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Utopia

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26 Utopia em Sex Mar 29, 2013 5:24 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 22 - O Despertar

Ele sabia onde estava o quadro logo que acordou naquela manhã fria e com a janela cheia de gotículas de orvalho por causa da temperatura que cada vez ficava mais baixa. Parecia tão claro agora, como se o sonho que ele tivera o guiasse agora na realidade.
Lá estava o guarda-roupa imenso de madeira escura. Pelo jeito ele estava há séculos ali, tão conservado que talvez todos os donos daquela casa tiveram dó de jogá-lo fora. Bill abriu as portas do guarda-roupa e viu todos os cabides lotados com suas roupas preferidas e casacos caros. Mas não era uma peça de roupa que procurava.
Agachou-se para ver o fundo negro do guarda-roupa, e tentou forçar o fundo falso que havia ali. Depois de muito esforço, conseguiu retirar a tampa de madeira grossa que se instalava no local. Tateando pelo buraco, conseguiu sentir uma caixa ali, então a puxou com todo o cuidado do mundo.
A caixa tinha alguns mofos em um canto, parecia bastante envelhecida e ele temia pela situação do quadro. Abriu cuidadosamente e sobre seus dedos sentiu a textura da moldura trabalhada enquanto puxava o quadro aos poucos. O seu coração batia descompassadamente, dedurando a ansiedade que sentia dentro dele. De todas as coisas no mundo que já quis, essa era a mais incrível que já vira e pudera querer e ele nem ao menos sabia o por que.
O quadro estava bastante velho, mas dava para ver claramente os contornos de Johanna nele. Não era a mesma coisa que vê-la ao vivo, mas lá estavam os “resquícios de sua companhia”, os olhos acinzentados observando tudo como se estivessem realmente vivos e os lábios torcidos naquela expressão desconfortável. Quando deu por si, Bill estava sorrindo, se lembrando do modo impertinente com que ela falava.
No fundo, só ele sabia o que estava acontecendo de verdade. William Baumgärtner estava completamente apaixonado por ela, mesmo que não demonstrasse por causa de sua arrogância. Will não estava acostumado a ser repreendido, ainda mais por uma garota mais nova e suposta meretriz, mas ao mesmo tempo ela era encantadora e não falava como as moças daquela época.
Por incrível que pareça, Bill se sentia exatamente como ele, como se ambos fossem a mesma pessoa. E agora não se sentia mais como um louco, afinal ali na sua frente estava uma prova concreta de que todos os seus sonhos tinham um pouco de verdade. Ele só precisava procurar mais informações, será que os sonhos ajudariam? Afinal ele não tinha a mínima vontade de contar a alguém sobre o quadro que acabara de achar. Ele sabia que ninguém entenderia ainda, nem ele mesmo compreendia o que estava acontecendo. Mesmo assim ele iria fazer um esforço para compreender e descobrir a verdade por trás de todo o ocorrido.
Bill olhou uma última vez para o quadro, como se pudesse sentir Johanna mais perto de si. O estranho era sentir aquele vazio, saber que ela viveu em uma época muito distante da atual e que não tem a mínimas chances de estar viva. Então ele guardou novamente o quadro na caixa e colocou no fundo falso do guarda-roupa. Encostou sua cabeça na superfície do guarda-roupa e fechou os olhos esperando que voltasse para seus sonhos, mas sabia que isso não acontecia só por querer.


– E aí pessoal? – Biene exclamou entrando na cozinha, saltitante como sempre – Esqueci de avisar vocês, há tanta coisa na minha cabeça ultimamente, amanhã vai ser o aniversário da cidade!
– Legal – Gustav disse piscando perplexo para Biene, afinal isso talvez fosse importante para ela, mas para eles não tinha nada demais.
– Legal? – ela exclamou – Quando é o aniversário da cidade, há uma enorme festa. Pensei que vocês gostariam de ir, já que ficam trancados o tempo todo aqui. Mas acho que não interessa já que...
– Festa? – exclamou Tom pulando da mesa – Está brincando? Vai ter uma festa aqui? Do tipo que reúne muitas pessoas e tem muitas garotas da região?
– Sim! – ela disse sorrindo satisfeita – É uma festa bonita, tem uma espécie de feira pela cidade, têm danças, bailes e até fogos de artifício. Vem um bocado de pessoas, principalmente de cidades vizinhas. Então? Vocês topam?
– Estou dentro! Pode contar comigo – Tom disse olhando para Georg e Gustav que também acenaram positivamente.
– Cadê o Bill, afinal? – Biene disse olhando para todos os lados, esperando que de repente ele aparecesse de algum canto.
– Ele está dormindo, ultimamente ele anda dormindo até mais tarde. Talvez seja hora de acordá-lo – Tom disse se levantando.
– Eu faço isso, não se incomode. Preciso falar com ele mesmo.
Ela sorriu para eles e caminhou para o Hall com sua bolsa cheia de miçangas chacoalhantes. Biene havia descoberto algumas coisas enquanto vasculhava nos documentos da família dos Gietzen. Eles eram simpáticos e não se importaram nem um pouco em deixá-la dar uma olhada, tanto que até contaram milhares de histórias para ela sobre seus antepassados.
Segundo o que ela lera em alguns diários e algumas informações que os Gietzen haviam conseguido, Biene descobrira que a família realmente já foi amiga dos Baumgärtner, mas em um passado muito distante. Parecia que depois do ano de 1863, as famílias se distanciaram sem um motivo aparente, ou pelo menos eles não relataram realmente o que acontecera. Talvez se ela se aprofundasse um pouco mais, ela conseguisse achar mais coisas sobre os Baumgärtner.
– Hey, Bill? – ela perguntou batendo na porta dele com cuidado – Você já acordou? É que eu descobri algumas coisas sobre os Baumgärtner, não é grande coisa, mas já é um começo...
A porta se abriu no mesmo momento, antes que ela terminasse de falar. Pelo visto, Bill já havia acordado faz tempo, tanto que até já tinha tomado banho por causa dos cabelos pretos que grudavam em seu rosto. Ele usava suas calças jeans apertadas como de costume, mas não usava camiseta, mostrando os poucos músculos que se estendiam pelo seu corpo magro.
– Ah, me desculpe – Biene disse engolindo seco – Eu volto depois...
Mas ele não respondeu, seus olhos amendoados pareciam estar foscos, como se não pudessem a ver. Biene pensou seriamente em abanar sua mão na frente do rosto dele, só para conferir se ele não virou um zumbi ou alguma criatura maligna dos filmes que geralmente assistia.
Então ele pegou o braço dela e a puxou para dentro, ela realmente não esperava que ele tivesse tanta força assim. Trotando, ela entrou no quarto tentando não cair, enquanto a porta as suas costas se fechava rapidamente. Biene estava totalmente confusa, tentando se recompor da quase queda e olhando para Bill que estava totalmente estranho, com uma expressão dura e vaga.
– Bill? Você está bem? – ela perguntou piscando atônita.
– Por que eu não estaria? – ele disse com uma voz astuciosa e seus olhos brilharam de uma maneira sombria.
Então ele a puxou para si, fazendo Biene entrar em contato com seu corpo, seus olhos fixos nos dela como se uma corrente elétrica passasse dele para ela. Não houve tempo para pensar nem agir, Bill levantou o rosto dela com seu polegar, acariciando levemente seu rosto até seus lábios tomarem os dela.
O coração de Biene batia rapidamente enquanto sua mente tentava entender o que estava acontecendo. Mas nada adiantava, afinal parecia que seus pensamentos ficavam cada vez mais inebriados enquanto o beijo ficava mais intenso. Os braços de Bill a envolviam em um abraço terno e inexplicavelmente cheio de sensações que se apoderavam de ambos. A língua tenra dele passava pela sua, com uma fúria quase corrosiva de tanto deleite.
Ambos pareciam se querer tanto como se isso tivesse acontecido desde a primeira vez que haviam se visto. Nenhum parecia resistir enquanto o desejo tomava conta de todo o ar como uma fragrância enjoativa e viciante. Até que uma faísca de realidade passou pela cabeça de Biene e ela pensou o que diabos estava acontecendo. Então subitamente empurrou Bill para longe de si até que o beijo se cessasse.
Biene se afastou dele ofegante e percebendo que ele parecia mais lúcido do que antes. Ele olhava meio atônito para ela, como se tentasse entender o que havia acabado de acontecer. Ela nem esperou pela resposta, correu até a porta e saiu o mais rápido dali, com sua cabeça explodindo em milhões de informações que cada vez pareciam menos coerentes. Mas mesmo quando desceu a ladeira com sua bicicleta, naquele frio, ela ainda sentiu os toques quentes dele, queimando em sua pele.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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27 Utopia em Sex Mar 29, 2013 5:26 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 23 - O Encontro dos Dois Mundos

O quadro estava em suas mãos e ele olhava atentamente para os detalhes. Desde que o comprara, já estava acostumado a pegá-lo nas horas vagas só para poder dar uma olhada, como se precisasse se certificar que a pintura estava intacta. Mas ele tomava o máximo cuidado para que ninguém descobrisse o quadro, principalmente seu pai que sempre fora rígido.
Ele sabia que precisava esquecer Johanna, ainda mais quando seu orgulho gritava fremente que ele era um duque enquanto a jovem era uma pseudo-meretriz. Os dois não tinham nenhum futuro, não que Will pensasse em um futuro para os dois, ele apenas queria confrontar a realidade. Ele também queria poder ajudá-la de alguma forma, mas sabia que ela odiaria qualquer auxílio vindo dele.
Pela primeira vez na vida, ele não sabia o porquê de suas atitudes. Suas ideologias se confrontavam dentro de si, brigando constantemente com suas ações precipitadas. Will não conseguia mais se concentrar nem no seu trabalho, o tempo todo, sua mente vagava pelas ruas estreitas de Aach até chegar ao cabaré, onde só via o rosto de uma mulher, aquela que estava no quadro escondido, em seu guarda-roupa.
Mas naquele dia ele havia decidido fazer algo diferente, algo que não fazia há anos por causa da tristeza que sentia dentro de si. Ou na verdade por que seu pai o mandara esquecer, por que ele nunca iria seguir em frente se não se esquecesse de um passado que ainda era apegado firmemente. Só que ele precisava de um lugar onde poderia pensar, um lugar onde ele sempre encontrara refúgio quando precisava ficar só.
Na pequena cidade de Aach havia uma igreja Luterana, não era muito grande, afinal não tinha necessidade de abrigar muitas pessoas já que a população era muito pequena. Ela era toda branca, apenas com uma torre com claraboia e vitrais, onde havia um sino que só tocava em finais de missas. Will sabia que havia ali alguns quartos na igreja, onde abrigava monges e padres, além das pessoas que a igreja geralmente ajudava, dando abrigo.
Na parte de trás da igreja, havia o cemitério, era lá que Will passava a maior parte do tempo antigamente, desde que sua mãe morrera há anos. Ele nunca fora a igreja também desde a morte da mãe, aos poucos ele foi desacreditando em qualquer coisa divina e se Deus não parecia ligar para ele, ele também não dava a mínima para Deus.
As portas da igreja estavam abertas como o de costume, mas com uma grande quantidade de velas acessas, talvez mais para aquecer o lugar do que para rezar. O lugar estava extremamente vazio e Will achava que era melhor assim, afinal sua vontade mesmo era cortar caminho pela igreja para chegar ao cemitério. Mas era estranho estar na igreja, aquele lugar mórbido e sombrio ao mesmo tempo, ele já havia se esquecido de como era estar em um lugar sagrado como aquele.
Ele atravessou o corredor central, enquanto seus sapatos faziam barulhos conforme se chocava com as lajotas de pedra. Isso foi o suficiente para fazer uma sombra se mexer em um canto escuro da igreja, o que chamou a atenção de Will. Perto das velas, havia alguém as acendendo, mas o rosto da pessoa estava obstruído pela escuridão, onde as luzes das velas não podiam alcançar.
– Desculpe por assustá-lo – Will disse colocando suas mãos no bolso do terno – Apenas vou cortar caminho para ir até o cemitério. Serei breve.
– Não precisa se importar, Senhor Baumgärtner. Desde que não esteja me perseguindo novamente – a voz da pessoa mais que conhecida logo fez jus a sua imagem quando das sombras Johanna apareceu. Ela tinha os cabelos pretos preso em um coque e vestia um casaco de pelica sobre o vestido branco, enquanto segurava em sua mão um fósforo.
– Johanna? O que faz aqui? – Will exclamou realmente atônito.
– Sei que segundo a opinião de muitas pessoas, sou indigna de estar em solo sagrado, mas convivi na igreja desde pequena, não posso simplesmente abandoná-la – ela disse acendendo outro fósforo com bastante habilidade já que aquilo geralmente era bastante inflamável, e voltando a acender algumas velas – E por que você está aqui?
– Já falei – ele disse secamente, percebendo que ela estava sendo tão insolente quanto sempre fora – Vou ao cemitério. Não é minha culpa que justamente hoje, você decidira vir também à igreja.
– Aqui é minha segunda casa. Quando meus pais morreram, meu irmão e eu fomos acolhidos pela igreja, eles nos deram não só abrigo, como comida e também uma educação privilegiada. Agora não podemos mais viver da ajuda deles, queremos seguir com nossa própria vida, mas sempre que posso, venho aqui para ajudá-los com algo.
– Talvez a igreja não seja minha segunda casa, mas o cemitério sim. Passei a maior parte da minha vida nele, ao lado do túmulo da minha mãe. Agora vou lá raramente, mas às vezes é um bom lugar para pensar.
– Você gostava muito de sua mãe, não é mesmo? – Johanna perguntou apagando o fósforo e se virando para ver o rosto de Will – Sei que é uma pergunta tola, mas você a perdeu quando era mais jovem. Digo isso por que perdi meus pais quando tinha por volta dos oitos anos e muitas vezes eu acabo me esquecendo deles, mesmo não querendo.
– Claro, eu nunca poderia esquecê-la – ele disse ultrajado – Ela era tudo para mim, tudo que meu pai e meu irmão nunca foram e nunca vão ser. Sei que passei muito pouco tempo ao lado dela, mas foi o suficiente para que nunca fosse esquecida por mim.
– Desculpe por minha insolência – ela disse o olhando piedosamente – Por mais que sejamos de mundos diferentes, passamos um pouco pelas mesmas coisas. Acho que a dor e a tristeza são algo que todas as pessoas têm, independente de que classe social seja.
Will não disse nada, apenas ficou fitando seus próprios sapatos. Era estranho conversar com uma garota mais nova que ele de igual para igual, ainda mais quando ela falava como se soubesse de tudo. Era como estar na frente de sua própria mãe, parecia mais um sermão dela, tentando fazê-lo não virar um tirano como aconteceu com seu pai e seu irmão.
– E obrigada também, por ter me protegido aquele dia no mercado – ela disse apertando suas mãos em desconforto – Mas não faça mais isso, posso me proteger e você corre o risco de sujar sua própria reputação.
– Como se você se importasse com minha reputação – ele disse debochadamente.
– Não dou à mínima. Mas você se preocupa com ela, afinal com o que mais se preocuparia?
– Com você – ele disse de repente, antes que pudesse cerrar os seus lábios. Aquelas palavras astuciosas e escorregadias conseguiram sair sem muito esforço, antes mesmo que o cérebro mandasse a informação que aquilo devia ser calado.
A expressão de Johanna era pura surpresa, seus olhos se arregalaram e ela ficou petrificada sem saber o que dizer. Will abandonou o seu posto no meio do corredor e atravessando os bancos de madeira, foi até onde Johanna estava, perto das velas que tremeluziam com suas chamas sombrias.
– Sinceramente, Senhor Baumgärtner, você está se sentindo bem? – ela perguntou, talvez pensando que ele estivesse maluco ou quem sabe bêbado. Só isso poderia fazê-lo dizer algo como aquilo.
– Por que eu não estaria? – ele disse com seus olhos brilhando intensamente, levantando o rosto dela com o polegar, acariciando seu rosto para que os olhos dela fitassem o seu.
Então os lábios deles finalmente conseguiram realizar o seu desejo quando tocaram os dela. Era o gosto que imaginava ter, doce e suave como uma manhã quente. Para a sua surpresa, ela não o empurrou nem decidiu dá-lhe um tapa como já imaginava. Johanna apenas pousou suas mãos no peito de Will, enquanto ele passava seus braços em volta dela, tentando aprofundar o beijo.
Agora ele sabia, mesmo que ele lutasse para dizer que não. Ele, William Baumgärtner, Duque de Aach, havia se apaixonado perdidamente por uma jovem meretriz. Naquele momento, não importava se estavam em uma igreja, se alguém pudesse ver aquela cena e contar para o pai dele. Nada realmente importava, desde que a tivesse em seus braços mais e mais vezes.
Sempre fora contra o romantismo, mas lá estava ele como um simples vassalo, dependendo do amor de sua suserana. E a garota nem ao menos tentava se separar dele, ela o deixava provar-lhe os lábios com tamanho desejo, enquanto Will a empurrava de encontro à superfície gélida da igreja, passando suas mãos em volta de sua cintura.
Então um dos candelabros com velas caiu no chão, fazendo um enorme estrondo. Foi o máximo para que Johanna o empurrasse, seu rosto pálido agora estava totalmente vermelho e lábios mais rosados do que nunca, fazendo Will querer voltar a senti-los novamente. Mas ele não pode fazer isso, por que ela lhe deu um tapa em seu rosto, o olhando estupefato, enquanto saía da igreja, tentando arrumar seu casaco de pelica.


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28 Utopia em Dom Mar 31, 2013 8:22 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 24 – Um farol em meio à neblina

Bill não acreditara no que acabara de fazer. Não acreditara que se atrevera a beijar Biene, quando na verdade estava tendo mais uma das suas visões tão reais com Johanna. Ele não sabia distinguir nem se realmente recebera um tapa e se era de Biene, Johanna ou de ambas.
Seu coração ainda batia fortemente em seu peito e sua respiração parecia estar duplamente ofegante. Ele se sentou na cama, tentando organizar seus pensamentos, tentando se lembrar do que acontecera na visão e do que acontecera na vida real, aonde ambas as coisas pareciam se confrontar.
Mas o que ele falaria para Biene? Como ele poderia justificar o que fizera? Agora sim que ela não iria acreditar no que estava acontecendo com ele. Além de que dizer que beijara ela, pensando em outra era a pior coisa que poderia falar. Talvez ele devesse deixar a poeira abaixar, por que agora não poderia fazer nada nem justificar o que acontecera. Só estava bravo por ter perdido uma informação preciosa que Biene poderia ter.
Levantou-se de mau humor, olhando-se no espelho, tentando descobrir se estava mesmo na realidade ou nas suas visões. Mas decididamente agora ele estava são, então saiu do seu quarto e desceu as escadas onde encontrou os outros na sala, jogando um videogame que Biene havia trazido de sua casa.
– Olá pessoal – Bill disse se sentando no braço do sofá.
– Amanhã vamos ter uma festa, Bill – Tom disse sem ao menos tirar os olhos da tela da televisão – Georg, seu filho da puta! Você me passou!
– Tenta superar essa! – Georg disse rindo.
– Festa? Que festa? – Bill perguntou sem entender nada.
– Aniversário da cidade – Georg disse – Ah, não! Gustav, seu maldito! Você me explodiu! Vou acabar com sua raça agora!
– Vai ter uns negócios legais na cidade, foi o que a Biene falou. Ela não contou para você? Vai ver ela fala tanto que se esqueceu disso – Tom disse apertando os botões com tamanha fúria – Gustav! Você me explodiu também, seu desgraçado!
– Uhul! Eu ganhei! – Gustav pulou do sofá sorrindo – Depois vocês reclamam que eu não falo muito. Se vocês falassem menos, teriam se concentrado mais. E não fale assim da minha prima, é bem legal da parte dela ajudar a gente.
– Falando nisso, onde ela está? – Georg perguntou se virando para Bill e os outros dois fizeram o mesmo.
– Ah... é... ela já foi... precisava fazer alguma coisa importante – Bill disse engolindo seco – Talvez ela vá ajudar a montar essa festa, não faço ideia.
– Estranho – Tom disse de repente – Pensei que ela iria ficar aqui o resto do dia.
– Por quê?
– Você é cego? Ela gosta de você – Tom disse de repente fazendo todos ficarem surpresos – Gustav que me desculpe, mas é a verdade. Eu sei quando as garotas estão caindo de amores por alguém, sou perito nisso. Ainda mais o Bill que fica dando corda nesse negócio de descobrir o passado, a Biene está adorando saber que encontrou alguém um pouco parecido com ela, afinal vocês são iguais, não calam a boca quando ficam animados.
– Ela gosta de mim? – Bill exclamou realmente não acreditando – Não, você deve estar enganado, ela não pode...
– Por que você acha que ela vem aqui todo dia? Não tem nada a ver com descobrir o passado ou ver se a gente precisa de algo. Ela quer ver você, claro! Então, Bill, se você não tem interesse nela, melhor ir mostrando aos poucos para não quebrar o coração dela.
– Se você quebrar o coração dela, eu te mato – Gustav disse olhando fuziladoramente para Bill – Também venho percebendo isso. A Biene é meio alienada na maior parte do tempo, parece uma criança, então é melhor você tomar cuidado já que você não gosta dela... ou você gosta dela?
– Eu? Não, claro que... Eu não faço ideia... ela é bem legal e... ah... eu não sei – Bill disse cada vez mais tenso, quase a ponto de cair do sofá.
O seu rosto estava totalmente vermelho, ainda mais quando ele se recordou do beijo que havia dado em Biene inconscientemente. Agora tudo parecia mais real e ele se lembrava de vê-la correspondendo seu beijo, antes de ter fugido dele. Bill com certeza a havia assustado e queria muito poder falar com ela. Mas será que ele gostava dela? Será que ela pensa que ele gosta dela só por que a beijou?
Na verdade ele amava ter a companhia dela e se esquecera disso por causa daquelas malditas visões. Será que ele não estava tão interessado no passado que andava esquecendo seu próprio presente? Talvez ele devesse se preocupar com sua situação atual do que com que aconteceu há séculos.
– Eu vou falar com ela na festa, vou tentar esclarecer um pouco as coisas – Bill disse pensativo – Não vou machucá-la, não poderia fazer isso de maneira nenhuma.


