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Humanoid Chronicles

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101 Re: Humanoid Chronicles em Dom Dez 16, 2012 12:11 pm

Ella.McHoffen

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Adoro chegar aqui e ter imensas noviddes Razz

Antiga base foi uma boa ideia. Tom se aproveitando da Mine?! Será que vai haver alguma coisa entre eles?! Rolling Eyes

Mine apanhada que chatice! A doutora ira ajuda-la?! O que vai acontecer com ela?! scratch

Tantas curiosidades. Sam posta logo para eu mata minha curiosidade. bounce

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102 Humanoid Chronicles em Dom Dez 16, 2012 3:43 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Capítulo 47


A dor do amor em todos nós
Ele bate em você como um martelo
A dor do amor, não podemos desligá-la
Vamos comemorar o drama
(Pain of Love – Tokio Hotel)

06 de Setembro de 2109 (Pelo menos, deve ser nesse mesmo dia)
Em algum lugar estranho e medonho
Não faço ideia de que horário isso aconteceu

Eu me sentia estranha. Ainda um tanto nauseada e sem conseguir me mexer. Quando abri meus olhos, me encontrei no lugar mais estranho que já vi. As paredes eram metálicas e havia dezenas de telas holográficas em todos os cantos, ligadas a um computador, mostrando informações o tempo todo. Mas o mais estranho era o lugar onde estava deitada, eu estava dentro de uma cúpula elíptica, meus braços e pernas estavam presos em algemas. O pior é que eu não conseguia me soltar, era como se eu estivesse dentro da água e não conseguisse usar toda a força que eu tinha. Já estava chegando alguma conclusão, principalmente quando percebi que os fios da minha cabeça esvoaçavam.
– Cúpula anti-gravitacional – a resposta veio a minha mente, mas foi dita por outra pessoa. Virei minha cabeça lentamente e lá estava meu pai, me olhando com uma expressão bastante satisfeita – Estou realmente surpreso com você, Wilhelmine. Quem diria que minha filha superou todas as minhas expectativas? Quando a coloquei novamente em sua casa, pensei que talvez o passado viesse à tona e você decidisse escolher o lado certo, mas é claro que isso seria tolo da minha parte. O que eu queria saber, é a que ponto você chegaria para fugir.
Abri minha boca para falar, mas não saiu nada, nenhum som. Aquilo parecia o pior dos pesadelos, aquele que quando tudo depende de uma única palavra ou movimento, você não consegue fazê-lo. Meu pai sorriu mais ainda ao ver que eu não respondera, era o sorriso que um pai dá quando descobre que seu filho venceu uma competição de natação ou quando recebe o boletim dele cheio de notas máximas. Sempre quis que meu pai sorrisse daquele modo para mim, mas agora que eu conseguira, não estava nada satisfeita.
– Você irá apenas ouvir, o que é ótimo já que uma das suas manias é falar, questionar e ser insolente demais – ele pigarreou antes de continuar – Você conseguiu fugir da casa de forma tão silenciosa que o resto dos robôs que estavam na região não percebeu nada. E não só fez isso como descobriu a localidade dos Dogs Unleashed e os ajudou a fugir, da mesma forma silenciosa. E foi esse o meu erro, acreditei que não conseguiria e paguei por isso, afinal você invadiu meu computador e conseguiu a informação necessária para retirar o localizador do seu corpo. Pensei que nunca mais conseguiríamos pegá-la novamente.
Droga, sabia que tudo fora suspeito demais. Ele nunca iria me deixar ficar em casa sem que tivesse algum motivo muito bom por isso e ainda bem que ele errou, foi esse erro que salvou tudo. Meu pai poderia falar o quanto quisesse, eu não dava mais a mínima se os outros estivessem bem. Além de que ele teria muito trabalho comigo, não iria ceder de forma nenhuma aos seus objetivos.
– Foi então que você voltou, entrou na World Behind My Wall Corporation de forma tão planejada que quase deu certo novamente para que fugisse. Talvez se você tivesse escondido o corpo de Sophie Benzner de forma mais aceitável, nunca teríamos desconfiado, mas acho que teria problemas o suficiente já que seu corpo estava rejeitando o seu novo braço. Eu não fazia ideia do que você estava fazendo aqui, pois pensava que já estaria a milhas de distância, fugindo, mas bastou ver o vídeo das câmeras para descobrir. Quem diria que a Humanoid 483 se apaixonasse pelo Humanoid 482? Isso até parece destino, não é mesmo?
Idiota, isso não é destino, foi consequência dessa conspiração imbecil. Foi a World Behind My Wall Corporation que mexeu seus pauzinhos, sem saber o que acarretaria logo depois. Quem sabe, se esse negócio de Projeto Humanoid nunca tivesse existido, talvez eu encontrasse Bill de um jeito diferente? O Bill que escrevia em seu Idiary e nunca pensou em estar em uma guerra, que nunca perdeu ninguém além dos seus pais biológicos? Será que eu me apaixonaria por ele?
– E quem diria que ainda conseguisse uma aliada? A Doutora Tiersen é uma mulher com uma carreira muito promissora, na verdade, estávamos até pensando em recrutá-la para o projeto Humanoid. Do mesmo jeito que você está torcendo para que ela chegue ao seu objetivo, eu também estou. Ambos queremos ver o Humanoid 482 recuperado e como ela é uma ótima dermatologista e trabalha com peles sintéticas, tenho certeza que vai fazer o seu trabalho muito bem, cuidando dos ferimentos robóticos dele.
Ele sabia. E porque estava torcendo para que Bill estivesse bem o suficiente? Eles não queriam destruí-lo? Quem sabe eles não o querem também para sua coleção? Com certeza a resposta era tão assustadora quanto a pergunta.
– Claro que ela pode ser convencida por eles, assim como você fez, de que nós somos os vilões. Por isso precisamos de algo que a mantenha conosco e tenho certeza que ela vai ficar feliz em voltar para nós quando descobrir que seu filhinho desapareceu. E não é só ela que voltará, o Humanoid 482 também quando descobrir que você está em nossas mãos novamente. Acho que vai ser um encontro espetacular.
Droga, era uma armadilha, não só para Bill, como para a coitada da Doutora Tiersen! Como pude ser tão estúpida de colocá-la nisso também? Agora o seu filho estava em apuros. Eu precisava sair daqui, precisava consertar essa burrada que havia colocados todos em perigo. Novamente isso seria por minha causa, mais um problema originado por mim! Comecei a tentar quebrar as algemas, mas era impossível, por causa daquela gravidade, um soco seria apenas um cutucão de leve.
– Não adianta tentar, Mine. Apenas relaxe e deixe tudo acontecer de acordo como deve ser. Também não se preocupe com sua cota diária de medicamentos, porque irá receber, não a queremos morta. É uma pena que seu corpo tenha rejeitado o braço, mas, quem sabe, com o tempo isso não passe? Ah, também será alimentada, mas através de vitaminas e outras substâncias ótimas para a sua saúde. Você precisa de um tempo para descansar e recobrar as energias, porque em breve irá precisar e muito.
Ele finalmente parou de falar e ficou me olhando por um tempo. Era terrível não poder fazer nada nem falar. Não era só para dar umas respostas bem dadas, eu tinha perguntas e queria respostas. Quem sabe a partir delas eu não poderia arquitetar algum plano? O pior é que eu não estava com meu Idiary, talvez ele ajudasse um bocado ou talvez fosse melhor que estivesse em um lugar mais seguro que ao meu lado.
– É estranho que você se pareça muito mais com sua mãe adotiva do que com sua mãe biológica – ele falou, por fim – Alessa Feldmann, esse era o nome dela. Tive que pesquisar tudo sobre seus antecedentes antes de confirmar que você era perfeita para ser usada no Projeto Humanoid. Pena que nunca descobri quem era seu pai, mas devia ser qualquer rapaz expelindo testosterona pelos cantos. A única coisa que dedurava que vocês eram mãe e filha, além do sangue e DNA, claro, era os seus olhos azuis. Pena que tive que retirá-los e substituí-los por uma cópia quase imperceptível.
Alessa Feldmann? Era o nome da minha mãe verdadeira? Eu sempre quis saber, afinal trazer o sobrenome Langebahn junto ao meu nome, não me deixava mais tão feliz. Quem sabe eu pudesse adotar Feldmann agora? Quero dizer, se houver um agora ou futuro para mim, porque não tenho ideia de como vou fazer para sair dessa.
– Você não tem ideia do quanto Victoria ficou feliz quando te adotou. Ela não sabia nada sobre o Projeto e o que planejávamos para você. Ela sempre quis ser mãe, mas infelizmente não podia e ela viu uma oportunidade quando te conheceu. Nós nunca te contamos que era adotada por causa dela, ela acreditava fielmente ser sua mãe de sangue e achava que não precisaria contar. Claro que isso seria um problema quando finalmente você tivesse uma idade considerável para virar um Humanoid. Victoria preferia morrer a vê-la morrer em uma mesa cirúrgica. E ela morreu. Não pense que sou desalmado, aquilo foi a pior coisa que me aconteceu, por mais que fosse a solução dos meus problemas. Realmente te considerei minha filha, mas o meu sonho precisava ficar acima disso, não podia estragar meu verdadeiro objetivo.
Então era esse o meu pai. Ele ficou frio todos esses anos para não se apegar a mim, eu nunca fui nada para ele além da sua experiência particular a qual chamava de sonho. O sonho dele foi a minha destruição e a destruição de Bill também, sem falar que ele gostaria de incluir Tom também nessa. Quantas mais pessoas eles iriam incluir nesse tal sonho? Eles precisavam ser parados e pela primeira vez, desejei que os Dogs Unleashed me salvassem. Sabia que não seria fácil e eu odiava parecer indefesa, ainda mais em minha situação, mas não havia outra alternativa. Não podíamos deixar isso continuar, o Projeto Humanoid é para ajudar as pessoas, não para nos transformar em monstros sobre-humanos adoradores de sangue e morte.
O ataque a base secreta ainda estava vivo em minha mente, eu vi como aqueles robôs eram capazes de matar sem hesitar nenhum segundo. Eles não eram como Berta, que possui alguma coisa de humano além da aparência, eles eram realmente esqueletos metálicos que só visam matar. E eu não queria me tornar uma coisa dessas, não queria ser um objeto ou uma máquina, eu ainda era humana.
– Mesmo assim, sinto muito ter que saber tudo dessa forma. Se não fossem aqueles Dogs Unleashed você estaria do meu lado, sem se importar em ser uma Humanoid. Mas você ainda tem essa chance, lembra-se do seu sonho? Não queria ser cientista e trabalhar com programação? Depois de ver como se infiltrou em meu computador, tenho certeza de que será muito capaz, perfeita para trabalhar também na World Behind My Wall Corporation. Na verdade, você pode ser o que quiser, até espiã, achei que atuou muito bem nesse papel. Assim poderá se esquecer do Humanoid 482, ele não é o melhor para você. Se quiser posso criar até um novo namorado, alguém tão incrível quanto você.
Mexi minha cabeça de um lado para o outro de forma lenta, mostrando a ele que não aceitaria nada do que propusesse. Essa era a única forma de atingi-lo, já que não poderia fazer através de palavras. A expressão dele se tornou dura e pude ver que não ficou nada satisfeito com minha escolha.
– Tudo bem, pode ser sua resposta agora, mas irá mudá-la. É uma pena porque poderíamos finalmente nos tornar pai e filha da maneira que você sempre quis – ele suspirou e se encaminhou até o computador que estava próximo – Acho que não temos mais nada para conversar, vou deixá-la descansando pelo tempo que achar viável. Lembra quando você adorava ler aqueles livros de conto de fadas? Você adorava a Bela Adormecida, era a sua princesa favorita. Agora poderá ser como ela.
Percebi que um dos tubos que estava do lado do meu abdômen começou a injetar em mim um líquido transparente muito parecido como que eu apliquei nos soldados e policiais. A última coisa que pensei antes de desmaiar foi: “Idiota, minha princesa favorita era a Branca de Neve”. Uma bela de uma ironia.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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103 Humanoid Chronicles em Qua Dez 19, 2012 1:36 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 48


