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Nothing Lasts Forever

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51 Nothing Lasts Forever em Qua Dez 12, 2012 1:43 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 46 - Eu Posso Enfrentar Qualquer Coisa Por Você


Safe and Sound - Taylor Swift

Um som agudo e repetido, como um bipe, me despertou. Abri meus olhos, mas eles arderam fortemente. Levei a mão até eles, impedindo que os raios de sol os atingissem completamente e pisquei algumas vezes até que eles se acostumassem com a luz. A cortina branca do quarto balançava com o vento que entrava pela janela, que era de onde os raios de sol também entravam no quarto. Estranhei aquelas cortinas brancas e olhei ao redor, no quarto de paredes verdes claras e mobília branca simples. No meu lado direito havia alguns aparelhos, um deles mostrava um ziguezague constante, e era dele que vinha o bipe. Eu estava no hospital. Meu coração acelerou freneticamente quando eu comecei a lembrar do por que de eu estar ali, mas o bipe da máquina não teve alteração alguma. Sentei imediatamente e levei minha mão ao ventre, tentando sentir se ela ainda estava ali. – Julie... – sussurrei fracamente, já sentindo meus olhos marejarem.
– Calma... – a voz de Bill soou fraca e seus braços me enlaçaram. – Ela está bem, está tudo bem. – suas palavras fizeram com que meu coração voltasse a bater normalmente. E eu soltei um suspiro de alívio. – Eu disse que ia ficar tudo bem, não disse? – sorri e fiz que sim com a cabeça. Apontei para o aparelho ao meu lado. – É só precaução, eles querem observar os batimentos dela por 24hs, você teve um pequeno descolamento de placenta, não precisa se preocupar.
O olhei e ele me deu um leve sorriso. Seus cabelos estavam bagunçados e seu rosto meio amassado. Olhei para a poltrona que estava atrás dele, com seu casaco enrolado como se fosse um travesseiro. Ele devia ter passado a noite ali. Ergui meus braços para o rosto dele, porém eles ficaram empacados no meu colo, qualquer esforço que eu fizesse só serviria para deixar meus músculos trêmulos e mais propensos para que Bill percebesse. Desisti de movê-los e apenas guiei meus lábios até os seus.
– Olá. – abri meus olhos e Dra. Jane estava encostada na porta, sorrindo. – Está mais calma? – perguntou entrando e eu fiz que sim com a cabeça. Ela parou alguns segundos a frente do aparelho que apitava, o observando. – Está tudo bem por aqui. – ela sorriu e desligou o fio que estava ligado a minha barriga. Eu suspirei aliviada, não só por saber que Julie estava realmente bem como também pelo cessar do bipe. Aquilo era de enlouquecer. – Os resultados do exame de ontem também foram bons, você teve apenas um pequeno deslocamento de placenta, mas nada que vá prejudicar o bebê. Se você fizer o que precisa.
– E o que eu preciso fazer? – perguntei já me sentindo amedrontada pelo que viria a seguir. Apertei a mão de Bill, que estava escorado na cama ao meu lado.
– Repouso. Bastante repouso.
– Não é como se eu pudesse sair correndo por aí também. – disse num humor ácido, mas acabei rindo no final. Jane também riu, mas eu senti Bill se enrijecer ao meu lado, fazendo com que meu sorriso se transformasse numa careta.
– Isso ajuda, mas isso é sério, você precisa ficar em repouso. Tanto físico como mental. – ela cutucou a minha testa. – Relaxe. E também vou querer que você venha frequentemente aqui para nós monitorarmos o bebê, e se sentir qualquer coisa me ligue e imediatamente venha pra cá. Combinado?
– Uhum.
– Pai, conto com a sua ajuda também?
– Claro. – ele disse numa voz mais feliz. – Não vou deixar ela mover um dedo, vou fazer tudo por ela.
– E você vai amar isso, né? – olhei para ele arqueando a sobrancelha. Jane tombou a cabeça e ficou nos olhando com um sorrisinho fofo. Ela também ia amar isso.
– O que torna tão interessante eu ter de ficar dependente? – perguntei, já cruzando os braços.
– O fato de você se achar tão independente, talvez? – Bill disse irônico, me fazendo revirar os olhos.
– Bom, vou deixar vocês a sós. – ela disse num tom doce. – E o Dr. Carlton pediu para que você venha aqui amanhã que ele quer te ver, certo? – ela acariciou a minha barriga e se dirigiu a porta, voltando-se antes de atravessá-la. – Relaxe. – disse e saiu, fechando a porta.
– Que diabo é isso de “venha amanhã que ele quer te ver”? – Bill disse imitando a voz da médica. – Ninguém em sã consciência sai dizendo isso pra minha mulher, não na minha frente.
Ignorei o chiliquinho dele e o encarei, séria. – Eu quero ficar no hospital.
– Você quer passar a noite para não ter que voltar aqui amanhã para “ver o Dr. Carlton”? – ele perguntou fazendo a vozinha no final da frase de novo. Eu continuei séria do modo como estava, mas desviei meu olhar do dele, olhando para os meus pés balançando.
– Não, Bill. Eu quero ficar no hospital. – ele se sentou ao meu lado na cama, observando também seus pés esticados, tocando o chão. – Eu preciso fazer repouso, e nós dois sabemos que se eu estiver livre eu não vou fazer. – dei uma risada, porém Bill não se deixou contagiar. Arrisquei olhar para ele. Ele agora estava olhando para as mãos entrelaçadas com tanta força que deviam estar doendo. Ele então olhou para mim, seus olhos estavam dolorosamente apagados.
– Tipo, pra sempre?
– Ou enquanto isso durar. – disse dando de ombros, tentando aplacar o aperto em meu peito.
– Enquanto isso durar... – repetiu e pelo seu tom de voz ele entendeu que isso não se tratava do tratamento. Ele engoliu em seco e respirou fundo algumas vezes antes de voltar a falar. – Eu demorei em compreender isso. Mais por que eu não queria do que por realmente não conseguir. Mas agora eu compreendo, apesar de isso ser mais doloroso do que eu pudesse imaginar, eu finalmente entendo que não posso te prender. – ele falou tudo de uma maneira lenta, como se tivesse a necessidade de absorver cada frase dita. Bill voltou seu olhar profundo a mim e aí eu tive a certeza de que nós não estávamos mais falando de tratamentos ou hospitais.
Passamos algum tempo assim, apenas com olhares perdidos e distantes. Mas eu sabia que ele só estava tentando fazer o mesmo que eu: se recuperar da conversa mais importante que já havíamos tido desde então.
– Eu posso ficar aqui com você, pelo menos essa noite? – ele me lançou aquele olhar de cachorro triste e tudo que eu quis foi acabar com a dor dele.
– Claro. – sorri sem dificuldades e felizmente consegui esticar meus braços para ele. Estiquei-me para trás e Bill se aninhou em meu abdômen. Acariciando os cabelos dele e feliz por saber que as duas pessoas que eu mais amava estavam no mesmo lugar eu já não me sentia tão desesperada por acabar tendo de seguir o mesmo caminho da minha mãe.


– Você precisa ir agora, Billy. – falei demoradamente, ele finalmente tinha acordado depois de um longo cochilo em cima de mim, e insistia em continuar aqui. - Está se comer, - gaguejei um pouco, minha língua parecia estar adormecida na base. – sem comer, e sem tomar ba-ba-BANHO!
– Eu não preciso tomar ba-ba-banho. – ele disse me imitando gaguejar. – Eu continuo cheiroso. – disse sorrindo prepotente.
– Se cheira. – disse pra ele. Ele então puxou a camiseta e cheirou, fazendo uma careta. – Continua cheiroso hein. – ele cerrou os olhos me fazendo rir. Foi até a mochila e tirou a câmera de lá, ligou e a apontou para mim.
– Sua mãe está me expulsando neste exato momento. – ele voltou a câmera para ele. – Ah, sim. E nós estamos aqui por que você está muito apressadinha. – Bill fazia caretas enquanto falava, eu não conseguia não rir da seriedade com que ele fazia aquilo. – Por que querer sair dali tão cedo hein?
– Por favor, - eu disse fazendo beicinho e Bill virou a câmera para mim. – Fique mais um pouco.
– Isso aí, agora eu vou ir embora antes que sua mãe me bata. Tchau, bebê. – ele guardou a câmera e foi se dirigindo a saída. Peguei o pulso dele, fazendo com que parasse e já que as minhas mãos não conseguiam se erguer até seu pescoço as deixei repousadas em sua cintura e o olhei esperando que entendesse o que eu queria. E ele entendeu, deu um sorriso quente e lentamente acomodou seus lábios sob os meus, por um longo tempo. – Tchau. – sussurrou afastando nossos lábios e colando nossas testas. – Mas eu logo estarei de volta.


– Oi cunhada! – Tom entrou alegremente no quarto, e parou segurando a porta, me olhando de um modo suspeito.
Estreitei meus olhos o observando. – Tá aprontando o quê?
– Nada. Por que eu estaria aprontando alguma coisa? – deu um sorriso enviesado e puxou a porta. Estiquei meu pescoço tentando ver o que ia aparecer e para minha surpresa o que estava entrando era uma agarota, aquela garota. Ela se aproximou e estendeu a mão, com aquele sorriso tímido estampado no rosto.
– Prazer, Gina. Você deve ser Carol, a cunhada do Tom. – fiquei olhando para ela sem estender a mão. – É só que, nós não fizemos isso certo da outra vez, então... – ela encolheu os ombros e jogou a mão dela de lado. Veio em minha direção e me abraçou. Eu arregalei meus olhos e vi tom rindo ainda na porta e deu um sorriso compassivo, como se dissesse “ela é assim mesmo”. Eu desajeitadamente passei meus braços em volta dela também e isso não pareceu tão desconfortável. Ela se afastou e juntou as mãos sorrindo. Ela era bem melhor quando não estava querendo me obrigar a me humilhar.
– Por favor, sintam-se a vontade. – fiz um gesto amplo com a mão, mostrando o quarto. Eles então se sentaram no sofá de couro branco ao lado da cama. Virei-me e fiquei com os pés balançando pra fora da cama, de frente para eles. Os observei juntos por um tempo, eu não sabia o que estava rolando entre eles, mas eles ficavam bem juntos. E eu gostava dela.
A campainha do meu celular soou com Livin’ On a Prayer, me tirando da minha análise conjugal. Tom tencionou se levantar para pegar o celular. – Nem precisa, é só mensagem, logo para. – esperei alguns segundos. – Viu, parou. – E então eu tive um estalo, “Tommy used to work on the docks… Gina works the diner all day”. Arregalei meus olhos e apontei para eles dois. Tom pareceu meio assustado, mas pelo rubor que tomou a face da Gina ela sabia exatamente o porquê de eu estar assim. – Tommy. – direcionei meu dedo para ele e depois para ela. – Gina. – e então para o meu celular. – Como na música.
Ele se levantou de um pulo. – É isso! – nós duas olhamos para ele meio confusas. E ele continuou, dirigindo-se a Gina. – É por isso que você falava tanto “como na música”. Só agora eu vim entender. – e se sentou de novo, rindo para si mesmo, com a mão apoiando o queixo.
– Você é lento mesmo, Tom, a gente entende... – meu cunhado imediatamente cerrou os olhos para mim e Gina soltou uma gargalhada leve.
– Mas, sério agora. – Tom rapidamente mudou de expressão e ela também diminuiu seu sorriso. – Eu sei que o Bill pensa diferente, mas eu acho que isso só torna as coisas mais difíceis para você.
Eu logo entendi do que ele estava falando. – Que eu não tenho nada e que vai ficar tudo bem? – ele acenou afirmativamente e continuou.
– É claro que sempre se precisa ter esperança e confiança. – Gina falou deixando o sorriso de lado, o que me fez prestar mais atenção ainda. – mas eu acho que não dá pra ficar se enganando tanto, mas sim encarar isso de frente e olhar o lado bom pra poder te ajudar.
– E uma coisa que a gente sempre vê nos filmes, – Tom continuou mais animado. – quando as pessoas descobrem que tem uma doença grave, é elas fazerem tudo que sempre quiseram. O que elas mais têm vontade. – fiz que sim com a cabeça, entendendo onde ele queria chegar. – E nós estamos aqui pra te ajudar a realizar qualquer sonho. O que você quer fazer?
Encolhi os ombros e olhei distante para a janela que dava para o jardim florido e de repente eu tive a sensação de que já tinha tudo. – Nada... Eu já fiz tudo que eu queria e até o que eu não queria. – Apoiei a cabeça no meu ombro e dei um sorriso, voltando a olhá-los. – Eu já pulei de paraquedas, já viajei pra onde eu quis, já encontrei o amor, casei, vou ter a Julie... Não me falta nada. – sorri genuinamente e percebi que Gina estava com os olhos cheios d’água e Tom apenas acenava com a cabeça apertando as mãos. – Mas obrigada, isso só ajudou a preencher mais ainda minha vida.
– Eu trouxe filmes! – ela exclamou, secando as lágrimas, e se levantou rapidamente em direção à televisão. – Cartas para Julieta ou Sex And The City? – eu e Tom nos entreolhamos já nos preparando para a sessão mulherzinha que estava por vir.


