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Kiss The Rain

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1 Kiss The Rain em Seg Set 24, 2012 8:26 am

Título da Fanfic: Kiss The Rain
Autor: Mey Kütz
Coautor: Não existe
Sinopse: Madeleyne é uma garota comum, que carrega grande tristeza em seu coração.
Após sua mãe suicidar-se, seu mundo começa a girar de uma forma assustadora para a pequena garota. Durante um inverno agradável, seu avô acaba falecendo, e junto toda a sua felicidade morre.
A pequena garota sente-se abandonada, porém ela carrega um dom, que é passado de geração em geração, o que faz com que ela sempre se afaste das pessoas, pois ela mesma pensa que só traz dor à elas, porém, ela descobre que a história não é bem assim...
Disclaimer: Os Tokio Hotel e a família deles não me pertencem, mas os outros personagens são meus ;>
Gêneros: Drama, Romance
Personagens principais e secundários: Até certo ponto, todos os personagens são principais, depois de uns 20 capítulos, a história começa a girar em torno de Bill, Madeleyne, Trix, Manson e Josefine.
Avisos: shotacon/Lolicon
Classificação: 16

E aí, eu posto?? :3

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2 Re: Kiss The Rain em Ter Set 25, 2012 7:15 pm

Anny V.

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Moderadora
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3 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 1 em Ter Set 25, 2012 8:00 pm

Capítulo 1
Álcool, Chuva e Sangue


Era muito para a capacidade de uma pequena garotinha de apenas 5 anos entender, as delicadas e pequenas mãozinhas passando por entre os fios de cabelo da jovem e atormentada, e há pouco falecida víuva, faziam os olhares depressivos e dolorosos das pessoas em volta, derramarem sútis lágrimas, que ao caírem no chão misturavam-se com o sangue, formando um clima mais pesado dentro daquela sala. Um piano, uma lareira, uma taça de vinho e a chuva perturbadora lá fora, eram as únicas testemunhas do que havia acontecido, em silêncio e angústia.

Sem parar para pensar na pequena Madeleyne, uma inocente criança, com dons artísticos dignos de um adulto, a única coisa que talvez a ajudasse a seguir forte, mas nem isso era mais o suficiente, a garrafa de vinho quebrada próximo ao pé da viúva era a prova de que nada mais tinha sentido.

– Mamãe, não durma na sala. – As inocentes palavras da criança fizeram apertar todo e qualquer coração que estivesse ali, até o mais duro e rancoroso possível.


- 5 anos depois -

– A jovem Madeleyne com certeza veio para conquistar à todos essa noite, trazendo novas melodias, é incrível com tão pouca idade e por tudo que passou. – Dizia o apresentador do programa, enquanto um forte raio de luz era jogado contra a garota e o piano à sua frente, branco, lustroso e frio, estava ali para que a jovem pudesse expressar sua dor nesse dia, vinte e um de dezembro, início do inverno Boreal.

A medida que as primeiras notas se iniciavam, as pessoas calavam-se, algumas já preparavam seus lenços para o final da apresentação, outras desligavam os celulares, mas todas apenas apreciavam a doce melodia, tocada por uma jovem criança de dez anos.
A apresentação acaba, e com ela a última lágrima da garota cai sobre as geladas teclas de marfim.

– Foi sem dúvida uma linda apresentação, está orgulhosa de si Madeleyne? – O alto apresentador se abaixava na direção da garota, e colocando o microfone mais próximo a ela, se emociona ao ouvir as palavras da jovem.

– Eu não estou, mas minha mãe estaria, toquei especialmente para ela, é um presente de natal adiantado. – A jovem se retira do palco e vai em direção aos seus avós, que a esperam com uma grande caixa, embrulhada em um papel púrpura com uma fita de cetim azulada.

– É para mim? – A jovem pergunta, observando o embrulho e o sorriso dos avós, eles entregam o presente à jovem que trata de abri-lo imediatamente.
Dentro da caixa, Madeleyne encontra uma boneca de porcelana, algo que era muito comum naquela época da sua infância.
A pele alva e a boca vermelha, os brilhantes olhos cor de mel, um pouco esverdeados como os seus, combinavam com o delicado e ondulado cabelo.

– Gostou? – A jovem admirava a roupa do presente, um vestido branco, feito de seda, algumas rendas delicadas e um laço firme atrás.

– Eu adorei, obrigado. – A educação de um adulto em uma jovem tão pequena, talvez amadurecer fosse o jeito que Madeleyne encontrou para superar a perda do pai em junho, e a da mãe em dezembro.

Cinco anos exatos se faziam da morte da viúva de apenas vinte e seis anos, vítima de sua própria dor e angústia, deixando para trás uma jovenzinha. Talvez tivesse sido egoísta, e não pensou no sofrimento de sua filha, mas agora já está feito, já foi feito há muito tempo.



~
Heey, primeiro capítulo de Kiss The Rain, postado aqui no TH Fanfictions! Estava ansiosa para postá-lo logo!
Já que o primeiro capítulo é bem curto, vou postar pelo menos mais uns 2 ou 3...
Küsses >.<

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4 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 2 em Ter Set 25, 2012 8:14 pm

Capítulo 2
Mais uma dor de Inverno




A neve lá fora caía silenciosamente, cobrindo tudo como um espesso véu branco e gelado.
A lareira estalava a medida em que o fogo se consumia junto com a lenha, mas alguns cobertores eram o suficiente para manter a jovem e seus avós aquecidos.
Um álbum de recordações da família, alguns biscoitos e chocolate quente com baunilha entrertiam Josefine, Madeleyne e Robert.

– Vovó, essa é a mamãe aos 15 anos não é? – A pequena apontava e olhava fascinada para a foto da mãe, fazendo sua apresentação em O Cisne Negro, na renomada escola de balé, Temple de la Danse*.

– É sim, e aqui é ela quando conheceu seu pai. – Josefine aponta para outra foto, mais conservada, onde os pais de Madeleyne se olham apaixonadamente, em baixo de uma cerejeira.

– Esta árvore ainda está de pé, sabe em qual lugar do planeta? – Pergunta Robert, pegando o globo terrestre que havia ao lado da prateleira de livros.
– Na França? Foi lá onde eu nasci. – A pequena pega o globo e o gira até encontrar o país onde nascera.

– Não, está é uma árvore de Sakura, portanto fica no...

– JAPÃO! Sim, fica no Japão, não é vovó? – A pequena aponta para o pequeno país, uma ilha perto do continente, o misterioso Japão, único lugar para onde a pequena ainda não havia ido, nem durante suas apresentações e concursos de talento, os quais nunca havia ficado em posição menor que o segundo lugar.

– Sim, é lá mesmo, por isso tem esse apelido, sua mãe sempre nos disse o quanto ficou encantada com as pequenas e delicadas flores de Sakura, e disse que quando você nasceu e viu sua pele rosada e delicada, como a daquelas flores, ficou encantada por você. – Josefine virava umas duas páginas do álbum e mostrava uma foto de Madeleyne apenas com alguns meses de vida, uma pele lindamente rosada e delicada, podia-se senti-la mesmo através de uma foto antiga.
Josefine e Robert olham durante algum tempo para a foto de Helen, sua filha mais nova e mãe de Madeleyne, sorrindo enquanto segurava as mãos da pequena, ensinando-a a andar, passo por passo, cada um por vez, aquela época sem dúvida foi a melhor para a família.

Tudo que havia eram sorrisos e gestos de afeto, natais com todos reunidos, as primeiras palavras de Madeleyne, não havia como esquecer, o dia em que a pequena disse "Josefine" , o nome de sua avó, à quem sempre foi muito apegada, uma segunda mãe, um motivo para sorrir depois de tudo.

– Bem, está na hora de dormir. – Robert levantava-se do sofá, o semblante em seu rosto era triste, aquilo ficou gravado na mente da pequena, a vontade que tinha era de correr até o quarto da mãe e chorar, abraçada aos travesseiros, que ainda mantinham um pouco do doce perfume de baunilha de Helen.

Todos já estavam em suas camas, mas Madeleyne se mantinha acordada, ela fitava o teto e por vezes a boneca de porcelana que havia ganhado.
Ela levanta-se e lentamente caminha na ponta dos pés, para não acordar seus avós, vai até o quarto da mãe, e deitando-se na cama, dorme ali mesmo, enrolada em alguns cobertores e abraçada ao travesseiro, a delicada boneca ao seu lado é a única testemunha da dor da pequena, naquele dia frio e sem vida.

Madeleyne sonha com tudo que lembra à respeito da mãe, lembra de sorrisos, abraços, palavras, natais reunidos, mas por um instante, todo aquele mundo inocente de uma criança desaparece, com gritos e soluços de Josefine.
Madeleyne pula da cama, quase que de imediato, e vai até o corredor, caminha lentamente até o quarto dos avós, ao chegar perto da grande porta branca, pára por um momento e escuta apenas alguns lamentos, agora sua compreensão já se fazia suficiente para entender o que havia acontecido.

A jovem entra no quarto e abraça sua avó, que segura a mão fria e já sem vida de Robert, as lágrimas de Madeleyne se unem com as de Josefine, e juntas expressam a mesma dor, a dor da perda.
Mais um solstício de inverno em que Madeleyne perde alguém, já era muito para o coração da pequena aguentar, será que a vida estava lhe dando uma lição?
Mas pelo que? Uma inocente criança que estava marcada pelo resto da vida, o inverno nem sempre foi triste, se tudo voltasse a ser como era para a pequena, era só o que ela desejava, sua família de volta.



~
Esse capítulo também ficou beem curto... Que tal mais um? Até para quem já leu boa parte da fanfic (estou falando com você, Lara) vale a pena ler novamente! Editei algumas pequenas partes, o que deixou a fic um pouco mais leve e menos confusa.
Mas e aí, estão gostando?
Küsses >.<

*Temple de La Danse é uma escola de dança fictícia, claro que deve existir realmente uma escola com esse nome em algum lugar do mundo!



Última edição por Mey Kütz em Ter Set 25, 2012 8:28 pm, editado 1 vez(es)

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5 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 3 em Ter Set 25, 2012 8:20 pm

Capítulo 3
Cisne Negro




Além do piano, harpa e flauta doce, agora Madeleyne encarava o balé, a cada ano que se passava desde a morte de Robert, ela procurava cada vez mais coisas para ocupar a si mesma, na tentativa incerta de esquecer tudo que já lhe acontecera.
Agora aos dezessete anos, apresentava-se numa breve turnê, viajaria pela Europa, na famosa peça de balé, Lago dos Cisnes, onde interpretaria o cisne negro.

Mesmo o diretor de produção dizendo que tal papel exigia certa sensualidade por parte da bailarina, coisa que Madeleyne não conseguiria fazer, mesmo com uma idade favorável para seus dons femininos, ainda sentia-se como uma criança, desamparada e sem a mãe naquele momento.

– Madeleyne, ajeite as sapatilhas, endireite a postura, arrume o espartilho, prenda o coque mais firmemente, escureça mais essa maquiagem. – Adrian falava num tom rápido e inexpressivo, sem estar zangado ou contente com as bailarinas.

– Morgana, dê um jeito de parecer mais graciosa, você é o cisne branco, você é pura, bondosa e amável, não pode fazer passos sensuais e firmes, lembre-se que a ênfase carnal pertence ao cisne negro.
Adrian foi até as outras bailarinas, enquanto Morgana fitava Madeleyne com certo ódio, talvez por desde o início ter querido para si o papel de cisne negro, coisa que lhe caía como uma luva, Morgana era sombria, maldosa, arrogante e provocante aos olhos masculinos.

Totalmente o contrário de Madeleyne, que dedicava-se arduamente à todo e qualquer dom que tinha, música, pintura e dança, era só o que lhe importava.

– Meninas, cinco minutos para nossa primeira apresentação de Swan Lake, preparem-se para o primeiro ato! – Adrian some entre a equipe, deixando as bailarinas se prepararem.

– Por que trocou de papel na última hora? Sabe que você não serve para fazer Odile. – Morgana encara Madeleyne, que assutada recua alguns passos.

– Mas, eu queria tentar algo novo, e por que não quer ser a Odette?. – Madeleyne ajeita as sapatilhas e observa o público atrás das cortinas.

– Você não entenderia. – As luzes lá fora diminuem, é o início do primeiro ato.



~
Eu sinceramente não sei por que os primeiros capítulos de Kiss The Rain eram tão curtos, por isso eu tinha mais facilidade em postá-los, não tinha que escrever tanto u.ú
Aqueles que leram até aqui, ganh
arão um bônus agora!

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6 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 4 em Ter Set 25, 2012 8:26 pm

Capítulo 4
Bônus - O Lago dos Cisnes



[ Primeiro ato ]

As luzes diminuiam vagarosamente, Após tantos ensaios, finalmente o grande dia havia chegado, a apresentação de abertura da Swan Lake European Tour. As primeiras bailarinas entram no palco, uma festa em toda sua pompa é iniciada, em homenagem ao princípe Siegfried, a rainha presenteia o filho com uma balestra.
Após dançar com algumas jovens, a rainha diz que no dia seguinte, Siegfried deveria casar-se com uma das moças presentes na festa. Após o término da festa, o princípe avista um grupo de cisnes, e maravilhado com a beleza de tais animais, resolve caçá-los, talvez para guardar alguns para si.

[ Segundo ato ]

O lago do bosque e as suas margens pertencem ao reino do mago Rothbart, que domina a princesa Odette e todo o seu séquito sob a forma de uma ave de rapina. Rothbart transformou Odette e as suas donzelas em cisnes, e só à noite lhes permite recuperarem a aparência humana. A princesa só poderá ser libertada por um homem que ame apenas a ela. Siegfried, louco de paixão pela princesa das cisnes, jura que será ele a quebrar o feitiço do mago.

[ Terceiro ato ]

Na corte da Rainha aparece um nobre cavalheiro e sua filha. O príncipe julga reconhecer que a filha do nobre cavalheiro é a sua amada Odette, mas na realidade por baixo das figuras do nobre cavalheiro e a sua filha escondem-se o mago Rothbart e a feiticeira Odile. A dança com o cisne negro decide a sorte do príncipe e da sua amada Odette: enfeitiçado por Odile, Siegfried proclama que escolheu Odile como sua bela futura esposa, quebrando assim o juramento feito à Odette.

[ Quarto ato ]

Os cisnes brancos tentam em vão consolar a sua princesa. Mas Odette destroçada pela decisão do príncipe, aceita a sua má sorte. Nesse momento surge o príncipe Siegfried que explica à donzela como o mago Rothbart e a feiticeira Odile o enganaram. Odette perdoa o príncipe e os dois renovam os votos de amor um pelo o outro. O mago Rothbart, impotente contra esse amor, decide se vingar dos dois e então inunda as margens do lago, Odette e as suas donzelas logo se transformam em cisnes novamente e o príncipe Siegfried, tomado pelo desespero, se afoga nas profundas e turbulentas águas do lago dos cisnes. O príncipe não sobrevive, e Odette com a dor que sente em perder o amado, morre.
Uma trágica morte de amor.



~
Melhor eu parar por aqui, e então... Quem quer que eu continue postando os capítulos de Kiss The Rain?
Só deixar um recado aê >.<
Küsses e até os
próximos capítulos!



Última edição por Mey Kütz em Sex Set 28, 2012 11:15 pm, editado 1 vez(es)

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7 Re: Kiss The Rain em Qua Set 26, 2012 2:09 pm

Wow!!Tantos capítulos.....*-*

Amo demais essa fic!!!

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8 Re: Kiss The Rain em Qui Set 27, 2012 10:14 pm

Anny V.

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Moderadora
To com uma pontinha de inveja por você escrever tão bem. Mas é inveja boa, ok? Continue escrevendo assim por que eu estou amando.
Continua sim, quero ver onde essa história vai dar.

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9 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 5 em Sex Set 28, 2012 11:14 pm

Capítulo 5
A batalha dos cisnes



O primeiro ato se inicia, tudo corre perfeitamente, enquanto as outras bailarinas conversam sobre algumas coisas da apresentação, Morgana se prepara para o próximo ato, onde dará vida ao delicado cisne branco.

