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The World Behind My Wall

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1 The World Behind My Wall em Seg Out 08, 2012 2:15 am


Sinopse: Após um acidente de escalada, Bill acorda em seu quarto e o encontra imaculado, um santuário. Sua família parece estar de luto, e apesar de tanto se esforçar para chamar sua atenção parece que não são capazes de vê-lo.
" Eu estou morto? "
Confuso e sozinho Bill depara-se com o seu passado: uma garota esquecida por cinco anos é capaz de vê-lo, mas ela parece ser a única. Não é fácil ser invisível, escondido num mundo contra a sua vontade e sem nenhuma explicação com uma garota que te leva a loucura. O tempo parece ter se esquecido de Bill, uma figura de pé, sozinho a beira da realidade sem a possibilidade de atravessar o limiar para a existência. Mas juntos eles vão encontrar uma razão, juntos eles irão de volta para casa, juntos eles conhecerão o mundo através de sua parede.
"Há portanto, uma sede interior, uma alma interior. Porque há um homem interior. O homem interior é realmente invisível, mas o exterior é visível. mas ainda melhor que o exterior é o interior" Saint Augustine

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2 The World Behind My Wall em Seg Out 08, 2012 2:25 am

Notas da História: Tokio Hotel não me pertente, nem seus respectivos parentes que forem citados aqui à exceção de Beth, Rick, Zac e Josh. Mas a personalidade deles nessa fanfic, são de minha autoria. Os demais personagens são todos frutos de uma imaginação muito fértil. História sem fins lucrativos e sem nenhum compromisso com a realidade. Possui um tema um tanto religioso e sarcástico, caso sinta-se ofendido, não leia.

Classificação: +13
Gêneros: Amizade, Mistério, Romance, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria


Prólogo


Você acredita em destino?


Uma pergunta banal, eu sei. Clichê. Boba. Eu pensava assim também. Pela primeira vez isso foi perguntado a mim. Predestinação? Providência? Destino? Pfft...


Quer dizer, não é um pouco insultante acreditar que nossas vidas já estão predestinadas? Que nós, como seres humanos somos completamente incapazes de decidirmos as coisas por nós mesmos? Não se é possível fazer boas escolhas? Que nós estamos tão desamparados, precisamos de um pouco de ajuda para encontrar a carreira certa, ou os amigos certos, ou o lugar certo para viver? A pessoa certa para amar?


Isso é um insulto?


Ou é reconfortante?


Hoje em dia, eu fico com a segunda opção
.

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3 Re: The World Behind My Wall em Seg Out 08, 2012 7:47 pm

AAAH AMEI O PROLOGO E A SINOPSE \o/ e a capa tambem Very Happy
Looogico que continuaa

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4 Re: The World Behind My Wall em Seg Out 08, 2012 8:00 pm

Ai que maraaaaa!!!Agora sim vou conseguir ler esta fic!!!

Pooooooooooostaaaaaaaaaaaaa!!!

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5 The World Behind My Wall em Sex Out 12, 2012 2:41 pm

Capítulo Um - Só uma garota


~
Linda menina do espaço
Se nunca veio aqui, venha mais vezes
Você não existe, ainda não existe
Mas só nos meus pensamentos

~

Schönes Mädchen aus dem All - Tokio Hotel

Novembro de 2002

Bill's P.O.V


Quando meus pais disseram que estavam nos levando para umas curtas férias. Esta não era o que eu tinha em mente.


Kentucky? Quem vai para o Kentucky nas férias? A verdadeira ruptura teria sido Hilton Head, ou a praia de Panamá. Ou qualquer aberração da Disneylândia. Não a auto-proclamada capital do mundo dos cavalos. Quer dizer, eu não gosto mesmo de cavalos. Chatos, desgrenhados, mal cheirosos e muito grandes e selvagens pro meu gosto.


Claro, eu havia repassado essas informações para minha mãe no primeiro dia de viajem. Deparei-me com uma repreensão rápida e nada sutil.


– Bill, não se queixe. Você queria uma pausa nos estudos e conseguiu. Agora vá ajudar sua tia Beth com os quartos.

A história de minha vida, como um velho ditado que minha avó dizia quando eu e meu irmão fazíamos birra “Cuidado com o que deseja pois você poderá conseguir”.

Meus Tios moravam na divisa da cidade de Lexington e Richmond. Cidade? Pfft... alguns dizem que sim, mas esse lugar fazia Loitsche parecer o paraíso do entretenimento. Não havia NADA a se fazer por ali. Além de dar alguns passeios num shopping cubículo da “cidade”. Tia Beth era irmã de minha mãe, costumava morar em Berlim, mas após conhecer o Tio Rick, que é americano os dois se casaram e vieram viver na América.


_


– Mãe? – Perguntei aproximando-me dela enquanto ela ajudava Beth com o jantar. De alguma forma, ela sempre me pareceu mais amável quando estava na cozinha. – Estou saindo para um passeio.


– Agora? – Ela olhou-me por cima da bancada cortando freneticamente os tomates. – Já está ficando escuro lá fora Bill.

– Eu sei... Mas eu preciso sair de casa. Movimentar-me – Abanei meus braços freneticamente dando um efeito dramático.


– Eu não acho que seja uma boa idéia, queri...

– Mas – a interrompi. Pensei em explicar que se eu ficasse mais um segundo debaixo do mesmo teto que meus primos Zac e Josh eu ia acabar no ‘Os mais procurados da América’ por assassinato em primeiro grau. – Eu vou ficar por perto. Não vou demorar muito. Só preciso sair, só por um minuto...

– Tudo bem. - Ela suspirou com meu tom choroso. - Mas leve Zac com você.

Eu estava pronto para protestar, mas parei. Com uma idéia se formando em minha mente. Murmurei um simples "Ok" enquanto saía pela porta da sala para pegar meu casaco e minhas luvas. Uma vez já colocados, subi as escadas em direção ao quarto de meus primos. Zac estava deitado em sua cama lendo gibis, Josh sentado aos pés da cama comendo doces e Tom estava largado no chão rabiscando algumas notas musicais.


– Zac ?.


– O que? - Ele levantou os olhos de seu gibi.


– Eu vou sair por um momento, então queria pedir para que você não saisse do quarto. Porque minha mãe pensa que você vai comigo. - O instruí. - Ela não quer que eu vá sozinho.


– Eu vou! - Tom disse levantando-se de um salto, tô cansado de ficar em casa.


– Não, eu vou sozinho - Bufei.


– Por quê?


– Porque eu quero ficar sozinho - Suspirei um pouco irritado. - Sem ofensas, Zac, você entendeu? - Perguntei virando-me novamente para ele.


– Sim Bill, eu entendi - Respondeu voltando-se para seu gibi


Tom me lançou uma careta antes de se jogar no chão novamente e continuar compondo. Suspirando com alívio, deslizei para fora do quarto e fechei a porta. Um momento depois eu já estava com os pés na neve, respirando o ar frio de Novembro.


_


Caminhei distraído embaralhando preguiçosamente meus pés sobre a neve que cobria o chão. Embora estivesse frio, o vento não soprava, por isso a sensação não era ruim. Mas, ainda assim, neve em novembro? Claro, Kentucky era conhecida também por seu clima louco. Tio Rick sempre reclamava disso.

Eu parei, franzindo a testa. Embora eu tenha dito a minha mãe que não iria muito longe, isso não aconteceu. Olhei para a placa mais próxima da rua tentando descobrir o tanto que eu havia me distanciado de casa. Oldham Street... li, eu nem sequer sabia onde é que isso ficava. Eu havia ziguezagueado por um labirnto de ruas, sem me importar com a direção que estava tomando.... e agora não fazia idéia de onde eu estava. Fantástico.

Puxei meu cachecol mais para cima, de modo que cobrisse meu nariz e enterrei minhas mãos no bolso, olhando freneticamente ao meu redor. Pensando bem, estava realmente fazendo frio por aqui. O que fazer? Pra onde ir? pensei. Que merda.

O vento gélido, então, abraçou meu corpo quase como um presságio. As ruas estavam muito escuras, fracamente iluminadas por lampiões e pelos faróis de alguns carros que passavam.

Por um momento desejei que Zac tivesse vindo comigo, ou que eu tivesse aceito a oferta de Tom. Pelo menos não estaria sozinho. Suspirando, comecei a andar em direção a uma grande estrada que deveria ser a principal.Foi quando ouvi...


Uma risada alta e estridente atrás de mim, se aproximando a cada passo. Engoli em seco, tomando coragem para olhar por cima de meu ombro. Um grupo de rapazes estava andando pela rua, vindo na minha direção. Eles ainda não haviam me notado, e eu queria que continuasse assim. Apertei o passo. Se há uma coisa que aprendi nessa viagem, é que os caras de Kentucky não são muito amáveis com garotos que tinham cabelos grandes, ou que pintavam as unhas, ou que usavam maquiagem... enfim, não eram lá muito legais comigo em particular... É um tanto hipócrita, considerando os cortes de cabelo que eles usavam... Mas mesmo assim, uma pequena bola de medo começou a se formar em meu estômago. Ouvi atentamente o que eles estavam falando, esperando que continuassem a não me notar.

Uma voz grave, provavelmente a do "líder" do grupo, destacava-se sobre as demais.

– HÁ ! Eu e Jay definimos isso ! Demos uma lição naquela velha porca. - Ele ria estridentemente. - Quando Jay tocou a campainha e ela nos viu, quase teve um infarto... Isso vai mostrar pra ela quem é que está no contr... - O líder, que tinha um tom áspero e cruel parou subitamente de contar sua história. Eu congelei. - Ei, espere... não é aquele garoto viadinho ali na frente? - Meus olhos se arregalaram, a pequena bola de medo em meu estômago virou uma avalanche.

– É ele mesmo. - Um de seus companheiros disse.

– PEGUEM ELE !

Virei-me rapidamente para medir o quanto de vantagem de distância eu tinha sobre eles. Não muita. Corri desembestado pela rua, cortando caminho por uma rua secundária, pouco me importando onde é que ela ia dar. Meu coração pulava a cada passo que eu dava. Por um instante pensei na velha senhora que esses caras haviam atormentado. Sim senhora, eu sei o que a senhora sentiu, pensei. Estou prestes a ser o primeiro garoto de treze anos da história a ter um ataque cardíaco.

Meus pulmões estavam em brasa. Eles estavam se aproximando, eu podia ouvir seus passos pesados esmagando a neve a poucos metros de mim. Eu corria o mais rápido que podia, mas a neve combinada com meu casaco e botas tão pesadas não me faziam um velocista. Podia ver luzes logo a frente, vindas de um café, com certeza teria pessoas la dentro e esse era o meu foco. Eu podia ir até lá e pedir um telefone, me afastar de meus futuros torturadores... mas ainda estava tão longe. Eu sabia que eles iam me alcançar antes que eu chegasse lá.

– EU O PEGUEI! EU O PEGUEI! - Ouvi um deles gritar no momento em que senti uma mão pesada empurrar meus ombros, me fazendo tropeçar em meus pés e cair de cara na neve. Eu gaguejava e tossia, enquanto cuspia gelo e terra que engoli com a queda. Ele rolou sobre mim, prendendo meu corpo ao chão. De repente todos os cinco estavam lá, fazendo um circulo ao meu redor, como se estivesse prontos para realizar um sacrifício. Pareciam bem mais velhos do que eu.


– Olá, menininho – Disse o líder lisamente. Eu não conseguia distinguir suas feições, já que estavam na parte mais escura da rua. - O que faz por aqui?

– Eu-Eu-Eu.. - Droga Bill, pare de gaguejar! Pensei com raiva. Eu me sentia fraco e desorientado. - Eu estava apenas caminhando. Já vou embora, deixe-me ir por favor.

O líder virou-se para os outros e finalmente pude ver melhor suas feições. Seus olhos eram escuros e frios, seu rosto estava relaxado. Ele parecia o tipo de pessoa que provavelmente enfiava filhotes de gatinhos no microondas para se divertir.

– Humm... Devemos deixá-lo ir rapazes? - Ele virou para o grupo que permaneceu em silêncio. - Bem, eu acho que isso foi um não. Sinto muito.


Ele caminhou lentamente até onde eu estava caído e se debruçou sobre mim. Pude sentir seu hálito quente em meu rosto frio.

– Qual é o seu nome? - Ele me perguntou, como se estivéssemos tendo apenas uma conversa civilizada e ele não estivesse pretendendo me surrar.

– Bill. - Murmurei.

– Bem, Bill. Nós não gostamos de caras afeminados por aqui. O que você acha disso?

Isso foi uma pergunta retórica? Ou ele estava mesmo esperando uma resposta? Disparei meu olhar nervosamente para trás e para frente entre cada membro do grupo. Quando percebeu que eu não iria responder ele assumiu o controle, passando por meu lado e parando bem a minha frente. De repente senti uma descarga de adrenalina e preparei-me para correr novamente, óbvio que foi uma tentativa frustrada, no meu terceiro passo já estava no chão novamente. É, cinco contra um não tornavam minhas chances muito promissoras.

– Segure ele Jay! - Ouvi uma voz áspera, logo em seguida uma mão pesada me puxar com violência para o centro do pequeno circulo. Senti uma dor no topo de minha cabeça e dei adeus a vários fios de cabelo. O tal Jay me forçava a olhar para ele. Com um sorriso malicioso vindo de seus lábios, senti meu estômago afundar.

– Onde você pensa que está indo? A festa só está começando.

Eu estava prestes a responder que essa ideia de festa era um tanto psicopata, mas ele efetivamente acabou com minha capacidade de falar pelos próximos minutos quando um punho fechado se chocou com minha boca. Senti gosto de ferro ao mesmo tempo que outro soco me atingia o estômago, dobrei-me ofegante. Então ele chutou entre minhas pernas, apenas para ter uma boa medida, eu suponho. Meu mundo brilhou em preto, vermelho, preto, vermelho, preto e vermelho de novo a cada novo chute. Caí no chão lutando para respirar enquanto ouvia a gargalhada deles fazendo fila para me aplicarem novos golpes. Eu estou morrendo. Pensei sombriamente. Ou pelo menos meus futuros filhos estão.

Foi então que ouvi. Um grito estridente e agudo sobrepondo-se as gargalhadas. Uma voz de garota.

– HEY !

Caramba, ela tinha um par e tanto e pulmões. Eu debilmente rolei pela neve tentando observar minha salvadora. Uma menina ruiva, meio desengonçada, que não parecia ser mais velha que eu. Escorregando pelo gelo e tropeçando em pedaços de madeira ela veio. Fantástico. Isto é o que o senhor envia para me salvar Deus? Ela vai ser devorada viva... se não cair antes de chegar aqui, o que é bem provável.

– Que diabos você pensa que está fazendo? – Ela exigiu, mais uma vez, demonstrando seu talento em falar alto.

Os caras olharam por um momento para ela.

– Ei, menininha, cuida da sua vida. – Jay rosnou.

Consegui sentar-me de mau jeito para que pudesse dar uma olhada melhor nela. Ela podia ser pequena, mas havia fogo em seus olhos. Fogo, muito fogo. Ela avançou em nossa direção.

– Vocês vão deixá-lo em paz agora mesmo. Anda ! DEIXE-O AGORA! – Ela espantou-os com as mãos como alguém que espanta um cachorro que quer comer seu bife no jantar. Sufoquei uma risada apesar de minha agonia. Os garotos que ainda a olhavam começaram a rir, voltando-se para mim, aparentemente decidindo que ela não era uma ameaça então podiam ignorá-la

Um erro trágico. Ela virou-se para o outro lado, encarando uma casa.

– PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI ! – Ela gritou. – ESSES MENINOS ESTÃO ME INCOMODANDO DE NOVO!

– Ah, merda. – Um deles xingou. Eu tinha a sensação de que eles já haviam passado por esse tipo de coisa antes.

Um homem, que eu presumi ser o pai da menina, saiu pela porta da frente atendendo aos gritos da filha. Ele caminhou em nossa direção, eu como eu imaginava o grupo foi embora. Dispersaram-se por todos os lados como um bando de pombos. Olhei a minha volta espantado. A menina caminhou até mim e estendeu sua mão.

– Você está bem? – Ela perguntou em voz alta, naturalmente. Bem, eu não deveria ter me surpreendido com isso. O jeito que ela gritava anteriormente deveria te indicado para mim que ela não possuía o que minha mãe gostava de chamar de “voz de seis polegadas”. Sentia dor em minhas partes baixas, além de ter meu orgulho ferido por ser salvo por uma garota. É, eu acho que eu to legal.

– Eu acho que sim. – Murmurei,resistindo a vontade de massagear minha virilha. Isso não causaria uma boa impressão. Olhei para ela, finalmente conseguindo uma boa visão de suas feições. A pele pálida um pouco corada pelo frio, travessos olhos brilhantes e um cabelo ondulado bem vermelho. Ela inclinou a cabeça para mim e levantou os lábios formando um pequeno sorriso.

– Como você se chama?

– Bill. – Levantei-me, lutando para não soltar um gemido. – Onde eu estou? Que rua é essa?

– High Street seu bobo. – Ela deu uma risadinha apontando para a placa da rua que estava a cerca de dez metros de distancia.

– High Street? – Eu repeti. – Onde fica isso?

Ela riu novamente, ampliando sua boca em um sorriso enorme e contagiante. Eu encontrei-me sorrindo para ela, apesar das circunstâncias.

– Você precisa de carona pra algum lugar? Está muito escuro.

– Uh... – Carona? O que? Em uma moto? Ela não tinha idade suficiente para dirigir...

– Meu pai vai te levar pra casa. – Disse ela, como se estivesse lendo minha mente. Virou-se e acenou para o pai, que se aproximou, sorrindo e acenando. Ele era um homem alto, bonito, com cabelos pretos, um pouco grisalhos na raiz. Seus olhos eram uma réplica exata de sua filha, enrugando-se quando ele sorriu, lembrando-me um pouco meu próprio pai.

– Ok. – Assenti timidamente enquanto eu o seguia até a garagem.

– Hey, Alley Kat, você não vem conosco? – Ele virou-se para sua filha que ainda estava de pé na calçada, olhando presunçosa em seu triunfo sobre intimidações. Ela assentiu com a cabeça e rapidamente nos alcançou.

Entramos em seu carro, um Lexus. Sentei-me no banco traseiro, de olhos arregalados. Era consideravelmente elegante. Passei a mão sobre o interior de couro fino. Talvez um dia possamos comprar um carro bom como esse. Pensei. O pai dela me perguntou onde eu precisava ir, e eu disse o lugar ainda admirando o carro. O motor gemeu alto e saiu da garagem.

– Você é de onde? – A garota estava de joelhos no banco da frente, espiando ao redor do encosto de cabeça, olhando para mim com aqueles grandes olhos castanhos. Fiquei um pouco surpreso que ela soubesse que eu não era dessa área, mas acho que eu tinha um sotaque bem diferente.

– Magdenburg... na Alemanha.

– Uau... o que você está fazendo aqui?

– Visitando alguns parentes. – Respondi divertindo-me com sua curiosidade.

– Querida, sente-se e coloque o cinto de segurança de volta. - Ela protestou, mas obedeceu sentando-se devidamente no banco.

– Podemos ir tomar um sorvete? - Perguntou a menina com os olhos esperançosos.

– Sorvete? - Ele riu. - Querida está frio lá fora. Você não vai querer sorvete!

– Quero sim! - Ela se remexeu no banco olhando novamente para mim. - Bill você gosta de sorvete?

– Quem não gosta?

– Viu? Ele pode ir com a gente! - Seu pai riu novamente com seu entusiasmo e acariciou-lhe os braços.

– Acho que Bill precisa ver sua família. Eles devem estar preocupados Alley Kat.

