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Amélia - As lembranças não estão em fotos

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Sam McHoffen

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Aôe! Pensei que não iria mais ler essa fic! u.u
Mas fico feliz de saber que tu não parou de escrever Jocy!'

Aiii! Eu tava com um puta medo de quando a Becca acordasse! E que Tom burrinho, vai falar que não entendeu o que ela quis dizer?! Olha tua vida, seu bocó! Tu tem uma namorada e tah traindo ela! Queria que a Becca reagisse como?! Transando com você quando quisesse com um sorriso no rosto, pra Ria ser a oficial?
Mas espero que o senhor Tom resolva a vida dele e fique com a Becca, que os dois consigam ser felizes juntos... E Becca ainda precisa contar a história dela pro Tom... Mas se ela não quiser contar pra ele, tudo bem, mas eu quero saber! Hahaha

Hmmm... Sinto cheiro de amor no ar! *o*
Pelo visto Bill e Alice estão começando a se apaixonar, e espero mesmo que isso aconteça, que ela seja "a cura" que o Bill precisa!

Bleeergh! Psicanalista?! Nem morta que vou em um! Não gosto de psicanalistas e psicólogos. Adoro o tema em si, mas não dos profissionais. Estranho né?! hahahah
Maaaas, não se trata do que penso ou não sobre o profissional, e sim do Bill... Entããão, espero que ele melhore, mas acho que a "cura" mesmo é a Alice. u.u

E dona Jocy, vê se não some assim! Estarei esperando por mais capítulos... e pelos segredos da Becca u.u

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Capitulo 19
 
Capricho dos Deuses


 

“Eu ainda me lembro de como você me olhou. No fundo dos seus olhos eu vi um pedido de socorro. Um pedido de ajuda para que alguém te salve desde mundo que você mesmo acabou criando. Eu ficava me perguntando o que você escondia por trás destes olhos. Acredito que até hoje eu não sei ao certo a resposta”.
 
Tom olhou para a porta do quarto de Becca. Ela não desceu para tomar café, nem para almoçar. Bill já havia ligado dizendo que iria demorar. A mãe dos Kaulitz havia saído com o marido para acertar os últimos detalhes do coquetel que iriam dar. Tom almoçou sozinho. Mas, não era isso que o incomodava. Queria saber sobre Becca. Queria entender como ela se sentia. Porém, ele não sabia nem como perguntar. Ele respirou fundo mais uma vez. Andava de um lado para o outro em frente ao quarto dela. Pensando no que fazer. Encostou as mãos na porta. Ainda sentia o cheiro do perfume dela por todos os lados. Não havia como esquecer aquela noite de uma hora para outra como se nada tivesse significado.
Ela estava do outro lado da porta. Deitada apenas olhando para a mesma com os olhos inchados. Iria ficar ali o resto do dia. Não queria que ninguém a visse chorando. Não que Tom a visse assim. Tão frágil, tão sem saída, tão ferida. Ela nunca iria esquecer aquela noite. Ela nunca esqueceria de Tom. Ele havia conseguido o que ela tanto tentou evitar ao longo dos anos e tudo foi em vão. Estava apaixonada mais uma vez e mais uma vez ela estava sofrendo.
 
-Becca, se estiver me ouvindo. Por favor, abra a porta. Não podemos fingir que nada aconteceu. Eu... Quero dizer... Foi real para mim...
 
Não havia resposta. Ela pressionava o rosto contra o travesseiro para que ele não ouvisse os soluços do outro lado da porta. “Se estiver ouvindo... Por favor, me deixe em paz...”
 
-Becca... Por favor... Não me deixe assim... Eu sou um lixo eu sei! Pode jogar na minha cara. Eu não vou desistir!
 
Ele sentou-se no chão em frente a porta. A promessa era verdadeira.
 
-Não saio daqui enquanto não ouvir o que tenho a dizer.
 
Ela olhou a sombra embaixo da porta. Ele realmente estava falando sério. Ela suspirou tentando criar coragem. Não sabia se deveria ir adiante. Mas, havia chegado a um ponto da jornada em que não poderia voltar atrás. Ela levou a mão à maçaneta e a girou meio sem saber o que viria a seguir. O rosto sempre cheio de energia surgiu na porta com uma expressão de tristeza e cansaço. Os olhos inchados os rosto pálidos. Ela abriu passagem para Tom que sentiu-se mal ao vê-la tão abatida daquela  maneira.
 
-Acostumei a vê-la de outra maneira. Se soubesse que iria ferir tanto seus sentimentos eu teria deixado como estava. – Ele começou a falar. Não sabia como começar.
Ela manteve-se em silencio sentada na cama, olhando para baixo. Ela também não sabia o que dizer a ele.
 
-Me diz alguma coisa. Eu sei que sou um imbecil. Que deveria ter deixado como estava. Por favor... Me diz alguma coisa....
 
-O nome dele era Ethan...
 
-O quê? – Tom perguntou sem nada entender.
 
-O homem que tanto amei... Eu te prometi que te contaria né? Ele era o garoto mais lindo do nosso colégio. Lindo perfeito. Eu nunca pensei que um dia ele iria olhar para mim. Mas... Por algum motivo que eu desconhecia, ele se aproximou de mim.
Tom sentou-se de frente a ela. O rosto dela estava refletindo tudo aquilo que ela sentia naquele momento. Ele queria abraçá-la tão forte até que ela sentisse protegida e nunca mais sofresse. Mas, do que a vida é feita afinal se não de sofrimentos?
 
-Minha mãe e meu pai viviam em pé de guerra. Ela era uma estrela de Hollywood mundialmente conhecida. Ela era tão linda... Meu pai era um diretor que dirigiu grandes sucessos, Pablo Moratto Giovanelli. A maioria estrelados por ela. A grande diva Madeleine Smith. Mas, não há nesta vida que dure por toda a eternidade. A carreira dela começou a cair lentamente. Como uma verdadeira estrela cadente. Madeleine Smith foi da ascensão à ruína em uma velocidade absurda. Pelo menos foi assim que todos os jornais a classificaram. Meu pai nunca dizia nada a respeito. Meu pai se cansou das farras, da bebedeira, das drogas, da irresponsabilidade. Eu ainda era muito pequena quando ele decidiu por um fim nas coisas. Meu pai era um homem maravilhoso. Ele nunca disse nada a respeito. Ele escondia de mim as revistas de fofoca em que ela estampava as capas em algum escândalo e me levou para um cidade minúscula na Virginia. Ele queria me manter longe daquilo tudo. Queria que eu tivesse a imagem da melhor mãe do mundo. Com o passar do tempo, ela foi caindo no esquecimento... E ninguém queria saber em que escândalo novo ela estava envolvida. Gastou a fortuna em clinicas de reabilitação e ficou pobre. Eu descobri anos mais tarde que ela havia estrelado sete filmes pornôs, entre outras coisas desagradáveis que ela fez... – Ela suspirou antes de continuar. Tudo aquilo lhe trazia tanta dor que ela tinha medo de continuar. Mas, aquele era o melhor momento. - ...Eu cresci em uma redoma de vidro que meu pai criou. O colégio que eu estudava era só para mulheres e eu nunca havia saído de casa sem seguranças. Minha melhor e única amiga era Alice. Eu acreditava que minha mãe era uma boa mulher e que meu pai era o monstro que me mantinha longe dela. Contratei um detetive escondido dele para encontrar a minha mãe. Eu consegui anos mais tarde. Meu pai me dizia que iria me deixar ir. A nossa primeira e única briga resultou na minha fuga de casa. Descobri que ela morava no interior do Texas, em uma cidadezinha esquecida do mundo, ela fazia teatro em um bar. Tentando em vão alavancar a carreira. Eu ainda me lembro da expressão de surpresa dela. Acho que a ultima pessoa que ela esperava naquele dia era eu. Ela ainda estava bonita, apesar da idade e das extravagâncias. Eu me senti tão emocionada que eu me joguei nos braços dela. Eu me lembro como se fosse hoje. Eu passei a morar com ela. Ela entrou em contato com meu pai, mas ele disse a ela que era minha decisão e que iria respeitar. Ela ainda tentou convencê-lo de me levar de volta, mas ele dizia que só faria isso quando eu quisesse. Eu tinha acabado de completar 15 anos. A quitinete em que nós morávamos era horrível, mas eu só queria ficar perto dela. Comecei a trabalhar em meio período em uma lanchonete. Ela trabalhava no mesmo lugar. De dia como garçonete e a noite como dançarina... Não. Ela dizia “artista local.” Eu estudava na escola durante o dia e trabalhava na lanchonete das cinco da tarde até as dez. Depois disso tinha o toque de recolher. Foi na escola que eu conheci Ethan, o garoto mais lindo daquele colégio. Eu vivi com ele uma paixão arrebatadora e avassaladora. Meu primeiro amor. Eu achava que iria me casar com ele e ter filhos e viver ali naquela cidadezinha. Eu amava tanto o Ethan que eu acho que esqueci até mesmo de me amar. Ele não saia da minha casa. Minha mãe o adorava. Eu nunca desconfiei de nada... – Ela fez uma pausa. – Eu já estava lá há quase um ano e estava me acostumando com tudo aquilo ali. Eu culpava meu pai por tudo, achava que ele era o vilão. Ela tinha folga todas as terças. Um dia eu decidi voltar mais cedo para minha casa, eu abri a porta lentamente achando que ela estava dormindo e a cena que eu vi, eu nunca mais iria esquecer na minha vida. Eles estavam lá Tom. Minha mãe e meu namorado. Na mesma cama que eu e ele... Eu ainda me lembro da discussão. Ela nem tentou se defender...
 
“-Mãe? O que é isso?
 
-O que parece para você?
 
-Não acredito nisso! Vocês dois... Ai meu Deus que nojo! Não acredito que vocês foram capazes! Por que Ethan?
 
-Por que ele quis, eu também. Pronto. Somos adultos aqui não?
 
-Eu pensei que você fosse diferente...
 
-Diferente? De quê? Seu pai nunca disse nada?
 
-Não seja mimada. Você vai ter que aceitar. Sou melhor que você e o Ethan sabe disso.
 
-Você não é melhor do que eu Mãe!
 
-Não? Pergunte ao Ethan.”
 
-Eu me lembro que eu fiquei tão desnorteada que eu nem sei quando o Ethan saiu daquele lugar. Ela agia como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Mas acho que o pior não foi a traição. O pior foi ouvir da boca dela, o quanto eu significava para ela.
 
“-Quer saber? Vai embora morar com seu pai! Eu não tenho saco para menininha mimada. Eu disse para ele que eu não queria você aqui, eu não queria antes e não quero agora!
 
-Quer me ver longe daqui?
 
-Quero que vá para o raio que te parta!
 
-Então, você nunca foi me ver, por que... Não quis?
 
-Eu abri mão da sua guarda por livre e espontânea vontade. Você só iria atrapalhar a minha carreira...”
 
