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Humanoid Chronicles

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1 Humanoid Chronicles em Sex Set 28, 2012 2:06 pm

Sam McHoffen

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Administradora

Autora: Dasty Sama
Gênero: Ação, Aventura, Comédia, Ecchi, Fantasia, Ficção Científica, Mistério, Romance, Songfic, Suspense, Tragédia, Universo Alternativo
Sinopse: Ano de 2109: Terremotos, furacões, maremotos, problemas climáticos, fome e guerras arrastam a humanidade direto a extinção. A World Behind My Wall Corporation criou o Projeto Humanoid, que consiste em ajudar humanos com membros e órgãos robóticos, prolongando a vida. Wilhelmine Langebahn é filha do principal cientista do Projeto Humanoid e sofre um acidente, precisando recorrer à tecnologia robótica para sobreviver. Tentando enfrentar uma vida totalmente diferente da de costume, ela é sequestrada pelo principal grupo anti-Humanoid, Dogs Unleashed. No meio de uma conspiração onde nenhum lado está para vítima e sim para vilão, Wilhelmine terá que descobrir que de lado está, além de precisar aceitar um passado que é mais negro que seu presente. "Não havia mais muita coisa a fazer pelo mundo, tínhamos apenas que torcer para que tudo voltasse ao normal. Os carros de hoje não emitem mais gases tóxicos, a energia em nossas casas vem de energia nuclear - segura, pelo menos espero, todo o lixo é biodegradável e é totalmente reciclado. Finalmente a humanidade se tocou, mas foi um pouco tarde demais. Realmente chamamos essa época de Reciclagem, não porque fazemos isso o tempo todo, mas é o que o nosso planeta está fazendo conosco. O nosso planeta está se autodestruindo para depois criar algo a partir disso. Gostaria de fazer a mesma coisa comigo, destruir o meu passado e tirar algum proveito disso para o meu futuro. Mas que futuro?".

Trailer:

Nota da autora: O Tokio Hotel não será o Tokio Hotel na fanfic, serão eles mesmos, mas sem banda, música, será apenas uma história totalmente baseada nas músicas do CD Humanoid.
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.


-Alguém gostaria de ler?

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2 Re: Humanoid Chronicles em Sab Set 29, 2012 10:18 pm

Anny V.

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Moderadora
Mente fértil essa Dasty Sama tem '-'
Eu quero ler sim, posta!

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3 Humanoid Chronicles em Dom Set 30, 2012 11:06 am

Sam McHoffen

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Administradora
Capítulo 1


Oh, o Sol irá brilhar
Como nunca brilhou antes
Um dia, estarei
Preparado para ir
Ver o mundo atrás da minha parede
(World Behind My Wall – Tokio Hotel)

19 de Agosto de 2109
World Behind My Wall Corporation, 3º andar
03h02min AM

Berlim não ficava bonita de noite, era assustador. Ainda mais quando eu estava no décimo andar, com aquela janela que ia do chão ao teto. Juro que gostaria de estar fazendo qualquer coisa além de ficar olhando para essa cidade tão fúnebre quanto um esquife, mas meu pai precisava de mim. Não totalmente, mas como as coisas estão acontecendo, ele realmente vai precisar de mim, ou talvez seja o contrário.
Meu estômago roncou de repente, nem lembrava qual foi a última vez que havia comido, talvez fosse ao café-da-manhã. Eu ainda poderia ficar uns três dias sem comer, que não cairia no chão, ouça o que eu digo. Mesmo assim, tenho que respeitar minhas condições humanas, por isso tateei no escuro, em busca de uma máquina de lanches. Quando finalmente a achei, saquei uma moeda do meu bolso e consegui uma lata de batatas.
Voltei para onde eu estava, colocando meus pés em cima da mesa sem dar a mínima que meu pai não gostava desse meu mau hábito. A verdade é que ele estava longe demais e preocupado com outra coisa além de mim, não que eu me importasse, afinal há quatro meses quase fiz meu pai arrancar os cabelos.
Sabe, não sou a melhor filha de todas, mas também não posso classificar meu pai como o melhor de todos. Ele passou a maior parte da vida metido em seu laboratório, tentando inventar algo que ajudasse o mundo e tudo mais. E eu passei a maior parte do tempo me divertindo, já que cada dia é um desafio e você pode a qualquer momento morrer.
Eu não sou a única que faz isso, as pessoas estão caminhando diretamente para a morte. Estamos em 2109, metade da população mundial foi para o brejo, temos problemas climáticos a todo o instante, se não são terremotos são furacões ou maremotos. Ou seja, pode ver como estamos em um paraíso terrestre! Então, simplesmente, as pessoas ou se suicidam ou procuram alguma forma de aproveitar cada segundo das suas miseráveis vidas. Decidi escolher a segunda opção, o que não me fez realmente ficar longe da morte.
Acabei sofrendo um acidente feio, estava em uma festa, bebi demais, entrei no meu carro, dirigi até não poder mais e pronto. O carro colidiu com um ônibus e eu fui prensada no meio de todo aquele metal. Não faço ideia de como conseguiram me tirar das ferragens, só sei que fiquei inconsciente por quase um mês, emagreci mais de dez quilos, eu estava quase com o pé na cova.
É aí que o trabalho do meu pai entra. Ele é um cientista de robótica e está criando o projeto Humanoid. Não estou falando de robôs que vão fazer tudo para você como apenas escravos domésticos. Estou falando de humanos robôs! Isso mesmo, humano com traços robóticos para deixar a vida mais longa. Um coração, outro órgão qualquer – menos o cérebro –, algum membro como braços ou pernas ou até olhos. Assim a vida humana poderia existir por muitos anos.
E eu não era mais a mesma. Segundo meu pai, eu era a primeira Humanoid 483 perfeita, que havia dado totalmente certo e que o corpo não havia rejeitado nada. Agora eu havia duas pernas mecânicas, um braço mecânico, olhos de robô, medula e costelas revestidas de platina e um coração novo. Pode ter certeza que não foi nada fácil no começo, era estranho, como se você estivesse usando uma roupa nada confortável que te incomodasse. Os meus movimentos eram diferentes, doíam no começo e pareciam que iam rasgar minha pele. Eles eram brutos demais para alguém com um corpo tão sensível. Mas era como viver novamente. Principalmente com olhos novos, eu via o mundo de uma maneira incrível! Tudo parecia mais bonito, eu via desde os detalhes mais pequeninos até os mais significativos, as cores eram mais fortes e eu identificava qualquer coisa há distâncias.
O mesmo aconteceu com os movimentos depois. Eu voltei a comer e a engordar, comecei a correr e a treinar meu físico e de repente não era mais tão terrível ter um corpo mecânico. Você se sente mais forte, consegue correr mais, pular mais e não se cansa tão facilmente, era como se você se tornasse algo mais poderoso que um ser humano normal. Por isso às vezes me esqueço de comer ou dormir, é por que não me sinto esgotada, só depois de uma semana mais ou menos.
Mas eu ainda devo fazer coisas normais, por que sou humana apesar de tudo. Só que é complicado viver em sociedade depois disso, tive que abandonar a escola por que logo ficaria óbvio que eu estava diferente – imagine uma garota que fora massacrada voltar igual a uma super heroína? – e também abandonei minha vida antiga. Mudei de Hamburgo para Berlim e todos pensam que sumi por que ainda estou tentando recobrar certos movimentos.
Sinto falta das minhas amigas, mas acho que a maioria das pessoas deu graças aos céus pelo sumiço, afinal eu só trazia encrencas. Eu era um pedaço de mal caminho para qualquer um, me metia em brigas o tempo todo e já cheguei várias vezes em casa com hematomas em todo o corpo. Meu pai quase ficava louco comigo, mas nunca me deixou de castigo ou me deu uns bons tapas para eu aprender a lição. Tenho que dizer que foi o destino e a vida que fizeram isso por ele.
Não sei se me arrependo de tudo que aconteceu, poderia dizer que sinto saudade da minha vida antiga, por mais que fosse terrível em partes, era minha vida! Agora tudo melhorou, mas ainda queria poder voltar no tempo às vezes, quem sabe eu não poderia mudar o meu passado? Mas isso é impossível. Vou ter que me contentar com este presente para mudar o futuro.
Tudo bem, a proposta desse diário não era lamentar sobre minha vida. Decidi escrever essa droga desde aquele acidente, eu não era uma boa pessoa, tenho que concordar. Na verdade era uma garota má, muito má. Mas nada como uma quase morte para de repente você acordar na vida e perceber que tudo não é só diversão. Então como eu usava o meu Idiary mais para responder e-mails e navegar na rede antes do acidente, achei que seria bom guardar um pouco de lembranças nele.
Por isso que a única coisa que tenho a fazer hoje é escrever e escrever. Mas acho que deveria começar com algo mais eficiente do que contar sobre a minha noite tediosa aqui, por exemplo, contar quem eu sou. Mas é só você procurar no ID do meu Idiary que irá descobrir que me chamo Wilhelmine Langebahn, que tenho 17 anos e sete meses, meu sangue é O+, minha altura é 1,72 e peso cerca de 50 quilos não tão redondos – talvez eu esteja arredondando demais – tenho cabelos pretos e olhos azuis, que dependendo do dia podem ficar cinza, às vezes acho que isso acontece quando fico brava.
Isso não são detalhes tão importantes dependendo da situação, mas quem sabe vale a pena saber. Por enquanto isso aqui vai estar devidamente protegido, posso não ser uma pessoa muito boa, mas sou uma hacker realmente ótima, então nem tente procurar informações confidencias nas minhas coisas. Ainda mais quando você é filha de um Langebahn.
Afinal do mesmo jeito que muitas pessoas estão aceitando essa nova ideia, muitas outras desprezam. Quero dizer, aceitar Humanoids na sociedade é algo meio complexo demais se você não entende nada sobre o assunto. Como eu entendo, tenho que dizer que isso vai ajudar muitas pessoas, me ajudou, pode acreditar.
Mas é claro que sempre tem os “do contra”, que acham que qualquer força maior pode acarretar mais problemas. Então esse grupo desprezível vem atacando a World Behind My Wall Corporation – Um mundo atrás de suas paredes, uma nova manhã de glória. Contemplem o novo mundo! – só porque acha que com isso poderemos controlar a sociedade. Como se aquele filme velho “Eu, Robô” fosse algo real!
Esse grupo chama-se Dogs Unleashed – cuidado, cachorros a solta, eles vão morder você! Que ridículo! –, basicamente são uns anarquistas nojentos que usam a força para conseguir o que querem. Todos se vestem de preto e couro, usam motos de ultima geração, tão rápidas a ponto de não se ver nem o vulto e são tão rápidos e bem treinados que posso jurar que isso não se trata de um grupo, mas sim uma organização.
Eles nos mandam avisos a todo o momento, dizendo que vão nos atacar se continuarmos com nossos planos. Não temos tanto medo, eles parecem não ser tão perigosos quanto aparentam – mesmo depois de jogarem aquela bomba no primeiro andar do prédio –, eles só sabem pressionar, nunca partiram para um ataque extremamente violento. Pelo menos eu acho, afinal eles podem se rebelar agora, acho que só pressionar não está adiantando muito.
Mas pouco me importa, vou seguir com minha vida, eles não vão me deixar com medo algum. Não sou a pessoa mais forte, mas com certeza, graças ao meu corpo parcialmente robótico, sou mais forte que um humano normal, não que eu queria me gabar, mas isso é quase digno de orgulho. Antes eu não poderia ser chamada de pessoa com boas condições físicas, afinal sempre sofri na Educação Física, mas agora, aposto que minha professora engoliria as palavras dela se me visse correndo por cem metros.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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4 Humanoid Chronicles em Ter Out 02, 2012 7:52 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 2

Somos cães a solta,
Fora de controle
Cheios de sonhos
Ninguém sabe.
Soltos,
Morrendo para fugir
Nós não vamos sufocar
Nós somos cães a solta, está noite.
(Dogs Unleashed – Tokio Hotel)