Não importa quantas mortes eu morra,
Eu nunca vou esquecer
Não importa quantas mentiras eu viva,
Eu nunca vou me arrepender
(Hurricane – 30 Seconds to Mars)
09 de Setembro de 2109
Nos últimos andares da World Behind My Wall Corporation
22h17min PM

Havia barulho. Havia pessoas falando. Mas eu não conseguia entender porque estava tão grogue. Eu me sentia igual aqueles dias que bebia demais e no dia seguinte não conseguia acordar por causa dos efeitos de uma ressaca misturada com mais umas coisinhas. Senti uma pressão enorme em mim, fazendo meu estômago se revirar e logo tudo pareceu voltar ao normal e um alívio enorme me atingiu. Senti alguém beijando minha testa, fazendo queimar a minha pele tocada.
– Faltam as algemas, Gustav! – alguém gritou, fazendo algo dentro de mim ser despertado aos poucos. Aquela voz, eu gostava tanto dela e me fazia recordar de alguma sensação muito boa – Rápido!
Ouvi um barulho de algo explodindo e abri meus olhos com o susto. Eu ainda estava naquela sala bizarra, só que não havia mais nenhuma cúpula sobre mim, só as algemas ainda estavam em seus devidos lugares. Na frente do computador havia alguém que não me era estranho... era Gustav! Os Dogs Unleashed vieram realmente me salvar! Do outro lado da sala havia um robô enorme, com braços tão grossos quanto troncos de árvore que tentava em vão pegar um vulto negro que desviava de seus ataques. Quando o vulto finalmente parou, pude ver que era Bill. Ele estava vivo. Melhor do que vivo, ele havia acordado e estava tão forte quanto antes!
Agora eu estava livre da anti-gravidade, por isso, canalizei toda minha força para meus braços que estilhaçaram as algemas. Antes de retirar as dos pés, arranquei aquelas agulhas com caninhos do meu abdômen, por onde enviavam tranquilizante e minha alimentação. Quando Gustav percebeu que não precisava mais procurar um modo de abrir as algemas, ele saiu de perto do computador e correu para o meu lado, com medo daquele robô troglodita. Bill derrubou o robô com tudo no lugar onde Gustav estava, fazendo as telas holográficas apagarem e o computador virar uma massa retorcida.
Mesmo com o impacto, o robô se levantou sem ter nenhum dano. Precisava acabar logo de uma vez com isso, então corri até onde ele estava e dei um tiro direto em sua cabeça que explodiu em vários pedacinhos fumegantes enquanto ele caía no chão. De uma coisa meu pai estava certo, quando eu acordasse, me sentiria muito mais forte por causa do descanso e da alimentação a base de vitaminas.
Foi então que eu me virei, e o vi. Bill sorriu para mim, com um olhar cheio de alívio ao perceber que eu estava bem. Isso fez um desejo incontrolável tomar conta de mim, enviando informações para as minhas pernas, corri até ele o mais rápido possível e me joguei em seus braços. Ele estava bem! Só havia algumas cicatrizes em seu rosto, mas até sua pele sintética foi consertada, não mostrando nenhum dano. Será que foi a Doutora Tiersen que fez isso? Será que eles explicaram tudo para ela? Mas eu não queria saber disso ainda, só me deixei ser envolvida pelo beijo que ele me deu assim que nossos olhares se encontraram. Como eu sentia falta dele!
– Vocês dois podem maneirar um pouco? – Gustav perguntou, quebrando o clima – Se ficarmos enrolando demais, outros robôs podem vir.
Afastamo-nos ao lembrar que Gustav estava ali e tanto meu rosto quanto o de Bill ficaram rubros instantaneamente. Apesar de Tom insinuar o tempo todo que nós nos gostávamos, eu duvidava muito que os outros soubessem o quão profunda estava a nossa relação, mas acho que desconfiavam de algo.
– Temos que cair fora o mais rápido possível – Bill falou, voltando a si e me explicando a situação – Não sei se a situação nos favorece ou não, mas nesse instante está vindo um furacão para terminar de destruir Berlim.
– O que? – exclamei – Está brincando?
– Com a Mãe Natureza não se brinca – ele falou seriamente – Por isso tivemos que vir às pressas para te salvar. Não sei qual é o plano do seu pai, mas não podíamos deixá-la ser destruída com o resto do prédio da World Behind My Wall Corporation.
– E os outros médicos? Há mais alguém aqui?
– Não, nada além de nós. Seu pai também deve estar aqui em algum lugar, mas não vamos nos preocupar com isso. Precisamos cair fora daqui. Tom e Georg estão com a Doutora Tiersen procurando o filho dela, Natalie e David estão atrás de medicamentos e outras coisas que poderíamos levar a viagem. Quando tudo isso acabar, vamos dar o fora de Berlim para sempre.
Eu não precisava compreender mais nada, só tinha que aceitar. A World Behind My Wall Corporation será destruída em breve e não precisaríamos fazer nada, era praticamente uma caridade da natureza. Mesmo assim, eu me sentia triste, porque as últimas estruturas que carregavam meu passado seriam demolidas para sempre, me impulsionando para o futuro. A Humanoid que havia em mim, teria que seguir em frente, aceitar sua situação. Talvez por isso eu tivesse tanta simpatia pela Terra, nós duas fomos bastante atingidas e chegou a hora de revidarmos.
Bill olhou para o corredor a procura de mais robôs, como não apareceu nenhum, corremos porta a fora. Pelo jeito, estávamos ainda no prédio do hospital, mas nas partes mais elevadas, utilizada pelos cientistas, ou seja, se os elevadores não estiverem funcionando, teremos que descer um bom lance de escadas. Tentei dar uma olhada nas janelas, para ver como estava a situação lá fora, mas o prédio já estava em modo de segurança, por isso havia metal impedindo que algo quebrasse o vidro. Mas eu era capaz de ouvir algumas coisas batendo de encontro ao metal, fazendo um estalido fraco, ou quem sabe, fosse apenas granizo.
Natalie e David, deviam estar na farmácia do quinto andar ou pelas redondezas. Quanto a Tom, Georg e a Doutora Tiersen, eu não fazia ideia, eles poderiam estar em qualquer lugar. Precisávamos nos certificar que todos haviam saído do prédio antes de partir e se não fizéssemos isso rápido, duvido muito que sobrevivamos a fúria da natureza. Talvez Bill e eu ainda possamos sobreviver, mas os outros não teriam tanta chance.
– Tom não achou o garoto ainda – Bill falou, parando de repente – Eu posso sentir o desespero dele. Isso está ficando ruim...
– Podíamos procurar onde ficam as câmeras – Gustav disse, ele estava um bocado suado e ofegante, talvez estivesse com medo de que não desse tempo para sair antes que o furacão chegasse – Se tivermos acesso, dá para vasculhar em todos os lugares e poderíamos achá-lo com precisão.
– Não faço ideia onde fica o controle das câmeras – eu respondi, ao ver que os dois olhavam com esperança para mim – Nunca fiquei nesse andar antes, é proibida a entrada até de médicos não autorizados.
– Então é melhor usarmos a única alternativa que temos, procurar por contra própria – Bill falou, olhando para um relógio que estava em seu pulso – O tempo está se esgotando, vai ficar muito perigoso se o furacão se aproximar mais do que já está.
Droga, não podíamos deixar o garoto aqui, não quando a Doutora Tiersen curou o Bill, não quando eu tinha uma dívida gigantesca com ela. Mas o tempo estava se esgotando e se ficássemos aqui, todos iriam morrer. Eu precisava pensar em uma alternativa, alguma ideia que mantivesse todos seguros, mas sem deixar o garoto para trás.
– Eu procuro o garoto – falei rapidamente, vendo a expressão de Bill ficar confusa quando se virou para mim – Leve todos para um lugar seguro. Talvez eu não tenha tanta chance de morrer caso a situação se complique.
– Não vim aqui para deixá-la para trás – Bill retorquiu bravo – Vamos ficar juntos.
– Fui eu que causei isso. Se a Doutora Tiersen não tivesse me ajudado, não teriam sequestrado o filho dela. Preciso salvá-lo, é a única forma de eu agradecer pelo o que ela fez pela gente – continuei, sem desistir. Bill não estava disposto a ceder, mas não podíamos demorar demais – Por favor, me deixe fazer isso, se ficarmos enrolando vai ser pior.
– Você não vai sozinha, eu vou com você – ele disse decidido – Gustav, procure os outros e caíam fora daqui. Vamos procurar o garoto e tentar mantê-lo o mais seguro possível.
– Não vou deixá-los para trás! – Gustav rebateu, fazendo cara feia.
– Gustav, isso é uma ordem – Bill falou com seu jeito autoritário.
– Não fale desse jeito – falei brava para Bill, essa conversa já estava indo longe demais – Gustav, eu sei que quer ajudar, mas vocês correm risco de vida. Bill e eu somos Humanoids, vamos tentar lidar com isso. Não somos deuses nem nada, podemos morrer da mesma forma que você, mas ainda contamos com nosso corpo robótico para durar um pouco mais que humanos normais. Às vezes, precisasse se sacrificar um pequeno grupo para que outros sobrevivam.
– Isso não está certo – ele falou, se sentindo derrotado – Mas tudo bem, eu vou.
– Você fez sua parte mais do que importante, você me salvou e sou totalmente grata por isso – prossegui, tentando levantar o astral dele – Ah, e feliz aniversário atrasado! Vou ficar devendo o que te prometi no Chronos Stardate, por isso, deseje que eu sobreviva a isso.
Ele sorriu ao ouvir a menção do jogo e não sem antes abraçar Bill e eu, ele foi embora. Espero que fique seguro, na verdade, eu queria que todos eles ficassem seguros. Da mesma forma súbita que os Dogs Unleashed chegaram à minha vida, eles também se tornaram minha nova família. Eu poderia não ter mais pai nem mãe, mas agora eu contava com vários irmãos e faria de tudo por eles.
– Tem alguma ideia de como podemos chegar até esse garoto? – Bill perguntou, percebendo que eu estava afundada em pensamentos – Porque se não, teremos que procurar em todos os cantos e rápido.
– Acho que sei exatamente onde ele está, talvez não o garoto, mas a pessoa que saiba onde – eu disse, olhando para o teto, mas meu olhar ia muito além do concreto. Respirei fundo e fechei os olhos, quando os abri, eu via tudo em cores vermelhas, amarelas e azuis. Vários andares a cima que percebi uma massa vermelha, que mostrava claramente calor humano – Temos que subir.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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104 Re: Humanoid Chronicles em Qua Dez 19, 2012 4:13 pm