Já fazia algum tempo, pouco mais de uma hora, que Tom e Gina – ou melhor, Tommy e Gina – haviam ido embora e também já estava quase anoitecendo. Um vento fresco entrava peja janela balançando as cortinas. O jardim lá fora só era iluminado por fracas luzes, que também proviam a única iluminação do meu quarto e não havia ninguém por lá.
Lembrei-me do celular que tinha tocado no meio da tarde quando eles ainda estavam aqui e levantei da cama para pegá-lo. Assim que coloquei meu pé no chão percebi que minhas pernas estavam ainda mais fracas. Apoiada na cama fui dando passos lentamente, o que era muito difícil, pois as pernas mais cambaleavam do que se firmavam. Comecei a sentir um aperto no peito. Se eu não pudesse nem pegar o celular do outro lado do quarto eu estava acabada. Eu ia conseguir, eu tinha que conseguir. Soltei-me da cama e abri os braços para me equilibrar melhor e dei alguns passos até o meio do quarto.
Consegui chegar até a cômoda e ao tentar pegar o celular ele caiu no chão. Voltei dando passos mais trêmulos ainda até que em certo momento minhas pernas não se sustentaram mais e eu caí. Sem apoio dos braços, direto com o rosto no chão. Meu queixo parecia que ia explodir de dor. Coloquei a mão sobre ele e ela voltou ensanguentada.
Tentei me sentar, tentei me apoiar com os braços, tentei levantar minhas pernas. Mas por mais que eu tentasse eu não conseguia me levantar. Eu não conseguia mais fazer nada.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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52 Nothing Lasts Forever em Qua Dez 12, 2012 1:47 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 47 - 1000 Anos, Sempre Ao Seu Lado



Sacred - Tokio Hotel

Tentei me sentar, tentei me apoiar com os braços, tentei levantar minhas pernas. Mas por mais que eu tentasse não conseguia me levantar. Eu não conseguia mais fazer nada.
Senti minha garganta se apertando e eu quase me contorcia no chão de dor. Tentei gritar, mas a dor no queixo foi demais e eu senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto apenas com esta tentativa. Tentei me mover novamente, mas a única coisa que eu conseguia era arrastar meus membros no chão. Mais lágrimas escorreram enquanto eu ficava jogada no chão.
Evitei entrar em desespero, respirando algumas vezes tentando levar minha mente para longe dali. Pensei na Julie e um arrepio percorreu minha espinha. Eu tinha de ficar de repouso, isso não incluía uma queda feia. Amedrontada levei minha mão limpa até o meio das minhas pernas. E diferente da outra, ela não voltou ensanguentada. Respirei fundo tentando relevar a dor no queixo para descobrir se sentia algum tipo de dor na barriga e suspirei aliviada ao constatar que não. E pensando bem eu não tinha batido a barriga, a queda havia sido absorvida toda no meu queixo e, além disso, eu só tinha batido os joelhos.
O sangue começou a escorrer pelo meu pescoço e eu com muito custo consegui tirar um dos braços do casaco. Empapucei a manga e a pressionei em meu queixo, urrando de dor. Eu já estava tremendo. De dor e do frio que fazia. Amaldiçoei-me por ter deixado a janela aberta. O vento que por ela entrava estava congelando meu corpo.
Em alguns minutos minha visão já estava turva. Então era assim que tudo ia acabar? Eu tinha lutado tanto pro meu fim ser assim? Vi o celular jogado alguns centímetros a minha frente. Aquilo renovou meu fôlego. Se eu conseguisse chegar até lá poderia ligar para alguém. Esse poderia não ser o fim. Esse não seria o fim.
Fiquei de bruços e me empurrei com os cotovelos e os joelhos totalmente trêmulos, lentamente até que consegui alcançar o celular com a ponta dos dedos. Arrastei o celular de volta até junto de mim. Continuei de bruços no chão, com o celular quase colado ao rosto. Tentei discar os números, mas meus dedos estavam trêmulos e fracos demais. Tentei de todas as maneiras discar qualquer número, mas foi inútil. Apenas o aviso de nova mensagem, a que eu havia recebido mais cedo, continuava na tela.
O aperto voltou a tomar conta do meu peito junto com o desespero. O medo era tanto que eu já quase não conseguia respirar. Eu precisava tirar esse pânico da minha mente ou isso iria acabar comigo. Tentei pela última vez pressionar alguma tecla do celular, dessa vez com o pulso. E a mensagem apareceu na tela.
“Bill: h.d.l.”
Eu não sabia o que isso significava, mas era apenas isso que ia ficar na minha mente e me dar forças.
Encolhi-me no chão e pisquei meus olhos, eles estavam pesados de sono, eu quase não conseguia mantê-los abertos. Mas eu me esforçava, tentando descobrir o que era h.d.l. só para me manter acordada e me desviar da dor e do frio. Isso estava funcionando, eu estava quase num torpor, como se estivesse em outra dimensão, muito lenta e fraca.
Após algum tempo, não sei dizer quanto ao certo, a porta rangeu e pelo pouco que meus olhos estavam abertos vi a luz aumentar de intensidade no quarto. Permiti-me sentir uma ponta de felicidade, alguém tinha aparecido ali para me ajudar. Ouvi três passos e então eles pararam.
– Oh meu Deus! – Bill gritou e eu então ouvi a campainha de chamar a enfermeira soar loucamente e então parar, para logo ele chegar ao meu lado. Ele se ajoelhou em minha frente e eu pude finalmente vê-lo. Ele estava completamente assustado e passava seus olhos por toda a extensão do meu corpo freneticamente. – Vai ficar tudo bem, elas já estão vindo, aguenta firme. – disse passando a mão pelo meu rosto e olhando fundo em meus olhos.
– B-bill... – disse com a voz fraca, quase engasgada.
– Oi, amor.
– O q-que é h.d.l? – ele sorriu meigamente, passando seu polegar pela minha bochecha.
– Hab dich lieb. Eu te adoro. – eu sorri fechando meus olhos, aproveitando o calor da mão dele. E sem mais medo, apaguei.


Fui acordando lentamente, já sem dor e frio, numa sala com luz intensa. O médico estava terminando de fazer um curativo em meu queixo. – Já estou acabando. – Dr. Carlton disse.
– Uhum. – murmurei percebendo que já estava me sentindo bem melhor. Percebi também que havia um soro conectado em minha veia.
– Pronto. – ele disse. – Como você se sente?
– Melhor. – falei e mexi meu queixo de um lado para o outro, aproveitando o efeito do anestésico.
– Sorte sua não ter quebrado, a pancada foi forte não? – balancei a cabeça afirmativamente. – Foi só um corte e eu mesmo já dei uns pontos, agora a Dra. Jane quer fazer um ultrassom de novo, para ver como a bebê está. Vamos?
Fiz que sim e já estava pronta para me levantar quando ele se aproximou com a cadeira de rodas. Fiquei a observando e imaginando se eu não conseguiria mais andar. Preferi pensar que ele apenas a estava usando por causa da anestesia e da perda de sangue que eu tive e aceitei me sentar nela. Consegui ficar de pé não tão facilmente e me sentei na cadeira e ele me deu o soro para segurar. Logo chegamos à sala da Dra. Jane. Ela apenas conversou um pouco comigo e colocou aquele aparelho que media os batimentos do bebê. Eles estavam um pouco lentos.
– Agora nós precisamos conversar. – o Doutor disse sério, sentando-se a minha frente e ao lado da Doutora – Acho que a gravidez continuar num momento como esse não vai ser bom nem para você nem para o bebê.
– Como? – senti meu coração pular algumas batidas.
– Os batimentos do bebê estão desacelerados, isso quer dizer que ele está sofrendo. Você já teve um descolamento de placenta e caiu hoje. Isso não está fazendo bem a ela. – ela falou séria, era a primeira vez que eu via Jane assim. E isso me fez ficar mais assustada ainda. Julie estava sofrendo.
– E você também. – Dr. Carlton disse. – Os sintomas estão progredindo mais rápido do que imaginávamos. Você necessitaria de um tratamento mais agressivo nesse momento.
– E... – incentivei-os a continuar, sem saber o que esperar.
– Eu acho que nós devemos fazer o parto o mais rápido possível.
Se eu não estivesse sentada agora tenho certeza que cairia no chão. Era como se todas minhas forças tivessem sido sugadas. – Mas eu mal completei sete meses de gestação.
– Sim, 26 semanas. Mas nesse caso continuar seria pior para ela, e para você.
– Droga... – eu me sentia inútil, sem poder proteger minha filha. – Mas, ela teria condições de nascer agora? – perguntei com a minha voz já embargada.
– Sim. – ela disse parecendo mais confiante. – O único problema é o pulmão dela não estar completamente formado, mas hoje em dia nós temos muitos recursos. As chances dela serão ótimas.
– Então não é certeza que ela... fique bem? – falei mal conseguindo colocar as palavras para fora.
– Certeza, não. – Jane disse. – Mas é o melhor que podemos fazer.
– E se eu fizer isso, como fica depois? – perguntei.
– Essa é uma cirurgia de risco, principalmente para você, - Dr. Carlton disse lentamente. – mas se tudo correr como o planejado nós continuaremos o tratamento para diminuir o tumor e o mais rápido possível fazer a cirurgia para retirada dele.
– Eu posso ter um tempo pra pensar pelo menos? – perguntei com a cabeça baixa.
– Claro. – Dr. Carlton respondeu. – Nos falamos amanhã. – deu um tapinha em meu ombro e foi saindo da sala.
Jane veio até mim e acariciou meus cabelos. – Não se desespere, pense bastante que eu tenho certeza que você saberá o que é o melhor para ela. – ela falou num tom meigo, quase maternal, que eu cheguei a me sentir amparada. – Vou chamar seu marido agora. Até amanhã.
Ela saiu e fechou a porta atrás de si. Minha cabeça parecia pesar toneladas. Eu me apavorava só de pensar em ter que tomar uma decisão tão importante. Mas eu acho que ela já estava tomada, afinal. E não havia nada que eu pudesse fazer para mudar isso.
Ouvi o trinco da porta e me virei para ver Bill entrando. Ele se aproximou de mim e levantou meu rosto, olhando meu queixo. – Dói?
– Não. – ele cutucou o corte. – Agora sim, né. – ele puxou a mão rapidamente, como se tivesse levado um choque. Eu ri, e isso doeu um pouco, o efeito do anestésico já estava passando.
– Já está se sentindo melhor agora?
– Uhum. Tirando essa cadeira idiota. – falei e soquei a cadeira fazendo-o rir. Pelo menos eu ainda conseguia socar as coisas, bom saber. – Não gosto dela, mas infelizmente nós não podemos nos separar.
– Claro que sim. A única coisa que você não pode se separar sou eu. – ele olhou para o lado um pouco, pensativo. – Coisa não, pessoa. – eu ri alto.
– Ai, Bill! Para! Isso dói...
– Okay, me desculpe. – ele fez um biquinho fofo. – Mas como eu estava falando, você não precisa dela. – apontou para a cadeira. – Só de mim. – sorriu prepotente, apontando para si mesmo. – semicerrei os olhos. – Tá, parei. Pronta para a separação, Carol Louise?
– Sim, mas eu odeio que você me chame assim...
– Eu sei. – e ele sorriu prepotente de novo. Aproximou-se e me pegou no colo como se eu fosse nada. Não sei se era eu que estava magra demais ou ele que estava malhando demais. Cutuquei seu braço com meu dedo, ele estava totalmente rígido. Onde eu estava com a cabeça que ainda não tinha reparado nisso?
– É, é você.
– Eu sei... eu sou seu herói. – me entregou o soro e me levou pelos corredores do hospital. As pessoas ficaram olhando, umas com cara feia outras com um sorriso fofo. Mas eu não estava nem aí, eu estava me sentindo ótima ali, mil vezes melhor do que na cadeira, ou em qualquer outra lugar.
– Hey super-herói, – chamei e ele virou o rosto para mim sorrindo. – será que você poderia trazer minha família aqui?
– O que você quiser, garota.


