! *-*
Sam, muito obrigada mesmo por ter postado ela aqui! flower
<3

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96 Re: Angels Don't Cry em Seg Jan 07, 2013 11:30 am

Sam McHoffen

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Administradora
Por nada meninas! Laughing

Eu gostaria de poder postar outras fanfics realmente boas que haviam no Nyah!, mas infelizmente muitas autoras já não entram nas contas do Nyah e várias fanfics foram perdidas! Sad

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