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Nothing Lasts Forever

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26 Re: Nothing Lasts Forever em Sab Nov 17, 2012 9:20 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 21 - L.A Parte 1


– Eu já disse que posso fazer as coisas sozinha.
– E se você desmaiasse no meio do caminho, hein? – revirei meus olhos e apenas meti mais uma barra de alcaçuz na boca enquanto meu pai ficava argumentando sobre a minha ida até Los Angeles. – O... – observou ao redor da sala procurando ou talvez tentando lembrar-se qual dos filhos ainda estava em casa, olhou para o Christopher e ignorou a ideia. – Benjamin te leva.
– Desculpa, mas – Benji apareceu na sala com o skate embaixo do braço. – tenho reunião com os patrocinadores hoje, e já estou atrasado. – subiu no skate e saiu.
– Eu já disse que não é para ficar andando de skate dentro de casa. – meu pai gritou sem nem ao menos olhar para ele. – Quantos anos você tem?
– Tchau pai! – me desliguei da conversa e fiquei observando e ‘brincando’ com o pingente de bailarina que Bill havia me dado. Coisa que eu fazia quando ficava com saudade dele.
– Ouviu? – meu pai perguntou me fazendo olhar para ele – Você vai com o Christopher. – apontou com a cabeça para o menino que estava dormindo no sofá.
– COMIGO? – ao que parece ele estava fingindo que dormia. Sentou-se no sofá olhando incredulamente para o pai. – Pede para qualquer outra pessoa, menos para mim.
– Você por acaso vê mais alguém por aqui? – ele olhou para todos os lados da sala. – Se achar tudo bem, se não, leve ela.
– Depois não me responsabilize pelo que eu venha a fazer, o senhor conhece muito bem os meus motivos. – eu estava me sentindo como uma mercadoria que ninguém quer transportar.
– Eu sei, mas agora as coisas mudaram. Eu só preciso que você cuide dela hoje, pode ser?
Olhou para ele sério.
– Fazer o quê...
– Bom menino. – meu pai beijou a cabeça dele e a minha e saiu para mais um dia de trabalho.
– Desculpa ser um fardo para você. – olhei magoada para ele, que apenas sustentou o meu olhar – mas você não precisa ir. É só dizer para o pai que foi, e pronto.
– Vai se arrumar logo antes que eu desista. – apertou minha bochecha e subiu para o quarto. Que pessoa mais bipolar.
Tomei um bom banho, enrolei meus finos cabelos com o baby-liss tentando dar um pouco de movimento aquele cabelo comprido e liso. Vesti uma minissaia jeans, blusa cinza gola V com um blazer preto por cima, – por que apesar de estarmos no verão, havia uma densa névoa lá fora – um boné preto e amarelo com as inscrições NYPD e um all star, peguei minha mochila e desci. No meio do caminho me senti enjoada e me enfiei no primeiro banheiro que vi, mas não vomitei como pensava, logo o enjoo passou. Antes de sair, vi uma coisinha brilhando no chão e peguei as chaves do carro do Benji.
Christopher já estava na garagem, começando a abrir o seu carro.
– Que tal irmos no do Ben? – Tudo bem que o do Totti era um Mustang GT500 preto e lindo - uma versão bem atualizada do meu Mustang antigo - mas o Hummer do Benjamin era bem mais... impactante. Um ex carro de guerra, em tom de vinho, com rodas grandes e cromadas, assim como os pára-choques.
– Se você tivesse a coragem de pegar o carro dele, ainda haveria um problema, a chave. – olhei para ele prepotente e me preparei para balançar a chave na frente dele. – Ele sempre guarda ela junto com o pinto dele. – quando disse isso eu soltei a chave imediatamente, fazendo cara de nojo.
– Onde você achou isso? – olhou com nojo para a chave no chão.
– No banheiro. – olhei da chave para o carro algumas vezes, considerando a opção. – Ah, quer saber? Eu não quero saber.
Peguei a chave com a manga do blazer e me pendurei para poder subir naquele carro exageradamente alto.
– Eu dirijo. – Totti disse puxando meu braço.
– Não. – olhei brava para ele. – Você já vai voltar dirigindo, me deixa ir pelo menos né. – me olhou vencido e foi para o lado do carona.
Saímos da garagem e fomos em direção da saída. O portão foi aberto, mas não pudemos sair por causa do anão de jardim que se encontrava em meio à saída.
– O que é aquilo? – Christopher apontou para o mesmo local que eu olhava, tentando decifrar o que era aquela coisa pequena.
– Uma... criança?
– Isso eu já percebi, – me olhou como se isso fosse óbvio – quero saber o que ela está fazendo aqui.
– Por que eu saberia? – abri o vidro e fiz sinal para que a criança se aproximasse. Ele veio vindo, um menino lindo, pele e cabelos claros, mas não muito e feições bem familiares. – O que você está fazendo aqui? – perguntei com a voz mais doce que eu consegui.
– Vim ver o meu pai. – falou cabisbaixo e esticou um envelope branco para mim. Eu e o Totti nos entreolhamos, tentando entender o que estava acontecendo por aqui.
– Você tem certeza de que o seu pai está aqui? – ele fez que sim com a cabeça ainda olhando para baixo. Desci do carro e peguei o envelope em minha mão. Na parte de trás havia escrito o nome da pessoa a quem ele havia sido destinado. Jared. – O Jared é o seu pai? – a pergunta saiu carregada com o espanto que havia se instalado em mim.
– A mama disse que sim. – me ajoelhei na frente dele, vendo suas bochechas coradas e o nariz bonitinho que ele tinha.
– E onde sua mãe está?
– Ela teve que ir embora. – sorri do jeito bonitinho que ele falou. Devia ter uns três, quatro anos e ainda falava como um bebezinho. Olhei para o envelope, mas decidi não abri-lo, melhor deixá-lo para o pai da criança.
– Quantos anos você tem? – ouvi o meu irmão perguntando dentro do carro. Ele estirou a mãozinha com apenas três dedos erguidos. Mein Gott, o Jared teve um filho com dezoito anos e nem fazia ideia disso. E eu achando que ele era o mais ajuizado dos meus irmãos.
– Ela quer que você fique aqui?
Ele balançou a cabeça afirmativamente finalmente levantando seus olhos para mim. É, ele era filho do Jared.
– A vovó ‘tá doente e a mama precisa cuidar dela.
Olhei para a casa que agora estava apenas sendo habitada por empregados. Eu não podia deixar a pobre criança ao relento.
– Sobe aí. – abri a porta de trás para ele, mas ele apenas a observava, receoso. Aproximei-me dele. – Está tudo bem, eu vou cuidar de você até o seu pai aparecer, tudo bem? – ele fez que sim e olhou para o carro, percebendo que era alto demais para ele, por isso estendeu os braços para mim. O peguei no colo e o coloquei dentro do carro, subindo no mesmo também.
– Você vai levar ele? – Christopher perguntou estranhando a minha atitude e eu apenas enviei um olhar para que ele calasse a boca.
– Qual o seu nome? – perguntei enquanto colocava o cinto no pequeno.
– Jaled. Jaled Júnior. – WTF? Ele já se chamava Jared Júnior?
– Posso te chamar de JJ? – ele sorriu pela primeira vez e fez que sim, repetindo baixinho o novo apelido. Belisquei sua bochecha, e voltei para o meu lugar, passando entre os dois bancos da frente. Recebendo um olhar de reprovação do meu irmão. O ignorei e iniciei, finalmente, a nossa viagem.
– Tem certeza que vai continuar dirigindo? – ouvi a voz do meu irmão quase como um sussurro, e as imagens em minha frente estavam um pouco desfocadas. O meu orgulho queria me fazer continuar ali, mas a sensação de cabeça pesada e os sentidos meio desestabilizados me fizeram encostar. Por que eu não tomei o analgésico mesmo?
Troquei de lugar com o Totti e dei uma olhada para trás onde o meu pequeno “sobrinho” cochilava tranquilamente.
– Você acha que ele é mesmo filho do Jared? – Meu irmão perguntou, eu fiz que sim e sorri com a ideia de ter uma criança fofinha fazendo parte da família agora.
Antes que ele ligasse o carro percebi onde estávamos parados.
– Starbucks! – meus olhos brilharam repentinamente. Eu nem percebi que já havíamos entrado na área metropolitana de Los Angeles e parei justamente em frente ao Starbucks. Meu irmão olhou e sorriu com a constatação. Descemos rapidamente do carro e atravessamos a rua. Quando eu ouvi o alarme do carro percebi que havia esquecido alguma coisa.
– A criança! – voltei correndo para o carro e o peguei no colo. Ele era bem pesadinho. Entramos na cafeteria e fomos direto para o balcão. Totti já havia feito o seu pedido. – Eu quero um Frapuccino Blended Coffee grande e um normal pequeno, mas com o dobro de chantilly e todas as caldas que você puder colocar. – o menino em meu colo acordou e eu o coloquei em cima do balcão. – Você quer um desse? – mostrei-lhe a bebida quando a moça me entregou.
– O que é? – Totti pagou as bebidas e as pegou da minha mão para que eu pudesse levar a criança no colo para o carro.
– Café gelado. – ele fez uma cara feia – Você vai gostar.
Sentei-me no banco de trás junto com o gurizinho e entreguei o copo dele. Ele começou a beber meio desconfiado, mas logo que descobriu o sabor daquela maravilha começou a beber tudo rapidamente. Peguei o analgésico da minha bolsa e o tomei já no primeiro gole da bebida.
Christopher voltou a dirigir e eu receosamente abracei a criança ao meu lado. Eu sentia que ele era meu sobrinho, e mesmo que não fosse. Ele havia sido abandonado pela mãe e precisava de algum conforto.
– Onde é?
– Não sei... espera um pouco. – peguei meu celular e abri a mensagem que Bill havia me mandado com o endereço do estúdio. Conferi o endereço e vi que pelo menos já estávamos no bairro certo. Disse a rua para ele, que logo a achou. Ao menos para isso ele servia.
Chegamos em frente ao estúdio. Uma casa normal, com a frente de vidros espelhados.
– Tem certeza que é aqui? Isso não parece um estúdio...
– Vamos saber agora. – ele parou o carro em frente à porta e começou a apertar aquela buzina náutica loucamente.
– Para Christopher! – eu gritava e tentava para-lo inutilmente. A criança ao meu lado decidiu tentar ajudar, mas não a mim. Voou para o banco da frente apertando a buzina junto com o ‘titio’ dele. Olhei para a porta e vi toda a banda e mais algumas pessoas que eu me lembro de ter visto algumas vezes olhando sem entender para o carro em que estávamos.
– É, acho que é aqui mesmo. – Totti disse sem muita animação, parando de buzinar e tentando segurar as mãos da criancinha que ainda queria continuar fazendo a festa.
– Vamos insuportáveis. – desci do carro - ou melhor, pulei – com a minha bolsa, e esperei que os dois seres me acompanhassem.
– Para onde?
– Você disse que só iria embora mais tarde. – fiz beicinho inconscientemente.
– E eu vou. Só que isso não quer dizer que eu vá ter que ficar aguentando certos tipos de coisas. – disse sério e olhou para o banco do carona. – E eu acho que esta criatura merece um pouco de diversão.
– ‘Tá bom então, tchau. – disse resignada e saí. Ouvi os pneus cantarem enquanto eu me aproximava do aglomerado de pessoas. – Desculpem às crianças da minha família, eles têm sérios problemas. – alguns me olharam ainda confusos, no entanto Gustav, Tom e Georg me olhavam com pena. Bill certamente havia contado para eles. Eles me abraçaram, mas Tom me deu um abraço consideravelmente mais forte e mais longo. Quando ele me soltou eu murmurei um ‘tudo bem’ e fui até Bill recriminado-o com o olhar por ter contado eles. Ter que aturar a dó dos outros não era muito agradável.
– Como você está? – ele me perguntou, mordendo minha bochecha.
– Bem. – apertei sua cintura enquanto entrávamos, acompanhando os demais. – Vocês devem estar felizes agora que estão morando entre “California gurls We're unforgettable Daisy Dukes Bikinis on top Sun-kissed skin So hot We'll melt your popsicle Oooooh Oh Oooooh”. – cantei a músiquinha com aquela voz melosa e imitando os passos de dança. Eles ficaram me olhando espantados e quando acabei, morreram de rir, todos dobrados sob o abdômen. – É, acho que não estou tão bem assim.
Sentamos-nos no sofá e eu senti uma vontade incontrolável de fazer xixi. – Onde é o banheiro? – Bill já me olhou preocupado. – Não, eu não vou vomitar. – ele amenizou a expressão e me indicou a porta a sua direita. Fui rapidamente e fiz um pingo de xixi. O que houve comigo? Estou com incontinência urinária? Quando fui ao banheiro, me olhei no espelho e vi sangue escorrendo do meu nariz. Mais essa agora...

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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27 Nothing Lasts Forever em Dom Nov 18, 2012 11:46 am

Sam McHoffen

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Capítulo 22 - L.A Parte 2


Coloquei um maço de papel higiênico no nariz, virei minha cabeça para cima e esperei alguns segundos sentada na tampa do vaso até que o fluxo sanguíneo fosse interrompido. Garanti que o sangue naquela região não havia deixado rastros e voltei para a sala, onde não havia mais ninguém. Ouvi algumas vozes vindas do corredor e fui até lá, encontrando a sala de onde o burburinho surgia.
Abri uma fresta da porta e coloquei minha cabeça para o lado de dentro.
– Vem. – Bill me indicou a cadeira ao seu lado com a mão. A sala era como uma sala de reuniões qualquer - com uma mesa comprida e cadeiras espalhada ao longo dela - exceto pelos instrumentos musicais que ali se encontravam.
Vi nos papéis rabiscados que Bill segurava, algo sobre vivo e morto; dor, ferida e aura; furacões e sóis. Eles estavam decidindo coisas da melodia da tal música que eu não entendia. Coisas complexas demais para mim. Eu mal sabia tocar violão e havia feito umas aulas de piano quando criança.
Eles continuaram discutindo, mudando algo na melodia, refazendo-a, e mudando-a novamente por um longo tempo.
– Okay, esta nós terminamos. – Jost falou visivelmente cansado. – Pausa para o café. Vocês merecem. – sorriu orgulhoso e deu um tapinha nas costas dos meninos que estavam próximos dele.
Todos seguiram para a cozinha do estúdio. Que a meu ver só faltavam os quartos para ser uma casa normal.
– A sala de gravações fica lá em cima. – Bill disse vendo que eu olhava estranhamente ao meu redor.
– Hum... é que eu nunca havia entrado em estúdio antes e achava que eram somente como se vê nos clips. – me expliquei, dando de ombros.
– Quando você ver a sala, vai achá-la familiar, dos clips.
Chegamos à copa, onde todos já se aglomeravam em volta da cafeteira. Porém Bill pareceu não dar muita importância para o café. Colocou-me contra o balcão, beijando delicadamente a pele visível do meu pescoço. Gustav, que foi o primeiro a pegar o café ficou reparando no que estávamos fazendo ali, a vista de todos. Logo eu deixei de me importar com isso devido às sensações que já dominavam meu corpo. Com as mãos, levantei a cabeça do meu namorado deixando a boca dele livre para que eu pudesse ocupá-la com a minha.
– ... café... – alguém pigarreou alto – o seu café Bill. – nós erguemos os olhos e vimos Natalie com a xícara estendida. – só faltava o seu. – sorriu e dirigiu o olhar a mim. – E você, vai querer alguma coisa?
– Não, obrigada. – sorri também e revirei os olhos discretamente quando ela virou as costas. O que ela estava fazendo aqui mesmo? Quem precisa ser maquiado agora? Respirei fundo, com toda a certeza eu não estava normal ultimamente.
– Já é noite. – Gustav resmungou, fazendo todos nós olharmos para a janela e contemplar o crepúsculo leitoso da noite que se iniciava.
– Por que não vamos para a minha casa e terminamos lá? – Bill sugeriu. – Pelo menos a gente se liberta disso aqui um pouco.
Georg olhou-o, concordando com a cabeça.
– Acho melhor mesmo. Só este lugar já me faz sentir pressionado.
– Não... – desta vez Tom resmungou. – quando se leva trabalho para casa o trabalho nunca acaba. E eu tenho compromisso para hoje à noite. – deu um sorriso tarado e seu celular começou a tocar.
– Falando em compromisso... – Georg sorriu incentivando Tom a continuar se achando o motherfucker da parada. Pelo mínimo que eu pude ouvir da conversa ele estava dispensando alguma garota, dizendo que durante essa próxima semana estaria fora da cidade a trabalho. Mentiroso. Isto me revoltou. Como se eu nunca tivesse o visto fazer isto. Como se eu não tivesse crescido cercada de pessoas que faziam isto. Como se eu não soubesse que todos os homens fazem isso. Menos o Bill, é claro.
– Mano, eu não sei o que dá nessas mulheres, sinceramente. Só porque você lutou dois dias pra levar ela pra cama tem que estar eternamente apaixonado?
– Calma Tom, é o pós-coito. – O que o Georg estava falando? Pós-coito? Gott, as coisas estavam piores do que eu pensava e eu só me revoltava cada vez mais. – Todas as mulheres ficam melosas depois da transa.
– E vocês seus canalhas? O que vocês acham que nós somos para sermos tratadas desse jeito? – eu sentia minha voz embargada e algumas gotas salgadas escaparem pelos meus orifícios oculares. – Droga, o que está acontecendo comigo? – perguntei-me tentando secar as minhas lágrimas. Eles me olhavam perplexos, com cenhos franzidos e bocas abertas. – Me desculpem, eu estou descontrolada. – saí pela primeira porta que vi, chegando a um pequeno jardim de grama clara e pequenos arbustos.
– O que aconteceu, Puppe? – Bill me perguntou olhando docemente em meus olhos encharcados e acariciando meus cabelos.
– Nada, na-da. – exatamente isso. Nada havia acontecido e eu estava ali me debulhando em lágrimas. – Me desculpa.
– Não por isso. – sorriu beijando meus lábios. – só da próxima vez não me inclua na raça de canalhas.
– Eu não incluí, eu sei que você não é assim. – olhei desconfiada para o lado. – eu acho.
– Você acha. – olhei para ele com os olhos quase totalmente cerrados. – ‘Tá bom, eu sou. – fez um biquinho lindo me obrigando a beijá-lo. – Agora vamos.
Demos a volta pelo jardim até a entrada lateral onde os carros estavam estacionados. Gustav e Georg estavam dentro do carro do Tom, que estava apoiado na porta segurando a minha bolsa e a de Bill.
– Dá esse boné para mim? – Gustav pediu, abrindo o vidro do banco de trás.
– Não! – dei língua para ele. Meu boné do departamento de polícia? Nada disso.
– Chata. – ele fez cara de criança emburrada. Meu namorado empurrou a cabeça dele.
– Não fala assim dela. – puxou a minha mão e fomos para o carro.
Eu estava parecendo àquelas crianças que não importa quanto tempo passam dentro de um carro em movimento sempre dormem. Não eram nem sete horas da noite, já estava tudo totalmente escuro - a noite chega cedo por aqui - e eu já estava caindo de sono. Eu só lembro-me de chegar a casa deles e deitar no colo de Bill no sofá, mais nada.
Acordei sem enxergar nada, sem me lembrar de nada e sem ter a mínima ideia de onde eu estava. Comecei a ficar ligeiramente assustada, passei as mãos pelo meu corpo sentindo a falta das minhas roupas. Subi mais um pouco as mãos e fiquei mais aliviada ao perceber que pelo menos eu estava de calcinha e camiseta. Tentei sentir se havia algo de estranho no meu corpo, mas nada, ainda bem. Tateei o lugar onde eu estava deitada. Era fofo e tinha uns panos, uma cama. Sentei-me e procurei por algo ao meu lado e achei o abajur. Acendi-o e vi uma grande televisão pendurada na parede em um tom café escuro metálico, do meu lado direito uma grande porta branca e do lado esquerdo duas lindas cortinas beges esvoaçantes que cobriam a parede desde o teto até o chão. Melhor dizendo, ao meu lado esquerdo estava a coisa mais bonita do quarto, muito mais do que as cortinas. Bill dormia serenamente, virado para o meu lado. Nada mais óbvio do que eu estar no quarto dele. Sentei-me com as pernas cruzadas e fiquei por horas fazendo o que eu mais sabia fazer: contemplar a perfeição.
Depois de se passarem horas a meu ver, Bill abriu os olhos e os arregalou imediatamente ao me ver ali parada com os olhos fixos e semicerrados sobre ele. Senti todo o desejo a muito retesado vir à tona.
– O que você diria se eu te atacasse agora?
Olhou para cima por alguns segundos como se pensasse e me encarou novamente com a sobrancelha direita arqueada.
– Por que demorou tanto?
(...)

– São só oito horas da manhã? – Bill se espantou ao olhar para o relógio enquanto o colocava no pulso.
– Uma pessoa normal diria: “Já são oito horas?” – eu ainda estava me vestindo, por que tinha saído por último do banho.
– Você não deveria ter lavado o cabelo. Está meio frio lá fora.
– E...? – terminei de me vestir e parei encostada na parede tentando pentear os meus cabelos.
– E você pode ficar doente. – revirei os olhos e ele cruzou os braços parado em minha frente.
– Eu não estou tão frágil assim. – coloquei o pente de volta no potinho sobre a pia e andei até ele. – Não tanto. – Arrumei a gola de sua camisa xadrez. – Vamos?
– Já? – jogou a cabeça para trás.
– Sim, você quer chegar lá que horas? – peguei minha bolsa e o meu boné e puxei-o pela mão para fora do quarto. – Onde o Gustav está?
Ele franziu o cenho.
– Para quê?
– Por que eu quero saber, oras. – continuei andando e tentando observar dentro dos cômodos por onde passávamos. Bill passou na minha frente e apontou para a porta entreaberta.
– Aqui, eu acho.
Cheguei até ele e olhei para dentro do quarto.
– Isso é ele? – apontei para o bolo de cobertas na cama.
– Deve ser. – ele voltou para o corredor. – Vá você lá se quiser.
Dei apenas alguns passos para dentro do quarto e atirei o boné em cima da cama. Bill me olhava ainda com o cenho franzido.
– Tudo bem, depois eu arranjo outro. – sorri e passei por ele.
– Vai roubar de outro policial? – arqueou a sobrancelha, encostado na parede com os braços cruzados.
– Não, vou pedir docemente. – olhei para ele e pisquei os olhos rapidamente. – Você diria não para mim?
– Não. – começou a andar.
– ‘Tá vendo? – sorri triunfante e comecei a descer as escadas.
– ‘Tá vendo o quê? Eu acabei de te dizer não. – desta vez ele passou sorrindo.
Descemos mais um lance de escadas, estas externas, até a garagem. Entramos no carro do Bill e voltamos para San Francisco.
– Você tem alguma coisa para fazer hoje?
– Exames, de rotina. – dei de ombros. – Mas eu preciso passar em casa antes, para ver o JJ.
– Para ver quem? – olhou de lado, desconfiado.
– O JJ, meu sobrinho.
– Desde quando você é tia?
– Desde... ontem. – balancei a cabeça afirmativamente e olhei para o mar abaixo de nós enquanto passávamos pela Golden Gate. Bill deve ter desistido de entender o que eu falava e voltou sua atenção ao trânsito em silêncio. Não por tanto tempo.
– E aquele seu amigo?
– Que amigo? – voltei a olhar para ele, com a testa enrugada.
– Lu alguma coisa. – disse com desdém
– Lewis?
– Esse aí. – sacudiu os ombros, como se não desse importância alguma para o ser em questão. Então para que perguntar?
– É meu vizinho. – sorri olhando ao longe profundamente. Ele olhou para mim com uma expressão mesclada de ódio e surpresa. Eu tive que me segurar para não rir. – Não, ele voltou para o Canadá né.
– Acho bom. – disse ressentido e voltou-se para frente. – É aqui? – parou no cruzamento e apontou o lado esquerdo com a cabeça.
– Aham. – entramos na rua da minha casa. – Pode esperar aqui que eu já volto. – dei um beijo nele, me demorando mais do que o necessário e entrei em casa.
– Alguém em casa? – gritei assim que entrei e uma criancinha veio correndo até mim. Abracei-a desajeitadamente. Eu não tinha habilidade nenhuma com crianças, seres frágeis e desprotegidos. Christopher apareceu também. – Pelo jeito está tudo bem.
– Sim, ninguém apareceu por aqui. – se aproximou e deu um beijo na minha bochecha. – Só o...
– Eu. – Benji disse e o pequeno em meu colo pulou e saiu correndo na direção dele. – Ele gosta do titio aqui.
– Claro, ele já percebeu que vocês têm a mesma idade mental. – ele soltou um riso debochado da minha afirmação. Ele sabe que é verdade. – Vocês vão comigo no médico? – os três fizeram que sim com a cabeça. – Você vai também JJ?
– Uhum. – balançou a cabeça várias vezes, com uma carinha tão fofa que me deu vontade de morder.
– Então vamos.
Eles me seguiram até o carro e apenas Benji cumprimentou o Bill e todos permaneceram em um silêncio tenso até o hospital, exceto o JJ que ficou pentelhando o caminho inteiro. Eu também preferi me manter quieta. Se eu falasse com qualquer um ali iria ser acusada de dispensar minha atenção de forma irregular, de ambas as partes. Sendo assim, era melhor me manter imparcial.
No hospital eu fui sozinha fazer o exame e quando voltei todos estavam no quarto onde eu ia realizar o outro exame. Até a recepcionista deve ter ficado com medo de mandar só um entrar.
– Como foi? – meu namorado perguntou enquanto eu sentava ao lado dele no pequeno sofá.
– Normal. – tirei a mão que instintivamente ficava apertando o lugar onde o sangue havia sido retirado. – Já estou acostumada. – ele passou o braço em volta do meu ombro me aninhando em seus braços e me fazendo apoiar a cabeça no ombro dele. Olhei para o lado e vi meus irmãos olhando nervosamente para nós dois do outro sofá. – É melhor eu sentar na cama. – levantei e me sentei na cama, impedindo crises de ciúmes.
O Dr.Carlton entrou no quarto e sustentou seu olhar no meu seriamente por alguns segundos. Comecei a ficar com medo, e isso piorou quando ele chacoalhou o que parecia ser o resultado do exame de sangue na minha frente.
– Por que a senhorita não me contou que estava grávida?

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28 Re: Nothing Lasts Forever em Dom Nov 18, 2012 12:30 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 23 - Conversas Irrelevantes


– Por que a senhorita não me contou que estava grávida? – senti um jato de água atingir o meu rosto. Antes que eu pensasse que alguém havia feito isso para me acordar do transe olhei para o lado e percebi que não era nada disso. Bill estava com uma mão tampando a boca que pingava água e a outra segurando o copo virado de boca para baixo. Nunca vi alguém fazer tanto estrago com um engasgo. Olhei para os seus olhos e o modo como eles estavam assustados me lembrou o que eu havia acabado de escutar.
De alguma forma o ‘cuspe’ que eu recebi me fez acordar realmente. Meu estômago gelou ao recordar a fala do Dr. Carlton. Minhas mãos envolveram meu abdômen instintivamente e a única coisa que passava pela minha cabeça é que não fazia sentido.
– Você poderia me responder o porquê de ter me escondido este fato?
– Por que eu não sabia? – respondi como se fosse óbvia a resposta.
– Como não sabia? – fitou-me incrédulo e voltou os olhos para o laudo do exame. – Não prestou atenção em nenhum sinal?
– Que sinal? Menstruação atrasada? Você disse que isso ia acontecer por causa da quimioterapia. Enjoo?
– Certo. – ele olhou para o teto, colocou a mão na cintura e suspirou profundamente. – Mas você tinha que ter percebido, você ia fazer uma tomografia agora. – ele começou a se alterar novamente. – Você tem noção de como isso poderia ter sido ruim para o bebê? – desviei minha atenção dele enquanto sentia meus olhos marejarem e reparei em dois rostos que estavam bem piores do que o do Bill. Christopher me olhava num misto de surpresa e ódio eterno e o Benjamin estava com a boca aberta e olhos sapecas. Agarrei meu abdômen com ainda mais força tentando acreditar que realmente existia alguém ali dentro.
– Você tem certeza disso?
– Tenho, quanto a isto não se preocupe e – fez uma pausa – me desculpe. – colocou o exame em cima da mesa e passou a mão na testa, como se tentasse achar uma justificativa ou uma solução para aquela falha. – Eu vou ligar para a ginecologista, você precisa ter uma conversa com ela. Licença. – saiu da sala e me deixou com os energúmenos que só me faziam sentir pior com a ‘maravilhosa’ reação deles.
Não há nada mais constrangedor do que o silêncio que se instaurou no lugar após a saída do médico. Eu estava me sentindo completamente sozinha.
– Oh! – Benjamin fazia uma cara cínica de assustado olhando para o Christopher, que estava mais irritado do que eu jamais havia visto, se é que isso era possível vindo do Senhor Ranzinza. – Ela não é mais virgem? – debochou mais ainda dele. – Oh Meu Deus, ela faz sexo? Não... – parou de zoar dele e ficou sério. – Para de ser ridículo Christopher. – se levantou rindo, quase gargalhando. – Eu tenho que contar isso para o pai.
– Relaxa. – eu disse ao meu irmão restante dando de ombros e olhei pelo canto do olho para o Bill, que ainda estava sentado, olhando para cima, como se nada tivesse acontecido. – Pelo visto foi concepção imaculada. – ele pareceu se condoer, veio até mim, beijou a minha testa e saiu.
Pelo menos eu tinha recebido a primeira reação positiva após a notícia. Isso tudo era ainda muito estranho para mim. Agora eu tinha começado a digerir direito, eu ia ter um filho, um filho. Meu coração começou a palpitar de medo. O que seria daquela criança? A mão em meu abdômen agora o acariciava, como se eu já sentisse alguém ali. Olhei para o lado, tentando entender a reação que o meu namorado estava tendo. Eu sabia que era uma coisa difícil, inesperada. Mas eu não esperava que ele agisse assim. De verdade.
Fiquei apenas encarando minhas mãos e ouvindo minha respiração acelerada em cima daquela maca. Senti algo mexer nos meus cabelos e olhei rapidamente para o lado que tinha sido tocado. Meus olhos se conectaram rapidamente com os orbes castanhos encharcados a minha frente. Senti uma pontada no peito quando vi que ele estava chorando. Tudo menos isso, por favor. Droga, eu não queria que ele se sentisse assim. Um nó logo se instaurou em minha garganta, mas meus olhos foram cativados pelo sorriso logo abaixo. Peguei-me sorrindo também por constatar que ele chorava por qualquer coisa menos tristeza ou arrependimento. Chorava de alegria.
Meus braços logo envolveram o pescoço alvo dele. Os dele fizeram o mesmo com a minha cintura. Agora sim, agora eu estava me sentindo melhor. E feliz por estar carregando uma vida, além da minha.
– Desculpa... – Bill afastou meu rosto e o segurou em suas mãos, murmurando pedidos de perdão entre os beijos que me dava. Vendo que eu não estava dando muita atenção ele parou e me olhou profundamente. – Desculpa, eu...
– Tudo bem. – o interrompi antes que ele pudesse terminar. Isso não importava mais agora. Porém ele parecia não concordar com isso. Colocou o dedo em meus lábios e prosseguiu.
– Fica quieta, por favor. – forçou os olhos e deu uma risada. – Posso terminar? – fiz que sim com a cabeça, já impaciente. – me desculpe por eu ter ficado daquele jeito. Eu não consegui digerir isso tão fácil assim, eu não esperava por isso. Isso é assustador.
– Eu sei, e eu te entendo. – sorri roçando o polegar em sua bochecha. – Eu já disse, tudo bem. – enfatizei arregalando os olhos, rindo e fazendo-o rir também.
– Mas agora, – olhou para baixo, colocou a mão sobre a minha barriga e deu o sorriso mais fofo que eu já havia o visto dar. – Eu estou gostando da ideia.
Forcei-me a continuar respirando enquanto meu coração se projetava contra as paredes do meu peito. Enrosquei ainda mais meus braços no pescoço dele e arranjei um jeito de me sentar no colo dele. Eu simplesmente não conseguia me controlar quando ele fazia essas coisas, eu ficava completamente fora de mim e quando dei por mim já estava nos sufocando com um beijo inadequado para aquele local.
– Licença. – me assustei com a voz do meu pai dentro do quarto. Arregalei meus olhos e fui me afastando de Bill lentamente, que estava quase transparente de tão pálido. Olhei e dei um sorriso de canto de boca para o meu pai. – Não é por menos que você está grávida agora. – deu uma bufada de ar e se sentou na poltrona aos pés da maca, onde anteriormente meus irmãos estavam. Olhou para frente e constatou que o corpo de Bill tampava a sua visão de mim. – Você poderia se sentar em outro lugar, por favor? – disse apontando para Bill. – Eu tenho que dar uma bronca nessa criatura, e para isso eu preciso manter contato visual com ela.
– Eu não acho necessário que você brigue com ela por... – ele começou a dizer surpreendendo-nos, muito mais ao meu pai que semicerrou os olhos esperando que ele terminasse a frase. Bill parou de falar por um momento, mas logo continuou. – Isso, mas é claro que eu posso me sentar em outro lugar. – beijou a minha bochecha e se sentou no sofá que antes estava. – Mas eu continuo achando...
– Tudo bem rapaz, relaxe. – William Ford interrompeu e direcionou sua atenção a mim. – Eu não vou brigar com você, por que eu acho que você não é a maior culpada nisso tudo. – olhei para ele sem entender, e ele percebendo que ninguém falou nada, prosseguiu. – Eu não consegui suprir a falta da sua mãe. Você precisava de uma mulher que...
– Não papa, para com isso, não tem nada a ver. – falei apressadamente. – Eu já disse que nunca precisei de mais nada. É claro que eu queria a mãe aqui, mas por causa dela, da presença dela e não por algo que o senhor não tenha feito direito.
– Mas se eu tivesse lhe informado melhor, você saberia como se prevenir disso.
– Eu me preveni, eu sei me cuidar. – ele achava que por ele não ter me explicado eu não tinha descoberto. Só pais mesmo.
– Exatamente por isso você está grávida. – ele debochou de mim.
– Eu tomo remédio. – coloquei o dedo do queixo e interroguei o meu pai, baixinho. – Aliás, eu tenho que parar agora né? Por causa do bebê...
– Remédio? – perguntou alterado ignorando a minha pergunta anterior. – E se ele te passasse alguma doença? – passou a mão na cabeça, dramático, como se tivesse ouvido o pior absurdo do mundo. Eu ouvi o suspiro pesado do Bill e pelo canto do olho o vi se jogando para trás no sofá. – Eu sabia que tinha tido filhos novo demais, nem consegui passar maturidade para eles.
– ‘Tá vendo? O senhor não pode falar nada, eu engravidei bem mais velha do que a mãe. – ele ficou quieto dessa vez. – Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço né?
– Quieta! – disse bravo, mas logo começou a rir. As pessoas costumavam dizer que ele era mal-humorado, mas eu não achava. Pra mim ele era o homem mais digno do mundo, e não poderia ser diferente, com todas as coisas que ele fez pela nossa família.
– Quem é a mamãe mais nova por aqui? – uma mulher com os seus trinta anos, bem encorpada de cabelos castanhos e um nariz chato entrou sorridente na sala. Eu ergui o meu dedo, sorrindo de lado. – O Carlton me fez vir correndo para cá. Sabe como são esses médicos novos não é? – como esse hospital fazia parte da Universidade de San Francisco, a maioria dos médicos que trabalhavam por aqui era bem novos, residentes que por serem extremamente competentes tinham passado de estagiários para efetivos rapidamente. Ela própria deve ter passado por isso. – E o papai está por aqui?
– Aham. – sorri e apontei para o Bill no sofá. Ele se levantou e estendeu a mão para ela.
– Prazer, Bill. – galanteador este meu namorado.
– Oh, me desculpem, eu me esqueci de me apresentar, que cabeça a minha. – ela falava tão rapidamente e tão alegremente que parecia uma criança conversando. – Jane, e o prazer é todo meu. E você? – olhou para o meu pai, sorrindo mais desta vez. – É o tio?
– Não, o avô. – a última palavra soou quase como um peso, como se ele tivesse odiado fala-la.
– Não me diga, tão novo assim. – se ela continuasse sorrindo para ele assim ia arranjar um jeito de quebrar estes dentes. – Mas vamos voltar para você. – é, acho bom. – Fez algum exame?
– Não. – olhei para a mesa ao lado, vendo o resultado do exame de sangue. – Não depois que eu descobri, mas o Dr. Carlton chegou sacudindo isso na minha frente.
Ela deu uma risada sonoramente desagradável.
– Então vamos dar uma olhada nele. –Jane então pegou o laudo e ficou lendo-o com o cenho franzido durante o que me pareceram longos minutos. Bill se sentou ao meu lado e ao segurar suas mãos percebi que ele estava bem nervoso, pois as mesmas estavam suadas e frias. – Você disse que descobriu há pouco tempo?
Afirmei com a cabeça.
– Hoje. – ela mordeu o lábio inferior e olhou para a minha barriga, depois para o exame novamente e meneou a cabeça. – Por que, algum problema?
– Não, é que você descobriu meio tarde. – deixou o exame de lado e voltou a sorrir. – Por isso o Carlton quase enfartou.
– Meio tarde? Você só pode estar certa se considerar um ou dois dias muito tarde. – Bill olhou-a interrogativamente, com a sobrancelha direita arqueada.
– Não, este exame é irrefutável e o laudo concluiu que a gestação já está em nove semanas.
– Não – Bill se levantou e colocou os braços na cintura, – isso não pode ser possível por que...
– Bill. – tentei o chamar para que ele não terminasse de falar, na frente do meu pai, que nós só havíamos transado há no máximo dois dias, na casa do meu pai.
– Por que nós...
– Bill! – Ele então olhou para mim, com a testa toda enrugada e olhar confuso. Olhando para ele eu percebi uma coisa. – Faça as contas, por favor. – Ele continuou apenas olhando para mim, começando a ficar furioso. – Nove semanas são mais de dois meses. – Eu não podia acreditar que havia passado pela cabeça dele que esse filho poderia ser de outra pessoa. Ou não, vai ver... – Espera, isso são mais de dois meses. – me dirigi a Dra. Jane. – Por que eu não tenho barriga então?
– Nós temos que fazer um ultrassom para ter certeza, mas provavelmente não há nada demais nisso.
– Isso é comum? – olhei para a minha barriga. Ela não tinha nenhuma elevação. Tudo bem que eu tinha emagrecido bastante ultimamente e a barriga parecia estar como há meses atrás, mas crescido ela não tinha, isso sim era estranho.
– Não é comum, mas é normal. Não se preocupe, está tudo bem. – ela afagou meus cabelos sorrindo. Gostei dela. Era tão espontânea e parecia estar realmente interessada, isto me deu mais segurança. – Você anda tendo muitas alterações de humor?
– Não. – respondi confiante.
– SIM! – meu namorado e o meu pai falaram em uníssono.
– Mentira deles! – disse com um olhar carbonizador para cada um deles.
– Viu isso? – Bill perguntou para a médica. – Ela está assim o tempo todo. Ela está normal, do nada fica exageradamente feliz, depois quer matar qualquer mulher que apareça na frente dela e então começa a chorar. – ela parou de prestar atenção no que ele dizia e ficou olhando para o meu pai com um sorriso bobo na cara.
– Agora diz se eu não tenho razão de querer matar as mulheres? – perguntei para o Bill, mas o alto o suficiente para que ela escutasse. E ela escutou, mas se fez de desentendida e voltou ao assunto anterior.
– É pai, você vai ter que aturar isso por algum tempo ainda, – ela colocou a mão no ombro dele, fazendo que sim com a cabeça e entortando a boca. – E... – um som estrondoso a fez parar de falar.
– Eu cheguei de viagem agora, mas vim correndo para cá. – Jared entrou quebrando a cartilha da educação falando alto como se não houvesse mais ninguém ali. Ele parecia estar bem empolgado com alguma coisa. – Quem diria hein? – parou ao lado da maca, sorrindo e com um olhar reprovador contraditório. – Você, com um filho. Em que mundo estamos?
– ‘Tá falando do quê criatura? Pelo menos eu ainda tenho um bebê. E o teu que já tem três anos? – ele ficou lívido e os olhos saltados no mesmo instante. O Totti e o J.J. Entraram na sala, e pela cara do maior eu percebi a burrada que tinha feito. Mr. Ford se levantou e veio até nós com a mesma expressão que o Jared. – Ops. – encolhi os ombros e pela temperatura do meu rosto ele já devia estar completamente vermelho. – O Christopher explica direito para vocês, agora eu tenho que ir ao banheiro. Por que vocês sabem, eu estou grávida né.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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29 Nothing Lasts Forever em Dom Nov 18, 2012 12:47 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 24 - Consequências


– Onde você estava? – perguntei assim que Bill chegou perto do carro dele onde eu estava encostada.
– Lá. – apontou com o polegar para o hospital. Quando eu consegui fugir do banheiro, Bill pediu para que eu viesse esperar aqui fora, que ele logo voltava. O logo demorou exatos 43 minutos.
– Isso eu sei. – rolei os olhos e continuei o observando. Mais cedo ou mais tarde ele falaria.
– Por que você se preocupa tanto? Eu só estava lá... – me abraçou e roçou o nariz no meu pescoço. Os pelinhos na minha nuca se eriçaram, e a respiração quente dele batendo na minha pele fria estava me fazendo esquecer qualquer coisa que acontecesse alheia a nós. Ele estava fazendo de propósito. O afastei e peguei a chave da mão dele para abrir o carro. Vi pelo reflexo do carro Benjamin e Christopher se aproximarem.
– Nós podemos ir contigo?
– Pergunta para ele. – apontei com a cabeça para Bill. Totti tombou a cabeça, como se implorasse para que eu não o obrigasse a fazer isso. Balancei a minha afirmativamente e me recostei novamente no carro a espera de que ele fizesse isso. Bill tentava esconder um sorrisinho no canto da boca. É claro que ele não ia dizer que não, mas com certeza estava se aproveitando da situação.
Benjamin conhecendo o irmão que tinha, falou logo na frente dele. Se fossemos esperar o Christopher engolir o grande orgulho dele e pedir algum favor para o Bill iria anoitecer e ainda estaríamos ali.
– Cunhado, você pode dar uma carona pra gente, por que ninguém merece ter que aguentar o sermão que o pai vai dar no Jared por causa da sua namoradinha.
Dei língua para ele.
– E o pai nem vai falar nada. Não falou comigo. Por que vai falar com ele?
– Por que ele não é a garotinha do Mr. Ford e nem está grávido. – ergueu as sobrancelhas e se dirigiu ao Bill novamente. – E aí, podemos ir ou não? – o Benji parecia um mano falando, e olha que ele já tinha melhorado muito. Ao menos tinha voltado a usar os s’s.
– Claro, entra aê. – Bill apertou o controle, destravando as portas. Antes que eu conseguisse chegar na porta Benjamin se esgueirou e abriu a porta do banco carona. – Ah, - meu namorado falou do outro lado do carro, chamando a atenção nele. – ela vai na frente.
Dei língua para ele e entrei no meu lugar, prepotente.
Bill ficou calado por um bom tempo. Isto me preocupava bastante. Por um único motivo, o que ele estava fazendo lá dentro. Só tem uma coisa que alguém que não esteja doente pode fazer dentro de um hospital: conversar com um médico sobre a doença de outra pessoa. Eu tinha medo de estarem me escondendo alguma coisa, de estarem planejando alguma coisa, as minhas costas. Se eu estava pior do que eu imaginava, eu queria saber. Se o bebê iria me fazer mal, eu queria saber. E o mais importante, se estavam planejando colocar o bebê em segundo plano, eu queria saber. Por que eu seria totalmente contra isso. Agora eu tinha achado um motivo maior do que todos para continuar vivendo. O bebê. Eu não iria permitir que nada de mal acontecesse a ele, e se fosse humanamente possível, eu me tornaria a pessoa mais saudável que se tem notícia por causa do meu filho.
– Eu só estava falando com o seu médico. – disse finalmente, se dando por vencido. Provavelmente por ter percebido a minha preocupação. Eu tentava de todas as maneiras, mas pelo visto eu não era tão boa assim em esconder emoções. Fiz que sim com a cabeça e voltei a olhar para a paisagem externa em movimento. – Eu só queria saber se ia ter alguma complicação no seu tratamento por você estar grávida.
– Você devia ter ido saber se eu não teria complicações na gravidez por causa do tratamento, e não o contrário. – falei mais ríspida do que o necessário, e do que eu tinha vontade.
– Por favor, você sabe o que é mais importante.
– Sei. – voltei meu olhar para ele e simplesmente apontei para a minha barriga.
– Não. – murmurou baixo. Apertou mais as mãos do volante e mordeu os dentes com força, projetando o maxilar para fora.
Eu espero que nunca tenha que escolher.
O resto do caminho foi feito em silêncio. Eu olhava para as árvores entre as avenidas com os olhos marejados. Nunca desejei tanto chegar tão rápido em casa. E foi um alívio muito grande ver a construção imponente do começo da rua. A ideia de poder ir direto para a minha cama e ficar lá sozinha por um bom tempo me apetecia enormemente.
Desci do carro antes mesmo que ele parasse completamente. Suspirei fundo e ergui minha cabeça para o sol radiante, esperando que as lágrimas ficassem retidas enquanto eu fechava meus olhos por causa do ardor causado pela claridade. Comecei a caminhar lentamente, em direção à entrada da casa, olhando para a grama verde e aveludada. Senti um toque suave em minha mão, e mesmo sabendo quem havia feito isso olhei para trás encontrando os olhos complacentes de Bill. Baixei minha guarda, e inconscientemente uma paz interior se apossou do meu ser. Ele puxou minha mão para detrás das costas dele, como se eu estivesse abraçando e me deixou apoiar a cabeça em seu ombro. E nesse instante eu não tinha mais vontade de ir me trancar em meu quarto.
Abri a porta e Jeremy estava com os braços cruzados de frente para a porta. Como estava com a mão na maçaneta por acabar de abri-a já aproveitei para ir fechando, dando uns passos para trás, porém meu namorado usou o seu corpo de impedimento.
– Oi Jimmy. – sorri encolhendo os ombros. Alguém parou do meu lado, levando a atenção de Jeremy consigo. Fiquei feliz em ver que quem quer que fosse ali, merecia mais o olhar assassino dele do que eu.
– Oi Jimmy. – ouvi a voz baixinha do Jared. Olhei para o lado e vi que ele teve a mesma reação, mas, assim como aconteceu comigo, o impediram de sair.
Aquele aglomerado de pessoas na porta não se movia, e Jeremy permanecia fulminando a mim e a Jared com o olhar.
– Eu tenho que ser o único responsável por aqui? – cuspiu as palavras e logo após isto o aglomerado se desfez, restando apenas nós, os acusados a porta. – Eu podia esperar isso do Benjamin e até mesmo do Christopher. Mas não de vocês dois.
Eu, estranhamente, me cansei daquela coisa toda. Nenhum de nós era menor de idade e muito menos era financeiramente incapaz de sustentar uma família. Não havia motivos para aquela coisa toda, nem meu pai havia feito isso, por que ele teria que fazer? – Jeremy. – atraí a atenção dele. – Você é o irmão mais velho mesmo, nada mais natural do que você ser o mais maduro. – ele semicerrou os olhos. – Nós compreendemos, mas não precisamos disso. – sua expressão ficou impassível, e ele permaneceu calado. – Obrigada pela atenção. – sorri e passei por ele, achando que depois disso eu poderia ir embora.
– Você pode fugir de mim, mas não das consequências dos teus atos.

