Tokio Hotel Fanfictions
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Utopia

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1 Utopia em Qua Dez 26, 2012 12:02 pm

Sam McHoffen

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Administradora

Autora: Dasty Sama.
Gênero: Ação, Amizade, Aventura, Darkfic, Drama, Ecchi, Fantasia, Horror, Mistério, Romance, Songfic, Suspense, Terror, Tragédia, Universo Alternativo.
Sinopse: Para o lançamento de seu novo CD, Tokio Hotel tenta procurar um lugar onde pudessem ficar em paz, longe dos holofotes e da perseguição de fãs. Eles acabam parando em uma cidadezinha da Alemanha, chamada Aach, onde irão viver em uma mansão antiga em desuso. Tudo parecia estar bem quando Bill começa a ter sonhos estranhos como se tivesse vivido em Aach em uma época antiga. Dividido entre o tempo real e o passado, ele precisa descobrir o que realmente aconteceu naquele lugar e tentar não cometer os mesmos erros novamente.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=6ewTQw7y7aM



Nota da autora: Essa fanfic pode conter temas religiosos que não vão do gosto de muitas pessoas. Contém espiritismo e sobrenatural, mas não deixa de ser ruim. Então leiam. A fanfic também começou a ser escrita em 2009 antes mesmo do Tokio Hotel ter lançado o CD Humanoid, por isso nela, o Bill ainda tem dreads.
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.


-Alguém gostaria de ler?



Última edição por Samantha McHoffen em Ter Abr 23, 2013 3:22 pm, editado 6 vez(es)

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2 Re: Utopia em Qua Dez 26, 2012 12:07 pm

Anny V.

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Moderadora
Fic da Dasty!!!
Posta, Sam! Eu quero muiiito ler

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3 Re: Utopia em Qui Dez 27, 2012 5:35 pm

Gostei da sinopse. Nunca li nenhuma fic dela mas vou ler essa.
Posteee....

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4 Utopia em Dom Jan 13, 2013 2:26 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Capítulo 1 - Saída de Emergência



– Precisamos de um tempo – disse Bill Kaulitz tomando um longo gole de café, apesar de bastante quente, ele gostou da sensação quando o líquido desceu por sua garganta – É sério, não dá para finalizarmos o CD se não ficarmos em algum lugar em paz.
– Como se fosse fácil achar algum lugar em que não vamos ser incomodados – disse Tom jogado no sofá de couro confortavelmente, pensativo, dava para perceber o cansaço graças a algumas olheiras abaixo dos seus olhos.
– Não importa, nem que tenhamos que ir a alguma ilha secreta ou até ficarmos no subsolo de alguma cidade. Precisamos se esconder por um tempo – disse Bill aborrecido finalmente percebendo que seu café precisava de mais açúcar.
– Bem... Podemos viajar para algum país que não somos tão famosos – disse Georg sentado ao lado de Tom, tão desanimado quanto os outros – Ou quem sabe se esconder na casa de alguém onde nunca ninguém vai desconfiar.
– É, mas aonde? Não conheço nenhum lugar bom o suficiente, além de que não podemos gastar muito.
Ninguém parecia ter ideia nenhuma, todos ficaram em silêncio, olhando para Bill como se ele soubesse da resposta. E era claro que ele não sabia, se não, não teria perguntando. Mas não era fácil achar um bom lugar, afinal não era só colocar na internet e pesquisar algum hotel cinco estrelas. Eles precisavam de um esconderijo, como se fossem crianças e precisassem de um quartel general.
– Eu conheço um lugar, não sei se é bom – disse Gustav um pouco hesitante, mas ao ver os olhos de Bill brilhar de esperança, ele prosseguiu sem medo – Tenho uns tios que vivem em uma cidadezinha, eles são escritores e coisas do tipo, escrevem novelas e peças de teatro. Então optaram por uma cidade antiga com poucos habitantes para poderem ficar mais inspirados. Quem sabe isso não seja bom para nós também? Além de que posso pedir ajuda para minha prima para comprar mantimentos, assim não precisamos ficar saindo nem chamando atenção dos outros habitantes.
– E onde fica esse lugar? – disse Bill percebendo que aquela ideia era ótima, como que Gustav nunca comentara isso antes? – Seria ótimo encontrar um lugar desses!
– Chama-se Aach, é um lugar legal para se viver segundo meus tios – disse Gustav dando de ombros – Podemos alugar uma casa lá.
– Tem garotas gostosas lá? – perguntou Tom dando um sorriso malicioso.
– Não vamos para transar, Tom – disse Bill – Quanto menos chamarmos atenção de garotas melhor.
– Tudo bem, eu aguento – disse ele revirando os olhos – Mas quanto tempo vamos ficar por lá?
– Quanto for necessário, precisamos de inspiração, de algo novo! Talvez quem sabe não consigamos em algum lugar calmo? Se os tios de Gustav conseguem, podemos também.
Bill se levantou e tomou o resto do café que estava no copo, ele se sentia melhor agora. Eles iam ter as merecidas férias que se resumiam em descansar e esquecer os maus bocados que se meteram, como aquelas stalkers malditas ou a briga que Gustav havia se metido. Precisavam finalizar o seu novo CD, já tinham várias músicas, mas Bill ainda procurava por algumas novas, algo diferente do que geralmente cantava.
– Vou ligar para os meus tios – disse Gustav – Para ver se tem alguma casa que poderíamos alugar por lá.
– Mas será que vamos conseguir ficar em algum lugar sem que descubram sobre nós? – disse Georg passando a mão pelos cabelos lisos, talvez tentando alisá-los mais ainda.
– É claro que alguém do lugar deve nos conhecer – disse Gustav – Mas se não sairmos muito e evitarmos chamar atenção, talvez ninguém nos reconheça. A população se resume em duas mil e poucas pessoas, não são tantas.
– Amei a ideia – disse Bill – É na Alemanha, não precisamos gastar tanto com condução e se tapearmos os paparazzi e jornalista, vamos viver em paz por um tempo. Mesmo que nos descubram, acho que vai demorar um pouco.
Isso soou como um alívio para todos, mesmo aqueles mais safados que necessitam de certo glamour e atenção, ou aqueles que amam sair de noite e se aventurar em baladas ou mesmo aqueles que preferem estar com a família. Não importava a fama naquele momento, apenas ficar um tempo fora seria ótimo para todos. E a inspiração vinha em primeiro no caso, eles precisavam estar em sintonia para finalizar o novo CD, não era algo fácil e não acontecia de um dia para o outro, levava tempo.
Só de pensar em acordar todo dia tarde em alguma casa enorme – pelo menos era o que eles esperavam –, viver em uma cidade pacata e quem sabe com uma paisagem bonita já fazia qualquer um sorrir. Seria ótimo ficar inspirado enquanto se via um pôr-do-sol ou apenas ver o céu de noite, cheio de estrelas. Chega de glamour por um tempo, depois voltariam com suas vidas normais.
Gustav pegou seu celular e começou a procurar na agenda o número de seus tios, se retirou da sala para melhor poder conversar com eles, afinal não queria deixar os outros muito esperançosos, talvez não desse certo o plano. Dirigiu-se para a sala ao lado, se sentou em uma das banquetas que havia perto de um balcão e esperou que alguém atendesse ao telefone.
– Alô? – disse uma voz que era vagamente conhecida, fazia tempo que não se falavam – Quem é?
– Biene? – perguntou Gustav percebendo que era a voz de sua prima, isso fez que várias lembranças da sua infância voltassem a sua mente. Fazia tanto tempo que não se falavam por causa da fama e agora lá estava sua prima, do outro lado da linha, há quilômetros de distância, quem sabe fazendo o que da vida? – Sou eu, Gustav, como está?
– Gustav? – ela exclamou do lado, o tom da sua voz descrente e feliz ao mesmo tempo. Gustav não acreditava que era iria ficar feliz, por um momento jurou que a garota iria gritar e não falar com ele, mas ela era sua prima, não faria isso – Quanto tempo, Gott! Eu estou ótima, estou fazendo uns cursos de História, você não tem ideia de como a história local daqui é fascinante! E você? O que conta de novo, em Senhor Popstar?
– Bem, vamos fazer um novo CD, mas nos falta um pouco de privacidade, você deve ter uma ideia de como é nossa vida. Passamos por maus bocados...
– Eu sei, quando vi a notícia que bateram em você eu quase morri! Tentei ligar para todos os números de celular que você me passou, mas nenhum atendia. Acho que você mudou novamente e não tenho o número. Tive que acompanhar tudo pela internet e mandei e-mails para a sua mãe pedindo mais informações.
– Foi terrível, mas já passou, isso que importa – ele suspirou, pensando se pedia ou não o favor, afinal será que ele só ligava para ela para pedir coisas e não para uma simples conversa? – Biene, preciso de um favor seu. Se quiser, pode desligar agora na minha cara, por que faz tanto tempo que não nos falamos.
– Está tudo bem, não vou desligar, não sou tão má assim! O que você quer, Gust? – ela disse rindo e chamando ele por seu apelido que falavam desde pequenos. Biene também era o apelido dela, seu nome verdadeiro era Sabine e ela nunca se identificou com o nome de verdade, preferia o apelido.
– Precisamos de um lugar para ficar por um tempo, minha banda e eu. Como eu disse estamos fazendo um novo CD e queremos algum lugar para treinar e criar novas músicas, então me veio à cabeça Aach. Queria saber se tem alguma casa aí para alugar, por que parece ser um lugar calmo aí e com pessoas que não vão nos perseguir tanto.
– Claro, conheço uma casa ótima aqui! Ela é tão linda e antiga, vocês vão amar! Eu estava estudando um pouco ela, afinal pertenceu a uma família muito rica do século XIX. Ela é bem espaçosa e está em ótimas condições já que o último dono a reformou.
– Ela não é mal assombrada, é? – Gustav perguntou já que casas antigas sempre traziam histórias muito estranhas e ele não estava a fim de encontrar coisas que desconhecia e que entravam em conflito com seus pensamentos.
– Não, o último dono a abandonou por que precisou fazer transferência de trabalho para a Rússia, então vendeu para um cara daqui que a aluga para visitantes e outras pessoas que queiram passar as férias. Se quiser, já falo com ele hoje e te dou a resposta.
– Isso seria ótimo! Não vemos a horas de se mudar para aí! Principalmente eu, por que vou ver você de novo, faz tanto tempo! Você deve ter crescido muito.
– E você engordou, Senhor Gust! Quando você vir para cá, vou fazer você perder todo esse peso, não vai parar quieto em nenhum segundo! Já eu não mudei muito, continuo normal como sempre! Estou dando aulas de história para as crianças do jardim da escola daqui, sei que não sou formada, mas estudo tanto e já fiz tantos cursos que com a falta de professores, me chamaram. Não consegui resistir e aceitei.
– Uou! Pensei que você fosse nerd, mas não tanto. Vou tomar cuidado quando falar com você para não cometer erros bobos na frente de uma professora.
– Não seja bobo, não sou tão inteligente assim! Bem... Agora tenho que ir, preciso dar aula para os meus anjinhos. Hoje enterrei alguns ossos em um terreno e vamos escavá-los, fingindo serem ossos de dinossauros. Vai ser incrível!
Gustav não conseguiu impedir de rir, ver Biene de manhã cavoucando um terreno para enterrar ossos de galinhas e outras coisas só para deixar crianças felizes era algo bem típico dela. Ela vivia querendo inovar, isso desde pequena quando tentava inventar as brincadeiras mais absurdas só para não virar cotidiano. Decididamente ele sentia saudades dela.


Aviso:
Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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5 Utopia em Qua Jan 16, 2013 10:25 am

Sam McHoffen

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Capítulo 2 - Café e Água


Biene estava tão feliz agora, fazia séculos que não falava com seu primo, era como se tudo que viveram antigamente voltasse com tudo. Mas não havia tempo para ficar lembrando o passado, ela precisava voltar a outro passado, no caso, no tempo dos dinossauros já que seus alunos iriam ter uma aula divertida hoje.
Dezessete anos nas costas e responsabilidades podiam assustar qualquer um, mas ela não tinha nada a temer, vivia em uma cidade tão pequena comparada a outras que as expectativas de algo diferente acontecer eram mínimas, então ela tinha sempre que inventar algo novo. Ser professora era algo incrível, ainda mais quando se tratava de crianças, ela teria que passar a elas o quão importante e divertido era estudar o passado.
Ela pegou sua bolsa meio hippie, de couro com várias miçangas em cima do sofá e saiu porta afora o mais rápido possível, quem sabe não dava tempo de falar com Eleazar, o dono da casa que ficava no alto da colina que Biene era obcecada por causa do jeito rústico e antigo dela, onde podia esconder diversas histórias. Eleazar era o dono da casa, morava lá quando pequeno e já vendeu para diversas pessoas, mas sempre acaba a comprando novamente.
Às vezes ele deixava Biene dar uma olhada no local, analisar a arquitetura e até fuçar pelos cômodos da casa. E ela nunca se cansava de visitar aquele local, era como tentar desvendar algum mistério que ainda nem existia, devia haver algo surpreendente naquele local. Mas não havia muitas coisas por lá, nem sabia direito quem era os antigos moradores e as pessoas da região também pareciam não saber de nada.
Segundo algumas pesquisas próprias, a casa devia ser do século XIX como alguma das casas de Aach, afinal não sobraram tantas graças à sede do homem mudar tudo para o moderno. Mesmo assim a cidade era uma fonte de cultura inexplicável e isso deixava qualquer lugar sem-graça totalmente incrível aos olhos de quem gosta de História e passado.
Quando os seus pais decidiram se mudar de Madgeburg para Aach, com seus doze anos aquilo parecia um absurdo. Como ela iria se virar sem suas amigas? Sem as festas? Sem uma vida social que havia construído desde que nascera? Mas ela não podia fazer nada, seus pais estavam passando por momentos difíceis na cidade, além de que não tinham tempo para escrever e ficavam estressados o tempo todo. Então seu avô, pai do seu pai, perguntou se não queriam morar na pequena cidade de Aach, e antes que pudessem pensar, seus pais aceitaram prontamente.
Então foi adeus casa, adeus amigo, adeus escola e adeus Gustav. Ele ficou tão famoso que era raro as vezes que se viam e logo ela se mudou, então quase nunca mais se falaram, era só por e-mails rápidos e curtos. Ele podia não saber muito sobre a sua vida atual, mas ela sabia bastante da dele, graças às notícias que sempre aparecem pela internet. Foi difícil no começo se acostumar com uma vida nova e mais solitária, mas logo ela se viu entretida por outras coisas.
Aach era repleta de pessoas mais idosas do que jovens, mas eles tinham tantas coisas a contar que logo Biene não sentiu falta nenhuma de conviver com jovens. Havia também todas aquelas casas bonitas com moradores tão gentis que cumprimentavam a todos sem importar quem. Cada dia era como conviver com alguém, sempre havia alguém disposto a uma visita ou a conversar.
Biene pegou a sua bicicleta, e foi pedalando pelas ruas em direção a casa de Eleazar, ainda havia um tempinho para uma conversa já que faltava meia hora para a aula começar e ela queria antes de tudo confirmar com Gustav que ele poderia vir. A casa de Eleazar, que não era tão grande como a outra casa, ficava no centro da cidade e a vista dava direto para a casa da colina, onde ele passava o maior tempo admirando sua casa.
Como sempre ele estava na janela, fumando, e logo acenou para Biene quando a viu descer por uma ladeira. Ela deixou sua bicicleta na frente da casa e passou pela varanda antiga em arcos e arquitetura cheia de rosáceas, sem bater, abriu a porta e Eleazar já estava a esperando, sentado em uma cadeira de balanço.
– Sabine – disse ele, que sempre preferiu chamá-la por seu nome. Ele soltou uma baforada do cigarro e prosseguiu – O que a trás aqui, pequena?
– Eleazar, eu queria saber se meu primo e os amigos dele poderão alugar a sua mansão? – ela disse sorrindo abertamente.
– Isso te faria feliz? – perguntou ele como se isso fosse à coisa mais importante. Eleazar era um velho de quase uns oitenta anos, era avô de Sabine, mas ela não estava acostumada a chamá-lo assim por que ficou muito tempo afastada dele. Era difícil vê-lo como avô, ele parecia ser algo muito mais do que isso.
– Sim! Ele é meu primo e não o vejo há tanto tempo! Seria ótimo que ele ficasse aqui por um tempo, ele é de uma banda famosa e precisa de bastante espaço e acho a mansão perfeita para isso. Você deixa ele se instalar lá por um tempo?
– Claro, desde que não acabem com a casa igual aos últimos adolescentes que decidiram ter uma noite de farra. Eles derrubaram cerveja por todos os cantos, tive que fazer uma grande limpeza! – disse ele de mau humor, tragando a fumaça do cigarro para que se acalmasse.
– Prometo que eles não vão acabar com a casa, eu faria picadinho deles caso isso aconteça – ela disse juntando as mãos em uma promessa – Será por curto tempo e mesmo assim vai ser algo grandioso para mim!
– Tudo bem, tudo bem! Já disse que sim, pode avisá-los e quero pagamento adiantado, não quero esses caras me tapeiem.
– Pode deixar, vou falar com eles... Bem, Eleazar, tenho que ir, minhas crianças estão me esperando – disse ela sorrindo para ele – Muito obrigada mesmo!
Ele sorriu para ela, enquanto a via sair pela varanda, saltitante. Sabine não mudara nada, era a mesma garota de cinco anos atrás, quando conhecera finalmente a neta. Pequena, com cabelos tão loiros e longos que parecia uma mini personificação de sua esposa, sentiu simpatia por ela desde a primeira vez. Por mais triste que fosse recordar de memórias que machucavam, Sabine era uma forma de colocar uma barreira em dores e uma nova forma de curá-las.
A garota nunca o chamara de avô, mas nunca se incomodou com isso, gostava que o chamassem por seu primeiro nome e só de ver o interesse dela em aprender, isso já o deixava feliz. Afinal tinha medo de que sua neta fosse uma cabeça oca, como a maioria dos adolescentes eram, loucos para se embebedar e viver uma noite de orgia. Podiam achar que Eleazar não via nada, mas ele sabia de tudo. Ele estava há tanto tempo por aqui, via todas as mudanças constantes que aconteciam e ninguém podia tapeá-lo.
Enquanto tragava mais uma vez o cigarro que já estava quase no fim, decidiu tomar a xícara de café em cima de uma mesinha, o café desceu gelado pela sua garganta, pelo visto havia deixado ali há tempo demais. Pegou a xícara e virou no pires deixando a borra escorrer e então olhou para a imagem que se formava. As imagens apesar de distorcidas, significavam muita coisa. Havia o desenho de uma bailarina, isso significava ajuda de uma mulher e perto dela havia uma borboleta que mostrava que em breve iria surgir uma paixão. Sem entender muito bem, limpou o pires e colocou mais um pouco de café na xícara.
Bebeu rapidamente e fez o mesmo processo de antes, as figuras foram se formando novamente e se viu um cachorro que significava perdão perto de uma mancha quadrada que lembrava vagamente de uma caixa. Aquilo significava a volta do passado, uma pessoa do passado podia retornar. E havia também linhas curvas. Dificuldade. Não eram coisas boas decididamente, ele pressentia isso e sabia que estava certo. Da última vez esteve certo.

– Bom dia pessoal! – disse Biene adentrando a sala de aula, e acenando para todas aquelas crianças de sete anos que esbanjaram um sorriso ao vê-la chegar – Como prometido, nossa aula será lá fora! Então vamos!
Nem precisou terminar a frase, as crianças já estavam porta afora, correndo que nem louca em direção aos jardins da escola. Claro que não deram permissão para ela usar as imediações, então ela teve que esconder os ossos em um terreno próximo. Com isso, a escola cedeu um ônibus para levar as crianças até lá e isso já era um ótimo começo!
Biene colocou todas as crianças no ônibus tomando cuidado para não esquecer nenhuma, também as ajudou a guardar as pás que trouxeram em suas mochilas. Apesar do frio que fazia – mesmo tendo alguns raios de sol –, mandou todos vestirem um casaco, não podiam ficar pegando friagem. Então, quando tudo estava pronto, partiram em direção oeste da cidade, onde ficavam mais colinas sem casa alguma, apenas com florestas de pinheiros e um rio enorme.
– Esse lago é incrível! – exclamou uma garotinha olhando pasmada para o enorme lençol prateado que cortava a vegetação.
Sem conseguir segurar, Biene se virou para direção que ela indicara, já estava esperando ansiosamente por aquilo: o rio. Ontem enquanto escondia os ossos a tarde, deu uma passada e ficou olhando todas aquelas águas geladas balançando conforme a brisa as levava. Era um ótimo lugar para andar de barco, afinal havia um píer ali, caindo aos pedaços de tão velho, mas decididamente as pessoas já tinham nadado naquele local.
Ninguém se aventuraria ali, não por que era perigoso – afinal nunca ouvira nada sobre pessoas morrendo afogadas ali –, mas sim pelo frio intenso que impedia qualquer um de dar um mergulho. Era um desperdício, na opinião dela, quem sabe um dia ela não se aventure por lá, nem que seja um pouquinho?