Anny V.

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Moderadora
Ta chegando o fim

Bom, a WBMW vai ser destruída mas a organização não vai acabar, até por que se acabasse não teria segunda temporada como a Dasty já disse que terá.
Não tem muito o que comentar...
Fiquei muiiito feliz por terem conseguido resgatar a Mine *---*
E agora vem todas essa tensão de procurar o filho da doutora , vish'-'

Esperando pelos ultimo capítulos bounce

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105 Humanoid Chronicles em Dom Dez 23, 2012 10:30 am

Sam McHoffen

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Capítulo 49



Os gritos em minha mente
Eu os mantenho em segredo
Em segredo
(That Day – Tokio Hotel)

09 de Setembro de 2109
Tentando encontrar o filho da Doutora Tiersen
22h44min PM

Bill e eu corremos para as escadas e começamos a subi-las rapidamente sem ao menos ofegar. Por mais que ainda tivessem dezenas de degraus a nossa frente, não íamos vacilar por algo tão simples como isso, mas confesso que foi um grande alívio quando finalmente chegamos ao último andar. Era realmente a cobertura do prédio, um espaço enorme com pouquíssimas mobílias ou qualquer coisa que se denunciasse naquela penumbra.
Olhei para todos os lados, procurando de onde viera aquele calor humano que eu vira. Foi quando meu olhar acostumado como o escuro parou em uma mesa, no fim do local, onde se via três sombras paradas, nos espreitando. Notei que Bill também havia percebido que não estávamos a sós e ele ficou em posição de ataque, como se esperasse tiros a qualquer momento. A sombra sentada atrás da mesa se levantou e veio até nós, não demorou a perceber que se tratava de meu pai.
– Bem vindos, meus filhos – ele falou solenemente, olhando de mim para Bill – Eu estava esperando ansiosamente por vocês dois, sabia que viriam até mim.
– Onde está o garoto? – perguntei rispidamente.
– Ah, Michel Tiersen? Ele está aqui – ele falou, apontando para os dois vultos no fundo da sala. As duas sombras começaram a se aproximar e pude ver claramente um menininho de cabelos ruivos iguais aos da mãe, ele devia ter por volta de uns oito anos e estava agarrado as pernas que pertenciam a uma mulher. Eu não conseguia ver o rosto dela, porque ainda estava na parte mais escura do andar – Totalmente saudável, sem nenhum arranhão e sendo cuidado com carinho.
– Devolva-o agora, você está em desvantagem. Duvido muito que você e sua amiguinha possam contra nós.
– Na verdade, Mine, eu não estou em desvantagem – ele riu baixinho, com um sorriso satisfeito no rosto – Estou feliz em vê-lo Bill, principalmente porque seu fim será agora. Eu o estimo muito por ter sido o meu primeiro Humanoid a dar quase totalmente certo, mas não gosto de criar coisas defeituosas.
– Cala a boca! – eu gritei, o cortando e segurando o braço de Bill que estava tremendo de raiva – Você não vai tocar em nenhum fio de cabelo dele, não vou permitir.
– Não serei eu que vou tocar nele, será você.
Fiquei petrificada de repente, tentando entender o que ele estava falando. Ele sacou alguma coisa de seu jaleco branco e pude ver que era um dispositivo circular, com uma cúpula transparente por onde se via uma luz azulada dentro. A cúpula foi levantada pelo seu polegar e sem hesitar mais nenhum momento, ele apertou o botão que havia ali, transformando toda a luz azul em vermelha.
Uma sensação estranha percorreu todo meu corpo, tanto os músculos sintéticos das minhas pernas e braços enrijeceram. Meu rosto se levantou, como se encarasse um ponto imaginário um pouco acima da cabeça de meu pai. Eu não conseguia mais pensar direito, era como se de repente tivesse tomado alguma droga que deixasse tudo vago, eu parecia ver todo o local, mas não tinha consciência do que era.
– Mine? – perguntou uma voz ao meu lado, eu não conseguia identificar de quem era. O dono da voz tocou o meu braço, mas eu não tinha tanta certeza, era como se eu não pudesse senti-lo – Não deixe que ele faça isso com você, ele não pode te controlar, é seu cérebro que comanda esse corpo.
– Não vai funcionar, Bill – outra voz a minha frente falou, eu me voltei para ela como se fosse totalmente digna de atenção – Não é, Mine? Por que não mostra para Bill a sua força? Acabe com ele, agora.
Me virei para a pessoa do meu lado, eu era capaz de ver um rapaz, ele era bem mais alto que eu e seu cabelo negro pendia para um lado, derramando vários fios acima de seus olhos. Aqueles olhos estavam negros o suficiente para que eu visse meu reflexo neles, meu reflexo com olhos vermelho sangue, ansiando pela mesma coisa. Sem esperar mais nenhum sinal, me precipitei para cima dele, lançando um soco onde ele estava, antes de pular para longe. O chão onde eu acertara, se partiu, fazendo um buraco por onde se via uma brecha do andar debaixo.
– Wilhelmine, sou eu! – o rapaz gritava ao longe – Você não quer fazer isso, precisa parar!
– Não se sente honrado viver o suficiente para ver a primeira Humanoid perfeita? – a voz que me chamava a atenção, voltou a falar – Dessa vez não é o cérebro que controla o corpo e sim o contrário. Quando recebi um e-mail de Wilhelmine falando que vocês descobriram um dispositivo em seu cérebro, fiquei com medo que tentassem algo que pudesse daná-lo. Claro que isso poderia ocasionar a morte dela, mas tenho certeza que não tentariam nada, ainda mais você, Bill, que já está bem familiarizado com esse dispositivo. Foi por causa dele que sua mãe morreu, ela não permitira que controlássemos o seu filhinho.
– Seu desgraçado filho da puta, eu vou te matar agora mesmo – o rapaz pulou novamente para longe de mim, quando tentei acertá-lo e o vi indo em direção a tal voz.
– Wilhelmine! – a voz gritou, um tanto desesperada.
Rapidamente me pus entre a voz e o rapaz, seu punho fechado foi segurado pelas minhas mãos que contiveram o impacto. Aproveitei o momento de descuido e peguei seu braço o jogando com tudo em direção a parede. Seu corpo atingiu o concreto, fazendo parte dele se despedaçar em pedras e pós. Como ainda não estava terminado, corri até ele, pronta para nocauteá-lo com um chute, quando ele sumiu. Olhei para todos os lados a sua procura, mas o ataque viera de cima, seus pés me impulsionaram para o chão, me fazendo cair estatelada.