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30 Nothing Lasts Forever em Qua Nov 21, 2012 11:14 am

Sam McHoffen

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Capítulo 25 - Nada Como Uma Grande Família


As últimas palavras dele ficaram martelando em minha cabeça enquanto procurava Bill pela casa.
- Hey, mocinha. – ouvi meu pai me chamando e me virei na direção de onde o som vinha e adentrei no escritório dele. – Não há nada que você queira me contar? – franzi o cenho sem entender e fiz que não com a cabeça. Lá vinha mais alguma paranoia. – Você acha que eu não entendi o que quis dizer com “isso não pode ser possível por que nós...”?
Arregalei meus olhos instantaneamente.
– É que...
– Você conhece as regras. Por que fez isso? – ele me olhou sério, cruzando os braços. O que me fez lembrar a cena de antes, com Jeremy.
– Eu não fiz nada. – tentei dar uma amenizada nas coisas, mas não deu muito certo.
– A senhorita vai começar a mentir para mim agora, depois de adulta?
Joguei a cabeça para trás, soltando o ar pesadamente.
– Não. – voltei a olhar para ele seriamente. – Eu não planejava isso. Eu só... eu... – respirei fundo mais uma vez – não conseguia dormir. Depois que o senhor foi lá eu fui para o meu quarto. Mas não conseguia pregar o olho, então fui conversar com o Jared. Quando eu voltei para o quarto foi a mesma coisa, a insônia parecia ter tomado conta de mim. Eu não sabia o que fazer então eu fui para o quarto dele, para tentar dormir. Eu não planejava, fazer, o senhor sabe.
Ele continuou impassível me observando, como se esperasse que eu ainda dissesse mais alguma coisa.
– Me desculpe. – soltei, sabendo que era isso o que ele queria ouvir. Meu progenitor balançou a cabeça afirmativamente, finalmente aprovando o que eu havia dito.
– Era só isso o que eu queria ouvir. – deu um sorriso torto. – Porém um “não vou fazer de novo” não soaria mal.
Sorri para ele também. – Eu não vou fazer de novo. – Não aqui. Mas essa parte eu preferi não dizer.
Beijou o topo da minha cabeça e me abraçou. Quando eu coloquei minha cabeça sobre a sua clavícula vi Bill passando pelo corredor, olhando para os lados como se procurasse alguma coisa.
– Eu já volto, pai. – dei um beijo estalado em sua bochecha e saí atrás do Bill.
Dei uma pequena corridinha e cheguei até ele.
– Eu estava mesmo te procurando. – girou nos calcanhares e parou. – Eu já vou.
– Já? – Fiz beicinho.
– Uhum. – ele apertou minha bochecha. – E tem que ser agora, vai anoitecer e o Tom vai me esganar se eu não chegar logo no estúdio, ele já me ligou trezentas vezes.
Fiz cara de vencida e rolei os olhos.
– Okay, eu te levo até lá embaixo. Desci as escadas com ele e vi umas malas na porta de entrada. – Você trouxe tudo isso? – perguntei apontando para elas.
– Eu não. Por que eu precisaria de bagagem? Mal passei um dia aqui.
– Uia, grosso. – olhei para ele com a testa enrugada e ele riu da minha cara. – Vai saber. – mudei de expressão e sacudi os ombros, respondendo a pergunta dele.
Christopher parou em frente às malas, colocando as mãos na cintura e falou sozinho. – Será que eu peguei tudo?
– Você vai embora? – perguntei olhando estranho para as bagagens.
– Sim. Eu tenho que ir ver minha mulher e ter uma conversa muito séria com ela. Você grávida, o Jared com filho... eu tenho medo que isso passe para mim também. – “minha mulher”. Durante o tempo em que eles ficaram ‘brigados’ comigo o Totti se casou com a Ellen. Mas foi um casamento somente no civil, sem mais comemorações. Eu me lembro dele ter dito na época, que por minha causa o dia mais feliz da vida dele não havia sido tão feliz assim.
– Você já trouxe todas as minhas coisas? – Jeremy gritou para Christopher da escada.
– Você vai também? Todo mundo vai embora agora? – perguntei erguendo os braços, já com cara de emburrada.
– Não. – Benji disse, aparecendo por trás do Jimmy. – Eu não vou. – deu uma risadinha. – Você já pode dar pulos de alegria agora.
Ignorei-o e me voltei para o loiro.
– Por que você vai?
– Por que eu tenho que cuidar das coisas que o pai abandonou por sua causa. – me olhou como se aquilo fosse óbvio. – Alguém tem que dar um jeito nas coisas.
– Eu tenho que ir mein Liebe. – Bill disse no meu ouvido.
– Tchau! – disse com a voz mais ríspida do que deveria. Quando me dei conta de que era com Bill que estava falando e não com os meus irmãos me virei para ele pedindo desculpas com o olhar.
Despedi-me de Bill ali mesmo, na porta, não achei necessário ir lá para fora. E quando eu digo me despedi, está subentendido que eu agarrei ele e o beijei da maneira desesperada que eu estava sentindo necessidade. Como estava com raiva dos meus irmãos, me aproveitei para fazer uma ceninha para eles. Nada melhor do que unir o útil ao agradável, e muito agradável.
Ouvi vários pigarros, chamadas de atenção; mas não estava me importando nem um pouco e pelo visto Bill também não. Ele se afastou com um sorriso enorme e bem sacana estampado no rosto.
– Eu, infelizmente, tenho que ir agora.
Eu tirei os braços em torno do pescoço dele e mordi o lábio inferior murmurando um tchau abafado. Ele foi embora e eu fechei a porta, me encostando à porta de frente para os meus irmãos sem tirar o sorriso do rosto. E também não poderia, eu sentia uma enorme vontade de gargalhar vendo as feições deles.
– Pensei que vocês já tivessem ido. – falei cínica e subi as escadas com corrimões dourados em direção ao meu quarto.
No corredor, Jared pai e Jared filho saíram de uma porta.
– Vão para onde? Embora também? – Jared, pai, franziu o cenho. – Eu estou grávida, tenho direito de ter mudanças repentinas de humor. – Usar isso de desculpa não quer dizer que eu estava gostando disso. Pelo contrário, eu estava odiando. Eu sempre quis estar absolutamente no controle, e agora eu estava totalmente desestabilizada o tempo todo.
– Como se você precisasse estar grávida para isso. – ele debochou um pouco, mas logo parou, deve ter ficado com medo da minha cara de assassina. – Nós vamos fazer exame de sangue. – ele parou, mas vendo que eu não tinha entendido o porquê do exame de sangue, explicou. – O pai me obrigou a fazer teste de DNA.
– A tua paternidade já não é óbvia o suficiente? – nós dois olhamos para o garotinho encostado na parede brincando com o zíper do moletom. Ele realmente era parecido com o Jerry, até mesmo na personalidade. – Foi por causa dele que a Larissa sumiu? – perguntei baixinho, para que o meu fofo sobrinho não escutasse e ainda se sentisse culpado por alguma coisa.
– Deve ter sido, – ele deu de ombros – as contas batem. – A ex-namorada que ele tanto amou - graças a Deus não ama mais, ele já havia sofrido por ela mais do que eu aguentaria. – o havia abandonado e sumido do mapa sem mais nem menos.
– Ela deve ter ficado com medo. – olhei para ele – Você não está?
– Não estou o que?
– Com medo.
Ele deu de ombros. – Não, só preciso de mais um pouco de tempo para absorver totalmente as coisas. – ele esfregou os cabelos do gurizinho com as mãos e sorriu bobo para ele. – Você deve estar mais do que eu. – voltou o olhar para mim.
Desta vez eu dei de ombros.
– Se eu parar para pensar no que isso significa, aí sim eu vou ficar com medo. Por isso agora eu estou procurando pensar no mínimo e sentir ao máximo. – e era isso que eu ia fazer pelo máximo de tempo que eu conseguisse. Até que tudo ficasse bem eu iria imagina que essa era uma gravidez normal sem mais implicações.
– Jared! – ouvimos a voz do pai e nos entreolhamos.
– Eu tenho que ir. – ele revirou os olhos. – Vamos J.J. – pegou na mão do filho e atravessou o corredor. – Você não vai se despedir dos outros? – falou e eu senti que foi para mim.
– Vou. – disse bufando e desci as escadas atrás deles.
Despedi-me do Totti e do Jimmy sem raiva nenhuma. Eu disse que esses hormônios estavam acabando comigo. Eu não era mais eu mesma. Há pouco eu estava querendo matar eles e agora sentia que um pedaço meu iria embora com eles. Eu tinha medo de ficar longe de qualquer pessoa que eu amava neste momento crítico. Ninguém sabe o que iria acontecer depois.
Assim que eles saíram me senti o ser mais solitário do planeta. Só eu e o meu filho naquela casa enorme. Decidi ir para o meu quarto, e dormir até que todos voltassem. Porém, antes que eu conseguisse atingir o meu objetivo, uma grande escuridão tomou conta da minha visão e todas as minhas forças sumiram.

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31 Nothing Lasts Forever em Qua Nov 21, 2012 11:39 am

Sam McHoffen

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Capítulo 26 - O Momento Em Que O Fim Chega


When It Rains – Paramore

Um garotinho de uns dois anos de idade passa correndo pelo corredor branco, do que eu sinto ser a minha futura casa. Do mesmo modo que eu sinto ser a minha futura casa, sinto que ele é o meu filho. Ele para em minha frente esticando os braços e sorri, o sorriso do pai, sem dúvida alguma. Me curvo para pegá-lo e nós dois rimos juntos quando o coloco no colo. Então, como um relâmpago a visão some.

– Senhorita! Acorde! – senti meu rosto molhado e aos poucos fui abrindo os olhos e estava de volta a esta casa. Eu estava caída na escada, me sentei e vi a governanta com o copo vazio de água na mão me olhando preocupada. – Vou ligar para o seu médico agora. Espere aqui.
– Não. – ela se virou para mim imediatamente. – Eu estou bem, isso não será necessário.
– Mas...
Não deixei que ela terminasse de falar, e levantei rápido do chão, sentindo um pouco de tontura, mas logo disfarcei.
– Eu já disse, estou bem. Foi apenas uma indisposição. Eu vou ir para o meu quarto dormir mais um pouco. Quando eu acordar estarei bem melhor, não se preocupe. – ela fez que sim e se virou na direção da cozinha. – Ah, – falei antes que fosse. – não comente com ninguém, por favor.
Subi para o meu quarto e me joguei na cama. Apesar de já ter aceitado que mais cedo ou mais tarde eu iria morrer, essa criança mudou tudo para mim. Agora eu sentia, que de alguma forma, iria sobreviver. A única coisa que eu desejava era que a minha mãe estivesse aqui comigo. Isso aliviaria tanto as coisas. Daria um sentido nisso, eu não me sentiria tão despreparada para isso. A falta que eu senti dela neste momento esmigalhou meu coração.
Meus olhos piscaram pesados, enquanto eu me lembrava da curta cena que se passou pela minha mente nos míseros segundos que eu havia apagado. As risadas alegres do meu filho continuaram ressoando em minha mente até que eu caísse no sono.

Abri os meus olhos e eles se cegaram instantaneamente com os fortes raios de sol que penetravam no quarto. – Droga! – coloquei o braço na frente deles e fui direto ao banheiro, sem abri-los. Fechei a porta e finalmente pude abrir meus olhos. Esperei que eles se acostumassem com a pouca, mas ainda presente claridade do local.
Abri a torneira e lavei meu rosto com a água abundante que saía dela e não pude evitar que alguns fios de cabelo se molhassem. Abri o armário, tirei dois compridos do pote laranja que lá estava e os engoli com a mesma água que havia acabado de me refrescar. Cessei o derramamento de água e levantei a cabeça me encarando no espelho. Peguei na ponta do meu nariz e sorrindo constatei que ele ainda estava fino. Não sei por que grávidas sempre ficam com aqueles narizes enormes. Eu torcia para que o meu não ficasse daquele jeito. Fiz xixi de novo, minha bexiga parecia estar cada vez menor. Arrumei um rabo de cavalo e voltei para o quarto. Antes de qualquer coisa fechei as cortinas. Sentei-me na cama e peguei o celular no criado mudo. Uma da tarde e nenhuma chamada. Antigamente o Bill me ligava direto se ficávamos longe e agora já fazia mais de uma semana, não sei ao certo, que ele havia voltado para Los Angeles e ele parecia ter esquecido que eu existia.
Dei o braço a torcer e eu mesma liguei para ele, coisa que raramente acontecia.
Oi, aqui é o Bill... – desliguei antes que a mensagem gravada da secretária eletrônica terminasse. Joguei o celular em cima da cama, vesti um short e desci.
A governanta estava terminando de arrumar a mesa para o almoço e deu uma olhada para mim. Ela não havia gostado de ter escondido o meu desmaio do meu pai. Mas eu tive três dias para fazê-la desistir da ideia de me delatar. Meu pai iria almoçar conosco hoje, e por essa comunicação visual nossa, acho que eu tinha conseguido.
Sentei-me no lugar costumeiro e esperei que todos descessem e ela servisse o almoço. Peguei o pingente de bailarina nos dedos e fiquei mexendo nele. A bailarina ficou de cabeça para baixo, revelando a inscrição na parte detrás dela. Sorri e dedilhei letra por letra. B, I, L, L. Meu coração pareceu bater mais lento pela falta que ele me fazia. Recriminei-me por estar assim já que eu havia ficado apenas três dias sem vê-lo. Pelo visto, isso era muito tempo. Larguei o colar e me reclinei na cadeira, deixando meu abdômen livre para que eu pudesse acaricia-lo. Eu queria tanto poder sentir meu pequeno garoto, mas ele parecia não querer dar o ar da graça ainda. Eu não via a hora de ganhar uns chutes.
Ouvi uns grunhidos e logo uns passos fortes. Conforme o barulho ia aumentando percebi que o grunhido era na verdade um choro bem fraco.
– Carol! – Jared gritou assim que apontou na entrada da copa, com o J.J. chorando contido em seu colo. – Me ajuda.
– O que foi? – ele colocou o pequeno em cima da mesa. Nós dois o fitamos atentamente e ele respirava forte para engolir o choro.
– Eu acordei com ele chorando, e ele ainda estava dormindo. – o pai falava rapidamente, atropelando as palavras. – então eu fui tentar acordar ele e quando coloquei a mão nele estava muito quente, olha. – ele pegou minha mão e colocou na testa do J.J. ela estava bem quente. – Daí eu desci.
– Você está sentindo alguma coisa? – perguntei afagando os cabelos do meu sobrinho. Ele era meu sobrinho mesmo, o teste de DNA havia confirmado isso. Ele só abriu a boca para mim. Olhei e vi a gengiva dele bem vermelha e inchada lá no fundo. Contei os dentes dele, tendo que recontar duas vezes por que o Jared ficava me atrapalhando. – Tem um dente nascendo, só isso. – dei de ombros. – Não sei pra quê esse escândalo todo, Jared.
Ele olhou para mim revoltado.
– É por que não é o seu filho. – pegou o menino no colo e se virou.
– O que você vai fazer?
– Procurar no Google “dentes nascendo” e achar algum remédio, – olhou para mim como se aquela fosse a coisa mais óbvia a fazer em um caso desses. – o que mais eu poderia fazer?
Ele sumiu do meu campo de visão e o som dos passos dele subindo a escada foi substituído pelos passos do meu pai adentrando em casa.
– Bom dia mon chéri. – beijou o topo da minha cabeça e se sentou ao meu lado na mesa, colocando a pasta ao seu lado no chão.
– Pai, – pausei e ele me olhou, esperando que eu continuasse. – faça o favor de lavar as mãos. – meu pai permaneceu olhando para mim como se não acreditasse que eu estava falando sério. – Anda. Vai voltar a ser criança agora?
Ele resmungou como se fosse uma criança mesmo e foi até o lavabo. Voltou ainda com a cara feia, talvez temeroso de que eu começasse a desafiar a autoridade dele depois disso.
– Onde estão os outros?
– O Jared está paparicando o filho e o Ben saiu cedo. – ele me olhou desconfiado, mas pareceu ter acreditado logo. Fiz mais uma vez o que fiz a vida inteira; acobertar as transgressões dos meus irmãos. Se eu dissesse que o Benjamin não tinha voltado para casa desde ontem ele iria ter um ataque de fúria, controlador do jeito que ele era...
Eu comi rápido, com medo de que colocasse tudo para fora. O que já havia virado rotina, principalmente depois de um dia de quimioterapia. Decidi tomar um banho de piscina para aproveitar o dia de sol ameno que estava fazendo. Fiquei sozinha durante quase toda a tarde e só saí dali a hora que senti um vento mais frio vindo. Sequei-me e vesti as roupas novamente, por cima do biquíni molhado mesmo, - colocando um casaco, claro, não ia querer ficar gripada agora - e entrei em casa.
Ouvi uns murmúrios e me senti atraída para ir até lá.
– Eu entendo. – meu pai falava pacientemente, no entanto sua voz soava meio estranha. Eu me aproximei mais da sala para tentar ver alguma coisa.
– Eu só queria que o senhor soubesse antes. – foi aí que eu paralisei. Essa era a voz de Bill, e ela estava muito, muito séria. Coloquei a cabeça para dentro e ele estava olhando para as mãos fechadas, e com o cotovelo apoiado sobre as pernas. Meu pai estava apoiado no braço do sofá, com a mão no queixo e o cenho franzido. Bill levantou sua cabeça olhando seriamente para o meu pai. – E também... – William Ford me viu e apontou para mim com a cabeça. Bill se virou e ao me ver arregalou um pouco os olhos e deu um sorriso sem graça. – Oi mein Schätzchen.
– Oi. – pisquei meus olhos, ainda tentando entender o porquê de toda aquela seriedade entre eles. Talvez eles estivessem apenas conversando, e isto normalmente seria bom. Porém algo me dizia que eu não devia ficar tão feliz assim.
Meu namorado se levantou, se aproximou de mim meio sem jeito e pegou na minha mão.
– Vamos dar uma volta? – ele beijou a minha mão, tentando sorrir. – Nós precisamos ter uma conversa. – ao ouvir isso minhas pernas fraquejaram, meu coração parou de bater, eu parei de respirar e todas essas coisas que acontecem com o nosso corpo quando sentimos que o pior está prestes a acontecer. – Vamos? – ele chamou novamente, visto que eu permanecia parada. Mentalizei fazer que não com a cabeça, mas não o fiz e então ele me puxou para fora.
Bill foi me levando para o mesmo caminho que Jared havia me levado quando voltamos. Atravessamos a propriedade, passando por todas as suas dependências, e isso era uma grande caminhada, principalmente se fosse feita em silêncio. A mão de Bill suava também, talvez até mais do que a minha.
– O que foi? – consegui finalmente perguntar, após a décima tentativa de fazer com que algo saísse da minha boca.
Ele olhou para mim dando mais um dos sorrisos de canto de boca e desviou o olhar receoso para o mar, que se aproximava cada vez mais.
– Fala... logo. – pedi de novo, com a voz esganiçada pelo nó que começava a se formar em minha garganta.
– É... – pausou e respirou profundamente. Puxou minha mão para cima junto com a dele e a beijou. – Você sabe tudo o que significa para mim não é? – me olhou esperando que eu respondesse. Mas eu não tinha uma resposta para dar, agora eu não tinha mais certeza de nada. A única coisa que eu tinha era medo, muito medo. – Acho que não. – deu uma risadinha sem graça. – Então eu tenho que dizer, de novo não é? – Eu comecei a pensar em como eu poderia evitar que aquilo acontecesse. Eu não poderia permitir que ele falasse que me amava, mas que não poderia mais ficar comigo. Não, eu não suportaria.
– Bill, e... – comecei a falar e ele me olhou. Depois disso eu não tive mais forças para continuar. Eu parecia estar anestesiada, imobilizada de todas as formas. Eu não estava reagindo muito bem, eu não estava me sentindo muito bem. Fiz sinal com a cabeça para que ele continuasse a falar. Coloquei a mão sobre o abdômen tentando encontrar algum conforto dentro de mim.
– Como eu estava dizendo. – esfregou minhas mãos entre as suas, olhando fixamente para elas. – Desde o dia que eu te vi é como se eu finalmente tivesse achado uma razão para viver, uma razão para entender que a vida é realmente linda. – então por que você quer acabar com tudo isso, droga? Ele estava só tentando amenizar as coisas, para que eu não prestasse muito atenção no que viria depois. E de fato ele estava conseguindo me distrair. Eu apenas escutava essas coisas, evitando olhar para ele e me lembrar do que ele estava prestes a fazer. – Você sabe que eu te amo né? – parou de andar e olhou para mim, esperando a resposta. Eu balancei a cabeça afirmativamente sem muita certeza e ainda sem olhar para ele. Meu namorado puxou o meu queixo para que eu olhasse para ele. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, eu fechei os meus e aí tive certeza de que ele iria mesmo fazer aquilo. Eu senti os lábios frios dele nos meus, isso me doeu tanto, me doeu por saber que seria o último. De qualquer maneira, eu aproveitei, justamente por saber que muito em breve eu não poderia mais. Ele me soltou sorrindo e me abraçou de lado andando em direção à praia.
As ondas nos atingiam e molhavam meu tênis, mas eu não estava me importando muito com isso agora. Eu vi um vulto ao longe, como se alguém tivesse passado correndo, mas também não dei muita importância e voltei a olhar o chão.
– Você já entendeu né? – eu tive uma disritmia cardíaca ao ouvir isso. Olhei para ele com os olhos arregalados. O momento que eu tanto temia havia chegado. – Eu te amo. Mais do que um dia eu pudesse imaginar amar alguém. – ele deu uma risadinha e me beijou de novo. – Justo eu. – eu consegui sorrir depois disso, senti um alívio enorme por saber que aquilo foi adiado nem que só por um curto espaço de tempo. Bill fixou o olhar no meu sorriso por um tempo e depois o desviou para a mão sobre a minha barriga. Colocou a mão que estava sobre o meu ombro, sobre a minha mão que estava na barriga, me abraçando completamente. – Olha, uma concha. – ele apontou para um ponto na areia perto dos meus pés. Parou ao chegar perto dela, e continuou apontando. Parecia fazer questão que eu a visse. – Olha.
– Eu já vi, Bill. – murmurei. Pensei mais um pouco e decidi usar essa distração a meu favor, para adiar as coisas por mais um tempo. – É verde. – falei estranhando a cor dela. Nunca tinha visto uma concha verde, e que brilhava.
– Por que você não pega ela? – ele me incentivou, eu me abaixei e a peguei na mão. Ele se afastou de mim, eu olhei para ele, estava com medo de qualquer ação que ele tomasse. – Abre. – eu achei estranho, mas já que estava querendo prolongar as coisas, fiz o que ele disse. Abri e vi uma pedra preta, alguns pontinhos brilhantes, enroscados em fios de ouro. Mexi um pouco, e aquilo era... um anel. Peguei nele e olhei para trás, para Bill e o vi sorrindo, ajoelhado no chão.
– Quer casar comigo?

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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32 Nothing Lasts Forever em Qua Nov 21, 2012 12:07 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 27 - Nada Poderia Estar Melhor



You Got Me – Colbie Caillat

Sempre me importei só comigo e comigo mesma
Eu pensava que relacionamento fosse perda de tempo
Eu nunca quis ser a cara metade de ninguém
Eu estava feliz dizendo que o nosso amor não duraria
Era só isso que eu sabia antes de conhecer você
Você me faz querer dizer sim
É siiiimmm
Eu acho que senti meu coração pular uma batida
Eu estou parada aqui e mal posso respirar
Você me tem, você me tem
O jeito que você pega minha mão é tão doce
E aquele seu sorriso desajeitado, me derruba
Oh eu não consigo me satisfazer
Quanto eu preciso para me preencher?
A sensação é tão boa, deve ser amor
É tudo que eu sonhei
Eu desisto, me entrego. Deixo ir em frente. Vamos começar
Pois não importa o que eu faça
Meu coração está preenchido com você
Eu não consigo imaginar como seria
Viver cada dia dessa vida
Sem você, sem você

[url-http://www.vagalume.com.br/colbie-caillat/you-got-me-traducao.html#ixzz1Loa2jHBZ]I Do & You Got Me – Colbie Caillat[/url]

– Quer casar comigo?
O mundo pareceu parar de girar por infinitos segundos. Meus olhos se arregalaram viajando freneticamente por cada lugar daquela paisagem parando finalmente no pôr do sol alaranjado no mar. Meu coração foi voltando a bater conforme eu começava a digerir as coisas. Fechei os olhos respirando vagarosamente tentando oxigenar meu cérebro para que ele mostrasse o que Bill realmente havia dito e não o que eu pensei ter ouvido.
– Carol, – ouvi-o me chamando e direcionei meu olhar para ele. – você quer? – perguntou com o tom de voz receoso e olhar meio perdido. Então eu não tinha ouvido errado, ele tinha mesmo me pedido em casamento. Um sorriso tomou conta da minha face, meus olhos ficaram embaçados de tantas lágrimas enquanto eu tentava murmurar alguma coisa.
– Si, sim... – me ajoelhei, tentando abraça-lo, mas ele não permitiu que eu fizesse, me empurrando para cima com aquela cara de “fica quieta!”. Ele pegou a concha da minha mão e tirou o anel de lá de dentro.
– Então você aceita ser a minha esposa Carol Louise Ford LeMarchand? – as lágrimas quentes escorreram pelo meu rosto neste momento, e apesar de achar que isso não seria possível, meu sorriso aumentou. Os olhos de Bill, pequenos, extremamente brilhantes e também molhados me deram tamanha felicidade que eu nem sabia poder existir. Bem, eu nunca pensei que fosse aceitar um pedido de casamento na minha vida. Casar estava totalmente fora dos meus planos.
– Eu aceito, Bill Kaulitz. – falei com uma sofisticada calma fingida e estiquei a mão para ele. Sua mão fria segurou a minha, que tremia mais do que um celular no vibracall. O anel pareceu ser feito para mim, se encaixava perfeitamente.
Enquanto empurrava o anel para o lugar correto, Bill decidiu explicar o significado, para que eu me derretesse mais ainda.
– Os gregos acreditavam que o ônix – apontou para a pedra preta do anel – tinha fortes poderes de proteção sobre o parceiro amoroso. – deu um sorrisinho olhando para o lado. – Espero que funcione.
Meu sorriso morreu um pouco com isso, mas eu preferi não deixar que nada atrapalhasse aquilo e antes que qualquer racionalidade se apossasse de mim, deixei que a emoção me dominasse. Praticamente pulei sobre o meu namorado - ops, noivo - e o beijei, como eu achava que ele deveria ser beijado depois de ter feito tudo isso.
– Nós temos que ir agora. – Bill sussurrou na minha nuca, deixando todos os pelinhos daquele local eriçados.
– Na... – resmunguei, apertando mais os braços dele em volta de mim. – Deixa ao menos o sol se pôr totalmente. – e isso nem iria demorar, ele já estava quase sendo engolido completamente pelo mar. Nós havíamos ficado ali abraçados, trocando carícias durante todo o crepúsculo. E eu não queria que aquilo acabasse tão cedo.
– Não, se não vamos nos atrasar.
Virei-me de costas, o encarando com a testa enrugada. – Atrasar para o quê?
Arqueou a sobrancelha direita, me desafiando. – Não vou contar.
– Então eu não vou. – cruzei meus braços, ficando parada no mesmo lugar enquanto ele levantava. Bill também cruzou os braços, me encarando. Desviei meu olhar antes que eu me sentisse tentada a ceder tão facilmente.
– Anda Carol, vamos, não estrague as coisas. – resmungava parecendo o Chaves, e tentava me puxar a todo custo. – Vamos? – perguntou com uma carinha fofa, chegando a fazer beicinho.
Ergui meus dois braços para cima em sinal de rendição.
Refizemos todo o percurso de há pouco, só que desta vez eu não estava praticamente tendo um infarto do miocárdio. Pelo contrário, estava transbordando de felicidade. Eu tinha conseguido ficar um bom tempo sem pensar no futuro próximo que não dava sinais de ser tão bom, já fazia muito tempo que eu não conseguia ficar com a mente tão aliviada assim.
Nós entramos na sala e Tom estava sentado com o Benjamin no sofá. Eu não sei por que, mas eu notei uma leve semelhança entre ele e o vulto que eu havia visto antes. Olhei para Tom desconfiada, mas desisti de falar alguma coisa quando vi que ele e Bill estavam numa comunicação muda, gargalhando e trocando olhares marotos. Benji estava escutando música e batucando na sua perna, mas mesmo assim olhava para mim de lado e ria, eu abaixei minha cabeça sem graça e rindo também. Possivelmente eu tinha sido a última pessoa a saber do pedido. Para evitar comentários e zoações desnecessárias as quais eu já previa que iriam acontecer logo em breve, me dirigi ao meu quarto.
Entrei no closet observando as roupas, mas como eu iria escolher alguma se eu não fazia ideia de para onde ia? Voltei ao quarto, porém Bill ainda não havia chegado lá. Entrei no chuveiro para tomar um banho bem rápido, já que ele tinha dito que íamos chegar atrasados em algum lugar que eu não sei qual é. Enrolei-me na toalha que parecia mais ser de rosto do que de banho por ser tão pequena. Saí do banheiro e encostei-me na beirada da porta, observando Bill deitado na cama folheando um dos livros que estavam no meu criado mudo.
– Bill?
Meu noivo virou a cabeça na minha direção e pelo jeito que ele passou a me olhar ficou parecendo que ele nunca havia me visto de toalha, muito menos que já havia me visto sem ela. – Bill... – ele continuou sem dar atenção ao que eu falava, com o olhar concentrado em minhas coxas. – Bill! – praticamente gritei e ele finalmente me deu atenção.
– Hum?
– Para onde nós vamos?
Ele arqueou a sobrancelha direita olhando furtivamente para mim.
– Você acha mesmo que eu vou dizer?
Decidi me aproveitar do momento anterior fazendo uma cara sexy, deixando minha perna mais ainda a mostra e sussurrando as palavras seguintes.
– Tem certeza que não vai me falar?
– Não vou te dizer mesmo assim. – voltou a fingir que lia o livro.
– Chato. – rosnei, parecendo mais um cachorro velho engasgado. – Como eu vou me vestir se eu não sei para onde eu vou?
– Vista qualquer coisa. – falou sem tirar os olhos do livro. – Você fica linda de qualquer jeito. – rosnei de novo, e voltei para o closet. Mas antes dei uma olhada no que ele estava vestindo para poder me basear na minha escolha. Calça e blazer pretos, uma camiseta de algodão branca com gola V e sapatos pretos de verniz. – E rápido, senão nós vamos perder o... o que vai acontecer aonde nós vamos.
Murmurei um ‘chato’ de novo e parei em frente às calças jeans, mas achando-as informais demais me virei para os vestidos. Escolhi um de Poá branco e preto e peguei uma jaqueta de couro vermelha caso esfriasse. Fiz um rabo de cavalo e uma maquiagem rápida. Fui até o quarto e parei na frente dele com as mãos na cintura e dando um giro em seguida.
– Viu, eu disse que você ia ficar linda. – sorriu jogando o livro de lá e veio até mim, me abraçando e me beijando.
– Para, você vai estragar a minha maquiagem. – olhei para ele. – E a sua. – não segurei o riso depois disso, principalmente depois da careta de falso irritado que Bill fez.
– Vamos, futura senhora Kaulitz.

– Onde está o carro? – perguntei quando já estávamos no meio da rua e eu não via nenhum sinal de nenhum automóvel.
– Que carro? Nós não vamos de carro.
– Só se nós estivermos atrasados para ir à casa do vizinho. – debochei.
– Relaxa, Carol. – me puxou pela mão e atravessou a rua em direção ao porto. – Nós vamos em uma coisa bem melhor que um carro. – apontou para o iate ancorado logo a nossa frente.
Não consegui evitar que o meu queixo caísse e meus olhos se arregalassem. Olhei para Bill talvez para me certificar de que ele estava falando sério mesmo. E ele estava. O capitão, de boina e suéter listrado, me ofereceu a mão para que eu pudesse subir e logo em seguida ajudou Bill também.
– Sejam bem vindos! – o capitão nos cumprimentou com um pesado sotaque latino. – Eu sou Alfredo Vasquez e conduzirei vocês esta noite até o...
– Muito obrigada. – Bill o interrompeu, antes que ele pudesse dizer para onde nós iríamos. E isso ficou nítido para todos nós, visto que Alfredo desviou completamente do assunto.
– Vocês gostariam de subir? – fizemos que sim com a cabeça e ele nos encaminhou até a escada de maneira envernizada e corrimões de metal. Fomos até o terceiro ‘andar’ e quase caímos quando Alfredo ligou o motor, e rimos muito disso.
Apesar da paisagem ali de cima ser linda eu não pude reparar em muita coisa, se bem que o que eu estava fazendo era muito mais interessante do que ficar olhando o mar.
Estava tocando uma música romântica total anos 80 na cabine e isso quase me impediu de ouvir o barulho da cidade assim que o barco foi desligado. Nós estávamos bem perto do centro, tentar adivinhar para onde iríamos dali era inútil, existiam tantas possibilidades.
Bill me abraçou, praticamente me colocando embaixo do seu braço. Mais para me impossibilitar de ver para onde estávamos indo do que para qualquer outra coisa.
– Não que seja algo “WOW” – ele começou a falar, num tom explicativo – eu só queria que tudo fosse uma surpresa para você.
Levantei a cabeça e olhei para ele sorrindo como uma boba.
– Bill, tudo está sendo uma surpresa para mim. E eu nem vejo uma maneira disso ficar melhor do que já está.
Beijou o topo da minha cabeça. – Vai ficar.
Eu sorri mais ainda, esfregando minhas mãos com ansiedade.
– Bill. – o chamei e continuei, sem esperar uma resposta. – Você é o melhor. – ele gargalhou gostosamente e me apertou mais ainda. Ele diminuiu um pouco o nosso ritmo de caminhada, fazendo meu coração acelerar um pouquinho e meus olhos rapidamente fazerem uma busca não bem sucedida no local.
Percebi que entramos em uma casa de espetáculos, daquelas de construção antiga e com colunas gregas na frente, só que meu querido homem não me deixou ver o que estava em cartaz. Passamos por algumas saletas e finalmente chegamos ao auditório principal onde Bill entregou as entradas para a moça de colete e gravata. Ela sorriu e abriu a porta para nós.
– Viu, eu disse que íamos chegar atrasados. – Bill resmungou, visto que todos já estavam sentados e as luzes apagadas. – Olha, o Josh Hartnett. – ele conseguiu achar algum famoso enquanto procurava por nossos lugares. – ao menos não vão reparar em nós dois aqui, só nele. – disse achando aquilo realmente bom.
– Em nós dois? Você quis dizer em você né? Quem é que se importa comigo? – olhou para mim e eu pude ler em seus olhos “espere e verá”.
As cortinas começaram a se abrir e eu quase não consegui conter um gritinho de felicidade assim que ouvi umas notas musicais muito conhecidas.
– Giseeeelle! – falei mais alto do que deveria fazendo com que algumas cabeças se virassem na minha direção. Sorri como se pedisse desculpas e me senti abraçada por trás e um beijo quente no meu pescoço.
– Gostou? – olhei sorrindo para ele numa confirmação muda, e tenho certeza que isso teve mais significado do que muitas palavras. Nos sentamos enquanto eu mal me continha de prazer em ver um bailarino adentrando ao palco envolto numa capa preta.
– Bill, não precisava disso. – um sorriso no meu rosto estava contradizendo as minhas palavras. – Você nem gosta.
– É claro que eu gosto, do que você está falando? – beijou minha bochecha. – E também, mesmo que eu não gostasse eu faria de qualquer jeito. Eu sei que você deve estar morrendo de saudade disso.
– Te amo. – o abracei rapidamente e voltei a minha completa atenção para o palco.
Durante as quase uma hora e meia de espetáculo eu respondi as trocentas perguntas de Bill e tive que me segurar de verdade, pois os meus membros involuntariamente começavam a se movimentar com os bailarinos do palco. Pena que passou tão rápido.
Uma mulher passou olhando para mim enquanto a garota que estava de mãos dadas com ela apontava para mim e falava: – Mãe, mãe é ela, eu disse! – sorri para as duas e me voltei para o meu noivo.
– Brigada. – disse e o beijei pela décima vez desde que o ballet acabou.
– Disponha. – sorriu e olhou para o relógio.
– Que foi? Estamos atrasados? – debochei dele, não sei por que essa paranoia com hora se não iríamos mais a lugar nenhum.
– Estamos. – ele disse sério e se levantou.
– Ainda tem mais? – disse espantada. Não é possível que ainda fosse ter mais alguma coisa.
– Sim. – sorriu prepotente. – Vamos?
– Ah não! – Bill urrou de raiva da porta. Havia tantos paparazzi lá for que eu nem conseguia ver um espaço livre sequer.
– E agora? – ele olhou para cima como se planejasse.
– A gente espera o Josh Hartnett. – olhou para trás para se certificar de que ele não estava vindo. – Quando ele for sair nós passamos na frente, assim eles se esquecem de nós dois e vão para cima dele. Okay?
– Okay. – mal acabei de falar e o ator apareceu atrás de nós com a sua namorada. Eu e Bill entramos na frente dos dois e saímos. Aquela quantidade enorme de flashes me cegou. Era tanta gente, tanta luz, tanto barulho. Mein Gott, como as pessoas conseguiam aguentar isso direto? Como Bill havia previsto a maioria dos paparazzi voou literalmente para cima do Josh, somente uns dois permaneceram focados em nós. Agarrei o braço dele e abaixei a cabeça até que tivéssemos conseguido passar por tudo aquilo. Viramos a esquina e finalmente estávamos livres. – Ufa!

– Ela aceitou se casar comigo. – Bill disse sorridente para o garçom que veio nos atender. Levantei minha mão esquerda, mostrando o anel para o jovem rapaz.
– O senhor é um homem de sorte. – o rapaz fez uma reverência para nós e Bill fez uma cara de “eu sei”. Ele anotou os nossos pedidos e foi para a cozinha, voltando rapidamente com os pratos já prontos, todos elaborados e a comida parecia mais uma escultura.
Bill tinha reservado uma mesa em um restaurante Francês chamado Fleur de Lys, com uma atmosfera extremamente sofisticada e aconchegante. À meia luz havia lindos quadros pendurados na parede acompanhados de pequenas luminárias charmosas.
– Obrigada Bill, foi tudo realmente incrível. – falei, com a mão no estômago, logo após terminar a sobremesa.
– Você gostou mesmo? – fiz que sim com a cabeça, apreciando o toque dele em minha bochecha. – Então vamos? – balancei a cabeça afirmativamente de novo. Tomei o último gole de vinho e me levantei, esperando na porta até que ele pagasse a conta.
Nós entramos em um táxi e eu me enganei feio quando achei que já iria para casa.
– Dormir em casa é que você não vai.
– Bill, eu tenho que dar aula amanhã cedo... – ele fez que não, olhando e sorrindo para mim. – Como não?
– Eu liguei lá e disse que você não estava se sentindo muito bem, portanto não poderia trabalhar amanhã. – semicerrei os olhos – Vão passar ‘Barbie em O Lago Dos Cisnes’ para elas. – eu gargalhei alto, coitadinhas, elas já deviam ter visto esse filme tantas vezes que já sabiam todas as falas e todos os passos de dança decorados.
– Você não presta. – isso saiu menos convincente do que eu queria.
– Eu sei. – nos beijamos até que o motorista teve que nos interromper comunicando-nos que já havíamos chegado.
Descemos em frente ao Omni, hotel que tinha a fachada toda coberta por paralelepípedos ao estilo florentino renascentista l. Eu não conseguia nem sequer imaginar um dia que pudesse ser melhor que esse. Tudo havia sido inexplicavelmente perfeito, nem sequer alguma dor ou mal estar havia se atrevido a chegar perto de mim. E eu sentia que a noite iria ser melhor ainda.