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Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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6 Utopia em Dom Jan 20, 2013 1:51 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 3 - O Sol Poente

Quando o carro estava se aproximando de Aach, Bill Kaulitz abaixou o vidro da janela e colocou um pouco da sua cabeça para fora, sentiu uma baforada de brisa sem quase nenhuma poluição lhe atingir a fronte. Isso era muito bom. Principalmente quando percebeu que havia muitas colinas e um Sol ao longe brilhando entre os pinheiros que se estendiam pela maior parte da região.
O céu estava coberto por algumas nuvens, mas nada que impedisse de ver o quão lindo o dia estava apesar do frio cortante. Ele voltou a olhar para dentro do carro, Tom dormia esparramado em um dos bancos, roncando em sono profundo. Georg o acompanhava, deitado ao seu lado, mas este estava quieto, dormindo pacificamente como se nada pudesse acordá-lo.
Gustav continuava em seu banco, também olhando a paisagem, meio inquieto como se algo o estivesse perturbando. Ele não dormira a viagem toda, mesmo Bill havia dando algumas cochiladas. Devia ser só a ansiedade, fazia tempo que ele não via seus familiares e também havias as expectativas deles não serem descobertos.
– Está tudo bem, Gustav? – perguntou Bill, como ele não respondeu, pegou um papel amassado de McDonald’s que haviam comprado durante a viagem e atingiu a cabeça do amigo que pulou em sobressalto – Está tudo bem? Você está tão quieto!
– Ah, sim – disse ele dando um sorriso meio-boca – Só estava pensando aqui comigo mesmo. Faz tanto tempo que não vejo meus parentes, nem tive tempo de procurá-los e agora eles nos acolhem como se eu não tivesse feito nada.
– Gustav, o amor é assim, não precisa ser recíproco, mas o suficiente – disse Bill tentando relembrar de onde tirara isso, devia ser de algum filme, mas essas frases sempre eram boas de decorar para usá-las em momentos como esse – Não se preocupe, tudo vai ficar bem! Já me sinto ótimo só de estar em um lugar tão lindo como esse!
Bill fechou um pouco mais o vidro da janela e encostou a cabeça no banco sorrindo ao ver que não tinha arrependimento nenhum por estar aqui. Ainda mais quando viu aquele rio brilhando ao longe, em tons prateados que quase o cegava de tanto brilho. Já sentia a inspiração fluindo em suas veias, tomando seu coração e fazendo os tendões de seus dedos estalarem, procurando por uma caneta, um lápis, qualquer coisa que escrevesse. Mas se segurou, ainda não era o momento certo.
O carro foi descendo pela estrada e ao longe se podiam ver várias casas parecendo com os de bonecas, algumas antigas outras já mostrando padrões mais modernos, não havia nenhuma casa pobre, todas pareciam estar em perfeito estado. Era como visitar um parque infantil, dava para ver até um coreto grande no meio de uma praça. Todo o cenário parecia dar um contraste perfeito com que Bill procurava, tudo parecia estar a favor de boas músicas.
É claro que a Peugeot preta alugada, com vidro esfumaçado logo chamou atenção das poucas pessoas que estavam pela cidade, todas pararam para dar uma olhada quem eram os novos visitantes. Bill não estava a fim de ficar ali, tenso, enquanto Gustav estava pensativo novamente e Tom e Georg dormiam, então tratou de acordá-los.
– Acordem, Belas Adormecidas! Já chegamos! – disse ele chacoalhando os dois que acordaram assustados.
– O que foi, porra? – perguntou Tom olhando tonto para todos os lados.
– Já chegamos à cidade. E estamos chamando certa atenção, vir nesse carro não foi uma boa ideia.
– Foda-se – disse Tom voltando a se aninhar no banco – Não vejo à hora de sair desse carro, me sinto como uma sardinha enlatada. Me acorde quando chegarmos à casa certa, não na esquina.
– Nossa esse lugar é legal – disse Georg coçando os olhos e dando uma boa olhada pela janela – E tem casas enormes! Imagine a nossa como deve ser!
– Minha prima disse que conseguiu a maior casa da cidade para nós – disse Gustav parecendo mais acordado do que antes.
– E onde está a casa, afinal? – perguntou Tom também parecendo mais acordado e tentando ver algo na janela que chamasse a sua atenção.
– Oh Gott! – exclamou Bill olhando ao longe – Não pode ser aquilo!
Todos olharam para a direção que Bill olhava. Havia uma colina e bem em cima dela uma mansão gigantesca e antiga, parecia mais uma daquelas estalagens repletas de quartos do que uma moradia para apenas quatro caras. Conforme o carro se aproximava, podiam ver como a mansão parecia aumentar de tamanho cada vez mais, o assustando com a grandiosidade do local. A casa era pitoresca em enxaimel, com uma fachada ricamente decorada, com telhados pontiagudos e janelas grandes, em cores que variavam de bege, branco e marrom.
– Isso é imenso demais! – disse Bill abrindo a porta e indo logo para fora, dando uma olhada no local, tentando absorver o máximo de detalhes possíveis.
Tom, Gustav e Georg saíram logo em seguida também pasmados, sem saber o que fazer, se ajudavam o motorista a pegar as malas e as levavam para dentro ou ficavam um tempo ali, apenas observando. Mas antes que alguém tivesse alguma reação além de ficarem ali parados, um vulto passou correndo por eles e se jogou em cima de Gustav que quase caiu para trás.
– Gustav! Gustav! Gustav! – gritava o vulto que envolvia o pescoço de Gustav sem soltá-lo em nenhum momento – Não acredito! Você está aqui! Você está! Gott! Como você cresceu, triplicou de tamanho! Está tão diferente da última vez!
– Biene! – disse Gustav finalmente quando ela o soltou – Uou! Foi você que mudou bastante, não é mais aquela garota magrela e sardenta!
– Seu sem-graça – ela disse com lágrimas banhando os olhos azuis – Você não tem ideia de como senti sua falta, como você pode se esquecer de mim tão facilmente?
– Não é verdade! Eu sempre me lembro de você... é que... foi tanta confusão, eram tantas coisas a fazer que não sobrava tempo nem para mim mesmo...
– Tudo bem – disse ela sorrindo – O que importa é que você está aqui!
Biene era uma garota bastante magra, com uma pele branca e rosada em certas partes onde o vento gélido atingia, os cabelos eram de um loiro branco liso que se encaracolavam ao longo do percurso. Seus olhos eram de um azul tão límpido sobre suas bochechas salpicadas de pequenas sardas, lhe dando um ar brincalhão.
– Nem vai nos apresentar, Gustav? – perguntou Tom marotamente, analisando a garota de cima a baixo.
– Ela é minha prima – disse Gustav sem-graça por causa das boas-vindas que Biene havia dado – Sabine Grünewald. Esses sãos meus amigos, Tom Kaulitz, Georg Listing e Bill Kaulitz.
– Podem me chamar de Biene – disse ela sorrindo para eles.
Ela se lembrava de cada um, afinal os três estavam em todos os lugares, principalmente na vida de seu primo. Toda a notícia que procurava sobre ele, sempre os achava no meio. Não sabia ao certo o que pensar dos tais Tokio Hotel, mas se seu primo gostava deles, ela iria fazer o mesmo não importando o que.
– Se quiserem, vou mostrar a casa para vocês! Conheço bastante dela e acho que vocês vão gostar – disse ela já marchando para dentro da casa, tirando as chaves do bolso que tilintaram conforme ela se movimentava até a varanda.
– Essa casa é enorme! – disse Bill se aproximando da varanda e olhando para todos os lados – Parece que veio até de algum filme antigo.
– Ela é incrível mesmo – disse Biene abrindo a porta – É do século XIX, pertencia a um Duque da família Baumgärtner, ainda estou procurando por mais informações sobre esse local e quem eram dessa família. Vou ter que olhar na biblioteca local, nos livros mais velhos já que os novos não especificam nada sobre o passado da cidade.
– Uou, estamos em um filme de terror – disse Tom rindo – Vamos visitar uma casa mal assombrada.
– Todo lugar é mal assombrado se pensar bem, afinal morre pessoas todos os dias em diversas partes do planeta.
A porta abriu facilmente, nada de rangidos assustadores como todos esperavam. Na verdade a casa estava em ótimo estado, havia um Hall enorme circular, com piso feito com assoalho um pouco empoeirado, mas nada que uma boa limpeza não mude isso. Tinha uma enorme escada que levava a um segundo andar que parecia ser maior ainda. Tudo era em branco e podiam-se ver os detalhes pitorescos pelo teto, formando desenhos de rosas e folhas entrelaçadas.
– Olhem aquele símbolo – disse Biene apontando para algo bem no meio do teto. Era uma espécie de brasão, com duas cordas se entrelaçando e podia-se ver um sol ao longe e um B em relevo – É o brasão da família. Não entendo muito bem ainda o significado, mas o Sol poente tem alguma relação com a cidade, já que o Sol se põe bem atrás dessa casa e se vocês olharem pelas janelas ao fundo, verão isso de perto.
– Estou me sentindo em casa, então – disse Bill olhando para o teto – B de Bill, isso não é fantástico?
– Vocês não viram o resto da casa! – disse Biene finalmente tirando os olhos do brasão e fazendo sinal para eles a seguirem – Quero ver como que vocês vão fazer para escolher seus quartos!
Bill ficou um tempo olhando para o brasão, enquanto os outros três seguiam Biene. Era tudo tão estranhamente perfeito, era como se ele estivesse em uma realidade totalmente diferente da que vivia. Como se de repente ele estivesse em um século diferente, queria tanto algo futurístico para o seu CD e acabou vindo para um lugar antigo, era tudo tão irônico. Respirou fundo e começou a subir as escadas junto com os outros. Estava na hora de recomeçar.

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7 Utopia em Ter Jan 22, 2013 12:15 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 4 - Um Símbolo em Relevo

Eles haviam dado uma geral na casa inteira, havia luz elétrica na casa e saneamento também que segundo Biene foram instalados no começo desse século. A garota havia explicado tudo sobre o local, era incrível como alguém pudesse gravar tantas datas e tantos acontecimentos. Por fim cada um escolheu seu quarto no segundo andar – foi difícil já que devia haver no mínimo uns cinquenta quartos –, perto do banheiro e também das escadas caso precisassem descer para beber algo.
Já era quase seis da tarde e Biene já havia ido embora, ela prometeu a Gustav que voltaria outros dias, mas que hoje estaria ocupada já que tinha que planejar a aula de amanhã. Cada um foi para o seu quarto para descansar já que a viagem fora longa demais, mas todos decidiram abrir o quarto da janela para ver o tal Sol poente que tanto falavam. As colinas verdes salpicadas com um pouco de orvalho por causa da temperatura que caía estavam brilhando abaixo de um Sol enorme pela metade. Ao longe também se via um rio, comprido, cortando o verde, se escondendo um pouco entre as árvores.
Bill deixou a janela aberta enquanto deitou-se em sua cama, que cheirava um pouco de mofo, mas nada que o impedisse de dormir ali. Amanhã ele pediria a Biene para trazer lençóis novos, isso seria ótimo já que o atual parecia meio amarelado. Ele se virou e olhou para o quarto, era um dos maiores quartos que tinha, só não pegou o de casal, por que Tom já havia pegado antes. O quarto tinha um guarda-roupa enorme de madeira, mas que também precisava ser tão lustrada quanto a cama de dossel gigante, sem as cortinas.
Tudo parecia ser tão cativante que era impossível fechar os olhos, todos os detalhes do lugar deixavam qualquer outro hotel que Bill visitara no chinelo. Então ele decidiu virar de lado e ter um último vislumbre dos raios de sol que fazia todo o cômodo brilhar. Fechou os olhos e mais do que rapidamente apagou.

Ele estava andando por uma rua, ela era de pedra, mas em certos lugares se via a terra que já tratava de tirar qualquer coisa não natural de sua superfície. O cara com suas calças pretas, uma camisa bem passada abaixo de um terno preto caríssimo ia direto a uma das carruagens que estava estacionada. Com ajuda do cocheiro ele subiu na carruagem e se sentou perto da janela, pensativo.
Seus olhos de um castanho chamativo pareciam estar carrancudos, como se ele falasse com sigo mesmo e não estivesse nada feliz. Pegava uma mecha de seus cabelos compridos e enrolava nos dedos longos, onde se via um anel em ouro com um brasão.
– Para onde Senhor Baumgärtner? – perguntou o cocheiro que cheirava a feno e a fumo, isso deixava as narinas dele irritadas.
– Você sabe, Oscar – disse ele com uma voz mal humorada e com tanta insolência que poderia encher um copo com veneno – Contabilidade. Isso é a minha vida, ou acha que posso escapar dela?
– Sim, senhor – disse ele sem questionar nem responder a pergunta. Não valia a pena.
O cocheiro estalou o arreio e os cavalos começaram a trota, a carruagem passava balançando pelas pedras da estrada e William Baumgärtner ficava mais mal humorado, ainda mais quando passaram na frente daquela casa estúpida. O tal Verführung&Wollust (Tentação&Volúpia) era um Cabaré maldito, que todos os homens daquela cidade não paravam de falar e que na opinião de William poderia continuar fechado igual estava agora, afinal aquelas meretrizes eram noturnas. Ele sentia nojo ao saber que mulheres se vendiam naquele lugar, usando roupas que mostravam seu corpo, as tornando um reles brinquedo que rapidamente perderá o uso.
A carruagem parou bem em frente a uma enorme casa, com fachada de madeira lustrosa onde se via um painel dourado escrito Buchhaltung (Contabilidade). William desceu, sem esperar ajuda do cocheiro e partiu para dentro do local sem se importar com mais nada, apenas em tirar uma garrafinha metálica do terno e beber um gole de uísque antes de começar mais um dia de trabalho. As pessoas olhavam para ele com receio por onde passava, todas elas percebiam que ele estava zangado e nenhuma queria se atrever a deixá-lo pior. Sabiam que podia significar sem trabalho.
William virou à direita e entrou numa ampla sala, com uma mesa de mogno, um sofá com estofado ricamente bordado, um armário grandioso e outra mesa menor, onde um cara de cabelos loiro curto, usando óculos de aro redondo, vestido em roupas de segunda mão meio surradas.
– Bom dia, Schmidt – disse William tirando o terno de seda e colocando em um cabide – Espero que já terminou de ver as tarifas que eu mandei.
– Sim, senhor – ele disse pegando os papéis correspondentes e entregando para William – Passei a noite inteira fazendo isso.
– Ótimo, Schmidt – disse ele folheando e se sentando em sua mesa – Bom trabalho.
O sorriso no rosto de Gustaf Schmidt morreu rapidamente. Sim, era um ótimo trabalho, mas parecia que nada era suficiente. Ele era dedicado e responsável, fazia tudo que William pedia, mas nunca recebia nenhum aumento, principalmente quando precisava de tanto dinheiro. Ele precisava salvar sua irmã e parecia que nada estava do seu lado para ampará-lo. Na verdade não era nem questão de salvá-la, ambos precisavam pagar a hipoteca da casa, mas estava tão difícil.
– Senhor Baumgärtner – disse Gustaf tomando coragem, suas mãos tremiam, mas ele tentou ser o mais natural possível – Eu gostaria muito que o Senhor pudesse me dar um aumento, mesmo que seja por curto tempo, eu realmente preciso por...
– Já disse, Schmidt, não dá – ele disse rispidamente organizando as tarifas e pegando papéis na gaveta para – Você sabe que estamos com algumas dívidas a pagar por causa daquela fazenda que faliu. Agradeça por ainda estar aqui, muitas pessoas foram mandadas embora.
Gustaf afundou na cadeira, sentindo o peso do seu corpo dobrar. Engoliu seco e continuou a fazer umas contas enquanto seu coração parecia bater mais fraco. Seria mais uma noite que não saberia o que iria acontecer, com medo de que tudo desse errado. Às vezes sentia uma raiva imensa daquele cara que tinha tudo nas mãos e o tratava como se fosse um nada.
– É que eu estou precisando muito – disse Gustaf parando de fazer as contas – Você sabe... a cidade inteira está falando...
– Claro – disse ele com a voz insolente de sempre sem ao menos olhar para o colega de trabalho – Sua irmã, não é mesmo? Sinceramente, Schmidt, ela podia muito bem recusar, mas preferiu se submeter a um lixo.
As palavras dele o atingiram com impacto, ele pensou em se levantar e dar um soco na cara daquele hipócrita, mas isso pioraria as coisas. Ele era calmo, não ia perder a razão tão facilmente, então apenas respirou.
– Ela não teve escolha, era a única opção. Acha que eu iria deixá-la fazer isso dessa forma? Faria tudo por ela.
– Claro que faria, ela é de sua família. Mas se eu fosse você, não me preocuparia mais com isso, é uma desonra para você mesmo. Ter o nome Schmidt desonrado dessa forma, mesmo não tendo tanto poder, é terrível saber que estão tão mal falados por todos os cantos dessa cidade. Honre seu nome, Gustaf – ele disse lançando um olhar nada significativo, só com puro desdém – Se não, quem vai honrá-lo?
William abaixou a cabeça de novo e começou escrever alguma coisa mais importante do que continuar a dar atenção a Gustaf, enquanto este apertava o punho contra a mesa, fazendo os nós do seu dedo embranquecer. Mais uma vez ele não podia fazer nada. Então se afundo na cadeira de madeira dura e continuou a fazer seu trabalho, era o melhor que podia fazer no momento. Talvez a única coisa.


Bill Kaulitz abriu os olhos, estava em seu quarto, olhando para o dossel sem cortina onde a única coisa que havia acima era o teto branco com um lustre cheio de pedrinhas que tilintavam ao se encontrarem. Olhou para o lado e viu que a janela estava aberta e um frio cortante estava fazendo o lustre balançar.
Ele se levantou e foi até ela, fechou-a rapidamente já que o frio estava tomando conta do local. Já devia ser quase umas oito horas e ele nem arrumara as malas ainda, apenas ficou olhando o quarto novamente como se houvesse algo por lá, afinal ele se sentia estranho. Na verdade, ele teve sonhos tão estranhos, se lembrava de tudo como se fosse um ocorrido e não algo vago.
Tinha o Gustav no sonho, mas ao mesmo tempo não era ele. O mesmo valia para si mesmo, havia algo de estranho, ele não agia daquela forma, agia? Sentou-se na cama e passou a mão pela testa, ela estava molhada de suor apesar do frio que fazia. Ele decididamente precisava de um copo de água.
Abriu a porta e pelo visto, os outros também estavam dormindo nos seus devidos quartos já que um silêncio enorme se estabelecia na casa. Desceu as escadas ligando as luzes por onde passava, já que o lugar era grande demais para se andar no escuro. Na cozinha enorme, Bill procurou por um copo nos armários, achou alguns empoeirados e limpou-os antes de pegar uma garrafa na geladeira que por milagre alguém – provavelmente Gustav – havia deixado ali.
Então ele olhou para uma das maçanetas do armário. Era o brasão da família novamente. Baumgärtner. Isso fez flashes do sonho voltar novamente, tudo parecia tão real e assustador. Mas só deveria ser um sonho por causa de tudo que está acontecendo, é só um sonho. Nada mais do que isso.

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8 Re: Utopia em Qua Jan 23, 2013 5:07 pm

Anny V.

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To amando

Aquela coisa do avô da Biene ver o futuro em borra de café, é tãooo estranho
Não tenho muita coisa o que falar, até por que, a parte interessante começou agora. Razz

Suuuper curiosa pra saber sobre esse sonho. Continua, Sam.

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9 Utopia em Qua Jan 23, 2013 7:13 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 5 - Um cão na colina

– Bom dia, pessoal! – disse Biene adentrando a casa com pacotes na mão – Desculpe a demora, mas aqui está o café da manhã de vocês. Comprei vários mantimentos também!
Todos estavam na mesa central da cozinha, estavam conversando animadamente, apenas Bill era o que mais ficava em silêncio. Biene colocou os pães quentinhos em cima da mesa já que nenhum dos garotos parecia disposto a fazer isso e depois colocou o resto das compras na dispensa.
– Biene – disse Bill se levantando e decidindo que fazer um café era melhor do que ficar parado – Lembra que você falou de uma família que morava por aqui? Sabe quem eram eles?
– Bill, a família inteira Baumgärtner morou aqui, a casa vem passando de geração a geração faz séculos. Preciso achar alguma árvore genealógica desse lugar, então terá todos da família que já viveram por aqui.
– Ah, é que eu fiquei curioso – disse ele tentando pensar em um modo de justificar sua pergunta – O brasão está em tudo que é lugar.
– É um modo de mostrar que a casa pertence a essa família. Você teria que reformar a casa inteira para tirar todos os brasões, principalmente àqueles talhados no teto – ela disse ajudando ele com o café – mas se quiser, eu procuro sobre as pessoas que moravam aqui. Deve ter algo na parte mais velha da biblioteca, prometo que vou pesquisar. É sempre legal descobrir sobre o passado.
– Obrigado – disse ele sem saber se valia a pena levar isso em frente, afinal só fora um sonho. E ele não era nem um pouco interessado em descobrir o passado das coisas, mas talvez para Biene isso fosse mais importante para ela do que para ele. Então se ela queria talvez um apoio, ele daria – Isso seria legal.
Terminaram de fazer o café e colocaram na mesa junto com os outros alimentos do desjejum. Todos se sentaram a mesa, até Biene, mas está não queria comer, alegando que já tinha tomado o café-da-manhã, apenas ficou para conversar. Ela era comunicativa, falava até demais e contava a todos eles tudo que acontecia na cidade e até a história do local. Não era tão ruim assim, às vezes era melhor que alguém falasse do que ficar em total silêncio.
– Bill, vire sua caneca – disse ela rapidamente quando Bill deu o último gole no café.
– O que? – exclamou ele sem entender.
– Vire a caneca no pires, vou tentar ler suas borras de café! Eleazar está me ensinando, mas ainda é meio complicado entender alguma coisa – ela disse sorrindo como se isso fosse a coisa mais comum do mundo.
Sem entender muito bem, Bill fez o que ela mandou, virou a caneca de cabeça para baixo e deixou a borra de café escorrer até o pires, então a retirou. Biene se levantou de sua mesa e foi dar uma checada no pires, ela olhou de todos os ângulos, apertou os olhos, parecia que ela estava com certa dificuldade para reconhecer as imagens.
– Não sei bem o que é isso – disse ela ainda tentando reconhecer algo – parece uma girafa, mas acho que não é, está estranha... Mas é algum animal, eu acho... Acho que decididamente não sou boa nisso.
– Essas coisas não funcionam – disse Bill rindo – Para mim só são borrões sem sentido...
– Acho que é um cachorro! – disse ela de repente – É, é um cachorro! Mas esqueci o que significa, ótimo! Vou perguntar a Eleazar, depois eu te falo. Não vou cobrar nada, por que sou uma má vidente, nem sei ler simples borras de café, imagine acertar algo.
– Eleazar? – perguntou Gustav – Não é o seu avô?
– Sim – disse ela – Mas o chamo pelo primeiro nome, não o conhecia desde que nasci. O conheci há cinco anos, mas demorou um pouco para eu reconhecê-lo como alguém da família e ainda é meio estranho chamá-lo de avô.
– Por que vocês não se falavam? – perguntou Tom – Ele é seu avô, oras.
– Bem... Nós morávamos em Madgeburg antes, nunca falei com ele quando estive por lá e ele nunca me procurou também. Depois que minha avó morreu... ele meio que desandou. Então meus pais se afastaram dele e como eu estava para nascer, eu nunca soube mais nada dele.
– Então seus pais voltaram para reatar com ele? – perguntou Georg. Ele já conhecera Biene quando mais nova, por que ela vivia sempre com Gustav antes de ir embora. Bill e Tom não chegaram a conhecê-la muito bem.
– Sim! – disse ela sorrindo de felicidade – Meus pais não estavam conseguindo escrever alguma coisa boa, então inesperadamente meu avô ligou. Então decidimos que ir para lá não seria tão ruim, para mim não era a melhor coisa do mundo, mas aceitei vir. Meu avô é muito bom comigo, nunca pensei que seria assim.
– Mas por que ele ligou, afinal?
– Acho que para voltarmos a nos falar – disse ela dando de ombros – Talvez meu avô percebeu que isso estava errado e precisava concertar o seu erro. Bem, já tenho que ir, preciso dar aula.
– Você é professora? – exclamou Bill – Quantos anos você tem, afinal?
– Dezessete – disse ela sorrindo e pegando sua bolsa – Sou sim, é que sei muito de história e a escola local decidiu me contratar já que não tinham mais professores de história.
Ela pendeu a cabeça para um lado e levantou os ombros como se não tivesse culpa de ser o que é, então se virou e foi embora. Só se viu ela pegando sua bicicleta e seu vulto descendo a colina em grande velocidade sem medo nenhum de cair.
– Sua prima é estranha – disse Tom ainda olhando para o lugar onde ela estava antes – Falo isso por experiência própria, já peguei umas garotas malucas igual a ela.
– Bem, ela sempre foi assim – disse Gustav rindo enquanto comia um pedaço de uma torrada – Desde pequena ela é meio alienada, agora acho que piorou. Mas é uma boa pessoa, vai ser ela que vai nos animar esses dias, podem ter certeza.
– Eu não me importo – disse Bill dando de ombros e olhando para o pires de café sujo, além do tal “cachorro”, parecia também haver uma caixa? – Desde que eu consiga escrever alguma coisa, acho que já é algo grande. Talvez, quem sabe, também não podemos sair um pouco por aí? Se o pôr-do-sol daqui é lindo, imagine o resto?

*******************************

– Eleazar! – disse Biene correndo afoita para a casa dele, o encontrando deitado no sofá assistindo um programa da culinária na sua TV antiga, com a tela cheia de riscos – Hoje fui tentar ver o futuro de alguém e não consegui lembrar o que significava uma coisa.
– Calma, Sabine – disse Eleazar assustado pensando que algo terrível havia acontecido já que ela chegara gritando – O que foi?
– Vi um cachorro numa borra de café o que significa? – perguntou ela animadamente.
– Significa perdão – disse ele piscando os olhos e tentando a sensação de estar vivendo um déjà vu – Aonde você viu isso? Na borra de café de quem?
– Do amigo do Gustav, ele ama café, então aproveitei para dar uma olhada. O que acha que perdão quer dizer?
– Não sei Sabine, não conheço a vida desse cara para saber – disse ele meio tenso ao ouvir o que ela dissera – Não está atrasada para ir à escola? Você não pode ficar vindo aqui sempre, antes de ir trabalhar, pode se atrasar.
– Eu sei, me desculpe, mas é que eu queria ver o que significava. Além de que ele me pediu também para procurar alguns livros sobre as famílias que viveram antigamente na casa, então queria saber se você que viveu lá, não sabe de nada?
– Não sei muito, acho melhor você procurar na biblioteca. Só conheço as pessoas que convivi quando vivi por lá e não as de antigamente.
– As pessoas nunca falam muito sobre a mansão, devia ser um patrimônio ou o símbolo da cidade. Devíamos saber sua história e não fingirmos que ela é apenas mais uma casa. Os Baumgärtner devem ter alguma importância, devem ter sido pessoas importantes, não podemos nos esquecer deles dessa forma.
– Sabine, eles já morreram – disse Eleazar achando que essa obsessão de Biene pelo passado já estava passando dos limites. Ela podia ser professora de história, mas isso não significava que precisava viver para isso – Se fossem mesmo importantes, já teriam se lembrado deles há muito tempo. Devem ter sido todos uns mesquinhos como sempre foram conhecidos.
– Mas você é um deles – disse Biene tristemente – Se a casa é sua é por que tem ligação com eles.
– Na verdade não, não tenho nenhuma ligação com eles direta. Apenas trabalhei lá, por isso herdei a casa – disse ele dando de ombros como se isso não significasse grande coisa – Fique apenas agradecida que vai herdar essa casa. Como você gosta muito dela, no final poderá morar lá.
Ela não sabia se ficava feliz ou na verdade magoada por ele ter falado daquela forma. Apenas assentiu e deu um sorriso torto enquanto saia da casa e ia em direção a sua bicicleta. Precisava chegar à escola a tempo já que inventara de fazer essa visita de última hora. Talvez depois, quem sabe ela não dá uma passada na biblioteca e vê se acha algo? Sim, era decididamente uma boa ideia. Não era por Bill, isso era para ela mesma.