– Droga, Mine! – o rapaz exclamou, me virando para ele e prendendo meus pulsos com suas mãos – Sou Bill Kaulitz, se lembra? Esse dispositivo pode controlar seu corpo, mas seu cérebro ainda esta no comando.
Tentei desesperadamente sair debaixo dele, mas seu rosto se aproximou do meu e... não sei explicar o que aconteceu, mas era como se todo meu corpo tivesse tomado um choque-elétrico. Ele estava me beijando, era isso, agora eu podia ver isso com clareza. Tratava-se de Bill, o rapaz era Bill, com certeza. Meu corpo relaxou de repente, não havia ameaça, porque eu estava tentando atacá-lo, então?
– Wilhelmine! – outra voz ecoou – Elimine-o agora, não se deixe ser enganada por demonstrações mentirosas. Ele não é o Bill que você conhece, ele está tentando enganá-la.
Aquilo era uma mentira segundo a voz. Será que ela estava certa? Quando o rapaz se afastou de mim, eu o empurrei para longe, tentando sair de perto dele. Ele não era o Bill? Levantei-me, pronta para contra atacar aquele farsante, socando e chutando aquele vulto que insistia em se afastar de mim. Foi quando saquei a arma em meu pulso e atirei nele e tudo explodiu em mais fumaça e concreto.
Comecei a tossir e a procurá-lo naquela fumaça acinzentada, uma ventarola enorme surgiu pelo buraco que fiz na parede e começou a afastar todo aquele pó. Logo pude ver uma silhueta de cócoras no chão, era o rapaz ofegante, olhando apreensivo para o estrago que eu fizera. Ele percebeu que finalmente o localizara, já estava preparada para atirar novamente quando fui arremessada para trás, em direção ao buraco que eu fizera. O vento estava forte demais, era como se eu estivesse sendo sugada direto para um buraco negro. Segurei firmemente na parede de concreto, sentindo metade do meu corpo para fora, sendo molhado por uma chuva gelada.
– Segure! – disse o rapaz, estendendo a mão para eu segurasse. Ele era um impostor, ele iria me soltar quando tiver chance e eu seria levada por aqueles ventos terríveis e devastadores – Confie em mim!
Eu não confiava, não podia confiar, a voz não queria que eu confiasse. Em vez de mirar o tiro para ele, eu mirei para trás, o que me impulsionou com tudo para frente. Agarrei o rapaz no processo e nós dois rolamos por metros, longe daquela boca do diabo que me queria se alimentar de mim. Agora era eu que estava sobre o corpo dele, ele que estava sob o meu comando e finalmente iria concluir minha missão.
– Vamos lá, atire – ele falou, me fazendo parar de repente – É isso que ele quer que você faça.
– É isso que eu quero mesmo, Wilhelmine – confirmou a voz – Mate-o agora.
Saquei minha arma do pulso e apontei para a cabeça dele. Mas eu não conseguia atirar, alguma coisa me impedia de fazer isso. Talvez fosse o fato de que ele estivesse indefeso, não era errado matar dessa forma? Ele tinha que me atacar, igual fez antes e eu estava dando espaço para que fizesse isso. Talvez fosse porque eu quisesse brincar mais com ele, não estava a fim de acabar com toda a diversão de uma vez.
– Venha me atacar se quer que eu atire – falei, saindo de cima dele e me afastando.
– O que você está fazendo? – a voz disse novamente, dessa vez a achei um bocado irritante – É para matá-lo e agora!
– Cala a boca! Eu vou matá-lo, mas quando eu quiser – eu gritei furiosa, depois me virei para o rapaz – Vem brincar comigo, Bill.
Então ele sorriu, se levantando depressa. Não sei por que, mas os lados dos meus lábios também se crisparam para cima e sorri de volta. Ele correu em minha direção, desferindo socos e chutes que eu desviava facilmente, também tentando acertá-lo. Não haveria nada de armas, eu queria acabar com isso com minhas próprias mãos. Quando ele se descuidou, acertei em cheio seu rosto e quando eu me descuidei demais, ele que conseguiu me acertar direto em meu estômago.
Fraquejei, quase indo para o chão, mas ele me segurou. Puxou-me para si, me prendendo em seus braços. Pensei que ele fosse me aniquilar naquele momento e que minha missão não seria completada, mas nada aconteceu. Era impressão ou ele não era uma ameaça? Por que eu deveria matá-lo, então? A voz queria, ela realmente queria que fosse o fim para ele e eu devia seguir suas ordens, mas havia algo que me impedia de seguir em frente. Havia outra voz gritando que eu não devia ouvir aquele comando e ela vinha de dentro de mim.
– Deixe-me curá-la – ele disse, encostando sua cabeça na minha e deixando seus olhos tão próximos dos meus que eu estava quase envesgando – Deixe-me curar sua alma aos pedaços igual você fez comigo.
Então um choque violento passou pelo meu corpo, algo se encostara em minhas costas fazendo com meu corpo inteiro ficasse em um estado anestesiado. Vacilei completamente e minhas pernas ficaram bambas, só não caí porque ele me segurava. Droga, porque diabos o Bill me dera um choque? Espere um momento, o que diabos está acontecendo? Comecei a olhar por todos os lados, tentando entender em que situação eu estava. Foi quando meu olhar parou em meu pai, que me olhava de forma abismada.
– Bill? – eu o chamei.
– Hum?
– A próxima vez que você encostar esse choque-elétrico em mim, vou fazer você engoli-lo.
– Você está de volta! – ele exclamou, me abraçando fortemente a ponto de me esmagar. O que ele estava dizendo? Aonde eu tinha ido, afinal?
Agora eu havia compreendido. A cartada final do meu pai era nada menos o controle que ele tinha sobre mim por causa do dispositivo em meu cérebro que controlava todo o meu corpo e afastava qualquer racionalidade humana. É nessa hora que eu me perguntava se a máquina de Gustav causou algum dano no dispositivo, se o choque-elétrico de Bill fez eu me lembrar e me concentrar em uma dor física ou se foi a impossibilidade de apagar os sentimentos das pessoas. Talvez, fosse tudo isso.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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106 Humanoid Chronicles em Dom Dez 23, 2012 10:34 am