– Sabe que não serve para fazer o cisne negro, ainda quer continuar? Tem tempo para se trocar e fazer o cisne branco. – Morgana olha para Madeleyne, que apenas abaixa a cabeça e continua a se aquecer para a hora do terceiro ato.

– Por que quer tanto ser Odille? – Madeleyne se levanta e encara Morgana, atráves do espelho a sua frente.

– Um amigo veio ver minha apresentação, eu disse que faria o cisne negro, ele veio apenas para me ver. – Morgana ajeita as penas no enfeite do cabelo e se prepara para o ato no lago dos cisnes, onde dançará com o príncipe.
Depois de se aquecer por um tempo, e entrar no papel do personagem, finalmente o cisne branco aparece, em uma dança magnificamente delicada, por vezes um pouco brusca, entre a luta de Odette e Rothbart, o feiticeiro que mantém a doce jovem na forma de cisne durante o dia.
O segundo ato termina quando o príncipe vai embora, e Odette é levada por Rothbart, após uma trama de suspense e desamparo.

– Queridas, estavam divinas! Agora é hora do nosso cisne negro ter sua vez com Siegfried, vamos lá meninas, aqueçam-se. – Adrian corria de um lado para o outro, ajudando alguns cisnes a virarem lindas damas para se apresentarem no baile do castelo, onde Odille dançaria com o princípe, e mudaria todo o rumo do que deveria ser um "felizes para sempre".

[ Terceiro ato ]

A música muda, leves notas de piano e violino agora tomam uma forma mais rude e tenebrosa, a melodia tornasse quase uma fera, pronta para atacar a qualquer momento.
Durante a coreografia, acontece o inesperado, algo que prejudicaria totalmente toda a apresentação em si, o cisne negro tomba durante seus violentos e calculados giros.
A platéia pára por um instante, então as cortinas são fechadas.
As bailarinas se olham, algumas sem entender, outras angustiadas com o fracasso de um dos papéis mais importantes.
Mal há tempo para conversarem sobre o tombo de Madeleyne, e já se inicia o quarto ato, as cortinas abrem-se, e majestosamente aparece o cisne branco, a linda e pura Odette, presa na forma de Cisne durante o dia, apenas durante a noite sente um pouco de sua liberdade.
Agora transtornada, triste e arrasada, pela decisão de seu príncipe, em escolher a mulher errada.
A dança final entre ela, Siegfried e Rothbart, alternando entre mistos de angústia e dor.
Sofrendo e angustiada com tudo o que lhe aconteceu, atira-se dentro das furiosas e turbulentas águas do lago dos cisnes, para não voltar jamais.
Odette encontra a liberdade, na própria morte.
Fim da apresentação.

Todos aplaudem a graciosidade do pequeno cisne branco, o papel perfeito, talvez para poder compensar a queda de Madeleyne, como Odille.
Os bailarinos e bailarinas entram em seus camarins, em uma reunião particular, hora de saber o porque do erro de Madeleyne, talvez muita iluminação, dor nos pés, um descuido, ou nervosismo, ao encarar o papel carnal do cisne negro.

– Madeleyne, mas o que aconteceu? – Adrian gritava, furioso por ter levado algumas criticas nada gentis do público mais exigente.

– Poderia ao menos ter aderido o tombo à coreografia, que diabos estava fazendo lá Madeleyne!?

– Eu estava me jogando nas águas do lago dos cisnes. – Madeleyne aparece na porta do camarim, retirando a delicada máscara de cisne branco.

– Madeleyne? Por que? ... Mas então, quem é Odille?! – Adrian retira a máscara do cisne negro, revelando a face de Morgana, aborrecida com toda a situação.

– Quer dizer que o cisne negro era você Morgana? – Adrian olhava o rosto avermelhado da garota, enquanto ao mesmo tempo encarava Madeleyne, afinal o porque de tudo aquilo, pensava ele.

– Trocamos de papéis antes do segundo ato se iniciar. – Madeleyne senta-se em um banco e observa o relógio.

– Adrian, está na hora de irmos conversar com o público. – Uma das bailarinas avisa, já pegando seu casaco e abrindo a porta do camarim.

– Sim, temos que explicar o que houve. Venham meus pequenos cisnes, hora de encarar os leões. – Adrian segurou a mão de Madeleyne e Morgana, e conduziu à todas, até o palco, onde estavam presentes alguns amigos, familiares e conhecidos das bailarinas.

– Atenção, gostaria de pedir desculpas pelo deslize do cisne negro, mas vejam, aqui está ela, nossa pequena que se esforçou para compensar a queda de uma das bailarinas. – Adrian puxa Madeleyne, e esta recebe palmas de todos os presentes ali.

– Agora, se me permitem tenho que resolver algumas coisas, meninas, fiquem à vontade para falar com seus amigos! – Adrian retira-se do palco, enquanto as bailarinas dirigem-se até seus convidados, claro que devido à tanta maquiagem e algumas máscaras, fica realmente difícil saber quem é quem.


~
Heey, sexy ladiiiieeesss!! (zoa')
Calma, vem mais capítulos por aí!

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10 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 6 em Sex Set 28, 2012 11:22 pm

Capítulo 6
Não chore pequenos cisne branco



Em meio à tantos elogios, abraços, sorriso e lágrimas de emoção, era mesmo difícil se acalmar.
Madeleyne estava sentada no palco, ajeitando as sapatilhas enquanto sua avó ainda não chegara.

– Você estava linda! – Um homem se aproxima de Madeleyne, sentando-se ao seu lado, com um buquê de rosas na mão.
Madeleyne sorri e apenas faz um gesto com a cabeça, agradecendo ao homem.

– Eu trouxe as suas favoritas, rosas não é? – O homem levanta-se e estica o braço oferecendo as flores para Madeleyne, que olhava confusa ao redor, quem era aquele homem ali afinal? Ninguém de sua família morava por perto, seus parentes nem sabiam de sua apresentação, apenas sua avó.

– Tudo bem, deve estar cansada, ainda bem que Adrian me disse que você trocou de papel, se não levaria flores para a garota errada. – Madeleyne deixa uma ruga de dúvida aparecer em seu rosto, e então levantando-se da beirada do palco, tira a máscara lentamente, fazendo aparecerem seus lindos olhos, um misto de castanho, mel e verde, típicos olhos aos que qualquer pessoa olha e se perde dentro deles, imaginando o que se passa por trás desse misto de cores.

– Desculpe, eu pensei que...

– Que eu fosse a Mor...

– GUSTAV! Você veio, mein niedlich! – Madeleyne vê apenas um vulto preto passar ao seu lado, atirando-se contra o homem e levando-o para o chão.

– Oi, sim eu vim. – O homem levanta e logo puxa Morgana para cima, fazendo um tom vermelho aparecer no rosto de Madeleyne.

– Tenho que ir. – Madeleyne pega seu casaco e caminha entre a multidão de bailarinas que conversavam em um monte de sussurros.
Madeleyne tentou ouvir a conversa, mas todas falavam ao mesmo tempo, fazendo-a desistir.

– Madeleyne, sua avó ainda não chegou? – Kirsten, uma bailarina vinda da Rússia pergunta, Madeleyne sente um arrepio em sua espinha, e simplesmente volta-se para a porta do grande teatro, e pacientemente espera pela chegada de Josefine.

– Madeleyne! Madeleyne! – Grita Adrian, enquanto corre na direção da garota.

– Sua avó, ela.... – Madeleyne não espera o resto da notícia, e já se joga nos braços de Adrian, sabendo do pior, afinal, parecia tudo uma grande brincadeira da vida, por que todo maldito início de inverno é a mesma coisa para a jovem? Todos que ela ama sempre terão que partir? Deixando-a só naquele lugar, chamado mundo?
Logo algumas bailarinas chegam para consolar a pequena, é como na peça, os cisnes tentam consolar Odette, em vão, pois essa já atirou-se nas águas do lago dos cisnes, através de sua mente.

[ No outro lado do teatro]

– O que aconteceu lá? – Perguntou Gustav, tentando enxergar alguma coisa, mas seus óculos estavam embaçados devido ao frio.

– É Madeleyne, parece que ela tem um tipo de maldição, perto do Natal, alguém da família dela morre, agora ela perdeu a avó.

– Morgana dizia, enquanto cheirava as delicadas rosas que Gustav havia comprado.

– Não acha melhor irmos até lá, para falar com ela? – Gustav limpou a lente dos óculos e caminhou até a multidão.

– Gustav, mas temos que esperar o...

– Não precisa, eu já cheguei. – Bill apareceu quase que do nada, a multidão era tanta, que mal se sabia de onde ele e Tom haviam surgido.

– Estava difícil de passar, mas dai eu vi a barriga do Gustav e encontrei vocês. – Tom fazia graça, mas Gustav nem se importou, e foi até a multidão.

– O que há com ele? – Bill perguntou, esfregando as mãos devido ao frio.

– Uma bailarina, perdeu a avó. – Morgana levantou-se e seguiu Gustav.

– Mas é só procurar. – Tom riu, fazendo com que Bill o olhasse descontente, então Tom baixou a cabeça e seguiu o irmão, que ia atrás de Morgana e Gustav.

– Madeleyne querida, acalme-se, nada aconteceu, sua avó apenas está no hospital. – Adrian tentava consolar a garota, mas não adiantava, para Madeleyne, Josefine no hospital era uma dor tão grande ainda assim.

– Mas e se algo acontecer, e se ela piorar, sabe que... – Madeleyne soluçava, mas foi interrompida pela voz de Kirsten.

– Nós estaremos do seu lado Madeleyne, não se preocupe.

– Obrigado. – Madeleyne levanta-se e abraça Kirsten, deixando todo seu agradecimento escorrer por seu rosto.

– Muito obrigado. – Agora Madeleyne está calma, mas ainda é consumida pela dor da angústia e solidão.


~
Mais um ou dois capítulos, que tal?
Alguém está lendo isso? Deixe um review! \õ

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11 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 7 em Sex Set 28, 2012 11:49 pm

Capítulo 7
Novos amigos



Todos já haviam ido embora, estavam apenas Adrian e Madeleyne, sentados perto da árvore de Natal do estúdio de balé.
Adrian preparava uma xícara de chá para a jovem, que olhava pela janela, vendo os pequenos flocos de neve caírem em uma linda dança com o vento.

– Adrian, com quem vai passar o Natal? – Perguntou Madeleyne, encolhendo-se dentro de seu casaco.

– Com minha mãe, ela está em Hamburgo, vou pegar o trem daqui a pouco, e você? – Adrien entregou uma xícara para Madeleyne, com chá de maçã e camomila.

– Obrigado. – Madeleyne, pegou a xícara e soprou um pouco.

– Eu ia passar o Natal com a Josefine, mas agora talvez eu vá para a casa da Kirsten, ela me convidou, a família dela é legal, eles tem um cão, eu gosto de cães, mas nunca tive um.– Madeleyne recordava sua infância, enquanto algumas lágrimas escorriam por seu rosto.

[ Anos atrás]

– Mãe, nesse Natal eu quero um cachorrinho, e também uma boneca. – Dizia a pequena garotinha, enquanto sua mãe prendia os delicados fios dourados de seu cabelo.

– Sim, e que cachorrinho gostaria de ganhar? – Perguntou Helen, beijando o topo da testa da pequena.

– Gosto de cães peludinhos, aqueles assim, parecem um leão, mãe, eu posso ter um leão? – A inocente pergunta da menor fez Helen sorrir, talvez o último sorriso que teria em sua vida.

– Claro, um dia você irá encontrar um leão, mas ele é que irá cuidar de você. – Madeleyne deixa aparecer uma ruga de dúvida em seu rosto, não entendendo a história do leão.

– Quando conheci seu pai, ele usava uma fantasia de leão, era um festival japonês, muitas cores, balões, música, luzes, as crianças corriam por toda parte, soltando balões de ar quente. – Os olhinhos de Madeleyne brilhavam a medida que sua mãe lhe contava como conhecera seu pai.

– Mãe, eu quero um cachorrinho, e o nome dele vai ser Snopy, não, vai ser Spot, melhor! Será Scooty! – A pequena pulou da cama e foi até a árvore de natal, onde pegou sua carta ao papai Noel, e lá em baixo fez o desenho de um leão.

– Viu, eu pedi um leão também, que legal eu vou ter um leão!



– Madeleyne? – Adrian sacudia a garota, que assustada voltou à si.

– Eu dormi? – Perguntou Madeleyne, olhando em volta.

– Sim, estava sorrindo, sonhou com alguém em especial? – Perguntou Adrian, segurando a mão da garota.

– Sim, com a bailarina mais linda e graciosa de todas, Helen. – Madeleyne deixou cair algumas lágrimas de felicidade, há tanto tempo que não sonhava com sua mãe, aquele havia sido o Natal que marcou sua vida para sempre, tanto na tristeza quanto na alegria.

– Adrian. – Gustav entrou na sala de conforto das bailarinas.

– Olá Gustav, quanto tempo, Madeleyne, deixe-me apresentá-lo, este é Gustav, foi bailarino aqui na escola quando era mais novo. – Gustav sorriu para a jovem que rapidamente secou as lágrimas e o cumprimentou com um sorriso lindo.

– Hey, Madeleyne, eu fiquei sabendo o que aconteceu com sua avó, então fui com algumas bailarinas até o hospital, Josefine está bem, só está descansando, e uma enfermeira me entregou um recado dela.

– É sério? – Madeleyne levantou-se da poltrona e abraçou Gustav, fazendo-o corar um pouco.

– Ela disse que você deve ir para a casa de algum amigo, e passar um ótimo Natal, que logo ela voltará para casa. – Madeleyne sorri mais ainda, contente pela notícia, Josefine sempre foi uma grande mulher, e essa era mais uma prova disso.

– Então, vou ligar para a Kirsten, já volto. – Madeleyne foi até o telefone, mas as linhas estavam mudas, devido à neve forte que caia lá fora.

– Hum, pelo jeito vou ter que voltar para casa. – Madeleyne ajeitou o casaco enquanto olhava fixamente para a rua lá fora, totalmente sem vida, se não fosse por um carro estacionado, Madeleyne podia ver apenas as silhuetas das pessoas dentro dele.

– Se quiser, pode vir passar o Natal comigo e com alguns amigos, vamos para Leipzig, não é muito longe daqui, vamos para a casa dos gêmeos, a mãe deles nos convidaram. – Gustav sorriu para Madeleyne, ela pensou um pouco e disse.

– Mas, eu não os conheço, não quero incomodar. – Madeleyne pegou sua bolsa e verificou se estava tudo lá dentro.

– Não se preocupe, foi ideia do próprio Tom, por favor venha conosco. – Gustav esfregou as mãos por causa do frio e olhou para o carro, onde estavam Bill, Tom e Georg.

– Tudo bem então. – Madeleyne concordou.
Os dois se despediram de Adrian, que correu para chegar a tempo na estação de trem, enquanto Madeleyne e Gustav desligavam as luzes do teatro.

– Então Madeleyne, quantos anos tem? – Perguntou Gustav, fechando a porta que ficava nos fundos do teatro.

– 17, e você? Madeleyne e Gustav caminhavam até o carro.

– Tenho 20. – Gustav abriu a porta do carro, e apresentou Madeleyne à todos, mas faltava um.

– Cadê o Bill? – Perguntou Gustav.

– Ele foi fazer alguma coisa, acho que foi pegar mais cigarros. – Tom respondeu, enquanto ligava o rádio do carro.

– Oi Pessoal, voltei. – Bill entrou e sentou-se no banco ao lado de Tom.

– Agora eu posso dirigir? – Perguntou Tom, olhando cinicamente para Bill.

– Eu só fui pegar algumas coisas, olha achei doces, adoro isso, hey, tem um ser a mais aqui, olá. – Bill sorriu e estendeu a mão para Madeleyne.