Nós já estávamos conversando há algum tempo, sobre qualquer coisa, mas eu achei que já estava na hora de eu falar o que queria. Meu pai estava ali, meus irmãos - todos eles, Bill disse que ia conseguir eles aqui e conseguiu, não faço ideia de como -, JJ... e eu só precisava de coragem. Reuni ela com uma respiração profunda e comecei.
– Sabe qual a coisa que eu mais me arrependo? – perguntei e eles todos pararam e olharam para mim. – Não ter me despedido da mamãe. Odeio nem lembrar qual foi a última coisa que falei com ela, por que eu sei que não foi nada demais. Eu gostaria de poder lembrar de ter dito que amava ela, mais do que tudo na vida, e de agradece-la por tudo que fez por mim. Mas não. Por isso eu me pedi pra vocês virem aqui, por que eu não vou deixar isso acontecer de novo.
Comecei pelo meu irmão mais velho. Eu esperava que eles nem me interrompessem, para que eu conseguisse terminar. – Jeremy, obrigada por sempre cuidar de mim e sempre me proteger. E sempre ser responsável por mim, mesmo quando não precisava. Eu sei que eu sempre reclamava, mas eu nem consigo imaginar como minha teria sido bem mais difícil se você não estivesse lá por mim.
– Você sempre precisou que eu fizesse isso... tão desmiolada... Mas se eu pudesse eu teria sido pior ainda. – ele falou e eu ri, conseguindo segurar a emoção.
– Christopher, obrigada por ter ficado comigo no Canadá, e ter cuidado de mim lá também. Eu nunca pensei que fosse dizer isso, mas quando eu paro pra pensar eu também sou muito grata por você ser tão ranzinza. Eu sempre me esforcei tanto pra desamarrar essa tua cara e colocar um sorriso no lugar, eu gastava tanta energia nisso e me sentia tão importante quando conseguia.
– E você sempre conseguia... – ele disse com os olhos cheios d’água e um sorriso no rosto. É, eu sempre conseguia. Passei para o próximo antes que não conseguisse, minha garganta já estava começando a ficar apertada.
– Jared, obrigada por sempre me entender. Por sempre ter sido tão doce comigo e por ter sido sempre meu amigo. Mesmo quando eu não queria conversar você ficava do meu lado só pra compartilhar o que eu sentia. E também, muito obrigado por me dar o JJ, ele é um pouco meu também.
– É claro que eu fiz isso, você sempre foi minha melhor amiga. – ele falava e as lágrimas escorriam pelo seu rosto, aquilo mexeu comigo e elas quase começaram a rolar pelo meu rosto também. - E ele vai ser sempre teu... – sorri e continuei.
– Benjamin, você é tão insuportável! Mas muito obrigada por isso. Você sempre me divertiu tanto, sempre me fazia rir, com tudo. E também sempre foi tão criança que eu precisava cuidar de você. E eu sempre gostei tanto disso, de me sentir responsável por alguém. Obrigada.
Ele não falou, apenas balançou a cabeça, escondendo que chorava.
– JJ, vem cá. – abri meus braços e ele subiu correndo na cama e sentou-se em meu colo. – Eu soube que conseguiria ser uma boa mãe por sua causa, sabia? – ele fez que sim com a cabeça. – Você promete pra mim que vai ser como um irmão mais velho pra Julie? Que vai superproteger ela, que vai brigar com os bullys na escola, e que vai cuidar dela sempre?
– Xim, vou brigar com qualquer um que encostar nela. – falou todo fofo e desceu correndo para o colo do pai. Uma lágrima fujona correu pela minha bochecha. Olhei para o meu pai e respirei fundo.
– E pai... – senti minha garganta apertar. – Obrigada por ser o melhor pai do mundo. Por ter se tornado pai e mãe. – vi ele começar chorar, eu tinha visto isso poucas vezes, só quando ele chorava escondido logo após a morte da minha mãe. – Eu não consigo pensar em uma só coisa que você tenha feito que tenha sido ruim para mim. Até mesmo quando você brigou comigo por que eu escolhi ficar com o Bill. ´Tá que vocês não precisavam chegar a ter ficado sem falar comigo... mas se isso não tivesse acontecido eu não teria amadurecido tanto, eu era tão dependente, eu não teria me aproximado tanto do Bill se tivesse vocês o tempo todo comigo. E provavelmente eu nem teria a Julie... se vocês estivessem lá comigo pra comemorar o Grand Prix, eu não teria tempo para fazê-la – falei e sorri envergonhada. – E também obrigada por ter sempre desistido de tudo por nós. Você não precisava... Por que eu não queria que você namorasse com ninguém? Que egoísmo... – me estiquei na cama e segurei suas mãos. – Pai, você pode ficar com a Jane se for isso que você quiser... não é errado, a mamãe ficaria feliz. – as lágrimas já escorriam loucamente. Olhei para ele, fazendo o último pedido. – Faça tudo de novo com a Julie, ela vai precisar de você.
– Oh meu amor... – meu pai falou secando as lágrimas. – Eu que tinha de lhe agradecer. Por ter me permitido ser seu pai. Por ter sido minha menina, por se parecer tanto com a sua mãe... Eu te amo tanto... Sempre vou amar. – enquanto ele falava não consegui não chorar, não um choro sofrido com soluços, mas sim um choro triste e feliz ao mesmo tempo. Eu era realmente agradecida a eles e estava feliz de poder falar isso. Funguei e sequei as lágrimas.
– Agora, abraço em grupo. Por favor, venham aqui que eu não posso ir até aí.


Meus homens tinham acabado de ir, e tinha mais uma pessoa que eu precisava agradecer. Porém eu tinha certeza que de jeito algum conseguiria fazer isso olhando para ele. Mas ainda assim eu precisava fazer isso. Mesmo que fosse difícil, eu ia escrever uma carta para ele e pedir pro meu pai entregar depois. Eu tinha pedido pra ele deixar um caderno e uma caneta pra mim e aproveitando que Bill tinha ido ao estúdio resolver umas coisas eu ia escrever tudo agora.
Peguei o material em cima do criado mudo e os coloquei em meu colo. Eu já começava a sentir uma sensação ruim, era como se eu estivesse me despedindo e mesmo que fosse no papel eu jamais conseguiria me despedir dele. Eu comecei a pensar que algo poderia dar errado, que alguma coisa poderia acontecer comigo. Aquilo estava parecendo mais possível do que nunca, mais perto do que nunca. E isso estava me machucando. Até fisicamente, meu coração parecia estar sendo esmagado, ele doía de verdade.
Pensar em nunca mais estar perto dele, nunca mais ver o sorriso dele... Ah, doía muito. E pior, pensar em como ele ficaria se eu fosse. – Droga. – as lágrimas começaram a escorrer e pingaram sobre o papel. Eu nunca tinha odiado tanto essa droga de doença como agora. Eu tinha dado importância demais pros meus cabelos, eu tinha dado importância demais para os meus movimentos. Eu podia ficar sem tudo isso que eu não me importava, se ao menos pudesse ficar com ele.
“Bill...” – escrevi com a mão trêmula. Meu peito se retorceu de dor. Larguei a caneta e abracei meu corpo. Eu não queria me separar dele, eu não queria deixar a Julie sem mãe... As lágrimas escorriam cada vez mais quando eu pensava no futuro. Eu já estava soluçando. Eu não ia conseguir escrever a carta desse jeito. Eu não podia falar isso que estava sentindo, só iria piorar as coisas. Eu só precisava que ele ficasse bem, mas eu sabia que ele não ia ficar. Eu precisava fazer alguma coisa para que ele seguisse em frente, para que ele não desistisse... ele ia ter a Julie, ele ainda precisaria estar lá por ela.
Comecei a pensar em tudo de bom que aconteceu, em todos os momentos bons que tivemos, e até nos ruins, mas que nós conseguimos enfrentar juntos. Antes que eu percebesse já estava sorrindo. Apesar do que estava acontecendo agora, ter passado por tudo que eu passei valeu a pena. Isso, era sobre isso que eu ia escrever. Sequei as lágrimas e peguei a caneta de volta me concentrando e usando todas as minhas forças para conseguir escrever.
Terminei-a e não fiquei totalmente satisfeita. Havia tantas coisas que eu ainda gostaria de dizer, mas tudo bem. Ali estava um pedaço de mim que Bill poderia levar com ele.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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53 Nothing Lasts Forever em Sab Jan 12, 2013 7:55 am

Sam McHoffen

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Capítulo 48 - E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida

Kiss - Hyun Bin/ Lee Yeon Hee

Fui acordando, com os pequenos raios de sol adentrando pela janela. Mexi meus dedos lentamente, apenas para ter certeza de que eles ainda se moviam. Virei para o lado, espreguiçando e vi uma cena no mínimo extraordinária. Apoiei-me nos cotovelos com certa dificuldade e com os olhos cerrados observei Bill sentado em cima do criado mudo.
- 'Tá fazendo o que aí, criatura?
- Estou no lugar das flores. - ele disse com um sorriso inocente, como se aquela não fosse a coisa mais ridícula que eu já tivesse presenciado.
- Quê?! - perguntei incrédula.
- Eu trouxe flores pra você, mas eles disseram que eu não podia entrar com elas, então, cá estou eu, no lugar das flores.
Não aguentei e caí na risada. Podia ser ridículo, mas era a coisa mais fofa do mundo. - Awn, Bill... Eu te amo.
- Eu sei. - ele disse e desceu do seu lugar. Deitou-se na cama comigo e me abraçou, mordendo levemente minha bochecha.
- Billy, eu preciso te contar uma coisa. - disse temerosa.
- O quê?
- Acho que a Julie precisa nascer hoje. – disse cautelosamente, com medo da reação dele. Senti que seu peito parou de se movimentar por uns segundos.
- Hoje? – perguntou num tom triste.
- É... – respondi tentando conter o medo crescente dentro de mim. – Mas a Dra. Jane disse que ela já está quase completamente formada, que assim será melhor pra ela. – fiz uma pauso e olhei para ele. – O que você acha?
Ele se levantou um pouco, ficando apoiado em um cotovelo, me observando e disse calmo. – O Dr. Carlton falou comigo há algum tempo, que isso poderia acontecer. E ele me garantiu que só fariam isso se isso fosse o melhor para vocês duas, e eu confio nele.
- Eu também. – falei recostando minha cabeça em seu peito. Bill colocou a mão em minha quase grande barriga.
- Então é hoje que nós vamos conhecer você, bebê! – disse de um jeito fofo que me fez rir, quase me fazendo esquecer que havia a chance de eu não conseguir chegar a isso. Quase.
- O que foi? – ele perguntou, percebendo minha mudança de humor.
- Nada... – disse como sempre. Como se depois de tanto tempo ele não soubesse que isso significava exatamente o contrário.
- Vamos, confia em mim e me fala o que está passando por aí. – disse apontando pra minha cabeça.
Desisti de tentar segurar e falei, felizmente e incrivelmente sem gaguejar ou engasgar. - É só que... eu já abri mão de tanta coisa, só não queria abrir mão disso. E eu estou ficando com medo eu só... não sei. – tudo estava ficando tão intenso, tão... trágico e eu estava assustada.
- Não tem problema ter medo, amor. Eu estou aqui com você. – deu um beijo no topo da minha cabeça. – Onde quer que você esteja, e o que quer que custe.
Sorri. Ele sempre sabia o que dizer para me fazer sentir melhor. - Eu sei... Você é meu Band-Aid.
- Quê?! – ele perguntou rindo, exatamente como eu havia feito antes.
- Você sempre me conserta quando eu me despedaço. – nos olhamos por alguns segundos, aquela troca de olhares que significa mais do que qualquer palavra e que é mais forte do que qualquer toque. E eu não ficava mais sem graça com isso, eu não ligava mais que ele lesse toda minha alma, agora ele já me conhecia mais do que ninguém.
- Você quer dançar? – ele perguntou do nada.
- Bill... – eu ri em deboche. – Eu tenho a leve sensação de que por algum motivo eu não vou conseguir fazer isso.
- Consegue sim. – ele disse e rapidamente ficou em pé na minha frente com as mãos estendidas. - Não tenha medo, confia em mim. Vem.
Estirei minhas mãos pra ele, e me sentei, com ajuda dele, claro. Bill colocou meus braços ao redor de seu pescoço e puxou minha cintura para ele. Coloquei meus pés em cima dos dele e lentamente ele foi dando passos para os lados.
- Viu? Estamos dançando.
E mais uma vez aquela troca de olhares. Eu nem precisei dizer nada só isso e o tamanho do meu sorriso já diziam tudo. Ele era o cara mais perfeito que eu já havia sequer ouvido falar e nesse momento eu era eternamente grata a isso.