-Eu sai de lá meio sem rumo. Eu liguei para o meu pai e naquela mesma noite ele foi me buscar. Ao contrário do que eu achava, ele não brigou comigo, não me pôs de castigo, não me deu bronca. Ele me deixou chorar o quanto eu podia. Assim que criei coragem eu perguntei a ele quem era Madeleine Smith. A mulher que eu imaginei nunca existiu e nunca existiria. Só havia uma mulher gananciosa e louca por fama que o destino se encarregou de nunca mais devolver para ela. Eu nunca mais vi Ethan, alguns anos depois ele morreu em um acidente de carro. Eu consegui na justiça tirar o Smith do meu nome e acabei me tornando apenas Becca Moratto Giovanelli. Meu pai morreu há dois anos vítima de um infarto. Eu me firmei no ramo de fotografia, fiz algumas faculdades, decidi fazer uma exposição com as melhores fotos a bordo de uma motocicleta. Era meu sonho de liberdade. Tive outros namorados, mas nada mais foi tão intenso e duradouro... Pelo menos não até agora
 
-Você nunca mais viu sua mãe.
 
-Não. Algumas pessoas me informam sobre o seu paradeiro. Mas, eu mesma, nunca mais falei com ela.
 
-Você perdoou o Ethan?
 
-Ele era apenas um adolescente. A dor maior ficou por conta dela.
 
Tom segurou a mão dela, mas ela retirou quase que imediatamente.
 
-Então você acha que eu vou te fazer sofrer também.
 
-Não. A culpa não é sua, Tom. É minha. Por acreditar que eu poderia ser feliz com você.
 
-E o que nos impede?
 
-Tom! Você tem uma namorada! Eu não vou ser a outra. Eu não posso fazer isso com uma mulher que nem conheço. Eu fui enganada e traída. Eu sei como isso dói. Não podemos viver em um mundo de contos de fadas!
 
-Becca, eu largo tudo por você!
 
-Então larga!
 
Um silencio pairou no ar. Becca sabia que a reação seria essa. Tom estava confuso. Ele não iria largar tudo. Era um homem cauteloso em suas ações, até mesmo quando cometia erros.
 
-Eu gosto de você.
 
-Gostar não é o suficiente. Nunca será. Nem o amor sozinho é suficiente. É preciso muito mais que isso.
 
-Becca, eu te...- Ele foi interrompido pelo toque de seu celular. Ele olhou no visor, sentiu um frio na barriga e tentou disfarçar.
 
-É a Ria Tom. Atende. Não precisa ter receios por mim.
 
Ele engoliu seco e atendeu.
 
-Oi Amor.... – Ele disse meio sem  graça.
 
A voz da namorada surgiu do outro lado da linha.
 
-Amor, estou no aeroporto de Hamburgo. Vem me buscar?
 
Não existem segredos para o destino. Ele sabe de tudo, ele tudo vê. E sabendo da fragilidade dos seres humanos, ele se aproveita pregando suas peças maliciosas, esperando pela próxima jogada de seus peões...

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Sam McHoffen

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Putz! Que enrascada o Tom se meteu! Toh até com dó dele agora! Mas ok, vamos pelo começo...

O.o Wow! Eu querendo saber a história da Becca, e não pensei que seria agora! Mas amei... quero dizer, odiei né! Não imaginava nada disso na vida dela, esperava por uma traição, mas não dá mãe com o namorado!

Caramba! Com uma mãe dessa, ninguém precisa de inimigo! Pelo visto a mãe da Becca é uma daquelas pessoas que só pensa em si mesmo e quer a fama por tudo no mundo, pessoas a amando e a idolatrando. Mas não soube lidar com essa perda!
Desculpe, mas quem deveria ter morrido era ela e não o Ethan, ou os dois. u.u
Falando em Ethan, aô bichinho filho da puta em?! Tinha que enganar a Becca, susto com a vadia da mãe dela?!

Ahhhhh, toh com dó da Becca agora... não pelo passado, mas pelo presente e futuro. Ela vai ter que conviver no mesmo ambiente que a Ria e o Tom juntos, isso não vai ser legal. Tadiiinha! Tom, seu filho da mãe! Por que fez isso?! Tu tem que terminar com a Ria, se tu gosta da Becca, tem que fazer isso. E não é abrir mão de TUDO, de TODA tua vida, é só da Ria. Porque se ele ficou com a Becca é sinal que não ama mais a Ria.

Espero que isso tudo se resolva, e da melhor forma possível... Mas confesso que toh com um puta medo desse coquetel. Acho que a Amélia vai aparecer e vai rolar a maior confusão...

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Capitulo 20
Devaneios


 
Nós também nos sentimos sozinhos
Aquele lugar na minha mente
É aquele espaço que você chama de meu
Onde eu estive todo esse tempo?
Perdido e escravizado, declínio fatal
Eu tenho esperado para que isso se revelasse (Bom)
As peças são somente tão boas quando inteiras...
 
Eu não deixaria você ir embora
Sem ouvir o que eu tenho à dizer”
 
                                             Danger, Keep away - Slipknot
 
 
 
Somos responsáveis por tudo aquilo que somos por todas as nossas atitudes e tudo aquilo que nos envolve. Naquele momento em que ouviu a voz da namorada do outro lado da linha, Tom empalideceu e a partir dali não soube mais o que fazer. A mente dele permanecia confusa e incerta. Ele pensava na namorada de longa data e de como aquilo a machucaria. Ele a amava, pelo menos era o que acreditava até conhecer Becca. Ele não queria ser o sem vergonha que sempre foi e fazer Ria sofrer. Por outro lado estava a garota mais sensacional que havia conhecido até então. Apesar do jeito duro às vezes de ser, Becca tinha um bom coração e uma vontade de apenas ver o bem do próximo. Não tinha como ficar com as duas. Cedo ou tarde, ele iria perder uma delas. E como todas as perdas nessa vida, ele iria sofrer as conseqüências delas. Ele demorou uns segundos até conseguir responder.
 
 
-Tudo bem Amor, estou indo pra ai...
 
 
Becca sabia o que aquilo significava. Era o castigo por todos os seus pecados vindo mais uma vez. Ria estava em Hamburgo. Era o fim do sonho mais uma vez.
 
 
-Eu sinto muito Becca... - Tom não conseguiu dizer outra coisa. Aquilo também estava lhe ferindo.
 
 
-Você não me deve nada. Você não é nada meu.
 
-Não diga assim...
 
 
-E de que forma quer que eu te diga? Que eu me importo? Que eu não quero que ela venha?
 
 
-E é mentira Becca?
 
 
-E de que isso importa? Eu estou envolvida em uma traição mais uma vez... Só que desta vez eu sou a outra... Agora vai. Eu vou me certificar de que quando ela vier, eu não esteja aqui.
 
 
-Você não vai sair daqui! - Tom disse se segurando pelos ombros.
 
 
-Tom... Eu não sou de ferro. Sou de carne e osso. Pedir para ficar assistindo de camarote é demais para mim...
 
 
-Por favor... - Ele encostou o rosto bem próximo ao dela.
 
 
-Foi intenso demais. Até mesmo para uma única vez. Mas, é hora de parar com devaneios. - Ela lhe deu um beijo de leve nos lábios, depois posicionou próxima a porta lhe dando a entender que deveria sair. Não havia mais o que se dizer, nem o que fazer. Tom tinha uma namorada e a não ser que tomasse medida contrária. Aquilo não mudaria. Becca estava arrependida. Isso também não mudaria. Ela havia caído na mesma situação de mais de dez anos atrás. Tom seguiu sem olhar para trás. Becca fechou a porta atrás dele e como uma atriz ela tirou a sua máscara após fechar as cortinas.
 
 
Tom demorou até chegar ao aeroporto. Ele precisou parar em algum momento do caminho para tentar não demonstrar nenhuma expressão de tristeza ou ressentimento. Ele olhava para o retrovisor do carro e se questionava, porque no fim das contas ele havia sido apenas um covarde. Ao chegar ao aeroporto avistou a namorada que tinha novamente os cabelos vermelhos, ela lhe abriu um largo sorriso e foi em sua direção. Ela lhe beijou, e pela primeira vez em cinco anos, o beijo dela parecia tão diferente para ele. No caminho ela lhe contava sobre as viagens que havia feito e todos os projetos. Ele sequer ouvia direito e a única coisa que fazia era responder de forma automática. Ele pensava em Becca, se ela cumpriria mesmo a promessa.
 
Eles chegaram à casa dos Kaulitz, ela ainda lhe contava sobre alguma coisa que ele sequer prestara atenção. Tom levou pessoalmente as malas da namorada para o quarto dele.
 
 
-Amor, eu vou tomar banho... - Ela disse tirando um dos casacos que vestia.
 
 
-Ok. - Ele disse olhando para a porta do quarto em que Becca estava. “Será que ela está ouvindo tudo?”
 
 
-Como assim, “OK”? Você não vem?
 
 
-Eu tenho que fazer uma ligação, eu estou preocupado com o Bill que ainda não chegou.
 
 
-Você está estranho hoje... Veio de lá até aqui só respondendo sim e não...
 
 
-É muita preocupação com o Bill...
 
 
-Certo... Eu vou então...
 
 
Bill era a desculpa para todas as suas distrações. Ele também estava preocupado com ele, mas estava pensando em Becca naquele momento. Ele aguardou apenas Ria entrar no banho para ir até o quarto em que Becca estava. Bateu de leve na porta. Não houve resposta. Em seguida girou a maçaneta e lentamente a porta se abriu. A cama estava arrumada. O quarto vazio. Ele caminhou devagar pelo cômodo, olhando para todos os lados, abriu a porta do armário. Ela realmente havia cumprido o que disse. Naquele dia cheio de conturbações e incertezas, cheio de sentimentos doloridos e surpresas inesperadas, Becca fez as malas e partiu, sem ao menos se despedir...
 
 
***
 
 
A conversa entre Bill e Dr. Frinz durou quase duas horas. Alice estava ansiosa do lado de fora. Ela sabia pouco a respeito de Bill, mas sentia por ele um carinho muito grande. O celular de Alice tocou. Era Becca do outro lado da linha que falava com dificuldade. Alice havia esquecido qual fora a ultima vez que tinha ouvido Becca chorar tanto, a não ser na morte do pai há dois anos.
 
 
-Becca? O que houve?
 
 
-Alice, e-eu vou para sua casa...E.. E... D-de lá eu vou voltar para os EUA...
 
 
-Como assim? O que houve? E o coquetel?
 
 
-Ela veio Alice!
 
 
-Ela quem? - Alice perguntava sem entender.
 
 
-A namorada dele... A namorada do Tom... - Becca disse e logo em seguida desligou o telefone. Alice sabia que ela estava mal. Mas, tinha que esperar por Bill que estava na sala do Dr.Frinz. Algumas horas de espera depois A porta do Dr.Frinz se abriu. Bill surgiu com uma expressão pálida e de inquietação. Alice olhou para Mohamed aguardando uma resposta.
 
 
-Eu preciso lhe falar em particular Alice. Bill, você a aguarda?
 
 
-Sim...
 
Alice entrou na sala de Mohamed e sentou-se de frente a ela. Alice estava ansiosa como se ela fosse a paciente, queria muito que Bill recuperasse sua vida.
 
 
-Bem... Eu demorei porque implantei um método exclusivo nele.
 
 
-Que método?
 
 
-Isto é um segredinho meu...
 