Ela tirou o molho de chaves do bolso e tremendo tentou abrir a porta, mas as chaves caíram no chão e ela teve que tatear a procura delas. Quando as recuperou, conseguiu abrir a porta finalmente e entrou a fechando com um baque. Deixou-se escorregar pela madeira de mogno na porta e caiu sentada no chão, sem entender o que havia acontecido.
Não se tratava de Bill, ele não era assim. Claro que eles se conheceram há pouco tempo, mas ela já sabia o suficiente sobre ele para deduzir que nunca em mil anos ele faria algo como aquilo. Mas então o que acontecera? Por que ele a beijara daquela forma quando normalmente eles não passavam de amigos? Ela não conseguia achar resposta nenhuma para suas perguntas.
Talvez ele estivesse brincando com ela. Isso já acontecera algumas vezes, quando ela viajava para as cidades vizinhas para comprar alguma coisa que não tinha em Aach. Às vezes ela era parada na rua por alguns caras que achavam que podiam conquistar uma mulher com uma cantada barata e vulgar. Quem sabe a maioria não era assim? Enquanto uns preferiam falar, outros já partiam para o ataque.
Mas os outros podiam ser assim. Bill não era. Mesmo que ela não tivesse toda certeza do mundo, ou talvez tivesse, afinal aquela vez que ele a magoou, ele veio atrás para se desculpar. Será que ele faria o mesmo novamente? Será que ele se desculparia apenas por ter dado um beijo nela, quando na verdade ela também retribuíra sem o menor esforço? Pensando bem, ela não exigira desculpas, não quando na verdade, ela gostara de tudo que havia acontecido.
A verdade é que Aach poderia ser cheia de cultura e mistérios seculares, mas havia poucas pessoas jovens por aqui, tanto que a escola onde dava aula só tinha salas pequenas. A maioria da população era formada por pessoas idosas e ela nunca reclamou realmente por ser assim, por que ela nunca precisou ter uma vida social ampla naquele local. Mesmo não querendo sair da cidade, ela sabia que um dia teria que abandonar Aach já que ela não tinha futuro ali.
E quando tudo parecia monótono, ela havia recebido a ligação de Gustav de que ele viria morar com ela. Por um momento pensou que as coisas mudariam um pouco na companhia do primo e agora ela se surpreende por ter passado mais tempo com Bill do que com ele. Antes ela não dava a mínima para os outros da banda, eram apenas amigos, mas agora lá estava um dos integrantes despertando algo nela que nunca havia acontecido antes.
Não sabia ao certo quando aquele sentimento de repente surgira, antes ele era vago, como uma neblina encobrindo um farol. Agora tudo parecia tão claro, como se o beijo despertasse algo nela, como se a luz do farol agora rasgasse a névoa com suas garras cintilantes, tentando atingir algo. E ela fora atingida. Ela sabia que gostava dele, mas será que era tanto quanto imaginava? Ou não passava de um sentimento efêmero?
Biene podia entender muito bem sobre história e saber decorar datas e acontecimentos facilmente. Mas quando se tratava de amor, mal sabia como devia proceder. Queria saber desesperadamente o que fazer, apenas o que dizer caso o visse por aí. Só que ela tinha certeza de que nenhuma palavra no mundo conseguiria expressar o que sentia, afinal havia um turbilhão de emoções confusas dentro de si. Não era ruim, na verdade era uma sensação boa, como se alguém fizesse cócegas em sua barriga para fazer brotar um sorriso em seu rosto.
E ela estava sorrindo. Sentada ali, no chão de assoalho frio, ela sorria. Talvez a coisa emocionante que esperasse fosse algo como uma invasão alienígena, mas agora a única invasão que acontecera foi aquele beijo que conseguira se infiltrar no seu âmago. E ela não ia reclamar quanto a isso. Não mesmo.

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29 Utopia em Dom Mar 31, 2013 8:48 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 25 – A melhor realidade

– Festa! Nem acredito que vai ter uma festa razoável nessa cidade – Tom exclamou dando uma boa olhada no movimento pela janela do carro – Já estou com saudades das grandes festas que íamos.
– Teremos muitas depois que voltarmos à ativa – Bill disse realmente ansioso. Não era por causa da festa, ele só não fazia ideia do que falar para Biene e por mais difícil que fosse se explicar, não tinha medo nenhum de tudo dar errado.
Ele não tivera sonhos essa noite e ao acordar se sentiu muito bem só de saber que o maldito passado não estava atrapalhando seu presente. Quem sabe, em breve essas visões não acabassem? Por enquanto elas não representavam grande coisa, elas eram reais, mas não significavam muito. Claro que ele se sentia estranho quando se lembrava de Johanna, como se ela pudesse estar tão perto a ponto de ele sentir seu perfume, mas ela estava morta. E Bill devia enterrar esse passado junto com ela, devia esquecer.
– Não vamos ficar aqui para sempre, não é? – Georg disse já abrindo a porta do carro.
– Será que alguém vai nos reconhecer? Podemos causar um tumulto daqueles! – Bill disse temeroso, afinal havia tantas pessoas ali, alguém devia conhecer eles.
– Vamos aproveitar, se ficarmos com medo de que nos descubram a cada esquina, nunca vamos sair da mansão – Tom disse já abrindo a porta e saindo dali, os outros também o seguiram sem pestanejar.
Havia diversas luzes dentro de flores de papéis que ficavam presas em fios grudados nas paredes. Tendas se estendiam por toda a rua vendendo os mais diversos doces coloridos, bebidas com cheiro agridoce e salgados que chamavam a atenção de qualquer um que passava em frente. Sinfonias tocavam em cada parte do local, alguns tocando violino animadamente outros se aventurando com gaitas e flautas. Era como se naquele instante tivesse uma batalha entre o passado e o presente, ambos se misturando para se tornar algo só.
O local estava cheio de pessoas, toda a cidade saíra de suas casas para festejar. Só se via sorrisos em todos os cantos e isso era o suficiente para deixar Bill feliz e esquecer um pouco quem ele era, afinal ninguém estava ligando para sua presença, por mais exótica que fosse.
– Tem garotas bonitas aqui – Tom disse rindo para Bill – É nas festas que elas aparecem de verdade.
– Não arrume confusão – Bill disse o repreendendo.
– Quem não tem que arrumar confusão é você, por que ali está quem você procura – Tom disse apontando para determinado lugar.
Em uma tenda onde se via aquele garoto que trabalhava para a o Mercado dos Gietzen, estava Biene conversando com ele animadamente. Quem estava acostumado com o jeito despojado dela, ficaria impressionado ao vê-la mais arrumada do que nunca. Ela usava um vestido branco, sem alças, com um laço na cintura e flores douradas no busto, sandálias de tiras também douradas e brincos de flores. Seus cabelos loiros estavam em cachos, caindo pelos ombros nus.
– E então? O que vai fazer? – Tom perguntou rindo da expressão de Bill – Vai falar com ela ou vai fugir a noite inteira?
– Não faço ideia – Bill disse sem fala, apenas a observando ao longe e tentando desviar sua visão das pessoas que passavam na frente dela.
– Se eu fosse você, aproveitaria agora que Gustav está tentando comprar um lanche. As chances de algo sair ruim e você levar um soco vão ser menores, mas não evitáveis. Mas acho que tudo vai acabar bem no final – Tom sorriu marotamente.
– Por quê?
– Por que você não é como eu, não vai dispensá-la na maior cara de pau. Além de que você também gosta dela e é melhor ir rápido antes que o garoto da tenda consiga conquistá-la.
Tom deu um tapinha nas costas de Bill e sumiu pela multidão antes que ele pudesse dizer algo contra. Gustav ainda estava na fila de uma das tendas com Georg, tentando comprar alguma coisa para comer, ou seja, Bill estava livre para fazer o que bem entendesse. Agora que estava tão perto dela, sua coragem havia se esvaído rapidamente e ele pensou seriamente na possibilidade de tentar se esconder dela.
Mas não pode fazer isso, não por que achava que não era o certo e sim por que ela o havia visto. A expressão sorridente dela havia sumido e ela parecia realmente surpresa de vê-lo, ficando totalmente rubra quando ambos os olhares se encontraram.
Bill tentou se acalmar, não podia ficar nervoso logo agora. Ele teria que falar algo para ela, teria que se explicar mesmo não sabendo como. Então, tirando uma coragem de lá sabe onde, desceu a rua até ir ao encontro dela, com uma pontada temerosa de que ela fugisse novamente dele.
– Olá, Biene – Bill disse com a voz rouca tentando não ficar vermelho – Eu... eu preciso...
– Ah! Você é o cara que veio perguntar sobre a família Gietzen – exclamou o rapaz do mercado – Falei para ele procurar você, Biene, se quisesse souber algo.
– Nós já nos conhecemos – ela disse virando o rosto para responder o rapaz, mas na verdade ela estava tentando esconder o embaraço – Estamos procurando saber um pouco mais sobre o passado da cidade.
– Ótimo, eu também gosto desse negócio sobre o passado e tudo mais – o rapaz disse lançando um olhar para Bill que significava “É bom você não dizer algo contra”. Bill se segurou para não rir, afinal se lembrava muito bem que o garoto não gostava nem um pouco de história – Falando nisso, sou Lars.
– Eu sou o Bill, estou passando um tempo na cidade.
– Você não me é estranho –Lars disse pensativo – Você me lembra alguém.
– Nós conversamos depois, Lars – Biene disse apressadamente – Tenho que mostrar para Bill alguns artefatos históricos que a Prefeitura deixou no mostruário hoje.
Antes que Lars pudesse dizer algo mais, Biene pegou Bill pelo braço e puxou ele de lá o mais rápido possível, para que pudessem se misturar na multidão. Os dois estavam realmente temerosos, por pouco todo o Tokio Hotel poderia ser descoberto, eles tinham que ser mais cuidadosos.
– Obrigada – Bill disse quando eles finalmente pararam – Eu fiquei petrificado, não saberia o que fazer se ele nos descobrisse.
– Não foi nada demais – ela disse dando de ombros – Espero que Lars não descubra nada, mas mesmo que isso aconteça, vou tentar falar com ele. Vai ficar tudo bem, você vai ver.
Ela não estava brava com ele. Isso foi um alívio, afinal se ela estava tentando ajudar, quer dizer que Biene se importava com ele, ou talvez apenas se preocupasse se Gustav iria ficar bem. Mas Bill não podia simplesmente fingir que nada havia acontecido, ainda mais quando estava sob aqueles olhos inquisidores que procuravam respostas.
– Me desculpe – ele disse simplesmente, antes que ela perguntasse o porquê daquilo, ele prosseguiu – Por tê-la beijado daquela maneira, eu estava meio fora de mim e espero que você não pense que sou um aproveitador ou algo do tipo e...
– Tudo bem – ela disse ficando rubra novamente – Não foi nada demais, quero dizer... isso não foi o que eu quis dizer realmente, é mais como um sem problemas. Espero que tudo volte ao normal, só isso.
– Então está tudo resolvido? – Bill exclamou aliviado – Eu realmente não dormi bem, pensando no que eu poderia falar para você, fiquei com medo de que estivesse brava comigo.
– Por que eu ficaria? Sei que gosto de passado, mas não sou uma daquelas garotas do século passado que para ter seu primeiro beijo, precisava se casar. Está tudo bem, não estou falando isso só por falar – Biene disse olhando para trás, aonde havia várias pessoas dançando juntas, ao som de uma música que acabara de começar – Mas em troca, você poderia dançar comigo.
– Dançar? Eu não sei dançar – Bill disse engolindo seco.
– Todos sabem dançar – ela disse rindo e revirando os olhos – apenas balance o corpo de um lado para o outro, não é tão difícil assim.
Bill assentiu, ficando sem-graça quando se aproximou para passar seu braço em volta da cintura fina dela e com o outro braço, segurou firmemente a mão dela na sua. Biene encostou seu rosto no pescoço dele, fazendo-o sentir sua respiração lenta e profunda, enquanto seu coração batia tão rápido quanto o dele. A sensação era tão diferente e muito mais viva do que suas visões, pela primeira vez que viera para Aach, Bill não estava vivendo de passado, afinal o presente lhe parecia muito mais atraente.
E quem estava na sua cabeça naquele momento, não se tratava de Johanna, e sim aquela que também estava em seus braços.

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30 Utopia em Ter Abr 02, 2013 1:42 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 26 – A Escolhida

– William, os convidados já estão chegando – disse uma voz rouca batendo na porta de seu quarto. Seu pai odiava quando ele se atrasava, mas é que a vontade de sair do seu quarto era mínima.
Tudo parecia tão diferente agora, ele não tinha mais aquela vontade de antes, de ir à festa e participar daquelas conversas fúteis da alta sociedade. Hoje era o aniversário da cidade e a Casa dos Baumgärtner abrigaria as pessoas mais ricas para um grande banquete. A classe mais baixa se divertiria com os bailes que o prefeito mandara fazer para essa data especial.
– Já estou indo – Will disse de maneira seca. Olhando para o seu reflexo no espelho do quarto. Seus cabelos pretos estavam presos em um rabo-de-cavalo impecável e combinavam perfeitamente com suas vestes negras ricas em detalhes, com o símbolo da família nos botões de ouro.
Patético, pensou ele. Não só por causa de sua roupa, mas por que o pai parecia realmente animado. Will tinha certeza absoluta que hoje saberia com que maldita mulher iria se casar, ainda mais quando seu pai comprara vestes totalmente novas para ele.
Depois de o pai bater mais umas cinco vezes para Will sair, o rapaz finalmente abriu a porta, encarando seu próprio reflexo mais envelhecido. Ambos os olhos negros e cortantes se encontraram e nenhum baixou a guarda, por que isso significava medo e um Baumgärtner não tinha medo.
– Vamos descer nesse instante, já tem convidados chegando, você tem que estar lá para recebê-los como um bom anfitrião – disse o Senhor Baumgärtner colocando a mão no ombro do filho e o encaminhando para as escadas, de onde se podia ouvir uma sinfonia, vindo do salão de festas.
– Já vai me apresentar minha futura noiva ou vou ter mais alguns minutos para desfrutar da minha liberdade?
– Não seja insolente, William! Sua noiva é a melhor que achei, é bonita, educada, vem de boa família e está preparada para honrar o nome de nossa família. Quando você descobrir quem é, com certeza vai aprovar minha escolha.
Will não ia aprovar, sabia bem disso. Por que a única escolha que prontamente aceitaria, seu pai nunca iria aceitar. Seu pai seria capaz de matá-lo com as próprias mãos se descobrisse que seu filho andava saindo com uma prostituta, ainda mais de dia, quando poderia manchar sua reputação na frente de todos. Mas Johanna não era de fato uma meretriz, mas também não era de família rica, o que já implicava bastante.
– Que seja – Will disse abrindo a porta que dava para o salão de festas.
Apesar de a festa ter começado há uns dez minutos, o lugar já estava bastante cheio, com várias pessoas que Will reconhecia por serem barões e baronesas, viscondes e viscondessas, conde e condessas e outras pessoas da alta sociedade que não tinham títulos, mas tinham muito dinheiro. Quando eles viram os Baumgärtner, todos se apressaram para cumprimentá-los, elogiando a festa.
– William, você está um moço tão lindo! – exclamou a condessa quando o viu. Por mais que ela fosse uns dez anos mais velha que ele, Will já havia tido um caso com ela as escondidas, por que depois que sua mãe morrera, ele desandara um pouco.
– Obrigado, fico encantado de vê-la novamente – ele disse secamente, talvez de um jeito meio inesperado para ela, já que pensava que Will iria recebê-la de braços abertos como costumava fazer – E o Senhor também, como vai Conde Kroeger?
– Bem, bem, os negócios também vão bem – ele disse com seus quase oitenta anos, já estava bastante gaga – e que festa linda, Heinrich!
– Sou William, não o Heinrich, ele está na Hungria, viajando. Lembra? – Will disse com uma raiva crescente dentro de si.
– Ah, claro... menino bom ele, atirava muito bem, mas era um capeta também – o velho disse pensativo, se afastando para pegar uma taça de vinho que um empregado servia.
Will aproveitou para fugir deles, afinal não estava a fim de ouvir sobre seu irmão e nem para ser seduzido pela Condessa Kroeger. Mas ele não teve sorte, por que logo mais pessoas queriam falar com ele, todos querendo contar um pouco sobre sua maravilhosa vida e também aproveitar para puxar o saco de Will, como se ele não percebesse essa intenção.
– Boa noite, Senhor Baumgärtner – disse Gustaf aparecendo do nada, cauteloso. Por mais que ele não viesse de família rica, Will decidira convidá-lo, afinal ele era um bom funcionário – Obrigado por me convidar para festa e... queira me desculpar, acabei trazendo minha irmã, sei o que senhor não gosta nem um pouco dela, mas...
Quando ouviu isso, Will realmente começou a se arrepender de ter convidado Gustaf, afinal uma meretriz na casa dos Baumgärtner era o maior ultraje que poderia existir. Mas ele não conseguiu dar um sermão nele, não quando há alguns metros dali, Johanna o estava encarando, em um vestido rosa com a saia branca de renda e um cardigã vinho para cobrir seus ombros nus. Quem a visse daquela maneira, nunca pensaria que era uma meretriz e sim a filha de alguém da alta sociedade.
– Está tudo bem – Will disse, proferindo as palavras que nunca em mil anos Gustaf esperaria ouvir – Apenas aproveitem a festa... mas me diga, qual é o nome de sua irmã?
– Johanna, senhor, Johanna Schmidt. Juro que ela não lhe causará problemas, vamos ser os mais cautelosos possíveis – Gustaf disse temeroso, ele não queria causar nenhum problema ao seu chefe, principalmente se isso automaticamente o fizesse despedi-lo.
– Não me importo, Schmidt. Já falei para aproveitarem a festa.
Gustaf apenas concordou e saiu dali antes que seu chefe mudasse de ideia. Mas Will apenas ficou parado, olhando para Johanna que acompanhava Gustaf para o meio do salão de festas. Era a coisa mais irônica que já havia acontecido, o tempo todo Johanna era irmã do seu secretário, aquela que ele havia criticado e agora estava totalmente encantado. Talvez agora ele não achasse mais aquela festa uma besteira, Will iria encontrar uma maneira para se deparar a garota sem ficar sob a mira de todas aquelas pessoas.
– William – disse seu pai, o fazendo se virar, para poder fitá-lo – Quero lhe apresentar Meredith Gottwald, ela é a filha do prefeito e estava estudando um tempo em um convento, mas agora está de volta a cidade.
Então era ela, a garota que seu pai havia escolhido para ser sua noiva. Talvez há alguns dias, Will com certeza aprovaria a escolha do pai, mas agora no que menos pensava era em casamento. Meredith Gottwald com certeza era uma das mulheres mais bonitas que já vira, tinha os cabelos muito loiros, em cachos espessos e olhos azuis que lhe davam um ar de boneca. Usava um vestido prateado e que aparentava ser muito caro.
– Prazer em conhecê-la, Senhorita Gottwald – Will disse pegando a mão dela gentilmente e beijando – Bom saber que está de volta.
– Obrigada, Senhor Baumgärtner, agradeço por ter me convidado para sua magnífica festa. Já ouvi falar muito bem do Senhor, mesmo não o tendo conhecido antes já que estudei fora, como seu pai disse.
– A Senhorita Gottwald tem uma ótima formação religiosa – disse o pai de Will, elogiando mais a garota do que elogiando o seu próprio filho – foi educada muito bem, além de ser uma moça muito aprendada.
– Sério? Pena que nunca fomos ligados a religião, o que é uma pena, afinal vou me sentir absurdamente tolo perto de uma garota tão... aprendada – Will disse sem conter o sarcasmo, fazendo seu pai ficar vermelho de raiva enquanto Meredith tentava compreender o que se passava.
– Então, nos sentiremos na mesma – ela disse com seus olhos azuis brilhando de astúcia – Afinal me sentirei absurdamente tola quando o senhor falar sobre contabilidade. Os números e eu nunca fomos muito familiarizados. Mas acho que com o tempo poderemos aprender muito um com o outro.
Ela já sabia. Até ela já sabia antes dele com quem estava prometida. E talvez já fora até avisada sobre o gênio forte de Will, ela não iria deixar ser ridicularizada por ele, muito menos que fosse descartada como noiva. E seu pai havia escolhido a filha do prefeito como desculpa para Will não acabar com sua reputação por causa de um capricho.
– Com certeza – Will disse cautelosamente, não sabendo como agir e olhando para o pai, procurando respostas.
– Sim, ela é sua futura noiva, William – seu pai disse fazendo Meredith sorrir com seus lábios rosados em uma expressão vitoriosa – Foi escolhida a dedo e tenho orgulho de dizer que ela será uma ótima Baumgärtner, a nova Duquesa de Aach.