19 de Agosto de 2109
World Behind My Wall Corporation, térreo
03h35min AM

Continuei no meu devido lugar, apenas esperando a hora de meu pai ir embora. Olhando pelas janelas o movimento lá fora, que não era muito, afinal as pessoas não saíam tanto como antigamente. Era perigoso, por que a qualquer momento você poderia ser abordado por algum bandido em busca de dinheiro, comida ou até água, já que tudo andar escasso.
Milhares de pessoas morrem todos os dias e nem os noticiários aguentam mais falar sobre isso, virou algo tão monótono. Eles só falavam de certos problemas climáticos, sobre a nova proposta do World Behind My Wall Corporation ou de mais um ataque dos Dogs Unleashed. Por enquanto eram as únicas coisas que interessavam a mídia, afinal nada como uma nova guerra para animar – ou desanimar – as pessoas.
De repente meu Idiary começou a apitar e notei que havia alguém me chamando, era o meu pai. Logo uma janela se estendeu pela tela e pude ver meu pai do outro lado, sério como sempre e cansado, com olheiras enormes abaixo dos olhos azuis que só ficavam menos evidentes por causa dos óculos.
– Mine – ele disse me chamando pelo meu apelido – Pode descer, já estou indo em questão de minutos. Estou terminando aqui.
– Tudo bem, papai, vou ficar te esperando. Tome cuidado.
Ele logo desligou, nem esperou que eu dissesse um tchau mais carinhoso, ele era assim, quanto menos afeto, melhor. E eu nem me importava muito mesmo. Peguei o pote de batatas já acabado e joguei na lata de lixo mais próxima, será mais lixo inorgânico nesse mundo sujo. Guardei tudo que pertencia a mim em uma mochila e fui até o elevador que em menos de segundos já estava no térreo, era incrível como aquilo descia tão rápido a ponto de eu não bater minha cabeça no teto.
O térreo estava abandonado e ainda com várias partes queimadas do acidente da semana passada. O cheiro de madeira que virou carvão ainda permanecia no ar e deixava minhas narinas irritadas, não iria aguentar mais nenhum momento esperando meu pai naquele lugar, então preferi ficar do lado de fora.
O ar estava muito melhor agora, ele não era tão poluído quanto antes, por que as poucas pessoas que têm carro, moto ou outros meios de transporte, são tudo a base de uma espécie de combustível que não emite gases tóxicos ou são elétricos. Os tempos mudaram muito, é tudo imprevisível, um dia você pode estar vivo, no outro morrer levado por um furacão.
Mas talvez a situação em breve melhore – ou precisa piorar para finalmente melhorar – afinal não se emite tanta poluição quanto antes, já que o ser humano finalmente se tocou que a morte está te esperando na esquina se você não mudar. E coloque veracidade nisso, precisei que a morte batesse na minha porta para eu mudar.
Estava muito frio naquele momento, meu casaco parecia apenas um lençol sobre meu corpo, parecia que nada iria me aquecer. Havia apenas uma rua escura, com uma caçamba vazia, descansando naquele lugar sombrio e escuro, já que as ruas não tinham mais luzes. Poupar energia é uma prioridade.
Olhei para o horário novamente em meu relógio, meu pai estava demorando, talvez o “finalizar um trabalho” não era coisinha de minutos. Pensei em entrar novamente e ver se estava tudo bem quando ouvi um rugido que me arrepiou por inteira – pelo menos aonde era feito de pele real e não de pele sintética – e virei para o local de onde parecia vir aquele ruído.
Não havia nada em nenhum lugar, mas o som aumentava a cada momento enquanto meu coração robótico batia incessantemente, sentindo a tensão que meu cérebro emanava. Então percebi que o barulho vinha de cima, olhei para o céu esperando algum ataque aéreo e quase acertei, mas não se tratava de aviões ou helicópteros. Eram motos. Motos que andavam sem medo nenhum acima dos prédios como se brincasse com a gravidade.
Engoli seco, eu precisava avisar meu pai do que estava acontecendo. Quando pensei em correr de volta para o prédio para avisar os poucos seguranças que tinham lá, uma das motos pulou de uma altura gigantesca em direção ao chão. “Ele poderia morrer, ele poderia morrer!” eu pensei desejando que a moto colidisse com tudo no chão, matando seu piloto com a queda.
Mas meu desejo não se realizou. A moto pousou em uma das pilhas de neve tão cuidadosamente que por um momento pensei que ali havia algum tipo de colchão. Várias motos fizeram o mesmo, me cercando em todas as direções possíveis onde a única saída era voltar para o prédio, mas agora eu achava que não era uma boa ideia. As motos voavam, eu sei, mas que eu saiba elas não eram nada capaz de pular de alturas enormes e saírem vivas. Elas só ficam certa distância do solo.
– Ora, ora, ora – uma voz disse surgindo da escuridão, notava o sarcasmo nela – O que temos aqui?
A moto andou um pouco e finalmente saiu da sombra daquele prédio, a luz que emanava da lua mostrou quem era o dono daquela voz arrogante. O cara usava uns óculos de sol – sol? Estamos de noite, hello! – que eu já havia visto em alguma boutique nada barata, mas para me enxergar melhor, precisou tirá-los. Ele tinha os cabelos pretos levantado em um moicano enorme, era magro, mas podiam-se ver alguns músculos em seus braços que seguravam firmemente o guidão da moto. Eu perto dele parecia uma formiga, mesmo sentado, dava para ver que tinha uma altura acentuada. Usava um blazer de couro, calças de ganga pretas e desfiadas e coturnos pretos. Sem contar as correntes de pratas que pendiam em seu pescoço e os anéis enormes que com um soco causariam um belo de um estrago na cara de alguém.
Percebi que os outros também não tinham uma aparência nada delicada, todos se vestiam de preto e se ocultavam na escuridão junto com suas motos enormes. Mas a mais terrível parecia ser do cara de blazer de couro, era toda estilizada com prata em forma de crânios. Eu não tinha chance perto dos Dogs Unleasheds, principalmente quando estão em um número maior.
– O que vocês querem? – eu perguntei com uma voz rouca, ficando em posição de ataque, se precisasse eu iria usar força bruta.
O cara da moto de crânio apenas riu de mim e desceu da moto calmamente, vindo em minha direção aos poucos. Não era nada legal o que estava acontecendo e a todo o momento eu olhava para o elevador, com medo de que meu pai descesse e eles o pegassem. Eu precisava distraí-los de alguma forma.
– Não preciso responder, não é mesmo? – ele disse secamente – Você deve saber a resposta certa, afinal não lê os noticiários?
– Caiam fora daqui – eu disse com a voz mais ameaçadora que eu podia fazer, mas não funcionou – Ou...
– Ou? – ele perguntou rindo de novo, isso fez com que os outros rissem de mim também.
– Ou eu acabo com vocês com minhas próprias mãos.
– Ah, OK... Então pode começar, não vou sair daqui – ele disse fazendo sinal para eu ir até ele.
Tudo bem, é claro que eu estava brincando e eu realmente esperava que eles acreditassem no que eu disse e caíssem fora. Mas fui estúpida em acreditar nisso. Só que eu ia cumprir com minha palavra. Claro que eu não estava tão ameaçadora como eles, por que eu apenas usava calças de moletom preta, uma camiseta escrita “I Love the World” abaixo de um suéter e de uma blusa bem quente – que pelo menos, devia estar me esquentando . E por fim botas de camurça sintética, nada de couro – que espero ser sintético também. Ou seja, uma adolescente contra um cara de quase um metro e noventa. Parece fácil.
Uma coisa digna de nota: ele não esperava que eu realmente reagisse. Então com todo impulso que eu tinha, corri até ele e levantei minha perna com toda força que eu tinha para atingir a sua cabeça, mas como ele é alto o mínimo que eu conseguiria era uma pancada na clavícula ou braço dele. Percebi que o peguei de surpresa por que sua expressão mudara rapidamente, quando pensei que ia atingi-lo, ele pegou a minha perna no ar e me lançou com tudo na direção da caçamba. Bati minha cabeça na parede e senti uma tontura me atingir.
– Ela é arisca – disse uma das sombras – Eu gosto de garotas desse tipo.
Olhei para o maldito que havia dito isso e pude visualizá-lo bem de onde eu estava, o cara também era alto, tinha trancinhas pretas parecendo um rapper das antigas com uma faixa por cima, usava uma jaqueta de couro grande, calças jeans largas e um lenço acinzentado no pescoço. Podia-se ver um piercing brilhando em seu lábio e ele sorria maliciosamente para mim, o que me deu vontade de mudar o meu alvo.
Levantei-me molemente, sentindo um galo enorme na minha cabeça e um pouco de sangramento. Olhei furiosa para o cara de moicano que ainda estava no mesmo lugar. Corri novamente para onde ele estava, pronta para dar um soco nele com meu braço mecânico, mas de novo ele conseguiu segurar o meu punho e o torceu para trás, me fazendo ceder e cair de joelhos.
– Não brinque comigo, garota – ele disse torcendo meu braço cada vez mais – Isso é sério.
– Seu imbecil! Larga a porra do meu braço! – eu disse não sentindo quase dor nenhuma, na verdade eu só queria me livrar dele.
Ele não me soltou, na verdade queria me machucar seriamente. Então tentei me levantar e conseguir me apoiar em uma das pernas e com a outra dei um chute com toda a força que eu tinha no quadril dele. O golpe fez efeito por que ele bambeou para um lado e a respiração dele ficou difícil de repente.
Consegui me livrar do aperto dele e dei um soco com tudo no seu ombro fazendo-o dar dois passos para trás. Ele levantou a cabeça e me olhou assustado, então apenas mexeu o pescoço de um lado para o outro o estralando.
– Interessante – ele disse levantando a sobrancelha – Mas não apanho de garotas.
Ele correu em minha direção tão rápido que apenas vi um vulto, só percebi o que acontecera quando um punho atingiu meu peito me fazendo rolar metros de distância. Tentei me levantar, mas meus pulmões que ainda eram órgãos humanos, sentiram um impacto maior que meu coração e minha respiração praticamente parara.
– O certo seria não bater em garotas – eu disse tossindo, tentando respirar o máximo de oxigênio possível. Senti os passos dele se aproximando, tentei levantar, mas era impossível, então ele apenas se ajoelhou ao meu lado.
– Você não é uma garota – então ele sacou algo do bolso, aquele dispositivo tinha um brilho azul que eu já vira uma vez. Era choque-elétrico. Senti o medo tomar conta de mim – Durma com os anjos, pequena Humanoid.
Só senti uma dor insuportável percorrer todo meu corpo, o choque parecia se instalar em cada célula as torturando cruelmente. Não era só a dor carnal, ele estava atingindo o meu corpo robótico também. Talvez eu não morresse, mas ia entrar em pane. Escuridão, lá vou eu.

Nota da autora: Como se fala Wilhelmine? Segundo o Google, Wihelmine se fala Vihaiminê. O sobrenome dela, se fala normalmente como se lê.

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5 Re: Humanoid Chronicles em Ter Out 02, 2012 9:23 pm

Anny V.

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OMG, Que fic foda!

Que isso Bill, batendo em mulher? Coisa feia!
To adorando esse jeitão dele

To muito curiosa pra saber o que vai acontecer!
Continua.