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33 Nothing Lasts Forever em Sab Nov 24, 2012 5:41 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 28 - Livin' On A Prayer


Tom não suportava mais ver o irmão daquele jeito. Ele parecia tão feliz agora e a possibilidade de ver Bill aos pedaços se o pior acontecesse a Carol convertia seu coração em uma bola de papel amassado. Ele não suportava nem pensar na ideia. Preferia fazer como Bill, acreditar que tudo continuaria bem como está, ou até melhor. Ele só esperava não estar enganado.
– Vamos beber? – Benjamin, o cunhado pentelho do irmão de Tom voltou à sala, fazendo o convite. Bufou e sentou-se ao seu lado no sofá. – Eu preciso aliviar minha mente um pouco. – falou num tom pesaroso mostrando que estava pensando praticamente a mesma coisa que Tom. Só que no caso de Benjamin, as coisas pioravam um pouco. Ele não suportava a ideia de que nada de mal pudesse acontecer à irmã. E ele já se odiava por não poder fazer nada para evitar isso. Ela definitivamente não merecia.
O de rastas negras acenou afirmativamente e seguiu o garoto mais baixo que ele de cabelos também negros e um pouco espetados e olhos que lembravam-lhe vagamente a cunhada. Eles entraram no Hummer calados, e seguiram até o carro parar do mesmo modo. Desceram em frente ao que Tom pensou ser uma boate, mas que na verdade era o refúgio que Benjamin tinha encontrado quando perdia as forças.
Tom reparou nas cerejas fluorescentes do letreiro do local, as mesmas que viu nos seios das garçonetes ao entrar. É claro que ele não podia deixar de reparar, mas não deu muita atenção para isso, não estava bem para flertes hoje. Benjamin seguiu para a mesa habitual, cumprimentando as garçonetes e barmen que já o conheciam. Mal acabaram de se sentar e o Ford disse que precisava ir ao banheiro, mas na verdade ele tinha ido atrás de uma diversão mais forte e menos casta. Uma simples bebedeira não seria suficiente hoje. Ver a irmã tão feliz hoje fez Benji se sentir tão mal... as coisas podiam mudar drasticamente em tão pouco tempo, e ele não estava preparado para isso.
A mesma coisa se passava pela cabeça do Kaulitz. Enquanto os outros ficaram alegres pelo casal estar alegre, os dois estavam com o sentimento contrário. Ele ficou rodando o enfeite da mesa pelos polegares sem ânimo para nada.
– O senhor deseja alguma coisa? – Tom ouviu uma voz feminina e ao erguer a cabeça seus olhos pararam nas cerejas nos seios fartos da garota, mas logo voltaram à mesa. A garota repetiu, no tom mais doce que conseguiu. “Clientes preferenciais tem de ser tratados com toda a delicadeza necessária.” Ela se lembrou das palavras da instrutora no primeiro dia de trabalho. “Políticos, milionários e famosos.” Ele devia ser famoso, ela se lembrava do rosto dele de algum lugar. Provavelmente um rapper que ela havia visto na MTV. – O senhor deseja alguma coisa?
– Sabe o que eu desejo? – Tom disse bruscamente, encarando-a. – Ter o poder da cura. Assim eu poderia livrar o meu irmão de todos os problemas que ele está passando. – ela arregalou os olhos. Não pelo fato de ele estar desabafando, ela já estava acostumada a isso, mas sim pelo que ele disse. Essa ela nunca tinha ouvido. – Desculpa. – ele abaixou a cabeça, tentando se controlar um pouco.
– Tudo bem, – ela sorriu largamente quando ele voltou-se para ela. – garçonetes e taxistas são ótimos psicólogos. – ela gargalhou levemente e ele sorriu também, deixando-se contagiar. Ela fez um sinal para uma companheira de trabalho, mostrando que ela ia ter que ficar por ali agora e fez outro sinal para que o barman trouxesse um cowboy para o moço. Assim que pegou a bebida ela se sentou ao lado dele. – Seu irmão está doente?
Ele fez que não com a cabeça, olhando para o copo em suas mãos.
– Minha cunhada está. – ele fez uma careta involuntariamente, ao tentar proferir as próximas palavras. – Ela está... muito mal. E provavelmente ainda vai piorar.
A garçonete ficou sem palavras e sem ação. O que ela poderia dizer? Apenas passou a mão no braço dele e apertou sua mão. Ele levantou a cabeça, sorrindo em sinal de agradecimento. Ela sorriu de volta.
– Eu queria poder fazer alguma coisa. – Tom disse suspirando. – Alguma sugestão?
Ela prendeu um pouco a respiração sem saber o que dizer. Tirou sua mão sobre a dele, e a esfregou nervosamente.
– Estude medicina, vire um médico e descubra a cura do problema dela? – ele arregalou os olhos, com um sorriso se formando na boca. – Não esquece, isso foi ridículo. – a garota mexeu na ponta da bota em sua coxa, tentando pensar em alguma coisa. – Já sei! – ela sorriu e ergueu o dedo indicador. – Achar o Dr. House da vida real e leva ela lá. Ele com certeza vai resolver o problema dela. – ela achou essa opção realmente boa, mas ao olhar para a cara debochada dele percebeu que não era tão bom assim. Esses médicos nem devem existir de verdade. – Foi horrível também. A cada sugestão aumenta a decadência. É melhor você nem prestar atenção em nada do que eu digo.
– Não, continua. – ele estava se divertindo com aquilo, e a garçonete estava fazendo um bem grande para ele, mesmo que ela não percebesse isso.
– Sabe de uma? Acho melhor você beber o máximo que puder, quem sabe num estado de quase coma alcoólico você consiga pensar em alguma coisa. – ele fez que sim com a cabeça. – É, acho que essa foi a melhor coisa que eu falei até agora.
Durante o resto da noite – e da madrugada – ela trazia bebidas para ele e conversava um pouco. Até o momento em que ela achou que ele já estava começando a passar da conta.
– Acho que agora já está bom né?
– Não, agora que está começando a ficar bom. – Tom reclamou, enrolando um pouco a língua.
– Sério, você deveria parar por aqui. – ela olhou séria para ele. – Você vai piorar as coisas para o seu irmão se deixar alguma coisa acontecer a você.
Isso o deixou subitamente sério, nisso ela tinha razão. Tom olhou a sua volta, procurando por Benjamin.
– Ele já foi. Há muito tempo. – os dois deram um sorriso sacana ao mesmo tempo. Não era nada difícil de imaginar o que ele tinha ido fazer. Se fosse em outro dia, Tom certamente estaria fazendo a mesma coisa. Mas estranhamente hoje ele não tinha a mínima vontade.
O rapaz levantou, procurando pelas chaves do carro. E então se lembrou de que tinha vindo de carona. Ele apenas olhou para ela e ela sorriu.
– Eu tomei a liberdade de chamar um táxi para você. Ele já está lá fora.
– Obrigado. – deu um curto sorriso e se levantou para ir embora. Deu apenas alguns passos e olhou para trás, vendo que ela ainda estava parada na mesa. – Qual o seu nome?
– Gina, - ela deu mais um dos enormes sorrisos. – como na música.
– Gina... – ele tentou descobrir de que música, mas não conseguiu. E também não perguntou, preferiu deixar a garota em paz.
– E o seu?
– Tom. – ele não conseguiu não mexer em seu piercing com a língua. Era tão costumeiro ele fazer isso ao dizer seu nome, ao dizer seu nome daquele jeito que fazia as garotas derreterem. E não foi diferente com Gina.
– Como na música. – ela sorriu e ele estreitou os olhos sem entender essa parte mais uma vez.
– Bom, tchau. E mais uma vez, obrigado. – a viu sorrir mais uma vez e saiu definitivamente.
– Tchau Tommy. – Gina sussurrou para si mesma e voltou ao trabalho.
Tom saiu de lá se sentindo bem melhor do que tinha chegado, sem nenhum motivo aparente.

Livin’ On A Prayer – Bon Jovi
Era uma vez
Não muito tempo atrás
Tommy trabalhava no cais
O sindicato está em greve
Ele está dependendo da sorte é duro, tão duro
Gina trabalha na lanchonete o dia inteiro
Trabalhando pelo seu homem, ela leva para casa seu pagamento
Por amor
Ela diz: Temos que nos segurar ao que temos
Não faz diferença
Se conseguiremos ou não
Temos um ao outro e isto é bastante
Por amor, nós tentaremos
Estamos no meio do caminho
Vivendo de oração
Pegue minha mão, conseguiremos - eu juro
Vivendo de oração
Tommy penhorou seu violão
Agora ele está se segurando no que ele costumava fazer
E diz que é duro, tão duro
Gina sonha em fugir
Quando ela chora toda noite
Tommy sussurra: Querida, está tudo bem
Temos que nos segurar ao que temos
Não faz diferença
Se conseguiremos ou não
Temos um ao outro e isto é bastante
Por amor, nós tentaremos
Estamos no meio do caminho
Vivendo de oração
Pegue minha mão, conseguiremos - eu juro
Vivendo de oração
Temos que aguentar, prontos ou não
Você vive pela luta quando é tudo que você tem

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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34 Nothing Lasts Forever em Sab Nov 24, 2012 7:07 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 29 - Afundando


Anberlin - The Unwinding Cable Car

Não parava de olhar o meu anel enquanto me lembrava da noite anterior. Mais precisamente do final da noite anterior. Um lindo quarto de hotel, o namorado perfeito, champanhe e morangos cobertos por chocolate. O que aconteceu depois não carece de mais detalhes.
O único raio de sol que atravessava a cortina refletiu nos diamantes que rodeavam o anel, e eu o movimentei de uma forma que ele atingisse o olho do Bill, que estava deitado sob a minha barriga. Ele resmungou, e enfiou o rosto mais na minha barriga. Ele ia dormir de novo.
– Bill...
– ‘Tô com sono. – ele resmungou de uma maneira quase ininteligível.
Desisti de tentar acordá-lo e coloquei um travesseiro sob a minha cabeça para ver se eu conseguia dormir mais um pouco também.
Acordei com o mesmo raio de sol penetrando no meu olho. Abri os olhos devagar e vi Bill apoiado no cotovelo, observando-me atentamente.
Hallo Meine Schatzen. – deu um beijo estalado na minha testa. Sentei-me e repentinamente a expressão dele ficou tensa. Algo devia estar errado, comigo. Passei as mãos pelo meu rosto, que era para onde ele estava olhando, e embaixo no nariz tinha um líquido quente. De início me assustei e quase saí correndo pensando que eu estava com catarro escorrendo do nariz, mas ao observar meus dedos os vi vermelhos e logo comecei a sentir o cheiro de sangue.
– Não é nada, Bill. É só... – levantei e puxei o lençol me enrolando nele. – É por causa do frio.
– Frio? – ele se sentou, olhando-me incredulamente. Desculpa fajuta a minha, nem frio estava.
– É, frio do ar condicionado. – fui indo na direção do banheiro para lavar o meu nariz.
– O ar condicionado nem sequer está ligado! – ele me seguiu até o banheiro, falando com a voz mais firme e calma. – Se troca que eu vou te levar ao médico.
– Não... – terminei de limpar o nariz e me virei para ele. – Meu nariz só está sangrando, eu não preciso ir ao médico.
– Mas isso pode ser alguma coisa séria, alguma complicação. – ele me olhava realmente sério. – Isso nunca aconteceu antes, – passei por ele indo para o quarto, com a cabeça baixa. – você não sabe o que pode ser.
– Não. – me sentei na cama de frente para ele. – Isso já aconteceu antes. – disse como quem confessa um crime e pela reação dele, era o que isto parecia.
– Quando? – droga, por que ele tinha que perguntar isso? Eu pensei em mentir, inventar qualquer coisa, mas ele descobriria de qualquer maneira. Eu tenho plena consciência de que não consigo esconder as coisas dele muito bem. Eu precisava treinar muito isso para ter algum sucesso nas próximas vezes.
– Ah não lembro... um dia qualquer.
– Quando? – cruzou os braços e arqueou a sobrancelha direita.
– Por que isso é tão importante? Que diferença faz saber o dia que isso aconteceu?
Bill encolheu os ombros. – Eu só quero saber.
Bufei, me jogando para trás na cama. – Aquele dia no estúdio.
– E por que você não me contou? – falou realmente alterado. Eu fechei os meus olhos, temendo que qualquer objeto pudesse ser atirado em minha direção.
– E por que eu contaria?
– Por que aí eu poderia fazer alguma coisa. – senti o colchão abaixando do meu lado, onde ele havia se sentado. – Poderia te levar para casa, para o hospital. – Escutei sua respiração algumas vezes, ficando mais lenta aos poucos. E então ele falou mais calmo. – Você não está levando isso a sério, Carol.
O pesar que eu senti na voz dele fez meu coração parar de bater por uns instantes. Sentei-me e abri os olhos, Bill encarava suas mãos tristemente.
– Eu estou, Bill. – segurei o rosto dele entre as minhas mãos fazendo com que ele voltasse a me olhar. – Eu estou. – me abraçou e colocou sua cabeça na curva do meu pescoço. – Não se preocupe com isso, okay? Eu já sei que não é nada. – ele movimentou sua cabeça afirmativamente ainda no meu ombro enquanto eu acariciava seus cabelos. Nós realmente não tínhamos motivos para nos preocupar com isso. Era um sintoma da doença, apenas isso.
Ficamos por longos minutos assim, até que Bill se sentisse bem novamente. Ele se sentou e nos movimentou de forma que eu ficasse no seu colo. Observou fixamente o anel que havia me dado em meu dedo.
– Você sabe há quanto tempo eu planejava te dar isto?
Fiz que não com a cabeça. Mas eu suspeitava que fosse depois de ele ter descoberto que iria ser pai. Sei lá, isso exige mais responsabilidade.
– Eu estava com ele no bolso para te dar no lugar disto. – pegou a bailarina no meu pescoço entre os dedos. Arregalei meus olhos e deixei meu queixo cair um pouco. Eu não fazia ideia de que ele já queria isso há tanto tempo. – Mas eu não tive coragem.
– Ainda bem que não fez. – sussurrei fracamente, me lembrando da sequencia dos fatos após tal dia. – Teria tornado tudo mais difícil.
– Ou talvez você não tivesse feito aquilo. – Bill disse mostrando que sabia exatamente do que eu estava falando.
Balancei a cabeça negativamente novamente.
– Eu iria fazer de qualquer maneira. – dei de ombros. – A única diferença é que iria ficar mais difícil. Nada me faria mudar de ideia. Aquele era o meu plano desde sempre. Cortar relações e evaporar. Mas aí tudo deu errado.
– Que bom que tudo deu errado. – Bill deu um sorrisinho torto. Sorri de um jeito que provavelmente mais parecia uma careta. Nossos olhares se conectaram por um longo tempo, em uma daquelas transmissões mudas de pensamento. Aquilo estava ficando tão intenso que meu coração começou a acelerar e bombear o sangue fortemente e as minhas mãos já estavam trêmulas e suadas. Eu me perguntava se algum dia isso iria parar, todo este torpor somente por um olhar. Nossas bocas se colaram e os choques costumeiros percorreram cada extremidade nervosa do meu corpo fazendo com que cada pequeno pedaço de pele tocada pela também fria, suada e trêmula mão de Bill se arrepiasse.
Tudo estaria bem bonito se não fosse o meu estômago roncar e estragar tudo.
Bill riu de mim.
– Você está com fome?
– Não, imagina. – ironizei revirando os olhos, já sentindo as bochechas quentes de vergonha.
– Okay, vou pedir o café. – se esticou na cama até alcançar o telefone, se mexendo tanto que quase me derrubou de seu colo.
– Que horas são? – perguntei enquanto ele discava. Ele olhou no celular e levantou três dedos enquanto falava com a recepcionista no telefone.
– Ela disse que vai demorar um pouco. – Bill fez uma caretinha triste e passou o polegar na minha bochecha.
– Tudo bem, é bom que eu emagreço. Estou precisando mesmo. – ironizei de novo. Tudo que eu não precisava era emagrecer, meu organismo já estava fazendo isso por si só, se continuasse desse jeito daqui a pouco eu iria ter um buraco no lugar da barriga. Lembrei-me do bebê e coloquei a mão na barriga sem perceber que sorria abertamente.
– O que foi? O bebê chutou? – Bill perguntou todo feliz, com cara de criança quando ganha brinquedo novo e as mãos espalmadas no meu abdômen.
– Ele nem tem perna ainda. Como vai chutar? – ele fez beicinho e tirou as mãos dali. – Você já planejou algo sobre a data do nosso casamento? – até arregalei os olhos quando disse isso. Soava tão estranho para mim dizer tal coisa, me sentia uma extraterrestre falando do meu próprio casamento.
– Não, mas não vai demorar muito, pode ter certeza. – meu noivo falou empolgado sem nem ao menos reparar na minha cara de espanto. – Por quê? – só agora me encarou, fazendo-me parar de encará-lo com vergonha do que iria dizer. Eu ainda tinha um pouco de 'constrangimento' ao dizer essas coisas, só um pouco e somente ao dizer.
Dei de ombros. – Eu só acho que nós deveríamos aproveitar, por que essa vai ser a última oportunidade que nós teremos de... você sabe.
– O quê? – ele perguntou alto demais, se esquecendo de que estava com a boca ao lado do meu ouvido. – Por quê?
– Qual o objetivo do casamento? – perguntei, mas ele não respondeu. – Poder transar. Se as pessoas já transam a todo o momento antes de casar, qual a lógica? Qual vai ser a graça da nossa lua de mel?
Ele olhou para a parede meio emburrado, mas não respondeu. Acho que mais por falta de argumentos do que por vontade.
– Não gostei. – reclamou com a voz dura.
– E mesmo assim vai ficar aí perdendo tempo?
(...)

– Satisfeita? – Fiz que sim com a cabeça e me encostei para trás na cabeceira da cama com as mãos sobre a barriga. Típico de quem acabou de comer muito mais do que o necessário. – Também...
– Também o quê? – estreitei meus olhos para ele e coloquei as mãos na cintura. – Eu estou comendo por dois, tá.
– Eu prefiro que você acabe com toda a comida e não deixe nada para mim do que ficar sem comer. – ele tentou se manter sério, mas logo começou a gargalhar fazendo-me perder a máscara irritada que eu tinha feito.
– Vamos?
– Já? – Bill resmungou.
– Eu tenho a leve impressão que tinha alguma coisa para fazer hoje. – falei olhando pra cima, batendo o dedo indicador na bochecha. – Mas não lembro o quê... – meu coração se apertou só de eu pensar na possibilidade de já estar perdendo a memória.
– Então vamos.
Esperei que Bill pagasse a conta, já que ele não tinha permitido que eu o fizesse, no lobby decorado com mármore italiano, tecidos ricos e lustres de cristal austríaco. Fomos até a rua e eu descobri que íamos para casa de bonde. Era tão divertido ir até o alto das colinas, principalmente no quarteirão da Lombard Street, entre as ruas Hyde e Leavenworth, é uma longa curva em ziguezague, na descida da colina, que virou atração turística.
Quando nós chegamos à minha casa ainda estávamos rindo do quase tombo que Bill tinha levado em uma curva. Mal eu entrei e já fui lembrada do que eu havia me esquecido.
– Por acaso perdeu a memória menina? – meu pai perguntou nem me permitindo entrar em casa direito. “Talvez” eu respondi para mim mesma, torcendo para que isso só tivesse sido um esquecimento cotidiano. Ele ficou me observando esperando que eu lembrasse, mas eu realmente não conseguia. – A ultrassom. – Mr. Ford disse como se fosse a coisa mais óbvia, e realmente era. Eu me lembrei.
– É isso! – disse empolgada por ter conseguido lembrar, porém meu pai não estava no mesmo sentimento que eu e continuava me fitando embravecido. – Eu estou muito atrasada?
– Se você considerar mais de uma hora muito, é, você está.
– Okay. – disse ficando um pouco ansiosa, eu ia ver meu bebê! – Vamos então. – virei-me e Bill também estava sorrindo bastante e eu podia ver seus olhos brilhando, saímos e eu senti falta dos sons dos passos do meu pai. Olhei para trás e vi meu pai ainda parado no mesmo lugar, só que agora ele sorria, ao invés da cara emburrada de antes. – Você não vem?
– Não, – entortou o sorriso, deixando-o um pouco triste. – esse momento é de vocês.
Eu só consegui correr e ir abraçar meu pai.
– Vai logo. – me afastou dele e deu um beijo em minha testa.
Bill já estava me esperando no carro e assim que eu entrei ele deu a partida. Ficamos calados o caminho todo. Estávamos ansiosos demais para ainda conseguir conversar. O que me deixava mais feliz é que Bill estava feliz, eu não sei como eu conseguiria lidar com isso se fosse de outra forma, se Bill não estivesse contente por ser pai.
Tudo bem que com quase doze semanas de gestação eu não iria conseguir ver ele completamente formado, mas alguma coisa eu já iria conseguir. Quem sabe já ouvir o coração, será que isso já era possível?
– Chegamos.
– Pensei que não iria vir mais. – Dra. Jane olhou por cima dos óculos assim que adentrei em seu consultório.
– Foi mal. – pigarreei, revendo o que eu tinha falado. – Desculpa. – dei um sorriso amarelo.
– Ainda dá pra fazer? – Bill perguntou visivelmente ansioso. A médica fez que sim com a cabeça e nós dois suspiramos ao mesmo tempo fazendo com que ela risse debochadamente.
– Pode ir ali se trocar. – ela me indicou uma portinha a sua direita.
Eu entrei no cubículo e tirei as minhas roupas para colocar aquela bata ridícula. Pelo menos ela não deixava minha bunda toda a mostra como aqueles aventais de hospital. Os dois lá fora estavam em algum papo bem animado e Bill parecia estar bem mais calmo quando eu saí.
– Você está muito sexy. – ele disse e tudo o que eu fiz foi aumentar a minha cara de tédio.
Dra. Jane parecia estar impaciente com tudo aquilo e já estava sentada no banquinho ao lado daquela cama igual a de dentista. Eu me sentei logo lá, já tinha a feito esperar muito tempo. Ela pegou aquele aparelho que se parecia um pouco com um taco de golfe e foi me dizendo como iria ser o exame.
– Isso não vai machucar ela? – Bill perguntou, mostrando com quem que ele estava preocupado.
– Isso não vai machucar o bebê? – perguntei, mostrando com quem eu estava preocupada.
– Não e não. – ela riu mais uma vez. Isso já estava me incomodando, ela iria ficar rindo de mim toda hora agora?
Eu gostei menos ainda quando ela começou a enfiar aquele troço dentro de mim. Olhei para Bill num misto de nojo e desconforto. Ele só deu um sorriso torto, com os olhos meio arregalados.
– O feto está numa posição ótima, acho que já podemos ver o sexo. – Dra. Jane disse com uma voz muito empolgada seguida de um gritinho de felicidade de Bill, que se aproximou mais de mim e pegou a minha mão.
Meu coração começou a acelerar desesperadamente, não de alegria ou ansiedade, mas sim de pavor.
– Como assim ver o sexo? Existe a possibilidade de ser uma menina? – as últimas palavras que eu disse soaram menos terríveis do que pareciam para mim.
– Não só pode, como é.
Foi nessa hora que eu senti todo o meu corpo tremer loucamente, meus membros se flexionarem involuntariamente, minha visão ficar turva e aos poucos perder toda a cor, me deixando caindo num buraco escuro sem fim.

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35 Nothing Lasts Forever em Dom Nov 25, 2012 5:55 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 30 - Ainda Resta Uma Esperança


Never Gonna Be Alone - Nickelback

Meus sentidos começaram a voltar e eu ainda via as coisas tremendo um pouco. Eu não sabia onde eu estava e não entendia ainda o que havia acontecido. Só havia uma frase, que insistia em ficar martelando na minha cabeça. “É uma menina.” Mas isso não significava nada para mim. Eu tentava lembrar-me de algum acontecimento recente, porém nada fazia sentido.
– Você já está bem agora, querida. – ouvi a voz da Dra. Jane e pouco depois seu rosto entrou em meu campo de visão. – Você teve uma convulsão. – ela falou em um tom calmo tentando me explicar as coisas. – Se acalme mais um pouco e então vai voltar ao normal. – ela sorriu e eu respirei fundo, tentando fazer o que ela dissera.
E então tudo fez sentido. “É uma menina.” A voz na minha cabeça soou claramente para mim. Consegui me lembrar de tudo e o desespero veio à tona novamente.
– Eu quero o meu pai! – praticamente gritei e por mais que parecesse uma birra infantil não era nada disso. Só ele poderia entender o que se passava ali, só ele conseguiria compreender o quão cruel esta situação poderia ser.
– Ele já está vindo. – ouvi uma voz conhecida sussurrar ao lado do meu ouvido, isso me acalmou instantaneamente, mas ao olhar para o rosto de Bill senti tudo desmoronar novamente. Ele com certeza tinha chorado - sua (ex)maquiagem borrada denunciava isso - e estava com os olhos totalmente arregalados num misto de espanto e desespero. Não sei dizer se era pelo que havia acontecido comigo ou se ele já havia entendido tudo.
Uma enfermeira se aproximou de mim e preparou uma seringa com algum medicamento, porém antes que ela pudesse fazer alguma coisa meu pai apareceu e quase a atirou longe. Atirei-me nos braços dele e comecei a chorar compulsivamente.
– É uma menina. Você sabe o que vai acontecer não sabe? Tudo vai se repetir, tudo.
– Não vai, não vai... Fique calma mon chéri. – ele me abraçou, acariciando meus cabelos. – Nada vai se repetir, confie mim. – tudo que ele dizia era tão utópico, mas mesmo assim me fez ficar um pouco mais relaxada. Isto me lembrava perfeitamente todas as noites que eu tinha pesadelos após a morte da minha mãe. Todas elas acabavam do mesmo modo que este momento.
A enfermeira agora tinha conseguido ter acesso ao meu braço e aplicou lentamente o remédio.
– Durma um pouco e não se preocupe com nada, entendeu? – meu pai sorriu para mim, acariciando o meu rosto e pouco a pouco senti meu corpo ser dominado por uma dormência e sem demoras, eu apaguei.

“O que foi meu anjo? – minha mãe perguntou olhando para a minha cara emburrada assim que eu entrei no quarto. – Foram os seus irmãos de novo?
– Eu odeio aqueles guris. – falei cruzando os braços na frente do peito e fazendo um bico maior ainda. Ela deu palmadinhas ao seu lado na cama de hospital para que eu me sentasse lá.
– Eles ainda são uns bobos. – ela gargalhou um pouco a me ver concordando veementemente com ela. – Mas podes acreditar em mim, tu ainda vais amar tanto eles... – fiz uma careta de nojo, da qual ela riu mais ainda. – Acredite em mim.
– Por favor, mãe, me abstenha dessas tuas previsões. – não soei tão adulta quanto queria parecer ao dizer isso. Tentei segurar minha máscara de braveza enquanto Júlia sorria abertamente. De uma hora para outra ela mudou completamente de expressão, ficando séria e ligeiramente triste, o que me preocupou bastante.
– O que foi mãe? – segurei a mão que estava livre do soro. Ela me olhou séria e entortou a boca num sorriso triste.
– Eu preciso que tu entendas uma coisa. – passou a mão nos meus cabelos e puxou-me para mais perto dela. – Sabe aquele probleminha que deu no teu ouvido? – olhou-me fundo em meus olhos e esperou que eu confirmasse com a cabeça. – Provavelmente daqui a alguns anos, vai acontecer uma coisa não muito legal parecida com aquele problema. – os olhos dela começaram a ficar cheios d’água. – E eu preciso que tu sejas muito forte. Promete pra mim que vai ser?”


Comecei a acordar me sentindo totalmente revigorada. Aquela memória tão vívida me fez relembrar da promessa que eu fiz. E ficar tendo acessos de nervosismo não tinha nada a ver com ser forte. Às vezes uma certeza muda tudo o que se sente. E de uma coisa eu jamais poderia duvidar, minha mãe sempre estaria comigo, e isso fazia toda a diferença.

“Você nunca vai estar sozinha
De agora em diante
Mesmo que você pense em desistir
Não vou deixá-la cair
Quando toda a esperança se for
Eu sei que você pode continuar
Vamos ver o mundo sozinhos
Vou te abraçar até a dor passar
Eu estarei lá de qualquer forma
Não vou desperdiçar mais nenhum dia
Eu estarei lá de qualquer forma
Não vou desperdiçar mais nenhum dia”

Antes que eu terminasse de acordar completamente ouvi alguém conversando. Apenas tentei abrir os olhos sem me mexer e sem fazer nenhum barulho para não atrapalhar a conversa de quem estivesse ali. Quando eu percebi do que se tratava fiquei totalmente petrificada e senti meu coração ser derretido. Bill estava sentado ao meu lado na cama e debruçado sobre o meu abdômen falava com a minha barriga.
–... eu sei que vai ser difícil, mas você pode contar comigo. Eu – ele pigarreou e sorriu um pouco – o papai, promete que vai dar tudo certo, princesa. Pode confiar em mim.
No mesmo momento meus olhos se encharcaram e eu não pude mais fingir que estava dormindo. Sorri alto e levei minhas mãos até os olhos para tentar secá-los. Eu não chorava por dor ou por pensar que logo mais eu não poderia ver nada disso, chorava simplesmente por que essa era a cena mais linda que eu já havia presenciado na minha vida, sem exageros.
Bill se remexeu um pouco na cama e sorriu já ficando com o rosto todo vermelho.
– Eu estava só... dizem que faz bem conversar com o bebê. – deu um sorriso envergonhado que me fez derreter mais ainda, se isso fosse possível. – Você está bem?
Balancei a cabeça afirmativamente não conseguindo conter o sorriso enorme que começou a se estampar no meu rosto. Estiquei os braços na direção nele, esperando que viesse até mim para poder abraça-lo. Essa era a única coisa que eu desejava fazer neste momento.
– Eu te amo. – sussurrei no ouvido dele sentindo o coração dele bater mais forte assim como o meu.
Ouvi umas batidas na porta e mesmo assim não tive vontade de me soltar do meu noivo. Logo após veio um pigarro e nós fomos obrigados a nos afastar. Bill voltou a ficar vermelho e provavelmente desta vez eu fiquei também. Dra. Jane e Dr. Carlton estavam parados na porta do quarto, mas antes que eu pudesse falar que eles poderiam entrar a médica se adiantou e foi entrando sorridente.
– A senhorita já está se sentindo bem agora?
– Sim, já estou bem melhor.
– Você vai ter que começar a tomar outro remédio agora. – Dr. Carlton disse e sorriu tristemente ao me ver revirar os olhos. – Para conter os espasmos do cérebro e evitar mais convulsões. – passou a mão nos meus cabelos – E você tem que ficar mais calma. – falou a última frase num tom de reprovação tentando parecer bravo.
– Isso é verdade. – Jane concordou com o médico, e colocou a mão sobre a minha barriga. – É importante para o bebê que você fique calma.
– E para você também. – o Doutor afirmou fortemente para mim e olhou desafiadoramente para a Doutora. Estava bem claro ali que Jane era da mesma opinião que eu - salve o bebê! - e que Carlton era da mesma opinião que Bill - salve a garota! – Você já quer aproveitar e fazer a quimioterapia agora para não ter que voltar mais tarde?
Olhei para Bill esperando que ele confirmasse e só depois que ele disse que sim eu falei.
– Pode ser. – espera aí, foi isso mesmo? Eu esperei ele dizer se eu poderia ficar? Gott... eu estava perdida mesmo... – Jane, não tem problema nenhum para a bebê eu fazer quimioterapia?
– Você deveria perguntar se não tem problema nenhum você ficar sem radioterapia. – Bill disse me olhando de um jeito reprovador e logo depois a troca de olhares entre ele e Dr. Carlton me revelou que era sobre isso que eles conversaram aquele dia.
– Olha, isso não é necessário. – a médica disse calmamente em um tom doce que só ela conseguia ter num momento desses. – enquanto nós pudermos cuidar de você e da bebê ao mesmo tempo, nós vamos cuidar. Não se aborreçam com isso. Sofrer antecipadamente é burrice.
Carlton me deu mais algumas recomendações e Jane me deu o resultado do ultrassom e disse que estava tudo perfeitamente normal com a minha garotinha apesar de a minha barriga ainda ser tão pequena; e saíram da sala. Logo após a enfermeira morena e baixinha que sempre me dava as drogas entrou e ficou olhando estranhamente para o meu cabelo.
– O que foi, ele já está começando a cair? – me assustei pegando nos fios de cabelo do topo da minha cabeça.
– Não. – Lola franziu o cenho mais ainda. – E acho que nem vai... depois de todo esse tempo ainda não caiu.
– O da minha mãe não caiu. – disse e dei de ombros. – Tomara que o meu seja assim também.
– Eu já disse – Bill se pronunciou – você deve ficar linda até careca.
Revirei meus olhos, mas não conseguindo não sorrir ao vê-lo sorrir tão lindamente. Ouvi a enfermeira Lola murmurar um “own” olhando para nós dois.
– Você poderia fazer isso logo, por favor? – tive que dizer já que ela pareceu ter se esquecido do que havia ido fazer ali.
– Sim, sim. Desculpe. – e logo tratou de injetar aquele líquido quente nas minhas veias.

– Acho que a minha barriga já está maior não é? – levantei a blusa e mostrei a barriga para Bill assim que entramos no carro.
– É... – sorriu sem graça após examiná-la. – acho que não. – isso destruiu a minha empolgação. Mas de qualquer maneira tudo estava normal. Suspirei fundo e abaixei a blusa.
– Temos que escolher um nome para ela.
– Não, eu já sei qual vai ser. – me virei e o meu noivo sorria prepotente observando a estrada.
– Ah é, e qual vai ser? – me sentei de lado no banco esperando 'ansiosamente' pela resposta.
– Julie. – sorriu, mas desta vez sem prepotência alguma, apenas um sorriso de fofidão extrema. – É meio que o nome da sua mãe, então...
– Julie. – repeti para mim mesma acariciando a minha barriga. – Julie. – dessa vez disse com total convicção de que este seria o nome da minha filha.
Apesar de tudo parecer perdido, ainda havia uma chance de que tudo ficasse bem.

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36 Nothing Lasts Forever em Dom Nov 25, 2012 6:26 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 31 - Acontecimentos (extra)Ordinários


Tom não estava se sentindo mal hoje, afinal as coisas não pareciam estar tão mal assim. Seu irmão e a cunhada tinham ido fazer ultrassom para descobrir o sexo do bebê e eles estavam verdadeiramente felizes, e consequentemente ele estava da mesma forma, feliz. Ele não sabia que era tão altruísta até toda essa história começar, não tinha nada de egoísmo no modo como ele encarava as coisas agora. Ainda assim ele se sentia sozinho naquela casa, o tal de Jared brincava com o Júnior enquanto assistiam a um desenho que Tom não suportava mais; Mr. William estava pendurado no telefone, ele é um daqueles caras que saem do trabalho, mas o trabalho não sai deles; e Benjamin infelizmente estava trabalhando, um trabalho nada ruim: ficar deslizando em cima do skate de um lado para o outro.
– Eu vou dar uma volta. – Jared limitou-se apenas a olhá-lo e balançar a cabeça afirmativamente enquanto o de tranças levantava. Chamou um táxi já que eles haviam vindo para cá no carro de Bill e ele o estava usando neste momento e sem pensar muito pediu que o taxista o levasse na mesma boate que Benji o tinha levado noite passada.
As cerejas do letreiro pareciam mais coloridas hoje, assim como as dos seios das garçonetes. Não que elas estivessem exatamente mais coloridas hoje, o fato é que Tom reparou com bem mais... volúpia dessa vez. Dirigiu-se até a mesa vazia que encontrou. Uma das garçonetes estava terminando de limpá-la, ela cantarolava baixinho e não percebeu quando Tom parou atrás dela.

“Tommy got his six string in hock
Now he's holding in what he used
To make it talk - so tough, it's tough
Gina dreams of running away
When she cries in the night”

Tommy e Gina, ele já tinha ouvido essa relação de nomes em algum lugar. Ele deu de ombros e levantou a mão para cutuca-la, porém decidiu esperar para ouvi-la cantar mais um pouco.

Tommy whispers: Baby it's okay, someday
We've got to hold on to what we've got
'Cause it doesn't make a difference
If we make it or not
We've got each other and that's a lot
For love - we'll give it a shot

Ela parou de cantar e quando se virou quase caiu de susto ao ver Tom parado tão perto, observando-a atentamente.
– Oi. – ele disse passando a língua sobre o piercing. Olhou para o primeiro lugar que se olha em uma mulher. Isso mesmo, os seios, e incrivelmente o que mais lhe chamou atenção foi a plaquinha ao lado do broche de cerejinha, havia o nome ‘Gina’ escrito nele. – Gina... – levantou os olhos para poder encará-la. Suas bochechas estavam da cor do broche e ela sorria acanhadamente. Com a mão um pouco trêmula a garota tirou a franja loira desfiada da testa e colocou atrás da orelha, revelando os enormes e brilhantes olhos castanhos esverdeados. Gina... o nome não lhe era estranho, mas a feição sim.
– Oi Tom. – Gina disse com a voz um pouco esganiçada pela vergonha. Seu coração pulou algumas batidas quando ele disse o seu nome, ela não esperava que Tommy se lembrasse dela. – O que vai querer hoje?
– Vodka, por favor.
– Só um instante. – Gina sorriu e saiu quase soltando um gritinho de felicidade, ela nem se deu ao trabalho de se amaldiçoar por ser tão boba assim. Quem sabe o destino pudesse finalmente ser bom com ela.
Tom observou o corpo da garçonete enquanto ela saía e se amaldiçoou completamente por não se lembrar dela.
Mais uma vez Tommy e Gina ficaram até a madrugada conversando, em grande parte sobre Bill e Carol. Tom precisava desabafar e Gina ficava fascinada ao escutar uma história real das que ela achava que só existiam nos filmes.
Quando o sol já dava sinais de que iria aparecer e o bar já estava vazio Tom se retirou e prometeu a si mesmo que iria se lembrar de Gina na próxima vez que fosse ali – sim, ele com certeza iria voltar.
Gina fechou a boate e no caminho de casa sonhou acordada, desejando que um dia algum Bill apareceria na sua vida e lhe amaria da forma mais magnífica possível.



– Tchau Tom. – disse ao vê-lo passar por mim saindo da minha casa em direção ao carro do Bill. Ele tinha grandes olheiras, devia ter se divertido bastante noite passada.
Antes que eu pudesse começar a me dirigir a minha casa me senti agarrada, e não, não era o Bill. Tom me abraçava fortemente, de um modo que estava esmagando os meus ombros, já que ele estava fazendo isso de lado. Deu um beijo na minha bochecha e eu achei isso muito fofinho e retribuiria o abraço se ele permitisse.
– Tchau Carol. – voltou a ficar sério e se encaminhou ao carro novamente. Dei um último tchauzinho ao Bill e me voltei para o caminho até minha casa.
Ouvi uma algazarra lá de dentro, e com certeza havia mais pessoas do que o costume lá dentro. Senti um sorriso surgir no meu rosto e comecei a andar mais rápido pela possibilidade de todos os meus irmãos terem voltado para casa. Parei de caminhar no mesmo instante que percebi que as vozes desconhecidas eram femininas. Minha felicidade se transformou em fúria - culpa dos hormônios alterados pela gravidez, nada relacionado a ciúmes, que fique bem claro - repentinamente. Eles provavelmente estavam dando uma festa sem mim, e colocando um bando de fêmeas no meu lugar.
Entrei esfuziante pela porta da sala e paralisei de espanto ao ver minha avó e minha tia conversando alegremente com o meu pai. Elas me olharam sorrindo, finalmente alguém me reencontraria sem ficar com dó, se bem que elas já haviam me visto depois de toda essa coisa da doença.
– Oi Senhora Elizabeth, – estendi a mão para a minha vó – oi Charlotte. – dei um abraço desajeitado na minha tia que estava mais loira e mais magra que o de costume, e menos séria, diga-se de passagem.
– Então a senhorita vai casar... – Elizabeth disse e eu me senti bem pequena perto dela. Ela não gostou nada quando soube com quem eu namorava. – Com aquele rapaz? – apenas balancei a cabeça afirmativamente já esperando o que viria a seguir: o pior sermão do mundo. – Estou feliz que você esteja feliz. – sorriu e me esticou os braços abertos. Eu arregalei meus olhos e fiquei mais assustada do que nunca. Minha vó queria que eu a abraçasse? Bom, sendo isso ou não, a abracei e incrivelmente fui correspondida.
– Então nós temos que começar a organizar tudo. – minha tia me puxou pela mão indo para a cozinha completamente empolgada. Olhei para o meu pai pedindo socorro, porém ele apenas ficou rindo de mim. Desde quando elas duas gostavam tanto assim de mim? Vamos combinar, nós nunca tivemos muito contato, e o pouco que tínhamos era para provar que eu com toda a certeza tinha puxado para a família da minha mãe. – Onde vai ser o jantar de noivado?
– Jantar de noivado? – perguntei espantada mais para mim mesma, deixando totalmente a mostra o meu nervosismo.
– Você não pensou em nada ainda não é mesmo? – perguntou de um jeito reprovador e mesmo sabendo que não era necessário que eu desse resposta nenhuma balancei minha cabeça para os lados ouvindo Charlotte resmungar.
– Deixe a menina respirar, Charlie. – Elizabeth a repreendeu e eu presenciei um momento bem tenso. Minha tia ia começar a retrucar, minha avó olhou séria para ela arqueando a sobrancelha esquerda, minha tia abaixou a cabeça. É, essa família era um caso sério. Charlotte tinha uns trinta anos - aparentava bem menos, é claro - e ainda tinha que passar por esse tipo de coisa. Pelo visto eu não conseguiria me livrar disso tão cedo também.
Assim que vovó - rum, rum - se retirou minha tia voltou o falatório. – Não se preocupe, eu vou cuidar de tudo para você. – colocou o dedo na bochecha repleta de blush, me fazendo reparar na maquiagem impecável e depois de pensar um pouco me tirou do transe estalando os dedos. – Nós temos que nos encontrar com o seu noivo. – temos? – ligue para ele e diga que nós vamos às compras amanhã em L.A.
– Okay. – disse entredentes enquanto Charlotte se retirava feliz da cozinha. Meu progenitor entrou ainda com a mesma face de deboche. – Essas mulheres da sua família são estranhas.
– Começando por você. – dei língua para ele e esperei que terminasse de beber água e se retirasse para que eu pudesse ligar para o Bill.
Ele não atendia, devia estar no trânsito ainda, então mandei uma mensagem.