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31 Utopia em Ter Abr 02, 2013 1:44 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 27 - O Mausoléu

– Está se sentindo bem, Bill? – Biene perguntou quando Bill vacilara um pouco enquanto dançavam.
– Eu estou ótimo – Bill disse voltando a si quando a visão passara.
A Duquesa de Aach. Será que a visão acabara mesmo, ou Biene realmente parecia muito com Meredith Gottwald? Ambas tinham os cabelos da mesma cor loira e os olhos do mesmo azul intenso, até as feições de ambas se lembravam muito. Mas por que sentira então uma enorme aversão a Meredith se com Biene se sentia tão bem?
– Melhor pararmos um pouco – Biene disse o puxando para longe da pista de dança – Vamos beber algo.
Pelo visto ela não acreditara nem um pouco nele. Nem ele estava acreditando em si mesmo. Tudo estava tão bem, por que aquelas visões voltaram novamente? Ainda mais quando a deixou pela metade, sem saber o que aconteceria logo em seguida. Bill não fazia ideia de quem era Meredith Gottwald e por que diabos ela se parecia muito com Biene.
– Aqui está – Biene estendeu uma lata de coca-cola gelada para Bill, enquanto este estava sentando em um banco, olhando o movimento de pessoas – Você vai se sentir melhor.
– Obrigado – ele disse envergonhado, pegando a coca-cola e tomando um gole do líquido gelado que lhe queimou a garganta.
– Você tem algum problema? Não realmente um problema, algo mais como uma esquizofrenia? – ela perguntou temerosa, não pela resposta, mas por ter medo apenas de perguntar. Bill se engasgou com a coca-cola quando ouviu o que ela disse – Desculpa! Eu não queria te deixar constrangido!
– Não, eu não tenho. Não que eu saiba – Bill disse finalmente conseguindo falar – Por que pergunta isso? Você acha que sou louco?
– Não, claro que não! É que aquele dia que você me beijou, não parecia você e hoje, enquanto nós dançávamos, eu percebi a mesma coisa. Você que devia me achar maluca, não o contrário. Talvez eu esteja viajando demais.
– Na verdade acho que você está certa, ando meio estranho – Bill disse, suspirando. Ele não via a hora dessas visões acabarem e ele finalmente se livrar delas, aquilo andava lhe trazendo confusões demais – Mas não é nada demais, não precisa me mandar para o hospício.
– Se eu mandar você, terei que ir junto, não sou nada normal também – ela disse rindo, fazendo algumas mechas do seu cabelo caírem em seu rosto.
Bill ficou tentado em tirá-los dali, então passou seus dedos pelo rosto dela, levando os fios dourados de seu cabelo para que não escondessem seus olhos azuis. Ela corou ao sentir o contato dos dedos dele em sua maçã do rosto.
– Biene! – exclamou uma voz gutural, bastante conhecida, fazendo os dois pularem do banco – Eu te procurei em tudo que é lugar!
Tratava-se de Eleazar, que veio na direção deles, vestindo um longo casaco enquanto seu olhar pairava sobre os dois. Bill realmente ficou meio tenso quando sentiu um olhar rabugento vindo do velho para ele.
– Estão te chamando na prefeitura, querem que você explique alguns dos grandes acontecimentos da cidade.
– Ah, tudo bem – ela disse se levantando – Bill, venha comigo. Você não quer saber mais sobre a história local também?
– Claro! – Bill disse assentindo e se levantando também para acompanhá-la.
– É bom você ter boas intenções com a minha neta, ou eu mesmo degolo seu pescoço – disse Eleazar puxando o braço de Bill para um canto para que só ele pudesse ouvir enquanto Biene andava calmamente sem perceber nada.
– Não, Senhor – Bill disse engolindo seco – Não tenho nenhuma intenção com ela!
– Bom saber – Eleazar disse, largando o braço dele, enquanto este tentava alcançar Biene que nem ao menos notara o pequeno burburinho que se formara.
A prefeitura ficava no centro da cidade e muito perto de onde estavam. O lugar não era enorme, mas muito bem cuidado, mesmo aparentando ser muito velho. Não tinha muitas pessoas ali, as poucas que tinham ficavam analisando os diversos objetos que tinham em caixas de vidros. Havia também muitas fotos antigas nas paredes e documentos históricos a mostra para quem quisesse ver.
Enquanto Biene foi falar com o prefeito, Bill decidiu dar uma olhada na exposição, tentando achar qualquer coisa que fosse significativa. A maioria se tratava de objetos antigos como relógios e até joias que pareciam ser muito caras, mas que sua beleza havia se perdido um pouco com o tempo.
Então passou seu olhar pelos documentos e fotografias na parede, tentando localizar alguém conhecido, mas a maioria das fotografias era datada apenas a partir do século XX. Mas havia um documento que chamou a sua atenção, constava o nome de todos os prefeitos que já tiveram em Aach. Sem muito esforço, logo achou Lutz Gottwald, que devia ser o pai de Meredith, mas não havia mais nenhuma informação sobre eles.
– Desculpe incomodar – disse Bill indo até o prefeito e atrapalhando a conversa dele com Biene – O Senhor sabe se tem mais alguma informação sobre a família Gottwald? Um deles foi o prefeito da cidade, Lutz Gottwald.
– Bem... que eu saiba não tem mais uma família Gottwald por aqui, todos migraram para outras cidades. Mas acho que deve ter algo sobre o prefeito nos arquivos.
– Eu poderia dar uma olhada? – Bill perguntou temeroso que a resposta fosse não.
– O Bill e eu estamos tentando saber um pouco mais sobre a história da cidade – Biene interveio, afinal ela bem sabia que o prefeito nunca deixaria um desconhecido dar uma olhada nos arquivos se não tivesse um motivo – Ele faz faculdade de história e está preparando uma tese.
– Ah, sim... isso explica o estilo dele, vocês historiadores são sempre meio esquisitos – o prefeito disse olhando de Biene para Bill, analisando ambos – tudo bem, vocês dois podem dar uma olhada, só não baguncem.
Bill estava totalmente agradecido pelo que Biene fizera, só não saberia como se explicar caso ela perguntasse por que ele tinha tanto interesse agora nos Gottwald. O prefeito os levou nos fundos da prefeitura, onde ficavam várias caixas cheias de documentos antigos e talvez nem tão importantes. No começo ele ficou olhando os dois, enquanto procuravam algo nos arquivos, mas logo percebendo que aquilo era tedioso demais, ele saiu.
– Você vai me explicar por que está procurando algo sobre os Gottwald? Ou vai manter mistério como você anda fazendo – Biene disse enquanto olhava uns documentos em uma caixa enorme.
– Eles têm ligação com os Baumgärtner – Bill disse simplesmente – E os Schmidt também, se encontrar algo sobre eles, me avise.
– Como pode saber? – ela perguntou atônita – Eu já procurei muitas coisas sobre os Baumgärtner e nunca achei nada demais sobre eles.
– Eu não sei explicar como eu sei, apenas acredite, tudo bem? Talvez conseguiremos achar algo sobre eles, se procurarmos através de outras famílias daquela época.
Biene apenas assentiu, ainda bastante confusa. Os dois ficaram horas ali, procurando algo que fosse importante, até que Bill achou algumas páginas que falavam sobre Lutz Gottwald, a maioria não era importante, apenas falava dele. “... ele teve três filhos Ludwig, Solomon e Meredith (...) a última filha acabou se casando com Heinrich Baumgärtner e morreu sete anos depois deixando um filho órfão”.
Isso era totalmente estranho. Meredith fora prometida a William e não a Heinrich, será que ouve algum engano? Ou realmente os dois acabaram não se casando? Não havia mais nada se referindo a ela, a não ser a sua morte precoce e nada que se referisse a William.
– Achou algo? – Biene disse, aparecendo atrás dele para analisar o documento que Bill lia.
– Sim, a filha de Lutz, Meredith Gottwald acabou se casando com Heinrich Baumgärtner. Não há mais nada, só consegui achar isso.
– E eu achei que os Schmidt migraram para Munique, também não há mais famílias por aqui. Então, basicamente, estamos na estaca zero, sem mais informações.
– Deve ter mais algo sobre eles, alguma árvore genealógica, qualquer coisa! Alguma coisa que mostre que pelo menos eles existiram mesmo, que tudo não é fruto da imaginação.
– Tem o mausoléu deles no cemitério – Biene disse agora se lembrando – É enorme, acho que abriga toda a família Baumgärtner, o problema é que precisa entrar para conseguir descobrir o nome dos que estão sepultados lá. Mas a porta é de ferro, pois naquela época e até nos dias de hoje, pode haver saqueadores de túmulos. É impossível praticamente entrar sem uma chave.
– Eu vou descobrir onde está – Bill disse decidido – Não sei como, mas eu vou.

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32 Utopia em Ter Abr 09, 2013 4:13 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 28 - Dois Corações

– O que achou de sua noiva? – perguntou o Senhor Baumgärtner para Will – Não achou que é uma boa escolha?
– Não entendo por que tenho que casar tão cedo sendo que Heinrich ainda nem casou.
– Você sabe que terá que ficar aqui, cuidando dos negócios da família. Terá que casar, constituir uma família que honre o nosso nome, por que não compreende isso?
– Por que não é o que eu quero! Por que eu queria ser como Heinrich, poder ir embora daqui para outro país onde não preciso ficar participando dessas festas onde as pessoas na sua frente te tratam bem, mas nas suas costas são as primeiras a te apunhalarem.
– Mas você não é Heinrich, quando vai aprender a não viver à sombra do seu irmão? William, você vai se casar com Meredith Gottwald e vamos anunciar o noivado hoje à noite. Se quiser honrar sua família, faça o que eu mando, que é o melhor para todos.
O Senhor Baumgärtner se afastou furioso, enquanto Will apenas ficou parado, sabendo que não poderia fazer nada quanto ao seu futuro. Ele estava preso naquele lugar para sempre, mesmo sabendo que um dos seus sonhos era viajar pelo mundo, sem dar satisfação a ninguém.
– Boa sorte, acho que vai precisar – disse uma voz atrás de si, Will se virou e viu que se tratava de Johanna – Deve ser tão difícil ser da alta sociedade, não é mesmo? Enquanto uns não querem casar outras pessoas dependem de um casamento, como se fosse à única mudança de vida que pudesse agarrar.
– Não é difícil ser da alta sociedade, o difícil é aceitar certos fatos. Temos muitas responsabilidades e famílias a honrar – Will disse enojado ao falar isso.
– Pensei que o mais importante para você era honrar sua família e ter uma reputação. Foi o que você me disse na primeira vez que nos vimos.
– Eu também pensava, mas o que adianta tudo isso, afinal? Heinrich, por exemplo, está na Hungria, mas vai saber o que está fazendo? Talvez nem esteja mesmo na faculdade e meu pai pensa que está formando um grande filho. Não duvido nada, afinal meu irmão nunca foi muito dedicado.
– Talvez seja por isso que seu pai o manteve perto dele, ele sabe que você é o único que pode cuidar dos negócios da família. Se Heinrich era um problema, então está explicado por que ele foi mandado para longe.
– Então eu deveria ter desandado um pouco mais, talvez eu tivesse a chance de ser mandado para longe. Mas acho que não valeria à pena, eu não teria te conhecido e isso foi uma grande mudança para mim – Will disse lançando um sorriso maroto para ela, a deixando rubra.
– Se você não se recorda, Senhor Baumgärtner, eu posso te fazer lembrar como meu tapa dói. Por que não deixa seus caprichos de lado e segue com sua vida, em vez de ficar atormentando a minha?
– Atormentando a sua? – ele disse rindo – Você que veio falar comigo, se você não se recorda, minha cara. Não é a minha culpa se você gostou do beijo que lhe dei aquele dia e não é a minha culpa se você se recorda sempre do meu rosto quando está prestes a dormir.
– Como pode saber isso? – ela disse caminhando até ele com raiva, segurando um leque em suas mãos em posição de ataque. Ninguém percebera o burburinho que acontecia no corredor do Salão de Festas, estavam tão preocupados com seus próprios interesses que não se deram conta – Como ousa dizer isso? Você não me conhece para alegar isso sobre mim!
– Como eu sei? Por que é o que está acontecendo comigo e tenho certeza que é o mesmo que se passa com você, se não, não estaria nessa festa hoje. Por que você odeia a alta sociedade por não participar dela e agora está no meio deles.
– Eu preciso me certificar que Gustaf não seja corrompido por você, apesar do modo cruel que você o trata, ainda assim ele o admira. Por um momento eu também pensei que você poderia ser diferente do que falavam sobre você, mas eu estava errada, você é exatamente como dizem.
– E o que dizem sobre mim, então?
– Que você é um sem coração, um hipócrita, que se acha superior aos outros e que pisa nas pessoas como se elas fossem vermes, que não se importa com ninguém além de si mesmo e do seu bem estar. Honrar sua família? Você quer apenas honrar a si mesmo com seu poder.
– Então o dinheiro que lhe dei pelo quadro mostra o quanto eu não importo com ninguém além de mim mesmo? Ou estou errado que esse vestido você comprou com meu dinheiro? – Will disse vitoriosamente quando a viu vacilar – Johanna, se você quer me machucar, precisa de muito mais. Só não entendo por que tenta ser tão cruel comigo, quando na verdade quer ser o contrário.
– Hipócrita! – ela exclamou se afastando – Volte para sua maldita festa que eu já vou embora.
Quando ela ia voltar para o salão de festas, Will puxou seu braço para o mais longe possível dali. Apesar de Johanna começar a espernear, ele não soltou o braço dela até que ele não pudesse mais ouvir aquela sinfonia. Ambos ficaram em um corredor vazio, onde não se ouvia nada, além de algumas vozes ao longe.
– Me solta! – Johanna exclamou, puxando o braço – Não toque em mim!
Will soltou o braço dela na mesma hora que ela puxou, a garota acabou vacilando e quase caiu no chão, se ele não tivesse intercedido e a segurado. Ambos sentiam a proximidade um do outro e Johanna teve vontade de fugir novamente, mas Will a segurava firmemente, a impedindo de se movimentar.
– Falei para não me tocar – ela disse com raiva.
Mas ele calou a boca dela quando ouviram passos no corredor, a puxando rapidamente para longe dali, ele abriu a porta de um quarto e fechou logo em seguida, tomando o máximo de cuidado para não ser descoberto. Só soltou Johanna quando não se ouviu mais nenhum barulho no corredor.
– Se pegarem você comigo, nós dois estaremos em maus apuros – ela disse tentando abrir a porta.
– Não me importo – Will disse segurando a mão dela – Não dou a mínima para o que eles vão pensar. Apenas fique aqui comigo, vamos ficar longe daquela maldita festa, como você disse.
Johanna parou, encarando-o perplexamente. Ela não compreendia o porquê da mudança repentina dele, não parecia mais a mesma pessoa que conhecera no primeiro dia. Will apenas passou seu braço em volta da cintura dela, para ela ficar mais próxima dele enquanto ele beijava aqueles lábios novamente. Com mãos hábeis, Will tirou o cardigã dela para poder olhar para aqueles ombros nus novamente, enquanto descia os beijos dele pelo pescoço dela.
– Não podemos – ela sibilou, tentando o afastar.
– Por que não? Eu te amo Johanna, você não sente o mesmo por mim?
– Você me ama? – ela perguntou incrédula – como você pode me amar? Eu sou uma meretriz e você um duque.
– E o que importa títulos que nos dão? Não quero saber de reputação hoje, não quero que ninguém me imponha coisas que não quero fazer! Não quero ficar naquela festa ao lado de Meredith Gottwald, quero ficar ao seu lado.
Então sem esperar uma resposta dela, ele voltou a beijar e dessa vez foi correspondido. Ele arrancou seu casaco sem ao menos tirar seus lábios do dela, enquanto as pequenas mãos dela ficaram espalmadas sobre o peito de Will, sentindo as batidas de seu coração abaixo dos seus dedos. Ele a amava. Foi o que ele dissera, mas será que era verdade? Johanna não fazia ideia do que pensar e sentir, mas ali, nos braços dele, parecia que nada mais importava.
Dedilhando suas costas, Will começou a desamarrar o espartilho, descendo seus lábios pelo pescoço de Johanna até chegar ao seu colo enquanto ela segurava os cabelos negros dele firmemente. Ele conseguira finalmente se livrar do espartilho, a deixando nua da cintura para cima, onde ele tomou com suas mãos seus seios.
Will deitou Johanna cuidadosamente na cama macia e puxou a armação de metal da saia ao mesmo tempo em que retirava sua camisa bem passada, a deixando no chão sem se importar um momento sequer. Seus lábios envolveram um dos mamilos dela com sua língua tenra, a fazendo gemer com seus toques ardentes e voltou aos lábios dela logo em seguida, a fazendo cravar suas unhas em suas costas.
Finalmente Will conseguiu se livrar de suas calças, segurou firmemente as coxas de Johanna, analisando com desejo cada parte do corpo dela, desde sua pele alva até seus olhos acinzentados que brilhavam como brasas. Ele a penetrou cuidadosamente, pois havia a barreira da virgindade dela, deixando o caminho mais estreito.
Johanna gemeu de dor, fazendo Will se preocupar se não estava a machucando, mas quando a expressão de dor foi tomada pelo êxtase, deixando as faces dela mais corada, ele não hesitou mais a preenchendo com sua paixão proibida e avassaladora. Quando finalmente terminou, Will deitou seu corpo sobre o dela, ambos ofegantes e os corpos cobertos de suor.
– Nós vamos fugir daqui, Johanna – ele sussurrou no ouvido dela – Você não vai ser uma meretriz e não vou ser obrigado a ficar aqui para sempre. Não vou deixar que a olhem com maus olhos novamente.
Lágrimas começaram a rolar pelos olhos dela, lágrimas de dor que ela nunca havia chorado antes. Ela aprendera a engolir as lágrimas com o passar do tempo, ela sofrera tanto e parecia que esse sofrimento nunca iria acabar. Mas agora nos braços dele, com as palavras de amor que nunca ouvira, ela precisava chorar, apenas para se sentir mais humana.
– Vai ficar tudo bem – ele disse beijando os lábios dela novamente enquanto ela o envolvia.


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33 Utopia em Ter Abr 09, 2013 4:15 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 29 - A Chave