– Sim... - murmurei baixinho. Ela pareceu ficar um pouco irritada por seu convite ser recusado, ela permaneceu em silêncio fazendo bico por todo o caminho.

Alguns minutos depois chegamos à casa de meus Tios. Agradeci sinceramente pela ajuda enquanto saia do carro. Comecei a andar em direção ao portão, quando ouvi a janela do carro baixar. Eu me virei no momento em que a menina metia a cabeça para fora do vidro me fitando com seu par de olhos muito castanhos.

– Tchau Bill. - A ruiva disse suavemente. Humm... então ela sabia falar baixo? Eu abri minha boca para lhe dizer adeus quando percebi que não sabia seu nome. Bem, seu pai a chamava de "Alley Kat", mas provavelmente esse não era seu nome real. Quando a pergunta começou a se formar em minha boca, ela abriu um grande sorriso fazendo com que eu perdesse a voz enquanto acenava para mim e o carro desaparecia na curva.

Permaneci ali, parado por alguns instantes. Não sentia o desejo de entrar em casa. Então sorri. Levantei minha mão acenando para o escuro, perguntando-me por um momento se nunca mais iria vê-la novamente.

– Eita Bill! O que aconteceu com você? – Tom pulou da cama quando me viu entrar no quarto. Tive o cuidado de subir sorrateiramente as escadas para que não fosse visto pelo olhar inquisidor de minha mãe quando visse o quão tarde eu voltei. - Parece que você foi atropelado por um caminhão.

– Emboscada. - Murmurei, tirando meu casaco e minhas luvas seguidos por meu cachecol. Meu rosto tinha manchas avermelhadas e meu cabelo estava um caos. Sem mencionar a quantidade absurda de lama e gelo na minha calça por ser empurrado pelo chão.

– Emboscada? - Repetiu.

– Sim, por alguns ''psico-atletas'' - Não entrei em mais detalhes. Não foi nada bonito.

– O que aconteceu? Você está bem? Está ferido? - Tom parecia preocupado.

– Eu estou bem. Sem ferimentos. Só um pouco... dolorido - Disse com uma careta. Sim, amanhã eu definitivamente não iria conseguir nem ir ao banheiro. - Eu fui resgatado antes que eles pudessem, hum, terminar o que haviam começado.

– Resgatado? Por quem? O que aconteceu, Bill? - Tom me olhava como se não acreditasse que eu pudesse estar tão despreocupado com tudo isso.

– Uma garota... - Disse com a voz arrastada percebendo como era embaraçoso ter de dizer isso. - e seu pai. - Acrescentei rapidamente. Tom não riu, Zac provavelmente riria. - Os espantaram e então me deram uma carona até aqui. São pessoas agradáveis.

– Você andou com estranhos? - Tom perguntou chocado. Eu revirei os olhos.

– Bem, eu poderia vir a pé e correr o risco de ficar estéril. Ou me arriscar com uma garota magricela e seu pai. Zac, aqueles caras eram acéfalos!

– Você poderia ter nos telefonado. - Ele lançou-me um olhar de desaprovação. - Nós poderíamos ter ido te buscar.

– E correr o risco de sentir a ira de minha mãe? Não, obrigado.

– Você é impossível Bill, pelo menos está bem.

– Sim. - Atirei-me na cama suspirando. - E nunca mais mencionaremos isso de novo.

– Uma garota, é? Era bonita? - Tom agora ria.

Dei de ombros, relembrando de minha salvadora. Desajeitada, e com os cabelos revoltos.

– Ela era bonitinha... tinha um sorriso bonito. - Sorri maliciosamente. - Mas não como aquela garota da loja ontem... ela era um arraso.

– A garota da loja de jóias ? Eita... Ugh. - Tom fez cara de nojo.

– Que foi? - Perguntei. - Qual é o problema com ela? Belos quadris, cabelos longos, um rosto lindo.. O que há de errado?

– Você tem um péssimo gosto cara... – Foi tudo o que ele disse. Resmunguei algo que nem eu mesmo entendi e rolei sobre as almofadas encarando o teto.

– Onde você estava? – Zac quase arrombou a porta do quarto. - Estávamos prontos para chamar a policia.

– Você quer dizer... a mamãe? - Perguntei bruscamente.

– Não! – respondeu irritado com meu tom acusatório e atirando-se na cama ao meu lado. - Sobre o que vocês estão conversando?

– Nada. - Eu disse. Não estava com vontade de repassar toda aquela história outra vez. Zac parecia chateado, mas não disse nada, aparentemente percebendo que não iria arrancar nada de mim. Suspirei fechando os olhos. - Então? Quando vamos embora daqui?

– Depois de amanhã. - Disse Tom... - Mamãe disse que vamos na parte da manhã. Então, de volta para casa, e depois voltar para o estúdio...

– E de volta à música. Fechei os olhos, sorrindo ligeiramente. - Você acha que as pessoas vão gostar? Do CD, quero dizer.

– Claro - Exclamou Tom em sua forma habitual sempre-no-topo. - Vai ser incrível.

Zac, por outro lado, apenas deu de ombros.

– Eu não sei. Desejo sorte à vocês mas acho que nós vamos ter que esperar e ver...

– Sim... - Murmurei, imaginando o que poderia estar nas lojas para nós no futuro. - Eu acho que nós vamos esperar e ver.






n/a: Foi nessa atriz que me inspirei para descrever a Alley Kat, a mesma que interpretou Lílian Potter quando criança em Harry Potter e as Relíquias da morte parte II


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6 Re: The World Behind My Wall em Sex Out 12, 2012 7:35 pm

Ai, tadinho do Billie...Apanhando sozinho!!
Cadê o Tom numa hora dessas???

Legal ela salvar ele...Foi fofo!!

Continue, please!

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7 Re: The World Behind My Wall em Dom Out 14, 2012 6:22 pm

Que fofa a menina ajudaar ele ^^
Pobrezinho do Bill, viu quem mandou nao escutar sua mãe? Razz
continuaaa

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8 Re: The World Behind My Wall em Dom Out 14, 2012 10:13 pm

Anny V.

avatar
Moderadora
Caramba, tadinho do Bill Sad
Mas o que a pessoa tem na cabeça de sair sozinho em um lugar que mal conhece? Pelo menos se tivesse escutando a mãe...
Sorte dele que a menina ajudou.

Fofíssima essa menininha, né?

Continuaaaa

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9 The World Behind My Wall em Qui Out 18, 2012 10:49 pm

Capítulo Dois - Infinity


-
O infinito não está tão longe
O infinito não está tão longe agora
A eternidade é a última hora
O para sempre é tudo o que nos resta
Atravessar o horizonte pelo céu

-

Tokio Hotel - Unendlichkeit




10 de Junho de 2007


Tom’s P.O.V


– Onde você está indo?


Eu olhei para cima. Bill estava de pé em minha porta com os braços cruzados sobre o peito levemente inchado. A puberdade é uma coisa incrível. Eu me pergunto se Gustav ou Georg se incomodam tanto quanto eu que Bill estivesse lenta e precisamente superando a todos nós no quesito altura. Seus cabelos negros estavam espetados para todos os lados formando uma grande juba, ele estava me lançando um olhar curioso.


– Vou sair. – Respondi. – Kyle e eu vamos fazer umas coisas. Enfiei minha carteira no bolso traseiro de meu jeans. – Provavelmente vou chegar tarde.

– Essa noite? Eu pensei ter ouvido você dizer que hoje iríamos assistir a maratona de Swordfish. – Protestou. Fechei meu olhos, droga. Eu realmente tinha prometido ir com ele ver esse filme, ele havia insistido durante semanas. Quando abri os olhos, Bill me encarava chateado, não era de se admirar, ele provavelmente estava ansioso para ver a Halle Berry tirar a camisa.

– Você tem certeza? – Perguntei com cautela. – Pensei que era amanhã...

– Sim! Você me prometeu, disse que seria semana passada, mas convenientemente esqueceu e saiu com aquela garota idiota. E na semana retrasada também e...

– Ela não é uma idiota. – Eu o interrompi, não querendo ouvir uma lista grande de fracassos como irmão mais velho. Fiquei espantado que, apesar de Jennifer e eu estarmos juntos, Bill ainda se recusava a chamá-la pelo nome, claro que eu também não suportava sua namorada, Alexys, ela me dá náuseas, mas essa é sua própria maneira de protestar, eu acho. Suspirei. – Ela é... – Esforcei-me para encontrar uma palavra apropriada para descrevê-la. Me conformei com um termo genérico. - ...doce.


– Doce? – Ele bufou. – Ela é uma idiota, Tom. É como uma lixa que se esfrega em uma ferida. Dolorosa e desnecessária.


Bem, eu quase concordo com isso. Mas poderia ser muito pior se o fizesse... pelo menos ela é sexy. No entanto, eu não dei ouvidos a opinião de Bill, sabia que eu não ia gostar muito.


– Bem, seja como for, ela não é sua namorada, então não se preocupe com isso. Agora, eu sinto muito, eu esqueci, Bill. Prometi a Kyle que eu ia sair com ele hoje a noite. Vamos ver o filme amanhã. Eu prometo.


– Aonde você vai? – Bill perguntou fazendo uma careta.


– Escalar. Kyle diz que é divertido, embora eu não tenha muita certeza disso. – Suspirei.


O rosto de Bill se iluminou.


– Eu vou com você!


– O quê?


– Ah, qual é. Eu não tenho nada pra fazer hoje a noite, e eu tenho que sair dessa casa. E já que você se esqueceu de mim mais uma vez...


– Bill... – Eu resmunguei. Quando é que ele ficou tão bom em chantagem emocional?


– O quê ? Isso irá compensar suas falhas... Ou quer que eu te lembre da camisa feminina que você usou semana passada quando estava extremamente bêbado quando chegou em casa. Vamos combinar que borboletas não combinam muito com você...


– Não. – Resmunguei revirando os olhos. – Ok, você pode vir conosco. – Provavelmente eu me arrependeria disso depois, mas pelo menos ele não iria ficar chateado. Além disso, eu estava me sentindo culpado por ter me esquecido dele. – Você está pronto?


– Deixa eu trocar de roupa, rapidinho. – Disse sorrindo enquanto corria para fora de meu quarto.


– Vou esperar lá embaixo. – Gritei para ele. Desci as escadas indo em direção a cozinha onde minha mãe estava. – Vou sair hoje à noite e Bill vai comigo. – Disse-lhe quando entrei na cozinha.


Mamãe olhou para cima franzindo a testa.


– Sair? Pra onde vocês vão e que horas vocês voltam?


– Nós vamos escalar. Não sei que horas vamos voltar. Calma mãe.


– Eu só estou dizendo por que vocês têm que acordar cedo amanhã para ir à reunião com o David e não quero que vocês fiquem babando enquanto eles falam.


– Ah mãe. Nos dê um pouco de crédito. – Disse rindo.


– Vocês não devem ficar fora até tarde.


– Ok. – Suspirei. – Nós não vamos.


– E tomem cuidado! É sábado a noite, há um monte de gente não muito sóbria pela estrada... Na verdade, por que não nos liga antes de saírem de lá? Gordon pode buscar vocês....


Quantos anos eu tinha? 13? Eu heim... Acho que mamãe ainda está traumatizada com os tempos da escola, quando nosso padrasto Gordon ia nos buscar com tacos de beisebol porque éramos ameaçados pelos outros alunos. Mas os tempos mudaram, hoje aquelas pessoas que zombavam de nós, fazem fila para entrarem em nossos shows. E além do mais, nós andamos com seguranças, eles estão sempre por perto, ao menor sinal de confusão.


– Mãããããe... – Eu gemi. – Você se preocupa demais.


– A preocupação de uma mãe nunca será o suficiente Tom. – Ela respondeu apertando afetuosamente meu braço. – Tenham cuidado, mas se divirtam.


– Teremos. – Ouvimos um barulho ensurdecedor do alto da escada e um momento depois Bill apareceu na cozinha. – Você está pronto? – Perguntei.


– Sim. Tchau, mãe, a gente se vê mais tarde . – Ele lhe deu um beijo na bochecha e um abraço rápido. Eu fiz o mesmo.


– Bill, querido... - Ela pareceu hesitar por um instante, mas um segundo depois balançou a cabeça, como se espantasse um pensamento indesejado - Esquece... divirtam-se tá bem? E tenham cuidado!


- Tchau mãe! - Dissemos em uníssono.

_

Bill’s P.O.V


– Eu estou tendo algumas dúvidas sobre isso – Fiquei olhando para o instrutor, um cara com a aparência meio rabugenta. – Isso não parece muito confortável.


– Para de choramingar – Tom disse. Ele ficou do lado de fora esperando que eu vestisse meus equipamentos. Kyle já estava na parede, pronto para subir.


– Choramingar? Espere só até você vestir esse treco. Então vamos ver quem é que vai choramingar por aqui.


– Senhor? Você poderia levantar a perna um instante? - O instrutor carrancudo olhou para mim. Eu obedeci, levantando o pé do chão com o cinto enrolado em minha perna. – Obrigado. – Disse ele. Fiquei perfeitamente imóvel enquanto ele levantava as alças e as apertou em torno da minha pélvis. Constrangedor.


– Acho isso está meio apertado. – Eu disse nervosamente. O instrutor levantou-se para me analisar.


– Naaah. Ainda não está bom. Vou ter que apertar um pouco mais. – Disse ele. – Só quero ter certeza de que vai estar seguro.


– Ainda não está apertado o suficiente? – Tom riu. Talvez você deve ganhar mais alguns quilos maninho. Quem sabe se colocar mais cinco ou seis pessoas aí vai caber.

– Cala essa boca, seu bastardo – Resmunguei enquanto o instrutor apertava ainda mais a merda do cinto. – Ok, ok já está bom!

– Tudo bem. Agora vá até onde está Carl. – Disse apontando para um homem que estava parado ao lado de Kyle. O tal Carl era outro instrutor que trabalhava ali. - Ele vai te explicar.

– Ok. – Resmunguei com mau humor enquanto cambaleava em direção a eles. Era realmente difícil de caminhar especialmente com cordas amarrando suas pernas. Ainda mais quando essas ditas cordas estão esmagando sua masculinidade, segurei a vontade de afrouxar os arreios, imaginando que provavelmente seria expulso por comportamento indecente, afinal havia crianças por perto.


– Está pronto Bill? – Kyle perguntou sorrindo. – Pensamos em começar por essa parede de coelhinho... – Ele acenou para o pequeno muro de três metros a nossa frente. Revirei os olhos enquanto ele ria. Uma criança de cinco anos subiria aquilo.


– Parede de coelhinho? – Perguntei secamente.


– Exatamente.


Olhei para a parede, observando as alças e as bordas pequenas afixadas nela.


– Eu acho que eu poderia simplesmente pular e alcançar o topo.


– Provavelmente. – Kyle sorria. – Hey, Tom! Você está pronto?


– Claro! – Tom respondeu. – Mas essa coisa está esmagando as minhas coisas.


– Viu? – Eu disse triunfante. – Eu falei que você quem ia ficar se lamentando. Ele me respondeu com uma careta.


– Ok garotos. Agora vamos subir. – Disse Carl acenando. Vi suas mãos fazerem um movimento rápido. – Segure isso. – Disse ele, entregando-me uma corda atada. Ele tirou um grande anel de metal de seu bolso. Fiquei espantado, quando, de repente ele conectou seu anel em meu cinto. – Segure assim rapaz! Tudo bem... – Ele pegou a corda de minha mão e enganchou no anel de metal também. -... agora é só apertar esse mosquetão. – Continuou dizendo. – Certifique-se de que está bem forte.


– Apertar o quê? – Eu hesitei.


– O anel de metal.


– Oooh... – suspirei analisando o pesado anel metálico, que ele chamou de mosquetão, seguindo suas instruções. Permaneci pacientemente esperando até ele nos dizer quando poderíamos começar.


Quando finalmente todos os três estavam conectados com segurança. Carl começou a nos explicar as regras de escalada – sem balanço, sem empurrar, sem saltar etc. – Ele também explicou que cada um de nós teria um “belayer” (Quem dá segurança) que iria nos ajudar na escalada. Olhei para trás e vi outro cara segurando uma das pontas da corda, olhei para cima e percebi que a corda estava amarrada por uma talha, e que esse cara ajudaria a nos puxar para o topo. E, sinceramente, era uma vergonha! Mas éramos novatos nisso...


Assim que Carl terminou o discurso, ele bateu as mãos bruscamente.


– Tudo bem. Vamos começar. Já que vocês são novatos – Ele acenou para mim e Tom. – Terão um pouco mais de tempo, sem estresse. Mas vocês têm que se acostumar com isso.


– Terei isso em mente. – Tom bufou.


– Bem, aqui vamos nós ao nada. – Eu disse timidamente enquanto esticava uma das cordas.


_

– Merda! – Tom disse ofegante. – Meus braços estão queimando...


Descobri que escalar essas paredes era realmente divertido... E cansativo. Após uma hora de escalada em várias paredes diferentes, estávamos começando a ficar um pouco cansados. Claro que eu não iria admitir isso. Mas foi divertido ver Tom insultando.


Sorri para seu rosto suado e vermelho.


– Você é muito fraquinho. Eu não sei qual é o seu problema. Me sinto ótimo. – Disse, reajustando meus cintos esperando fervorosamente que ele não notasse meus braços tremendo.


Tom me fuzilou com os olhos, os nós nos dedos estavam muito brancos de tanto segurar as cordas. Estávamos a cerca de quinze metros no ar, agarrados ao lado da parede como insetos. Eu só podia imaginar o quão estúpidos devíamos parecer.


– Bem, você tem cerca de 50% a menos de peso para me levantar. – Disse Tom incisivamente.


– Ah, cala a boca. – Resmunguei carrancudo. Lentamente comecei a descer, observando onde meus pés estavam pisando. Eu não havia me preocupado com a queda, até agora o Belayer provou ser forte o suficiente para nos impedir de dar de cara no chão. Além disso, eu tinha certeza de que eles poderiam me segurar com um dedo sem absolutamente nenhum e esforço. Sério, o cara era um boi... parecia segurança de boate ou algo assim. – Oh, estou tão deprimido que vou descer para descansar meus braços. – Chamei Tom. Ele assentiu e me seguiu.


Quando chegamos ao chão, fomos direto nos sentar em umas cadeiras confortáveis longe daquelas paredes. Eu me inclinei para frente, sentando com o cotovelo sobre os joelhos e notei com o canto dos meus olhos, duas meninas cochichando e olhando para nós. Elas pareciam ter cerca de 13, talvez 14 anos. Cutuquei Tom.


– Não olhe agora, mas eu acho que essas meninas estão falando de nós.


– Tomara que elas não publiquem que estamos aqui, se não em uma hora o lugar vai estar lotado de garotas gritando a gente... – Tom deu uma risada.


Eu não respondi, estava olhando para Kyle com respeito. Ele subia as paredes como se tivesse sangue aracnídeo em suas veias. Parecia fácil demais. Ele deve ter sentido nossos olhares, pois virou a cabeça e percebeu que havíamos feito uma pausa na escalada. Ele desceu da parede e veio se sentar conosco.


– E então, o que acharam? – Perguntou quando se aproximou o suficiente para que ouvíssemos sua voz. – Legal né?


– Sim. – Eu disse. – Mas difícil.


– Eu achei muito divertido, uma coisa diferente pra se fazer, ao invés de todas aquelas reuniões chatas. – Tom comentou.


– Você não está satisfeito está? – Kyle perguntou. – Nós não escalamos um dos grandes, ainda. – Ele apontou para um muro enorme que ficava atrás da quadra. Aquilo parecia mais um prédio de sete andares.


– Você espera que nós escalemos aquilo? – Perguntei incrédulo. – Que merda!


– Vamos lá! É o melhor de todos! Não podem desistir sem tentar!