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6 Humanoid Chronicles em Qui Out 04, 2012 5:05 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 3


Todas as armas em sua mão sob controle, oh
Mas eles esperam em vez de perseguir, agora isso é antigo
Oh, o tempo está correndo, mas seu futuro está longe
(Dark Side of the Sun – Tokio Hotel)


19 de Agosto
Quarto escuro em lugar indeterminado
14h34min PM

Eu abri os olhos, estava deitada em algo fofo e confortável, mas fazia um frio imenso e eu estava tremendo. Tentei me mover, mas meus braços pareciam estar presos em alguma coisa, quando dei uma olhada melhor, percebi que se tratava de algemas de aço apertadas que juntavam meus pulsos me impossibilitando de mexer meus dedos direito.
Sentei-me na cama que ficava grudada na parede e olhei para os lados, era um quarto, não muito grande, só que vazio. Não havia escrivaninha, guarda-roupa, apenas uma porta que dava para um banheiro. De resto só havia outra porta que devia ser uma saída. Desci da cama e fui até ela, mas não havia maçaneta e era feita de ferro, ou seja, nem chance de eu escapar.
Parecia uma espécie de manicômio. Aquilo me dava claustrofobia, se não fosse tudo cinza, eu podia jurar que estava em algum hospício, mas sabia que se tratava de alguma base secreta dos Dogs Unleashed. Só esperava que meu pai não estivesse aqui também, desde que a única vítima fosse eu, não me importaria muito. Agora só me restava saber o que diabos eles queriam comigo, será que iam me sequestrar e só vão me devolver se meu pai desistisse das suas ideias?
Eu não vou deixar isso acontecer, vou achar alguma maneira de escapar e avisar meu pai sobre o esconderijo deles. Olhei ao redor da sala e notei que minha mochila estava jogada em um canto, corri até ela para procurar o meu Idiary, e com felicidade ainda o encontrei intacto. Já ia ligar para o meu pai quando notei que o dispositivo que permitia ligações e acesso a internet havia sido arrancado.
Fiquei com raiva e quase atingi o Idiary na parede, mas era melhor eu mantê-lo por perto, mesmo que escrever fosse algo que eu menos conseguiria graças aquelas malditas algemas. O resto que havia em minha mochila era imprestável, havia um livro que eu estava lendo – por mais que eu pudesse baixar livros em meu Idiary, eu ainda preferia comprá-los –, outro suéter e minhas luvas, dinheiro e uma barra de chocolate que eu tinha comprado mais cedo e me esquecera de comer como sempre. O chocolate estava duro feito uma pedra por causa do frio.
Tudo bem, estava na hora de partir para a ação. Fui até a cama e percebi que ela era feita de ferro. Claro que nunca ela ia quebrar aquelas algemas de última geração, mas eu poderia tentar. Arranquei o colchão do lugar e com toda a fúria possível eu comecei a bater as algemas nas barras de ferro. Eu estava mais amassando a cama, do que conseguindo me libertar, além daquele barulho horrível que fazia quando os dois se tocavam.
De repente ouvi barulhos do outro lado, pelo visto minha ideia de quebrar as algemas não surtira efeito, mas com certeza fez as pessoas do outro lado ficarem meio alerta. Continuei o que eu estava fazendo só para ver o que acontecia. Logo ouvi passos do outro lado e a porta se abriu.
– Que merda que você está fazendo?
Quando a porta se escancarou, percebi que se tratava do cara de moicano, ele não estava usando mais o blazer de couro, na verdade estava apenas com uma regata preta em um frio enorme daqueles. Ele não parecia nada satisfeito comigo, pelo visto eu havia interrompido algo importante, principalmente por que havia aquele choque-elétrico na mão dele que me fez tremer na base.
– Deixe-me sair daqui! – eu disse tentando esconder o meu medo.
– Desculpe, mas no momento não podemos fazer isso – ele disse dando de ombros e me olhando com desdém.
– Seu imbecil de merda! Vou acabar com a sua raça quando eu conseguir tirar essa droga de algemas!
– Imbecil? – ele repetiu minha palavra colocando ênfase em cada sílaba – Você vai ver o imbecil de merda novamente, garota.
– Bill, pare com isso – disse uma voz parecendo superior – Não vai adiantar nada você continuar a tratando dessa maneira.
Um cara adentrou no quarto, ele era alto, mas não tanto quando o tal de Bill, só que parecia muito mais agradável de conversar. Ele tinha os cabelos castanhos escuro e curtos, olhos azuis, era forte e bastante bonito. Vestia uma camiseta preta de manga curta e colada mostrando músculos abundantes. O cara podia ter a idade do meu pai, mas ele não saía perdendo para esses garotos.
– Sinceramente, David, ela merece aprender uma lição – Bill disse olhando feio para mim – Se precisar, choque-elétrico funciona que é uma beleza.
– Não, por enquanto não vamos precisar de força bruta – David disse se aproximando de mim, mas se mantendo em uma distância segura. Eu realmente não planejava atacar ele, parecia ser um cara legal, só estava do lado errado – Bem... pode me chamar de David e você, quem é?
– Vocês devem saber já que me sequestraram – eu disse secamente me esquecendo de ser legal com ele.
– Sabemos que é filha daquele cientista, o tal de Langebahn, mas não sei seu nome. Acho que seria um bom começo se nos apresentássemos.
– Não quero ser amiga de nenhum de vocês, quero cair fora daqui, só isso. Não sou quem vocês querem ou procuram.
– Ah, claro – Bill disse ironicamente – Você só é a filha dele, caiu como um patinho, achando que podia ficar de noite andando por aí, quando nós, filhos da noite, os Dogs Unleashed dominamos. Você tem tanta importância para nós quanto seu pai, só não se sinta honrada.
– Cachorrinho, por que você não vai servir de capacho para outra pessoa? Quando chegar a minha vez, pode ter certeza que vou pisar em você, seu verme desprezível – eu disse com tanta raiva, que se meu olhar fosse mortal, ele já teria caído morto.
– Parem vocês dois! – David disse olhando feio para Bill, ainda bem que é para ele – Bem, não vou dizer que você irá passar bons momentos aqui, afinal precisamos de sua ajuda...
– Ajuda que vocês não vão ter, estão loucos? Acham que vou trair meu pai só por que brutamontes como vocês dois me pediram?
– O negócio é o seguinte – Bill disse avançando sem medo para mim – Mesmo que você não queira ajudar, vai acabar ajudando da mesma forma. Boa vontade não é algo com que vamos ter que nos preocupar.
– Além de bater em garotas, você ainda é meio rude, não é? – eu disse tendo que levantar minha cabeça para poder olhá-lo nos olhos – Já foi corno alguma vez na vida? Ou nunca teve namorada? Você está precisando de uma para deixar de ser esse imbecil de merda, cachorrinho.
Ele sacou o choque-elétrico e apertou algum botão então encostou aquilo no meu ombro. Aquela onda de choque terrível percorreu meu corpo novamente, me fazendo perder as forças e atingir o chão, mas eu não entrei em pane nem desmaiei. O maldito havia diminuído a intensidade apenas para me machucar.
– Sinceramente, Bill, você não tem o mínimo de psicologia? – David disse bravo – Pare de machucá-la.
– Ela tem que aprender onde é o lugar dela, afinal deve ser igual ao pai. Acha bonito transformar as pessoas em robôs por que você se sentirá mais forte, que isso é tudo pelo futuro da humanidade.
– Se não fosse ele, eu estaria morta – eu disse tentando me levantar – Eu sofri um acidente.
– Então deseje estar morta, por que tudo pode estar as mil maravilhas agora. Espere depois para você ver.
Ele saiu bravo do quarto e fechou a porta com tudo. Consegui finalmente me sentar, ainda sentindo meu corpo inteiro tremer por causa do choque. David ainda se encontrava em seu devido lugar, olhando para a porta e depois para mim sem saber o que dizer ao certo, talvez silêncio fosse uma boa.
– Imbecil! – eu disse olhando para a porta querendo que ela explodisse – Idiota! Vou acabar com ele! Ele não presta o chão que pisa!
– Bill não é tão ruim assim, na verdade ele é pior, mas aos poucos você acaba percebendo que ele é uma boa pessoa.
– Ótima pessoa, claro, para torturar, matar, aniquilar, decepar e todos os sinônimos possíveis. Boa escolha trazer ele para o seu fã clube anti-Humanoids, ele parece ser ótimo com força bruta, bem a cara de vocês.
– Temos que selecionar os melhores – ele disse dando de ombro – Como você acordou agora, acho que vão trazer algo para você comer. Depois vamos começar com o nosso verdadeiro objetivo.
– Que demais – eu disse revirando os olhos – Vai ser como passar as férias no SPA, vai ser tão divertido!
David apenas deu de ombros como se não pudesse fazer nada contra isso, então apenas foi embora me deixando novamente sozinha naquele quarto terrível. Eu realmente precisava sair daquele lugar, não sei o que planejavam para mim, mas com certeza não seria nada legal. Estou ferrada. Mais uma vez.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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7 Re: Humanoid Chronicles em Sab Out 06, 2012 1:02 pm

Ella.McHoffen

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Pelos vistos temos aqui mais uma fic maravilhosa da Dasty. Já li duas no Nyah, mas essa é a primeira vez, e estou a adorar.

Dasty tem uma imaginação notável. Bill nesse papel está óptimo. Adoro quando colocam o Bill sendo assim meio frio, mas claro que não me agrada o bater em mulheres. Sinto que pode vir ai um belo romance, por isso vou continuar aqui à espera do próximo capítulo.

Continua a postar Sam. E obrigada Dasty por deixar ela postar tuas fic’s Wink

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8 Re: Humanoid Chronicles em Dom Out 07, 2012 11:35 am

Anny V.

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Gente, que é Bill é esse? Shocked To amando Razz
Algo me diz que isso que o pai da Wilhelmine fez com ela, na verdade não é tão bom quanto ela pensa. Sei la... Continua que eu quer saber onde essa história vai dar.

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9 Humanoid Chronicles em Dom Out 07, 2012 1:07 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 4



Eu nunca vi nada semelhante como você.
Você olha para mim vagamente vazio
Basta olhar direito
(Screamin’ – Tokio Hotel)