- Você vai entrar também? – a enfermeira perguntou a Bill. Ele arregalou os olhos, petrificado.
- Eu p-posso? - perguntou gaguejando.
- Claro. – ela disse e entregou uma bata verde a ele também. Parecida com a que eu já estava vestida. Ele foi tirando a roupa, para vesti-la. – Não, você não precisa tirar a roupa, só coloque por cima.
- Ah, sim. Tudo bem... – ele voltou a vestir a roupa todo atrapalhado. Eu fiquei só observando aquilo, rindo de tudo. – Pronto. – ele disse quando tinha amarrado a bata.
- As botinhas e a touca também. – a enfermeira disse apontando para as coisas em cima da poltrona. Meu marido olhou e pegou-as atrapalhado.
- Ah, claro. – ele rapidamente terminou de se vestir e pudemos sair de lá.
Eu fui empurrada pela enfermeira em uma cadeira de rodas até o centro cirúrgico, Bill tentava nos seguir tropeçando em tudo. Eu nunca o tinha visto daquele jeito, ele parecia um retardado desde que tinha percebido que ia a ver nascendo.
Eles me colocaram na mesa de cirurgia, me explicaram tudo que aconteceria, aplicaram a anestesia no meio das minhas costas - o que doeu muito, além de me deixar grogue - e me deitaram novamente.
Dra. Jane entrou quase irreconhecível, com aquela máscara cobrindo todo o seu rosto. Mas pelo seu tom de voz estava muito animada.
- E aí, preparados? – ela perguntou olhando para mim e Bill, em pé ao lado. Fizemos sim com a cabeça, apesar de eu achar que ele não parecia estar tão certo assim. – Então vamos começar.
Eles colocaram um pano na minha frente, me impedindo de ver o que aconteceria na minha barriga. Odiei isso. Bill foi para lá também e isso era muito injusto, eu era a única a não poder a ver nascendo.
Eu comecei a me sentir tonta, aérea. Provavelmente por causa da anestesia. Mas logo esqueci isso e comecei a ficar nervosa de pensar que a Julie logo, logo poderia estar em meu colo. Esse era o momento mais importante da minha vida. Oh Meu Deus, ela vais nascer, ela vai nascer!
Comecei a sentir eles mexendo em minha barriga, mas não doía, era só incômodo. Só percebi que eles já estavam me cortando quando Bill se dobrou sobre seu abdômen quase vomitando. Então ele desistiu de olhar para lá e se sentou ao meu lado, segurando minha mão e de vez em quando olhando a frente do pano para quase vomitar de novo.
O mal estar estava piorando, minha cabeça parecia que ia explodir. – Eu me sinto um pouco estranha. – disse para o anestesista que me observava. Ele checou os aparelhos ligados em mim.
- Isso é normal, é efeito da anestesia, sua pressão subiu um pouco, mas não se preocupe. Tudo está indo bem.
- Tá... – falei e percebi que Bill agora me olhava com os olhos estalados. – V-você ouviu. – eu disse com muita dificuldade. – É normal.
Ele fez que sim com a cabeça e deu um beijo em minha testa.
Senti uma pressão muito grande em minha barriga, muito grande. E vi Bill arregalar os olhos e abrir a boca num sorriso enorme. Eu fiquei atônita, meu coração pareceu ter virado uma bola e batia loucamente. Ela tinha nascido. Mas por que não chorava? Bebês não deviam chorar assim que nasciam se fossem saudáveis? Olhei para Bill quase desesperada e ele apertou minha mão forte e soltou-a em seguida e foi lá para frente.
- Oh meu Deus! – o ouvi exclamar e levar a mão à boca em seguida olhando para mim com os olhos cheios d’água. E ela logo começou a chorar.
- Eu q-quero ela. – disse quase sem voz e Dra. Jane rapidamente atendeu meu pedido e trouxe-a embrulhada em uma toalha. Eles me sentaram um pouco e colocaram-na em meu colo.
Senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto enquanto segurava aquela bebê chorona em meus braços. Observei cada traço de seu rosto: seus olhos de um tom escuro indefinido, seu nariz pequeninho e a boquinha meio roxeada ainda. Olhei todos os seus dedinhos, e os vinte estavam ali, perfeitos. – Ela é perfeita. – Bill disse e eu olhei para ele. Ele estava do mesmo modo. Com lágrimas escorrendo pelo rosto e aquele sorriso enorme e bobo no rosto. Sorri para ele, que deu um beijo em mim e na cabecinha dela.
- Oi Julie. – disse, mas o som foi abafado por uns bipes vindos de algum aparelho. Mas antes que eu me preocupasse vi que não tinha nenhum aparelho ligado a ela e relaxei. – Você é tão linda. – agora eu sei por que as mães achavam seus bebês recém-nascidos com cara de joelhos lindos. Por que eles realmente eram. Ela apertou meu dedo entre seus dedinhos e olhou em meus olhos. – Oi – eu disse de novo e ela parou de chorar. Olhei novamente seus pezinhos, suas perninhas e quando voltei meu olhar para seu rosto ele parecia estar mais roxa do que antes.
- Jane... – chamei fracamente, ao tentar falar mais alto minha cabeça pareceu explodir, de verdade. Ouvi a médica falar alguma coisa ao longe e chamei-a novamente. – Jane! – Mais uma pontada em minha cabeça, mas ela finalmente me ouviu. – Te-tem algo errado com ela.
- Eu preciso de um aspirador aqui. – ela falou alto com as enfermeiras. – Está tudo bem, só vamos aspirar as vias aéreas e vai ficar tudo bem. – ela examinou Julie com o estetoscópio e não pareceu muito feliz depois disso. E você está sentindo alguma coisa?
- Estranha, minha cabe-beça está estranha. E ela? Está bem? O q-que ela tem?
O bipe se acelerou e Jane olhou para o aparelho que fazia o barulho. – EU PRECISO DO DR. CARLTON AQUI AGORA! – ela gritou e se voltou para mim. – Se acalme querida, eu vou levar ela agora. O Dr. Carlton já está vindo. – ela pegou a bebê do meu colo rapidamente.
- O que está acontecendo? – Bill perguntou olhando para a médica.
- Está aqui doutora. – uma enfermeira chegou com um aparelho em cima de um carrinho onde eles colocaram a Julie. – E você vai ter que esperar lá fora. – ela disse para ele.
- Por quê? O que está acontecendo? – ele perguntou mais alto dessa vez.
- O Dr. Só precisa examiná-la. Mas você tem que esperar lá fora. – Jane disse para o Bill.
- Eu não vou...
- Vai Bill... – disse e consegui segurar sua mão. Ele olhou para mim com os olhos assustados e deu um longo beijo em meus lábios. – Tchau.
- Tchau, amor. – ele disse e saiu da sala. Dra. Jane também saiu levando Julie. Eu mal estava enxergando de tanta dor de cabeça, mas vi Dr. Carlton entrar e falar algo com o anestesista que logo veio aplicar algo em minha veia.
- Nós vamos fazer sua cirurgia agora. – ele disse se aproximando de mim. O remédio que me deram já estava fazendo efeito e eu fui ficando sonolenta.
- Eu não tenho mais medo... Eu a conheci. – foi a última coisa que eu consegui dizer antes de apagar.

Bill's POV
“Eu estava sentado com os braços envolta dela enquanto olhávamos o epitáfio em nossa frente. Já fazia quatro anos, mas ainda parecia ontem.
- Você acha que é possível sentir falta de alguém que nem se conheceu? – Ela olhou para mim com aqueles grandes olhos azuis. Eu apenas fiz que sim com a cabeça por que sabia que era exatamente isso que ela sentia.”


Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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54 Re: Nothing Lasts Forever em Qua Jan 16, 2013 10:05 am

Sam McHoffen

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Eu estou postando essa fic, mas apesar disso ainda sou uma leitora. E estou devendo um comentário pra Cherrie! E antes que ela me mate por não comentar, ai vai...

Carolinda.... eu não consigo ler esse capitulo de novo! É sério, se eu ler eu vou chorar! E ainda mais ouvindo essa música. Sad
Eu ri e achei tão fofo o Bill em cima da comoda... lembra que eu disse que não importasse o motivo dele estar na comoda, eu iria ir?! Pois bem, só consegui achar ele um bocó hahhaha Mas também um fofo!

Como eu jah havia te dito, achei super fofo o nascimento da Julie, foi sem dúvida uma das melhores, se não a melhor, cena de nascimento que já li na vida! Foi lindo e comovente!

Não sei porque mais quando a Julie não conseguia respira eu só pensava: ai meu Deus! A Carol me disse que iria ter consequencias a doença da Carol, mas nãoooo pode acontecer nada a Julie! Não, não e não!
Espero que fique tudo bem com ela, porque Bill e Carol já passaram por tanta coisa, não é?!

E toh com tanto medo do próximo capitulo! Não sei direito o que pensar dele, mas quero a Carol bem, a Julie e o Bill também!

E o Bill, tem como ser mais fofo, romantico, delicado, carinhoso e atencioso?! Eu amo esse Bill, e queria ele pra mim hahaha

Vê se destrava logo essa cabeçinha, porque quero saber o que vai acontecer! Estarei aqui esperando o próximo capitulo ansiosamente!

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55 Re: Nothing Lasts Forever em Qua Jan 16, 2013 6:53 pm

Oi Kárita! (preciso te arrumar um apelido)

É, e eu acho bom mesmo comentar... Se não tu ia ver, só.

Quando tu disse que não conseguiu ler de novo eu pensei que era por que tava ruim demais... KKKKKK Eu e meus complexos.
Mas eu disse que era com a música que fazia sentido!
E tu sabe que me deve lágrimas nessa fic né.

Ah, mas agora q tu entendeu o motivo ficou beeem mais fofo, né?
Eu não sei daooonde isso. Eu achei tão péssimamente descrito, isso que eu ainda escrevi duas vezes e juntei as duas...

Tu é tipo a Carol da fic né... salvem o bebê!
Mas então... tu vai mesmo querer me matar, mas quando eu te contar uma coisa fora da fic...

Eu também to com medo do próximo capítulo. Nem quero escrever ele... Não dá pra deixar a fic assim? Sem final... acho que já tá bom, não?

O Bill poderia ser como o meu Bill... ia ser tão maravilindo kkkkk Amo meu Bill.

Eu também espero pelo próximo capítulo ansiosamente, vamos ver quando ele vai pairar em minha cabeça...

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56 Nothing Lasts Forever em Dom Jan 27, 2013 10:22 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 49 - Você Será Eternamente Minha
Kate Bush - This Woman's Work

- Você vai entrar também? – a enfermeira me perguntou logo após ter terminado de ajudar Carol a se vestir. Eu levei um susto e mal consegui falar.
- Eu p-posso? - perguntei gaguejando.
- Claro. – ela disse e entregou uma bata verde para mim também. Parecida com a que Carol já estava vestida. Esperei que ela saísse, mas ela ficou parada me observando então eu fui tirando minha roupa na frente dela mesmo. – Não, você não precisa tirar a roupa, só coloque por cima. – ela disse ríspida.
- Ah, sim. Tudo bem... – falei sem jeito e voltei a vestir a roupa todo atrapalhado. Carol só ria de mim, olhei para a cara dela e aí ela riu mais ainda. – Pronto. – disse ao terminar de amarrar a bata.
- As botinhas e a touca também. – a enfermeira disse apontando para as coisas em cima da poltrona.
- Ah, claro. – eu peguei as coisas e rapidamente terminei de me vestir e pudemos sair de lá.
Ela foi empurrada pela enfermeira em uma cadeira de rodas até o centro cirúrgico. Ou elas estavam rápido demais ou eu estava tropeçando demais, por que eu não conseguia alcançá-las. O que elas queriam? Que eu ficasse no meu estado normal depois de saber que ia ver minha filha nascendo? A mãe elas levavam numa cadeira de rodas, mas o pai tinha que sair correndo atrás.
Entramos no centro cirúrgico e eu fiquei meio perdido enquanto eles a preparavam para a cirurgia. Só sei que se fosse em mim que eles enfiassem aquela agulha enorme, eu desmaiava.
A obstetra entrou, animada como sempre.
- E aí, preparados? – ela perguntou olhando para Carol e para mim. Ela fez que sim com a cabeça e eu não tão certo assim segui seu movimento. – Então vamos começar.
Ela saiu e foi colocar suas luvas. Eles começaram colocando um pano acima do peito da minha mulher e ela pareceu ter ficado realmente revoltada com isso. Bom, se ela não podia ver, eu podia. Se eu conseguisse, claro.
Eles passaram um líquido marrom em toda barriga dela e Dra. Jane fez um risco onde ela iria cortar. Ela pegou o bisturi e pressionou a pele dela. Eu esperava ver a Julie saindo logo, mas só havia camadas de coisas nojentas por baixo da pele dela. Meu estômago embrulhou vendo aquilo e eu tive que me dobrar para não vomitar. Eu definitivamente não conseguiria ver aquilo. Voltei para o lado da Carol e me sentei em um banquinho que estava lá. Ela parecia nervosa, eu segurei sua mão e ela sorriu para mim. Às vezes eu desviava minha atenção de seu olhar para sua barriga, mas eu quase vomitava toda vez que fazia isso.
- Eu me sinto um pouco estranha. – Carol disse para o anestesista que estava ao seu lado. Eu olhei para ela com os olhos arregalados, tudo estava indo tão bem... ela não podia passar mal agora. Apertei sua mão mais forte ainda.
O anestesista checou os aparelhos ligados a ela. – Isso é normal, é efeito da anestesia, sua pressão subiu um pouco, mas não se preocupe. Tudo está indo bem. – isso deveria ter me acalmado, mas eu não me senti tão seguro assim. Eu não deixaria nada acontecer a ela.
- Tá... – ela falou e olhou para mim. – V-você ouviu. – ela disse com muita dificuldade. – É normal. – fiz que sim com a cabeça, mesmo não estando tão certo assim e dei um beijo em sua testa.
A movimentação lá na frente aumentou e quando eu olhei tinham dois pezinhos sendo puxados de sua barriga. Meus lábios formaram um sorriso enorme instantaneamente. Carol me olhou, como se quisesse que eu fosse lá. Soltei a mão dela e fui lá para frente.
- Oh meu Deus! – eles tinham tirado Julie, e ela era tão pequena. Todo aquele sentimento de preocupação que eu tinha com Carol havia dobrado agora, ali estava mais uma pessoa que eu nunca deixaria ninguém no mundo machucar. Levei minha mão à boca e senti meus olhos marejados, olhei para minha mulher e ela também estava com um sorriso enorme estampado no rosto. Ouvi o choro de um bebê e aquilo com certeza era melhor do que qualquer música.
- Eu q-quero ela. – Carol disse quase sem voz e Dra. Jane rapidamente atendeu seu pedido e embrulhou Julie em uma toalha, colocando-a em seu colo.
Ela parecia tão feliz e orgulhosa, realizada segurando Julie em seu colo. As lágrimas escorriam pelo seu rosto enquanto ela examinava cada pequeno pedaço da bebê.
- Ela é perfeita. – eu disse e Carol olhou para mim, sorrindo. Eu a beijei e também dei um leve beijo na cabecinha de Julie, morrendo de medo de machucá-la.
- Oi Julie. – Carol disse. – Você é tão linda. – ela era, linda e perfeita. E eu já a amava incondicionalmente. – Oi – ela disse de novo e a bebê parou de chorar. Peguei meu celular e tirei uma foto das duas, eu queria lembrar desse momento para sempre. Logo uma enfermeira veio e tomou o celular das minhas mãos me olhando com cara feia.
- Jane! – Carol chamou alto e fez uma careta de dor. – Te-tem algo errado com ela.
Olhei para Julie e ela estava roxa. Meu coração começou a bater como louco. E eu procurei Jane pela sala, ela se aproximou e gritou: - Eu preciso de um aspirador aqui. – depois se voltou para Carol e falou – Está tudo bem, só vamos aspirar as vias aéreas e vai ficar tudo bem. E você está sentindo alguma coisa?
- Estranha, minha cabe-beça está estranha. E ela? Está bem? O q-que ela tem?
Oh meu Deus... Julie estava roxa, Carol estava se sentindo mal. Isso era demais para mim, eu comecei a ficar desnorteado, como se a minha cabeça pesasse toneladas.
Jane olhou para o aparelho apitando e gritou novamente. – EU PRECISO DO DR. CARLTON AQUI AGORA! – e voltou a falar baixo com Carol – Se acalme querida, eu vou levar ela agora. O Dr. Carlton já está vindo. – ela pegou a bebê no colo e foi saindo da sala.
- O que está acontecendo? – eu consegui reunir forças para perguntar.
- Está aqui doutora. – uma enfermeira chegou com um aparelho em cima de um carrinho onde eles colocaram a Julie. – E você vai ter que esperar lá fora. – ela disse para mim.
- Por quê? O que está acontecendo? – perguntei quase gritando, eu já estava totalmente desesperado.
- O Doutor só precisa examiná-la. Mas você tem que esperar lá fora. – Jane me disse, tentando me acalmar.
- Eu não vou... – não sem as duas.
- Vai Bill... – Carol disse fracamente e segurou minha mão. Eu olhei para ela, por alguns longos segundos. Eu não queria sair dali, não queria deixá-la ali. Mas eu precisava. Depositei um longo beijo em seus lábios e me afastei. – Tchau.
- Tchau, amor. – eu disse e com muita relutância saí da sala, deixando meu coração lá dentro.
Saí de lá e a enfermeira me ajudou a tirar minhas roupas e me guiou para fora do centro cirúrgico. Eu apenas andava por que ela me empurrava, eu não tinha a mínima consciência do que fazia. Eu queria estar lá dentro com elas, mas ao mesmo tempo eu tinha medo de estar lá e ver que as coisas não estavam indo bem. Por que tudo tinha mudado tão repentinamente? Há poucos minutos eu estava observando Carol e Julie felizes olhando uma para a outra e agora eu estava aqui sem saber se qualquer uma das duas estava bem.
- O senhor pode ficar aqui esperando que nós lhe traremos notícias. – a enfermeira disse e saiu. Eu olhei para a sala que ela havia apontado e todos estavam lá sentados. O pai dela, os irmãos dela e o meu irmão. Assim que eu entrei eles me olharam com olhos arregalados.
Sr. Ford se levantou e veio até mim. – Ocorreu tudo bem?
- Eu não sei... eu não sei... – Carol estava bem, Julie nasceu, chorando muito e ela é tão... perfeita. – disse permitindo-me sorrir ao lembrar dela. – Mas aí tudo ficou confuso, um aparelho começou a apitar loucamente, Julie mudou de cor e parecia não respirar direito, Carol disse que estava estranha e então eles me fizeram sair de lá... eu não sei o que está acontecendo... eu não sei... – disse confuso. Tom percebeu como eu estava e se levantou também, me pegou pelos ombros e me fez sentar no sofá.
- Vai ficar tudo bem, Bill. – Tom disse ainda com seus braços ao redor dos meus ombros. Sr. Ford permaneceu em pé olhando para onde eu estava antes. Eu entendia o que ele estava sentindo, a filha dele estava lá, assim como a minha.
Como um filme todas as coisas que eu tinha vivido com Carol começaram a passar pela minha cabeça. O dia que nos conhecemos e que ela sem me conhecer me ajudou. Ela poderia ter simplesmente seguido em frente, sem se importar. Ou até ligar para o resgate já era ajuda o suficiente. Mas não, ela parou e me colocou para dentro do carro dela por que estava frio. Eu sorri ao pensar nisso. Ela não era o tipo de pessoa bondosa que ajudava as pessoas por onde passava. Ainda bem que nesse dia ela estava fora de si, porque eu não sei onde eu estaria agora se isso nunca tivesse acontecido.
A primeira vez que ela disse “Eu te amo”. Embaixo da chuva naquele beco apertado.
Quando ela disse que se casaria comigo.
O dia em que descobri que ia ser pai.
O dia em que ela terminou comigo e foi embora... droga, eu fiquei acabado. Isso não poderia acontecer de novo. Eu preciso de mais tempo, eu preciso dela para sempre, e mais um dia. Se algo acontecesse eu simplesmente não suportaria. Nós passamos tanto tempo juntos, como eu poderei viver sozinho de agora em diante? Como eu poderia ficar sem a minha filha?
- Não... – me recusei a pensar nisso e sacudi minha cabeça. Logo ela sairia dali, pegaria Julie no colo e a amamentaria e eu ia leva-las para casa. Logo elas iriam me acompanhar nas turnês e eu ia andar com Julie no colo orgulhoso, mostrando ela para todo mundo e dizendo como ela era linda, que havia puxado ao pai. – É, isso aí.
- O quê? – Tom me perguntou.
- Nós vamos leva-la na próxima turnê. – eu disse sorrindo e ele fez que sim.

