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Humanoid Chronicles

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51 Re: Humanoid Chronicles em Sab Nov 03, 2012 5:37 pm

Anny V.

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Moderadora
OMG, não acredito no que li! affraid
Eu sabia que uma hora ia rolar um beijo... Mas, não fazia ideia de que seria com o Tom! Fiquei realmente surpresa.

Não sei o que comentar, to assimilando as informações ainda. Pois é...

Continua, a história ta ficando cada vez melhor bounce

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52 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 04, 2012 2:01 pm

Ella.McHoffen

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Administradora
Estou como a Anny,super surpresa affraid

Será que ela vai mesmo conseguir fugir?! Curiosa aqui

Posta logo logo outro capitulo bounce

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53 Humanoid Chronicles em Dom Nov 04, 2012 2:09 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Capítulo 20


Está alguém a rir
Para matar a dor
Está alguém a gritar
O silêncio
Apenas abra os seus olhos cansados
(Zoom into me – Tokio Hotel)

30 de Agosto de 2109
Minha hora de hacker
22h53min PM

Saí correndo da cozinha e subi as escadas, parei no andar das celas e fiquei pensando se deveria salvar Starkey agora ou depois. Optei que depois era a melhor escolha, ele só iria me atrapalhar agora. Primeiramente, eu precisava pegar minha mochila em meu quarto, por isso cheguei até o saguão vazio, subi mais um andar e finalmente cheguei, sem um pingo de cansaço graças as minhas pernas e meu coração robótico.
Peguei minha mochila e fui em direção a sala de Gustav, eu tinha certeza que lá teria todas as respostas para minhas perguntas. Claro que quando cheguei, a porta estava trancada e só abriria com as digitais dele, mas ele não contava com minha habilidade de descobrir senhas e detonar proteção de arquivos. Conectei meu Idiary ao dispositivo da porta e abri um programa que eu havia criado, eu o chamava de Detonador, que consistia em procurar em toda a memória do programa a senha ou a permissão.
Dispositivos para abrir portas são mais fáceis de detonar do que senhas de computador, já que muitos usuários – a maioria que entende do assunto de hacker – tentam protegê-las da melhor forma possível. Bastou o meu programa vasculhar na memória para conseguir que a porta abrisse como se Gustav tivesse acabado de colocar sua mão ali. O dispositivo sempre grava quando se deve abrir ou fechar a porta, é só enganá-lo para que faça isso.
Entrei na sala que estava um breu e fechei a porta o suficiente para que não ficasse trancada, mas que ninguém desconfiasse de que houvesse alguém ali. Com as mãos trêmulas e com aquela sensação boa de adrenalina passando pelas minhas veias ainda humanas, fui ligando os computadores até as telas holográficas ligarem. Sentei-me na cadeira dele e estava me sentindo tão esperançosa, que tinha quase certeza que poderia escapar daqui hoje.
Mal a tela holográfica ligou e já estava pedindo uma senha. Gustav devia entender de códigos tão bem quanto eu e isso seria o maior desafio. Conectei o meu Idiary – não sem antes protegê-lo, afinal, há grandes chances de na tentativa de me infiltrar no computador do Gustav, haja detonadores que queimem o sistema do meu Idiary para que evite o processo – e comecei a tentar acessá-lo, mas logo surgiu na tela “Acesso Negado”.
Eu precisava quebrar aquela barreira que Gustav colocara, por isso, abandonei o Detonador e comecei a tentar me infiltrar por mim mesma. O medo tomou conta de mim, porque os minutos passavam e eu simplesmente não estava conseguindo destravar o acesso, pensei em desistir e cair fora dali enquanto havia tempo o suficiente para isso. Mas finalmente achei a barreira e consegui destruí-la.
Novamente, usei o Detonador do meu Idiary e dessa vez consegui usar a senha contra o programa e ele permitiu meu acesso. Lá estava a Área de Trabalho de Gustav, com um Papel de Parede do Chronos Stardate e pronta para ser usada e abusada por mim. Comecei a procurar nos arquivos algo que fosse importante, até que me deparei com uma pasta “01_09_2108”. Percebi que depois de amanhã seria a mesma data e decidi clicar para descobrir sobre o que era.
Para minha surpresa, havia fotos, e não era nada do que eu esperava. Era uma festa de aniversário que havia acontecido na base dos Dogs Unleashed, havia bolos e latas de cervejas e várias pessoas comemorando. Depois de olhar várias fotos, percebi que o aniversário era nada mais que de Bill e Tom, sendo que o último sorria para as fotos e Bill simplesmente as ignorava. Aproximei a tela holográfica para dar uma olhada no rosto de Bill, então percebi que havia uma cicatriz que começava na testa, no lado esquerdo, e ia descendo até o lado direito dos seus lábios. Havia mais cicatrizes bem evidentes – por causa da regata – em seus ombros e braços.
Cliquei em um dos vídeos que estava ali e logo pude ver que se tratava da festa e mostrava o rosto de Bill, atrás da mesa comemorativa.
– Bill, sorria pelo menos uma vez! – Gustav exclamou, aproximando a câmera do rosto de Bill que a tampou com a mão.
– Desliga isso aí, Gustav! Não estou para comemorações – ele falou no seu jeito arrogante de sempre, então acabou o vídeo.
Juro, que um ano atrás, Bill estava pior do que hoje. Sua aparência estava muito machucada e sua expressão era de uma profunda tristeza, como se eu estivesse olhando para o rosto de um moribundo. Por mais que fosse totalmente perda de tempo, decidi dar uma checada em outras pastas que continham fotos, principalmente as antigas.
Encontrei um Bill com cicatrizes mais evidentes, mas ele não estava tão triste, tanto que havia uma foto dele, com Tom e uma mulher loira. Ela abraçava os dois com uma ternura que eu só havia visto na foto que estava em meu relicário, com certeza, era a mãe deles. E era esse o motivo para a tristeza de Bill, ela havia morrido.

“Calar minha boca? Não consegue fazer o trabalho sujo sozinho? Esqueci que precisa da puta traidora da sua mãe”.

Starkey havia dito algo sobre a mãe de Bill, ele havia a xingado como se a conhecesse. Eu estava ficando realmente com medo do que poderia descobrir, mesmo assim, minha curiosidade era tanta que continuei procurando mais informações no computador. Finalmente achei uma pasta chamada “Projeto Humanoid”, cliquei nela e várias pastas abriram, decidi começar por vídeos, já que quanto mais provas, melhor.
Quase caí da cadeira quando percebi que havia exatamente 482 vídeos ali, e que cada um continha o nome Humanoid e um número o acompanhando. Abri o primeiro vídeo, temendo pelo que estivesse ali, mas logo eu estava encarando o rosto do meu pai, só que muito mais jovem, ele devia ter uns vinte anos. Em vez dos cabelos grisalhos, ele tinha cabelos castanhos e não usava óculos.
– Hoje é 23 de Fevereiro de 2080 e será a primeira tentativa do Projeto Humanoid – ele disse, de forma séria para a câmera que depois se virou para um rapaz deitado em uma cama – Essa é nossa primeira cobaia, um rapaz de dezoito anos que teve o coração perfurado por uma barra de metal durante o furacão que atingiu Munique faz dois dias. Por enquanto, ele está sobrevivendo através de aparelhos, mas em breve, estará usando o primeiro coração robótico.
O vídeo foi mostrando toda a cirurgia, enquanto meu pai estava dando todas as explicações necessárias. Decidi avançar o suficiente para não ver nada realmente nojento – apesar de já estar vendo um bocado de sangue.
– A cirurgia foi um sucesso – meu pai disse, encarando a câmera, mas ele não parecia nada feliz. Seu rosto continha olheiras e sua expressão era de cansaço – O coração funcionou e começou a pulsar sangue como qualquer coração humano faria, mas o corpo do rapaz está recusando o novo órgão. Tentamos fazer de tudo, mas duas horas depois ele morreu.
Desliguei o vídeo e fiquei me perguntando se deveria ver os outros. Não fui assistindo em seguida, decidi ir pulando. Todos era sobre cirurgias, a maioria era transplante de órgãos robóticos em pessoas que estavam à beira da morte. Depois, tudo mudou um pouco, havia pessoas saudáveis também, uns voluntários, outros com alguma doença e ainda havia criminosos sendo usados como cobaias.
Pensei em parar de assistir quando algo me chamou atenção. Parei o vídeo no exato momento em que uma mulher loira passa atrás do meu pai.
– Hoje estamos com uma nova equipe médica – meu pai disse a câmera, apresentando duas pessoas que eu conhecia muito bem – Esses são Starkey Kopatz e Simone Kaulitz. O doutor é cirurgião e a doutora é neurologista.
Fiquei encarando um Starkey mais novo, com cabelos castanhos, porte grande, um tanto gordo e uma expressão de puro orgulho. Ao seu lado, havia uma mocinha, ela tinha os cabelos loiros e apesar de não ter rugas, sua fisionomia bastava para saber que se tratava da mãe de Bill e Tom. Aquela informação me deixou em choque, Simone trabalhara com meu pai e de alguma forma, traíra o trabalho deles. Um segundo medo tomou conta de mim: será que o que ela fez, a levou a morte? Meu pai foi capaz de matá-la por causa das informações que ela tinha?
Desisti dos vídeos. Não queria ver mais nada sobre aquelas cirurgias, meu estômago ainda humano estava se revirando. Voltei para a pasta do Projeto Humanoid e fiquei surpresa ao descobrir que havia uma pasta com meu nome “Wilhelmine Langebahn”, cliquei sem hesitar. Havia um bocado de informações sobre mim ali, como boletins escolares, notícias sobre o prêmio que ganhei na escola ao inventar um programa de computador, certidão de nascimento e até meu tipo de sangue. Tinha até uma notícia do Jornal Online sobre meu acidente de carro.
O que mais me chamou atenção foi a quantidade de fotos minhas que foram tiradas, na maioria, enquanto eu frequentava festas. Foi então que achei mais vídeos naquele bolo assustador de informações, pensei em não clicar, afinal já tinha visto coisas o suficiente, mas já que era sobre mim...
– Não gosto de vídeos, mas Gustav falou que é necessário já que posso captar ótimas informações com uma câmera – eu fiquei surpresa ao estar encarando Bill, ele não estava com moicano e sim com um cabelo comprido, preso em um rabo-de-cavalo. A cicatriz em seu rosto sumira quase por completo e ele se vestia completamente de preto – Hoje é 15 de Março de 2109 e estarei coletando qualquer coisa sobre Wilhelmine Langebahn, estarei ao seu encalço o suficiente para poder protegê-la. Minha vontade é de sequestrá-la, mas acho que não seria sensato. Minha vontade também é mandar qualquer idiota nessa missão, mas... não posso abandoná-la agora. Não faço ideia de como seja sua personalidade e não sei como vou lidar com ela.
O rosto de Bill encarou a câmera por um tempo, preocupado e depois sua imagem sumiu. Como assim protegê-la? Como assim ele não pode me abandonar? Não podia acreditar que estava mirando um Bill preocupado comigo, sendo que ele sempre me tratou mal o tempo todo. Pelo menos, o que Tom falara era verdade, eles definitivamente não queriam me matar.
A imagem do vídeo surgiu, mostrava uma rua um tanto movimentada e um pub iluminado com uma música eletrônica ao longe. Eu conhecia muito bem aquele lugar, pois frequentava com minhas amigas quando morava em Hamburgo. O zoom da câmera aumentou até focar em mim, fumando encostada na parede e rindo na companhia de minhas amigas Breanna e Katze.
– A morena é Wilhelmine – disse a voz de Bill atrás da câmera, sussurrando para que ninguém o descobrisse – Pelo tempo que estou aqui, ela está totalmente chapada, rindo igual uma idiota junto com aquelas duas amigas desmioladas. Já tracei um perfil psicológico dela: filhinha de papai, rica o suficiente para bancar seus baseados, bebidas e festas. Pelo visto, aquele filho da puta do Langebahn a estragou.
As imagens só me mostravam fumando, entrando no pub, dançando com minhas amigas, bebendo até desmaiar e mais outras coisas que eu fazia. Juro que não me orgulho daquela época, ela parecia tão distante o suficiente que às vezes penso que nunca existiu, mas lá está ela, viva de novo. Em um dos vídeos, eu acabei desmaiando de tanto beber, Breanna e Katze simplesmente sumiram, me deixando sozinha no chão enquanto uns caras me olhavam com uma cara tão chapada quanto a minha.
– Ela é gata – disse um deles – Podíamos brincar com ela.
Quando eles começaram a se aproximar de mim, Bill avançou e me carregou e, pelo visto, lançou um olhar feio para os caras que caíram fora. A câmera focou em meu rosto desmaiado, e algumas mechas foram afastadas dele pelos dedos finos e compridos do meu salvador.
– Mine, o que diabos você virou? – ele perguntou, fazendo meu coração robótico disparar de uma forma que nunca vi antes.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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54 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 04, 2012 2:39 pm

Ella.McHoffen

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OMG tanta novidade!!!

Simone esteve do lado deles?! Eu ja tinha pensado nisso, mas nunca levei a serio essa ideia. Sera que o Langebahn mandou mata-la por ela saber demais?!

Bill já andava a vigiala, me gusta isso

O que ela vai fazer com toda essa informação?! Supe curiosa aqui!