“Me desculpe por isso, mas tem uma louca aqui dizendo que nós temos de fazer compras para o casamento amanhã. E ela quer que você vá também. E ela quer que seja aí. Pode ser? Desculpe.
Luv U =* ”


Subi as escadas para ir ao meu quarto. Não para dormir, mas quem sabe, descansar um pouco, ficar um pouco sozinha. Ouvi um choro fininho e contido, comecei a andar mais lentamente pelo corredor, procurando descobrir de onde vinha o som. Parei em frente à porta do banheiro ao perceber que o barulho havia aumentado. Eu já tinha ouvido esse som antes. Bati levemente na porta e a abri vagarosamente. J.J. estava sentado num cantinho abraçado as pernas e com a cabeça afundada no braço. Abaixei-me junto a ele e acariciei seu bracinho levemente fazendo com que ele diminuísse a intensidade do choro.
– O que foi bebê?
Ele balançou a cabecinha para os lados, negativamente. Sentei-me ao seu lado no chão. Eu teria que começar a aprender essas coisas, afinal, eu estava grávida. Precisava exercitar o meu lado mãe.
– Sabe, – comecei ainda sem saber direito o que falar ou fazer. – eu vou ficar aqui do seu lado, e quando você quiser, quando estiver pronto, você fala. Não precisa ser agora. – ele balançou a cabeça afirmativamente dessa vez.
Ficamos lá por um tempo indefinível, só sei que foi longo, tanto que as minhas nádegas começaram a doer. Ao menos o chorinho foi diminuindo.
– Tô com xaudade da minha mãe. – após isso o choro dele voltou com a máxima intensidade desde então. Meu coração se apertou totalmente.
Eu não fazia ideia do que poderia falar para que ele se sentisse melhor, só o peguei no colo e o abracei com força.
– J.J. vai ficar tudo bem... – ele se agarrou ao meu pescoço e continuou chorando. – Já sei, vamos comer chocolate! Chocolate cura tudo. – ele fez que não. – Tem certeza? Nem se for um bolo de chocolate? – ele fez que não, mas um não fraco, como se estivesse quase desistindo. – E se for um sorvete de chocolate, cheio de jujubas e balinhas bem grande? – falei parecendo uma criança, mas finalmente ele me olhou e fez que sim.
Fomos a pé até uma sorveteria, eu tive que carregar ele no colo por que ele ainda estava choroso, mas não achei nada ruim ter de fazer isso, estava me apegando muito a ele.
Na metade do sorvete ele já se esqueceu do que estava sentindo, mas eu prometi para mim mesma que ia dar um jeito para ele não se sentir mais assim. Chocolate curava tudo mesmo, só me dava uma dor de cabeça dos diabos. Voltamos e dessa vez o meu sobrinho saiu pulando por todo o caminho. Levei-o para o quarto do Jared, que não estava ali, praguejei ele mil vezes por isso. Sabe-se lá onde ele e o Benjamin estavam metidos hoje. Senti uma falta repentina deles, já fazia alguns dias que eu não tinha um tempo verdadeiramente a sós com eles. Bom, eu ia casar, era normal que eu passasse mais tempo com o meu futuro marido, não?
Esperei que o pequeno dormisse e então tomei meus remédios e fui dormir.
– Acorda Bela Adormecida... Hoje é dia de compras! – coloquei o travesseiro sobre a cabeça, tentando tapar os ouvidos enquanto minha tia gritava da porta. Como se isso fosse impedi-la.
– Oi. – disse sem graça quando Tom veio nos receber. Recebi um cutucão nas costas e apontei para trás mostrando minha tia. – Charlotte, Tom. Tom, Charlotte.
– Pode me chamar de Charlie. – ela estendeu a mão e recebeu um olhar bem indiscreto do Tom, que estava com aquela língua roçando sobre seu maldito piercing.
– Eu posso te chamar de Charlie também? – perguntei a ela recebendo um olhar reprovador.
– De Charlie sim, mas de Tia Charlie jamais. Não quero que ninguém ache que eu tenho idade suficiente para ser sua tia. – Tom esticou o braço mostrando o caminho para que ela entrasse, e ela o fez, passando por nós ajeitando a gola do seu blazer.
– Ela é muito bonita para ser sua tia. – Tom sussurrou em meu ouvido com um sorriso zombeteiro. Dei o dedo do meio para ele recebendo um abraço logo em seguida. É, ele me amava, do jeito dele.
– Onde está o Bill? – perguntei ao notar que ele não estava na sala para qual estávamos nos dirigindo.
– Tendo uma crise de abstinência.
Arqueei a sobrancelha, olhando-o estranhamente. – De quê? – Tom levou dois dedos à boca e em seguida assoprou. – Ele parou de fumar? – minha voz soou visivelmente alegre. Ele deu de ombros.
– Pelo menos está tentando. Você está grávida não é? Ele não pode simplesmente ficar enchendo o bebê de fumaça tóxica. – fitei-o orgulhosa e apertei-lhe as bochechas. – Aliás, - abaixou-se com a cabeça na altura do meu abdômen sorrindo. – como está o meu sobrinho?
– Sobrinha. – corrigi-o com grande ênfase no a final da palavra.
– Isso... Oi pequena Julie. - Eu juro que quase comecei a chorar ali - por causa dos hormônios, claro - mas me controlei e apenas o abracei soltando um sonoro “oown”. Apontei escada acima e ele entendeu, fazendo que sim com a cabeça.
– Já volto, tia Charlie. – sorri e subi as escadas rapidamente antes que eu fosse brutalmente atacada. Andei lentamente pelo corredor, um pouco perdida, até achar a porta do quarto do Bill que felizmente estava aberta. Ele estava deitado na cama com o braço sobre os olhos, balançando os pés freneticamente e mascando alguma coisa, provavelmente gomas de nicotina.
– Você sabe que se mascar tão rápido assim a única coisa que vai conseguir é dor de estômago né? – ele tirou o braço dos olhos e olhou-me fixamente. Sentei-me ao seu lado na cama. – O negócio é ir mascando lentamente. – disse a última palavra com uma pausa exagerada entre as sílabas.
– Bem que eu desconfiava que você já tivesse sido fumante em algum momento da sua vida. – falou rindo sem muito humor e se sentou encostado na cabeceira da cama.
Dei de ombros.
– Pai ex-fumante. Sacoméné. – ele riu das minhas gírias terríveis e me puxou para perto dele. Me enlaçou num beijo que com certeza teria me feito cair se eu não estivesse sentada. O gosto de menta das gomas era definitivamente mais apetitoso do que o do cigarro. – Gosto beem melhor. – sorri e ele sorriu junto, puxando-me para um beijo novamente.
– Preparada para o dia de compras? – perguntou com uma falsa empolgação.
Rolei os olhos enfiando minha cabeça na curva do pescoço dele. – Com você e a minha tia? Não, é animação demais para mim.
– Pelo amor de Deus, vamos logo antes que aquela mulher lá embaixo me mate. – Tom entrou e se jogou na cama junto com todos nós.
– Eu só quero saber uma coisa, tem alguém que está querendo sair daqui? – esperei para ver se alguém se pronunciava ou levantava um dedinho, mas nada. – É, eu já sabia.
– Vocês podem não querer, mas vão. – Bill se levantou e foi em direção ao closet, terminar de se arrumar.
– Sério, eu preciso ir mesmo? Por que não tem necessidade. – Tom disse resmungando e colocando a cabeça em meu colo.
– Nem vem com essa! Você não ia ter coragem de me deixar sozinha.
– Esse é lindo não é? – minha tia me mostrou o centésimo prato de sopa, enquanto Bill mascava a centésima goma, enquanto Tom dava o centésimo suspiro e enquanto eu respondia pela centésima vez.
– Vocês que sabem. – esfreguei minhas têmporas com os dedos tentando fazer com que a dor de cabeça que estava começando retrocedesse. Fiz o mais rápido possível para que ninguém percebesse, mas acho que não adiantou muito. Quando eu abri os olhos Bill me analisava seriamente e antes que ele perguntasse como eu estava eu respondi. – Estou bem, não se preocupe. – ele não pareceu acreditar muito. Tentando desviar do assunto, achei um prato que com certeza era mais bonito do que todos que minha tia havia mostrado. – Esse é bonito, o que você acha?
– Não, é muito simples... Você precisa de algo bem mais sofisticado. – Charlie disse se adiantando a Bill e começando a pegar os pratos que ela havia escolhido.
– Eu gostei desse. – Bill apontou para os pratos que eu havia mostrado. Awn, como eu te amo Bill Kaulitz. Minha tia, com cara de tacho, devolveu os pratos que estavam no braço dela.
Comecei a me sentir realmente enjoada e não era por causa das coisas que eu estava tendo que suportar ali, - vamos combinar, eu não tinha nascido pra isso. - mas uma revolta dentro do estômago mesmo.
– Eu estou com fome. – Tom reclamou mais uma vez, já perdendo a esperança de que alguém iria escutá-lo.
– Eu também. – menti. – Vamos tomar um milk-shake? – torci os dedos na esperança de que ele aceitasse minha proposta e que Bill e minha tia não quisessem ir junto também.
– Vamos. – suspirei aliviada enquanto ele puxava minha mão e eu via que não estávamos sendo seguidos.
– Obrigado. – dissemos em uníssono. Não pelo mesmo motivo, mas eu deixei que ele pensasse que fosse. Respirei lentamente o ar livre assim que conseguimos sair daquela loja.
– Já não estava mais aguentando aquilo. – Tom disse e eu simplesmente corri em sua frente na direção da rua para que pudesse por para fora todo aquele mar revolto que chacoalhava dentro de mim. – Você está bem? – levantei a mão com o polegar erguido e senti ele enrolando meus cabelos e segurando-os para que não se sujassem, em seguida senti um ventinho frio na minha nuca. Achei estranho que Tom estivesse fazendo aquilo e assim que já conseguia fazer isso me levantei e confirmei que era Bill que estava ali.
– Milk-shake?! – disse com a resignação dominando sua voz e arqueou a sobrancelha direita.
Dei de ombros. – Acho que agora eu quero um, de verdade.
– Já terminou?
– Ainda não. – me recostei na cadeira já cansada de tentar escrever alguma coisa que prestasse. Tia Charlie se sentou de frente para mim, rindo e brincando com as unhas compridas.
– Sabe, eu gostei do seu noivo. – deu um suspiro longo e sorriu divertida. – Principalmente por ele parecer mais a noiva do que você. – segurou as minhas mãos. – Boa escolha.
– Brigada. – disse fracamente estranhando toda aquela doçura dela comigo.
– Boa noite querida.
– Boa noite tia Charlie. – ela apertou minha bochecha fazendo uma careta e se retirou.
Fiquei sorrindo ainda por um tempo, sem saber direito o porquê, mas o dia tinha sido divertido hoje. Dei enter no último e-mail em que eu explicava e convidava meus amigos para o jantar de noivado e fui dormir, ou melhor, tentar, sem conseguir entender a minha ansiedade em relação a toda essa coisa de casamento. É, eu tinha mudado bastante, e conheço muito bem o culpado: Bill Kaulitz.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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37 Nothing Lasts Forever em Qua Nov 28, 2012 11:42 am

Sam McHoffen

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Capítulo 32 - Acontecimentos Realmente Ordinários


Make It Rain - Colbie Caillat

– Pode entrar senhorita. – uma moça com aquele vestidinho rosa fofo de empregada abriu a porta para mim. – Sinta-se a vontade, com licença. – sorriu e saiu.
Eu havia ido para a casa do Bill e iríamos até o aeroporto receber os amigos e parentes que chegariam para o jantar de noivado dali a três dias. Eu não estava nada animada com isso, mas ao menos consegui fazer todo mundo desistir da ideia de fazer algo magnífico, ia ser simples e com quase ninguém como eu queria.
Não parecia haver sinais de ninguém por ali. Desatei a procurá-los pelo andar de baixo da casa. Pela sala de estar, sala de TV, na de jantar e finalmente na cozinha. Realmente, não havia ninguém ali. Virei-me na direção das escadas para procurar Bill no quarto, mas logo decidi mudar de direção pelo som de gente conversando que parecia vir do quintal.
Atravessei a cozinha e empurrei a porta de correr branca que dava acesso aos jardins da casa dos gêmeos.
– NEM PENSE NISSO! – fui carregada pela cintura sendo praticamente erguida nos ares para o lado de dentro da cozinha.
– O que houve criatura?! – perguntei olhando arregalado para Bill colocando a mão sobre o peito sentindo seu ritmo freneticamente acelerado pelo susto. – Quer me matar?
– Foi mal. – Bill me soltou e deu de ombros com um sorrisinho sem graça e se se encostou ao balcão. – Como vai a futura senhora Kaulitz?
– Ela estaria melhor se não estivesse tendo um ataque de coração neste momento. – me apoiei no balcão ao lado dele e abanei meu rosto com as mãos tentando me recuperar do susto. Mas parecia que o ar me faltava. – Eu preciso ir lá fora tomar um ar. – Novamente me dirigi até a porta, e novamente fui agarrada pela cintura.
– NEIN! – Bill me virou de frente para ele e me prensou contra o balcão.
– Por que não Kaulitz?! – tirei as mãos dele que me seguravam e tentei sair de novo, porém Bill me puxou de volta a ele. – ME DEEEEIXA! – gritei, tentando me debater, mas Bill me segurava com toda força e eu podia escutar as risadas abafadas dele em meu ouvido.
– Eu não vou deixar você ir. Já disse.
– Tá bom, tá bom... – parei de me debater, esperei que ele afrouxasse os braços um pouco e assim que ele o fez peguei o potinho de geleia de framboesa e me virei de frente pra ele jogando todo o conteúdo do potinho em sua cabeça. Bill simplesmente deixou o queixo cair e ficou por vários segundos assim com os olhos arregalados, já eu não consegui aguentar por muito tempo e caí na gargalhada.
– Você vai ver! – disse-me com um olhar assassinou e desatou a correr atrás de mim.
– Bill, eu estou grávida! – eu gritava enquanto tentava fugir dele, correndo pela cozinha.
– E...? – eu parei de um lado do balcão, e ele do outro, os dois mais rindo do que qualquer outra coisa. – Eu vou te pegar.
– Não vai, não. – determinada, corri para um lado do balcão, porém para a minha infelicidade Bill correu exatamente para aquele lado também. – Ah, droga. – ele me prendeu em suas pernas de costas para ele e pegou o potinho de manteiga girando sobre a minha cabeça. – Não, por favor, manteiga não! Meu cabelo vai ficar uma merda...
– Tá... – disse compadecido e colocou o pote de lado. Eu respirei aliviada por ter saído ilesa dessa ‘briguinha’. O que aumentou ainda mais o meu espanto quando senti um líquido gelado escorrendo por todo o meu corpo e me molhando por completo.
– Bill Kaulitz, você acaba de assinar sua petição de morte. – tentei me livrar tanto das pernas dele que me enlaçavam como os braços e até mesmo da cabeça dele que agora se esfregava contra a minha melando todo o meu cabelo molhado de suco de laranja com geléia. Desisti de tentar me soltar e decidi tentar empurrá-lo até o balcão com o meu próprio corpo. Projetei o tronco para frente e o quadril para trás, mas parei ao sentir algo um pouco mais rígido do que deveria ser. Olhei para trás com os olhos arregalados, convenhamos esta situação não era nem um pouco excitante.
Bill começou a dizer desviando o olhar. – Sabe, ‘ele’ não anda recebendo atenção ultimamente. – me soltou e sentou-se na banqueta com o rosto completamente vermelho, encarando a geladeira.
– Só mais um mês Billy, só mais um mês... – me aproximei dele afagando os seus cabelos sujos, e sem que ele percebesse peguei o potinho que continha creme de chocolate com avelã. Quando percebi que Bill já estava distraído espalhei lentamente todo aquele creme pelo lindo rosto dele. Mas isso realmente não tinha sido uma boa idéia, meu noivo estava todo coberto de chocolate. Isso era um desperdício. Revelei o mesmo olhar assassino que ele me lançava e uni o útil ao agradável - limpei o rosto dele e comi o creme - com a minha língua. Eu não sei o quanto isso tinha parecido sexy para ele, mas antes que eu me demorasse mais com aquilo Bill puxou-me grudando-nos e me proporcionando o beijo com a maior mistura de gostos e sensações que eu já tinha provado.
– O que é toda essa bagunça meu filho?
Ouvi a voz de dona Simone e tive plena certeza que o meu coração pulou várias batidas. Espalmei as mãos no peito de Bill o empurrando e virei-me imediatamente tentando esconder a ‘felicidade’ dele, que com o susto já não passava de uma pequena alegria. Assim que meus olhos se conectaram aos dela estreitados e ainda assim surpresos eu tive a suspeita de que perdi qualquer vestígio de cor que tinha em meu corpo, a minha vontade era de cavar um buraco no chão da cozinha e enfiar minha cabeça lá dentro.
Foi Bill quem quebrou o gelo. – Oi mãe. – ele me cutucou, o que eu demorei um pouco para entender o motivo e mesmo após ter entendido ainda demorei certo tempo para fazê-lo.
– Bom dia dona Simone.
– Eu me sinto uma senhora com você me chamando desse jeito, menina. – ela disse com certo ar de desgosto. – Bill, eu acho que o Tom está precisando de ajuda lá fora. – ao ouvi-la dizer isso apertei forte o braço de Bill para que ele não me deixasse ali sozinha.
– Ah, não precisa. Ele consegue se virar sozinho, mãe.
– Ele me disse que precisava de você lá, Bill. Depois ele ainda vir reclamar comigo que eu não dei o recado. – eu apertei mais ainda meus dedos ao redor do braço dele e eu já podia sentir minhas unhas em sua pele. – Ande menino, vá logo lá.
– ‘Tá bom, mãe... – ele tirou um a um meus dedos do seu braço e encarou meus olhos arregalados com uma segurança que dizia ‘vai ficar tudo bem’ e então atravessou a porta e sumiu em meio à esvoaçante cortina branca. Olhei para ela e dei um sorriso totalmente sem graça.
– Vocês andaram se divertindo aqui, não é? – ela disse observando toda aquela meleca pelo chão.
– É... – pensei no que eu poderia dizer neste momento e cheguei à conclusão de que deveria dizer o que as pessoas normais diriam. – Mas a senhora não precisa se preocupar, eu limpo tudo isso. Afinal, eu que sujei não. – Simone olhou-me completamente não acreditando no que eu havia dito. Okay, acho que ninguém nunca acreditaria em mim se eu dissesse isso. Não sou o tipo de pessoa que nasceu para ser dona de casa, não mesmo. E isso pelo visto estava estampado em meu rosto.
– Imagina, não precisa. – ela respondeu somente para ser educada. Sorriu verdadeiramente para mim, com um carinho enorme fazendo-me perder todo o mal-estar que eu estava sentindo por estar ali. – Obrigada por me dar a felicidade de ter um neto. – seus olhos brilharam no momento em que ela disse isso e eu senti meu coração ser derretido. – Se você não estivesse toda suja assim tornaria as coisas mais fáceis, mas tudo bem... – veio até mim e abraçou-me fortemente. Soltou-me e disfarçou um pouco. – Acho que você deveria tomar um banho agora. – fiz que sim com a cabeça. – Você precisa de alguma coisa?
– Não, está tudo bem, obrigada. – voltei até o carro, peguei minha mochila e fui até o quarto de hóspedes tomar um banho. Vesti uma mini sai preta, camiseta branca com a língua dos Rolling Stones e uma camisa jeans por cima e também um all star – claro, eu devia ser patrocinada por essa marca, porque eu era praticamente uma garota propaganda.
Desci rapidamente, Bill e Tom estavam apoiados no sofá e assim que me viram os dois olharam para o relógio ao mesmo tempo.
– Desculpa a demora. Eu tinha muita nhaca pra tirar do cabelo, né Bill.
– Nem por isso, eu também tinha.
– Ah vá Bill, vamos logo que já está na hora.

Vôo 3667 desembarcando no portão 6. Vôo 3667 desembarcando no portão 6.
– Vamos! – Puxei Tom e Bill pelo braço até o portão de desembarque. Eu não conseguiria reconhecer os meus dois pequenos primos se eles não fossem a Charlotte cuspidos e escarrados. Tio Theodore veio empurrando o carrinho das malas e as duas crianças vieram emburradas logo atrás dele.
– Como vai, Carol?
– Vou bem, e o senhor? – ele sorriu em resposta. Apontei o Bill. – Este é o meu namorado, Bill Kaulitz. Bill, tio Theodore.
– Eu sou o noivo, prazer. – Bill disse enfatizando a palavra noivo.
Enquanto eles se conheciam agachei-me para cumprimentar meu primo que estava entretido com o seu Ipad. – Oi Mac!
– Ninguém me chama assim desde que eu era uma criança. – Matthew reclamou.
– Por que agora você já é um adulto né. – murmurei para mim mesma.
– Desculpe, este pirralho está na fase da aborrecência. – Meu tio sorriu – E os seus irmãos?
– Vão vir com o pai de Frisco. – sorri para ele e me voltei para a pequena loira a minha frente. – Oi Becca.
– Oi. Pai a gente pode voltar? Você disse que se estivesse muito quente nós poderíamos voltar. Eu quero voltar pra Dearborn, lá está friiio. – ela falou tudo de uma vez, emburrada.
– Olhe pelo lado bom, pelos menos você pode tomar banho de piscina o dia inteiro. – os olhinhos dela brilharam ao me ouvir dizer isso.
– Eu posso?
– Pode. – Bill disse – Assim que você chegar na minha casa pode se jogar lá.
Tom os levou até o táxi e indicou o caminho até a casa dele. – Tem certeza de que eles podem ficar lá até domingo? – Bill sorriu em confirmação enquanto ouvíamos a voz feminina indicar o vôo que havia acabado de desembarcar.
VOO 5678. - disse a voz mecânica do aeroporto.
– Mas já?! – Bill soltou ao reconhecer o número que estava sendo chamado que era o mesmo do papel que ele segurava. Bill puxou a minha mão, empurrou Tom e olhou para mim. Eu estava calada, insegura e totalmente nervosa. Os amigos deles haviam chegado e mesmo eu conhecendo a maioria deles eu estava apavorada. Graças a Deus a família dele estava ocupada e só iria poder vir no casamento.
Paramos em frente à porta de vidro onde podíamos ver os passageiros esperando as malas. Escondi-me atrás de Tom e pelo ombro dele pude ver Georg, Gustav, Andreas e Natalie. Havia algumas pessoas próximas a eles e eu fiquei tentando imaginar quem eram os amigos de infância do Bill.
Um grupo grande veio em direção a nós. Minhas pernas começaram a tremer, minhas mãos a soar e eu me senti um pouco tonta.
Felizmente os G’s vieram na frente, deixando-me mais relaxada, ainda assim permaneci escondida atrás de Tom, um pouco mais afastada do bolinho que estava se formando. Era tão grande a empolgação ali que eles nem repararam que eu não estava ‘presente’.
Minha ansiedade aumentou quando os três desconhecidos se aproximaram. Um rapaz alto, de cabelos castanhos e o rosto repleto de sardinhas que o deixavam com um ar bem alegre. Uma moça bem clara, de cabelos negros tingidos e com roupas totalmente fashionistas. Por último, uma garota não muito alta, com cabelos castanhos bem escuros e lisos que lhe caíam pelos ombros.
– Mandy?! – Bill exclamou espantado para esta última.
– Mudei muito não é? – ela sorriu largamente revelando os dentes extremamente brancos e um piercing em um deles.
– Não, pelo contrário, continua exatamente a mesma só que agora você...
– TEM SEIOS! – exclamou Tom divertido. A Mandy deu um tapa no braço dele e em seguida deu um abraço nele e em Bill também, mais demorado por sinal.
– Oi Bia! – Bill cumprimentou a moça alta logo em seguida e eu tive plena certeza que ela era irmã do Gustav ao observar suas feições mais atentamente.
– Bill, onde está sua namorada afinal? – perguntou o das sardas e ao ouvir isso eu gelei.
– Boa pergunta, Peter. – a voz chata de Natalie encheu o lugar fazendo-me revirar os olhos. Essa minha implicância com ela já estava passando dos limites, eu tinha que parar com isso.
As duas moças começaram a procurar em rostos pelo lugar. Bill encontrou meus olhos e fez uma careta de reprovação fazendo-me soltar um sorriso amarelo recusando-me a ir até lá. Ele teve de sair do lugar dele e vir me buscar. Colocou-me debaixo do braço e me levou até lá.
Eu sentia meu rosto quente, devia estar completamente vermelha. Dei um sorriso bobo ao me aproximar deles. – Oi. – sorri timidamente. Estendi a mão primeiramente a Peter. E em seguida as outras duas. Minha mão devia estar gelada, mas eu sempre podia usar a desculpa do frio né. Frio em Los Angeles? Não... – Você é irmã do Gus?
– Isso, e pode me chamar de Bia. – ela deu um sorriso bem fofo.
– E eu de Mandy. – disse a ex sem peitos piscando para mim. Okay, não tinha ido tão mal assim né.
– E a mim você pode chamar como quiser. – o das sardinhas disse também piscando, mas diferente da Mandy ele estava tentando seduzir com a piscada. Ouvi Bill pigarrear.
– Okay, mas eu prefiro lhe chamar pelo seu nome mesmo. – disse tentando ser educada, mas as risadas dos moleques - principalmente do Bill - ao meu lado fizeram isso soar diferente. – Peter, certo? – ele confirmou com as bochechas cheias de sardinha completamente vermelhas. Estendi o punho fechado pra bater contra o dele e felizmente ele não me deixou no vácuo, erguendo o dele também.
VOO 7333 – DESEMBARQUE INTERNACIONAL – GATE SIX. – a informação passou despercebida pelos meus ouvidos. – VOO 7333 – DESEMBARQUE INTERNACIONAL – GATE SIX – achei algo familiar nestes números, mas ainda assim relevei a informação e voltei a tentar gravar o nome de todos eles. Bia – irmã do Gustav. Mandy – ex sem seios. Peter – safado das sardinhas.
– VOO 7333! – quase gritei arregalando meus olhos. Tentei me recompor sorrindo para os que olhavam para mim estranhamente. – São meus amigos, tenho que ir. – fiz uma reverência para eles, sem entender o porquê disto, e saí correndo para as escadas rolantes.
Cheguei à porta de vidro e reconheci imediatamente os cabelos loiros quase brancos da minha prima Evelyn. Tentei correr lá para dentro, mas fui impedida pelas faixas de segurança. Um cara muito alto e forte, com os cabelos bagunçados abraçou-a por trás.
– YOSHI! – gritei e ele imediatamente se virou para trás, sacudindo os braços tal qual um boneco de posto.
Alguém com um cabelo de cor de céu ficou se metendo em minha frente tentando me impedir de ver meus amigos lá. Tentei ser educada, pedindo licença, me desviando. Mas aquela nanica em minha frente não queria colaborar.
– Você poderia me dar licença que eu gostaria de ver se a minha amiga já chegou, por favor?
– Talvez uma chamada Marina? – olhei desconfiada para a garota em minha frente que revirava aquelas duas enormes jabuticabas negras que ela chamava de olhos.
– NINAA?! – ela sorriu e enlaçou seus braços em meu pescoço.
– Que porra é essa na tua cabeça?! – exclamei ao soltá-la.
– Meu cabelo? – ironizou com uma careta de irritação.
– Eu não sei como eu ainda consigo me surpreender com você... – fiz uma falsa cara de desgosto, não conseguindo segurar por muito tempo. Aquela felicidade louca dela era extremamente contagiante, só faltava sair pulando pelo aeroporto junto com ela. – Hey, você tem certeza que está grávida ou está só tentando dar o golpe da barriga no seu namorado?
– Oi praguinha! – meu amigo japonês apareceu apertando minhas bochechas e conseguindo diminuir ainda mais seus olhos. Sem nem perceber o que estava a fazer pulei em cima dele, agarrando-me forte a seu pescoço. Fazia muito tempo que eu não o via, muito mesmo.
– Você poderia largar o meu namorado, por favor? – ouvi a voz doce e fina de Eve ressoar nos ares.
– Essa tua prima é muito chata sabia? – ele sorriu e colocou-me no chão, assim eu pude abraçar a minha loira prima. Ouvi umas vozes familiares atrás de mim, o outro grupo já tinha me rastreado e me encontrado. Agora eles se cumprimentavam felizes. Pelo menos eu consegui achar uma coisa boa dessa coisa de casamento – além de ficar com o Bill, é claro – todas as pessoas que eu gostava estavam perto de mim novamente, e isto era realmente muito bom.
Observei que a Nina, Mandy e Bia olhavam fixamente, boquiabertas e seduzidas para algum ponto atrás de mim. Virei-me e vi o motivo da babação delas se aproximando. O cara loiro e grande, com lindos olhos verdes e lábios carnudos se aproximava cada vez mais. Eu encurtei esse tempo me dirigindo até ele também e assim que eu senti os braços de Lewis ao meu redor não consegui conter as lágrimas que se formavam em meus olhos. Afinal, a última vez que eu o tinha visto eu estava em maus bocados. E eu jamais conseguiria esquecer o que ele foi para mim quando todo o meu mundo desmoronou. Ele era o único que estava para me apoiar, me segurar e me ajudar a fazer o que quer que fosse. Tinha sido um amigo de verdade.

– Não acredito, não acredito que eu aceitei uma coisa dessas. – murmurei para mim mesma jogada no sofá em forma de sapato da D&G.
– Nem eu. – Gustav reclamou. – Me lembre de matar o Bill por isso.
– Com toda a certeza. Ele vai me pagar. – nem sei por que eu havia caído nessa história dele. Eu deixei meus amigos irem para casa dele, eu deixei o Lewis ir junto com ele - muito perigoso - e vim fazer companhia para duas garotas consumistas que eu mal conhecia. E convenhamos, ficar pulando de loja em loja para encontrar um ‘vestido perfeito’ não era o meu forte. Por sorte Bill tinha obrigado o pobre do Gustav a vir conosco, ou eu estaria mais morta do que já estava.
– Esse é lindo não é? – Bia saiu da cabine com um vestido todo florido e que me parecia ser bem bonito, mas depois de tantas trocas eu já nem conseguia distinguir o que era o que.
– Não gostei dessa loja. – Mandy falou baixinho saindo da cabine ao lado, já vestida com a sua roupa. – Você poderia nos levar em outra? Uma que tenha vestidos lindos, incríveis e que você também possa provar?
– Tem outra butique, que tem outras grifes... – bufei – mas eu sinceramente acho que nós deveríamos deixar isso para outro dia.
– De maneira alguma! – Mandy gritou e me arrastou para fora mais uma vez. Gustav dirigiu até a loja que eu lhe indiquei. As moçoilas morenas desceram totalmente empolgadas e eu e o Gus descemos bufando, rastejando até a entrada da loja. Assim que avistei a arara do Elie Saab corri para ela. Os vestidos desenhados por ele sempre faziam o meu lado bailarina tomar conta de mim. Um vestido começou a me seduzir e ao pegá-lo me senti instantaneamente levada a um mundo de fadas.
– Você tem que vestir esse! – a voz de Bia ecoou pela loja num gritinho de extrema felicidade.
Fiz que não com a cabeça e coloquei-o de volta na arara. – Ora, vamos... Se faz de menina doce e deixa a gente te ver de vestido ao menos uma vez! – Mandy fez uma careta que eu fiquei em dúvida se ela queria parecer irritada ou engraçada. Rolei os olhos e fiz que não com a cabeça.
– Por favor! – elas duas praticamente gritaram juntas. Berrei mentalmente “Bill você me paga” mais uma vez, respirei fundo, muito fundo, peguei o vestido e entrei dentro daquela cabine.
Aquele vestido parecia ter sido feito para mim - para o meu eu bailarina - fiquei com ele no corpo admirando o reflexo do espelho por um bom tempo. Ele era de um tecido nude transparente, todo coberto por detalhes feitos á mão. Minha mente voou e eu logo me imaginei no meu casamento, vestida de noiva. E incrivelmente esse pensamento me fez sorrir. Blergh! A cortina da cabine se abriu e as duas garotas colocaram os rostinhos felizes para dentro.
– Anda, sai daí!
– Deixa a gente te ver!
Saí de lá sendo puxada por elas até o meio da loja. Mandy estava com um vestido bem curto, azul marinho drapeado, e Bia estava com um nude coberto de aplicações de flores e um laço preto na cintura. - Você está linda... – Bia disse com um sorriso fofinho. Eu fiz uma reverência dramática com a ponta do vestido sorrindo sem graça.

– É tenho que concordar... – ouvi a voz de Gustav vir por trás de mim e quando o olhei ele estava de calça, isso mesmo... De calça, e uma camisa social preta com um blazer verde escuro de veludo. Eu caí na gargalhada quando vi ele daquele jeito, que maldade.
– Gus, você está incrível. – disse tentando controlar os risos.
– OH MEU DEUS, NÓS FOMOS ASSALTADOS!
– O quê? – dissemos os quatro em uníssono ao ouvir a atendente gritando.
– E levaram até as roupas de vocês das cabines.
– O QUÊ?!?! – desta vez só eu berrei como uma louca. – Minhas roupas? – fui lá para conferir e elas não estavam realmente lá. – Eu vou pegar esses desgraçados! – corri em direção à saída da loja disposta a perseguir esses bandidos.
– Hey moça! Eles roubam as suas roupas e agora você quer roubar as da loja? – olhei para o que eu estava vestindo e voltei para a loja corada de vergonha.
– Liga e pede para o Bill trazer umas roupas para você.
– Gustav! – as duas o repreenderam.
– Que foi... ele é o noivo dela não é, ele pode muito bem fazer esse favor. – olhei para ele bem séria. – Que foi? Ainda tem problema que os outros façam coisas para você?
– Não. – respondi grossa. – Eu só acho que ele não precisa fazer isso.
– Então o único jeito é ir assim.
– Nem morta! – me alterei de novo, e Gustav continuava impassivo.
– Então o jeito é ligar para ele.
– NÃO! – gritei e encarei a cara dele de interrogação. – Okay, vamos embora de uma vez. – peguei o cartão de crédito e o entreguei a moça.
– Você não pode ir de vestido e tênis assim. – Bia disse com a voz doce. Olhei para ela com cara de “What The Fuck?”
– Se você for assim vão achar que você assaltou a loja. – Mandy quem respondeu. – No mínimo você tem que parecer estar indo para uma festa não acha?
– Eu pelo menos não quero passar vergonha... – Bia se dirigiu a atendente. – Aqui tem como arrumarmos o cabelo e também maquiagem?
“Não, não, não, não...”

Desci do carro em frente à casa de Bill com o cabelo arrumado, maquiagem e saltos altos. Tudo para não contrariar aquelas amigas loucas dele, pelo menos elas pareciam estar bem felizes, e eu bem revoltada. “Eu ainda te mato, Kaulitz.” Resmunguei mais uma vez e adentrei a mansão. Estava o maior breu dentro daquela casa, tateei a parede a procura de um interruptor, mas ele parecia não chegar nunca. Tropecei na ponta de um tapete, dei de cara com uma porta de vidro... mas tudo bem. Abri a porta que tinha acabado de me atacar e passei por ela, ainda sem saber para onde ela daria, mas torcendo que fosse para um lugar bem escondido em que ninguém pudesse me ver até eu trocar de roupa.
– Surpresa! – uma multidão gritou de repente, deixando-me surda e a luz do local se acendeu permitindo-me ver que realmente existia uma multidão ali no jardim dos Kaulitz.
Todas as atenções pareciam estar sendo direcionadas a mim naquele momento. E eu achando que já tinha esgotado a minha cota de momentos vergonhosos do dia. Todo mundo estava ali, até a minha família, até os meus irmãos que haviam ido embora, até o JJ de terninho...
Sorri sem graça e fui em direção a Bill que se declarava culpado pelo sorrisinho que estampava. – O que é isso?!
– Nosso jantar de noivado. – ele me abraçou.
– Um jantar de noivado surpresa? Não sabia que isso existia. – fui retribuindo. – Ah, e antes que eu esqueça: Você me paga Kaulitz, eu ainda te mato. – disse com a voz carregada de ódio, enfatizando bem o “Kaulitz” para que ele percebesse que eu estava realmente muito indignada.
– Mas valeu à pena, - olhou para mim com os olhos brilhantes e sérios. – Você estava mais linda do que jamais esteve. Nunca achei que isto pudesse ser possível.
Depois disso eu esqueci qualquer coisa que já estava sentindo antes, o calafrio que percorreu minha espinha lembrou-me por que eu ainda não havia matado ele.
– Eu te amo, Bill.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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38 Nothing Lasts Forever em Sab Dez 01, 2012 3:35 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 33 - Vegas, Baby!


Pixie Lott - All About Tonight

– Isso Sabine, você é a minha garota! – Sabine sempre tentando impressionar, uma das meninas mais esforçadas que já vi tão pequena e tão talentosa. Ela lembrava a mim mesma, espero que ela não tenha que desistir de tudo tão cedo como eu.
Elas não aguentavam mais ficar na barra, e estavam loucas para começar a coreografia. – Meninas, quero ver outro demi-plié. Vocês precisam alongar antes de continuar a coreografia, só mais um e já iremos começar a dança.
Tínhamos uma apresentação de dança, uma apresentação especial, a primeira delas, e tudo tinha que ser perfeito, era difícil claro, ainda mais esta coreografia, o clássico Lago Dos Cisnes adaptado para crianças. E agora era o meu papel as fazer serem perfeitas, como eu sempre quis ser. Como eu não fui na última tentativa. Sem nenhum erro, sem nenhuma queda.
– Pronto, agora todo mundo fazendo o solzinho... – todas ergueram os braços curvados acima da cabeça. – Muito bem... Vamos começar!
– Vem aqui! – A voz fina da Nina ressoou por todo o estúdio. Ela não era capaz de cuidar do JJ por um segundo sequer?
Voltei minha atenção para as meninas, a música começou e elas entraram. Em uma fila perfeita, uma sincronia fantástica, e depois se deslocaram para seus lugares.
Ouço de novo a gritaria só que mais alta. Mais agora essa, minha última aula e ficam me interrompendo o tempo todo. Paro a música, as garotas me olham com curiosidade, um pouco assustadas claro, mas nada de mais. Sabine estava concentrada em um salto difícil para a idade, mas ela o fazia com perfeição, e agora não deixara de fazê-lo, e assim como eu, sem querer caiu. Fui até ela rapidamente para ver se estava tudo bem, minha melhor menina não podia se machucar, não agora.
– Sabine, está tudo bem? – Eu sentia como se olhasse o meu reflexo.
– Sim, por que parou a música? – Essa garota tinha mesmo quatro anos?
– Foi mal, galera. – falei no maior estilo menina de gangue e me concertei falando o correto ‘desculpa’. Ajudei Sabine a levantar e me dirigi até a porta para ver o que estava acontecendo, assim que a abri, meu gurizinho passou correndo estúdio adentro.
– Tiaaa, não deixa eu ficar lá fora com essa maluca, por favor!
– JJ... você não pode ficar aqui agora... você iria distrair elas com esse seu rosto de galã.
Ele ficou corado e deu um sorriso muito fofo. – Então eu posso dançar junto...
Dei o maior sorriso do mundo. – Você quer mesmo?
– Qualquer coisa é melhor do que ficar com a louca de cabelo azul! – ele disse parecendo realmente assustado.
– Okay, então vá lá para o final da fila, vamos ver se você sabe o que fazer. – ele saiu saltitando até as meninas.
Notei que ele olhava muito para Sabine, e ela pra ele. Quando Sabine me viu, e percebeu que eu a havia pego no flagra, ficou vermelha.
Disse a elas que voltassem à posição de início, iríamos recomeçar a dança.
Assim que a música voltou a tocar elas recomeçaram a dança perfeitamente, com todos os passos sendo executados perfeitamente, como se fossem profissionais. Durante esse início de coreografia, percebi que Sabine estava meio distraída, tão distraída que perdeu o compasso, e se atrasou para o salto. Corrigindo sua distração, caiu sobre os pés com extrema perfeição, pulou um Tendu que deveria ter feito, e continuou dançando.
Fiquei boquiaberta, aquela garota, além de ter um dom para dançar, conseguia improvisar perfeitamente, fazendo parecer parte da coreografia.
Não era a toa que Sabine era minha aluna preferida. Pensando nisso, lembrei que era minha última aula, provavelmente a última vez que eu veria meus pequenos prodígios dançando. As últimas notas da música soavam harmonicamente, e elas finalizavam a coreografia delicadamente. Com meu pequeno sobrinho seguindo-as com uma postura excelente, esse tinha futuro!
Ao final da aula, todas vieram receber suas estrelinhas e eu me senti tão mal por estar abandonando todas elas... abandonando para... casar. Tudo bem que eu poderia voltar logo depois, mas eu sabia que não teria saúde para isso por mais tanto tempo. Um dia eu estaria incapacitada, e não poderia fazê-las passar por isso. Abracei cada uma delas, sentindo uma imensa vontade de chorar, porém retendo qualquer lágrima que teimasse aflorar e mantendo o melhor sorriso de felicidade no rosto.
– Até semana que vem, tia Carol! – uma lágrima fujona escapou dos meus olhos quando Sabine gritou isso ao me dar tchau. Peguei o Jared Júnior no colo e enfiei minha cabeça em seus cabelos perfumados afugentando todos os pensamentos perturbadores que invadiam a minha mente.
Tentando encher minha mente com coisas mais revigorantes comecei a relembrar o jantar da semana passada. Apesar de ter sido surpresa. Apesar de estar lotado. Apesar de ter sido bem mais badalado do que eu esperava. Foi bom. E o ponto alto foi a exibição de um vídeo que Tom e os G’s haviam feito. Ele era composto de capturas de momentos meu e do Bill em que não fazíamos idéia que havia alguém presente, quanto mais alguém filmando. Por exemplo, a nossa guerrinha de comida do mesmo dia. Mas eu confesso que tive de me segurar para não chorar, como todos a minha volta estavam fazendo, inclusive o meu querido noivo.
– Essa é a vovó? – JJ perguntou retirando-me dos meus devaneios, ele apontava para a foto grande da minha mãe na parede.
– Não Junior... essa é a minha mãe, ela é a razão de termos feito essa ONG.
– Mas Calol, se ela é xua mãe é também a minha vó. – olhei para ele espantada, e fiz que sim com a cabeça. – Eu queria que ela estivesse aqui...
– Eu também JJ, eu também... – disse com bastante pesar sentindo as palavras saírem pesadas da minha boca.
– Esse teu namorado é muito insuportável! – Nina adentrou ao estúdio resmungando com o celular.
– Noivo. – a corrigi, percebendo que já havia pego a mania ridícula do Bill. Revirei meus olhos e esperei que ela continuasse.
– Ele não para de ligar e dizer: “Olhe lá o que você vai fazer com ela... Ela está grávida... e... em tratamento... e... não deixe ninguém chegar perto dela.” – ela revirou os olhos – Eu já disse pra ele que você está em boas mãos, ‘tá com a Nina, ‘tá com Deus.
– Ô! – arregalei meus olhos já temendo o que viria por essa noite.
– Agora vamos, você tem que ficar sexy para hoje à noite.