Bill parou o carro com tudo há uns metros de se chocar com a mansão. Sua mente estava totalmente confusa, ele nem conseguia enxergar direito, como se tivesse bebido litros de álcool. Suas mãos seguravam firmemente o volante enquanto um suor frio descia pela sua testa.
– Você não está bem, o que está acontecendo? – Biene perguntou ainda se recuperando do susto.
– Está tudo bem, é sério – Bill disse soltando as mãos do volante e respirando fundo. Uma onda de felicidade bombeava dentro de si, mas também lhe dava náuseas ao mesmo tempo – Eu sei onde está a chave do mausoléu.
– Você sabe? Como?
Mas Bill não disse, não por que não ouvira a pergunta, apenas não sabia como deveria respondê-la. Ele saiu do carro e logo Biene veio atrás, o seguindo até a enorme mansão que estava solitária, sem ninguém dentro além deles. O lugar estava tremendamente escuro, e só depois de muito esforço, Bill conseguiu achar o interruptor.
Sem hesitar nenhum momento, ele subiu as escadas do Hall de entrada e começou a perscrutar pelos corredores até achar o quarto que procurava. Havia tantas portas que por um momento pensou que levaria séculos até ele achar o lugar certo, mas graças às visões, conseguiu se localizar e abriu a porta certa.
Era o quarto onde Johanna e William tiveram sua primeira noite, também era o quarto da mãe de Will antes de ela ter morrido. Aquele lugar fora uma espécie de santuário tanto para os filhos quanto para o pai, talvez por isso que a primeira noite de amor de ambos acontecera naquele lugar.
– Está aqui a chave? – Biene perguntou quando adentrou o quarto.
– Sim – Bill disse atravessando o quarto, indo até a cama gigantesca de dossel, onde acima dela tinha mais um símbolo dos Baumgärtner – Acho que está aqui, talvez os símbolos não são apenas para enfeitar, como também para esconder objetos importantes para a família.
– Não consigo entender como consegue saber de tudo isso – Biene disse pasmada, indo até a ponta da cama, onde podia olhar melhor o símbolo.
– Eu não posso explicar, não ainda – Bill disse tentando retirar o símbolo com todo cuidado, mas este não saia.
Então desceu as escadas rapidamente até chegar à cozinha, onde começou a procurar por alguma faca nas gavetas, por fim acabou achando um canivete enferrujado que poderia ajudar. Voltou para o quarto com o coração palpitando de ansiedade, se ele conseguisse aquela chave e pudesse entrar no mausoléu, que tipo de coisas descobriria?
Por fim, conseguiu arrancar o símbolo redondo com o B dos Baumgärtner, a tampa caiu no chão, girando até parar estatelada no assoalho. Havia um buraco na parede, Bill enfiou sua mão dentro, tateando por algo, até achar um tecido que parecia ser veludo. Ele pegou o pacote avermelhado e cheio de mofo e quando desdobrou aquele emaranhado de tecidos, no meio havia uma chave grande e enferrujada.
– Você conseguiu! – Biene disse olhando abobada para a chave – Não acredito que tudo que eu mais queria está virando realidade, parece até um sonho. Agora vamos poder entrar no Mausoléu.
– Então vamos agora, não podemos perder tempo – Bill disse saindo de cima da cama e pegando a tampa no chão, para poder tampar o buraco que estava na parede.
– Não sei nem como te agradecer, pensei que nunca conseguiria achar a chave e você conseguiu!
– Não foi nada demais – Bill disse pegando a mão de Biene e a levando para fora do quarto, agora o principal objetivo era ir até o Mausoléu e tentar descobrir mais sobre os passados dos Baumgärtner.
Os dois voltaram para o carro, mas não sem antes pegarem duas lanternas que havia em um dos armários da cozinha. Era quase meia-noite e eles precisavam ser os mais rápidos possíveis, além de que iriam precisar pular o muro já que o cemitério estava fechado.
– Será que não há perigo de ter assaltantes de túmulos aqui? – Bill perguntou, olhando para o portão de ferro do cemitério, devidamente trancado com grossas correntes de ferro.
– Acho que não existe mais em Aach, além de que os túmulos não são grande coisa, a maioria é bastante velho e nem tem nada precioso.
– Tudo bem, agora eu quero ver como vamos pular o portão ou o muro.
– Me siga – Biene disse, caminhando para o lado direito que contornava o cemitério – Tem um muro que é tão velho que já está quase totalmente caindo, a igreja está tentando juntar dinheiro para concertá-lo.
O muro estava como Biene dissera, ele praticamente estava despencado em um canto tomado pelo mato crescido, não precisou de muito esforço para passar por ele, logo os dois já estavam dentro do cemitério. Parecia que aquele lugar era mais frio e havia um vento que fazia as folhas farfalharem de um modo bastante sombrio. Em uma parte do cemitério havia apenas lápides, depois que começaram a se construir túmulos.
– Está vendo ali? – Biene perguntou, apontando para uma construção grande ao longe – É lá o Mausoléu, vai ser uma boa caminhada até chegarmos lá.
Sem esperar nem um segundo, eles puseram-se a caminhar o mais rápido possível, já que o local não era nem um pouco agradável. Não havia mais nenhuma pessoa por perto além de criaturas noturnas como gatos, grilos e corujas que soltavam seu pio de arrepiar a espinha. Logo eles chegaram ao Mausoléu, ele era grande o suficiente para abrigar muitos mortos e era feito com muitos detalhes, principalmente o símbolo predominante da família. Mas ele estava bastante velho, muitas partes estavam meio lascadas e ele tinha uma cor cinzenta.
– “Nem que os rios sequem, nem que o sol flamejante se apague, sempre pertenceremos ao nosso lugar” – Biene leu a frase que estava no alto da construção, quase apagada – Incrível, não é mesmo?
– Espero que dentro tenha alguma coisa importante e que não encontremos nada... horripilante – Bill disse engolindo seco – Vamos lá, então.
Bill caminhou até o enorme portão de ferro enferrujado, localizou o buraco da fechadura e introduziu a chave com cuidado, a girando até ouvir um barulho dentro que significava que a porta estava aberta. Um arrepio passou por sua pele, quem sabe que coisas descobririam? O que podia ter de tão importante ali? Talvez agora mesmo ele descobrisse o porquê de tantas visões.
Com ajuda de Biene, ambos empurraram a porta até que ela se abrisse o bastante para que eles conseguissem entrar. Graças aos céus os mortos estavam tão bem enterrados que não havia nenhum cheiro de putrefação. Ligando as lanternas, eles se encontraram em uma câmera enorme, feita de lajotas de pedra com tochas presas as paredes, mas sem chamas. Havia também uma bancada onde se viam diversos artefatos, desde livros, pergaminhos a tapeçarias enormes e pedaços de pele de animal que pareciam ter servido de cobertor em alguma época do passado. Também havia algumas caixas que deviam conter os mais inúmeros objetos.
Os dois correram até a bancada, para ver se havia algo de importante, os livros que havia ali não eram nem antigos, pareciam ser de publicação recente, mas que tinham a ver com a família Baumgärtner. Muita coisa não parecia ser muito velha, como se não fizesse muito tempo que estivesse ali.
– Alguém já entrou antes de nós aqui – Biene disse de repente – Não foi algo que aconteceu esses dias, deve fazer uns vinte anos mais ou menos, por que muita coisa aqui não está velha. Olha esse livro, ele foi publicado em 1987.
– Hey, Biene – Bill disse se aproximando da tapeçaria que estava presa na parede – Acho que essa é a árvore genealógica que procurávamos.
Bill começou a procurar por ela, desesperadamente, o nome de William Baumgärtner. A família era enorme, tinha diversos nomes ali, a maioria pertencia a homens, era raro ele encontrar algum nome feminino que provinha da família mesmo e não das esposas. Então achou o nome de Heinrich Baumgärtner, mas ao seu lado, onde devia haver o nome de William, havia uma parte queimada, como se alguém tivesse tentado tirar aquele nome dali.
– Não tem um nome aqui – Bill disse apontado para a parte queimada – Por que alguém tentaria tirar o nome dele?
– Acho que ele desonrou a família, não foi uma brincadeira, alguém fez de propósito, talvez os pais dele.
Então ele havia conseguido fugir com Johanna? Por isso que o pai havia ficado furioso e tirou o nome dele? E isso explica também por que Meredith Gottwald se casou com Heinrich. Bill então se voltou para os nomes na parede, de todos que estavam enterrados ali, de todos os nomes que viu, não havia nenhum de William.
– Olha só, o último nome da tapeçaria pertence a uma mulher! Talvez conseguíssemos descobrir algo sobre ela. É uma tal de Lisbeth Baumgärtner.
– Acho que esses livros também vão nos ajudar muito – Bill disse decidindo dar uma folheada.
Então uma ventarola começou a fazer várias folhas voarem, e antes que pudessem fazer alguma coisa a porta do Mausoléu se fechou com tudo, fazendo poeira voar por todo o local.
– Oou – Biene disse tossindo – Estamos ferrados agora.
– Como assim? É só abrir a porta novamente.
– Só tem tranca por fora, ou seja, alguém terá que descobrir a gente para passarmos a chave por baixo da porta de ferro.
– Mas se ninguém nos descobrir? – Bill disse em pânico.
– Bem... vamos morrer.

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34 Utopia em Sex Abr 12, 2013 2:40 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 30 - Estrela de Pedra

– Não precisa se preocupar, alguém vai achar a gente – Biene disse tentando acalmar Bill – Tem uma igreja aqui do lado, além de que sempre tem um jardineiro que cuida do cemitério, se gritarmos de manhã, vão nos achar. Além de que Gustav e os outros vão perceber que sumimos.
– Mas se não nos acharem rápido, podemos morrer – Bill disse tentando ligar para Tom pelo celular – E essa droga está sem sinal!
– Bill, você tem que se acalmar, vai ficar tudo bem. Vão achar nosso carro na frente do cemitério e vão nos procurar aqui.
Bill desistiu de ligar e se sentou no chão, perto da bancada, com as mãos na cabeça. Agora sim ele estava encrencado, estavam presos em um maldito mausoléu antigo com uma porta pesada que só se abre pelo lado de fora. Mas Biene estava certa, vão conseguir achá-los, ele só precisava se acalmar e ser um pouco paciente.
– Depois que sairmos, sempre que nos lembrarmos dessa noite vamos rir – Biene disse se sentando ao lado de Bill – E você vai ter mais uma história a contar, o vocalista do Tokio Hotel, preso em um mausoléu!
– Como consegue ser tão positiva? – Bill perguntou sorrindo levemente.
– Não faço ideia, só sei que se eu ficasse falando “Estamos ferrados, vamos morrer, ninguém vai nos achar” pioraria toda a situação e ficaríamos mais desesperados.
– É, mas não consigo ser tão positivo nesse momento.
– Pelo menos achamos o que procurávamos – Biene disse olhando para os objetos que estavam no mausoléu, com a lanterna ligada, tentando iluminar o máximo que podia – Quando sairmos daqui nós poderemos dar uma bela olhada, vamos descobrir tudo o que queremos.
– Espero que valha a pena...
– Vai valer – Biene disse desligando a luz da lanterna, fazendo o mausoléu ficar escuro, apenas contando com as réstias de luz que vinham por baixo da porta.
Ele sentiu a cabeça dela deitar em seu ombro e era capaz de escutar sua respiração calma e o coração batendo normalmente, em comparação ao dele que batia descompassadamente talvez por causa do medo ou por causa do contato. Por mais que seus batimentos denunciassem o que sentia, Bill conseguiu acalmar sua mente que parecia um turbilhão. De repente tudo estava focado na garota que estava ao seu lado, como se ela conseguisse transmitir o positivismo para ele.
As imagens de sua última visão ainda vinham à tona, por mais tristes e desesperadas que elas parecessem, havia uma esperança para William e Johanna. Talvez descobrir sobre o passado de ambos fosse uma maneira não só de libertá-los, como libertar a si mesmo. Bill passara tanto tempo pensando apenas em sua carreira, que estava se esquecendo da vida que sonhava quando criança, decididamente não era a mesma que tinha agora. Ter uma banda não era tão fácil, mas ele teria que aprender a conciliá-la com sua vida, com a vida que sempre quis ter. E pelo incrível que parecesse, uma parte da vida dele estava também naquele mausoléu.
Suas mãos que estavam apoiadas em seu colo decidiram abandonar este local e envolveram o corpo de Biene, enquanto seu rosto procurava pelo dela. Seus lábios acabaram encontrando o rosto dela, onde beijou suavemente sua maçã do rosto, fazendo-a tremer sob o contato. Quando finalmente ambos os lábios se encontraram, ambos sabiam que não poderiam parar, não agora quando se queriam há bastante tempo e tentaram lutar contra isso.
Sob o chão de pedra do mausoléu, na tapeçaria ricamente bordada, ambos os corpos foram despidos em flashes que se modificavam através dos olhos de Bill. Em um momento, estavam no mausoléu, no outro parecia que estavam sendo transportados para os colchões da mansão dos Baumgärtner, entre os lençóis de linhos com cheiro de lavanda.
Ela era sua Johanna, sempre fora, mas só agora percebia a influência que ela tinha sobre ele. Não importava em que época estavam, quem eles eram ou que sobrenomes traziam, aquele momento era deles, e os poucos minutos valeriam por anos ou até séculos. Tempo já não era mais um problema quando o presente está ao seu favor. Mãos entrelaçadas, lábios unidos e uma confusão de cachos loiros e negros, o presente e o passado nunca tiveram tão unidos para criar um futuro.
Os peitos de ambos subiam e desciam, tentando obter a maior quantidade de oxigênio que podiam. O suor escorria por suas peles, aquecendo-os contra o frio europeu que atingia a cidadezinha naquela madrugada. Biene estava encostada no ombro de Bill, que a envolvia com seus braços, enquanto observavam o teto do mausoléu, com pequenas estrelas incrustadas na abóbada, algumas tão desgastadas que nem poderiam ser chamadas de estrelas.
Aos poucos só se ouvia o cricrilar dos grilos ao longe ou uma coruja piando de vez em quando, Biene dormia calmamente ao seu lado, mas Bill ainda ficou um bom tempo acordado. Ele se sentia vivo como não se sentia há muito tempo, sempre aguardando pelo momento exato que se apaixonaria por alguém, como nos filmes que sempre assistira. Mas aquilo não era mais um filme ou flashes da vida de um artista, era a realidade que atingira a porta com baques fortes. Pela primeira vez desde que chegara a Aach, ele dormiu de verdade, sem memórias o atormentando.

– Bill! Onde você está? – ouviam-se gritos, atravessando a porta do mausoléu.
– Sabine! Sabine!
– É o meu avô! – Biene despertou rapidamente com o susto, fazendo Bill logo em seguida também acordar não só com os gritos de Eleazar como também de Tom, Gustav e Georg.
Ambos começaram a recolher as roupas que estavam jogadas pela tapeçaria e correram em direção à porta, gritando e batendo o mais forte que podiam para chamar atenção dos que estavam do lado de fora. Quando pensaram que ninguém ia ouvi-los, uma sombra passou pelo vão embaixo da porta.
– Biene? Você está aí? – era a voz forte de Eleazar, logo em seguida ele tentou abrir a porta.
– Estamos trancados – Biene disse, pedindo a Bill a chave – Só dá para abrir pelo lado de fora. Vou passar a chave pelo vão.
Biene se abaixou e conseguiu passar a chave por baixo, Eleazar a pegou e em menos de alguns minutos a porta foi aberta. A luz forte fez que os dois apertassem os olhos, estavam tão acostumados com aquela escuridão, que o sol agredia suas pupilas.
– O que aconteceu, afinal? – Eleazar perguntou, olhando feio para Bill.
– Nós achamos a chave do mausoléu e decidimos dar uma olhada, acabamos nos trancando sem querer. Vovô, tudo que precisamos saber sobre os Baumgärtner está aqui!
– Espero que não aconteceu nada enquanto vocês dois estiveram aí – ele disse lançando um olhar carrancudo para Bill. Biene ficou totalmente vermelha, mas engoliu a vergonha rapidamente.
– Vô, não seja desagradável. Ajude-nos a pegar os livros e levarmos para o carro, não vejo à hora de estudá-los – Biene interveio, voltando para o mausoléu e pegando os livros que se encontravam espalhados pelo local – Vocês dois vão ficar parados aí? Ajudem-me!
Tom, Gustav e Georg chegaram logo em seguida, ao perceberem o rebuliço que estava acontecendo. Biene pegou não só os livros, como também levou a tapeçaria com a árvore genealógica da família Baumgärtner para o carro. O mausoléu praticamente ficou vazio, apenas guardando os restos de uma família que desaparecera com o tempo.
– Você e a Biene ficaram a noite inteira trancados aí? – Tom perguntou, olhando maliciosamente para Bill, enquanto carregava alguns livros empoeirados – O Gustav deve estar querendo te matar agora.
– Por quê? – Gustav perguntou, olhando bravo para Tom – Bill não faria nada mesmo. O problema é se você estivesse trancado com ela!
Bill não conseguiu conter o riso, mas tratou de parar antes que alguém desconfiasse de algo. Ele apenas olhou para Biene ao longe, extremamente animada, arrumando todos aqueles livros e objetos empoeirados. Como se ela tivesse sentido que alguém a observava, seu olhar encontrou o dele. Então ela sorriu de forma tão brilhante como o sol daquela manhã.

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35 Utopia em Sex Abr 12, 2013 2:42 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 31 - A Boneca Quebrada

Bill estava novamente em seu quarto, deitado em sua cama, ainda extremamente cansado. Deixara Biene na cozinha, que preferia mil vezes ficar com os livros empoeirados do que voltar para casa e descansar. Pelo visto, tudo parecia ter acabado já que não sonhara nada na noite passada. Talvez, William só queria que achassem os objetos esquecidos da família ou algo do tipo ou apenas queria que descobrissem algo que com certeza Biene iria descobrir. Agora ele poderia dormir em paz.

A porta se abriu em um estrondo, ela fora forçada por brutamontes, todos eram lacaios. Da porta semidestruída surgiu alguém que Will nem Johanna nunca imaginariam: Meredith Gottwald. A expressão dela estava impassível enquanto olhava para os dois que se encontravam na cama, a única coisa que denunciava seus sentimentos eram os olhos azuis em brasa.
– Já está tendo sua despedida de solteiro, William? – ela disse com uma voz áspera, nada parecida com a de anjo que há pouco tempo usara – Justo na festa do aniversário de Aach?
Will podia sentir Johanna ofegante ao seu lado, com as mãos tremendo enquanto seguravam as cobertas, tentando se cobrir. Ele sabia que ela tinha medo de ter mais desgraça do que já teve, de ser julgada por todos como sempre foi. Não iria deixar nada acontecer com ela, não podia permitir isso.
– Vivi minha vida inteira sabendo que meu pai traía minha mãe – Meredith prosseguiu, sentando em uma cadeira próxima a cama, olhando de forma nada pacífica tanto para Will quanto para Johanna – Eu sempre a via deprimida, amando um canalha, acreditando que era recíproco, perdoando quando ele “errava” e logo depois descobrindo que ele nunca mudara nada. Se casamento é transformar uma mulher em uma pessoa amarga, tomarei certas medidas para que o mesmo não ocorra comigo.
– Eu não vou me casar com você, Meredith – Will disse a desafiando – Procure outro bom partido, eu não sou o que você procura.
– E ouvir a cidade inteira comentar sobre como fui rejeitada por você? William, isso é pouco comparado ao que vai acontecer com você se me recusar. Farei sua família inteira cair em desgraça, começando aqui e agora.
Ela fez um sinal para os três enormes homens, dois deles foram até a cama e arrancaram William dali, o último pegou Johanna e a levou em direção a Meredith. William tentou se libertar, chutando e esmurrando os gigantes de pedra, que nem ao menos sentiam os impactos das pancadas. Johanna apenas tratou de ficar naquele estado catatônico, prestes a desmaiar.
– Quem é você, mocinha? – Meredith perguntou, segurando o rosto de Johanna, enfiando suas unhas na carne tenra de seu rosto – Qual o seu sobrenome?
Johanna não disse nada, estava incapacitada de dizer alguma coisa, apenas tinha seus olhos presos aos de Meredith, em uma expressão de puro terror e desespero.
– Eu fiz uma pergunta – ela prosseguiu – E quero uma resposta.
Quando Meredith percebeu que Johanna não iria dizer nada, ela soltou seu rosto, mas sua mão macilenta atingiu em cheio o rosto da garota, deixando o rosto alvo de Johanna em um rubor dolorido. O coração de William disparou ao ver aquela cena, novamente lutou contra aqueles brutamontes com tanta fúria, quase conseguindo escapar das garras deles.
– Solte-a agora! Desgraçada, não encoste um dedo nela ou eu mato você – ele gritou entre os dentes.
– Não grite, William. Ou você quer que todas as pessoas da festa vejam como um Baumgärtner é um traidor? Quer que meu pai saiba que recusou casar comigo ou prefere que seu pai saiba?
– Deixe-a fora disso, ela não tem nada a ver com essa história.
– Não tenho tanta certeza. William, você acha realmente que eu não o vi com ela, se trancando nesse quarto? Que eu não ouvi o que disse a ela? Que iriam fugir para longe? – Meredith virou seu rosto para olhar novamente para Johanna – Agora me diga, qual o seu nome?
– Schmidt, Johanna Schmidt – ela disse fechando os olhos para conter as lágrimas, mas elas escorreram pelo seu rosto, tão quentes como o vergão que se formara em sua maçã do rosto.
– Ah, a prostituta! Você iria fugir com uma prostituta, William? – Meredith começou a gargalhar – Pensei que fosse alguma mulher de família, talvez não tão rica, mas uma pessoa íntegra. Prostitutas não se casam, elas são apenas diversão, são criaturas sujas.
Novamente a mão de Meredith acertou em cheio o rosto de Johanna, a jogando no chão. Meredith a puxou pelos cabelos e a jogou contra o assoalho várias vezes, enquanto William empurrava um dos brutamontes contra o criado-mudo e corria em direção a Meredith, cego pelo ódio. Quando ia agarrar o braço magro dela, outro brutamonte o segurou.
– Sua puta, sua suja! – Meredith exclamava, acertando Johanna – Volte para o lugar de onde você veio, vá para seu cabaré imundo, sua porca!
– Eu vou te matar! – William gritava com todas as forças – Eu vou estourar seus miolos sua desgraçada, solte-a agora!
– O que está acontecendo aqui? – um vulto surgiu pela porta, era nada menos e nada mais que o Senhor Baumgärtner, olhando pasmado para toda aquela confusão.
– Desculpe pela confusão, Senhor – Meredith disse com a voz doce novamente – Mas creio que peguei seu filho no flagra, pronto para fugir com uma prostituta. Acho que eu mesma devo cuidar desse assunto, não acha? Sem que papai não saiba de nada, não queremos mais confusão do que já tem, não é mesmo?
O rosto do Senhor Baumgärtner ficou lívido, olhando para William que estava sendo segurado por dois homens enormes e corpulentos e depois olhou para a jovem estirada no chão, com sangue escorrendo de seus lábios e narinas. Meredith sorriu satisfeita, ao ver que o pobre velho não faria nada para pará-la.
– Só estou tirando um rato do meu caminho e do seu também, William. Ainda vai me agradecer por salvar sua vida e não desgraçá-la como pretendia fazer. Nós vamos nos casar e ter uma família de verdade, unindo os Gottwald e os Baumgärtner. Ela é apenas uma prostituta, que futuro traria para você?
– Eu imploro, a deixe ir, não a machuque – William disse quase aos prantos – Não toque nela, ela não tem culpa de nada.
– Viu? Até ficou mais educado – ela sorriu novamente de forma angelical, mas por trás daquele rosto macilento, Will só era capaz de ver algo diabólico – Hans, leve ela, pelos fundos da casa, afinal não queremos estragar toda a festa. Quanto a vocês dois, não soltem ele até eu mandar.
O tal de Hans pegou Johanna em seu colo, ela estava totalmente desacordada, com sangue banhando seu rosto e o vestido. Ela parecia uma boneca de porcelana, tão pequena e quebrada nos braços daquele gorila ambulante. Will sentiu seu coração afundar no peito quando a viu sumir pela porta. Ele queria poder nocautear aqueles dois homens, queria esmagar o pescoço daquela mulher, queria arrancar Johanna daquele monstro, queria consertá-la, queria vê-la sorrindo novamente.
– William – Meredith o chamou pela terceira vez, ele estava tão perdido em seus pensamentos, em sua dor, que nem ouvira uma palavra do que ela dizia – Se você a procurar novamente, eu acabo com vocês dois. Não pense em fazer bobagem, estarei de olho em você. Podem soltá-lo.
Os dois brutamontes o soltaram, ele caiu no chão, se sentindo tão fraco como nunca se sentira em sua vida. Ele sempre fora William Baumgärtner, ele que colocava medo nas pessoas, ele que as machucava, nunca o contrário. Algo dentro dele havia se partido, todo o sentido havia sumido, seu mundo havia caído de tal forma que isso o impossibilitava de levantar. Meredith olhou uma última vez para ele e sumiu pela porta com seus dois brutamontes atrás como imensos pastores alemães.
As únicas pessoas que estavam no quarto era ele e seu próprio pai, o olhando de um jeito indecifrável. William se levantou, juntando toda a força que tinha para se manter em pé.
– Pai, por favor – Will disse se encaminhando até seu pai – Não permita que façam nada com ela. Não a deixem machucá-la, eu a quero segura...
William não conseguiu nem terminar a frase, a mão de seu pai atingira seu rosto, o fazendo vacilar novamente. O rosto do Senhor Baumgärtner estava vermelho, seus olhos negros brilhavam de raiva, desonra e vergonha.
– Tome juízo e pare de desonrar essa família, não mereço um filho que me faça passar por essa vergonha. Esqueça aquela meretriz, ou irá se tornar lixo igual a ela.
Ele saiu do quarto, deixando seu filho parado, tentando similar o que havia acabado de acontecer. Há alguns minutos estava nos braços da mulher que amava tanto, agora estava machucado por dentro e por fora. Mas ele não deixaria desse jeito, nunca.