Continua Sammy

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55 Humanoid Chronicles em Dom Nov 04, 2012 2:44 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Capítulo 21


Como um motoqueiro fantasma
Eu te procuro
A noite é fria
Eu dirijo sozinho
Como um motoqueiro fantasma
Para finalmente estar contigo
(Geisterfahrer – Tokio Hotel)

30 de Agosto de 2109
Quase caindo da cadeira na sala de Gustav
23h47min PM

Bill me conhecia. Essa era a maior certeza que eu tinha, mas não me lembro dele. Juro que nunca tinha visto ele antes! Tentei relembrar qualquer situação da minha vida que ele poderia estar... escola? Não. Festas (além dessas)? Não. Infância, talvez? Que eu me lembre, não também. Eu não podia estar errada quanto a isso já que o jeito que ele falava era como se me conhecesse há muito tempo.
Continuei vendo os vídeos, Bill me seguia até quando eu ia à escola e soltava comentários que variavam em me chamar de idiota até exclamações bastante preocupadas ao me ver fazendo algo errado. Eu nem sequer fazia ideia de que ele estava lá, apenas andava por aí sem saber o que estava acontecendo a minha volta. Finalmente cheguei ao último vídeo e meu coração gelou quando percebi que se tratava da noite do meu acidente.
A câmera me mostrava fumando no sofá da festa de Sylvia Motte, o lugar estava abarrotado de pessoas, com casais se pegando no sofá – ao meu lado, diga-se de passagem – e pessoas dançando em cima da mesa, enquanto bebiam garrafas de vodka até entrarem em coma alcoólico. Eu parecia estar totalmente chapada e não conseguia nem parar em pé direito, quando Katze veio me avisar que Ian Chesnutt estava me esperando no andar de cima. Naquela época, eu era completamente apaixonada por aquele babaca do Ian e ele nem ao menos sabia que eu existia.
Um sorriso bobo surgiu em meu rosto quando ela disse aquilo e tratei de subir o mais rápido possível as escadas do jeito que só uma pessoa chapada consegue. Bill veio atrás de mim, com sua câmera me perseguindo por todos os lugares, até chegar ao segundo andar da casa. Abri o primeiro quarto que achei e dei de cara com Ian se pegando com Sylvia, seminus. A câmera focou naquele casal e juro que ao ver aquilo de novo, não senti nada. Ian só fora uma paixonite e como disse antes, ele nem sabia que eu existia. Saí correndo do quarto, com lágrimas no rosto e me choquei com Bill, fazendo a imagem do vídeo ficar negra.
– Espere! – Bill disse, tentando me segurar, pelo menos era o que dava para deduzir, já que a câmera chacoalhava toda hora, mas eu me lembrava vagamente de algo assim.
– Deixe-me em paz! – eu falei, saindo correndo dele, descendo as escadas.
Bill correu atrás de mim, atravessando aquela multidão e saindo da casa de Sylvia. Eu entrei em um carro e fiquei alguns segundos tentando ligá-lo, mesmo que a câmera não mostrasse isso, eu me lembrava. Então o carro finalmente ligou, saiu faíscas de fogo atrás e eu acelerei tanto que logo só havia um pontinho ao longe.
– Droga! – Bill exclamou, indo em direção a sua moto que estava perto, escondida atrás de uma moita – Aquela desgraçada vai se matar desse jeito. Por que diabos decidi bancar a babá daquela estúpida?
Ele subiu na moto e acelerou com tudo que podia atrás de mim. Logo dava para avistar meu carro e ao longe, lá estava o ônibus parado a alguns metros, o que era um bocado estranho já que pensei que estava em movimento.
– Merda! – Bill gritou, tentando acelerar mais a moto – O freio dela está quebrado, ela foi pega!
Aumentei a tela de vídeo e realmente dava para ver um líquido viscoso escorrendo do meu carro. Também me lembrava de ter tentado frear várias vezes, mas sem sucesso, só que pensei que estava tão chapada que imaginei tudo. Meu carro se chocou com o ônibus parado com toda força, virando uma pilha de ferrugem e tombando no chão já que o dispositivo gravitacional quebrara. Alguém havia sabotado meu carro. Eu havia vistoriado ele há uma semana e não havia nada de errado, como que o freio quebrara assim de repente?
Finalmente a moto de Bill chegou perto do carro, ele a deixou de lado e se encaminhou até aquele monte de ferrugem. Foi então que ele arrancou a porta do meu carro facilmente, com apenas uma mão e a jogou longe. Isso não era possível! Voltei o vídeo nessa parte e vi mais umas três vezes até acreditar. Nenhum humano faria uma coisa dessas... Bill tinha um braço robótico. Isso explicava porque consegui acabar com Georg facilmente e com ele não, ele também era um Humanoid igual a mim!
A imagem que preencheu a tela holográfica foi meu rosto com um corte enorme na testa, fazendo sangue escorrer no meu olho esquerdo enquanto o direito estava fechado. Meu braço direito se encontrava massacrado do outro lado e minhas pernas sumiram no meio de tanto metal. Mesmo assim, eu estava viva e olhava para Bill de forma vaga.
– Oh, Gott! – Bill exclamou – Não acredito no que eles fizeram com você, se sobreviver a isso já vai ser demais. Você pode me ouvir?
Eu acenei que sim, mas eu não me lembrava disso. Quer dizer, que meu sonho era uma memória um pouco distorcida, Bill realmente esteve comigo quando sofri o acidente de carro. Com todo cuidado, ele começou a retirar as ferragens que envolviam minhas pernas, pelo meu rosto, dava para ver que aquilo doía demais.
– Vou te tirar daí, preciso que aguente firme, vai doer – ele estava usando um tom calmo, mas dava para ver notas de desespero em sua voz. Aquilo era demais para minha cabeça, era como se eu acabasse de ser apresentada a um novo Bill, não era o que eu conhecia.
Pouco a pouco, as ferragens saíam das minhas pernas, fazendo um sangue escuro sair pelos ferimentos. Com um lenço, Bill tentava estancar o sangue e falava o tempo todo para eu me manter acordada, quando eu estava para desmaiar, ele segurou minha mão esquerda e a apertou.
– Não desmaie, por favor, isso vai ser pior – meu rosto virou de um lado para o outro, mas eu não conseguia falar – Vou ter que fazer algo, eu tenho um choque-elétrico aqui, o deixarei com uma carga mínima. Se adormecer, você pode morrer ou ficar em coma, vou tentar acordá-la com isso, entendeu?
Eu fiz que sim, apesar da dor, toda hora que meu rosto parecia pender, Bill dava um mínimo choque-elétrico que fazia meu olho direito abrir de susto. Logo a lança em meu braço direito foi retirada, ele rasgou um pedaço do seu casaco e o envolveu para estancar o sangue. Aos poucos ele foi me tirando do carro e me trazendo para o frio da Hamburgo em seus braços, colocou-me em sua moto e ajeitou minhas pernas para que ficassem apenas de um lado. Bill se sentou atrás e fechou o que sobrara de seu casaco em volta de mim, para que eu não caísse.
– Mine, eu juro que vai ficar tudo bem. Não vou deixar que destruam você – Bill sussurrou, acelerando a moto.
Então o vídeo parou, Bill havia desligado a câmera, mas logo sua imagem voltou. Ele parecia estar péssimo e mal humorado.
– A perdermos – ele disse finalmente – A levei a um hospital, eles precisavam de um responsável para fazer a cirurgia, mesmo assim não daria em nada. Wilhelmine perdeu o braço, a visão do olho esquerdo e nunca mais poderá voltar a andar. Langebahn conseguiu de novo, ele terá uma nova cobaia, se não a transformar completamente em um robô, vai ser sorte... está acabado. Esse é o último vídeo.
A tela ficou preta e meu corpo pendeu na cadeira flutuante. Não conseguia acreditar no que acabara de ver. Bill tinha um braço robótico e quem sabe o que mais. Meu acidente não foi completamente minha culpa, alguém sabotara o meu carro. A mãe de Bill e Tom trabalhara com meu pai e o traíra. Ela foi morta pelas informações que tinha. Bill me conhecia de algum lugar.
Minha vontade de fugir se extinguira, eu não sabia mais em quem confiar e no que acreditar. Quem era a vítima nessa história toda? World Behind my Wall Corporation ou Dogs Unleashed? Ou os dois eram vilões, brigando por poder? Eu podia fugir, fugir para longe. Eu podia recomeçar minha vida novamente, em um lugar afastado de tudo isso, sem que ninguém desconfiasse.
Desconectei meu Idiary do computador, quando comecei a desligá-lo, a porta da sala abriu com tudo. Bill estava lá, ofegante e surpreso por me encontrar ali. Não consegui ficar com qualquer expressão, só o encarei, petrificada, tentando ler qualquer coisa que indicasse se ele era o mesmo cara do vídeo.
– O que você está fazendo aqui? – ele exclamou realmente furioso – Sabia que algo havia acontecido com Tom, eu senti. O que você fez com ele?
– Na-nada – eu disse, tentando me explicar – Está tudo bem, ele está na cozinha. Estava aqui apenas em busca de respostas.
– Dê-me – ele estendeu a mão, olhando para o meu Idiary – Sabia que tinha que ter eliminado isso antes.
– De jeito nenhum! – eu exclamei, ultrajada, guardando meu Idiary em minha mochila – Fique longe disso! Não peguei nenhuma informação importante, só o usei para conseguir entrar no computador de Gustav.
– Se você não entregar por bem, vou pegar por mal, entregue-me agora!
Ele não podia ser o mesmo cara de antes. Bill nunca se importou comigo de verdade, talvez eu tenha confundido tudo. Quando ele avançou para cima de mim, eu o empurrei com toda força que eu tinha contra a parede, o pegando de surpresa. Antes que pudesse me nocautear, o arremessei para cima da cama que me prenderam na primeira vez que fui naquela sala. Apoiando meu peso nele, prendi seus braços e depois prendi suas pernas.
Se Bill tivesse mais partes robóticas, não seria questão de tempo para ele se libertar. Então empurrei a porta e saí da sala, fechando-a e rezando para que ela não se abrisse com suas digitais e sim só com as de Gustav. Corri o mais rápido que eu podia, sabia que a saída era para cima, mas os Dogs Unleashed podiam chegar a qualquer instante. A melhor coisa que eu poderia fazer era me esconder e descobrir outra forma de sair. Eu precisava me livrar de tudo e de todos, não queria saber mais de nada.

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56 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 04, 2012 2:51 pm

Oh God, não creio que estou lendo esta fanfic novamente, ela é simplesmente incrível!
Tão boa que vou rer ler ela de novo!

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57 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 04, 2012 5:08 pm

Ella.McHoffen

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Braço robo?! affraid
O pai dela sabotou o carro para depois transforma-la?! Oh Gosh!!!

Mine está ferradinha! Vou até ter pena dela.Que será que o Bill vai fazer? scratch

Super curiosa, continua bounce

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58 Re: Humanoid Chronicles em Qua Nov 07, 2012 1:13 pm

Anny V.

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Moderadora
Eu fiquei surpresa em saber que o Bill tem partes robôs, o ódio dele é tanto por essas coisas que nunca passaria pela minha cabeça que ele é igual a Mine. Ele deve ter muita raiva disso.

Quantas revelações! affraid
E agora, quem sabotou o carro da Mine?
Por que a mãe do Bill morreu e quem a matou? Shocked

Continua, Sam. Por favor >.<

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59 Humanoid Chronicles em Qua Nov 07, 2012 4:02 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 22


Você está em algum lugar lá fora
Fraca demais para chorar
Fugiu de todas as pessoas
Para tentar ser uma deles
Eu vejo você
Olhe através da noite
(Zoom – Tokio Hotel)

31 de Agosto de 2109
Preciso encontrar uma saída
01h07min AM

Corri para as escadas, passei pelas celas – e novamente não pensei em pegar Starkey, se a World Behind my Wall Corporation fosse a vilã, ele estaria no meio e eu não queria me envolver mais – e cozinha até chegar ao depósito. O lugar era gigante, havia dezenas de caixas ali, tanto de madeira quanto de metal e papelão. Desesperada, abri uma das caixas de madeira no fundo do local e encontrei um motor velho, entrei, fechei e tentei ficar o mais quieta possível.
Meus olhos começaram a lacrimejar, se eu não segurasse, logo poderia estar aos prantos e meus soluços iriam ecoar pelo depósito. Queria acordar em minha cama, queria ser uma Humanoid comum, que terminasse a escola e aceitasse o fato de que 60% do seu corpo fosse robótico. Não que essa última fosse difícil, nunca fiquei complexada por ser um Humanoid, na verdade, eu até gostei.
Não sei quanto tempo se passou, só sei que estava com medo de sair da caixa. Eu estava pensando em tentar sair amanhã de madrugada, quando a maioria estivesse dormindo e desistido de me achar. Mas logo eu ouvi alguém abrindo a porta e passos ecoaram pelas caixas, até chegar a mim. Segurei minha respiração, mas fiquei com medo de que os meus batimentos cardíacos denunciassem onde eu estava.
Eu não acreditei quando a pessoa parou exatamente na frente da minha caixa. Por um momento, eu tive esperança que me carregassem para fora daqui, quem sabe, para ajudar no ataque aos robôs.
– Eu sei que você está aí, Wilhelmine – Bill falou, fazendo um medo aterrador tomar conta de mim – Tem câmeras por todos os lugares, cedo ou tarde alguém ia descobrir para onde você foi.
Tudo bem, eu não contava com essa. Como eu fui burra! Hoje em dia, todos os lugares têm câmeras de segurança, por que aqui não teria? Não havia jeito de eu escapar, a não ser que eu nocauteasse Bill e tentasse subir até o primeiro andar, enfrentando ou não os Dogs Unleashed. Quando ele abriu a tampa da caixa, eu impulsionei meu pulso para trás e apontei a arma para ele.
– Se você não me deixar passar, vou estourar sua cabeça! – eu gritei, implorando por dentro que ele saísse da minha frente, não estava a fim de matar uma pessoa logo agora. Bill empalideceu totalmente.
– Você não faria isso – ele arriscou.
– Eu faria! – eu falei firmemente, colocando o cano mais para fora – Não sou sua inimiga, se você me deixar ir embora, não volto para a World Behind My Wall Corporation. Vou embora para longe, nunca mais vai ouvir falar de mim.
– Por que não vai voltar para seu papaizinho? – ele perguntou cinicamente – O que viu no computador? Os vídeos de dissecação dele?
– Que eu saiba, sua mãe também participava das dissecações. E ela morreu porque é uma traidora? O que diabos ela fez? Será que Starkey estava certo?
Ele ficou furioso, a palidez do seu rosto foi tingida por um vermelho, ele agarrou meu braço e o entortou até o cano entrar novamente no meu pulso. Bill me tirou de dentro da caixa e me colocou contra a parede, fiquei com medo que meu Idiary tivesse quebrado com o impacto.
– Você também é um Humanoid! – eu exclamei, tentando me soltar dele – Por isso é tão forte. Por isso se odeia e me odeia também.
– Minha mãe tentou me salvar de um destino pior do que eu já tenho – ele falou entrei os dentes, me segurando mais forte – Ela morreu por minha causa e também morreu porque tinha ética médica, coisa que seu pai não tem! Sabe os vídeos das cirurgias? Foi ela que roubou, ela que deu todas as informações que os Dogs Unleashed precisavam, só porque queria me manter seguro. E eles a acharam e a mataram. Seu pai e aquele filho da puta das celas mataram a minha mãe!
Uma lágrima escorreu do seu olho direito, várias lágrimas, mas nenhuma sequer saiu do seu olhos esquerdo. Ele me soltou e deu um soco na parede, a centímetros de mim, fazendo o metal amassar por causa de sua raiva. Eu estava extremamente assustada, mas toquei o seu rosto, um lado era quente, o outro não.
– Seu rosto é metade robô – eu disse temerosa – Quanto de você é robô?
– Quase completamente, metade do meu rosto não é e meus órgãos também não são – ele disse amargamente – Prazer, sou o Humanoid 482.
– Você não queria que eu me transformasse em um Humanoid, como sabia que eles fariam isso?
– Esse sempre foi o nosso destino, Mine – ele me chamou pelo meu apelido! Isso era completamente estranho, era a primeira vez que falava isso sem ser pelos vídeos – Desde pequenos, você, Tom e eu fomos criados para sermos cobaias para o Projeto Humanoid.
– Meus pais não fariam isso comigo, não pode ser! Sei que meu pai não é muito presente, mas... minha mãe também não permitiria.
– Você é... – ele parou, mas fiz sinal para que continuasse – Você é adotada, Wilhelmine. Tom e eu também.
– O... que? – eu exclamei – Não! Como isso? Como pode saber?
– Nós nascemos em Leipizig, você era minha vizinha e tinha dois anos enquanto Tom e eu tínhamos seis anos. Nós sobrevivemos ao terremoto de 2094, meus pais e sua mãe morreram e nos tornamos órfãos. Um bando de cientistas soube sobre o que aconteceu e viram isso como uma oportunidade de usar humanos como cobaias, então eles adotaram um total de doze crianças órfãs. Simone Kaulitz adotou meu irmão e eu, Hansen Langebahn adotou você. O problema é que minha mãe adotiva se apegou demais a nós para nos deixar ir para uma mesa de cirurgia.
– Meu pai também mudou – eu disse rapidamente, não conseguindo aceitar que eu era adotada e toda essa situação terrível que aparecera do nada – Ele quis me salvar quando me acidentei, não fez por mal...
– Sabe qual é a teoria deles? – Bill me cortou – Que um corpo aceita mais facilmente partes robóticas quando está lutando contra a morte. Quando sofremos um acidente, mesmo inconscientemente, não queremos morrer, por isso, nos agarramos a qualquer possibilidade de sobrevivência. Seu acidente de carro foi uma sabotagem, eles a queriam machucada o suficiente para que precisasse de uma cirurgia.
– Não pode ser verdade... não consigo acreditar...
Deixei-me cair no chão molemente. Senti as lágrimas finalmente saltarem dos meus olhos, era doloroso saber que tudo que eu acreditei a vida inteira era uma mentira. Bill se agachou a minha frente e ficou me encarando com uma expressão triste.
– Seria pedir demais para que fique? – ele perguntou, pela primeira vez, docemente – Quando você colocar os pés para fora dessa base, não importa para que lugar você for, eles vão tentar achá-la. Mine, você é a Humanoid 483, é o maior tesouro e vitórias que aqueles idiotas têm, eles não vão aceitar perdê-la.
– Por que você foi atrás de mim? Por que tentou me salvar?
– No dia do terremoto, eu tentei desesperadamente achar nossos pais nos escombros. Acabei localizando sua mãe primeiro e a última coisa que ela me disse foi: “Proteja Mine, ela é muito pequena para entender”. Você cresceu e continuou não entendendo muita coisa, por isso precisei protegê-la.
– Por causa de uma promessa? – eu perguntei sem muita credibilidade.
– Porque eu me importo com você – ele disse, fazendo meu coração disparar e meu rosto ficou quente o suficiente para que Bill percebesse o quanto fiquei sem-graça.
– Você nem me conhece direito.
– É, por isso que no começo foi difícil lidar com uma garota mimada que só porque era uma Humanoid, pensava que poderia ser forte o suficiente para me derrotar. Nada como choques-elétricos e alguns dias sozinha para que aprendesse um pouquinho – ele falou zombeteiramente, se levantando e estendendo a mão para que eu me levantasse também.
– Você é doente – eu disse, aceitando a ajuda e me pondo de pé, mesmo que parte de mim quisesse ficar no chão para sempre – Como minha mãe me deixava brincar com você?
– Nós éramos normais naquela época...
– Pena que eu não me lembro de nada.
Ontem, eu acreditava que meu principal inimigo era Bill, que eu precisava ficar aqui e coletar informações ou simplesmente fugir para ajudar o meu pai. Eu o odiava tanto, a ponto de quase querer matá-lo, sem saber, que quando eu mais precisei de ajuda, ele esteve do meu lado. Meu maior inimigo se tornara meu salvador e finalmente eu conseguira me infiltrar naquela fortaleza de aço aonde ele se instalara, não com enganações, mas com a verdade.
Há alguns minutos, quando eu fui descobrindo a verdade, senti-me a pessoa mais desamparada do mundo. Pensei em recomeçar a minha vida longe daqui, mas eu tinha um pouco de medo dessa nova vida, sendo que a única coisa que eu não sabia era que já recomeçara uma nova aqui. Quando Bill pedira para eu ficar, um alívio enorme tomou conta de mim. Esse lugar não era um lar, mas eu poderia chamar de casa, pelo menos, por um tempo.
– Vamos achar Tom – Bill falou, começando a subir as escadas – O que diabos você fez com ele?
– Eu... eu... eu o dopei – eu disse, arrependida – Mas ele está bem, só está apenas dormindo.
– Bom mesmo, se ele estiver em péssima condição, você irá descobrir o quanto sou doente – ele disse secamente.
Ótimo. Velho Bill de volta. Insuportavelmente de volta.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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60 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 11, 2012 11:08 am