– Vocês poderiam me dizer para onde estão me levando? – olhei emburrada para Nina e Eve que andavam a minha frente carregando uma mala que elas diziam ser para mim. Isso mesmo, nem a dignidade de pegar minhas próprias roupas eu tive.
– Não! – elas disseram em uníssono.
– Se eu contasse perderia toda a graça. – minha prima completou.
– Eu não sei o que passa na cabeça das pessoas que me rodeiam... Jantar de noivado surpresa, despedida de solteiro surpresa... Daqui a pouco eu vou ter um casamento surpresa!
– Boa idéia! – Nina deu um gritinho. – Vou sugerir isso ao Bill.
Revirei meus olhos e as segui até o Maserati alugado que estava estacionado em frente a minha casa.
– Me deixem dirigir pelo menos. – resmunguei admirando a bela lataria prata do conversível.
– Não! – as duas disseram juntas novamente deixando-me assustada com isso. – Você tem que ir no banco de trás para poder aproveitar a viagem.
Nina me obrigou literalmente a entrar no carro enquanto Eve dava a partida.


Eu devo ter dormido a maior parte do caminho, pois quando dei por mim já estava escuro e a brisa quente batia no meu rosto.
– Boa noite bela adormecida. – minha prima sorriu tentando me observar pelo retrovisor.
– Boa. – resmunguei me espreguiçando e aproveitei para observar o deserto de Mojave parcialmente iluminado pela luz da lua. Ele devia ser bem mais bonito banhado pela luz plena do sol, com toda a extensão dos vales cobertos por vegetação seca visível.
– Ela vai casar! – olhei assustada para frente. Nina estava praticamente em pé e acenava como uma louca para o caminhão que vinha no sentido contrário. O caminhoneiro colocou a cara gorda dele para fora, murmurando coisas ininteligíveis e buzinando a todo vapor. Eu comecei a rir da cara dela, era realmente incrível o quanto ela era pirralha. – Você devia experimentar, é tão divertido. – ela sorria como uma criança quando ganha uma caixa de chocolate.
– Eu vou casar! – a imitei e levantei-me. O vento soprava muito mais forte assim, bagunçando meus cabelos proporcionando-me uma ótima sensação. Um carro preenchido por vários garotos com jaquetas da universidade de Las Vegas passou por nós diminuindo significativamente a velocidade.
– É uma pena! – um deles gritou. Dois se penduraram para fora da janela, gesticulando os braços para que eu entrasse no carro também.
Outro carro passou a buzinar atrás deles, uma mulher irritada estava ao volante e não cessava a barulheira.
– Tchau amor! – o mesmo rapaz gritou e voltou a correr com o carro na direção contrária.
– É realmente muito divertido. – me joguei no banco de trás as gargalhadas.
– Eu devia gravar isso para o seu noivo ver, aí sim seria divertido. – ela retrucou, me fazendo imaginar a cena. Seria realmente divertido, mas segundos depois eu estaria morta, o que no final não seria tão divertido assim.
– Vamos fazer de novo? – eu disse empolgada. – Mas sem gravações.


– Eu não estou sexy, estou parecendo uma perua. – Todas as meninas já estavam prontas esperando no corredor assim que eu saí do quarto com Nina e Eve.
Bia e Mandy me olhavam com os olhos arregalados.
– Oh... você não é você. – Mandy disse num tom que eu não consegui distinguir se era de admiração ou deboche.
– E isso é bom? – perguntei para ela.
– Ótimo. – quem respondeu foi Bia, com o seu sorrisinho fofo. – É sua despedida de solteiro não? Você tem que estar seduzindo.
– Okay, estamos todas lindas e gostosas, mas vamos logo de uma vez. – Eve falou e saiu desfilando na frente com seus cabelos loiros esvoaçantes. É, é muito duro ter uma prima modelo, você nunca vai se sentir bonita se estiver com ela por perto.
Ela chamou o elevador, que chegou rapidamente e estava vazio. Entramos e automaticamente todas nos viramos para o espelho conferindo as roupas. Mandy estava com um vestido realmente chamativo, com um decote extremamente profundo e coberto por paetês pretos. Bia com um vestido bem simples e fofo. A Nina com um vestido super fashionista, com a barra do vestido da mesma cor do seu cabelo. A Eve estava com um bem simples também, mas que realçava toda a beleza dela. E eu com uma roupa não tão chamativa, mas que apertava bem o meu corpo e dava a falsa sensação de que eu era sexy e gostosa. Eu ficava toda hora puxando ele pra baixo, visto que eu não costumava usar roupas tão curtas assim.
Andamos todo o pátio do The Venetian , atravessamos de gôndola a grande piscina que imitava os canais de Veneza e subimos o terraço finalmente chegando ao nosso destino: Lounge TAO.
TAO no Venetian era mais do que uma simples boate com temática asiática, era na verdade um lounge, restaurante e sushi bar em uma só coisa. O lugar devia ter uns quatro andares e cada um dele apresentava uma atmosfera diferente.
Logo na entrada havia duas modelos flutuando numa piscina de flores. E bem no meio da sala principal o que parecia flutuar num lago repleto de peixes japoneses era uma estátua de Buda com uns vinte metros de altura.
Em outra área do clube havia um bar coberto de dezenas de estátuas de monge e logo no andar de cima, havia a discoteca. Este era decorado em vermelho escuro e preto com várias estátuas e peças de iluminação do acento ao caminho através das salas e corredores mal iluminados. Havia também umas espécies de quartos, com uma cama que parecia ser bem fofa e envolta por uma grossa cortina – e eu já pude notar uns casaizinhos se pegando ali sem a menor cerimônia.
Nos sentamos nos pufes de veludo vermelho, a Nina estava com uma carinha tão feliz que eu tenho certeza que foi ela que teve a idéia de virmos para este lugar. Que devo admitir, era realmente incrível.
– Você não pode beber né? – Eve perguntou-me e ao meu balançar de cabeça fez um biquinho. – Então nós não beberemos também.
– Ah vá. – resmunguei com ela. – Eu consigo me controlar, podem beber na minha frente que eu não ataco ninguém. E se precisar, eu dirijo. – disse feliz sabendo que eu poderia guiar aquele carro no caminho de volta.
– Não. Até amanhã o efeito da bebida terá passado. – Nina se levantou e foi em direção ao bar.
A pista de dança estava praticamente vazia, uns poucos tímidos dançarinos a preenchiam. Nina voltou com as bebidas - suco pra mim, é claro – e logo depois a comida chegou. Também asiática, mas nada se sushi. Ela me parecia mais chinesa, mas só pelo nome.
Aos poucos o lugar foi se enchendo, e minhas amigas ficando cada vez mais desinibidas. Principalmente a Bia, eu me perguntava se ela já tinha bebido alguma vez na vida. Assim que me cansei daquilo ali as puxei para a pista de dança. E ao chegar lá era como se tudo se transformasse. Era como se eu não tivesse doença alguma, tristeza alguma, noivo algum... A dança era claramente uma libertação para mim.
Em pouco tempo eu já estava quase aos pulos, eu me continha um pouco apenas pelo bebê que estava em meu ventre. Mais a frente havia um rapaz alto e ruivo que parecia não tirar os olhos de mim. É, despedida de solteiro é algo realmente legal. Comecei a dar bola para ele, mas assim que ele se aproximou dei um jeito de afugentá-lo.
– Eu vou contar para o Bill. – gelei ao ouvir alguém sussurrar isso em meu ouvido. Olhei para trás e Mandy gargalhava da minha cara. – Você ficou realmente assustada! – cerrei meus olhos e já me preparei para berrar alguma coisa, mas ao olhar para a mão dela desisti. Ela só estava bêbada e amanhã não se lembraria de mais nada. Fui para o outro lado da pista de dança, mantendo-me longe dela. Cuidado nunca é demais.
Repeti a mesma cena com mais vários outros caras e alguns eram bem mais insistentes e não se contentavam em apenas dançar. Por isso tive que dar alguns chutes em partes mais delicadas, o que, confesso, também era bem divertido. Quando eu planejava fazer isso com o último deles meu cérebro fui bruscamente invadido por flashes consecutivos. Parecia que alguém estava com uma super câmera, tirando fotos em frente aos meus olhos. Senti-me subitamente tonta, e só não caí no chão por que o cara que dançava comigo me segurou, se aproveitando da situação. O chute que eu tentava acertar-lhe parecia não surtir efeito algum. Nesse momento eu já não achava mais aquela brincadeira legal. Lembrei do que meu pai ensinou, caso alguém quisesse abusar de mim algum dia, “deixe ele pensar que está no comando da situação e então ataque!”. Comando da situação... ele já estava no comando da situação! Eu estava praticamente desmaiada, ele poderia fazer o que quisesse comigo. Respirei fundo e me acalmei. Abaixei minha guarda e deixei que ele pensasse que eu estava realmente gostando daquilo e quando ele menos esperou eu finalmente consegui acertar uma joelhada no seu centro de produção de esperma.
Olhei ao meu redor e as minhas quatro acompanhantes estavam certamente aproveitando a noite. Pobre Yoshi, do jeito que Eve estava ele provavelmente acordaria com uma mega dor de cabeça. Mas “o que acontece em Vegas, fica em Vegas”. Sorri deste meu pensamento e desci as escadas meio trôpega, o elevador estava lotado e eu não iria atrapalhar a noite delas pedindo ajuda para sair dali parecendo mais bêbada do que qualquer uma.
Não era como se eu estivesse realmente passando mal por causa da doença. Só... tudo aquilo tinha sido demais pra mim. Muita luz, muito barulho, muita gente...
Atravessei o pátio do hotel e me sentei na beira da calçada. As ruas não estavam tão movimentadas quanto eu esperava. Uma hora dessas todos os turistas deviam estar enfiados nos cassinos e boates espalhados pela Strip. Que, aliás, era muito mais bonita à noite. A vista aqui fora estava muito melhor do que lá dentro.
É nestes momentos que você percebe que Vegas é mesmo Vegas. Um grupo de uns quatro rapazes saiu de um dos cassinos, dois deles cambaleavam, mas ainda assim não deixavam que suas bebidas entornassem. As garotas que saíram junto com eles se despediram e passaram bem a minha frente. Pelo tamanho das saias delas eu podia me sentir uma careta com um vestido tão comprido. Observei a careta de frustração que moldava o rosto delas, não tinham tido sorte com os quatro arruaceiros. Assim como eu, elas também me observaram de cima a baixo.
– ‘Tá olhando o quê?! – resmunguei alto. Eu realmente devia estar parecendo uma bêbada, jogada no chão e gritando com desconhecidos.
“We'll be dancing and singing and climbing up on the tables. We'll be rocking this party. So tell the Dj don't stop! Grab someone if you're single. Grab someone if you're not. It's all about tonight!”– cantarolei alto. Se eu já estava parecendo uma bêbada de qualquer maneira, iria aproveitar.
“Yeah it's all about tonight” – ouvi uma voz rouca soar a última frase do refrão. – Que tal irmos aproveitar a noite em outro lugar.
– Não, obrigada. – respondi sem o mínimo de educação.
– Você não sabe o que está perdendo. – olhei indignada para o cara a minha frente que dizia estas coisas. A luz vinda do poste me impedia de ver o rosto dele, só uns fios loiros ficavam mais visíveis na ponta de um moicano.
– Não ‘tô afim. – resmunguei de novo. Eu estava ficando chata. Levantei e andei na direção do meu hotel. O cara teve a ousadia de me puxar para ele, grudando minhas costas nele. Eu dei um coice na sua canela e voltei a andar. Eu estava ficando expert em me livrar de caras inconvenientes, é. Sorri da minha esperteza e fiz um pacinho ridículo à lá Michael Jackson. Quando eu já estava me achando a motherfucker da parada, o cara voltou e me agarrou novamente, desta vez de frente. Colou nossas bocas me impedindo de reagir. Eu já estava pronta para acertar um chute bem no meio de suas pernas quando eu senti meu corpo fraquejar, se arrepiar ao perceber o piercing passeando pela minha boca. Deixei-me envolver no beijo sem deixar transparecer que eu já sabia de quem se tratava.
Ele parou brusca e imediatamente. – Você sai por aí beijando desconhecidos?! – exclamou totalmente alterado.
Dei um sorrisinho sacana. – Você acha que me engana, Kaulitz. – Continuei andando em direção a entrada do hotel. Lembrei-me dos fios loiros que eu havia visto em sua cabeça. Olhei para trás encarando-o. – Por que você está loiro afinal?
Ele deu de ombros. – Sei lá. E você, por que está na rua afinal?
Eu dei de ombros. – Sei lá. Eu estava sendo muito assediada lá dentro. – ri da careta que ele fez e passei meus braços pela cintura dele. – Se divertiu muito?
– Não... – ele disse tímido, pensando que eu cairia nessa.
– Como se eu não tivesse visto aquelas vadias saindo do cassino com vocês. E não, eu não estou com ciúmes.
– Eu sei que não. – disse rindo e deu uma mordida na minha bochecha, logo em seguida soltou um suspiro alto. – Paparazzi. – apontou discretamente para uma moita a nossa direita.
Sacudi os ombros, enfiando mais a cabeça no pescoço dele. – Não me importo mais com isso. Até por que ninguém vai nem perceber que eu estou aqui. – apontei para o cabelo dele, observando mais atentamente como ele tinha ficado com o look novo. E claro, sem dúvida alguma, isso só tinha feito ele ficar mais lindo ainda, com os olhos mais expressivos. Ele percebeu que eu o admirava - com uma enorme cara de retardada, provavelmente, quase deixando a baba escorrer - e depositou um leve beijo em meus lábios.
– Ah, fala sério! – Nina gritou das escadas e veio na nossa direção com as três espiãs demais - “três espiãs demais?! É... o Bill realmente me faz mal.” - atrás dela. – Isso era para ser uma despedida de solteiro, não uma lua de mel. – falou resmungando e puxando-me para perto dela.
– Biiiill! Já pra festa! – Tom chegou reclamando, seguido de Georg e Gustav, que já estava trançando as pernas. Acho que ser fraco para bebidas era mal de família.
– Não quero. – o mais alto respondeu puxando-me de volta para ele.
– Mas vai. – Nina falou ainda mais alto, pegando-me pelo braço que estava disponível. Eu me senti o cabo do cabo de guerra.
– Me soltem! – eu gritei e os dois me soltaram imediatamente. – Obrigada. – disse alisando meu vestido.
– Sabe Bill, – Mandy se apoiou nos ombros dele, falando pausadamente, atraindo a atenção de todos ali. Ela me olhou furtivamente, fazendo-me imaginar o que viria a seguir. Meus olhos se arregalaram e cerraram ao mesmo tempo. Ela não seria capaz disso. – a sua noiva estava...
– Sentindo a sua falta. – Eve completou sorrindo e meu noivo olhou para mim desconfiado.
– Isso mesmo, ela estava. – Bia confirmou sorrindo para ele. É, me senti protegida neste momento, e sorri com isso.
– Eu vou... – Gus urrou e em seguida se dobrou sobre o abdômen vomitando nos nossos pés. Bia correu para acudi-lo enquanto as outras garotas gritavam de nojo olhando para os belíssimos sapatos sujos de vômito.
– Pois é, né. A dor é grande, mas nós temos que partir. – Tom disse, dando um olhar pesaroso para Gustav no chão.
– Tchau cachinhos dourados. – antes mesmo que eu pudesse terminar a frase me arrependi de tê-la dito. Eu estava realmente retardada hoje.
– Você bebeu? – Bill olhou para mim fingindo-se de preocupado.
– Não, eu zelo pela nossa filha. – dei um sorrisinho fofo sendo retribuída da mesma maneira.
Auf Wiedersehen mein Schatzen. – do jeito que ele estava hoje, com a voz rouca e ainda falando alemão... ele conseguiria qualquer coisa de mim. Melhor não deixá-lo saber disso.
– Vamos logo! – as quatro garotas gritaram juntas da escada.
– Bye Bill. – disse fazendo um biquinho, eu não era tão gamante quanto ele para ficar falando coisas bonitas. Dei um beijo rápido em seus lábios e corri até elas. – Sabe, essa noite não poderia ter sido melhor.

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39 Nothing Lasts Forever em Sab Dez 01, 2012 3:42 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 34 - E Nada Impede a Loucura Voltando, Assombrando


Transylvania - McFly

Carol sentia cada vez mais frio, uma fina chuva caía sobre os ombros desnudos. Assim que seus olhos se abriram ela percebeu que estava novamente naquela floresta. Aquela floresta horrenda, escura não era desconhecida para ela. A garota já havia visto as pedras cobertas de lama e musgo, os cipós cobertos de lodo que pendiam de uma árvore a outra, a densa neblina e principalmente o estranho sussurro que ecoava por todo o lugar. Parecia fazer muito tempo desde que ela esteve ali pela última vez, mas essa fina voz ainda era capaz de fazer seu coração parar de bater. Começou a dar leves passos na direção do sussurro, escorregando nas pedras e amaldiçoando-se por não conseguir lembrar-se de onde conhecia esse maldito lugar. Ouviu o som de uns galhos quebrando-se, vindo do lado oposto do sussurro, o que fez seu coração pular algumas batidas. Virou-se imediatamente começando a ficar apavorada, seu peito subia e descia rapidamente, mal a dando chances de respirar direito.
– Carol... – a voz sussurrou novamente, desta vez mais perto.
– O que você quer?! – gritou, mas apenas sua voz ecoou algumas vezes pela floresta. Ouviu a respiração pesada e acelerada de alguém próximo a ela, e cada vez mais perto. Começou a correr desesperadamente na direção contrária do som da respiração, mas era justamente na direção dos galhos sendo quebrados que ela ia.
– Carol... – a voz se tornava mais alta a cada passo que a garota dava. – Carol... – o chamado era como uma súplica, um pedido de socorro. – Carol! – este último grito a fez parar. Ela conhecia essa voz, ela conhecia esse lugar.
– MÃÃE! – sem que ela percebesse seus passos a guiavam desesperadamente na direção do chamado da mãe.
Ao longe ela viu um vulto passar por entre árvores e correu com tudo que pôde ao encontro dele. Porque ela sabia o que iria acontecer. A mãe iria morrer. Mas Carol não deixaria que isso acontecesse, não dessa vez.
Os galhos, as pedras cobertas de lodo, as folhas soltas... tudo parecia tentar impedir que ela chegasse até a mãe. De tanto cair no chão seu pijama já estava todo coberto de lama, as pernas arranhadas e o pé descalço escorria sangue. Ela parou um pouco para conseguir respirar, apoiando-se sobre os joelhos. O vento parou de soprar, deixando o lugar mais silencioso e permitindo que ela escutasse o chorinho fino que pairava sobre as árvores. – Julie? – a garota perguntou, obtendo a resposta de si mesma. Sentiu seu ventre vazio, e as entranhas se corroerem de dor ao ouvir o choro sofrido da filha. Esqueceu toda a dor que sentia e voltou a correr.
Carol conseguiu chegar à clareira, mas ela era grande demais, e ela não conseguia se lembrar em que lugar ficava o buraco. Aquele maldito buraco. Pelo canto dos olhos ela viu o vulto passar novamente. Virou-se e viu a sombra da mãe desaparecer pelo chão.
– NÃO! – urrou e correu na direção do buraco. Ao chegar à beirada do mesmo não viu exatamente o que esperava ver. A mãe caindo em meio à escuridão do buraco sem fim já era uma cena conhecida por ela. Mas aquela bebê enfiada no meio de tudo aquilo, chorando assustada enquanto caía era uma coisa desconhecida.
Ela tentava alcançar a mão da mãe ou o bracinho de Julie, mas tudo era em vão. Elas já estavam longe demais. Sem conseguir pensar direito ela se jogou dentro do buraco, tentando agarrar de todas as formas as duas que caíam. Carol se via próxima das duas, mas ao esticar os braços para tocá-las elas pareciam tão distantes, isso era desesperador. Ela se sentia impotente, por permitir que a mãe se fosse novamente e por não conseguir proteger a própria filha.
Fechou os olhos esperando o iminente choque ao chão, porém ele nunca acontecia. Por que a merda do chão não chegava logo para acabar com tudo isso? Ela não suportava mais escutar nem um pedido de socorro da mãe, mas nenhum segundo de choro da Julie. Abriu os olhos e viu uma silhueta a beira do buraco com a mão esticada. Isso fez com que o coração dela voltasse a ter vida. Antes que o homem a beira do buraco desistisse e fosse embora, deixando-a desesperada novamente, ela gritou.
– BIIIIILL!!!



– BIIIIILL!!! – acordei gritando loucamente, com o coração acelerado e as mãos trêmulas. Tinha tido aquele maldito pesadelo de novo.
Eu já havia tido esse mesmo sonho, várias vezes. Porém não recentemente, já fazia muito tempo que eu não o tinha. Ele era freqüente nas primeiras noites em que eu senti tanta falta da minha mãe que nem dormindo eu conseguia esquecer isso. E depois se tornou freqüente novamente quando eu tive o primeiro tumor no ouvido. Depois disso ele tinha se apagado. Mas parecia estar apensas escondido em algum lugar obscuro.
Mas ele estava diferente dessa vez, mais próximo da realidade. Assim como a merda dessa doença levou minha mãe para a escuridão, planejava me levar também. E agora, a Julie também. O horror durante o sonho era praticamente o mesmo que eu sentia acordada ao pensar que minha filha poderia passar por isso. Contudo, o final inteiramente novo dele havia me aliviado quase que completamente. Bill havia aparecido para salvar uma de nós. E neste momento eu gostaria de cantar para ele: “Because maybe,you're gonna be the one that saves me. And after all, you're my wonderwall” – Isso, claro, se eu soubesse cantar. E se minha voz fosse bonita. Não, nem assim.
– Você acordou! – olhei assustada para a porta, temendo que o meu pesadelo pudesse ter vindo para a vida real. Mas eram apenas as quatro gurias que me seguiam a todo momento.
O quarteto mais animado da face da terra atravessou a porta do meu quarto. – Hoje é o dia da noiva. – Eve falou animada e tudo o que eu pude fazer foi enfiar minha cara no travesseiro.
– Nem tente fugir, o casamento é amanhã de manhã. – Bia disse e eu me sentei rapidamente com os olhos arregalados.
– Amanhã?!
– Você tinha se esquecido? – Mandy perguntou num tom divertido.
– Não é que eu tenha esquecido... eu só não tinha me lembrado. – explanei tentando me situar no tempo e espaço. Espaço: okay, eu ainda estava no meu quarto. Tempo: Oh Meu Deus eu vou casar amanhã!
Fiquei em pé na cama. – Eu vou me casar amanhã. Eu vou me casar amanhã. – afirmei para mim mesma, tentando me conscientizar da realidade cruel. Joguei meu corpo para trás me deixando cair na cama novamente. – Cara, isso ainda não soa normal. – virei para Nina e Eve que estavam sentadas na beirada da cama. – Vocês algum dia imaginaram que fossem me ouvir dizer uma coisa dessas? – elas duas balançaram a cabeça negativamente. – Nem eu.
– Não importa. Vamos logo que você tem muitas coisas para fazer hoje. – resmunguei e não tive escolha a não ser me deixar levar.


Yoshi estacionou o carro segundo ordenado por Eve em frente a uma construção moderna e luxuosa. A frente era feita por paredes de vidro envoltas por ferro destorcido. Havia uma placa a frente do local, que dizia em letras desalinhadas “House of Beauty”. Ah, claro. A coisa que eu mais amo no mundo: salão de beleza. Eu amava isso quase tanto quanto fazer compras. Blergh. Para mim isso poderia se chamar “House of Torment”.
– Eu não preciso disso, eu já sou bonita naturalmente. – disse com a maior convicção tentando fazer com que todo mundo desistisse dessa ideia. – Sem falar que o casamento é só amanhã. Que raios eu estou fazendo aqui hoje?
– Mas você já tem que estar praticamente pronta, para amanhã só dar o toque final.
– Cabelo e maquiagem. – Bia afirmou sorridente.
– Vão indo na frente. Daqui a pouco eu carrego ela lá para dentro. – Yoshi disse, fazendo-nos todas olharmos para ele que estava encostado no carro.
Dei um suspiro de alívio ao lembrar que um homem estava ali. Eu não estaria completamente sozinha no meio daquelas loucas. Eu sei que eu devia ser um pouco mais feminina e ficar um pouco mais feliz de ir a um salão de beleza. Porém eu não tinha paciência para isso. Esse não é um lugar que você entra, faz o que tem que fazer e sai rapidamente. É um lugar que você tem de passar praticamente o dia inteiro, e o pior de tudo, escutando fofoca e gente falsa dizendo que você está linda. Isso era o que torrava minha paciência.
– Okay, então. – Eve disse puxando as outras a contragosto. – Mas não demorem. – mandou um beijinho para o namorado e desapareceu salão a dentro.
Encostei-me ao lado de Yoshi no carro. Ficamos por um bom tempo calados, como se estivéssemos sem jeito para conversar. Isso era totalmente estranho, antes nós costumávamos ser tão unidos e eu não me lembro de alguma vez termos passado por uma situação dessas.
– Eu acho que te devo desculpas... – ele começou a falar quebrando o gelo. – por nunca ter ficado na Alemanha como prometi. É que... eu era tão imaturo, tão ingênuo... Eu fiquei muito revoltado, muito decepcionado quando você simplesmente jogou tudo para o alto e fugiu para o Canadá. E resolvi me vingar, isso é ridículo, mas na época eu não achava. Eu achava que você merecia o pior castigo por quebrar tão facilmente o nosso trato de nunca dançarmos separados, e só agora eu percebi o quão idiota eu fui...
– Cara, pára com isso. Você não pode fazer esse tipo de coisa com uma mulher grávida. – falei tentando conter o nó que se formava em minha garganta. Essa gravidez estava me deixando muito sensível. – Mas se esse era o teu objetivo, me castigar, você conseguiu. Por que esse foi o maior castigo que você poderia me dar. – respirei fundo, controlando a emoção. – Sabe, quando eu voltei e percebi que estava lá sozinha, droga, eu me senti tão mal. Toda vez que eu dançava com alguém eu me lembrava que não era você e de que era tudo culpa minha, sempre é. Se eu não tivesse sido tão infantil e fugido na primeira discussão que tive com o Bill, você ainda estaria lá e a minha família também... – percebi que a conversa estava se tornando uma sessão “remoendo o passado e se culpando com Carol Ford” e mudei de assunto. – Mas eu me acalmava quando pensava que você tinha sumido por causa da minha prima. Ela sempre gostou de você, apesar de você ter odiado ela por tanto tempo. Eu sabia que vocês estavam felizes. – sorri contrariando meu eu interior.
– ‘Tá, deu de nostalgia agora. – ele sorriu para mim com os olhos se fechando e fez uma reverência – Quer dançar? – dei um sorriso feliz e estiquei a mão para ele.
Aquilo era uma sensação tão boa. Parecia que não sentia isso há séculos. Fazia tanto tempo que eu não dançava com o Yoshi, fazia tanto tempo que eu não dançava. Tirando os passinhos que eu fazia no baby class, eu nunca mais tinha dançado. Eu não me importava se estava fazendo isso sem música alguma ou se estava fazendo isso no jardim de um salão de beleza - onde, aliás, eu deveria estar - a única coisa que eu sabia é que há dias eu não havia me sentido tão bem. Até minha dor de cabeça rotineira havia sumido. Tinha sido muito bom esclarecer as coisas com o meu melhor amigo, e isso ele nunca iria deixar de ser.
– Ô vocês dois! – me assustei com aquela voz fina da Nina ecoando pelo jardim. Ela era realmente insuportável. – Estão fazendo o quê? Traz ela já pra cá seu chinesinho.
– JAPONÊS! – Yoshi gritou me carregando de volta para aquele inferno.
– Eu não quero... – resmunguei sem ter nenhum efeito.
– Aqui é o lugar das mulheres? – ouvi uma voz ao longe. Era conhecida, mas eu tive de olhar para trás para ter certeza. Jean estava parada com os cabelos loiros ondulados ao vento. – Eles me expulsaram de lá por que lá era “o recanto dos homens” – ela disse imitando Georg de um modo retardado nas últimas palavras. – Bia e Mandy já te enlouqueceram?
– Já. – disse sentindo-me realmente feliz por ela estar ali. Ao contrário das outras duas que estavam na minha cola - e também ao contrário da minha amiga e da minha prima - Jean era bem centrada e madura. Também tinha que ser, para conseguir dominar um cara como o Georg. Tudo bem que eu não tinha lá muito contato com ela, mas não deixava de ser uma ótima companhia quando tínhamos que nos disfarçar durante alguma aparição em público com os nossos namorados.
– Vamos agora? – meu amigo apontou para dentro do salão e eu tive que ir. Sentindo-me como se estivesse indo para o abatedouro.


Voltei para a casa com os cabelos brilhantes, unhas feitas e pele macia e perfumada. Apesar de ter passado o dia inteiro socada naquele inferno, não tinha sido tão insuportável assim como eu tinha pensado. Tinha sido ruim, porém suportável.
Apoiei-me na grade da sacada, de onde eu tinha uma bela vista de onde seria minha casa a partir de amanhã. Eu e Bill havíamos discutido muito sobre isso dias atrás.
“– Você vai morar comigo em L.A.
– Não! Eu não vou deixar meu pai e meus irmãos, não agora, não depois de todo o tempo que eu passei longe deles.
– Eu não vou morar com o tirano do seu pai e seus irmãos problemáticos.
– Você é que é problemático Bill! Não fale desse jeito deles...
– Eles não iriam deixar a gente em paz.
– Então arranje uma solução."


É, tinha sido mais ou menos assim a nossa discussão. E ela continuaria por mais um longo tempo se não tivéssemos olhado para frente e encontrado a solução perfeita para os nossos problemas. A casa de hóspedes. Perto dos ‘meus homens’, mas não o suficiente para eles atanazarem a nossa vida. Depois disso mais uma dúvida ainda pairava no ar: “E o Tom?” Mas o próprio tinha dito que ele ficar bem. Que Dona Simone não iria conseguir deixar ele em paz, e que de qualquer maneira ele iria passar mais tempo ali do que na própria casa.
Resolvi ir passar minha última noite de solteira - credo, eu estava realmente quase começando a gostar disso - no lugar onde eu passaria a primeira noite de casada. Peguei um travesseiro, me enrolei na coberta e fiz uma quase longa caminhada escutando o som das ondas quebrando na baía indo em direção ao meu futuro lar.
“Because maybe,you're gonna be the one that saves me. And after all, you're my wonderwall” – cantarolei mais uma vez, sentindo essas palavras me acalmar, até pegar no sono. Um sono livre de pesadelos.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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40 Nothing Lasts Forever em Sab Dez 01, 2012 3:46 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 35 - Eu Aceito




Já fazia alguns minutos que eu estava acordada, com os olhos abertos fixos no tecido preso ao cabide bem a minha frente. Meu vestido de casamento. Isso era pavoroso, principalmente hoje. Eu estava levando toda essa história numa boa, até ontem à noite. Hoje eu havia acordado com toneladas sobre os meus ombros. Isso parecia tanta responsabilidade para eu carregar sozinha. Era tão assustador passar por esse dia sem minha mãe aqui. Parando para pensar, tudo isso aqui estaria tão diferente se ela estivesse ao meu lado. Não que eu estivesse desistindo de casar com o Bill, longe disso, eu só sentia como se tudo isso estivesse sendo demais para mim. Eu podia parecer e tentar ser muito forte, mas eu era totalmente o contrário. Eu era fraca, e estava sentindo todo o peso da minha fraqueza nesse dia.
O celular em cima do criado mudo despertou, como se precisasse de alguma coisa para me acordar. Desliguei-o e me dirigi para o banheiro. Passei uma meia hora enfiada na banheira tomando cuidado para não molhar o cabelo que estava cheio de rolinhos. Coloquei o roupão e desci para a cozinha.
O microondas dizia que eram apenas 07:30. Ainda havia tempo de sobra, o casamento era apenas as 10:00 da manhã e eu ainda tinha o direito de atrasar uma hora. Fui até a geladeira procurar se, quem sabe, tinha suco de pêssego. Tinha uma jarra com um líquido amarelado, devia ser. Estiquei o braço para pegá-lo, porém minha mão desviou uns sete centímetros atingindo uma latinha de cerveja, derrubando-a. Puxei meu braço e desta vez direcionei-o um pouco mais para a esquerda. Mas ele foi para a esquerda demais e derrubou a caixinha de leite molhando toda a geladeira.
– MERDA! – berrei socando a geladeira. A cozinheira logo apareceu. Abaixei-me para limpar aquela sujeira do chão.
– Pode deixar que eu limpo tudo senhorita, pode deixar. – ela tirou a caixa de leite. – A senhorita estava procurando alguma coisa?
Respirei fundo, me acalmei e levantei do chão. – Eu queria o suco de pêssego. – e apontei para a jarra.
Ela fez uma careta. – Bem, suco pronto na geladeira só tem de uva. Mas se a senhorita quiser eu posso fazer um de pêssego agora mesmo.
– Eu disse pêssego?! – debochei falsamente de mim mesma. – Eu quis dizer uva... eu quero aquele suco de uva... – ela tirou da geladeira exatamente a mesma jarra que eu havia visto, só que agora ela estava com um líquido roxo.
Okay, aquilo havia sido apenas um comum engano, quem nunca trocou laranja por roxo? Não havia nada demais em enxergar laranja ao invés de roxo. Até por que trocar a cor de apenas uma coisa não tinha nada a ver com o meu problema no cérebro. Isto é bem mais provável de ter sido causado pelo meu nervosismo de hoje, isso sim. Já o erro de cálculo de distância sim, eu lembro que a minha mãe vivia derrubando as coisas. Ah, minha mãe... por que ela não está aqui agora? Por que as coisas nunca podem ser do jeito que nós queremos?
Peguei os suplementos vitamínicos e os engoli junto com o suco.
– Onde ela está? – ouvi uma voz feminina desconhecida ao longe.
– Aposto que ela fugiu. – esse era o Benji, só podia.
– Eu não estranharia isso. – Jared, e pelo tom de voz dele ele parecia realmente acreditar nisso.
Ri dos comentários deles e me dirigi até a sala antes que eles surtassem. Era a cabeleireira e o maquiador que estavam lá. Graças a Deus nenhum deles era a Natalie. Se bem que uma hora dessas ela devia estar arrumando o Bill. Droga, eu devia ter exigido que ela viesse me arrumar, isso seria mais seguro.
– Vamos logo, ou você vai chegar atrasada. – o maquiador disse.
– Mas eu devo chegar atrasada, não?
– Uma noiva chegar atrasada quer dizer que ela chegou mais de uma hora depois do horário marcado.
– Okay, vamos para a minha casa. – enfatizei o minha e fomos para a casa de hóspedes.


Finalmente eles acabaram o serviço e me deixaram sozinha. Só tive segurança de me olhar no espelho depois que eles saíram do quarto. Encarei o espelho que se estendia por toda a parede do quarto. Confesso que me assustei um pouco com o que vi. Eu parecia outra pessoa com aquele vestido glamouroso e maquiagem impecável. Mas ainda assim parecia comigo. Contraditório, mas é a verdade. Era como se fosse um lado meu que eu sempre tivesse tentado esconder. O vestido que eu iria usar tinha sido feito pela Nina, e graças a Deus ela não tinha exagerado tanto. Ele era em um tom champagne, tipo sereia - sorte minha barriga ainda estar quase imperceptível -, e lá no final havia camadas e camadas de flores de tecido.
Eu gostaria de poder usar o mesmo vestido que minha mãe, se ela tivesse usado um. Pelo que o meu pai disse, quando eles casaram ela estava usando calça jeans e uma camiseta de bailarina e um véu lindo, enorme e todo bordado. E quando eu perguntava “por quê?” ele só me respondia “Vegas Style”. Infelizmente eu não podia fazer o mesmo.
– Ficou melhor do que esperava, não?
Assustei-me ao reconhecer a voz de da minha sogra. – Ficou sim, Dona Simone. – sorri, ainda sem jeito.
– Por favor, só Simone, você vai casar com o Bill hoje, já é tempo de largar as honrarias não acha?
– Tudo bem senh... Simone.
– Eu queria lhe pedir um favor. – ela se aproximou de mim e sorriu de um modo terno.
– Claro.
Ela colocou uma bolsa em cima da cama e tirou algo lá de dentro.
– Eu gostaria que você usasse isso. – ela me mostrou uma pequena tiara com pequenas flores do campo entrelaçadas. Inclinei minha cabeça para que ela pudesse colocá-la. – E o sal no sapato também.
– Sal no sapato?
– Sim. É para começar com o pé direito, uma tradição alemã.
– Tudo bem... – tirei minha sandália e ela aspergiu um pouco de sal sobre ele.
– Pronto, isso deve dar sorte. – ela me olhou por uns segundos e os seus olhos foram se enchendo de água. – Eu nunca imaginei isso. – ela deu uma risada e secou as lágrimas. – Muito obrigada, Tochter.
Subitamente a abracei, eu justamente estava sentindo mais falta da minha mãe do que nunca e ela apareceu do nada para ajudar a suprir essa falta hoje. – Eu que agradeço, por tudo, minha gratidão está quase do tamanho do meu nervosismo.
– Agora eu tenho que ir antes que o Bill surte. Aliás, ele já está surtado há muito tempo.
– Sério?
– Você não faz ideia... – segurou minhas mãos – por favor, cuide dele e não o magoe ele ama muito você.
– Pode deixar.
– Tchau querida.
Quando ela saiu, voltei a encarar o espelho, me sentindo menos estranha graças a Don... a Simone.
– Quando o juiz me perguntar se eu lhe entrego por livre e espontânea vontade eu vou dizer que não. – meu pai entrou no quarto, já devidamente vestido.
– O juiz vai te perguntar isso?
– Não vai?
– Sei lá. – dei de ombros. Instalou-se um longo e irritante silêncio entre nós. E grande parte por que ele não demonstrava nenhum sinal de felicidade. – Pai, eu não vou me mudar tipo, pro outro lado do mundo, são só alguns metros.
– Eu sei, mas é assustador, não é? – ele parou ao meu lado no espelho observando-me pelo reflexo. – Sua mãe devia estar aqui hoje.
– Devia. – confirmei, com a dor saltando na voz do mesmo modo que saltava em meu peito. Puxei a mão dele para mim e a apertei como se isso pudesse fazê-la passar.
– Ah, eu ia me esquecendo. – ele se voltou para um pacote que havia jogado em cima da cama, o qual eu nem havia reparado. – Eu guardei isso para você. – me estendeu um tecido fino branco, todo bordado e sem precisar de explicações eu já sabia o que era. O véu que a minha mãe havia usado.
– Droga, pai. – o abracei e senti imediatamente meu rosto encharcado de lágrimas. Tudo que eu havia reprimido até esse momento transbordava pelos meus olhos. Toda a insegurança pela falta da minha mãe justo hoje estava me matando.
– Calma, meu anjo. Vai ficar tudo bem, eu estou aqui com você. Pare de chorar ou você vai borrar todo essa tinta do seu rosto. Mas se você quiser desistir...
– Paaara! – me afastei e dei um soco nele, não um soco de verdade, ele era meu pai né.
– Eu estou aqui para o que você precisar, não precisa se desesperar. – eu o abracei novamente, mas desta vez sentindo a proteção e me acalmando mais.
– Está pronta? – me afastou e esperou minha resposta.
– Não.
– Mas nós vamos do mesmo jeito. Só faltam dez minutos.
– Para as dez?
– Sim, você não vai chegar atrasada vai? – fiquei confusa, eu devia ou não chegar atrasada? – Ah, e troque o anel de mão, você precisa abrir espaço para a aliança.
Um arrepio percorreu minha espinha ao ouvir a palavra aliança. – Vamos.