– Oi. – Madeleyne apertou a mão de Bill e sorriu.
Durante a viagem todos conversavam, riam, e até cantavam, isso fez Madeleyne lembrar dos natais em família, os poucos que passou ao lado de sua mãe, mas ainda era muito nova para lembrar.
Agora ela estava indo para a casa dos gêmeos Kaulitz, dois irmãos, um mais divertido que o outro, como deveria ser a família deles? Era o que Madeleyne tanto se perguntava.


~
Enfim, caso estejam achando a fic sem graça (ela é assim nos primeiros 10 capítulos)
Recomendo que procurem Thema Nr.1 nessa mesma categoria...
Beijos!

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12 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 8 em Seg Out 01, 2012 8:51 pm

Capítulo 8
Um bom Natal (pt.1)


Madeleyne olhava distraída para a rua, que parecia correr, se afastando ao longe à medida que o carro avançava, as luzes dos postes iluminavam o estreito caminho, totalmente coberto de neve.
Gustav observava Madeleyne, talvez mais do que deveria, e isso deixava a garota um pouco tímida, aquele olhar carinhoso que o rapaz sustentava, fitando as finas ondulações do cabelo castanho da jovem.

– Então, de onde você é? – Perguntou Georg, inclinando-se um pouco para frente e sorrindo.

– Ah, nasci na França, quando completei um ano de idade fui para a Itália com meus pais e meus avós maternos, com três anos fui morar na Inglaterra, e quando minha mãe... – Madeleyne viu uma memória correr em sua mente, sangue, chuva, álcool, definitivamente uma cena perturbadora para uma criança. - ... Quando minha mãe faleceu, eu tinha cinco anos de idade, então vim morar na Alemanha, com meus avós, estou aqui desde então. – Madeleyne sorriu, tentando camuflar a cena recém vista em sua mente, como se fosse um filme repetitivo, um ciclo vicioso, que a atormentava todos as noites e a cada segundo do dia.

– Ah, eu sinto muito. – Georg olhou para o chão do carro, constrangido pela pergunta.

– Tudo bem, o importante é que ainda tenho Josefine. – Madeleyne sorriu, voltando sua atenção para a rua mais uma vez.
Bill olhava pelo espelho, observando o sorriso despreocupado e angustiante da jovem, por que ela mentia que estava bem? Por que insistia em usar aquela máscara de felicidade, quando era notável a sua dor?

– Chegamos, Madeleyne sei que não nos conhecemos muito bem, mas espero que tenha um bom Natal conosco. – Tom virou-se para trás e sorriu, enquanto a jovem apenas assentia com a cabeça e um doce sorriso.

– Vem, eu te ajudo. – Bill abriu a porta do carro e estendeu a mão para a garota, que parou por alguns segundos, observando-o, até aquele momento ela não havia notado a presença da maquiagem no rosto do rapaz.

[Madeleyne]

A escura maquiagem, delineando aqueles olhos castanhos, cheios de vida e brilho, quando foi a última vez que vi olhos tão diferentes?
Sabe aquela sensação, quando você olha para alguém, e começa a observar atentamente cada elemento daquele ser? Senti essa mesma sensação ao vê-lo, era incrívelmente tentador o modo como aqueles olhos brilhavam, as roupas escuras constrando-se com a neve que caía, tornando-o único ali.

[/Madeleyne]

– Obrigado. – Madeleyne pegou a mão de Bill e saiu do carro, tomando cuidado para não afundar na grossa neve que havia se formado na entrada da garagem.

– Meninos! Que saudade. – Uma voz alegre e um tanto divertida surgiu de trás de Gustav e Tom, que conversavam do outro lado do carro.

– Mãe, Feliz Natal. – Tom abraçou a dona da voz, uma mulher um pouco mais baixa que ele, com cabelos um tanto ruivos, ou loiros, era difícil de enxergar exatamente a cor dele.

– Bill, vem cá. – A mulher estendeu os braços para Bill, enquanto abria um sorriso. Ainda segurando a mão de Madeleyne, Bill foi em direção da mulher, levando a jovem consigo, que tímida encolheu-se um pouco dentro do casaco.

– Espera, mas quem é essa jovem? – A mulher abraçou Bill, e em seguida segurou as mãos de Madeleyne, um pouco envergonhada com a situação.

– Mas você é linda, então quer dizer que esse ano Bill trouxe uma surpresinha para a família. – Madeleyne corou quase de imediato, sentiu seu rosto esquentar um pouco, enquanto Bill dava algumas risadas da situação.

– Mãe, Madeleyne não é minha namorada, é uma amiga do Gustav. – Bill sorriu mais um pouco, e olhou para Madeleyne, ainda avermelhada de timidez.

– Bem, então desculpe-me pelo erro, sou Simone, mãe do Bill e do Tom. – Simone abraça Madeleyne, que agora estava um pouco mais calma com a situação.

– Mãe, que cheiro bom, podemos entrar? – Tom pergunta, esfregando as mãos e olhando para dentro da casa.

– Viu, que bobo, cresceu aqui e pede permissão para entrar, claro que pode Tommy. – Tom revira os olhos e ri do apelido de infância, mas sem perder tempo entra dentro da casa.

– Bem, vamos entrar. – Simone abraçou Bill e os dois entraram, conversando um pouco.

– Vem, não precisa ficar com vergonha. – Gustav estendeu a mão para Madeleyne e a levou para dentro, seguindo Georg.

[Madeleyne]

Era um casa como qualquer outra, mas havia algo de diferente, um cheiro de biscoitos, misturando-se com um agradável cheiro de frango, ou peru assado.
Algumas taças, umas garrafas de vinho, aquilo me fazia lembrar de cenas que gostaria de nunca ter visto.
Gustav ia conduzindo-me até o segundo andar da casa, seguindo os gêmeos, que riam e trocavam alguns socos de leve. Dentro de um dos quartos havia um homem chamado Gordon, ele tinha o cabelo um pouco comprido, uma barba bem desenhada e um sorriso alegre, depois de conversar por algum tempo, contínuamos a caminhar por um corredor, onde Bill abriu uma das portas e fez um gesto para que eu entrasse, Gustav e Georg entraram em outra porta e Tom já havia se sumido.
Era um quarto arrumado, todas as paredes eram brancas, exceto a do fundo, que era azulada, havia uma cama de solteiro e um armário.
Bill encostou-se na porta, enquanto eu observava algumas fotos coladas na parede ao lado da cama, haviam alguns pôsteres ao lado das fotos, uma cortina branca, e o quarto cheirava a doces. Lembrava-me o meu quarto... Não o atual, mas o de Londres... Se minha mãe não tivesse tirado a própria vida, ainda estaria morando por lá. Era um lugar muito agradável, morávamos ao lado de uma loja de doces, meu avô ia comigo comprar doces todas as semanas, voltava com os bolsos carregados de chicletes, balas de goma, puxa-puxas, caramelos e várias outras guloseimas de nomes estranhos.

[/Madeleyne]

– Esse era o meu quarto, colei todas essas fotos. – Bill ajoelhou-se em cima da cama, pegando algumas fotos que estavam ali, enquanto Madeleyne sentava-se na beirada da cama.

– Pode vir mais aqui, eu não mordo. – Bill sorriu e sentou-se ao lado da jovem, arrumando as fotos em sua mão.

– Veja, este sou eu mais novo, mudei bastante, mas o Tom continua praticamente o mesmo. – Bill entregou duas fotos para Madeleyne, que sorriu ao ver o que parecia um ensaio, Bill tinha o cabelo vermelho, e Tom ainda não usava boné.

– Aqui somos nós dois na páscoa. – Bill mostrou uma foto, onde estava fantasiado de coelho, segurando uma cesta com palha.

– Na Inglaterra tinha uma coisa chamada de caça aos ovos, depois havia um tipo de ceia, e então as crianças saíam para brincar. – Madeleyne sorriu ao lembrar-se da infância, claro que era nova para lembrar da Inglaterra, mas haviam diversas fotos para recordar o que já havia esquecido.

– Admito que fiquei ridículo nessa roupa de coelho. – Bill riu da foto, e olhou para o chão em seguida.

– Não, eu achei fofo. – Madeleyne entregou as fotos para Bill, e sorriu mais um pouco.

– Bem, a neve está forte, acho que terá que dormir aqui essa noite, está tudo bem? – Bill levantou-se da cama e olhou para a janela.

– Ah, bem se sua mãe concordar, então tudo bem. – Madeleyne ajeitou o casaco enquanto olhava para Bill, que virou-se e disse:

– Claro que sim, acho que ela gostou de você. – Madeleyne corou, lembrando-se do pequeno engano de Simone, minutos atrás.

– Bem, eu vou arrumar meu cabelo, ele se desmanchou por causa da neve, tire esse casaco, se sentir frio, dentro do armário há um agasalho de lã, é mais confortável. – Bill virou-se e saiu do quarto.
Madeleyne ficou observando o quarto por mais algum tempo, até decidir abrir o armário e procurar pelo agasalho.

– O que está procurando? – Tom entrou no quarto, surpreendendo a jovem.

– Deixa eu ver, aqui está. – Tom abriu a outra porta e tirou justamente o tal agasalho que Bill havia dito.

– Era isso? – Madeleyne assentiu com a cabeça, e pegou a peça de lã.

– Viu, eu sei de tudo. – Tom olhou para a cama e viu as fotos largadas ali em cima, abriu um sorriso bobo e pegou-as. – Não acredito que ele mostrou isso, eu era um pouco estranho nessa época. – Tom colou as fotos na parede novamente. – Você não fala muito não é? – Tom perguntou, abrindo um sorriso, enquanto pendurava o casaco de Madeleyne na porta do armário.
– Quero que sinta-se à vontade, e qualquer coisa... – Tom fez uma pausa e foi até a porta do quarto. – ... Chame o Tom, certo? – Tom sorriu maliciosamente e seguiu pelo corredor.

Aquela frase e o sorriso de Tom fez Madeleyne sentir-se um pouco boba, era uma sensação engraçada, a malícia e simpatia do Kaulitz mais velho a fez sorrir.


~
Cap cute, não é?!

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13 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 9 em Seg Out 01, 2012 8:58 pm

Capítulo 9
Um bom Natal (pt.2)



Lá fora era possível ouvir o som do vento uivando por entre as poucas folhas das árvores que insistiam em ficarem presas nos galhos.
O carro de Tom já estava totalmente coberto com uma leve camada de neve, aquele cheiro de biscoitos tomou conta do quarto enquanto uma risada surgia do corredor.
Mas Madeleyne não tirava os olhos da janela, observando cada floco de neve pousar em algum lugar.

– Madeleyne, quer biscoitos? – A voz de Gustav se fez presente no quarto fazendo com que Madeleyne finalmente acordasse daquele transe.

– O que houve? É por causa de Josefine? – Gustav colocou a bandeja sobre a cama e abraçou a jovem, que surpresa não conseguiu pronunciar uma palavra que fosse.

– Está tudo bem Gustav. – Madaleyne se soltou do apertado e confortável abraço de Gustav, sorrindo para o loiro à sua frente.

– Desculpe, é que parece tão triste, não deveria ficar assim. – Gustav e Madeleyne sentaram-se na beirada da cama, aproveitando os biscoitos e conversando.

XXX

– Acha que ele está gostando dela? – Perguntou Tom ao irmão que se arrumava em frente ao espelho.

– O que? De quem está falando? – Sem virar-se para o irmão, Bill continuou a passar o fixador no cabelo, formando aquela enorme juba ao redor do rosto.

– O Gustav e a Madeleyne, não acha que ele está muito preocupado com ela? – Tom deixou aparecer uma ruga de dúvida em sua testa, enquanto checava os dreads.

– Ah, e se estiver? Qual o problema, sabe que no momento ele precisa de uma namorada, afinal agora que o Georg arranjou uma, ele anda um pouco sozinho. – Bill retocava o lápis de olho, enquanto Tom trocava a camiseta.

– Eu sei, mas não é só ele que precisa de uma namorada, não é Bill?! – Tom deixou claro seu desejo.

– Não me vem com essa, eu e a Ketlyn estamos bem. – Bill deu um sorriso sem graça, e olhou fixamente para o irmão.

– Sim, você sozinho e ela com aquele russo que fede à peixe. – Tom debochou do irmão, que apenas lhe deu um leve soco no ombro.

– Deixa como está, eu vou encontrar uma namorada, quando chegar a hora. – Bill dava um nó no cadarço do tênis enquanto Tom apenas o encarava, já totalmente sem paciência, cansado de ouvir sempre a mesma frase, por que seu gêmeo insistia em mentir-lhe descaradamente, dizendo que tudo estava bem, quando ele era o único naquela casa que ouvia as lamentações e soluços de choro do mais novo à noite.

– Por que não se aproxima da Madeleyne? – Tom ficou de frente para o irmão, enquanto acendia um cigarro.

– Se você acaba de dizer que Gustav está gostando dela, por que eu iria ficar no caminho dele? Sabe que não sou de fazer isso. – Bill levantou-se e tirando um cigarro do bolso, escorou-se na pia, pegando o cigarro do irmão emprestado, para acender o seu.

– Não, eu digo ela tem amigas, aquelas bailarinas, a tal Kirsten era bem bonita, gostei dos lábios dela, bem carnudos, você viu? – Tom mordeu o lábio inferior, lembrando da bailarina.

– Sim, era bem bonita, mas eu não estou procurando por um relacionamento nesse momento, Tom deixe como está, por favor uma vez na vida, deixa que eu cuido de mim. – Bill desviou o olhar, evitando encarar o irmão novamente.

– Tudo bem Bill, então deixa assim mas escute, se mais uma vez eu acordar no meio da noite, por que você quer conversar sobre o quanto sente falta da Ketlyn, eu juro que vou arrancar seus pulmões! – Tom deu uma última tragada no cigarro e saiu do banheiro, nervoso e chateado com a atitude do mais novo.

Bill respirou fundo, pensando no que Tom havia dito, mas o que ele podia fazer, não mandava em seu coração, não podia simplesmente pedir-lhe que parasse de sofrer tanto por alguém que o machucava.

XXX

– Simone, esse ano se superou, a comida estava maravilhosa. – Georg deu um estalado beijo na bochecha de Simone e ajudou Tom a recolher os pratos sujos da mesa.

– Madeleyne, no que trabalha, meu anjo? – Perguntou Simone, entregando seu prato para Tom. Madeleyne tomou um último gole de vinho e respondeu à pergunta.

– Sou bailarina, pianista e desenhista. – Simone sorriu ao ouvir a última profissão da jovem.

– Isso é muito legal, também sou desenhista. – Simone levantou-se da mesa e foi até uma porta que havia no corredor, trazendo de lá uma tela de pintura.

– Veja, esse quadro, o que acha? – Madeleyne corou ao ver o desenho estampado na tela.

– É o ... – Madeleyne engoliu a saliva e ficou totalmente sem reação ao olhar mais atentamente para o quadro.

– Sim, era uma foto, mas eu retratei na forma de pintura. – Madeleyne observou a pintura, cada detalhe, cada tom de cor usado, cada traço, cada curva.

– Mãe! – Bill tirou o casaco e o colocou por sobre a tela, cobrindo o desenho feito ali, totalmente corado e sem jeito.
Tom ria da cena, por que sabia exatamente qual era o quadro...


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OMG!! O que será que a titia Simone pintou??
Lara, não vale soprar!! u.ú



Última edição por Mey Kütz em Qua Out 31, 2012 7:51 pm, editado 1 vez(es)

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14 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 10 em Seg Out 01, 2012 9:03 pm

Capítulo 10
Um bom Natal (pt.3)



– É o ... – Madeleyne engoliu a saliva e ficou totalmente sem reação ao olhar mais atentamente para o quadro.

– Sim, era uma foto, mas eu retratei na forma de pintura.– Madeleyne observou a pintura, cada detalhe, cada tom de cor usado, cada traço, cada curva.

– Mãe! – Bill tirou o casaco e o colocou por sobre a tela, cobrindo o desenho feito ali, totalmente corado e sem jeito.Tom ria da cena, por que sabia exatamente qual era o quadro.