19 de Agosto
Ainda nesse maldito quarto
15h02min PM

Eu não estava com fome por causa da refeição noturna de batatas. E eu estava apreensiva por que tinha medo que a comida que eles trouxessem fosse algo envenenado ou tivesse algo que me dopasse. Ainda mais quando descobri que quem seria meu garçom pessoal – mesmo que fosse uma vez na vida, mas naquele momento – era nada menos que Bill.
– Aqui está sua refeição, princesa – ele disse colocando na minha frente com uma bandeja como se eu fosse uma presidiária e eu era, oras – Espero que aproveite.
O sarcasmo dele era mais do que evidente, eu apenas mantive meu olhar altivo, tentando mostrar que eu não tinha medo dele – apesar de ter. Olhei para a bandeja notando que não era alguma gororoba como eu imaginava, na verdade o cheiro fez meu estômago se revirar de fome. Tratava-se de strüdel de maçã, queijo Maguncia, salada de batata e frikadellen (bolinho de carne)!
Tudo bem, eles só podem estar me tentando, é isso. Deve ter algo nisso, não é possível que eles perdessem seu tempo fazendo algo decente para mim se não tivesse fins lucrativos. Por mais que aquilo fosse bom, eu teria que recusar, além de que não preciso de comida por enquanto, minha parte robô aguenta muito mais tempo mesmo que eu não tenha energia humana.
– Não vou comer isso – eu disse rispidamente.
– O que? – ele exclamou indignado – Não vai me dizer que não gosta.
– Você acha que eu sou louca de comer alguma coisa que você me traga? Eu não sou idiota para cair nessa. Pode ter veneno aí ou quem sabe alguma coisa que me deixe dopada!
– Garota, eu não perderia tempo fazendo isso, não seria nada divertido. Se eu quisesse dopar você, eu usaria agulhas, dão mais adrenalina – ele disse me olhando com aquela cara de psicopata ambulante. Cada vez mais tenho medo desse cara, ele é louco, anotem isso.
– Você tem sérios problemas, devia se tratar – eu disse piscando meus olhos várias vezes, tentando assimilar o que ele dissera.
– Cale a boca e coma logo, você fala demais – ele disse dando as costas para mim e indo embora – Quem sabe mais tarde eu volto.
– Imbecil de merda! – eu gritei de raiva.
– Você quer morrer, é isso? – ele disse se virando para mim.
– Qual é, Bill? Não exagere quando ela diz algumas verdades – alguém disse rindo na porta. Ele tinha o cabelo castanho e comprido, olhos de um verde esmeralda muito bonitos, era extremamente forte e encantador. Por que o Senhor Imbecil de Merda não podia ser normal igual ao resto? Pelo menos aceitável já seria um ótimo começo.
– Cala boca, Georg. O que você quer?
– Um “Oi, tudo bem?” seria mais agradável. Gustav falou que podemos começar, ou seja, traga sua amiguinha para o mundo grotesco e bizarro de nosso amigo nerd. Podemos começar com nossos planos.
– Ótimo – Bill disse pensativo e depois se virando para mim – Melhor você comer rápido, ou te tiro daqui mesmo que você não consiga parar de pé de tanta fome.
Ele saiu da sala junto com Georg, fechando a porta com estrondo fazendo a comida no meu prato tremer. Tudo bem, eu não ia deixar aquilo ser jogado no lixo e parecia que não havia nada de errado, afinal eu tinha olhos robóticos, analisei o máximo que pude para identificar algo fora do comum.
Optei que comer era o melhor que eu tinha para fazer e descobri que nunca comi um frikadellen tão bom quanto aquele! Se o negócio tivesse atolado de veneno eu já estaria morta por que comi tudo, sem deixar migalhas. O strüdel de maçã, então, estava doce sutilmente e não fazia você ficar enjoado. Era incrível como eu comia melhor aqui do que em casa, como eu vivia fora e meu pai é muito ocupado, sempre vivi de lanchinhos que eu comprava por aí. Comida de verdade quase nunca comia.
Nem deu quinze minutos e Bill voltou, abrindo a porta como se o lugar fosse a Casa da Maria Joana e vindo em minha direção com aquele maldito choque-elétrico. Sabia que teria que obedecê-lo se não quisesse fica inconsciente novamente, melhor eu saber o que estava acontecendo do que ser incapaz de me proteger.
– Você vai me seguir, fazer tudo que eu mandar, se não as consequências não vão ser nada boas – ele disse pegando o meu braço e me colocando de pé facilmente – Tente fugir e eu amarro você com fios de arame.
– Duvido – eu disse bufando de raiva e andando meio tropeçando enquanto ele me puxava para fora do quarto – Você só fala e não faz nada, só sabe usar esse choquinho idiota para mostrar poder.
– Garota, você levou uma surra de mim, se eu fosse você, manteria essa boca fechada.
– Claro, você é um garoto, olha o tamanho dos seus músculos comparando a mim. Se eu tivesse o seu tamanho, quem apanharia seria você, cachorrinho.
– Vocês ainda estão brigando? – exclamou Georg que estava no corredor acompanhado do carinha com cabelos de trancinhas – Não se cansam, não?
– Bill, aprenda com seu irmão, questionando a garota você não vai ter nada com ela. Concorde com o que ela diz, que logo ela estará na sua mão – disse o carinha de trancinhas rindo maliciosamente.
– Vocês dois são tão engraçados – ele disse sarcasticamente – Tom, em vez de ficar jogando conversa fora, por que não segura o outro braço dela. Se não percebeu, ela é uma Humanoid, não uma garotinha.
– Vai ser um prazer – Tom disse pegando o meu outro braço e o segurando firmemente.
– Garotinha? Você vai ver a garotinha quando eu acabar com seu quadril de novo! Ou você acha que eu me esqueci do chute que dei em você?
– Quer que eu diga obrigado pelo roxo? Vou superar.
Ele apenas fechou a cara e foi me arrastando pelo corredor que era feito todo de metal, era como estar em um navio, parecia que estávamos nos subterrâneos da cidade. O corredor era todo branco e tinha várias portas, será que havia mais prisioneiros? Pelo visto, meu pai não está aqui já que eles têm mais interesse em mim do que em qualquer outra pessoa.
Quando saímos do corredor, chegamos a um lugar gigantesco e redondo, eu fiquei pasmada com o tamanho do local! Havia uma espécie de estádio no meio onde eu via vários homens treinando movimentos sincronizados e rápidos. Em volta do estádio viam-se mais pessoas indo de uma direção a outra, atarefados, carregando papéis ou caixas. Eu estava certa, isso não é um grupinho criado por adolescentes anarquistas. Era uma organização enorme.
– Como? Tem tantas pessoas! – eu exclamei enquanto descíamos as escadas indo em direção aos corredores adjacentes em volta do estádio.
– Você acha que todos apoiam a ideia do seu querido papai? Está muito enganada. Temos mais pessoas do nosso lado do que você imagina.
– E somos bem treinados – Tom disse – Não seria tão fácil agirmos se fossemos inexperientes. Então, desculpe falar, mas vocês estão em desvantagem. Logo tudo isso vai acabar, é questão de tempo.
– Boa tarde, Tenente – um cara passou fazendo uma reverência para Bill que acenou com a cabeça. Agora eu percebia que ele era todo super herói desse jeito por que tinha um cargo alto. Tudo bem, ele não era tão fracote quanto eu realmente queria pensar, o cara é Tenente! E quantos anos ele tem? Dezoito, dezenove, vinte? – Vai ter treinamento hoje?
– Mais tarde – ele disse com um tom menos arrogante – Quem sabe um dia tenha uma demonstração de como se lutar com um Humanoid. Pelo visto, a senhorita aqui está louca para dar uma demonstração.
– Uma demonstração de como chutar traseiros de imbecis – eu disse na maior cara-dura – Quem vai pagar mico vai ser você na frente do seu fã-clube.
Ele pegou meu braço humano e torceu para trás me fazendo soltar um gemido de dor. Agora eu entendia por que ele mandou Tom segurar o braço mecânico, por que era o braço mais forte e ele iria me segurar enquanto Bill cuidava do braço humano, que era mais fraco e cederia as dores mais facilmente.
Cruzamos aquele maldito estádio com dezenas de pessoas me olhando como se eu fosse uma atração de circo e entramos em uma das salas onde a porta era de um azul-petróleo e estava escrito: “Gustav, não entre se não quer ser transformado em poeira”. Percebi que esse devia ser tão louco quanto Bill, já estava ficando de saco cheio de só conhecer esses caras estranhos.
Abrimos a porta e adentramos. O lugar era bastante escuro, tirando as telas holográficas que ficavam em todos os cantos, mostrando diversos códigos e outras coisas que eu conseguia compreender. Lembra que eu falei que era uma hacker? Então, aquilo era uma das diversas coisas que eu usava para proteger meu Idiary.
Em uma cadeira flutuante e cheio de brilhos estava sentado um cara um pouco gordinho, tinha cabelos loiros, usava óculos e tinha uma camiseta preta com letras que piscavam e mudavam de lugar onde se lia “Chronos Stardate Lovers” – é um jogo criado em 2107 onde você é uma espécie de guerreiro holográfico que luta com seres mitológicos e futurísticos onde você tem que salvar o futuro da humanidade nos dias de hoje. Já joguei algumas vezes e o negócio é viciante.
– Uou! – eu exclamei vendo a camiseta dele – Que nível você está?
– Nível 468 – ele disse rapidamente notando que a pergunta se referia a sua camiseta. Ajeitou seus óculos como se mostrasse que era superior a mim nesse jogo. Coitado.
– Já passei disso faz tempo, estou no nível 1034 – eu disse fazendo ele quase cair da cadeira – Sou deusa suprema e já venci a deusa da discórdia faz séculos. Consigo manter a Terra em equilíbrio facilmente e estou esperando pelas novas atualizações do jogo.
– Tempestades de Zeus! Não vai me dizer que você é a LadyMine_Chronos? Você é uma das mais comentada no jogo online, todos querem fazer parceria com você para ajudá-los a subir de nível no jogo.
– Fazer o que? Ser poderosa é para poucos.
– Vão ficar falando desse jogo estúpido para sempre? – Bill exclamou me arrastando até uma cama de metal que tinha bem no final do quarto, onde havia diversas máquinas que eu não fazia ideia para o que serviam.
– Hey! Se você me ajudar a sair daqui, eu juro que faço parceria com você e te ajudo a subir de nível! – eu disse ao tal de Gustav, quem sabe ele não era minha última esperança.
– Oferta tentadora, mas qual é a graça de se jogar Chronos Stardate quando você é um Dogs Unleashed? Ser poderoso na realidade é para poucos.
Olhei com raiva para ele. Gordo de uma figa! Vai ser outro que vou chutar o traseiro depois e vou acabar com o jogo dele! Espera até a LadyMine_Chronos em vez de fazer parceria, acabar com o equilibro do mundo dele. Vou ficar feliz ao descobrir que ele vai ficar semanas chorando por ter que recomeçar o jogo tudo de novo.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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10 Re: Humanoid Chronicles em Dom Out 07, 2012 2:49 pm

Ella.McHoffen

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Bill me deu medo …
Samantha McHoffen escreveu:
– Garota, eu não perderia tempo fazendo isso, não seria nada divertido. Se eu quisesse dopar você, eu usaria agulhas, dão mais adrenalina – ele disse me olhando com aquela cara de psicopata ambulante. Cada vez mais tenho medo desse cara, ele é louco, anotem isso.

Essa Humanoid está mesmo em maus lençóis. Esses meninos são loucos mesmo. Mas estou a adorar

Continua …

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11 Re: Humanoid Chronicles em Dom Out 07, 2012 9:42 pm

Anny V.

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Bill cada vez mas me surpreendendo com sua maldade Shocked
É engraçado que ela pense em se vingar do Gustav acabando com o jogo dele.
Continua, e rápido!

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12 Humanoid Chronicles em Ter Out 09, 2012 7:34 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 5


Você sabe, ninguém está ouvindo
Eles não querem ouvir
Diga o que você quer dizer
Pessoas começam a temer isso
(Hey you – Tokio Hotel)

19 de Agosto de 2109 (ainda, dia longo!)
Sala de Gustav (garoto nerd reprimido)
15h55min PM