 
-Mohamed...
 
 
-Não se preocupe Alice, lobotomia não é mais utilizado... - Ele riu. Mohamed tinha um humor negro que incomodava Alice. - Ele realmente tem um bloqueio. Alguma coisa que o magoou muito no passado. A boa notícia é que a cura depende só dele. A má notícia, é que depende só dele. Ou seja, ele irá se lembrar quando se sentir a vontade para ele.
 
 
-Mas, ele não se lembrou de nada?
 
 
-Acho melhor você conversar com ele...
 
 
Bill estava sentado olhando para o tempo com um copo de água na mão. Alice se aproximou do estilista de forma sutil.
 
 
-E aí? Como foi?
 
 
-A terapia dele é muito boa. Eu deveria ter procurado um psicanalista antes...
 
 
-Se lembrou de alguma coisa? - Alice dizia calmamente tocando-lhe o ombro.
 
 
-Eu me lembrei de quase tudo. Minha família, meu irmão, meus hobbies, as musicas que escrevi. Só existe uma lacuna e um nome... Amélia. Eu ainda não sei quem é ela. Nem o que ela fez. Mas, eu tenho certeza que foi por causa dela que a banda acabou...
 
 
-Vamos por etapas. Precisa ir para casa e se tranqüilizar. Amanhã terá o coquetel com todas as pessoas que gosta, sua família, seus amigos... Não é verdade.
 
 
-Ele me disse que só depende de mim...
 
 
-E você não quer se lembrar da sua vida?
 
 
-Eu não sei ao certo... Tenho medo.
 
 
-De descobrir que eu também sou um vilão para esta história...
 
Alice sentou-se ao seu lado, e delicadamente ela encostou as mãos em seu rosto e olhando fixamente em seus olhos disse:
 
-Somos seres humanos. Por natureza, somos os mocinhos e os vilões ao mesmo tempo.
 
 
-Preciso contar para Becca o que descobri... - Bill disse se levantando
 
 
-A Becca saiu de sua casa... - Alice disse e acabou se arrependendo de dar a noticia desta forma. - Me desculpe eu... Não quis te dar a noticia assim...
 
 
-Mas, por quê?
 
 
-Eu não sei...
 
 
-Pode me dizer... É sobre o Tom né? - Bill disse já premeditando a resposta
 
 
-Sua cunhada veio para cá... - Alice disse dando um suspiro longo.
 
 
-Mas... Logo agora? Pobre Becca, deve estar arrasada. Eu quero muito falar com ela.
 
 
-Acho que o melhor agora é deixá-la sozinha. Ela precisa disso.
 
 
-Tudo bem! Então vamos embora. Eu preciso pensar um pouco. Foi um dia muito tumultuado.
 
Alice acompanhou Bill até a saída, onde Montanha o aguardava. Ele ainda lhe ofereceu uma carona, mas ela preferiu ir embora a pé com seu cãozinho que a acompanhava. Alice foi o mais rápido que podia para poder amparar a amiga que a aguardava. Ela chegou a seu apartamento, Becca estava na porta, com a mala, abraçando as pernas.
 
 
-Oh amiga... Vem vamos entrar...
 
 
-Alice... Eu... decidi te esperar, eu iria para um hotel ou para qualquer lugar, mas eu me esqueci que eu só sabia o caminho da sua casa e da casa dos Kaulitz...
 
 
-Vem... Vamos. - Ela lhe estendeu a mão e ergueu a amiga do chão.
 
 
Becca lhe contou tudo, chorou o quanto podia e depois, apenas passou o dia quieta, sem dizer uma palavra, apenas olhando velhas fotos, relembrando-se de um passado distante, quando não tinha preocupações ao lado de seu pai e das amigas. Alice sabia que ela iria dar a volta por cima. Becca era uma mulher muito forte, talvez demorasse. Mas, o tempo é o remédio para todos os males... Até mesmo aqueles que parecem irremediáveis.
Tom pensava nela o tempo todo. Queria saber como ela estava e como se sentia. Bill havia percebido o quanto ele sofria, mas compreensivo como sempre foi, ele não disse nada. Apenas torcia para que toda a dor dele desaparecesse com o tempo. Já Ria, fingia não perceber que havia algo de errado. Todos agiam como se tivessem omitido um crime, mas preferiu pensar que talvez fosse pelo problema do cunhado.
 
Aquela noite passou em uma velocidade lenta, como se a cada dez minutos passados, voltassem dois. Pelo menos para aqueles que esperam que ele cure todos os males. O Coquetel seria no dia seguinte e muitas surpresas poderiam surgir. Seria a primeira vez em cinco anos que a banda Tokio Hotel estaria novamente reunida e junto com ela todos os sentimentos, todas as desilusões e decepções, todos os sofrimentos, todas as alegrias e vitórias... Todas as incertezas. Os vários nomes envolvidos a ela. Bill, Tom, Georg, Gustav, Peter, David, Natalie, Ria, Simone, Amélia, Alice, Becca. Todos aqueles que direta ou indiretamente fizeram suas vidas entrelaçar entre si tecido por um tear que não deixou pontas soltas.
 
 
No apartamento de Alice era iluminado pela lua naquela noite. A médica observou a velha amiga desfazer novamente sua máscara de indiferença quando a plateia finalmente saiu. Ela fingiu que não viu e voltou novamente para seu quarto. A lua iluminada podia ser vista da janela do quarto de Becca. Se ele tivesse conseguido erguer a cabeça teria visto um dos maiores espetáculos daquela noite... Se tivesse conseguido...

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Sam McHoffen

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Puuuutz! Esse capitulo foi muito melancólico, combinando perfeitamente com meu humor hoje!Neutral

Li o capitulo ouvindo a música citada, e quase chorei com esse capitulo! O Tom fez merda, e por pior que seja, eu não consigo odiar ele, eu só consigo entender esse menino! Porque ele tá gostando da Becca, mas ela acabou de aparecer na vida dele... e tem a Ria, que está com ele a anos, e eles tem toda uma história juntos, não dá simplesmente pra jogar isso pro alto. Mas eu espero que ele fique com a Becca, mesmo que isso machuque muita gente!

Aiiiii Jocy!' Tu não faz ideia do medo que toh desse coquetel! Eu sinto que vai ter merda, que o Bill vai se lembrar de tudo e rodar a bahiana, e se brincar, virar a divã chiliquenta do inicio da fic... Mad
Eu toh começando a ficar com dó do Bill, mas acho que vou ficar com uma puta raiva dele, quando lembrar de tudo. Só espero que ele não desconte isso na Becca e principalmente na Alice.

Ahhh... Tadinha da Becca! Toh triste por ela, eu não queria que ela tivesse se magoado dessa forma novamente. E pior ainda vai ser ela ver o Tom e a Ria. Caramba, espero que ela não desmorone.

Continue!'

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Ai Ai... Que bom que está gostando... Realmente o tempo andou me afastando da rotina e da vida social... Mas, agora to de volta!!! A musica realmente é linda. Eu escreve este capitulo todo ouvindo ela... Repetidas vezes....kkkkkkkkkkkkkk 

Becca é uma mulher frágil revestida com uma casca grossa que adquiriu com o tempo...

Bill agora tem escolhas a serem feitas. Ele já descobriu que só depende dele. Mas, isso não quer dizer que a Alice não dê aquela forcinha...Razz

Obrigada por tudo

Beijos...

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Sam McHoffen

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Sim, toh gostando... Mas acho que toh mais é com medo das próximas emoções!
Eu também ouvi repetidas vezes a música, o tempo todo que li e escrevi meu comentário u.u
Tadinha da Becca, cada uma que tu coloca ela pra passar! Haha E sobre o Bill: MEDO!

Que isso, não precisa nem agradecer! Vou tah aqui (sentindo tua falta nos teus sumiços u.u).
Bju!'

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Capitulo 21
Prelúdio


“É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar os momentos e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem souber ver."

Pedro Bial
                                           


Era o inicio do verão naquele dia. O sol quente indicava que as férias estavam a caminho. Ela desceu as escadas da escola indo em direção à saída. Os cabelos de um vermelho vivo, vestindo a saia de couro que ganhou da mãe e botas de salto plataforma e camiseta do Metallica, maquiagem carregada, e batom vermelho, piercing no nariz e na sobrancelha. Era a segunda vez que trocava a cor do cabelo naquele mês. Seu estilo chamava a atenção por onde passava. Às vezes de forma negativa, pois a cidade onde morava era muito conservadora. Seu melhor amigo a recepcionou com um sorriso tímido nos lábios. Ela o conhecia desde o jardim de infância. Naquela manhã, seu melhor amigo iria apresentá-la há alguém muito especial. Alguém que ela ansiava conhecer a muito tempo.


-Está pronta? - Ele lhe disse sorrindo meio sem graça.


-Pensei que esse dia nunca fosse chegar!


O seu melhor amigo nutria por ela um amor duradouro. Mas, cheia de si como sempre foi, ela fingia que não notava. Eles foram a pé até seu destino. A cidade por ser pequena tudo era muito perto. Eles estavam juntos. Uma idade onde tudo é permitido e fora dos limites. Onde a liberdade dá lugar para a libertinagem. Eles chegaram a seu destino cerca de 20 minutos depois. A anfitriã da casa lhes recepcionou com um sorriso caloroso. E os convidou para entrar. A pessoa aguardada finalmente apareceu. O estilo único e exclusivo, um jeito todo diferente de ser. Ele sorriu para a jovem de cabelos vermelhos, lhe estendeu a mão e se apresentou.


-Muito Prazer. Eu sou Bill.


-Amélia.


Ela olhou nos olhos dele e sorriu. Gustav apenas observava com um nó na garganta. Ele estava apresentando a garota que ele amava para amigo dele. A partir dali não teria mais jeito. Mesmo se tudo desse errado, o nome de Bill estaria sempre entre eles. Não importa o quanto ele se esforçasse para que fosse diferente disso.


Amélia assistiu ao ensaio da banda que eles tinham. A carreira estava deslanchando e em breve estariam em turnê pela Europa. Bill sorriu para Amélia enquanto ela observava o ensaio com os olhos brilhando. Ele se aproximou da jovem e pegou em sua mão, cantava versos sobre um amor que ela desconhecia. Depois do ensaio, ele a convidou para sair, o irmão gêmeo de Bill, Tom, foi acompanhado de uma moça que ele havia conhecido na semana anterior, o romance talvez durasse mais uns dois dias.


Bill fez questão de levar Amélia em casa. Ela não morava muito longe do barzinho em que estavam. Eles caminharam de mãos dadas pelas ruas, enquanto ela lhe falava um pouco sobre sua vida e do que gostava. Ele adorava aquele jeito revolucionário de ser e de não se importar com nada, nem com o que pensavam a seu respeito. Eles pararam em frente a casa dela. Bill abraçou pela cintura e olhou bem nos olhos dela. A respiração ofegante de ambos e o coração disparado. Ela tocou o rosto dele, inclinou a cabeça, era a permissão para o primeiro beijo. Ele entendeu o recado e a beijou, ali no meio da calçada, em frente à casa dela. Mas, o tempo iria passar afinal ele nunca para. Um dia, ele nunca mais iria poder ser livre daquele jeito, e ela não seria mais tão revolucionária. É assim a lei da vida.