– Ah Bill! Esse quadro é bonito, eu gosto. – Tom secava os pratos e ria das caretas do irmão, que mal podia ficar ao próprio favor e ria de si mesmo, imaginando o tamanho da vermelhidão em que deveria estar.

– Sim Madeleyne, é um quadro do Bill mais novo, peladinho na banheira. – Tom tirou o casaco do irmão de cima da pintura, e apontou para o bebê na foto, sentado em uma banheira com água, mordendo o que parecia ser um brinquedo de borracha, e ao seu lado estava Tom, virado de costas, batendo palmas.

– Nossa, como eu era bonitinho. – Tom falava enquanto pendurava o quadro na sala de estar.

– Hey, não pendura isso ai, quer que todos vejam o meu...

–BILUZINHO! – Georg gritou da cozinha, atirando uma toalha de mesa em Bill.

– Hey, respeitem tá! Madeleyne não está acostumada com as palhaçadas de vocês! – Simone levantou-se da mesa e levou Madeleyne até o antigo quarto de Bill, onde ela passaria a noite.

– Haha, a Madeleyne viu o Bilu do Bill. – Tom deu uma risada gostosa e abriu um sorriso que era possível ser visto do céu.

XXX

– Madeleyne, desculpe pelos meninos, eles adoram ficar falando um do outro. – Madeleyne sorriu para Simone, enquanto tirava os sapatos e sentava-se na beirada da cama de Bill.

– Se precisar de qualquer coisa, por favor chame qualquer um de nós, sinta-se em casa querida. – Simone saiu do quarto, fechando a porta atrás de si, deixando Madeleyne sozinha.

A garota levantou-se e foi até a janela, ficou observando a rua por um tempo, pedindo que Josefine se recuperasse logo, mas o que poderia tê-la deixado tão mal, à ponto de ir para o hospital, ela sempre foi tão forte, uma simples gripe ou resfriado não a derrubaria facilmente.
Madeleyne se assutou ao perceber alguém cutucar sua cintura, na forma de uma cócega para surpreendê-la.
A jovem virou-se para trás, e deparou-se com um par de olhos castanhos, vivos e cheios de brilho, um sorriso lindo a confortava, o jovem loiro à sua frente abriu os lábios algumas vezes, tentando dizer algo, mas desistiu.

– Gustav, desculpa, não o vi. – Madeleyne fechou as cortinas do quarto e sentou-se na beirada da cama, sendo acompanhada por Gustav.

– Eu queria saber, se amanhã quer tomar um café comigo. – Gustav perguntou, e em menos de alguns segundos seu rosto já se mostrava rubro, o rapaz baixou o olhar na tentativa de impedir que Madeleyne visse a cor que seu rosto havia adquirido.

– Claro que sim, obrigado pelo convite Gustav. – Madeleyne aproximou-se do loiro, lhe dando um beijo de boa noite na bochecha, o que o fez corar mais do que já estava.

– Que bonitinhos. – Tom entrou no quarto, trazendo consigo uma bandeja com cinco canecas e um prato repleto de biscoitos de natal.

– Vem pessoal. – Tom acenou para alguém no corredor, e logo entraram Bill e Georg, se estapeando levemente, num tipo de briga entre amigos.

– Os dois querem parar! o Bill é o ativo e pronto! – O Kaulitz mais velho largou a bandeja sobre o criado-mudo e logo recebeu um leve soco de Georg.

– Tom, você sabe que na minha vida só existe você, o que ia querer com esse magrelo.– Georg demonstrou grande ironia, enquanto Tom arqueava a sobrancelha e ria cinicamente.

– Madeleyne, sei que deve estar cansada, mas viemos te alegrar um pouco, ideia do gordinho ai. – Bill falou, sentando-se sobre uma almofada no chão, enquanto pegava um biscoito sobre a bandeja.
Gustav pegou mais alguns cobertores no armário que ficava aos pés da cama, entregou um para cada, e em seguida cobriu Madeleyne com um deles, sentando-se novamente ao lado da moça, recebendo alguns olhares maliciosos e nada discretos de Tom e Georg.

– Para a Madeleyne, eu trouxe um chocolate quente, que já está quase esfriando. – Tom entregou uma das canecas para Madeleyne enquanto os outros tratavam de pegar as outras
.
– O Bill como é chique, vai tomar chá. – Gustav olhou para o mais magro, que ria da piada do loiro.

Durante aquela noite, nenhum dos cincos foi capaz de dormir antes das duas da manhã, conversaram o quanto podiam, riram e gritaram até que Simone tivesse que dar alguns puxões de orelha nos gêmeos.
Depois das três e meia, Gustav já estava deitado no colo de Madeleyne, dormindo serenamente, Tom já tinha ido para o quarto dormir, Georg comeu mais um pedaço de peru e foi dormir também, estavam apenas Bill e Madeleyne, conversando em sussurros para não acordar o loiro.

– Então Madeleyne, gostou desse natal? – Bill escondeu-se mais um pouco dentro dos cobertores e fitou cuidadosamente a jovem, não deixando escapar nenhum detalhe.

– Foi ótimo, um dos melhores, há tanto tempo que não fico acordada até essa hora. – Bill não teve dificuldades em ver que a garota falava a verdade, ele estava cansado de pessoas que mentiam para ele, aliás, ele mesmo era assim, mentia para si mesmo, dizendo estar bem.

– Sabe, vi que você estava um pouco triste no carro, quando Georg perguntou de onde você era. – Madeleyne abriu um pequeno sorriso sem graça, agradecendo mentalmente à Bill, por ter se preocupado, por ter notado, poucas pessoas sabem reconhecer um sorriso verdadeiro, apenas algumas conseguem ver, que nem todo palhaço é feliz.

– Bem, me sinto um pouco mal sabendo que Josefine está no hospital, sempre tive lembranças ruins no inverno. – Bill levanta-se da almofada onde estava, cuidadosamente tira Gustav de cima da garota e o coloca para dormir ali mesmo, Bill estende a mão para Madeleyne, que apenas o observa, mas ainda assim o segue.
Bill a leva até uma sacada que havia no final do corredor, cobre Madeleyne com seu casaco e fica observando em volta, se preparando para dizer alguma coisa, mas as palavras fogem de seus lábios e de seu raciocínio.

– Sabe, há alguns meses eu estava namorando, tinha planos, pensava em casar, ter filhos, mesmo sendo tão novo ainda. – Bill acendeu um cigarro, deu uma intensa tragada e soltou a fumaça vagarosamente, observando o céu, coberto por algumas poucas nuvens.

– E o que houve? – Madeleyne olhava para a fina fumaça, fazendo formas onduladas pelo ar, enquanto Bill engolia a saliva e respirava fundo.

– Ela se convenceu de que os russos são mais interessantes que os alemães. – Bill deu um sorriso irônico, suspirou algumas vezes e voltou para dentro, trazendo Madeleyne, para que ela não ficasse no frio.

– Entendo, mas sabe, ser sua amiga é legal, e ela como namorada ainda assim não o quis, eu não teria sido tão burra a ponto de... – Bill arqueou a sobrancelha esquerda, e encarou Madeleyne por alguns instantes, seu rosto delicado que mais parecia uma porcelana, havia tomado uma cor avermelhada, a garota apertou os lábios com força, se perguntando que besteira havia falado, para ficar tão nervosa.

– Acho melhor, irmos dormir, vou tirar o Gustav de lá do quarto, assim você pode ir dormir. – Ainda sem graça, Madeleyne ascentiu com a cabeça e seguiu Bill até o quarto.
Bill sacudiu o ombro de Gustav, que logo acordou e entendeu que estava dormindo no lugar errado, o loiro levantou da cama, fez um sinal de boa noite para Madeleyne e saiu do quarto.

– Boa noite, até de manhã. – Bill fechou a porta do quarto, deixando Madeleyne sozinha, não demorou muito para que a jovem caísse no sono, seus últimos pensamentos eram em Josefine, como ela estaria naquela hora? Passar o natal no hospital, não parece ser algo muito bom.


~
Madê, não precisa ficar envergonhada... As aliens fariam o Bill ficar tímido, de tantas cantadas... nér?! '--'

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15 Re: Kiss The Rain em Ter Out 02, 2012 7:59 pm

Anny V.

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Moderadora
Desculpa! Eu sempre esqueço de comentar as fics que eu leio! Eu sou meia lerdinha, com o tempo as pessoas acostumam Razz
OMG! Não acredito que a Simone teve coragem de mostrar o quadro do Bill peladinho quando bebê pra Madeleyne! Eu ri dessa situação.
E agora, Bill ou Gustav? Duvida cruel Neutral

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16 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 11 em Qua Out 31, 2012 7:57 pm

Capítulo 11
Conversas com Gustav



Madeleyne acordou lentamente naquela manhã de inverno, fitou o lugar a sua volta, tentando lembrar-se do que havia acontecido na noite passada, sorriu ao recordar-se das brincadeiras, risadas e conversas com os outros quatro jovens, se espreguiçou manhosa, deixando as cobertas caírem no chão, olhou na direção da janela e viu apenas seu contorno, devido à pouca luz, possivelmente de alguns tímidos raios de sol que se mostravam.

Calçou os sapatos e caminhou até as finas cortinas do local, abrindo-as vagarosamente aproveitando a linda visão que havia se formado por causa da neve e do frio da noite anterior, as árvores pareciam estar congeladas, dentro de um cubo de gelo, coisa que não estava acostumada a ver perto de sua casa, já que seu vizinho mal-humorado garantia para que nenhum centímetro de neve se acumulasse nas calçadas ou que as árvores tomassem aquela aparência delicada de um paraíso de inverno, só poderia ter uma visão igual à essa, no Japão, quando as árvores de sakura se congelam junto com as pequenas cerejas vermelhas.

Ouviu tímidas batidas na porta e em seguida um par de olhos castanhos a fitava, um sorriso se formou na pele alva do rapaz e um sussurro de bom dia pode ser ouvido por Madeleyne.
O rapaz passou os dedos por entre os curtos e loiros fios de cabelo, tirando um pouco de neve que havia pousado ali, evidenciando que ele havia voltado há pouco da rua.

– Bom dia Gustav. – Madeleyne abotoou o casaco e tímida olhava para o chão, até conseguir lembrar o motivo do loiro entrar no quarto tão cedo, na noite anterior haviam combinado de irem tomar café juntos, era um bom jeito de Madeleyne conseguir conhecer um pouco mais sobre o jovem.

– Está pronta? Eu sei de uma lanchonete ótima aqui perto. – Madeleyne assentiu com a cabeça, deixando um sorriso encantador aparecer no meio de seus lábios, as bochechas coraram e um piscar de olhos acelerado se iniciou, Madeleyne saiu do quarto, seguindo na frente, indo até o primeiro andar da casa, onde estavam os gêmeos colocando a louça para o café, Gordon alimentava dois cães, que até a noite passada nem haviam sido vistos por Madeleyne, Simone estava na cozinha, preparando alguma coisa, pareciam bolinhos, panquecas ou talvez waffles, definitivamente não eram bolinhos, concluiu Madeleyne ao ver a frigideira ampla e não muito alta, seria certamente difícil de fritar bolinhos ali.


– Bom dia, ficam para o café? – Simone cortou um pedaço do que com certeza era um waffle e o entregou para Tom, que fez uma careta de satisfação e deu um beijo demorado e estalado na bochecha da mãe, que num sussurro perguntou se estava bom, Tom colocou uma xícara na mesa e apenas murmurou um "uhum".

– Nós vamos numa lanchonete aqui perto, mas voltamos para o almoço, querem que eu traga algo? – Simone olhou para os gêmeos, como não haviam dito nada, ela apenas negativou com a cabeça e com um sorriso bondoso se aproximou de Madeleyne.

– Espero que tenha dormido bem, volta para o almoço? – Madeleyne havia pensando em recusar quando Gustav disse que voltariam para a refeição do meio dia, mas aquele sorriso simples e ao mesmo tempo tão impossível de não se olhar de Simone a fez mudar de ideia, Madeleyne timidamente pronunciou um "sim" e logo foi puxada para fora da casa por Gustav, enquanto o loiro se despedia de Georg, que estava conversando com uma garota ao lado do carro de Tom.

Em menos de dez minutos, Madeleyne já se encontrava sentada em uma cadeira, conversando com Gustav e tomando um capuccino forte, para espantar o sono.
O loiro brincava com a colher dentro da xícara de café expresso, enquanto ria de alguma coisa que só ele sabia, algo que estava em sua mente.

– Madeleyne, posso fazer uma pergunta? – A jovem assentiu com a cabeça e abriu uma face de curiosidade, Gustav abria os lábios algumas vezes, na tentativa de falar mas as palavras pareciam fugir-lhe do raciocínio.

– Bem, é algo bem indiscreto, mas acha que sou bonito? – Madeleyne surpreendeu-se com a pergunta, esperava coisas do tipo "tem namorado?" ou "como eram os natais com a família dela?" , a inocência daquela simples pergunta de Gustav a fez corar um pouco, sentiu o rosto esquentar e um sorriso bobo nascer no canto de seus lábios.

– Claro, por que não? – Tentou parecer o mais normal possível quando respondeu, mas a vontade era de rir com o semblante fofo e apreensivo que havia se formado no rosto do rapaz.

– Ah, é que eu conheci uma garota, já faz um tempo e eu gosto dela, mas eu fico com algumas dúvidas. – Gustav tomou mais um gole de café e olhou pela grande janela de vidro da lanchonete, observando um casal de jovens que riam e trocavam olhares fixos e intensos do outro lado da rua. – Eu quero isso para mim, um relacionamento, quero poder fazer alguém feliz, quero ser o motivo de uma garota sorrir todos os dias. – Gustav abriu um sorriso sem graça, talvez rindo das próprias palavras, que Tom sempre dizia serem melosas demais para um único homem.

– Bem, já falou isso à ela? Tente dizer o que sente, diga isso que acabou de me dizer, se ela for a garota certa para você, vai ficar feliz com essas palavras. – Gustav assentiu com a cabeça, confiante do que faria a seguir, olhou em volta observando melhor o ambiente, fazia algum tempo que não tomava café ali, lembrou-se das vezes que trouxe a tal garota naquele lugar para conversarem e comerem as delíciosas tortas de framboesa feitas pelo cozinheiro, que era amigo de Gordon, sentiu o aroma do café recém feito, a simpática garçonete com um vestido que ia até os joelhos, uma meia-calça rendada, fazendo delicados desenhos florais ao longo das pernas, o cabelo loiro arrumado em um desajeitado coque e a mesma voz delicada de sempre atendendo aos casais que levavam seus filhos para comer um pedaço daquelas tortas de framboesa.

Ouviu o fino som do sininho que ficava sobre a porta e logo deparou-se com um trio que conhecia muito bem, o de dreads comprimentou o cozinheiro e não pode deixar de "esbarrar" sutilmente nas costas da garçonete, o que fez o mais alto soltar uma risada abafada, Gustav riu da cena e logo Madeleyne olhou para trás, deparando-se com a face de Bill, que já puxava uma cadeira e sentava-se ao lado do loiro.

– Temos que ir ao mercado, então viemos buscá-los. – Tom falou, apoiando as mãos na mesa e olhando malíciosamente para a garçonete, que estava atendendo à mesa ao lado.

– Tudo bem, vamos Madeleyne? – A garota assentiu e em minutos todos já estavam perto do mercado, Gustav ia caminhando atrás dos outros, ao lado de Madeleyne.

– Então, eu devo contar pra ela o que sinto? – Madeleyne sorriu em resposta, Gustav encarou aquilo como um sim e logo enterrou as mãos no bolso, xingou a si mesmo por ter esquecido as luvas naquele frio.