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36 Utopia em Ter Abr 16, 2013 4:26 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 32 - O Suposto Anjo

– Johanna! – um grito proferiu pela sua garganta fazendo seus olhos se abrirem subitamente.
Seu corpo suava e se contraía dolorosamente enquanto tentava entender o que havia acontecido. Uma enorme tristeza tomava conta de Bill, principalmente a surpresa de saber que os sonhos voltaram, ou melhor, pesadelos. As imagens voltavam confusas em sua mente, cenas de uma Johanna sangrando e machucada que o deixavam com uma ligeira tontura.
– Bill? Você está bem? Ouvi você gritar! – disse alguém batendo na porta, nem a voz ele conseguia identificar.
Levantou-se da cama e se dirigiu até onde chamavam, segurando nos móveis para não cair. Quando abriu a porta se deparou com um rosto conhecido, o rosto angelical que viu em seus sonhos, com os cachos loiros e os olhos azuis. Algo dentro de si gritava que era apenas uma máscara, que aquela garota machucara Johanna.
– Bill? – a garota perguntou novamente – Não está se sentindo bem? O que houve?
Antes que pudesse ter consciência de suas ações, Bill empurrou a garota angelical contra a parede, segurando seu pescoço, pronta para fazê-la sofrer tudo que sofreu. Ele queria acabar com a existência dela, com qualquer vestígio de seu sofrimento, queria apagar cada imagem de Johanna machucada em sua cabeça.
– O que você está fazendo? Bill, o que deu em você? – Tom gritou, partindo para cima do irmão e o tirando de cima de Biene, que caiu no assoalho, ofegante e quase a ponto de desfalecer, enquanto olhava assustada para Bill – Acorda, o que está acontecendo com você?
Finalmente a lucidez veio, Bill olhou para o irmão e depois para seus dois amigos que estavam atrás. Biene estava no chão, o olhando sem entender nada, enquanto Gustav ia até ela e a ajudava. O que diabos ele estava fazendo? Biene não era Meredith, não podia ser, por mais que ambas se parecessem muito. Mas ainda havia a questão de Johanna, ela precisava de ajuda.
– Dá para você dizer o que está acontecendo? – Tom perguntou novamente, sacudindo Bill – Por que partiu para cima de Biene sem mais nem menos? Você parecia uma espécie de zumbi!
– Tom, é real – Bill disse, tentando organizar suas ideias – William Baumgärtner existiu de verdade, eu preciso falar com você...
– Eu sei – Tom disse realmente preocupado – Vá tomar um banho e desça para contar o que está acontecendo. Acho que você estava certo desde o início.
– Como você sabe? Por que agora acredita em mim?
– Os livros do mausoléu.

Bill já havia tomado o seu banho, se sentia bem melhor agora que a realidade não estava misturada com seus sonhos. Desceu as escadas e encontrou todos na sala de estar, seu olhar pairou sobre Biene, que estava sentada ao lado de Gustav, ainda com uma expressão assustada que se intensificou ao vê-lo chegar.
– Eu acho que vocês merecem respostas pelo que acabou de acontecer – Bill disse, se encaminhando até uma das poltronas.
– Sim, por que atacou Biene? – Gustav perguntou, não contendo a raiva – O que ela fez afinal?
– Vou chegar nessa parte, por favor, Gustav, ouça até o final – Bill interveio, suspirando antes de começar a história – Ando tendo sonhos estranhos desde que cheguei aqui. Não são sonhos normais, eles acontecem de forma muito real, como se já tivessem acontecido em algum passado distante. Nos sonhos eu sou William Baumgärtner.
Biene deu um pulo no sofá, me olhando de forma assombrada. Ela saiu correndo da sala de estar e voltou com um dos livros que estava em cima da mesa da cozinha. Abriu-o em seu colo, até achar a página que procurava.
– Ele existiu de verdade, aqui está! William Baumgärtner (1843 – 1863), segundo filho de Bastian Baumgärtner, seria o principal sucessor do pai para cuidar das heranças e negócios de família, mas acabou falecendo cedo o que fez o primogênito assumir seu posto.
– Espere um momento – Bill se levantou e foi até o livro – Eu morri? Como assim eu morri em 1863?
– Há algo de errado com as datas? – Biene perguntou esquecendo totalmente que alguns minutos atrás ele quase a sufocara. Quando se trata de saber o passado, qualquer coisa se torna menos importante para ela.
– Não, é que... Todas as memórias se passam em 1863, mas eu ainda não morri nem nada. Ou eu realmente vou morrer esse ano ou consegui fugir e fui deserdado por meu pai.
– Bill, só para lembrar, você não é esse tal de William não sei das quantas – Tom disse realmente assustado com o que estava acontecendo – Pare de falar como se você tivesse morrido ou já existido em outra época.
– Até agora não estou entendendo nada do que está acontecendo – Georg exclamou – Expliquem direito!
– Bem... continuando... Como eu disse, nos sonhos eu sou esse cara que realmente existiu. E vocês também estão no sonho, o Tom é meu melhor amigo, o Gustav trabalha para mim na minha contabilidade e o Georg é dono de um cabaré.
– Ficou com a melhor parte, em? – Tom disse, cutucando o Georg.
– Um dia Tom me arrastou até o cabaré e acabei encontrando uma garota, ela não era uma meretriz de verdade, mas para deixar Tom satisfeito, nós dois fingimos ter uma noite. O problema é que acabei me apaixonando por ela, era um amor proibido entre um duque e uma suposta meretriz... e ela era sua irmã Gustav, mas acabei descobrindo depois.
– Minha irmã? – ele exclamou me olhando feio – A Franciska?
– Não, não sei quem ela era ou é! E não me olhe assim, isso aconteceu há muito tempo!
– Pode ser a Biene – Georg disse – Tem ligação, afinal ela pode ter sido sua irmã Gustav, mas agora é sua prima. E não vão me dizer que ninguém notou que está acontecendo alguma coisa entre os dois. Lembra de quando estávamos falando que Biene tinha uma queda pelo Bill? Então, tenho certeza que ela já foi correspondida.
– O que? – Gustav exclamou pasmado, olhando de Bill para Biene que ficaram instantaneamente vermelhos – Isso é verdade? Bill, você falou que iria resolver essa situação!
– Foi sem querer – Bill disse, tentando não piorar aquela confusão e transformá-la em uma briga – Eu gosto realmente de Biene, não poderia acabar com os sentimentos delas dessa forma. Desculpe se isso o deixa com raiva e ciúmes, mas não posso afastá-la de mim.
– Gustav, por favor – Biene disse tentando acalmá-lo.
– Só não entendo por que tentou sufocá-la – Gustav pareceu se acalmar um pouco, mas ainda olhava de forma reprovadora para Bill.
– É que chega uma hora nos sonhos em que Johanna, a suposta meretriz, e eu acabamos... nos relacionando de verdade. O problema é que eu estava noivo da filha do prefeito, Meredith Gottwald e ela acabou descobrindo tudo. Eu não sabia o quão cruel ela era, cega por raiva ela machucou Johanna e a levou para longe de mim enquanto dois brutamontes me seguravam. Eu não sei o que aconteceu com Johanna por que acordei. Acabei atacando Biene por que ela é extremamente parecida com Meredith.
– Espere um momento – Gustav interveio – Quer dizer que Biene não é Johanna, então? E sim Meredith?
– Eu não sei e não importa quem é quem. Só quero que os pesadelos parem, tenho que descobrir porque eles estão acontecendo. Deve haver algo que preciso fazer ou descobrir, mas até agora não encontrei a reposta.
– Talvez não seja eu que devo pesquisar sobre o passado desse lugar – Biene disse – Acho que você deveria tentar encontrar o que procura. Quem sabe quantas páginas eu li e deixei algo passar que pode ser importante para você. Melhor eu esquecer um pouco sobre o passado e essa fixação que tenho por ele.
– Biene – Bill sussurrou ao vê-la se levantando e saindo da sala de estar – Desculpe-me, eu não queria feri-la, estava fora do meu controle. Não quero te machucar novamente.
– Tudo bem, não me importo com isso – ela disse dando de ombros – Eu que tenho que pedir desculpas, não sei se em algum lugar do passado acabei machucando a pessoa que você amava. Estou pedindo desculpas pela própria Meredith pelo que aconteceu.
– Não importa quem eu amei no passado, o que importa é quem eu amo agora. São apenas visões, nem sei se são memórias de verdade.
– Tente descobrir o que elas são – Biene disse se afastando – Se precisar me procurar, estarei na marcenaria de Fester Wald, vendo como está a finalização de meu barco.
Mas antes de sair, ela parou e se virou.
– Eu também te amo, Bill.

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37 Utopia em Ter Abr 16, 2013 4:28 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 33 - A Vingança

– Estou quase terminando seu barco, Biene, até o fim da tarde já deve estar pronto – disse Fester Wald dando os últimos retoques de tinta no barco – Pretende estreia-lo em breve?
– Sim, com certeza! – Biene exclamou, com os olhos brilhando ao ver o barco.
Mesmo o barco tendo um motor – que Biene pagara uma fortuna, mas valera à pena cada centavo – Fester se encarregou de fazer remos para ela. A melhor parte era o nome Utopia escrito ao lado, branco em azul. Logo ela seria a única a ter um barco naquela região, quem sabe outras pessoas não fizessem o mesmo? Talvez em um futuro próximo o lago de Aach tivesse várias pessoas por lá e não vazio como sempre foi.
– Estou planejando até em fazer uma aula sobre ele com as crianças. Já imaginou o lago cheio de pessoas? Nos domingos em vez de ficarmos enfunados em casa, todos poderíamos sair um pouco, andar de barco ou apenas fazer um piquenique em frente ao lago.
– Se tivessem mais pessoas aqui como você, talvez essa cidade não fosse tão morta quanto é. O povo daqui é muito supersticioso, houve algumas mortes ao longo do tempo naquele lago e eles acreditam que todos vão morrer da mesma forma.
– Mortes? Eu não sabia sobre isso – Biene disse realmente surpresa – Pensei que ninguém se atrevesse a entrar nele por isso nunca se noticiou nada desse tipo.
– Não, algumas vezes as pessoas se atrevem a entrar nele, claro que houve mortes, mas uma ou outra. Conheço algumas pessoas que nadaram e navegaram por lá e não morreram.
– Eu não vou morrer – Biene disse rindo – Fiz natação desde os cinco anos, sou capaz de nadar até em alto mar. Além do mais, não vou entrar no lago com esse frio, vou estar no barco.
– Claro que não, como eu disse, é baboseira dessa região.

Bill ficou debruçado sobre os livros à tarde inteira, procurando alguma coisa que despertasse curiosidade, mas nada parecia realmente ajudá-lo a desvendar o que estava acontecendo. Descobriu que o seu pai morrera um ano depois de sua suposta morte ou quem sabe, fuga, que Heinrich assumiu os negócios da família e casou com Meredith, que tiveram dois filhos homens e que Meredith morreu três anos depois. Sobre William tinha pouquíssima coisa e quanto a Johanna, não achou nada que falasse sobre ela. Chegou uma hora que não aguentava mais olhar para livros empoeirados, parecia que nada era capaz de ajudá-lo realmente.
– Achou alguma coisa? – Tom perguntou, entrando na cozinha.
– Não, nada realmente importante – Bill disse, bufando – Talvez eu esteja deixando algo passar.
– E se você dormir? Quem sabe não sonhe mais alguma coisa que te ajude? Talvez os livros não vão te ajudar e sim essas tais memórias.
– Tenho medo de dormir e acabar sonhando com algo que eu não queira ver. O último sonho foi doloroso demais, mesmo sendo apenas visões, era como se eu pudesse sentir tudo, principalmente o desespero.
– Uma hora os sonhos tem que acabar, se você não os vê-los até o final e ficar adiando, isso vai demorar mais ainda. Talvez eles estejam relacionados com algum evento atual, sabe?
– Não, não entendi.
– Por exemplo, algo que aconteceu no passado pode estar se repetindo agora e os sonhos são para avisá-lo. Tem uns filmes muito massas que falam desse tipo de coisa, lembro uma vez que foi no cinema com uma gatinha, juro que preferia ficar beijando ela, mas o filme era tão legal que quase me esqueci que ela estava do meu lado.
– Acho que você pode estar certo – Bill disse pensativo – Vou tentar dormir, mesmo já tendo dormido tanto. A única coisa que realmente pode me ajudar são esses sonhos e não vejo a hora de eles acabarem.
– Durma, mas quando acordar, vê se não acaba matando uma pessoa sem querer, inclusive seu irmão aqui – Tom lançou seu sorriso maroto de sempre, enquanto Bill se afastava da cozinha e subia para o seu quarto.
– Que venham os sonhos – suspirou, mas com um leve medo do que poderia vir.

Will estava em seu quarto agora, completamente vestido e com seu rosto ainda contendo os traços da pancada que recebera de seu próprio pai. Sua raiva era tamanha, borbulhava por dentro e acelerava seus batimentos de tal forma que poderia aniquilar a primeira pessoa que atrevesse a insultá-lo novamente.
Agora ele era prisioneiro em seu próprio quarto, fora trancado ali até segunda ordem. Seu pai tratou até de lacrar as janelas e não havia nenhuma maneira de poder sair dali. O que mais queria nesse instante era saber sobre Johanna, se ela estava bem ou se Meredith fez algo de ruim com ela.
Tudo havia desmoronado, não parecia mais aquele homem de antes, que preferia a honra da sua família acima de tudo. Honra? Que honra ele teria de um pai ditador? De um irmão ausente? A única pessoa que sempre amou de sua família foi sua mãe, mas onde ela estava agora? Morta. Com toda essa honra ele havia ferido quem mais amava, sem falar em outras pessoas.
De repente ele ouviu um burburinho do lado de fora, passos e barulhos de luta. Havia objetos se quebrando e pessoas caindo. Tentou descobrir o que estava acontecendo, se aproximou da porta quando ouviu uma voz conhecida.
– Will, você está aí? – disse uma voz ofegante.
– Thomas! É você? Não acredito! O que está fazendo?
– Sai da porta agora, vamos arrombá-la antes que nos capturem.
William se afastou da porta o mais rápido possível quando viu que a madeira começou a estalar. Com muito esforço a porta foi se transformando em um monte de lascas e um buraco se formou bem no meio das duas portas onde havia a maçaneta. Logo podia-se ver Thomas segurando uma estátua de cobre que ficava no corredor, e estava sendo ajudado por Gustaf e também por Jörg.
– Gott! Vocês vieram me salvar, precisam me contar o que está acontecendo com Johanna!
Gustaf largou a estátua de cobre e atravessou o portal em direção a William, lançando um soco em seu maxilar o mais forte que podia.
– Seu desgraçado! O que você fez com minha irmã? Eu vou matá-lo!
– Gustaf pare com isso! Não vai ajudar em nada! – Jörg correu até Gustaf o segurando – Precisamos da ajuda dele para libertar Johanna.
– Will, escute bem – Thomas disse ajudando William a se levantar – Eu arrombei o cofre e peguei o máximo de dinheiro que pude, vamos tentar libertar Johanna e vocês dois vão fugir o mais longe possível, entendeu?
– O que está acontecendo, afinal? – Will perguntou, passando a mão em seu maxilar dolorido.
– Se não salvarmos Johanna até cinco da tarde, ela vai ser enforcada, William. Meredith conseguiu que ela fosse condenada a pena de morte por furto, uma condenação falsa.
– O que? Não podemos deixar isso acontecer! Eu preciso salvar ela, Thomas, não posso deixar mais ninguém feri-la!
William se recompôs e correu até seu guarda-roupa, revirando suas roupas até encontrar um estojo preto que escondia ali. Quando o localizou, o abriu e retirou a pistola Kentucky de dentro. Lembrava muito bem quando ganhou uma do pai, viera importada da Inglaterra, tinha trezes anos e a usava para caçar nos fins de semana. Sempre que ia caçar, fingia errar as raposas para não as ver mortas, o pai sempre caçoou dele, o chamando de mongoloide. Hoje ele iria mostrar quem tinha sangue frio.
– O que vai fazer com isso? – Thomas perguntou ao ver a arma.
– Estou me prevenindo, caso tenha necessidade – William disse, colocando a arma dentro de seu casaco – Não estou mais aqui para brincadeira.
– Melhor vocês correrem – uma mulher surgiu na porta, Will a reconhecera, era uma das meretrizes que trabalhava para Jörg – Mais capangas do seu pai estão vindo, vão pelos fundos da cozinha, as empregadas estão dando cobertura. Apressem-se!
Os quatro correram para o corredor, seguindo a moça que corria habilmente mesmo com vestido. Passaram pelos labirintos de quartos até chegar à cozinha, onde várias empregadas os deixaram passarem sem medo do que poderia acontecer.
– Johanna era nossa amiga – uma das empregadas disse ao ver William – Por favor, a salve!
Ela nem precisava dizer nada, ninguém precisava avisá-lo do que deveria fazer. Ele iria tentar salvá-la nem que fosse a última coisa que fizesse, nem que precisasse desafiar a cidade inteira. William nunca teve uma certeza tão grande na sua vida como aquela, ele havia abandonado tudo, começando pela mansão que cada vez ficava para trás, enquanto descia os morros com a maior velocidade que podia.


Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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38 Utopia em Sex Abr 19, 2013 5:16 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 34 - O Caveleiro Fantasma

Nota da autora: Sempre que escrevo fanfic, eu escolho alguma música tema do Tokio Hotel para ela. Nesse capítulo (como já pode perceber pelo título) a música que eu escolhi é Geisterfahrer ou Phantomrider (fica a sua escolha, pode ouvi qualquer uma das duas durante o capítulo). Espero que gostem