Bill e Amélia iniciaram então um romance. Eles foram se conhecendo e se apaixonando, enquanto Gustav apenas aceitava aquilo que estava tão longe de seu alcance. A banda dos garotos, Tokio Hotel começou a ganhar fama mundial pouco a pouco. E logo o nome da banda estaria conhecido no mundo todo no topo das paradas de sucesso. Os meninos se mudaram para Hamburgo, Amélia foi junto com eles. Bill decidiu manter o romance longe da mídia para evitar que Amélia sofresse. Ele dizia que ela nunca seria famosa. Ela não podia tirar fotos, alterar o status de relacionamento nas redes sociais, jamais divulgar nada a respeito deles, ou dar entrevistas. Era o preço por se namorar um rock star.


Amélia sempre deu trabalho aos pais. Filha única de um engenheiro e de uma advogada, Amélia Zerchvich era neta de russos. Era mimada pelos pais e sempre teve tudo o que quis. Ela nunca sentiu o peso das suas atitudes e vivia uma vida sem regras. Seus pais não eram muito presentes, então ela aproveitava para aproveitar a liberdade que foi dada a ela. Fez a primeira tatuagem aos 13 anos, o primeiro piercing aos 12, a primeira bebedeira aos 11, a primeira vez com um cara que ela nem lembrava o nome foi aos 13 no banco de trás de um Ford Del Rey vermelho. Os pais tentaram de tudo: castigos, proibições, impunham limites. Mas, nada disso foi suficiente. Amélia, ou Amy como todos conheciam, não sabia o que LIMITE significava.


Bill foi sem dúvida o melhor namorado que já teve. Não que ele fosse um príncipe, ele também tinha defeitos, mas comparado a todos os outros ele foi o melhor. Ele pelo menos tinha uma profissão, não era nenhum procurado da policia, ou um drogado sem recurso. Amy também conhecia as drogas, foi por causa de Bill que ela parou de usar. Ele dizia que não queria ver ela se destruindo aos poucos.

Amy conheceu Gustav ainda criança, quando estudavam na mesma sala. Naquela época eles dividiam os mesmo gostos e os mesmos sonhos. Até Amy decidir que não queria mais ser só mais uma no mundo e decidiu tomar um rumo diferente de seu melhor amigo. Gustav aceitou o namoro de Amy e Bill. Por amá-la da forma como sempre amou, o que mais importava para ele era sua felicidade não importa com quem ela estivesse.  


E o tempo passou. Amy foi se tornando outra mulher. Foi de roqueira louca e desvairada a mulher moderna do dia-a-dia. Os cabelos vermelhos berrantes (e outras cores extravagantes) ganharam um tom mais escuro, quase um vinho, que mais tarde se tornariam castanhos. As roupas antes pretas e cheias de detalhes e apologias à morte, como caveiras e crucifixos deram lugar a um estilo mais elegante e mais glamoroso, além de salto e cabelos escovados. Bill também mudou, ele começou a adotar um estilo completamente diferente e refinado. Mas, as mudanças que o ser humano adota não só no estilo, o tempo também se encarrega de alterar também as personalidades. O namoro deles tornou-se rotina, e nada mais virou novidade.


Após o lançamento do ultimo CD da banda, eles fizeram uma turnê mundial, no inicio ninguém sabia, mas aquela seria a última. Após o fim da turnê, os gêmeos decidiram se mudar do país, com o intuito de se promoverem na América. Amy só ficou sabendo com a nota no site da Bild.de anunciando a venda da mansão dos Kaulitz. Naquele dia decisivo para ambos, Amy entrou na casa de Bill fulminando de raiva.


-Bill!


-O que houve? - Ele perguntou ao ver a raiva da namorada.


-O que houve? É só isso que você me diz? Eu nunca fui de acreditar em fofocas, mas depois do que eu vi!


-O que você andou lendo Amy?


-Você vai embora do país?


-Está louca? Lógico que não!


-Eu vi no site da Bild! Quando você iria me contar?


-Não seja ridícula, site da Bild? Faça-me um favor!


-Eu averiguei! Eu fui atrás, eu vi os classificados na imobiliária. Não tem seu nome, mas eu vi. Eu olhei as fotos da casa com o corretor! Por que você está mentindo para mim?


-Eu ia te contar... - Bill disse olhando para o lado.


-“IA” me contar? Quando? Quando você estivesse em Los Angeles?


-Foi uma decisão de última hora...


-Para de mentir para mim, por favor... - Amy começou a chorar.


-Amy... É só por um tempo. Eu prometo. Além do mais eu vou vir com frequência. - Ele a segurou pelos ombros tentando consolá-la.


-Eu não aguento mais... - Ela começou a dizer. - Sempre foi difícil, mas está ficando cada vez pior. Eu aceitei tudo: ser a namorada invisível, você mentir o tempo todo dizendo que está solteiro, eu não poder tirar uma foto com você, nem nada do tipo. Te apresentar para minhas amigas, sair com você! Eu não posso nada disso.


-Eu quero preservar você!


-É tudo por um contrato! Está tudo lá naquele papel que vocês assinaram! É só isso.


-Não seja injusta. Eu amo você e só isso basta. Ou só meu amor por você não está sendo suficiente? - Ele tocou o rosto dela com as duas mãos. - É só por um tempo. Em breve eu prometo que volto.


-E se você não voltar?


-Eu levo você junto...


-É uma promessa?


-É sim. Minha obrigação com você...


Ele a beijou. Era um símbolo para se selar a paz momentânea. Alguns dias depois ele se mudou para Los Angeles, enquanto ela se manteve em Hamburgo, eles se falavam todos os dias por telefone, e-mails e mensagens. Gustav tornou-se mais uma vez seu ombro amigo. Era para ele que ela corria todas às vezes em que sentia mal e que precisava de um consolo. Já fazia quase um ano desde que eles decidiram se mudar. Gustav e Georg ficaram no país. Eles preferiam que a badalação ficasse por conta dos gêmeos. Gostavam de ser o segundo plano, preservava mais suas vidas e as pessoas ao seu redor.


Era o inicio de mais um inverno que estava mais frio que nunca. Gustav estava vendo um filme debaixo das cobertas, era um filme de chineses que iam em busca de vingança ou algo assim. Ele não estava interessado. Quase dormindo ele foi despertado pelo celular, era Amy. Ele atendeu meio sonolento.


-Oi Amy...?


-Gust... Eu preciso falar com você... - Amélia disse chorando.


-Amy? Amy? O que aconteceu? Onde você está?


-E-estou na porta da sua casa...


-Eu vou abri para você, espere aí!


Gustav saiu correndo ao encontro de Amélia. Ela o aguardava no portão com os olhos vermelhos. Ele abriu o portão e ela o abraçou.


-O que houve? - Ele disse tentando consolar a jovem.


-Eu cometi um erro Gustav. Eu cometi um erro...


-O que você fez...? - Ele tentava acalmá-la. - Vem. Vamos entrar.


Ele a levou para dentro da casa e lhe deu um pouco de água. Ele não se lembrava de ter visto ela daquele jeito tão desesperada há muito tempo.


-Agora você está mais calma? - Ele perguntou, segurando suas mãos.


-Eu só tenho você... Eu preciso muito da sua ajuda.


-O que aconteceu?


-E-Eu trai o Bill...


Gustav ficou sem reação ao ouvir a frase chorosa de Amélia.


-C-Como assim? Com quem?


-Eu trai ele Gustav!


Gustav deu um suspiro profundo e ajeitou os óculos, ele pensava na melhor maneira de omitir aquele fato sem que o amigo soubesse. Era tudo o que podia fazer.


-Alguém fotografou vocês? Te viu com este cara?


-Acho que não... – Ela dizia com a cabeça baixa.


-Bem, então eu vou ser seu álibi. Qualquer coisa que quiser dizer a ele, eu confirmo.


Amélia chorou ainda mais depois do que Gustav  disse. Ele a amava e não tinha mais nada que poderia fazer a não ser acobertar mais um de seus deslizes.


-Não posso... – Ela começou a dizer.


-Como assim?


-Eu não posso mentir para ele. Não tem como.


-Seja mais clara Amy, eu não consigo te ajudar sem entender a situação.


-Gustav eu estou grávida.


Gustav esfriou. Sentiu o estômago revirar e começou a suar frio. Ele não sabia o que fazer. A frase surgiu como tapa em seu rosto. Amélia estava grávida de um filho que nunca seria dele.


-Que... Bom... Acho que o Bill ficará feliz... e...


-O filho não é dele.


Gustav encostou na cadeira em que estava e deu um longo suspiro. A situação estava pior do ele pensava.


-Como assim... Não é dele?


-Gustav, eu disse para você que tinha cometido um erro. Se fosse só a traição eu daria um jeito. Mas, a minha situação é muito complicada.


-Você vem até aqui me diz que traiu o Bill e ainda me diz que está grávida? E que não é dele?


-Eu sinto muito... – Amélia escondia o rosto nas mãos.


-Amélia! Você não é mais uma adolescente como isso foi acontecer?


-Eu não sei! Acho que excedi um pouco na bebida, eu não me lembro direito!


-Pelo menos podemos tentar dizer a ele que o filho é dele não? – Gustav havia se levantado e andava de um lado para o outro. Enquanto Amélia só chorava, balançando a cabeça negativamente.


-Não tem como esse filho ser dele. Se fosse dele, eu estaria grávida de seis meses, não de dois e meio.


-Seis meses? Tem seis meses que você e ele... Não... Nossa! – Gustav  que sempre foi calmo estava nervoso. Sentia-se num beco sem saída. Ele queria ajudá-la, mas não sabia como. – E quem é o pai?


-Eu não sei....


-Amélia com quantos homens você transou além do Bill? – Ela se constrangeu com a pergunta e desviou o olhar. – Com quantos Amélia?


-Dois.


-Quem?


-Um cara que eu conheci na boate. Mas, esse eu tenho quase certeza que não. Porque ele usou preservativo.


-Você não toma remédio?? – Ele perguntava cada vez mais vermelho e nervoso.


-Eu parei de tomar quando o Bill foi para Los Angeles.


-Meu Deus você não tem juízo... E quem é o outro?


Ela empalideceu e desviou o olhar. Os olhos começaram a marejar mais uma vez e o choro não pode ser contido.


-Quem é o outro Amélia Zerchvich??


Amélia mexeu os lábios sem dizer o nome dele. Tinha medo de que alguém mais pudesse ouvir, que as paredes tivessem ouvidos de dizer o nome da sua maior vergonha. Gustav perdeu as forças e sentou-se no sofá da sala, pálido, encarando os lábios de Amélia pronunciarem o nome mais uma vez e logo em seguida um “sinto muito”. Ele sabia o peso que aquele nome tinha e o que significava aquela traição. Um escândalo, um golpe, um mal sem cura. Gustav levou as mãos à cabeça e ficou em silencio por um longo tempo. Ela chorava cada vez mais, desta vez em tom de desespero. Depois de um tempo em silencio ele olhou bem nos olhos dela.


-O que você vai fazer?