– E se ela me rejeitar? – Madeleyne suspirou fundo e virou-se para Gustav, a jovem abriu os braços e acolheu o loiro em um apertado abraço, ficou evidente o que a moça queria dizer-lhe com aquilo, as mãos do loiro deixaram os bolsos de lado e envolveram a cintura da garota, retribuindo o abraço, um sorriso malicioso tomou conta dos lábios de Tom e Georg, que cutucaram o ombro de Bill e logo o moreno arregalou os olhos com a cena, Gustav percebeu os olhares e encerrou o abraço, deixando que seu rosto corasse violentamente, o loiro caminhou à frente de Tom e passando o dedo indicador pelo pescoço fez um sinal de que Tom estaria morto se fizesse qualquer piada sobre isso. Madeleyne riu e foi ao lado de Georg, ela mesma tentava não rir do que acontecera, mas definitivamente era difícil.


~
Heeey, desculpem pela demora! Mas trago boas novas, amanhã largarei meu emprego, pois tenho que cuidar da minha irmãzinha de 4 meses *-* olha isso gentchê! Não é uma ótima coisa para me inspirar? Quer coisa mais inspiradora do que aquele sorriso lindo e banguela que uma criança possui?? *w*
E para a sorte das minhas (poucas) e lindas leitoras, terei mais tempo para me dedicar às fanfics \õ
QUANTA FELICIDADE!!
Ah, e aviso para a Lara...
Postarei o final da fic aqui, não no Nyah!, desisti daquele troço u.ú
Já está prontinho, só falta postar logo os capítulos anteriores \o/ \o/
beijos :*

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17 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 12 em Qua Out 31, 2012 8:01 pm

Capítulo 12
Jaqueline


A neve já havia cessado há alguns minutos, um vento tímido e gelado soprava por entre as poucas folhas que se mantinham nas árvores, as pessoas entravam e saíam de dentro do mercado, Madeleyne e Gustav esperavam na entrada do mesmo, enquanto os gêmeos terminavam de pagar as compras e Georg conversava com a mesma jovem que Madeleyne havia visto ao sair com Gustav naquela manhã.
Bill pegou algumas das sacolas de compras e foi até a porta, sorriu tímido para Madeleyne e fitou o gêmeo, ainda dentro do mercado, conversando com algumas garotas que o haviam cercado.

– O bom é que no Natal todas ficam em casa né Bill. – Disse Georg, abraçado na garota com quem conversava, esta lhe deu um beijo no maxilar e se aninhou nos grandes braços do de olhos claros.

– Sim, encontramos só algumas fãs, deixei que o Tom cuidasse delas dessa vez. – Bill sorriu enquanto olhava para o relógio em seu pulso e paciente observava seu gêmeo fazer a mesma cena de quando era abordado por algumas fãs, mexia no piercing com malícia, tirava algumas fotos, dava autógrafos e se despedia com aquele mesmo beijo de canto de boca, que fazia as fãs irem à loucura.

– Fãs? – Madeleyne não pôde deixar de perguntar, não sabia muita coisa sobre aqueles quatro seres, Bill e Georg mostraram um semblante de espanto e um tanto de alegria ao mesmo tempo, olharam-se entre si, Gustav colocou as mãos no bolso enquanto umedecia os lábios que já estavam quase congelados devido ao frio.

– Somos de uma banda, pensei que soubesse. – Disse Georg, acolhendo a garota que o havia beijado, dentro de seu enorme casaco de inverno.

– Não, na verdade passo tanto tempo nas aulas de balé e música, que quase não me sobra tempo para conhecer pessoas novas. – Tom abraçou Madeleyne pelas costas, surpreendendo-a, a jovem corou violentamente e a sensação gelada do piercing do maior se fez presente um pouco abaixo do lóbulo de sua orelha.

– Mas agora que nos conhece, não precisa mais se preocupar com isso, eu já disse, qualquer coisa é só chamar o Tom. – O Kaulitz mais velho soltou a jovem de seus braços e matreiro abriu um sorriso para Bill, que de imediato entendeu o que este queria lhe dizer.
Depois de algumas pequenas risadas de Georg e Gustav, todos seguiram até a casa dos gêmeos.

Tom e Gustav caminhavam na frente, cochichando algo e por vezes encaravam Bill, que já se sentia incomodado com toda a persistência do mais velho, para que arranjasse logo uma namorada.
Georg ia um pouco mais atrás de Tom e Gustav, com Liza, uma garota loira de olhos escuros, pele amorenada e seios fartos, era dona de um sorriso meigo, ao qual Georg visívelmente se sentia bobo e sortudo ao mesmo tempo quando o via.
Bill e Madeleyne eram os únicos que caminhavam em silêncio, com a cabeça baixa e olhar pesado, pareciam estar à quilômetros de distância em seus pensamentos, perdidos num outro mundo que somente suas mentes eram capazes de visitar.
Bill levantou o olhar por alguns segundos e deparou-se com os olhos curiosos de Madeleyne, sorriu por ter despertado de um transe e continuou andando, abriu os lábios algumas vezes, na tentativa de dizer algo mas o que poderia falar? Não sabia muito sobre a jovem, então escolheu por ficar em silêncio.

– Bill? Dormiu bem? – Madeleyne perguntou ainda com a cabeça baixa e as mãos no bolso.

– Sim, e você? – Madeleyne balançou a cabeça afirmando um sim, por um instante Bill pensou estar sendo observado por Tom, olhou na direção do gêmeo e este caminhava normalmente, olhando para Gustav enquanto balançava a cabeça negativamente algumas vezes.

[Madeleyne's POV]

Vi Bill mover os lábios algumas vezes sem dizer nada , Todos os outros estavam ocupados em suas conversas.
Lembrei da conversa que tive com Bill na noite anterior, queria ter lhe dito algo melhor mas no fundo eu não entendo nada sobre o amor, sempre estive tão ocupada com o balé e a música, que mal podia pensar em ter um relacionamento e penso que deve estar sendo difícil para Bill.
Tocando em uma banda e tendo fãs, nem todas as garotas se aproximam dele por um sentimento realmente verdadeiro, Josefine me dizia que com a minha mãe era exatamente assim, todos queriam ser "amigos" da bailarina mais conhecida da época.
Coloquei as mãos no bolso e decidi falar algo, puxar algum assunto para tentar distrai-lo.

[/Madeleyne's Pov]

– BILL! – Um grito agudo pode ser ouvido ao longe e logo uma garota ruiva, de olhos claros, seios fartos e quase da altura de Bill, pulou nas costas dele, bagunçando seu cabelo armado, que mais parecia uma juba.

– Jaqueline, precisa mesmo pular em mim sempre que me vê? – A ruiva desceu de cima das costas do maior e abraçou Bill com força.

– Fazia tanto tempo que você não voltava para cá, esqueceu de mim. – A garota cruzou os braços e fez uma carinha de desapontada, Bill sorriu e apertou suas bochechas.

– Madeleyne, está é Jaqueline, ela é minha...

– Futura noiva e você é o que dele? – Jaqueline perguntou com desdém, olhando Madeleyne de cima a baixo, a jovem corou e confusa olhou para Bill, que ria da cena.

– Jaqueline é minha amiga de infância, nos conhecemos desde a terceira série. – Bill completou a frase antes que a ruiva o interrompesse novamente.

– Oi pirralha. – Tom deu um estalado beijo na bochecha de Jaqueline, que o afastou com uma das mãos e com a outra levantou o dedo do meio para ele, que riu e debochadamente soprou um beijo para a menor.

– Foi muito bom reencontrar você Bill, passe na minha casa quando puder, há um presente com seu nome lá na minha árvore.

– Jaqueline olhou para Madeleyne, ainda com desdém e antes que Bill falasse algo, a ruiva segurou seu rosto e roubou-lhe um pequeno selo, saiu caminhando e mantendo um olhar fixo e um tanto estranho para Madeleyne.

– O que foi isso? – Perguntou Gustav, abraçando Madeleyne que estava pasma olhando para a ruiva, que estava quase sumindo em outra rua.

– Viu Bill, tá solteiro por que quer, desde quando Jaqueline tem aqueles seios tão grandes? Era reta que nem uma tábua! – Tom brincou com seu piercing e ficou olhando para o irmão, que estava com a mesma cara desde que a ruiva lhe arrancou um selo.

– Terra chamando o Bill, está ai? – Georg deu um tapinha nas costas do mais magro, que despertou do transe, pegou as sacolas de compras, baixou a cabeça e foi bufando para a casa.
Tom riu da cena e todos seguiram Bill, rindo da cara de espanto do vocalista.


~
MAIS UM CAP \O

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18 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 13 em Qua Out 31, 2012 8:06 pm

Capítulo 13
Um medo compartilhado



[Madeleyne's POV]

Já eram quase nove da noite, Bill estava trancado no banheiro tomando um banho quente, Tom olhava as fotos dentro do álbum de fotografias da minha família, Georg e Liza namoravam em silêncio perto da lareira, Gustav e eu preparávamos um chá quente para todos. A neve ainda estava caindo lá fora, só que dessa vez mais forte, não havia como deixar que todos dirigissem até longe com aquele tempo gelado, o barulho da água caindo do chuveiro se calou, corri até o quarto que pertencia aos meus pais, acendi a luz e por um momento vi toda a cena de quando era uma criança frágil, deitada sobre aquela cama, abraçada aos travesseiros de Helen, uma boneca era a única testemunha de minha dor, por um instante ouvi os murmúrios de Josefine, ajoelhada ao lado da cama, segurando a mão de Robert.

Retornei à realidade, ignorei o doce cheiro que vinha dos travesseiros e segui até o guarda-roupas, peguei uma calça moleton preta, algumas meias, uma blusa azul claro e um agasalho de lã verde, que pertenciam ao meu pai, de fato não me lembrava totalmente dele, as lembranças eram poucas, apenas três natais, uma ação de graças e quatro aniversários meus, apenas o que lembro é do cheiro que ele tinha, me sentia segura nas noites de inverno em que dormia com meus pais, ele me abraçava e com a voz rouca e sutíl chamava-me de pequeno cisne, ouvi alguns passos no corredor e lembrei que devia levar aquelas roupas para Bill, já que as dele estavam molhadas

XXX

– Olha Tom, lembra desse lago? – Bill apontou para um grande espaço aberto, que mais parecia um rinque de patinação.

– O que vai fazer Bill, não me diga que isso ai são... – Bill olhou para Tom, faceiro e com um sorriso animado no rosto, calçou os patins, levantou-se cuidadosamente, olhou para a superfície congelada do lago e começou a patinar.

– Vem Tom, o gelo está firme! – Seguiu até o meio do lago, deu um giro no próprio eixo e acenou para Tom, que já calçava os patins.
Um ruído foi ouvido e Bill sumiu da vista de todos, um buraco no gelo se formou, a água balançava agitada e pensamentos ruins adentravam em nossas mentes.

– Bill! – Tom levantou e patinou depressa até o buraco, esticou os braços para dentro da água fria e puxou Bill de lá.
Estava pálido, os lábios haviam tomado uma cor roxa, tremia e tentava dizer alguma coisa, Tom tirou o grande casaco que usava e envolveu o irmão.

Entraram todos no carro e tentaram voltar para a casa dos gêmeos, mas a estrada estava fechada, por causa da neve que tinha começado a cair há pouco.
Decidiram então que o melhor era ir para a casa de Madeleyne, que ficava na direção oposta à casa dos Kaulitz.

XXX

– Bill? – Vi uma figura magra e alta entrar no quarto, estava enrolado em uma toalha, cobrindo apenas de sua cintura até os joelhos.

– O..Oi, que.. que sorte eu ti... tive né? – Bill gaguejava por causa do frio, fechei a porta do quarto e liguei o aquecedor, o ajudei a vestir a blusa e o agasalho, virei de costas enquanto ele mesmo vestia a calça de moletom, depois ajeitei a cama dos meus pais e o fiz sentar-se na beirada, enxuguei seus longos fios negros de cabelo enquanto ele abraçava o próprio corpo para espantar o frio.
Coloquei a mão em seu peito, seu coração batia acelerado, empurrei-o devagar até repousar a cabeça no travesseiro, puxei três grossas cobertas e o cobri, ele se encolheu e escondeu o rosto em baixo dos cobertores.

– Desculpa, não queria te dar trabalho. – Bill sussurrou, enquanto fechava os olhos e quase adormecia.

– Não se preocupe, me deixaram passar o natal com vocês, o mínimo que posso fazer é deixar que passem a noite aqui. – Coloquei a mão na testa de Bill para ver se ele já estava começando a recuperar uma boa temperatura, ele continuava gelado, seus lábios já estavam um pouco mais vermelhos mas ainda havia um pouco de roxo, lembrei-me do chá que havia feito, corri até a cozinha, peguei duas xícaras com chá de maçã e voltei para o quarto.

– Bill? – Sacudi seu ombro e ele logo levantou o rosto que estava escondido, sentou-se na cama e ficou me observando por algum tempo.

– Trouxe chá.

[Bill's POV]

Seu cabelo estava preso num desajeitado coque, algumas mechas onduladas caiam por seu rosto, ela tinha olhos cor de mel, um pouco esverdeados, a pele era tão branca quanto a minha, o contorno de seus lábios era perfeito e tinha uma cor rosada naturalmente, as mãos eram firmes e delicadas, demonstrando que de alguma forma ela tinha envolvimento com a arte, as unhas eram médias e estavam pintadas de branco, servia o chá com um pequeno sorriso no rosto, entregou-me uma das xícaras, senti o aroma quente da bebida e percebi que não deveria tomá-lo.
– É maçã? – Ela sorriu e assentiu com a cabeça, coloquei a xícara sobre o criado mudo e ela me encarou.

– Usou maçã para fazer o chá? – Ela mais uma vez assentiu com a cabeça, era uma garota de poucas palavras, tímida e com um encanto que parecia ter saído de um filme antigo.

– É que eu sou alérgico. – Fiquei um pouco sem graça ao ver Madeleyne tomar um semblante tímido e perdido, pedindo desculpas desnecessárias.

– Desculpa, eu não fazia ideia. – Madeleyne levantou da beirada da cama, colocou minha xícara sobre a bandeja e foi até a porta.

– Espera, não precisa, fica aqui comigo por favor. – Ela virou-se para mim e lentamente caminhou até a cama, seus olhos pareciam estar brilhando mais, um semblante doloroso se formou em seu rosto e uma pequena lágrima escapou de um de seus olhos, escorrendo por sua face, até chegar na ponta de seu queixo e despencar até o chão.

– Desculpa, o que foi? Falei algo de errado? – Levantei da cama e fiquei de frente para Madeleyne, não sabia o que havia acontecido para que ela começasse a chorar, lentamente passei meus braços por seus ombros e a abracei, ouvi pequenos soluços de dor e sem dizer nada, ela me contou tudo apenas com aquelas lágrimas, seu silêncio me contava milhões de histórias, suas lágrimas me mostravam dores e suas mãos apertando meus braços apontavam para uma garota frágil tentando ser forte, segurando tudo aquilo, não querendo demonstrar à ninguém, nós dois tinhamos coisas que preferíamos deixar guardadas para nós mesmos. Senti que ela se tornava mais pesada, os soluços diminuiam e ela já soltava meus braços, já me sentia melhor, então a peguei no colo e a deitei na cama, estava quase dormindo mas suas mãos ainda estavam segurando com força o agasalho que eu vestia.

– Madeleyne, o que houve? – Passei as mãos em seu rosto, limpando a maquiagem que havia escorrido por suas bochechas, tirei alguns fios de cabelo de seu rosto e a fitei com dor, uma jovem tão nova começar a chorar sem um motivo aparente, era mesmo algo que eu não via todos os dias.

– Quando eu tinha cinco anos, meu pai estava deitado na cama do hospital, minha mãe cuidava dele, ela levantou-se e disse que logo voltaria, ele a olhou e disse "fica aqui comigo por favor" , ela sorriu e disse que não demoraria, saiu do quarto deixando eu e meu pai ali, quando ela voltou ele já tinha fechado os olhos e nunca mais iria abri-los. Minha mãe nunca se perdoou por deixá-lo sozinho quando ele apenas pediu para que ela ficasse. – Abracei Madeleyne e me deitei ao seu lado na cama, ela colocou o rosto no meu peito, senti uma dor enorme dentro de mim, era como se tivesse imaginado o que ela viu, um homem deitado em uma cama, pronunciado aquelas palavras, era doloroso para ela.