– Sério? Vejam só... – Tom levantou-se corajosamente. – Eu tenho coragem! – ele disse. – E você Bill? A menos, claro, que seja um franguinho.


– Não sou nenhum “franguinho” – respondi irritado.


– Eu acho que você é...


– Eu não sou! – Disse me juntando a ele ficando de pé. – Tudo bem. Vamos lá – Nós três nos voltamos para a imensa parede esperando os alpinistas que estavam escalando descer. Enquanto esperávamos, olhei para o muro um pouco nervoso. Do jeito que meus braços estavam eu duvidava que passasse de dez metros. Esperava que as meninas que observei anteriormente não tivessem nenhuma câmera ou algo do tipo. Não queria ver foto de minha bunda na internet, com post’s sarcásticos sobre meus braços magros ou meu desajeitado jeito de alpinista...


– Vamos lá! – Disse tom me cutucando.


Subi e esperei o instrutor para fixar o nó para mim. Quando ele o tinha feito, comecei a ligá-lo no mosquetão como eu havia feito antes.Tomei um susto quando ouvi um som estridente e irritante. Meu celular. Eu pesquei por dentro de meu bolso e puxei-o para fora, ID de Chamada: Alexys, a minha namorada...


– Merda. - eu resmunguei. Me debati sobre o que fazer. Eu não tinha falado com ela desde que tinha saído, o que era totalmente intencional... Mas eu tinha certeza de que estava chateada por eu não falar com ela ... Eu não queria atender e ouvir a sua ladainha para mim. Mas então, se eu não atender, ela vai continuar me ligando ...

– Quem é? - Tom perguntou.

– Alexys - Murmurei. Ah, pro inferno. Pressionei 'Ignorar' e rapidamente coloquei meu telefone no modo silencioso. Enfiei-lo de volta no bolso e olhei para cima. - Vou ligar de volta mais tarde.


– Eu acho que você deveria ligar de volta, tipo, nunca. - Tom disse.– Você poderia escolher melhor, Bill. Muito melhor.

– Melhor do que Alexys? - Kyle perguntou.– De jeito nenhum, cara. Ela é linda.– Bill, você é um cara de sorte.

Tom revirou os olhos e murmurou algo que não fez sentido sob sua respiração arfante. Consegui um dar sorriso fraco. – Sim, eu acho. - Eu disse casualmente. Sorte? Às vezes eu não tinha tanta certeza sobre isso...

Kyle sorriu e enganchou-se na corda, logo torcendo o bloqueio no local.– Corrida até o topo” - Brincou, enquanto nos preparávamos para subir.

– Divirta-se! Tom e eu dissemos ao mesmo tempo. – Nós estaremos bem atrás ...

Ele riu e começou a subir. Peguei a corda em um punho e olhei para cima para o que parecia ser milhas. Bastei dar uma olhada que me fez suspirar ... cansado. Respirando fundo, levantei-me do chão e comecei a seguir Kyle.


Cerca de vinte minutos depois, eu estava superando as minhas expectativas.

Estimulado por uma onda repentina de energia, um segundo fôlego, eu estava tão alto. Eu não saberia dizer quanto - 20 pés, 25 pés, 30 pés ... era tudo borrado neste momento. Tom estava abaixo de mim, tentando bravamente coincidir com o meu ritmo. Ele não gostou de ser superado pelo irmão mais novo.

– Devagar, Bill! Eu não consigo acompanhar! – Ouvi- resmungar.

– Não é uma corrida! - Disse. – Se fosse, teríamos perdido para Kyle há muito tempo. - Parei e esperei que ele me alcançasse. Quando estávamos lado a lado, ele parou.

– Meus braços estão cansados. - Ele lamentou. - Você já quer descer?

– Sim, eu acho.- Debrucei-me um pouco para trás, deixando a corda e meu belayer recuarem um pouco sobre peso dos meus braços. Tom começou a recuar também.


– Você não está com pressa, está? - Eu perguntei para ele ironicamente. Sorrindo, desci com um pé que tocou em algo rígido, e eu coloquei todo meu peso sobre ele...


Erro.


Meu tênis escorregou e eu caí batendo contra a parede. Eu agarrei em uma borda, esticando os braços para manter o meu peso. Eu lutava para encontrar um ponto de apoio, meus pés chutando para todos os lados, pegando em qualquer coisa. A corda foi pressionado contra o meu rosto, esfregando contra ele enquanto eu lutava.


– DROGA! - Eu gritei quando eu não consegui pegar o meu equilíbrio. Eu sabia que deveria ter parecido incrivelmente estúpido - uma espécie de aranha semi-pendurada, balançando as pernas loucamente. O belayer tentando me levantar com a corda. Girei o redor como uma truta que acaba de ser apanhada, pendurada em uma linha de pesca.

– Bill, o que você está fazendo? - Tom gritou para mim. Eu não respondi, ainda chutando para encontrar um lugar para descansar os pés. Finalmente, meu dedo bateu em um apoio, e eu descansei meu pé sobre ele, aliviado. Jesus. Meus bíceps estavam doloridos por causa do esforço. Enxugando meu rosto, eu olhei para o meu cinto de segurança.

– Ah, merda. Seu Filho da puta...

Meu mosquetão estava destrancado. Ele estava aberto! E, lentamente, a corda de cima foi se desprendendo. Engoli em seco. Como é que eu tinha esquecido de trancar o fecho? Como é que isso aconteceu?

Alexys ligando ... é claro. Eu havia me distraído. O que eu deveria fazer? Não havia nenhuma maneira de eu arriscar a descer agora, não com uma corda com fios semi-desengatado segurando meu corpo ...

– EI! - Eu gritei para baixo para as pessoas que lá estavam. –EU VOU CAIR!

– O QUÊ? - Tom gritou de volta.

– MEU ANEL METÁLICO ESTÁ ABERTO!

Eles pareciam ainda não conseguir ouvir. O que diabos havia de errado com essas pessoas? Carrancudo, virei a cabeça e me preparei para gritar com toda a força dos meus pulmões. Infelizmente, eles dizem sempre que para onde sua cabeça vai, seu corpo segue - e posso atestar que isso é muito verdadeiro. Meus ombros se deslocaram, enquanto eu tentava dar a volta para me virar para as pessoas abaixo, batendo contra a parede. Foi o suficiente para me derrubar, o equilíbrio de meu pé escorregou novamente. Eu me encontrei batendo contra a parede mais uma vez, lutando para agarrar qualquer coisa. E então eu ouvi, ao invés de sentir, um alto “clic” e a corda se desprendeu do mosquetão e o fecho se abriu inteiramente.

Todos tinham sonhos sobre queda - Eu sei, eu já tive vários. É terrível. Lembro-me de uma vez, que eu sonhei que estava no Space Needle em Seattle, com vista sobre a cidade ... e um pedaço de escombros voando eclodiu com uma das janelas. Eu fui sugado fora - Eu não sei mesmo se isso é possível acontecer, quero dizer, você vê em filmes como as pessoas são sugadas para fora dos aviões, mas está consideravelmente mais elevado no ar e o avião está realmente se movendo ... Mas independentemente disso, o vento estava sugando-me, e eu caí para a escuridão, incapaz de ver onde eu estava indo para a terra, com chuva e relâmpagos em volta de mim. Eu me lembro de acordar com um suor frio, à beira das lágrimas, correndo para o quarto do Tom.

No entanto, desta vez eu sabia que o resultado final seria substancialmente diferente. Não haveria alívio desta vez... Meus sentidos estavam estranhamente reforçados: o mundo estava se movendo em câmera lenta. Mas não era um sonho...


Eu vi o teto ficando cada vez mais longe, a corda que eu tinha acabado de ser destacar balançando-se inutilmente no ar. Eu podia sentir o chicote do ar correndo pelas minhas longas madeixas, as cordas apertadas do chicote cortando as minhas pernas e costas. Eu ouvi um grito assustado, a voz de Tom apavorado gritando meu nome. Eu estava caindo em queda livre, sem nada que pudesse me parar...




n/a: Quero esclarecer que este é o único capítulo que terá um P.O.V do Tom. Essa fanfic não será voltada para a relação twins dos Kaulitz, na verdade aqui ela nem terá tanto efeito assim. Eles são gêmeos, claro que se amam, mas eu não vou ficar grifando isso aqui. Nessa fic eles não são aquelas 'almas gêmeas inseparáveis' que em toda fanfic tem. Mas espero que gostem mesmo assim *~*

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10 Re: The World Behind My Wall em Qui Out 18, 2012 11:52 pm

Ai, meu Deus....Eu morro de medo de altura e nunca faría um esporte como esse!!!

E agora?O que aconteceu com o Bill???? Shocked

Continue, por favor!!!

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11 Re: The World Behind My Wall em Qua Out 31, 2012 7:04 pm

Anny V.

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Moderadora
Que agonia!!! Odeio altura e só de imaginar alguém caindo assim já me da uma coisa ruim Neutral

Bill morreu? Shocked

Continua!

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12 The World Behind My Wall em Qui Nov 08, 2012 1:08 am

Capítulo Três - Kroger


Me conte o seu segredo, o que você deseja?
Ainda estarei aqui pra você.
Me diga o que você precisa, conte algo que você não é.
Ainda estarei aqui pra você.
Diga que acredita, todas as suas mentiras
Diga se você sente isso tudo, sem meias palavras
Ainda estarei aqui para você


The Devlins - World Outside



10 de Junho de 2008


Existem poucas coisas que eu odeio nesse mundo mais do que limpeza. Isso explica o fato de eu fazê-la aproximadamente uma vez por ano.

“Love me two times, baby… love me twice today… love me two times, girl… ‘cause I’m going away…”

Eu cantava em voz alta, no mesmo nível que minhas caixas de som. As paredes praticamente vibravam com o volume. Em pé, com as mãos nos quadris, examinei os destroços que era o meu quarto. Eu tinha conseguido limpar minha mesa e minha cômoda, mas ainda faltava o armário, a cama, a mesa de cabeceira e todo o lixo espalhado de forma medonha por todo o chão.

– Preciso de uma empregada doméstica. – Resmunguei. – Uma empregada doméstica com muita paciência. – Suspirei e me joguei no chão preparando-me para organizar os CDs que estavam espalhados no tapete em frente ao estéreo.

Uma voz gritou para ser ouvida através da música me deu um susto.

– Oh Meu Deus! Você está realmente limpando esse lixo? – Olhei para cima e vi minha companheira de quarto, Louise, que estava em pé na porta olhando para mim com uma expressão de falso-choque. – Você se importaria de abaixar um pouco isso? Os vizinhos vão começar a reclamar a qualquer minuto.

Suspirei, inclinando-me para abaixar o volume da música. Ela estava certa sobre os vizinhos. De um lado morava um casal de velhinhos excêntricos que pensavam que rock and roll era “Coisa do Diabo” e na casa do outro lado moravam duas irmãs que eram apaixonadas por Boy bands e pensavam que Jim Morrison foi o cara que inventou os Muppets. Tinha que admitir que eram um bando divertido. Quando o quarto estava em silêncio, ela sorriu e falou novamente.

– É melhor eu ficar por aqui e assistir! Isso é um evento. O cometa Halley vem com mais freqüência que isso...

– Não agüento mais isso! – Suspirei pesadamente. – Preciso de uma pausa.

– Há quanto tempo você está limpando?

– Hum... faz uns 20 minutos.

Louise revirou os olhos empurrando uma grande pilha de livros sentando em minha cama.

– Então? O que te levou a esse repentino ataque de limpeza?

– O tédio. – Encolhi os ombros. – E o fato de que eu não consigo encontrar meu álbum Quadrophenia, e eu sei que ele está aqui em algum lugar...

– Claro. – Ela riu. – Eu deveria imaginar. Escute, eu estou indo para o supermercado, você quer alguma coisa de lá?

– Supermercado? Qual ? – Eu disse olhando para cima bruscamente com um sorriso no rosto.

– Ah, eu estava pensando... no Kroger...

Kroger? Tipo, o Kroger onde o Jay, o cara mais lindo desse lado do Mississippi, foi contratado? O mesmo cara que eu venho perseguindo há meses, na esperança de que um dia ele perceba minha existência? Pensei eufórica ficando de pé num segundo.

– Se eu preciso de alguma coisa? Eu preciso ir com você!

–Eu sabia que você ia dizer isso. Anda, vamos logo.

– Só deixa eu me arrumar um pouco.

– Ah, qual é – Ela revirou os olhos – Você está ótima!

Ah, Louise. Sempre tentando, com um sucesso limitado, aumentar minha auto-estima. Ela seria uma maravilhosa mãe algum dia, e Deus sabe que eu havia sido uma prática perfeita para ela nos últimos cinco anos. Olhei para minha camiseta velha e surrada e bermuda jeans azul.

– Eu estou parecendo um mendigo!

– Sério só peruas frescas colocam maquiagem para irem ao mercado – Ela me agarrou pelo braço, me arrastando para fora do quarto – Além disso, aparência não é tudo. Se ele não pode ver além disso, então não vale a pena.

– E se ele não conseguir ver, além disso? Louise, muitos poucos garotos viram "além disso" só pra te lembrar – Libertei-me de seu aperto e corri para o banheiro – Pelo menos me deixe colocar um calça jeans – Gritei para ela. – Para cobrir essas saracuras extremamente pálidas.

A ouvi soltar um palavrão, que eu ignorei. Troquei meu jeans e lutei com uma escova para tentar acalmar meus cabelos rebeldes. Meu Deus! Por que eu não nasci com o cabelo igual ao de Louise? Lindos, macios e pretos. Sempre estavam controlados e comportados em seus ombros... Suspirando eu saí do banheiro e me juntei a ela no corredor.

– Você está pronta agora?

– Não... mas vamos nessa.


_


Eu sou muito patética. Sério. Eu sempre soube disso, mas é que em momentos como esse isso se torna gritantemente ÓBVIO.


– O que eu devo dizer a ele? – Perguntei nervosa. Louise, a garota sabe tudo, tinha acabado de me informar que eu deveria puxar assunto com ele. Essa ideia fez minha cabeça pender levemente para o lado. Simplesmente, eu não era boa com garotos. Eu tinha uma irritante tendência a me fechar sempre que a testosterona entrava em cena. Quem nunca pensou que seria tão difícil assim encontrar coragem para falar com o sexo oposto?

– Qualquer coisa! Fale sobre o tempo, esportes... música. É! Você adora música, tenho certeza de que pode falar sobre isso, mas tente controlar o volume da sua voz. – Disse Louise inclinando-se para desligar o rádio.

– Bem... – Concordei, isso era verdade... talvez eu pudesse controlar isso. Mas ainda assim, Jay era um cara lindo. Ele podia apenas olhar para uma garota e ela cairia aos seus pés... e com tantas opções para ele escolher, por que perderia seu fôlego por alguém como eu? Magra, nerd, desengonçada e com o cabelo mais revoltado que o Che Guevara? Não era exatamente uma combinação emocionante. – Talvez. – Respondi por fim.

Inclinei-me para frente e liguei novamente o rádio mexendo com o botão para selecionar as estações. Mas o que Diabos havia de errado com as estações de rádio hoje em dia? Era como se só tivessem 20 canções em seu repertório, e 19 dessas canções eram uma bosta total. Empurrei o botão “procurar” do rádio. 104,5 estava tocando Britney Spears. Oh inferno, nem pensar. 103,3: Blink 182. Naah, não eu não era muito fã de Bilnk. 101,5: The Righteous Brothers – uma estação de oldies. Hmm... até que tinha potencial... Finalmente, 100,1. Eu sorri para Louise quando AC/DC “Thunderstruck” começou a tocar. Acompanhei a canção levantando as mãos em um sinal do bom e velho rock and roll.

– Eu acho que estou ficando surda! – Disse Louise secamente.

– O QUÊ? – Eu perguntei tentando falar mais alto que a voz gritante de Brian Johnson.

– É exatamente isso.


Eu sorri, concordando em abaixar o volume do rádio, e nós continuamos cruzando as ruas. Finalmente, a enorme placa azul da Kroger apareceu em nosso campo de visão. Tamborilei os dedos nervosamente no volante entramos no estacionamento para procurar uma vaga.

– Você deveria estacionar bem longe. – Louise sugeriu. – Assim, ele terá que andar com a gente por mais tempo.

– Você é um gênio. – Eu disse com a voz embargada. Afastei o carro da loja o máximo que pude, sem exagerar. Quando descemos eu tive que rir de quão ridícula parecíamos. Não havia outro carro estacionado a pelo menos 20 vagas antes da nossa.

– Bem, admito que isso foi um pouco exagerado. Mas vamos á feito – Disse Louise. Ela sorriu animadamente para mim. – Vamos?


Andamos rapidamente em direção a porta de entrada. O vento quente de verão chicoteou em torno de nós, muito ruim para o meu gosto. Bem, merda, lá se vai o meu cabelo. Eu, em vão, tentei mantê-lo intacto até chegar a loja, encolhida com os braços cruzados sobre a cabeça e corri para a porta. Louise me alcançou rindo histericamente da minha cara.


– Ah cala a boca! – Eu murmurei, em vão tentando arrumar meu cabelo. – Me ajuda com isso vai?


Louise tirou uma escova e um espelho de dentro da bolsa e eu rapidamente penteei as ondulações nervosas do meu cabelo. Quando em satisfiz entreguei-os de volta para ela com um sorriso rápido.

Pegamos um carrinho e o empurramos pelo super mercado. Olhei para a direita, senti meu coração bater com força em meu peito. Jay ficava no caixa. Ele inclinou-se preguiçosamente para trás, com um sorriso no rosto

– Meu Deus, como ele é lindo! – Murmurei para mim mesma. Cabelos escuros, pele clara, sorriso perfeito, queixo reto, um corpo largo, forte...

– Vamos! – Ela sussurrou para mim. – Vamos lá antes que ele saia para o almoço ou algo assim. – Concordei e saímos pelo corredor. Eu via como ela enchia o carrinho com matérias primas para a nossa casa. Frutas e legumes frescos, especiarias, leite, manteiga... Eu olhei para a pilha de pizzas em minha mão. Bem talvez eu não fosse uma ótima cozinheira, mas pizza era tudo com que eu era capaz de lidar.

Finalmente acabamos nossas compras e nos dirigimos ao caixa. Obviamente, ao caixa onde Jay estava, haviam duas pessoas na nossa frente e três caixas vazios do nosso lado.

– Com licença, senhorita? Eu posso atendê-la aqui. – Uma voz feminina se dirigiu a mim. Virei-me para a caixa que estava a minha direita. Ela me deu um olhar estranho quando eu balancei negativamente a cabeça.

– Uhn, não, ér... nós vamos ficar aqui. Está tudo bem, não estamos com nenhuma pressa, realmente... sabe como é né... – Deus, eu parecia uma idiota. Meu professor de gramática teria atirado bem no meio da minha fuça se estivesse ali. Eu me movimentava um pouco impaciente no lugar enquanto a fila se movia lentamente.

Enfim a fila se esvaziou,chegando a nossa vez. Esvaziei meu carrinho em cima do balcão enquanto lançava olhares incisivos ao Jay. A maneira como ele erguia cuidadosamente cada item e colocava no saco... Eu suspirei profundamente.

Patético? Sim. Definitivamente.

– Olha só isso! – Louise sussurrou para mim. Olhei na direção que ele apontava e vi Jay curvando-se para pegar um saco de batatas-fritas que havia deixado cair. Meus olhos se arregalaram quando sua jeans larga fez o contorno perfeito de seu bumbum de uma forma quase que apelativa. Lembrei-me mentalmente de agradecer a sua mãe, caso eu tivesse a chance de conhecê-la. Eu estava de boca aberta, a oitava maravilha do mundo pairava diante de meus olhos. O molho de espaguete que segurava pulou de minha mão, caindo no chão espalhando um liquido denso e vermelho. Ok, talvez, ele não tenha “pulado” mas eu gosto de pensar assim, de qualquer forma.