Eu já estava parada há alguns minutos em frente ao Palácio de Belas Artes, apenas segurando o pingente de bailarina passando os dedos pela inscrição em baixo relevo, tentando ganhar coragem para subir os degraus. A música começou a tocar e meu pai me estendeu a mão e eu tive de ir de qualquer jeito.
Assim que o rosto do Bill apontou eu senti a segurança que me faltava, o porquê de eu estar fazendo aquilo voltou a fazer sentido. A cada passo que eu dava meu coração batia mais rápido e meus olhos se enchiam d’água. Eu não parecia estar indo para o abate como eu pensava que pareceria, eu me sentia caminhando para uma nova vida. Uma vida só minha e dele.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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41 Nothing Lasts Forever em Qua Dez 05, 2012 2:51 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 36 - Eu Aceito - Parte II




Taylor Swift – Love Story

A cada passo que eu dava meu coração batia mais rápido e meus olhos se enchiam d’água. Eu não parecia estar indo para o abate como eu pensava que pareceria, eu me sentia caminhando para uma nova vida. Uma vida só minha e dele.
A música que soava fazia um arranjo perfeito com o meu coração, era um compasso perfeito, era como um hino de felicidade. Tudo a minha volta, todas as pessoas, eram apenas um borrão. Eu sentia meu pai ao meu lado, me dando a certeza de que ele estava me apoiando e que tudo finalmente daria certo. Tudo que importava para mim neste momento era o sorriso de felicidade que eu via no rosto do meu futuro marido. Todas as coisas do mundo tinham sido resumidas em apenas uma: nós.
Quanto mais eu me aproximava dele, mais eu sentia a sensação de plena felicidade e eu não via a hora de poder pertencer plenamente a ele. Eu realmente estava desejando isso, por mais ridículo que isso fosse, parecia inexplicavelmente perfeito para mim a idéia de poder ser dele para sempre, ou pelo tempo que eu durasse. Eu parecia outra versão de mim mesma, gostando de toda essa coisa exageradamente romântica e ridícula. Porém a partir de hoje eu estava disposta a permitir que todas essas sensações se arraigassem e me dominassem. Ele valia à pena.
– Vai cuidar dela direito, rapaz? – meu pai sussurrou para o meu noivo assim que chegamos ao altar.
– Vou sim, senhor. – Bill falou tentando olhar para o meu pai ao invés de mim.
– Acho bom, senão você morre. – falou como se fosse uma coisa natural e saiu.
Bill segurou meu rosto e me olhou de uma maneira tão profunda que eu pude ler toda a sua alma assim como eu sabia que ele podia ler a minha, e era somente pura felicidade compartilhada.
A sensação era mais completa do que dançar. Era como se eu estivesse dançando com ele, na beira da praia, durante o por do sol, pra sempre.
O Juiz a nossa frente começou a proferir palavras que eu não prestava muita atenção, tudo aquilo que ele estava falando de amor, lealdade, eu já sabia, eu já sentia. Eu não precisava que alguém me mostrasse o modo certo de viver com ele, como meu marido. Nós iríamos aprender, juntos, e isso era o que mais importava. Ele pigarreou, chamando atenção para uma pergunta que ele considerava importante.
– Bill Kaulitz você aceita Carol Louise LeMarchand Ford como sua legítima esposa, prometendo amá-la e respeitá-la, na saúde e na doença na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
– Eu aceito. – respondeu e sorriu para mim, fazendo as borboletas em meu estômago voarem.
– Carol Louise LeMarchand Ford, você aceita Bill Kaulitz como seu legítimo esposo, prometendo amá-lo, respeitá-lo, e obedecê-lo na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
– Não. – Bill me olhou com a maior cara de desolação do universo e aí eu percebi a burrada que eu havia feito, e tentei me concertar.
– Não que eu não te aceite, é que eu não posso prometer te obedecer, por que eu não vou! – nesse momento ele começou a rir, ignorando minha seriedade e o juiz continuava pedindo que eu respondesse. Eu ouvia as pessoas rindo por todo o local, mas eu não estava me importando muito com elas no momento.
– Tudo bem. – Bill disse baixinho para mim. – Vamos criar nossos próprios votos.
– Agora? Sem eu preparar nada? – meu estômago começou a embrulhar.
– Sim, diga qualquer coisa que você queira me dizer e que possa me prometer. – disse a última parte num tom divertido.
– Okay... – respirei fundo, meu coração havia disparado tanto que não sabia se conseguiria falar. Segurei as mãos dele quase tão trêmulas como as minhas com força e simplesmente pensei no que eu gostaria que ele soubesse nesse momento. – Nós nos conhecemos há algumas primaveras e você me trouxe uma paz e alegria que eu não fazia idéia que existiam. E após isso a única coisa que importava é que eu precisava te ver de novo. E eu consegui, mesmo que tudo tenha sido difícil desde então! – ouvi uns risos nessa parte, fazendo-me rir também. – E agora na frente dos nossos amigos e familiares eu decido me entregar para você. E eu prometo, enquanto eu existir ainda vou amar você e te fazer feliz. – terminei e me senti aliviada de ter conseguido dizer estas coisa pra ele sem me sentir envergonhada e sem fazer nenhuma trapalhada. – Agora é a sua vez. – disse baixinho.
Ele, como eu, respirou fundo e apertou minhas mãos, e começou a falar com um enorme sorriso. - Quem diria que eu conheceria o amor da minha vida em um acidente de carro? Sempre imaginei que conhecer aquela pessoa especial fosse um tipo de cena cinematográfica no qual a garota passa radiante em uma rua e com uma troca de olhares você fica totalmente apaixonado. Bem mas o destino sempre nos surpreende, é lógico que não seria do jeito que eu imaginava. – ele riu e olhou para baixo. – E eis que naquele momento do acidente surgiu uma garota com um rosto angelical e lindos olhos azuis que eu sabia que jamais iria esquecer e que fizeram com que eu nunca mais visse o mundo do mesmo modo. E desde aquele dia, eu não parei mais de pensar naquela menina, até que nos reencontramos novamente, para a minha mais completa felicidade. Nós tivemos nossas crises e brigas, mas hoje eu gostaria de reforçar o quanto eu amo você e o quanto você é especial pra mim, e prometer que eu sempre, sempre, vou estar ao seu lado, não importa o que aconteça. E enquanto eu estiver vivo, meu amor por você vai continuar o mesmo.
Nosso momento de pura felicidade e contemplação foi interrompido pela pergunta mais idiota que eu já ouvi na minha vida.
– Alguém tem algo contra este casamento? Se alguém tiver, fale agora ou cale-se para sempre.
Okay, eu realmente tinha ficado com medo disso. Olhei para a minha esquerda onde estavam os meus padrinhos - casais de padrinhos, a La brasileira, não ia haver lógica alguma colocar um monte de meninas como minhas madrinhas e nenhum dos meus irmãos.
Eles estavam todos enfileirados ao meu lado direito: Jeremy e Charlotte; Christopher e sua mulher, Ellen; Benjamin e Marina; Jared e Evellyn. Estavam felizes e radiantes, nenhum deles parecia que iria interromper o casamento, o que me deixou completamente aliviada. Os ‘meus homens’ estavam ao meu lado dessa vez e dispostos a me fazer feliz.
Olhei para a minha direita, onde estavam os padrinhos do Bill: Georg e Jean, Gustav e Bia, Andreas e Mandy, Tom e Natalie. Acho que esse é o momento que eu posso surtar, Tom e Natalie?! O Bill tinha escolhido a Natalie como sua ‘principal’ madrinha?! Por que se estava com o Tom era a ‘principal madrinha’, lógico. Agora eu estava verdadeiramente com medo. Eu nunca gostei da Natalie e ela estava ali numa posição fácil de estragar tudo. E também havia a Mandy, ela não me inspirava muita confiança. Sem falar que qualquer pessoa neste recinto poderia querer acabar com tudo. Talvez alguma fã revoltada que tivesse descoberto e conseguido entrar...
– Ninguém? – por que ele ainda estava perguntando isso? É claro que não tinha ninguém. – Então, as alianças.
Olhei para o meu noivo esperando que ele tirasse uma caixinha do bolso, ou que Tom entregasse uma caixinha para ele, porém ele nem se mexia. Se ele tivesse esquecido as alianças eu o mataria. Bill olhou para trás e a orquestra que ali estava presente começou a tocar uma linda música. Que eu logo reconheci como Sweet Child O’ Mine. Olhei para trás e lá vinha meu querido sobrinho, de túnica vermelha estilo uniforme regencial com calças marfim justa e sapatos pretos de verniz, ele estava um príncipe, literalmente.
Acho que essa era a surpresa que eu mais tinha gostado ultimamente, acho não, com certeza. O J.J vinha sorrindo e conforme a música ia avançando eu e Bill íamos cantarolando baixinho. Assim que chegou ele esticou os braços para mim e eu o peguei no colo. Eu certamente havia quebrado todos os protocolos de uma noiva hoje. O coloquei no chão novamente e então ele entregou as alianças para o Bill.
– Eu te entrego esta aliança, como sinal... – começou a dizer e sorriu sapeca -... de que você agora é exclusiva e totalmente minha e que ninguém pode se atrever a querer mudar isso.
– Eu te entrego esta aliança, Bill, como sinal... – parei, me divertindo com isso também. -... de que agora você é oficialmente um dos ‘meus homens’ e eu acho melhor você ir se preparando para isso.
– Eu estou preparado. – sorriu prepotente e avançou para me dar um beijo.
– Rum, rum. – o Juiz pigarreou e adquiriu uma expressão séria. – Então, finalmente, eu vos declaro – respirei fundo e fechei meus olhos absorvendo as palavras que mudariam a minha vida. – marido e mulher. Pode beijar a noiva.


– Eu acho que nós temos que valsar agora.
– Tudo bem, Bill. Eu não vou obrigar você a fazer isso. – apertei o biquinho que ele havia feito.
– Mas é uma tradição... nós temos que ir. – ele se levantou e esticou-me a mão.
– Tudo bem, nós não precisamos...
– VAMOS LOGO! – ele me arrastou para o meio da pista de dança ainda vazia. – Por que você sempre dança com todo mundo menos comigo?
– Por que você não gosta? – sugeri de forma óbvia.
– Eu gosto... – ele disse de forma não muito confiante e assim que a música começou a soar ele mudou sua expressão e postura repentinamente.
Ele me guiou durante toda a dança, de um modo realmente bem coreografado e não trocou uma só palavra comigo até a música parar e todos ovacionarem. E eu nem sequer aproveitei a maravilhosa sensação de dançar com ele pela primeira vez, eu estava, espantada demais para isso.
– Eu não sabia que você sabia dançar. – arqueei a sobrancelha esquerda.
– Há muitas coisas sobre mim que você não sabe. – disse prepotente arqueando a sobrancelha direita. De algum modo eu senti inveja de quem tinha ensinado meu marido a dançar assim, eu queria muito estar no lugar dessa pessoa, e eu não tinha um bom pressentimento sobre quem tinha sido essa pessoa, ou talvez essas duas pessoas.
– Agora é a vez do seu pai, né?
– Do quê? – olhei sem entender. Era a vez de o meu pai saber coisas que ele não sabia sobre o Bill? Ou de eu saber coisas que não sabia sobre o meu pai?
– De dançar com você oras, do quê mais seria?
– Ah, sim, claro. – sorri sem graça. – Mas ele não vai querer. – apontei com a cabeça para a mesa onde meu pai estava sentado. – Olha como ele está todo empolgadinho com a Dra. Jane.
– Isso é bom. – ele deu um sorriso malicioso que eu não entendi. – Nós não vamos mais ter que pagar as consultas com ela.
– HA HA HA – ri sem humor nenhum. – Meu pai de casinho com alguém não é bom em nenhuma dimensão.
– Ciumentinha. – ele apertou minha bochecha, rindo da minha cara.
– E parece que o Jimmy também arrumou um casinho lá em Dearborn. Ele não pára de falar de uma tal de Hanna desde que chegou. – revirei meus olhos, bufando como um touro ao mesmo tempo. – Eu odeio essas aproveitadoras.
– Parece que não são só eles que estão se ajeitando. – olhei pra ele com cara de assassina. Se alguém estivesse ousando tocar no Jared ou no Benjamin eu matava, ah se matava. Olhei para onde ele apontou e vi a minha amiga de cabelos azuis, praticamente sentada em cima do Gustav falando sem parar.
– Pobre Gus, olha a cara de sofrimento dele. – voltei meus olhos para o sorriso sem preocupações do Bill e vi de relance algo meio alaranjado passar por entre as árvores do local. – Eu já volto, Bill. Tenho que falar com uma pessoa.
Corri em direção as árvores, chegando ao lugar onde eu havia visto o vulto. – Larissa?! – perguntei e instantaneamente uma onde de raiva tomou conta de mim. – O que você está fazendo aqui?
– Eu só... eu... – ela se virou para mim com a cabeça baixa. Era estranho, nós não parecíamos mais as mesmas amigas de antes, também pudera, abandonar meu irmão sem explicações e esconder um filho não era uma coisa totalmente aceitável. – Eu estava com saudade do meu filho.
– Pelo menos você o conhece desde que nasceu. - disse, com puro veneno correndo pela minha voz.
– MAMÃE! – ao ouvir isso fechei os olhos com desgosto. Eu não queria que ela chegasse perto dele, nunca mais. Segurei a mão do meu sobrinho, impedindo que ele chegasse até ela.
– Por favor, me deixa ficar só um pouco com ele. Eu vou embora hoje mesmo, só quero ficar um pouco com ele. – ela desviou o olhar para minha barriga. – Eu esperava que você entendesse.
Sentimento de mãe, entendi o recado. Minha ex-cunhada ainda me conhecia muito bem. – Tudo bem, mas só um pouco. E não suma com ele, eu vou te encontrar, não importa onde você esteja. – falei ríspida, com o dedo esticado na direção dela. O Junior me olhou com os olhos arregalados fazendo com que eu me arrependi de ter feito isso. – Tome cuidado. – falei para ele e o soltei. Assim que ele conseguiu saiu correndo e abraçou a mãe com toda a força. Deixei os dois a sós.
Sentei em um banco de madeira que havia no meio das árvores para tentar me acalmar um pouco e decidir se devia ou não contar para o Jared. No meio de uma delas, um pouco mais longe, vi um rosto estranhamente familiar. Eu tinha certeza que nunca havia visto aquele homem antes, mas seu semblante não era totalmente desconhecido. Decidi ir até ele.
– Licença. – o homem olhou assustado. – o senhor é convidado do meu pai?
– Não.
– Da dona Simone?
– Não mesmo. – respondeu e deu um sorrisinho, arqueando a sobrancelha direita. Direita.
– O senhor é Jorg, o pai dos gêmeos. – disse com confiança, reconhecendo o mesmo formato de olhos e sobrancelha, totalmente diferente da Simone.
– Eu? – ele ficou visivelmente desconfortável. – De maneira alguma. Eu só estava passando e pensei que eu podia comer alguma coisa, mas já estou saindo, não precisa chamar ninguém para me expulsar.
– Não precisa, o senhor pode entrar.
Ele baixou um pouco a guarda e adquiriu um olhar pesado, triste. – Eu não seria bem vindo.
– Eu lhe acompanho.
– Muito obrigado, mas é melhor não. – ele virou as costas, começando a andar e se virou novamente. – Que bom que o Bill encontrou alguém bom pra ele, ele merece.
– O senhor quer que eu diga alguma coisa para ele?
– Diga que você o ama. Deixe ele ter certeza disso. – ele deu um último sorriso triste e subiu na moto que estava estacionada na calçada.
– CAROOL! Onde você estava, Schätzchen? – Bill veio correndo até mim. – Eu já estava achando que você tinha fugido. E as pes... – não deixei que ele terminasse e o abracei, com toda a força que tinha. – O que foi?
– Eu te amo Bill. – ele segurou meu rosto em suas mãos, olhando-me fundo, tentando descobrir o motivo de eu estar dizendo isso agora. – Eu só preciso que você saiba, que eu te amo, mais do que qualquer coisa no mundo.

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42 Nothing Lasts Forever em Qua Dez 05, 2012 3:07 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 37 - Tudo Por Que Duas Pessoas Se Apaixonaram



– Eu não vou conseguir sair daqui, definitivamente.
Resmunguei alto após ter repetido dezenas de vezes para mim mesma que eu conseguiria fazer isso. Quase caí do vaso sanitário onde eu estava sentada ao ser surpreendida por batidas na porta.
– Carol, você está bem?
– Eu estou bem sim. – levantei-me prontamente alisando a saia da ‘fantasia’. Eu não sei de onde eu tinha tirado essa idéia ridícula. Oh, claro, da Nina. “Você tem que fazer alguma coisa para poder esquentar a relação.” Diacho de conselho mais horroroso.
– Tem certeza que está? Você já está aí há mais de meia hora.
– Sim, Bill. E eu já estou indo. Vá... vá para... – eu gaguejava tentando fazer as palavras saírem da minha boca. – Vá para o quarto, me espere lá.
– Por que eu deveria? – a voz dele soou algo entre preocupada e divertida.
– Por que eu estou falando pra você ir, droga. – cruzei os braços e fiz cara feia para a porta, como se isso fosse influenciar na atitude dele.
– ‘Tá bom, estou indo. Mas não demore.
– ‘Tá.
Esperei até que os passos dele se tornassem inaudíveis e abri a porta, observando cuidadosamente dos dois lados do corredor se ele não estava escondido em algum lugar. Resisti à vontade de observar uma última vez meu reflexo no espelho e andei até a porta do quarto que estava entreaberta. Estiquei a mão para dentro e apertei o interruptor.
– O que foi isso?! – Bill exclamou assim que as luzes foram apagadas. Eu ri imaginando ele pulando da cama de susto. Caminhei até onde eu havia deixado o controle remoto do som e da luz. Hesitei antes de apertar o botão do play. Um comichão percorria meu estômago, e eu já estava na dúvida se era de pavor do que eu estava prestes a fazer ou empolgação para saber a reação dele. Tomei coragem, deixei que a empolgação me dominasse, coloquei meu lado sexy para fora e apertei os dois botões.
– O que vo... você... está... fazendo? – ele perguntou num misto de surpresa e empolgação.
– Aproveite, por que você nunca mais vai ver isso de novo. – sussurrei pouco antes de iniciar os passos que eu havia coreografado.
Ao me virar para frente evitei olhar para ele, porque certamente no momento que eu fizesse isso e ia tomar vergonha na cara e sair correndo dali. Foi constrangedor, principalmente as partes onde eu tinha que fazer uns abrimentos complexos de pernas, por isso eu optei por encher linguiça com wave dance.
Assim que terminei olhei para Bill e ele estava visivelmente feliz e empolgado. Deu palmadas no colchão em sua frente para que eu fosse para lá. Mas antes mesmo que ele pudesse tocar em mim eu me dei conta de que estávamos fazendo algo muito errado.
– Bill nós não podemos fazer isso!
– POR QUE NÃO?! - ele arregalou os olhos e apontou o dedo para a aliança que ele estava usando. - Nós estamos casados!
Sussurrei como se estivesse confessando um pecado que ninguém jamais pudesse descobrir.
– A Julie vai ver tudo.
Ele soltou umas boas gargalhadas como se eu estivesse falando a coisa mais engraçada do mundo. – Ela não vai ver... Além do mais, ela precisa saber que os pais dela se amam. Se nós não estivermos juntos, ela vai sentir que nós não estamos conectados e ela pode até ficar traumatizada. Agora, se nós ficarmos próximos – e ele foi ficando próximo – e nos amarmos, ela vai nascer sabendo o que é o amor.
– Você realmente sabe como convencer as pessoas, hein.
– É, eu sei. Eu sou o máximo. Agora vem cá.


– Esse casamento acabou muito cedo. – Benjamin reclamou enquanto iam para o carro. – Não são nem dez horas.
– Isso por que o casamento começou as de, da manhã. – Gustav disse, isso para ele era tarde demais, enquanto para os outros três era exageradamente cedo.
– Nós devíamos fazer alguma coisa. – se o noivo estivesse aqui provavelmente daria um soco no rapaz que disse isso. Não exatamente pelo que Lewis acabara de dizer, mas por que ele estava com vontade de fazer isso desde o dia em que ele levara Carol para terminar com Bill. E era nisso que Tom pensava, porém ele não tinha nenhuma antipatia pelo rapaz, ele parecia ser gente boa.
– Por que não vamos para aquele lugar que você me levou aquele dia, Benji? – Tom sugeriu ansiando pela resposta positiva.
– Okay, vamos então.


– Chegamos. – Benjamin disse assim que o carro parou no ‘lugar das cerejas’. Você gostou daqui né, Tom?
– Sim... é um bom lugar, divertido. – mas ele sabia muito bem o motivo por trás disso, lá era sim um lugar divertido, mas além disso havia uma pessoa naquele lugar que o fazia se sentir muito bem.
– Oi Gina. – Tom ergueu rapidamente a cabeça ao ouvir Benji pronunciar essas palavras.
– Oi Ben. – a loira sorridente estava parada em frente à porta. – Oi Tommy.
– Oi. – ele disse esfregando a língua no maldito piercing. Ben, Lewis e principalmente Gustav olharam estranhamente para Tom ao ouvir a garota chamá-lo de um modo tão íntimo.
Uma música começou a soar e a garota ligeiramente pediu licença e subiu no balcão com mais três garçonetes. Elas começaram uma dança bem estilo “Show Bar” só que um pouco mais sofisticado.
– É por isso que eu gosto disso aqui. – Benji exclamou e os quatro foram se aproximando do bar e Tom não conseguia parar de pensar: “Essa é a mesma mulher com que eu conversava?” Mas ele não podia deixar de admitir que também gostava muito desse lado recém descoberto dela. Ele também pensava que não deixaria Bill saber disso ou ele iria vir com aquela história de que ele havia pegado uma dançarina primeiro e só por isso Tom havia ido atrás de uma, por pura inveja. De qualquer maneira Bill não iria ficar sabendo disso. Ao menos ele pensava.
Assim que elas desceram de lá Tom foi atrás de Gina. – O que você vai fazer agora?
– Vou para casa. – ela disse ainda meio ofegante em parte por causa da dança e em parte por causa do nervosismo. Não importa quantas vezes ela já havia feito isso, ela sempre ficava tímida depois. Levou a mão à bochecha comprovando que elas estavam quentes e provavelmente bem vermelhas por causa da vergonha. – Meu turno já acabou.
– Ou não. – ele sorriu sacana e ela parou de sorrir sem entender do que ele estava falando. – Talvez eu possa ir para casa com você. – ele sorriu sabendo que iria aproveitar bem a noite hoje.
– Idiota! Eu sou uma garçonete, não uma prostituta. – ela berrou sentindo o ódio crescer em seu peito. No fim todas as pessoas acabavam pensando a mesma coisa, elas não sabiam distinguir as coisas.
– Eu não quis dizer isso...
– Atravesse a rua, lá você vai encontrar o que está procurando. – pegou a mochila que estava atrás do balcão e se dirigiu ao toilet.
Tom foi até a porta decidido a ir procurar o que havia de interessante no outro lado da rua. O lugar estava lotado e as luzes piscavam. Deveria ser bom. Mas no meio do caminho ele voltou ao lugar a tempo de ver a loira já de moletom correndo pela calçada.
– Argh! Eu não estava pensando em trocar sexo por dinheiro. – ele reclamou mais consigo mesmo já que ela não poderia ouvir. Voltou para o bar e sentou-se na mesa onde os outros estavam.
No fim, a noite foi bem diferente do que ele imaginava.



– Julie? – chamei esperando que ela respondesse – Mamãe está com dor. – falei mole por causa da dor latejante em minha cabeça – Você pode fazer isso passar? – esperei, como se ela pudesse responder. – Não né... mas o papai pode, - disse num tom feliz – o papai tem super poderes com esse. Verdade. – como se ela estivesse duvidando disso... – Ele pode fazer minha dor sumir e também me fazer sorrir mesmo que eu esteja com vontade de chorar. Você vai ver, ele vai conseguir fazer isso com você também. Pode acreditar, nunca duvide da mamãe. Isso é muito importante.
Ri para mim mesma da conversa muito séria e recíproca que eu estava tendo com a minha filha.
Desisti de esperar que a dor passasse e decidi levantar a procura do ‘papai’. Me sentei na cama e acendi a luz, já que as cortinas estavam fechadas. – Viu bebê, eu te disse. – falei com satisfação observando o quarto praticamente todo coberto por pétalas de rosas vermelhas.
Levantei e vesti a camisa do Bill que estava jogada no quarto e reparei num papelzinho quadrado que estava colocado no meio de um monte de pétalas.
“Você sabe que é tudo para mim
E eu não poderia nunca ver nós dois separados
Você sabe que eu me dou para você
E não importa o que você faça, eu te prometo meu coração.”

Meu coração passou a bater mais acelerado no mesmo instante. Havia um caminho de pétalas que seguia até para fora do quarto, onde eu achei mais um bilhetinho.
“Eu construí meu mundo em volta de você e eu quero que você saiba
Eu preciso de você como eu nunca precisei de ninguém antes.”

Exatamente como eu havia dito para Julie, Bill havia feito eu me esquecer da dor que pulsava em minha cabeça. As coisas que estavam ali escritas eram bem mais importantes do que qualquer coisa.
Havia outro papel no final das escadas.
“Eu vivo minha vida por você
Eu quero estar ao seu lado
Em tudo o que você fizer
E se há algo em que você pode acreditar
É que eu vivo minha vida por você.
Eu dediquei minha vida a você
Você sabe, eu morreria por você
Mas nosso amor pode durar para sempre
E eu sempre estarei com você
E não a nada que nós não possamos fazer
Enquanto nós estivermos juntos”

Essas palavras me lembraram um refrão de alguma música, alguma que meus pais escutavam. Mas para mim ela tinha obtido um novo significado agora, era realmente como algo que ele estava dizendo para mim, só para mim.
E havia mais outro no caminho de pétalas que seguia em direção ao jardim.
“Eu apenas não posso viver sem você e eu quero que você saiba,
Eu preciso de você como eu nunca precisei de alguém antes
Eu vivo minha vida por você
Eu quero estar ao seu lado
Em tudo o que você fizer
E se há algo em que você pode acreditar
É que eu vivo minha vida por você.”

Assim que eu terminei ouvi umas notas de violão seguidas pela voz de Bill terminando a música.
“Eu construí meu mundo em sua volta e eu quero que você saiba,
Que eu preciso de você como eu nunca precisei de ninguém antes
Eu vivo minha vida por você
Eu quero estar ao seu lado
Em tudo o que você fizer
E se há algo em que você pode acreditar
É verdade, eu vivo minha vida por você.
Eu vivo minha vida por você”

Eu ainda sinto essas estúpidas borboletas no estômago ao o ouvir cantando. Segui o som da sua voz e o achei sentado em uma mesa de café da manhã no jardim tocando o violão. Ele estava ficando bom nisso.
– Te achei.
Ele olhou para mim docemente e perguntou como se meu sorriso já não respondesse isso: – Gostou?
– Tem dúvida disso? – sentei em seu colo, tomando o lugar do violão. – Me desculpe.
– Pelo quê? – perguntou mexendo concentradamente em meus cabelos.
– Essa não é exatamente a lua de mel perfeita que imaginávamos.
– O QUÊ?! – disse num tom de exagerada indignação que eu estranhei. Essa não era a reação que eu esperava dele. – Essa não é a lua de mel que você imaginava? – fez uma careta de desgosto. – Me senti humilhado agora. – estreitei meus olhos sem entender do que ele falava. – Eu estou aqui, fazendo tudo isso, fazendo tudo ser do jeito que eu esperava e você vem me dizer que não está bom o suficiente? – se fez de ofendido mas estava prendendo o riso.
– Cala a boca... Eu estava falando sobre viajarmos, pro Havaí, não sei... algum lugar especial.
– Nós temos o sol, a praia... você tem a mim e eu tenho a você. Quer mais alguma coisa? – olhou para mim com aquele olhar que me fazia sentir a pessoa mais importante do mundo.
– Não mesmo... Isso está perfeito do jeito que está.

FireHouse - I Live My Life For You

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43 Nothing Lasts Forever em Qua Dez 05, 2012 3:19 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 38 - Recém-casados



Bill POV's

– Eu disse que ia ficar mais aqui do que lá em casa. – Tom afirmou, por mais que eu já soubesse disso. Eu havia saído logo após o café para deixar toda a família no aeroporto, a maioria dos meus amigos também tinha ido. Mas Georg, Gustav e David tinham ficado para resolver umas coisas da nossa primeira ida a Tóquio. Agora eu estava voltando para minha casa, e era realmente agradável poder dizer isso. Voltar para minha casa, para minha mulher.
– Mas você vai voltar hoje. – apontei o dedo na cara dele.
– Você está me expulsando? – ele perguntou num falso tom ofendido.
– Estou! Eu quero ter uma noite a sós com a minha mulher. – ele deu um soco no meu ombro, rindo como uma hiena. Nós estávamos passando pela casa dos Ford nesse momento e por algum motivo eu me contive, acho que não seria muito agradável se o pai dela saísse e me visse falando essas coisas.
– Você é meu tio? – o filho do Jared apareceu de supetão na minha frente, fazendo-me soltar um grito sem querer. – Você é meu tio? – ele perguntou novamente com aqueles olhos azuis brilhando na minha direção.
– Sou. – respondi com convicção vendo ele dar um sorriso muito fofo. Eu afaguei seus cabelos. Essa família tinha bons genes, ou como diria minha mãe, boa fôrma.
– E ele? – apontou para o Tom. – Também é?
– Não! – disse quase indignado.
– Sou sim! – meu irmão disse e deu um soco no meu ombro. De novo.
– Seu idiota, você não é tio dele. A não ser que você esteja namorando um dos irmãos dela e eu não saiba. – morri de rir da minha própria conclusão maravilhosa.
– Retardado.
– É isso mesmo... – o pequeno em minha frente disse. Ele disse “isso mesmo”. Agora meu mais novo sobrinho estava concordando que eu era retardado. Ótimo.
– Isso mesmo o quê?! – Tom gritou áspero sem perceber que era a criança que tinha falado.
– Você anda muito com o tio Benjamin e meu pai disse que o tio Benjamin é gay... Mas ele disse que meu pai é que era, mas isso é impossível por que ele me teve! – falou isso sacudindo os braços com uma cara realmente indignada. Isso me fez rir muito daquela coisa fofa. Ainda mais por que Tom estava praticamente tendo um troço ao meu lado.
– Eu não sou gay! – meu irmão falou realmente sério. – Nem o Benjamin.
– Wow! Você até está defendendo ele! – tirei sarro dele sem nem conseguir conter o riso.
– Cala a boca! – Tom gritou, tanto para mim quanto para a criança.
– Minha tia disse que não, que vocês não são gays... Ela disse que vocês são ninfonaníacos. Mas eu não sei o que é isso... Tio Bill, você sabe o que é isso?
Eu arregalei meus olhos sem saber o que dizer ao certo. Engoli em seco e disse a primeira coisa que me veio à mente. – São... são pessoas que não gostam de... nanicos. É, pessoas que não gostam de nanicos.
– Huum... – ele disse fazendo cara de quem tinha entendido tudo. - Você vai comer na sua casa? Tia Carol está fazendo comida... aquilo está um desastre! – ele fez uma careta exagerada fazendo-me rir apesar de eu estar abismado com o fato de ela estar fazendo comida.
– Ela está cozinhando?!
– Uhum.
– Então eu tenho que ir logo lá para salvar a casa. – afaguei a cabeça dele. – Tchau sobrinho.
– Tchau. – ele disse e saiu correndo berrando. – PAAAI EU JÁ SEI O QUE É NINFONANÍACO!
Fui correndo para casa e ao entrar pela porta senti um aroma que estava longe de ser ruim.
A visão dela sentada no balcão ao lado do fogão mexendo nas panelas era algo muito agradável, era como se fosse uma coisa que dissesse “você está em casa.”
– Eu não sabia que você cozinhava. – disse num tom divertido, desafiando. Não havia muitas coisas que ela não fosse capaz de fazer e cozinhar era uma delas. Felizmente eu podia cuidar dessa parte tranquilamente, não querendo me gabar, mas eu cozinhava muito bem.
– Há muitas coisas sobre mim que você não sabe. – disse imitando o modo prepotente que eu havia dito no casamento. Eu sorri apenas de olhar para ela. – Mentira. – Carol disse e ficou subitamente séria, quase revoltada. – Eu não sei cozinhar, isso está horrível. Eu realmente tentei, fiz tudo do jeito que o Jared disse, mas está horrível.
Sorri para o bico fofo e irresistível que ela fez, não resistindo a beijá-lo. Ela parecia estar realmente decepcionada com aquilo. Abri a panela no fogão e olhei para o que parecia ser um risoto. – Isso não parece estar horrível.
– Mas está. – disse ressentida, virando o rosto para a panela.
Vi Tom pegar uma colher, meter ela dentro da panela, em seguida na boca e depois praticamente cuspir tudo no chão. – Parece que eu engoli um litro de água do mar!
– Também não precisa exagerar, Tom. Aposto que isso não está tão ruim assim... – tomei a colher da mão dele e provei o caldo. Me segurei para não fazer uma careta e com muito custo consegui engolir. Ela parecia ter se esforçado muito para fazer aquilo, até havia pedido ajuda do irmão, eu não achava justo chegar e falar que aquilo estava com um quilo de sal a mais do que deveria. – Só está um pouco salgado.
– Um pouco salgado?! – Tom berrou ao meu lado, não medindo as palavras como eu e bebeu um copo d’água de uma só vez.
– Okay Tom, se você não quiser comer não coma. Ninguém está lhe obrigando! – Carol resmungou revoltada ao meu lado, cruzando os braços sob o peito. Olhei para o meu irmão com cara feia, repreendendo-o pelo que ele havia feito e voltei-me para ela, tentando consertar a situação.
– Não tem problema, eu tomo conta da cozinha. – ela deu um sorriso triste enquanto eu acariciava sua bochecha.
– Desculpa. – ela murmurou e de repente começou a olhar fixamente para um ponto atrás de minha cabeça.
– Viu o que você fez Tom?!
Ele levantou os braços como se dizendo que não tinha culpa alguma. Virei-me para ela novamente, que ainda continuava do mesmo modo.
– Vamos, não fique assim, você sabe que o Tom é um idiota...
– Eu o quê?! Até eu posso cozinhar melhor que ela Bill.
– Cala a boca! – dei um soco nele eu voltei a olhar para ela que ainda estava fixamente focada na parede. Eu estava estranhando aquilo, ela não era do tipo que ficava com raiva e ficava fazendo birra por causa disso. Ela era do tipo que ia ficar enchendo o saco do Tom dizendo que havia muito mais coisas que ela podia fazer melhor que ele. Inclusive dirigir, isso tirava ele do sério.
Estalei meus dedos na frente dos olhos dela, mas ela nem sequer piscou. – Carol, você está me ouvindo? – chamei e não obtive resposta.
– Ela ficou cega? – Tom perguntou debochando, não percebendo que essa situação poderia ser séria.
– Fica quieto. – meu coração já estava ficando acelerado de preocupação, mas por mais que eu a chamasse ela não respondia. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, seus olhos se viraram, deixando apenas o branco a mostra e ela caiu no chão.
– Oh Meu Deus! Tom chame a ambulância. – me debrucei sobre ela, sentindo o desespero me invadir rapidamente. Girei seu corpo para cima e percebi que havia sangue escorrendo sobre o seu olho. Tirei minha camiseta e a coloquei enrolada sobre o ferimento.
Por mais que eu estivesse com medo disso, apoiei meu ouvido sob seu peito e constatei que seu coração ainda batia. Senti um grande alívio quanto a isso. Mas ela ainda estava desacordada. Tocando-a percebi que estava gelada, tomei cuidado com o seu pescoço e me aninhei ao seu lado, procurando aquecê-la de alguma forma.
Esperei deitado ao seu lado, pedindo para que se Deus realmente existisse, pudesse cuidar dela agora.


Carol POV's

– Você está me ouvindo? – alguém ficava repetindo enquanto eu despertava. – Você está me ouvindo? – abri um pouco os olhos e recebi uma luz extremamente forte neles, me fazendo perceber a dor aguda sobre minha testa.
– Estou. Só tire essa droga de luz da minha cara. – reclamei, percebendo minha voz mais mole do que eu esperava.
Após eu conseguir enxergar novamente reconheci Dr. Carlton a minha frente. – Eu preciso saber se houve algum dano cerebral, por favo responda algumas perguntas. – dano cerebral? Eu me lembrava vagamente de ter passado mal na cozinha, parecia ter sido grave. – Qual o seu nome?
– Carol Ford... Kaulitz. - disse após me lembrar do meu novo nome e mesmo que eu não tivesse forças suficientes, sorri um pouco.
– Em que ano estamos?
– 2011
– Quem é o presidente dos Estados Unidos?
– Barack Obama.
Carlton afirmou com a cabeça e anotou alguma coisa em uma prancheta que trazia consigo. Observei o quarto a minha volta e percebi que estava no hospital. – Passei no teste? Está tudo bem comigo?
– Sim, mas eu preciso que você descanse, certo? Vou lhe dar um calmante e você vai dormir um pouco, quando acordar você vai para casa.
– Mas eu não quero dormir, minha cabeça está doendo muito. – levo a mão a minha testa, que não para de latejar e sinto uns pedaços de náilon.
– Por isso mesmo você precisa do remédio. Você caiu com o rosto no chão, nós tivemos que dar uns pontos aí, mas está tudo bem. – o Dr. diz enquanto injeta o líquido nas minhas veias. Rapidamente sinto o sono se abater sobre mim e apago.


Vou despertando vagarosamente, felizmente livre de qualquer dor na cabeça. Passo os dedos levemente pelos pontos em meu supercílio.
– Não mexa aí, mocinha. – reconheci a voz do meu pai e olhei a minha direita onde o achei sentado, observando-me. – Está doendo?
Fiz que não com a cabeça e me sentei. – Foi muito feia a coisa?
– Não, pelo que Bill me disse você ficou fora do ar por uns segundos e desmaiou. O problema foi que você caiu de cara no chão. – eu me senti um pouco culpada por isso, mesmo que não fosse culpa minha. Ele deve ter ficado desesperado ao ver isso acontecer, se eu ao menos pudesse controlar isso.
– Como ele está?
– Bem, agora. Os amigos dele estão lá também. – ele sorriu um pouco, de um modo meio triste. Eu precisava ir para casa, verificar se estava realmente tudo bem. Até por que ele logo iria com o resto da banda pra Tóquio, eu não queria que ele se preocupasse comigo na véspera.
– Podemos ir para casa?
– Você está bem mesmo? - murmurei um ‘uhum’ e ele me entregou uma calça. – Acho que você vai querer vestir isso.
Olhei para mim por debaixo das cobertas e percebi que eu ainda estava apenas com a camisa de Bill que eu havia vestido pela manhã. Ao menos ela era comprida o suficiente para cobrir um pedaço das minhas coxas, peguei a calça de moletom e a vesti.
O caminho até casa foi rápido, mas assim que meu pai me deixou na porta e voltou eu me senti subitamente envergonhada. Eu sei que não era como se eu fosse responsável por ter um ataque como esse, justo hoje. Mas ainda assim eu me sentia envergonhada de que Tom e principalmente Bill tivessem presenciado isso. E o pior de tudo era saber que ele ainda presenciaria isso mais vezes.
Abri a porta e encontrei Mandy apoiada no aparador da sala de estar. – Pensei que vocês tivessem ido embora.
– Os outros foram, mas eu estou gostando daqui, então decidi ficar mais um pouco. – ela sorriu, mas eu não estava bem humorada o suficiente para ser simpática com ela. Fui em direção às escadas e disse baixo o suficiente para que ela não escutasse:
– Eu preferia mil vezes que a Bia tivesse ficado no seu lugar.
– O que foi que você disse? – pelo visto não tinha sido baixo o suficiente.
– Nada. – disse e me virei sorrindo, mas logo voltei a subir as escadas.
– Sabe, eu não acho que você seja a pessoa certa para o Bill, você não é boa o suficiente.
– E quem seria? Você? – me virei novamente e disse sem conseguir segurar o tom de desprezo que corria pela minha voz após escutar o que ela havia dito. Ela nunca havia me inspirado confiança, afinal.
– Pelo menos eu não estou morrendo. – eu pude sentir o veneno escorrendo pela boca dela e me atingindo em cheio. Eu não consegui sequer me controlar e antes que eu percebesse meu punho já havia acertado brutalmente o seu rosto. Por mais que o que ela havia dito fosse verdade eu não pude evitar a rápida sensação de prazer ao ver seu rosto se contorcendo de dor.
Subi furiosamente as escadas e parei ao ouvir vozes vindas do quarto de visitas.
– Então você não vai mesmo? – ouvi Gustav perguntando, e me colei ao batente da porta para poder escutar melhor.
– Não, não tem como eu deixar ela sozinha agora. – ao ouvir isso eu juro que meu coração diminuiu de tamanho, como se uma força sobrenatural o estivesse esmagando impedindo-o de bater apropriadamente.
– E como nós vamos fazer? – Jost perguntou, andando de um lado para o outro da sala.
– Nós cancelamos o show e vocês três fazem as entrevistas sem mim. – Bill explicou e eu me senti um peso na vida dele, impedindo a realização do seu sonho. Tudo o que eu desejava nesse momento era nunca ter existido, ou pelo menos nunca ter entrado na vida dele pra agora estragar tudo. No fim, era só isso que eu conseguia fazer, estragar tudo.
– Viu? Era disso que eu estava falando. – Mandy surgiu com a voz ácida por trás de mim. Sorriu cinicamente e adentrou a sala. – Biill!
– Mandy, o que aconteceu com o seu rosto? – ele perguntou em um tom preocupado andando em direção a ela.
– Eu caí. Está muito feio? – a voz dela soava num ridículo falso tom de doçura, aquilo me dava náuseas.
Bill andou em direção a ela e acariciou o machucado em sua bochecha. – Não, só está um pouco inchado.
Decidi acabar com aquela cena ridícula e entrei na sala. – Bill? – no momento que ele ouviu minha voz direcionou a mim toda a atenção que antes estava dispensando a ela. Mas isso não foi suficiente para me fazer sentir melhor. – Nós precisamos conversar.

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44 Nothing Lasts Forever em Qua Dez 05, 2012 3:26 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 39 - Mil Anos Intermináveis Morreram



1000 Oceans – Tokio Hotel

– Bill? Nós precisamos conversar.
– Agora? – ele me olhou assustado.
– Sim, agora.
Os outros que estavam lá ficaram nos olhando até que Tom percebeu a coisa toda e guiou todo mundo para fora.
– Você está bem? – Bill perguntou.
– Sim, Bill. Eu estou bem, não se preocupe. – me sentei ao lado dele no sofá e não consegui não me alterar. – Não, eu não estou. – ele me olhou com a preocupação visível em sua expressão, o que me deixou mais angustiada ainda. – Que história é essa de você não ir para Tóquio?
– Eu não vou e pronto. Eu vou ficar aqui com você.
– Você vai!
– Como eu vou se minha cabeça vai ficar aqui?
– Você vai! Isso é ridículo, como é que uma banda se apresenta sem o vocalista?!
– Se apresentando, oras.
– Ou você vai, ou eu vou com você. Não há outra opção. Você prefere que eu pare o tratamento pra ter que ir com você?
Ele levantou do sofá, realmente alterado. – Você está me ameaçando com isso? Ou você só está tentando fazer tudo de novo?
– Tudo o quê?
– Terminando comigo.
– O quê? Eu o quê?!
– Você quer me ver livre a todo custo, o que você quer que eu pense?
– Pelo amor de Deus! Eu sei que eu fiz merda, não precisa ficar me lembrando disso o tempo todo! – respirei fundo e me acalmei. – E eu já disse que nunca mais vou fazer isso de novo. – eu vi que ficar gritando com ele ali não ia adiantar nada e me acalmei para falar com ele racionalmente. – Você tem que ir, é o seu sonho. Eu não ia suportar saber que você iria desistir disso por minha causa. – ele sentou ao meu lado novamente e finalmente pareceu escutar o que eu estava dizendo. – Eu prometo que vou me cuidar e prometo que nunca mais vou deixar você, mas eu não suportaria isso.
Ele olhou para mim, permanecendo sério. - Você promete? Se cuidar, e principalmente não me abandonar?
– Eu prometo, Billy. – me aproximei mais dele e acariciei o rosto dele. – Mas você vai ter que confiar em mim.
– Eu confio, eu confio em você Carol. – beijou minhas mãos.
– Então, você vai? – disse visivelmente animada.
– Eu não tenho outra escolha, tenho? – deu um meio sorriso. – Mas não vá achando que você vai sempre conseguir o que quer de mim, por que não vai.
– Okay. – disse sem conter a risada. – Posso conseguir só mais uma coisa?
– O quê? – perguntou num tom exagerado de exasperação.
– Eu to suja de hospital sabe, e eu preciso tomar banho, mas eu não queria ir sozinha. – fiz beicinho para ele.
– Tá bom, isso você pode conseguir, mas é a última vez. – sorriu abobadamente e me carregou no colo.


– Você já pegou tudo? – era de manhã bem cedo e todo mundo já estava lá embaixo, esperando pelo Bill. Sorte que eles nem haviam chegado a cancelar nada.
– Não, falta você. – Me pegou no colo e me colocou sentada em cima daquela mala gigante e saiu empurrando. – Não dá, você é muito gorda, desce daí.
– Eu estou grávida, não gorda.
– Não parece. – voltou a andar, apressadamente. Eu tentei o seguir.
– Cala a boca.
– É assim que você me trata quando eu estou atravessando mil vastos oceanos por sua causa? – parou de andar, pelo canto do olho eu vi que ele havia colocado as mãos na cintura como uma criança emburrada.
– Mil vezes pelo infinito, vamos ser livres para viver a nossa vida. – virei e sorri para ele. – Viu só, eu conheço suas músicas.
– Rawr! – me prendeu a ele e deu uma mordida molhada em minha bochecha.
– Para de me babar, Kaulitz. – limpei a bochecha com as costas na mão, como as crianças também fazem. Paramos em frente ao carro dele.
– Eu paro quando eu quiser, Kaulitz. – disse enfatizando o Kaulitz, por que agora eu também era uma. Dei língua e ele caiu na gargalhada. Ao menos ele estava feliz agora e não mais paranóico. O que era ótimo, por que só de o ver rindo daquela maneira eu já ficava sorrindo feito uma idiota. Ele pareceu perceber isso e me abraçou, muito apertado. – Eu vou sentir sua falta.
– Eu também. Nós também. – Bill sorriu imensamente ao me ouvir dizendo isso e se abaixou até a altura da minha barriga.
– Papai vai voltar logo, bebê. – acariciou minha barriga. – Fique bem aí, okay? Nós logo vamos estar juntos de novo.
Peguei o rosto dele e o segurei em minhas mãos. – Você me mata quando faz isso, sabia? – ele sorriu e eu o beijei, mas seu celular tocou, nos interrompendo.
– Eu tenho que ir. – disse e se dirigiu ao carro. – Tchau amor, se cuide.
– Você também. – acenei e meu coração apertou ao ver o carro se afastando. Voltei dizendo a mim mesma que era só uma semana e eu não precisava me preocupar que ele logo estaria de volta. Mas eu sentia que ia ser difícil.