– Mas eu estou bem e estou aqui. – Afaguei seus cabelos até que ela caísse no sono, a deitei cuidadosamente sobre o travesseiro, levantei da cama e a cobri lentamente, caminhei em passos lentos, até chegar na porta, a abri e fui até a sala, todos já haviam sumido, voltei para o corredor e lentamente abri cada porta que havia nele, encontrando todos dormindo em um quarto diferente, um deles estava vazio, acendi a luz e me deparei com o que poderia ser o quarto de Madeleyne, era num tom lilás e pêssego, havia um grande espelho que cobria toda uma parede, a cama estava bem arrumada e ao lado dela, sob o criado mudo havia uma pequena boneca de porcelana, tinha os cabelos ondulados da mesma cor que os da Madeleyne, olhos cor de mel e uma pele branca, puxei as cobertas da cama e me deitei, o travesseiro tinha o cheiro de Madeleyne, talvez fosse lavanda, ou baunilha, era doce e intenso, com certeza seria baunilha.

Desliguei a luz do abajur e fiquei observando o quarto em volta, a luz da rua entrava pela janela e atravessava as finas cortinas brancas, fiquei pensando no que ela havia me contado.
De certo modo, quando disse para que Madeleyne ficasse no quarto, quando a vi chorar e segurar meu agasalho com força, percebi que era ela que implorava para que alguém estivesse ao lado dela, tudo que ela conhecia como família, era Josefine, mas ela estava no hospital.
Tínhamos o mesmo medo de perder as pessoas que amávamos, por isso se envolvia tanto no balé e na música.
Fiquei pensando nisso por um longo tempo, até sentir meus olhos pesarem e o sono me preencher, fechei os olhos e adormeci.

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19 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 14 em Qua Out 31, 2012 8:10 pm

Capítulo 14
O amor de Gustav


Gustav's POV

Ela havia acabado de acordar, se espreguiçava em baixo das grossas cobertas macias, bocejou como uma daquelas garotas lindas e tímidas de filmes antigos.
Sentou-se na cama enquanto esfregava os olhos, sentei-me na beirada da cama e retirei algumas mechas de cabelo que estavam em seu rosto, ela sorriu um pouco sem graça, deve ser essa coisa que toda mulher acha que sempre está horrível quando acorda mas a verdade é que assim, pelo menos na minha opinião, elas ficam mais lindas, estão puras, sem maquiagens, corretivos, bases, o cabelo está natural e sem todo aquele monte de cosméticos.

– Bom dia Madê. – Me inclinei um pouco, deixando um beijo em sua testa, Madeleyne fechou os olhos e riu um pouco.

– Bom dia Gust. – Com um confortável abraço ela retribuiu o beijo, passou a mão pelos meus cabelos e levantou da cama, foi até a janela e abriu as cortinas, sorrindo ao ver um dia com poucas nuvens, a neve derretendo e um sol gostoso de inverno, respirou fundo e foi até o banheiro, eu observava atento e curioso à cada detalhe.

Madeleyne era dona de um sorriso meigo, uma pele delicada, olhos hipnotizantes e únicos, tinha uma voz suave, jeito de uma adolescente tímida, fazia o tipo de garota romântica, vinda de um mundo totalmente diferente, onde as garotas não são como a Ketlyn , com certeza ela não se importava se o cabelo estava bagunçado, se a blusa combinava com os sapatos, ou se o namorado dela tem músculos grandes o suficiente para que outras garotas sintam aquela dor de cotovelo...
Ela era tão.. Madeleyne. Uma boneca delicada de porcelana francesa, uma garota um tanto pura e sem malícia.

– Gustav, por que me chamou de Madê? – Ela sentou-se ao meu lado, nem havia percebido quanto tempo já havia se passado mas ela já estava vestida, trajando um blusão justo de lã vermelho, uma calça jeans azulada, uma bota de cano médio e em uma das mãos segurava um sobretudo marrom claro.. O que me fez lembrar do mesmo tom de café com leite, ouvi meu estômago resmungar de fome, olhei envergonhado para Madeleyne, que sorriu e começou a fitar o chão, pensando em alguma coisa que eu gostaria tanto de descobrir o que era.

– Bem, eu gosto de colocar apelidos nos meus amigos... Isso se quiser ser minha amiga.– Abaixei a cabeça e me pus a olhar para o chão, senti o rosto esquentar enquanto tentava não olhar para o par de olhos que me observava.

– Claro que sim, se você não tivesse falado comigo lá no teatro, eu com certeza passaria o Natal sozinha, obrigado Gust. – Madeleyne apoiou a mão sobre meu joelho e depositou um beijo sobre minha bochecha, novamente ouvi meus estômago grunhir de fome, ri tímido da situação, Madeleyne levantou-se da cama e estendeu as mãos para mim, levantei também e fomos para fora do quarto.

XXX

No meio da noite anterior, vi Bill abrir a porta do quarto onde eu estava, levantei algum tempo depois e fui conversar com ele.
Bill me disse o que aconteceu com Madeleyne, sobre o pai dela, senti uma dor forte esmagar meu coração ao saber o quão frágil aquela garota é.
Voltei para o quarto e dormi um pouco, acordei perto das quatro da manhã, com algumas batidas quase ináudiveis na porta.

Quando a abri me deparei com aqueles olhos tão bonitos, Madeeyne disse que queria conversar, que não conseguia dormir. Ficamos conversando durante o resto da madrugada, aos poucos ela foi cedendo ao sono, até que fechou os olhos e dormiu.
Eu já não tinha mais vontade de dormir, fiquei sentado em uma poltrona, pensando no conselho que ela havia me dado na lanchonete, estava nervoso, não conseguia achar as palavras certas para dizer à garota o quanto eu gostava dela.
Estava preocupado com Bill, ele sempre foi um bom amigo, é um rapaz gentil, nunca o vi tratar uma garota de forma ruim e por algum motivo a tal Ketlyn pensou que o russo fedido à peixe seria melhor do que o meu amigo.
Por isso havia me encantado tanto com Madeleyne, ela nem sabia quem éramos, não está sendo nossa amiga por causa de quinze minutos de fama mas sim por que ela é diferente, igual à... Jaqueline..

XXX

Tinha dezesseis anos quando a beijei pela primeira vez, ela e Bill eram melhores amigos e ela estava sempre andando com ele, até que um dia percebi que gostava dela, os delicados cabelos ruivos e tão macios, a pele tinha um cheiro de morangos e o sorriso era sempre tão sincero.

– Gustav, promete que sempre virá me visitar?! – Ela disse, com os olhos molhados e tristes, eu não queria partir, mas a banda era importante para mim.

– Sempre, é uma promessa. – A beijei como se aquilo fosse um adeus eterno, eu queria poder levá-la comigo, se pudesse a levaria para onde quer que fosse, ela é única para mim.

– Eu te amo Gustav. – Afaguei os delicados fios ruivos e a abracei com força, afundei meu rosto em seu pescoço e a beijei.

– Eu que te amo mais. – Dei um beijo em seus lábios rosados, limpei suas lágrimas e sorri para ela. A última coisa que queria era ver minha pequena chorando.

Voltei para vê-la sempre que podia, a saudade era tanta que mal conseguia dormir sem sentir o aroma de morangos da pele macia da minha pequena Jaqueline...

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20 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 15 em Qua Out 31, 2012 8:16 pm

Capítulo 15
Olhares sujos


– Helen. – A jovem loira virou-se para o rapaz de cabelos escuros.

– Adam? – O rapaz desviou o olhar, as palavras pareciam fugir de seus lábios, ele queria dizer àquela garota, ele precisava dizer o que sentia.

– Boa sorte. – Fuzilou à si mesmo por pensamento, foi fraco e incapaz de dizer algo tão simples, ou talvez não fosse assim tão fácil.Alguma vez já tentou dizer o que sentia, sem sentir medo?

– Ah, tudo bem, obrigado. – A menor virou-se, ajeitou o longo vestido rosa claro e caminhou lentamente até as grossas cortinas vermelhas, que levavam até o palco. Uma noite única no Japão, há muito tempo já havia deixado o balé, para seguir na música.

– Helen espera por favor. – A jovem sentiu um arrepio percorrer seu corpo inteiro, cada terminação nervosa parecia entrar em choque com a sensação de alegria que tomava conta de seu coração.

– Não posso deixar que você vá embora, sem antes te dizer que... – A voz falhou, o suor começava a correr gelado por sua testa, sentia as pernas ficarem sem força mas agora não voltaria atrás, tinha que dizer algo e se não pudesse falar, então ainda poderia demonstrar.

Aproximou-se da menor e a envolveu em seus braços, aproximaram os lábios em desespero e angústia, queriam aquilo, precisavam daquilo para estarem completos, apertaram os lábios delicadamente um contra o outro, um frio percorreu a espinha da jovem e logo a sensação do beijo fez com que fechasse os olhos, pousou as mãos em volta do pescoço do rapaz enquanto ele envolvia sua cintura, puxando-a mais para si, sentiram os corações baterem acelerados e lentos ao mesmo tempo.
Separaram-se para buscar pelo ar que insistia em fugir-lhe dos pulmões, sorriram tímidos um para o outro, não ousaram separar os corpos, que há muito já pediam por aquele toque, aquele carinho, aquela sensação única.

– Queria te dizer que eu te amo. – Adam corou e lentamente soltou a cintura da menor, segurou suas mãos delicadas e a olhou fixamente.

– Isso eu já sabia, mas precisava ouvir você dizer. – Helen sorriu lindamente, tirando alguns fios de cabelo que haviam se desprendido de seu penteado.

– Meu leãozinho...

XXX

– MÃE! – Madeleyne gritou, despertando de seu sono, recebeu olhares frios das enfermeiras do quarto ao lado, Gustav apareceu ofegante no corredor e correu até a poltrona onde a jovem estava dormindo antes.

– Madê o que houve? – Gustav ajoelhou-se na frente da menor, segurando sua mão e olhando fixamente para seu rosto pálido e assustado.

– Eu sonhei com meus pais, a gravação... Preciso da gravação. – Madeleyne parecia confusa, levantou-se da poltrona e caminhou até o corredor, Gustav caminhava ao seu lado, cuidando para que ela não desmaiasse, pois do jeito que estava parecia que a qualquer momento teria um ataque de nervos, parecia tão frágil agora.

– Mas que gravação? Do que está falando? Por favor alguma enfermeira nos ajude. – Logo todos observavam os jovens escorados na parede, atordoados com alguma coisa. Gustav não conseguia entender nada do que Madeleyne falava e ela nem podia explicar-se direito.

– Eu estou bem, não se preocupem. – Madeleyne abraçou-se em Gustav e lentamente começou a acalmar-se, havia apenas tomado um susto, como se fosse uma criança em noite de tempestade.

Madeleyne encolheu-se no aconchegante abraço de Gustav, escondeu o rosto na curva do pescoço do loiro, sentiu o aroma da pele do maior preencher sua mente, apertou os olhos tentando afastar todos os pensamentos ruins e aspirou o ar bruscamente, como se estivesse se afogando num mar seco.

– Klaus? – Gustav e Madeleyne viraram-se na direção da voz rouca, depararam-se com um homem alto, de olhos verdes e cabelos castanhos, alguns poucos grisalhos mostravam um homem com talvez mais de quarenta anos, vestia um jaleco branco e segurava uma prancheta de anotações.

– Sim? – Madeleyne e Gustav perguntaram em uníssono, se entreolharam confusos, encararam-se por um tempo e Gustav sorriu.

– Sou Madeleyne Klaus Chevalier. – Madeleyne saudou o homem com um aperto de mãos e encolheu-se dentro do casaco ao sentir uma corrente de ar entrar pela janela no final do corredor.

– Sou o doutor Richard, é um prazer conhecê-la, deve ser a filha de Josefine. – Madeleyne surpreendeu-se com a frase do homem, cruzou os braços e fitou o chão.

– Ela é neta da Josefine, e eu sou Gustav Klaus Schäfer. – O homem arregalou os olhos e sorridente apertou a mão de Gustav, olhava para Madeleyne e para o loiro, olhando cada detalhe nos dois jovens.

– Qual o parentesco com a paciente? – Richard perguntou, olhando para Gustav.

– Sou apenas amigo da Madeleyne, nem sabia que tínhamos o mesmo sobrenome. – Richard riu e caminhou até o quarto onde Josefine dormia, Gustav a observou fixamente e notou um tom mais saudável em seu ser, na noite de Natal ela estava pálida, com olheiras e lábios secos, a pele parecia que ia partir-se em milhares de pedaços a qualquer momento, mas não hoje..

– Josefine se mostrou tão jovem, tão saudável, que não pensei que já tivesse uma neta tão... – Richard olhou matreiro para Madeleyne, colocou as mãos dentro do bolso e desceu os olhos pelo corpo de Madeleyne, como se a saboreasse com o olhar.

– Uma neta tão bonita e delicada. – Foi até o outro lado do quarto, onde havia uma mesa com alguns papéis empilhados e alguns remédios.

– Sugiro que tome alguns calmantes senhorita Klaus. – Richard entregou dois comprimidos para Madeleyne e um copo com água.

– Obrigado doutor Richard, mas tenho certeza de que Madeleyne ficará bem. – Gustav abraçou a jovem, afagando seus cabelos e olhando cinicamente para o homem.

– Eu vou estar cuidando dela. – Gustav falou seco, inexpressivo e olhando fixamente nos olhos verdes de Richard.

– Tudo bem senhor Klaus, faça como quiser. – Richard pegou alguns papéis sobre a mesa e caminhou lentamente até a porta.

– Mas não hesite em me procurar senhorita Klaus. – Richard disse, com um ar matreiro, deu alguns passos largos e sumiu pelo corredor. Gustav encarou a porta onde ele estava, beijou a testa de Madeleyne e a abraçou com mais firmeza.
Como um doutor com aparência tão cavalheira poderia ter olhado com tamanha malícia para a delicada Madeleyne?!
Uma jovem doce não deveria receber olhares vorazes, carregados de luxúria e pensamentos sujos.
Prometeu à si mesmo que jamais deixaria Madeleyne sozinha com aquele homem, que jamais deixaria que outro homem olhasse daquela forma para uma garota tão delicada e inocente.

XXX

Madeleyne brincava distraída com a colher dentro da xícara de café, a cabeça estava apoiada em uma das mãos e o olhar estava longe, perdido em algum lugar no céu limpo lá fora, a neve havia parado de cair desde a noite anterior, um sol tímido e fraco tentava iluminar o dia.

– Madeleyne, vai ficar sozinha em casa até que Josefine receba alta do hospital? – Madeleyne olhou para Gustav, pensativa e processando as palavras do loiro, estava tão distraída que nem ao menos o ouviu falar.

– Espero que ela fique bem. – Foi só o que conseguiu pronunciar, Gustav suspirou desanimado e segurou a mão da garota, que o olhou apreensiva, agora prestava atenção no olhar angustiante do loiro, não havia notado o quanto ele havia se envolvido com ela.

– Eu estou preocupado com você, por favor preste atenção ao seu redor. – Gustav entrelaçou as mãos, deu um pequeno sorriso e fitou o rosto da jovem, esperando alguma resposta que o agradasse.

– Tudo bem, eu estava pensando, será que somos da mesma família? – Madeleyne sorriu, brincando com o anel no dedo anelar de Gustav.

– Talvez, poderia vir até a minha casa, te apresento à minha mãe e podemos ver a árvore genealógica da família. – Madeleyne abriu um sorriso infantil, balançou a cabeça num "sim" animado.

– Janta comigo então? – Gustav sentiu o rosto esquentar, olhou para o chão e riu ao sentir as cócegas na palma da mão que Madeleyne segurava.