– Tom, Georg, segurem ela firmemente – Bill disse me soltando para que Georg agarrasse o meu braço – Vou soltar as algemas dela.
Bill avançou até os meus braços, olhando firmemente em meus olhos, como se pudesse dizer que qualquer movimento meu seria fatal. Ele colocou a mão sobre as algemas e a as apertou, fazendo-me sentir seu toque gélido. Logo depois as algemas apitaram e se abriram deixando os meus pulsos doloridos relaxarem finalmente.
Ele fez sinal para que Tom e Georg me levassem até a cama, um sentimento de pavor me atingiu, aquilo realmente parecia um manicômio. A cama tinha mais algemas que me prenderiam a ela, tentei me debater e ir para trás, mas fui arrastada facilmente, sem muito sucesso.
Georg colocou toda sua força e conseguiu me derrubar na cama sem a menor delicadeza que eu pensei que ele teria. Ele me segurou firmemente enquanto eu tentava me soltar do aperto de ferro dele. Tom e Bill começaram a prender meus braços e pernas naquilo e em menos de um minuto eu já estava presa sem conseguir sair.
– O que vocês vão fazer comigo? Alguma experiência macabra? – eu exclamei tentando inutilmente tirar aquelas algemas.
– Ainda não – Bill disse calmamente como se estivesse falando de coisas simples da vida – Por enquanto só vou analisar a máquina que tem dentro de você. Aprenda uma coisa, sempre saiba como seu inimigo é, antes de atacá-lo.
– Já sei que você é um imbecil! Serve para alguma coisa?
Claro que ele nem respondeu, não perdeu tempo, apenas se afastou e fez sinal para Gustav começar a colocar aquelas máquinas a se mover. Aqueles negócios davam medo, giravam em volta de mim e soltavam raios lasers sobre o meu corpo, analisando cada partícula abaixo da minha pele. Logo percebi que várias informações foram surgindo na tela do computador.
– Ela tem 60% do corpo feito de material robótico, a maioria é platina... As duas pernas, o braço direito, as costelas e grande parte dos ossos adjacentes e... o coração – ele disse por fim surpreso – O coração dela não é de verdade, ele foi substituído por uma imitação, um dispositivo que bombeia sangue para o resto do corpo que não é feito de platina e sim de algum composto molecular semelhante à da titina que se encontra nos músculos.
O rosto de Bill de repente ficou sombrio, como se não acreditasse no que Gustav havia dito. Então se virou para mim, como se quisesse que eu confirmasse o que seu amigo havia dito, ele parecia o único realmente incomodado com isso. Andou até onde eu estava e mandou Gustav parar com as máquinas.
– Estou surpreso, seu pai é realmente frio para usar essa experiência em você, sabendo que ainda não era algo testado. Pelo visto, deu certo – ele disse secamente – Não acredito que tenho em minhas mãos uma Humanoid 483.
– Wilhelmine para você, meu chapa! Eu tenho um nome, não sou uma máquina por mais que meu corpo seja mais feito de material robótico do que carne humana. Então ou você me trata como igual, ou também não vou te tratar nada bem.
– Tente – ele disse dando ênfase na palavra.
Tudo bem, eu já estava perdendo a paciência com ele, não aguentava mais ouvir uma palavra do que ele dizia. De todos os caras que já vi na vida, ele era o pior de todos! Um hipócrita, mesquinho, egocêntrico, metido a bonzão, o tal Senhor Eu-mato-todo-mundo. Então acho que toda aquela força que eu evitava usar e já aprendera controlar de repente surgira do nada.
Meu braço direito tremeu por uns instantes e arrebentou aquela algema facilmente como se fosse feita de plástico. Levantei meu braço o mais alto que pude e atingi em cheio o rosto de Bill que caiu para trás, se chocando com as máquinas. Senti a fúria em mim sendo substituída pelo prazer de ver o lábio dele rachado e sangrando abundantemente enquanto ele tentava descobrir o que acontecera. Quebrei a outra algema dando um soco nela com meu braço robótico, só faltava quebrar as das pernas quando Georg veio correndo me segurar antes que eu fizesse mais estragos.
Debatia-me com mais força tentando arrancá-lo de cima de mim, mas logo Tom também me segurou com força, torcendo meu braço humano para trás como Bill fazia. Este ainda estava encostado na máquina passando seus dedos pelo sangue que escorria de seu lábio, o olhando hipnotizado como se fosse algo digno de atenção. Ele passou sua língua pelo machucado e fez cara feia quando percebeu que ardeu, mas logo deu um sorriso. Seu olhar incisivo encontrou o meu e pelo incrível que pareça, não encontrei fúria e sim diversão.
– Boa pontaria – ele disse com aquela voz carregada de veneno – Quero ver se da próxima vez você conseguirá se sair tão bem.
Caminhou até minha direção, fiquei petrificada, não sabendo se socava os dois que me seguravam ou tentava socar Bill novamente. Nem deu tempo. Ele tirou o choque-elétrico do bolso e tocou em mim me fazendo cair estatelada na cama, ainda consciente e sentindo aquela tortura novamente. Juro que nem doía tanto quanto antes, já estava me acostumando.
– Acho que está bom por hoje, Bill – Gustav disse analisando o estrago que eu causara – Vou ter que consertar as algemas, não vai dar para mantê-la quieta.
– Eu sei – Bill disse colocando as algemas antigas de volta nos meus braços que ainda estavam hirtos por causa do choque-elétrico – Deixe isso para outro dia. Pelo visto, a Humanoid está começando a usar sua força verdadeira.
– Você me deixa fora do sério – eu finalmente consegui falar por causa da fúria, senti mais dor por causa do formigamento que se instalou nos músculos do meu rosto.
Como sempre ele nem deu importância, mas que eu havia calado um pouco daquela boca, eu tinha. Um bom soco faz milagres. Ele colocou mais algemas no tornozelo das minhas pernas, talvez com medo de que agora eu desse um soco bem dado nas suas partes de baixo. Pegou-me facilmente e me colocou no seu ombro como se eu fosse um saco de batatas e acompanhado de Georg e Tom – que pareciam estar se divertindo muito com minha situação atual –, fomos embora da sala de Gustav onde podia-se ouvi-lo praguejando contra mim por ter quebrado a cama.
Meu corpo ainda doía, pelo visto ele havia aumentado um pouco a potência daquilo para que me derrubasse totalmente sem que eu desmaiasse. Aquele cara é maligno, acredite no que eu falo, alguém tem que prendê-lo, ele é louco da cabeça! Contentei-me apenas a analisar o lugar por onde nós passávamos, se eu decorasse, poderia usar futuramente para escapar do local. Não foi ele mesmo que falou que tínhamos que conhecer muito bem o inimigo?
Era incrível ver a expressão das pessoas ao olharem para mim, talvez fosse por causa do rosto de Bill sangrando e por eu estar completamente presa, todos olhavam meio apavorados. Isso era bom, afinal todos tem que saber que não devem mexer comigo, já não basta o imbecil que está me segurando.
De volta ao meu maldito quarto, Bill me tirou de seu ombro e me segurou no seu colo e sem a menor delicadeza me jogou no chão, me fazendo rolar até bater minhas costas nas paredes. Tom e Georg começaram a rir ao ver a cena, eu apenas tentei focalizar no meu braço humano para ver se ele não havia sido quebrado, pelo visto ele continuava intacto.
– Não a trate tão mal, Bill – Tom disse pelo visto tendo dó de mim, ou não – Não é assim que se trata uma garota. Você sabe que as coisas não são assim, ou não deveriam, pare de descontar nela.
Parecia que nada era capaz de infiltrar na fortaleza de ferro que havia em volta dele, ele apenas lançou um olhar reprovador para Tom.
– Wilhelmine – ele disse de repente me assustando por ter me chamado pelo meu nome. Como ele sabia? – Você sabe por que você se chama Humanoid 483?
Eu realmente já pensara nisso, quero dizer, essas coisas futurísticas sempre tem que ter algum número acompanhado de um nome ou uma letra para dar ênfase, por exemplo, Robô 3000 ou algo do gênero. Não sabia especificamente por que 483, vai ver é algum número da sorte.
– Não – eu disse balançando minha cabeça negativamente.
– Por que 482 pessoas morreram tentando fazer essa experiência dar certo. 482 pessoas inocentes acreditando que iam se transformar em humanos poderosos com corpos indestrutíveis. 482 pessoas que morreram pensando que ao acordar viveriam em um mundo novo, onde eles não teriam que temer a morte. Você foi a única que sobreviveu, a única que o corpo não rejeitou os dispositivos robóticos.
O mundo parecia sumir dos meus pés. Era impossível acreditar naquilo, principalmente quando era dito da boca dele, mas ele falava seriamente, nunca o vi tão sério como naquele momento, não havia nem tom de sarcasmo ou veneno. Na verdade não era tão preocupante, se a experiência não desse certo, eu teria morrido do mesmo jeito, o que realmente incomodava é saber que 482 pessoas foram para o saco. Pessoas saudáveis e que não precisavam de cirurgias por que estavam morrendo.
– O Humanoid 483 não foi inventado para ajudar pessoas com deficiências ou pessoas que estavam morrendo como você – prosseguiu ele com uma voz sombria – Ele foi criado para transformar todos os Humanos em robôs, acreditando que isso vai ajudar a humanidade, quando na verdade pode aniquilá-la. Você não entende por que é uma deles, a única talvez que vai sobreviver, por que nem todos os corpos vão aceitar isso, ainda mais quando não precisam de material robótico.
– Esses são seus princípios? – eu perguntei de repente – Acredita que isso realmente não vai dar certo? Que talvez seja nossa última chance de sobreviver? O fim do mundo está perto, morrem dezenas de pessoas todos os dias. A Terra está se rebelando.
– Temos que pagar o preço do que fizemos. Se chegar a hora de tudo acabar, temos que aceitar isso dessa maneira. A sobrevivência consiste em você tentar dar o seu melhor para não morrer, não criar um exército de robôs humanos para fins lucrativos.
– Que fins lucrativos? – eu perguntei sem entender nada.
Ele não disse. Apenas virou as costas novamente e mandou Georg e Tom o segui-lo. Pela primeira vez eu não queria que ele fosse embora, queria apenas que me dessas respostas, eu estava começando a ficar com medo de tudo que estava acontecendo. Queria ir para casa, mas eu estava começando a pensar que nem lá eu estaria segura.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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13 Re: Humanoid Chronicles em Ter Out 09, 2012 9:19 pm

Anny V.

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WooooW Agora fiquei surpresa Shocked
Até que fim ela conseguiu dar um soco bem dado no Bill!
E ele continua nada delicado com a menina! E nem é a culpa dela ser do jeito que é.
Fiquei curiosa com esse negócio de fins lucrativos.
Continua!

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14 Humanoid Chronicles em Qui Out 11, 2012 2:56 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 6



Amor, eu estou te vendo nadar?
Ou só vendo você se afogar?
Isso é uma tragédia ou uma comédia?
(Love and Death – Tokio Hotel)

20 de Agosto de 2109
Em meu quarto nada confortável
12h18min PM

Dormi mal de noite por causa do frio, por não estar na minha cama e por causa dos sonhos que me atormentavam. Eu já estava ficando louca, não aguentava mais aquelas algemas nos meus pulsos e nos meus tornozelos, os prendendo e me deixando impossibilitada de me mexer.
Não havia nada para fazer naquele lugar a não ser olhar para todas aquelas paredes brancas e sem vida. Meu cabelo estava horrível, eu precisava lavá-lo, me sentia suja naquele lugar e daria tudo por um bom banho, meu pijama de moletom e chocolate quente. Além de que meu corpo parecia mais pesado por causa dos constantes choques elétricos.
– Quero que tirem a minha algema – eu disse quando Tom entrou no quarto trazendo a bandeja de comida para mim, o cheiro de Ragout me atingiu, sinceramente, eles eram cozinheiros de mão-cheia – Não aguento mais isso, me machucam e não posso me mover.
– Bem, é essa a intenção, mas vou ver se faço algo por você – ele disse colocando a bandeja na minha frente – Desde que prometa se comportar, uma garota tem que ser bem comportada.
– Tudo bem, tudo bem, apenas tire essas coisas de mim! – eu exclamei sem paciência nenhuma – E quero tomar banho, tenho os meus direitos.
– Opa, banho? Se quiser pode tomar comigo – ele disse passando sua língua pelo o piercing que havia na sua boca.
– Sinceramente, vou quebrar a sua cara igual fiz com seu amiguinho Bill!
– Ele é meu irmão gêmeo, não é meu amiguinho.
– Você está brincando? – eu perguntei não conseguindo acreditar, afinal os dois eram tão diferentes tanto em atitudes quanto no modo de se vestir – Vocês dois não são nada iguais. A única coisa em comum é que são idiotas, mas tirando isso...
– É... – ele disse levantando a sobrancelha e me olhando estranho – Bill é mais centrado em seus objetivos, não se deixa cair em falsos prazeres, acredita que tudo um dia vai voltar a ser normal. Eu prefiro aproveitar a vida enquanto há tempo sem se preocupar com o amanhã.
– Por que ele é tão... imbecil?
– Ele passou por momentos difíceis, você não entende – ele disse sendo ríspido, talvez não gostasse que eu falasse do seu irmãozinho metido a perfeito – Aconteceu reviravoltas nas nossas vidas, e na de Bill foram as mais radicais.
Tudo bem, o cara deve ter sofrido muito para ser o hipócrita que é hoje, mas isso não justifica que ele me sequestre e fique me dando choquinhos. Ele que sofreu, não eu, e pode ter certeza que não estou afim de sofrer. Apesar de que já paguei pelos meus erros passados, ele que pague pelos dele.
– Fale para ele sobreviver – eu disse secamente – E avisa que quero tomar banho, não é por que sou prisioneira, que vou ficar mofando aqui para sempre.
– Você é assim sempre? – ele perguntou me olhando como se eu fosse algum animal perigoso que poderia atacá-lo a qualquer momento.
– Não, geralmente eu sou pior – eu disse dando de ombros.
Tom apenas me olhou mais estranho ainda e depois sorriu maliciosamente como sempre fazia, saindo da sala apenas rindo de mim como se eu fosse seu brinquedinho favorito para horas vagas. Ao ver a porta se fechar, novamente me senti ruim, queria sair daquele lugar, mas não tinha maneiras. Apenas contentei-me em tentar comer a comida, mas até aquilo parecia descer rasgando em minha garganta.
– O que você quer? – Bill adentrou a porta, abrindo-a com tudo me dando um enorme susto. Seu lábio ainda estava roxo, mas um tanto cicatrizado – Não pense que vou ficar indo e vindo só para atender os seus pedidos.
– Quero tomar banho – eu disse secamente, pensando em atingir o prato com comida e tudo na cara dele, mas era melhor eu me comportar – Tenho os meus direitos, até prisioneiros podem tomar banho.
– A regras daqui sou eu que imponho – ele disse ríspido e grosso como sempre, com os braços cruzados em sinal de desafio, me olhando com aqueles olhos negros e frios, cheios de desdém – Se eu quiser deixá-la uma semana sem comer, eu a deixarei.
– Não sabia que você era tão hipócrita para me negar um banho. Pessoas como você só devem ser mal amadas.
– Por que você não cala a boca em vez de ficar falando coisas sem sentido? Não te neguei droga de banho nenhum, só quero que você saiba que sua vida está em minhas mãos e se eu quiser puxar a corda que segura seu pescoço, eu puxarei sem dó nem piedade.
– Uou, estou tremendo de medo – eu disse rindo na cara dele – Você só fala, meu chapa, quero ver se tem tanta coragem! E não vem com essa de choque-elétrico, é a única coisa que sabe fazer.
Sei que falo demais e sei que ele é forte o bastante para quebrar minha cara em diversos pedaços. Mas se ele é bom com os socos, eu serei boa com as palavras, nada como atingi-lo com elas. Claro que ele ficou furioso, veio até a mim e se ajoelhou na minha frente, ficou a centímetros de mim, me encarando com seus olhos castanhos sórdidos e incisivos. Pegou o meu rosto com seus dedos compridos e segurou meu queixo fortemente para que eu não soltasse.
– Quando o meu objetivo real começar, vamos ver se eu serei tão bonzinho. Por enquanto, a deixarei curtir com minha cara, afinal eu acho que quem fala demais é você, meu bem – ele disse virando meu rosto com tudo para o lado, senti meu pescoço estralar com o impacto. Ele colocou os dedos em volta das algemas das minhas pernas e elas se soltaram – Levante-se, antes que eu mude de ideia e te deixe aqui para morrer.
Voltei cuidadosamente o meu rosto para frente, tinha medo que meu pescoço tivesse se quebrado ou algo do tipo. Levantei-me cuidadosamente e Bill retirou seu choque-elétrico do seu bolso e com a outra mão, segurou meu braço, levando-me para fora daquela sala. Acompanhei-o, tropeçando como sempre, afinal ele me puxava com tanta força que eu me atrapalhava.
Ele levou-me até uma sala onde tinha dezenas de araras, cheias de roupas parecidas com a que usava, e começou a pegar várias peças de roupa. Sem a maior cerimônia, depositou todo aquele bolo em meus braços – ainda com algemas – e me puxou para longe dali. Tive que tomar o maior cuidado para não deixar nada cair, ou ouviria um sermão daqueles. Finalmente paramos em frente à outra porta – já estava odiando aquele bocado de gente me olhando como se eu fosse uma delinquente juvenil.
– Aqui é o banheiro feminino – Bill disse, abrindo a porta que levava para um corredor enorme, cheio de boxes – Vou deixá-la aqui, sozinha. Você tem quinze minutos para tomar banho e vestir essas roupas. Tente fugir daqui e eu estarei lá fora te esperando com meu querido amigo que você já está familiarizada.
Bill sacou o choque-elétrico e mostrou para mim, como se eu não me lembrasse. Ele apertou as algemas e elas se soltaram, deixando finalmente meus braços soltos. Massageei meus pulsos e fiquei realmente agradecida quando ele saiu dali, mas logo depois ouvi barulho da porta sendo trancada e senti todas minhas esperanças indo para o ralo.
Girei meu corpo e dei uma olhada no corredor. Não havia nenhuma janela, mesmo assim o local não parecia ser úmido demais para um aposento de banho. Notei que havia uma tubulação de ar, acima de um dos boxes, então minha mente começou a arquitetar algo. Eu tinha quinze minutos, sabia que não podia dar certo, então seria ótimo se eu tomasse um banho rápido.
Despi-me o mais rápido possível, jogando minhas roupas em qualquer lugar. Corri para o Box que ficava abaixo da tubulação e liguei o chuveiro. Você não tem ideia de como é bom um banho quente, até me surpreendi, realmente esperava água fria – ato de carinho daquele filho da desgraça. Juro que pensei em ficar ali pelos rápidos quinze minutos, mas eu realmente não podia, por isso tentei me limpar o mais rápido possível, a tempo de me vestir e tentar fugir. As roupas não eram lá aquelas coisas, eram calças de ganga, uma camiseta de manga comprida preta e fina. Estava sentindo mais frio do que antes.
Como meu Idiary estava no meu quarto, não havia jeito de calcular quanto tempo faltava para acabar os quinze minutos, eu apenas tratei de deixar o chuveiro ligado para que Bill não desconfiasse e com a ajuda de um banquinho que havia perto da pia, tentei arrancar a grade da tubulação de ar.
Apesar de todo o meu esforço, não conseguia nem sequer movê-lo, então me lembrei de quando estava presa naquela cama, na sala de Gustav e como consegui quebrar a algema com meu braço robótico. Fechei os olhos e tentei concentrar toda a força que tinha, eu realmente precisava quebrar aquilo. Então com toda a força, puxei a grade e ela saiu com um estrondo, quase me fazendo cair do banquinho.
Meu coração robótico começou a bater desesperadamente, com medo de que Bill abrisse a porta e visse o que eu estava fazendo. Joguei-me com tudo na tubulação de ar, sem ao menos dar uma olhada se alguém tinha aberto a porta. Empurrei o meu corpo o mais rápido possível por aquele lugar apertado, como eu ainda estava parcialmente molhada, isso ajudou bastante.
– Nem pense nisso! – ouvi uma voz gritar atrás de mim. Bill havia me descoberto e agarrava meu pé, me puxando para fora da tubulação – Falei para não fugir, volte agora!
O desespero tomou conta de mim, tentei chutar a mão dele o máximo que eu podia para que ele me largasse, mas a outra mão conseguiu segurar meu pé e continuava a me puxar. Tentava desesperadamente me segurar em alguma coisa, mas tudo era tão liso, que eu estava escorregando de volta para a toca do leão. Claro que não desisti, continuei chutando Bill o mais forte que eu podia, mesmo ele já tendo retirado metade de mim da tubulação.
– Filha da puta! – ele gritava, quando consegui chutar seu rosto – Eu vou te matar!
Então veio o choque. Eu já esperava por isso. Meu corpo tombou, sem conseguir se mexer, mas eu estava consciente ainda, tentando movimentar qualquer músculo para que continuasse lutando por liberdade. Como esperado, Bill conseguiu me tirar totalmente daquele lugar, sem precisar subir no banquinho, já que era tão alto quanto um poste. Nós dois estávamos encharcados por causa do chuveiro que deixei ligado, e pude ver em sua expressão que mesmo após o banho, ele estava fervendo de raiva.
– Eu disse que teria consequências – ele disse de uma forma nada acolhedora.
Mesmo meu corpo parecendo morto, consegui movimentar meu braço robótico e tentei empurrá-lo para longe de mim, isso causou uma queda de nós dois no chão escorregadio. Tentei me levantar para fugir dele, mas meu corpo humano ainda sentia mais impactos do choque do que o corpo robótico. Bill me derrubou novamente, e me prensou no chão enquanto colocava algemas em mim.
– Você está tão ferrada – ele sussurrou entre os dentes, enquanto eu tentava não me afogar por causa da água que caía no chuveiro – Não queria ser você nesse momento.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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15 Re: Humanoid Chronicles em Qui Out 11, 2012 11:02 pm