– Ah merda! – Eu gritei dando um pulo para longe da bagunça, esbarrando no carrinho que bateu em Louise, bem no meio do estômago, que por sua vez cambaleou para trás batendo em um stand de M&M’s. Os pacotes coloridos se espalharam por todos os lados formando um louco caleidoscópio de cores pelo chão. Louise sentou-se no meio deles, aturdida e massageando o estômago. Eu soluçava de tanto rir, tentando, sem sucesso, me segurar. Fui em sua direção. – Você ta legal? Eu sinto muito.


– Eu estou bem. – Respondeu secamente. – Estou acostumada com esse tipo de coisa.

– Ei, você tá legal? Foi um baita tombo! – Virei-me e vi Jay parado atrás de nós, com um sorriso preguiçoso no rosto. Tenho certeza de que parei de respirar por um instante. Oh Deus. Ele viu tudo! Deve me achar uma idiota! Ele se aproximou de Louise e estendeu a mão para ela, que aceitou, hesitante. Seus olhos estavam fixados nos dela e ela rapidamente encarou os próprios pés. Senti uma leve pontada de ciúmes. Louise olhou preocupada para ele e depois para mim.

– Ah, sim. Eu estou bem!... Hum, Alley Kat, você está bem? – Ela me perguntou incisivamente, esgueirando um olhar para ele pelo canto do olho. – Você não tem nenhum machucado, ou coisa assim? – Louise me encarava, enquanto meu rosto ficava tão vermelho como o molho de tomate que estava em meus sapatos. Jay desviou se olhar dela e me olhou de cima a baixo.


– Ela parece bem pra mim. – Comentou ele.

Garotas analisam as coisas demais. Isso é imutável. Está programado em nosso DNA. Minha mente cambaleou produzindo duas interpretações possíveis para a frase: ¹ Ele estava sendo sarcástico, e dizendo que eu, obviamente, estava ilesa de machucados ou arranhões. ² Ele estava dizendo que eu parecia “bem” como ... hey, talvez eu não fosse tão feia assim afinal e talvez, ele me convidasse para sair algum dia desses? O que ele realmente quis dizer? Eu estava ficando maluca? Ou estava precisando desesperadamente de um psicólogo?

– Mas e você? Você tem certeza de que está bem? – Perguntou Jay imediatamente virando seu foco novamente para Louise. Logo percebi que sua definição de “bem” se enquadrava na primeira opção. Baixei a cabeça envergonhada encarando a monstruosidade vermelha que cobria o chão a minha volta. Mas não tão vermelho quanto meu rosto deveria estar.


Um homem de meia idade, que eu supus ser o gerente do mercado veio em nossa direção. Ele estava vestindo um colete verde folha com um ridículo bótom amarelo onde se lia Kroger e tinha um desenho de uma galinha com uma legenda que gritava “Pergunte-nos sobre nossa incrível promoção de ovos!” Eu provavelmente teria rachado de tanto rir, se eu não me encontrasse em uma situação tão humilhante.

– Ah, nós temos uma bagunça e tanto por aqui heim? – Comentou com um sorriso. Eu gemia interiormente com seu tom alegre. – Bem, querida não se preocupe, vamos começar apenas com umas toalhas e uns esfregões certo?

Perguntei-me brevemente o por quê dessa obsessão em “nós”. Afinal a culpa era toda minha, eu que fiz a lambança toda. Mantive minha boca fechada, optando em mostrar um sorriso triste.

Poucos minutos depois, um dos empregados da Kroger voltou com um esfregão, um balde e panos molhados. Ele fez uma careta quando se inclinou para limpar a bagunça, consegui ouvir trechos de seus murmúrios,incluindo coisas do tipo “Maldito emprego” “Buraco do inferno” “que cheiro de merda tem esse molho” e “Idiota vadia ruiva” . Este naturalmente, foi dirigia a minha pessoa. Estreitei os olhos para seu tom, mas não disse nada. Assim que acabou de limpar o chão, ele se levantou olhando para mim com um sorriso terrivelmente falso... e então sua expressão mudou para uma de irritação suprema.


– Ei, você não é a garota que quebrou a prateleira de pães semana passada? – Perguntou desconfiado.

Eita. Minha filosofia era: Se tentarem lhe vender o pão que está fora de seu alcance, coloquem escadas para que você não tenha que subir nas prateleiras.

– Eu não tenho ideia do que você está falando. – Murmurei. Ele fez uma careta mas não disse mais nada. O vi marchar com raiva para o fundo da loja.

Finalmente, de volta ao assunto em questão. Jay ainda estava olhando para Louise, que parecia cada vez mais desconfortável com toda a situação. Ela recuou até nosso carrinho e começou a despejar o resto das compras no balcão. De repente, olhou para cima.

– Ahn, acho que vou precisar de mais molho para espaguete. – Disse ela rapidamente virando-se para Jay. – Por que você não ajuda Alley Kat a descarregar o carrinho aqui? – Não foi bem um pedido. Louise era bem exigente.

– Sim, claro. – Ele respondeu. Louise saiu em direção aos molhos, nos deixando a sós, eu mexia nervosamente em minha camisa enquanto ele terminava de registrar os produtos. Droga de conselho da Lou. “Aparência não é tudo” na teoria é fácil né? Por que eu não vesti roupas melhores? Por que não me maquiei? E por que diabos eu não conseguia ter uma conversa normal? Eu não conseguia pensar em uma única coisa inteligente para dizer a ele. Ah tá, eu não conseguia pensar em nada inteligente para conversar com ninguém afinal. Jay por fim começou a ensacar meus produtos enquanto eu observava atentamente, esperando ele olhar para mim para que eu pudesse... sei lá, dar um sorriso para ele. Mas a oportunidade não veio.

Louise voltou poucos minutos depois com o molho, que foi acrescentado em nossa conta. Eu paguei com o cartão de créditos.

– Meninas, precisam de ajuda para carregar as sacolas? – Jay perguntou.

– Si-sim. – Gaguejei.

- Claro! – Louise sorriu. Com isso partimos em direção ao meu carro, com Jay empurrando o carrinho de compras. Ele estava um pouco à frente, Louise agarrou meu braço. – Fale com ele! – Sussurrou. – Diga alguma coisa!

– Eu não consigo! – Falei baixinho. – Vamos ter que esperar até outra hora! Hoje não dá. Não depois daquilo.

– Eu vou te dar uns socos se não falar com ele agora mesmo! – Ela deu um passo para trás e me empurrou para frente, assim eu comecei a caminhar ao lado de Jay. Respirei fundo tomando coragem para falar com ele.

– Oi. Eu sou Anabelle. Anabelle Alley. Mas geralmente me chamam só de Alley.

Ele me olhou com o canto de seus olhos. – Jason. – Disse, não me ofereceu nenhum sobrenome. Bem, eu não precisava de um. Stalker como eu era, sabia o nome até da sexta geração de sua família. Tudo bem, nem tanto.


– Prazer em conhecê-lo Jason... Então... você vai para a UK*? – Perguntei nervosa.

– Sim.

– Eu também! – Exclamei como se isso fosse a coisa mais emocionante que eu ouvi o dia todo. – Hum... então? O que vai estudar lá?

– Biologia.

– Ah legal, legal. Estou estudando Química e História da Arte... estranho, eu sei. Vou estudar para sempre, eu realmente queria fazer arte, mas meus amigos estão convencidos de que vou acabar desempregada e sem teto se eu tentasse essa carreira. Então me sugeriram farmácia, que tem um enorme mercado de trabalho agora, e eu sou boa em química, então eu finalmente concordei com eles e – Eu parei percebendo que ele estava balbuciando. – Desculpe, você não quer ouvir isso tudo. Então? Você gosta de bichos e tudo o mais?

– Aham.

E assim por diante. Perguntei-lhe sobre escola, trabalho, animais de estimação, tudo o que vinha na minha mente. Ele respondeu a cada uma delas de maneira monossilábica e entediada. Por fim desisti e permaneci em silêncio até chegar em meu Jetta. Mais uma falha no departamento amoroso de minha vida.


– Bem, é aqui. – Murmurei debilmente enquanto descarregava as compras em meu carro. Jay sorriu e balançou a cabeça em sinal de aprovação.

– Belo carro. – Comentou. – Eu amo Volkswagens. Nada como engenharia alemã. – Senti minha auto-estima levantar um pouco, afinal não era toda garota de dezessete anos que tinha um carro como aqueles, então voltei a sorrir e respondi.

– É verdade. É o meu bebê. – Sorri batendo levemente na lataria prateada lisa de meu Jetta. Então me veio uma coragem ou estupidez se preferir. – Se quiser podemos dar um passeio um dia desses. – Louise sorriu feliz para mim aprovando minha ousadia recém descoberta. Ele balançou a cabeça lentamente, com um olhar pensativo no rosto.

– Você disse que é boa em química? – Disse ele de repente. Senti meus olhos se arregalarem. Então ele estava ouvindo?

– Sim! – Eu disse com entusiasmo, sabendo que me entusiasmo me fez soar como a maior nerd do mundo, completei. – Quer dizer, eu acho.

Esperei que ele respondesse, mas surpreendentemente ele disse apenas um “Legal” então, para o meu horror ele se virou para Louise.

– Então, Louise certo? – Perguntou. Ela assentiu com a cabeça inquieta. – Escuta... você não quer sair um dia desses? Eu tenho que trabalhar amanhã, mas eu tava pensando que na próxima sexta-feira seria uma boa. Vai ser divertido. – Seu tom era suave. Senti como se minha respiração tivesse sido desligada de meu corpo. Eu estava estática com a cena diante de mim, uma cena horrível e injusta. Eu mal ouvi Louise suspirar e dizer “Eu sinto muito, tenho namorado”. Porque o mundo inteiro agora era um amontoado de emoções. Eu assisti incrédula quando ele deu de ombros e voltou casualmente para a loja.

– Ah, e foi um prazer te conhecer Alice. – Ele disse como uma “reflexão tardia”

– É ALLEY! – Cuspi de volta com raiva. Virei-me de costas e me joguei dentro do carro, batendo a porta com a maior força que encontrei em mim. Olhava para frente, meus olhos desfocados e vidrados. No que eu estava pensando? Que eu teria alguma chance? Que alguém tão lindo como ele iria realmente me dar uma horinha do dia? Meu Deus, eu era idiota! Idiota, idiota, idiota!


Louise havia entrado no carro e eu nem percebi.

– Querida – Ela disse suavemente deslizando a mão pelos meus braços – Eu sinto muito. Eu não-

– Eu sei. – disse calmamente. – Você não precisa se desculpar. – Funguei ruidosamente. Ótimo! Eu ia começar a chorar agora? Patético. Patético. Patético.

Ela sorriu com simplicidade enquanto eu virava a chave de ignição. Se tem uma coisa que eu adoro em Louise é isso: Sabe quando e o que falar, mas principalmente sabe quando ficar em silêncio. Fomos para casa, nós duas em silêncio e perdidas em nossos próprios pensamentos.



n/a: UK é a Universidade do Kentucky. Gente, desculpa a demora é que eu esqueci meu login e senha... D:

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13 Re: The World Behind My Wall em Qui Nov 08, 2012 9:21 am

Oh humilhação....Tadinha da Alley...

#já passei tanto por isso....Af!Homens são tão idiotas!!

Continueeee!!!

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14 The World Behind My Wall em Ter Nov 27, 2012 9:25 pm

Capítulo Quatro - Just a Dream


-
Venha e me salve
Estou queimando por dentro
Venha e me salve
Eu não consigo sem você
Venha e me salve
me salve

-

Tokio Hotel - Rette Mich


10 de junho de 2008


Bill's P.O.V



Acordei, confuso e desorientado, deitado em minha cama.


– Aiii – Eu resmunguei.


O que havia de errado comigo? Por que minhas pernas pareciam ter sido entupidas com concreto? Por que a minha cabeça está latejante? Eu lutava para me virar na cama, gemendo. Minha cara amassada em meu travesseiro. Abri meus olhos. E o mais importante: por que eu estava deitado, ainda totalmente vestido, em cima de minha cama, que estava completamente bem arrumada?

Consegui forçar meu corpo a se sentar. Atordoado, olhei ao meu redor. Meu quarto estava absurdamente impecável. Não uma limpeza normal, porque eu nunca o deixei uma confusão completa, mas estava estranhamente primitivo, morto sabe... Eu não me lembro de ter limpado meu quarto. Será que mamãe veio aqui e fez isso enquanto eu estava dormindo ou algo assim? Estranho...

Por falar nisso... Caramba, por quanto tempo eu havia dormido? Minha mente estava lenta, eu sentia como se tivesse ficado inconsciente por semanas. Quando é que fui pra cama? Esfreguei meus olhos, tentando me lembrar... mas que estranho, eu realmente não me lembrava de nada. Tudo estava embaçado, confuso....

Fechei meus olhos. Apesar de ter acabado de acordar, eu ainda estava cansado, só queria dormir um pouco mais, e não me preocupar com nada...

Deitei-me sobre a cama, suspirando. Mas minha idéia de dormir foi frustrada pelo barulho do chuveiro no banheiro ao lado de meu quarto. Reclamei em voz alta. Não conseguiria dormir com um barulho daqueles.

Levantei-me cambaleante e tropeçando. Cheguei a maçaneta. Hum... fechada. Mas, eu não costumo dormir com a porta fechada. O andar de cima de nossa casa não tinha o melhor sistema de aquecimento, e por isso meu quarto tende a ficar muito frio no inverno e muito quente no verão se a porta não ficasse aberta. Sacudi a cabeça confuso e girei a maçaneta indo para o corredor.

Onde estava todo mundo? Estava tudo tão tranquilo... o que era uma verdadeira raridade na casa dos Kaulitz. Parei no corredor em frente a porta de meu quarto mordendo meus lábios, pensativo. Ouvi um “clic” e me virei para o lado a tempo de ver minha mãe sair de seu quarto, percorrendo seu olhar pelo corredor. Ela parecia tão abatida, e bem mais magra.

– Mãe? – Chamei, hesitante. – Você está bem? – Ela olhou na minha direção, e seus olhos se arregalaram. Ela não disse nada. Fiquei parado vendo ela caminhar até mim, espiando pela minha porta, olhando para minha cama desarrumada. Ela soltou um barulho pequeno, confusa deu meia volta.

– Mãe? – Repeti. Ela ia direto para a porta do banheiro, a segui. Bateu de leve três vezes;


– Tom? ...

– Oi, mãe?! – Ouvi a voz de meu irmão que vinha do banheiro.

– Querido... você... hum. – Ela fez uma pausa soltando um pesado suspiro. – Você foi até o quarto de Bill?

– O quê? – O ouvi responder confuso. – Não mãe... você sabe que eu não... conseguiria. – Que tom de voz era esse? Fiquei ainda mais confuso.

– Mãe! – A chamei mais uma vez quando ela roçou por mim. – O que está acontecendo? – perguntei confuso. Por que ela estava me ignorando? E por que aquele olhar apavorado? Vi mais uma vez quando ela entrou em meu quarto, e começou a arrumar freneticamente minha cama. – Mãe, eu posso fazer isso! – Disse. – Não se preocupe eu arrumo... – Ela não me olhava. – MÃE! – Eu repetia pelo que me parecia ser a centésima vez. Acabando de arrumar, saiu fechando a porta com um estalo.

– O que diabos é isso? - Eu disse em voz alta. O que era isso, algum tipo de piada sem graça? Certamente que não, se Tom fizesse isso não colocaria minha mãe no meio ...

Irritado, marchei, abrindo a porta mais uma vez.

– SERÁ QUE ALGUÉM POR FAVOR PODE ME DIZER O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? – Gritei.

Nada. A sala estava vazia, mamãe deve ter ido de volta para seu quarto e, aparentemente, todo o resto estava simplesmente me ignorando. Eu fiz uma carranca. Saco...

Eu estava de pé ao lado da porta do banheiro e podia ouvir o chuveiro ligado ainda ... Franzi a testa por um momento antes de bater na porta.

– TOM. - Gritei. – EU PRECISO USAR O BANHEIRO!

Quem é? – O ouvi dizer em resposta. - Não dá pra esperar?


– Sou eu, Bill! – Disse impaciente. – Só vou levar um segundo.

Oi? Quem é?

Frustrado, eu bati na porta novamente.

– PARA DE BANCAR O ENGRAÇADINHO E ME DEIXE ENTRAR! - Eu gritei, não me importando se a minha mãe me ouviu ou não.

Gordon? É você? – Tom parecia confuso. - Pare de bater na porta! Eu ja vou sair!

Eu xinguei alto. Qual era o problema dele? Agarrei a maçaneta da porta, e a escancarei. Tom espiou ao redor através da cortina do box, um olhar de espanto no rosto. Fechei a porta atrás de mim.

– Só vou levar um segundo - Eu disse a ele. No entanto, ele não respondeu - em vez disso, arregalou os olhos, a cor sumindo de seu rosto.

– Gordon? - Ele perguntou timidamente, estudando a porta como se fosse uma cobra venenosa. Vi quando ele pegou uma toalha e, lentamente, saiu do chuveiro, movendo-se cautelosamente em direção à entrada. Olhei para ele. Quando foi que o cabelo dele cresceu tanto? E, será que ele cresceu durante a noite? O que está acontecendo?

– Tom, o que aconteceu com seu cabelo? - Perguntei.

Nenhuma resposta. Vi quando ele abriu a porta devagar, estudando-a por um minuto. Finalmente, ele fechou-a e afastou-se lentamente, balançando a cabeça.

– Que estranho... - Ele murmurou, caminhando até o espelho e limpando o vapor.

Eu fervia.

– Esquece sobre cabelo... por que diabos vocês estão me ignorando?? É o que eu realmente quero saber!

Tom limpou o espelho. Debrucei-me contra a parede, olhando, com meus braços cruzados sobre o peito. Com o espelho já desembaçado, Tom amarrou a toalha na cintura e uma toalha menor e começou a secar seus cabelos, os dread’s estavam mais longos. Olhei para suas costas ... Eu me não lembro dele ser tão grande ... ... Olhei para cima, para encontrar seus olhos no espelho, notei uma coisa.

Algo muito, muito preocupante.

Por que, embora houvesse duas pessoas no banheiro, o espelho mostrava apenas um? Tom. Que continuava amarrando seus cabelos, aparentemente inconsciente da minha presença ... eu piscava freneticamente, inquieto lutei contra uma tontura, que ameaçava me derrubar.

Eu fiquei estático no banheiro, mesmo depois de Tom ter saído. Eu estava tremendo, encostado na parede, perturbado e fraco ... o que estava acontecendo? Como isso era possível? Uma espécie de estranho e complicado espelho de parque de diversões? Claro que não ... minha mãe nunca aprovaria uma brincadeira dessas.

Eu encarei o espelho. Nada. Absolutamente nada... era incrivelmente assustador. Eu lentamente caminhei até ele, passando minhas mãos sobre a superfície lisa. Tomei uma lufada de ar profunda, trêmulo, olhei os produtos de cabelo que estavam sobre o balcão. Peguei um pote de gel, mantendo-o no ar.

– Puta merda! - Eu disse baixinho, olhando a garrafa que misteriosamente 'flutuava' no espelho.

Impossível ...

– Eu estou sonhando. - Disse em voz alta. – É! Eu ainda estou dormindo e sonhando ... -

Coloquei o frasco de volta na bancada.

Sim, apenas um sonho. Agora é só voltar para a cama e deitar-me ... Balançando a cabeça decididamente, saí do banheiro e voltei para meu quarto.

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15 Re: The World Behind My Wall em Ter Jan 08, 2013 9:19 am

Anny V.