– Claro, agora tenho que ir para casa, nos vemos às sete da noite? – Gustav não conseguiu se pronunciar, apenas balançou a cabeça e sorriu timidamente.

– Até depois então. – Madeleyne levantou-se da cadeira e depositou um estalado beijo na bochecha de Gustav, que sentiu o rosto esquentar mais uma vez.

Virou-se para trás e observou a jovem caminhar para fora da lanchonete, um sorriso bobo e faceiro nasceu no canto de seus lábios e tomou conta de seu rosto, ajeitou os óculos e levantou-se.
Observou o céu cinza, as pessoas caminhavam apressadas, se alguma delas parasse por algum momento e olhasse para aquele céu tão diferente, se aproveitassem mais aqueles detalhes.
Gustav orgulhava-se de prestar atenção nos detalhes, até nos menores.
Por isso foi capaz de notar os olhares sujos de Richard, ainda tinha que preocupar-se com o bem estar de Madeleyne perto daquele imundo.

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21 Re: Kiss The Rain em Qui Nov 01, 2012 9:02 pm

Anny V.

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Moderadora
Eu pensei que você não ia mais postar fics aqui!

Madeleyne é tão fofa, eu a imagino como uma bonequinha, sério.
Bom, agora eu acho que provavelmente ela vai acabar tendo um casinho com o Bill, assim espero.
O Gustav é tão fofinho com ela, adoro isso nele. Coincidência os dois terem o mesmo sobrenome '-'

Continua, e não faça mais isso com a sua leitora, ok? Não desapareça de novo.

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22 Re: Kiss The Rain em Sex Nov 02, 2012 12:16 am

Ain....Já tá pronto???

Posta tudo logo de uma vez, que eu quero ler o finaaaaaaaaaaaaaal!!!!!!!

Não aguento mais esperar!! bounce

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23 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 16 em Sex Nov 02, 2012 10:04 am

Capítulo 16
Uma flor estragada



Madeleyne dormia tranquilamente em seu quarto, a luz alaranjada do sol entrava pelas frestas da janela e acertava seu rosto em cheio, fazendo com que acordasse aos poucos. Primeiro percebeu os sons ao seu redor, viu formas do que pareciam ser os móveis de seu quarto e por fim encarou os próprios olhos no grande espelho que cobria toda a parede do outro lado da cama, lembrou-se que em menos de duas horas iria encontrar-se com Gustav, um sorriso animado surgiu em seu rosto ao mesmo tempo que uma dor surgiu em seu peito e os pensamentos começaram a se tornar incomodáveis... "Como será a mãe dele?" "Será que ela é do jeito que me lembro que uma mãe deve ser?"

O fato de saber que as outras pessoas ainda tinham seus pais vivos não a incomodava, só não achava justo que a vida tivesse tirado seus pais e seu avô, por que tudo isso? Afinal, o que ela havia feito de tão mal para que fosse castigada dessa forma?Assustou-se com o barulho estridente do despertador metálico que ficava sobre o criado mudo, riu da própria careta de surpresa, esticou o braço para fora dos cobertores e desligou o despertador. Ficou algum tempo parada, pensando no quanto havia dormido bem, nem se lembrava qual tinha sido seu último cochilo durante a tarde, as aulas de balé e piano tomavam muito de seu tempo e agora sentia-se esgotada, talvez não devesse preocupar-se tanto com as aulas, tinha que pensar em Josefine.. Madeleyne balançou a cabeça, espantando os pensamentos ruins e negativos.

Levantou-se lentamente da cama, espreguiçou-se manhosa enquanto bocejava, sentiu seus músculos agradeceram pelas horas de descanso. Esfregou as mãos no rosto e sorriu para seu reflexo no grande espelho, foi para o banheiro e deixou que a água morna levasse todas suas preocupações pelo ralo...

"- Seria bom se isso fosse mesmo possível".. Pensou Madeleyne, espalmando as mãos pelos frios azulejos rosados na parede, fechou os olhos e por um momento pensou ter dormido em pé, suspirou pesadamente enquanto pendia a cabeça para trás, sentindo a maravilhosa sensação da água quente escorrendo por seu rosto.

XXX

– Jaque, eu ainda não estou entendendo. – Bill revirou os olhos enquanto bufava insatisfeito com as desculpas esfarrapadas de Jaqueline.

– Viu o jeito que ele olhava para ela? Aquela tal de.. Matilda? – Bill riu do engano de Jaqueline, levantou-se e caminhou lentamente até a janela.

– É Madeleyne, acho que deve ser frânces. – Dessa vez um sorriso tímido se apossou dos lábios do maior, que inclinou a cabeça para baixo enquanto colocava as mãos no bolso e escorava-se no parapeito da janela, de costas para a rua. A ruiva o fitou com certa desconfiança, colocou as mãos para trás e caminhou lentamente até o moreno, manhosa e calculista, imaginando todas as possíveis reações do rapaz.

– Gosta dela, Bill? – O maior arregalou os olhos com a pergunta, encarou a jovem ruiva e balançou a cabeça, negando a pergunta.

– Mal a conheço.. Claro que ela é muito bonita, é tímida e diferente das outras garotas que conheci mas acho que o Tom quer ela, então nem me importo. – Bill virou-se de costas para Jaqueline, que não engoliu a parte do "Então nem me importo" , caminhou animadamente até o maior e o encarou, desconfiada com aquela conversa.

– Bill, não minta para mim. Sabe que eu não quero ver meu primo triste. – Bill sorriu e apertou as bochechas da ruiva.

– Meio-primo, lembre-se que não somos cem por cento de sangue. – Jaqueline revirou os olhos e pulou em Bill, o derrubando por cima do sofá.

– Seu bobo, sou uma Trümper, sobrinha do seu padrasto, portando somos primos! – Jaqueline mostrou a língua para Bill, que fez careta e mordeu a bochecha da ruiva, a segurou pela cintura e levantou-se do sofá.

– Eu não tenho sangue Trümper, e nem levo o sobrenome.. Mas já que insiste tanto, então vamos fingir que você também é Kaulitz. – Bill acendeu um cigarro e deu uma longa tragada, sentou-se em uma poltrona que ficava ao lado da lareia, pendeu a cabeça para trás e soltou a fumaça lentamente.

– Sabia que isso pode te matar? – Bill deu de ombros e ignorou qualquer argumento que a ruiva dissesse sobre seu cigarro.

– Por que disse que era minha futura noiva? – Bill sorriu maliciosamente, encarando a ruiva que havia corado levemente em suas bochechas.

– Por que o Gustav estava olhando de um jeito diferente para aquela garota, a Madyson. – Bill riu da cara emburrada que Jaqueline fez, inclinou o corpo na direção da menor e lentamente depositou um beijo em sua testa.

– Ele está cuidando dela, Madeleyne está sozinha e você sabe por que ele não quer vê-la mal. – Jaqueline olhou confusa para Bill, que sorria debochadamente para o nada, olhava para as cortinas azuladas da sala e ria de alguma coisa perdida em sua mente.

– Por que? Me diga por favor. – A ruiva debruçou-se sobre os joelhos do maior, que a fitou com ironia, soltou uma risada descontraída e levantou-se da poltrona.

– Por que existe uma certa pessoa, que quando fica tímida, acaba hipnotizando o Gustav.. E bem, como eu já disse, a Madeleyne é uma garota muito tímida. – Bill deu uma longa tragada em seu cigarro e encarou a menor, que o observava ainda confusa.

– Jaqueline, devo muita coisa à você, mas como minha amiga sabe que tem certas coisas que eu vou deixar você descobrir por si só. – Bill segurou o rosto da menor, aproximou-se das delicadas bochechas e deixou um beijo na pele macia, ergueu a cabeça e saiu, sem dizer mais nada.

Jaqueline encarava a porta pela qual Bill havia saído, pensou que talvez o maior voltasse e lhe desse alguma explicação, mas o pensamento se desmanchou quando ouviu a voz de Bill e Georg na rua e logo o som dos latidos de Scooty se afastando ao longe, até sumirem completamente.

Fitou as chamas da lareira dançando conforme uma doce música de piano preenchia o lugar, encolheu-se dentro do casaco e caminhou lentamente pelos corredores da casa, seguia a delicada música enquanto pensava nas palavras de Bill, o que ele quis dizer com "tem certas que vou deixar você descobrir por si só" ? Havia algo que ela precisava descobrir? Tudo que precisava saber já estava em sua mente, todas bem claras e sem confusão, pelo menos era assim que ela pensava.

Parou de frente para a porta do quarto de Tom, lembrou-se do quanto ele detestava que entrassem em seu quarto, mas não se importou, abriu a porta lentamente, empurrando-a com cuidado para que o outro não notasse sua presença.
Deparou-se com um Tom triste, encarando um porta-retratos vazio, o de dreads trajava apenas uma calça moletom e um par de meias, algumas poucas lágrimas escorriam pela extensão da pele amorenada, Jaqueline sentiu uma dor forte em sua garganta, deu alguns passos largos na direção do maior e o encarou, ele nem se deu ao trabalho de dizer uma única palavra, apenas lançou um olhar frio na direção da ruiva.

Jaqueline ajoelhou-se de frente para o de dreads, colocou as mãos por cima das coxas de Tom e o encarou com uma olhar sem brilho, esperando por alguma reação, a ruiva esbravejava por dentro, implorando mentalmente para que o maior a xingasse, dissesse algo de ruim para ela, como costumava fazer, era diferente mas era o único jeito que Tom sabia usar para dizer que gostava de alguém.

– Droga, me manda embora do quarto, diz que pareço um ogro, fala que eu sou uma pirralha, por favor qualquer coisa seu merda! – Jaqueline sacudiu os ombros de Tom, mas ele não esboçou reação alguma, apenas segurou a ruiva nos braços e afagou seus cabelos.

– Sua fedelha, não queria que me visse assim, achei que tinha saído com o Bill e o... – Tom estremeceu ao lembrar-se do amigo, deixou algumas lágrimas caírem e uma risada sarcástica sair de seus lábios.

– Ele não merece isso, ele a ama tanto e eu mal consigo ficar com a mesma garota por mais de duas semanas. – Tom escondeu o rosto por entre os compridos cabelos da menor.
Jaqueline compreendeu o que estava acontecendo, depositou um beijo no maxilar de Tom e o abraçou pela cintura, esfregou as mãos em suas costas ao sentir a pele fria do maior.

– Não vai resolver nada se morrer de frio, vá colocar um casaco e não se esqueça do sutiã, seu mulherzinha chorona. – Jaqueline deu um leve soco no ombro do maior e levantou-se, foi até o guarda-roupas e pegou algumas blusas de lã.

– Liza é uma vadia, se gostasse mesmo do Georg não ficaria dando mole pra você. – Disse Jaqueline, colocando as blusas no colo de Tom.

– E eu sou um merda por ter caído nessa, se fosse um bom amigo eu teria dito à ele, não dormido com ela. – Jaqueline acertou um tapa no rosto de Tom, que a olhou com raiva, encarou os claros olhos da menor e tentou sorrir.

– Obrigado, eu merecia isso. – Tom abraçou a ruiva, sentiu o sentimento de culpa sumir por aquele instante, entendeu que ficar lamentando não resolveria o problema e nem mudaria os fatos. E o fato mais relevante é que.. Liza não era uma flor que se cheirasse.

Tom soltou a menor e vestiu as blusas de lã, sentiu o corpo esquentar rapidamente e até uma sensação de cansaço fazer com que seu corpo deslizasse para baixo das cobertas e seus olhos começassem a pesar.

– Boa noite Tom. – O maior ouviu a voz da ruiva, sorriu em resposta e logo adormeceu.

Seus últimos pensamentos foram calmos, planejou contar à Georg o que acontecia bem de baixo de seu nariz, temeu o ódio que talvez o amigo sentisse. Sorriu novamente ao pensar que conseguiu forças para admitir a verdade, na pessoa que ele mais criticava.


~
Haaaaalloooo \õ
Como vão? Nossa, eu estou tão feliz, estou aqui atualizando essa fic mais uma vez, ao lado da minha irmãzinha, que acabou de cair no sono

Bem, milhões de beijos para quem está lendo a fic, e para quem está lendo, mas não é capaz de deixar um comentário... Tenho duas amigas, Liza e Samara, a Liza vai roubar teu namorado, se você não tem um, a Samara vai dar um jeito...

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24 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 17 em Sab Nov 03, 2012 12:52 pm

Capítulo 17
Quando tudo começa a desmoronar



Gustav observava os pequenos flocos de neve caindo lentamente em um gracioso balé silencioso, sentiu-se em um palco tocando silenciosamente sua bateria imaginária, a chuva gelada de confetis brancos caía delicadamente das nuvens cor de chumbo que cobriam o céu.

Observava todas as pessoas caminhando, deslizando na neve que havia se formado nas calçadas, as roupas grossas estavam cobertas de pequenos flocos brancos, que se dissolviam na lã quente.

Olhou para os lados, esperando encontrar os ondulados cabelos castanhos e os olhos esverdeados de Madeleyne, via apenas sorrisos de jovens moças que andavam abraçadas em seus namorados pelas ruas.

Se sentia em um filme antigo, numa daquelas cenas onde o personagem estava sozinho, fitando tudo ao seu redor. Sentiu alguém tocar seu ombro e virou-se bruscamente, como se tivesse visto uma alma, no meio daquela cidade branca e gelada.

Sentiu uma euforia nascer em seu coração ao ver a pele branca e as bochechas rosadas de Madeleyne, segurou as mãos da jovem e a fitou inteira, observando cada detalhe de suas roupas. A menor trajava uma calça jeans preta cintilante, uma blusa grossa de lã roxa, um sobretudo em um tom cinza graffiti e uma bota curta da mesma cor do sobretudo. O loiro levantou o olhar e encarou Madeleyne por alguns instantes, a jovem sustentava uma cor rubra nas bochechas e um sorriso tímido nos lábios.

– Se arrumou tanto só pra sair comigo? – Gustav abraçou a menor e a beijou no rosto, tirando alguns fios de cabelo que estavam por cima dos olhos esverdeados.

– Você também está muito bonito Gustav. – Madeleyne passou as mãos pelos curtos fios loiros de Gustav, retirando a neve que havia caído em sua cabeça.

– Vamos? Eu sei de um restaurante francês muito bom por aqui. – Gustav estendeu a mão para Madeleyne, a menor segurou o antebraço de Gustav e deitou a cabeça em seu ombro.

– Pensei que iríamos para sua casa. – Disse Madeleyne, levantando o rosto e olhando para o chão.

– E vamos mas depois, agora vamos jantar.

– Tudo bem, estou ansiosa mas já vou avisar, eu posso comer mais que você e os meninos juntos. – Gustav riu e envolveu Madeleyne pela cintura.

– Impossível comer mais do que eu, sou o gordinho fofinho da banda. – Disse Gustav, colocando a outra mão no bolso e dando alguns tapinhas na cintura da menor.

– Mas ainda assim é um fofo. – Madeleyne sorriu e deu um beijo na bochecha de Gustav, que corou de imediato.

XXX

– Georg por favor, me escuta. – Disse Tom, esfregando as mãos no rosto e segurando-se para não derramar nenhuma lágrima na frente do amigo.

– Como você pode Tom? Somos amigos, você deveria ficar do meu lado, não dormir com a minha namorada! – Georg gritava enquanto caminhava de um lado para o outro, jogando longe tudo que estivesse em seu caminho.

– Desculpa, eu não sei o que estava pensando, se pudesse voltar atrás eu... – Georg segurou Tom pela camiseta e o encarou fixamente, parecia fuzilá-lo com os olhos, se pudesse jogar Tom em um abismo flamejante, não hesitaria e o faria logo.

– Mas não pode, Tom você não pensa nos seus atos? – Georg colocou as mãos na nuca e virou-se de costas para o de dreads, que escondeu o rosto com as mãos e deixou que aquelas dolorosas lágrimas escorressem por seu rosto.