Anny V.

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Fui surpreendida novamente! Shocked
Cada capítulo uma nova revelação... Isso é muito legal \o/

Que fofo o Bill cuidar dela, embora eu acho que dar choques elétricos na coitada da Mine não foi um ato de pessoa preocupada com ela

Mas enfim, agora a mine vai ficar na base do Dogs Unleashed, consequentemente ficar com o Bill e agora, talvez, sem tantas brigas. Interessante... Cool

Continua, Sam.

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61 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 11, 2012 11:50 am

Ella.McHoffen

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Anny disseste tudo.

Esta fic está cada vez melhor. Muitas surpresas em todos os capítulos. AMO isso!

Continua Sammy.

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62 Humanoid Chronicles em Dom Nov 11, 2012 12:25 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 23



Olá pequeno andróide
Estou tão sozinho
Meu coração é um vácuo
Pesado como milhares de pedras
Eu quero arriscar algo
Não tenho nada a perder
(Hey Du – Tokio Hotel)

31 de Agosto de 2109
No quarto do Bill (e não é nada do que você está pensando)
01h54min AM

Tom estava exatamente aonde eu tinha deixado-o, sentado em uma das banquetas e apoiado na bancada, dormindo tranquilamente como se nada tivesse acontecendo. Bill se apoiou na banqueta e por um momento, pensei que estivesse observando seu irmão, mas havia algo estranho em sua expressão.
– O que foi? – eu perguntei, talvez ele estivesse zangado pelo o que eu fiz com Tom, mas como? Ele estava tão bem.
– Nada, nada demais – Bill disse, avançando até Tom e o levantando, apoiando seu braço em volta do seu pescoço para que conseguisse levá-lo, mas ao fazer isso, vacilou.
– Cuidado! – eu exclamei, indo até ele e pegando o outro braço de Tom. Para a Humanoid que eu era, Tom era bastante leve, não conseguia entender porque Bill vacilara – Vou te ajudar.
Bill não falou nada em todo o percurso, ele não agradeceu pela minha ajuda e também não ficou bravo por eu estar ajudando-o, mas sua expressão não era das boas, era bastante taciturno. Eu não devia me preocupar, afinal ele é sempre assim, uma hora está conversando com você normalmente e outra hora está quase te jogando pela janela. Mas eu quase podia entendê-lo agora, o que ele passou foi mil vezes pior do que eu, além dele se lembrar de tudo. Ele perdeu os seus pais biológicos também, eu nem sequer me lembrava dos meus.
Depois de um pouco de esforço – mais do meu lado do que de Bill, porque percebi que ele estava com certa dificuldade de carregar seu irmão –, chegamos ao quarto de Tom. A porta abriu com as digitais de Bill e nos encontramos em um amplo quarto, um pouco maior que o meu. Havia dois pôsteres na parede, um era de uma mulher muito bonita que devia ser alguma atriz e o outro era de um rapper. Também havia uma guitarra em um canto e várias caixinhas espalhadas pelo chão e pela sua escrivaninha. Nós colocamos Tom em sua cama desarrumada e ele nem se mexeu, apenas respirou fundo.
– Ele vai ficar bem – eu sussurrei, vendo que Bill olhava o irmão – Eu não o machucaria.
– Isso é estranho vindo da pessoa que quis estourar minha cabeça no depósito com uma arma que esconde no pulso – ele falou, sorrindo finalmente.
– Ei! Foi assim que você descobriu, você é um Humanoid também! – eu exclamei, finalmente entendendo o que ele quis dizer aquele dia – Você também tem uma arma no braço?
– Não, infelizmente não tenho, mas tenho olhos robóticos muito bons – ele falou, indo em direção a porta do quarto.
Percebi que tanto o saguão quanto os outros corredores continuavam vazios, não havia mais sinal de nenhum dos Dogs Unleashed, além de Bill.
– Onde estão os outros? – eu perguntei.
– Estão ainda na missão, eu voltei sozinho já que minha ligação com meu irmão estava me alertando que ele estava em perigo. Depois que virei um Humanoid, isso aumentou e sinto um bocado de coisas que Tom sente.
Ah, não. Será que ele sabia que eu havia beijado Tom? Talvez isso não estivesse incluído no pacote, mas não consegui conter o rubor que se alastrou pelo meu rosto. Sinceramente, os dois precisavam ser gêmeos? Isso me deixa um bocado confusa mesmo os dois não sendo parecido em nada.
– Então – eu pigarreei – Você voltou porque sabia que eu estava tramando algo?
– Sim e não – ele disse simplesmente caminhando para longe de mim como se nossa conversa já tivesse acabado.
– Ei, onde você está indo?
– Para o meu quarto, vá para o seu.
Olhei brava para ele e o pouco caso que ele fazia das coisas. Eu tinha acabado de saber praticamente toda a verdade sobre minha vida de mentiras e ele não parecia dar a mínima, acha que vou poder dormir de noite sem ficar pensando em tudo que me contou – apesar de eu ainda ter os calmantes no meu quarto. Já estava pensando em dar as costas a ele, quando ouvi um barulho. Bill estava de joelhos no chão e se apoiava na parede, com uma respiração difícil que fazia seu peito arfar.
– Gott! O que há com você? – eu exclamei, correndo até ele e o ajudando a se levantar – Não está se sentindo bem?
– Não é nada – ele disse se desvencilhando de mim – Está tudo bem.
– Ah, claro, você está ótimo – eu disse sarcasticamente, tentando ajudá-lo novamente, mas o maldito continuava me empurrando – Olha a sua expressão de alguém que comeu algo e não gostou, além de que você não conseguiu carregar o seu irmão, sendo que você é um Humanoid! Sem falar nessa sua respiração de alguém que correu por Berlim inteira.
– Eu entendi! – ele exclamou, se apoiando na parede e finalmente conseguindo me parar de ajudá-lo – Não estou bem, mas vou ficar. Isso é normal, acontece todo o tempo, só preciso ir para o meu quarto.
– Deixa eu te ajudar? Aposto que você não consegue chegar nem no final do corredor.
– Meu quarto é aqui do lado – ele apontou para uma porta que estava a menos de dois metros de onde estávamos.
– Não retruque – eu disse, colocando o braço dele em volta do meu pescoço, igual fizemos com Tom e levando ele ao seu quarto – Você está péssimo, Natalie provavelmente está dormindo e se você precisar de ajuda, sou a única pessoa acordada por aqui.
– Está me ajudando por que...? – ele disse com uma voz vaga e até desinteressada, como se perguntasse apenas por perguntar.
– Porque você me ajudou no dia do meu acidente, foi você que me retirou do carro e também tentou me impedir. E eu não fazia ideia de uma coisa dessas, pensei que fossem policiais que tinham me salvado ou qualquer coisa que conseguisse me tirar daqueles metais retorcidos. Eu vi os vídeos – eu disse tristemente – Vi como eu era antes, eu era uma babaca completa.
– Devia ter impedido isso, mas eu não esperava encontrá-la daquela forma – Bill falou, colocando a mão no detector de digitais e a porta de seu quarto abriu – Pensei que sequestrar você e contar tudo piorariam a situação.
O quarto de Bill era tão vazio quanto o meu, não havia nada que denunciasse seus gostos de músicas ou atrizes como havia no de Tom, nem se ele tocava algum instrumento ou simplesmente lia algum livro. Sua cama estava bem feita, sua escrivaninha vazia e tudo em perfeita ordem como se nenhuma pessoa nunca tivesse dormido naquele local, mas sempre o mantivesse limpo.
Ajudei Bill a sentar-se em sua cama e percebi que ele estava extremamente quente e seus músculos estavam tendo espasmos – se eu posso chamar de músculos, afinal até isso era robótico. Ele se arrastou até alcançar a cômoda que ficava do lado direito e abriu sua gaveta, tirando um potinho de remédio sacolejante. Ele sacou um dos comprimidos, o ingeriu sem ao menos precisar de água, jogou o potinho de volta na gaveta e caiu derrotado na cama.
– Você não está nada bem – comentei, indo em direção ao banheiro dele e procurando alguma toalhinha.
– Vou ficar, já disse – ele falou impacientemente – O que você está fazendo?
Achei uma toalhinha dentro de um dos armários, fui até a pia dele e regulei a temperatura para que a água ficasse gelada. Molhei a toalhinha completamente, depois a torci e voltei para o quarto com ela pingando. Já tinha visto pessoas fazerem isso em filmes, mas nunca havia tentando, talvez ajudasse a diminuir a febre de Bill.
– Para que é isso? – Bill perguntou, segurando meu braço quando me inclinei para colocar a maldita toalhinha em sua testa.
– É para abaixar a sua febre, imbecil! Estou te ajudando, pare de ser teimoso e metido a besta – eu falei, dando um tapa na mão dele e colocando a toalhinha em sua testa.
Finalmente ele ficou quietinho, com seus olhos faiscando por causa da luz que emanava do banheiro e me lembrando vagamente um gato machucado, analisando a pessoa que cuidava dele como se ela fosse atacar a qualquer momento. Ele ainda não confiava em mim o que era um bocado chato já que eu estava confiando nele e em toda a história que me contara.
– Não vou machucar você, pode sossegar – eu falei, sentando-me ao lado dele e ficando na minha.
– Como se você pudesse fazer algo comigo – ele resmungou, tão insolente quanto sempre fora, mesmo estando debilitado daquele jeito.
Então, ele simplesmente virou o rosto de lado, tomando cuidado para não derrubar a toalhinha e não falou mais nada. Fiquei ali, na penumbra, apenas observando enquanto ele pegava no sono e sua respiração voltava ao normal. Eu era capaz de ver suas cicatrizes brilhando conforme a luz do banheiro incidia sobre elas e me perguntava como ele fizera cada uma delas. Por incrível que pareça, eu tinha tanta coisa a perguntar para ele, havia tanto que eu gostaria saber sobre minha outra vida e sobre meus pais.
Claro que eu nunca iria me esquecer da mãe que me criou, aquela que estava sorrindo dentro do meu escapulário, entre os pós do calmante. O que doía era saber que eu não havia mais nada além do meu pai de criação, que me usara apenas para ser cobaia desse projeto que eu apoiei tanto. Mesmo assim, eu não conseguia ficar zangada, afinal tudo que aconteceu mudou de alguma forma a minha vida. Eu tinha duas opções: continuar nas festas como eu fazia antes ou sofrer um acidente que me levasse ao caminho certo. Que bom que o destino fez a escolha certa.