– Sério, Benjamin. Devolve meu celular. – parei com as mãos na cintura na frente dele. Eu já havia cansado de procurar meu celular por todos os cantos da casa e nada. Já não bastava eu não estar mais suportando a falta do Bill ao meu lado e eu ainda me encontrava impedida de falar com ele.
– Eu já disse que não peguei ele! – ele berrou espirrando os farelos do biscoito que comia na minha cara.
Limpei a comida do meu rosto e respondi quase berrando também, a sorte dele é que eu não estava comendo nada. – Claro que pegou, eu estou procurando ele por todos os lugares desde ontem a noite e não achei.
– Calma, depois você acha. – deu de ombros.
– Eu não posso ter calma, o Bill deve estar tentando ligar para mim. Eu não consegui falar com ele desde que ele foi embora. – senti um aperto no peito, eu já estava começando a me preocupar com isso.
– Então liga você pra ele, daqui de casa. – disse achando esta uma ótima solução.
– Não, eu não sou a pessoa que liga. Ele é. – abaixei a cabeça e disse baixo. – E eu também não sei o número dele de cor.
– Burra! – ele riu de mim, mas acho que até ele já esperava por isso. – Então fique sem falar com ele.
– Não, eu quero meu celular.


Bill POV's

– Relaxa, Bill. – Tom me disse mais uma vez. Mas eu não conseguia simplesmente relaxar, eu não podia.
– Eu preciso falar com a Carol, Tom. – bati na tela no celular – Por que ela não atende a droga do celular?
– Não aconteceu nada. Você sabe que notícia ruim corre rápido, né? – olhei para ele como se eu pudesse matá-lo apenas com o olhar. – Vamos pro show, se até lá você não conseguir falar com ela eu tento falar com o Benjamin, okay?
– O seu namorado?
– Calado, Bill. - colocou a mão em meus ombros - Vamos, relaxa.
Como se eu pudesse, como se eu não estivesse me sentindo culpado por tê-la deixado lá sozinha. Tudo que eu sentia vontade de fazer agora era voltar e ficar com ela. Ficar sem contato já estava me deixando louco. Tom saiu e alguém se sentou ao meu lado. Não me dei ao trabalho de ver que era.
– O que foi, Bill?
– Ah, Mandy. – falei dando uma rápida olhada para ela. – Eu estou tentando ligar para a Carol, mas não consigo.
– Ela não atende?
– Hum hum.
– Ela deve estar ocupada, não se preocupe. Ela parece ser meio desligada mesmo.
– Não tanto. – instantaneamente a defendi, mesmo sabendo que ela realmente era desligada. Mas não a ponto de não pegar o telefone para me atender, isso não.
– Você sabe que eu estou aqui né, para o que você precisar.
Olhei para ela e fiz que sim com a cabeça. – Obrigado, agora eu vou ir me arrumar para o show. Tchau.
Fui para o meu camarim, tendo que fazer reverência para algumas pessoas da equipe local, mas sem conseguir forçar um sorriso. Eu disse que não devia ter vindo, eu disse. Sentei-me na cadeira e enquanto a Natalie fazia minha maquiagem e tentava me acalmar eu discava uma vez após outra para o celular dela e nada. Eu cheguei até a escutar o toque do celular dela, mas percebi que era só coisa da minha cabeça. Desejando que ela pudesse estar ali comigo.
Tive que ir para o show sem conseguir falar com ela. Mas o palco não era um lugar onde eu pudesse carregar minhas preocupações. Assim que eu cantava primeira nota qualquer coisa sumia da minha mente e ao ouvir os primeiros gritos um frenesi percorria meu corpo. Esses sempre eram os momentos mais alucinantes da minha vida. E isso geralmente durava até eu acordar no dia seguinte, mas hoje, ao colocar o primeiro pé fora dele a preocupação ocupou meu coração novamente. Isso era louco, ficar sem notícias de quem você ama, sem saber o que se passa do outro lado do mundo, com as pessoas com quem você mais se importa.
Fui correndo pelos corredores até a minha bolsa no camarim. Tom logo chegou atrás de mim. Acho que até ele já estava se preocupando com isso. – Okay, se você não conseguir falar com ela agora nós ligamos para o Benji.
Afirmei e peguei meu celular. Ela havia me mandado uma mensagem. Eu nem consigo explicar o alívio que senti ao ver a tela piscando com a foto dela. Era algo entre meu coração ter parado de bater e ter voltado a bater novamente. – Não precisa mais, Tom. – mostrei o celular para ele, que sorriu assim como eu. Olhei para a foto por mais alguns instantes, sorrindo com o sorriso dela, sentindo a paz começar a substituir a preocupação. Mas, no mesmo instante em que abri a mensagem, tudo se tornou pior do que antes.

“Kaulitz, você está bem? Não muito né. Por isso eu tenho que lhe dizer isso logo, antes que eu desista, por que foi muito difícil tomar essa decisão. E eu tenho que aproveitar que você está longe agora. Mas, por favor, não leve isso para o lado pessoal, eu ainda te amo e acho que vai ser sempre assim. Mas acredite essa é a melhor coisa, tanto para mim quanto para você. Nós precisamos nos separar, isso não está indo bem. Você mais sofre comigo do que qualquer outra coisa e isso me faz mal também, eu não consigo suportar ver você assim. Eu estou bem, quanto a isso não se preocupe. Mas vou ficar bem melhor se você aceitar isso. E não se culpe, tudo é culpa minha. Me desculpe por qualquer coisa. Por favor, não volte para casa.”

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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45 Nothing Lasts Forever em Qua Dez 12, 2012 12:42 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 40 - Apenas Diga-me Por Quê



Set Fire To The Rain – Adele

Bill's POV

O celular que estava em minhas mãos caiu no chão e eu não fiz nenhum movimento para pegá-lo. Eu piscava meus olhos incrédulo, o peito irradiando dor a cada batida. Minha garganta doía pelo choro que se formava, mas não se atrevia a sair.
– Eu não acredito. – as palavras saíram fracas da minha boca.
– O que foi? Aconteceu alguma coisa? – Tom perguntou, repetidas vezes, mas eu simplesmente não tinha força para responder. Eu só repetia para mim mesmo “Eu não acredito que ela tenha feito isso”. Por que ela realmente não poderia ter feito isso comigo.
– Ela me disse pra não voltar mais pra casa. Eu não acredito nisso, de novo não... – fechei meus olhos e suspirei fundo - Ela não seria capaz. – senti meus olhos se encherem de lágrimas. – Por que, Tom? Por quê?
– Bill...
– Eu só queria ela aqui, me dizendo que é mentira, que me quer de volta. – segurei o choro. – Ou mesmo que dissesse que era verdade, que ela havia mandado isso, mas que havia se arrependido. Eu não me importaria, eu a perdoaria, eu esqueceria tudo. Mesmo que ela me faça chorar é a razão que me faz continuar a viver. Eu não posso viver sem ela, eu não consigo. O que eu faço? – olhei para o meu irmão, que também tinha a expressão triste e me abraçou.
– Vamos falar com ela depois, você vai ver, vai ficar tudo bem.
Fiquei um tempo abraçado a ele, até que as lágrimas secassem e eu me acalmasse. – Eu vou ir dar uma volta. – me separei dele e me levantei, ele foi se levantando junto. – Eu vou sozinho. – ele me olhou preocupado. – Está tudo bem, só vou esfriar minha cabeça.
Fui até os fundos do local do show, me escorei na grade e acendi um cigarro que tinha roubado do Tom. Já fazia meses que eu não fumava, mas estava tão revoltado que não estava me importando com isso. Nas duas primeiras tragadas me engasguei com a fumaça, a terceira queimou minha garganta. Joguei o cigarro no chão e esfreguei a bituca com a ponta do pé. – Nem fumar mais eu posso. – reclamei comigo mesmo e abracei meu corpo, me protegendo do vento que passava forte. – Desculpa, Julie, eu não farei mais isso, prometo. – falei como se minha filha pudesse me escutar e as lágrimas voltaram a escorrer quando eu me lembrei dela. Não voltar pra casa implicava em não ver minha filha quando ela nascesse. Isso jamais aconteceria, jamais. E até ela nascer eu e a Carol já teríamos nos acertado. Nós teríamos, eu não suportaria todo esse tempo...
– E aí, Bill.
– Mandy. – acenei de leve com a cabeça para ela, que se encostou ao meu lado na grade. – Você é mulher, certo?
– Pelo que eu saiba. – ela gargalhou e eu sorri brevemente, um segundo, mas já aliviou a tensão um pouco. – Por quê?
– Por que uma mulher, de uma hora para a outra terminaria com o cara, sem motivo nenhum?
– A Carol fez isso? – olhei para ela, e confirmei. – Olha, eu realmente não sei. Nem eu consigo entender, mesmo sendo mulher. Se fosse eu, jamais deixaria um cara incrível como você. Por motivo nenhum.
Dei um sorriso torto, que mais parecia uma careta, por todo o esforço que eu fiz. Essas eram as palavras que eu gostaria de ouvir, mas não dela exatamente. Não que eu não gostasse da Mandy. Ela era doce e uma boa amiga, mas não era a Carol. – Ela também devia pensar assim.
– Sinceramente, se ela foi capaz de fazer isso com você, ela não te merece.
– Eu não me importo, contanto que eu possa ficar com ela.
– BILL! – Mandy gritou, fazendo-me olhar assustado. Ela parecia estar revoltada. – Você tem que se valorizar mais! Não pode ficar aí chorando pelos cantos por uma mulher que não te merece. – fechei meus olhos, desejando poder fazer o mesmo com os meus ouvidos. Aquilo que ela estava falando podia ser verdade agora, mas eu não queria ouvir, não queria acreditar. Eu ia entrar, ligar para o Benjamin e ver que tudo não passou de um mal-entendido ou de uma brincadeira idiota dele e dos irmãos. – Se você ao menos olhasse ao redor, ia ver que tem gente que gosta muito mais de você. – arqueei minha sobrancelha, olhando-a. Ela baixou a cabeça e disse quase num sussurro. – Eu, por exemplo.
Abri a boca em surpresa. Ficamos nos encarando por longos segundos, até que ela avançou para cima de mim. Enlaçou seus braços em meu pescoço e colou sua boca a minha. Eu fiquei paralisado, sem saber como agir. Meu primeiro impulso foi afastá-la, mas eu decidi corresponder e a puxei mais para perto, por que eu estava com tanta raiva, que achava que a Carol merecia que eu fizesse isso com ela. Porém logo nos afastei, pois eu percebi que jamais conseguiria beijar nenhuma outra garota, que não fosse ela.
– Mandy, não faça isso de novo. – me afastei e passei a mão na testa, tentando falar de um modo que não a magoasse. – Eu não consigo fazer isso, então, por favor, não tente isso de novo. Eu não quero estragar nossa amizade. Você é uma ótima garota, vai encontrar uma cara muito melhor do que eu.
Saí e voltei ao camarim onde Tom ainda estava. – Ligue para o Benjamin.
Tom discou o número, colocou no viva voz e me entregou. Chamou várias vezes, quando eu já estava desligando ele atendeu.
– É ele. – Benjamin falou, com a voz fraca, como se estivesse longe do telefone
– Diga que eu nunca mais quero falar com ele em toda a minha vida. – ouvi uma voz fraca, a voz dela. Aquilo foi como um tiro no meu peito. Tudo era verdade, ela realmente tinha terminado comigo. Me joguei no sofá. Sentindo como se meu coração literalmente sangrasse.
– Ela disse que...
– Ele ouviu. – Tom falou, olhando para mim, com a expressão dura.
– Bom, então diga para ele nunca mais se atrever a aparecer por aqui. Você é um cara legal, sabe. E eu achava que seu irmãozinho também era, mas eu estava realmente enganado.
– Do que você ta falando?! – gritei, com a voz esganiçada do choro preso.
– Ora, por favor. Nós não precisamos discutir aqui precisamos? Só faça a vontade dela e nunca mais apareça por aqui, okay?
– Pode deixar, ela nunca mais vai me ver.


Carol's POV

– E aí? – Jared se sentou ao meu lado no sofá.
– O quê? – perguntei.
– Achou o celular?
– Não, desisti de procurar. Precisava terminar isso. – ele pegou o scrapbook que estava em minhas mãos e o observou.
– Sério? – olhou para mim com cara de tacho. – Eu disse que você ia acabar fazendo essas coisas.
Cerrei os olhos – Isso não é coisa melosa de gente boba apaixonada, Jerry. É só um álbum de fotos, e o resto – apontei para os adesivos, enfeites e recados que eu estava colocando – é por que eu sou uma pessoa criativa, afinal eu sou uma artista.
– Você é só uma dançarina, não exagere.
– Bailarina. – o corrigi, como sempre tinha que fazer.
– Que seja.
Coloquei a última foto no álbum, uma do casamento. As fotos estavam em ordem cronológica, o que fazia parecer uma história sendo contada através de imagens. Okay, tinha ficado uma coisa melosa de gente boba e apaixonada. Mas no dia do casamento eu tinha aceitado liberar esse meu lado que estava surgindo. Eu só estava cumprindo minha palavra. E o Bill ficaria radiante de receber isso, eu tenho certeza.
– E aí? – dessa vez, Benjamin se sentou ao meu lado no sofá.
– O quê? – eu e o Jared perguntamos.
– Achou o celular?
– Não, ela estava fazendo coisas românticas. – Jerry entregou o scrapbook para o benjamim que logo começou a rir.
– Isso é ridículo.
– Não é não. – tomei da mão dele e escondi embaixo de uma almofada. – E eu desisto de procurar meu celular. Eu d-e-s-i-s-t-o.
– Então tome. – Benji me estendeu o celular dele.
– Eu também não sei o celular do Tom decorado, se eu não sei o do Bill por que eu saberia o dele.
Ele tomou o celular da minha mão, mexeu e me entregou de volta com o contato do Tom selecionado.
Ouvi um barulho de notificação de email recebido vindo no notebook. – 'Pera aí, quem sabe seja dele. – disse.
Coloquei o notebook em meu colo e abri a caixa de entrada, havia um email recebido de Bill Kaulitz. – Viu, eu disse. – sorri e abri o email.
Meus olhos se arregalaram instantaneamente ao ver a foto que havia vindo. Meu coração se apertava enquanto meu olhar percorria cada detalhe: os lábios colados, os corpos próximos, a mãe dele na cintura dela, os olhos fechados sem nenhum sinal de repulsa. Coloquei a mão sobre meu peito, apertando-o, tentando diminuir a dor que se formava, crescendo a cada segundo. Tentei fechar os olhos, mas eles estavam fixos na horrenda imagem do Bill e da Mandy se beijando. Eu tentava respirar, porém meu peito se recusava a buscar algum ar, fazendo a dor só piorar.
Eu ouvia meus irmãos perguntarem se eu estava bem, o que tinha acontecido, mas eu não conseguia responder, nem me mexer. Meu corpo estava absorvido na dor e continuava observando a foto, machucando mais ainda. O notebook foi tirado da minha frente e um telefone tocou me ajudando a sair do transe e ao menos conseguir fechar os olhos.
– É ele. – Benjamin disse.
A raiva foi tomando seu lugar assim que eu imaginei que ela estava do lado dele nesse momento. – Diga que eu nunca mais quero falar com ele em toda a minha vida.
Saí correndo, sem direção, para lugar nenhum. Como se a minha vida dependesse disso. O ar não entrava em meus pulmões, caí em meus joelhos.
Minhas costas estavam arqueadas lutando por ar. A dor em meu peito crescia cada vez mais. Uma chuva começou a cair sobre mim. Ela queimava meu corpo, como se estivesse com fogo ateado nela. Eu queria gritar, chorar, jogar para fora toda aquela dor que me impedia de respirar, mas eu não conseguia. Eu só estava jogada no chão, revendo os flashes da foto que teimavam em passar pela minha cabeça, fazendo a raiva se juntar com toda a tristeza crescente em meu peito. Eu já tinha certeza de que ia morrer ali, sem ar, com o peito comprimido, e sinceramente, eu não estava me importando. Porém alguém veio, me pegou no colo, me levou para casa e me colocou dentro de uma banheira de água quente. Eu não sei quem fez isso, mas após me colocar na banheira me deixou sozinha.
A água quente começou a fazer efeito, me acalmando, me permitindo respirar e pensar com clareza. O que foi pior, eu passei a sentir repulso, o homem que estava comigo há uma noite agora estava com outra, sem explicação nenhuma. Como ele tinha tido coragem de fazer isso comigo? Por quê? Por quê? Ele parecia tão apaixonado há um dia... A sensação de desespero por ter sido abandonada, trocada, por saber que ele não seria mais meu novamente e estaria com aquela vadia causava uma dor indescritível. Eu me sentia fraca por não ter ele ao meu lado e enojada por ele ter me traído. E sabia que não seria capaz de suportar isso. Desistir não me parecia má idéia. Meu fim ia ser esse de qualquer jeito, havia muitos motivos para me fazer repensar isso, mas nenhum deles me ocorreu no momento. Nenhum que fosse maior do que o desespero que eu sentia. Deixei-me cair dentro da água, a água quente cobrindo todo o meu corpo. A sensação de falta de ar voltou, mas não era tão ruim como antes, ela parecia mais aceitável.
Minhas forças haviam acabado, e então eu senti uma pressão na barriga, um movimento. Instantaneamente me sentei, o motivo para repensar me ocorrendo. Minha filha, ela estava lutando para que eu não desistisse. Meus olhos se encheram de lágrimas quando eu realmente percebi o que estava prestes a fazer. Eu não podia fazer isso. Mesmo que tivesse que viver com a dor e a repulsa dessa traição para sempre eu ainda tinha meu pai, meus irmãos e principalmente minha filha. Que havia acabado de chutar para me trazer de volta a vida.

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46 Nothing Lasts Forever em Qua Dez 12, 2012 1:09 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 41 - Sinto A Sua Falta



Wish You Were Here - Avril Lavigne

O telefone da sala começou a tocar. Até mesmo seu som propositalmente estridente parecia intimidado com a atmosfera densa que me rondava, e como que num gesto de compaixão desmerecida ou até mesmo pena, tocava com menos escândalo que o habitual naquela manhã. O que veio a calhar, já que eu não precisava de nada para me acordar.
Meus olhos estavam escancarados desde que me lembrava de ter deitado, fixos agora no dia que amanhecia observando os tímidos raios solares que invadiam meu quarto. Minhas pálpebras ardiam levemente devido às lágrimas que haviam secado ao redor delas, as quais eu não me dei ao trabalho de enxugar. Soltei um suspiro fraco, fechando meus olhos insones por alguns segundos e me obriguei a ir até a sala atender o telefone que não parava de tocar.
– Põe um casaco e desce. - Jared disse e desligou logo em seguida, prevendo e impedindo que eu me recusasse.
Fui até o closet pegar um casaco e vi socado em um canto o scrapbook. Aquilo me lembrou do que havia acontecido ontem e da dor que isso havia trazido. A raiva se apossou de mim, e meu peito se apertou de dor.
– Bill, seu idiota! - berrei e atirei o scrapbook longe como se isso pudesse impedir que a dor se instalasse. Mas minha mente desobediente e teimosa ficou repassando cada detalhe doloroso, da foto e de como eu me senti. Meus olhos se arregalaram ao cair a ficha do que eu havia tentado fazer noite passada. Mesmo que inconscientemente eu havia tentado e se não fosse pela Julie eu teria feito. Eu teria perdido minha vida em um ataque de nervos inconsciente. Eu não poderia mais permitir que isso acontecesse. Mais nenhum descontrole seria permitido. Mesmo que o desespero começasse a me invadir só de pensar no Bill, eu não poderia mais permitir isso. Me levantei do chão, fui até o banheiro lavar o rosto, coloquei o casaco e fui até a casa do meu pai.
Havia uma neblina densa lá fora, por isso me mandaram por um casaco. Puxei o capuz na cabeça e atravessei o longo pátio, tropeçando o caminho todo por não conseguir enxergar um palmo na frente do nariz.
Procurei por eles pela casa toda e quando eu já estava desistindo lembrei que eles eram uns moleques sem o que fazer e fui direto para a sala de TV, que mais parecia um cinema onde meus irmãos passavam quase o dia todo.
Me encostei na soleira da porta e observei o vídeo que passava na tela.
" - Olha como esse tutu é lindo, mamãe." - sorri ao ouvir minha voz doce de pequena. Mamãe olhou para mim e falou rapidamente.
" - Sim, é lindo, agora sente lá com teus... Benjamin volte aqui!" Ela gritou com o pivete que saía correndo pela sala.
Mamãe tentava fazer com que todos nós sentássemos a beira da árvore de natal, para que tirássemos a foto de família do ano e meu pai aproveitou para filmar as tentativas. Benjamin veio correndo, derrubou a árvore, que começou a pipocar por causa das luzinhas. Todo mundo saiu correndo e meu pai largou a câmera para ajudar minha mãe a apagar o fogo.
Era tão bom ser criança, tão fácil. Eu ainda tinha minha mãe, não tinha nenhuma doença - a não ser um braço quebrado e uns resfriados - e nem sequer sonhava em me casar.
Julie se mexeu novamente dentro de mim. Instantaneamente levei minha mão até meu ventre. Me sentei ao lado do meu pai no sofá e coloquei a mão dele no lugar da minha. Ele olhou para mim e sorriu.
Jared percebeu e perguntou, todo empolgado: - Ela tá mexendo? - fiz que sim e no segundo seguinte todo mundo estava em cima de mim querendo colocar a mão na minha barriga.
– Tem um bebê aí dentro? - JJ perguntou com aqueles olhos grandes e fofos brilhando.
– Tem sim, sua priminha. - apertei as bochechas dele. - Agora deu. Todo mundo já pegou né? Eu vou ir pra cozinha que eu estou morrendo de fome, sacoméné, eu como por dois agora.
Eu sorri. E não foi difícil. Era nisso que eu ia me agarrar pra não entrar desespero e ser fraca novamente: minha família.


Gina estava arrumando as cadeiras nas mesas, ainda era cedo e os últimos raios de sol da tarde que entravam no local a faziam se sentir confortável. A essa hora o sol não era insuportavelmente quente nem doía os olhos. Apenas era caloroso, e ainda deixava o céu com aquele tom meio alaranjado meio roxeado. Ela amava o pôr-do-sol. Por isso sorria observando o céu lá fora enquanto limpava as mesas. Porém seu sorriso logo se desfez ao ver a figura de tranças entrando no recinto.
– O que você veio fazer aqui? Eu já te expliquei que eu... - ela começou mostrando a raiva na voz, mas ele a interrompeu.
– E eu já disse que eu não quis dizer o que você achou que eu quis dizer. - ela cruzou os braços e olhou para Tom que tentava ser sincero e consertar as coisas. - Não que eu não tenha pensado em dormir com você, eu pensei mas... - Gina voltou a limpar a mesa sem querer escutar o que ele tinha para dizer. - jamais pensei em te dar dinheiro pra conseguir isso, eu só achei que você tivesse a fim também.
– Tudo deve ser sempre tão fácil pra você né? As garotas devem cair aos seus pés.
– Aos montes. - Tom disse com seu humor egocêntrico habitual, mas ela não achou a menor graça, pegou os produtos de limpeza e foi até a dispensa. Ele foi atrás. - Espera, eu sei que você não é desse tipo. Me desculpaaa. - ela ainda continuava emburrada. - Eu não queria ter misturado as coisas, eu gosto de conversar com você, eu não queria perder isso. - Gina o encarou, ela também gostava de conversar com ele, se sentia bem e quando ele não aparecia ela ansiava por isso. - Você me faz bem. - Tom disse isso num tom sério, e ela viu que era verdade. Abaixou a cabeça pois tinha certeza que suas bochechas estavam corando. - Podemos volta a ser bons amigos? - ela balançou a cabeça afirmativamente e sorriu para a mão estendida dele.
– Amigos. - ela esticou a mão também.
– Amigos ajudam os outros certo? - Tom perguntou, com carinha de cachorro pidão. - Por que eu preciso muito da sua ajuda, para salvar meu irmão.



Me sentei na beirada da piscina, o céu estava limpo agora, os últimos raios de sol refletiam na água em um tom alaranjado. Me inclinei sobre ela e observei meu rosto, minhas olheiras estavam piores do que sempre. Passei meus dedos na água, destruindo minha imagem e suspirei fundo.
Sério, eu não imaginava que tudo fosse mudar assim tão rápido. Que tudo pudesse ser destruído tão facilmente. Nem em todos os meus planos de me separar de todos e passar por tudo isso sozinha era tão dolorido. Isso é por que era sempre eu que os abandonava, eu nunca esperei ser abandonada, traída. Nem sequer passava pela minha cabeça que Bill pudesse ser capaz de uma coisa dessas. E mesmo que eu o estivesse odiando mais do que qualquer coisa nesse momento meu coração sofria com a sua falta, e isso superava qualquer ódio. Eu tinha me apaixonado por ele tão facilmente e parar de amá-lo agora parecia a coisa mais improvável.
Meus olhos se encheram d’água só de pensar que eu nunca conseguiria esquecê-lo e uma gota caiu na piscina, fazendo pequenas ondas. Quando a água se acalmou o rosto que estava refletido ao lado do meu fez meu coração disparar e eu me odiei por isso.
– O que você está fazendo aqui?

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47 Nothing Lasts Forever em Qua Dez 12, 2012 1:23 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 42 - Conspiração



Linger - Cranberries

– O que você está fazendo aqui?
Desviei o olhar da água e mirei o rosto dele. Aqueles traços parcialmente idênticos me fizeram perder o ar. Pela primeira vez eu cheguei a ficar em dúvida sobre quem estava a minha frente. Mas logo as tranças me chamaram atenção e eu voltei à sanidade. Desde que ele tinha ido a Tóquio eu tinha me recusado a ver uma foto que fosse dele, e ver Tom ali diante de mim estava tendo o mesmo efeito. Eu nunca os tinha achado tão parecidos como hoje, talvez fosse a falta absurda que esses longos vinte dias longe do Bill estavam me fazendo.
– Eu vim conversar. – ele disse, eu me levantei do chão e dei as costas a ele, indo embora. Tom continuou mais alto. – Isso não está certo! Eu aposto que você está do mesmo jeito que ele.
– Do mesmo jeito que ele, Tom? – olhei para ele sentindo a raiva explodindo em mim. – Você acha mesmo que eu estou do mesmo jeito que ele? – como ele tinha coragem de vir aqui dizer que eu estava do mesmo jeito que o irmão dele? Eu por acaso estava me pegando com qualquer um por aí enquanto meu marido estava me esperando em casa? Com certeza não.
– Sim. Eu consigo ver na sua cara que você está sofrendo tanto quanto ele. – me olhou e eu quase voei pra cima dele.
– Sofrendo? – perguntei irônica.
– Claro. Ele está acabado. – falou sério sem se importar com o meu chilique. Abaixou a cabeça e falou com a voz mais baixa. – E eu não suporto ver meu irmão desse jeito.
– Culpa é uma coisa terrível mesmo. – sussurrei e voltei a andar. Ele ficar falando que eu era a errada ali já estava me enchendo.
– Olha, eu não sei o que aconteceu, mas isso não está certo. Vocês se amam...
– Diga isso pro seu irmãozinho. – cruzei os braços encarando-o.
– Eu já tentei, mas desde que ele recebeu a sua mensagem ele não quer mais me dar ouvidos.
Ouvi aquilo e parei. – Minha mensagem?! – virei pra ele. – Eu não mandei mensagem nenhuma pra ele. – Tom começou a me olhar desconfiado. – Eu não sei o que seu irmão inventou, mas eu não mandei porra de mensagem nenhuma pra ele.
– Como não? Você mandou uma mensagem terminando com ele, falando pra ele nem voltar.
– Que droga é essa? – berrei com ele, perdendo o pingo de paciência que ainda me restava. – Meu celular sumiu!
– Como? Mas eu mesmo vi a mensagem e...
– É mais fácil acreditar em uma droga de mensagem do que em mim não é? – falei ressentida e Tom me observou percebendo isso. – Só falta você dizer que eu mandei outra mensagem mandando ele ficar com a Mandy. – soltei e voltei a andar, dando as costas para ele.
– Eu sabia. – gritou e jogou os braços no ar. – Eu sabia. – apontou pra mim. – Foi ela.
– Eu já disse que eu não man...
– Não você. Foi a Mandy. O Bill recebeu uma mensagem sua, mas ela deve ter enviado.
– Não importa, se ele ao menos confiasse em mim não teria acreditado.
– É que isso já aconteceu antes, né?
– Mas eu prometi que não faria isso de novo! – gritei de novo, com a raiva me dominando. – No dia que vocês foram pro Japão, eu falei com ele, eu prometi que jamais faria isso de novo. A única coisa que ele devia fazer era confiar em mim. Só isso e ele não fez.
– Então venha comigo e fale isso pra ele. Ele não me escutou, mas se você for lá, ele vai te escutar.
– Eu? Eu não vou atrás dele, não sou eu a errada aqui, Tom.
– Carol... eu não estou falando sobre quem é o errado ou não. Alguém está por trás disso tudo, mas um de vocês precisa dar o braço a torcer e ir procurar o outro. – respirei fundo e pensei no que ele estava falando. No fundo eu queria acreditar nisso, acreditar que outra pessoa fosse responsável por essa confusão, que o Bill era inocente... mas droga, ele estava beijando ela! Não fazia sentido nenhum, mas ele estava! Eu não conseguiria esquecer isso e ir atrás dele, mesmo que fosse a coisa que eu mais quisesse.
– Esse alguém não vou ser eu. – virei às costas e pela milésima vez tentei ir embora.
– Você vai mesmo deixar seu orgulho te afastar do amor da sua vida? – ouvi uma voz feminina e olhei para o lado de onde ela tinha vindo e vi uma garota apoiada na árvore.
– Quem é você e como se materializou aqui agora? – perguntei assustada.
– Sou amiga do Tom e estou aqui desde o começo.
– Mentira... eu não te vi. - eu disse.
– Que seja. – ela me interrompeu. – Eu sei que você não me conhece, mas o Tom já me contou várias vezes sua história com o irmão dele e sinceramente eu não posso acreditar que você vai deixar ela acabar desse jeito. Quantas meninas não morreriam pra ter alguém que as ame tanto assim? E você está simplesmente jogando tudo isso fora...
– Você não sabe do que está falando, você não sabe o que aconteceu! – ela não parecia saber sobre a traição do Bill, Tom devia estar acobertando ele, e não era eu que ia falar disso agora. Não queria ninguém me chamando de corna, muito menos essa desconhecida. – Quem é você afinal pra falar assim comigo na minha casa?
– Não importa! Não importa quem eu seja ou o que ele tenha feito que eu não saiba. Tudo que vocês viveram antes não conta? – ela se aproximou de mim e falou firme. – Passa por cima do teu orgulho e vai atrás dele pelo menos uma vez na vida. Quantas vezes ele já não fez isso?
Olhei para aquela estranha querendo gritar que ela não era ninguém e não tinha direito nenhum de me dizer o que fazer, mas ela estava certa. Infelizmente. Bill também tinha achado que eu o tinha traído e mesmo assim veio me procurar. Por que eu também não podia dar uma chance a ele? Respirei fundo e já senti meu coração se acelerando ao passo que meu cérebro tomava a decisão. – Isso vai acabar comigo...
– Então você vem? – Tom perguntou empolgado.
– O que eu posso fazer? Essa tua amiga sabe o que falar. – olhei para ela e ela estava sorrindo muito fofamente. Eu gostei dela. – Tom? – ele me olhou esperando que eu falasse. – Eu fiz uma biópsia na minha cabeça ontem e ela ainda está doendo, se eu me sentir mal você vai me trazer pra casa imediatamente!
– Sim, senhora. – me deu um abraço. – Agora vamos. – me puxou em direção ao carro dele.
– Eu estou de pijamas!
– E daí?
– É de bichinhos... – resmunguei enquanto ele me enfiava dentro do carro e dava a partida.
O carro foi parando em frente ao estúdio e eu senti meu coração acelerar. Eu estava ali, mas eu nem fazia ideia do que fazer ou o que falar quando estivesse cara a cara com ele. E o pior de tudo, talvez ele estivesse com a Mandy. Fiquei fazendo que não com a cabeça, amedrontada e nem percebi que o carro havia parado e a porta sido aberta. Só alguns segundos depois vi a mão de Tom estendida. Segurei nela e descemos.
Quando chegávamos perto da porta ouvi uma sonora gargalhada o que me fez perder completamente as forças. Droga! Pelo modo como ele ria devia estar com ela, e estava muito feliz pelo jeito.
– Tá, legal... Eu não quero mais... – olhei para Tom enquanto estávamos parados em frente ao estúdio. – Me leva pra casa?
– Não. – ele passou os braços em volta do meu ombro. – Agora que estamos aqui nós vamos entrar.
– Mas Tom... você prometeu... – implorei com olhos de cachorro pidão. Ele tinha que me levar de volta. Eu não ia aguentar.
– Veio aqui pra desistir? – aquela amiga dele perguntou. Okay, eu tinha gostado dela, mas ela já estava ficando irritante.
– Sim. Eu não vou entrar lá, eu não... – senti meus olhos se encherem d’água. Como que num Déja Vu eu vi a mesma cena da foto só que dentro do estúdio, os dois se agarrando na sala de gravações. Sacudi a cabeça para aquilo sumir e respirei fundo. – Eu não estou preparada.
Tom me virou para ele e me abraçou, apoiei minha cabeça sobre o seu ombro e só senti a vontade de chorar aumentar. Eu não tinha me permitido chorar nem uma lágrima por causa do que Bill havia feito. Mas estando tão próxima dele agora, ouvindo as risadas dele eu quase não consegui segurar. – Eu não sei o que fazer... – minha voz saiu chorosa e ele me apertou ainda mais.
– Nós estamos com você. – Gina disse com a voz confiante e pousou a mão sobre minhas costas. – Você vai conseguir.
Afastei-me dele e ergui a cabeça olhando-a. Ela sorria e parecia realmente acreditar no que dizia. Tom abriu a porta e ela esticou a mão para que eu a acompanhasse. Estendi a minha e dei passos duvidosos para dentro do estúdio.
Passamos pelo corredor e seguimos para a sala de reuniões, a mesma que eu tinha ido da primeira vez que vim ao estúdio. Tom abriu a porta e entrou, eu os ouvi o cumprimentando e reclamando do atraso dele.
– Eu vou ficar aqui. – Gina me disse parada a porta. – Mas qualquer coisa grite que eu corro, okay? – fiz que sim com a cabeça e soltei a mão dela. Empurrei a porta e entrei. Tom olhava para trás e eu parei ao lado dele. Todos já tinham voltado a conversar. Mantive minha cabeça baixa, com medo de levantá-la e ver o que eu mais temia. Eles provavelmente não tinham me visto também, continuavam conversando normalmente. Após alguns segundos Tom pigarreou e subitamente a conversa parou. Fechei meus olhos e continuei com a cabeça baixa. Tom apertou a minha mão, umas três vezes até que eu tivesse coragem de erguer minha cabeça. Todos estavam me olhando com olhos arregalados. Passei meus olhos por toda a sala e quase soltei um suspiro ao ver que Mandy não estava ali. Mas não fiquei aliviada por muito tempo. Bill não parecia muito feliz por me ver ali. Parecia assustado e zangado.
Vacilei e dei alguns passos para trás. Da porta Gina fez um gesto com as mãos me mandando voltar. Pensei no que eu tinha ido fazer ali e voltei para o lado de Tom.
Gustav deve ter se incomodado com aquele clima e se levantou. – Oi Carol, quer sentar aqui?
– Não, obrigada. Eu estou bem aqui.
– Eu já levantei, por favor, só sente aqui. – forcei um sorriso e me sentei no lugar dele que, incrivelmente, ficava exatamente de frente para o Bill, claro. Obrigada, Gus.
– Então, vamos voltar ao planejamento. – Jost começou a falar sobre assuntos técnicos do CD que eu não entendi e nem tentava entender. O que estava me matando é que Bill nem sequer olhava pra mim, e se alguma vez nossos olhos se cruzavam ele desviava rapidamente. Eu tentei levantar algumas vezes, mas Gustav que estava em pé atrás de mim me empurrava de volta para a cadeira.
Devem ter se passado uns trinta minutos até que David dissesse que eles tinham terminado. Foram saindo um por um, primeiro David, depois Georg, que deu um tapinha em minhas costas e um sorriso de pena e uns dois homens que estavam ali também mas que eu não conhecia. A cada um que passava eu tentava levantar, mas Gustav permanecia me prendendo na cadeira.
Olhei para frente e Bill sustentou nosso olhar por uns segundos que para mim pareceram uma eternidade. O olhar dele era frio e me machucava. Eu preferia que ele gritasse comigo, que até me desse um tapa na cara, mas aquilo não. Eu já sentia meus olhos se encherem de lágrimas de novo e o pior disso tudo era que eu era a pessoa que tinha motivos ali para estar agindo assim. A única explicação para a atitude dele é que eu não significava mais nada.
Eu abaixei minha cabeça por que já não aguentava um segundo a mais daquilo e Bill se levantou.
– Não, Bill. – ouvi a voz de Tom e levantei a cabeça. Ele estava parado na porta impedindo que Bill passasse.
– Sai da minha frente, Tom! – ele gritou.
– Não! Vocês dois vão conversar e eu não quero saber se eu vou ter que forçar os dois a fazer isso.
– Não! Pra mim chega! – eu gritei. Eu não iria mais ficar ali aturando isso. Se ele não queria falar comigo, beleza, eu não ira obriga-lo. – Eu não aguento mais isso. Eu não fiz nada de errado para ter que aguentar isso.
– Como não fez nada de errado? – Bill se dirigiu a mim pela primeira vez, cheio de ódio nos olhos. – Você acha que aquilo não foi errado? – ele gritava alterado.
– Eu não... – falei sem ele me escutar.
– Se isso não é errado eu não sei. – disse num tom de voz grosso.
– Bill... – eu tentava falar, mas ele não deixava, ele nem sequer respirava pra falar. Eu nunca tinha visto ele desse jeito.
– O que é errado pra você então? Se falar que não que...
– ME DESCULPE! – berrei e ele finalmente parou de falar e olhou para mim. – Me desculpe... – olhei para baixo, juntando forças para passar por cima do meu orgulho e falar. – Eu não mandei essa maldita mensagem que o Tom falou, eu nem sequer estou com meu celular. Mas se você acreditou nela é por que de alguma maneira eu permiti isso. Eu já fiz isso antes, mais de uma vez, eu sei. – criei coragem e levantei meu rosto. Ele estava com os olhos completamente fixos em mim e a boca levemente aberta. Pelo menos ele estava me dando atenção. – Me desculpe por isso, por eu ter sido essa idiota com você, mas eu prometi que não ia fazer isso de novo. E eu não fiz. Você tem que acreditar em mim.
Bill fechou os olhos por alguns segundos e quando os abriu sua expressão estava mais serena. Ele então olhou para as mãos que ele mexia nervosamente e entreabriu a boca, algumas vezes e finalmente conseguiu falar. – Eu não a...
– Tom, eu consegui! – Georg entrou gritando e eu não consegui segurar um “vai à merda” por ele interromper justo agora. Eu estava ali acabando comigo mesma pela primeira vez na vida e na hora que eu ia conseguir o que estava querendo ele aprece. E então eu vi aquela vadia entrando junto com o Georg. Melhor dizendo, ele estava quase arrancando o braço da garota.
– O que você está fazendo com ela Georg? – quando ouvi Bill dizer isso eu juro que quase me atirei no chão. Já era demais para mim. Eu ia sair dali, e fui indo em direção à porta, mas fui impedida mais uma vez – David, Gustav, Natalie, Gina... – estavam voltando e me empurraram para dentro.
– Não defenda ela, Bill. – Natalie disse e passou por mim indo em direção a Bill. – Olha o que eu achei com ela. – ela ergueu a mão segurando um celular.
– O meu celular! – gritei e sorri instantaneamente. Não por que eu tinha achado meu celular, mas por que finalmente as pessoas pareciam estar acreditando em mim.
– Viu, eu disse que não estava com o meu celular. – eu disse, ainda com um sorriso de alívio estampado no rosto. Bill me olhou e pegou o celular, para conferir ele mesmo. – E você ainda não acredita em mim? Mas que droga... você me traiu e eu ainda estou aqui tentando conversar com você, por que você não pode fazer o mesmo?
– E desde quando eu te traí? – ele me perguntou inocentemente. Eu revirei meus olhos e olhei para o lado, reparando que todos ali estavam assistindo vidrados à nossa discussão.
– Ora vamos, Bill. Não precisa fingir, eu já sei. – falei com um risinho cínico.
– Eu já disse que não te traí!
– Ah, não... e o que é isso então? – tirei do meu bolso um dos celulares do meu pai que ele havia me emprestado e abri meu e-mail na pasta excluídos. Sorte minha ele ainda estar lá. Abri a foto e evitei olhar pra ela, pois só isso já me dava náuseas e praticamente enfiei o celular na cara dele.
– Eu não... como... – ele entrou em pânico e sentou no sofá sacudindo a cabeça. Mandy deu uma risadinha baixa o que fez com que Tom quase voasse nela.
– Confessa! – Tom gritou na frente dela. – Confessa logo de uma vez!
– O que foi, Tom? – ela ainda sorriu pra ele. – Você acha que seu irmão já não é grandinho o suficiente pra recusar um beijo? Eu não fiz nada de mais, só tive iniciativa. Ele retribuiu por que ele quis. – meu coração foi esmagado, reduzido a nada com isso. Minha mente só conseguia fantasiar o momento em que eles dois se beijavam. Era horrível.
– Eu não retribuí! Você sabe muito bem que não. – a voz de Bill estava trêmula, olhei para ele e lágrimas escorriam pelo rosto dele. Ele então olhou para mim e veio andando na minha direção. Eu abaixei a cabeça, evitando mais sofrimento. – Eu não fiz isso, Carol... – a voz dele estava bem próxima de mim. – Aquilo na foto realmente aconteceu, eu estava com raiva e ela me pegou de surpresa... – a voz dele se afastou novamente e estava mais trêmula e mais fraca. – Eu não queria que isso tivesse acontecido, eu me arrependi tanto depois, você não faz ideia. – ele estava soluçando também. Levantei meu rosto e ele estava de volta ao sofá, debruçado sobre as pernas, chorando. – Eu com raiva de você por causa de uma mensagem e você tendo certeza de que eu tinha te traído. Eu sou um idiota! Como eu só fui perceber tudo isso agora? Eu sou um idiota. Me perdoa...
Tom veio ao meu lado e falou bem baixo. – Eu não sabia disso, mas eu juro que no meio da viagem ele pediu para a Mandy voltar. – olhei para ele e eu soube que ele não estava mentindo. E olhando para Bill ele estava completamente arrependido do que ele nem havia feito. Eu senti que devia fazê-lo parar de se sentir assim, isso era pior do que o que eu estava sentindo.
Ele não havia me traído. Eu não havia terminado com ele. Assunto resolvido.
Eu não ia deixar aquela vadia conseguir o que ela queria. Eu estava disposta a esquecer tudo o que havia acontecido. E se eu precisasse me humilhar mais ainda, tudo bem. Isso ia me fazer feliz não ia? E ainda me trazer Bill de volta. Eu me humilharia mais vezes se fosse preciso para ter tudo de volta.
Aproximei-me e me agachei na frente dele.
– Bill. – chamei e ele balançou a cabeça negativamente. – Bill... – de novo ele apenas balançou a cabeça. – Bill, olha pra mim droga! – ele finalmente levantou a cabeça e me olhou com olhos tristes e temerosos. – Eu não vou pra casa sem você.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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48 Nothing Lasts Forever em Qua Dez 12, 2012 1:28 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 43 - Todo O Meu Amor É Pra Você


All My Love Is For You - Girls Generation

– Eu não vou pra casa sem você.
Pareceu terem se passado horas até ele levantar a cabeça e olhar para mim. Eu já estava quase me desfazendo de tanta agonia. Diabo, por que ele não podia dizer logo que me queria de volta? Era só isso que eu queria. Ele se sentou na ponta do sofá ficando bem perto de mim. Um tremor percorreu meu corpo, ele estava tão perto de mim e ainda assim tão longe. Tomei coragem e olhei dentro dos olhos dele, que não estavam mais frios e sim profundos, fortemente conectados aos meus. Suspirei fundo e fechei os olhos. Senti então suas mãos puxarem minha nuca e seus lábios se colarem aos meus. Vorazmente.
Eu não sabia se sorria ou se o beijava. Eu estava completamente preenchida por uma sensação de alívio. Okay, ele não tinha dito que me queria de volta, mas isso era bem melhor não? Enrosquei meus dedos nos seus cabelos e correspondi seu beijo. E nós tínhamos plateia, por que eu ouvi muitas palmas e assobios dentro daquela sala.
Sentir sua boca depois de tanto tempo era algo quase surreal. Esse era de longe o melhor beijo da minha vida. Meu abdômen estava se contraindo e minha frequência cardíaca aumentou consideravelmente. E aposto que ele também estava sentindo o mesmo. Colocou uma mão na base das minhas costas, sem interromper o beijo e se levantou, me levando junto. Quando estávamos em pé, eu passei meus braços em volta do seu pescoço e colei nossos corpos. Um segundo depois disso Bill me empurrou dele e eu quase caí no chão. Fiquei o encarando de olhos arregalados, começando a sentir aquele medo de novo.
– Tira essa blusa! – ele apontava pra mim, e também estava com os olhos arregalados.
– Eu sei que eu estou de pijama, e estou ridícula assim, mas também não precisa fazer isso né? – disse alisando meu pijama. Eu já tinha até esquecido que estava com ele, por que ele estava fazendo esse escândalo? Só pra me matar do coração?
– Eu falei pra tirar! – ele gritou de novo.
– Calma, Bill. – Tom disse, com aquele tom de voz irônico dele. – Você quer mesmo fazer isso com todos nós aqui assistindo?
– Cala a boca, Tom. Não é nada disso, eu só quero que ela tire essa droga de blusa enorme.
– O quê? – perguntei colocando as mãos na cintura. – Você não está me achando atraente desse jeito?
– Não é isso... você não pode só tirar essa blusa? – ele devia estar ficando louco. E eu não ia contrariar. Peguei a barra do meu blusão e percebi. Ele era folgado demais, realmente folgado demais. Sorri e puxei-o, ficando só com a regata colada.
– Uau... – alguém da plateia disse e Bill deu seu maior e mais fofo sorriso. Se aproximou de mim e passou a mão na minha grande barriga. Quando ele foi para o Japão mal estava parecendo que eu tinha escondido uma bola de gude embaixo da roupa. Agora ainda não estava parecendo que eu tinha escondido uma bola de basquete, mas já estava parecendo que eu tinha escondido uma de futebol americano.
– O que eu perdi...? – disse pesaroso.
– Nada demais, - abracei-o sorrindo – só uns chutes e algumas estrias.
– Carol. – Tom me chamou e eu olhei para ele, que juntamente com Georg, seguravam Mandy. – Agora você pode fazer o que quiser com ela.
Ela deu um sorriso irônico, o que só fez a minha vontade de dar um soco nela – de novo – aumentar.
Aproximei-me fitando o rosto dela e lembrando a maldita foto. Meus punhos se fecharam imediatamente. Eu respirei fundo, tentando raciocinar que eu não era do mesmo nível dela. Mas isso não me impedir de me divertir um pouco, me aproximei mais e agarrei a gola da sua blusa. Ela arregalou os olhos e prendeu a respiração. Soltei sua blusa e dei um sorriso enviesado. – Eu não preciso disso. Você não conseguiu o que queria, acho que já é o suficiente. Sofra com isso.
– E você – Bill falou duro e até decepcionado – vai sair imediatamente da minha casa, mesmo que eu não more mais lá, não quero você nem mais um segundo lá. Tire seus trapos e suma da minha vista. Nunca mais apareça.
– Vocês vão ver! Vão se arrepender disso. – ela gritava enquanto nós seguíamos para a porta. – Quando vocês menos esperarem vão se lembrar de mim!
– Vadia. – eu e Bill dissemos quase em uníssono.
– Ela que tente alguma coisa pra ver... – eu disse.
– Eu realmente achei que você ia esmurrar ela. – ele disse rindo.
– Não, o outro já foi o suficiente.
Ele parou e olhou para mim com a boca aberta. – Outro? Então quer dizer que aquela vez ela não caiu... foi você. – riu e me abraçou. – Bem que eu sempre achei estranho...