– Se não posso confiar no meu melhor amigo, não há motivo para continuar no... Tokio... Tokio Hotel. – A voz de Georg falhou mas ele não perdeu a postura decidida, tinha vontade de chorar e não queria odiar Tom, estava longe de odiá-lo, sabia que não era culpa do menor mas a raiva de toda aquela situação não lhe permitia ceder.

– Por favor, não prejudique a banda por minha culpa, por favor Georg. – Georg levantou a mão, num gesto como se pedisse o silêncio de Tom. O maior massageou as têmporas e apertou os olhos, sentou-se em uma poltrona e encarou Tom.

O de dreads era seu melhor amigo, se conheciam há muito tempo, e Georg não seria capaz de dizer algo contra ele, sentiu-se o maior culpado da história, sempre soube de tudo que Liza fazia de mal, mas resolveu esperar até que Tom se arrependesse, talvez não fosse a melhor escolha, mas agora já estava feito.

– Tom, me dá um tempo pra pensar. – Georg levantou-se da poltrona e seguiu por um corredor branco que ficava ao lado da cozinha, entrou em uma porta e deixou Tom sozinho, com o clima pesado e seus soluços de angústia.

XXX

– Depois o Georg e o Tom foram embora, e o Bill quase foi preso por culpa deles. – Gustav ria e praticamente pulava da cadeira, Madeleyne tentava segurar as risadas mas era difícil não rir das encrencas em que Tom e Georg se metiam.

– Vocês passam bons momentos juntos, não é? – Gustav assentiu, enquanto bebia um gole d'água para recuperar o fôlego.

– A comida estava muito boa, agora você irá escolher a sobremesa. – Disse Gustav, brincando com o monte de garfos colocados ao lado do prato.

– Madeleines, vamos comer madeleines! – Madeleyne sorriu, olhando para Gustav que parecia confuso, o loiro olhou para o cardápio e riu timidamente ao ver o nome da sobremesa.

– O que exatamente são madeleines? – Gustav perguntou, segurando uma das mãos da jovem, que corou delicadamente e voltou o olhar para o nada.

– São bolinhos, simplesmente deliciosos e delicados, alguns vem com aroma de bergamota e tem um toque de baunilha. – Disse Madeleyne, a jovem parecia empolgada, tanto com os bolinhos, quanto com o nome da sobremesa.

– Madeleyne, sabe o que eu descobri? – Perguntou Gustav, olhando fixamente para a menor, que interrompeu a euforia e retribuiu o olhar fixo para gustav.

– Que seu pai é primo da minha mãe, mas não tenho certeza se eu e você temos algum parentesco. – Disse Gustav, acariciando as costas da mão de Madeleyne, que encarava o loiro com um pequeno sorriso no canto dos lábios.

– Podemos dizer que somos primos de segundo grau, ou talvez apenas primos, mas como descobriu? – Perguntou Madeleyne, bebericando a taça de suco.

– Eu dei uma olhada no livro da minha família, é uma coisa que a minha bisavó inventou, e lá havia o nome Adam Klaus Vonpart, nunca o conheci, minha mãe disse que é um primo dela e que só se viram duas vezes, depois ele se mudou para o Japão e então todos receberam a notícia de que ele se casou com... Helena? – Madeleyne negativou com a cabeça, olhando para o nada, seus olhos estavam marejados e um sutil sorriso pareceu em seus lábios.

– Helen, apenas Helen. – Madeleyne sorriu e uma solitária lágrima correu por sua face.

– Hey, não chora, eu estou aqui com você. – Gustav segurou as mãos da jovem. Sentiu uma alegria percorrer seu rosto ao ver Madeleyne sorrindo.

– Agora vamos comer esses bolinhos, por que o cheirinho está fazendo meu estômago dançar de alegria. – Disse Gustav, pegando um dos pequenos madeleine.
Madeleyne sorriu e observou o semblante infantil no rosto de Gustav ao morder o bolinho, o loiro suspirou e sorriu para a menor, enquanto limpava o farelo do açúcar que havia grudado em seus lábios.

– Estou começando a gostar das madeleines, tanto como bolinhos quanto pessoas. – Gustav riu enquanto bebia um gole de água e limpava os dedos que estavam sujos de açúcar.

– Madeleyne, eu queria te dizer uma coisa, é que... – Gustav ficou em silêncio ao ouvir as notas de um piano, olhou em volta e não viu ninguém tocando o grande instrumento, Madeleyne arregalou os olhos e lembrou-se de onde vinha a música, tirou o celular de dentro do bolso e estremeceu ao ver o nome Richard na tela do aparelho, seu coração acelerou e quase parou ao mesmo tempo, a respiração falhou e pensamentos ruins preencheram sua mente.
Lentamente levou o aparelho à orelha e apertou uma tecla qualquer.

Alô? – Ouviu uma voz receosa do outro lado da linha, o corpo ficou fraco e por um momento pensou que fosse desmaiar ali mesmo.

– Doutor Richard, está tudo bem?

Não Madeleyne, poderia vir até o hospital, é urgente. – Sem que a jovem pudese dizer algo, Richard já havia desligado o telefone. Madeleyne sentiu toda sua alegria momentânea evaporar-se, pensou mil e uma coisas assustadoras em sua mente, levantou-se rapidamente da cadeira e abraçou Gustav, deixou as lágrimas caírem e seu único conforto era o abraço desajeitado do loiro.

– Gustav, eu não quero que isso aconteça de novo, fica do meu lado, por favor. – Madeleyne sussurrou, seu coração parecia estar sendo alfinetado cinco mil vezes, sentia seu mundo desmoronando enquanto Gustav tentava juntar todos os pedaços caídos.

– Sempre Madeleyne, sempre estarei do seu lado.

~
Haallo \õ \ó \ô
Como vão? Espero que todos estejam bem^^
Voltando às postagens, dessa vez postarei o máximo de capítulos que conseguir!
Aliás, se alguém se interessou nas tais "madeleines" , eis o link com a receita:
RECEITA DE MADELEINES
Eu já fiz e posso dizer que é simplesmente delicioso! Um bolinho leve, gostoso e super prático de fazer!
Quando escrevi esse capítulo, eu procurei por vários sites de receitas, mas não encontrava nenhuma receita de sobremesa, até que pensei: Será que existe uma sobremesa com o nome "Madeleyne" ? E bem, existe! E então, alguém está pensando em fazer a receita? Se fizer, não esqueça de comentar o que achou dos maravilhosos bolinhos!

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25 KISS THE RAIN ~ CAPÍTULO 18 em Sab Nov 03, 2012 1:10 pm

Capítulo 18
Problemas para a bailarina


[Gustav's POV]

Aquele era ao mesmo tempo o meu abraço mais aconchegante e o mais doloroso, as pequenas e quentes lágrimas de Madeleyne escorriam pelo meu ombro, molhando o tecido azul marinho do meu agasalho, agora aqueles olhos esverdeados e tão hipnotizantes eram portadores de uma dor e angústia imensas, era como se milhões e milhões de facas atravessassem o peito de Madeleyne, e de alguma forma aquela dor aguda parecia me acertar em cheio, eu estava vendo o mundo de uma garota jovem e única desmoronar por culpa de uma ligação com menos de vinte segundos.

Levantei-me da cadeira e segurei as mãos de Madeleyne, me inclinei em sua direção e beijei o alto de sua testa, seu corpo tremia de medo e sua pele estava mais pálida do que antes, se continuasse assim ficaria transparente. A segurei pela cintura e a levei comigo até a recepção do restaurante, todos olhavam, cochichavam e alguns até podiam imaginar o tipo de dor que Madeleyne sentia.

XXX

– TOM! Pelo amor de Deus, me espera. – Jaqueline gritava enquanto corria, tentando acompanhar o maior que andava a passos largos mais à frente.

– Tom, por favor me escuta, o Georg não vai fazer isso! Sabe que ele não seria capaz de fazer uma besteira dessas. – A ruiva gritou, parando no meio da rua, já estava ofegante e cansada de tentar acompanhar o de dreads.

– TOOOM! – Jaqueline bufou e sentou-se em um banco perto da praça, observou Tom caminhar para mais longe e sumir entre as ruas escuras, iluminadas pela pobre luz alaranjada dos postes.

– Imbecil, nunca me escuta, tomara que te estuprem, ouviu bem Tom Kaulitz? TE ESTUPREM! – Jaqueline gritou, chutando a neve que havia em baixo de seus pés e virando o rosto na direção contrária ao caminho que o de dreads havia tomado. A ruiva estava cansada e mal conseguia pensar, havia corrido seis quarteirões berrando à plenos pulmões, tentando colocar um pingo de sanidade na cabeça de Tom, mas era definitivamente impossível.

Ficou parada por um tempo, pendeu a cabeça para trás e observou o céu limpo num tom azul marinho, havia algumas poucas estrelas, piscando lentamente, pareciam estar bocejando e preparando-se para dormir, uma pontada de arrependimento surgiu em seu peito, talvez não deveria deixar Tom sozinho numa noite escura como aquela, ainda mais no estado em que o rapaz estava.

– Jaque, me desculpa. – Disse Tom surgindo do meio da escuridão, a ruiva assustou-se mas a felicidade de vê-lo ali novamente a preencheu em segundos.

– Tudo bem, mas sabe que o Gordon me mata se algo te acontecer. – Jaqueline cruzou os braços, enquanto observava fixamente um arbusto do outro lado da rua.

– Sei, eu não o aceitava no início, era um pirralho querendo decidir quem seria meu pai, talvez nem todos sentissem tanto a minha falta. – Tom sentou-se ao lado da ruiva, envolvendo-a num abraço e observando o céu.

– E isso importa? Não é se vão sentir sua falta ou não que conta, mas sim as lembranças que as pessoas têm com você, isso é o que realmente importa. Eu detestaria que alguém chorasse a minha falta, eu adoraria se elas ouvissem o nome Jaqueline e lembrassem daquela ruiva pirralha, amiga, companheira e divertida. – Jaqueline olhou fixamente para Tom, sorriu ao ver um pequeno sorriso debochado nascer por entre os volumosos lábios do maior e uma das sobrancelhas arquearem-se de um jeito arteiro.

– Você nem é convencida né? Quem disse que você é divertida? – Tom deu um leve tapa na nuca de Jaqueline, que correspondeu com uma mordida no ombro de Tom.

– Ninguém me disse isso, por exemplo... Você acha o Bill divertido? – Tom assentiu com um leve aceno com a cabeça, enrugou o cenho, tentando entender em que ponto a ruiva queria chegar.

– E você já disse isso pra ele? Sabe... Antes que o "algum dia" seja tarde. – Jaqueline ficou séria, desviou o olhar de Tom e suspirou profundamente.

– Jaque, por que tá falando desse jeito? – Tom encarou a ruiva com seriedade, estava apreensivo, não era capaz de decifrar o que ela queria dizer, a essa hora era difícil de se saber o que deveria ser entendido e o que deveria ser ignorado.

– Essa tal Madeleyne, todos a volta dela morrem, não acha estranho? – Tom surpreendeu-se com a frase, ou talvez com a pergunta, não tinha pensado nisso até agora, tudo que sabia é que Madeleyne era uma jovem que o atraía pelo sorriso, pelo olhar hipnotizante e pela delicadeza.

– Bem, eu nunca parei para pensar nisso.. Mas o que tá pensando? Que ela tem uma "maldição"? – Tom riu, fazendo no ar as aspas da última palavra, pendeu a cabeça para trás e tomou um tempo para pensar nos absurdos que enchiam a mente da ruiva.

– Só estou falando que talvez, ela tenha algum tipo de carma.. Algo assim. – Tom arqueou a sobrancelha e fitou a menor, sem expressão facial, sumiu com o sorriso debochado, as risadas mal-educadas e o ar esnobe em seu ser.

– Sabe, o Bill sempre me contava que tinha um carma, ele conseguia sentir as emoções das pessoas à quilômetros de distância, sabia se elas estavam sorrindo ou chorando, se estavam desanimadas ou contentes, e eu acho que até hoje ele consegue fazer isso, por que ele ficou me encarando hoje no meu quarto, olhou para o porta retratos vazio, onde antes tinha uma foto minha e do Georg, se não me engano estávamos posando para uma foto da banda. – Tom esfregou as mãos que já lhe doíam devido ao frio, apoiou os cotovelos sobre os joelhos e olhou fixamente para o chão.

– Georg é como um grande amigo pra você, não é? – Jaqueline perguntou, envolvendo Tom em um abraço e depositando um beijo na lateral de sua testa.

– Sim, uma vez eu estava tão bêbado e uns caras queriam acabar comigo num beco, o Georg me salvou, desde então ele tem sido meu amigo de alma, claro que tem o Gustav, o Andreas e o David, mas o Georg definitivamente me salvou. – Tom sorriu desanimadamente, levantou-se do banco de madeira e puxou Jaqueline para perto de si.

– E sabe que tem à mim, primo. – Tom sorriu ao ouvir a última palavra, ao contrário de Bill, ele valorizava essa sensação de ter Jaqueline na família, Bill sempre a viu como uma amiga, então não faria muita diferença, mas Tom via e muito, desde pequeno tentava aproximar-se daquela ruiva com jeito infantil, os olhos azuis pareciam um mar onde ele se sentia seguro, o que lhe chamava tanto a atenção é que nunca quis ficar com aquela garota, nunca sentiu vontade de tocá-la, de sentir seus lábios finos e rosados percorrendo os seus, nunca quis explorar seu corpo e sua boca com a língua, ao lado dela sentia-se aquele "Tom família" não o guitarrista malicioso, ele sentia-se apenas como Tom Kaulitz, irmão do Bill, filho de Simone e enteado de Gordon, não era Tom Kaulitz, guitarrista famoso e desejado por milhares de fãs enlouquecidas.

– Vem pirralha, vamos tomar um café. – Tom colocou o braço em volta dos ombros da menor e caminharam juntos pelas ruas vazias e geladas.

XXX

Madeleyne subiu as escadas congeladas do hospital e empurrou a grande porta de ferro com esforço, Gustav corria atrás dela, tentando acalmá-la mas sem dúvida as aulas de balé lhe conferiam uma agilidade maior que a de Gustav na hora de correr.

– Madeleyne! – Richard já esperava pela jovem no saguão de entrada do hospital, as luzes estavam apagadas e só havia a iluminação de dentro dos quartos dos pacientes.

– Richard, o que houve com Josefine? – perguntou Madeleyne, tomando fôlego e massageando as coxas que dóiam pelo esforço da corrida.

– Ela já está melhor agora, então que tal se... – Richard perdeu as palavras no momento em que viu Gustav terminar de subir as escadas, com uma expressão séria e ameaçadora.

– Que tal o que doutor Richard? – Perguntou Gustav, num tom rude enquanto aproximava-se de Madeleyne e a abraçava pela cintura, encarou o doutor de cima a baixo, jogando um olhar fuzilador no homem.

– Madeleyne terá que passar a noite aqui, se algo acontecer não vai querer que ela tenha que andar sozinha por essas ruas frias em plena madrugada. – Richard falou, num tom calmo, tentando manter a imagem de bom doutor, que Gustav tinha absoluta certeza de que ele não possuía.

– Tudo bem, ficaremos os dois aqui. – Disse Gustav, sorrindo sarcasticamente, abriu o mais falso sorriso que pôde e voltou a fuzilar Richard com os olhos.

– Gustav, está tudo bem, vá para casa descansar, amanhã nos falamos. – Madeleyne virou-se para o loiro, lhe deu um beijo na testa e seguiu pelo corredor que levava até o quarto de Josefine.

– É Gustav, não ouviu? Vá para a casa. – Richard virou as costas e seguiu o mesmo corredor que Madeleyne, virou a curva e logo o barulho de uma porta trancando-se pôde ser ouvido

– Madê? – Gustav gritou e ninguém respondeu, ficou preocupado e correu até corredor, assim que fez a curva que levava ao segundo andar do hospital, deparou-se com a porta da escadaria trancada pelo outro lado, esmurrou-a algumas vezes e não ouviu nada a não ser pelos passos de Richard se afastando, com uma risada rouca e arrastada.

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