Sam McHoffen

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Capítulo 50


A chuva está barulhenta lá fora
E aqui dentro é cinza
Paredes escuras bloquearam meu ponto de fuga
As luzes se apagam
(Lass uns Laufen – Tokio Hotel)

09 de Setembro de 2109
Tentando dar o fora
23h30min PM

– Como isso? – meu pai exclamou, apertando o botão diversas vezes, mas ele não estava funcionando mais – Não, não pode ter ocorrido um erro!
– O que foi, papai? – perguntei divertidamente – Agora posso brincar com você!
Ele jogou o dispositivo com tudo no chão, fazendo-o virar estilhaços. Um barulho do lado de fora chamou minha atenção, ao longe, dava para ver claramente um furacão avançando para onde nós estávamos. Tínhamos que nos apressar, corri para onde Michel estava, nos braços daquela mulher que eu desconhecia. Eu tinha que tomar cuidado com ela, afinal não sabia do que seria capaz.
– Michel, sou amiga de sua mãe, vim aqui para resgatá-lo – eu disse, me aproximando aos poucos, tentando descobrir quem era aquela mulher. Ela não me era estranha, parecia que já a havia visto em algum lugar...
Não podia ser verdade. A mulher se encaminhou mais para frente e pude confirmar minha dúvida. Minha mãe adotiva estava diante de mim, seus cabelos pretos e longos tão brilhantes quanto me lembrava, seus olhos escuros e seu porte altivo ao mesmo tempo delicado. Meu pai estava certo, havia um bocado de semelhanças entre ela e eu, mesmo não havendo nenhum laço sanguíneo.
– Mine? – ela perguntou, sorrindo para mim – Estou tão feliz por você estar aqui! Senti tanto a sua falta.
Ela deixou Michel de lado e correu até onde eu estava, abraçando-me fortemente. Não consegui aguentar e lágrimas despencaram dos meus olhos enquanto a abraçava de volta, sentia tanta falta dela que chegava a doer. Aquilo não podia ser real, mas eu era capaz de sentir até seu perfume, aquele que sempre me acalentou quando precisei. Minha mãe estava de volta para mim!
– Nós podemos recomeçar – ela disse, com sua voz aveludada enquanto acariciava meus cabelos – Você, seu pai e eu. Vamos ser uma família feliz como sempre fomos.
– Mãe... – eu queria dizer tanta coisa, mas agora não parecia a hora certa – Tem um furacão vindo para cá, precisamos ir embora. Tenho muitas coisas a dizer para você, mas agora não é o momento...
– Não se preocupe com isso, estou aqui agora. Apenas diga que vai vir comigo, não me abandone novamente, por favor.
– Podemos recomeçar nossa vida em Hamburgo – eu disse, tentando me afastar, mas ela me abraçou mais forte – Venha comigo, não podemos ficar aqui.
– Wilhelmine? – eu ouvi Bill chamar atrás de mim – Precisamos sair daqui, está ficando próximo demais.
– Mãe, por favor, me solte – eu disse, tentando afastá-la, mas cada vez ela me apertava mais até chegar um momento que estava quase me sufocando – Mãe! O que você está fazendo? Solte-me!
– Se eu fosse você, respeitaria sua mãe – disse meu pai calmamente – Faça o que ela quer.
Meu corpo estava sendo esmagado por ela enquanto eu me debatia, tentando afastá-la. Aquilo não era minha mãe, podia se parecer muito, mas definitivamente ela estava morta. Bill surgiu logo a minha frente e a arrancou de mim brutalmente, jogando-a contra a mesa com toda sua força incontrolável. Farpas de madeira voaram por todos os cantos enquanto Michel se encolhia contra a parede, tentando se proteger.
Desajeitadamente, a mulher começou a se levantar e pelo incrível que parecesse, não havia nenhum arranhão. Quando os olhos dela se viraram para mim que finalmente pude notar o quão eles eram sem vida. Agora eu estava fora daquele encanto que ela pregara em mim, lúcida o suficiente para perceber que se tratava de um robô. Mesmo assim, era terrível demais para mim, era demais ver sua imagem ser usada daquela forma, ser jogada naquela mesa e precisar ser aniquilada por nós.
– Não vou deixar você escapar de mim, Mine – ela disse, olhando de forma hipnotizada para mim – Você é minha, minha!
Ela correu com tudo para mim e eu nem ao menos conseguia me mover. Aquela visão fazia-me lembrar do meu passado, o meu querido passado indo direto a mim e eu não tinha vontade de fugir dele. Bill surgiu na minha frente a segurando e depois a derrubando no chão, enquanto aplicava golpes frenéticos nela.
– Pare, pare! – falei, desesperada, segurando o braço dele – Não faça isso, por favor!
– Ela não é sua mãe, Wilhelmine! Ela é apenas um robô criado para fins sórdidos! – Bill respondeu, continuando a segurá-la. Eu era capaz de ver seu braço todo decepado, cheio de fios saindo como se fossem veias humanas.
– Mas ela pode ser sua mãe, se quiser – disse meu pai, caminhando descontraído até onde eu estava – Criei-a em um momento de solidão, a ideia veio à minha cabeça meses depois de sua morte. Claro que falta vida nela, mas ela igualzinha a sua mãe, até melhor.
Eu podia não bater na minha mãe, mas quando ele disse aquilo, lancei um soco em seu maxilar que o fez voar a metros de distância. Sangue esguichou de seu machucado, empapuçando toda a sua camisa e o chão.
– Nenhum robô, de nenhuma maneira, vai ser melhor que a minha mãe! Se você acha que isso é capaz, é porque passou tanto tempo em seu trabalho do que eu ao lado dela. Quando ela mais precisou, quem estava ao seu lado, fui eu e não você! Fui eu que a vi definhar aos poucos enquanto você alegava que estava tentando procurar uma cura. Você é um doente estúpido! – gritei, sentindo uma fúria assassina dentro de mim – Nem eu, nem Bill somos seus brinquedos e nunca vai conseguir criar algo para nos controlar porque somos humanos, somos mais humanos que você. Seus jogos vão acabar essa noite, Hansen e não vai ser feito pelas minhas mãos, será feito pelas mãos da natureza. Ela está acima de nós, acima de qualquer coisa e vai mostrar que com ela não se brinca de forma nenhuma!
Virei para onde Bill estava e o puxei para longe daquela robô deitada no chão. Ela estava se levantando novamente, sem tirar os olhos de mim. Eu não conseguia mais ver minha mãe naquilo, como poderia? Até Berta exalava mais sentimento materno do que aquele monstro que meu pai criara. Ela finalmente se pôs de pé e veio correndo até a mim.
– Você não é a minha mãe! – eu gritei enquanto um jato de luz verde saiu do meu pulso e a atingiu em cheio, consumindo-a em um grito estridente. Não havia ressentimento nenhum em ver o metal ser consumido e explodido. Nada daquilo substituiria uma pessoa humana.
Encaminhei-me até onde Michel estava, encolhido e chorando a ponto de soluçar freneticamente. Com todo o cuidado, peguei-o em meus braços e o acalentei em meu ombro, deixando que suas lágrimas me molhassem como se fossem algum tipo de água milagrosa que apagaria meus pecados e ressentimentos. Olhei para Bill e ele percebeu meu olhar que dizia que estava na hora de irmos.
– Você não pode ir, Wilhelmine – Hansen gritou – Irá se arrepender! Você precisa de nós!
– A única pessoa que precisa de alguém é você e de um psicólogo – eu disse secamente, abrindo a porta e indo para as escadas.
Bill e eu – carregando Michel – descemos as escadas o mais rápido possível, sentindo os estalos que o prédio fazia por causa dos ventos furiosos lá fora. Meu coração batia desesperadamente, com medo de que não saíssemos a tempo e mesmo que conseguíssemos, como nos manteríamos longe o suficiente do furacão? Havíamos perdido tempo demais com essa besteira e não podíamos mais perder o que sobrava.
– Não podemos ficar dependendo das escadas – falei, ao ver que faltavam muitas ainda – Precisamos sair de uma forma mais rápida.
– De que forma? Pelas janelas? – Bill exclamou, também já temeroso da nossa situação – Se pularmos da altura que estamos, iremos ser levado pelo vento por quilômetros.
– Temos que tentar, somos Humanoids, Bill! Precisamos tentar! Vou manter Michel seguro o máximo que eu puder.
Ele assentiu e eu fui até uma das janelas, escolhi o lado que não ficava de frente para o furacão, ou seríamos sugados. Quanto mais empurrados fossemos, melhor, ou não totalmente, desde que não nos machucássemos muito. Dei um tiro nas janelas, fazendo vidro e metal voarem por todos os cantos enquanto um buraco enorme foi aberto. Olhei para baixo e devíamos estar a uns vinte metros do chão, o que era um bocado, mas não para mim.
– Eu pulo primeiro – Bill falou, colocando o braço na frente e me afastando – Se for perigoso demais, opte pelas escadas.
Nem tentei ser contra aquilo, afinal Bill já recebera ordens demais de mim e eu sabia que ele não estava gostando nenhum pouco. O que era um problema, já que eu também tinha esse espírito de liderança que também não gosta de ser questionado. Sem dizer mais nada, ele pulou. Um queda que deveria ser reta, foi totalmente desviada e Bill voou por uns bons metros antes de aterrissar no chão, tentando frear com os pés. Ele se virou e fez sinal para mim vir.
– Michel – eu falei, vendo o pavor nos olhos dele ao ver a altura que estávamos – Nós vamos pular, nada vai acontecer com você. Eu sou um robô e irei te proteger.
Acho mais fácil ele entender robô do que Humanoid, aquilo era demais para a cabeça infantil dele. Abracei-o fortemente e pulei, não esperando aquelas rajadas fortes que me levaram para longe sem que eu pudesse parar. Eu me sentia como se tivesse na água, bem no fundo, se debatendo desesperadamente a procura da superfície. Só que nessa situação não há superfície e eu não sabia o que diabos fazer.
Aterrissei finalmente de costas, sendo arrastada por uns bons metros, até que algo me parou. Senti uma fisgada em minhas costas e de repente um líquido quente começou a escorrer por ela. Era sangue. Eu havia me ferido. Michel estava em meus braços e saiu de cima de mim quando percebeu que algo estava errado. Levantei-me com dificuldade, sentindo algo saindo do meu torso aos poucos. Quando me virei, percebi que era uma barra de ferro lascada, com uma ponta afiada o suficiente para me matar, caso tivesse acertado uma parte mais delicada.
– Gott! – Bill exclamou ao ver minhas costas – Foi muito fundo!
– Eu estou bem – falei, tentando acalmá-los, já que Michel voltou a chorar – Não estou sentindo nada, temos que ir.
Bill arrancou um pedaço de sua camiseta e a colocou no meu ferimento, tentando conter o sangue, que mais parecia uma cachoeira. Eu era capaz de ver uma poça se formando aos meus pés e sabia que isso era perigoso, se eu perdesse muito sangue, poderia morrer. Foi quando eu ouvi um barulho que arrepiou minha espinha, quando olhei para a origem do som, vi um caminhão enorme, rolando na direção que estávamos. Tão rápido quanto uma avalanche.