-Eu pensei que pudesse me ajudar. Eu pensei em abortar... e ...


-Nunca. – Gustav não deixou que ela terminasse. – A criança não tem culpa.


-Mas, Gustav eu...


-Amélia, esta criança não tem culpa. Você errou, ela será a consequência. Não podemos simplesmente nos livrar dela. Isto é um assassinato!


-Estou desesperada... Não posso dizer ao Bill quem é o pai...


-Então você tem certeza? – Ela afirmou com a cabeça. -Quando eu me acalmar quero que me conte como aconteceu. Por hora, vamos buscar uma saída para seus problemas.


Ele caminhou por muito tempo pela sala. Andando de um lado para o outro em silencio. Ele as vezes a observava, frágil, desesperada, em busca de uma saída. Pensou em todas as pessoas envolvidas. Em si mesmo, em Bill, no amante, no bebê que nunca teve culpa. Ele pensou em como dizer a verdade seria dolorido e sofrido para todos eles. Em como pessoas inocente iriam pagar por tudo isso. Ele suspirou mais uma vez. Talvez fosse a maior besteira que fosse fazer em toda a sua vida. Ele segurou as mãos dela e disse devagar.


-Vai dizer a ele que é meu.


-Como assim? – Amélia levou um susto com a afirmação.


-Vai dizer que temos um caso e que você se apaixonou e que quer ficar comigo. De todo jeito ele não te aceitará mais de volta. Tenha consciência disso. E isto pode custar a nossa banda e nossa amizade.


-Eu não vou admitir que faça isso!


-Você não tem outra escolha! Vai dizer a ele que se apaixonou por outro e que quer ficar com ele. Eu vou assumir seu filho como se fosse meu. Se não quiser criá-lo dê para sua mãe criar. Ela ainda mora em Magdeburg mesmo!  Eu juro que nunca faltará nada para ele e nem para você.


-Não precisa fazer isso. Podemos dizer a verdade. Eu assumo tudo desta vez. Mas, por favor, não quero que se prejudique.


-Amélia, não tem jeito. Entre mim e o verdadeiro pai. Que seja eu! Você quer uma verdadeira tragédia? Já pensou em quanta gente iria sofrer?


-Eu digo que foi um cara qualquer e pronto!


-É isso que vai dizer a seu filho? Que foi um cara qualquer? Pelo menos uma vez na vida pense em outra pessoa além de você.


-Por favor Gustav, não precisa fazer isso! Por quê? Por quê está fazendo isso? – Ela chorava agarrada às mãos dele. -Não seja bobo. Apenas me deixe quebrar a cara, é só o que eu mereço. Não precisa se sacrificar.


-Isto não é só por você. É pelo Bill e por tantas pessoas que amo.


-Você me ama Gustav?


-Você sabe que sim... - Ele a encarou. Ela sabia. Sempre soube, mas egoísta como era, ela fingia que nem percebia.


-Agora, você vai me contar como tudo aconteceu. Depois vamos preparar nosso álibi. Não podemos nos contradizer.


-Ele vai odiar você...


-É o preço a se pagar.


-Não é seu preço. É só meu.


-Agora é tarde.


Ela deslizou do sofá e sentou-se no chão. Ele a ergueu do chão. Ela o abraçou e ficaram assim por tempo o bastante para que ela sentisse protegida nos braços do melhor amigo. Amy não queria nunca que aquele momento se acabasse. A partir dali ela só teria uma pessoa na vida. Gustav. Seus pais iriam condená-la, todos iriam crucificá-la, talvez seu próprio filho a odiasse um dia.  Ela passou tanto tempo buscando um amor diferente e desconhecido e a maior prova de amor foi dada pela pessoa mais inesperada.


Quando a “verdade” veio a tona, a banda chegou ao fim, os amigos não eram mais amigos. O namoro chegou ao fim, todos a odiavam. Amélia teve um menino, Logan. Que ela entregou para que a mãe o criasse em Magdeburg. Ela não queria que o filho sentisse vergonha dela. Para Logan, Gustav e Amélia eram seus pais. Eles o visitavam juntos a cada quinze dias.


A criança acabou criando entre eles um elo quase inquebrável. Gustav ainda jogava algumas coisas na cara dela. Mas, Amélia era uma boa mãe, mesmo distante. Ela amadureceu com a maternidade, como a maioria das mães. Para Gustav ela ainda agia como uma criança birrenta e mimada, mas era o jeito dela de chamar a atenção dele. De fazê-lo ficar por perto. Como se ele conseguisse ficar longe dela...


O ser humano sempre acredita que as escolhas são justificativas para os erros e os erros são feitos por más escolhas. Mas, nós estamos sempre induzidos por aparências e por preconceitos, sem nunca aceitar que não tem como amar nada neste mundo sem que antes possamos conhecê-las.

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Sam McHoffen

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Joooocy! Eu quero te baaater! Sorte a tua que tu mora muito longe de mim, se não eu estaria agora na porta da tua casa pra te torturar até tu me contar com quem a Amélia traiu o Bill! Eu exiiiijo um novo capitulo, e que ele seja esclarecedor!

Eu toh com taaaanto medo de saber com quem a Amélia ficou, tu não faz ideia! Eu só consigo pensar numa pessoa, e eu não quero por nada nesse mundo que seja quem eu toh pensando. Apesar de achar que não seria possível! Mas eu vou respirar umas 50 vezes e tentar ficar tranquila, e achar um outro "culpado".

E Gustav! O.o O que tu fez Gustav?! Por que fez isso?! Deveria ter deixado o culpado se lascar, ou a Amélia sozinha!
E peeeera ai! Ela teve o filho e nem teve decência de cuidar?! A cada capitulo que passa, eu só consigo odiar mais a Amélia! Eu toh pagando pra ver eu gostar pelo menos 1% dessa mulher no final da fic! -.-'

Eu sinto que nesse coquetel, a coisa vai ficar feia e vai sair tiro pra todo lado, além de todo mundo sair ferido! Ai que agonia!
Quero mais capitulos!

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60 Capitulo 22 em Ter Jul 02, 2013 8:52 pm

Capítulo 22

Apenas Palavras



“O que eu me tornei, minha mais doce amiga?
Todos que eu conheço vão embora
No final
E você poderia ter tudo isso
Meu império de poeira
Eu vou te desapontar
Eu farei você sofrer
Se eu pudesse começar de novo
A milhões de milhas distante
Eu me salvaria
Eu encontraria um jeito”

Hurt - Johnny Cash



Tom se levantou sem muito entusiasmo, enquanto Ria ainda dormia. Tomou um banho quente deixando a água quente cair por todo o seu corpo. Queria que a água ajudasse a apagar tudo aquilo que lhe deixava sem sono e sem saída. Ele pensava em Becca, em como queria vê-la e falar com ela. Pedir desculpas pelo seu fracasso. Depois de se trocar, ele desceu para tomar café, Bill já estava sentado à mesa comendo um croissant. Ele lhe desejou bom dia e juntou-se a ele.

-Você ainda tá triste...? - Bill perguntou em voz baixa e olhando para as escadas para ver se Ria não estava descendo.


-Eu... Estou mais ou menos. Estou me sentindo mal.


-E porque você não a procura?


-Eu não posso!


-Por quê? Pela Ria?


-É. Não. Não sei. - Tom disse meio confuso.


-Você ainda gosta dela? - Bill perguntou


-Não me faça tantas perguntas! - Tom disse em sussurro.


-Me desculpe. É que eu achei que você estava tão feliz com a Becca... E... Eu sinceramente iria querer muito aquela doidinha como cunhada. Como... Membro da nossa família.



-Eu... Não sei ao certo. É difícil para eu escolher entende Bill? Eu gosto da Ria. Estou com ela há tanto tempo... E, eu já tinha me acostumado a tudo. Daí... Veio a Becca. E minha cabeça começou a fazer confusão. Eu não sei o que fazer...


-Eu acho que a primeira coisa a fazer seria conversar com a Becca. Pelo que você me contou ficou um espaço vago... Reticências...  Vocês ainda têm muito para por em dia...


-Eu sei disso... Mas, você acha que vai adiantar? Eu nem sei onde ela está! O celular dela só dá desligado!


-Eu acho que posso te ajudar com isso...


-Você pode...?


-Sim. Mas, você tem que prometer que vai até lá pelo menos conversar com ela.


-Ok. - Tom disse erguendo as mãos em sinal de rendição.


-Eu conheci a melhor amiga dela. Alice. Ela estava comigo ontem quando a Becca ligou para ela contando o que havia acontecido...


-Sério? Você estava com uma garota?


-Não seja bobo. Eu lhe contei que ela me levou a um médico psicanalista amigo dela! Mas, voltando ao assunto. Eu te dou o endereço dela e você vai até lá.


-Eu? Ir até lá? E o que eu digo à Ria?


-Deixe a Ria comigo! Só vai lá!


Tom se levantou e deu um abraço no irmão. Que olhou para ela com uma cara cômica.


-Você é o melhor irmão do mundo! - Tom disse sorrindo.


-Eu sei disso. Agora vai!


Tom saiu de casa com a intenção de resolver tudo. Cerca de cinco minutos depois que ele saiu Ria se levantou. Desceu as escadas vestindo uma legging azul brilhante e um logo casaco preto de lã.


-Onde o Tom tá indo? - Ela disse olhando o carro dele sair.


-Foi resolver umas pendências do coquetel...


-Que pendências?


-Ele não me disse... - Bill disse sem tirar os olhos da revista que folheava.


-Ele anda estranho ultimamente... - Ria disse sentando-se à mesa.


-Impressão sua. Ele só está nervoso com tudo isso que tem acontecido. Meu acidente o deixou muito preocupado.


-Eu até entendo. Mas, parece que tem algo mais.


-Deve ser o reencontro com o Georg. Você sabe. Ele gosta muito dele.


-Ele se reencontrou com o Georg? Ele nem me contou! Aliás, a gente nem conversou direito. - Ela parou por um instante. - Espera. Você se lembra do Georg? - Bill ergueu os olhos.


-Eu... Lembro-me de algumas coisas...


-Sei... Então tá. Se você souber de algo que possa me ajudar, por favor, me conte. Eu amo muito o seu irmão. Pode deixar.


Ria estava desconfiada do que viria a seguir. Ela conhecia Tom o suficiente para saber que alguma coisa realmente estava errada. Ele estava estranho, distante e frio. Não que ele fosse o maior romântico de todos os tempos, mas ele era pelo menos um pouco mais carinhoso. E desde que ele voltara ao país. Ele agia completamente diferente, como se houvesse outra. O que Ria não sabia é que realmente havia outra.


***


Alice levantou com o som de seu despertador. Ela espreguiçou-se na cama, criando coragem o bastante para se levantar da cama. Ela observou a janela semiaberta que deixava os pequenos raios de sol invadir a janela. Ela levantou meio sonolenta e devagar e foi até o quarto de Becca. Estava preocupada com ela. O quarto de Becca ficava ao lado do dela. A cama estava arrumada. As roupas desaparecido. Sobre o travesseiro branco, apenas um bilhete escrito à mão:


“Alice,
Não se preocupe comigo. Eu vou superar. Você sabe que sim. Eu só preciso aliviar um pouco a cabeça, não se preocupe. Não vou sair do país.”