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63 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 11, 2012 12:32 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 24


Amor e Morte
Não bagunce com meu coração
(Love and Death – Tokio Hotel)

31 de Agosto de 2109
Ainda no quarto de Bill
03h45min AM

Não consigo dormir. Sei que tenho pó de calmante o suficiente para que eu consiga, mas não estou a fim de ser dopada novamente. Por isso, passo a maior parte do tempo tirando a toalhinha da testa de Bill e a molhando quando secava. Ele continua tão quente quanto antes e sua febre não abaixou até agora, mesmo assim, está dormindo feito uma pedra.
Com todo cuidado, coloquei minha mão na toalhinha, percebi que já estava morna e quase seca novamente, retirei-a e fui para o banheiro, encharcando-a igual já fizera umas dez vezes. Encarei meu rosto no espelho e ele estava terrível, com olheiras enormes abaixo dos meus olhos, que apesar de cansados, não conseguiam se manter fechados.
Voltei novamente para o quarto, tonta por causa da falta de horas de sono e coloquei a toalhinha novamente na testa de Bill. Então ele agarrou meu braço, me dando um susto gigantesco e me deixando mais acordada do que já estava antes. Seus olhos se abriram, me olhando de forma vaga, como se não reconhecesse quem estava diante dele.
– Só estou molhando de novo a toalhinha – eu disse, tentando soltar meu braço do aperto de ferro dele – Pode voltar a dormir, está tudo bem.
Ele puxou meu braço para mais perto, tive que inclinar o corpo para não cair bem em cima dele. Bill devia estar sonâmbulo ou, quem sabe, tendo delírios por causa da febre.
– Bill, sou eu! Droga, você está me ouvindo? – eu disse, mas ele não respondeu. Continuou a me fitar como se tentasse descobrir quem eu era.
Enquanto sua mão direita segurava meu braço, a esquerda segurou o meu rosto e começou a acariciá-lo com movimentos lentos. Decididamente ele estava tendo algum delírio, nunca Bill faria uma coisa dessas enquanto estivesse totalmente são. Só que eu fiquei petrificada, tentando entender o que estava acontecendo, talvez essa fosse a primeira e única vez que o veria agir dessa maneira.
Quando eu menos esperava algo desse tipo, ele me puxou para si, me fazendo perder o equilíbrio e cair em cima do seu peito. Fiquei em pânico, o que diabos ele estava querendo? Tentei sair, mas seus braços me envolveram em um aperto quente o suficiente para queimar minha pele e um arrepio percorreu minha espinha.
– Mas que diabos você está fazendo? – eu sussurrei, tentando acordá-lo daquele sonambulismo insano.
– Shhhh, cala a boca – ele resmungou. Simples assim, nenhuma justificativa além daquela voz jocosa.
Então ele me beijou. Seus lábios quentes tomaram os meus e uma corrente elétrica percorreu o meu corpo e não estou falando de curto-circuito ou qualquer problema robótico, estou falando da sensação humana de desejo percorrendo cada parte do meu corpo e mostrando o quanto eu ainda era viva. Meu corpo relaxou ao toque dele, ele era tão humano quanto eu me recusava a acreditar, quando eu pensava que não havia nenhum sentimento bom nele. Não que o maldito fosse o exemplo de pessoa mais sensível agora, só porque estava me deixando impressionada.
Seu corpo rolou por cima do meu, me prensando contra a cama e se encaixando perfeitamente a mim, enquanto eu dedilhava as cicatrizes que estavam em suas costas e braços, cravando minhas unhas em sua pele, tentando mantê-lo o mais próximo possível de mim. Algo em minha cabeça ficava dizendo: “Ei, Mine, você está se atracando com Bill! Você não o odeia? Ele não a tratou mal o tempo todo? O que você está fazendo com ele agora?”. Tudo bem, eu tinha plena consciência do que estava acontecendo, mas eu não conseguia sair de perto dele. E meio que eu não o odeio completamente, talvez só um pouco.
Meus pulmões imploraram por ar, quando ele finalmente parou de me beijar e desceu seus lábios pelo meu pescoço, fazendo o calor se alastrar por minha garganta, a língua tenra tocando a minha pele. Ele me queimava, sua proximidade fazia o quarto parecer um forno e meu cabelo já estava grudando em minha testa, enquanto ele continuava a me apertar a si. De todos os caras que eu já tinha beijado, nem de longe os beijos foram tão intensos como os de agora.
– Não vou te perder nunca mais – ele sussurrou abaixo de minha orelha, arrepiando a minha pele – Você não tem ideia do quanto eu sofri na sua ausência.
Não acredito. Isso é impossível. Ele gosta de mim? Ele realmente gosta de mim? Nunca encontrei ninguém que dissesse algo tão próximo de “Eu gosto de você” ou um “Eu te amo”. Gott, estou eufórica, não sei nem o que dizer! Confesso que depois daquele incidente na cozinha e também com ajuda dos vídeos, eu cogitei a ideia de que Bill não era de todo mal, na verdade, eu o achava um bocado bonito para alguém tão insuportável. E eu também gostava quando ele aparecia quando eu estava andando pela base, eu meio que ansiava vê-lo algumas vezes. Passei minha mão atrás de sua nuca, tentando puxar seu rosto para mim, queria beijá-lo e confirmar que eu sentia algo bem próximo daquilo por ele.
– Eu não consegui dizer antes, mas eu te amo – ele falou fazendo meu coração bater desesperadamente – Eu te amo tanto, Petrova.
O que? Mas o que diabo é Petrova? Oh, meu Deus. Ele não está falando comigo, não está mesmo. Petrova é um nome, de outra mulher que não sou eu. Bill está realmente tendo alguma alucinação por causa da febre. Meu avô, quando eu tinha cinco anos, antes de morrer, teve uma febre daquelas e conseguiu me contar três piadas antes de dar o último suspiro, e ainda acreditou que tinha uma plateia o aplaudindo. Bill está imaginando que eu sou essa tal de Petrova. Não acredito que fui tão burra, claro que tudo estava sendo impressionante demais para ser verdade.
Afastei-me dele com o coração quebrado. Não, ele trincou um pouco meu coração robótico, nada de essa bobagem toda de quebrar o coração. Ele é um idiota e eu o odeio mais que tudo, então, eu só caí nessa ilusão imbecil como o resto do ilusionista. Comecei a empurrá-lo, para conseguir finalmente sair do aperto de ferro dele e quando consegui escapar para o extremo esquerdo da cama, percebi que ele estava atônito.
– Ah, não – ele exclamou, parecendo finalmente acordado e passando a mão em seu moicano caído – Droga!
Eu ainda respirava com dificuldade, enquanto olhava ele realmente transtornado. Bill se virou para mim, tentando focar seus olhos o suficiente para ver se ele estava enxergando Wilhelmine ou Petrova. Minha vontade era de sair correndo dali, mas até eu conseguir detonar o dispositivo para abrir a porta, Bill já vai começar com algum texto explicativo sobre como ele diabos me confundiu com outra pessoa.
– Mine? – ele chamou o meu nome. Não ficaria mais feliz se tivesse ouvido antes. Eu respondi com um resmungo – Desculpe-me.
Desculpe-me. Foi isso o que ele disse? Não, não vou desculpar coisa nenhuma. Cadê o texto totalmente explicativo sobre o ocorrido? Ei, será que meu nome antes de ser Wilhelmine era Petrova? Ah, não, nos vídeos ele me chamava de Mine, se fosse Petrova, seria mais cabível me chamar assim, mesmo com as mudanças de nomes. Não que eu me importe, tanto faz.
– Ah, tudo bem – eu exclamei com a maior voz animada – Eu fazia isso o tempo todo, você só me assustou, só isso.
Droga, essa foi péssima. É melhor ele não ligar a luz porque meus olhos estão lacrimejando. Não acredito que estou quase a ponto de chorar, isso é muito estúpido da minha parte. Preciso sair daqui, espero que ele me expulse. Se ele for ao banheiro, acho que tenho chances de detonar o dispositivo dele e cair fora também.
– Eu estava me desculpando por outra coisa, mas desculpe-me por isso também – ele disse com uma voz carregada de arrependimento. Bill segurou meu braço, como se tentasse fazer com que eu olhasse para ele, mas eu continuava a encarar o teto – Você... está chorando?
– Claro que não! – eu exclamei, tentando secar as malditas lágrimas que estavam saindo do meu rosto – Você ainda deve estar tendo alucinações. Eu estou ótima!
– Petrova foi um grande amor para mim... mas ela está morta agora. É esse o preço de ir à guerra, você não pode se apegar as pessoas, porque uma hora ou outra você irá perdê-las e os fantasmas delas vão te assombrar para sempre – ele disse amargamente, limpando uma lágrima que descia pelo meu rosto com seu dedo.
– Sinto muito – eu disse, mas não de uma forma muito sincera. Quantas pessoas ele havia perdido na vida dele? Sério, isso já estava ficando estranho demais – Já percebeu que todas as pessoas que você ama, acabam morrendo?
Tudo bem, eu não devia ter falado isso, foi golpe baixo. No mesmo instante, me arrependi completamente de ter dito, ainda mais ao ver a expressão magoada dele. Desde quando todos os valores se inverteram? Há alguns dias eu daria tudo no mundo para vê-lo magoado, e agora que consigo, simplesmente me sinto terrível.
– Percebi – ele disse secamente – Talvez seja por isso que você sobreviveu ao acidente.
Eu mereci essa, mas doeu um bocado. Era melhor assim, preferia mil vezes nós brigando como de costume a essa confusão que se alojara em minha cabeça. Levantei-me da cama, pronta para sair dali, nem que eu precisasse do meu Idiary que se encontrava em minha mala, jogada em algum canto.
– Aonde você vai? – Bill perguntou.
– Vou embora, precisando das suas digitais ou não – eu falei, perscrutando pelo quarto, a procura da minha mochila.
– Mine, pare de ser infantil – ele falou rispidamente.
– Infantil? – eu explodi – Você não me conhece, não importa se foi meu amigo quando eu tinha dois anos e você seis. Não é porque vivi uma vida melhor que a sua, longe da guerra, longe de mortes que eu sou pior que você. Eu também perdi minha mãe adotiva, ela era tudo que eu tinha, porque meu pai se dedicava mais a merda dos seus projetos do que a sua família. Quando ela ficou doente, eu tentei de tudo para salvá-la, mas eu tive que abandoná-la, para não contrair a mesma doença e ela morreu! Posso ter feito um monte de coisas que me arrependo, mas naquele momento, aquilo parecia certo, era a única coisa em que eu podia entrar de cabeça e esquecer tudo que acontecia ao meu redor. E agora, o que diabos eu tenho? Perdi meus pais biológicos, perdi também meus pais adotivos, estou incluída em uma conspiração e não consigo chamar esse lugar de lar. Eu quero minha casa de volta, mesmo que seja uma mentira! E você não faz nada para melhorar a situação, torna tudo mil vezes pior.
Não conseguia conter as lágrimas que explodiam dos meus olhos. Tudo que eu vim aguentando desde que essa aventura terrível começara explodiu naquele instante. Só se passaram doze dias e eu havia perdido minha vida inteira com o que eu havia descoberto.
– Não queria ter sido sequestrada pelos Dogs Unleashed – eu disse, tentando secar minhas lágrimas – Você não me salvou de nada.
Bill levantou-se da sua cama e foi até o detector de digitais, colocou sua mão e a porta se abriu. Uma baforada fria veio do corredor e fez com que eu tremesse ao pensar em sair dali e tentar encontrar meu quarto.
– Pode ir – ele disse calmamente. Claro que eu encarei isso como um desafio. Finalmente achei minha mochila no chão, quando estava para sair, Bill me segurou e me abraçou – Mas não fale como se eu não me importasse.
Eu desmoronei e ele soube que eu não queria ir. A porta se fechou e eu fiquei. Dormi nos braços do meu antigo inimigo.

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64 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 11, 2012 3:18 pm

Ella.McHoffen

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Wow amei amei esses capítulos! Eles a se dar bem

Sonâmbulo?! Fazer tudo o que fez e no fim chamar Petrova?! Mine controlou-se imenso. Se fosse comigo eu teria dado um par de estalos mal ele disse-se o nome de outra. Twisted Evil

Espero que eles se dem muito bem de agora em diante. Claro que tem que ter algumas brigazinhas à mistura.

Super curiosa para saber qual o mistério revelado ou as surpresas que vêm por ai.

Continua Sammy bounce

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65 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 11, 2012 5:17 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 25


Olá, por você mudei meu caminho
É novidade para mim
Vocês amam odiar uns aos outros
Como é que funciona?
É divertido?
(Hey Du – Tokio Hotel)

31 de Agosto de 2109
É, ainda estou aqui
10h13min AM

Hoje não fui acordada com as batidas insistentes em minha porta, o que me fez acordar tarde o suficiente para não me sentir tão fatigada por causa da insônia. Bill não estava mais no quarto, não havia nem sinal dele por perto, mas havia uma bandeja em cima de sua escrivaninha, onde havia meu café-da-manhã.
Bem... Bill não gostava de mim, não que eu me importasse, mas ele foi legal o suficiente para contar umas histórias de quando nós éramos crianças. Ele também falou de minha mãe, que engravidara com dezoito anos e sozinha cuidou de mim até sua morte. Quanto ao meu pai verdadeiro, não se sabia nada e podia ser qualquer homem, ou ele já podia ter morrido por causa dos problemas climáticos ou doenças.
Eu não me lembrava de nada que ele contara, mas eu me sentia como se tivesse vivido cada uma das situações, como se tivesse conhecido todas as pessoas que ele citara. Mesmo assim, havia aquele vazio no meu cérebro, aquela vontade de me lembrar, mas que por mais que me esforçasse, não conseguia. Eu era criança demais para me lembrar de qualquer coisa.
Fui até a escrivaninha de Bill para tomar o café-da-manhã, havia uma garrafa térmica e coloquei café fumegante em uma xícara. Talvez por curiosidade ou simplesmente por falta do que fazer, abri uma das gavetas da escrivaninha. Queria descobrir alguma coisa sobre Bill, qualquer objeto que denunciasse seus gostos e pensamentos, só para eu ter certeza de que devia confiar nele. E para minha surpresa, achei várias fotografias!
Uma delas era de Bill e um homem corpulento e alto, com braços tatuados, que daria medo em qualquer um se não fosse seu sorriso, o avental que usava e a colher de pau que segurava em sua mão. Bill também estava de avental sobre seu uniforme militar e tinha seu cabelo comprido e preto, presos naquele rabo-de-cavalo baixo. Era Eikens, decididamente era o cozinheiro. Virei a fotografia e estava comprovado, atrás estava o nome deles e um 15 de Abril de 2106.
Não precisava ser vidente para descobrir quem estava na próxima foto, era Petrova. Bill devia estar realmente ruim para me confundir com ela, afinal nós duas não tínhamos nada a ver. Tudo bem, tenho que confessar que Petrova era um bocado bonita, ela tinha os cabelos pretos em cachos, com alguns fios vermelhos por causa do sol, apesar disso, sua pele era bastante branca, talvez ela fosse da Rússia. Os olhos dela eram muito azuis, como piscinas redondas, enquanto os meus eram meio acinzentados. Pelo fundo da foto, decididamente era uma praia e ela estava apoiada em uma esteira, enquanto sorria em direção a quem tirava a foto. Mais uma vez eu não precisava ser vidente para saber quem tirava a foto.
Havia mais fotos dela, Petrova com seu uniforme militar, na frente de um enorme avião e ela dentro dele, como se fosse pilotá-lo. Talvez ela fosse da aeronáutica. Depois de olhar quase um book completo, achei algumas fotos dela com Bill. Comparando os dois, dava para perceber que ela era mais velha, talvez Bill tivesse uns dezoito anos enquanto ela devia ter uns vinte e pouco. Mas os dois olhavam para a câmera tão felizes, que nem pareciam em meio a uma guerra e isso apertou meu coração. Aquele amor fora uma espécie de esperança em um lugar que não havia nenhuma, e Bill acabou perdendo a dele também. Olhei mais uma vez a data atrás: 21 de Janeiro de 2107. Havia mais datas que foram se seguindo e poucas anteriores a essa.
Achei uma foto de Bill e Tom com sua mãe, os dois eram pequenos, deviam ter uns dez anos. Também havia uma foto dos três mais recente. Foi quando me deparei com uma foto que mostrava a verdade diante dos meus olhos. Ela estava velha e um pouco suja, mas dava para ver perfeitamente seis pessoas ali, sentadas na grama, como se estivessem fazendo um piquenique. Bill e Tom, idênticos, sem nenhuma coisa que denunciasse seus estilos diferentes se encontravam ao lado de uma garotinha, ainda bastante pequena, com os cabelos pretos e curtos e olhos azuis com tons cinza. Acima deles, estava um casal, uma mulher e um homem de cabelos escuros, que deviam ser os pais dos gêmeos. E, tentando segurar as lágrimas, lá estava minha mãe, com cabelos loiros que iam abaixo do seu ombro, magra e bastante delicada e muito jovem, tinha apenas vinte anos. Os olhos dela também eram azuis acinzentados.
Eu não me lembrava dela, nenhum um pouco e isso me matava, mas ao ver a foto, eu sentia como se já tivesse a conhecido. Corri para minha mochila e peguei meu Idiary e comecei a escanear a foto, eu tinha que guardar essa memória, quando desse, iria revelar e colocar o rosto da minha outra mãe no escapulário também. A última foto que havia na gaveta, para minha surpresa, era uma minha de quando eu tinha doze anos em meu aniversário na mansão dos Langebahn. Como diabos ele conseguira ela? Mas lá estava eu, sorrindo para a câmera, enquanto segurava um presente enorme.
Guardei as fotografias e comecei a procurar por mais alguma coisa, sei que era errado fuçar nas coisas dos outros, mas Bill poderia ter mais alguma coisa que fosse do meu interesse. Foi quando eu encontrei, em outra gaveta, algo bastante familiar: era um Idiary. Na verdade, era uma versão bem mais velha que a minha e estava bem detonada, com pontos queimados e a tela tão fina estava em frangalhos. Havia a chance de a memória estar intacta, por isso, tratei de abri-lo para localizar o que eu procurava.
Por dentro, o Idiary estava bem mais conservado e a memória parecia estar muito bem. Retirei-a e coloquei no meu Idiary, que aceitava outras memórias, mas precisava convertê-las para aceitá-las em uma versão mais nova. Quando finalmente finalizou, nem acreditei que estava com um dos objetos mais pessoais de Bill, quero dizer, se ele usava-o bastante.
Foi então que eu achei o seu diário, ele realmente o usava tanto quanto eu. Adrenalina passava pelas minhas veias, com medo de que eu fosse descoberta por ele ao violar sua privacidade. Fechei a gaveta para encobrir qualquer evidência, peguei a bandeja do café-da-manhã, coloquei na cama e me sentei, pronta para desfrutar das suas anotações.