Algumas horas depois, ouvi a porta do centro cirúrgico sendo aberta e Dr. Carlton saiu de lá. Eu levantei e fiquei petrificado. Ele ainda estava de touca e com a máscara, eu não conseguia ver sua expressão, mas ele provavelmente estava sorrindo. Ele parou diante de mim e tirou a máscara. – O tumor dela estourou e isso fez com que a pressão intracraniana subisse demais.
Ele falava, mas eu não entendia uma palavra, só esperava ele dizer que ela estava bem e que eu poderia ir vê-la. – Você já resolveu tudo?
Ele olhou em meus olhos e fez que não com a cabeça. Eu parei de respirar. – Não, me desculpe. Nós tentamos de tudo, mas não conseguimos salvá-la.
- Eu quero falar com ela. – disse.
- Bill, você não pode.
- Mas eu quero falar com ela! – gritei sentindo meu coração disparado. - Onde ela está?
- Bill... – Tom apareceu em minha frente e segurou meu rosto em suas mãos. – Ela morreu.
- Não, Tom. – eu sacudi minha cabeça decididamente. Ela não tinha morrido e eu tinha certeza disso. A única coisa que eu precisava era vê-la. – Ela não morreu e eu vou falar com ela.
- Tudo bem... – Dr. Carlton falou e eu imediatamente olhei para ele. – Eu vou levar você para vê-la.
Eu dei um sorriso torto e olhei para Tom, provando que eu estava certo e ele errado. O médico me guiou até uma sala em um corredor, abriu a porta e deixou que eu entrasse sozinho.
Era uma sala praticamente vazia. Só havia uma mesa, um armário e a maca onde ela estava. Eu senti um aperto em meu peito ao vê-la ali imóvel, parcialmente coberta por um lençol. Eu fiquei encostado na porta, não consegui me soltar de lá. Eu tinha medo de ir até ela e ver que eles estavam certos. – Carol... – sussurrei e ela não respondeu. – Carol... – falei mais alto na esperança de que ela respondesse. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Não podia ser verdade.
Soltei lentamente a maçaneta e fui andando em direção a ela. – Amor? – eu fiquei sem respirar, de tanta dor, ao ver seu rosto pálido, sem vida. As lágrimas começaram a rolar, dolorosas.
- Amor, você não pode me deixar... – eu passei meus dedos pelo seu rosto, frio. – Eu não posso te deixar...
Abaixei o lençol e vi um corte em formato de ípsilon em seu peito. – Seu coração vai bater em outra pessoa, como você queria. – sequei uma lágrima que escorria. – Mas eu não sei se o meu vai continuar batendo.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.



Última edição por Samantha McHoffen em Sab Fev 23, 2013 9:42 pm, editado 1 vez(es)

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57 Re: Nothing Lasts Forever em Dom Jan 27, 2013 10:37 pm

Sam McHoffen

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Oii Carolinda!'

Sabe, esse capitulo sem dúvida foi o que mais mecheu comigo, na fic toda! (E eu jah toh chorando de novo, só de começar a escrever).
Eu sei que li o começo 3 vezes, mas agora, com o capitulo todo completo eu me senti bem e ao mesmo tempo mal. O parto pelo ponto de vista do Bill, ele mostrando o tanto que a ama a Carol sabe? Cada coisinha fofa que ele pensou e pensa sobre ela! Eu simplesmente amo esse Bill!

Lembra que eu disse que sabia o final da fic? Pois bem, eu errei... e feio! Eu pensei sinceramente que a Carol ia ficar viva, a Julie também... Mas eu achei que a Carol iria ficar com alguma sequela da doença. Sabe quando tu disse que eu queria te matar por algo? Eu juraria que a Carol não iria andar mais, ou talvez ter problema na fala... Mas não pensei que ela fosse morrer.
E antes que tu pense que achei tudo uma merda, eu nããão acheiii! Porque eu fui sincera quando disse que não importa o final que tu fosse escolher, eu iria amar do mesmo jeito...

Eu só não tava preparada pra ler esse capitulo. Acho que meu emocional contribuiu pela reação que estou tendo...
Quando o Dr. Carlton disse que não conseguiu salvar a Carol, automaticamente meus olhos se encheram de lágrimas, e elas começaram a rolar pelo meu rosto descontroladamente! Eu tive que parar nesse final, respirar e tentar continuar... E a útlima linha foi terrivelmente linda e triste!

Tu disse que não iria conseguir escrever esse final, mas como eu disse, tu conseguiuuuu e muito bem! Ficou lindo! E acho que posso falar a noite toda aqui sobre esse capitulo, e não vou conseguir expressar nem 10% do que toh sentido. E essa música colaborou pra isso, a música é linda e caiu perfeitamente bem no capitulo.

Bem... tentando fazer um resumo. Eu escrevi esse comentario chorando... e tu me emocionou muito. Eu sei que é só uma fic, uma estória. Mas Bill e Carol, foram lindos, enquanto durou não é mesmo?!
Doiiii no meu coração saber que esse Bill perdeu sua Carol, a mulher que ele mais amou e sempre vai amar. Doi saber que ele vai sofrer porque ela não vai estar ao lado dele nas suas próximas conquistas, doi saber que ela não vai tah do lado dele pra cuidar da pequena Julie... E eu toh emocional demais hoje e chega de comentario! Tu pediu um comentario grande, eu sei que esse ficou uma porcaria, desculpe por isso...

Estarei esperando o próximo capitulo, que tenho certeza que vou chorar!

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58 Re: Nothing Lasts Forever em Sab Fev 02, 2013 4:32 pm

Oii
Já sinto que não vai ser bom negócio isso aqui... Mas cá estou eu.
Eu sei dissooo e tu também sabe que foi o mesmo pra mim, né? Por isso te entendo completamente.
Pois é, até achei estranho quando tu ficou assim com o começo por que tu já tinha lido e tudo mais... Mas é, ele sentindo tudo aquilo só de olhar o que estava acontecendo ficou bom, admito. Eu passei bastante tempo tentando escrever isso. Viu? É por isso que eu demoro tanto... Por que quero que seja perfeito (e nunca é, triste)
É, e eu tinha plena certeza que tu tinha acertado o final. De verdade. E eu estraguei te mandando a música... senão teria sido uma surpresa total. Me arrependo muito disso.
Eu achei que tu fosse me matar pelo final que eu tinha escolhido, pelo final que eu deixei de escolher... Mas pelo visto acho que esse final foi bom... To satisfeita com ele, não achei que ele fosse mexer tanto assim comigo. Mas mexeeeeeu.
Sorte tua... eu já comecei a chorar bem antes, desde que o Bill sentou na sala de espera e começou a pensar tudo aquilo... Eu me senti muito mal com ele, e só de lembrar dele sorrindo eu morria.
É... obrigada por ter me ajudado a escrever ele, por que eu realmente não achei que fosse capaz e realmeeeente achei que ele fosse ficar sem emoção. E sabe o que é pior agora? Fazer os dois últimos á altura desse. Vai ser muito difícil. Eu queria que tu tivesse ficado a noite toda falando sobre ele, eu perderia alguns quilos daí.
E como todas as vezes que eu li essa droga de comentário, chegando no último paragrafo meu olho se encheu d'água. Te odeio Kárita.
Eles foram lindos sim, e finalmente tu sentiu um pouco do que eu sinto, como se eles fossem reais. Isso torna pior ter que separa-los... E eu realmente sinto uma aflição quando leio isso " Doiiii no meu coração saber que esse Bill perdeu sua Carol, a mulher que ele mais amou e sempre vai amar. Doi saber que ele vai sofrer porque ela não vai estar ao lado dele nas suas próximas conquistas, doi saber que ela não vai tah do lado dele pra cuidar da pequena Julie... " Aaaah, eu realmente ainda não consigo imaginar ele seguindo em frente, sabe? Eu sinto a dor que ele sente, sou uma maldita escritora que sente a estória demais, bem mais do que deveria.
Esse nem de longe ficou uma porcaria! Eu tenho uma relação muito grande de amor e ódio com ele.
E vamos nos preparar pro próximo capítulo, que vai ser especialmente difícil pra mim. O primeiro capítulo sem a minha filha, (sim, a Carol é minha filha primogênita) e o primeiro capítulo do Bill sem ela... O primeiro capítulo da Julie...
Okay, deu de escrever aqui... to quase fazendo um capítulo.
Muito obrigada por tudo Káriita, apesar de eu te odiar, eu te amo.

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59 Re: Nothing Lasts Forever em Sab Fev 02, 2013 9:12 pm

Sam McHoffen

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Ok... Eu disse que não iria responder tua resposta... mas não me aguento! hahahaa
Não vou responder por parte, e sim num todo...