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10 Utopia em Ter Jan 29, 2013 12:31 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 6 - Uma taça de sangue

Bill estava novamente no seu quarto, arrumando todos os seus casacos no guarda-roupa. Era quase duas horas da tarde e ele decidira que arrumar o seu quarto seria o melhor a fazer, não queria nada bagunçado, nem nada que o impedisse de escrever mais tarde. Estava até pensando em comprar algumas cortinas para colocar no dossel da cama, mesmo que não fosse sua casa, seria ótimo poder chamar aquele lugar de lar.
Ele havia aberto a janela para deixar o sol adentrar o local e acabar com aquele cheiro de mofo. Apesar do frio, os raios de Sol davam a impressão que o dia estava quente e bonito o suficiente para se sentar lá fora e ficar lendo algum livro. Era o que ele gostaria de fazer, mas invés de livro, seria um caderno e um lápis. Quem sabe ele não fizesse isso mais tarde?
Quando terminou de arrumar o guarda-roupa e olhou para a pilha de sapatos que havia dentro da sua mala, achou que isso podia ficar para mais tarde, afinal iria perder o dia inteiro arrumando tudo. Pegou um caderno no meio da sua bagunça na mala e uma caneta, desceu as escadas onde se podia ouvir Tom treinando algumas melodias em um piano que havia em um dos quarto. Georg tocava o baixo preguiçosamente, sentado no sofá, enquanto Gustav batia em sua bateria ferozmente.
Ele não parou para falar com eles, apenas continuou o seu percurso até o lado de fora, procurando um bom lugar para se sentar, onde não estivesse tão frio. Decidiu optar em ficar perto de um pinheiro que não era tão grande quanto os outros, por isso deixava os raios de Sol atravessarem seus galhos e aquecer o local que ficava suas raízes. Bill se sentou lá, com o caderno sobre suas pernas e o lápis pronto para escrever em sua mão.
Olhou para todos os lados, era incrível a visão que tinha. Havia colinas e mais colinas verdejantes brilhando junto com seus pinheiros altivos e sombrios. A casa, então, parecia surgir do nada, como se brotasse da terra e o levasse para longe. A sensação era incrível, parecia que nada no mundo poderia superar aquilo, era como se um arrepio transpassasse por sua pele e corresse nas suas veias.
Um vento passou por ele, fazendo as folhas do caderno se virarem abruptamente. Ele segurou o caderno com mais força e deitou a cabeça no tronco caloso da árvore. Tudo parecia tão em paz, não havia ninguém correndo atrás dele, na verdade não havia ninguém. E isso era ótimo, nunca pensou que sentir-se sozinho trouxesse um alívio tão grande. Então ele fechou os olhos por um segundo e deixou seus ouvidos atentos aos barulhos que se ouvia, deixou-se ser guiado pela música.

– Você me parece tão cansado – disse um cara com cabelos castanhos aloirados compridos, preso em um rabo de cavalo, vestido elegantemente. Via-se malícia no olhar dele, como se pudesse brincar com qualquer um facilmente – Sinceramente, William, você está ficando pior do que eu imaginava.
– Cale-se, Thomas – disse William em sua ampla sala de estar, indo direto a uma mesinha e pegando uma garrafa de uísque, encheu um pequeno copo com ela e tomou um gole rapidamente. A sensação corrosiva do álcool em sua garganta o acalmou, era como se a corda em seu pescoço afrouxasse um pouco para depois voltar a enforcá-lo – Já não vês que estou terrível sem suas palavras insignificantes.
– Obrigado pelos elogios, fico lisonjeado – disse ele rindo abertamente, como se o outro tivesse acabado de contar uma piada – Não falo isso por que quero acabar com sua paciência. Falo como seu melhor amigo, você está acabado. Faça hoje algo por si mesmo, não fique fazendo tudo de má vontade só por que tem que fazer.
– As pessoas esperam mais de mim, não posso simplesmente ignorar. Meu pai quer que eu assuma os negócios da família, não vou decepcioná-lo, ele vai ver que sou tão bom quanto ele. Vou acabar com as dívidas que temos, tenho que me esforçar mesmo que seja cansativo.
– Não estou dizendo para você abandonar tudo, estou falando para se divertir, é o que você precisa. Nem todo o uísque do mundo vai fazê-lo feliz, precisa de muito mais – disse ele lançando um sorriso maroto.
– Sobre o que você está falando? – disse William levantando a sobrancelha, desconfiado – Que tipo de diversão?
– Você sabe do que estou falando, o que é melhor que bebida? Mulheres. Além disso, abriu aquele Cabaré novo e o dono é meu amigo, ele vai escolher as melhores mulheres para nós, você vai ver.
– Sinto-me enojado ao vê-lo falar isso – disse William fazendo uma expressão de desgosto e pensando seriamente em tomar outro copo de uísque – Não vou manter relação nenhuma com mulheres daquele local. São usadas, não quero me deitar em uma cama onde todos os dias milhares de homens deitam e usam as mesmas mulheres. É asqueroso.
– Você vai morrer se for para lá? Se não quiser nenhuma mulher, pode simplesmente beber já que é o que mais gostas de fazer. Só estou te convidando, por que não quero ir sozinho, além de que você é meu fiel companheiro. E vai que gostas de alguém de lá?
– Gostar? – disse ele rindo cinicamente – Como se eu fosse casar com alguma mulher daquele local. Não sou tão repugnante a esse ponto, não quero dar nenhuma oportunidade a essas mulheres de tentar encostar o dedo em minha herança. Elas que lutem pelos seus sonhos de outra maneira mais honrada.
– Não me importa o que são, o que eram ou o que vão ser. Só estou interessado no que elas têm a me oferecer – disse ele dando de ombros e se levantando do divã que estava sentado – Vamos lá de uma vez, o local é novo, desconhecido, misterioso. Se não gostar, é só não voltar nunca mais. Se não ir, vai ficar com essa curiosidade na sua cabeça.
– Não estou com curiosidade nenhuma – disse ele rispidamente – Vou-me sentir totalmente sujo sem entrar naquele local. Só péssimas pessoas frequentam, e você deveria também não ir para não ficar mal falado. Você tem um nome a honrar, Thomas.
– Infelizmente, tenho a má notícia de que sou uma péssima pessoa, por isso vou lá neste momento. E hoje, William, você será uma má pessoa, amanhã é outro dia, outra história. Pode voltar a ser decente e honrado como sempre, mas hoje não.
Thomas piscou para o amigo e pegou firmemente em seu braço o puxando para longe daquela casa. Não queria que o amigo continuasse a ser tão frio e severo como era, ele precisava de alguma diversão, algo para deixá-lo mais relaxado. Logo quando estavam saindo de casa, se depararam com o Senhor Baumgärtner chegando em casa.
– Aonde vão garotos? – perguntou ele com uma voz rouca e altiva, ele tinha o mesmo olhar que William, como se fosse capaz de matar alguém com aqueles olhos acastanhados.
– Boa noite, Senhor Baumgärtner, vamos apenas nos divertir – disse Thomas com uma lábia, como se pudesse enganar a todos com seu jeito cínico – A noite é uma criança e trabalhamos tanto que um descanso não é algo errado, é?
– Desde que não exagerem e não percam a compostura – disse ele lançando um olhar fuzilante para William, fazendo este sentir o impacto das palavras dele. Automaticamente o que o pai queria foi gravado em sua mente como uma tatuagem que o impedisse de fazer qualquer coisa errada – Só quero que se comportem.
– Sim, Senhor – disse Thomas fazendo uma reverência exagerada e puxando William para dentro de uma carruagem – Seu pai é cômico, se não fosse tão sério, poderia até trabalhar em um circo.
– Cômico você vai ver quando ele arrancar o meu couro e o seu junto. Se fizermos qualquer coisa de errado, eu juro que te mato antes que ele me mate – disse William se apoiando na janela, de mau humor.
– Você vai me agradecer, William – disse Thomas rindo – Ninguém vai morrer essa noite, vamos ao paraíso para depois retornarmos ao inferno.
William apenas o ignorou, não adiantava retrucar com um Gietzen, eles eram conhecidos por serem cabeça dura, era só conversar com a família de Thomas que já comprovaria esse fato. Apenas afundou no estofado da carruagem desejando poder sair dali e voltar para sua própria cama onde poderia dormir sossegado, sem nenhuma mulher daquele Cabaré asqueroso.
A carruagem desceu várias ladeiras até chegar ao tal tão falado lugar, onde se via uma casa enorme, com aspecto velho com vários cartazes pintados a mão nas paredes, mostrando mulheres bonitas e sedutoras em seus espartilhos apertados. Dava para ouvir música vindo de lá e muitas risadas, sem contar o barulho de copos e do piano que se tocava ao longe.
– Mas que lugar mais lindo, não é mesmo? – disse Thomas rindo enquanto descia da carruagem – A princesa não vai precisar de ajuda para descer, vai? Vamos logo, William, se não vamos perder o principal da festa. Precisamos escolher as mulheres mais bonitas antes que outro idiota escolha.
– Não acredito que estou aqui – disse ele descendo realmente aborrecido – Vou ficar apenas alguns minutos, se eu não gostar, vou embora você querendo ou não.
– Tenho certeza que você não vai embora.
Respirando fundo, ele seguiu o amigo e parou na frente da casa. Vários homens já estavam ali parados, e olharam fixamente em William. Um Baumgärtner. Era só morar lá que podia se reconhecer um em qualquer lugar, a supremacia máxima da cidade, filho do homem mais rico da região carregava poder e morte nos olhos. Alguns alegavam que eles vinham mais dos demônios do que de anjos, apesar de terem todos uma beleza indiscutível.
– O que um cavalheiro como o Senhor está fazendo aqui? – disse um cara bêbado rindo – Procurando uma dama? Aqui não vai encontrar.
– Se eu fosse você, nem dirigiria a palavra a mim. Mas como está bêbado, eu o perdoo. Quero ver falar dessa forma comigo com tanta coragem sem ter um pingo de álcool no sangue. Quando seu sangue rolar pelo chão, quero eu mesmo analisar a quantidade de coragem que corre em suas veias – disse William com sua voz cortante.
O homem engoliu seco e sentiu o chão sumir, enquanto aquele rapaz apenas lançava aquele olhar venenoso e intrépido. Todos sabiam que se ele tivesse uma arma na mão, o homem já estaria decapitado no chão. São assim as coisas com a realeza, morte justifica honra e sangue é sua principal bebida. Todos malditos.


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11 Utopia em Sab Fev 02, 2013 1:27 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 7 - Páginas Emboloradas

Bill sentiu de repente alguma coisa cair nele e abriu os olhos sobressaltados, olhou e na sua barriga havia uma pinha e algum galho chacoalhava do seu lado esquerdo. Levantou a cabeça e encontrou o rosto de Biene, carregando um monte de livros nos braços.
– Ops! Acho que te acordei, não era minha intenção, desculpe – disse ela se sentando ao seu lado e parecendo aliviada ao tirar todo aquele peso dos seus braços – Esses galhos se enroscaram em mim e a pinha caiu.
– Está tudo bem – ele disse esfregando os olhos – Que horas são?
– Cinco e meia – disse ela olhando para o relógio no seu pulso – Está dormindo faz tempo? É que aqui tudo é tão calmo que sempre dá vontade de dormir.
– Sim, acho que apaguei lá pelas três horas, como pode ver dormi muito! Eu podia estar escrevendo novas músicas, mas em vez disso fiquei dormindo embaixo de uma árvore!
– Tudo bem, amanhã você tenta novamente – disse ela passando os braços em volta das pernas e colocando seu cabelo loiro atrás de sua orelha – Acho que umas horas de sono deixam todos bem. Logo você consegue escrever algo realmente bom, já li algumas letras de suas músicas e elas são incríveis.
– Obrigado – disse ele sem-graça – E o que são esses livros? Já achou alguma coisa sobre a casa?
– Não deu tempo de achar alguma coisa realmente boa, só dei uma folheada por que a biblioteca já ia fechar. Então eu trouxe para nós darmos uma olhada, quem sabe não encontramos alguma coisa importante?
– Tudo bem, então – disse Bill tentando dar o sorriso mais convincente, ele realmente não queria ficar folheando livros velhos, tentando encontrar quem sabe algum William Baumgärtner só para comprovar para si mesmo que não está ficando louco – Vamos entrar? Acho que já está ficando tarde para ficarmos aqui fora.
Ela fez que sim e começou a se levantar e a pegar os livros que deixara no chão. Como eram muitos, Bill tratou de ajudá-la, afinal não era nada cortês deixar uma garota carregar todo aquele peso sozinha. Então partiram em direção a casa, enquanto o Sol ao longe já estava quase preparado para se pôr.
– Lembra que eu vi um cachorro no seu pires? – disse Biene cortando o silêncio – Eu perguntei para Eleazar e ele me disse que significa perdão. Tem algo a ver com a sua situação atual?
– Bem... eu acho que não – disse ele pensativo – Que eu saiba, não briguei com ninguém.
– Que pena! Eu realmente queria acertar alguma previsão minha! Acho que não sou boa nisso, vai ver as pessoas nascem com o dom e eu não nasci.
– Vai ver o seu dom é descobrir o passado das coisas, quem sabe não descobre algo importante desse local?
– Você acha que cada um nasce para fazer algo? Como se já fossemos destinados ou algo do tipo? – perguntou ela de repente sorrindo, era incrível, ela brilhava mais do que o Sol – Como se cada um tivesse alguma missão importante?
– Eu não sei, não entendo muito bem dessas coisas. Acho que temos que fazer o máximo, só isso. Uma hora tudo acaba.
– Você está certo, talvez eu esteja fantasiando demais. Então vou fazer o possível por mim mesma e pelos outros!
Os dois entraram na casa, novamente em silêncio, não sabiam ao certo o que dizer. Todos estavam na cozinha, pelo visto fazendo um lanche da tarde, já que a dispensa estava aberta e toda hora eles entravam lá para pegar alguma coisa.
– Onde você esteve, Bill? – perguntou Tom fazendo alguma mistura estranha no liquidificador – Pensei que tivesse se perdido na casa e estava em algum porão escuro.
– Não, eu só estava lá fora tentando escrever algo.
– E pelo visto não conseguiu. Sinceramente, temos que fazer algumas coisas por aí, não vou aguentar ficar aqui o tempo todo só assistindo TV, tocando piano ou guitarra. Preciso conhecer garotas.
– Não tem muito que se fazer por aqui – disse Biene colocando os livros em cima da mesa enquanto Bill se sentia em uma espécie de déjà vu – Tem umas baladas por aí, mas nada espetacular como você estão acostumados.
– Se tiver garotas, estou dentro! – disse Tom colocando o líquido do liquidificador em um copo – Vamos fazer alguma coisa essa noite, qualquer coisa.
– Eu mostro a cidade para vocês – disse Biene se sentando e começando abrir os livros e a folheá-los.
– O que é isso? – perguntou Tom bebendo o Milk-shake e olhando para os livros que Biene trouxera. Bill também se sentara à mesa e pegara um deles para folheá-los.
– Livros para pesquisarmos sobre essa casa, são os mais antigos que encontrei na biblioteca. Todos falam sobre as redondezas daqui pelo século XVII, XVIII e XIX, acho que deve ter algo sobre os Baumgärtner. Também vale a pena dar uma olhada em jornais antigos, a biblioteca também tem uma coletânea bem antiga.
Bill nem estava prestando atenção, apenas folheava um dos livros que falava da formação de Aach. Falava detalhadamente dos povos bárbaros germânicos e dos feudos que ficavam por essas regiões e citaram os fundadores da cidade. Ele parou para dar uma olhada na gravura que mostrava os fundadores, decididamente não era ninguém que se recordava, mas o que chamou sua atenção foi à colina ao longe, sem a casa.
Continuou a procurar algo que lhe interessasse, quando achou um pequeno trecho: “... então se construiu a prefeitura na colina, queriam algo grandioso que mostrasse poder e honra. Era a maior construção da cidade, com dezenas de quartos e espaço amplo para reuniões de parlamentos, além de bailes comemorativos. Mas foi a crise de 1834 que fez o atual prefeito perder tudo em jogos e para pagar todas as dívidas que criou, vendeu A Casa da Colina, símbolo da cidade, para estrangeiros que migraram da Hungria para Alemanha. Os Baumgärtner eram conhecidos pelo grande poder aquisitivo, vindos da realeza húngara se instalaram na cidade e tornou a mansão uma propriedade totalmente relacionada ao nome da família”.
– Eram húngaros – disse Bill como dando de ombros, isso não tinha a menor importância – Está falando aqui que a casa era da prefeitura, mas os Baumgärtner a compraram. Não significa muita coisa.
– Quem sabe podemos achar uma árvore genealógica em algum livro húngaro? Talvez pelo computador, quem sabe, podemos achar alguma coisa em sites de bibliotecas online. Ou nesses livros, deve haver algo sobre famílias antigas. Algo que era tão importante naquela época, já que já fora a prefeitura, não podia se perder no tempo tão facilmente – disse Biene anotando essas informações em um papel.
– Além de que deve haver alguém importante da família, alguém que se destacou – disse Bill continuando a folhear o livro – Algum nome em específico, sempre tem, ainda mais quando se vê o brasão da família em tudo que é lugar.
– Meu avô trabalhava para a última geração que viveu aqui, mas ele não sabe de muita coisa. Perguntei algumas coisas a ele, mas não soube responder. Pelo visto, informações se perderam durante os séculos.
– Última geração? Quer dizer que não existe mais nenhum descendente?
– Não sei – disse Biene dando de ombros – Acho que não já que quem herdou a casa foi meu avô e ele apenas trabalhava para família. Não sei o que aconteceu. Vai ver tem algum mistério no ar, quem sabe essa casa não seja mal assombrada, mesmo?
Todos começaram a rir e Bill forçou um sorriso, na verdade ele estava começando a pensar a mesma coisa, é claro que ele não via nada de estranho acontecer além dos sonhos, mas essa hipótese não podia ser descartada facilmente. Na verdade isso tudo não devia passar de uma baboseira qualquer, ele estava ficando doido e acreditando fielmente no que Biene dizia. Eram apenas sonhos, coincidências.
– Esse negócio de fantasmas não existe, Biene – disse Gustav como se dissesse isso a uma criança que acreditasse em Papai Noel.
– Claro que existe, espertalhão. Já ouviu falar das ruínas da antiga prisão? Fica há uns dois quilômetros do rio e todos falam que de noite pode-se ouvir alguém cantando. Nunca ouvi, por que não vou ficar andando de noite por aquele lugar, mas muitas pessoas já disseram que ouviram algo.
– Isso é tudo invenção que o povo conta – disse Georg rindo – Em todos os lugares tem essas histórias. A maioria não passa de bobagem, afinal isso de que alguém ouviu ou viu algo é tudo da cabeça da pessoa.
– Mas seria legal se fosse verdade, não é mesmo? – disse Biene sorrindo torto, com seus olhos azuis brilhando – Saber que não estamos sozinhos e que temos algo a cumprir.
– Acho que não tem nada em nenhum lugar – disse Bill fechando o livro com tudo – Vou tomar banho, se vamos sair hoje, preciso estar preparado.
Ele não sabia de onde saíra aquele mau humor, apenas abandonara aquele monte de folhas bolorentas enquanto subia as escadas em direção ao seu quarto. Todos ficaram na mesa com cara de interrogação, sem entender o que havia ocorrido. Só Bill sabia que no fundo, havia algo que o incomodava, algo que ele desconhecia.
Passou pela porta do banheiro e se apoiou na pia, se olhando no espelho que tinha um pouco de bolor nos cantos. Fitou seus cabelos pretos e seus dreads brancos surgirem da sua nuca, depois olhou seus próprios olhos, amendoados, de um castanho incisivo que lembrava vagamente os de William Baumgärtner. Será que ele era parecido com ele? Tão frívolo e sem coração, que não tem pena nem do pobre Gustaf e trata as mulheres como se fosse algo sórdido?
– Sou Bill Kaulitz – disse ele firmemente ao espelho e depois deu as costas.

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12 Utopia em Ter Fev 05, 2013 10:22 am

Sam McHoffen

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Capítulo 8 - Sapatilhas de Balé