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107 Humanoid Chronicles em Dom Dez 23, 2012 10:38 am

Sam McHoffen

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Capítulo 51


Através da tempestade
Através do frio da noite
E o medo dentro de você
Longe daqui
Através do tempo e do espaço
Aproxima-se de mim
(Zoom – Tokio Hotel)

10 de Setembro de 2109
Salvando nossas vidas
00h22min PM

Não deu tempo nem de pensar, pelo menos para mim. Bill passou o braço em volta da minha cintura e agarrou Michel com o outro pulando para o alto quando o caminhão passou abaixo de nós, triturando qualquer coisa que estivesse embaixo. Nossos pés tocaram o chão, mas nossos corações ainda estavam no alto, bombeando medo e adrenalina. O problema não era só o caminhão, dezenas de coisas estavam voando nessa direção e estava ficando perigoso demais.
– Você consegue correr? – Bill perguntou, ainda preocupado com meu ferimento.
– Eu consigo, pode deixar – gritei, para que ele ouvisse, já que era impossível ouvir algo com aquela ventarola.
Quando ele pegou Michel no colo, não objetei contra isso, afinal agora eu era capaz de sentir várias fisgadas vindas do meu ferimento. Começamos a correr o mais rápido que podíamos, para longe de latas de lixos, postes de luz parecendo medusas desgovernadas e carros tão ameaçadores quanto caminhões. Éramos rápidos demais, mas o furacão não estava tão lerdo quanto eu pensava, parecia que quanto mais fugíamos, mais ele estava em nosso encalço.
Foi quando Bill me parou de repente, olhando para um ponto fixo. Segui o seu olhar e percebi que o que chamara sua atenção era um galpão, com a porta de metal levantada e tremendo, enquanto ocultava atrás um jatinho. Ele fez sinal para que eu o seguisse e corremos naquela direção. Não sei não, mas acho que o galpão não ia aguentar o furacão para nos proteger.
– O que você está fazendo? – exclamei, percebendo que a ideia não era se esconder ali e sim entrar no jatinho – Vamos voar?
– Sim, eu sei pilotar – Bill falou, fazendo-me recordar de Petrova.
– Bill, isso é suicídio! Vamos voar quando quem está controlando os ventos é o furacão.
– Esse é um dos mais rápidos, podemos sair daqui em segundos. Entre rápido! – ele exclamou, se sentando na cadeira do piloto.
Tudo bem, não ia questionar mais nada, seja o que Deus quiser. Entrei no jatinho e fechei a porta, sentando-me na poltrona ao lado de Bill e pegando Michel no colo para que ele pilotasse mais facilmente. Provavelmente, o galpão era de algum dos ricos da Berlim intacta – ou ex-intacta – que teve que abandonar tudo para trás e ir embora por causa do furacão. Agradeço a ele pela gentileza e espero que Bill tenha certeza no que está dizendo e fazendo.
Ele começou a ligar o jatinho, apertando botões, puxando alavancas e mais um monte de coisas que para mim não faziam nenhum sentido. Nós começamos a andar para fora do galpão e eu prendi a respiração quando vi o furacão tão próximo de nós que já estava duvidando de que sairíamos vivos dessa. O jatinho estava flutuando na direção do furacão, ele precisava fazer isso antes de conseguir força o suficiente para voar.
Quando conseguimos força o suficiente para alçar voo, nosso jato foi impulsionado com tudo para trás, fazendo-nos girar várias vezes. Michel gritava loucamente e acho que eu estava fazendo o mesmo, enquanto contava apenas com o cinto para nos segurar sem que virássemos pipoca sacolejante dentro do jatinho. Gott, vamos cair! Vamos cair! Eu vou morrer! Mantive meus olhos fechados o tempo todo, esperando a hora da morte, a hora que espatifaríamos no chão.
Abri meus olhos quando percebi que não girávamos mais, a turbulência ainda continuava, mas não parecia mais tão perigoso quanto antes. Não havia mais furacão na nossa frente e eu podia ver embaixo, várias coisas rolando e de repente percebi que o furacão foi deixado para trás. Bill acelerou com tudo o jatinho, fazendo a paisagem na nossa frente parecer um mero borrão.
– Acabou? – eu perguntei não acreditando que eu estava viva – Não acredito que acabou!
– Só vou ficar aliviado quando chegarmos à base secreta – Bill falou, mas ele já aparentava estar bastante aliviado.
– Pensei que fossemos morrer! – exclamei, soltando todo o ar que ficara preso em meus pulmões. Nem lembrar de respirar, eu me lembrei.
– Isso foi demais! – Michel exclamou, falando algo pela primeira vez. Ele estava olhando para Bill e para o jatinho como se eles fossem a coisa mais incrível do mundo. E tenho que concordar que um deles era – Aquele idiota do Mark não vai acreditar quando eu contar a ele! Vai ficar morrendo de inveja!
Eu sorri ao ouvir aquilo, pelo visto, ele não ficaria tão traumatizado quanto eu pensava. Deitei minha cabeça na poltrona, pronta para descansar, mas sem perceber, acabei caindo em sono que foi mais provocado pela perda de sangue do que pela fatiga.