Anny V.

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Moderadora
Shocked
Me surpreende esse carinho que um tem pelo outro Rolling Eyes

O que o Bill vai fazer com a pobre menina? Já to com dó dela. Pelo que ele falou... Coitada!

Sabe... Se quiser deixar os Capítulos maiores, não me importo em ler Razz
Você nem faz ideia do quanto to gostando dessa Fic.
Continuaaaa

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16 Re: Humanoid Chronicles em Sab Out 13, 2012 6:00 pm

Ella.McHoffen

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Administradora
O mal de uma pessoa só entrar no fim-de-semana está aqui. Dois capítulos novinhos e ainda por cima cheios de surpresas.

Porra essa fic está a ser fantástica.

Bill tem sido mesmo mauzinho para ela, e sei que ela merece dar algumas lições a ele, mas o soco nos lábios foi demais. Senti mesmo pena dele, tadinh Neutral

Fins lucrativos?! Meu deus o que o pai dela anda a inventar?! Super curiosa

Muito espertinha a Humanoid 483

Agora vais ver o que é bom para a tosse … eu não queria nada estar na pele dela

Continua …

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17 Humanoid Chronicles em Sab Out 13, 2012 6:33 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Capítulo 7



Há alguém a gritar
O que ninguém ouve
Está aí alguém a afogar-se
Puxado para baixo pelo medo
(Zoom into me – Tokio Hotel)

20 de Agosto de 2109
Em uma sala estranha
17h51min PM

Juro que esperava uma sessão de tortura, algo como uma cadeira elétrica, ou quem sabe abrir meu corpo sem anestesia. Bill apenas me arrastou encharcada pela base inteira até me jogar em uma espécie de sala, que eu poderia chamar de solitária. Todas as paredes eram feitas de metal e o escuro me impossibilitava de ver qualquer coisa. Realmente não fiquei nada triste quando Bill abriu a porta e lançou até a mim, minha mochila.
Pelo menos eu tenho você, Idiary, sei que não é uma pessoa, mas pelo menos posso passar o tempo escrevendo e ouvindo algumas músicas. A pior parte disso é que estou morrendo de frio, estou congelando na verdade, principalmente porque minhas roupas estão encharcadas e não vejo nenhuma cama ou cobertor por aqui. Se Bill planeja que implore por ajuda, ele não vai ter isso. Posso muito bem aguentar ficar sozinha aqui sem acabar louca.


21 de Agosto de 2109
Nesse maldito manicômio
02h34min AM

Você tem ideia de que desde que estou aqui, não me enviaram nenhum prato de comida? Nada! Estou começando a entender o plano dele, sério, esse cara é um psicopata e estou realmente começando a entrar em pânico. Bill quer realmente me deixar aqui para morrer de fome e quem sabe, por falta de vitamina D! O que ele não contava é que na minha mochila tenho uma barra de chocolate, mas ela não vai durar para sempre.
Certo, posso ficar três dias sem comer a barra de chocolate, como um pedaço e fico mais três dias sem comer. Alguém tem que me tirar daqui, não posso ficar para todo sempre nesse quarto da morte! Meu Deus! Será que mais pessoas já morreram aqui? Será que eles utilizam como uma sala de tortura?
Eu também estou tremendo de frio, toda hora erro as palavras que tenho que escrever. Minha roupa molhada está em um canto, eu havia lembrado que tinha um suéter extra na minha mochila e luvas também, mesmo assim nada contém os frios nas minhas pernas que ainda estão com calças molhadas.
A minha posição no chão também não está nada confortável, minhas costas, meu pescoço e minha bunda estão doloridos e eu realmente preciso de uma cama. Vou tentar ser forte, mas só se passaram nove horas e não aguento mais ficar aqui, não é questão de morte, é questão de impaciência e desconforto.


21 de Agosto de 2109
Presa para sempre
09h22min AM

Estou sem minha barra de chocolate! Só fui perceber isso agora, quando decidi dar uma fuçada na minha mochila para ver se havia mais alguma coisa para comer. Bill retirou minha única comida e agora não sei se vou sobreviver por muito tempo! Sem falar que não tenho água. Um humano sobrevive em média três dias sem água. Acho que posso sobreviver por uns quatro dias, até cinco. Nunca tentei realmente ficar sem água para saber quanto duro.
Sério, estou realmente com medo, ninguém me mandou ainda café-da-manhã. Sem falar no frio, sei que é extremamente chato ficar falando das sensações climáticas, mas está começando a ficar insuportável. Juro que se eu começar a chorar agora, minhas lágrimas virarão gelo. E não me falta vontade para chorar, nunca quis tanto voltar para casa, ver meu pai e comer aqueles lanchinhos que não podiam realmente ser chamados de comida.
Também dormi muito mal, na verdade, tentei dormi. O chão é muito gelado, desconfortável e sonhos me atormentam o tempo todo. Acho que posso enlouquecer a qualquer minuto ou talvez esteja apenas exagerando. Sou mais forte do que isso, sim, eu sou.


21 de Agosto de 2109
Estou com fome, de verdade
22h12min PM

Estou com fome. Já faz um dia que não como nada e sinto minhas energias se esgotando. Estou com sede também, minha boca está totalmente seca e sinto que minha cabeça está prestes a explodir por causa da noite mal dormida. Há alguns minutos realmente não aguentei mais ficar parada e tentei socar e chutar a porta com toda força que eu tinha, o que não é muita coisa.
Consegui amassar um bocado da porta, mas ninguém sequer veio ver se alguma coisa tinha acontecido. Estou totalmente esgotada por ter gastado energia, mas daqui umas horas vou tentar de novo, vou quebrar essa porta e tentar me safar daqui.


22 de Agosto de 2109
Vou morrer
11h54min AM

Acho que desmaiei. Dormi de verdade por causa do cansaço e para esquecer a fome e a sede. Já se passaram dois dias e acho realmente que vou morrer. Minha vontade é voltar a dormir, mas estou determinada a quebrar aquela maldita porta. Agora eu realmente entendi as palavras de Bill, quando disse que não queria ser eu. O negócio de tortura, é que ele gosta que a pessoa sofra todos os segundos possíveis.


22 de Agosto de 2109
Com certeza vou morrer
16h24min AM

Não consigo quebrar a porta. Amassei-a diversas vezes, mas ninguém a abre, nem consegui fazer um simples furo. Do que adianta um corpo robótico se você não consegue salvar sua própria vida com ele? Pensei que seria mais forte do que isso, sei que a falta de energia também contribui para o meu péssimo desempenho, mas eu ainda devia ter alguma força sobre-humana. De qualquer forma, ainda sou humana, não posso esperar muito de mim.
Acho que daqui a pouco vou tentar comer meu Idiary e minha mochila. Talvez você, Idiary, seja a melhor opção, afinal somos quase feitos do mesmo material. Oh, meu Deus! Já estou realmente ficando louca, estou pensando em comer você! Isso poderia ser chamado de canibalismo tecnológico.
Confesso que já chorei um bocado, não aguento mais ficar na escuridão, nem nesse quarto minúsculo e terrível. Nem frio sinto mais, meu corpo parece estar amortecido, como se não fosse capaz de sentir nada, nem mesmo dor. Droga, isso soa um bocado pessimista, daqui a pouco estarei cortando meus pulsos, claro, se eu tivesse pelo menos uma faca.
PORTA MALDITA! Quando eu sair daqui, juro que mato aquele cara, eu mato de verdade.