O céu estava pintado de um azul escuro e havia várias nuvens da mesma cor ofuscando as estrelas e tentando esconder a Lua. Um vento gélido passava por eles e nem todo o cachecol do mundo poderia acabar com aquele frio cortante que vinha da nuca e descia pela espinha. Mesmo assim todos estavam decididos a sair um pouco e dar uma olhada na cidade que parecia mais morta do que habitada por alguém.
– Onde estão as baladas? – perguntou Tom não vendo nenhuma casa com luzes em neon, piscando sem parar.
– Tem uma na esquina – disse Biene apontando para o final de uma rua – Não é uma balada realmente, mas alguns casais vão ali para descontrair e dançar um pouco. Já fui uma vez e não vi nada demais, mas pelo menos lá vende algumas bebidas alcoólicas e energéticas.
– Então estou dentro, quem está comigo? – perguntou Tom animadamente, enquanto todos confirmavam felizes – Pelo menos tem bebidas, só espero que tenha garotas!
Bill parou o carro em frente a uma casa de dois andares onde havia uma porta aberta do lado esquerdo que levava a uma escada e podia-se ouvir uma música fraca vindo de lá dentro. Ele realmente esperava que a tal balada fosse uma versão mais nova daquele cabaré dos seus sonhos, mas se ele não estivesse enganado, o cabaré não ficava em uma esquina. Apenas suspirou, ficou constrangido por ter pensado aquilo, afinal como dissera para si mesmo tudo era apenas um sonho.
Tom já estava abrindo o carro, Georg e Gustav o acompanharam subindo as escadas em direção a certa diversão noturna. A vontade de ficar no carro predominou e Biene percebeu o quão estranho Bill ficara de repente, mas não ficou com coragem de quebrar o silêncio, apenas esperou que ele dissesse alguma coisa, mas ele não disse.
– O que foi? – ela perguntou por fim, não sabendo se seguia seu primo ou ficava no carro – Não está se sentindo bem?
– Estou bem – disse ele dando um sorriso torto pelo espelho retrovisor – Só estou com medo de ir para essa festa, acho que nós todos podemos chamar atenção se surgimos lá todos juntos. Sei que aqui é uma cidade pequena, mas muita gente pode nos conhecer.
– Então vai voltar para casa? – ela perguntou e ele deu de ombros sem saber o que fazer – Podemos ir a outro lugar, por exemplo... a prisão abandonada! Nunca andei por lá, mas se ouvirmos alguma coisa, podemos esfregar na fuça deles que riram da gente.
– A prisão? – perguntou ele se virando pasmado – Não é perigoso andar por lá de noite?
– Acho que não, nunca ninguém morreu andando pela prisão – disse Biene dando de ombros – Podemos pegar lanternas na casa do Eleazar e darmos umas voltas, quando os garotos quiserem voltar, é só ligar para você.
Ele pensou em discutir, afinal não era nada legal ficar andando por áreas que ele desconhecia, sozinhos, apenas contando com lanternas. Mas Biene parecia estar decidida a fazer isso, mesmo que fosse sozinha, então ele não poderia deixá-la entrar nessa fria sem que tivesse alguma ajuda pelo menos para não se machucar. Então ligou a ignição do carro e seguiu as coordenadas dela para a casa do tal Eleazar.
Conforme eles iam chegando, Bill ia notando que conhecia certos lugares, como se já tivesse visto aquelas ruas. Então logo percebeu que a tal casa de Eleazar era uma mesma versão do antigo cabaré, só que bem mais velha e não tão bem cuidada quanto antes, além de que não tinha todos aqueles cartazes. Ele não conseguia acreditar no que via, sentiu seus músculos ficarem hirtos enquanto sua expressão era de puro pânico.
– Quer entrar ou prefere ficar aqui? – perguntou Biene já abrindo a porta do carro e descendo.
– Eu vou com você – disse ele, se apressando e descendo também. Parou bem em frente à casa e viu a varanda que já tinha visto antes, as escadas de madeira que rangeram quando ele subiu e até sentia aquele cheiro de incenso que havia nos seus sonhos. O cheiro doce de mulheres – A casa dele é bastante velha também, não é?
– Sim, a maioria das casas é antiga. Eleazar decidiu manter essa e a Casa da Colina o mais igual possível ao que eram antes.
– E essa casa era o que antes, você sabe? – perguntou Bill engolindo seco.
– Você vai rir – ela disse já rindo e pendendo a cabeça para o lado como sempre fazia – Era uma casa de prostituição e estava abandonada por muito tempo, mas Eleazar decidiu comprar, afinal não tem nada de errado nisso, tem? Mas deve ser estranho morar em um lugar onde no passado as pessoas viviam fazendo sexo ou havia mulheres por todos os lados. Eu até já me acostumei com essa ideia, Eleazar nem liga.
A boca de Bill secou quando seu temor se confirmou, mas decidiu não transparecer sua expressão, apenas seguiu Biene pela varanda. Ela bateu na porta umas duas vezes quando um velho alto e forte de cabelos grisalhos e olhos negros abriu a porta, vestido em um suéter marrom escuro.
– Olá, Eleazar! – disse ela toda feliz – Desculpa vir aqui a essa hora, mas é que meu amigo Bill e eu precisamos de umas lanternas e queríamos saber se você pode emprestar alguma?
Eleazar olhou de Biene e parou um instante em Bill, o analisando de cima a baixo, como se tivesse visto alguma assombração. Talvez o jeito feminino de Bill o assustasse ou quem sabe não estivesse acostumado a ver sua neta com caras bem estranhos, diga-se de passagem.
– Entre os dois – disse Eleazar se afastando da porta e dando passagem – Estou preparando um pouco de chá, vocês podem beber enquanto eu procuro as lanternas. Mas para que precisam delas?
– Vamos à prisão antiga dar uma olhada por lá – disse Biene se sentando em um dos sofás e Bill fazendo o mesmo. Ele olhava para todos os lados tentando analisar o local, como no sonho não deu tempo de ele entrar lá, não sabia muito que esperar – Queremos saber se é mal assombrada como dizem.
– É apenas uma lenda – disse Eleazar trazendo um bule de chá de porcelana, onde se via uma fumaça sair do bico, enchendo o local com um cheiro delicioso de canela. Ele colocou duas xícaras na mesinha e derramou um pouco de chá em cada uma – Falam que prenderam uma garota lá injustamente e que ela morreu, então seu espírito habita o lugar, cantando lindas melodias de noite.
– Por que ela foi presa injustamente? – perguntou Biene pegando uma xícara de chá e assoprando ela antes de tomar um gole.
– Não sei – disse ele dando de ombros – Quem sabe cometeu um simples delito como roubar algo ou quem sabe achavam que ela praticava magia. Não entendo muito essas coisas sobre igreja, mas quem sabe ela não a puniu?
– Matar bruxas não era algo tão comum no século XIX, tanto que em 1862 teve o lançamento do livro “A Feiticeira”, onde a autora explica sobre a sobrevivência dos cultos pagãos na Idade Média e Moderna. E a igreja não tinha tanta influência quanto antes.
– Ah... esqueci que você é professora de história – disse Eleazar piscando pasmo para Biene, depois se virando para Bill – E quem é você? Nunca o vi antes.
– Desculpe-me – disse Bill surpreso com a pergunta dele – Sou Bill Kaulitz, amigo do primo de Biene. Prometo que vou protegê-la o tempo todo.
Ele apenas olhou carrancudo para Bill e sumiu pelos quartos, talvez para procurar as lanternas. Biene continuou tomando seu chá em silêncio, sem conter o sorriso em seus lábios, pelo visto ela era uma das únicas que estava se divertindo, já que Bill continuava tenso como sempre. Ele começou a beber seu chá rapidamente, não queria fazer desfeita, ainda mais quando o avô de Biene não gostara muito dele.
– Aqui estão as lanternas – disse Eleazar trazendo duas grandes e colocando em cima da mesa. Depois olhando para a xícara vazia de Bill e Biene – Vamos ver o futuro de vocês.
Eleazar sentou-se em uma poltrona e olhou para o fundo da xícara aonde havia acumulado folhas de chá. Bill tentou olhar na dele para ver se identificava algo, mas para ele não havia nada demais.
– Há um circulo no seu. Significa amor, aliança. O círculo é um amor que roda sem nunca acabar – ele analisou a xícara por mais uns instantes, depois olhou na de Biene atentamente – Tem linhas curvas que significa que vai enfrentar dificuldades, não são coisas nada boas.
– Bem, acho que estou preparada para o que der e vier – disse Biene dando de ombros – Pelo menos o Bill se saiu melhor, tem amor no futuro dele! E também perdão, afinal foi isso que eu vi nas borras de café, lembra que eu perguntei a você, Eleazar?
– Foi ele? – perguntou Eleazar olhando atônito para Bill – Muito estranho você, é meio complicado descobrir o seu futuro, é como tudo quisesse dizer mais coisas do que aparenta. E é bom que proteja Biene mesmo, se ela passar por dificuldades essa noite e você não socorrê-la, eu...
– Vovô! – gritou ela de repente, fazendo-o se assustar ao ouvi-la o chamando daquela forma – Nada de ruim vai acontecer e Bill não vai ter culpa nisso! Só vamos vasculhar a antiga prisão e ele é uma boa pessoa, eu acredito nisso.
Eleazar então ficou mais calmo de repente, talvez tudo começasse a se encaixar aos poucos. Lembrara-se da primeira vez que tinha visto Sabine, ela reclamava que não poderia mais fazer balé e levava suas sapatilhas para tudo que é lugar, até abandoná-las. A bailarina. Talvez o significado estivesse mais do que na cara.

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13 Utopia em Sab Fev 09, 2013 12:47 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 9 - O Som do Coração

A prisão não passava de muralhas ao longe, pedras caídas no chão, tão mortas no mato que crescia abundantemente. Estava tão escuro que tudo parecia sombrio e funesto, como se estivessem em uma espécie de cemitério abandonado, onde os únicos mortos, quem sabe, não passavam de espíritos esquecidos.
Bill estava levando uma lanterna enquanto Biene estava com a outra. Ela pulava toda feliz pelo mato, tentando abrir caminho para ver melhor as muralhas, sem medo nenhum de encontrar algo terrível. O vento estava tão frio e forte, que se podia ouvir barulhos fantasmagóricos ao longe, como assobios penetrantes que deixariam qualquer um morto de medo.
– Você vai querer entrar lá dentro? – perguntou Bill quando eles avançaram o bastante para perceberem o quão grande as muralhas eram.
– Não, pode ser perigoso – disse Biene apontando a lanterna para as janelas com barras da prisão, talvez tentando localizar alguma sombra suspeita – O lugar está muito velho, pode ter risco de desmoronamento. Além de que não é necessário entrar para ouvir alguma coisa.
– Então vamos esperar ou algo do tipo? – perguntou Bill pensando que poderia estar fazendo qualquer outra coisa, menos ficar observando muralhas velhas e sem-graças, esperando que saísse algum cantar dela.
– Mais ou menos – disse ela indo para baixo de uma das colinas, em direção a várias árvores – Venha, vou te mostrar algo, pelo menos para mim é incrível.
Biene continuou a descer a colina e sumiu entre as árvores enquanto Bill tentava localizá-la. Depois de um tempo perscrutando pela escuridão, entre vários galhos, ele localizou Biene sentada em uma espécie de pequena clareira. Ela sorriu para ele e apontou para algo e ele olhou. Ao longe havia o tal rio que Bill já tinha visto antes, ele era imenso agora visto de tão perto e a Lua se refletia nele dando a sensação que estavam perto de um mar.
– É lindo! – disse Bill também se sentando ao lado de Biene e olhando aquela maravilha que estava apenas a alguns quilômetros de distância – Não sabia que era tão bonito quando vi da primeira vez.
– Sim, ele é! Meu sonho sempre foi poder nadar nele, mas como faz muito frio, acho que nunca vou poder fazer isso. Pelo menos, algum dia eu posso tentar navegar nele com algum barco. Um cara daqui está construindo um de madeira para mim, em breve vai estar pronto e vou poder ficar navegando sempre que eu quiser.
– Mas as outras pessoas não aproveitam esse lago?
– Quem seria o louco? – perguntou Biene enrolando mais o cachecol em volta do pescoço por causa dos ventos frios – Só eu mesma. Ninguém vai querer nadar nele ou navegar, é muito frio para isso. Além de que pesca não é algo necessário já que o lucro da cidade vem de outros tipos de produções.
– Então por que você quer fazer isso? – perguntou Bill tentando entendê-la, era algo mais complicado do que ele imaginara, era como tudo que ela fizesse não tivesse um por que.
– Precisa de um por quê? Acho que é pelo simples fato de que ninguém fez isso ou por que ninguém faz. Não quero seguir os outros, quero aproveitar a vida a minha maneira, então se quero navegar em um barco de madeira nesse lago, eu o farei. Não tenho medo de morrer, Bill, tenho medo de não viver.
Era estranho eles estarem conversando sobre esse tipo de coisa, eram coisas pessoais, que geralmente as pessoas não contavam. Não era como um amor secreto ou algum defeito indiscreto, era apenas pensamentos que as pessoas tem e não precisam ser ditos por que ninguém iria entender. Mas Bill entendia, por mais que fosse complicado, ele sabia o que ela queria dizer.
Sem saber o que fazer, ele tirou um maço de cigarros do bolso e decidiu que fumar naquele momento seria um alívio, mais do que já era. Ele deu uma olhada no vento para que a fumaça não fosse para Biene, então começou a acender o cigarro. Colocou-o na boca e começou a tragar a fumaça para dentro dos seus pulmões, sentindo um prazer a alívio percorrer sua garganta.
– Ah, por favor, não me diga que você fuma! – disse ela olhando brava para Bill, então se aproximando dele com o braço esticado tentando arrancar o cigarro da mão dele, mas ele conseguiu desviar rapidamente.
– A fumaça te incomoda? – perguntou ele colocando o cigarro o mais longe das mãos cruéis de Biene.
– Não estou fazendo isso por mim, estou fazendo por você – disse ela avançando mais e arrancando o cigarro da mão dele e jogando ao longe – Não estrague sua vida, por favor.
Ela se sentou novamente no seu lugar, olhando tentadoramente para o bolso de Bill onde havia mais cigarros para ser pegos e serem jogados fora. Mas ele tratou de cobrir aquilo com seu casaco, para que ela não eliminasse mais nenhum.
– Isso não é bom, fumar é ruim, mesmo que o faça se sentir bem. É um hábito que todas as pessoas deveriam evitar ter.
– É meio difícil – disse Bill ainda tentado a pegar outro cigarro – Isso te acalma, mas é algo horrível, então não vou ficar falando todas as sensações que ele trás, afinal não quero que você tenha esse hábito.
– Então não fume e me dê um modelo a seguir, quando você fala isso do cigarro e o ama da mesma forma, não tem muito significado. São pensamentos e ações opostas e quero ambos na mesma direção.
– Pare de ser filósofa – ele disse fazendo um sorriso brotar no rosto – Você me deixa acanhado com todos esses pensamentos superiores. Além disso, não estamos aqui para ficar conversando, não estávamos em uma busca sobrenatural?
– É verdade! – disse ela se virando para ele e sorrindo ao se lembrar do verdadeiro objetivo – Até agora ela não cantou nada, quem sabe não precisa de estímulos? Quem sabe não podemos cantar para ela?
– Que música?
– Não sei, você que é o músico aqui, deve saber alguma.
– Bem, tem uma nova que venho tentando há um tempo, mas não sei se está bom o suficiente – disse ele se lembrando da letra que havia escrito há algumas semanas.
– Então cante, se eu aprender, te ajudo – disse Biene com os olhos azuis brilhando e sorrindo em apoio.
Bill sorriu em troca, passou a língua pelos seus lábios e preparou sua voz, recordando-se da melodia que Tom havia inventado. “So automatisch, du bist wie ‘ne maschine. Dein Herz schlägt nicht mehr für mich. So automatisch, berühren mich, deine hände, spur alles, nur nicht dich…”. Enquanto ele continuava a cantar, Biene tentava gravar a letra, mas ficou tão maravilhada com o jeito que ele cantava e com o que a música dizia, que se tentasse cantar, tinha medo de que estragasse todo o significado daquilo.
– Acho que ela não gostou muito da música – ele disse percebendo que nada acontecera novamente, que não havia ninguém cantando junto.
– Ela gostou sim – disse Biene com as bochechas mais rosadas do que nunca, olhando de forma maravilhada – Ela só não cantou junto, por que tinha medo de parecer desafinada demais ou não cantar tão bem.
– Bem, ela devia ter tentado, pelo menos eu saberia se ela tinha gostado ou não.
– Claro que ela gostou, ela só decidiu que o melhor a fazer era apenas ouvir. O silêncio dela trás muito mais significados do que suas palavras. Ela cantou por tanto tempo que quando alguém aparece cantando dessa forma, resta apenas escutar.
Bill ficou sem-graça ao ouvir o que ela dissera, sentiu seu rosto queimar quando a olhou nos olhos. Ela desviou o olhar e voltou a se concentrar no rio, como se ele prendesse todo o seu interesse. Outras rajadas de ventos cortantes passaram por eles, fazendo-os tremer de frio, então ambos decidiram que ficar ali por mais tempo só traria uma pneumonia.
Subiram a colina novamente e se encontraram com os restos daquela prisão que escondia mistérios indecifráveis. Ambos olharam para as ruínas esperando que elas assoprassem a eles algum segredo, mas ela continuou em silêncio absoluto, mesmo depois que eles se afastaram em direção ao carro.
– Espero que os outros estejam bem – disse Bill olhando para o relógio do carro e notando que era quase duas horas da manhã – Não vai ser nada legal encontrar todos eles bêbados e nus.
– Acho que eles vão estar em um tédio total, isso sim – disse Biene rindo – Viver aqui é só emocionante para quem sabe apreciar de verdade coisas pequenas. Como vocês estão acostumados com coisas grandiosas, não vão perceber isso logo de cara.
– Bem, acho que tenho todo o tempo do mundo para me acostumar! Não estou a fim de ir embora daqui tão cedo ainda – ele disse ligando a ignição, fazendo o carro partir para longe daquele lugar abandonado.
No caminho de volta para casa, com o silêncio transformando o carro em um túmulo, Biene começou a cantarolar a melodia da música que Bill cantara, preenchendo o local com aquele som suave como ondas se quebrando na areia de uma praia. Por mais que ela não soubesse a letra, só de sentir o som passar por sua garganta, já era algo que acalmava.
– Pelo visto, ela está cantando – disse Bill olhando para Biene significativamente – Então não foi em vão, ela gostou da música.
– Ela já tinha dito isso antes – ela disse fazendo suas bochechas tomarem uma coloração rosada – Era a sua vez de ter ouvido.
Ele apenas concordou com a cabeça, mordendo seus lábios para não sorrir demais. Quem sabe a lenda da garota que cantava na prisão, na verdade não fosse verdadeira? Talvez ela estivesse agora entre eles, os fazendo querer cantar e quem sabe preenchendo aquele vazio que havia. Sim, havia algo mais.

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14 Utopia em Sex Fev 15, 2013 8:09 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 10 - A Boneca Intocável

O local era maior do que se imaginava e tão cheio que quase não havia lugares para se sentar. Todas as mesas pareciam estar ocupadas por homens, desde os mais bem vestidos até os mais maltrapilhos, todos sorrindo com as belezas estonteantes que passavam de mesa em mesa.
Havia várias mulheres, todas vestindo espartilhos apertados e de cores chamativas que variavam do preto ao vermelho. As saias eram tão curtas que deixavam suas pernas torneadas a mostra, deixando qualquer um passar a mão, sem ao menos hesitar. A maquiagem delas era carregada e lábios pintados de vermelho exibindo uma sedução absurda sobre qualquer comportamento masculino. E sobre os cabelos havia vários tipos de enfeites, eram cartolas, pedrarias, tiaras e até penas. Todas promíscuas sem valerem o chão que pisavam.
– Gott! – exclamou Thomas olhando maliciosamente para uma mulher loira, com cabelos em cascatas que passara tão perto dele que os dois já poderiam ter se atracado – Quando disseram que aqui havia mulheres bonitas de verdade, não fazia ideia! Pensei que fosse mentira, afinal todos ficam tão bêbados a ponto de não saber diferenciar uma mulher de um homem.
– Isso é nojento – disse William olhando para uma mesa onde um homem gordo, mal vestido, bêbado e com dentes faltando, ria abundantemente enquanto uma mulher estava sentada em seu colo – Não vou aguentar ficar aqui mais nenhum segundo.
– Calma, William – disse Thomas já perdendo a paciência e puxando uma das mulheres pelo braço – Minha deusa, poderia acompanhar meu amigo até a melhor mesa do local? Ele tem tanto dinheiro quanto o céu tem estrelas.
É claro que a mulher ruiva não hesitou nenhum momento, fez sinal para William segui-la, o olhando cheia de luxúria. Como ele não a seguiu, ela passou suas mãos em volta do braço dele, fazendo questão de roçar seus seios fartos, o que causou mais repulsa nele do que sinais de que estava gostando.
A mulher o puxou até uma mesa onde ficava no segundo andar, onde se tinha a melhor visão para todo o salão, principalmente para o palco onde ficavam mais mulheres que cada vez mais estavam mais nuas. William se sentou na cadeira, enquanto a mulher passava a mão em volta dos seus ombros, deslizando cada vez mais para baixo.
– Por que você não trás um copo de uísque para mim? – ele disse se esquivando dela.
– Claro, querido – ela disse dando um beijo em seu rosto e se afastando, enquanto ainda o olhava da mesma forma. Decididamente ela é igual a uma naja, aprendera a olhar assim para todos, não importando quem. O predador sabe enganar, mas não tem ideia de que sua vítima atual está em maior posição.
– Que merda! Onde está o Thomas? – William disse tacando o punho na mesa.
Thomas estava tentando passar por aquela multidão, ele estava decidido a fazer algo, então a única pessoa que poderia ajudá-lo era Jörg. Ele tentou não olhar para nenhuma mulher enquanto não terminasse sua missão, pode ter certeza que ele estava fazendo o maior esforço possível.
– Jörg! – ele gritou ao ver o amigo perto do palco, nos fundos – Espere um momento!
Jörg era amigo de Thomas, eles haviam se conhecido em um bar uma vez, era de família rica, mas o pai acabou morrendo ano passado e mãe dele está em depressão, então os negócios da família faliram. A única alternativa que encontrou – e que agradou Thomas – foi cria um cabaré, afinal sempre foi os sonhos dos dois que existisse um na cidade. Mesmo assim ele ainda trazia o semblante de um nobre, com seus cabelos castanhos compridos e olhos tão verdes quanto esmeraldas.
– Thomas! Que bom vê-lo de novo! – disse Jörg saindo de trás das cortinas do palco e dando um abraço no amigo – Então o que vai querer hoje à noite? Se quiser posso mostrar para você as mulheres mais bonitas, chegaram novas.
– Para mim, deixa que eu me viro, mas preciso de sua ajuda para achar alguém para o meu amigo.
– Vai ser fácil, que tipo de mulher que ele prefere? Loiras, morenas, ruivas? As mais experientes? – disse Jörg rindo.
– Na verdade não vai ser tão fácil – disse Thomas pensando – Queria saber se você tem alguma virgem? É que meu amigo vem de uma família muito rica e prestigiada, além de ser um desdenhoso da pior espécie, então nunca aceitaria ter relações com alguma mulher já “usada”.
– Virgem? Desculpe, mas você está procurando uma no lugar errado.
– Estou falando sério, Jörg. Preciso de alguém e ele não vai ceder aos caprichos de uma mulher qualquer, ele é barra pesada.
– Não tem nenhuma virgem aqui, Thomas – disse Jörg agora falando seriamente – Esse não é lugar para elas...
– Jörg! – exclamou uma voz fina subindo no palco rapidamente – Os caras da mesa oito vão começar a brigar por causa de Georgina, alguém precisa pará-los!
Thomas olhou para a dona daquela voz doce, era uma garota de pouca idade, devia ter por volta de uns dezesseis anos tentando aparentar maior idade com aquelas roupas. A pele dela era tão branca que poderia ser comparada a porcelana pura, principalmente por causa dos olhos azuis acinzentados e dos cabelos preto azeviche tão compridos. Tudo nela parecia extremamente agradável, o contraste entre o delicado e o extravagante a deixava mais bonita ainda.
– Uou! – exclamou Thomas dando uma olhada nela – Quantos anos ela tem?
– Quinze, vai fazer dezesseis em breve – disse Jörg hesitante ao ver Thomas a olhar de uma maneira abobada – Mas...
– Não vai me dizer que também não é virgem? O que anda fazendo, em Jörg?
– Ela é virgem, a única, mas eu não posso Thomas. Ela é apenas garçonete, trabalha apenas no visual, não com outro tipo de coisas – ele disse vendo a expressão de assustada da garota.
– Pago o dobro pelos serviços dela – disse Thomas, mas Jörg se recusou novamente – O triplo... Pago dez vezes mais, é minha última oferta!
– Thomas, já disse que é impossível, não posso...
– Eu aceito! – disse a garota hesitantemente, sua garganta secara de repente e suas mãos tremeram – Está tudo bem para mim.
– Espere um segundo – Jörg disse para Thomas, e puxando a garota para detrás das cortinas para falarem em particular – Johanna, está maluca? Você não pode fazer isso, sabe que é errado! Como vai se casar algum dia, como vai criar uma vida? Além de que ele não quer essa vida para você!
– Não me importo – Johanna disse tentando segurar as lágrimas para não borrar sua maquiagem preta e avermelhada – Não é mais questão se ele quer ou não, é questão de que preciso disso. Ele está oferecendo dez vezes mais do que geralmente uma mulher ganha, é muito dinheiro! É o que eu preciso nesse momento.
– É seu corpo que está em jogo, não é dinheiro! – ele disse bravo, como se ela não fosse grande o bastante para entender a gravidade daquilo. Na verdade, aos olhos dele, ela era simplesmente uma criança tentando agir como uma adulta, só por que a vida estava judiando dela.
– Eu sei, mas as coisas vão ter que ser assim – ela disse mordendo os lábios avermelhados – Infelizmente, os valores não tem muita importância agora. Se o que o mundo pede é riqueza, vou ter que me acostumar com isso.
– O que tanto vocês têm que conversar, afinal? – disse Thomas puxando um pouco das cortinas para dar uma olhada – Vão aceitar minha oferta, ou não?
– Sim, eu vou – disse Johanna pensando que era melhor ter uma noite com alguém um pouco mais decente como Thomas, do que aqueles homens bêbados e mal educados que até já machucaram as mulheres.
– Ótimo, espere um momento que vou chamar o meu amigo – disse Thomas sorrindo e se afastando.
O coração de Johanna congelou. E se o amigo dele fosse um daqueles caras, e ela aceitou ter uma noite com ele? Seu corpo tremia demais e não era pelo frio, mas era pelo medo. O medo de ser usada e maltratada, das pessoas olharem para ela pior do que já olham, de ser tratada como lixo. Ela precisava trabalhar ali, pois tinha uma moradia fixa, ganhava um salário regular e tinha amigas, mesmo que não fossem mulheres tão decentes. Era tudo pela sobrevivência.
Ela respirou fundo, não podia ser tão difícil, mesmo que não fosse algo que a agradasse. Sua vida já não era uma das melhores, se essa era a única chance de poder mudá-la um pouco, ela o faria. Tudo exige sacrifícios, ela faria os seus, não só por ela mesma, mas pelas pessoas que ama.