Eu também te odeio por me fazer chorar, matar a Carol, fazer a Gina sofrer pelo Tom... Mas eu também te amo por escrever muito bem e fazer as coisas certas!
E meeeesmo que tu ache que nunca chegou onde tu queria na tua escrita, eu acho o contrario... Tu seeempre consegue passar bastante emoção e sentimento nos capitulo, e isso é ótimo!
Apenar de achar super triste a Carol morrer, foi lindo... e tenho ceeeerteza que tu vai conseguir escrever muito bem os dois ultimos capitulos... que eu sei que vou chorar muiiiito!
E de resto... tu sabe minha opnião sobre a fic, e sempre que precisar, é só dar um grito! Razz

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60 Nothing Lasts Forever em Sab Fev 23, 2013 9:42 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 50 - Reaprendendo a Viver


Ayumi Hamasaki - Heaven

- O senhor quer ir ver sua filha agora? – uma enfermeira entrou na sala e perguntou. Eu levei uma pontada no meu coração já machucado. Isso era demais pra uma pessoa enfrentar. Eu estava ali vendo minha mulher sem vida e agora teria que ir ver minha filha do mesmo modo.
- Eu já vou. – disse e ela saiu da sala. Eu olhei uma última vez para Carol e as lágrimas voltaram a cair. Eu não queria ir embora dali sabendo que eu nunca mais iria vê-la. Mas não havia nada que eu pudesse fazer. Segurei sua mão fria e entrelacei meus dedos com os seus. – Tchau, amor. – me abaixei e selei pela última vez nossos lábios.
Saí da sala sem olhar pra trás, se eu fizesse isso jamais conseguiria sair de lá. A enfermeira estava do lado de fora me esperando, ela foi andando e eu a segui. Paramos em frente a uma parede com uma enorme abertura de vidro. Eu olhei para a enfermeira sem entender. – Ela está aqui? Ela está... viva?
- Sim, e ela está bem. Está com o respirador ligado, mas respira quase o tempo todo sozinha. É um bebê bem inquieto. – ela sorriu para mim e continuou. – O senhor quer pegá-la?
Alguma coisa indescritível começou a crescer dentro de mim. Julie estava viva, mas eu não estava exatamente feliz com isso. Por que ela estava viva? E por que Carol não estava? Isso não era justo. Eu não era capaz de fazer isso, eu não conseguiria viver sem minha mulher e agora eu teria de criar minha filha sozinho? E se ela se parecesse com a mãe? Como eu poderia viver com uma lembrança constante de que a mulher que eu mais amava não estava mais comigo? – Não, eu não quero.
Saí de lá o mais rápido possível. Eu só queria ir pra casa, dormir e só acordar quando tudo isso tivesse passado. Passei em frente à sala onde eu estava antes e parei em frente à porta. A dor foi crescendo novamente e as lágrimas voltaram a rolar pelo meu rosto. Encostei-me a porta e me deixei escorregar até o chão. Abracei meus joelhos e chorei, chorei com toda a força que podia só para tirar aquilo de dentro de mim. Aquela dor sufocante, aquela imagem que não sumia da minha mente, minha mulher pálida e fria naquela cama. Eu já sentia tanta falta dela... eu queria ela ali abraçada a mim, como eu queria.
- Bill. – ouvi a voz de Tom e ergui a cabeça. – Vamos pra casa? – fiz que sim com a cabeça e ele me ajudou a levantar. Meu irmão passou os braços em volta dos meus ombros e eu finalmente pude sentir algum conforto. Mesmo que isso não tirasse nem um pingo da dor que eu sentia eu pelo menos podia respirar agora.
Quando chegamos ao lado de fora do hospital eu senti como se anos tivessem se passado desde que eu havia estado aqui fora pela última vez. Respirei fundo e ainda senti meu peito pesado. Tom foi buscar o carro e eu fiquei ali esperando. Olhando para aquele lugar me lembrei do dia em que os paparazzi a atacaram e tudo que eu senti foi vontade de acabar com eles para protegê-la. Eu não tinha tido sucesso nenhum nisso.
Meu irmão chegou e eu entrei no carro. O caminho todo eu fiquei olhando para fora da janela tentando me concentrar em qualquer coisa que aparecesse, eu só precisava desviar minha mente. Eu não aguentava mais nenhuma lembrança. Eu só queria esquecer.
Chegamos em casa e mamãe veio falar comigo, mas eu simplesmente subi direto para o meu quarto, bati a porta e me joguei na cama. O travesseiro tinha o cheiro dela. Eu me abracei a ele e voltei a chorar. – Volta pra mim...


Meus olhos ardiam por causa das lágrimas que havia secado ao redor dos meus olhos, tantas que eu já nem me dava o trabalho de enxugar. Meu celular finalmente tinha descarregado, ele não havia parado de tocar um segundo durante toda à tarde. Eu nem sequer olhei, não importava quem fosse eu não estava a fim de falar. Na primeira vez que ele tocou eu o atirei longe e desde então ele estava no chão tocando estridentemente vez após vez.
Eu olhei pela janela e a lua estava incrivelmente grande. Como se estivesse perto demais de mim. Ela estava tão bonita e eu odiei aquilo. Eu sabia exatamente o que Carol diria se estivesse ali, mas ela não estava ali para dizer. Eu levantei e fechei a janela e as lágrimas voltaram a escorrer, mesmo eu achando que já não havia mais nenhuma dentro de mim.
- Por favor, Carol... faça-me te esquecer.


- Bill. – mamãe disse entrando no quarto. Eu abri meus olhos e olhei para ela. Eu não havia dormido uma hora sequer, apenas havia ficado deitado com os olhos fechados o tempo todo tentando não pensar em nada além do nada.
- Isso é real mesmo? – perguntei para ela, que se sentou ao meu lado.
- É, meu amor. – ela disse acariciando meus cabelos. Eu fechei meus olhos, a dor machucando meu peito novamente. Eu queria ter dormido e ao acordar descobrir que tudo isso não passava de um péssimo sonho. Mas pelo visto isso nunca iria acontecer. – William ligou e disse que eles precisam de uma roupa para Carol. Você pode pegar alguma coisa para eu levar?
Eu abri meus olhos e fitei o teto. – Eu não sei, mãe.
- Vamos, eu vou com você. É importante que você faça isso. – ela se levantou puxando minhas mãos.
Nós fomos até o closet, até onde seus vestidos estavam guardados. Puxei a porta de correr e ao abri-lo aquele cheiro invadiu minhas narinas. Eu respirei fundo inalando ao máximo aquele perfume de Jasmim que ela tinha. Era tão intenso que ela parecia estar do meu lado.
Passei a mão pelos seus vestidos, sentindo o toque deles e fechei os olhos. Por um momento imaginei que ela vestisse ali, perguntando se sua roupa estava boa o suficiente para sair comigo. Eu soltei um sorriso, mas ao abrir os olhos e ver que ela não estava ali ele se desfez imediatamente. – Você escolhe, mãe. Eu não posso fazer isso.
Saí de lá e me joguei na cama novamente. Eu não ia aguentar isso. Não fazia nem um dia e eu já sentia uma falta enorme dela e isso era tudo que eu conseguia pensar. Eu não ia conseguir esquecê-la de maneira alguma. Eu precisava dela.
- Você não vai ir mesmo, Bill? – minha mãe me perguntou de volta ao quarto. Eu só balancei minha cabeça negativamente.
- Tá bom... Então eu vou indo.
- Onde está o Tom?
- Ele está no hospital, eles ligaram pedindo que você fosse para lá resolver umas coisas da Julie, mas ele disse que eu não precisava te aborrecer com isso e foi no seu lugar. Mas depois ele vai ir para lá também. Quer que eu peça para ele vir te pegar?
- Não, mãe. Eu não vou.
- Okay... – ela se aproximou e deu um beijo em minha cabeça. – Não faça nada estúpido.
- Eu não tenho forças nem para isso, não se preocupe.
Ela saiu e eu estava me sentindo sozinho.
Lembrei-me do meu celular jogado no chão e rapidamente me levantei para pegá-lo.Um frenesi percorreu meu corpo. Ele estava descarregado. Fui correndo até a cômoda e peguei o carregador, mal havia o conectado a tomada já pressionava o botão pra liga-lo. Fui até a última foto tirada e a abri. Meu coração quase parou de bater e as lágrimas voltaram a escorrer pelo meu rosto. Carol estava segurando Julie no colo e estava com um sorriso enorme no rosto.
Eu precisava ir.
Levantei-me e apenas troquei de roupa. Chamei um táxi e em pouquíssimos minutos ele estava ali. Pedi para que ele me levasse até o cemitério. Procurei evitar pensar no que encontraria lá, eu só sabia que eu tinha que ir.
Assim que chegamos, vi uma multidão, mais gente do que eu poderia imaginar. Todos parados junto aos carros, e então uma limusine chegou. O Sr. Ford desceu de lá. Eu prendi a respiração e juntei toda a coragem que tinha para ir até lá. Ele me deu um abraço e um olhar de quem entendia. Levou-me até o fundo, onde eles – Jeremy, Jared, Christopher e Benjamin – estavam saindo com o caixão.
Eu não olhei para dentro dele, apenas peguei a alça da frente e enquanto o carregava levei minha mente para algum lugar longe dali. Eu e Carol com um por do sol alaranjado e as ondas quebrando sobre nossos pés.
Um pastor fazia um discurso longo demais, do qual eu não ouvi uma palavra. Eu ainda continuava na praia, abraçado a ela. Quando ele terminou uns homens vieram com as pás. Meus olhos finalmente se focaram no que estava a minha frente e meu cérebro pareceu entender, enviando sinais nervosos para o meu corpo, fazendo meu coração diminuir de tamanho, como se uma força sobrenatural o estivesse esmagando impedindo-o de bater apropriadamente. Aquilo era demais pra eu suportar. Levantei-me e saí dali, sem saber pra onde, só andei o mais longe que pude dali.
- Bill! Biill! – ouvi meu irmão gritando. Eu parei de andar e me virei pra ele. Assim que ele se aproximou me abraçou. Eu enfiei minha cabeça em seus ombros e as lágrimas voltaram a escorrer.
- Tudo bem... eu estou aqui com você.
- Eu já estou sentindo falta dela, Tom... Como eu vou conseguir aguentar?
- Não sei, Bill. Mas eu vou descobrir com você. – eu me senti um pouco menos desconfortável com isso, como se tivesse dividido minha dor com ele. – A Julie vai sair hoje do hospital, você vai ir buscar ela?
- Não...
- Mas vo... – Tom começou a falar e eu me afastei dele.
- Eu não tenho condições de ser pai agora, Tom. Eu não tenho como dar amor nenhum pra ela... Eu não tenho como ser responsável por ela, e nem quero. – ele me lançou um olhar desgostoso, mas depois fez que sim com a cabeça.
- Então vamos pra casa.