Alice não sabia ao certo o seu destino, mas ela sabia que realmente aquilo era necessário. Becca precisava sair daquele tumultuo ficar em algum lugar do mundo só para ela. Alice olhou o relógio: 10:45 da manhã. Ainda faltavam quase 10 horas para o coquetel.  Ela só se perguntava que surpresas aquele coquetel traria?

Pensava em Bill. Ele era um bom homem, de coração nobre. Ela apenas se perguntava o que havia o ferido tanto a ponto de não querer sequer se lembrar. Ela olhava pela janela de seu apartamento quando ouviu a campainha tocar. “O porteiro mandou subir de novo!” Ela pensou. Caminhou devagar até a por e olhou pelo olho mágico. Ela se assustou com a visita inesperada e em seguida abriu a porta.


-Olá... - Ela cumprimentou o homem a sua frente. Ele era simplesmente idêntico ao Bill, com algumas diferenças, mas tinham o mesmo rosto. Era a ultima pessoa que esperava ver naquele dia. - Pois não?


-Você deve ser Alice.  - Ele disse meio sem graça.


-Sim. Eu mesma.


-Eu sou Tom. Muito prazer... - Ele lhe estendeu a mão.



-Muito Prazer. E... Em que posso ajudar, Tom?


-Eu... Eu soube que você é amiga de Becca. Bill me passou seu endereço. Ele me disse que talvez ela estivesse aqui...


-E o que senhor é dela?


-Eu... - Ele pensou por um instante nas palavras de Becca “Você não é nada meu.” E sentiu um sentimento de culpa. - Um amigo.


-Bem, eu sinto muito. Ela estava aqui ontem à noite. Hoje ela... Foi embora.

Tom sentiu um nó na garganta e um sentimento de fracasso. Ele havia perdido a guerra pela primeira vez. Ela havia ido mesmo embora. Para longe dele. Talvez nunca mais ela a visse, ou falasse com ela, ou sentisse o doce perfume dela. Tentou disfarçar para que Alice não percebesse.


-Para onde? - Ele disse finalmente.


-Bem... Não sei. - Alice também queria saber.


-Ela ainda está aqui em Hamburgo?


-Eu também não sei. Ela saiu antes que eu acordasse e só me deixou um bilhete, sem dizer aonde ela iria.


-Ela liga para você? - Ele perguntou com a voz baixa.


-Hoje ela ainda não ligou, mas... Se ela ligar quer deixar algum recado?


Ele pensou por um instante. Queria deixar tudo como sempre foi. Era melhor assim. Foi o acordo que eles chegaram. Mas, só em pensar que não a veria nunca mais era uma tortura.


-Não...


-Tem certeza? - Alice perguntou na esperança que ele dissesse alguma coisa.


-Não... -Ele iria dizer adeus e ir embora, mas mudou de idéia no mesmo instante. - Não. Dê um recado a ela sim. Diga que nós ainda não terminamos nossa conversa. Eu tenho muito ainda o que dizer a ela.


Alice acabou se intrometendo no assunto. Ela não gostava disso, mas em alguns casos era quase inevitável, principalmente quando dizia respeito a quem ela tanto gostava.


-Só palavras não vão adiantar com a Becca... E você sabe.


-O quer dizer? - Ele disse tentando entender.


-Ela espera uma atitude sua Tom. Que você decida. Eu sei que é muito difícil tomar uma decisão dessas. Ela só quer que você saia de cima do muro.


-Ela disse isso para você?


-E ela diz alguma coisa sobre ela?


-Como ela chegou aqui? Digo, em que estado? - Ele disse com a voz meio falha.


-Decepcionada. Eu sei que nunca prometeu nada para ela. Mas, a Becca quando ama, ama com todas as forças!


-Você acha que ela me ama?


-Você ainda tem duvidas?


-Eu me sinto um lixo. - Ele abaixou a cabeça. - Um covarde. Eu preferi a comodidade da minha rotina a arriscar tudo por ela.


-É o mal do ser humano. Ele gosta de ficar acomodado. Eu dou o recado a ela Tom... Vai pra casa agora. Pense em que você realmente quer e tome uma decisão. Se você continuar com a sua namorada, ou se você quer a Becca. Eu tenho certeza que as duas serão corretas, mas isso é seu coração, seus sentimentos que saberão o que é melhor para você. Nunca se esqueça disso.


-Obrigado...


Ele virou as costas e caminhou até o elevador. Alice sentiu uma sensação de pena e pesar ao ver aquele homem triste e indeciso. Escolhas são sempre difíceis, principalmente quando são tão decisivas quando a escolha de quem você ao seu lado, para compartilhar tudo. Amor, medo, dúvida, incertezas, alegrias e tristezas. Talvez, por isso os casamentos não dessem certo e acontecessem tantas separações. Ela pegou o celular e tentou localizar Becca, mas o telefone da ruiva só dava fora de área. Ela começava a ficar preocupada. Mas, Becca queria ficar sozinha. Então ela só poderia respeitar a decisão dela.


***


Gustav e Amélia estavam sentados um de frente ao outro à mesa de madeira no centro da sala de jantar da casa dele. Amélia observava o convite do coquetel dos Kaulitz. Gustav havia decido ir ao Coquetel naquela manhã e isto realmente incomodava Amélia.


-Você vai? - Ela disse olhando fixamente nos olhos dele.


-Vou sim. - Ele respondeu sem desviar o olhar dela.


-Não posso acreditar. - Ela retrucou.


-Pois sim, eu vou. - Gustav se mantinha firme.


-Você quer ser expulso de lá?


-Eu fui convidado. - Gustav disse calmamente.


-Você sabe que ele nos odeia!


-Eu sei. Mas, ele está desmemoriado.


-E se ele estiver mentindo? - Amélia disse alterando o tom de voz.


-É o que vamos descobrir.


-Eu juro que quando te conheci, pensei que era uma mosca morta. E vejam só que brilhante jogador nós temos aqui! - Amélia havia perdido a calma. Gustav sempre dizia que ela era como uma bomba relógio prestes a explodir a qualquer momento.


-Eu jogava xadrez online. - Gustav disse com a mesma expressão calma de antes.


-Sem piadinhas Schäfer! O assunto é sério. Eu pensei que nunca mais teríamos que ser humilhados de novo.


-Eu não estou jogando Amélia. Eu estou apenas aceitando um convite e uma chance de rever amigos que eu perdi por sua culpa.


-Você me ajudou porque quis. - Ela deu de ombros.


-Veja como é mal agradecida... - Gustav disse com tom irônico. - E obrigado pelo “mosca morta”. Estou me sentindo muito melhor agora. Explica porque você sempre me tratou como tal.


-Eu nunca te tratei mal! Não como você faz comigo hoje em dia. - Ela disse com o rosto triste.


-Eu tinha um pouquinho de respeito por você, mas sinceramente, depois do que você fez. Eu sinto muito... A única coisa que posso ter por você é pena.


-Eu amo você Gustav...


-Para! - Ele fez o sinal de pare com mão. - Hoje não. Não quero ouvir suas declarações fora de hora, pelo amor de Deus. Além do mais eu já decidi. Eu vou.

-Você é quem decide. OK. Como quiser. Se você for expulso de lá, eu nada posso fazer... Não venha me ligar e nem nada.

Ela olhou para o rosto calmo e sem expressão de Gustav e abaixou a cabeça. Ele passou a vida inteira lutando pela atenção dela e pelo carinho dela, mas, ela se sentia superior demais para perceber. Na atual situação em que se encontrava era Amélia que implorava por um simples sorriso dele, um simples olhar diferenciado. Era ela quem queria o seu Respeito.


***


Tom chegou em casa com cara de poucos amigos. Bill, logo percebeu que as coisas não tinham dado certo. O irmão passou por ele em silencio e sentou-se em uma das poltronas da sala de estar. Bill se aproximou devagar e sentou-se ao lado dele.


-Deu tudo errado? - Bill perguntou.


-Deu sim. Ela foi embora.


-Quê? Embora pra onde?


-Alice não sabe.


-E o que você vai fazer? - Bill perguntou tocando o ombro do irmão.


-Eu não sei... Vou continuar a minha vida. É só o que posso fazer.


-Eu sinto muito. Eu sinto muito mesmo. Eu vou tomar um banho. Agora mesmo começaram a chegar os convidados. - Bill disse se levantando. - Antes que eu me esqueça, você foi resolver pendências do coquetel, viu? - E deu uma piscadinha.
Ria viu Bill se afastar e se aproximou do namorado.

-O que houve? Onde você estava? - Ela disse se sentando no colo dele.


-Eu fui... Resolver umas questões do Coquetel. Buffet, bebidas, essas coisas.


-Pensei que estivesse com a outra... - Ela brincou. Por trás de toda brincadeira tem um quê de verdade.


-Não seja boba. - Tom gelou. - Não existe outra. Para mim, só existe você...


-Eu sei disso. Eu estava brincando. - Ela disse dando um beijo nos lábios dele. - Eu ando preocupada com você...


-Eu estou bem. É sério. Agora vá se arrumar. Mulheres sempre demoram a ficar prontas e agora mesmo chegarão nossos convidados. - Ele disse dando um tapinha na bunda dela.

Tom respirou fundo. Queria mesmo que estivesse bem e que não sentisse a partida de Becca. Ele só queria saber onde ela estava e como ela estava. E pelo que ele conhecia dela. Provavelmente estivesse muito longe.


***


Bad Oldesloe é uma cidade de pouco mais de vinte mil habitantes que se situa a aproximadamente 35 km de Hamburgo. Repleta de verde e de patrimônios históricos a cidade é um charme para quem procura um pouco de sossego. O café no meio da cidade não estava muito cheio naquele horário. Havia no local a garçonete de cerca de 30 anos de idade, que parecia ser a filha (ou esposa) do proprietário do local, um senhor tomando seu café preto e comendo panquecas, um jovem alto e loiro folheando a coluna de esportes e uma mulher de cabelos loiros e medianos olhando a capa de uma revista que acabara de comprar na banca do outro lado da rua. A capa trazia a seguinte manchete:

“Tom Kaulitz é visto buscando a namorada no aeroporto esta tarde de sexta feira...”


A foto de Ria com os cabelos novamente vermelhos de mãos dadas com Tom era bem nítida. A mulher enrolou a revista e a jogou novamente no lixo. Ela olhou o cardápio, tirou do bolso o iPhone e digitou no Google tradutor: “Por favor, me traga leite e torta de limão. Obrigada.” Ela fez sinal para a garçonete que veio para lhe atender.

- Sie auch? - A garçonete perguntou.


- Bitte bringt mir Milch und Zitronenkuchen. Vielen Dank. - A cliente pediu com dificuldade.


-Eu falo inglês moça, se for ajudar... - A garçonete disse em “inglês“.


-Graças a Deus! Me traz um leite e uma torta de limão?


-Sim senhora!

O celular da mulher tocou. Era uma mensagem que dizia o seguinte:

“Sei que não saiu do país... Se puder me retornar eu agradeço. Preciso urgente da sua ajuda, eu me lembrei de tudo... Preciso que venha ao Coquetel... Quando puder me ligue que vou te explicar - Bill.