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Moderadora
Dai a pessoa aqui não vê que essa Fic ainda esta sendo postada, e não comenta nada. Desculpa

Eu só vi que ainda esta sendo postada por que você criou outro tópico com o mesmo nome dessa Fic, e colocou o Capitulo 5 lá. Eu acho que uma das ADM vão ter que passar pra cá aquele capitulo >.<

Aquilo no mercado com a Alley foi horrível, mas eu não culpo o Jay por isso. Ele nem ao menos sabia que ela gostava dele.

Esse capitulo 4 me deixou agoniada! Bill ta morto Sad
E agora, como vai ser as coisas sem ele?

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16 Re: The World Behind My Wall em Ter Jan 08, 2013 10:05 pm

Anny V. escreveu:Dai a pessoa aqui não vê que essa Fic ainda esta sendo postada, e não comenta nada. Desculpa

Eu só vi que ainda esta sendo postada por que você criou outro tópico com o mesmo nome dessa Fic, e colocou o Capitulo 5 lá. Eu acho que uma das ADM vão ter que passar pra cá aquele capitulo >.<

Aquilo no mercado com a Alley foi horrível, mas eu não culpo o Jay por isso. Ele nem ao menos sabia que ela gostava dele.

Esse capitulo 4 me deixou agoniada! Bill ta morto Sad
E agora, como vai ser as coisas sem ele?

Anny, a burra fui eu mesma. Eu estava com pressa e com sono, acabei clicando no icone errado na hora da postagem, mas ja ja vou corrigir esse erro! Obrigada!

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17 The World Behind My Wall em Ter Jan 08, 2013 10:28 pm

Capítulo Cinco - Gato de Cheshire

~
Eu estou enlouquecendo
Então, onde eu estou agora?
De cabeça para baixo
E eu não não posso parar agora
Não pode me parar agora
~

Avril Lavigne - Alice


Alley's P.O.V


Algumas pessoas dizem que chafurdar na auto-piedade é uma coisa ruim. Que você deve sempre olhar para frente, tentar encontrar as coisas positivas sobre cada situação, e aprender com seus erros.

Obviamente, essas pessoas são umas idiotas por excesso de otimismo que nunca tiveram seu coração quebrado por um garoto do supermercado.

Fiquei olhando a televisão. Estava passando Saturday Night Live, mas eu não sintia vontade de rir. Nem mesmo quando Sean Connery disse que levaria 'Famous Titties' por US $ 200, (em vez de 'Famous Titles') em Celebrity Jeopardy. Normalmente, neste momento, eu estaria rolando no chão em um ataque de risos. Louise sempre disse que eu tinha o riso mais indisciplinado que ela já tinha ouvido... ou visto.

Peguei o controle remoto e zapeei aleatoriamente pelos canais. VH1 estava tocando Def Leppard: Behind the Music. MTV mostrou algumas loiras bundudas se empinando sobre um palco em um vídeo de música típica. Tratei de mudar de canal. Alice no País das Maravilhas estava passando no canal Disney, e eu deixei-o lá por alguns instantes, imaginando o que no mundo Lewis Carroll havia fumado quando escreveu a história original. Nem mesmo o Discovery Channel, com o seu documentário sobre os hábitos de acasalamento dos dragões de Komodo, me interessou. Eu realmente não sentia vontade de assistir TV, mas não havia mais nada para fazer. Louise tinha ido para a cama, como ela tinha que se levantar em algumas horas para ir trabalhar na parte da manhã, então eu fui deixada sozinha na sala de estar com a minha depressão débil. Uma vez que eu já havia passado por todos os canais, finalmente joguei o controle remoto para o lado com desgosto.

Arrastei-me para o nosso som da sala. Tinha entrada para 5 discos, dois decks, e até mesmo um tocador de vitrola no topo, o que eu achei muito legal. Plantei-me na frente dele, abrindo a porta de vidro transparente que cobria os controles. CDs foram espalhados ao seu lado. Música, eu pensei. Se a música não me fizer me sentir melhor, nada mais o faria. Mas tinha que ser a música perfeita. Uma canção para a rejeição.

Matchbox 20? De onde diabos veio isso? Certamente não era meu. Eu joguei de volta na pilha. Pearl Jam, Soundgarden, Nirvana? Nenhum deles me atraiu no momento. Eu queria sentar e me acalmar por uma voz suave e simpática, não ouvir lunáticos, gritando o grunge de Seattle. Após descartar meia-dúzia de outros discos inúteis, avistei um CD jogado discretamente ao lado. A trilha sonora do filme Pleasantville. Eu me esforçava para lembrar o que estava no disco. Buddy Holly, Elvis, MilesDavis, Etta James ... e Fiona Apple, se bem me lembro. Eu balancei a cabeça. Sua entrega, a Moody melancólico era perfeito para o meu temperamento atual.

Deitei-me no chão, pegando um par de enormes... enormes fones de ouvido preto e pus o disco no leitor. Utilizando o controle remoto, eu selecionei a décima música, ouvindo Fiona, louca como ela poderia ser, perfeitamente articulando à minha dor.

"Just because I'm ... In misery...I don't beg for no sympathy"

Ela sussurrou em meu ouvido, a voz dela a escolha perfeita para letras Percy Mayfield. " But if it is not asking too much, Please send me someone to love" Fechei os olhos, perdida na canção, deixando que o disco rolasse completamente. Quando a última música terminou, eu apertei o off do estéreo. Bem, eu me sentia um pouco melhor. Talvez, assim, um centésimo de um por cento fracionada melhor.

De repente senti uma lambida quente em meu ouvido. Meu gato listrado, Chester, se esfregou contra mim e ronronou alto. Eu sorri. Talvez ele não fosse um rapaz lindo, mas pelo menos ele me amava. Acariciei sua pele, muito macia e perguntei-lhe o que queria fazer a seguir. De repente, ele miou estridentemente para mim. Olhei para ele, franzindo os lábios. Isso soou como o miau "Eu estou com fome, quero comida agora, caramba!" Eita. As pessoas pensavam que eu comia muito, mas Chester me ganhava em disparada. Quantas pessoas podem dizer que possuem um gato que pesa quase 20 quilos? Ele é monstruoso.

– Chester, você não precisa de nenhuma comida ... você já passou do estágio obeso, já esta chegando a morbidez – Olhei para cima em direção à cozinha.

Comida. Pensei. Essa é uma ideia brilhante. Meu estômago roncou, em seguida, na verdade, no pensamento de encontrar algo para comer. Contornando o meu gato, que parecia muito animado com esse novo rumo dos acontecimentos, eu fui para a porta e entrei na cozinha.

Cambaleei no escuro. Eu não me preocupei em acender as luzes. Abri os armários, ruidosamente atirando para fora caixas e sacos de comida. Biscoitos, e batatas fritas de cebola?... Nah. Eu estava com vontade de algo doce, e muito doce. Chester miou com raiva para mim quando ele percebeu que eu não estava alimentando ele, mas a mim mesma. Eu o encarei.

– Desculpe, mas eu acho que eu preciso disso mais do que você agora - Conversando com o gato. Deus, eu sou tão patética. Não é de se admirar que Jay não se interessa por mim...

Eu tinha praticamente esvaziado o conteúdo do armário no chão e, com exceção de alguns itens no canto mais ao fundo, Eu tentei ver o que eles continham, mas como eu não tinha ligado a luz,isso era inútil. Fiquei de pé, tateando os pacotes no chão e finalmente agarrei um. Cookies? Eu agarrei o pacote, puxando-o, e apertei os olhos na penumbra. Famous Amos. Porra eu amo cookies Famous Amos! O pacote já estava aberto, então eu mergulhei a mão e agarrei um punhado.

Sentei-me no chão, descansando a cabeça contra os armários inferiores. Havia caixas de comida ao meu redor - parecia que uma mulher grávida tinha atacado o local. Peguei outro punhado e mastiguei com gosto. Os biscoitos foram sendo digeridos em minha boca, e meio que tinha um sabor estranho, mas eles eram doces o suficiente para mim, e isso era tudo o que eu precisava. Enfiei mais um punhado na boca. E mais outro. E outro ...

Chester me abordava, miando tão alto que eu tinha certeza de que meus vizinhos podiam ouvir. Jesus, quem conhecia de gatos podia me dizer se era normal eles terem um par de pulmões desse tipo? Ele começou a engatinhar no meu colo, farejando, indo para o saco aberto. Eu gritei, segurando o saco no alto para que ele não pudesse enfiar o nariz peludo dentro dele.

– Não! - Eu disse alto - Não! Não é pra você. Senta!

Não estava adiantando e eu tive que empurrá-lo a força para o lado. Ele sibilou com raiva e saiu.

– Seja um bebê chorão, então! - Eu murmurei. - Eu só estou tentando te ajudar ... os gatos não podem comer chocolate, caso não saiba ...- Disse enquanto enfiava a mão no pacote, peguei outro punhado e mastiguei.

– Alley? Que diabos você está fazendo? - A luz veio de repente e meu espírito quase abandonou meu corpo. Eu olhei para Louise, a minha boca aberta, cheia de migalhas do bolinho. A devo ter acordado com todo esse barulho por ter gritado com o gato. Eu mastigava furiosamente e engoli antes de responder.

– Eu estou tendo o meu momento de auto-piedade, Louise.Quer se juntar a mim? - Eu levantei o saco de biscoitos como oferta. - E o que você está fazendo? Eu pensei que você estava dormindo.

– Bem, eu estava, mas então eu ouvi todo esse barulho e vim para cá ver o que tava acontecendo. - Louise estendeu a mão e a colocou dentro do saco, tirando quase no mesmo segundo. - Minha nossa, você comeu o saco inteiro?

– Sim. Sinto muito.

– Eu juro, você deve ter o metabolismo de uma criança de seis anos de idade ... - Ela balançou a cabeça.


– O corpo de uma também - Eu murmurei.

– Bem, tudo o que eu sei é que... - Ela parou abruptamente – Alley? –- Ela segurou o cookie na palma da mão, o rosto de repente assumiu uma tonalidade diferente, inquieto doente. Eu franzi minhas sobrancelhas, confusa.

– Sim?

– Qual é a data de validade desses cookies?

– Eles têm uma validade? – Validade? Eu nem tinha pensado nisso...

Ela rapidamente pegou o saco de mim, olhando para a embalagem.

– Oh, Deus ...

– O quê? - Eu exigi.

Ela segurava o saco, encolhendo-se.

– Janeiro de 2007 ...

Meu queixo caiu. Deus, eu era uma idiota.


– O QUÊ? - Gritei. – Quer dizer que eu comi cookies com 18 meses de validade?

Ela cobriu a boca com uma mão, parecendo enjoada. Com a outra mão, ela lentamente me entregou o biscoito que ela tinha acabado de retirar do saco. Estendi a minha mão, relutantemente aceitar.
Oh, não. Olhei para o cookie com horror. Era verde. Grandes manchas de mofo peludo o cobria, como bolinhas. Agarrei minha barriga, imaginando o estrago o mofo estava causando em minhas entranhas.

– Será que tem como meu dia ficar pior? Quer dizer, honestamente! - Eu lamentei. - Agora eu vou morrer de intoxicação alimentar ...

– Alley, querida, como você não percebeu? Estão cobertos de ... Oh meu Deus ...

– Porque eu sou um idiota. Um idiota, grande idiota, que é preguiçosa demais até para acender as luzes quando ela entra na cozinha. - Funguei alto, enterrando meu rosto em minhas mãos. Eu não tinha certeza se era o o acontecimento em si, ou apenas o pensamento do que havia acontecido que repentinamente fez com que eu me sentisse doente. - Eu acho que eu deveria ter escutado a você todas as vezes que você me disse para ser menos afobada e realmente saborear minha comida.

Louise suspirou.

– Vamos lá. Levante-se. Não há nada que possamos fazer sobre isso agora. O dano está feito.

Não protestei quando ela agarrou meu braço e me levantou de meus pés.

– Vamos lá, vou te levar para a cama. Tenho a sensação de que você vai precisar de muito descanso agora ...

– Descanso? Estes podem ser os meus últimos minutos de vida, Louise - Eu murmurei, me arrastando atrás dela para subir as escadas. Eu agarrei meu estômago com uma mão, sentindo que começava a se agitar. - Então, se você tiver qualquer palavra amável para me dizer antes de eu partir...

– Pare de ser tão melodramática. Você vai ficar bem... você pode enjoar, mas você vai ficar bem. – Cheguei a meu quarto, onde fui imediatamente empurrada para a cama. - Me enrolei formando uma pequena bolotinha no edredom.

– Louise? - Chamei.

– Sim?

– Por que eu sou uma perdedora?

O suspiro que ela soltou em seguida soou como uma lufada de furacões que sai de um tubo de drenagem.

– Alley, querida... você não é uma perdedora. Você é um ser humano. - Ela se aproximou de minha cama. - Ah, no caso de você ficar enjoada a noite - Ela apontou para a lata de lixo que havia colocado do lado de minha cama. - Eu vou buscar um copo d'água... Mas eu não vou te dar um anti-náuseas, porque eu acho que provavelmente seria melhor se você ... esvaziasse seu estômago.

– Você provavelmente está certa - Eu murmurei, entocando o meu rosto no travesseiro. Ouvi-a sair, e minutos depois, ela voltou para cima, com um copo gelado de água. Vi quando ela colocou no criado-mudo.

– Obrigada - Eu disse suavemente.

– De nada. - Virou-se e então ela puxou a minha cadeira do computador ao lado da cama e se sentou.

– O que você está fazendo? - Eu perguntei.

– Eu vou esperar com você um pouco, no caso de você precisar de alguma coisa. Até que você durma.

– Louise ... – Eu realmente parecia uma criança? - Você não precisa fazer isso.

– Bem, se você passar mal, eu não quero que você esteja sozinha ...

– Volte para a cama - Disse. Sentia-me culpada o suficiente acordando-a em primeiro lugar. E agora ela estava esperando só para se certificar de que ficaria tudo bem comigo? Ela tinha que levantar às cinco da manhã ... - Eu vou ficar bem - Insisti.

– Alley ...

– Eu vou ficar bem - Repeti. - Além disso, não sou eu quem tem que acordar cedo aqui.

– Certo, certo ... - Disse com um suspiro. Ela se levantou. - Eu vou voltar para a cama. Mas ouça, me acorde, se você começar a sentir muito mal, ok?

– Ok. - A vi recuar em direção à porta. - Você deveria ter muitos filhos, Louise ... você seria uma ótima mãe.

– Eu, crianças? - Ela parou na porta e sorriu. - Nah. Estou pensando em ser a tia perfeita que estraga os seus filhos, Alley.

Pensei em dizer-lhe que as crianças são produzidas através do ato sexual, o que envolve um membro da espécie masculina, que era algo que eu ainda tinha que atingir, mas eu pensei melhor. Eu não estava com disposição para uma palestra de auto-estima, principalmente quando eu estava me sentindo enjoada. Em vez disso, eu simplesmente sorri.

– Você seria uma ótima tia também - Disse.

Ela sorriu e acenou com a cabeça.

- Claro que sim. Alguém tem que tem que corrompê-los adequadamente.

Eu ri baixinho e mergulhei mais fundo no edredom. - Boa noite - Eu murmurei.

– Boa noite. E lembre-se, venha me chamar se precisar. – Ela começou a sair, e parou, voltando-se para me olhar uma última vez. Estava escuro, mas seu perfil foi iluminada, para que eu pudesse ver um sorriso triste em seus lábios. - O que eu vou fazer com você, Alley Kat?

Eu não respondi. Em vez disso, só fechei os olhos, exausta com os acontecimentos do dia, rezando para ter um descanso. Ouvi a porta fechar suavemente.Surpreendentemente, eu comecei a sentir sono quase que imediatamente. Rolei sobre minhas costas, gentilmente cobrindo meu estômago borbulhando com minhas mãos, esperando que eu estivesse inconsciente em breve.

Boa pergunta, Louise, eu pensei que ela voltou para seu quarto. Porque Deus sabe que eu não consigo cuidar de mim.


~



Eu estava presa em um labirinto, com grama impecavelmente aparada, corri, persegui desesperadamente alguém que eu era incapaz de acompanhar. No sonho, eu sabia de alguma forma, porque você sempre sabe apenas em sonhos, que essa pessoa era a chave. Que ele (porque mais uma vez, embora eu não tenho visto o rosto dessa pessoa, eu só sabia que era um "ele") sabia o caminho, e se eu queria fugir, eu precisava dele. Eu estava correndo tão rápido quanto pude, mas era completamente inútil ... havia grandes pedras no caminho, e minha velocidade foi diminuída quando tropecei, o que aumentou a distância entre nós ainda mais. Finalmente, cheguei a um conjunto de caminhos bifurcados, e parei, sem saber qual caminho que ele tomara.

– Espere! - Eu gritei, ofegante, encostando-me nos arbustos espinhosos. - Por favor, espere por mim ... - Minhas pernas tremiam por causa do esforço, e eu lutei para ficar em pé. Não houve resposta, apenas o assobio do vento soprando nos meus cabelos. Eu lutei contra as lágrimas com raiva. Eu não sabia o que fazer ... para onde ir ... Fantástico. Eu estava perdida, presa para sempre entre as altas cercas vivas e irritantemente aparadas.

Frustrada, girei e chutei uma das pedras com toda força que tinha. Ela navegou pelo ar, batendo contra o chão e rolou para longe, quando eu ouvi um grito de indignação.

– Eu acho que você deveria se desculpar por isso. - Devagar me virei, meu coração batendo no meu peito. Eu pensei que estava sozinha...

Apenas um pouco a minha frente, um gato gordo e peludo, de repente apareceu, cuidadosamente lambendo as patas ... só que, não era o meu gato. Chester certamente não têm listras rosas e roxas ... Este gato parecia que tinha caído em uma caixa de tinta guache. Ele olhou para cima, e ... sorriu. Um enorme, sorriso mostrando os dentes. Mas como assim? Gatos não podem sorrir ...

– Perdeu algo? - Perguntou ele. Esqueça o que eu disse sobre sorrir. Desde quando os gatos falam? Percebi, então, a pedra que eu tinha chutado caída ao lado dele. Devo ter-lhe acertado acidentalmente.

– Desculpe por isso ...- eu disse lentamente. O gato apenas assentiu com a cabeça - Eu não vi você.

– A maioria não vê ... - Eu olhava, maravilhada, como o gato de repente, desapareceu no nada, parte por parte ... primeiro as orelhas, o rabo ... o nariz e os olhos, as pernas ... até que tudo o que restava era aquele sorriso medonho. Não é à toa que eu acidentalmente o acertei mais cedo ... que tipo de criatura poderia tornar-se invisível? Pisquei. Espere um minuto ... gato de Cheshire? Ah, entendi ... Alice, Alley ... nomes parecidos, certo ... Agora, onde está a rainha ou o Chapeleiro Maluco?

O momento mais surreal, desorientando que você pode eventualmente ter um sonho é o momento em que você realmente torna-se consciente de que você está sonhando. Quando você para de levá-lo tão a sério, porque você percebe que toda a loucura é apenas um produto da sua imaginação hiperativa. Você permanece neste mundo irreal, incapaz de controlar suas palavras ou seus atos, simplesmente aguardando o momento em que sua mente vai acordar. É muito chato para falar a verdade.

– Então ... - Eu não poderia me impedir de falar novamente, apesar de me sentir muito idiota por fazer isso. - Qual caminho devo seguir? - A pergunta surpreendeu até a mim. O que ele vai fazer, puxar um mapa do bolso inexistente e me dar as direções?

– Bem, isso depende de onde você deseja chegar.

– Eu ... eu não sei, não sei de quem, ou do que, eu estou atrás, exatamente ...

– Então, o caminho que você escolher realmente não importa.