10 de Setembro de 2109
Na base secreta, finalmente
16h07min PM

Eu me sentia imensamente bem, principalmente ao constar que estava em uma cama quentinha e não em um avião, em um prédio, perto de um furacão ou qualquer lugar que eu passara as últimas horas. Tentei virar de lado e senti fisgadas em minhas costas o que realmente me acordou e me fez ficar com raiva por estar ferida de novo. Meus olhos encontraram os de Bill, que estava ao meu lado, rindo da minha expressão.
– Você fala enquanto dorme – ele disse, me deixando vermelha – Mas também, por causa dos acontecimentos recentes, eu também falaria. Você não parava de dizer “Vamos cair!” e “Bill, seu idiota!”.
Aquilo era incrível, ele estava mudado. Não havia mais aquela expressão dura e fria, ele estava sorrindo de verdade, não só com os lábios como também com os olhos. Tudo havia acabado, a World Behind My Wall Corporation havia sido destruída, não havia forma de os cientistas restantes do Projeto Humanoid me localizarem e finalmente estávamos seguros.
– Acabou, não é? – eu perguntei, me sentando com certa dificuldade – Estamos livres, não estamos?
– Acabou, agora estou aliviado. Principalmente ao ver que você está bem, você me deu um susto quando a retirei da poltrona e vi que ainda estava sangrando abundantemente. Mas Natalie e a Doutora Tiersen cuidaram muito bem de você.
– Como ela está? A Doutora? E Michel?
– Eles estão bem. Ela está totalmente agradecida pelo que fez por Michel, e não se preocupe que ele já contou a história toda uma dezena de vezes. E ainda alega que não chorou nenhuma vez.
– E os outros? Também estão bem? Ou fui só eu que quase morri?
– Todos estão bem, só você para dar dor de cabeça para nós – ele falou zombeteiramente, passando a mão na minha cabeça e arrumando os fios desalinhados – Eu preciso agradecer pelo o que você fez por mim, você se entregou para a World Behind My Wall Corporation em troca de me salvar.
– Você faria o mesmo por mim – respondi sinceramente, pegando sua mão e a segurando firmemente.
– Faria, mas você me conhece a menos de um mês e... no começo você me odiava, claro que foi minha culpa por isso. Mas é que eu sentia raiva, raiva de mim, por ter deixado você virar uma Humanoid e também raiva de você por ter aceitado isso facilmente. Talvez isso seja um dos motivos porque seu corpo aceitou o material robótico, é porque seu cérebro aceitou o fato, ao contrário de mim, que não aceitei nada daquilo. Quando vi você novamente, na frente da World Behind My Wall Corporation, decidi que não ia te tratar mais como Wilhelmine, porque você não era mais ela, mas cometi um engano. Não importa o que fizessem, você sempre seria a mesma.
– Também cometi um engano, achei no começo que você era um imbecil de merda cruel e insensível. Talvez você até fosse, mas agora não é mais – eu falei, me lembrando do quanto eu o odiava no começo do tudo e de como o quis morto – Você mudou e está bem melhor agora. Desculpe ter dito uma vez que odiava, isso também não é mais verdade.
– É estranho – ele riu amargamente – Eu já vi amor virar ódio, mas ódio virar amor é um tanto incomum.
Eu já ia falar que foi culpa do Tom por isso ter acontecido, mas eu me calei bem na hora que a porta abriu e ele entrou. Meus olhos encontraram aqueles que eram idênticos ao de Bill e fiquei petrificada. A última vez que o vira, ele havia me beijado e era um bocado constrangedor ficar naquele quarto com os dois irmãos. Será que Bill sabia? Ele tinha toda aquela sensibilidade. Não que nós estivéssemos namorando, não havíamos jurado por amor nem nada, mesmo assim isso era traição, não era? Legal, me sinto péssima.
– Hey, Bill – Tom disse, dando tapinhas amistosas na costa do irmão – Vim ver se Wilhelmine está bem, pelo visto, já está pronta para outra.
– Não diga isso, nunca mais quero participar de uma coisa louca dessas. Quero férias bem prolongadas.
– Bem, vou deixá-los a sós, tenho o que fazer – Bill falou, se levantando.
Droga, ele sabia. Tenho certeza que ele sabe de tudo. Que tipo de pessoa eu sou? Tantas pessoas na base e eu me envolvo com dois irmãos! Devo ser uma destruidora de lares, apesar de saber que se fosse para brigar com alguém, os dois brigariam comigo e não entre si. A ligação deles era forte demais para ser quebrada com uma pessoa como eu, mesmo assim, eu não tinha direito de ficar brincando com os dois.
– E aí? Como está? – Tom perguntou, sentando-se no banquinho em que Bill estava antes.
– Bem, com o ferimento ainda dando umas fisgadas, mas vou sobreviver – falei, tentando não mostrar o quanto eu estava tensa.
– Na verdade, não vim aqui só para vê-la, eu queria te pedir desculpas – ele falou, me deixando surpresa – Da última vez que nos vimos, acabei me levando pelas emoções, por causa de todos os problemas que estávamos passando e também porque Bill estava em um estado de vida ou morte. Bill é meu irmão e não posso fazer uma coisa dessas com ele.
– Eu também tenho culpa, eu correspondi quando não deveria.
– Você também foi levada pelas emoções da mesma forma que eu. Precisávamos de algo para nos dar coragem – ele parecia não estar falando a verdade, estava apenas procurando alguma desculpa, algo que mostrasse que não éramos culpados. Não acho que ele me ama, nem nada, mas Tom deve ter uma queda por mim da mesma forma que tenho também.
– Por que você me passou para o Bill? Por que não foi em frente comigo quando teve chance? – perguntei, afinal isso era o que mais me intrigava.
– Porque Bill já gostava de você muito antes, desde a primeira vez que ele te viu em uma missão de espionagem. E acho que ele merecia essa chance mais do que eu já que geralmente nem lembro o nome das garotas que levo para a cama. Apesar, de que tenho quase certeza que lembraria o seu nome – ele me lançou um olhar maroto antes de prosseguir – Bill gosta de mostrar que está no comando, que ele que cuida de mim (apesar de eu ser o mais velho), mas sou eu que o estou protegendo. Ele é bem mais quebrável do que aparenta.
– Vou tentar não quebrá-lo – falei, cruzando os dedos, mostrando que era uma promessa.
– Espero mesmo, ou irá se ver comigo.
Nós rimos e ficamos um tempo conversando, contei tudo a ele sobre o que aconteceu antes do meu pequeno acidente, de como fugimos do furacão e mais um monte de coisa que com certeza ele já sabia, mas só ouviu para não fazer desfeita. Depois de alguns minutos, ele foi embora e fiquei sozinha, decidi sair um pouco daquele quarto. Quando abri a porta, vi que Bill estava encostado na parede, pensativo.
– Ei! – ele exclamou, me repreendendo – Você não devia estar em pé, precisa descansar. De volta para a cama!
– Eu vou para a cama – falei, me aproximando dele, pegando-o pelo colarinho e puxando-o – Mas você vem comigo.
Não precisei dizer mais nada, ele me beijou, empurrando-me de volta para o quarto. Claro que nem preciso comentar o que se passou, decididamente estou pronta para outras.

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108 Humanoid Chronicles em Dom Dez 23, 2012 10:42 am

Sam McHoffen

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Capítulo 52


Trens no céu estão viajando
Através de fragmentos do tempo
Eles estão levando-me para partes da minha mente
Que eu não posso encontrar
(World Behind My Wall – Tokio Hotel)

Vamos correr quando a escuridão vier
Em algum lugar, nosso futuro já começou
Atrás do horizonte
(Lass uns Laufen – Tokio Hotel)