Eu estava na sacada do quarto, olhando para o céu. Que estava mais escuro que o normal, quase não havia nenhuma estrela e a lua estava pequena e não brilhava. Ele parecia estar tendo compaixão ou até mesmo pena de mim, e por isso não estava mostrando sua beleza habitual.
- Eu sei que você está em algum lugar longe, mas se puder me ouvir, eu quero você de volta. Você é tudo que eu tenho. – disse e não recebi resposta nenhuma. - Sabe, você não tinha o direito de fazer isso comigo. Ir embora e me deixar aqui, com o coração despadaçado e sem saber o que fazer.
Suspirei fundo e me encostei para trás na cadeira, abraçando meu corpo, protegendo-o do vento frio que soprava. Eu queria dormir, eu estava exausto, completamente acabado. Mas cada vez que eu fechava os olhos eu vai um lembrete de que ela não estava mais ali.
Estava frio demais então eu entrei e voltei para a cama. Liguei o som e coloquei umas músicas calmas, eu precisava dormir. Fechei meus olhos, mas não deixei minha mente divagar, fiquei cantando e repassando a letra em minha mente para mantê-la ocupada. Quando eu estava começando a ficar com sono ouvi um choro vindo do quarto ao lado.
- MÃE, A CRIANÇA TÁ CHORANDO! – gritei. Aquilo estava me deixando agoniado. Eu já não conseguia dormir e ela ainda tinha de ficar chorando. Eu descobri que o cheiro dela tinha um efeito horrível sobre mim.
O choro só aumentou e ninguém dava sinal nenhum de estar se levantando. – MÃÃEE!!!
Aumentei o volume da música e coloquei o travesseiro sobre a cabeça. E nada, o choro só parecia aumentar. – ALGUÉM FAZ ESSA CRIANÇA PARAR DE CHORAR! – berrei ainda mais alto, mas de nada adiantou.
Levantei e fui até o quarto de onde o choro vinha. Eu parei na porta, o quarto estava escuro, mas havia um pequeno abajur ao lado do berço. Eu não sei o que exatamente eu tinha vindo fazer ali, gritar com ela ou algo do tipo. Mas eu não tenho certeza se isso adiantaria com um recém-nascido. Aproximei-me do berço e olhei para ela, chorando e sacudindo os bracinhos e me senti mal. Coloquei minha mão dentro do berço e esperei que ela segurasse meu dedo e tudo se resolvesse. Mas ela continuou chorando, mesmo tendo me visto ali.
- Você sente falta dela também, não é? – perguntei e fiquei a observando ali. Ela não merecia que eu fizesse isso, ela também estava sem Carol. – Eu não sei como fazer isso direito, sua mãe saberia. Tenho certeza que se fosse ela aqui nesse momento você já estaria dormindo de novo. – respirei fundo, tentando parar de pensar em qualquer coisa do tipo "se ela estivesse aqui". Desajeitadamente a tirei de dentro do berço e peguei-a no colo. Tentei segurá-la de um jeito que fosse confortável para nós dois, mas mesmo do melhor jeito ainda parecia errado. Ela olhou para mim e diminuiu o choro, mas logo o recomeçou. – O que você quer que eu faça?
Comecei a me agoniar de novo. Eu não era capaz de fazer isso realmente. Fui com ela para o meu quarto e procurei alguma coisa para entretê-la, mas era óbvio que não tinha nada lá. Eu não tinha preparado nada para ela. E então eu me lembrei, havia uma coisa que eu tinha preparado para ela. Mas talvez eu não estivesse pronto ainda.
Ela continuou chorando em meu colo e voltou a agitar os braços, fazendo os meus se cansarem. – Tá bom, eu vou te mostrar.
Fui até a cômoda e peguei a câmera dentro da gaveta. Com dificuldade, consegui liga-la a TV usando apenas um braço. Tive de respirar fundo só de olhar para a miniatura do vídeo. Respirei mais uma vez e dei o play.
- Pronto, já liguei a câmera. – eu apareci falando e me sentei ao lado dela na cama. Meus olhos não conseguiram se desviar dela. Era surreal vê-la ali.
- Ai, Bill... Eu não sei o que fazer. – ela falou envergonhada e eu me peguei sorrindo imediatamente.
- Deixa comigo. – falei para ela e me virei para a câmera. – Oi Julie, eu sou o papai Bill. – Carol começou a rir de mim e se jogou na cama e eu sorri junto agora, e as lágrimas começaram a rolar, calmas. – E essa é a mamãe boba Carol. Levanta daí. – eu resmunguei para ela. Que se levantou rapidamente.
- Oi bebê! – eu olhei para Julie em meu colo, e podia ser coisa da minha cabeça, mas eu jurava que ela estava olhando para a televisão.
- Quando ela estiver vendo isso não vai mais ser bebê, amor. – eu disse pra ela, que revirou os olhos. Eu sentia falta até disso.
- Oi, filha! – disse se virando para mim. – Tá bom assim?
- Você não tem jeito! – reclamei com ela e voltei a falar com a câmera. Julie agora tinha se acalmado em meu colo, nem chorava mais. – Agora a mamãe está grávida de seis meses de você...
- Não parece, mas eu estou. – Carol apontou para a sua barriga.
- É, e agora você já chuta.
- E se mexe muito! – ela fez uma cara de dor. – Seja uma boa menina, por favor.
- Ah, e hoje a mamãe e o Tio Georg cortaram o cabelo! – era ridículo eu estar tão feliz há apenas alguns dias atrás e estar sem alma agora. – Isso foi incrível, por que sua mãe nunca tinha cortado o cabelo desde que nasceu.
- Já o seu pai... muda o cabelo toda a semana! Não seja igual ele, Julie.
Eu dei um tapa no braço dela. – Isso está sendo muito instrutivo para ela.
- Foi você que começou com isso, não coloque a culpa em mim. – ela deu um tapa em meu braço também. – Mas você tem razão, eu e o seu pai estamos muito felizes por ter você, de verdade. Você já mudou nossas vidas, mesmo estando aqui dentro ainda. – no vídeo eu olhava para ela feito um retardado, como se a tivesse visto pela primeira vez. Eu nunca me cansaria de olhar para ela daquele jeito se eu pudesse. – Eu espero sim, que você seja igual a ele. E eu vou fazer de tudo para que você possa crescer sempre feliz como ele é.
Eu desliguei a TV e olhei para Julie. Eu estava me sentindo mal por ter ficado com raiva dela, por não ter ficado com ela desde o primeiro momento. Agora, com ela aqui eu tinha voltado a sentir o que senti assim que a vi pela primeira vez. Um amor incondicional. – Eu estou feliz de ter você, pequeno pedaço de felicidade.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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61 Re: Nothing Lasts Forever em Dom Mar 03, 2013 12:22 pm

Sam McHoffen

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Primeiramente... DESCUUUUUUUUUUULPE a demora Carolinda!
É que eu falei que iria comentar e acabava esquecendo! Mas bem, aqui vou eu... Tenho certeza que não vai chegar nem perto do último comentário, mas vamos lah....

Quando tu soltou o spoiler que o Bill não iria aceitar a Julie, isso me fez ter um frio enorme na barriga... Mas ler esse inicio e ver que o Bill se sentiu mal pela Carol, e no momento triste pela Julie tah ali com ele e a Carol não, isso me fez ficar pensando o quão ruim e bom isso é. Porque a Julie é um pedaçinho dele e da Carol, mas nesse momento que o Bill quer esquecer a Carol, a Julie é a pessoinha que mais vai fazer ele se lembrar dela... Agora, pra ele é ruim, mas tenho certeza que mais na frente, ela vai ser o motivo dele continuar a viver, tentar ser feliz novamente, sabe?...

Putz! Essa cena do enterro da Carol não me gusta! Me deixou deprimida... o Bill indo lah mostrando que está forte e carregando o caixão dela, acho que isso a pior coisa que li nessa fic.... deu um aperto no peito sabe?! Sad

Oh pai! Tu sabe né?! Essas cenas de Bill e Tom me derretem! Foi fofo o Tom todo o tempo ao lado do Bill, eu adoro isso, porque acho que se algo do tipo acontecesse, o Tom iria fazer realmente isso, se brincar até mais. E "A Frase", realmente ficou ótima nesse capítulo... e tu dizendo que não sabia o que colocar em?! Como sempre! Hauhaauhaahaa

Por que eu sinto que a Simone e o Tom deixou a Julie chorando justamente pro Bill ter que ir lah cuidar dela e descobrir que a Julie vai ser a vida dele, de agora pra frente?
Videos com a Carol!
Foi... ehr... não é triste esse video, mas melancolico... sabe, o Bill ficar vendo o video e com a filha alih, sabendo que a Carol não está com ele... Mas acho que esses videos serão um "porto seguro" pro Bill. E fico feliz que com isso ele tenha percebido que a Julie vai ser o motivo de cada sorriso dele.

Resumindo: eu ameiiii o capitulo, apesar de algumas coisas tristes, eu realmente gostei.

Toh com medo do próximo... mas vê se não demora com ele viu?!

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62 Re: Nothing Lasts Forever em Ter Mar 19, 2013 9:45 pm

Tudo bem... tu sabe que eu sou uma pessoa boazinha, então eu te perdoo.

Sim, sei... exatamente isso. A Julie vai lembrar a Carol, e no fato de ela não estar mais ali, vai lembrar que ele agora tá sozinho e que ele é incapaz de criar a filha sem ela... Mas ao mesmo tempo a Julie vai lembrar a Carol, vai manter ela viva na memória dele e isso vai ser bom logo que el conseguir lembrar dela sem que isso destrua o coração dele.

Seeeei, eu nem conseguia escrever as palavras caixão ou cemitério que um arrepio horroroso percorria o meu corpo... E até por isso eu nem descrevi essa parte lá muito bem e também por que o Bill não estava totalmente presente ali, a mente dele tava em qualquer lugar menos ali.

Sei kkk e elas me dão muito trabalho pq eu sempre acho que elas tinham que ser mais significativas e sim, eu não sabia o que colocar mas tive uma luz e descobri o que colocar e já admiti que ficou ótimo! E siim... acho que seria bem assim... o Tom do lado dele o tempo todo *-*

Exatamente! Eu fiquei vendo o Tom indo lá chamar a mãe e eles escondidos vendo o que ele ia fazer e a Simone com as lágriminhas escorrendo quando ele pegou ela no colo...

Sim, é ao mesmo tempo terrivelmente triste e feliz. Tipo, surreal de ela não estar ali com ele, mas tbm fez bem pra ele poder ver ela sorrindo, meio que acalmou. Julie vai salvar a vida dele como salvou a da Carol no episódio da banheira.

Brigadaa... bom saber que tu gostou já que eu não gostei... novidade. kkk
E sim, indo escrever ele nesse momento. Bye Bye.

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63 Nothing Lasts Forever em Sab Abr 20, 2013 6:28 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 51 - Em Uma Batida De Coração


Taylor Swift - Eyes Open

Eu estava sentado com os braços envolta dela enquanto olhávamos o epitáfio em nossa frente. Já fazia seis anos, mas ainda parecia ontem.
- Você acha que eu posso sentir falta de alguém que eu nem conheci? – Ela olhou para mim com aqueles grandes olhos ridiculamente azuis e familiares. Eu apenas fiz que sim com a cabeça por que sabia que era exatamente isso que ela sentia. – Eu sinto falta da mamãe.
- Eu também.– mais do que eu poderia imaginar. Eu esperava a cada ano que doesse menos. Em certa parte se tornou suportável, mas nunca doía menos. Ela se levantou, com os cabelos loiros escuros sendo levados pelo vento e colocou o buquê de flores em cima da elevação de grama.
- Te amo, mamãe.



Era aniversário dela, mas ela havia decidido que não queria comemorar isso. Acho que Julie compreendeu mesmo sem eu explicar que essa data nunca seria completamente feliz. Sempre traria lembranças ruins para mim e para todo mundo. Ela disse que se pudesse ir ver o vô ela já ficava satisfeita. E era isso que íamos fazer. Eu também tinha algo guardado que estava apenas esperando por esse dia, por que eu precisava do avô dela pra isso.
Ao chegarmos em casa, ela foi logo atrás dos cachorros, para brincar com eles.
– Julie, vai logo arrumar sua mala. Nós já estamos atrasados. – ela se levantou e revirou os olhos.
- Tá bom! – e entrou em casa bufando. Não sei de onde ela tinha puxado esse temperamento.
- Tio? Você está fazendo xixi na Gina? – ouvi Julie falando e entrei logo em casa. Tom e Gina estavam se agarrando no sofá.
- Tom! – gritei e tampeis os olhos da criança. – O que vocês estão fazendo?
- Nós... eu só... nós... é... – Tom se cobriu com suas roupas e se sentou no sofá. – Não Julie... eu não estava fazendo xixi nela eu só...
- Cala a boca, Tom. – eu disse e me voltei para Gina. Eu não esperava isso dela. Todo esse tempo insistindo que eles eram só amigos para estar sendo desfrutada em pleno sofá de uma casa de família?
- Desculpa, Bill... – Gina disse envergonhada, se vestindo.
- Gina? – Julie chamou.
- Oi, meu amor! – ela foi até ela e a abraçou.
- Você quer ir me ajudar a arrumar as malas?
- Claro, vamos lá. – Gina disse e deu um sorrisinho amarelo enquanto seguia minha filha saltitante.
- Quando eu realmente acredito que vocês dois não iam passar da amizade eu vejo isso! – perguntei pra ele baixo. – Desde quando vocês tão nessa, Tom?
- Depende... mentalmente ou fisicamente? – ele deu um sorriso safado. Eu nunca tinha tido certeza do que se passava entre eles dois, acho que nem eles sabiam. Só sei que fazia bem ao meu irmão, e muitissamamente bem a minha filha. Eu já apoiava o romance deles só por isso.
- Seu perturbado. Mas da próxima vez que for fazer isso lembre-se que tem uma criança nessa casa. E obrigado por finalmente escolher uma garota decente. – ele sorriu em confirmação.
- Nós vamos ir ver o vovô! – ouvi Julie gritando ao subir as escadas correndo.