26 de Janeiro de 2106
No avião, a caminho para a base em Zugspitze
07h18min AM

Não faço ideia de como vai ser minha vida daqui para frente, o treinamento do exército acabou e estou longe de Tom. Ele vai ficar em Chemnitz, enquanto estou sendo levado para muito longe, diretamente para a guerra. O que eu tinha na cabeça? O plano era ficar em Chemnitz com meu irmão, como minha mãe queria e planejara, mas eu tive que mostrar que eu era o melhor aluno! Eu devia ter mostrado o quanto eu era terrível em atirar, como Tom fez muito bem.
Confesso que estou morrendo de medo, principalmente de morrer e não poder voltar. Eu ainda preciso salvar Wilhelmine, ela está em perigo e eu fui idiota o suficiente para jogar tudo no lixo. A única coisa que me deixa um pouco mais calmo é que ela é nova demais para ser usada naquele Projeto Humanoid, ainda tenho tempo.
Enquanto isso, terei que enfrentar a realidade que meus treinamentos seguros escondiam. Daqui para frente, cada dia será uma vitória por minha sobrevivência e espero ser vitorioso o suficiente para voltar para casa. Se houver casa, porque nem mesmo lá estou seguro.


Oh, Gott! Ele citou meu nome no diário, ele realmente se importava comigo a ponto de querer viver para me salvar. E também para voltar para casa. Tudo bem, ele queria viver porque ninguém com sanidade o suficiente quer morrer, mas um dos objetivos dele decididamente era me salvar. Decidi que seria legal procurar mais coisas sobre mim, por isso digitei meu nome e apelido para ir direto às anotações que me interessavam e... 25 citações foram encontradas!

... preciso salvar Wilhelmine, ela está em perigo e eu fui idiota o suficiente...
... pergunto-me se está tudo bem com Wilhelmine, se não fizeram nada...
...sempre que olho para a foto de Mine, lembro-me da promessa que fiz...


A maioria das citações são todas assim, ele quer saber se estou bem, fala da promessa e quando ele poderá fazer algo por mim. Não tem nada demais, parece que ele é meu irmão em vez de... talvez o sentimento dele é fraterno. Por isso ele me trata mal e de repente me trata bem, isso é coisa de irmão. Como sou estúpida, é claro que Bill pensa que é meu irmão por isso quer tanto me proteger. Mas está tudo bem, eu não gosto dele mesmo, é só que seria legal saber que alguém gosta de mim, a última vez que eu soube de algum admirador foi quando eu morei em Hamburgo.
Olhei aborrecida para o meu Idiary e digitei outra coisa que queria saber, mas me recusava a fazê-lo. Lá estava nada menos e nada mais que 257 citações com o nome Petrova, e olha que era só o nome, imagine se eu descobrir qual era o apelido dela. Por mais que minha vontade fosse jogar a memória daquele infeliz longe, eu decidi dar uma lida no que ele escrevera sobre ela.
Quero dizer, Bill devia ter uns dezoito anos quando a conhecera, devia ser alguma espécie de admiração ou um amor platônico. É claro que nas fotos Petrova parece que tem um ar de apaixonada, mas ela é mais velha que ele, além de que estavam em uma guerra! Tem que ter um pouco de profissionalismo nisso tudo. Aposto que não houve nada demais, se os superiores deles descobrissem, tudo estaria acabado, eles deviam saber o risco que estavam correndo...
E que droga que eu estava enganada.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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66 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 11, 2012 7:06 pm

Ella.McHoffen

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Mine Mine, ler o diário de Bill isso é feio, mas eu faria a mesma coisa, no meio da curiosidade Rolling Eyes

Mine quem não gosta não sente ciumes, por isso nunca mais fale isso, porque senao vai morrer de tanto ciume. Razz

Acho que Bill vi entrar e vai resmongar. Curiosa por mais

Continua ... bounce

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67 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 11, 2012 8:18 pm

Anny V.

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Puta balde de água fria que o Bill jogou na Mine chamando ela de Petrova! kkkkkk Que dó!
Eu fiquei feliz pra caramba pensando que os dois já tinham se entendido, e vai o Bill e estraga tudo!

Mine ta morrendo de ciumes, e eu to achando isso muiiito lindinho.
Bill tem que se apaixonar por ela logo, e eu acho que é esses instinto fraternal que ele sente por ela, que vai fazer ele se apaixonar. Só espero que mais pra frente não descubra que essa Petrova ta viva -.-'

Bom, agora só quarta-feira, né Sam?
Então tem que esperar, fazer o que... Sad

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68 Re: Humanoid Chronicles em Qua Nov 14, 2012 4:11 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 26


Eu estou doente
Sem você
Já tentei todos os antídotos
(Alien [german] – Tokio Hotel)

13 de Dezembro de 2106
Esperando os aviões
13h36min PM

Esses dias estão sendo os mais difíceis. Sempre que fecho meus olhos ao dormir, consigo ouvir tiros e ver as pessoas que matei, como se elas morressem de novo e de novo, me atormentando até que eu adormeça de cansaço. O pior é que quando eu as mato, quando eu aperto o gatilho, eu me sinto extremamente bem, como se eu estivesse fazendo justiça. Sei que isso é uma tremenda mentira.
Acho que isso tudo é sobre Eikens, já faz quatro meses desde que recebi notícias da sua morte e não consigo superá-la. Toda vez que vejo um rebelde carregando uma arma, simplesmente vejo o assassino de Eikens e preciso acabar com ele, para assegurar a mim mesmo que mais nenhuma pessoa que gosto irá morrer.
Mas chega de falar sobre o que acontece de ruim, porque isso é o que mais ocorre por aqui. Estou sentando aqui há meia hora, esperando os novos militares da aeronáutica que estão vindo da Rússia. Fiquei encarregado de levá-los aos seus aposentos, de indicar onde devem fazer os carregamentos de munições e mostrar como é a nossa base.
Nem sei como estou conseguindo escrever, está muito frio e meus dedos tremem. Que droga que esses russos já estão acostumados com esse frio exagerado, talvez por isso estejam fazendo tanta hora.


31 de Agosto de 2109
Lendo o diário de Bill
10h41min AM

Esse era o começo, confesso que foi bastante fácil de lê-lo. Foi bastante fácil aceitar como a história se desenrolou, mas quando ela foi se aproximando no final, mais um sentimento devastador tomava conta de mim. Não posso ficar anexando ao meu próprio diário o que Bill escreveu, já que essa história é minha, mas nada me impede de relatar de forma sucinta e com meus comentários toda a relação de Bill e Petrova. E esperem pelos comentários ácidos.
No mesmo dia, naquele maldito dia, naquele 13 de Dezembro de 2106, as 15h19PM, os aviões russos finalmente haviam chego. O voo atrasou por causa de geadas fortes, foi o que alegaram os três novos visitantes: Dimitri Ivanovich, Fiodor Vonkleist e Petrova Szelsky. Talvez Bill não tivesse dito em seu diário, mas por causa dos tantos adjetivos que atribuiu a Capitã Petrova, posso alegar que foi amor à primeira vista, ou quem sabe, atração à primeira vista para os desacreditados.

“Nunca havia visto mulher mais bonita que aquela com sua pele branca e um pouco avermelhada nas maçãs do rosto por causa do frio que a agredia, eu podia compará-la a uma boneca como muitos fariam. Mas ela não era delicada e eu sabia disso, principalmente pela maneira que ela falava de seu avião, como se fosse a arma mais mortal e veloz que já havia se visto. Não conseguia prestar atenção por muito tempo no que ela falava, já que meus ouvidos apenas se fixavam no seu alemão com seu sotaque russo fascinante. E os seus olhos azuis tão límpidos me tragavam como a neve que quase afundei quando estava a sua espera”.

Como podem ver, precisei colocar esse trecho aqui para entenderem do que estou falando. Bill estava completamente apaixonado por ela e não é por ter tentado classificar a sua beleza de diversas formas tão adocicadas que me dão diabetes, era porque um cara tão cruel como ele, quando escreve uma coisa dessas, decididamente é amor. Ou paixão, tanto faz.
O pobre rapazinho ficou dias aos encalços da tal Petrova, sem que ela percebesse. Ele tentava se sentar o mais próximo dela durante as refeições – alegando que não era só por ela e sim pelas histórias incríveis que ela contava –, enfrentando os frios terríveis onde ficavam os aviões, esperando que ela aparecesse, ou, simplesmente, seguindo ela pela base, tentando alguma forma de conversar sem que parecesse intencional. E tenho que dizer que a maior cartada dele foi quando contou a ela que sempre quis pilotar e gostava de aviões. O que era uma tremenda mentira já que Bill nunca pensou em tirar seus pés do chão, já que achava bem mais seguro.
Petrova, sem perceber nada, decidiu ensinar tudo a ele que sabia. Mostrou para ele seu avião e todos os comandos, falando sem parar, sem perceber que seu pupilo não prestava atenção em nada, a não ser no seu maldito sotaque. Não consigo imaginar Bill nessas cenas, sério, é algo muito surreal. Um Bill romântico é impossível de ter existido, só se for em outra dimensão contrária a essa, é a melhor explicação que tenho.
A verdade é que ele não foi o melhor dos pupilos, por causa da sua falta de atenção, demorou bastante tempo para aprender algo sobre aviões e voos. Mas foi essa falta de dedicação e a vontade de ficar ao lado de sua mestra, que fez os dois ficarem bastante próximos. Talvez, naquela época, Petrova nunca tivesse se apaixonado por ele se Bill não tivesse aberto a boca. Creio que ela apenas o via como um aluno muito querido que dividia os mesmos interesses.

“Ela se inclinou para desligar as luzes do avião, a aula já terminara e estava tarde. Não havia ninguém por perto, ninguém para se certificar que houvesse alguém dentro dos aviões e foi nesse momento de descuido, que ela se aproximou de mim, eu a beijei. Não tive tempo o suficiente para sorver-lhe os lábios, porque Petrova se afastou em um susto e mesmo no escuro, eu podia ver seus olhos azuis assustados.
– Eu te amo – eu disse como se fosse a resposta mais plausível para ela compreender o que eu fizera. E de certa forma, era.
– Kaulitz, não podemos – ela disse, se levantando de seu assento e andando pelo avião em direção a saída – Eu sou sua mestra e sua superiora.
– Já falei para que me chamasse de Bill – retorqui, correndo atrás dela e segurando seu braço – Além disso, você é só minha mestra. Tornei-me capitão também.
– Estamos no meio de uma guerra, não podemos. Já há muito que se preocupar e eu não divido os mesmos sentimentos que você – ela havia dito aquilo como se estivesse dando ordens a alguém com uma hierarquia abaixo dela – Estou aqui apenas para ensiná-lo, nada mais do que isso.
– Não diga que não me olha de forma diferente do jeito que olha os demais. Você me quer tanto quanto eu a quero. Não vejo nada de errado em um amor em meio à guerra, é disso que todos precisam, é isso que acabaria com essa droga que estamos vivendo. Se todos tivessem amor, ninguém estaria matando como está agora.
Ela abriu a boca para dizer algo, procurando mais um motivo de porque não podíamos ficar juntos, mas como ela não achou, simplesmente se calou. Soltei seu braço, esperando que viesse algo receptivo da parte dela, mas ela apenas foi embora.
– Não se esqueça de fechar o avião, Kaulitz – ela disse, correndo em direção a base”.


Viu? O sentimento dela de carinho foi totalmente confundido pela declaração de Bill, o que ocasionou depois o tal amor. Petrova o ignorou, não ia mais as aulas e o tratava como se nunca tivesse tido algum tipo de relação com ele, mesmo que fosse apenas de amizade e companheirismo. Claro que Bill não desistiu, cabeça-dura e teimoso é o que ele mais é e continuou a persegui-la.