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15 Utopia em Ter Fev 19, 2013 4:25 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 11 - Asas Caídas


Notas iniciais do capítulo: Se vocês quiserem dar mais emoção a esse capítulo, ouçam a música que está aí embaixo na fanfic. Eu a acho muito linda e tem todo aquele ar de mistério


Incompatível, mas não importa
Porque alguém está para ouvir meu choro
Fale se você ouve
Você não é fácil de achar

É possível que o Sr. Amável
Já está na minha vida?
Bem na minha frente
Ou talvez você está disfarçado

Quem não anseia por alguém para abraçar
Que saiba como te amar sem que você ensine
Alguém me diga porquê eu estou sozinha
Se há uma alma gêmea para todo mundo

(Soulmate - Natasha Bedingfield)

William não aguentava mais ficar esperando por Thomas e nem queria que aquela mulher voltasse, mesmo que estivesse trazendo uísque. Saiu daquela mesa rapidamente e começou a descer as escadas, em direção ao meio do salão, onde talvez pudesse localizar Thomas. Teve que desviar várias vezes de mulheres que tentavam seduzi-lo, algumas vezes ele fora até rude, mas era por que não aguentava mais aquela perseguição.
– Ah, aí está você! – William disse quando viu Thomas vindo em sua direção – Vamos embora daqui, esse lugar é insuportável para mim.
– Calma, você agora vai ficar feliz. Siga-me, prometo que não vai se arrepender – disse Thomas fazendo sinal com a cabeça para uma direção.
Mal humorado, William suspirou fundo e marchou ao lado de Thomas, de má vontade. Tiveram que atravessar o salão redondo, com piso de madeira feito simetricamente com desenhos. Como um apreciador da arte, William não conseguiu deixar esses detalhes para trás, pena que o lugar estava sendo usado de maneira errônea.
Os dois subiram no palco pelas escadas adjacentes do lado esquerdo e foram para trás da cortina púrpura e grossa que separava aqueles homens do show que as mulheres iriam fazer. Do outro lado havia várias mulheres se arrumando, correndo com penas e plumas para todos os lados ou dando as últimas retocadas na maquiagem.
– Esse é o seu amigo? – perguntou um cara que William nunca vira antes – Um Baumgärtner?
– Sim, ele mesmo. Por isso que um cara tão sério como ele, quer uma virgem essa noite. Pode vir, garota, não tenha medo. Ele não morde, ainda – Thomas disse dando uma piscadela para uma silhueta que estava olhando em um canto para os novos visitantes.
Uma garota saiu de lá, vestia um espartilho preto sobre uma camisola vermelha que acabava em babados no começo de suas coxas, e depois começava a meia-calça, bordada no começo com flores vermelhas e rendas negras. Para protegê-la do frio, um bolero preto, de mangas compridas de renda, enfeitado com plumas chamativas, sem contar os anéis e colares.
Por mais que ela estivesse vestida de maneira tão vulgar aos olhos de William, ele nunca havia visto uma garota tão bonita como ela. As outras mulheres podiam ser lindas, mas faltava algo nelas, não havia aquela aura pura que regia a garota, ela nunca fora tocada antes. Mas isso não instigou William a querer fazer algo com ela, ao contrário, ele se sentiria ruim por tirar algo tão importante dela apenas por dinheiro.
– Eu não posso – ele disse olhando para a garota – Ela é muito nova.
– Will, está louco? Não existe mulher mais velha e virgem por aqui! Essa é a única!
– Thomas! Eu não posso fazer isso, ela tem uma vida toda pela frente, não vou tirar a virgindade dela por um capricho meu!
– Eu... – ela disse com a voz embargada, tentando controlar a situação – Eu não me importo.
– Viu, Will? Ela quer também. Então pare de frescura e vai ter uma noite que preste, não aquelas que você perde, arrumando tudo na contabilidade, fazendo algo que não te dá prazer nenhum! – Thomas disse usando duplo sentido na frase e pegando o braço de William e de Johanna, os levando a um dos melhores quartos do local, que por acaso ele já tinha usado algumas vezes.
William tentou se esquivar, isso era uma afronta contra si mesmo, mas Thomas usou toda sua força para arrastá-lo ao quarto e quando o conseguiu o jogou longe. Colocou Johanna também no quarto, retirou a chave da fechadura e trancou pelo lado de fora, enquanto William se recompunha e Johanna sentia o medo tomar conta de seu coração, principalmente por que agora está trancada.
– Thomas! Eu vou te matar, seu desgraçado! – William disse batendo na porta com força – Se você não me deixar sair daqui, eu juro que te mato!
– Você vai me agradecer, Will – ele disse rindo do outro lado – Aproveite a sua noite, por que vai passá-la todinha aí dentro.
Ele desistiu de esmurrar a porta, afinal não adiantaria nada mesmo. Virou-se e deu uma olhada no quarto, era grande e espaçoso, com uma cama enorme e bem arrumada, dando um aspecto mais organizado e menos nojento do que William imaginava. Johanna estava parada em um canto, respirando com dificuldade, sem saber o que fazer ao certo, apenas olhando para o seu companheiro de quarto.
– Você não precisa fazer isso – William disse a analisando, percebia o desconforto dela e como não estava preparada para viver uma vida noturna igual à de suas companheiras de trabalho – Não vou obrigá-la a nada.
– Não estou sendo obrigada, eu preciso fazer isso – ela disse com determinação, levantando o rosto e mostrando aqueles imensos olhos cinzentos.
– Vai vender seu corpo por vontade própria? – ele perguntou com desdém na voz. Ele não perdoava ninguém, um cruel.
– Você não entende por que é um Baumgärtner, é rico, tem tudo que sempre quis e não tem tantos problemas quanto nós. Acha que nós nos divertimos ao sermos usada por vocês? Claro que não, aprendemos a fingir com o tempo, aprendemos a aceitar esse trabalho e sonhamos com seu término. Pode ser vulgar eu falar que só faço isso por dinheiro, mas é a verdade! – ela disse em fúria, quase a ponto de chorar, mas segurando as lágrimas com uma força tamanha – Eu preciso de dinheiro, não é só por mim isso, tem mais pessoas em jogo. E seu amigo prometeu dez vezes mais do que geralmente pagam, isso é o bastante para mim.
Todo o ódio que William sentia por estar preso em um quarto com aquela meretriz, foi se esvaindo. Ela era apenas uma garota, alguém tentando ajudar a própria família, sendo adulta antes mesmo de ter aprendido a crescer e estava falando de forma mais justa que ele. Era a vida dela, e não era direito ficar questionando os princípios dela, quando os objetivos dela são mais importante do que os objetivos dele. Ele era filho do dono de uma contabilidade, ela estava entrando na prostituição e ele nem sabia de que família ela era. Não podia ser pessoas mais opostas do que essas?
– Não vou fazer sexo com você – ele disse por fim, mais calmo, se afastando dela e dando uma olhada melhor no quarto – Mas você vai receber seu dinheiro.
– Vou receber por nada? Isso não é um pouco injusto?
– Injustiça seria você fazer algo – ele disse notando uma garrafa de vinho em uma mesa, então pegou uma das taças e a encheu abundantemente – Mas em troca você poderia conversar comigo, afinal o que vou ficar fazendo a noite inteira?
Johanna continuou a fitá-lo, sem sair do seu lugar. Ele era decididamente estranho, um homem recusando sexo era o mesmo que uma planta recusar luz, mas se existiam plantas que podiam viver em cavernas, por que ele não poderia viver sem esse pecado? William levou a taça de vinho aos lábios e bebeu avidamente, depois se deixou sentar na cama, notando que ela não era de má qualidade.
– Vai ficar aí parada? – perguntou ele tomando outro gole de vinho – Sente-se em outro lugar, há uma poltrona ali, ou se preferir, a cama. Prometo que não vou tocar em você, sem sua permissão.
Ela acenou em confirmação e foi até a poltrona, a puxando um pouco mais perto dele, mas longe o bastante também. Johanna ainda não sabia se ele era de confiança, afinal ele falava com tanto desdém na voz, que podia se confundir com sarcasmo, além de ela ter a impressão de que se ele mordesse a própria língua, iria morrer com o próprio veneno.
– Assim está bem melhor – ele disse tirando os sapatos e se deitando melhor na cama – Acho que nos apresentamos de má maneira, me chamou William, me chame do que quiser. E você? Como se chama?
– Johanna – ela disse hesitando um pouco – meu sobrenome não importa muito no momento.
– Tudo bem, chega de famílias por um dia. Mas nunca se esqueça de honrá-la acima de tudo, afinal, como descendente você é a base de uma pirâmide invertida que necessita de força e dedicação para continuar a crescer.
– Sim, família é importante, mas não da maneira que você diz. Não é questão de honrar ela, mas fazer tudo que é necessário por ela. Sei que não estou trazendo nenhum pouco de honra, mas pelo menos estou a ajudando e isso já me deixa feliz – ela disse sorrindo para ele com simplicidade.
William não sabia o que estava acontecendo, mas sentiu um arrepio percorrer seu corpo quando ela disse aquilo. Se fosse qualquer outra pessoa falando isso, ele teria achado um ultraje e teria discutido até o fim, para mostrar que sua opinião era a que estava certa. Mas parecia que seria tolice discutir com Johanna, principalmente da maneira que ela falava, como se não importasse a opinião dele, desde que tudo estivesse bem para ela e para os outros.
Ele não sabia se era o vinho que estava deixando sua mente um pouco mais lenta, mas mesmo assim ele não brigou, nem foi rude, apenas falou quase a noite inteira com ela. Para uma meretriz, Johanna era inteligente e parecia saber de mais coisas que as outras mulheres sabiam. Só parou de falar, quando ela adormeceu na poltrona. Uma boneca vestida de forma indevida.
Então ele a pegou nos braços e colocou devidamente na cama, tomando cuidado para não acordá-la. Deitou ao seu lado, tentando manter o maior espaço possível entre os dois e foi fechando os olhos, sem antes guardar na memória: havia um anjo dormindo ao seu lado. Um anjo bem no meio do fogo do inferno.


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16 Utopia em Qui Fev 21, 2013 6:01 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 12 - Um Fragmento

– Bill, acorda logo! Você não vai querer perder todo o seu dia dormindo, não é? – Gustav disse batendo na porta, ele sempre odiou dormir, então quando acordava cedo sempre ficava tentado a acordar os outros.
Bill abriu os olhos e de mau humor olhou procurou seu celular na cômoda do lado de sua cama, quando conseguiu finalmente achá-lo, descobriu que já eram quase duas horas da tarde e que ainda estava morto de cansaço. A noite passada fora longa, eles chegaram quase cinco horas da manhã em casa, por que tiveram que procurar Tom que estava se atracando com uma garota.
– Já estou indo! – Bill disse voltando a deitar, mas dessa vez não para dormir, para pensar.
Sua cabeça latejava, parecia que ele tinha bebido e estava de ressaca, mas na verdade devia ser por que não dormira tudo que deveria. Principalmente por causa daquela série de sonhos que o atormentaram a noite inteira. Não que fossem pesadelos, mas eram estranhos... eram reais demais. Ele jurava que ainda podia sentir o cheiro de canela e álcool que estava incrustado naquele Cabaré ou até a respiração de Johanna dormindo ao seu lado.
Já não sabia mais se as coisas que via não passava de sonhos ou se eram alguma coisa real. Tinha sonhado demais com isso, tudo estava ficando estranho agora, quem sabe não era um aviso? Vai ver de alguma forma a casa era mal assombrada por o espírito dessas pessoas que estão em seus sonhos. Será que o melhor é ir embora daqui? Mas justo agora que tudo parecia estar se ajeitando?
Ele tirou isso da sua cabeça, não ia abandonar o sossego só por que andava sonhando com cenas estranhas que nem pesadelos eram. Bill decidiu que se levantar seria a melhor opção, então partiu para o banheiro onde poderia tomar banho e tirar todo aquele cansaço que ainda estava se apossando dele. Principalmente tirar aquele cheiro que parecia estar colado em sua pele, o cheiro daquele Cabaré de seus sonhos.

– Finalmente a Bela Adormecida acordou – Tom disse, sentado no sofá tocando seu violão calmamente – Pensamos que você tinha morrido, não acordava mais e o Gustav precisou bater várias vezes na sua porta.
– Engraçadinho – Bill disse passando a mãos nos cabelos e olhando feio para ele – Se você não tivesse sumido, eu não teria que dormir cinco horas da manhã!
– Alguém precisa ter uma noite animada, por aqui. E você não pode falar nada, sumiu do nada com a prima do Gustav – ele disse em alto bom som, olhando para Gustav – Vai deixar assim? Se eu fosse você, dava umas bordoadas no meu irmão, para ela aprender.
– Não aconteceu nada demais! Só decidimos dar uma olhada naquela prisão maldita e inútil – Bill disse revirando os olhos – Eu não tinha nada melhor para fazer mesmo, não sabia o que era pior: ficar naquela balada sem-graça ou tentar ver algum espírito onde não tem.
Todos ficarem petrificados de repente, Bill notou que Tom havia arregalado os olhos, Gustav ficou totalmente hirto e Georg começou a tossir. Será que o que ele havia dito fora rude demais, por isso estavam o olhando dessa forma? De repente percebeu que o olhar não era para ele, mas para a pessoa que estava atrás. Bill se virou e Biene estava parada na porta, o encarando pasmada, com os olhos azuis estáticos sobre olheiras de uma noite mal dormida.
– Biene... – Bill disse engolindo seco – Eu não...
Ela nem esperou ele terminar de falar, deu as costas a ele e sumiu rapidamente pelos cômodos da casa. Quando havia se referido a maldita prisão, estava falando do local onde eles ficaram, não sobre a companhia dela que era ruim, afinal ele realmente gostava de tê-la por perto. Mas da forma grossa que ele falara, Biene podia facilmente pensar que ele odiou tudo aquilo, ainda mais quando ela havia mostrado as maravilhas da paisagem daquele local, sem contar tudo que ela vem fazendo por eles. Ele fora estúpido, muito estúpido.
Respirou fundo para que aquele mau humor pós-sono interrompido acabasse e correu atrás dela. Atravessou a cozinha e saiu pela porta dos fundos, que era por onde ela sempre entrava e saía, mas seu último vislumbre foi ver os cabelos loiros dela sumindo em cima de uma bicicleta colina abaixo.
Não adiantava ele correr atrás dela agora, o melhor era esperar ela se acalmar e torcer para que venha mais tarde vê-los. Mas mesmo assim ele se sentia terrível por tê-la ferido daquele modo, como ele pode ter sido tão desdenhoso dessa forma? Sentia raiva de si mesmo!
Decidiu que o melhor era voltar para casa, comer alguma coisa já que seu estômago estava começando a implorar por comida. Foi trotando nervoso, tentando pensar se não era melhor se jogar do último andar da mansão para ver se sua cabeça dura quebraria mesmo ou se afundaria. Na cozinha, enquanto pegava qualquer coisa na dispensa, se sentou à mesa e olhou que havia mais livros em um canto. Biene havia procurado mais.
Uma pontada atingiu o seu peite e ele pegou os livros tristemente, eram todos tão velhos também e deviam ter deixado Biene toda empoeirada. E ele nem agradecera a ela. Começou a folhear os livros, procurando algo de seu interesse, então viu que era um livro sobre a cidade, feito em 1975, com várias curiosidades sobre Aach.
Então, uma foto chamou sua atenção, se tratava do Cabaré Verführung&Wollust, havia umas três mulheres na frente, mas nenhuma delas se tratava da Johanna. Abaixo da foto havia o nome do local e das mulheres, e do lado um trecho: “Verführung&Wollust foi o primeiro cabaré da cidade, conhecido por homens até das cidades vizinhas que vinham para conhecer as mulheres mais bonitas. No seu interior havia dezenas de quadros das meretrizes feito por artistas itinerantes que desejavam pintar suas musas inspiradoras. O lugar foi fundado por Jörg Liesenfeld em 1863, mas sete anos depois este decidiu abandonar a cidade e o lugar faliu”.
– Quadros... – Bill releu essa parte – Será que não há alguns na casa do Eleazar?
Ele realmente queria confirmar seus sonhos, mais ainda do que as pistas que já encontrara. Mas mesmo assim estava com medo, não sabia o que estava acontecendo com si mesmo e temia que houvesse alguma coisa terrível por trás de tudo isso. Só que ele não conseguiria tirar esse peso das costas se não descobrisse o que estava acontecendo.
Decidiu que o melhor era ir atrás de Biene e pedir desculpas e perguntar algo a Eleazar, afinal ele poderia ajudar com algo, por que trabalhou na mansão quando mais novo. Além de que talvez pudesse achar algo significativo naquela casa, como os quadros que pintavam das mulheres, quem sabe ele não encontra algum de Johanna? Não sabia por que, mas ansiava encontrar, realmente queria saber se algum dia aquela garota existira. Lembrava-se ainda do jeito de ela olhar, da forma que falava, do seu jeito de dormir. Ela era tão real e parecia tão próxima.
Bill deixou os livros na mesa e correu para o quarto para colocar uma roupa melhor, não deu bola para os outros garotos que o olharam com cara de interrogação. Ele precisava correr contra o tempo, não podia deixar tudo virar um novelo de lã, problemas embaraçados e difíceis de tirar os nós.

A casa de Eleazar estava como se lembrava na noite anterior e muito diferente do Cabaré, não tinha toda aquela vitalidade que parecia ter anos atrás, mas estava em ótimo estado. Foi até a varanda, olhando em todas as direções, sentindo seu coração disparar a cada passo, como se esperasse ver alguma coisa fora do comum surgir do nada.
– O que você está fazendo aqui? – Eleazar perguntou abrindo a porta, antes mesmo que Bill batesse.
– Desculpa o incômodo, queria ver a Biene – Bill disse cautelosamente, afinal Eleazar podia ser velho, mas era bastante forte para alguém da idade dele – Ela está?
– Não, pensei que estivesse na mansão, mas acho que daqui a pouco ela vem. Deve ter parado na biblioteca como sempre – ele disse dando passagem – Pode entrar.
Bill aceitou e entrou na casa. Foi bom entrar, ele recebeu uma baforada quente e acolhedora que vinha da lareira acesa na sala, além de que havia aquele cheiro de chá e café que impregnava todo o local. Eleazar fez sinal para ele se sentar no sofá e Bill quase afundou naquilo de tão fofo que era.
– Você veio falar comigo, o que quer? – perguntou Eleazar se sentando em uma cadeira e acendendo um cachimbo.
– Como você sabe que preciso falar com você?
– Está vendo aquela caneca? – ele disse apontando para a caneca de onde se vinha um cheiro de chá – Ela que me disse. Você acreditando ou não.
– É que... andei pesquisando um pouco sobre a cidade – Bill disse engolindo seco e tentando ser o mais natural possível – E soube que essa casa foi um Cabaré antigo, quando você comprou essa casa, já sabia disso?
– Claro – ele disse tragando a fumaça do cachimbo e depois soltando baforadas cinzentas – Todos sabem que isso foi um Cabaré, meio que ficou para a história, mesmo que durou pouco tempo.
– E quando você comprou, ainda havia algum tipo de coisa que pertenceu ao local antigamente?
– Por quê? Virou historiador igual à Sabine? Pelo visto, ela anda viciando as pessoas com suas manias.
– É, talvez sim – Bill disse dando de ombros, estava sendo mais difícil do que pensava – Não é tão ruim gostar do passado.
– Então me siga – Eleazar disse se levantando e indo em direção a uma porta – Sabine já deu uma olhada nelas, é o tesouro dela, então tenha cuidado.

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17 Utopia em Seg Fev 25, 2013 7:32 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 13 - Pinceladas Perdidas

Apesar do frio cortante, o Sol ainda parecia ter forças para iluminar um pouco e tentar se infiltrar nas trevas que era aquele gelo. Biene estava sentada em uma bancada de madeira observando Fester Wald lixando o casco do seu barco calmamente, ele cantarolava alguma balada romântica enquanto ela tomava café quentinho que ele havia servido.
– Seu barco vai ficar lindo, vou pintá-lo ainda! Quer que eu coloque algum nome nele? Geralmente colocam – ele disse dando uma parada e olhando para ela.
– Eu não sei... – ela disse pensativa, tentando buscar alguma coisa significativa – Acho que Utopie... gosto muito dessa palavra.
– Utopie? O que isso significa? – ele perguntou repetindo a palavra várias vezes, tinha um sonido bom, que agradava tanto seus lábios por falar quanto seus ouvidos ao ouvir.
– Utopia é como uma cidade perfeita, imaginária e irreal. É como um mundo paralelo, um mundo que não existe. O termo foi inventado por Thomas More como título para uma obra que escreveu em 1516, baseado nas narrações de Américo Vespúcio quando este visitou a Ilha Fernando de Noronha, em 1503.
– Uou! Você entende mesmo dessas coisas – ele disse impressionado como ela conseguia gravar tantas informações e datas – Mas qual é o significado para você?
– Não sei – ela disse dando de ombros, tomando um gole do café, tentando pensar em uma boa resposta – Talvez seja esse lugar, ele parece ser tão diferente do que eu estava acostumada. Trocar Madgeburg por Aach foi algo estranho e significativo ao mesmo tempo. Talvez porque tudo aqui pareça irreal demais, como se cada esquina quisesse contar mil segredos, mas mesmo assim prefere ficar em silêncio.
– Você é estranha – ele disse rindo roucamente – A cara do seu avô! Cheio de jeitos excêntricos e misteriosos. Mas e seus pais, como vão? Faz tempo que os não vejo.
– Foram para Munique mostrar a peça que fizeram, um amigo deles, dono de um teatro, está louco para colocar a história em ação. Espero que eles consigam algo, é o sonho deles.
– Mas você me parece tão triste, por quê? Sente falta deles? Brigou com seu avô?
– Não! – ela disse forçando um sorriso de repente – Estou ótima, só estou com sono, ontem não dormi muito bem. Mas logo eu me recupero. Só de ver que meu barco está quase finalizado, já me deixou mais feliz.
Fester acreditou no que ela falou e apenas balançou a cabeça antes de continuar a lixar o barco. Biene ficou só mais alguns minutos conversando com ele quando decidiu ir embora, afinal não queria ficar o incomodando e queria seu barco feito o mais rápido possível. Mas ir para casa ou para a casa de Eleazar estava fora de cogitação no momento, queria apenas ficar sozinha por alguns momentos e sabia onde deveria ir.

Bill e Eleazar foram para a cozinha, ela era enorme, toda feita em madeira que aparentava também ser bem antiga, com panelas de aço presas na parede que tilintavam quando uma tocava na outra. Havia outra porta no canto e Eleazar a abriu, ali havia escadas que levava para uma espécie de porão que graças aos céus era bem iluminado, mas tinha um cheiro de mofo terrível.
Quando ambos chegaram ao fim da escada, podia-se ver um monte de tranqueira em todos os lugares, principalmente móveis cobertos com panos brancos, baús, livros antigos e vários outros objetos. Pelo visto devia ter algo lá, por que havia tanta coisa velha, que algo poderia ter pertencido ao lugar antes de ser comprado.
– O que tem aqui? – Bill perguntou tentando localizar algo de seu interesse.
– Já te mostro, deixa só eu achar – Eleazar disse indo até as coisas velhas e começando a procurar algo atrás delas enquanto Bill apenas ficou olhando, esperando que algo realmente emocionante acontecesse.
– Não sobrou muita coisa, acho que a maioria das coisas daqui foi vendida para que o lugar não falisse, mas não deu muito certo. Com sorte, sobraram alguns quadros daquela época. Pintavam as mulheres que ficavam no Cabaré, ouvi dizer que havia dezenas de quadro, mas agora só sobraram três.
O coração de Bill começou a bater rapidamente, a adrenalina corria por suas veias avisando que talvez os sonhos tivessem algum significado. Ele queria tanto que um dos quadros fosse de Johanna, queria reconhecê-la só de olhar e perceber que ela era tão real quanto o resto do mundo. Que um dia talvez, ela estava respirando do seu lado. Era estranho ter esses sentimentos, mas ansiava por isso.
– Aqui estão! – Eleazar disse pegando algo enorme que estava embrulhado em mais panos brancos – Deixe-me só tirar isso.
Eleazar colocou os quadros em cima de uma mesa e tirou o pano que os envolvia. Bill se aproximou para olhar melhor. Um dos quadros havia uma mulher loira que não reconhecia, com cabelos ondulados até os ombros e olhos azuis penetrantes, como se olhasse de forma sedutora para o pintor. O outro quadro era uma mulher de cabelos castanhos compridos, seminua, com os cabelos cobrindo seus seios e sua mão segurando uma taça contendo vinho. E o último quadro pertencia a uma ruiva com cabelos na altura do queixo, esguia, pintada de costas, com o rosto virado para trás, sorrindo.
– As mulheres daqui eram muito lindas – Eleazar disse também analisando os quadros – Era isso que procurava?
– São ótimos – Bill disse amargamente, estava decepcionado por não encontrar um quadro de Johanna – Já é um começo, afinal isso é história, não é mesmo? Devem ter outros por aí, talvez se eu procurasse por mais.
– Você é algum tipo de artista? Por que quer procurar mais quadros? – Eleazar perguntou, mas Bill já estava subindo as escadas.
– Não é nada de importante – ele disse quando finalmente as subiu – Vou procurar Biene agora, acho que sei onde ela pode estar.