Ok, isso não me serviu nenhuma maneira ... claro, eu não estava certa porque eu esperava a intervenção de um gato de cor beterraba falante...

– Obrigada. - Murmurei. - Você realmente me ajudou bastante.

– De nada. - Olhei para cima, seu sorriso cresceu de uma forma assustadora e medonha. Era enervante. Cambaleei alguns passos incertos para trás e gemi, agachando-me e enterrando meu rosto e minhas mãos. Quando finalmente olhei outra vez, o gato tinha sumido. Depois de alguns minutos de sua partida, eu suspirei.

– Ótimo! - Murmurei. - Estou perdia, sozinha, no meio de um sonho que está me deixando maluca...

– Perdida? Talvez. Sozinha? Nunca. - Olhei ao meu redor, confusa procurando pela voz. De repente, o sorriso apareceu, flutuando no ar como uma espécie de balão com gás hélio, formando uma meia lua. - Louca? Claro que sim. Somos todos loucos aqui... você é louca... na verdade, você deve ter notado que eu não estou totalmente aqui...

Lentamente, o resto do corpo apareceu, uma parte de cada vez, até que mais uma vez o gato completo estava sentado no chão na minha frente.

– Como você faz isso? - Perguntei.

– Fazê-lo?

– Isso?

– O quê?

– De quem?

– Eu perguntei primeiro.

– Não perguntou nada! - Eu estava terrivelmente confusa. Me sentia uma imbecil por não conseguir ter uma simples conversa com um gato, e mais imbecil ainda por ter tido esse pensamento ilógico. Franzi minha testa e voltei meu olhar para o labirinto... tudo parecia ser melhor do que ficar por aqui com essa coisa estranha.

– Você precisa se apressar. Ele está esperando por você.

– Eu duvido muito ... - Eu disse, perplexa. - Eu não posso alcançá-lo, mesmo se eu soubesse pra onde ele foi. Já deve estar a milhas de distância...


– É ele logo ali?

O tom da sua voz era divertido e um pouco condescendente. Eu o ignorei e mordi meu lábio, avaliando as minhas opções. Eu poderia apenas esperar por aqui até que eu acordasse ... mas isso significaria ter de gastar mais tempo na companhia do gato, e ele era realmente irritante. Aparentemente eu não tinha paciência, mesmo quando inconsciente. Comecei a tomar um passo hesitante em direção ao caminho do lado direito quando ele falou de novo.

– Ah, a propósito, ele foi por aqui. - Quando eu rodei a cabeça para olhar, o gato tinha uma pata-cor-de-rosa levantada no ar, indicando o caminho para a esquerda. Ele deu um sorriso medonho uma última vez antes de desaparecer.

– Obrigada - Disse com a voz pastosa, mas não obtive uma resposta. Ele foi embora de novo e, aparentemente, desta vez, não iria voltar. Suspirando, eu segui as suas indicações, tomando o caminho certo...

Virei em uma curva e, a partir do canto do meu olho, peguei um flash de movimento. As sebes se movimentaram à frente, como se alguém tivesse passado por elas. Eu franzi minhas sobrancelhas... Era ele? Como isso era possível? Certamente ele deveria estar a quilômetros na minha frente agora. Acelerei meu passo, esticando o pescoço para verificar os outros cantos. Eu parei, ouvindo passos suaves logo a minha frente.

Que droga ... é só um sonho. Poderia muito bem ver quem é ...

– Hey! - Gritei. - Devagar! - Naturalmente, isso não funciona com todos - na verdade, eu tive certeza que ele acelerou ainda mais. Mesmo nos meus sonhos, os caras estavam correndo em outra direção. Eu fiz uma carranca e corri em alta velocidade, pulando sobre as pedras e pelas cercas cortantes. Em um ponto, eu sabia que estava perto - ele estava ao virar da próxima esquina, se eu pudesse intensificar minha velocidade um pouco mais...

Obviamente, esse seria o ponto onde a minha graciosidade natural - ainda evidente, mesmo no mundo dos sonhos - entrou em cena e efetivamente arruinou qualquer chance de alcançá-lo. Senti meu pé pegar em uma das rochas, e a próxima coisa que eu sabia, eu estava navegando através do ar, minha força me impulsionando para frente. Eu vi o caminho de terra vindo em minha direção e se encolher, embora eu sabia que não ia doer. Eu bati no chão duro, gritando.

~



– ARRE! - Eu acordei ereta na cama, batendo a mão sobre meu peito. Gotas de suor se formavam em minha têmpora, e lentamente escorria pelo meu rosto, traçando linhas molhadas através da pele – Jesus! - Engoli em seco - Que sonho mais ferrado - Gato de Cheshire? Labirintos? Isso iria me ensinar não ver mais televisão antes de ir para a cama.

Eu caí para trás contra os travesseiros e tentando voltar a me orientar, o que era uma coisa difícil, eu me sentia ainda mais doente do que antes de ter adormecido. Combine isso com uma sensação de tontura incontrolável, e, bem ... de repente eu estava muito contente por ter a lata de lixo ao lado de minha cama. E Deus, eu estava com sede. Estendi a mão, timidamente para o copo de água que Louise tinha deixado para mim. Minha mão o agarrou e sentei-me a meia altura, embebedando-me. Eu queria mais ... minha boca ainda parecia que estava recheada de areia. Inclinei-me e acendi a luz, encolhendo-me quando ela queimou meus olhos dilatados.

E então eu gritei com toda a força de meus pulmões.

Havia um menino estranho sentado na cadeira do meu computador na frente da janela. Ele tinha cabelo preto macio que lhe caía em torno de seu rosto, e até mesmo à luz da lâmpada fraca eu podia ver seus olhos profundos e castanhos. Sua pele era lisa e muito branca. Embora que ele estivesse sentado, eu poderia dizer que ele era alto pela maneira que suas pernas estavam abertas. Ele estava com uma camiseta preta confortável e calças cáqui. Basicamente, ele personificava o que eu sempre tinha retratado como aparência de Adônis, exceto com calças cargo, Doc Martens, cabelo escuro e um pouco mais afeminado na aparência do que eu imaginava. Mas, sendo Adônis ou não, ele estava invadindo minha propriedade.

Ele olhou assustado com o meu grito, na verdade, quase com medo mesmo.

– Quem é você? - Eu perguntei, minha voz tremendo, apesar de meus esforços para soar dura e ameaçadora. Eu queria acrescentar mais uma ameaça, mas eu estava chocada demais para até mesmo pensar em qualquer outra coisa.

Ele me olhou, aqueles belos olhos castanhos se alargando. Seu queixo caiu.

– Você pode me ver! - Ele sussurrou. - Oh, meu Deus ... você pode me ver ...

– Eu vou chamar a polícia. - Eu ameacei. Onde estava o meu telefone? Meus olhos se lançaram ao redor, buscando freneticamente o meu aparelho. Oh, Deus ... Se eu tentasse gritar novamente, será que Louise conseguiria me ouvir, mesmo através da nossa porta fechada?

Ele ainda estava gaguejando.

– Você, você pode me ver! - Foi minha imaginação, ou seus olhos brilhando com lágrimas não derramadas? Vi, com horror, como ele se levantou e começou a caminhar em minha direção, sua expressão congelada em choque.

– Cai fora! - Eu gritava estridentemente, puxando meu edredom em volta de mim para cobrir meu corpo. Para minha surpresa, ele concordou, parando e andando lentamente para trás até que ele estava sentado na cadeira novamente. - Quem é você e o que você quer? - Eu consegui sussurrar. - É dinheiro? Pode levar. Tem mais na minha mesa, há uma jarra com mais de 500 dólares...

– Não, não ... - Ele disse. Eu não conseguia entender a perplexidade em seu tom. Jesus, eu não era cega, e é claro que eu poderia vê-lo. - Eu... eu sinto muito, eu não queria assustá-la. Mas ... você pode me ver, certo? Você pode ver que eu estou aqui?

Ele é louco. Esse é o que o seu problema. Lindo, porém fodidamente louco. Meus olhos dispararam de novo, finalmente avistando o telefone no chão, ao lado de minha mesa. Se eu pulasse ali, e ele se assustasse, talvez eu poderia obtê-lo antes que ele o fizesse ... - Eu vou chamar a polícia! - Repeti.

– Não, por favor, ouça ... - ele começou a falar, mas eu não ouvi uma palavra. Eu estava muito ocupada tentando descobrir uma maneira de sair dessa bagunça ilesa. Bem, minhas ameaças de chamar a polícia não parecia intimidá-lo, então eu tentei outra tática.


– Ok, amigo, eu sei taekwondo, por isso, se você sabe o que é bom para você, você sai agora! - Eu rosnei, interrompendo-o. Bem, isso foi realmente uma mentira total, como o meu "método" de auto-defesa envolveria provavelmente a chutá-lo diretamente nas partes baixas e sair correndo, mas me pareceu uma boa idéia mesmo assim.


Ele olhou para mim.

– O quê? Eu não vou te machucar. Escute, eu preciso de sua ajuda ... por favor, só me escuta ...


– Ajuda? - Eu repeti. Ajuda com o quê? Ciência da casa? Isso é tudo que eu poderia servir. Eu estudei sua fisionomia, tentando lembrar porque ele parecia tão familiar para mim, quando eu tinha certeza que eu não o tinha visto pelas redondezas. Eu estava bastante certa de que eu lembraria se visse alguém tão atraente andando ao por aqui. - Quem é você?


Ele me olhou bem nos olhos, na verdade, parecendo um pouco surpreso de que eu ainda não sabia.

– Meu nome é Bill.


– Bill ... - Eu parei, indicando que queria um sobrenome. Eu estava chocada, ainda freneticamente tentando pensar no meu melhor método para escapar. Olhei para o relógio na minha cabeceira. 05:34. Droga. Louise já tinha saído para o trabalho ... o que significava que eu estava sozinha em casa. Olhei para ele. Ele não parece tão forte assim, eu pensei. Talvez eu pudesse derrubá-lo ... Eu estudei a meu abajur, imaginando-me levantando e quebrando sobre sua cabeça.


– Kaulitz - Completou. - Bill Kaulitz.


Parei, resistindo à vontade de cair na gargalhada.

– Kaulitz? - Eu repeti, incrédulo. – Como os do Tokio Hotel?

Ele parecia muito irritado com o comentário.

– Sim.

Eu olhei para ele, tentando ignorar a tontura inquietante em meu estômago

– Bem, eu devo atirar em você agora.

– Por favor, não. - Ele não gostou da minha resposta. - Agora, se você me deixar explicar...

Ignorei tudo o que ele dizia nos próximos dez minutos ou mais. Kaulitz? Que porra é essa? O que estava acontecendo aqui? O que Bill Kaulitz, a estrela pop / extraordinário símbolo sexual estaria fazendo sentado na cadeira do meu computador no meio da noite? E como ele conseguiu chegar aqui? Pela da janela? Eu nunca trancava, eu nunca pensei que eu teria a necessidade. Meu quarto ficava no segundo andar, seria necessário um ato de guerrilha para subir pelas minhas janelas... então com certeza não. Será que eu me esqueci de trancar a porta de baixo?


No entanto ... Bill Kaulitz? O quê? Não fez sentido algum ... por que ele estaria aqui? O que ele queria? Hmmm.Talvez ele tivesse ouvido dizer que uma garota chamada Anabelle do Kentucky passou a maior parte de 2005 tirando sarro da sua banda de garotas ... E se ele tivesse me caçado para e planejando me matar por isso? Muitas dessas celebridades iam ao fundo do poço. E se ele pretendia me raptar e me levar de volta ao seu esconderijo secreto e me fazer sua escravo? E se ele planejava abusar de mim?

Concentrei minha atenção de volta para ele brevemente, observando seu corpo magro e rosto lindo. Bem, talvez essa última não seria tão ruim. Na verdade, não seria considerado abuso se fosse consensual, certo? Errr ...

– E eu estava andando por aí fora, porque eu precisava de um pouco de ar fresco, e quando eu voltei para minha casa -


Minha nossa, ele ainda estava falando? Sacudi meus pensamentos tentando ouvir.

– Então, quando eu acordei, eu estava deitado lá fora, na sua poltrona - ele dizia.


Acordou?

Oh, Deus. Claro ...

– Eu ainda estou sonhando! - Disse em voz alta, interrompendo seu longo discurso. Um alívio tomou conta de mim.Ainda sonhando ... Uau, isso foi seriamente estranho. gatos de Cheshire, labirintos e, agora, Bill Kaulitz? O que dava uma estranha combinação. As imagens do gato e do labirinto pode ser explicado pelo fato de que eu tinha visto na TV, mas eu ainda não tinha dado um segundo de meu pensamento para o Tokio Hotel nos últimos anos. - Eu nunca mais como aqueles biscoitos de novo ...


– O quê? - Ele olhou para mim. - Você não está sonhando, eu estou realmente -


– Claro, claro - Eu disse com desdém. - Mas eu estou cansada, e eu vou voltar para a cama. Só não se esqueça de me acordar quando as Spice Girls chegarem. Ah, e ouvi dizer que Justin Timberlake está vindo para o chá da tarde, assim que chegar pode deixá-lo entrar.


Ele deixou escapar um ruído irritado, como uma espécie de resmungo indignado.
– Isso não é engraçado! Eu..


– Ok, me desculpe - Eu interrompi. Qualquer coisa para fazê-lo calar a boca e me deixar voltar a "dormir" . Ele estava pior do que o gato. - Tudo o que você quiser, Bill. - Bocejei, deitando-me em minha cama. - Boa noite.


– O-o que? ... Eu o ouvi resmungar catódico - Ouça-me!


Eu o ignorei, enterrando meu rosto no edredom macio. E eu tentava bloquear todos os pensamentos mais loucos de Bill Kaulitz ou gatos estranhos Cheshire. Estava relaxada, já não lutava contra a sensação de tontura que vinha ameaçando-me durante a nossa conversa inteira.

- Bill Kaulitz - Eu repeti sonolenta pouco antes de minha vista se tornar preta - Mas que merda...

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18 Re: The World Behind My Wall em Qua Jan 23, 2013 5:27 pm

Anny V.

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Moderadora
Confesso que tive que repartir esse capitulo em dois, pra eu ler um pouco de cada vez. Ele é enooorme.

Esse foi o sonho mais estranho que eu já vi descrito Hahaha
Duvida: Bill já estava no sonho dela, certo?
Só que ela não viu.
Eu ri da ironia no fim quando ela falou das Spice Girls e Justin Timberlake Hahaha
Será que quando ela acordar, o Bill ainda vai estar por lá?

Eu pensei que ela também iria morrer por causa do biscoito mofado que comeu, dai ela ia se encontrar com o Bill. Mas não foi assim que aconteceu Razz

Contiiiinua ^^

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19 The World Behind My Wall em Qua Fev 06, 2013 10:18 pm

Capítulo Seis - Passado

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A chuva cai, ela não pode tocar o chão
Eu me lembro de uma casa vazia.
Você disse que eu estou bem,
mas eu ainda me sinto quebrado
_

Tokio Hotel - That Day


Bill's P.O.V

Era como se eu estivesse ido aquela feira que meus pais costumavam nos levar, quando éramos jovens, um daqueles lugares com alimentos gordurosos, fritos, mostra de animais e baratas em vidros de maionese. Tom me arrastava para a montanha russa todas as vezes que nós fomos, apesar de meus protestos enfáticos. Eu odiava ficar girando loucamente e me sentir desorientado, com náuseas, e esgotado.

Era mais ou menos assim que eu me sentia quando acordei do meu cochilo ao ar livre. Minha cabeça estava desnorteada, como se eu tivesse sido centrifugado em uma máquina de lavar roupas. Eu nunca tinha experimentado a vertigem antes, mas eu tinha certeza que era isso que parecia. Eu gemia, esfregando o rosto com as mãos.

A primeira coisa que ouvi foi uma risada. Alta, irritante e estridente gargalhada. E então as vozes. Que eram igualmente altas e irritantes.


– Haha! Jessica! Oh meu Deus, anda logo! Eu estou desmaiando!

– Eu não consigo encontrar minhas chaves!

– Cara, eu to muuuito bêbada ...

Eu resmunguei enquanto me sentava. Onde eu estou? Eu me perguntava grogue. Eu refiz mentalmente meus passos ... ok, eu tinha ido dar uma volta fora de casa ... voltei ... a porta estava trancada, então eu me deitei na espreguiçadeira na nossa varanda ... e, então, eu provavelmente adormeci.

– Você viu aquele cara com quem eu estava falando? Ele era tãão gato...

Quem eram aquelas meninas, e que eles estavam fazendo tão perto da casa? Será que alguém invadiu? E, era impressão minha, ou elas estavam falando em inglês?...

Eu balancei minha cabeça pela primeira vez percebendo o que estava ao meu redor. Eu ainda estava deitado em uma espreguiçadeira... porém, eu estava cercado por um bloco de casas suburbanas. Eu olhei para baixo, descobrindo que não era minha poltrona e, obviamente, nem mesmo a minha casa. Olhei em volta, espantado com as casas estranhas.

Levantei-me e caminhei até a beira da varanda, inclinando-me sobre o muro. Eu tinha uma visão perfeita e desobstruída da porta da frente.


– EI! - Eu chamei por elas - Que lugar é esse? - Elas não se viraram. Eu tentei novamente, desta vez muito mais alto. - EII! VOCÊS PODEM ME OUVIR? - Ainda nada. Merda.

– Ótimo - eu murmurei. - Ainda invisível...


– Eu consegui! Ela estava na minha bolsa o tempo todo! - Eu assistia, perplexo, como a menina gritou e ergueu a chave, pulando para cima e para baixo. Elas conseguiram abrir a porta de casa e entraram. Eu considerei a ideia de segui-las, simplesmente para tentar descobrir onde eu estava e o que estava acontecendo, mas acabei me decidindo pelo contrário... Onde diabos eu estava, exatamente?


Virei-me e lentamente desci os degraus da varanda, chegando até a calçada. Olhei novamente para a casa de onde eu tinha acabado de sair. Era uma casa bastante simpática, simples, de dois andares, de tijolo, com persianas de cor escura. Grandes arbustos ao lado da varanda estreita, uma garagem para dois carros, e uma antiga e desgastada cesta de basquete afixada por cima da porta. Um carro prateado estava estacionado em frente, uma letra `A´ em azul enorme colada na janela traseira. Enfiei as mãos nos bolsos, estudando a casa. Eu nunca tinha visto antes na minha vida. Não havia absolutamente nada familiar para mim nela.


Onde eu estou? Caminhei pela calçada por cerca dez minutos até que cheguei a um cruzamento com as placas de rua. REYNOLDS RD - RICHMOUND - KENTUCKY (U.S.A). Ok ... eu não tinha nem sequer ouvido falar de uma estrada chamada Reynolds, e eu vivia em Hamburgo na Alemanha! Abracei meus braços sobre o peito preocupado. O que vou fazer agora?

Suspirando, caminhei pela rua, estudando cada casa por onde eu passava, procurando sinais de vida. A rua estava escura, no entanto, o bairro iluminado apenas por postes de cintilação, e a julgar pelas janelas escuras em toda parte, já devia ter passada o muito tempo da hora de dormir. Exceto, é claro, para as meninas do círculo estudantil feminino que deviam estar voltando de alguma festa...

Como eu cheguei aqui?

Essa era uma questão ainda mais preocupante. Não era como se alguém tivesse me pego e trago aqui ... eu era sonâmbulo? Possivelmente ... embora eu nunca tenha feito isso antes em toda minha vida. Sem mencionar que eu, aparentemente, consegui caminhar dormindo PARA OUTRO CONTINENTE! Voltei para a casa onde eu havia despertado e olhei para ela.