“– O que você quer, Kaulitz? – ela exclamou, quando foi abordada por ele novamente, quando estava para sair do seu quarto – Nossas aulas estão encerradas, já disse antes.
– Preciso apenas conversar com você e não é sobre as aulas – eu disse, colocando meus braços na batente da porta, impedindo que ela saísse – Dê-me um minuto, por favor.
– Tudo bem – ela revirou os olhos e permitiu que ele entrasse. Petrova fechou a porta, mas não sem antes dar uma olhada no corredor – Seja rápido.
– Eu entendo que você não gostou da minha declaração e que também não me ama. Respeito isso, mas não aja como se não me conhecesse.
– Kaulitz, isso é complicado. Nosso relacionamento precisa ser apenas profissional, como posso falar com você, sabendo que espera algo mais...
– Chame-me de Bill – eu a cortei – Não quero algo mais se não quiser. Eu apenas quero sua amizade de volta, recuso-me a perdê-la.
– Você nunca vai querer apenas a minha amizade – ela disse tristemente.
– Ou você que não quer? Eu sou a mesma pessoa de sempre, o que há de errado agora? – eu disse, insistente. Não podia deixar que ela fosse embora dessa forma, não podia perdê-la. Arrependo-me tanto de ter dito que a amava”.


Mas não vai se arrepender mais. Tudo bem, estou colando parte demais aqui no meu próprio diário, só que não dá para relatar essas cenas de forma tão precisa. O máximo que eu conseguiria dizer é que o desgraçado conseguiu conquistar a maldita com essas frases tão melodramáticas e românticas. Não que seja tão ruim, acho que se fosse comigo, no mínimo acharia bonitinho. Ok, confesso que acharia bem legal.

“– Esse amor é errado – ela repetiu aquilo pela milésima vez – Apaixonar-me por você é errado.
Tentei entender o que ela havia dito. Ela me amava? Ou falava apenas que se isso acontecesse, seria errado? Tinha medo de perguntar e receber a resposta que menos queria ouvir. Aproximei-me dela e segurei seu rosto entre minhas mãos, fazendo com que ela olhasse diretamente para mim.
– Diga que não me ama e nunca mais voltarei a procurá-la – eu disse, fazendo meu coração bater dolorosamente, esperando pelo segundo que acabaria com tudo.
– E se eu não disser nada, ficará aqui para sempre? – ela respondeu, com lágrimas nos olhos e deixando-me surpreso com a resposta”.


Não, não vou contar a vocês o que se sucedeu. É claro que eles se beijaram, é claro que houve bem mais do que isso, mas não estou com vontade de relatar essas cenas em meu diário. Eu até pulei essa parte, não há nada que eu queira saber demasiadamente sobre um passado a qual eu não pertenço, mesmo que meus olhos não consigam desgrudar dessa tela maldita.
Petrova se apaixonou por Bill, sem que mais ninguém soubesse. Ele não se vangloriou por estar com a mulher mais bonita da base. Ela não contou a ninguém sobre como estava completamente apaixonada pelo mais novo prodígio, Capitão Kaulitz. Os dois viveram esse amor secreto e proibido da maneira mais intensa que um lugar vigiado constantemente poderia permitir.
Teve a vez que Petrova precisou pegar um carregamento em Genoa, Itália, no dia 7 de Julho de 2107 e eles foram à praia. Foi nesse dia que tiraram aquelas fotos e nem preciso dizer que foi a única coisa que fizeram. Não estou com ciúmes de Bill, nem nada. Estou com inveja do relacionamento desses dois. Os meus relacionamentos – se podem ser chamados disso – não passaram de sentimentos efêmeros e casos corriqueiros. Eram coisas de poucos dias, sem muito compromisso. Não porque eu não quis, é simplesmente porque não amei nenhum deles.
E do mesmo jeito que minha história terminava sem ter realmente um fim, o diário de Bill acabou da mesma maneira. Petrova ainda estava viva, tinha vinte cinco anos, namorava um Bill de vinte anos, que se tornara Tenente e ambos estavam pensando em desistir de tudo para viverem juntos. Algo que nunca aconteceu.

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69 Re: Humanoid Chronicles em Sab Nov 17, 2012 9:44 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 27



Pessoas procuram pessoas
Todos procuram por si mesmos
Pessoas precisam de pessoas
Não queremos ficar sozinhos
Pessoas procuram pessoas
Em algum lugar, você procura por mim
(Menschen Suchen Menschen – Tokio Hotel)

31 de Agosto de 2109
Em meu quarto
13h23min PM

Eu não sabia como Petrova havia morrido, não fazia ideia do que tinha acontecido naquele 12 de Maio de 2108. O último relato era que os dois iriam se mudar para uma nova base com mais uns vinte soldados. Depois disso não havia mais nada e pelo estado do Idiary, tenho que dizer que Bill não parou de escrever por falta de vontade, algo realmente terrível havia acontecido.
Já era tarde e eu fiquei a maior parte do tempo lendo o diário dele. Tirei a sua memória do meu Idiary e devolvi ao seu devido lugar, guardando depois na gaveta junto com as fotos. A porta do quarto estava aberta, sem precisar de nenhuma digital para abrir, olhei para o corredor vazio e caí fora dali o mais rápido que podia em direção ao meu quarto.
Havia muita coisa para minha cabeça absorver, se eu não fosse humana e sim um robô, com certeza já estaria entrando em pane. Agora eu entendia quase completamente o mundo de Bill, eu conseguira atravessar sua muralha sem que ele percebesse e agora eu não só sabia uma boa parte do seu passado como entendia sua forma de pensar. Ele realmente foi brutalmente atingido de diversas formas, ele perdeu não só o amor da sua vida, como sua mãe adotiva e um grande amigo. E quem sabe se tudo para por aí. Bill perdeu parte da sua humanidade, não porque se transformou em um Humanoid, mas simplesmente porque agora é guiado pelo ódio, vingança e a promessa que fizera a minha mãe. Quando todos seus objetivos estiverem finalizados, gostaria de saber o que aconteceria, qual seria o próximo passo? E eu tinha medo dessa resposta.
Mas o destino dele era tão impreciso quanto o meu. Eu não sabia o que fazer, o que planejar, o que sonhar. Eu estava presa aqui, sem saber ao certo que lado tomar, sem poder abandonar tudo isso e recomeçar mais uma vez. Decididamente estava no meio de uma guerra onde só saberia que caminho seguir quando tudo terminasse. Se eu não acabasse morrendo no meio de tudo isso.


31 de Agosto de 2109
Em meu quarto
13h55min PM

Depois de tomar banho e relaxar o mínimo que eu poderia com tudo que me atormentava, eu tinha que sair do meu quarto, afinal havia mais uma coisa que precisava lidar. Havia certo irmão gêmeo que devia já ter acordado, sem saber direito o que tinha acontecido ontem à noite e eu precisava dar as devidas explicações. Do mesmo jeito que Bill passou uma parte pequena da sua infância comigo, Tom também.
Provavelmente Tom não estava em seu quarto àquela hora, por isso, eu precisaria dar uma olhada na base inteira até achá-lo. O que não era muito difícil, levando em consideração que o encontrei no saguão, apoiado nas grades, dando uma olhada em Bill treinando seus pupilos, junto de Georg.
– Olá, pessoal – eu disse, engolindo seco e tentando parecer o mais amigável possível.
– Hey – Georg respondeu com uma cara meio estranha, como se quisesse dizer algo, mas estivesse segurando. Então, inexplicavelmente, ele começou a rir igual a um louco – Não acredito que você dopou o Tom! Sabia que algo desse tipo ia acontecer quando ele disse “Ah, Bill, eu cuido dela!”.
– Cala boca babacão, e você que apanhou dela? – Tom rebateu, também segurando a risada enquanto eu ficava parada, sem saber o que dizer ou fazer.
– Ela é uma Humanoid, quanto a você, a única melhor explicação é que você é um mulherengo facilmente enganado pelas mulheres.
– Desculpa! – eu exclamei, cortando a discussão – Eu dopei você, pensando em fugir, mas acabei descobrindo toda a verdade...
– O Gustav está puto com você – Georg cortou-me, não dando a mínima para o texto que eu ensaiei – Você entrou na sala dele e se infiltrou no computador, mas acho que o verdadeiro motivo de estar bravo é porque feriu o orgulho dele.
– Eu precisava de informações e o único lugar que eu poderia encontrar era lá, agora eu sei de tudo. Agora confio em vocês.
– Preciso falar que também fez Bill perder toda a diversão? – Georg continuo falando e rindo – Destruímos todo o carregamento, acabamos com aqueles robôs!
– Você está fazendo-me sentir ótima – falei brava para ele e depois virei-me para Tom – Sinto muito por ontem, de verdade. Você sempre me defendeu e não queria ter feito aquilo com você.
– Tudo bem – Tom deu de ombros – Aposto que se fosse com o Georg, você o doparia sem arrependimento. Eu faria a mesma coisa.
– Como se você fosse capaz de me dopar – Georg disse, dando um soco de brincadeira no ombro de Tom, que deu uma vacilada – Agora tenho que ir, trabalho a fazer. Vou deixar os dois pombinhos conversando.
Georg saiu, deixando-me totalmente rubra enquanto Tom sorria de forma marota para mim. Que Deus não permita que eu acabe me envolvendo demais com esses gêmeos, tenho certeza que só acarretará problemas. Aproximei-me mais da grade fria e pude ver Bill lá embaixo, gritando com seus pupilos e derrubando outros despreparados. Como se sentisse minha presença, ele olhou para trás e me fitou. Não sei o porquê, mas algo me impulsionou a chegar mais perto de Tom.
– Quando isso aconteceu? – Tom perguntou de repente, fazendo-me dar um pulo.
– O que?
– Quando que você se apaixonou pelo Bill? – ele perguntou de uma forma inesperada, até divertida e não brava ou com ciúmes.
– Não estou apaixonada por ele – eu ri nervosamente – De forma nenhuma.
– Como não? Ele olhou para cá, você chegou mais perto de mim, apertou a grade fortemente e ficou vermelha. Não adianta negar, já conheci garotas duronas como você que evitam se apaixonar. Aqui, por exemplo, tem um monte.
– Não sou durona – eu olhei feio para ele – Sou uma Humanoid que não consegue controlar sua força ainda. Antes eu não sabia matar nem uma mosca.
– O que importa é que você gosta dele e ele gosta de você também – ele falou aquilo me deixando surpresa.
– Não, ele não gosta de mim, nem eu dele. Bill está muito preso ao seu passado e há coisas mais importantes para lidar.
– A última coisa que você falou é verdade, aconteceram muitas coisas ruins com ele. Por isso ele te trata mal, Bill quer que você o odeie, não quer ter mais laços afetivos com nenhuma pessoa por medo de perdê-la. Sou o único que ele permite tal coisa, porque praticamente somos a mesma pessoa, estamos juntos nessas.
– Tom, não sei se você entendeu, mas eu não gosto do Bill, eu simplesmente tolero a presença dele. Sou muito agradecida por ter me salvado, afinal já sei de tudo, porém, o único sentimento que tenho por ele é gratidão.
– Amanhã é nosso aniversário, sabia? – ele me cortou. Ultimamente as pessoas andam fazendo um bocado disso comigo – Geralmente fazemos uma festinha pequena, entre os mais próximos, sabe? Georg, Gustav, David, Natalie e mais alguns alunos de Bill e outros Dogs Unleashed.
– Eu sei, mas não entendo aonde você quer chegar – eu respondi, já esperando algo não muito bom.
– Vem comigo – Tom fez sinal para que o seguisse.
Não fazia ideia do que ele planejava e nem queria, mas decidi segui-lo. Tom levou-me ao andar acima do saguão, no mesmo andar onde ficava meu quarto. Ele abriu uma das portas que se encontrava ali com suas digitais e nós adentramos uma espécie de depósito onde havia as coisas mais variadas: perucas coloridas, fantasias, skates voadores, araras com diversas roupas, caixas fechadas e até esquis. Era um depósito muito mais variado do que aquele que Bill levou-me para pegar as mesmas roupas que os Dogs Unleashed usavam.
– Esse depósito tem tudo que precisamos para nossos disfarces. Também tem roupas comuns para se usar no dia-a-dia, afinal há pessoas que ajudam os Dogs Unleashed, mas tem uma vida fora dessa base. Vamos achar uma roupa para você...
– O que? O que está planejando?
– Wilhelmine, você é bastante bonita, mesmo usando calças de ganga um pouco largas e esse suéter preto, mas nada como alguns atrativos para chamar a atenção de Bill.
– Não quero participar desse seu plano absurdo! – eu exclamei, mas ele nem deu ouvidos, começou a dar uma olhada nas caixas.
– Olha! Um óculos da Dior – olhei para o que ele me mostrou e me lembrei que era o mesmo óculos que Bill usara na primeira vez que o conheci – o Bill ama esse tipo de coisa. Quem vê, pensa que ele não dá à mínima para isso, mas antes da guerra, nós dois usávamos muitas roupas caras.
– Então antes da guerra vocês dois eram como eu, só que eu preferia roupas recicláveis. Eu passava um bocado de tempo em feirinhas hippies.
– Aposto que não era só pelas roupas – Tom comentou rindo e eu joguei uma bolsa nele. – Ai! Eu estava só brincando... ou você se incomodou com a verdade? Eu sei um pouco sobre seu passado.
– Passado é passado – eu disse emburrada – Pare de fazer-me lembrar de algo que não me orgulho.
– Dê uma olhada nisso, acho que ficaria perfeito em você – Tom falou, tirando uma das peças das araras.
Meu olhar se prendeu em um vestido balonê creme, com alças de rendas brancas e um laço na cintura. Era simples e bastante feminino, do jeito que eu gostava. Quando você abraça a causa de usar roupas sintéticas para salvar o planeta, a maioria das cores é verde, marrom, bege, creme e branco. Claro que há as outras cores, mas são essas que predominam. A cor e o jeito estavam dentro do padrão que eu costumava usar.
– Agora só falta algum sapato e maquiagem – Tom falou, vasculhando outras caixas – Vai ficar aí parada, admirando o vestido? Temos muito a procurar!

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70 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 18, 2012 9:37 am

Ella.McHoffen

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Mine anda a quer saber demais sobre Bill, e depois não gosta do que fica a saber. Bill sofreu bastante. Espero que ele ao lado de Mine esqueça ou pelo menos tente esquecer algumas coisas más. Rolling Eyes

Tom não foi nada directo nem nada. Espero que ele esteja certo e que Bill goste dela da mesma forma que ela, mesmo ela diga sempre que não.