– Eu estava morrendo de saudade disso aqui. – Bill disse olhando ao redor da casa e suspirando.
– E eu estava morrendo de saudades de você. – eu disse e ele se voltou para trás sorrindo ternamente. Mordi meus lábios tentando segurar o sorriso. Ele não falou nada, apenas me abraçou, apertando forte seus braços ao redor da minha cintura, me puxando contra ele. Ele parecia gostar disso.
– Me desculpa...
– Chega disso, Bill. – afastei meu rosto e olhei para ele. – Aliás, eu nem sei por que você está pedindo desculpas. A última coisa que eu me lembro é de estar fazendo um péssimo risoto. – ele gargalhou e me rodopiou nos seus braços. Eu sabia que ia valer a pena me humilhar daquele jeito, ainda mais de pijama. O resultado compensava tudo.
Senti algo se mexendo em meu ventre, algo parecido com gases, mas muito mais emocionante. Assim que ele me colocou no chão de volta eu puxei a mão dele sobre minha barriga e fiquei olhando ansiosamente esperando a reação que ele teria.
Ele ficou com a mão parada, fazendo uma leve pressão sob minha barriga, olhando fixamente para ela com a boca levemente aberta. Levantou os olhos totalmente brilhantes para mim e me deu um enorme sorriso fofo. Era para momentos como esses que eu vivia agora. Nunca achei que eu fosse ser uma super-esposa ou uma super-mãe, aliás, nunca achei nem que fosse ser esposa ou mãe um dia. Mas era por sorrisos como aquele que eu sabia que essa era a melhor coisa que tinha me acontecido.
– Eu te amo. – Bill disse quase num sussurro.
– Eu também te amo, Billy. – ele fez que sim com a cabeça e selou nossos lábios.
– E você, - ele nos separou – está bem? – ele perguntou cuidadoso, mas sua feição não parecia tão preocupada. Eu não devia estar parecendo tão mal assim, apesar do pijama.
– Estou. – disse segura. – Minha saúde parece ter se recuperado já que meu emocional estava destruído. – Bill ameaçou fazer uma careta. – Por causa do meu péssimo risoto, é claro.
Ele riu. – E vai ficar melhor ainda agora, eu estou aqui para cuidar de você.


– Vamos, Carol. – Bill gritou lá de baixo. – Você vai se atrasar.
Eu tinha uma consulta agora de manhã, mas Bill queria me levar a algum lugar antes e estava me enchendo o saco para eu ir logo. O problema é que eu estava me sentindo enjoada e estava dobrada sobre o vaso esperando vomitar, mas não conseguia. Não queria ter que fazer isso na frente do Bill.
– Vamos! – ele berrou da escada.
– ‘Tô indo! – desisti e fechei a tampa do vaso. Fui pegar minha jaqueta, mas não a alcancei, cheguei mais perto e ainda assim meu braço não percorreu distância suficiente. Suspirei e inclinei a cabeça. Me aproximei mais e lentamente estiquei meu braço e consegui finalmente pegá-la.
Corri pelo corredor até as escada, o que foi uma péssima ideia. Tropecei nos primeiros degraus, mas por sorte consegui me segurar no corrimão. Me endireitei, alisando a roupa e espiei lá embaixo. Ele estava de costas e não viu o que aconteceu, ainda bem.
– Você vai mesmo me arrastar para fazer compras? – parei com os braços cruzados na frente dele.
– Com certeza.
Suspirei ruidosamente e fui para o carro. Eu realmente não tinha paciência para isso e a última vez não tinha sido nada agradável.
Para piorar as coisas o sol brilhava a pino. Algumas pessoas podiam achar isso lindo, mas eu odiava calor. Liguei o ar no máximo, o que ajudou a enfrentar o trânsito de San Francisco. Geralmente não era tão ruim, por que as pessoas preferiam andar a pé ou de bonde do que enfrentar todos aqueles morros de carro. Mas hoje havia muito mais carros do que o normal.
Chegamos ao centro e estacionamos em frente uma galeria. Ótimo, pelo menos lá tinha ar condicionado e comida.
Descemos e entramos na galeria, Bill parou em frente a uma loja decorada em tons pastéis de rosa e verde. Na vitrine havia pequenos manequins. – Roupas de bebê! – eu exclamei. – Acredita que eu ainda não tinha pensado nisso?
– Acredito. – Bill falou balançando a cabeça e deu um leve aperto na minha bochecha. – Para falar a verdade eu tinha certeza. Se dependesse de você a bebê ia ter que ficar pelada.
Dei um tapa no ombro dele. – Não exagera.
Passamos umas duas horas escolhendo roupinhas, sapatinhos e mais um monte de coisas fofas para Julie. Bill exagerou um pouco, ela ia crescer antes de conseguir usar tudo que ele tinha escolhido. Eu peguei algumas peças mais confortáveis para ela, por que meu marido só pensava na beleza da roupa.
Nós também aproveitamos para escolher móveis e contratamos uma equipe para ir decorar e montar o quarto. Ia ficar lindo. A campainha do meu celular soou, marcando as 11:30. Hora da consulta. Apesar do frio do estômago que eu senti, chamei Bill e fomos para o hospital.


– Bom dia Dr. Carlton. – disse sorrindo nervosamente ao entrar na sala.
– Bom dia menina. Podem sentar. – ele apontou as cadeiras em frente a sua mesa. – Como você está?
– Bem. – suspirei fundo. Ia ter que começar a descrever praticamente um diário dos meus últimos dias. – As dores de cabeça diminuíram. Só ainda está dolorido no local da biópsia. Hum... – pensei mais um pouco – as tonturas quase sumiram também. E eu ainda me sinto enjoada, mas quase nunca consigo vomitar.
– E no mais, a coordenação, o equilíbrio... – ele colocou a mão no queixo, pensativo.
– Normais. – respondi.
– Eu acho que ela anda tropeçando bastante. – Bill disse. Olhei para ele, cerrando os olhos.
– Ah, mas eu sempre fui de tropeçar. – falei, confirmando com a cabeça.
– Mas você reparou se isso aumentou de um tempo para cá?
– Pode ser. – pensei um pouco. Eu quase havia caído na escada hoje mais cedo. – Talvez sim.
– E teve algum problema com medir distâncias?
Olhei para Bill por uns segundos, decidindo se falava ou não. Eu sabia que ele só iria ficar mais preocupado. Mas eu não queria mais ficar escondendo as coisas do médico. – Já. – percebi que ele me olhou. – Eu fui pegar uma jarra de suco na geladeira e em vez disso meu braço foi direto na caixa de leite e derramou por tudo. E eu não tinha reparado nisso, mas parando pra pensar eu às vezes não consigo pegar as coisas, como se meu braço não fosse longe o suficiente. Mas eu não sabia que isso era um sintoma. – dei de ombros. – Minha mãe nunca teve isso.
– É, é como eu suspeitava. – o Dr. Se esticou na cadeira. O que só fez com que eu ficasse nervosa. – É que o tumor que nós estávamos tratando fica no lobo frontal que é o mesmo lugar que sua mãe também tinha, como seu pai me contou. Por isso você tinha os mesmos sintomas que ela. Mas nos exames dessa semana nós percebemos diversas mudanças.
Apertei os braços da cadeira temendo o que poderia ter acontecido e eu vi que Bill se ajeitou na cadeira, desconfortável.
– Quais? – ele perguntou.
Dr. Carlton abriu um envelope e tirou uma folha de dentro. A esticou para mim. – A biópsia deu negativo. A quimioterapia teve o efeito esperado, diminui o tumor e o pequeno pedaço que sobrou agora está benigno.
Suspirei aliviada e soltei as mãos da cadeira, Bill logo as pegou e levou para junto dele. O médico levantou e pegou um envelope grande e tirou a folha preta da tomografia. As colocou na mesa e apontou com a caneta um pedaço do meu cérebro. – O sistema nervoso é dividido entre central e periférico. O central é composto por: cérebro, cerebelo, tronco encefálico, diencéfalo e medula espinhal. Dentre eles, aqueles que trabalham para fazer o corpo se movimentar livremente são: - foi apontando com a caneta. – o cerebelo, o tronco encefálico e a medula espinhal. Esta é a imagem do seu cérebro. Compare com essa ao lado. – pegou outra folha que estava em uma mesa lateral. – É possível ver que o seu cerebelo está com uma massa, um tumor. Que está atrapalhando o funcionamento dos neurônios.
Observei e comparei as duas, a minha parecia ter uma pequena manchinha na base cerebral. – Se o cerebelo é responsável pelos movimentos, - falei com o pânico tomando conta da voz e de todo o meu ser. – isso significa que eu vou perdê-los?

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49 Nothing Lasts Forever em Qua Dez 12, 2012 1:33 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 44 - Sem Esperanças



It’s You – Dana Glover

– Isso significa que eu vou perdê-los?
– Não. – o médico se encostou para trás na cadeira. Mas eu senti que ainda não podia respirar aliviada até que ele prosseguisse. – Isso não significa que você vai perdê-los imediatamente. Os sintomas aparecem devagar, mas são progressivos.
“Os sintomas são progressivos.” Tudo que eu conseguia imaginar ouvindo isso era eu indo de muletas para a cadeira de rodas e então para a cama permanentemente. Levei a mão ao peito, meu coração parecia estar sobre grande pressão, machucado a cada batida. Era como se tudo em que eu estivesse me segurando esse tempo tivesse se desmanchado, e eu agora estava caindo sem poder nem lutar contra isso.
– E quais são os sintomas? – Bill perguntou, e eu pude sentir a dor em sua voz. Virei meu rosto evitando olhá-lo. Acho que eu não conseguiria suportar ver seu rosto desamparado. Meu peito se apertou mais ainda por ele estar sofrendo por minha causa.
– No começo não há sintomas claros, – o médico voltou a falar e eu tentei focar minha atenção nas suas palavras, temendo cada sílaba que saía da sua boca. – mas logo pode se perceber a dificuldade em caminhar, cairá com frequência e não conseguirá medir distâncias. Também poderá ter dificuldade em engolir... – fechei meus olhos como se assim pudesse fechar os ouvidos também para não ter que ouvir as coisas horríveis que aconteceriam comigo. Eu estava com vontade de sair correndo dali e chorar desesperadamente. Forcei meus olhos, mas eles não derrubaram uma lágrima sequer.
– E qual é o tratamento? – Bill perguntou novamente, ansioso. – Tem cura? – ao ouvir a última pergunta levantei minha cabeça e olhei desesperadamente para o médico a procura de uma centelha de esperança.
Nessa hora uma claridade encheu a sala seguida de um barulho ensurdecedor. Olhei para a janela e uma chuva forte caía do lado de fora, dei um riso dolorido, era como se o dia estivesse se compadecendo de mim e compartilhando a minha dor.
– Esse tumor, diferente do anterior, é operável. – Dr. Carlton falou e eu pude ouvir Bill soltar um suspiro aliviado. Pelo menos um pouco. – Mas ele está muito grande, então se retirarmos a perda cerebral seria grande. Então o que nós podemos fazer é a quimioterapia para diminuir o tamanho e então operarmos.
– Mas eu já faço quimioterapia... – falei baixo, quase gaguejando. – Se fosse funcionar, já teria funcionado. – eu já estava perdendo a pequena centelha de esperança que havia se acendido.
– Nós temos que mudar as drogas, esse tumor é mais agressivo que o outro então nós vamos tentar um tratamento novo, aplicando a droga diretamente no local. Com isso você terá efeitos colaterais diferentes. Não vai dar tanto enjoo, nem emagrecimento, nem risco de perda capilar. Mas ele é mais forte então sua imunidade pode abaixar muito mais. – ele sorriu. – Mas não se preocupe. Um já se foi, nós vamos conseguir cuidar desse também. É só você continuar se esforçando, se cuidando e ter o apoio da família. Nós vamos conseguir. – tentei dar um sorriso, que deve ter saído pavoroso. Ao menos ele parecia confiante. – Eu vou analisar os resultados e amanhã eu peço para a secretária ligar para dizer quando podemos começar o tratamento, certo?
Fiz que sim com a cabeça sem nem pensar direito no que ele havia dito e me levantei, indo em direção à porta.
– Vocês estão de carro? – o ouvi perguntar e parei.
– Sim, estamos. – Bill respondeu.
– Ótimo, é bom ela não tomar chuva, o organismo dela está meio debilitado. – Dr. Carlton disse num tom preocupado. Meio debilitado? Eu estava morrendo. Meu organismo estava totalmente acabado. O que era uma chuvinha? Eu já estava me tornando ácida, me depreciando, como quando descobri o primeiro tumor. Mas se eu havia superado ele também poderia superar o outro. Eu confiava no Dr. Carlton. Eu confiava em mim, eu tinha que confiar.
– Pode deixar. Obrigado Doutor. – Bill disse, com um ânimo a mais, ao menos parecia.
Virei-me para trás e estiquei a mão para o médico. – Obrigada, até mais, eu vou me esforçar. – disse, lutando para acreditar no que eu dizia. – Pode contar comigo.
Saímos da sala e imediatamente Bill me abraçou. Encostei minha cabeça em seu peito, desamparada. Eu estava preparada para ter dores horríveis de cabeça, para desmaiar... Mas não para ir perdendo tudo de mim aos poucos. Isso doía mais que qualquer coisa. Me imaginar deixando tudo que eu sempre fui para trás. Não poder mais fazer as coisas sozinha, ter que depender dos outros para tudo. Nunca mais dançar... Sacudi a cabeça tentando apagar esses pensamentos e apertei Bill mais ainda.
Ele segurou meu rosto com ambas as mãos e eu me esforcei para fitar seus olhos. – Eu ainda vou te amar, mesmo que tudo isso aconteça.
Sustentei o seu olhar por uns momentos. – Eu estou com medo. – admiti com a voz fraca. Pela primeira vez desde a descoberta da doença eu estava morta de medo. Sem saber o que fazer, o que pensar, para onde ir. Estava totalmente sem esperanças.
Ele escondeu meu rosto no seu peito, me abraçando de novo. Beijou minha cabeça seguidas vezes. Forcei meus olhos, novamente tentando chorar, só para aliviar toda aquela dor maldita, mas não adiantou. Ela continuava ali, comprimindo meu peito.
– Eu sei. – ele disse com a voz dolorida, me apertando ainda mais. – Eu também estou. – e foi aí que eu percebi como ele estava sendo forte. Ele não estava chorando, não estava desesperado. Mesmo que estivesse sendo insuportavelmente difícil pra ele, Bill só estava ali para me dar forças agora.
Levantei meu rosto e consegui dar um sorriso. – Obrigada. – ele também sorriu e beijou meus lábios.
– Eu vou ir buscar o carro, você fica me esperando na porta, okay?
Balancei a cabeça afirmativamente, ele me beijou de novo e desceu as escadas para o estacionamento. Fui andando lentamente para a porta. Observando cada passo, eles realmente estavam mais desajeitados. E eu não havia percebido. Eu não havia percebido como cada movimento que eu fazia era tão precioso. Eu passei todo o esse tempo sem dar a devida importância para eles, talvez por ter parado de dançar eu não estava me importando. Idiota. Eu nunca devia ter parado de dançar.
Arrisquei um arabesque no meio do corredor do hospital. Fiquei na ponta do all star e estiquei a perna esquerda para trás. Girei meus braços para não cair, me desequilibrando nos primeiros segundos. Respirei fundo e tentei de novo. Consegui me sustentar por alguns segundos. Peguei impulso com os braços e dei uma pirueta. Desequilibrei-me totalmente e caí no chão. – Au! – resmunguei baixo abraçando meu cotovelo que tinha absorvido minha queda. Se eu ainda tivesse colocado as mãos no chão e erguido uma perna não teria caído. Mas nem isso eu era capaz de fazer.
– Você está bem? – uma enfermeira me ajudou a levantar.
– Estou, obrigada. – alisei minha roupa e dei um sorriso amargo. – Só estava me provando que não sirvo pra mais nada. – ela deu um sorriso convalescente. Estávamos na ala de neurologia, ela devia estar acostumada a inválidos.
– Não quer um gelo? – ela falou um pouco mais alto enquanto eu saía. Apenas virei o rosto e balancei-o negativamente.
Andei esticando meu pé até a frente e apoiando-o no chão na meia ponta. Coloquei meus braços esticados a frente do meu corpo em segunda posição e migrei-os acima da cabeça em quinta posição. Ao menos os passos iniciais, quase infantis ainda estavam intactos. Me orgulhei bobamente disso. Se ao menos isso eu poderia fazer então iria fazer isso até que eu não pudesse mais.
Passei distraída pela porta e uma multidão veio para cima de mim. Os flashes me cegavam. Eu ouvia umas frases desconectadas das pessoas gritando para mim. “É verdade que vocês se casaram?” Meu estomago subiu até a boca e eu senti novamente vontade de chorar, sem lágrimas. “É menino ou menina?” Abracei meu próprio corpo tentando me proteger e esconder a barriga e tentei correr. Para todos os lados havia esses malditos repórteres. “Quanto tempo você tem de vida?”. Eu já não estava mais conseguindo respirar com tudo aquilo em cima de mim. Era gente demais, pressão demais, a água da chuva caía forte sobre mim. Perdi a força nas pernas, e meu peito doía sem ar. Eu estava prestes a desmaiar.
Senti uns braços me ampararem quando eu estava prestes a cair no chão. Bill me cobriu com seu casaco e com o braço livre empurrava a multidão. “Bill Kaulitz, como você se sente com tudo isso?”
– Que merda é essa agora, droga?! – Bill praguejou em meu ouvido. Um deles puxou meu braço com força, me fazendo cambalear. – Solta! – ele berrou e empurrou o braço do cara longe. – Longe dela! – ele berrou mais alto ainda.
Ao chegar em frente ao carro Bill abriu a porta e me ajudou a sentar. Certificou-se de que a porta estava trancada e deu a volta o mais rápido que pôde até o lado do motorista. Me estiquei para trás, conseguindo finalmente respirar. Olhei para ele tentando dar a partida, seu maxilar estava cerrado e ele socou o volante. Tirei a mão dele do contato e girei a chave levemente e consegui dar a ignição. Aqueles malditos não saíam da frente e Bill apertou a buzina com força. Ele foi andando pouco a pouco com o carro, forçando com que os repórteres fossem indo para trás. Conseguiu um espaço livre e acelerou o máximo. Em questão de segundos já estávamos na avenida principal, quebrando todos os limites de velocidade. Eu nunca o havia visto desse jeito.
Coloquei minha mão suavemente sobre o braço retesado dele, que ao meu toque instantaneamente relaxou.
– Me perdoe por isso. – ele disse entre os dentes cerrados.
– A culpa não é sua. Não se desculpe por isso. Você sabe muito bem de quem é a culpa disso.
– Sei. – murmurou e soltou o braço em que minha mão estava apoiada do volante e a segurou sob sua perna. Sua mão estava trêmula e fria. Me movi entre os dois bancos do carro e pousei meu braço sobre o ombro dele, esperando que seus músculos se descontraíssem e lentamente sua mão também foi esquentando e parando de tremer.
– Billy... – ele me olhou e eu dei um sorrisinho infame. – Não sabia que você era bipolar, de macho alfa pra gatinho trêmulo em questão de minutos.


– Pronto. – Bill disse voltando ao quarto. – a água já está quentinha.
– Você não vai vir comigo? – dei um sorrisinho sacana e fui até ele, abraçando-o.
– Não. – ele disse e afastou meus braços. O encarei desentendida. Ele me empurrou até a cama, me sentando nela e parou em frente a mim.
– Você está recusando um banho de banheira comigo? – perguntei indignada, mas na realidade eu já estava morta de medo. Algo devia estar errado pra ele estar fazendo isso.
Bill riu e apertou minha bochecha. – Estou, mas não por que eu não queira, sua boba.
– Então por quê? – cruzei meus braços na frente dele, fazendo bico.
– Por que eu não quero que você fique doente, vou fazer um chá de limão pra você tomar enquanto ainda está no banho quente. – disse todo protetor.
– Ah, Billy... – resmunguei com voz infantil e o abracei pela cintura. – Eu prefiro você me esquentando do que um chá.
– Carol... – eu fui fazendo uma trilha de beijos pelo seu abdômen nu. – Eu preciso ir lá... – parei e o olhei. – Para com isso...
– Okay. – disse e me afastei dele que me olhou fazendo beicinho e ergueu os braços, desistindo.
– Continua com isso...


– Seu chá. – meu marido me entregou a caneca e se sentou atrás de mim me abraçando. Apoiei meus braços no dele e tomei um gole do chá, voltando a observar a chuva pela janela. – Ainda com medo?
– Acho que com medo não, só assustada. – ele apoiou o queixo no meu ombro, eu sentia sua respiração quente no meu pescoço, o que me dava arrepios. E eu não sei por que senti a necessidade de falar mais com ele sobre isso, explicar o que se passava pela minha cabeça. – Eu não esperava por isso. Eu esperava passar por tudo que minha mãe teve, tudo que já tinha visto, tinha ajudado... Por mim tudo bem. – senti um nó na minha garganta se formando. – Nunca reclamei das dores de cabeça, das convulsões, dos desmaios... Por que eu já tinha visto tudo isso por tanto tempo que não me importava. Minha mãe enfrentou isso com a cabeça erguida, e por isso eu sempre soube que conseguiria. Agora eu já não tenho essa confiança. – admiti fracamente e apoiei minha cabeça na dele, soltando um suspiro. – Eu me sinto tão desprotegida sem ela aqui. A cada dia que passa eu sinto mais falta dela.
Bill deu leves beijos no meu ombro. – O que você acha que ela diria se estivesse aqui?
– Ela iria dar aquele sorriso mágico e dizer que tudo ficaria bem, que eu ia conseguir, que eu era insuportavelmente insistente e iria passar por isso. E que se por um algum segundo eu fraquejasse ela estaria lá pra me ajudar a levantar e continuar. – sorri ao imaginar ela falando isso. Isso já me dava uma paz enorme. Bill esticou seu rosto na minha frente e sorriu exagerado.
– Tudo vai ficar bem, você vai conseguir, você é insuportavelmente insistente e vai por isso. E se fraquejar somente por um segundo eu vou estar aqui pra te levantar e te ajudar a continuar. – ele abriu o sorriso mais ainda. – Se sente um pouco melhor agora?
Fiz que sim com a cabeça e o abracei, muito forte. Não me sentia mais tão desprotegida depois disso. Meu coração agora parecia aquecido, confortável. Por mais que ele tivesse usado palavras que seriam da minha mãe, elas soaram tão verdadeiras que me deram a força que eu precisava. Eu já estava sorrindo novamente e com o fôlego renovado graças a ele.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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50 Nothing Lasts Forever em Qua Dez 12, 2012 1:36 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 45 - Ao Seu Lado



Falling In Love - Yiruma

– Seu celular está tocando. – Bill disse.
– Ele tá lá em cima... – olhei para ele com olhos de cachorro pidão e fiz beicinho.
– Tá... eu pego. – deu um selinho no meu beiço e subiu as escadas gritando. – Você está ficando mal acostumada hein.
Desfiz minha cara fofa e disse para mim mesma – Ambos sabemos que não é nada disso, Bill. – Se eu mesma fosse ir buscar meu celular havia grandes riscos de quando eu chegar o celular já ter parado de tocar.
Me enrolei de volta no edredom que Bill havia tirado quando se levantou e dei play no filme que estávamos assistindo.
– Era a secretária do Dr. Carlton. – ele voltou e se jogou no sofá ao meu lado. – Ela diss...
– Você atendeu meu telefone?! – me virei para ele com os braços cruzados e olhos cerrados. – Eu nunca atendo seu telefone.
– Por que você não quer. – deu de ombros e voltou a falar sem dar importância a mim. – Então, ela disse que é para você ir fazer a primeira sessão hoje, por volta das quatro. – olhou de volta para mim e ficou enrolando seus dedos nos meus cabelos. – Agora agradeça por eu ter ido atender seu celular.
– Obrigada, Bill. – dei um sorriso fingido. – Por ignorar a minha privacidade.
– Precisando... – ele disse e gargalhou de mim. Eu infelizmente não consegui me manter séria e virei o rosto para ele não ver que eu também estava rindo.
– Chegamos! – ouvi Tom berrando.
Bill pulou do sofá e foi correndo abraçar ele como se estivesse há anos sem ver o irmão e eu me levantei do sofá numa extrema lentidão e ainda embrulhada no edredom. – Oi. – disse e pude ficar realmente muito feliz de ver que só estavam Tom, Gustav e Georg. Ganhei abraços de urso de todos eles. Depois daquele dia no estúdio eu senti que eles realmente faziam questão que eu fosse parte da ‘família’ e isso era muito bom.


– Então vamos lá para a outra sala cortar o cabelo agora.
– O QUÊ?! – eu praticamente berrei quando a enfermeira veio me chamar na sala. – Cortar meu cabelo?
Ela se aproximou mais de mim e explicou-me lentamente. – Nós temos que injetar o remédio aqui. – apontou para a minha nuca. – Precisamente em cima do tumor.
– E não dá para fazer isso com os meus cabelos aí?
– Infelizmente não, nós precisamos fazer ultrassom e tudo mais. Mas você não precisa raspar todo o cabelo.
– Ah claro, o que é ótimo, só raspar a nuca e deixar a parte de cima grande. – suspirei exasperada.
– Dá pra fazer assim... – Bill falou e se aproximou de mim, querendo demostrar para mim como eu poderia fazer o corte. Tanto ele, como os outros três estavam com olhares de pena pousados sobre mim. Amaldiçoei que eles tivessem vindo justo hoje.
– Não. Eu não vou fazer isso. – disse firme. Como eu poderia fazer uma coisa dessas? Desde que eu me entendia por gente tinha tido o mesmo cabelo, comprido e levemente repicado. Por causa do ballet eu nunca pude fazer nada diferente, nenhum corte, nenhuma cor exagerada. E eu gostava disso, sempre gostei do meu cabelo longo e escuro. A maior extravagância que já tinha feito nele foi uma franja, longa. E tinha recebido reclamações por isso.
– Não há outro meio de fazer a aplicação. – a enfermeira disse, começando a ficar impaciente. – Você terá que fazer isso.
Senti meu coração apertar ao ir me dando conta de que eu realmente teria que fazer isso. Fiz que sim com a cabeça insegura e fui seguindo a enfermeira. Ouvi os passos de alguém atrás de mim e me virei. – Não, Bill, eu não quero que você venha. – o que eu menos queria era que ele presenciasse isso. E eu ainda não sabia se teria coragem de sair na frente dele depois.
– Mas... – ele ia começar a protestar, mas parece ter percebido em meu olhar como aquilo seria humilhante pra mim e desistiu. Deu um sorrisinho e acenou com a cabeça para mim.
Entramos numa pequena sala, onde havia uma cadeira de cabelereiro e um espelho com uma prateleira onde estavam uma tesoura e uma máquina. – Pode sentar-se. – uma moça que já estava na sala disse. Mas eu simplesmente não conseguia, eu estava ficando desesperada. Me agachei no chão e abracei minhas pernas dobradas. Eu não estava pronta para abrir mão dos meus cabelos, não mesmo. Droga... será que eu teria que desistir de tudo que eu sou por causa dessa maldita doença? Talvez eu não fosse tão forte assim como aparentava. As últimas notícias estavam me deixando totalmente abalada. Primeiro os movimentos e agora o cabelo... Não... eu não ia aguentar.
– Eu não vou fazer isso. – disse entre dentes.
– Você vai. – ouvi a voz de Georg e levantei meus olhos. Ele estava agachado a minha frente. – É só cortar o cabelo... eu vou ficar aqui com você.
– Não... não é só cortar o cabelo. – minha garganta já estava apertada pela maldita vontade de chorar, sem lágrimas. – É uma parte de mim que eu vou ter que abrir mão.
– Eu sei, eu entendo. – ele sorriu compassivo.
Sacudi minha cabeça em negativa. – Eu não vou conseguir.
– Vai sim. – ele se levantou e pegou a tesoura que estava na prateleira. – Olha aqui. Eu disse que vou ficar com você, eu vou fazer isso com você. – ele aproximou a tesoura dos cabelos na altura da orelha e os cortou. Um gelo percorreu meu estômago.
– Não! – eu gritei e me levantei, tentando pará-lo. – Não faça isso, Georg... você não precisa.
– Não, não preciso. – ele segurou minha mão que tentava tirar-lhe a tesoura. – Mas eu quero. – sorriu e cortou mais um bolo de cabelos.
Eu levei minha mão a boca, não acreditando no que eu estava vendo. Senti meus olhos marejarem a cada tesourada que ele dava. – Georg...
– Você é o amor da vida do Bill, e isso importa mais pra mim do que o meu cabelo. – ele disse sorrindo e sem dor alguma cortou quase todo o seu cabelo. Aquilo significou o mundo para mim. Ele se aproximou de mim e olhou-me. Eu balancei a cabeça afirmativamente dando-lhe permissão e ele lentamente cortou uma mecha do meu cabelo. Eu fechei meus olhos enquanto ele fazia isso.
– Pronto. – ele disse depois de algum tempo.
Abri meus olhos novamente, mas não tive coragem de me olhar no espelho. Passei a mão pelos meus cabelos e eles quase não existiam mais. Mas não foi tão dolorido quanto eu imaginei que fosse ser. Olhei para Georg com aquele cabelo todo irregular e sorri. – Acho que era bom você passar uma máquina aí.
Ele riu e apontou para mim. – Você também. – abracei-o. Forte. De uma maneira que quase demostrava o quanto eu estava agradecida pelo que ele havia feito.
A moça primeiro passou a máquina no cabelo dele e confesso que ficou muito bonito, ele parecia outra pessoa. Eu já estava me sentindo mais confortável. Não estar sozinha nisso fazia toda a diferença. Georg devia ter uma coisa com o cabelo dele ainda maior do que a minha. E ver ele abrir mão disso tão fácil tornou tudo isso uma experiência até agradável. Depois disso eu tive coragem suficiente para me sentar na cadeira e fazer o mesmo.
Ela terminou e eu me levantei. Georg me olhava de braços cruzados. – Pronta?
– Pronta. – sorri e juntos nós dois nos viramos para o espelho. Georg ficou rindo olhando para ele mesmo e passando a mão no cabelo. Criei coragem e me olhei. Minha boca se abriu instantaneamente. Eu não fazia ideia de que podia ficar assim tão diferente. Meu cabelo estava curto na nuca, mas não raspado. Na frente também estava curto como atrás, mas eu agora tinha uma franja que caía no rosto. Eu até que não estava tão mal assim.
– Wow. – dissemos em uníssono.


– Wow! – Bill, Gustav e Tom disseram quando nós chegamos a recepção. Eu meio que me escondi atrás de Georg, mas mesmo que não tivesse me escondido, as pessoas não teriam reparado tanto em mim. O que era mais inesperado eu ou ele de cabelo curto?
Fui saindo de fininho enquanto todos estavam muito empolgados com o novo corte de cabelo do baixista. – Onde você pensa que vai moça linda do cabelo curto? – meu coração gelou. Eu estava realmente apavorada, e se ele me achasse ridícula?
Eu dei uma risadinha e me virei para ele provavelmente com o rosto já completamente vermelho de vergonha. – Oi.
– Oi. – ele sorriu e passou os dedos pelo meu resto de cabelo. Pelo modo doce como ele me olhava eu já não estava mais me sentindo tão horrorosa assim.
– Muito mal? – perguntei e ele balançou a cabeça, para os lados. Sorrindo de um jeito malicioso.
– Nada mal.


– Pronto, já liguei a câmera. – Bill sentou do meu lado na cama, após colocar a câmera em cima da cômoda. Ele tinha colocado na cabeça que nós deveríamos fazer uns vídeos para a Julie ver quando grande, e eu tinha apoiado essa ideia. Só não sabia como agir.
– Ai, Bill... – abaixei minha cabeça, envergonhada. – Eu não sei o que fazer.
– Deixa comigo. – ele falou e sorriu para a câmera. – Oi Julie, eu sou o papai Bill. – eu ri dele e me joguei na cama. – E essa é a mamãe boba Carol. – ele virou pra mim e falou baixo. – Levanta daí.
Eu obedeci e me levantei. – Oi bebê!
– Quando ela estiver vendo isso não vai mais ser bebê, amor. – revirei os olhos e olhei para ele com os olhos cerrados, em seguida virei para a câmera.
– Oi, filha! – virei pra ele. – Tá bom assim?
– Você não tem jeito! – virou-se para a câmera novamente. – Agora a mamãe está grávida de seis meses de você... – eu apontei para a minha barriga enquanto ele falava.
– Não parece, mas eu estou.
– É, e agora você já chuta. – ele falou sorrindo como uma criança.
– E se mexe muito! – fiz uma cara de dor ao falar. – Seja uma boa menina, por favor.
– Ah, e hoje a mamãe e o Tio Georg cortaram o cabelo! – ele arregalou os olhos, fazendo uma careta ao falar. Eu ri, ele era tão fofo, tão animado por somente fazer esse vídeo. Parecia que tinha ganhado o melhor presente do mundo. E tinha né, só não o tinha visto ainda, só daqui três meses. – Isso foi incrível, por que sua mãe nunca tinha cortado o cabelo desde que nasceu.
– Já o seu pai... muda o cabelo toda a semana! – fiz careta igual ele. – Não seja igual ele, Julie.
Bill me deu um tapa no braço. – Isso está sendo muito instrutivo para ela. – reclamou colocando os braços na cintura, e tentou manter os olhos cerrados enquanto bocejava. O que foi muito engraçado.
– Foi você que começou com isso, não coloque a culpa em mim. – dei um tapa no braço dele também. – Mas você tem razão. – me virei para a câmera de novo na tentativa de fazer alo ‘instrutivo’. – Eu e o seu pai estamos muito felizes por ter você, de verdade. Você já mudou nossas vidas, mesmo estando aqui dentro ainda. – Bill estava olhando pra mim com cara de cachorro feliz. Eu sorri para ele. – Eu espero sim, que você seja igual a ele. E eu vou fazer de tudo para que você possa crescer sempre feliz como ele é. – apontei para o sorriso gigantesco que ele estava no rosto, mas ele o desfez, bocejando de novo.
– Até a próxima, papai está com muito sono. Nós te amamos, bebê. – ele disse com os olhos brilhando.
– Ué, você não disse que ela não ia ser mais bebê? – cutuquei o braço dele, o provocando.
– Ela vai ser sempre um bebê para mim. – eu me derreti e ele voltou-se para a câmera. – Ouviu? Você sempre vai ser minha bebê! Tchau.
– Tchau. – ele se levantou e desligou a câmera. Depois se jogou na cama e me puxou para junto dele.
– Vamos dormir que eu estou morrendo de sono. – eu o abracei também e poucos minutos depois ele já estava dormindo profundamente. Eu ainda custei um pouco a dormir. Relembrando ele dizendo que a Julie ia ser sempre um bebê para ele. Aquilo tinha me feito muito feliz. Eu tinha certeza de que ele ia ser um ótimo pai, e eu quis mais do que nunca poder presenciar tudo isso.


Acordei pouco depois de ter pego no sono com uma dor no pé da barriga. Me sentei na cama e senti minhas pernas um pouco molhadas. – Droga! – resmunguei baixinho para mim mesma. – Não acredito que fiz xixi na cama depois de adulta. – tirei a coberta de cima de mim e quando olhei havia uma pequena poça de sangue entre minhas pernas. Senti como se tivesse levado um tiro no peito. – Biiiiiiiiill!
Eu gritei desesperada, mas Bill dormia profundamente. Senti as lágrimas escorrerem, as que eu queria colocar pra fora há tanto tempo e que agora caíam dolorosamente. E ao contrário do que eu pensava, elas não levaram a dor embora. Inconscientemente, como se isso pudesse evitar o que estava acontecendo, coloquei a mão entre minhas pernas e pressionei. Com a outra mão livre cutuquei o braço de Bill, sem gritar, para que ele não se assustasse. Ele abriu os olhos vagarosamente e assim que me viu os arregalou.
– O que foi? – sentou-se, tirou os cabelos do meu rosto e o segurou. – Você não está bem?
– Eu estou perdendo o bebê, Bill. – disse engasgando com o choro. E aquelas palavras doeram mais do que eu poderia imaginar. Ele olhou para baixo e levou a mão a boca quando viu a poça de sangue. Agarrei o braço dele com força e supliquei. – Me ajuda.
– Eu já volto, fiquei aí. – ele saiu correndo e eu me senti mais desesperada ainda sozinha naquele quarto. Eu jamais iria permitir que algo acontecesse a Julie. Eu nunca iria abrir mão dela, nunca iria desistir dela. Nem que para isso eu tivesse que dar a minha vida. Abracei meu corpo e chorei como nunca.
– Tira logo o carro, Tom! – ele gritou já voltando ao quarto. Vestiu rapidamente um casaco nele e pegou um para mim, me ajudando a vestir. Segurou meu rosto entre as mãos e me olhou profundamente com os olhos também repletos de dor e desespero. – Vai ficar tudo bem, okay? – continuei chorando e abaixei meu rosto. Ele o segurou de novo. – Confia em mim. – fiz que sim incerta com a cabeça. Ele me abraçou e me pegou no colo. Me agarrei ao pescoço dele, chorando descontroladamente, enquanto ele descia as escadas rapidamente.
– Não deixa ela ir, Bill... – disse entre as lágrimas, apertando o pescoço dele.
– Eu não vou deixar, não vou.

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