Tem que haver uma razão para que eu esteja aqui, nesta casa. Eu pensei. Me aproximei da porta da frente, subindo de volta os degraus da varanda. Talvez seja alguém que eu conheça ... talvez eu tenha vindo aqui por uma razão. Talvez ... Eu parei. Bem, eu tinha rezado para Deus me ajudar, certo? Para ser salvo? Hmmm... Minha cabeça zumbia com esse pensamento. Engolindo o ar, decidi entrar.

Eu me senti realmente mal estar por estar entrando em uma casa estranha, mas eu estava com frio, desesperado e curioso, e eu argumentei para mim mesmo que eu não estava ali para fazer qualquer dano. Especialmente quando eu peguei a maçaneta e ela abriu facilmente. Huh. Quem mora aqui não tinha sequer se preocupou em trancar – o que foi praticamente um convite para os criminosos entrarem e invadir o lugar. Entrei na sala e tranquei a porta atrás de mim. Então, na verdade, estou fazendo um favor, tranqüilizei-me com esse pensamento

O chão de madeira no hall de entrada rangeu baixinho quando arrastei meu passo pelo corredor. Eu não queria ligar todas as luzes, então eu abri meus olhos para os ajustar à escuridão e tateei ao longo da parede com uma mão para não cair. Minhas mãos se deparam com quadros após quadros ... hmmm. Aparentemente, quem morava aqui era um amante da arte. Cheguei ao fim do corredor, esforçando-me para ver no fraco luar que se derramava pelas janelas.

Eu tinha atingido uma almofada - não eram grandes e o sofá era de couro, uma grande televisão em um canto, bem como estantes altas cobertas com porta-retratos e bugigangas. Eu andei, tentando observar as fotos, mas a luz estava fraca demais para ver todos os detalhes. Um grande aparelho de som estava em outro canto, com vários CDs espalhados na frente. Curioso,me aproximei e sentei. Peguei um de cada vez, mantendo-os sob o luar, estudando as etiquetas. Nirvana... Rolling Stones... AC/DC... Faith no More... Fleetwood... Ben Folds Five... Tracy Bonham. Uma coleção interessante. Balancei minha cabeça em aprovação. Pelo menos a pessoa tinha bom gosto.

Eu teria gostado de colocar algo no som e ouvir, mas eu sabia que era uma má idéia. Depois de ter olhado todos os CDs no chão, levantei-me e vagueei por uma porta que dava em outro cômodo, que parecia ser uma cozinha. Dei alguns passos para dentro e, em seguida, quase tropecei em algo no chão. O que é isso?

Havia embalagens por todo o chão da cozinha, espalhados por toda parte - caixas de comida, biscoitos, batatas fritas, doces, salgadinhos... Meu estômago roncou um pouco, olhando para uma caixa de batatas fritas. Eu não havia comido ... bem, quem sabe por quanto tempo? Minhas refeições em casa tinha se reduzido para assaltos na cozinha no meio da noite, quando eu estava certo de que ninguém estava por perto. Abaixei-me e peguei um pouco de batatas na caixa. Eu não estava roubando... Eu tinha a intenção de pagar por isso, de alguma forma, assim que pudesse.

Rasguei o pacote o mais silenciosamente que pude e enfiei várias batatas em minha boca. Estava delicioso. Eu tinha comido o pacote inteiro antes mesmo de perceber isso, então eu olhei para uma lata de lixo, sentindo-me um pouco culpado por devorar tudo. Depois que eu joguei fora a embalagem, eu virei para os armários, pensando. Todo o sal as batatas me deixaram com sede... Cuidadosamente abri outro armário, agradecendo por não fazer barulho. Encontrei um conjunto de copos de plástico e peguei um. Havia um jarro de água na geladeira, junto com uma jarra de chá, latas de Coca-Cola, e várias garrafas verdes estranhas. Eu enchi o copo com água e bebi.

Comer e beber alimentos de uma casa estranha, pensei. Eu me senti como no conto de Cachinhos Dourados - o que viria depois? Ir a um jogo de cama e tirar uma soneca? Eu quase ri ao pensar nisso enquanto caminhava de volta para a sala, com o copo na mão. Bem, talvez não de uma cama ... mas com certeza um sofá parecia confortável. No entanto eu não me sentia cansado. Sem falar que eu estava muito confuso e intrigado com esta súbita mudança de localização.

Onde eu estou? Por que estou aqui? De quem é esta casa? Onde está minha família?

Minha cabeça martelava com esses pensamentos. Eu estava tão cansado de não saber o que estava acontecendo, de estar preso neste limbo horrível, sem ninguém para conversar. Era como um terrível castigo injusto. Algo que eu não desejo ao meu pior inimigo. Mas o que eu fiz para merecer isso?


_

Eu permaneci olhando para o teto por algumas horas, quando ouvi pela primeira vez sinais de vida. Uma porta se abriu no andar de cima, e ouvi o som da água correndo pelos canos. Cuidadosamente me sentei, escutando. De acordo com um relógio pendurado na parede, eram 05h00.

Tá doido? ... Quem no mundo se levanta tão cedo? Bem, eu acho que eu estava prestes a descobrir. Esperei nervosamente, sentado contra as almofadas.

Vinte minutos depois, ouvi as escadas rangerem. De repente, me senti ansioso, rapidamente me colocando de pé, esperando para ver quem estava chegando ao fundo do corredor. Não tive que esperar muito tempo. Vi a silhueta de alguém começar a se formar, e então uma luz se acendeu, cegando-me temporariamente. Joguei meus braços em frente dos meus olhos com um grito suave.

Uma mulher jovem, linda e cheia de curvas, entrou na sala, olhando ao redor. Ela estava vestida de com uma roupa casual - calça cáqui agradável, camisa de de botões, sandálias de tiras, com seu cabelo preto puxado para trás em um rabo de cavalo. Ela era muito atraente. Não do tipo modelo-manequim, mas o tipo de pessoa que quando você olha sente dificuldade de olhar para outra coisa. Um tipo de aparência exótica, especialmente com aqueles olhos rasgados tipo asiática. Vi quando ela pegou uma bolsa e foi até a cozinha, cantarolando. Eu lentamente a segui.

Debrucei-me contra a parede enquanto ela suspirou alto e começou a pegar a bagunça no chão.

– Ah Alley - Suspirou. Sua voz era profunda e suave. - Coitadinha.

Alley? Quem é Alley? Havia mais alguém na casa?


Um miado alto me assustou. Eu olhei para a bola de pêlo listrado na cozinha ... O que era aquilo? Um gato ou um cão? Certamente era grande demais para ser um gato ...

– Awww, gatinho ... Eu acho que você quer comer - Disse a mulher. O gato gritou em resposta. Eu olhava, espantado, quando ela pegou um saco do balcão e tirou comida de gato. Pensei que a coisa ia devorar seus dedos quando ela se inclinou para alimentá-lo.

– Caramba! - Murmurei em voz alta. – Isso é um gato ou um leão da montanha? - Continuei a observá-la arrumar a comida do chão, até que ela finalmente se levantou, pegou uma garrafa verde na geladeira e logo em seguida saiu, envolvendo-me na escuridão mais uma vez.


– Bem - Eu murmurei. - Isso foi interessante. - Hmmm ... Alley ... eu silenciosamente recuei no corredor, olhando para cima. A minha curiosidade foi aguçada, quem era essa “Alley” e o que havia de errado com ela para fazer a garota de cabelos negros ter pena? Eu mordi em meus lábios, debatendo-me: Subo as escadas e dou uma olhada? Ou espero até amanhecer para ela sair?

No final, a minha curiosidade mórbida ganhou. Lentamente rastejei para cima para investigar. Os degraus rangeram enquanto eu subia, xinguei baixinho, esperando que ela não tivesse escutado o barulho. Cheguei a um corredor cheio de portas. Havia uma estante grande contra a parede à direita, cheia de livros. Todas as portas estavam abertas, exceto a que estava próximo à escada. Caminhei pelo corredor, investigando cada uma das salas abertas - dois quartos, dois banheiros, e pela porta no final do corredor levava para uma sala enorme, que parecia ser um escritório. Eu me virei e voltei para trás, olhando para a porta fechada.

Ela deve estar lá ... Hesitei brevemente antes de agarrar a maçaneta. Calmamente a girei e abri a porta, entrando logo em seguida, delicadamente fechando a porta atrás de mim.

Eu esperei um momento para deixar meus olhos se ajustarem a escuridão antes de olhar ao redor. Eu podia ver o contorno dos móveis: mesa do computador, mesa de cabeceira, armário, cama ... e uma figura ainda, dormindo.

Isso é tão errado... é como se eu estivesse espiando ... eu deveria ir embora ... Mas, eu não fiz. Dei um passo hesitante a frente - havia uma cadeira próxima à janela, então sentei-me nela... Bem, eu tinha a intenção de se sentar, antes de tropeçar em uma pilha de roupas camufladas e cair no chão com um baque forte.

–Merda! - Xinguei. Fiquei perfeitamente imóvel, ouvindo. Nada. Porra, ela não acorda? Consegui me levantar e finalmente sentei na cadeira suspirando.


– Mmmm ... - Prestei atenção a sua voz suave. - Qual caminho ... - O resto da frase era ininteligível. Ela está falando comigo?


Eu esperei ansiosamente, mas ela ficou em silêncio por vários minutos. Falava dormindo? Ouvi outra frase, então, que soou como “Cheshire”, mas eu não tinha certeza. Então ela gemeu e suspirou. Definitivamente ainda está dormindo ... Eu sorri pesarosamente. Tom costumava falar durante o sono ... me deixava louco em turnê quando nós estávamos tentando ter algum descanso no ônibus ...


– Tom - Murmurei em voz alta. Deus, eu o perdi; mesmo que nós implicássemos um com o outro, às vezes, eu o amava, sentia sua falta. Perdi todos eles. Olhei para o chão. Vi por acaso um CD caído ao lado da cadeira, o peguei forçando a vista para conseguir ler: U2, Achtung Baby. Legal...


– ARRE!


Larguei a caixa de CD e quase caí da cadeira. A menina, "Alley", presumi, estava ereta na cama após um grito ensurdecedor. Eu mal podia ler sua expressão no escuro.


– Jesus!, ela ofegou. - Que sonho mais ferrado.


Bem, que palavreado lindo você tem logo que acorda. Eu pensava. Meu coração disparou, ela me assustou com aquele grito. Eu me inclinei para trás na cadeira, tentando me acalmar. Ela mexeu com algo em torno de no criado-mudo por um minuto, e de repente a sala se encheu de luz. Eu a olhei, tentando observar suas feições. No entanto, antes que eu pudesse focalizar corretamente, eu fui assustado por ainda outro grito, desta vez muito mais alto.


– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH !


Eu me vi olhando diretamente em um par de olhos enormes e atordoados. Uma menina magra e pálida, que parecia beirar a minha idade, estava sentada na cama, segurando o cobertor perto do peito. Eu não conseguia desviar o olhar do seu rosto chocado. Ela tinha um olha selvagem e aterrorizado, seus cabelos desgrenhados estavam despenteados por todos os lados, a boca aberta, olhos arregalados ... e olhando para mim. Olhando fixamente para mim. Eu olhei para trás, a garganta seca.

– Quem é você? - Ela disse, com voz trêmula. Por vários minutos, eu não conseguia falar.O quê? Impossível ... Eu me virei, olhando para trás, para os lados, em todos os lugares, só para ter certeza que ela estava falando comigo. Quando olhei novamente, ela ainda estava olhando. Ainda assustada. Oh, Deus, isso está acontecendo? Isso está realmente acontecendo? Meus olhos se arregalaram, meu queixo caiu.

– Você pode me ver! - Eu sussurrei. - Oh, meu Deus ... você pode me ver ...

Ela disse alguma coisa, mas eu ainda estava atordoado demais para absorver o que estava acontecendo.

– Você - Eu gaguejei quando recuperei a voz. - Você pode me ver! - Eu resisti ao impulso de levantar minha mão e enxugar as lágrimas que ameaçavam cair. Isso não era um sonho não é mesmo? Isso realmente estava acontecendo ... Enfim, alguém percebeu a minha existência ... mesmo que esse alguém pareça ter fugido de um hospício ...

Levantei-me, sem pensar e caminhei em sua direção. De repente eu queria tocá-la, para ter certeza de que ela estava realmente lá, para sentir a maciez da pele de alguém contra a minha. Parei imediatamente quando ela se encolheu e gritou comigo.

– Cai fora!

Ah, certo. Com minha surpresa, eu tinha quase esquecido que, para ela, eu devo ter aparecido como uma espécie de criminoso ou pervertido, invadindo sua casa e, em seguida, espionando-a enquanto ela dormia. Tentei desesperadamente pensar em alguma forma de me explicar - Eu não esperava que nada nem remotamente parecido com isso acontecesse, eu não tinha idéia do que dizer ...

– Quem é você e o que você quer? É dinheiro? Pode levar. Tem mais na minha mesa, há uma jarra com mais de 500 dólares... - Ela me olhava com olhos suplicantes.

– Não, não ...- Eu disse. – Eu, eu estou arrependido, eu não queria assustá-la ... - Ela não parecia convencida. - Mas ... você pode me ver, certo? Você pode ver que eu estou aqui?

Ela estava olhando freneticamente ao redor da sala enquanto eu falava, mais uma vez eu fiz essa pergunta para reafirmar as minhas suspeitas, ela olhou para mim como se eu fosse um idiota total. Que, eu acho, que passou a soar como uma pergunta estranha.

– Eu vou chamar a polícia - Disse ela.

Fiquei tentado a dizer "Vá em frente, eles não vão encontrar nada mesmo", mas pensei melhor. Melhor tentar ser simples e educado.

– Não, por favor, ouça... - Eu implorei. - Deixe-me explicar. Sei que isto soa ... totalmente louco. Eu não estou aqui para machucá-la , na verdade, eu não sei porque estou aqui. Eu só -

De repente, ela me interrompeu.

– Ok, amigo, eu sei taekwondo, por isso, se você sabe o que é bom para você, você sai agora!

– O quê?

Taekwondo? Eu ouvi bem? Sim, isso mesmo ... ela parecia que não poderia quebrar um galho seco.

– Eu não vou te machucar. Escute, eu preciso de sua ajuda ... - Ela estava olhando em volta, novamente, não prestando atenção. Eu suspirei.- Por favor, só me escuta...

– Ajuda? - Ela retrucou, olhando para mim. - Quem é você?

Hmmm ... então ela não me reconheceu.

– Bill - Eu disse.

Ela levantou uma sobrancelha.

– Bill ...- ela disse lentamente. Eu percebi que ela estava procurando um sobrenome. Eu suspirei.

– Kaulitz. Bill Kaulitz.

Sua expressão, se alterou para um ar de graça. Ela apenas piscou uma vez.

– Kaulitz – Perguntou ela, o riso escondido em sua voz. – Como os do Tokio Hotel?

Tranquei minha mandíbula. Aqui vamos nós ...

– Sim - eu disse simplesmente.

– Bem, eu devo atirar em você agora.

Bom Deus, o que ela queria com todas essas ameaças? Gritando, querendo me bater e atirar em mim? Eu sabia que eu era um intruso, mas eu não tinha feito nada para ela. Será que ela era incapaz de perceber que eu era totalmente inofensivo?

– Por favor, não. - Eu disse. – Agora, se você me deixar explicar...

Ela assentiu com a cabeça devagar e eu continuei.

– Bem, é assim. Tenha paciência comigo, porque isso soa totalmente louco, mas eu estou dizendo a verdade. Algo aconteceu comigo que eu não entendo ... Você vê, eu sou de Hamburgo, na Alemanha. ... Assim eu acordei um dia, na minha própria cama, mas tudo tinha mudado. Era como se eu nem sequer vivesse lá ... Todas as minhas coisas tinham sido movidas, e meu quarto estava tão limpo como se ninguém vivesse nele por algum tempo. Então, quando eu fui falar com minha família ... eles não podiam me ver. Era como se eu fosse invisível, ou algo assim ... eu não podia tocá-los, ou ...

Ela ficava balançando a cabeça, e por um momento, eu perguntei se ela estava realmente ouvindo o que eu estava dizendo. No entanto, eu continuava a falar, dizendo-lhe todos os detalhes sórdidos dos últimos dias na minha casa. Eu estava falando tão rápido que eu mal conseguia manter minha respiração. Invisível? Ok. Intocável? Ok. Família discutindo sobre mim na terceira pessoa? Ok. Trancado fora da minha própria casa? Ok.

– Então eu fiquei tão cansado que adormeci na cadeira do lado de fora. - eu continuei, com minha história. - E eu não sei o que aconteceu, mas quando eu acordei, eu estava deitado lá fora, na sua poltrona, e eu não tenho idéia do porquê. Eu não sabia mais o que fazer, então eu...

– Eu ainda estou sonhando! Ela me interrompeu, de repente, sua voz cheia de alívio. Imediatamente eu calei a boca e olhei para ela. O quê? Eu passei dez minutos detalhando a minha situação, e ela estava achando que essa porra toda era um sonho? - Eu nunca mais como aqueles biscoitos de novo... - Disse ela, o que ainda serviu para me confundir.Biscoitos? Quem falou em biscoitos aqui?

– O quê? - Olhei para ela. - Você não está sonhando, eu estou realmente..

– Claro, claro ... Mas eu estou cansada, e eu vou voltar para a cama. - Ela suspirou. - Eu gaguejava com irritação. – Só não se esqueça de me acordar quando as Spice Girls chegarem. Ah, e ouvi dizer que Justin Timberlake está vindo para o chá da tarde, assim que chegar pode deixá-lo entrar.

Filha da mãe.

- Isso não é engraçado! – Resmunguei indignado - Eu..

– Ok, me desculpe. O que você quiser, Bill. - Ela bocejou alto e caiu contra o travesseiro, apagando o abajur e virando de costas para mim.

– O-o que? ...- Gaguejei encarando a escuridão – Ouça-me!

Ela não respondeu por um minuto. Então, finalmente, ela falou uma última vez, sua voz grossa e cansada.


– Bill Kaulitz - ela disse, e riu. – Mas que merda...

Eu me inclinei para trás e cruzei os braços sobre o peito, olhando para sua forma enrolada no edredom. Saco, eu finalmente encontrei alguém que pode se comunicar comigo, e ela é uma maluca total. Esqueça o fato de que de que eu invadir seu quarto estar totalmente errado, minha voz interior da razão, declarou. Alguém nessa situação teria reagido da mesma maneira. Eu fiz uma carranca com essa declaração da minha voz interior. Alguém na minha situação? pft.


– Tudo bem - Eu murmurei. - Mas eu ainda estarei aqui de manhã. E eu acho que nós vamos conversar. - Levantei-me, refazendo meu caminho em direção à porta. Ela não respondeu, aparentemente inconsciente, mais uma vez. Bem, ela apenas tem que começar fazer sua ficha cair com o "Bill Invisível" amanhã de manhã, claro. Saí para o corredor e fechei a porta atrás de mim, meu coração ainda batendo forte em meu peito. Uma vez que eu tinha me acalmado, minha irritação foi embora, eu só tinha um pensamento: POR QUE ?


_



Permaneci sentado no sofá assistindo a alguns desenhos na televisão. Ei, o que importa? O segredo foi revelado. Ela sabia que eu estava aqui - ou melhor, saberia que eu ainda estava aqui, quando ela se levantasse e começasse a me ouvir. Eu só tive o cuidado de manter um olho para a menina de cabelos negros ... Eu tive um sentimento de que toda essa situação iria ficar muito complicada quando ela voltasse pra casa.

A mesa estava coberta por revistas, eu observava com leve interesse. Cosmopolitan. Marie Claire. Rolling Stone. The New Yorker. Eu peguei a Rolling Stone e olhei algumas páginas. Caí na página de notícias de álbuns. Coldplay, e seu novo álbum...