Essa festa promete
Tom tentando arranjar mais clima entre eles?! Isso agrada-me

Continua Sammy, preciso saber mais sobre isso. Morrendo de curiosidade

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71 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 18, 2012 12:33 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 28


Uma aberração da natureza
Presa na realidade
Eu não me adapto a imagem
Eu não sou o que você queria que eu fosse
Desculpe-me
(Strange – Tokio Hotel feat. Kerli)

31 de Agosto de 2109
Na sala de Gustav
15h22min PM

Quando Tom deixou-me na frente do meu quarto, com tudo que era necessário para amanhã, percebi que faltava apenas uma coisa: o presente. Eu precisava achar dois presentes em uma base secreta, onde não se podia sair para comprá-los. Para Bill, era muito fácil o que poderia ser dado de presente, mas não muito fácil de efetuá-lo. Mas quanto a Tom, eu não tinha a mínima ideia.
Enquanto eu pensava no presente para o outro gêmeo, decidi cuidar do presente mais fácil – se é que eu poderia dizer isso. Corri rapidamente para o andar onde ficava o quarto de Bill, esperei algumas pessoas saírem do corredor e abri a porta que deixara apenas encostada. O quarto estava como da última vez, encaminhei-me até a gaveta, peguei todas as suas fotos e o seu Idiary, colocando cuidadosamente em minha mochila.
Eu precisava da ajuda de uma pessoa, mas antes precisava me desculpar com ela. Como previsto, essa pessoa era Gustav, que demorou alguns segundos para abrir a porta de sua sala, enquanto eu batia sem desistir. Quando ele finalmente abriu a porta e olhou para mim, pude ver sua expressão de raiva.
– Por favor, não feche a porta – eu disse, segurando-a com meu braço robótico. Claro que ele poderia tentar fechá-la, mas não conseguiria – Quero desculpar-me por ter invadido seu computador. Eu precisava da verdade, precisava saber se poderia confiar em vocês e essa foi a única alternativa.
– Agora confia? – ele retrucou emburrado – Porque eu não confio em você.
– Eu sei que não sou digna de confiança, mas agora confio em vocês. E preciso muito da sua ajuda.
– O que quer?
– Posso entrar? – apesar de ele relutar um pouco, ele fez sinal para que eu entrasse, logo a porta se fechou às minhas costas – Quero consertar uma coisa e acho que você tem as peças necessárias.
– O que quer consertar?
– Isso – eu disse, tirando o Idiary detonado da minha mochila – Sei que parece um pouco impossível, mas a memória está intacta, tenho apenas que consertar a carcaça.
– É seu? – ele fez a pergunta que eu menos queria responder.
– Ah... não – eu disse hesitando – É do Bill, amanhã é seu aniversário e queria consertar isso para ele.
– Você não o odiava? Não estava tentando matá-lo? – ele exclamou surpreso.
– Odiava antes de saber da verdade. Eu sei que ele é insuportável, mesmo assim ele não é tão ruim quanto eu imaginava. E no passado, Bill me ajudou muito, queria recompensar de alguma forma.
– Hum... entendi. Meu aniversário também é daqui alguns dias, espero um presente bem legal de você – ele falou, insinuando alguma coisa – Saiu uma nova atualização de armas no Chronos Stardate, tem um baclo e um machado que estou de olho, mas estão muito caros e acabei gastando meu dinheiro comprando uma águia dourada para ser minha mascote e novas vestes a prova de fogo.
– Se você me ajudar a consertar o Idiary do Bill, não só compro o baclo e o machado, como te presenteio com o item limitado lança de Athenas – eu disse, fazendo os olhos deles brilharem.
– Então, o que você precisa?
Gustav realmente quis me ajudar, até se prontificou a tentar consertá-lo, mas eu queria fazer isso. Ele me disponibilizou várias caixas contendo os mais diversos dispositivos e me ajudou a caçar o necessário para consertar o Idiary. Havia muita coisa para dar conta, eu teria que substituir algumas peças por outras que não havia na caixa e ainda testar tudo para ver se dava certo.
A melhor parte de ter um pai que trabalha com robótica, é que você convive com isso praticamente a vida inteira. Lembro-me do meu primeiro cachorro robótico, ele era um graça e fazia quase tudo que um cachorro de verdade fazia, mas não era de verdade. Decidi abrir o coitado e descobrir como era o seu funcionamento, mas o objetivo verdadeiro era irritar meus pais a ponto de me darem um cachorro feito de carne e osso. Foi nessas brincadeiras inocentes que descobri um mundo de dispositivos e ligamentos.
Todos os meus brinquedos futurísticos eram abertos por mim, e trocando suas peças, eu tentava descobrir o que mudava neles. Claro que no começo eles entravam em pane ou chegavam até a explodir, mas depois comecei a entender como tudo funcionava. Com um pouco mais de dedicação, comecei a descobrir que o computador seria um grande aliado na programação dos meus brinquedos, foi nesse instante que comecei a entender os tais códigos.
Não sou um gênio nem nada, apenas fui guiada pelo meu interesse e agradeço, porque sem isso, não poderia consertar esse Idiary. O meu maior medo era que Bill descobrisse o sumiço dos seus pertences na gaveta, ele com certeza saberia que fui eu e ficaria louco. Espero que ele não note nada até amanhã, por isso, já tomei providências de escanear cada foto com meu Idiary para depois passar para o dele. A ideia é que ele tenha aquelas fotos junto com ele e de maneira mais fácil.
– Gustav? – a voz urgente de Bill atrás da porta fez-me dar um pulo. Corri para esconder seu Idiary e sentei-me em uma das cadeiras de Gustav, fingindo estar interessada em uma das telas holográficas.
– Hey, Bill – Gustav disse, abrindo a porta e lançando um olhar para mim – O que faz aqui?
– Eu preciso localizar Wilhelmine... – ele parou quando percebeu que eu já estava ali e pela sua expressão, não estava nada satisfeito. Ah, não... ele sabia.
– Oi, Bill – eu disse tentando parecer natural, mas engoli seco – O que quer comigo? Eu estava desculpando-me com Gustav e ensinando a ele algumas coisas para recompensar o incidente de ontem.
– Vou ser breve: devolva as minhas fotos – ele falou secamente, indo até a mim e abrindo a palma da sua mão na minha frente – Não vou brigar com você, apenas as devolva.
– Eu não as peguei – eu disse firmemente. Sei que elas já estavam escaneadas, mas não queria pagar de idiota cleptomaníaca, queria que tudo se resolvesse amanhã e ele entendesse porque fiz isso.
– Wilhelmine – ele disse meu nome todo de forma dura – Você foi a única pessoa que esteve em meu quarto.
– A porta dele está aberta, qualquer pessoa poderia ter entrado.
– Eu já deixei várias vezes minha porta aberta e ninguém nunca se atreveu a entrar. E ninguém teria interesse nas minhas fotos.
– Por que eu teria interesse? – eu retruquei, tentando manter a mentira para que ele desistisse, mesmo sabendo que Bill não faria isso.
– Vingança, você quer me dar uma lição – ele disse como se fosse óbvio, como se fosse o tipo de coisa que eu fizesse.
– Não sou como você.
– E você não se diz infantil! – ele exclamou realmente furioso – Você quer que eu cheque as câmeras? Quer ver as provas?
– Bill, tenho certeza que houve algum mal entendido – Gustav intercedeu por mim e lancei um olhar agradecido a ele.
– Você também? – Bill olhou para Gustav com aborrecimento – Tom também a protege o tempo todo.
– Talvez porque você devesse dar mais créditos a mim – eu o cortei furiosamente e levantei-me da cadeira, para ficar quase a sua altura, o que era quase impossível.
– Dou créditos ao que você era, não ao que você é agora. Ainda não confio na garota que jogou parte da sua vida fora daquela maneira!
– A vida é minha, mauricinho da Dior. Eu faço o que quero com ela e não fale da minha infância como se me conhecesse suficientemente bem, porque você só teve contato com uma garotinha de dois anos que ainda não tinha personalidade feita. Digo e repito, nunca pedi para você ter me salvado.
– Tudo bem, não dou a mínima para a sua vida. Só quero minhas fotos de volta.
Eu estava explodindo de raiva, por ter pensado em consertar seu Idiary e receber toda essa consideração em troca. Ele realmente me via como uma irmã mais nova, uma irmã mimada, irresponsável e infantil. Odiava ser tratada daquela forma e não queria mais saber dos meus planos, por isso fui até minha mochila, peguei as fotos e joguei no peito dele.
– Aqui estão elas! – eu gritei em fúria – Viva do passado delas, se afunde mais nessa mágoa gigante que há em você. Fortaleça mais essa barreira que impede as pessoas de se aproximarem. Eu também não dou a mínima para o que faz com sua vida.
Bill me lançou um olhar rancoroso e pôs-se a pegar as fotos que caíram no chão. Quando conseguiu recuperar todas, ele foi embora sem dizer mais nada, a porta fechou-se às suas costas e eu atingi um dos dispositivos da caixa nela, fazendo-o se espatifar.
– Wilhelmine – Gustav disse, ele esteve observando tudo àquilo sem saber o que dizer – Ele não sabe da verdade, não pode ficar zangada dessa forma. Quando ele descobrir que estava errado, irá se desculpar, com certeza.
– Prefiro os choques-elétricos – eu disse, tentando segurar as lágrimas que estavam banhando meus olhos – Ele não falava tanto quando os usava.
– Você vai continuar, não vai? – Gustav perguntou, pegando o Idiary de Bill que estava escondido atrás da caixa.
– Vou, não por ele, claro. Quando vou ter a chance de dissecar um Idiary sem me importar com os resultados? Além disso, tive uma ideia para o presente de Tom – eu falei, pegando o Idiary da mão dele.
Ignorei Gustav e sentei-me no chão, continuando meu trabalho de antes. As lágrimas impediram parcialmente minha visão e tentei não fungar tanto para que Gustav não percebesse. Terminei tudo exatamente 23h57min, agora Bill teria sua querida Petrova não só naquelas malditas fotografias, como também na tela de seu Idiary. Talvez ele voltasse a escrever, assim, quem sabe, meu nome não aparecesse mais vezes no Search? Claro que acompanhado de críticas, como sempre.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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72 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 18, 2012 1:29 pm

Ella.McHoffen

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Muito boa ideia essa de concertar o Idiary do Bill. Razz

Porra eu aqui a pensar que Bill iria ser mais carinhoso e fala assim para ela Twisted Evil
Espero que ele depois peça mesmo desculpa, mas como é tão orgulhoso, duvido. Vou ter que esperar para ver o que vem por ai.

Fiquei curiosa sobre o presente para o Tom.

Coninua Sammy bounce

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73 Re: Humanoid Chronicles em Dom Nov 18, 2012 7:08 pm

Anny V.

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Engraçado como ele notou que a Mine pegou as fotos, mas não o Idiary. Vai ver ele pensa que ele realmente ta destruído.

Tadinha da Mine, ela ta morrendo de ciumes, e não admite que sofre pelo Bill ainda amar tanto a Petrova.

Hum... Festinha promete!
Curiosa pra saber sobre o presente do Tom também
Alias, eu pensei que ele ia ficar muito bravo com a Mine.

Continua, Saaaam!

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74 Humanoid Chronicles em Qua Nov 21, 2012 12:16 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Capítulo 29



Você me faz bem, você me machuca
Eu estou na luta do amor
Corro contra o brilho
Caminho contra a neve
Apenas para a luta do Amor
(Kampf der Liebe – Tokio Hotel)

1º de Setembro de 2109
Em meu quarto
18h45min PM

O meu vestido estava esticado em minha cama e não tinha a mínima vontade de vesti-lo. Na verdade, estava pensando seriamente em continuar no quarto como fiquei praticamente o dia inteiro ou tentar fugir. Talvez Bill não estivesse falando a verdade quando disse que iriam tentar me localizar caso eu fugisse de Berlim. Vai ver ele ainda quer manter a promessa a minha mãe, por isso precisa que eu esteja o tempo todo ao seu lado.
De repente alguém bateu na porta, fazendo-me acordar dos meus pensamentos.
– Quem é? – eu perguntei como uma voz não muito disposta.
– Sou eu, Tom.
Quando abri a porta e o vi, pulei nele, dando feliz aniversário e todo aquele discurso que todas as pessoas falam nesse dia. Não importava o quanto eu estava brava, Tom não estava incluído nisso, não como seu irmão desgraçado.
– Porque não está arrumada ainda? – ele perguntou, vendo meu vestido em cima da minha cama e eu ainda com a roupa dos Dogs Unleashed.
– Não sei se deveria ir...
– Foi o incidente de ontem, não foi? Bill me contou e ele se arrependeu de ter dito algumas coisas.
– Mas ele disse, não que eu me importe – eu disse dando de ombros e sentando-me em minha cama.
– Se não for para ir por ele, vá por mim – Tom falou, sentando-se ao meu lado – Vai ser legal, claro que não o tipo de festa badalada que você frequentava.
– Não me lembre dessas festas. Vocês dois amam tocar na minha ferida, bando de insensíveis.
– Você vai ou não vai? – ele insistiu.
– Tudo bem, eu vou – falei em um suspiro – Agora cai fora do meu quarto, que vou me trocar.
– Qual o problema de eu ficar? – ele falou maliciosamente, passando sua língua pelo piercing em seus lábios.
– O problema é que você é um pervertido – peguei um dos meus travesseiros e bati nele, rindo – Vai, cai fora!
– Estou indo! – ele ria, enquanto eu batia nele com o travesseiro até ele atravessar a minha porta.
Agora eu estava sozinha novamente e tinha algo a fazer. Por mais que minha vontade fosse ficar aqui, eu tinha que ter pelo menos consideração por Tom, ele veio me convidar e realmente me quer na festa. Além disso, eu tinha um presente muito especial para ele e não podia perder a oportunidade.


1º de Setembro de 2109
Ainda aqui
19h39min PM

Eu estava pronta. Você não tem ideia do quanto eu estava feliz ao usar uma roupa além das calças de gangas, suéteres e regatas que tinha que usar todos os dias. Não aguentava mais usar preto, precisava de alguma coisa que me lembrasse natureza, precisava daquela segurança “Estou usando algo pelo mundo”, mesmo que fosse exagero pensar isso. Lembro que até tentei virar vegetariana, mas bastou ver que Berta – minha empregada robô – tinha feito sanduíches de frango – a única comida que ela sabe fazer perfeitamente são sanduíches – que não consegui resistir.
Não havia mais muita coisa a fazer pelo mundo, tínhamos apenas que torcer para que tudo voltasse ao normal. Os carros de hoje não emitem mais gases tóxicos, a energia em nossas casas vem de energia nuclear segura – pelo menos espero –, todo o lixo é biodegradável e é totalmente reciclado. Finalmente a humanidade se tocou, mas foi um pouco tarde demais. Realmente chamamos essa época de Reciclagem, não porque fazemos isso o tempo todo, mas é o que o nosso planeta está fazendo conosco. O nosso planeta está se autodestruindo para depois criar algo a partir disso. Gostaria de fazer a mesma coisa comigo, destruir o meu passado e tirar algum proveito disso para o meu futuro. Mas que futuro?