Eu estava cantarolando uma música dentro do carro, enquanto íamos para Dearborn, quando Julie se virou para mim e perguntou: - Mamãe também cantava?
- Não. – eu disse e ri da possibilidade. – Eu sou o cantor Julie. Ela dançava.
- Eu sei. Minha professora vive dizendo isso, que eu tenho que me esforçar mais, que eu sou capaz, por que sou filha da minha mãe.
- Meu amor... eu já disse que você não precisa fazer balé se não quiser.
- Mas eu quero, eu gosto. Só não gosto que a minha professora fale isso. – ela falou e abraçou os joelhos, puxando as pernas para cima do banco. – Se a mamãe estivesse aqui ela mesma ia me ensinar né?
Ela me olhou com aqueles olhos, com os quais eu tinha uma relação de amor e ódio, fazendo meu coração apertar. Ela sempre falava “e se a mamãe estivesse aqui” e eu perdia um pedaço de mim cada vez que isso acontecia. Se a Carol estivesse aqui tudo seria tão perfeito. – Ela ia. – respondi com a voz embargada. – E jamais deixaria você fazer isso. – apontei para os pés dela em cima do banco e dei um sorriso fraco. – Mas eu deixo. – ela apenas esboçou um sorriso e continuou abraçada as suas perninhas.
Chegamos na casa do William e Julie já começou a ficar empolgada. E eu apavorado. Estava com aquele envelope em mãos há dois dias e ainda não tinha tido coragem de abri-lo. Eu precisava da ajuda dele para isso.
- Oi vovô! – mal chegamos e ela desceu do carro correndo em direção ao avô que nos esperando na porta. – O J.J. tá aí?
- Sim meu anjo, ele está lá dentro, – ele colocou ela no chão, que saiu correndo lá para dentro e me observou. – Com o que exatamente você estava tão preocupado?
- Eu recebi o resultado do exame dela, e não tive coragem de abrir. – entreguei o envelope a ele, que me convidou para entrar. – Como você conseguiu aguentar tudo isso?
Eu admirava o que ele havia feito, tinha perdido a mulher, criado cinco filhos e ainda sabia que a filha iria seguir o caminho da mãe. Ele respirou fundo e se encostou para trás na cadeira.
- Bom, eu não sei. No começo eu realmente achava que não ia conseguir. Que o mundo sem ela não tinha lógica alguma. Mas eles me fizeram pensar diferente, acho que eu só consegui por causa dos meus filhos.
- É... Se não fosse a Julie, eu não sei... Se o exame der alguma coisa... eu... – nem conseguia terminar de falar só de pensar na possibilidade. – Não vou conseguir fazer o que você fez.
- Você diz, querer prender minha filha e não deixar ela fazer nada que ela quisesse só pelo medo de ela se machucar mais do que ela já iria de qualquer maneira?
Dei um sorriso torto, por que agora eu entendia tudo que tinha acontecido. Eu acho que faria muito pior com a minha filha.
- Vamos ver. – ele disse e abriu o envelope, os poucos minutos que ele levou para ler o laudo pareciam longas horas de tortura. Então ele largou o papel sobre a mesa e sorriu. – Ela é completamente saudável.
Fui tomado por uma completa sensação de alívio, quase beirando a felicidade, só não chegava a isso por que desejava com toda a minha alma ter ouvido isso sobre ela também.
- E você, como está?
- Ainda continuo com a sensação de estar apenas sobrevivendo. Essa... dor horrível nunca vai embora?
- Não. – ele disse com pesar. – Mas com o passar do tempo ela fica suportável. Eu tenho uma coisa para você. Espere um minuto.
Sr. Ford se levantou, e eu fiquei lendo o laudo do exame, imaginando que pelo menos minha filha ia poder ficar comigo para sempre. Não importava o que fosse, eu sempre ia ter um pedaço dela comigo. Agora eu tinha esperança de que quando a dor se tornasse suportável eu ia conseguir viver novamente. Sem esse pânico de que essa maldita doença fosse levar minha filha também.
William voltou e me estendeu um envelope.
- Ela disse para eu lhe dar isto quando eu achasse que você estivesse realmente precisando, mas que já estivesse pronto para poder entender. – ele me entregou um envelope, e eu senti um arrepio percorrendo meu corpo ao perceber o que era aquilo. – Eu acho que agora é o momento certo. – me entregou e saiu.
Peguei o envelope e o fiquei observando, meu coração mudou seu ritmo, num estado que eu não sabia diferenciar se era alívio ou agonia. O dobrei e coloquei no bolso da calça. Levantei e fui até a sala, onde Julie estava brincando com J.J. Na verdade eles estavam meio que brigando. Ela não sabia o jogo direito e ele estava com raiva por que ela não queria que ele ajudasse. Ela ficava gritando "eu sei fazer sozinha!". Esse era o tipo de lembrete constante que eu tinha, Julie não podia ser mais parecida com a mãe. No começo eu odiava isso, por que eu queria esquecê-la, tirar Carol da minha cabeça. Mas agora... eu quero poder ter ela para sempre em mim.
- Vem cá, meu amor. – disse e Julie veio correndo em minha direção e me deu um abraço tão apertado que parecia saber do que eu precisava. A abracei de volta e sorri deixando a agonia ir completamente embora e ficando somente com o alívio crescente.


Eu já estava de volta a Los Angeles, mas agora estava em um lugar ao qual eu não vinha há muito tempo. Era o primeiro show que fazíamos desde que tudo isso tinha acontecido. Como as músicas já estavam quase todas prontas nós havíamos lançado o CD e até feito um clip, mas eu ainda não tinha tido forças suficientes para enfrentar o público. Eu estava na sacada do camarim, sentindo o pânico me dominar e ainda encarando aquele envelope fechado.
Aquelas eram as últimas palavras dela e eu queria preservar aquilo o máximo de tempo possível, apesar da ânsia de ler correndo.
Aproximei-o do rosto e inalei profundamente, sentindo o fraco cheiro de Jasmim que ele ainda possuía. Descolei a aba e retirei o papel dobrado de dentro, sentindo meu coração acelerar num frenesi inexplicável. A caligrafia dela estava trêmula e falha, e havia pequenas manchas ao longo do texto, como gotas d'água. Ela tinha chorado. Um nó em minha garganta já se formava, e eu ergui meus olhos para o céu, antes de começar a lê-la.

Bill, me desculpe por ter te feito sofrer. Eu não sou uma pessoa perfeita. Eu nunca quis fazer aquelas coisas pra você. Mas eu fiz, e tudo foi devido as minhas inúteis tentativas de impedir que você sofresse, tentei de afastar porque achava que perto de mim você só sofreria. Mas você sabe que sempre foi por que eu te amava de mais né?
Mas agora eu entendo que você me ama mais do que tudo também. Eu sempre duvidava, nunca entendia como alguém como você podia amar alguém como eu. Tão ranzinza e orgulhosa. Mas agora eu acredito e entendo que você me amava e sem razão alguma. Você nunca precisou de uma razão para me amar. E muito obrigada por isso, ter você foi a melhor realização da minha vida. Até porque eu sempre tinha certeza que não fazia nada que prestava além de dançar, mas aí você me permitiu que eu fizesse a Julie... eu finalmente me senti com alguma utilidade.
Eu sinto muito ter que te magoar, ainda mais dessa vez. Mas eu não estou nada compassiva hoje, aliás, estou completamente egoísta. Por isso, agradeço profundamente ter te conhecido, ter te amado. Eu sei que sou um monstro por te deixar e ainda estar feliz com isso (confesso que no começo eu não estava) mas, Bill, você realmente mudou a minha vida e foi tudo para mim. Eu só queria que você soubesse o quão importante foi para mim, já que eu sempre fui idiota o suficiente pra não dizer isso na sua cara, eu acho que você sempre soube mas eu precisava te dizer. Que eu sou extremamente grata por você aparecer na minha vida. Por você ter me tornado uma pessoa mil vezes melhor. Obrigada por me amar. Por mais que tenha sido pouco tempo, foi bom, não foi? Então, por todos os momentos felizes que nós vivemos, eu sei que vai ser o suficiente. O suficiente para você seguir a sua vida. Nunca se esqueça deles, nunca se esqueça de mim. Mas siga sua vida. Se você for feliz, tudo bem, você não precisa se sentir culpado. Se você se apaixonar de novo ou só quiser ficar com alguém, tudo bem, você não vai estar me traindo. Só não case com a Natalie, por favor. Ela não te merece. E eu estou falando sério, não é pra ficar rindo. MUITO MENOS A MANDY, BILL! Faça-me o favor né.
Agora sério. Não se preocupe. Você vai ser um ótimo pai para a Julie, eu tenho plena certeza disso. Sempre diga pra ela que eu a amo, que ela me deu força nos momentos mais difíceis e que salvou minha vida mais de uma vez. Diga a ela que eu sempre vou estar com ela. E com você também. Eu nunca ficarei longe. Vai ficar tudo bem, acredite em mim. Vocês serão felizes.
Sempre que precisar eu estarei aí em uma batida de coração.


As lágrimas começaram a escorrer, fortes como já não eram há algum tempo, mas não tão dolorosas como eu imaginava. Eu senti um tipo de paz.
- Eu sinto tanto a sua falta! Sinto falta de cada pedaço seu... Sinto falta de como eu era com você. – falei como se ela pudesse me escutar, eu sempre fazia isso, eu precisava pelo menos sonhar que isso era possível. – Eu queria que você estivesse aqui comigo, que pudesse ver a Julie crescendo. – respirei fundo e sem perceber eu sorri. – Mas sim... Valeu a pena, cada minuto. Eu te amo. - disse e sorri. Acho que esse foi o momento em que 'tudo se tornou suportável'. Eu me senti obrigado a ser feliz por ela, e mesmo que fosse difícil, eu ia conseguir.
- Bill, vamos? – meu irmão colocou a cabeça para fora e me chamou, e não estranhou o meu estado. Ele já devia esperar que isso acontecesse.
- Eu vou cantar aquela música, Tom. - disse confiante.
- Você tem certeza? - ele me olhou preocupado, mas não perguntou como se eu achasse que eu não fosse capaz, do modo como me olhou eu sabia, que ele sabia que agora eu era.
- Tenho.


Subi ao palco, ainda com as luzes apagadas. Ouvi as fãs gritarem. Isso me deu um novo fôlego, como se tivesse acendido algo dentro de mim. Era louco saber que todo mundo estava ali, ao meu lado, por mim.
Minhas mãos estavam geladas e meu coração desesperadamente acelerado. Soaram os primeiros riffs da guitarra e eu comecei a cantar a música que tinha composto para ela. E que agora ela merecia mais do que nunca.

Oi pra você,
Aonde você foi,
Você me deixou aqui tão inesperado,
Você mudou minha vida
Eu espero que você saiba
Pois agora estou perdido
Tão desprotegido.

Em um piscar de olhos
Eu nunca pude dizer adeus.

Como uma estrela cadente
Atravessando a sala
Tão rápido, tão longe
Você se foi muito cedo
Você é uma parte de mim
E eu nunca serei
O mesmo aqui sem você
Você se foi muito cedo

Você estava sempre lá
Como uma luz brilhante
Em meu dias mais escuros
Você estava lá para me guiar.

Eu sinto sua falta agora
Eu gostaria que você pudesse ver
O quanto sua memória
Será sempre importante para mim,
Num piscar de olhos
Eu nunca pude dizer adeus.

Como uma estrela cadente
Atravessando a sala,
Tão rápido, tão longe
Você se foi cedo demais
Você era parte de mim
E eu nunca serei
O mesmo aqui sem você
Você se foi muito cedo.

Brilhe! Brilhe!
Em um lugar melhor
Brilhe! Brilhe!
Nunca será o mesmo.

Como uma estrela cadente
Atravessando a sala,
Tão rápido, tão longe
Você se foi cedo demais
Você era parte de mim
E eu nunca serei
O mesmo aqui sem você
Você se foi muito cedo.

Brilhe! Brilhe!
Você se foi tão cedo
Brilhe! Brilhe!
Você se foi tão cedo
Brilhe! Brilhe!
Você se foi tão cedo

Simple Plan - Gone Too Soon


Nota da Autora: Eu gostaria de agradecer imensamente as pessoas que estão a anos comigo nessa. Por incontáveis vezes essa fic foi a minha fuga, onde eu podia esquecer das coisas que me aconteciam e até ter alguma esperança quando tinha problemas parecidos com os que a Carol passava. Eu sei que muita gente (talvez não muita, nunca se sabe) acompanha desde a primeira temporada, isso significa que já estão há anos me acompanhando, mesmo quando eu não fazia a mínima ideia do que era escrever. Obrigada por isso.
E principalmente obrigada ao Tokio Hotel por me permitir tê-los em minha vida e me dar coisas tão incríveis como amigos e esta longa estória.
Me desculpem por este final ter ficado longe do que deveria ser, eu acho que inconscientemente não queria me despedir da fic e nunca achava nada à altura. E eu tinha que publicá-lo em algum momento, espero que gostem e novamente, obrigada por terem se juntado nessa aventura!

P.S.: Sei que esse agradecimento não faz muito sentido pq ninguém do fórum lê, mas de qualquer maneira, agradeço a senhora. Então sinta que isso ali é pra ti. Obrigada, Kárita.


Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Cherrie) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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64 Re: Nothing Lasts Forever em Sab Abr 20, 2013 6:47 pm

Sam McHoffen

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Acho que até agora a ficha não caiu que esse foi o último capítulo de NLF... Mas apesar de saber que não vou ter mais atualização dessa fic, estou realmente feliz por ter lido esse capitulo, e principalmente a fic.

Carolinda, sei que tu não gostou desse capitulo e esperava muito mais por ele. Mas eu realmente gostei dele, é sééério! Não sei se resolve de algo, mas é o que acho.

Eu ouvi essa música do inicio ao fim do capitulo, e sinceramente, acho que a música vez toda a diferença. Porque eu pude sentir o alivio do Bill ao saber que a Julie é completamente saudavel e que vai sempre ter ela ao seu lado. Que ele sente falta da Carol, mas a Julie consegue fazer ele superar um pouco da perda e seguir em frente, pela filha.

Preciso dizer que fiquei extremamente feliz com o Tom e a Gina juntos?! Não, acho que não né?! Hahaha Mas meus olhos brilharam com cada cena desses dois!

Sei que normalmente eu falaria mais desse capitulo e faria um ótimo drama! Maaas, dessa vez vou fazer diferente... E não, não é porque não gostei do capitulo. E sim, porque eu GOSTEI e esse é o fim da fic!

Eu demorei muito a começar a ler sua fic, mas quando comecei não consegui mais parar de ler, e a cada espera por capitulos novos eu sofria de curiosidade morbida! hahaha
Mas saiba que adorei cada pedaçinho da fic, desde a primeira temporada, quando a Carol ajudou o Bill, logo após ele sofrer o acidente... até esse capitulo, que a Carol jah não está mais viva e o Bill vive apenas com a lembraça de um grande amor!

Amo o que tu escreve e estarei sempre disposta ler as coisas que tu escreve.... até mesmo tua lista de compras do supermecado u.u
Parabéns por essa fic, por conseguir escrever algo realmente bom e NUNCA desistir. Porque não é fácil escrever uma fic, ainda mais por tanto tempo!

Ahhh.... e eu não sei mais o que comentar, porque sei que esse também será meu último comentario... e ele tah uma meeeerda!
Mas parando de chatisse (fique feliz, tu vai se livrar dos meus comentarios gigantes).

Eeee... ameiiiiiiiiiiiii a dedicatoria, fiiiico muito feliz por ela, sério mesmo! E muiiiiiiiito obrigado por deixar que sua fic seja postada aqui no Fórum!
E eu não sou a única no Fórum que lê tua fic ok?! Sei que tu tem leitores fantasmas u.u

Éh, e é isso... Nos vemos/falamos, por msn ou Facebook. Bju Carolinda!'

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