Entre arbustos, lá estava uma carruagem esperando por eles, escondida para que nenhum dos capangas da propriedade descobrisse. William nunca ficou tão feliz em ver Oscar na sua vida, ele que sempre maltratara aquele cocheiro, hoje o pobre homem o estava ajudando.
Rapidamente, os quatro jovens adentraram a carruagem, tomando cuidado para não serem descobertos. Oscar estalou o chicote, e os cavalos trotaram o mais rápido que podiam para o centro da cidade. William estava afundado no banco estofado, com o coração prestes a sair pela garganta, olhando para o Sol que aos poucos parecia ficar mais próximo das colinas.
– Senhor Baumgärtner? – Oscar disse, parando a carruagem e descendo – Não vai dar para seguir adiante.
– Por quê? O que está acontecendo?
– Acho que é melhor o senhor ver por si mesmo.
William desceu da carruagem, acompanhado pelos seus companheiros. O centro da cidade não estava vazia como sempre, estava lotado de pessoas, cidadãos tolos e unidos para ver um massacre que aconteceria em poucos minutos. Eles não precisavam mais de meios de locomoção, ainda mais quando se precisava correr.
– Oscar, obrigado – William disse, se virando para o velho amigo – Desculpe por todos os anos que te maltratei. Acho que nunca precisei tanto da sua ajuda como agora.
– Vá em paz, garoto – o velho sorriu enquanto dava palmadas na costa do rapaz ou do garotinho que cresceu andando naquela carruagem – Não perca mais tempo comigo.
– Tudo bem, agora temos que ir – William disse para Thomas, Gustaf e Jörg – Temos pouco tempo.
Os quatro correram em direção à multidão, empurrando as pessoas sem nem pensarem em serem delicados, com o objetivo de conseguir espaço até a bancada que se via ao longe. Eles já haviam ouvido falar daquela bancada, fora usada em um passado remoto, quando em Aach havia mais meliantes do que simples moradores, agora aquela tábua de sangue estava erguida novamente, pronta para engolir mais almas.
– Melhor nós nos espalharmos – Thomas gritou – Se ficarmos juntos vai ser mais fácil de nos capturarmos.
William assentiu e foi para longe deles, tentando se ocultar na multidão e se aproximando cada vez mais da bancada. Ele já era capaz de distinguir os contornos de Johanna, que estava em pé e parecia ter as mãos atadas à costa. Era impossível acreditar no que haviam feito com ela, como alguém poderia tentar machucá-la? Seu cabelo preto e longo fora cortado na altura dos ombros de maneira grosseira e havia várias marcas vermelhas e roxas em seu rosto impassível.
Seus músculos esperneavam por mais velocidade ao vê-la em tal estado, querendo ajudá-la, resgatá-la daquela crueldade que ele causara. Empurrava as pessoas com tal força que várias delas caíram, mas nenhuma valia a pena agora. Meredith estava ao lado de Johanna, sentada em uma cadeira, com seu ar imponente e de justiça. William sentiu vontade de sacar a arma e dar um tiro ali mesmo na cabeça loira daquela mulher, mas se conteve para chegar o mais rápido possível.
– Johanna Schmidt, condenada por furto de objeto valioso pertencente à família Gottwald será enforcada pela traição às cinco da tarde do dia 14 de Dezembro de 1863 – começou o orador, lendo um papel enquanto se via um sorriso satisfeito no rosto de Meredith – Aproxime-se para o meio da bancada, minha jovem.
Johanna não vacilou, como se não sentisse nenhuma dor, ela se encaminhou até onde o orador mandara. Por mais que parecesse extremamente delicada, ela mostrava uma força enorme, principalmente por seus olhos não conterem nenhuma lágrima sequer. Quem sabe ela não houvesse chorado todas antes? Foi quando o olhar perdido dela localizou Will no meio da multidão, subitamente a vida retorno ao seu rosto.
O sino da igreja badalou cinco vezes, cada badalo parecia ferir William de uma forma urgente. Ele finalmente chegou à bancada e subiu pelas escadas adjacentes ao mesmo tempo em que a corda era posta no pescoço de Johanna por um dos carrascos. Todas as pessoas que ele mais tinha raiva naquele momento estavam a poucos metros: Meredith e seu próprio pai.
– Solte-a agora! – William gritou, sacando a arma e apontando para o carrasco, sob o olhar de várias pessoas surpresas – Se você cooperar, nada vai acontecer.
– William, o que está fazendo? – Meredith exclamou, se levantando da cadeira e indo em direção a ele – Você está acabando com sua reputação, está salvando uma meretriz! Tem ideia do que as pessoas vão pensar de você?
– Vão pensar que sou um bom atirador quando verem seus miolos espalhados pelo chão, se não sair da minha frente – William respondeu, de forma grosseira e com raiva, fazendo o rosto de Meredith ficar lívido de pânico – Não vou repetir novamente, mandei soltá-la, agora!
Mas no mesmo momento, dois capangas de Meredith pularam em cima de William, fazendo sua arma voar pela bancada. Os dois brutamontes o seguraram fortemente enquanto o rapaz lutava e dava socos com toda a força que tinha. Gustaf subiu pela bancada e pulou em cima de um dos brutamontes, dando murros no homem.
– Continue com isso! – Meredith gritou para o carrasco – Não pare agora!
Thomas e Jörg apareceram e se jogaram contra o carrasco que caiu com um enorme estalo, mesmo assim, o homenzarrão conseguiu se recuperar e já estava de pé novamente, partindo para cima de quem quisesse lutar. Era o maior show que o povo de Aach já havia visto, tinha socos, sangue, pessoas caindo e se levantando novamente, lutando para salvar uma jovem da forca.
Mas Meredith não iria aceitar aquilo, quando viu que Johanna estava pensando em correr, ela passou por toda aquela briga e puxou a alavanca com suas mãos magras. O alçapão que estava abaixo dos pés de Johanna se abriu, fazendo com que todo o seu peso fosse para baixo enquanto seu pescoço, em vão, tentava lutar contra a gravidade cruel.
– Johanna! – William gritou, tentando escapar de um dos homens que o prensava contra o chão da bancada.
Todos pararam de observar a luta e miraram seus olhos para a garota que sofria em agonia, presa pelo pescoço como um peixe morrendo sem ar. Os olhos dela de repente perderam a vida, ficaram vagos, não havia mais respiração, nenhum sinal que ainda havia vida naquele corpo. William sentiu seu corpo se afundar, tudo estava extremamente silencioso, era como se o mundo tivesse morrido naquele instante. Ele lembrava exatamente daquela sensação, a dor ainda era fresca na memória como há cinco anos quando sua mãe morrera. Algo havia se quebrado novamente dentro dele, o resto de compaixão que tinha em seu coração se transformou em mil cacos impossíveis de serem restaurados.
– Acabou-se! – exclamou o Senhor Baumgärtner, subindo na bancada – Chega de show por hoje, a garota está morta!
O capanga saíra de cima de William que não se levantou, ficou estatelado no chão até o pai o levantá-lo.
– Pare de besteira William, acabou essa baderna! Não me envergonhe mais na frente dessa multidão, volte já para...
O velho Senhor Baumgärtner vacilou com o soco e caiu no chão, segurando seu maxilar firmemente e olhando para o filho com uma expressão assustada. William se encaminhou calmamente para a arma que havia escapado para um canto da bancada e a pegou. Gustaf correu para Johanna, pegando seu corpo e cortando aquela corda maldita que ainda segurava seu pescoço. Ele acolheu sua pequena irmã nos braços, com lágrimas grossas escorrendo pelo seu rosto. Havia falhado.
– Ela está morta, William! – Meredith gritou, sendo segurado pelo seu pai, o prefeito Gottwald.
– Cale a sua boca – William disse fora de si, segurando a pistola firmemente. Quando percebeu que ela ia abrir a boca de novo, ele apertou o gatilho. A bala zuniu em direção ao ombro de Meredith, a fazendo cair no chão. Seu pai desesperado, tentou protegê-la – Não vou matá-la, o inferno não merece mais uma pessoa como você. Espero que você apodreça aqui mesmo, que a própria vida a amaldiçoe e que todas as suas malditas descendentes sofram da mesma maneira que você.
Meredith se remexia no chão, sentindo a dor lancinante do começo de uma vingança. William se encaminhou para o pai, que ainda estava encolhido no chão, sem saber o que fazer.
– Como se sente papai? Tão indefeso como um inseto? Cadê sua honra? O seu orgulho? Onde está um Baumgärtner? Não vejo nada, só vejo um pobre velho caquético, se aproveitando do nome que tem para mostrar força e poder. Você que é o lixo, a vergonha da família. E agora? Sente orgulho de mim, papai? – William riu-se ao ver a expressão do pai, de puro terror.
Quando conseguiu ver finalmente a vitória, seus olhos procuraram a única coisa que realmente importava: Johanna. William foi até onde Gustaf estava, segurando sua irmã. Ele retirou delicadamente o corpo da jovem dos braços do irmão e passou para os seus, ainda admirando os intensos olhos acinzentados, sem vida. Mesmo na morte, ela era tão linda quanto sempre fora.
– Johanna, me perdoe por não chegar a tempo, por ter deixado te machucarem. Eu não cumpri minha promessa, eu a deixei sofrer...
Sem conter as lágrimas, ele beijou seus lábios frios e se afastou dela, temendo até os últimos vestígios da garota, com medo de que não houvesse perdão para o que ele deixara acontecer. Com a arma ainda em sua mão, ele aproximou o cano da pistola em sua têmpora.
– Adeus, Aach – ele disse entre os dentes.
A arma disparou. Sangue e pedaços de miolos se espalharam por toda bancada e pela multidão que gritava de horror ao ver aquela cena. Os rostos de todos estavam cobertos pelo sangue de um nobre, não sabiam se aquilo era uma honra ou uma maldição. O reinado dos Baumgärtner havia acabado, o último verdadeiro rei daquelas colinas havia sido vencido pelo amor, um toque bastou para sua destruição.


Agora estou aqui
Não tenhas mais medo
Anjo, não chores
Vou estar contigo
No outro lado

Adeus
Na luz
Como um cavaleiro fantasma
Estou a morrer esta noite
Tão escuro e frio
Conduzo sozinho
Como um cavaleiro fantasma
Não consigo fazê-lo por mim mesmo

Hey!
Estou aqui contigo
Deixa-me em paz
Cavaleiro fantasma
Morre sempre na dele

(Phantomrider – Tokio Hotel)

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39 Utopia em Sex Abr 19, 2013 5:19 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 35 - A Maldição

O disparo ainda ecoava pelos ouvidos de Bill quando ele finalmente acordou. Seu corpo estava coberto de suor frio e demorou alguns minutos para lucidez finalmente chegar. Por um momento, ele jurava que estava vivendo realmente aquilo, sentira até o impacto da bala em seu crânio, sentira a morte de tão perto quanto nunca sentira. Mas isso não era nem de longe o real incômodo, seu coração se apertava só de lembrar-se da morte de Johanna.
Por mais que ele quisesse acreditar que o verdadeiro final era que os dois haviam fugido, lá estava a verdade o atacando com facas, mostrando que a realidade está longe de ser o que realmente queremos que seja. A única coisa que não entendia era o que ele precisava fazer, tudo estava tão vago quanto antes, mas a situação atual parecia ter piorado.
Bill pegou seu celular na cabeceira para que ver que horas eram, eram sete horas da manhã, ele havia dormido cedo ontem para ter os sonhos e agora acordara cedo também. Levantou-se rapidamente e decidiu que a melhor coisa a fazer nesse momento seria ler aqueles livros que conseguiu no mausoléu. Talvez houvesse alguma resposta para os sonhos, algo que mostrasse qual o caminho a seguir já que tinha mais informações.
No percurso até a cozinha, Bill não encontrara nem seus amigos nem seu irmão que deveriam estar em seus quartos. A mesa da cozinha estava como ele deixara antes, uma perfeita desordem, cheia de livros velhos espalhados e até caídos no chão. Tratou de começar a lê-los e tentar achar algo importante, folheando cada página com cuidado e analisando cada palavra, como se ela pudesse abrir sua mente de alguma forma.
Havia um livro sobre as principais famílias da cidade, sobre os Baumgärtner havia as mesmas informações de sempre, com destaque em algumas pessoas da família que executaram grandes feitos pela cidade. Claro que William nem de longe estava naquela lista. Na parte dos Gottwald, o familiar em destaque era o pai de Meredith como prefeito, mas ele já havia lido sobre isso também uma vez com Biene. Mesmo assim, seus olhos perscrutaram pelas páginas até ler o nome de Meredith: “O prefeito Lutz não aguentou a morte trágica da filha, Meredith Gottwald, que foi sequestrada por saqueadores que atacavam Aach naquela época. O corpo da filha foi encontrado no lago da cidade, afogado, segundo os boatos daquela época, em uma tentativa de fugir dos assaltantes ela tentou atravessar o lago, mas o peso do vestido resultou em um afogamento. O prefeito viveu por um mês e meio e morreu de ataque cardíaco”.
– Então ela teve uma morte trágica – Bill disse pensativo, relendo mais uma vez aquele trecho – Tenho que dizer que ela mereceu.
Já era quase dez horas da manhã quando Bill simplesmente se cansou de ficar debruçado em livros velhos sem achar nada. Levantou-se para fazer um café quando tropeçou no maldito tapete de árvore genealógica da família que estava enrolado no chão. Ele havia se esquecido dele, então se agachou e começou a desenrolar o tapete, lendo novamente aqueles diversos nomes até seu olhar parar na última descendente Lisbeth Baumgärtner. Afinal quem ela fora? E por que simplesmente sumiu do mapa sem deixar mais nenhum descendente?
Talvez Bill precisasse de uma informação que aqueles livros não dariam. Em vez do café, pegou a chave do carro alugado e saiu da mansão, levando o pesado tapete nos braços. Não adiantava pesquisar sobre os Gottwald, talvez a resposta estivesse o tempo todo nas raízes mais profundas daquela árvore genealógica.
Por mais que Aach fosse uma cidade muito pequena, foi um pouco complicado para que ele finalmente achasse a biblioteca. A construção também era bastante antiga, mas alguns anexos pareciam novos, construídos ainda nesse século. Bill estacionou o carro em frente à biblioteca e adentrou o local que estava praticamente vazio, tirando a presença de alguns estudantes em uma mesa, totalmente concentrados em suas pesquisas. Finalmente achou o que procurava, havia um computador na biblioteca, se ele precisava de informações mais atuais, com certeza acharia ali.
– Posso usar o computador para uma pesquisa? – Bill perguntou a velhinha que tricotava atrás do balcão, talvez essa fosse a única diversão que a bibliotecária tinha em um lugar tão parado.
– Claro – ela disse piscando os olhos várias vezes por trás dos óculos de aro redondo. Com certeza ela achava a aparência de Bill algo extremamente bizarro – Desde que seja só para pesquisa.
Bill assentiu e foi até o computador antigo, ainda com uma tela de traseira enorme, ele nem precisou ligá-lo para saber que era extremamente lerdo. Mesmo sentindo sua paciência se esgotando, não desistiu da pesquisa, ainda mais quando sentia que o mistério finalmente chegava ao fim. Depois de dez minutos, conseguiu entrar em um site de busca e digitou “Lisbeth Baumgärtner”. A maioria dos sites eram emprestáveis, o único que chamou a atenção foi o de um jornal de uma cidade dos arredores, então clicou sem pestanejar.
O site demorou um pouco para finalmente aparecer completamente, havia uma foto de Lisbeth Baumgärtner e para a surpresa de Bill, a foto era mais atual do que imaginava. A tal mulher devia ter por volta de quarenta anos, tinha os cabelos loiros e meio esbranquiçados, olhos azuis envoltos por algumas rugas e um sorriso acanhado. A manchete que seguia era nada menos que: “Morre a última Baumgärtner”.
“Todos já ouviram falar sobre Aach e o império dos Baumgärtner, eles não precisavam de títulos para se destacar sobre as outras pessoas. Com uma enorme árvore genealógica lotada de nomes importantes, o último nome que se tem notícia acabou de por fim na descendência. Lisbeth Baumgärtner, nome de solteira, 38 anos foi encontrada morta no famoso lago de Aach. Segundo algumas fontes, foi realmente um suicídio já que a mulher se encontrava em um estado bastante depressivo. O corpo só foi achado dois dias depois, nas margens do rio por um casal que passeava as margens”.

Outro déjà vu tomou conta de Bill, ele já havia lido essa história antes e fazia pouquíssimos minutos, afinal Meredith morrera de uma maneira bastante parecida. Percebendo que não encontraria mais nada no site de pesquisa, Bill deu uma olhada na biblioteca de sua cadeira, tentando localizar algo que o ajudasse descobrir mais, então seus olhos pairaram na velhinha tricotando. Ela devia ter uns setenta anos, devia ter vivido na época que Lisbeth havia morrido, poderia saber de algo. Sem pensar duas vezes, se levantou e foi até ela.
– Com licença – Bill disse polidamente – Eu estou fazendo uma pesquisa sobre Aach e me deparei com a famosa família Baumgärtner. Soube que a última descendente foi Lisbeth Baumgärtner e que ela não morreu faz muito tempo, você sabe algo sobre ela?
A mulher parou de tricotar e arregalou os olhos para Bill como se ele tivesse dito algum palavrão ou algo terrível. Ela pareceu bastante desconfortável e se remexeu na cadeira tentando encontrar uma posição onde o pânico não a atacasse novamente.
– Não gostamos de falar muito sobre isso, pode ser superstição, mas pode trazer mau agouro – ela disse engolindo seco – Nós sempre consideramos os Baumgärtner uma família amaldiçoada, até onde se sabe, a maioria morreu de maneira bastante trágica. Você não é um jornalista, é?
– Não, só estou fazendo uma pesquisa de campo, me interesso pelo passado – Bill tentou dizer da maneira mais verdadeira possível, pelo visto a velhinha acreditou no que ele dissera.
– Eu conheci Lisbeth, ela era uma boa pessoa, na época que eu tinha meus vinte anos, ela morava na grande mansão que fica na colina. Sempre foi de família rica, uma moça bonita e prendada, sabia falar francês com muita perfeição. O problema que como filha única ela desonrou a família ao se casar com um moço pobre, que trabalhava na mansão.
– E o que aconteceu?
– Ela foi deserdada logo depois que fugiu com o moço, eles viveram em uma cidade próxima de Aach por um longo tempo até o pai dela ficar doente. Lisbeth voltou para cá, cuidou de seu pai e reatou os laços antes dele morrer, então conseguiu ficar com a herança da família e a casa. Morou na mansão por um bom tempo até que o pior aconteceu, ela descobriu que seu marido estava a traindo, então não aguentou essa surpresa e se suicidou no lago local. A culpa toda caiu sobre o marido, claro, ele não era um homem ruim, mas era extremamente mulherengo.
– E quem era o marido dela? Ele ainda está vivo? – Bill prosseguiu, percebendo que estava chegando perto de algo.
– Não gosto de dar nome aos bois, ainda mais quando o homem se martiriza pelo acontecido, ele realmente se arrependeu de tê-la perdido.
– Por favor, isso é importante para mim, preciso saber o nome do marido de Lisbeth.
– Você sabe, ela não é a última descendente dos Baumgärtner, é a última que carregou o nome deles até se casar. Você também pode conhecê-la como Lisbeth Grünewald, ela se casou com o homem que era filho de ciganos que liam borras de chá e café.
– O que? – Bill exclamou surpreendido, seu coração se apertou ao ouvir aquele sobrenome – O marido de Lisbeth é Eleazar?
– Sim – ela acenou com a cabeça – Ele se sente culpado por não ter acabado com a maldição dos Baumgärtner. Pode ser tudo bobagem, mas uma hora ou outra alguns dos descendentes morrem de forma trágica. Basta você pesquisar.

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40 Utopia em Ter Abr 23, 2013 3:18 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 36 - O Lago de Sangue

Isso era apenas superstição. Era o que Bill pensava sem parar na sua cabeça, enquanto voltava para o carro e dava uma olhada na árvore genealógica da família novamente. Ele anotou vários nomes em um bloquinho de notas que a bibliotecária lhe emprestara, só queria apenas confirmar que a velhinha estava errada.
Mas o que não saía de sua cabeça era que Biene era realmente descendente dos Baumgärtner, por isso a tamanha semelhança dela com Meredith Gottwald e com Lisbeth. Isso também explicava o problema que os pais dela tiveram com Eleazar, ou o pai ou a mãe de Biene era filho dele e com certeza não gostou nada de saber que o pai era um mulherengo traidor.
Outra coisa que era digna de atenção era o motivo de não ter quase nenhuma informação sobre os Baumgärtner, com certeza Eleazar havia escondido todas as provas, mas Biene e Bill haviam conseguido achar todos os livros no mausoléu. Talvez por ter vivido quando jovem na mansão ele conhecia todos os segredos dela mais do que ninguém.
Com o bloquinho cheio de nomes nas mãos, Bill começou a procurar sobre eles no computador, mas só conseguiu descobrir um pouco sobre os últimos nomes da árvore genealógica e nenhum deles parecia ter morrido de forma trágica. Infelizmente ele havia deixado todos os livros na mansão, então foi até a bibliotecária novamente.
– Você tem jornais antigos? Principalmente algo em relação aos Baumgärtner? – Bill perguntou.
– Por que quer desenterrar esse passado, querido? Esqueça dele – ela disse calmamente, voltando a tricotar o que parecia ser sapatinhos de bebê.
– Olha, você pode acreditar ou não, mas estou vivendo por um tempo na mansão dos Baumgärtner e tem coisas estranhas acontecendo comigo. Há alguma coisa do passado lá que precisa ser descoberta, eu estou desesperado para descobrir o que é e preciso de ajuda – Bill disse batendo as duas mãos na mesa fazendo tanto a velhinha quanto os alunos na mesa de estudo assustarem – Você tem os jornais ou não?
A secretária engoliu seco e segurou a cruz que pendia em seu pescoço, pelo visto ela era mais supersticiosa do que aparentava. Ela chamou Bill até os fundos da biblioteca, atravessando várias estantes cheias de livros velhos. Em uma das paredes, meio escondido, havia uma porta de madeira escura, a velhinha tirou uma chave do bolso do cardigã e abriu a porta.
– Ninguém pode entrar aqui, nós temos algumas notícias sobre os Baumgärtner, mas Eleazar decidiu que era melhor esconder tudo. Ele tem medo de que algo aconteça com o filho dele ou com a neta. Graças aos céus que ela não está aqui agora, Eleazar me mataria caso a colocasse no meio de tudo isso.
– Tudo bem, apenas me mostre às notícias – Bill disse, adentrando a sala escura e cheirando a mofo.
A velhinha puxou uma corrente e a uma lâmpada iluminou o pequeno aposento cheio de pastas pretas e papéis jogados. Havia outras tralhas pelo local, mas nada que realmente interessasse já que os olhos de Bill pairaram sobre as pastas pretas. A mulher pegou as pastas e colocou no colo dele.
– Aqui está tudo que você precisa, dê uma folheada rápida aqui mesmo. Dou-te alguns minutos, logo volto e tranco essa porta para não ser aberta mais, entendeu? Não se demore.
Bill nem esperou a velhinha sair e começou a folhear a pasta que estava cheio de jornais plastificados para que não estragassem com o tempo. As notícias falavam um bocado sobre os Baumgärtner, a maioria era sobre os homens que entraram para a política ou que se tornaram barões, marqueses, viscondes e duques. Por enquanto não havia nada de trágico, até que chegou a uma notícia que datava 15 de Abril de 1924.
“Jorunn Baumgärtner, de apenas sete anos, morreu afogada no lago local durante o piquenique anual da família Baumgärtner. Ninguém percebeu seu sumiço durante a festa, só ao seu término que os seus irmãos a encontraram no lago já sem vida”.
– Ah, não – Bill engoliu seco – Ela também morreu afogada.
Não demorou a outra série de nomes aparecerem. Rosemarie Baumgärtner, em 4 de Novembro de 1945, foi morta pela amante do marido no lago da cidade. Isolda Baumgärtner, em 27 de Junho de 1986, caiu do barco de pesca do pai e bateu a cabeça nas pedras submersas do lago. Emilie Baumgärtner, em 12 de Março de 1991, recebeu um tiro de um homem que amava, mas não era correspondido e caiu no lago para morrer afogada e ensanguentada. Todas eram mulheres. Todas descendentes dos Baumgärtner. Todas as mulheres da árvore genealógica morreram a partir de 1863.
“Não vou matá-la, o inferno não merece mais uma pessoa como você. Espero que você apodreça aqui mesmo, que a própria vida a amaldiçoe e que todas as suas malditas descendentes sofram da mesma maneira que você”.
– Maldições são de mentira, isso não existe – Bill disse, tentando assegurar a si mesmo – Não é possível que seja verdade.

– Não cometa mais erros do que já cometeu, Senhor Baumgärtner – o padre disse, indo atrás daquele homem impetuoso – Vocês todos cometerem um terrível erro, mataram uma jovem e levou seu próprio filho para a cova!
– Ele não vai para a cova – disse o Senhor Baumgärtner, indo antes de dois dos seus empregados que carregavam o corpo de William que estava envolvido em panos – Aquele maldito não merece entrar no nosso mausoléu, não merece nem um pedaço de terra! Ele desonrou nossa família, jogou fora tudo que eu dei a ele. Foram anos de dedicação! E o ingrato prefere fugir com uma meretriz. Prefiro-o morto a um fugitivo com o nome sujo.
– O senhor não pode fazer isso, não permito! Ele merece ir para uma cova. O pobre rapaz estava apaixonado pela jovem, ela não era uma meretriz, trabalhava até para minha igreja.
Mas o homem não escutava, o padre descia pela grama com extrema dificuldade por causa da idade e de batina que era um pouco mais comprida do que deveria ser. Por mais que ficasse falando da bíblia e sobre o céu e o inferno, o Senhor Baumgärtner não ouviu. Só pararam de caminhar quando chegaram ao lago.
– Podem jogá-lo, deixe que afunde e sirva de comida aos peixes – comandou o Senhor Baumgärtner para o seus empregados.
– O que? – exclamou o padre – Não pode fazer isso! É contra a lei da igreja! O senhor quer ir para o inferno?
– Se você não se calar padre, vai conhecer o inferno mais rápido que eu – o homem retrucou, mostrando a arma dentro do seu casaco – O filho é meu e faço o que bem entender.
Os empregados não esperaram também para descobrir como o inferno é, jogaram o corpo na parte mais funda do lago que afundou por causa das pedras que estavam dentro do pano. O padre sentiu a cor sumir do seu rosto enquanto via o corpo sumir nas profundezas escuras, rogou algumas preces em sua cabeça pela alma do rapaz.
– Espero que fique em paz – sussurrou.
Ninguém percebeu quando o Senhor Baumgärtner foi embora, com lágrimas descendo o seu rosto enrugado. A carta que mandar para Heinrich vir para a Aach fora encaminhada, ele cuidaria dos negócios da família e se casaria com Meredith Gottwald. O primogênito iria acabar com todas as memórias do outro filho, o favorito. Na manhã seguinte, os empregados encontraram o corpo do Senhor Baumgärtner, morto de tanta tristeza e decepção, com uma expressão de susto cravada nos sulcos da pele, como se tivesse visto um fantasma.