1º de Setembro de 2109
Vamos tentar festejar. Tentar.
22h02min PM

A tal festa seria no segundo andar acima do saguão, onde também ficava o quarto de Bill e Tom. Havia um salão enorme lá, que geralmente era usado para festinhas depois de grande feitos – como destruir um carregamento de robôs – ou simplesmente para descontrair. O que era estranho, já que eu não estava nem um pouco descontraída.
Mesmo no corredor, já dava para ouvir uma barulheira de dentro da porta, pessoas falando, barulho de copos e principalmente música. Faz tanto tempo que eu não ouvia música. Fazia tanto tempo que eu não ia a uma festa. Meu pai me proibiu depois do acidente, ele sabia o que acontecia sempre que eu saía de casa e alegava que qualquer substância forte, poderia fazer com que meu corpo rejeitasse as partes robóticas. Tive que ficar em uma clínica de reabilitação por um tempo e não foram os melhores dias da minha vida.
Festas me davam uma tremenda nostalgia, mas não de forma boa. Era como se eu quase temesse atravessar aquela porta, como se a lavagem cerebral e corporal que fizeram em mim, resultou em algum trauma. Era como Alex em Laranja Mecânica, só que menos louco.
Então a porta se abriu, como se a pessoa do outro lado tivesse adivinhado que eu estava ali. Deparei-me com uma Natalie sorridente, segurando um copo de cerveja, totalmente descontraída, o tipo de coisa que as pessoas fazem em festas. Droga, será que eu poderia beber? Antigamente eu bebia até entrar em coma alcoólico, apesar de que a última vez que bebi vinho com Tom, tudo foi tão rápido que nem notei o que estava fazendo.
– Mine! Ainda bem que você chegou – ela falou, com as maçãs do rosto vermelhas, talvez ela já tenha bebido um bocado de cerveja – Entre, entre!
Dei uma boa olhada no interior, antes de realmente entrar. O lugar estava como da última vez há um ano, igual às fotos que vi no computador de Gustav. Havia uma mesa grande, contendo garrafas de cerveja e vinho, diversas comidas e finalmente o bolo, quase ofuscado pelos outros comes e bebes. Atrás da mesa estava escrito em um cartaz: “Feliz Aniversário Bill e Tom” e havia uma caixa com alguns presentes.
Tanto Bill e Tom, estavam em uma mesa, na companhia de Gustav, Georg, David e mais alguns caras que eu não conhecia. Havia ainda outras mesas contendo mulheres da base, para onde Natalie me arrastou, alegando que eu precisava de amizade feminina já que lidava o tempo todo com os homens. Claro que quando cheguei até lá, elas pararam de conversar e me fitaram.
– Hey, garotas, essa é Mine – Natalie falou, puxando uma cadeira para que eu me sentasse – A nova integrante da base!
– Ela é a Humanoid 483? – uma mulher loira, com cara de rato perguntou, olhando para mim como se eu fosse uma aberração.
– Sim, é ela – Natalie confirmou – Nem parece um robô, não é mesmo? Tão linda e natural. Quer beber algo, Mine?
– Ah, não, obrigada – eu disse rapidamente – Estou bem assim.
Nada de beber hoje. E do jeito que Natalie estava, possivelmente iria encher meu copo toda vez que ficasse vazio, claro que existia aquela tática de falar o tempo todo e fingir que estava bebendo, quando, na verdade, não estava. Mas fingir não era comigo. Juro que até gostaria de beber algo só para ficar mais relaxada, afinal eu estava totalmente tensa de ficar naquela mesa, recebendo olhares estranhos das outras mulheres. Ainda bem que depois elas voltaram aos seus assuntos nos quais eu ficava boiando totalmente.
– E como está o seu relacionamento com Tom? – Judd, a mulher com cara de rato perguntou a Alison, uma garota com cabelos ruivos e encaracolados, com o rosto cheio de sardas e uma risadinha asmática. Nessa hora eu acordei e decidi prestar atenção.
– Está me enrolando – ela disse bufando – Toda vez que vou falar com ele, dá alguma desculpa e some rapidamente.
– Também, amiga – Judd disse, bebendo um longo gole da cerveja – Falei para você não dar o bolo todo e sim uma fatia de cada vez. Você sabe da fama do irmão malvado, ele já pegou quase todas dessa base.
– Irmão malvado? – eu exclamei, tentando entender se eu ouvi certo – Pensei que o Bill fosse o irmão malvado. Tom é realmente o cara mais legal que já vi.
Claro que falei besteira. Alison ficou vermelha e me olhou como se eu fosse a nova amante dele e o resto parecia apenas impressionado por eu ter dito algo. Talvez pensassem que falar não estava no incluso no pacote robótico.
– Bill não usa as mulheres, acorde – Agnes respondeu com sua voz anasalada, enquanto arrumava uma mecha castanha que lhe caíra nos olhos – O que um irmão faz de menos o outro faz demais. Não me vai dizer que caiu nos encantos do irmão errado?
Eu ia perguntar de que irmão ela estava se referindo, mas seria colocar mais fogo na lenha.
– Não, não gosto dele – eu disse o mais rápido possível, tentando esclarecer tudo.
– Ah, eles não são tão ruins – Natalie exclamou – Bill é mais na dele, focado no seu trabalho. E Tom não quer ter relacionamentos, não adianta tentar. Ele tem sua fama, você já deveria saber, Alison.
– Maldita hora que eu pensei que comigo seria diferente – Alison bufou novamente, triste.
– Ei, Tom! – Judd gritou, acenando para a outra mesa, fazendo Alison dar um pulo – Vem cá um instante.
– O que você está fazendo? – Alison sussurrou.
– Estou te ajudando, amiga! Agora é uma boa hora para falar com ele.
Tentei não olhar muito na direção onde os caras estavam, mas meu olhar encontrou o de Bill e logo em seguida o de Tom, que estava vindo em nossa direção. Não tinha o que me preocupar, Alison ia falar com ele, podia rolar até alguma coisa e eu ficaria livre daqueles gêmeos. Talvez Judd pudesse ficar com Bill também, ela era tão insuportável quanto ele.
– O que foi? – Tom perguntou a Judd, mas depois se virou para mim – Wilhelmine, você veio! Que surpresa! Você está perfeita nesse vestido!
A voz de Tom ecoou por todo o local. A euforia em minha mesa sumiu. Alison ficou vermelha de raiva novamente. E todos estavam olhando para mim. Olhei para a cara dele e notei seu sorriso maroto que entregou todo o seu plano: ele queria chamar atenção de Bill. Nessa hora, minha vontade de esganar um irmão, mudou para o outro. Os dois são terríveis.

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75 Re: Humanoid Chronicles em Qua Nov 21, 2012 12:17 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 30


Se você está procurando
E se perde aqui
Então vou ao seu encontro
E te trago de volta para mim
(Fur Immer Jetzt – Tokio Hotel)

1º de Setembro de 2109
Quero sair dessa festa, agora!
22h22min PM

– Ah... oi, Tom – eu disse engolindo seco, mas depois tive que usar meu sarcasmo – Parabéns! Essa festa está tããão legal.
– Vamos, levante-se. Festas não são para ser comemoradas sentadas, você acaba perdendo toda a diversão – ele disse, puxando meu braço para que eu realmente me levantasse.
Lancei um último olhar para a mesa: Judd estava me olhando de boca aberta, Alison continuava vermelha e petrificada, Agnes estava tensa e Natalie estava olhando para outro copo de cerveja enquanto balançava seu pezinho ao som da música. Sem falar nas outras pessoas que me olhavam. Aquilo estava chamando mais atenção das pessoas do que quando eu ficava meio louca nas festas.
– O que diabos você está fazendo? – eu sussurrei entre os dentes.
– Estou te salvando – ele respondeu de volta, mas passou o braço em volta da minha cintura e me puxou para longe da mesa – Você não vai querer ficar na companhia delas, não é?
– Natalie é uma pessoa super legal.
– E ela é, mas já está tão bêbada que não sabe diferenciar você de uma cadeira. Não finja, dava para perceber sua cara de tédio a quilômetros de distância.
– O que tem de diferente entre elas e vocês? O que os garotos fazem para se divertir? – eu falei sarcasticamente.
Ele não precisou nem responder. Em uma das mesas, Gustav e Georg estavam bebendo uma caneca enorme de cerveja o mais rápido que podiam enquanto todos torciam e agitavam. No final, o vencedor foi Gustav.
– Georg, não basta perder para uma menina? – Tom exclamou, fazendo Georg mostrar-lhe o dedo do meio. Logo senti um cutucão em minhas costas – É a sua vez.
– Não posso beber – sussurrei – Você sabe do meu passado!
– Nada te impediu de beber vinho e me dopar. Prometo que vou ficar de olho em você, não a deixarei beber mais nenhum copo além desse.
– Quem é o próximo? – Georg perguntou e Tom me empurrou com tudo para a mesa – Você? Aposto que vence do Bill.
– O que? – eu exclamei alto o suficiente para que minha voz esganiçada ecoasse. Quando me virei para o outro lado da mesa, Bill já estava sentando com sua caneca cheia de cerveja, me olhando de forma surpresa.
– É melhor você ganhar – Georg sussurrou – Vou apostar a maior nota em você.
Antes que eu pudesse negar a participação, eles colocaram uma caneca cheia de cerveja na minha frente. Fiquei olhando a espuma sem saber o que fazer até finalmente conseguir encarar os olhos do meu adversário. Bill estava sorrindo de deboche. O maldito estava sorrindo, enquanto eu estava totalmente apreensiva! Talvez ele pensasse que eu não poderia vencê-lo, ou quem sabe estava pensando em ganhar como vingança por causa das fotos. Não vou perder para ele!
Segurei a asa da caneca firmemente com a mão esquerda – nada de robôs metidos nessa competição – sentindo o sangue alemão passar pelas minhas veias, implorando por cerveja. Quando Tom abaixou o lenço no meio da mesa, comecei a beber o conteúdo loucamente. Engolia todo aquele líquido sem ao menos degustar o seu sabor, pouco me importava a cerveja, eu só queria ganhar de Bill e esfregar isso na cara dele.
O conteúdo terminou e bati a caneca com tudo em cima da mesa. Bill bateu exatamente na mesma hora e fiquei sem saber quem fora o primeiro ou se havíamos empatado.
– Segundo a câmera de Gustav, que captou toda essa incrível competição – Tom disse – A vencedora é Wilhelmine!
– Eu ganhei? – exclamei, pulando da cadeira e Georg me jogou para o alto.
– Toma essa, Tom! – Georg disse – Pode passar a grana!
– Isso que dá confiar demais no irmão – Tom resmungou, tirando dinheiro do bolso e entregando a Georg.
Olhei para Bill, esperando que estivesse bravo, mas ele estava rindo da algazarra. Mas que diabos? Não foi no aniversário do ano passado que ele não sorria em nenhuma foto? Por que agora está tão feliz sendo que perdeu para mim?
– Bill, você tem que pagar a aposta também – Tom falou.
– Que aposta? Não apostei em nada, eu estava na competição – Bill respondeu, sem entender nada.
– Mas eu apostei por você. Apostei um beijo que você não perdia a competição e você perdeu.
– Pode ir dá lá seu beijo para o Georg, imbecil.
– Eu apostei o SEU beijo e não é com o Georg – Tom fez sinal para mim, me deixando embasbacada.
– O que você está tentando fazer? – Bill falou realmente bravo. Super legal da parte dele estar me recusando, não que eu me importe.
– É o seu aniversário, se divirta! Faz tempo que você não faz isso – então Tom abaixou a voz – Ou quer beijar a Alison? Ela baba demais, se quer saber, e também ronca. E Wilhelmine é bonita, legal, beija bem, não que eu saiba, é apenas uma suposição.
– Desde quando você virou conselheiro amoroso, Tom?
– Droga, Bill – Tom puxou o irmão, o fazendo ficar de pé – Seja um pouco mais meu irmão e faça algo logo.
Não podia ficar mais ouvindo aquilo, tinha que dar o fora. Quando decidi ir de encontro a porta de saída, um braço surgiu na minha frente acompanhado de um Georg com tantas más intenções quanto Tom.
– Você também está nisso? – eu resmunguei.
– Tom me prometeu o dobro da minha aposta se eu o ajudasse – Georg disse, me virando para Bill que também estava sendo empurrado por Tom.
– Eu te pago o triplo se me deixar sair, vocês dois estão cometendo um erro, eu não gosto dele – eu falei, entrando em desespero.
– Muito tentadora sua oferta, mas Tom é meu amigo, além de que isso vai ser bem mais divertido.
Ainda tentei negociar com Georg, mas meu corpo trombou com o de Bill. Eles não podiam fazer nada, eu não ia beijá-lo de forma nenhuma, mesmo que a festa inteira – menos a mesa das garotas – tivesse gritando e nos induzindo a isso. Sabia que não devia ter vindo, mas nunca sigo minha intuição mesmo.
Tentei não levantar minha cabeça e encará-lo, mas tive que fazer isso para descobrir o que ele planejava. Bill ainda estava discutindo com Tom, quando percebeu que eu estava o olhando, ele se virou para mim. Seus olhos encontraram os meus e senti meu rosto ficar quente, mesmo que não fosse a reação que eu gostaria de ter.
– Desculpe por isso – ele falou finalmente
– Como se isso fosse grande coisa – eu retruquei, afinal eu não estava chateada com uma idiotice dessas, no mínimo desconfortável, mas não chateada.
– Desculpe-me por ontem, então. Se isso for grande coisa para você – ele tentou mostrar um tom arrependido, mas a meu ver, estava mais para rude.
Ele não podia se desculpar de verdade, não quando sabia que eu roubei as fotos, mas não sabia o motivo. No fundo, ele ainda tinha raiva de mim pelo que fiz. Por isso, um sentimento de vingança nasceu em mim. Respirei fundo e sorri para Bill, percebi que ele relaxou quando viu isso. Caiu na armadilha, meu chapa.
Passei meus braços em volta do pescoço dele, o puxando para baixo o suficiente para que eu o alcançasse. Entre gritos de euforias e risos bêbados, eu trouxe os lábios dele aos meus e o beijei fervorosamente. Por causa do susto e da ação inesperada, no começo Bill ficou um bocado parado até assimilar o que estava acontecendo, só depois ele deixou-se envolver mais, o que até pegou-me de surpresa. Confesso que a vingança seria doce quando tudo terminasse, mas decidi prolongar o momento o máximo que eu podia.
Desde ontem, eu meio que ansiava por uma oportunidade dessas. Queria uma chance para usá-lo de forma apaixonada e depois ferir seu orgulho, como ele feriu o meu. E eu tinha que me concentrar ou poderia colocar tudo a perder. Com certeza eu não o amava, mas sentia uma ligeira atração.
Eu parei de beijá-lo, percebi que com toda a gritaria, nenhum deles iria ouvir o que eu tinha a dizer. Só Bill, ouviria.
– Ah, Tom – eu gemi, sentindo logo em seguida os músculos dele enrijecerem ao ouvir aquilo.
Tudo bem, isso foi um golpe baixo. Eu tinha quase certeza que Bill sabia que entre Tom e eu não houve apenas conversas, além de que falar o nome do irmão o atingiria mais do que outro nome qualquer. Também sabia que eles não iam brigar por mim, porque para Tom eu era apenas a integrante nova e para Bill eu era sua irmãzinha mimada. Mas aquilo foi o suficiente para ferir seu orgulho, porque ele se afastou de mim, sem que ninguém percebesse a verdadeira causa disso.
– Pronto – eu exclamei, olhando para Georg, Tom e os outros – Agora podem parar de pressionar. Quem mais quer competir comigo?
E foi assim que bebi umas três canecas de cerveja, pelo menos até onde eu consegui contar. Como podem ver, nunca confie no Tom, ele não me impediu de beber nem um pouco – principalmente porque ele ganhou um bocado de grana comigo, já que consegui vencer todos com que competi. Cada vez que eu abaixava a minha caneca, eu olhava para Bill em sua cadeira, pensativo, sem participar mais das brincadeiras. Eu havia destruído o sorriso dele e não estava realmente contente com isso. Onde está a vingança doce mesmo?

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