Biene estava sentada no chão, comendo uma barra de chocolate para ver se mantinha acordada, afinal o sono a estava tomando. Já eram quase cinco da tarde e o Sol estava quase pronto para se esconder, mesmo assim ainda brilhava bastante por trás das nuvens carregadas de chuva e quem sabe posteriormente neve.
Mas apesar do frio ela se sentia bem ali, o rio estava parado, talvez congelando aos poucos por causa da temperatura e isso a deixava angustiada. Seu barco estava quase pronto, mas se o rio congelasse, ela teria que esperar por um bom tempo até poder navegar nele ou até nadar como já planejava. Sua roupa já fora encomendada, era parecida com aquela que surfistas usavam para pegar ondas imensas no Havaí.
Talvez não fosse as questões sobre o barco que a angustiavam de verdade. Tratou de deixar isso para lá enquanto mordia outro pedaço do chocolate e deixava aquela sensação prazerosa que essa comida dos deuses trazia, deixando a morfina andar por suas veias e acalmar seu coração.
– Sabia que você estaria aqui! – disse uma voz atrás dela que fez seu coração quase saltar boca afora. Nem todo o chocolate do mundo a faria se acalmar naquele momento.
Ela olhou para trás e um cara alto estava tampando todo o Sol que vinha das árvores, ele vestia botas de couro e jeans apertados, sem contar o casaco caro que tentava o aquecer. Fumaça saia de sua boca, por causa do cansaço e do frio, pelo visto ele tinha andado bastante para encontrá-la.
– O que está fazendo aqui? – ela perguntou atônita – Pensei que não gostasse daqui.
– Bem... eu não gosto – ele disse sorrindo – Mas não importa, desde que tenha você.
Bill sentou-se do lado dela, enquanto ela tentava assimilar o que ele acabara de dizer. Era difícil entender, afinal um momento ele parecia estar de mau humor, no outro não parava de sorrir em nenhum momento.
– Desculpa, eu não queria magoá-la. Quando eu durmo pouco eu fico meio... insuportável. Não queria dizer que esse lugar é um porre ou algo do tipo, só não queria que me enchessem por estar aqui... com você.
– Eu entendo – ela disse dando de ombros – Mas se quiser, eu paro de te encher com esse negócio de passado e blábláblá. Acho que isso acaba ficando chato demais quando as pessoas não têm os mesmos interesses.
– Não, eu gosto. É sério, vale à pena pesquisar sobre esse tipo de coisa. Na verdade eu estava até na casa do Eleazar, ele me mostrou uns quadros que havia lá quando o local era uma espécie de Cabaré.
– Ah, você viu as três damas? Eu as chamo assim! São realmente interessantes, por que você pode notar que cada quadro é pintado de uma forma diferente, por que não é o mesmo pintor. Mas as molduras são do mesmo material, talvez fosse uma diversão para o dono que pintasse suas musas de graça, então ele só comprava as molduras e pendurava no Cabaré.
– E você já viu mais quadros daqueles por aí? Eleazar me contou que vários foram vendidos.
– Não, acho que a maioria deve estar jogado em qualquer lugar, sem notarem seu real valor. Claro que várias casas daqui podem ter esses quadros, mas ninguém fala sobre esse assunto. Não é legal você chegar para uma pessoa e perguntar: Você tem o quadro de uma meretriz na sua casa?
– Verdade – ele disse mordendo seus lábios, angustiado por não ter conseguido o que queria – Mas se procurássemos, será que não poderíamos achar algum?
– Não sei – ela disse dando de ombros – Posso procurar para você, mas vai ser meio complicado. Mas por que de repente você começou a se interessar por história? Você não parece ser o tipo de pessoa que gosta disso.
– Bem, acho que é o local, a situação... tudo parece influenciar você – ele disse tentando pensar em algo para justificar – É como um sonho, um mundo irreal que você tem que descobrir uma saída. Acha que sou louco?
– Se você é, eu também sou. Também penso assim às vezes. Deve ser pura loucura.
– Ou talvez, não.

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18 Re: Utopia em Sex Mar 01, 2013 5:28 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 14 - Moedas de Ouro

Ela abrira os olhos, o quarto estava tão escuro que conseguiu se acostumar rápido com a falta de luz. Virou-se e percebeu que alguém ao seu lado respirava, com seu peito nu subindo e descendo calmamente. Johanna não fazia ideia de como viera parar na cama já que a última coisa de que se lembrava era que adormecera naquela poltrona.
Por um momento ficou com medo que algo tivesse acontecido, mas estava completamente vestida, além de ele estar a uma distância dela. Decidiu que a única coisa que queria fazer era ficar o olhando, afinal estava tão agradecida! Ele parecia ser uma pessoa tão decente, não quis tocar nela por que era nova e virgem, uma coisa que poucos fariam.
Sua vida andava tão complicada que era um alívio saber que pelo menos uma noite tudo havia dado certo. Ela iria receber o dinheiro sem ter precisado vender seu corpo, isso já ajudaria a pagar a hipoteca da casa e quem sabe não sobrava alguma coisa para pagar outras dívidas?
Mas isso não importava agora, nada parecia ter uma real importância. Tudo parecia tão vago, era como se fosse um sonho. Ela não estava dormindo em um quartinho apertado junto com mais umas cinco mulheres, nem acordando essa hora para limpar a bagunça e tentar se livrar daqueles homens bêbados.
Johanna estava no maior quarto do local, deitada do lado de um Baumgärtner, ela já tinha visto William antes e nunca fora com a cara dele. Ouvia falar que ele era impiedoso e orgulhoso demais, adorava pisar nas pessoas e carregava aquele olhar cheio de hipocrisia. Mas ontem, ela não vira nada do que imaginara, era como se de repente pudesse ver uma segunda personalidade nele que não vira antes.
Os olhos dele de repente abriram mostrando uma tonalidade acastanhada e intensa. Ele piscou várias vezes, a analisando também como se tentasse reconhecer quem ela era e o que estava acontecendo. Então ele sorriu.
– Bom dia – ele disse com uma voz rouca – O Thomas não abriu a porta ainda?
– Não – ela disse também notando como seu timbre estava rouco – Ele ainda deve estar ocupado ou talvez dormindo. Mas acho que Jörg daqui a pouco abre para nós, ele tem duas chaves.
– E como dormiu? Espero que detalhe toda nossa noite para Thomas – ele disse se virando e rindo – Quero que ele se convença e pare de ficar inventando novas ciladas para mim.
– Obrigada – ela disse por fim, olhando para o teto – Por ter me salvado de certa forma. Isso com certeza vai fazer uma grande diferença na minha vida. Tanto o dinheiro quanto sua boa ação.
– Não foi nada, só me prometa que não vai fazer isso com mais ninguém – ele disse se virando para olhá-la – Não vai se jogar nesse mundo horrível das meretrizes, você não merecesse essa vida.
– Eu prometo – ela disse dando um sorriso amargo, afinal temia que a promessa pudesse ser quebrada – Mas é complicado saber o que esperar da vida, afinal todos já me tratam de uma maneira diferente só de eu estar morando aqui.
– Quando sua vida melhorar, você some dessa cidade e se casa com algum bom rapaz. Não desista tão facilmente, na verdade, nunca desista.
– E você? Não me parece tão feliz quanto eu – ela disse percebendo a expressão dele.
– Vamos dizer que negócios de família não são meu forte. Mas terá que ser minha cruz, vou ter que carregar isso querendo ou não. Meu irmão mais velho foi estudar fora, está viajando por aí, mas eu vou ter que aguentar a pressão de cuidar de minha família.
– É isso que seus pais desejam para você?
– Meu pai apenas, minha mãe morreu de uma doença faz uns cinco anos. Ele também anda meio doente, por isso se retirou da contabilidade para trabalhar na política que na opinião dele é uma área mais calma, e quem terá que cuidar dessa parte sou eu.
– Soube que a contabilidade estava passando por alguns problemas...
– Sim, mas já estou resolvendo isso, não é questão de tempo. Só é necessário um pouco de pulso firme e dedicação.
De repente se ouviu um clique da porta e ela foi aberta cuidadosamente, William disse que poderia entrar e Jörg apareceu. Ele olhou para os dois como se esperasse os dois nus ou algo do tipo, mas ao ver Johanna ainda vestida, logo percebeu que nada havia acontecido e ele sentiu um alívio enorme.
– Onde está o Thomas? – William perguntou se levantando e começando a colocar sua camisa.
– Ele ainda está no quarto, já vou acordá-lo – Jörg disse entrando e fechando um pouco a porta para que ninguém descobrisse a farsa – E então como foi a noite?
– Ótima, desde que Thomas saiba o contrário do que realmente aconteceu. Vocês vão receber o seu devido dinheiro e eu apenas vou-me embora, de mãos abanando mesmo, não me importo. Pelo menos bebi um pouco de vinho!
– Se quiser algo mais, podemos lhe dar. Quer comer algo?
– Não, muito obrigado – William disse colocando seu paletó – Já tenho que ir, apesar de ser sábado, tenho que trabalhar.
Ele colocou os sapatos rapidamente e passou na frente da penteadeira para dar uma olhada em seu cabelo, passou a mão nele algumas vezes para que ficasse do jeito que gostava e foi até a porta. Antes de cair fora, olhou para trás e viu Johanna saindo da cama, tentando se arrumar também e foi até ela.
– Obrigada pela noite, foi legal conversar com você – ele disse levantando o rosto dela e dando um beijo em sua testa. Uma corrente elétrica perpassou a pele dela e o lugar onde ele beijara queimou – Agora tenho que ir.
Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, ele já havia ido embora. Fora apenas uma noite diferente, agora ela poderia voltar para sua vida normal que se resumia em limpar o Cabaré, ajudar na cozinha e de noite servir os fregueses com várias bebidas e tentar evitar os assédios que sofria. Era doloroso saber que sua primeira noite calma acabara. A realidade realmente machucava.

William saiu apressado do Cabaré, ele não ia esperar Thomas, precisava chegar ao trabalho o quanto antes. Aproveitou que uma carruagem estava estacionada por perto e pediu ao cocheiro que levasse até sua contabilidade, o homem aceitou prontamente quando o viu estender uma mão com várias moedas de ouro.
Entrou na carruagem e apoiou seu rosto no seu cotovelo que estava na janela da carruagem. Era estranho assimilar que há algumas horas estava em um quarto de Cabaré, dormindo com uma mulher, mas que não fizeram nada demais. Mas o fato que mais lhe causou surpresa foi acordar com aquele belo par de olhos azuis acinzentados o espreitando, como se o olhasse de uma maneira que ninguém o olhara antes.
Além de que Johanna era uma das mulheres mais bonitas que já vira e ele se sentia horrível por abandoná-la num lugar daqueles, onde beleza não significa muito perto do prazer. Ele queria tanto que ela não tivesse aquela vida, afinal era apenas uma garota, ela devia estar na casa dos pais treinando para ser uma boa esposa, não sendo tratada como qualquer uma.
Quando a carruagem chegou à frente de sua contabilidade, ele desceu e entrou. O lugar não estava tão lotado por que era sábado, poucas pessoas trabalham hoje. Mas na sua sala Gustaf Schmidt estava fazendo as contas de sempre e arrumando documentos, ele decidira que iria trabalhar mais para conseguir mais dinheiro.
– Bom dia, Schmidt – ele disse indo até a sua mesa – Desculpe o atraso, tive alguns problemas.
– Bom dia, Senhor. Não tem problema nenhum! Já enviei umas cartas que o Senhor havia pedido – ele disse calmamente, com sua voz baixa como sempre.
– Ótimo! Isso já me ajudou muito, obrigado Schmidt – ele disse começando a avaliar uns papéis que estavam em sua mesa, cantarolando uma música qualquer que havia ouvido em alguma festa.
Gustaf notou que havia algo de diferente nele, afinal sempre quando William se atrasava, chegava mal humorado, falando de forma grosseira com quem bem entendesse e tratava Gustaf como qualquer um sem importância. Hoje seu chefe parecia bem, estava cantarolando e parecia estar perdido em seus próprios pensamentos, como se ficar preso naquela contabilidade não fosse algo digno de se fazer agora.
– O que foi, Schmidt? – perguntou William ao ver que Gustaf o olhava com surpresa – Quer falar alguma coisa?
– Não, não... Senhor – ele disse engolindo seco – Só estava pensando aqui comigo que hoje o Senhor está diferente...
William olhou para ele, piscando várias vezes, atônito. Será que havia algo realmente diferente com ele? Será que a noite de ontem ainda estava grudada na sua pele, o denunciando que estava em lugar proibido, onde todos sabem que ele odeia? Apenas deu de ombros, fingindo que assinar os documentos era mais importante do que prestar atenção no que aquele tolo dissera.
– Gustaf – William disse de repente abrindo uma gaveta e tirando um envelope – Aqui está seu aumento. Eu estava pensando que talvez você trabalhe demais, merece algo mais. Parabéns.
Com tom seco, sem quase nenhuma emoção, William estendeu o envelope para Gustaf, que apenas olhou pasmado para aquilo. O que estava acontecendo? Seu chefe endoidara de repente? Mas não discutiu quanto a isso, afinal era o que mais queria, estava precisando tanto daquele dinheiro e lá estava uma grande oportunidade.
– Obrigado, Senhor – ele disse mais feliz do que nunca, sentindo suas mãos tremerem ao pegar o envelope.
Ele apenas sorriu, afinal William andara pensando muito. Gustaf estava passando por problemas com dinheiro e ao ter um deslumbre de uma vida totalmente diferente da sua ao lado de Johanna, percebeu que as coisas não são tão fáceis. Talvez ele pudesse maneirar um pouco no seu jeito turrão. Mas claro que não por muito tempo.


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19 Utopia em Qui Mar 07, 2013 12:10 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 15 - Reais Princípios

– Pelo visto, sua noite foi boa, não é mesmo? – perguntou uma voz rouca e séria quando William adentrou a porta da Mansão dos Baumgärtner, com pressa de ir para o seu quarto e finalmente trocar de roupa.
– Boa noite, papai – William disse no mesmo tom altivo – Às vezes vale a pena mudar um pouco o cotidiano, não acha? Do que ficar morrendo nessa casa.
– Desde que não prejudique sua reputação. Você já tem quase vinte anos, William talvez não perceba que já está quase na hora de se casar. Precisa formar uma família para continuar com as tradições.
– Heinrich tem vinte e três anos e não está casado – William disse citando seu irmão mais velho que estava na Hungria – Posso esperar todo esse tempo igual a ele. Afinal negócios são mais importantes que casamentos.
– Will, não tente me enganar, você já tirou a contabilidade do poço há muito tempo, vem com essa mesma desculpa sempre. Além disso, tem boas admiradoras atrás de você que dariam uma ótima esposa.
– Boas admiradoras? – William perguntou levantando a sobrancelha – Ou já escolheu alguém para mim? Por que em vez de fazer joguinhos, não me conta a verdade?
– Não vou contar as novidades para você tão rápido. Por que não esperar um pouco, tenho certeza que vai gostar bastante – seu pai disse sorrindo de forma não muito convincente – Você sabe como o aniversário da cidade está se aproximando, quem sabe não seja um bom dia para surpresas?
– Depende da surpresa, não vai ser nada digno receber uma má surpresa bem no dia do aniversário da cidade. E o Senhor sabe como odeio surpresas e como é difícil me agradar, então sugiro que fale logo.
– Não, já falei que vai esperar. Agora vou me deitar se não se importa – o pai disse subindo as escadas – E saiba que você me orgulha, William, é um bom filho.
William deixou as palavras do pai se fixarem na sua cabeça. Talvez elas não fossem tão reais quanto realmente queria, quem sabe não foram ditas da boca para fora? Ele apenas balançou a cabeça como se concordasse e depois se virou, indo para o seu quarto. Precisava descansar e colocar seus pensamentos em ordem.
Adentrou o quarto e já encontrara a banheira cheia de água quente, afinal sempre chegava nesse mesmo horário em casa e os empregados já estavam acostumados com suas exigências. Começou a tirar o paletó e sua camisa, então o cheiro de perfume feminino invadiu suas narinas, o atordoando ao se lembrar de sua noite passada.
Não acontecera nada, mas aqueles olhos azuis ainda estavam em sua mente enevoada, o chamando como se gritassem por um pedido de ajuda. E enquanto mergulhava na água quente, sentia não só o cansaço se esvaindo como o cheiro floral que havia impregnado sua pele. Ele se sentia estranho, ficara o dia inteiro pensando em Johanna e ansiava por vê-la mesmo sabendo que não iria voltar para aquele Cabaré. Talvez fosse por que no fundo ele sabia que não a veria, afinal nunca a havia visto antes, como de repente ela aparecera na sua vida?
– Isso é uma bobagem – ele disse afundando na banheira e sentindo a água passar por seus cabelos compridos.
Era só uma mulher que ele vira uma vez na vida. Que nem sequer era da alta sociedade, apenas mais uma meretriz que logo se entregaria aos encantos do dinheiro como qualquer outra. Mas era verdade que ela havia deixado marcas significativas. Johanna sabia falar como uma dama e não tinha medo de ser reprimida por causa de seus pensamentos e ideias, ela falava de igual para igual. Algo que William consideraria um ultraje.
Mas ele não tinha por que de se preocupar com isso. Seu pai estava planejando um casamento para ele em breve, e isso o irritava, sabendo que logo teria que formar uma família enquanto seu irmão ficava por aí, viajando e realizando seus sonhos. Enquanto William apenas teria que ficar preso naquele maldito lugar, condenado para sempre a uma cidade pequena e desprezível.
Casamento. Ele realmente não queria ficar preso a uma mulher imbecil de outra família importante, ainda mais quando teria que compartilhar a sua casa com ela. Por algum momento ele realmente pensou que encontrar alguém que gostasse de verdade era o melhor a fazer, mas isso era complicado quando não se tinha muitas opções. A única coisa que poderia fazer era aceitar.
Além de que discutir com seu pai não adiantaria em nada. Ele iria obrigá-lo a se casar, assim que ele apresentasse a moça que escolhera. Mas William realmente não queria se casar, queria ser igual ao seu irmão, estudar fora do país e viver longe dessa cidade onde ele estava preso para sempre. Pelo menos se sua mãe estivesse viva, as coisas seriam bem mais fáceis.
Ele se lembrava muito dela, era uma mulher doce e que o mimava a maior parte do tempo. Enquanto seu irmão mais velho recebia mais atenção do pai, ele recebia da mãe, que o educava para ser um cavalheiro, enquanto seu irmão não passava de um cara irresponsável e turrão igual ao pai. Quando sua mãe pegou tifo e foi definhando aos poucos até a morte, Will não saiu do lado dela em nenhum momento sequer. Só percebeu que tinha que se afastar dela quando o caixão estava sendo enterrado no cemitério local.
Seu pai engoliu todas as lágrimas e ficou impassível o funeral inteiro. Ao longo dos anos ficou mais frio e severo, às vezes até batendo em William quando ele fazia alguma travessura. Às vezes pensa que seu pai o criou dessa maneira para ser sucessor da contabilidade, já que Heinrich, seu irmão mais velho parecia não ter pulso firme para isso.
Percebendo que a água da banheira já estava esfriando, ele saiu dela, pronto para descansar afinal o dia – e a noite também – fora longo apesar de tudo. Quando entrou no quarto, havia uma bandeja contendo sopa quente, um pouco de vinho, pão e queijo que algum empregado havia deixado para quando ele saísse do banho.
Will comeu em silêncio, se lembrando da noite que tivera na companhia de Johanna. Ele se lembrava de todos os traços dela, da respiração ecoando pelo quarto enquanto ela dormia calmamente ao seu lado. Não ousara em nenhum momento tocá-la, mas queria ter sentido a textura de sua pele sobre seus dedos, queria pelo menos ter segurado as mãos dela. O mínimo que fez foi dar um beijo rápido em sua testa o que possibilitou sentir um pouco da fria pele dela.
– Will? – alguém perguntou batendo na porta, se tratava de Thomas que não era nada delicado quando se tratava de entrar na casa de conhecidos – Posso entrar?
– Entre – Will disse secamente, olhando de forma fria para o seu amigo, afinal não estava nem um pouco a fim de ser levado para mais uma das aventuras românticas que seu amigo fazia por aí, conquistando várias damas – O que quer?
– Vim vê-lo – ele disse sorridente, caminhando até uma poltrona e se sentando – Quero saber como foi a sua noite! A garotinha não disse muita coisa, apenas disse que foi maravilhoso.
– Não teve sexo – Will disse sem se importar com que Thomas ia falar.
– O que? Como assim não teve sexo?
– Não teve, oras. A garota precisava de dinheiro, mas estava com medo. Então fiz a coisa mais sensata, não toquei nela, mas deixei que você pagasse pela noite. Talvez você aprenda a não me levar mais a lugares como esse.
– Você me fez pagar dez vezes mais por nada! – Thomas exclamou realmente ultrajado – Por que fez isso? Você não queria uma garota que já foi “usada”, quando consigo, você a descarta?
– Thomas, eu não podia fazer isso com ela! Ela tem só quinze anos, tem toda uma vida pela frente, pode ainda sair do cabaré, se casar e ter uma família decente. Se eu tirasse a virgindade dela, ela não só perderia isso, como o futuro que ela tinha pela frente!
– E desde quando você se importa com as mulheres, Will? Antes você até saía com elas, conquistava damas nas festas, mas depois que sua mãe morreu, não faz mais isso. Simplesmente não liga para elas, as olhas como se não fossem boas o suficiente para você.
– Isso não tem nada a ver com o que estou falando. Não era questão de atração e prazer. Era questão de princípios.
– Princípios? – Thomas disse rindo abertamente – É impressão minha, Will, ou você se apaixonou pela garota?
– O que? – Will exclamou, rindo logo em seguida – Claro que não. De forma nenhuma me apaixonaria por uma garçonete de cabaré. E ela é só isso, Thomas, não passa disso para mim.