Ela se assustou com a mensagem e imediatamente digitou a resposta:

“Eu estou há 35 km de Hamburgo, eu vou para ai o mais rápido possível... Te ligo quando estiver quase chegando..”

Ela dispensou o pedido, pagou a conta e saiu correndo. A moto que havia alugado em Hamburgo estava estacionada em frente à Lanchonete. Ela ligou a moto e saiu em direção de volta para Hamburgo. Há cerca de duas horas atrás havia mudado a cor do cabelo, não queria que nada que lembrasse os Kaulitz. A maioria das coisas na vida são imprevisíveis. Quando você menos espera todos os planos que você fez tem que ser desfeitos. Na verdade, é isso o que torna a vida tão interessante...

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Sam McHoffen

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Aaaaaaaahhhh! Jah começou o capitulo arrebentando, com titio Cash! Essa música é linda demais! *o*

Bill, eu jah disse que te amo hoje?! Não?! Pois é, eu te amo seu idiota de uma figa!... Sim, é o personagem tah? u.u
Acho que o Tom estava precisando desse incentivo do Bill, e ele fez certo em ir atrás da Becca... E Becca, por que tu foi emboooora?! Não podia mulher!

Eu jah disse que adoro a Alice?! De todos na fic, ela é minha preferida, porque eu simplesmente me identifico com ela! Mesmo não devendo, ela deu a opinião dela sobre o que o Tom deveria fazer... E eu teria feito a mesma coisa que a Alice, teria falado algo pro Tom, pra ele pensar no que realmente quer e lutar por isso. Mas espero que ele queira a Becca. hahaha

Até hoje, eu não entendi qual é a da Amélia, uma hora ela é uma pessoa, na outra é completamente diferente! E pelamor Gustav! Deixa essa mulher de lado e sai dessa! Ela não tah nem ai pra você, e tu fica ai atrás dela, mesmo a tratando mal tu ainda quer ela. Cria vergonha nessa cara e vai atrás de coisa melhor, se faz o favor!

O.o Oii?! O Bill lembrou de tudo?! Meu Deus! A coisa vai ficar feia, eu sabia que ia sair merda nesse Coquetel! Puta medo do que vai acontecer, espero que o Bill não faça nada de louco e que algumas verdades sejam esclarecidas...

E Jocy sempre parando nas horas mais agoniantes, né?! -.-'
Quero maiiiiiis! 

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62 Capitulo 23 em Qua Jul 03, 2013 8:37 pm

Capitulo 23
Vivendo de Passado



“Tentando julgar o amor futuro pelo sofrimento passado. O amor é sempre novo. Não importa que amemos uma, duas, dez vezes na vida - sempre estamos diante de uma situação que não conhecemos. O amor pode nos levar ao inferno ou ao paraíso, mas sempre nos leva a algum lugar. É preciso aceitá-lo, porque ele é o alimento de nossa existência. Se nos recusamos, morreremos de fome vendo os galhos da árvore da vida agregados, sem coragem de estender a mão e colher os frutos. É preciso buscar o amor onde estiver, mesmo que isto signifique horas, dias, semanas de decepção e tristeza. Porque, no momento em que partirmos em busca do amor, ele também parte ao nosso encontro. E nos salva.”

Trecho do livro Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei - Paulo Coelho



Amélia andava de um lado para o outro olhando para o relógio. “O coquetel deve ter começado...”. Ela pensava em Gustav e em como ele poderia ser maltratado ou humilhado. Embora ele não acreditasse, ela realmente gostava dele. Foi o seu porto seguro no momento em que mais precisava e mesmo ela sendo insensata e mesquinha como sempre foi ele estava lá sempre. Se ela pudesse voltar no tempo, se soubesse o seu futuro, teria feito a escolha certa. “Não adianta ficar aqui assim... Droga.” Ela pensava. Talvez se a vida tivesse dado a cada um o direito de corrigir um único erro na vida, em troca de qualquer coisa, algumas pessoas dariam. Somente um erro corrigido poderia ter trago mais finais felizes. Amélia daria tudo para corrigir o seu. Olhando pela janela naquele sábado a única coisa que conseguia pensar era em Bill e como sua vida poderia ter sido tão feliz ao lado dele. Ela sentou-se na beirada de sua cama com uma caixa redonda que ela guardava as velhas fotos do passado. Ela ainda se lembrava como tudo aconteceu. Como se fosse ontem... O interfone tocou a despertando de seus pensamentos.


-Alô? Quem é?


-É da portaria. Disse que é sua prima... Yolanda.


-Yolanda? Aqui? Mande subir, por favor!


Ela desligou o interfone e correu até a porta. Fazia muitos anos desde a última vez que a viu. Yolanda morava em Amsterdã há mais de 10 anos e fazia poucas visitas à família devido à grande carga horária de trabalho. Yolanda era dona de um supermercado que funcionava todos os dias. Amélia abriu a porta assim que ouviu a campainha e seu sorriso foi de forma lenta desaparecendo.


-Você não é a Yolanda...




***



O Coquetel teve um tema bem sofisticado e somente os mais próximos foram convidados. O local escolhido foi entre a área externa a beira da piscina e o salão da mansão. O cardápio para a festa foi em sua maioria frutos do mar. Os gêmeos eram vegetarianos e não suportavam carne vermelha. A bebida varia de cerveja, vinho, espumante,  wisk e drinks preparados especiais preparados pelo barman contratado para aquela noite. Os que não bebiam estavam sendo servidos com sucos naturais e refrigerante, normal e diet. A decoração foi toda escolhida pela mãe dos gêmeos que por ser artista plástica tinha uma certa noção de decoração.

O primeiro convidado a chegar foi Peter Hoffman acompanhado da esposa. Tom o recepcionou com um grande abraço e pediu para que se sentisse em casa. Calmamente Bill olhava os rostos e repetia seus nomes em voz baixa. A memória dele, realmente estava de volta. Mas, ele preferiu deixar o mistério, queria ver como as pessoas reagiam diante dele, agora que era um “desmemoriado”. Tom levou Peter até Bill.


-Este é Peter Hoffman, era o manager da nossa banda. Se lembra dele Bill?


Bill se lembrou dele, de como ele tentou fazer com a banda ficasse unida, de como ele brigou por eles do começo até o fim.


-Não. Quero dizer, vagamente. Mesmo assim é um prazer revê-lo. Eu acho... - Bill sorriu para Peter que o retribuiu o aperto de mão.


-É um prazer revê-lo também Bill. Esta é minha esposa, Verônica. Nos casamos depois há uns dois anos.


-Muito prazer Verônica. Bem, sejam bem vindos e fiquem a vontade.


Bill olhava atentamente para o relógio de pulso. Os primeiros convidados começavam a chegar. Ele estava vestido um terno que havia feito exclusivamente para aquela ocasião, na cor preta com detalhes em dourado e uma camisa também preta. Horas antes havia chamado uma cabeleireira e arrumado seu cabelo que agora estava longo, pouco abaixo dos ombros e loiros.



-Ansioso? - Gordon perguntou se aproximando de Bill.



-Muito.


-Não se preocupe filho. Vai dar tudo certo.


-Eu sei que vai. Obrigado.


Tom estava vestindo um jeans azul escuro e uma camiseta lisa branca com um blazer preto. E um tênis branco. Adorava Sport fino. Ele ficou encarregado de receber todos os convidados e “reapresentá-los” a Bill, que como manda o figurino, acenava e sorria.

Ria demorou um pouco a aparecer. Como toda mulher ela demorava também para arrumar. Desceu as escadas vestido um vestido azul marinho justo e colado ao corpo. Com salto alto e o cabelo preso por uma trança lateral. Ela cumprimentou a todos e foi ao encontro do namorado.



-Uau! Você está linda!


-São seus olhos, amor...


David Jost também era manager da banda. Ele chegou acompanhado de uma jovem modelo que havia conhecido na França. Tom o recepcionou com um abraço e cumprimentou a jovem que o acompanhava com um leve beijo no rosto.


-Bem vindos!


-Esta é Charlotte. Ela é daqui, mas eu a conheci na minha ultima viagem À França. - David disse apresentando a jovem que o acompanhava.


-Tá ai um lado seu que eu não conhecia... - Tom brincou.


-Ria? Uau! Tá linda hein? Você fisgou mesmo o coração desse cara hein?


-Eu tenho meus encantos... - Ela brincou.



Bill olhou bem para o rosto de David e pronunciou seu nome baixinho, como havia feito anteriormente. Ele já se lembrado dele também, o homem que trocou socos com Georg em uma discussão, o mesmo que avisou a Bill dois meses antes que havia algo de errado com Amélia, mas que nunca lhe disse o que era. Ele sorriu assim que David se aproximou e lhe estendeu a mão.


-Como vai?


-Se lembra de mim Bill? - Bill simplesmente detestava esta pergunta desde que tinha 7 anos e seus familiares ficavam perguntando se lembravam deles ou não..


-Mais ou menos. Eu estou me recordando aos poucos. - Mentiu. Ainda não era a hora de dizer para todo mundo que ele se lembrava de tudo.


-Eu fico muito feliz em rever você.


-Igualmente... Fique a vontade, por favor.


Bill se lembrava de todos aqueles rostos. Todos eles fizeram parte da sua vida de algum jeito, em algum momento de sua vida. Os convidados iam chegando aos poucos: seu melhor amigo Andreas, sua maquiadora e cabeleireira particular Natalie Franz, alguns parentes e amigos, alguns empresários. Ele suava frio. Estava ansioso.


Um dos últimos convidados a chegar foi o velho amigo Georg. Acompanhado da esposa , ele desceu do carro devagar. Os cabelos um dia longos, agora estavam curtos, dando-lhe um ar mais jovem. Tom abriu um largo sorriso ao vê-lo. Ele era de longe, para Tom, a pessoa mais aguardada daquela festa. Bill o reconheceu sem esforço. Ele não havia mudado muito desde a última vez que o havia visto. Bill se recordava da briga que tiveram, das ofensas trocadas e de como a amizade de anos foi por água a baixo em questão de segundos. Georg caminhou meio sem jeito e sem graça pela casa que ele não entrava há quase cinco anos. Ele cumprimentou Simone e Gordon, conversou com alguns amigos. Tom o aguardava com os olhos brilhando.


-Eu sabia que você viria! Que prazer ver você! – Tom o abraçou. – Lara, querida, você está linda. – Ele disse cumprimentando a Sra Listing.


-Obrigada Tom... – Ela respondeu.


-Georg, eu estou realmente muito feliz que tenha vindo. Venha vamos até Bill. Se você não se importar claro.


-De forma alguma.


Bill os viu se aproximar e tentou não parecer incomodado com tudo àquilo que estava acontecendo. Ele sorriu para eles (era o que estava fazendo quase a noite toda.). Georg chegou um pouco tímido. A esposa dele mantinha-se calada e séria, apenas esperando a reação do Kaulitz mais novo. Bill tentou ser gentil pigarreou e lhe estendeu a mão.


-Seja bem vindo...


Georg retribuiu o gesto meio sem graça e respondeu.