11 de Setembro de 2109
Indo para Hamburgo
11h32min AM

Realmente Berlim estava completamente destruída, o noticiário na televisão da base secreta já contava com vinte oito mortos. Por mais que a população fosse avisada dos problemas climáticos, sempre há alguns que preferem morrer de uma vez a abandonar sua casa. Não quis saber se meu pai havia morrido ou não, não queria saber mais nada sobre isso, só queria recomeçar a minha vida, bem longe daqui.
A base dos Dogs Unleashed estava uma correria, arrumando tudo para que viajássemos para Hamburgo. Não tínhamos muito que levar, já que havíamos perdido tudo quando a World Behind My Wall Corporation explodiu a base anterior. Como eu não estava tão assim disposta a começar do zero, queria voltar para minha casa e verificar se sobrara algo como roupas e outros pertences. Também queria verificar se estava tudo bem com Berta, queria levá-la comigo para Hamburgo, não poderia abandoná-la, além de que ela me ajudaria muito.
Bill havia decidido vir comigo, por isso estávamos correndo pelos destroços como dois pássaros livres depois de ficarem confinados por anos, aproveitando cada sensação daquela nova e estranha liberdade. Quando finalmente chegamos a minha casa, meu coração se apertou ao ver tudo em ruínas. Talvez isso fosse bom, era uma forma de apagar o passado de vez, mas ainda sim era um bocado triste.
– Acho que não dá para aproveitar nada – Bill disse, tirando alguns destroços a procura de algo que estivesse em boas condições – Infelizmente tudo foi destruído.
– Verdade – falei amargamente – Onde será que está Berta? Será que ela foi esmagada pelo concreto?
Não. Ainda havia uma única esperança. Dei a volta na casa e comecei a procurar embaixo dos destroços, até achar duas portas de metal. Era o nosso porão, a maioria das casas tinha por causa dos furacões como forma de proteção. Quando todo o peso que estava nelas foi retirado, as abri e dei de cara com Berta, sentada no chão, ao lado de várias coisas. Ela abriu o maior sorriso quando me viu e pulou no meu pescoço como se não acreditasse no que estava vendo.
– Wilhelmine! Você está viva! Está bem! – ela gritava freneticamente – Pensei que ficaria sozinha aqui para sempre.
– Eu vim te buscar – falei feliz ao vê-la – Você vai para Hamburgo comigo, iremos começar uma nova vida.
– Que ótimo! Suas roupas e a maioria dos seus pertences estão aqui, também salvei minhas roupas. Sabia que voltaria, você não me deixaria para trás – ela disse com seus olhos brilhando de uma forma quase humana. Talvez Berta fosse um pouco diferente dos outros robôs, ou talvez seja apenas porque tenho uma grande afeição por ela.
Berta, Bill e eu descemos até o porão e começamos a pegar todos os pertences que Berta havia salvado. Era um bocado de coisa, mas dava para carregá-lo tranquilamente até o trem que nos levaria para Hamburgo. Pelo menos, em roupa eu não precisaria gastar, afinal o dinheiro que eu tinha, não era muito. E eu nem fazia ideia de como conseguiria alugar algum lugar para ficar, precisaria achar trabalho para me sustentar. Bill alegava que os seus patrocinadores estavam satisfeitos com tudo, por isso não precisaríamos nos preocupar com isso, mas era impossível eu não pensar nesses probleminhas.
Eu estava um pouco com o pé atrás por causa desses patrocinadores. Tinha medo de que eles fossem como a World Behind My Wall Corporation e mesmo o meu pai alegou que os Dogs Unleashed só estavam me sequestrando para levar até eles. Não queria acreditar em uma coisa dessas, mas nesse mundo, tudo é possível. Só queria que tudo não desse errado de novo, queria viver como um humano comum, queria que ninguém mais soubesse sobre minha verdadeira natureza.
Antes de partimos, decidi dar uma olhada na cerejeira de minha mãe, pensei que talvez ela tivesse quebrado e sido levada pelo vento. Para minha surpresa, ela estava intacta, talvez a única coisa intacta em Berlim, só tinha alguns galhos caídos e estava com poucas folhas, mesmo assim, estava forte o suficiente para durar por anos.
– É um presente – eu falei, sorrindo ao ver a árvore – É um presente da mãe natureza para nós. Ela destruiu tudo, mas deixou a cerejeira intacta, mostrando agora quem está no poder. Não é algo terrível, isso mostra que algo pode sobreviver da destruição, que para tudo há uma segunda chance.
– Que bonito, Mine – Berta falou – Mas na verdade, a árvore é um presente de você para sua mãe, tenho certeza que ela não deixaria nada de mal acontecer com ela, nem com você.
– Não sou tão bom de palpites – Bill comentou, olhando impressionado para Berta, por ela ser um robô e falar com tanto sentimento – Do mesmo jeito que a árvore sobreviveu, nós também. Temos mais uma chance e não podemos perdê-la, não é mesmo?
Era verdade, não importava o que estava para vir, iríamos enfrentar. Essa era nossa segunda chance, na verdade, chegava a ser a quarta, sobrevivemos à morte três vezes – quando crianças, depois que viramos Humanoids e por fim, do furacão de ontem –, mas não poderíamos fugir para sempre dela. Eu estava falando sério quando disse que precisava de férias e torcia para que fossem calmas, chega de aventuras por um bom tempo.
Quando chegamos à base secreta, já havia um trem esperando a gente. Parecia uma cobra reluzente que se estendia por todo o campo que fora limpo mais cedo, para que pudesse pousar. Todos já estavam praticamente dentro, só faltava nos três para podermos partimos. Olhei uma última vez para Berlim, tentando me recordar de todos os bons momentos que passei aqui, antes de voltar para Hamburgo, minha terra verdadeira – não totalmente, já que nasci em Leipzig, mas dá para entender o que eu quis dizer.
– Doutora Tiersen! – exclamei ao vê-la com Michel, sentados dentro do trem. Corri até ela e segurei suas mãos – Agradeço imensamente pelo o que você fez! Você salvou o Bill!
– Bem... foi um bocado de adrenalina – ela respondeu sorrindo – Mas você salvou Michel também e sou totalmente agradecida por isso. Agora, o que me resta é recomeçar, não é mesmo?
– Nunca é tarde para recomeçar, e muitas vezes, também não é ruim – comentei.
– Nossa vida vai melhorar – Bill falou, apertando minha mão, ao meu lado – Minha missão acabou e você está livre.
– Eu estou pronta, porque agora não estou sozinha mais, tenho uma grande família comigo – sorri, ao ver todos os Dogs Unleashed dentro do trem, enquanto eu me acomodava em uma das cadeiras.
Ainda havia o medo, claro, mas a sensação de que tudo estava em plena paz permanecia. O trem cortou o céu e voamos em direção ao horizonte, um novo horizonte desconhecido nos esperando. Tudo parecia estar na mais perfeita ordem.

Fim!


Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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109 Re: Humanoid Chronicles em Dom Dez 23, 2012 10:45 am

Sam McHoffen

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Administradora
Olá Aliens!'

Esse foi o final de Humanoid Chronicles, mas essa fanfic vai ter uma nova temporada, que a autora Dasty está escrevendo. Razz

Queria pedir desculpas pela demora em postar os últimos capítulos, mas é que eu estou sem computador e não pude postar antes. Consegui um emprestado só pra postar o final pra vocês.
Espero que tenham gostado, essa é sem dúvidas alguma uma das minhas fanfics preferidas.

Bju e até a próxima! alien

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110 Re: Humanoid Chronicles em Ter Jan 01, 2013 12:32 pm

Anny V.

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Moderadora
Acabou!!!
Eu odeio fins, não lido muito bem com eles =(

Essa fic é perfeita, e isso me deixa sem saber muito bem o que comentar no final Hahaha
Achei legal a ideia de pegar musicas e transformar em nomes de organizações, e isso ficou bom.

Bill e a Mine são um dos casais mais estranhos que eu já vi como personagens. Ela sofria um certo tipo de tortura pelas mãos dele, e mesmo assim ela foi capaz de se apaixonar, e mesmo sabendo depois que eles já tinham uma história de infância juntos e que ele protegia ela, eu continuei achando muita sacanagem o que ele fazia!
Mas no fim eu acho que todos aqueles choques elétricos serviram pra alguma coisa, já que quando ela estava sendo manipulada pelo seu pai , foi o choque que o Bill deu nela, que a fez voltar a ver as coisas como elas eram.
E a Mine fez o Bill superar algumas coisas, pelo meu ponto de vista. E no fim eles se tornaram um casal perfeito.

Eu acho que rolo uma paixãozinha pelo Tom, e talvez isso aumente na segunda temporada - que estou esperando ansiosamente- E até achei que iria atrapalhar alguma coisa, mas depois os dois se entenderam e deram uma desculpa qualquer que tinham sido levados pela emoção. Aham, senta lá Mine e Tom Hahaha

Eu acho que o pai da Mine e a Petrova não morreram, mas só vou ter certeza disso na próxima temporada. Acho até que a Petrova que ajudou a WBMW com o acidente que fez com que o Bill virasse um Humanoid.

Parabéns pela fic, Dasty. Acho que nem preciso comentar que já ganhou uma nova integrante para o seu fã clube de Fanfics. Pelo o que eu li escrito por você, achei muito original as suas ideias, e muito bem escritas.

Enfim, obrigado pela dona Samantha por ter postado essa Fic, e não vou falar de novo que ela tem bom gosto por leitura se não vai ficar se achando u.u
E Sam, é nóis sofrendo juntas na próxima temporada o/\o







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111 Re: Humanoid Chronicles em Ter Jan 01, 2013 12:44 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Shocked Oh Gosh! Anny fazendo um comentário enorme!

Mas foi ótimo teu comentário, ainda mais pra quem não sabia o que falar.

E sim,eu tenho ótimo gosto pra Fanfic. Posso não ser a melhor escritora, mas sei reconhecer uma boa estória e boa escrita.

E é nois sofrendo pelo próxima temporada. Razz

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112 Re: Humanoid Chronicles em Ter Fev 12, 2013 10:26 am

Ella.McHoffen

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Administradora
Acho que vão achar demasiado estranho pela minha "falta de noção" pois essa fic já terminou faz bastante tempo e eu, uma das que acompanhou a fic desde o inicio, venha comentar só agora. Mas a verdade é que a minha falta de tempo não deixou.

Bom comentário sobre esta maravilhosa fic.

Primeiro quero agadecer à nossa Sam por postar tal história aqui, e segundo dizer à Dasty que as histórias que li dela são simplesmente fantásticas. Ela tem uma escrita estopenda e pra não falar da imaginação brutal.

Eu concordo com tudo o que a Anny disse. Sinceramentenão vejo o que mais falta. Sim vejo, a segunda temporada. Falta aqui a segunda temporada para descobrimos tudo isso. Se iremos ter alguns envolvimentos entre Tom e Mine, que eu iria adorar <3 ; sabermos se o pai dela sobrevive ou não, o que me iria dar cá uma raiva e desejar que ela o mate novamente Laughing ; e outra coisa que sei que me ia dar raiva e chamar imensos nomes aos dois, mas ao mesmo tempo iria adorar ler sobre eles, o amor de Bill com Petrova. Acho que Bill iria ser demasiado diferente, talvez mais doce. Razz

Essas coisas é só espectativas mas a verdade é que só a Dasty sabe o que vem por ai. Então eu vou ficar por aqui à espera da tão esperada 2ª temporada e descobrir tudo.

Super super ansiosa por ela Razz

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