– Ei, você! – disse a bibliotecária, não sabendo se o chamava de rapaz ou moça, já que a aparência dele era tão exótica a ponto de esconder de que sexo era – Está dormindo?
Bill não estava dormindo, apenas estava preso naqueles flashes que apareceram diante dos seus olhos. Quando recobrou a consciência, percebeu que não estava mais nas margens do lago e sim de volta ao pequeno cômodo, com a bibliotecária o chacoalhando.
– Você está passando mal? – ela perguntou – De repente ficou pálido.
– Não... eu...
“Meu sonho sempre foi poder nadar nele, mas como faz muito frio, acho que nunca vou poder fazer isso. Pelo menos, algum dia eu posso tentar navegar nele com algum barco. Um cara daqui está construindo um de madeira para mim, em breve vai estar pronto e vou poder ficar navegando sempre que eu quiser”.
– Ah, droga! – Bill exclamou se levantando rapidamente, jogando a pasta de lado e atravessando os corredores cheios de estantes – Biene! Maldita ideia essa a sua!

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41 Utopia em Ter Abr 23, 2013 3:20 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 37 - Fogo e Água

O carro alugado arrancou no cascalho, deixando a biblioteca ao longe, com uma bibliotecária atônita. Bill só precisava se certificar que estava tudo bem com Biene, que aquela loucura que ela descobrira não passava de imaginação. O primeiro local que ele precisava checar era a casa dela, havia uma grande chance de que ela estivesse lá, então poderia convencê-la do que estava acontecendo, se ela acreditasse.
Quando chegou a casa de Biene, Bill notou que havia um carro estacionado na frente que não tinha visto da última vez. Ele desceu do seu próprio e foi até a casa que estava com a porta aberta, onde se via uma mulher morena carregando uma caixa de papelão enorme. Ela foi vacilar quando pisou na sarjeta, Bill conseguiu chegar a tempo de ajudá-la antes que fosse esmagada pela caixa quando caísse.
– Muito obrigada! – ela disse colocando a caixa no chão e bufando. Os olhos azuis dela fitaram Bill, como se visse algo surreal – Não vai me dizer que Gustav está aqui?
– O que? – Bill exclamou atônito.
– Você é Bill Kaulitz, vocalista daquela banda do Gustav. Se você está aqui, quer dizer que ele está também. Preciso ver meu sobrinho! – ela disse sorrindo de um jeito que lembrava vagamente alguém.
– Você é a mãe da Biene! – ele exclamou finalmente percebendo a semelhança entre elas.
– Sou, me chamo Ellise.
– Pensei que estivessem viajando, ela falou sobre uma peça que estavam escrevendo.
– Já estamos de volta, finalmente! Cidades grandes são terríveis para se escrever algo, prefiro a calma daqui – ela disse pegando a caixa novamente e levando para dentro da casa – Mas o que está fazendo por aqui?
– Eu estou procurando Biene, ela que está nos ajudando a ficar escondido na cidade – Bill prosseguiu, a seguindo – Ela está por aqui?
– Acabamos de chegar, mas acho que ela não está em casa. Deve estar na biblioteca, com Eleazar ou em qualquer lugar. Ela é tão imprevisível, não me lembro de tê-la educado dessa forma – ela disse colocando a caixa no chão e assoprando a franja que lhe caíra no rosto – Basta ver que nem precisamos de decorador quando nos mudamos, ela que decorou a casa inteira.
Bill sorriu ao ver novamente as máscaras africanas na parede. Com certeza Biene gostava de fazer transformações por onde passava.
– Já que Biene ama passado, espera ela ver o que eu descobri – Ellise disse, abrindo a caixa e tirando uma boneca de porcelana com um vestido branco, um pouco amarelado nas pontas – Era dela quando tinha uns dois anos, depois acabou se esquecendo da boneca e se interessou por outros tipos de brinquedos. Acho que ela nem se lembra da pequena Johanna.
– O que? – Bill exclamou pasmado.
– É o nome da boneca – ela disse sorrindo – Quando Biene era pequena, a chamava de Johanna. Ela nem deve se lembrar disso, mas achei interessante trazer a boneca, por que a achei no sótão da nossa antiga casa. Você está bem?
Bill ficou lívido enquanto encarava a boneca. Por um momento ele realmente acreditava que Biene poderia ser Johanna, em outro momento que ela era Meredith e ás vezes que ela apenas entrou na história de paraquedas. Agora estava a prova final de que o tempo todo Johanna estava em perigo, de que ele iria perdê-la novamente.
– Bill? – Ellise o chamou, tirando-o daquele transe – Está tudo bem?
Quando ele ia responder, ouviu passos na escada da sala, por um momento, pensou que fosse Biene segura em seu quarto, mas era o pai dela. Bill o reconheceu pelo simples fato de que enquanto Biene parecia com os genes de Meredith, ele lembrava uma mistura de Baumgärtner com Gottwald. Os olhos eram azuis límpidos, mas o cabelo era preto azeviche, sem falar na estatura que era praticamente do tamanho de Bill.
– Albert, adivinha quem ele é! – Ellise exclamou soltando a boneca no sofá.
– Não é o vocalista daquela banda que o seu sobrinho toca? – ele perguntou analisando Bill de cima a baixo.
– Esse mesmo! É Bill Kaulitz, ele está aqui também para conseguir inspiração. Biene está ajudando ele e a banda a ficarem escondidos.
– Queria saber se viu a Biene – Bill perguntou rapidamente, ele não tinha tempo a perder.
– Ela não está em casa, chequei todos os cômodos. Fiquei com medo de que ela estivesse transformado nossa casa em um antiquário, mas tudo está quase em perfeita ordem – ele disse rindo e ajeitando os seus óculos. Bill achava que eles davam mais calma naquele jeito Baumgärtner dele.
– Então vou procurá-la na casa de Eleazar – Bill disse se distanciando, ele não queria parecer mal educado, mas já estava ficando desesperado, precisava se certificar de que Biene estava segura – Foi um prazer conhecê-los.
Ele acenou e saiu correndo de volta para o carro, tomando cuidado para não tropeçar nas caixas que os pais de Biene haviam trazido. Tanto Albert quanto Ellise ficaram parados atônitos sem entender o que estava acontecendo.
– Ele é estranho – Albert comentou.
– Mais normal do que Biene – Ellise disse.
– Verdade. Acredita que achei uma planta carnívora no banheiro? Vou jogá-la fora antes que fique igual aquele filme A Pequena Loja dos Horrores.

O carro foi estacionado na frente da casa de Eleazar. Sempre que Bill se aproximava daquele local ele se sentia estranho, pelo simples motivo de que em algum lugar do passado aquilo fora um cabaré. E não era nem pelo local, mas pelas pessoas que já viveram lá. Havia aquela nostalgia inebriante que tomava conta do ar e deixava seu estômago revirado. Ele não sabia distinguir se aquilo lhe lembrava incenso ou sangue. Eleazar estava na varanda fumando calmamente enquanto via Bill se aproximar. Havia também uma xícara de café ao seu lado, será que ele já sabia de tudo que estava acontecendo?
– Ah, então é você – ele disse fumando o cigarro longamente – O café me disse que eu teria um encontro com um homem.
– A Biene está? – Bill perguntou rapidamente – Eu realmente preciso saber.
– Ela não está, deve estar na biblioteca ou na casa dela – ele disse lançando um olhar bravo para Bill.
– Droga! Ou ela está a caminho da morte. Seu café não disse isso? – Bill disse bravo ao ver que ele parecia extremamente tranquilo quando na verdade ele sabia tudo sobre aquela maldição dos Baumgärtner – Ela comprou um barco e vai navegar naquele maldito lago em que todas as descendentes dos Baumgärtner morreram.
– Mas o que? – Eleazar exclamou fazendo o cigarro cair da sua mão – Está brincando? Como você sabe sobre isso?
– Como eu sei apesar de tudo que você tentou esconder? Tive uma ajudinha. Não acredito que pensou que escondendo o passado poderia manter Biene protegida.
– Olha, Senhor-astro-do-rock, se Biene quisesse fazer um barco e navegar naquele lago, eu saberia. Ela simplesmente não pode construir sozinha um e carregá-lo nas costas até lá.
– Fester Wald construiu para ela. Não sei por que ela não te contou, mas talvez ela saiba mais do que aparenta. Só sei que nesse instante ela pode estar naquele maldito lago e corre perigo.
– As xícaras dizem o contrário – ele disse bravo, desafiando Bill – Ás vezes parece que elas alertam algo, logo mudam totalmente. Hoje mesmo de manhã vi que há proteção rodeando Biene.
– Então serei eu que a protegerei – Bill retorquiu, dando as costas para Eleazar e voltando para o carro. Ele abaixou o vidro do carro e gritou – Eu sei que ela corre perigo! Se eu fosse você, não duvidaria disso depois de tudo que aconteceu.
O carro arrancou pelo asfalto e partiu para longe da cidade até chegar à grama e cascalhos. Bill sabia exatamente em que parte do lago Biene estaria, não havia dúvidas de que a clareira seria o lugar onde ela tentaria navegar. Quando percebeu que não dava mais para avançar com o carro por causa das árvores, ele o abandonou com a chave na ignição.
Na clareira, Bill procurou por Biene em todos os cantos, mas não havia sinal dela. Será que ela já havia entrado no lago? Será que estava se afogando? Será que chegara tarde demais? Foi quando olhou para o lago e notou uma movimentação. Bill correu para direita, descendo o morro que ficava perto do lago e notou que um pequeno barco de madeira escrito Utopia do lado se distanciava da margem.
– Ei, Bill! – Biene gritou quando o viu – Consegui! O barco está pronto! Quer navegar também?
– Biene! – Bill gritou colocando suas duas mãos do lado do rosto para que ela ouvisse melhor – Volte agora!
– Já estou indo! – ela gritou animada, virando o barco com os remos.
Quando o barco virou completamente, ela puxou a corda do motor, mas no mesmo instante ela se rompeu. Biene ficou completamente surpresa, ela pagara caro naquele motor e ele já quebrara! De repente percebeu que o motor estava com cheiro de queimado que vinha das diversas faíscas que saía da corda que se rompera e talvez tivesse danificado algo dentro dele.
– Oh, Gott! – ela gritou se afastando do motor que cada vez mais ficava em chamas – Lá se vai quinhentos euros.
Então o motor explodiu.

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42 Utopia em Sex Abr 26, 2013 3:24 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 38 - A Promessa

Fumaça e faísca se espalharam por toda a superfície da água. Bill não conseguia ver nada do que estava acontecendo lá, só que o barco ficara em chamas, sem nenhum sinal de Biene. O desespero tomou conta dele, ele não fazia ideia se Biene estava a salvo na água, ou se ainda estava no barco em chamas.
Correu o mais rápido possível para o píer, arrancou suas botas e o casaco. Devia estar quase zero grau, mas ele nem pensou nisso quando seu corpo atingiu a água e sentiu como se milhares de agulhas pinicassem e queimasse sua pele. Bill ficou imerso, tentando se acostuma com aquela temperatura torturante, enquanto nadava o mais rápido possível para perto do barco.
– Biene! – ele gritou, enchendo os pulmões com ar gelado, mas não obteve nenhuma resposta.
Com todas as forças que tinha e aguentando aquelas águas geladas, Bill se aproximou cada vez mais do barco em chamas. Mesmo aspirando a fumaça, conseguiu chegar até lá e deu uma olhada dentro do que restava, mas não havia sinal de Biene ali. Olhou para todos os lados, procurando sinal de algo flutuando, mas era como se ela tivesse desaparecido.
Então só havia um lugar onde ela poderia estar: submersa. Afastou-se do barco para conseguir ar e finalmente mergulhou, mantendo seus olhos abertos para que enxergasse algo. Seu coração parecia afundar junto com ele, principalmente quando sentia que o tempo estava acabando e não havia sinal dela em nenhum lugar.
“Por favor, Will” Bill pensou quando voltava à superfície para conseguir mais ar “Se você realmente está me ajudando, não deixe Biene morrer novamente”. Quando novamente atravessou toda aquela imensidão azul, Bill avistou algo, mas não era Biene, era Johanna. Seus cabelos negros se espalhavam pela água, seus olhos estavam fechados e seu vestido balançava conforme o movimento da correnteza.
Bill nadou em sua direção, o mais rápido possível. Quando a alcançou, agarrou o seu braço, a puxando para si. O tempo parecia ter se congelado, a água deixava tudo mais lento, era como se a realidade se transformasse em sonhos novamente, principalmente quando os olhos de Johanna se abriram. O braço branco dela tocou no rosto de Bill e tudo pareceu sumir, a dor da águas congelantes, os olhos que ardiam, o coração que estava sob pressão.

Ele estava na margem do lago, não estava realmente calor, devia estar dezessete graus, mas isso já era o suficiente para fazer as pessoas saírem de casa. Em um país europeu, aquilo podia ser chamado de calor. Will devia ter cerca de oito anos, estava do lado de sua mãe, que segurava uma sombrinha. Seu vestido rosa se estendia pela toalha que colocara no chão. Will estava deitado nela, olhando para o lago, as pessoas passavam o tempo todo e cumprimentavam a Senhora Baumgärtner.
Seu pai estava no píer junto com outros homens, pescando alguns peixes e se gabando um para os outros quem pegara o maior ou o mais raro. Heinrich estava no lago, jogando água e lama nos seus amigos mais fracos, um verdadeiro brutamontezinho. Pelo menos ele estava infernizando outros e não Will como sempre fazia, mas ele não tentaria, sua mãe estava com ele.
– Heidi – disse o Senhor Baumgärtner, se aproximando da mulher – Deixe William brincar, ele está muito mal acostumado. Veja Heinrich, está se divertindo com seus amigos.
Will olhou sério para o seu pai, como se ele estivesse sendo sarcástico ao classificar o que faziam como diversão. Claro que Heinrich estava se divertindo, mas não quer dizer que seus amigos estavam.
– Semana passada ele havia pegado um resfriado, lembra? Não podemos arriscar que ele piore. É melhor que fique tomando sol.
Heidi sorriu para o marido e Will pode respirar tranquilamente. O Senhor Baumgärtner podia retrucar com qualquer outra pessoa, mas não com sua esposa, não que ela fosse difícil de lidar, é que ela apenas tinha tanta segurança em sua voz que ninguém conseguiria questioná-la. Pena que daqui alguns anos a morte questionaria sua vida, com confiança ou não.
– Que tal irmos andar de barco? – ela perguntou a Will, com um sorriso – Seu pai tem um pouco de razão, precisa se movimentar mais, não pode só ficar só deitado.
Perto do lago havia uma casa de madeira, onde morava um velho que tinha barcos para serem alugados. A família Baumgärtner tinha um só para eles, já que Heidi sempre gostara de navegar todos os fins de semanas ensolarados. O velho os cumprimentou e foi até o píer ao lado de sua casa, ajudar os dois a se instalarem no barco.
– Será um prazer remar para a senhora e seu filho – disse o velho tirando o seu chapéu para Heidi.
– Espere um momento – ela disse ao ver uma pessoa conhecida se aproximando – Leonie! Venha andar de barco também!
Will virou-se para ver de quem se tratava. Uma mulher de cabelos pretos e olhos acinzentados se aproximou, carregando uma garotinha em seus braços com características similares a dela. Ah, ela devia ser Leonie Schmidt. Ele já havia ouvido seu pai falar dela, como o marido era seu parceiro na contabilidade, mas havia morrido há pouco tempo. A mulher estava sozinha agora, tentando sustentar os filhos através da herança que lhe sobrara.
– Que bom vê-la Heidi! – ela disse sorrindo e entrando no barco, mantendo sua filha ao seu lado – Olá, Will.
– Will, essa é a Leonie, lembra? – Heidi disse dando sinal ao velho para ele remar – Ela sempre vem tomar chá comigo. E essa é a filha dela, Johanna. Você não a conhece, ela ficava a maior parte do tempo com sua governanta.
– Tive que mandá-la embora, infelizmente. Agora não podemos gastar muito – Leonie disse tristemente.
Estava claro no rosto dela que havia passado por maus bocados. Ela parecia mais pálida que o normal, e seus olhos carregavam tristeza e cansaço. Will deixou de prestar atenção nela e fixou seu olhar na garotinha de três anos, a tal Johanna. Ela também o olhava com interesse, enquanto segurava uma boneca de pano em suas mãos.
– Ela não fala? – Will perguntou.
– Ela é tímida – Leonie sorriu em resposta, ela tirou Johanna do seu colo e a colocou no banco do barco, ao lado de Will – Diga olá a ele, Johanna.
Mas ela não disse, apenas abaixou seus enormes olhos acinzentados e deixou sua boneca cair no fundo do barco. Will a pegou, devolvendo para ela, como sua mãe sempre ensinara. O que Heinrich tinha de má educação, Will recebera a boa em dobro.
– Não se preocupe, sua boneca não se molhou – Will disse – Ainda bem que sou eu que estou nesse barco, se fosse Heinrich, ele teria jogado ela longe.
– Obrigada – ela disse quase em um sussurro, pegando a boneca – Não quero que ela vá embora como papai.
– Ela não vai – Will disse, pensando no que seria sua vida se sua mãe morresse. Na cabeça da garotinha, talvez ela não entendesse direito o que era a morte, mas Will já vira javalis morrerem na sua frente quando ia caçar com seu pai. Aquilo talvez não fosse um ótimo exemplo, mas já era alguma coisa – E seu pai está bem. Mamãe sempre me conta que quando alguém querido vai embora, ele vira uma estrela no céu. Sempre que você olhar para as estrelas, saberá que seu pai vai olhar por você.
– Meu pai sempre falou que ia me proteger – ela disse mudando sua expressão triste para um enorme sorriso.
– Eu também vou – Will disse sorrindo – Cavalheiros sempre protegem as damas.
– Você promete?
– Eu prometo.


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43 Utopia em Sex Abr 26, 2013 3:26 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 39 - Mais uma memória


– Onde está Gustav? – Tom perguntou, estirado no sofá de couro vermelho, que de tanto pularem nele, já estava com um furo enorme – Era para ter chegado há meia hora.
– Ele está com um probleminha – Georg disse, encostado em uma mesa de madeira antiga.
– Que tipo de problema?
Eles haviam marcado de se encontrarem às duas da tarde, na garagem da casa de Georg para ensaiarem. No próximo fim de semana, eles teriam uma apresentação em um pub ao norte do centro de Magdeburg. Gustav falara que iria se atrasar para o ensaio, mas até agora, não dera nenhum sinal de vida.
– A prima dele, Sabine, vai embora de Magdeburg. Os dois estão bastante tristes.
– Sorte dela – Bill exclamou – Se eu pudesse, também sairia dessa cidade.
– Mas ela vai para uma cidade com menos habitantes que aqui. Não parece ser tão legal – Georg comentou, dando de ombros.
– Tudo bem, não vou ficar parado aqui sem fazer nada. Vamos atrás do Gustav – Tom disse, pulando do sofá e saindo da garagem.
A casa de Gustav era a dois quarteirões dali, e segundo Georg, a casa da prima dele, era vizinha. Mal chegaram à rua certa, acharam Gustav sentado na sarjeta de uma casa, acompanhado de uma garota com cerca de doze anos de idade, loira igual ao primo e com os olhos azuis manchados por lágrimas. Quando ela viu que algumas pessoas se aproximavam, tratou de enxugar os olhos rapidamente.
– Está tudo bem, Gustav? – Georg perguntou, percebendo que o amigo também estava com os olhos lacrimejando.
– Não muito – ele disse tristemente – Biene vai embora.
– Mas ela pode voltar nas férias para cá, ou você pode ir até lá – Bill disse, olhando para Biene.
Ele já a vira algumas vezes na escola local, sempre acompanhada de livros e usando óculos. Biene também usava roupas estranhas, que lembravam vagamente algo hippie. Mas Bill não podia falar sobre roupas, quando ele mesmo não era nada normal. Se ele tinha alguma compaixão por ela, era por que ambos sofriam bullying. Quantas vezes Gustav já batera em garotos que a atormentavam?
– Mesmo assim é muito longe – ela disse com a voz embargada – Não quero ir embora, vivi a maior parte da minha vida aqui.
– Você vai ficar livre daquelas pessoas que te atormentam na escola – Bill respondeu, tentando encontrar alguns motivos para que ela parasse de chorar.
– Isso é o de menos. Não vou poder mais ver as pessoas que amo.
– Quando você vai embora? – Georg perguntou.
– Semana que vem. Só tenho quatro dias.