23 de Agosto de 2109
Não aguento mais
07h12min AM

Três dias. Ainda tenho energia para sobreviver mais tempo, tenho certeza que não vou morrer agora, mesmo assim, não tenho certeza por quanto tempo vou durar. Ainda tento abrir aquela porta, ela está totalmente amassada, mas não abre de forma nenhuma.
Talvez eu esteja pagando por todas as coisas ruins que fiz. Não estou falando por ter socado e chutado Bill, porque, se eu morrer, levarei isso para o outro lado com o maior orgulho do mundo. E talvez também levarei certo arrependimento por não ter machucado ele mais. Sempre que tento socar a porta, imagino que é aquele cara, me dá mais forças, mas não o suficiente.


23 de Agosto de 2109
Não aguento mais
13h45min PM

Só estou parando um pouco para descansar, estou socando a porta há uma hora mais ou menos. Estou morta, pronta para desmaiar a qualquer minuto, mas não vou desistir dessa forma. Sinto que falta pouco para aquela porta abrir, sei que as chances de sair daqui não são grande coisas, mas de conseguir lutar contra todos os caras que me esperam, é menor ainda. De um jeito ou de outro, vou tentar sobreviver.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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18 Re: Humanoid Chronicles em Sab Out 13, 2012 7:03 pm

Ella.McHoffen

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Administradora
Capitulo torturante, meu deus!
Porra Bill realmente exagerou, coitada da Humanoid 483.

Samantha McHoffen escreveu:
Do que adianta um corpo robótico se você não consegue salvar sua própria vida com ele?

Acho que é isso que os Dog Unleashed querem que ela comece a pensar. Acho que vão usar ela pra tentar convencer o pai dela a mudar de ideias. Dizendo que ela sendo robô quase morria ou algo do género. Mas continua estou super curiosa pelos próximos capítulos e agoniada com esse estado da rapariga. Bill sê mais bonzinho.

Continua ... bounce

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19 Re: Humanoid Chronicles em Sab Out 13, 2012 9:08 pm

Anny V.

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Moderadora
Sabe, eu vou comentar aqui por que fui chantageada por uma certa pessoa, se eu não comentasse não teria capitulo novo ainda hoje. Razz
Eu ia comentar de qualquer jeito por que tu sabe que eu to amando essa Fic u.u

To até vendo quando ela sair desse lugar, ela vai querer quebrar a cara do Bill, isso se ela ainda tiver forças pra pelo menos andar.
É tanto amor por parte desses dois que até me sinto comovida!

Pronto Sam! Agora continua pelo amor de Deus.

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20 Re: Humanoid Chronicles em Sab Out 13, 2012 10:06 pm

Sam McHoffen

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Administradora
I'm sorry! Mas não foi chatagem ok?!
Foi uma proposta... Rolling Eyes

Se segure! Lá vem novas emoções!

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21 Humanoid Chronicles em Sab Out 13, 2012 10:10 pm

Sam McHoffen

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Administradora
Capítulo 8


Nas cidades, nas ruas, ao redor do globo
Tornam tudo que você ama em proibição
Do berço, até a melhor parte do show
(Dark Side of the Sun – Tokio Hotel)

25 de Agosto de 2109
Na enfermaria
15h05min PM

Você não vai acreditar! Realmente preciso contar tudo que aconteceu e vou começar nesse instante que não tem ninguém me observando. Eu consegui quebrar a porta, tem ideia disso? Consegui massacrar aquela barreira de metal mesmo com pouca energia, mas quem acabei encontrando do outro lado foi nada menos que Bill. Sério, eu estava tão furiosa que poderia matá-lo naquele instante, mas eu apaguei logo em seguida, ou seja, tanto esforço para nada.
O negócio é que acordei faz algumas horas, não acordei em um caixão como esperava ou em algum córrego poluído. Eu acordei em um lugar quente, com soro no meu braço e tão bem que posso derrubar mais portas. Estou no hospital dos Dogs Unleashed, e a enfermeira é a pessoa mais legal que já encontrei aqui, toda preocupada com o meu bem estar como se eu não fosse uma inimiga.
E sabe qual a coisa mais irreal do universo? Quando eu acordei, quem estava ao meu lado era Bill. Juro que antes de abrir bem os olhos e checar, fiquei um momento só observando com minhas pálpebras semicerradas para ter certeza de que não bati a cabeça e estava vendo miragens. Mas ele estava lá, de verdade, e com uma expressão realmente preocupada. Acho que esse último detalhe deve ser uma miragem, porque é quase impossível ele se sentir preocupado com algo além de saber se seu choque-elétrico está funcionando.
Tudo bem, talvez eu esteja errada, talvez haja algo quase humano naquele cara, e olha que a Humanoid aqui sou eu. É quando eu finalmente decidi abrir os olhos por completo e ele finalmente percebeu que eu havia acordado, ele falou comigo. Não da forma que nós sempre nos xingávamos, mas apenas com uma pergunta.
– Você está bem?
– O que você acha? – eu perguntei pronta para pular da cama e esganá-lo – Fui trancada por três dias naquela merda de quarto, sem comer, sem água, sem banho, sem qualquer forma de sobreviver. Ainda gastei todas as minhas energias para salvar o meu traseiro da morte certa, então simplesmente soquei e chutei aquela droga de porta até finalmente conseguir sair. Quando finalmente saio e penso em acabar com sua vida, desmaio. Não me sinto nada bem.
– Na verdade, acho que você está bem melhor. E você vai sobreviver – ele disse calmamente, sem nenhum choque-elétrico em sua mão.
– Ainda bem que vou, quanto a você, não tenho tanta certeza – eu disse me sentando na cama e tentando descobrir como arrancaria aquele soro do meu braço sem causar muito estrago.
– Não se mova, você ainda precisa terminar o soro – disse uma mulher loira e de olhos azuis, vindo até mim e tentando me acalmar – Bill, acho melhor você sair, está aborrecendo minha paciente.
– Esse é o meu papel, Natalie – Bill respondeu sorridente, se levantando de sua cadeira saindo da enfermaria.
– Ele é um psicopata – eu exclamei explodindo de raiva – Um psicopata ordinário, ele ama torturar as pessoas. Veio aqui para me torturar de novo, fingindo que tudo está bem.
– O que ele fez foi errado – Natalie disse, indo perto daqueles equipamentos médicos e tomando nota do que via ali – Ele quase que perdeu o posto de Tenente por causa disso. Devemos mantê-la viva e saudável, você é muito importante.
– E porque seria? Vocês vão fazer experimentos científico em mim para descobrir como derrotar o meu pai? – eu disse tentando tirar algo dela, ela parecia ser bem fraquinha, daquelas que se você aperta demais, sempre acaba soltando alguma coisa.
– Não sei realmente o que querem com você – Natalie respondeu, sorrindo bondosamente para mim – Quer comer algo? Está sobrevivendo só de soro, precisa de algo para se manter em pé.
– Seria ótimo – eu disse realmente querendo comer algo, mas fiquei pê da vida por ela ter mudado de assunto.
A minha refeição fez eliminar todo o sofrimento que eu tive esses dias. Era nada menos que Knödels (bolinhos de batata ou pão) com Sauerkraut (repolho fermentado naturalmente com condimentos) e de sobremesa Apfelstrudel (doce de maçã com massa folhada). Sério, agora que tudo estava bem, eu até podia cogitar a ideia de ficar aqui por um tempo, desde que eu tenha ótimas refeições e possa tomar banho.
Nem preciso dizer que limpei o prato em menos de segundo, meu estômago ficou tão agradecido pela refeição que todo meu mau humor e minha vontade de matar Bill se esvaiu completamente, ainda mais ao saber que era o maldito que fazia minhas refeições. Quando tudo isso acabar, acho que vou escravizá-lo e ele virará meu cozinheiro particular.
Natalie passa a maior parte do tempo verificando se tudo está bem comigo e se quiser a verdade, estou me sentindo perfeitamente bem. Ela até me deixou tomar banho ao ver que estava me comportando. Viu? Com as pessoas certas, não tenho problema nenhum, desde que me tratem bem! Graças aos céus pude me livrar daquele camisolão de doente e me vesti com minhas roupas antigas que foram lavadas.
Desde que cheguei à base secreta dos Dogs Unleashed, esse foi o melhor dia de todos. Não tentei fugir em nenhum momento, fiquei a maior parte do tempo ou conversando com Natalie, ou dormindo ou escrevendo. Eu não desisti de sair daqui, só estou usando a tática de ser boazinha para finalmente escapar, e pelo visto está dando certo, afinal várias vezes fiquei sozinha aqui, sem algemas e sem ninguém me observando. Mas tenho certeza que atrás da porta da enfermaria, deve ter alguém me esperando caso eu tente fugir.


25 de Agosto de 2109
Sendo massacrada
19: 21 PM

Tudo bem, eu sou uma pessoa curiosa. Natalie havia saído faz um tempo e eu fui até a porta, encostei meu ouvido, tentando descobrir se havia alguém ali me esperando. Não consegui ouvir nada, eu podia abrir a porta e se tivesse alguém, poderia apenas falar que queria um copo d’água. Ninguém ia desconfiar.
Para minha surpresa, quando abri a porta bem devagar, não havia ninguém a vista. Nenhuma pessoa pronta para me capturar, ninguém disposto a me dar choque-elétrico, não havia Bill em nenhum lugar. Aliviada, peguei minha mochila, fechei a porta com cuidado e caí fora dali. Se alguém me encontrasse, era só eu inventar algo como: “Estou com fome, sabe como é que é, fiquei trancada sem comida por três dias”. Ninguém saberia que acabei de comer.
O corredor estava vazio e me senti sortuda por não ter sido encontrada por ninguém, mas a sorte acabou quando descobri que o corredor dava para aquele saguão onde havia várias pessoas treinando e lutando, ou seja, toda concentração de pessoas ficava ali. Não dava simplesmente para mim me deslocar em uma multidão usando preto, quando eu estava com uma blusa magenta e um suéter listrado preto e branco, sem falar na minha querida camiseta “I Love The World” por baixo do suéter – eu havia comprado em uma dessas feirinhas de angariações para ajudar o meio ambiente.
Respirei fundo e caminhei pela multidão, não dando a mínima caso alguém percebesse algo de estranho. Claro que algumas pessoas olharam para mim, mas ninguém me parou para descobrir quem eu era. Se eu continuasse desse jeito, logo poderia achar uma saída e finalmente estaria livre daqueles ordinários, mas claro que eu precisei estragar tudo.
– Lester! – Bill exclamou, com sua voz ecoando por aquele andar, fazendo várias pessoas darem um pulo, inclusive eu – O que diabos pensa que está fazendo? Isso que você chama de ataque? Lá fora você será massacrado se hesitar.
Mudei meu rumo e decidi ver o que estava acontecendo. Naquele saguão havia um enorme buraco redondo no meio e tinha grades em volta, me aproximei dali e olhei para baixo, onde naquele andar, havia aquelas pessoas treinando. Bill estava bem abaixo de mim, treinando aqueles futuros Dogs Unleashed. Foi nesse instante que descobri como meu pai estava ferrado, eu não tinha percebido as proporções daquilo, havia muitas, talvez milhares de pessoas querendo destruir o projeto Humanoid.
Então o que eu fiz, foi a coisa mais imatura do mundo. Na verdade, não foi por meu pai ou porque eu era idiota o suficiente para acreditar que aniquilando Bill, tudo estaria acabado. Eu realmente queria matar aquele cara, só de ouvir aquela voz ordinária, cada célula e pedaço de metal do meu corpo ansiava por acabar com a existência dele. Por isso, pulei a grade e devo ter caído uns quatro metros em direção a cabeça de Bill.
Claro, sou ingênua. Eu esperava cair em cima daquele moicano e quebrar a cabeça dele, mas eu atingi o chão em vez de qualquer parte do Bill, não que eu tenha problemas com mira, o cara que era rápido demais. Percebi que todos seus pupilos prenderam o ar quando me viram, pensei que todos iam pular em cima de mim e me atacar, mas todos ficaram parados e em pânico.
Levantei-me e corri em direção a Bill. Eu não ia desistir, ainda mais quando eu tinha tanta energia. Mirei meu punho robótico para dar outro soco naqueles lábios ainda não curados e ele segurou minha mão, virando-a como sempre fazia. Claro que eu sabia disso, já estava acostumada com as táticas deles. Girei meu corpo na mesma direção que ele virava meu braço – que era sempre para a esquerda – e coloquei toda a minha força na minha perna que chutou a canela dele, o fazendo cair.
Todas as pessoas do saguão estavam nas grades, assistindo aquela luta, prendendo a respiração e apenas soltando quando era para exclamar algo. Bill estava caído no chão, eu havia o derrubado e me sentia tão poderosa com isso, finalmente estava dando a lição que ele merecia. Parti para cima dele, pronta para encher aquele rosto de socos, mas ele conseguiu rolar para longe de mim. Corri atrás dele e quando estava para se levantar, pulei em suas costas o derrubando no chão.
Naquela luta corporal toda, em que eu tentava dar socos e impedir que ele me prendesse, um soco na barriga me fez cair no chão sem ar, enquanto ele segurava meus braços. Droga, o que havia acontecido? Eu o tinha em minhas mãos e agora todo o jogo virara.
– Falta muita determinação em você, Wilhelmine – ele disse, segurando meus pulsos em minhas costas, enquanto me prensava no chão – Você falou que ia me matar, mas hesitou bem quando conseguiria. Era sobre isso que eu estava falando com Lester, ainda bem que apareceu para dar uma bela lição a ele.
– Não quero matar você, imbecil! – eu gritei, tentando me soltar – Vou transformá-lo em meu escravo e irá cozinhar todo dia para mim, mas antes vou te dar uma surra para nunca esquecer!
Então ele riu. Todo mundo riu. Eu fiquei totalmente vermelha enquanto ouvia todas aquelas risadas. Tudo bem que a parte do escravo e de cozinhar foi bem idiota, mas não precisavam gargalhar tanto dessa maneira. A raiva borbulhava dentro de mim de tal forma que eu não admiraria caso explodisse.