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20 Utopia em Seg Mar 11, 2013 4:01 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 16 - Raízes Profundas

Bill simplesmente não conseguia escrever. Mesmo que tudo parecia estar propício para que sua criatividade fluísse, ele tinha muitas coisas a pensar. Os sonhos ficavam cada vez mais reais e ele não os esquecia facilmente como sempre acontecia com sonhos “normais”.
E o pior era que o rosto de Johanna não saía de sua cabeça, como se segundos atrás ela estivesse na sua frente e sua memória continuasse tão viva. Mas ele havia dito a si mesmo que era melhor esquecer tudo, afinal todos dos sonhos não passavam de pessoas que não existem mais. Ele não precisava ficar revivendo aquele passado que não era dele.
Com um suspiro, deixou todas as preocupações de lado e pôs a escrever no caderno algumas letras possíveis para músicas. A maioria ele rabiscava, percebendo que ficava sem nexo ou pior ainda, sem vida. Então ele pensou por que não colocar um pouco do que está acontecendo nelas? Afinal era algo surreal, ótimo para uma letra de música.
– Você anda estranho – Tom disse aparecendo do nada na varanda, fazendo Bill se sobressaltar – O que foi?
– Quê? – Bill disse pegando o caderno antes que caísse no chão – Não há nada demais. Estou só tentando escrever alguma música e aqui na varanda é um ótimo lugar.
– Eu sei, mas você anda diferente, está falando menos e todo mundo percebeu isso já que geralmente você não cala a boca – Tom disse se encostando a um dos pilares da varanda, mas olhando cauteloso, com medo que estivesse podre e caísse.
– Bem... acho que aqui é um lugar mais para pensar do que falar – Bill disse suspirando, temeroso se contava algo a Tom, afinal ele era seu irmão gêmeo e sabia que ele estava agindo de forma estranha não por que o estava observando, mas por que sentia. Ambos tinham uma ligação forte – Você não se sente estranho de estar aqui?
– Como assim? – Tom perguntou confuso – Sei que é diferente do que estamos acostumados, mas não é ruim.
– Não o lugar em si, mas como se houvesse algo mais... é que eu ando sonhando com coisas estranhas. Como se eu já tivesse vivido nessa casa antes, em alguma época antiga.
– Deve ser a Biene influenciando você com esses assuntos dela. Cada vez que vejo tem mais livros velhos em cima da mesa – ele disse rindo.
– Mas os sonhos são muito reais, eu me lembro de muita coisa deles e eles parecem nunca ficar vagos. Você não tem sonhado com algo relacionado a isso? Afinal, várias vezes já sonhamos com as mesmas coisas.
– Não – Tom disse dando de ombros pensativo – Não tenho sonhado com nada estranho ou real demais. Normalmente eu apago e nem me lembro se sonhei alguma coisa que valha a pena lembrar. A não ser aquela vez que eu sonhei que estava em uma praia com a Jessica Alba... foi bem real, se você quer saber.
– Tom, não estou falando desse tipo de sonho – Bill disse olhando carrancudo para o irmão.
– Então, conte para o seu irmão o que anda sonhando – Tom disse rindo e se sentando em uma cadeira, perto de Bill – Quem sabe é normal e você não precisa ficar se preocupando tanto.
– É... eu costumo sonhar que sou um tal de William Baumgärtner e ele viveu nessa mansão antigamente. Ele na maior parte do tempo é arrogante e pretensioso, trata todos a sua volta como se não fossem dignos de respeito. Ele trabalha em uma contabilidade e é chefe de Gustaf Schmidt, ou seja, o nosso Gustav Schäfer, que também é tratado mal nas mãos dele. Você na história é meu melhor amigo Thomas Gietzen e me leva para um Cabaré na cidade que eu achava ordinário. Com a ajuda de Jörg ou no caso Georg, vocês acham uma virgem para eu passar a noite já que não aceito ir com uma mulher já “usada” para cama. O problema é que eu passei a noite com ela, mas não a toquei por ser muito jovem.
– Se está arrependido de não ter feito nada com ela, da próxima vez que a ver nos seus sonhos, faça – Tom disse parecendo não dar a mínima.
– Eu não escolho o que faço no sonho, tudo vai acontecendo como se fosse um filme. Como se realmente já tivesse acontecido de verdade, por isso que estou pedindo a ajuda da Biene para descobrir sobre o passado do lugar, quero saber se é verdade tudo que está acontecendo.
– E por que quer saber? Se for verdade ou mentira, não vai fazer diferença, não é mesmo? Bill, esqueça isso, é apenas um sonho.
– Mas e se tiver um por quê? Nunca sonhei isso antes e queria realmente saber o que vai acontecer com as pessoas que sonho. E aquela garota, a do Cabaré que se chama Johanna, ela não sai da minha cabeça!
– Igual à Jessica Alba no meu sonho, você tinha que ver... – Tom disse suspirando – Você nunca viu essa garota, não é? Dizem que as pessoas desconhecidas com quem você sonha, geralmente são pessoas que viu em algum dia, mas não deu atenção.
Bill sabia que não adiantava falar, ninguém iria acreditar no que ele estava passando. Nem ele mesmo acreditava. Talvez fosse bobagem mesmo, quem sabe seu inconsciente havia gravado tudo que Biene falava e transformou tudo em uma série de sonhos confusos e sem nexo? Essa era a teoria mais aceita por ele. Hoje mesmo iria devolver todos aqueles livros para Biene, ele não precisava descobrir o passado de nada, mas ela sim adoraria.
– Tom? – perguntou Gustav aparecendo na porta de repente – Acabou papel higiênico e não tem mais pão nem coca-cola.
– E é minha culpa que vocês comem e cagam demais? – ele disse rindo – Vão comprar ou chamem sua prima.
– Também não precisamos ficar dependendo dela o tempo todo – Bill disse se levantando e deixando o caderno e a caneta de lado – Eu vou comprar, o mercado não é tão longe daqui e logo ele vai fechar se não se apressarmos.
Ninguém falou nada contra, além de que Bill precisava fazer algo, ele não conseguia escrever e queria passar o tempo fazendo algo melhor do que pensar naqueles malditos sonhos. Ele caminhou até o carro e partiu para o mercado que ficava na esquina, é lá onde Biene geralmente fazia compras. Era um lugar grande, com telhado em V inverso e todo branco com detalhes em madeira e uma placa escrita: “Gietzen, desde 1852 proporcionando os melhores produtos”.
O coração de Bill afundou dentro do seu peito ao ler o nome que se destacava na madeira bem talhada da placa. Parecia que quanto mais tentava fugir, lá estava mais provas de que tudo que andava vivendo em seus sonhos existia de verdade, ou melhor, existiu. Bobagem, devia ser apenas uma coincidência, vai ver esse sobrenome era comum. Ele se recuperou rapidamente, ao ver que o dono do mercado já estava fechando o local.
– Senhor, me desculpe – ele disse correndo até a loja – Tenho que comprar algumas coisas, são poucas. Vou ser rápido.
– Ah, tudo bem – o cara disse um pouco de má vontade, mas permitindo que Bill entrasse e comprasse o que quisesse.
Ele atravessou as prateleiras cheias de produtos, notando que o lugar não era tão grande assim, na verdade não passava daqueles mercadinhos que vendem só as coisas mais necessárias. Mas ele não ia reclamar, afinal fazia séculos que não saía para fazer uma compra normal e calma, por que sempre tinha fãs correndo atrás dele. Aqui ninguém parecia reconhecê-lo e era um grande alívio.
– É só isso – Bill disse colocando em cima do balcão o papel higiênico, os pães e as duas caixas de coca-cola. Então deu uma boa olhada no balconista, vendo se ele lembrava um pouco de Thomas, mas nada fez efeito – Você é um Gietzen, não é?
– Não, eu só trabalho aqui. Mas o dono do lugar é o descendente da família mesmo. Tem até uma árvore genealógica lá na parede. Aqui as pessoas levam muito em conta esse tipo de coisa, eu não dou a mínima para os meus ancestrais – ele disse calmamente, empacotando as coisas e digitando os valores no caixa.
Bill se distanciou um pouco e foi até a um quadro que tinha no canto do balcão, era uma espécie de tapeçaria enorme, não era antiga, na verdade parecia ter sido feita há apenas alguns anos. Havia a imagem de uma árvore, ricamente bordada, com raízes longas por onde se lia vários nomes. Engolindo seco, ele passou os olhos por todos os nomes, tentando achar um mais que conhecido. Ele não sabia o que fazer, quando deu de cara com um nome mais do que evidente: Thomas Gietzen.
– Senhor? Aqui estão as suas compras, já vamos fechar – o balconista disse estendendo as sacolas para que Bill as visse.
– Você sabe algo sobre Thomas Gietzen? – Bill perguntou com uma voz tremida, indo até o balcão – É um dos nomes que estão na árvore genealógica.
– Não, já disse que não ligo para o passado das famílias daqui... mas conheço alguém que pode saber. É uma garota chamada Biene, ela é professora de história na escola local daqui! E como ela é bonita! Só não entendo nada do que ela fala, quando vem comprar coisas aqui e...
Bill pagou as compras e saiu dali rapidamente, deixando o rapaz falando sozinho e estupefato.

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21 Utopia em Seg Mar 18, 2013 5:14 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 17 - Atos não pensados

– Em breve será meu mercado! Não tens ideia de quanto nós ganhamos só de trazer produtos de outros países – Thomas disse, sentado ao lado de Will na carruagem.
Ambos estavam olhando para o Mercado Gietzen, os cheiros de temperos penetrou na narina deles quando abriram a porta da carruagem. O lugar estava abarrotado de pessoas comprando os novos produtos que haviam acabado de chegar, ainda mais com o inverno que estava cada vez mais próximo. Armazenar alimentos era algo mais do que necessário no momento.
– Terá que ser tão bom quanto seu pai – Will disse analisando tudo com a perspicácia que aprendeu quando começou a trabalhar na contabilidade – Ter pulso firme, se não tudo pode ruir mais rápido do que você pensa.
– Obrigado pelo apoio moral, isso ajudará muito – Thomas disse marotamente, ele nunca dava a mínima para o que Will falava, mesmo que ele estivesse totalmente certo – Se quer comprar alguma coisa, é melhor correr.
– Acho que um dos meus empregados já veio hoje aqui mais cedo. Achas que eu iria perder a oportunidade de ter os melhores produtos?
– Depende, acho que um dos melhores produtos está ali – Thomas disse apontando para algo dentro da loja.
Os olhos de Will perscrutaram pela multidão, tentando descobrir sobre o que diabos Thomas estava falando. Lá estava a pequena criatura, com os cabelos preto azeviche em suas costas delicadas, os olhos azuis acinzentados brilhando sem aquelas maquiagem pesadas e um sorriso satisfeito ao ver as compras que estavam em uma cesta que carregava. Ela parecia uma boneca naquele vestido azul claro, nunca poderiam dizer só de olhá-la que na verdade ela trabalhava naquele sórdido cabaré.
Will não sabia o que estava acontecendo com ele, mas quando a viu lá, teve uma vontade enorme de ir até ela. Mas ele não podia, não era bonito ser visto na companhia de uma meretriz em pleno dia, de noite até que poderia, mas não na frente do mercado, quando tinha várias pessoas vendo. Johanna não havia percebido sua presença, apenas continuava a comprar, olhando atentamente cada produto, como se quisesse o melhor.
– Não entendo o que você quis dizer com isso – Will disse secamente, deixando de lado a visão que tinha de Johanna e olhando bravo para Thomas.
– Não se faça de desentendido, Will. Consegui perceber sua expressão ao vê-la, você realmente gostou da garota! Pena que ela seja uma meretriz, não é? Imagine se ela fosse uma dama, Will? Você até poderia se casar com ela, consegue se ver ao lado dela?
– Cala boca, Thomas. Não, eu não me vejo casado com uma meretriz! Mesmo que ela continue sendo pura, nunca encostaria a mão em uma garota como ela, que escolheu seguir em frente com essa ideia estúpida de que pode conseguir dinheiro vendendo a si mesma.
– Na verdade ela só trabalha como garçonete lá, ela não vai se vender facilmente, Will, se não tiver uma grande oferta como aconteceu com a minha. Mas também que alternativa ela tem? Pelo que eu saiba, a garota está sozinha, só tem outro parente e precisa de dinheiro.
– Por que estamos tendo essa conversa? Não dou a mínima para o que ela faz com a vida dela. Tenho que preocupar mais com a minha, com meus negócios e talvez com um futuro casamento.
– Você vai se casar? – Thomas exclamou boquiaberto – Já achou uma noiva e não me contou?
– Não, meu pai que a achou, ou pelo menos, é o que eu penso. Ele disse que em breve vai anunciar algo, deve ter a ver com casamento, com certeza! Ainda não tenho a mínima vontade de me casar, mas acho que terei que fazê-lo.
– Casamento para mim só vai ser mais para frente, ainda quero me divertir muito antes que isso aconteça. E você deveria fazer o mesmo. Não me importo de me pagar dez vezes mais uma meretriz desde que você aproveite sua noite.
– Obrigado, mas não aceito sua oferta – Will disse já pensando em voltar para a carruagem, quando ouviu algo que o fez parar.
– Você não é a garota do Cabaré? – a voz de um homem falou, Will se virou para trás e viu um cara segurando o braço de Johanna, a olhando de uma forma nada apaziguadora – Como deixam uma coisa tão linda andar sozinha por aí?
– Me solte, por favor – Johanna disse tentando puxar o braço do aperto de ferro dele. Algumas pessoas do mercado olharam para aquela pequena confusão, mas não deram atenção nenhuma, pouco se importavam, ainda mais se a garota na realidade era uma meretriz.
– Jörg não me deixa chegar nem perto de você – o homem continuou a falar sem se importar se os outros ouviam – Será que você pertence a ele? Por isso ele não gosta que a toquem? Eu faria tudo para tê-la por uma noite, pago muito bem se quiser.
– Não vou fazer nada com você – ela disse com tanta fúria para uma pessoa tão pequenina quanto ela. Novamente Johanna tentou puxar o seu braço, mas ele a puxou para mais perto de si – Me solte, seu brutamontes!
Will nem viu quando nem como aconteceu. Só sentiu seu punho atingindo o rosto do homem e ele caindo com tudo para trás, desnorteado. Ele sentia tanta raiva dentro de si, um nojo tremendo daquele homem por estar tentando acabar com o pouco de honra que aquela garota ainda tinha. Mas não era ele que não se importava? Ele não sabia, só queria matar aquele homem, ali mesmo.
– Seu merda! Por que fez isso? – exclamou o homem no chão, segurando o rosto que sangrava abundantemente pelo lábio cortado.
– Você ainda tem o atrevimento de perguntar? Você está desonrando a imagem de uma dama em lugar público. Se nenhum desses hipócritas que estão assistindo não vão fazer nada para protegê-la, eu farei.
– Ela não é uma dama – ele disse aquilo como se justificasse os fatos – É uma prostituta! Eu já a vi no Verführung&Wollust, é uma vadiazinha que não se acha boa o suficiente para aceitar qualquer oferta e...
Um chute certeiro atingiu o estômago do homem que ficou se contorcendo no chão. O peito de Will subia e descia conforme sua respiração ficava mais forte. Todos os tendões do seu corpo pareciam estar queimando sobre brasa, loucos para acabar com aquele imbecil de uma vez. Mas ele tinha que manter a compostura, ainda mais depois de estar protegendo uma meretriz.
– Não importa se é uma dama ou uma meretriz, ela merece o respeito até de um idiota como você! E se ela não aceita sua oferta, é uma garota muito esperta, afinal acho que qualquer mulher deve ter nojo de ir para cama com um hipócrita como você, ainda mais se for só por dinheiro – Will olhou para as pessoas do mercado, todas haviam se aglomerado para ver a briga – O que estão olhando? Voltem para as suas compras agora. Se não tiveram um pingo de decência de ajudá-la, pelo menos podiam voltar as suas atividades costumeiras.
Pronto, ele havia acabado com sua reputação. Em menos de segundos, todos da cidade saberiam que um Baumgärtner havia protegido uma prostituta. A vontade dele era de se socar a si mesmo, mas quando se virou e viu os olhos enormes de Johanna banhado de lágrimas, ele percebeu que tudo que ele fizera, havia valido a pena só de vê-la ali, segura.
– Melhor cairmos fora daqui! – Thomas disse puxando o braço de Will, apesar de ele ser às vezes meio imaturo, ele sabia muito bem manter a sua reputação e todos olhavam para Thomas com um enorme respeito – Seu pai vai te matar se descobrir isso!
– Estou morto – Will disse suspirando e saindo dali, caminhando até a carruagem, mas ainda olhando para uma Johanna sem-graça e com lágrimas nos olhos. Ele realmente pensou em consolá-la, mas não podia, não quando o mercado estava cheio de pessoas fofoqueiras. O melhor seria se afastar dela.
– Foi tudo tão rápido! – Thomas começou a rir quando entrou na carruagem – Por um momento você estava do meu lado, no outro já estava socando aquele homem com uma fúria que nunca vi em você! Por que fez isso, Will? Não é você o Senhor Eu-prefiro-honrar-minha-família-e-minha-reputação?
– Cala boca, Thomas. Já cometi um erro, não me faça cometer outro para fechar essa sua boca – Will disse de mau humor.
– William Baumgärtner apaixonado por uma prostituta, isso não soa irônico? O que vai fazer dessa vez? Sequestrá-la e fugir para se casar em alguma cidade vizinha?
Will não respondeu, não queria gastar suas palavras com alguém tão teimoso como Thomas. Apenas apoiou seu cotovelo na janela da carruagem, enquanto iam embora, mas seus olhos continuaram a fitar o vulto dela, caminhando lentamente, quem sabe, de volta para o seu lar. Se ela podia chamar aquilo de lar.


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22 Utopia em Seg Mar 18, 2013 5:16 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 18 - Amor e Morte

Bill estava em seu carro, arfando, enquanto segurava fortemente o volante. Olhava assustado para o mercado, afinal há alguns segundos atrás, ele sentia como se tivesse voltado no tempo e agora do nada estava de volta no futuro. Sua testa suava frio e suas mãos tremiam quando conseguiu finalmente desgrudá-las do volante.
Tentou organizar os pensamentos, mas sua última visão ainda o deixava atordoado. Ele sabia que no fundo, havia alguma coisa realmente acontecendo, sentia que precisava fazer algo, mas não fazia ideia do que. Não adiantava ele deixar esses sonhos – que agora se tornaram visões – de lado.
Ele ligou a ignição e partiu para o único lugar onde poderia conseguir ajuda, mas teve que parar para pedir informação, já que não fazia ideia de onde era a casa de Biene. Depois que conseguiu o endereço com uma velhinha bem simpática, Bill conseguiu chegar até uma casa branca, de enxaimel, com uma claraboia no telhado avermelhado onde deveria ser o sótão.
Mesmo depois de estacionar o carro, Bill ficou com receio de ir falar com Biene. Ele não sabia se contaria o que estava acontecendo com ele, ou simplesmente tentava pedir a ajuda dela, mas sem contar a verdade. No fundo, sabia que ela entenderia tudo que ele falasse, mas não queria colocá-la no meio dessa confusão que se instalava em sua cabeça. Mas ele precisava se abrir com alguém, alguém que não acreditasse que ele estava ficando louco.
Por isso desceu do carro, decidido a falar com Biene, ele nem precisou apertar a campainha ou bater na porta, por que ela abriu rapidamente como se soubesse que ele estava ali.
– Olá, Bill! – ela disse sorrindo abertamente – Eu te vi lá da janela do sótão antes que você me pergunte como eu sabia. Mas na verdade, hoje de manhã, li nas borras de chá que iria receber uma visita! Acho que estou melhorando.
– Ah, bom saber – Bill disse constrangido. Ele sempre era pego de surpresa quando falava com ela, na verdade nunca sabia ao certo o que esperar – Bem... eu precisava falar com você, acho que não vai demorar muito.
– Pode entrar – ela disse se afastando da porta para que Bill entrasse.
Ele se encontrou em uma sala grande, com sofás creme bastante acolchoados e com mantas cheias de desenhos que deviam ser africanos. Havia uma televisão grande em uma estante com os objetos mais estranhos que Bill já tinha visto, desde vasos de argila até pequenas estatuetas de algum deus mitológico.
– É um Akuaba – Biene disse quando percebeu o interesse dele em um boneco em forma de cruz – Ganhei de um amigo meu que foi para Gana uma vez. Mas sente-se, vou lhe trazer um pouco de chá, assim vou poder ler o seu futuro!
Bill tentou impedi-la, mas ela havia ido para cozinha, o deixando naquela sala estranha com artefatos que davam medo como aquelas máscaras africanas na parede. Será que os pais de Biene a deixavam decorar a casa? Por que ela tinha um jeito bem estranho de fazê-lo. Talvez a melhor resposta fosse que eles não tiveram escolha, ela praticamente tinha feito isso antes que eles pudessem pará-la.
– Aqui está! – ela disse trazendo uma bandeja com dragões chineses a ornamentando, um bule e duas xícaras de porcelana com desenhos chineses – Espero que goste.
Biene se sentou em uma poltrona de frente para o sofá e começou a colocar chá para Bill e ela.
– Biene, hoje eu fui ao mercado próximo a mansão – Bill disse aceitando a xícara de chá e bebericando com cuidado, afinal estava quente – E eu vi a árvore genealógica da família Gietzen. Conversei com o balconista e descobri que os donos sabem muito sobre a sua família antiga. Será que a família Gietzen não pode ter alguma ligação com os Baumgärtner?
– Ah, eu já vi essa árvore genealógica! Conversei um dia com o Senhor Gietzen, ele tem bastante material sobre a família dele mesmo. Ele deixou uma vez eu dar uma olhada, mas nunca me aprofundei de verdade no assunto – ela disse pensativa – Por que acha isso? Que os Baumgärtner têm alguma ligação com os Gietzen?
– Eu não sei – Bill disse constrangido – É... ambos são famílias antigas, talvez quando falem dos Gietzen, também podem ter citado algo sobre os Baumgärtner. Deve ter algo sobre eles em alguma parte da cidade, não podem ter se esquecido. Além disso, deve ter algum herdeiro em algum lugar.
– Já perguntei algumas coisas para Eleazar, ele disse que a última herdeira morreu faz uns anos. Talvez tenha alguma coisa na casa, mas nunca achei algo, acho que a maioria das coisas foi doada ou vendida. Mas vou tentar procurar mais, não vou desistir facilmente.
– Obrigado – Bill disse bebendo mais um pouco de chá, percebendo o quanto ele estava doce.
– Acho que exagerei no açúcar – Biene disse rindo quando tomou também mais um gole de chá – Um dia eu aprendo ou vai ver, me saio melhor lendo o futuro das pessoas. Posso ver suas borras de chá?
– Ah, claro – Bill disse, estendendo sua xícara para que Biene pudesse dar uma olhada.
– Hum... acho que é mais difícil do que parece... – ela disse girando a xícara para vê-la de vários ângulos – Acho que é uma arma... tem a forma de um revólver...
– E o que significa?
– Deixe-me pegar o meu livro, eu não decorei ainda os significados – ela disse sem-graça, indo até uma prateleira e pegando um livro grosso e velho. Começou a folheá-lo, então parou em uma página – Aqui! A arma significa perigo, catástrofe. Tome cuidado, principalmente com viagens a lugares que não conhece.
Bill engoliu seco, olhando do livro para o rosto de Biene que parecia também bastante espantado.
– Eu devo ter visto errado, não se preocupe – ela disse fechando o livro – Como eu disse, não sou muito boa com isso. Sei que parece ter a ver um pouco com a situação atual, mas...
– Tudo bem, acho que não acredito mesmo nisso – Bill disse respirando fundo e olhando para a xícara de Biene – Talvez você devesse dar uma olhada na sua também, vai que tem mais sorte que eu?
Biene concordou e pegou a sua xícara, olhando atentamente para ela. Seu rosto também não teve uma expressão muito boa.
– Linhas curvas – ela disse amargamente – Quer dizer dificuldades. Também não tenho um futuro tão bom assim. Mas o meu parece muito mais com linhas curvas do que o seu parecia uma arma.
– Me deixa dar uma olhada – Bill disse estendendo a mão para pegar a xícara da mão de Biene, quando sentiu uma imensa tontura.

Era uma sala cheia de camas, todas com colchas com cores fortes como carmim e roxo. Havia várias mulheres ali, em volta de mantas, rindo abertamente enquanto seguravam suas xícaras com um pouco de batom manchado na porcelana que não parecia ser cara.
– Então Bertha vai viver um grande romance? – riu uma das mulheres, com os cabelos preso em um rabo de cavalo mal feito, apenas segurado por um palito de madeira – E eu apenas vou me contentar com notícias boas?
– Isso mesmo e não reclame do pouco que tem – disse a voz de uma mulher altiva, parecendo um pouco mais velha do que as outras, mas tão bonita quanto elas.
– Terminei meu chá – disse uma voz serena e fina, estendendo a xícara para que a mulher mais velha pudesse olhá-la – Poderia dar uma olhada, Srta Grünewald?
– Claro, pequena Johanna – a mulher disse sorrindo para a garota e pegando a sua xícara – Vamos ver...
A mulher não estava com uma cara muito boa. Virou a xícara diversas vezes e então olhou para Johanna com olhos estáticos. Várias mulheres no local ficaram meio tensas, com medo do que a Srta Grünewald havia visto.
– Não é muito bom Johanna, dependendo do ponto de vista. Há uma ceifeira aqui, pode significar morte ou uma boa colheita, mas que eu saiba você não é uma fazendeira – ela disse com a voz um pouco tremida – Mas também há um círculo, que significa amor.
– Como morte e amor podem ficar juntos? – Johanna perguntou surpresa – Deve ter algo de errado, não é mesmo?
– Eu não sei minha, querida... mas esqueça isso. Já errei muitas vezes, afinal não sou tão boa ainda.


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23 Utopia em Seg Mar 18, 2013 5:20 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 19 - Almas Atormentadas

Bill sentiu os nós dos seus dedos cederem, assim que tocou a xícara. A rica porcelana escorregou de sua mão e caiu no chão, se espatifando em mil pedaços brancos. Ele apenas ficou olhando para os cacos, sem saber o que fazer. Na verdade ele nem sabia mais onde estava.
– Desculpa... eu... não... – Bill tentou falar algo ao ver a expressão pasmada de Biene, também olhando para os cacos – É uma relíquia, não é?
– Não – ela se apressou a dizer – Na verdade nem tem muito significado, era da minha avó, mas ela já morreu há muito tempo, nem a conheci. Não tem importância, acredite.
– Me desculpe, eu sou um idiota, não queria ter quebrado – mas antes que ele pudesse falar mais, Biene já estava coletando os cacos com cuidado – Seu sobrenome é Grünewald, não é?
– Sim, é da família do meu pai, ou seja, é usado pelo meu avô também. Vem de uma família antiga, não sei muito sobre ela, por que ela não era rica e não tinha tanta importância como os Gietzen. Uma pena, afinal adoraria descobrir mais sobre meus antepassados.
– Ah, entendo – Bill disse tentando organizar as ideias. Então isso explicava por que tanto Eleazar quanto Biene gostavam de adivinhações, estava no sangue deles há séculos, passando de pai para filho, ou de avô para neta. Talvez não fosse tão enganoso quanto parecia, talvez fosse realmente verdade.
– Mas por que você anda tão interessado? – Biene disse se levantando e indo até a cozinha. Ela voltou com um pano para limpar a borra de chá que havia sujado todo o assoalho – Quero dizer, você não parece o tipo de pessoa que gosta de história? Até pode admirar, mas ultimamente você anda se interessando tanto quanto eu e nem estou te forçando a gostar.
– Eu sei, é que essa cidade faz você gostar disso – Bill disse tentando se explicar, mas parecia não encontrar palavras – Talvez eu possa aprender um pouco mais também. Não é tão ruim descobrir sobre antepassados.
– E você sabe algo sobre os seus? – ela perguntou, o olhando fixamente, como se o desafiasse a falar. Biene sabia que havia algo atrás disso, ele estava começando a achar que ela era vidente mesmo. Talvez ela conseguisse lê-lo, apenas de olhá-lo, como se ele fosse uma borra de chá mais do que evidente.
– Não muito, eu comecei a gostar quando vim para cá – ele disse com a boca seca – Quando conheci você e me mostrou que havia mais do que eu imaginava. Às vezes nos esquecemos que outras pessoas fizeram as mesmas coisas que nós em algum passado longínquo. Pode parecer inútil, mas estou começando a pensar que não é.
– Bill, tome cuidado – ela disse segurando suas mãos nervosamente, dava até para ver seus tendões ficando brancos e seus olhos perderam um pouco do foco de repente – Sabe, apesar de não acreditar muito nos meus poderes de ler borras de chá, tenho medo de que seja um aviso.
– Não deve ser nada demais, Biene – Bill disse colocando suas mãos dentro dos bolsos de seu jeans. Ele abaixou seu olhar, como se não quisesse encarar os olhos azuis e límpidos dela. Talvez ele não quisesse prometer, ultimamente tudo andava tão confuso, que ele não sabia mais o que esperar – Eu já vou indo, não quero tomar o seu tempo. Só quero pedir que procure algo sobre os Baumgärtner para mim.
– Eu vou tentar, prometo – ela disse fazendo Bill ficar um pouco constrangido. Ela tinha coragem de prometer – Sei que existem muitas poucas informações, mas vou tentar ao máximo encontrar algo.
– Obrigado – ele disse sorrindo – Obrigado por se importar.
– Não é só por você – ela disse corando e ficando mais nervosa ainda – É por mim também.