**************************
– Não acredito que você vai embora amanhã, Biene – disse Leonie, a melhor amiga de Biene, sentada ao seu lado durante o intervalo.
– Nem eu, tentei de tudo para fazer com que meus pais mudassem de ideia – Biene disse tristemente, apoiando o queixo em seus joelhos – Nunca mais vou poder vê-la, a não ser que eu consiga vir para cá nas férias.
– E você nem falou para ele.
– O que? Está louca? Não posso contar, ainda mais agora. Além do mais, ele está namorando a Ina. E ele só me conhece há pouco tempo.
– Eu pensei que já que você vai embora, poderia pelo menos contar a ele.
– Se eu contar, prefiro mil vezes que ele diga que não gosta de mim, assim poderia ir embora e não voltar nunca mais. Se eu descobrir que ele gosta de mim, o que vou fazer? Não conseguirei mais ir embora, sabendo que cometi um erro.
– Tudo bem, então não diga. Talvez seja o certo mesmo a fazer. Quem sabe você não acha alguém mais interessante na cidade aonde você vai?
– É, quem sabe – Biene disse tristemente, enquanto ao longe via ele, junto de sua namorada. Ela bem sabia, que agora, não teria mais chances nenhuma.

**************************
– Eu não vou – Gustav disse, sentado no sofá da garagem do Georg – Eu não vou conseguir dizer adeus para ela, por isso não vou.
– Você vai deixá-la ir embora assim? – Georg exclamou bravo, puxando Gustav do sofá – Que espécie de primo é você? E ela pode voltar nas férias, você vai revê-la.
– Mas se estivermos fazendo shows em outra cidade?
– Esquece essa besteira, vai logo se despedir dela! – Tom disse, puxando Gustav pelo outro braço e o levando porta afora.
Os quatro correram o mais rápido que podiam até a casa de Biene, tentando chegar a tempo. Quando chegaram lá, um homem estava acabando de fechar a porta do caminhão com todas as mobílias da família, mas não havia sinal nenhum do carro dos pais de Biene.
– Bitte, onde estão os Grünewald? – Georg perguntou ao homem.
– Eles acabaram de ir embora, viraram aquela esquina – O homem parrudo respondeu, apontando para o final da rua.
– Ela já se foi – Gustav disse tristemente.
– Não, você tem que se despedir dela – Bill exclamou, puxando a bandana do Tokio Hotel que ficava preso na calça de Gustav – Vem comigo, temos que correr muito se quisermos alcançá-los.
Os quatro correram o mais rápido que podiam, não importando o quanto seus músculos doessem, nem o quanto estava difícil de respirar. Quando eles decidiram criar aquela banda, eles sabiam que o problema de um integrante, era o problema de todo o grupo. Se Gustav precisava se despedir de Biene, os outros três o ajudariam, mesmo que o assunto não tivesse a ver com o resto da banda. Por isso, com todo o conhecimento que eles tinham de atalhos, conseguiram chegar à estrada que levava para fora de Magdeburg.
Nenhum dos carros que passava por lá parecia com o de Biene, todos estavam extremamente cansados para acreditar que não conseguiram chegar a tempo. Gustav deixou-se cair no chão, vencido pela fatiga e pela tristeza. Quando Bill estava para fazer o mesmo, olhou para trás e avistou um carro cinza que já vira antes, vindo em alta velocidade. Com a bandana em sua mão, começou a fazer sinal para o carro, tentando chamar atenção.
– Levante-se, Gustav! – Bill exclamou – É a sua prima!
O carro estacionou perto deles, e uma garota com longos cabelos loiros pulou de dentro e correu para um Gustav que tentava se manter em pé.
– Eu pensei que você não viria! – ela exclamou chorando.
– Se não fosse eles, acho que eu nunca conseguiria chegar aqui a tempo – Gustav respondeu, lançando um olhar de agradecimento para seus amigos.
– Ei, Biene – Bill disse, estendendo a bandana para ela – Queremos que fique com isso, para se lembrar tanto do Gustav quanto da banda. Um dia seremos tão famosos que os quatro cantos do mundo saberão sobre nós. Assim você sempre poderá ver Gustav em todos os lugares e saber sobre ele. Podemos até fazer um show na cidade aonde você vai morar! Vamos nos ver novamente.
Ela esticou a mão trêmula e pegou a bandana onde se podia ler Tokio Hotel e havia uma foto dos quatro componentes. Uma das pessoas que ela mais sentiria falta com certeza era seu primo Gustav, mas havia mais alguém que se lembraria sempre quando olhasse para a bandana, que ficaria do lado da sua cama pelos próximos cinco anos.
– Promete? – ela perguntou a eles.
– Prometo – foi o que Bill disse.


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44 Utopia em Ter Abr 30, 2013 2:52 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 40 - A Carta

Notas da autora: Abaixo, a música que inspirou a fanfic *-*

Ajude-nos, estamos nos afogando tão perto, por dentro
Por que chove, chove, chove em utopia?
Por que tem que se matar o ideal de quem somos?
Por que chove, chove, chove em utopia?
Como as luzes se apagarão nos contando quem somos?

Within Temptation - Utopia

Promessas são feitas para serem cumpridas, independente do dia de origem e Bill bem sabia que não podia quebrá-las novamente. Nos seus braços não havia mais a imagem de Johanna, que se perdera pela correnteza, havia apenas Biene inconsciente. Ele se lembrava daquela época, quando prometera que iria vê-la de novo, antes parecia apenas uma promessa infantil, mas agora esse encontro teria que acontecer pelo bem dela.
Com os braços em volta de Biene, Bill subiu o mais rápido que podia para a superfície, com seu coração batendo rapidamente, desesperado para saber se ela estava bem. Seus pulmões ficaram aliviados quando finalmente o ar entrou por eles, o único dilema que se encontrou, é que estava muito longe da margem. Suas forças já estavam esgotadas, mesmo assim, conseguia encontrar forças para nadar até terra firme segurando Biene.
De repente, ao longe, viu um vulto pular na água e vir nadando em sua direção. Quando este estava a alguns metros, percebeu que se tratava de Eleazar, que para sua idade, nadava melhor do que qualquer jovem rapaz, até melhor que o próprio Bill.
– Deixa eu te ajudar – ele falou, pegando Biene e colocando em suas costas – Não vou perdê-la como já perdi outra Baumgärtner.
– Nem eu – Bill disse, nadando ao lado dele, em direção a margem.
Eleazar colocou Biene deitada na relva, o rosto dela estava totalmente pálido, podiam-se ver algumas queimaduras em seus braços, causados pela explosão que ela tentou se proteger. Ele apoiou as mãos no tórax dela, tentando ressuscitá-la e também fazê-la expelir a água que engolira.
– Droga! – Eleazar exclamou ao ver que nada adiantava – Demoramos demais.
– Não, não demoramos – Bill disse desesperado, afastando Eleazar e tentando ressuscitá-la – Vamos, Biene! Você não pode morrer! Você não quer conhecer todos os mistérios do mundo? Não quer participar da escavação de um sítio arqueológico?
Bill fechou o nariz dela e encostou seus lábios ao dela. Assoprou todo o ar que havia em seus pulmões, tomando cuidado para não afogá-la, só que dessa vez em suas lágrimas. Ele não poderia ter demorado, não se perdoaria se ela morresse em suas mãos novamente.
– Biene, eu prometi que ia proteger você, como você pode morrer e não me deixar cumprir isso? E o show? Eu prometi um show nessa cidade! Eu me lembrei das promessas, por favor, então me deixe cumpri-las!
Houve uma tossida. Eleazar começou a tentar ressuscitá-la novamente e logo a boca dela começou a expelir água. Biene se curvou para o lado tossindo freneticamente, tentando respirar. Seu corpo caiu pesadamente no chão, novamente, ela não abria os olhos, mas seu tórax subia e descia de forma lenta, mostrando que ainda havia algum sinal de vida. Quando Bill ia tentar acordá-la, ouviu o barulho de uma sirene e uma ambulância apareceu.
– Confiei em você, garoto – Eleazar disse, carregando a neta e ajudando os enfermeiros que desceram o morro – Chamei a ambulância antes mesmo de ter a confirmação do que você disse. Quando se trata dos Baumgärtner, qualquer acidente é uma certeza.
Bill entrou na ambulância junto de Eleazar, enquanto os enfermeiros colocavam Biene em uma maca e colocavam aparelhos para que ela respirasse melhor. Biene não tinha mais aquela aparência de morta, seu rosto até estava mais corado, mesmo assim a preocupação ainda pairava no ar. E logo iria pairar na cidade inteira quando a notícia sobre o afogamento da neta de Eleazar correu como um tufão que arrasta árvores.
O pequeno hospital local estava atolado de pessoas. No começo, Bill pensou que era um bando de curiosos, daqueles que gostam de ver e saber das tragédias de perto. Mas ele estava acostumado demais com os paparazzi, por isso julgou errado. As pessoas que estavam ali realmente se preocupavam com Biene, ele era capaz de ver Fester, branco como papel – talvez ele se sentisse culpado pelo que aconteceu –, sentado em um dos bancos. Havia também uma dezena de senhoras, cochichando entre si sobre Biene, como ela era uma ótima garota e como conversava com todos.
Bill estava acostumado a ouvirem falar dele, em qualquer lugar havia dezenas de fãs atrás, mas pela primeira vez, não havia um fã sequer ali. Todos estavam preocupados e reunidos por outra pessoa, que não era famosa, mas havia tocado todos de uma forma que marcara cada um. E Biene até tinha fãs! Uma série de crianças estava com flores, cartões feitos à mão e balões coloridos.
Isso fazia lembrar quanto falta sentia da sua vida agitada, o que era irônico, já que veio para Aach com a única intenção de se afastar dessa vida. Ele queria passar o tempo escrevendo músicas, mas não fizera isso em nenhum momento, mas não se arrependia disso já que aproveitou cada momento daquele anonimato. Foi naquele momento de angústia, que Bill, com as folhas e uma caneta que pegara na recepção do hospital pôs-se a escrever.

– Biene? – perguntou uma voz chorosa ao lado, quando percebeu que a garota abrira os olhos – Você está bem?
Os olhos azuis dela piscaram várias vezes, procurando encontrar alguma memória que denunciasse o seu estado atual. Virou-se e viu que sua mãe e seu pai estavam ao seu lado, os dois com rostos preocupados. Ela havia se afogado. E também se lembrava de alguma explosão e de... Bill. Alguma coisa havia acontecido com ela e pelo visto, se machucara feio.
– Eu me afoguei? – ela perguntou com uma voz rouca, fora de uso.
– O motor do seu barco explodiu, segundo os médicos você bateu a cabeça na quina do barco quando caiu – seu pai disse, se aproximando da cama.
– Você se afogou também – Ellise disse chorando – Se não fosse Bill e Eleazar, você poderia ter morrido.
Bill... havia alguma coisa importante para dizer a ele, mas ela não conseguia se lembrar. Sua cabeça doía fortemente e seu corpo também não parecia muito disposto a se levantar.
– Ele vem todo o dia aqui – a mãe dela prosseguiu, vendo que Biene continuava com o olhar vago, como se não compreendesse nada do que dissessem – Ficou várias oras ao seu lado, esperando que você acordasse. Mandamo-lo dormir faz um tempo, ele está totalmente acabado. Gustav está almoçando agora, ele não come faz um bom tempo, está muito preocupado com você.
– Pai, você foi ao meu quarto quando chegou? – Biene perguntou de repente. Mesmo confuso, ele fez que sim com a cabeça – Você viu um livro em cima do criado-mudo? Um bem velho com a capa caindo aos pedaços?
– Vi, o que tem ele?
– Entregue-o para o Bill – ela disse simplesmente, virando o rosto de lado e olhando vagamente para janela – É importante.
Albert passou em casa rapidamente, pegara o livro que Biene dissera e partiu para a mansão dos Baumgärtner. Ele não sabia direito o motivo de estar fazendo isso, mas Biene não era uma menina cheia de caprichos, quando ela dizia que algo era importante, de certo era. Como a cidade não era muito grande, não demorou muito a chegar ao local, estacionou seu carro e bateu na porta.
– Quem é? – perguntou um garoto de tranças pretas a porta.
– Eu sou pai de Biene – Albert disse – Ela me mandou entregar esse livro para Bill, você podia entregar a ele?
Tom pegou o livro enquanto Albert ia embora. Ele pensara que esse negócio de ficar buscando livros velhos já acabara, entretanto, ainda tinha muito mais. Bill estava dormindo no seu quarto de costume, mas quando chegou lá, percebeu que o irmão continuava acordado, escrevendo em seu caderno.
– Bill? Eu pensei que você estava dormindo. Se não se cuidar, logo é você que vai para o hospital – Tom disse adentrando o quarto – Tenho notícias! Biene finalmente acordou e mandou entregar isso a você.
– Um livro? – Bill perguntou atônito, quando Tom entregou aquele trambolho bolorento.
– É, estamos falando de Biene. Ela é do tipo que acorda de uma coma e manda entregar livros velhos para as pessoas.
Bill pegou o livro e começou a folheá-lo, não entendia o que havia de importante nele já que todas as suas perguntas pareciam já ter respostas. Mas uma folha caiu do meio do livro, não era realmente uma folha, e sim um envelope endereçado a William Baumgärtner. O coração de Bill disparou, será que tudo não tinha terminado ainda? Com as mãos tremendo ele abriu o envelope, tirou a carta e começou a lê-la.

Will,
Preciso escrever rápido essa carta, tenho medo de que ela nunca chegue as suas mãos, mas acho que Gustaf conseguirá entregá-la. Quero, primeiramente, avisá-lo de que estou bem, que ainda estou viva e talvez não por muito tempo. Não quero assustá-lo nem deixá-lo com raiva, mas o que aconteceu é um maldito infortúnio.
Não sou a melhor pessoa para aceitar o que acontece com o mundo, mas tenho que dizer, que isso não é culpa de ninguém. Às vezes certos fatos têm que ocorrer, mesmo que não queiramos. Você é um nobre, eu sou apenas uma plebeia. Talvez se tivéssemos nascido em épocas diferente, ninguém questionaria isso, mas estamos em uma sociedade que as pessoas sempre vão nos julgar.
Will, eu sinto muito pelo que está acontecendo. Não sei o tamanho do sentimento que tem por mim, mas sei que o que irá acontecer, também te machucará de alguma forma. Não é culpa de Meredith, ela só está fazendo o que foi ensinada a fazer. Eu a perdoo, como perdoo todas as pessoas que já atiraram pedras em mim. Elas nasceram assim, a vida as quebrou da mesma forma que estou sendo quebrada.
Então imploro que faça o mesmo, a perdoe, e prometa que quando chegar à hora final, você vai viver a vida do seu jeito. Não seja a pessoa que não quer ser, não haja da forma que os outros querem que você haja, viva do seu modo, lutando pelo o que quer. Viaje pelo mundo todo como você sempre quis, seus sonhos ainda podem se realizar. O meu já foi realizado, por um longo momento, eu pensei que não existia bondade nas pessoas, que elas eram fúteis, vaidosas e egoístas, mas então você apareceu. Mostrou-me que o amor, a felicidade e a bondade realmente existem. Eu não vou morrer como uma pessoa fria, morrerei sabendo que vivi o suficiente de acordo com que merecia.
O meu último pedido é que você não se culpe. Não foi sua culpa e nunca vai ser. E mesmo que se sinta culpado, eu lhe perdoo. Eu te amo de verdade e é isso que levarei comigo para aonde eu for.
Com amor,
Johanna


Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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45 Utopia em Ter Abr 30, 2013 2:55 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 41 - Destinos Traçados


– A carta nunca chegou ao seu destino – Biene disse, segurando a carta que também lera várias vezes – Não sei realmente o que aconteceu, mas acho que na confusão toda, Gustaf acabou se esquecendo de entregá-la, já que estava desesperado para salvar a irmã.
– Não sei se isso mudaria alguma coisa – Bill comentou, olhando para o palco onde acabaram de se apresentar. Ele acabara de fazer um show para a pequena cidade de Aach, poucas pessoas o conheciam, mesmo assim adoraram as músicas e aplaudiram entusiasticamente – Acho que Will teria tentado salvá-la da mesma forma e também morreria por ela.
– Não estou dizendo que é sua culpa, mas poderia ter evitado todas aquelas mortes de descendentes dos Baumgärtner – então Biene sorriu, apesar de ela acreditar em um bocado de coisas fantásticas, aquilo era quase um absurdo – Bill, você lançou uma maldição em uma família. Sei que é difícil acreditar, acho que não é necessário sangue de galinha ou qualquer coisa do tipo, mas suas palavras e seu ódio foram fortes o suficiente para amaldiçoar.
– Bem... teve sangue, o meu – ele disse raciocinando – Tudo bem, essa é a maior besteira que eu já ouvi, mesmo que nós tenhamos provado essa maldição. Mas o que você quer dizer com eu poderia ter evitado?
– Se você tivesse perdoado Meredith como Johanna pediu, você poderia até ter morrido, mas sem dizer nada, sem nenhum ódio – ela disse, olhando pensativa para seu braço com as queimaduras. Aquilo deixaria várias cicatrizes, com certeza – Mas não podemos mudar o passado e acho que de alguma forma, isso influenciou para que nos encontrássemos de novo.
– É, acho que não vim para cá para escrever músicas. O que é verdade, já que não escrevi quase nada... – Bill realmente precisava dizer algo para ela, mas não tinha coragem de ouvir a resposta. Talvez ele já soubesse a resposta de alguma forma – Nós vamos embora de Aach...
– Eu sei – ela disse suspirando – Parece que foi ontem que vocês chegaram, que nós não sabíamos de nada.
– Queria saber se você quer ir comigo – Bill disse finalmente, quase cuspindo as palavras com medo de que elas travassem na metade da frase – Nossa vida vai ser bem movimentada, vai ser difícil para nós nos encontrarmos, mas...
– Sabe aquele seu sonho? – ela cortou como se não tivesse ouvido o que ele tinha falado – O de viajar pelo mundo todo?
– Qual? O da época passada?
– O da época passada, o de agora, são os mesmos. Já se realizou? Você já viajou para todos os lugares que quer?
– É... na verdade... não. Queríamos fazer um tour no Japão.
– Você precisa realizar esse sonho, então – ela disse sorrindo – O meu é trabalhar com história, quero descobrir o passado e também viajar por aí. Ainda tenho muito que estudar, muito que pesquisar. Não é que eu não quero ir com vocês, a verdade é que não é hora de ir. E tenho certeza absoluta que não vai ser a última vez que vamos nos ver.
– Então só vamos nos ver de novo quando nossos sonhos se realizarem? – Bill perguntou inseguro.
– Não! – ela disse se levantando e rindo. Biene estendeu a mão para que Bill pudesse se levantar do chão – Nossos sonhos vão fazer que nos encontremos de novo, vão estar ligado de alguma forma.
– Como pode saber? Leu nas borras de chá?
– Não, eu apenas sinto – ela disse, rindo misteriosamente e ficando na ponta dos pés para beijar os lábios dele.
– Vou sentir a sua falta – Bill sussurrou, passando os braços em volta dela e a segurando fortemente – Mas você é daquelas que não se pode segurar, precisa sempre estar voando por aí.
– Não vai ser nem a primeira nem a última vez que vamos nos encontrar. E acho que você já teve provas o suficiente disso! E não hesite, talvez não tenhamos mais vidas para arriscar novamente.
Os dois caminharam em direção ao carro que esperava Bill. Tom, Georg e Gustav já estavam o esperando para partir. Biene se desvencilhou de Bill e correu para abraçar seu primo, principalmente por este já estar bufando de ciúmes.
– Vou sentir falta de vocês – Biene exclamou – Vocês animaram muito a cidade esses dias.
– Também sentiremos sua falta – Gustav disse – Você pode nos visitar sempre que quiser.
– Vou tentar – ela disse, sorrindo.
Eles entraram no carro, um pouco felizes por finalmente voltar para casa e um pouco tristes por abandonarem a cidade com que se acostumaram a viver. Mas Bill sentia um pesar maior, por abandoná-la sem saber se ela não vai correr mais perigo.
– Pode deixar, irei protegê-la – Eleazar disse, surgindo do nada e colocando a mão no ombro de Biene – Não haverá mais maldição. Ela estará segura.
Bill assentiu, mas quando estava para fechar a porta, saiu rapidamente e foi de encontro a Biene novamente. Esse não era o adeus certo, um adeus que aceitava a distância. Ele passou o braço em volta dela e a beijou com vigor, como se todas as vezes que a tivesse visto, não importando em que época, não saciasse sua vontade. E no fundo, ele também sabia que não seria a última vez que a veria. Mal sabia, que daqui a uns meses, a veria na Malásia, estudando sítios arqueológicos, nem no Peru, estudando as civilizações antigas de Machu Pichu.
– Até algum dia – Bill sorriu, se afastando dela e entrando no carro.
Biene continuou acenando mesmo depois de o carro sumir pelas colinas e Bill ainda era capaz de senti-la, mesmo que sua imagem fosse se perdendo. Em um último vislumbre das colinas, ele pode ver um casal de mãos dadas, um rapaz magro e alto e uma moça com cabelos escuros e compridos, em um vestido. Seu coração disparou quando percebeu que se tratava de Will e Johanna, eles acenaram para ele e depois desapareceram como se nunca estivessem lá.
– Está tudo bem, Bill? – Tom perguntou vendo o rosto pálido do irmão.
– Está, me sinto ótimo – Bill respirou fundo, afundando no banco acolchoado.
– Sabe de uma coisa? – Tom perguntou – Só queria saber quem é a tal de Meredith atualmente, mas acho que nunca vamos descobrir.
Bill já pensara nisso antes, mas nunca chegara realmente em uma conclusão. Talvez Meredith houvesse se perdido no tempo, ou talvez virasse uma boa pessoa e não está mais infernizando a vida dos outros. De repente o celular de Bill tocou, ele olhou para o visor e viu que se tratava de Natalie.
– Alô? – disse a voz de Natalie – Como está?
– Está tudo bem Natalie – Bill disse sorrindo – Estamos de volta para arrasar novamente.

Fim.

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