Enruguei meu nariz, confuso. Coldplay lançou um novo álbum? Caramba, onde é que eu estive? Eu ainda não tinha ouvido nada sobre isso ... inquieto, lancei a revista para o chão e vasculhei o resto das revistas sobre a mesa. Nada realmente me interessava ... até que eu percebi um livro encadernado em couro preto que estava sob a pilha. Um anuário.


Sayre, 2007.


Eu abri lentamente a capa da frente, olhando para as folhas cheias de rabiscos de colegas. Revirei os olhos. Embora eu nunca tenha tido a oportunidade de escrever em um desses.

Li coisas como: ''Você é uma menina doce, continue a mesma!'' e "Adorei estudar matemática com você, te vejo ano que vem!" - Mensagens bobas. Depois de discutir se era demasiado intrometido estar lendo suas anotações pessoais, eu decidi que não e passei mais algumas páginas.


"Alley, Você é a pessoa mais engraçada que eu já conheci! Eu nunca vou esquecer de todas as coisas malucas que fizemos juntas. Fique longe de pastores alemães! Ha ha! Com amor, Heather"
"Alley, obrigado por toda sua ajuda na classe da Sra. Johnson! Eu teria fracassado se não fosse por você! Te amo! Tiffany "
"Você é a garota mais estranha que eu já conheci, mas você é muito legal. Mantenha contato. Peter."

Bem, essa foi uma mistura interessante de mensagens.


– Estranha? Sim, Peter, eu diria que concordo com você. - Havia uma tonelada de outras notas sobre seu desenvolvimento acadêmico, mas nada de interessante chamou a minha atenção. Virei a próxima página, onde um recado com letras garrafais me chamou a atenção.


"Alley, eu só queria que soubesse que você é uma inspiração para todas as outras meninas que queriam ir ao baile, mas não tem namorados. Você mostrou a elas, não é? Atenciosamente, Jessica"


Pisquei, relendo a última mensagem. Era impressão minha ou era bem sarcástica? Com certeza não soava muito amigável para mim ... Então a menina não tem um namorado? ... Grande coisa. Muita gente vai a eventos sem namorados ... bem, não que eu saiba muito sobre ir a bailes de formaturas..
Desviei meus olhos para outra mensagem que me chamou ainda mais a atenção.


"Alley Kat, eu não estou nem na escola mais, mas eu queria assinar o seu livro para lhe dizer o quanto eu te amo. Você é a mais bonita, mais engraçada e mais inteligente menina que conheço, e um dia o mundo vai acordar e ver isso. Sei que isso soa extremamente brega, mas eu literalmente te amo como uma irmã. Você realizou muito no últimos anos e eu não tenho nenhuma dúvida que você vai fazer muito, muito mais nos próximos anos. Seu pai ficaria muito orgulhoso de você. Eu sei disso, porque eu estou. Com amor, Louise"

"P.S. Jessica pode lamber minha bosta. Não dê ouvidos a essa cadela egoísta."


Apesar do postscript, hilariante e vingativo, eu não ri. Eu estava muito assustado com as duas primeiras palavras da mensagem. Alley Kat? Lentamente fechei o livro, pensando. Eu sabia que tinha ouvido esse nome de algum lugar ... Eu já ouvi antes? Por um momento cheguei até em pensar que ela me era familiar, embora em seu quarto a luz tenha sido muito fraca para realmente dizer ... Folheei o anuário até a última folha procurando as fotos dos alunos. Não havia muitas fotos. Encontrei o seu retrato. `Anabelle Alley´. Um par de olhos arregalados e brincalhões com um sorriso enorme e bobo olhou para mim.

Eu tinha já visto aquela expressão, aquele sorriso, antes ... há anos. Em um período de férias, em minha tia ... eu não pensava muito naquele dia ... O ataque foi algo que eu realmente não gostava de lembrar, como era inteiramente embaraçoso também lembrar que eu tinha sido resgatado por uma garota magrinha e pateta ... Mas eu me concentrei na memória, lembrando de detalhes. Ela espantou os meninos que me batiam ... seu pai tinha me levado para casa ... ele a chamou de "Alley Kat'' ...

Então é isso. Ou pelo menos eu acho, nós já nos conhecemos ... Então, ela não me era uma completa estranha, apesar de tudo. Eu me perguntei se ela se lembrava de mim, também. Quando ela acordasse eu lhe contaria tudo. Pela primeira vez desde que acordei em meu estado "sobrenatural", senti uma agitação em meu peito - a esperança. Ela me ajudou uma vez antes ... talvez ela pudesse me ajudar novamente.

Agora, se eu pudesse descobrir como convencê-la de que eu era real ..

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20 Re: The World Behind My Wall em Ter Fev 26, 2013 7:41 pm

Anny V.

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Moderadora
Confesso que não gosto dessa coisa de escrever repetidamente a mesma cena por mais de um ponto de vista, acho que na maioria das vezes não tem necessidade. Mas eu gostei desse capitulo, acho que ficou bem escrito e deixou explicado como o Bill foi parar no quarto dela '-'

Eu sabia que era a mesma guria que tinha salvado o Bill antes! Mas não faço ideia de como ela vai ajudar ele

Enfim, desculpe pela demora do cometário, mas, eu sou assim mesmo:toda enrolada -.-'

Cooontinua

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21 The World Behind My Wall em Qui Mar 21, 2013 1:40 am

Capítulo Sete - Despertando

-
Eu me sinto perdido Em mim mesmo
Tem um alien em mim
Quem é você? Quem sou eu?
Sangue é tudo o que vejo
-

Tokio Hotel - Alien


Alley's P.O.V


Acordei na manhã seguinte – bem, para ser honesta, na tarde seguinte – ao som de algo que parecia ser uma serra elétrica através de meu colchão. Irritada, abri meus olhos turvos e encarei diretamente a cara peluda de meu gato, cujo o ronronar praticamente estava causando um terremoto em minha cama.

Chester é sem dúvida alguma, o bicho de estimação mais estranho que já tive. Ele é capaz de olhar para você por horas, sem sequer se mover. Eu não acho que há muita coisa acontecendo no cérebro felino dele, para ser sincera. Mas, ah... ele é bonitinho e peludo e além do mais, os gatos são conhecidos por ajudar a diminuir o estresse das pessoas e Deus sabe como eu preciso disso.

– Hey gatinho – Arrulhei para ele fazendo carinho atrás de suas orelhas. Ele fechou os olhos e esfregou seu rosto em minha mão. Já fazia algum tempo desde que ele não dormia mais em minha cama –- ele tinha uma irritante tendência de se colocar sobre minha cabeça enquanto dormia apesar do fato de minha cama ser bem espaçosa, assim me sufocando durante a noite. Então, agora eu costumava fechar a porta para mantê-lo do lado de fora.

Lentamente, sentei-me confusa. Espere um minuto...

Olhei para minha porta que estava aberta. Eu não a fechei noite passada? Perguntei-me, confusa. Corri meus dedos por meus cabelos tentando me lembrar...

Ah, espere. Cookies mofados.. uurgh. Certo, Louise tinha praticamente me jogado na cama, razão pela qual eu não me lembrar de ter fechado a porta, será que ela deixou aberta? Mas logo esqueci essa idéia. Tinha sido uma noite estranha essa, estranha é um adjetivo mínimo para descrevê-la... sonhos pirados com gatos falantes... Bill Kaulitz. Deus, isso era constrangedor. Embora eu me sentisse extremamente tola por fazer isso, olhei desconfiada para minha cadeira só para ter certeza... nenhuma estrela pop adolescente nela. Suspirei de alívio.

Bocejei alto, espreguiçando-me. Felizmente a maioria dos meus sintomas de mal-estar da noite anterior já haviam se
dissipado... menos uma leve dor de cabeça mas que era completamente tolerável em comparação ao que eu estava sentindo antes de adormecer.

– Ugh... – gemi. Eu não queria nem sair da cama. Pra que afinal? Eu não tinha nada pra fazer... sem planos... sem namorado... a maioria de meus amigos estavam ocupados em seus empregos, incluindo Louise... – Eu sou uma perdedora. – murmurei suspirando. Talvez eu devesse voltar a me ocupar com minhas pinturas que eu havia bandonado mês passado... terminá-las. Ou começar algo novo. Sim, talvez eu faça isso. Louise sempre me repreendia por eu abandonar meus projetos pela metade. Pelo menos eu teria algo a fazer, de qualquer maneira. Algo para preencher o tédio da minha vida.

Rolei para o lado, formando uma pequena bolotinha no edredom, pensando em Louise e na forma como ela havia cuidado de mim na noite anterior. O que eu iria fazer quando ela se formasse? Ou quando Steve finalmente pedisse sua mão? O que era apenas uma questão de tempo, e então o que eu faria? Pra onde eu iria? Ela sempre esteve comigo, vinte e quatro horas por dia, sete dias na semana, desde que meu pai tinha morrido. Eu vivia com ela, sorria com ela, chorava com ela... Ela tinha agüentado tanta coisa de mim ao longo desses anos, todas as minhas bizarrices, a minha infelicidade, minhas birras... Ela deveria estar tão cansada. Eu nunca conheci ninguém que me compreendia como Louise. Ou que cuidou tão bem de mim assim... Suspirei novamente.

Depois de muita deliberação, eu finalmente consegui sair da cama. Fui ao banheiro escovar os dentes e trocar de roupam quando ouvi o som familiar de um motor se aproximando. Louise! Graças a Deus. Rapidamente cuspi a pasta na pia e enxagüei minha boca, antes de correr pelas escadas. Ela estava na cozinha, eu podia ouvir o som de seus passos.

– Louise! – chamei alto enquanto marchava pelo corredor – Você já almoçou?

– Você saiu da cama agora? – A ouvi perguntar incrédula assim que me viu. – Querida, são quase duas da tarde.

– Bem, considerando as circunstâncias, acho que merecia umas catorze horas de sono. – Sentei-me na cadeira, trazendo os joelhos para perto de meu peito.

– Ah, é verdade... Então, você está se sentindo melhor? Dormiu bem?

– Sim, eu acho... tive alguns sonhos estranhos...mas...

– Sério? Sobre o quê?

Eu hesitei.

Bem, Louise, primeiro eu estava presa em um labirinto, perseguindo algum cara aleatório, quando parei para conversar com um Gato de Cheshire... mas ele me irritava. Então de repente, eu me vi de volta a minha cama e por algum motivo desconhecido Bill Kaulitz estava em meu quarto, possivelmente drogado, falando um monte de coisas malucas. Estranho né?

– Eu realmente não me lembro – preferi mentir – Me senti meio perdida e tinha alguém em meu quarto conversando comigo – Eu não queria dar detalhes sobre “Bill Kaulitz”. Em vez disso, preferi optar por um assunto muito mais importante. Inclinei-me, dando-lhe um olhar triste e suplicante. – Então, o almoço...?

Ela suspirou.

– Alley, eu até faria mas tenho que ir. Só passei aqui para trocar de roupa e pegar minha mochila. Tenho que voltar correndo para uma sessão de estudo de estatísticas, temos uma prova muito importante amanhã... – Ela resmungou – Se um professor te disser que a escola de verão é mais fácil que um semestre regular, dê um soco bem no meio da cara dele.

– Oh... - Murmurei desanimada. Então eu ia ficar sozinha o dia todo... não que isso fosse incomum, mas eu realmente esperava ter alguém para conversar... para me distrair de meu estado de depressão atual – Que horas você vai voltar?

– Antes do jantar, pelo menos. Eu espero – Vi quando ela pegou sua mochila e pescou algo dentro, tirando um notebook e colocando-o sobre a mesa.

– Tudo bem, eu vou esperar aqui como sempre... - Eu disse, levantando-me. Na verdade, eu não estava com fome. Então, entrei na sala com a intenção de me sentar e relaxar um pouco. Ler o jornal, assistir a alguns programas sem sentido na TV. Minha rotina diária. Desistindo dessa idéia decidi ir para meu quarto.

– AH MEU DEUS! - Gritei assim que passei pela sala.

– Ah, vejo que você acordou, finalmente – Ele disse com uma voz sarcástica – E agora que está acordada, eu realmente iria amar se você ouvisse o que eu tenho a dizer.

Que porra é essa?? Minha única resposta foi outro grito. Oh meu Deus, oh meu Deus! O menino do meu sonho que tinha alegado ser Bill Kaulitz, estava sentado na minha cadeira com o jornal em seu colo. Ele olhava para mim com muita calma, seus olhos castanhos examinando minha aparência, arqueando a sobrancelha esperando uma resposta.

Eu ainda estava sonhando? Não, não, não... isso não era possível não é? Me balançava para frente e para trás em meus pés, sentindo náuseas. Pisquei fortemente duas vezes e segurei-me na maçaneta da porta atrás de mim, olhando para ele e choramingando. Senti que outro grito estava se formando em minha garganta...

– Alley? – Eu tinha a vaga consciência que Louise chamava por mim, a preocupação em sua voz. Respondi com um grito desconfigurado.

– Ei, você pode parar de gritar por favor? – Ele pediu fazendo uma careta, jogando o jornal para o lado – Isso não vai te ajudar em nada.

Me ajudar? De que merda que ele tava falando? Belisquei minhas bochechas ferozmente, gemi com irritação quando esse ato me machucou. Bem, eu estava definitivamente acordada... então, aparentemente ele era real, ou eu estava sofrendo com alucinações. Que legal.

– Alley? – Louise chegou na sala, tocando levemente meu ombro – O que aconteceu?

Olhei para o menino. Ele balançava a cabeça murmurando.

– Não faça isso. Ela vai pensar que você enlouqueceu.

– Eu... – Comecei sem saber o que dizer. Louise olhava para mim, aparentemente ela não havia notado a presença de nosso visitante. Engoli em seco, escolhendo minhas palavras. Optei por algo muito vago – Olha! – Gritei, apontando para o garoto.

Sua testa se franziu enquanto acompanhava com o ohar a direção que meu dedo apontava.

– O quê? - Perguntou.

Ele suspirou e falou em voz alta.

– Eu te avisei isso ontem, mas obviamente você não estava prestando atenção. Desista, ela não pode ver o que você vê.

Pisquei abobada. Certo... ele tinha dito algo assim noite passada... só que eu pensava que era tudo parte de um sonho maluco. Suas palavras cheias de esperança e admiração correram pela minha mente. "Você pode me ver, certo? Pode ver que estou aqui?" Mas isso não era possível não é? Ele ser invisível para ela... ?

Eu estava começando a suspeitar que a súbita aparição dele estava caindo na categoria de "Delírios". Essa era a única explicação plausível para tudo isso. Respirei fundo.O que fazer? O que fazer? Como eu iria explicar o fundamento de meus gritos de uma forma convincente e convencê-la de que eu não tinha necessidade de ser despachada para um sanatório?

– Eu vi uma aranha! – Gritei de repente – Oh meu Deus! Ela era enorme Louise... estava ali mesmo, no sofá!

Seus olhos se arregalaram - Bingo! - Louise odiava aranhas, até mais do que eu.

– Onde? - Ela gritou. Eu apontei para o sofá onde o menino estava sentado, e ela se encolheu. - Você viu para onde ela foi?

– Não... eu não vi... talvez ela tenha entrado por entre as almofadas...

– Alley! – Ela gemeu. - Por que você me disse isso? Encontra logo ela e mate! - Louise pegou uma revista de cima da mesa e a arremessou para o lugar que eu estava apontando, aparentemente, achando que ia dar um "susto" na .. cof cof... aranha... e com isso ela sairia de seu esconderijo, ou algo assim. A revista zuniu pelo ar atingindo em cheio a cabeça do garoto antes de cair no sofá. Seus olhos se arregalaram com irritação, e eu encontrei-me estrangulando o riso, apesar da bizarrice da situação.

– Desculpe... - Eu disse humildemente, uma vez que recuperei minha compostura. - Vou encontrá-la e me livrar dela...
Ela estremeceu.

– Aaai... eu nunca mais sento nesse sofá de novo... - Ela se virou preparando-se para sair. - Bem, eu odeio ter que te deixar aqui com essa coisa, mas eu tenho que ir... Estou atrasada e você sabe como ele é....

– Desculpe por isso também - Eu murmurei quando ela correu para cima para se trocar. Vi-a sair sentindo-me subitamente perdida e vulnerável. Virei-me lentamente para o meu visitante na sala, tentando freneticamente descobrir o que fazer...

– Você está pronta para me ouvir agora? - Perguntou ele.

Eu balancei minha cabeça lentamente. Ouvir? Minha alucinação? Não era isso que os serial killers sempre alegavam pouco antes de sair e matar as pessoas? Oh, Deus, eu estava prestes a me tornar uma psicopata? Seria eu trancada em um instituto mental com uma camisa de força em volta de meu corpo? Porra... eu ainda era virgem... eu teria, pelo menos gostado.... de experimentar algum tipo de relacionamento mais, hum... digamos... íntimo com algum namorado. Antes de ser trancafiada em uma cela acolchoada.

Ele suspirou alto, enterrando o rosto nas mãos.

– Ouça... - começou ele. Parecia exausto. - ... tenho plena consciência de como você está confusa, e tenha certeza de que eu estou também. Você não está enlouquecendo. Não está perdendo sua sanidade mental. Eu sou real... Eu estou realmente aqui. E você, por qualquer motivo absurdamente insano, é a única que pode se comunicar comigo...
Isso era demais para mim lidar agora. Esfreguei minha cabeça fechando os olhos por um momento. Por que minha vida era uma bagunça? Coisas como essas acontecem com outras pessoas?

De alguma forma, eu sinceramente duvidava disso.

Sem dizer nada, corri da sala, voltando para meu quarto. Minha cama de repente me pareceu tão atraente...

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22 Re: The World Behind My Wall em Ter Out 29, 2013 7:21 pm

Sam McHoffen

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Leitora nova!'  

Eu fiquei sabendo dessa fic há algum tempo, na verdade a mais de um ano. Quando a Joynna estava me indicando umas fics, mas lembro que quando li a sinopse, e vi que o Bill morria me recusei a ler. Hauahuaahuahauahauaha
Eu não conseguia nem sequer imaginar isso! E achei que iria morrer de tanto chorar com uma fic onde o Bill morria. Mesmo com a Joynna me falando pra ler que valeria a penas e tal, eu fiquei com receio de ler.
Essa semana eu acabei ficando sem computador e pensei: ok, não tenho nada pra fazer, vou ler aquela fic que a Joy sempre me manda ler.
Eis que vai eu ler essa fic pelo celular, pensando que iria morrer de chorar... Mas não '-'

Desde que comecei a ler, até agora meu único pensamento é: Que o Bill não esteja morto, que ele não esteja morto! Que ele só esteja em coma. Que ele esteja em coma sonhando com tudo issoooo!
Por favor Ruuh, me diz que ele não tá mooooorto!  

Tua escrita é muiiiiiito boa, adoooorei mesmo a fic! E tô super curiosa pra saber o que realmente aconteceu. Se o Bill está em coma, ou se morreu realmente. E principalmente o porque da vida dele voltar a se entrelaçar com a da Alley!

Fiquei na duvida aqui, com quantos anos o Bill morreu? '-'
Porque se não li errado, ele morreu com 13 anos, um dia depois de encontrar com a Alley pela primeira vez...
Mas fiquei na duvida porque ela fala dele (com ele, o Bill morto), como se ele tivesse crescido, sido famoso... e estivesse vivo, ou ela não soubesse da morte dele. '-'

Ruuh, vi que faz tempos que tu não atualiza a fic, gostaria de saber se tu vai continuar postando e terminá-la... Espero realmente que sim, porque tua fic é muiiiiiito boa! Estarei esperando por mais capítulos, para matar minha curiosidade sobre tudo o que vai acontecer.

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