– Que demora! Você foi fabricar as coisas? – Tom disse quando viu Bill chegar com as sacolas – Por onde você esteve?
– Decidi dar uma olhada na cidade, não tinha nada melhor para fazer mesmo. Além de que eu não estava encontrando inspiração para escrever, precisava passar um pouco o tempo.
– Agora posso ir ao banheiro – Gustav disse rasgando o plástico do papel higiênico, pegando um e correndo.
– Ele ficou apertado o tempo todo, esperando você chegar – Georg disse rindo enquanto pegava uma latinha de coca-cola e abria – Quase fomos atrás de você, pensando que tinha acontecido algo.
– Estou bem, não morri, estou sã e salvo. Vou descansar um pouco se não se importam e espero que não acabem com o que eu comprei logo – Bill disse lançando um olhar reprovador para eles enquanto caía fora da cozinha.
A verdade era que ele teve uma ideia. Ele havia percebido que suas visões e sonhos eram despertados quando encostava ou via algo significativo, além de que bastava dormir para que os sonhos o dominassem. Ele queria realmente saber o que estava acontecendo, mas não sabia que direção seguir e para descobrir, precisava mais daquelas visões.
Bill foi para o seu quarto, preparado para fazer da maneira mais comum, dormindo. Deitou-se em sua cama e fechou os olhos, pensando o máximo possível no que queria. Ele queria respostas, queria verdades, algo que mostrasse por que ele andava tendo aqueles sonhos. Mas quanto mais tentava dormir, menos conseguia.
Talvez não fosse fácil assim, ele não entendia muito bem como acontecia, mas pelo visto teria que ter uma hora certa para que as visões ocorressem. Decepcionado esse levantou e foi até o banheiro, queria tomar banho antes que escurecesse e ficasse muito frio. Além de que depois de uma ducha, seu corpo iria ficar mais relaxado e quem sabe conseguisse dormir.
Debaixo do chuveiro quente, ele sentiu toda a preocupação se esvair. Sua cabeça parecia tão lotada de pensamentos e preocupações e agora sentia que elas estavam indo junto com a água para o ralo. Por um momento passou por sua cabeça que ele podia voltar para sua casa em Hamburgo e se esquecer de tudo, mas parecia uma ideia tão ruim. Ele só estava vendo o seu lado, afinal os outros pareciam estar se divertindo e precisavam daquele tempo só para eles.
E quem sabe, não era tão ruim assim descobrir o que suas visões tinham a dizer. Ele já começara a aceitar a ideia que podia ter algo a ver com espíritos atormentados, mesmo achando isso meio estúpido. Por que não havia outra explicação para o que estava acontecendo, a não ser que ele partisse para uma explicação científica. Mas mesmo assim, talvez não achasse as respostas corretas.
Depois de quase meia hora debaixo do chuveiro, Bill saiu muito mais calmo, se secou e colocou a toalha em volta do seu corpo enquanto dava uma olhada no espelho totalmente cheio de vapor por causa do chuveiro quente. Ele passou seu braço pela superfície gélida do espelho para limpá-lo, então em vez de ver o seu rosto, viu o de William Baumgärtner.
– Seu idiota! – a imagem no espelho disse, olhando desdenhosamente para Bill, com aqueles olhos escuros – Você não pode deixá-la morrer! Não a perca de vista!
Então antes que pensasse, Bill deu um soco no espelho para acabar com aquela visão, para tentar tirá-lo de sua cabeça. Mais cacos jorraram da moldura, igual à rica porcelana de Biene, só que dessa vez eram milhões de pedacinhos refletindo o banheiro, Bill e o sangue vermelho que jorrava de sua mão.
Havia um corte profundo nas costas de sua mão, próximo aos dedos, onde um sangue quente e vermelho escuro escorria pelo seu braço. As gotas empapuçavam o chão com sua coloração forte, manchando todo o piso e formando uma linha ondulada e comprida. Bill olhou para o chão, achando estranha a forma que seu sangue formava, mas nada parecia coerente, principalmente agora que sua cabeça latejava e que o corte ardia.
Correu o mais rápido para o seu quarto, para achar a caixa de primeiros socorros que mantinha junto com suas coisas desde que passaram mal em uma viagem de longas horas. Ali havia um pouco de gaze e álcool, talvez fosse o suficiente para estancar o corte, não queria preocupar os outros nem queria ir para um hospital. Não podia chamar atenção.
Mas enquanto tentava limpar o corte, suas mãos tremiam demais. O que William dissera, estava ecoando na sua cabeça. “Você não pode deixá-la morrer! Não a perca de vista!”. O que isso significava? Ele não fazia ideia de quem se tratava, nem quem ele deveria evitar que morresse. Agora ele estava mais confuso do que antes e sabia que Biene estava certa. O perigo estava próximo.

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24 Utopia em Qua Mar 27, 2013 2:42 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 20 - A Voz de um Anjo


Notas iniciais do capítulo: Então, na parte que tem música na fic, se quiserem, ouçam Summer Rain da Hayley Westenra já que a letra que eu coloquei é dessa música. Quem gosta de música celta ou tipo ópera, é um prato cheio, quem não gosta, procure outra música que ache adequada. Mas Summer Rain é ótima e vale a pena ver a tradução.

William estava no seu quarto, sentando em sua poltrona apenas pensando como era de costume. Ele não estava preocupado com a contabilidade, muito menos com seu futuro casamento, havia algo que o incomodava muito. Já se passara uma semana desde que vira Johanna naquele sábado no mercado.
Claro que Thomas havia tentado levá-lo novamente ao cabaré, mas ele havia recusado todas as propostas. Só de pensar em ir a um lugar como aquele, Will já se sentia completamente enojado. Mas lá estava ele sábado à noite, tentando pensar no que ele podia fazer e a imagem de Johanna não saía da sua cabeça. Ela com aqueles olhos como um céu nublado, cheios de lágrimas de chuvas.
Ele não podia esconder que estava com certo interesse nela. Quanto mais ele tentava esquecer aquela suposta noite de farra, mais aquilo voltava a sua cabeça. Lembrava-se claramente quando olhou para Johanna enquanto dormia, o sono a envolvendo com uma calma tão grande, como se ela estivesse no céu e não naquele maldito cabaré.
Então, pela primeira vez na vida, ele decidiu deixar sua arrogância de lado e se pôs de pé. Faria uma visita a Thomas, não à sua casa, mas sim aonde ele devia estar passando seu fim-de-semana. Ir ao cabaré não significava que ele necessariamente precisava fazer sexo, apenas algumas conversar com Thomas – se ele quisesse conversar – e um pouco de bebida já bastariam para sua noite.
No fundo ele realmente queria enganar a si mesmo, não queria afirma que iria por Johanna. Mas ele queria se certificar que tudo estava bem com ela, por que depois dessa noite, nunca mais iria olhar para ela. Ele não queria nada com uma prostituta, mesmo que ela não fosse realmente, ela não era digna de andar em sua companhia, ainda mais quando ele tinha uma reputação a zelar. Ninguém podia saber que um Baumgärtner havia se encantado por ela.
Will colocou seu casaco de alfaiate que pagara uma nota, passou seus dedos compridos pelos longos cabelos escuros. Sua imagem no espelho não era tão agradável, ele andava com pouco sono ultimamente e com muito cansaço. Ele precisava andar mais disposto, ainda mais com a aproximação do aniversário da cidade.
Deixou sua imagem de lado e saiu porta afora, decidido a encontrar Thomas – e quem sabe, não encontrar seu pai. Mas como este reclamara de uma dor de cabeça, talvez estivesse em seu quarto, dormindo. Então a barra estava limpa para que Will pudesse ir até o Cabaré, sem que ninguém questionasse ande ia. Apenas deu uma gorda gorjeta para o cocheiro Oscar, que estava fumando um cigarro de palha.
– Espero que aonde quer que eu vá, não saia de sua boca por onde ando – Will disse usando sua voz persuasiva, como se apenas com um olhar pudesse iludir o pobre cocheiro naquela noite fria. Oscar entendia dos perigos de questionar um Baumgärtner, então apenas acenou positivamente com a cabeça.
Ele conhecia Will desde que ele era bem pequeno e enfrentava qualquer garoto na rua, mesmo que fosse o dobro do tamanho dele. Era um garoto bastante mimado pela mãe e às vezes se achava superior a todas as pessoas. Parecia que muitas coisas não haviam mudado muito depois da morte da Senhora Baumgärtner. Will continuava a ser o mesmo hipócrita insensível de sempre.
O chicote estalou e a carruagem cruzou as estradas de barro e pedra da cidade. William estava pensativo no banco de trás, pensando seriamente por que diabos ele havia saído de casa? E o que ele queria com aquela visita súbita ao Cabaré? Por que ele queria garantir que Johanna estivesse bem? Eles não eram parentes nem nada, ele não precisava se preocupar nem um pouco com ela. Mas ele não fez nada para parar o cocheiro, não o mandou dar meia volta.
Só percebeu que seu coração palpitava quando finalmente chegaram à frente do Cabaré, lotado de vozes, risos e os cartazes de mulheres bonitas. Will desceu da carruagem e ficou ali parado, sem saber se deveria prosseguir ou simplesmente voltar para casa onde era o melhor lugar a ficar. Mas ficar ali parado só lhe renderia uma gripe, então com passos rápidos ele entrou no local.
O Cabaré estava apinhado de pessoas, vários homens lotando as mesas que estavam de frente para o palco. Havia algumas mulheres trabalhando como garçonetes e ao mesmo tempo seduzindo os homens que as olhava com rostos cheios de luxúria. Will havia se esquecido de quão sórdido era esse lugar. Mesmo assim cruzou o salão, tentando localizar Thomas.
As luzes se apagaram de repente e Will foi obrigado a se sentar em uma cadeira, afinal não poderia achar Thomas se estivesse tão escuro. Só se ouvia o barulho de comentários baixos e tilintar de copos, tirando isso, tudo estava silencioso quando as grandes cortinas avermelhadas se abriram um pouco e Jörg apareceu.
– Boa noite, caros cavalheiros e belas damas. Hoje teremos uma programação especial a mais além das danças que normalmente temos. Acho que não vão se decepcionar nem um pouco, por que vou lhes apresentar a voz de um anjo. Espero que apreciem.
Jörg sumiu enquanto as cortinas abriam mais e mais até aparecer o palco inteiro. Havia um homem vestido elegantemente, sentado em um piano de madeira negra bem lustrosa, de cauda longa, onde acima estava sentado alguém. Envolvida em uma roupa de cor branca, com plumas em volta dos ombros nus, estava a criatura mais bela que já viram em suas míseras vidas. Sua face estava com uma máscara também branca e brilhante, para que não reconhecessem seu rosto. Mas Will havia reconhecido.
Com dedos rápidos, o pianista começou a tocar o piano, logo a voz de Johanna acompanhou a melodia como se sua voz e o som das teclas fossem unidas por um vínculo. A voz preencheu todo o salão, uma voz fina e angelical, algo que combinava perfeitamente com a imagem que geralmente Will tinha sobre ela.


Hear my prayer
Answer my call
Breathe life into my soul
I am waiting for you to show
Come and hold me so

You're my summer rain
You're my summer rain
And I know that I'll see you again
And I know that I'll see you again

Ele simplesmente não conseguia desgrudar os olhos dela, Will se sentia como uma serpente, sendo dominada pelo som de uma flauta indiana. Ele tentava em vão descobrir o que a música falava, no seu inglês tão perfeito quanto o dele, como se ambos tivessem tido o mesmo professor da Inglaterra que fora pago para ensinar os Baumgärtner.
Ao perceber que todos os homens daquele salão pareciam tão encantados quanto ele, uma onda de fúria subiu-lhe a cabeça. Ele sentia raiva por aqueles homens desdenhosos estarem olhando daquela forma para ela, como se a admirassem, mas apenas pela beleza, voz e luxúria. Mas será que Will era digno de olhar para ela? Ele era um Baumgärtner, mas às vezes isso parecia tão errado.
Quando a voz dela se cessou o salão ficou em silêncio, como se tentasse fixar os últimos vestígios da voz em suas cabeças. Então logo em seguida teve uma onda de palmas e assobios, alguns homens até se atreveram a levantar e mostrar um bolo de dinheiro, como se a garota ali estivesse à venda. Mas antes que algum conseguisse se atrever a subir no palco, as cortinas se fecharam e Jörg apareceu novamente.
– Sinto muito, meus caros cavalheiros, mas essa mulher não vai conceder uma noite dela para nenhum de vocês – Jörg disse, lançando um olhar severo para um homem que se atreveu a subir no palco – Continue com o que estavam fazendo, breve teremos mais shows.
Muitos homens ainda tentaram falar com Jörg, mas ele apenas fez sinal negativo com a cabeça. Parecia que nada iria mudar a cabeça do dono do cabaré e Will não fazia ideia do por que dele proteger tanto Johanna. Não importava, ele queria falar com a garota nem que fosse um segundo. Mas antes partiu para o bar e bebeu dois copos de uísque, ele precisava daquela sensação calmante e vertiginosa em seu sangue.
Com passos decididos ele foi até o palco, mas em vez de subir as escadas, atravessou a porta lateral onde já tinha visto da primeira vez. No camarim havia várias mulheres se arrumando e todas lançaram um olhar feio para Will quando ele apareceu ali. Ele simplesmente não se importou, apenas tentou procurar Johanna naquele mar de penas e cores avermelhadas.
– Por favor, onde está Johanna? – Will perguntou a uma mulher que estava sentada em uma cadeira, tomando chá calmamente.
– Sinceramente, não sei se não ouviu Jörg falando. A garota não vai para cama nem com você nem com ninguém – ela disse secamente, lançando um olhar furioso para ele.
– Não estou aqui para levá-la para cama, quero apenas falar com ela – Will levantou seu olhar e a encarou como se pudesse matá-la.
– Senhor Baumgärtner – ela disse olhando para a xícara de chá que acabara de beber – É bom você cuidar muito bem de Johanna, por que o que lhe irá acontecer, não será nada bom. Não estou fazendo uma ameaça, estou falando a verdade.
A mulher se levantou do banco, com seu robe vermelho balançando enquanto andava em direção a uma porta. Mas antes que ela fosse embora, ela se virou e deu um último olhar para Will.
– Siga a direita, ela estará lá. Primeira porta.


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25 Utopia em Qua Mar 27, 2013 2:45 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 21 - A Musa

O quarto tinha aquele cheiro de incenso, preenchendo os pulmões das pessoas com o aroma doce. O lugar parecia bastante quente, talvez por causa dos candelabros com velas que havia em vários móveis. Johanna estava sentada em um divã, com um casaco de pele de lebre, branco, envolvendo seu corpo, onde apenas se via seus ombros. Suas cascatas de cabelos negros pendiam de um lado enquanto seus olhos se fixaram em algo.
Will aparecera sorrateiramente ali, não queria incomodá-la, não quando percebeu do que se tratava. Havia um homem, não um amante, mas era um pintor. Ele olhava para Johanna e depois pincelava uma tela grande, onde do lugar onde Will estava, dava para ver que se tratava de um auto-retrato quase acabado. Ele podia estar meio bravo por o artista estar tão perto dela daquela forma, mas o jeito que ele pintava, com certeza era bastante digno.
Ele simplesmente decidiu que iria ficar ali, quieto, apenas observando. Não queria atrapalhar o pintor, muito menos Johanna que parecia um pouco tensa, mas tentava parecer impassível. Mas não importava o quanto o quadro chamava atenção, lá estava a verdadeira arte e nenhum pintor do mundo conseguiria recriar ela da forma perfeita como Will a olhava.
– O que você está fazendo aqui? – disse alguém puxando Will pelo ombro e o tirando dali enquanto sussurrava. Tratava-se de Jörg, que o olhava estupefato.
– Nada, realmente. Só queria ver Johanna...
– Olha aqui, você pode ser amigo de Thomas, mas eu não o conheço. Sei que você é um Baumgärtner e se tem alguma intenção com Johanna, sei que não é uma das melhores. Aquele dia que você ficou com ela no quarto, agradeço por ter o mínimo de condolência e não ter feito nada. Mas já é passado e não quero mais vê-lo com ela.
– Me desculpe, mas não pretendo fazer nada, além de que não tenho a mínima intenção de qualquer coisa que tenha a ver com uma prostituta – Will disse da forma mais cortante que pode, fazendo Jörg se encolher um pouco – Mas por que a protege tanto? Não vai me dizer que se apaixonou por ela?
– Por que ao contrário de vocês, aristocratas, eu levo em consideração a situação dela atual. Além do irmão dela ser meu melhor amigo, estou fazendo um favor a ele e jurei que não deixar ninguém tocar nela, isso inclui você. Então peço que se retire.
– E qual é a situação atual dela, então?
– Isso não o interessa, já falei para sair...
– Qual a situação dela? Só vou sair se me contar – Will disse decidido, mantendo seu olhar frio como sempre. Por mais que Jörg fosse mais forte que ele, Will ainda assim era bem mais alto. Seria uma briga daquelas.
– Ela não vive de heranças, tem contas e dívidas a pagar, e só conta com ela mesma e o irmão. Por isso estou os ajudando, entendeu?
– Quanto você quer pelo quadro? – Will disse apontando para a sala onde se encontrava Johanna – Quantos táleros você quer pelo quadro de Johanna? Eu pago e você dá metade para ela já que se importa tanto.
– O que? – Jörg exclamou pasmado – Você quer comprar o quadro? Por quê?
– Sim, eu quero. Eu lhe dou vinte mil táleros, assim você pode ajudar Johanna e seu amigo. Eu posso ser um Baumgärtner, mas sei quando uma dama precisa de ajuda e se você diz que não me importo, é por que não me conhece.
– Você falou que não tinha mínima intenção com ela, por que quer ajudá-la então?
– Por que uma vez uma mulher precisou da minha ajuda, mas eu não pude fazer nada – Will disse sentindo uma dor em seu âmago – Sei que não tenho nenhum laço afetivo com Johanna, mas nada me impede de ajudá-la. Ela não merece ficar em um lugar desses, Jörg. Eu conversei com ela, a garota é culta, não pode ficar presa a uma má reputação. Vou comprar o quadro e ajudá-la.
– Esses quadros não estão à venda por que ganhamos de pintores que ficam admirados pela beleza das mulheres daqui. Mas agora é uma situação totalmente diferente e eu aceito sua proposta, você pode comprar o quadro.
– Mas se eu não quiser? – uma voz fina soou pelo corredor e Will e Jörg se viraram. Lá estava Johanna em volta do casaco de pele de lebre, olhando fixamente para os dois com aqueles olhos inquisidores. Era como se aqueles imensos olhos pudessem saber o segredo mais profundo deles só com um vislumbre – Obrigada pela oferta, Will. Mas não quero viver de doações suas.
– Não são doações – Will disse surpreso e ao mesmo tempo furioso pela insolência dela. Ele estava sendo gentil e ela recusava sua gentileza? – Quero ajudá-la de verdade.
– Sério? Por que existem diversas mulheres aqui que precisam de muito mais ajuda que eu. Algumas são tratadas como objetos outras têm filhos pelo mundo que nunca vão descobrir quem é sua mãe, por que foram abandonados na porta de igrejas e orfanatos. Se quiser ajudar alguém, Senhor Baumgärtner, ajude alguma delas, não eu.
– Pensei que tinha problemas com dinheiro, não estou fazendo isso de mal grado nem com más intenções, eu...
– Posso ser uma prostituta, Senhor Baumgärtner, mas tenho honra o suficiente para não aceitar dinheiro por capricho seu. Eu sei que esse não é o melhor trabalho, mas é o mínimo que posso fazer por mim e minha família e já fico feliz por conseguir o pouco que ganho. Não quero seu dó, afinal por mais que pareça que não estou bem, fico suficientemente feliz por estar viva e com saúde.
– Santa insolência! A senhorita deve ter um sério problema – Will disse a olhando desdenhosamente como sempre fazia quando tentava mostrar quem realmente estava no poder – Não estou aqui te ajudando por achá-la uma pobre coitada, estou garantindo uma vida melhor para você e ao seu irmão. Você não merece ficar nesse lugar.
– Talvez Senhor, se você se importasse mais com sua vida e o que você tem a sua volta, já estaria me ajudando de alguma forma. Não vou ganhar esse dinheiro que não mereço, se quiser comprar o quadro, compre, mas pague para o pintor. Ele que ficou horas a fio se dedicando, eu apenas fiquei parada. E saiba que já sofri assédios antes e não preciso de alguém para me proteger, sei me virar muito bem sozinha.
– Um obrigado seria muito mais gratificante, mas pelo visto você se daria muito bem com aquele homem. Claro que conseguiria escapar dele, eu estava vendo o quão competente você estava sendo – ele disse sarcasticamente – Pouco me importa a opinião de uma garota como você, vou comprar o quadro sim, se quiser ficar com o dinheiro, fique. Jörg, me traga o quadro.
– O que? – Jörg exclamou, sem saber o que fazer quando Will se direcionou a ele.
– Traga o quadro agora, vou comprá-lo. Se quiser dê o dinheiro ao pintor, fique com você, distribua na rua. Eu não dou à mínima.
Jörg não sabia se fazia o que ele mandava ou o colocava para fora. Mas contrariar um Baumgärtner era praticamente morrer, eles sempre foram ferozes e vingativos, não iam aceitar uma desavença. Então apenas foi em direção ao quarto onde Johanna estava para pegar o quadro e entregar nas mãos daquele cruel homem.
Enquanto isso, Will apenas se encostou à parede de braços cruzados, olhando para Johanna, que lançava olhares tão cortantes quanto o dele. Pelo visto ela não havia gostado nada do que ele fizera, na verdade, talvez ela nunca fosse aprovar nada que Will fizesse só por que sua reputação de aristocrata não era das melhores. Talvez isso viesse dos seus descendentes Húngaros, já tinha ouvido falar que eles eram um pouco homicidas. Talvez só um pouco.
– Por que quer comprar o quadro? – Johanna perguntou, se aproximando dele estupefata – Por que insiste nessa ideia imbecil?
– Será que se eu dissesse que sou um apreciador da arte, você acreditaria? – Will disse levantando a sobrancelha, olhando de forma divertida para ela, como se estivesse realmente gostando de irritá-la.
– Um apreciador de arte? Está comprando um quadro de uma meretriz, para mim isso não é arte.
– É verdade – ele disse dando de ombros – A verdadeira arte está na minha frente, não há detalhes no quadro que façam jus a verdadeira musa inspiradora. Apenas me deixe ter um pouco dos resquícios de sua companhia, mesmo que sejam na forma de um quadro.
Um lampejo passou pelos olhos acinzentados dela, enquanto ambos sentiam a proximidade um do outro, como se a distância que os separassem estava cada vez menor. Will tirou uma mecha que caia sobre o rosto de Johanna e colocou atrás de sua orelha, enquanto descia sua mão pelo pescoço dela até sua clavícula provocando uma série de arrepios nela.
– Aqui está! – Jörg disse aparecendo do nada, deixando os dois sobressaltados – Coloquei em uma caixa por que ainda está secando. Além de que talvez você não queria chamar atenção.
– Obrigado – Will disse pegando a caixa enorme e fina, e logo em seguida tirando um saquinho do seu paletó – Acho que aqui tem vinte mil táleres. Fique com eles.
– Mas isso é muito...
Antes que Jörg pudesse terminar a frase, Will já tinha ido.


Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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