-Obrigada...


-Este é  o.. – Tom começou a falar.


-Georg. – Bill completou a frase de Tom. – Eu me lembro muito bem dele. Nosso velho e querido amigo... É muito bom te ver.


Georg jamais se sentira tão aliviado, de certa forma havia tirado um peso de suas costas. Eles conversaram sobre o passado. Pediram desculpas um ao outro. Bill nunca sentiu ódio de Georg. Afinal, nada daquilo foi culpa dele. Era como se ele tivesse viajado para bem longe retornado depois de um tempo. Nada havia mudado. Não para eles. Bill se perdeu da conversa por um instante. A bela Alice surgiu na entrada da casa, vestindo um vestido cor salmão de seda, tomara que caia, que marcava bem a cintura. O tamanho era da altura do joelho, de saia rodada como os vestidos dos anos 50 e sapatos de salto meia pata na cor branca. O cabelo ela prendeu em uma trança lateral com uma delicada tiara de laço no cabelo. A maquiagem estilo “olhos de gato” destacou seus belos olhos. Ela sorriu e acenou. Bill pediu licença aos presentes e foi ao encontro da jovem. Ele lhe cumprimentou com um beijo no rosto.


-Você tá simplesmente... Linda.


-Você acha mesmo? – Ela disse meio sem graça. – Eu não sabia o que usar.


-Você está ótima. Vem eu vou te apresentar para uns amigos. – Bill disse a conduzindo até os demais convidados. – Gente, esta é minha convidada especial da noite. Alice.


-Olha! Aleluia! Bill arrumou uma namorada. – Tom brincou.


Alice ficou vermelha e apenas sorriu.


-Não precisa ficar com vergonha! – Georg disse aproveitando a brincadeira.


-Ela na verdade é só uma amiga. Muito querida que eu conheci através de uma outra amiga querida...


-Por falar nisso onde está a ruiva que foi com você até aquele dia Tom? – Georg perguntou sem perceber que Tom acenava negativamente com a cabeça.


-Que amiga ruiva Tom? – Ria perguntou desconfiada.


-Ele deve estar variando né Georg? Eu fui lá sozinho lembra? – Tom mentiu. Lara rolou os olhos. Ria mantinha-se com o olhar desconfiado.


-Ele foi sozinho Georg. Eu me lembro bem... – Bill reforçou a mentira piscando discretamente para Georg.


-Claro. Que ideia essa minha. Você me disse que levaria o Bill, mas não dava para ele ir no dia né?


-Isso mesmo.


Ria fez de conta que acreditou para por um fim na conversa, mas ela sabia que aquela historia de “ruiva” estava mal contada e ela ainda iria descobrir. Todos se entrosavam, bebiam e comiam a vontade. Era uma festa que permanecia amistosa e agradável. Bill olhava atentamente todas as pessoas ao redor. Cada rosto lhe trazia uma nova historia. Ele viu os sorrisos se fazerem a cada novo gesto ou conversa e viu os mesmos sorrisos desaparecerem quando olhavam para o hall de entrada por onde os convidados entravam. Bill se virou para ver quem chegava. O silencio começava a pairar no ar e dar lugar a pequenos sussurros. Gustav Schaefer caminhou discretamente até o encontro dos anfitriões da casa. Bill olhou atentamente para o rosto dele. De repente todas aquelas lembranças surgiram em sua mente tudo o que haviam vivido há mais de cinco anos atrás. Lembrou-se do dia em que disse que estava com Amélia e que ficariam juntos. Que ela estava grávida. Lembrou-se de que não significava nada para nenhum deles. Gustav chegou meio sem graça. Tom foi o primeiro a tomar a iniciativa, ele era a pessoa que mais queria que eles voltassem a ser como sempre foram.


-Que bom que veio Gustav! Eu pensei que não viria.


-Eu... Decidi de ultima hora.


-Fico mesmo muito feliz que tenha vindo.


-Olá Gustav!


-Olá Georg, Ria, Lara... – Ele disse cumprimentando a todos.


-Olá. – Todos responderam.


-Olá Bill... – Gustav disse lhe estendendo a mão.


Bill ficou por alguns instantes sem reação. Sua mente estava confusa. Metade dele gritava para não apertar a mão dele, a outra dizia que sim. Ele respirava com certa dificuldade. Os demais esperavam por alguma reação e tinham medo de que ele começasse a brigar ou algo do gênero. Bill conseguiu reagir. Ergueu a mão repetindo o gesto do ex-amigo e apertou sua mão.


-Como vai Gustav?


-E-Eu vou bem e você.


-Melhor agora. Seja bem vindo.


Gustav deduziu que ele realmente não se lembrava de nada. Bill olhou para a saída, observou bem. Queria ver se junto com Gustav não surgia mais alguém. Georg puxou Gustav para um lado. Queria conversar com o amigo. Olhou para ver se alguém estava vindo e começou.


-Você enlouqueceu? – Georg perguntou com a voz baixa.


-Não. Eu estou ótimo.


-O que você está fazendo aqui?


-Eu fui convidado.


-Eu sei, mas... E se ele se lembrar?


-Eu serei expulso daqui. Só isso.


***


Bill segurou a mão de Alice. O coração dela batia de forma descompassada, sentia-se mais uma vez como uma adolescente em seu primeiro amor. A mão de Bill era tão quente e os olhos dele pareciam estar em chamas. Ela apertou forte a mão dele. Ele sorriu.


-Vamos escapar um pouquinho. Eu já cansei de sorrir e acenar. - Ele disse puxando-a para longe dos demais.


Eles foram para o dentro da casa. Havia uma área de claridade ao lado da sala de estar com um belo jardim de inverno. Eles andavam pelo jardim enquanto conversavam sobre musica, cinema, a vida, amores e amizades. Bill sentia-se a vontade com ela. Alice era divertida, bonita e agradável.


-Sabe o que eu adoro em você? - Ela começou a dizer.


-O quê?


-Esse seu jeito único de ser...


-Todos somos únicos.


-Não. Alguns seguem o que os outros ditam. Você segue aquilo que acredita isto é ter personalidade.


-Então você acha que eu tenho personalidade?


-Acho sim...


-Todo mundo acha que sou um chato amargurado, consumista e prepotente.

-Este é seu lado negro? Eu não acredito que você seja assim. Mesmo que eu te conheço pouco ainda. Eu acho que você tem um coração muito bom.


-Eu já fiz coisas ruins nessa vida...


-Somos seres humanos. É a nossa natureza...


Ele desviou o olhar e abaixou a cabeça. Ela tocou seu queixo e virou seu rosto para si.


-O que foi? - Ela perguntou ao ver a expressão dele mudar.


-Você me perdoaria... Se descobrisse que eu não sou tão inocente e bondoso quanto você acredita?


-E o que você fez de tão... Grave? Se lembrou de alguma coisa? - Alice não entendeu o porquê da pergunta.


-Não... Eu... Só penso que talvez eu não seja tudo aquilo que você espera...


-Eu também tenho meus defeitos... Com o tempo você está descobrir... Mas, a perfeição não existe... Só nos olhos de quem ama...


Ele a abraçou pela cintura e a aproximou de si. Seus lábios bem próximos aos dele. Ela olhava para o fundo de seus olhos. A respiração de ambos estava ofegante, ele passou a mão no rosto dela de forma delicada.


-Então... Eu não vejo nenhum defeito em você Alice... Você para mim é perfeita...


-Para mim também... Você é perfeito. - Ela disse aproximando mais o rosto do dele.



Ele a beijou no meio do jardim de inverno. Um beijo doce, um beijo delicado, um beijo aguardado e caloroso. Ela ergueu os pés, pois, mesmo de salto ela ainda era bem mais baixa do que ele. A festa do lado de fora continuava. Mas, ali naquele momento. Era só Bill e Alice.



***



Georg tentava fazer com que Gustav se sentisse a vontade. Os olhares e sussurros dos demais convidados era algo desagradável para ambos. Sempre citando um passado que todos queriam esquecer. Tom tentava entrar de verdade na festa. A mente dele só pensava em Becca e em como e onde ela estaria naquele momento. Ria tentava em vão trazer o namorado de “volta” para a festa. Mas, ele sempre dava respostas automáticas ou às vezes nem respondia. Bill e Alice surgiram cerca de meia hora depois com um sorriso nos lábios, atraindo olhares dos demais que entenderam que eles eram bem mais que amigos.



O coquetel corria tudo às mil maravilhas, conforme a família havia planejado. Mas, no momento em que todos bebiam comiam e se divertiam os últimos convidados daquela noite resolveram aparecer. O BMW preto estacionou, e de um lado desceu uma bela mulher de cabelos loiros preso em um coque moderno, o vestido vermelho justo e curto deixava as belas pernas dela à mostra. O vestido também tinha um decote em forma de coração e detalhes transparentes de renda nas costas. Tom esfriou quando viu o rosto da loira ser iluminado pela luz da entrada. Ela o viu de longe e o encarou olhando diretamente em seus olhos. Ele sentiu um frio na barriga ao reconhecê-la. Bill sorriu ao vê-la.


-Becca! -Ele disse acenando para ela.



Ela retribuiu o gesto sem tirar os olhos de Tom que a observava atônito e sem reação. E mais uma vez os sorrisos nos rostos dos convidados foram desaparecendo quando a outra porta do carro se abriu. Vestindo um vestido preto de corte reto com mangas e uma pequena abertura nas costas, Amélia desceu do carro com  a cabeça baixa... Sem coragem de olhar para os rostos que a condenavam...

Somos acostumados a apontar o dedo para o culpado, somos acostumados a julgar, condenar e crucificar... Mas, o ser humano nunca aprendeu que tudo isso vem para nós para que possamos aprender um dom chamado perdão...

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Sam McHoffen

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Shocked Geeeeeeeeeente! Que medo desse capitulo... ou melhor, do próximo! E Jocyyyy, maldade mulher, tu não podia parar ai! Eu quero maaaais! 

Eu sabiiiia que era a Becca que tinha ido ao apartamento da Amélia! Quero saber o que elas conversaram! E como a Becca descobriu onde ela morava?! Bill, foi você? O.o

Oh Gosh! Bill e Alice, Alice e Bill!  
Amei tudo o que a Alice disse pro Bill, e o que ele meio que confessou pra ela, que não é tão boa pessoa quanto ela pensa. Espero que no final de tudo ela entenda o idiota que ele foi, e que eles fiquem juntos! Alice sem dúvida alguma chegou na hora certa, na vida do Bill.

Georg, seu bocó! Como tu solta uma dessa na frente da Ria?! Mas obrigada, gostei disso. u.u
Espero que aconteça alguma coisa que faça o Tom ficar com a Becca... Nada contra a Ria, mas o Tom gosta da Becca, se não gostasse ele não teria ficado com ela.

E... geeeeeeeeeente! Que clima tenso dessa festa! Ainda mais com a chegada do Gustav e Amélia!
Espero que todos os problemas sejam resolvidos nessa festa, e que todas as verdades venham a tona... Mesmo que eu esteja morrendo de medo de saber com quem a Amélia traiu o Bill.

Jocy, não demore a postar! Preciso de mais capítulos!  

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