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22 Re: Humanoid Chronicles em Sab Out 13, 2012 10:44 pm

Anny V.

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Moderadora
Aham, proposta... Prefiro não comentar a respeito.

Essa guria é muito burra!
Ela não podia apenas tentar dar o fora daquele lugar? Mesmo se não conseguisse ir muito longe, mas só pelo fato dela não ter passado a vergonha de ter caído na frente do Bill já tava bom.
E falar que iria escravizar o Bill então?

Amanhã/hoje tem mais, né?

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23 Humanoid Chronicles em Dom Out 14, 2012 5:23 pm

Sam McHoffen

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Capítulo 9


Quando nós finalmente chegarmos
Não sei por quanto tempo posso continuar lutando
Através do fogo frio e solitário
Chamas me levam a você
E depois lutamos juntos
Na luta do amor
(Kampf der liebe – Tokio Hotel)

25 de Agosto de 2109
Na enfermaria, totalmente surpresa
23h30min PM

Continuando a história. Quando percebi que estava passando a maior vergonha da minha vida, eu me joguei com tudo para o lado, tirando Bill de cima de mim e acertei-lhe um soco no seu estômago, para ver como era bom. Ele caiu, mas não parecia ter sofrido tanto quanto eu, afinal logo já estava de pé.
– Decidiu me matar agora? Porque está sendo humilhada na frente de todo mundo? – ele zombou de mim – Pobrezinha, você supera.
Avancei nele, dando um soco em seu ombro e um chute em seu joelho, o fazendo vacilar novamente. Era impressão ou ele estava mais fraco? Ele nem ao menos tentava se proteger, apenas deixava que o espancasse. Quando consegui acertar seu rosto, seu lábio que já estava quase cicatrizado, partiu-se de novo, voando sangue em cima de mim. Bill caiu no chão, colocando a mão em seu rosto.
– Parabéns – ele disse sorrindo para mim com seu rosto cheio de sangue, mas seus olhos estavam carregados de sarcasmo – Pode me matar agora, o que acha? Duvido que consiga.
Ele estava se entregando para mim? Era isso? Ou ele simplesmente queria saber se eu era capaz de seguir em frente. O problema não era matá-lo, era achar alguma forma de fazer isso. Eu não podia simplesmente espancá-lo, achando que depois do quinquagésimo soco ele perderia os sentidos. Olhei para os lados, procurando alguma espécie de arma, mas não achei nada, então voltei a encarar os olhos cruéis dele.
Tudo bem, eu não podia matá-lo e nem era por falta de vontade. Realmente imaginei na minha cabeça o que aconteceria caso conseguisse, talvez logo depois eu fosse morta por seus pupilos, ou quem sabe, levada a solitária para morrer de verdade dessa vez. Eu não sairia ganhando nada se o matasse, além é claro, do meu orgulho de volta.
– Não posso matá-lo – eu disse de má vontade.
– Por quê? Não me vai dizer que pensa que vai me escravizar? – ele disse cruelmente, rindo novamente de mim junto com o resto.
– Não, idiota – eu disse pensando que eu poderia estar errada, talvez matá-lo fosse um bem para humanidade – Não ganharia nada matando um verme como você. Pronto, pode ir torturar seus pupilos, ensinar a eles como ser um idiota sem coração, estou vendo como está fazendo um bem para o mundo. Pelo menos meu pai está pensando no bem das pessoas, ao contrário de você.
– Você sabe como é matar uma pessoa? – ele perguntou, finalmente se levantando.
– Não, não sou como você – eu disse dando um passo para trás, talvez ele fosse me matar agora.
– É, você não é como eu. Matei pessoas e não me orgulho disso. Fui arrancado de casa com apenas 16 anos para servir o exército, tive que matar pessoas em guerra, porque elas estavam matando outras pessoas por água e comida. Você sabe como é difícil dormir todos os dias, sabendo que posso ligar a torneira do meu banheiro e sairá água de lá, sendo que vivi uma guerra em meio a um lugar onde não há água e as pessoas morrem por isso?
Senti o sangue se esvair do meu rosto. Eu não achava Bill a melhor pessoa do mundo, ele era o cara mais arrogante e cruel que já vi na minha vida e tudo isso tinha um porquê. Nunca parei para pensar, que por trás daquela barreira que ele construíra em volta de si, escondia um ser com um passado terrível. Ele não era assim porque quis, o mundo o havia tornado daquela maneira.
– As pessoas morrem o tempo todo, umas na guerra, outras por fome e sede e outras por problemas climáticos. Algumas ainda morrem porque se drogam demais, porque acham que com isso a farão esquecer os problemas. Outros se suicidam, achando que é melhor morrer pelas próprias mãos. Não estou interessado em mortes, eu quero dar um motivo para todas essas pessoas viverem. Humanoids não salvarão essas pessoas, elas não estão interessadas em viver por muito tempo, elas querem viver o suficiente e da melhor forma possível. Eu vi robôs na guerra, robôs matando pessoas sem hesitar nenhum segundo, aquele ser sem vida matando pessoas cheias de vida. A única coisa que conseguia ver, era World Behind My Wall Corporation escrito nas jaquetas militares que eles usavam. Seu pai promete um novo mundo atrás da sua parede, e eu só vejo um mundo de sangue.
Não conseguia falar. Eu estava mais envergonhada do que quando riram de mim ao falar que tornaria Bill meu escravo cozinheiro. Claro que sabia que meu pai criava robôs, eu tinha uma empregada robótica em casa – que cozinha muito mal, se quer saber –, mas não fazia ideia que muitos deles eram mandados para guerra.
– Seu pai não está interessado em ajudar o mundo, ele está interessado nos lucros que isso trará. O que ele vende de robôs e armas para guerra dá para alimentar todo esse povo que sofre sem água e comida. E ele ainda quer nos tornar Humanoids, sendo que não precisamos de braços robóticos porque temos os nossos saudáveis, que estão lutando realmente para mudar esse mundo. Não sou contra o avanço tecnológico, sou contra o mau uso dele.
Ninguém dizia nada, nem eu conseguia dizer qualquer coisa. Eu havia recebido o maior soco que podia de Bill e ele nem usara as mãos. Droga, o que eu estava fazendo de errado? Há alguns minutos eu estava quase caindo fora daqui. Há alguns minutos eu estava com a vida dele em minhas mãos. Agora ele havia me pego de guarda baixa, jogando toda aquela suposta verdade em minha cara.
– Você passou três dias dentro daquela solitária – ele continuou – Há pessoas passando por isso todos os dias e eles lutaram como você pela vida. Se sozinha conseguiu destruir uma porta, juntos podemos destruir uma muralha.
– Está me convidando para ajudá-lo? – eu exclamei sem entender mais nada.
– Não, não estou esperando sua ajuda, sei que ela não virá. Você foi criada em um mundo completamente diferente do meu, nunca vai entender – ele disse se afastando de mim – Pessoal, encerrado o treinamento.
Bill foi embora, subiu as escadas para o andar de cima, me deixando livre para ir aonde eu queria. Fiquei parada ali, enquanto todos se afastavam, olhando e cochichando para mim. Eu realmente queria acreditar nele, mas havia uma parte de mim que o odiava e se recusava a aceitar o que ele dizia. Realmente queria cair o fora dali, mas não fiz isso, voltei para enfermaria, com vontade de me atirar na cama e dormir para sempre. Quando cheguei lá, me deparei com Bill sentado em uma das camas, com Nathalie colocando gelo em seu lábio cortado.
– Você é um descuidado! – ela exclamou – É a segunda vez que se machuca dessa forma.
– Brigue com ela, não comigo – ele disse, fazendo sinal para mim. Legal que para todos os lugares que eu vá, sempre acabo encontrando com aquele maldito. Só que dessa vez eu estava realmente com a consciência pesada.
– Deixe comigo – eu disse pegando o gelo da mão de Natalie – Foi minha culpa.
Coloquei o gelo novamente no lábio de Bill e me arrependi novamente. Ele fitou aqueles olhos escuros em mim – não tão escuros quando se vê com uma luz forte igual da enfermaria, na verdade eles eram castanhos esverdeados – como se fosse um juiz e estivesse decidindo se me mandava para a forca ou para a cadeira elétrica.
– Não pense que me convenceu – eu disse rapidamente antes que pensasse que eu estava na dele – Não tenho provas do que você disse, mas acho que pode ter acontecido uma dessas coisas com você, afinal você é o cara mais desalmado que conheço.
– Preciso de um pouco de gelo na minha clavícula – ele disse sem ao menos prestar atenção no que eu havia dito.
Olhei feio para ele e coloquei o gelo aonde eu havia socado. De perto e tão inofensivo, ele parecia bem mais humano. Talvez descobrir um pouco o que ele pensava ou sentia, o havia tornado humano para mim, por um momento, eu realmente pensei que não passasse de um ser ambulante, sem sentimentos, guiado apenas pela sua crueldade.
– Se não gosta de ver pessoas sofrendo, porque vive usando esse choque-elétrico em mim? – eu perguntei, realmente curiosa em saber o que se passava na cabeça dele.
– Sofrimento vem com aprendizagem – ele disse secamente.
– Ah, conta outra! Até parece que levar choques elétricos irão me ensinar alguma coisa de boa. Você precisa se tratar, meu chapa, depois de tudo que aconteceu com você, com certeza precisa de um psicólogo.
– Você não está fugindo – ele respondeu – Não precisa de algemas. Está totalmente domada.
– Domado vai ficar você, quando eu quebrar seu crânio – eu disse, levantando o saco de gelo, pronta para atirar na sua cabeça.
– Se você me matar, vai ficar sem cozinheiro, pode ter certeza que Tom não cozinha nada bem comparado a mim – ele disse segurando minha mão antes que eu realmente quebrasse sua cabeça.
Então ele pegou o meu braço e aproximou meu pulso – gelado por causa do gelo derretido – do seu lábio cortado. Um arrepio percorreu meu corpo e eu puxei meu braço para longe dele. Quem ele pensava que era para me usar como gelo? E ainda tocar meu braço naquele rosto sanguinolento?
– Acho que você pode passar gelo em si mesmo muito bem – eu disse jogando o saco de gelo nele – Preciso descansar agora, pode ir embora.
Bill se levantou, sorrindo ao ver minha expressão, e foi embora da enfermaria. Estranho que minha raiva por ele, até agora não sumiu, continuo o achando o maior idiota de todos e vou continuar a odiá-lo para sempre. Anote o que eu digo, ou melhor, escrevo.

Aviso: Está fanfic não me pertence, mas tenho a autorização da autora (Dasty Sama) para postá-la no Tokio Hotel Fanfictions.

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24 Re: Humanoid Chronicles em Dom Out 14, 2012 6:03 pm

Ella.McHoffen

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Administradora
Ai que coisa linda, sem duvida alguma o melhor capitulo Razz

Bill realmente teve razões para se tornar frio. Humanoid ficou mesmo sem piu. Ela que se porte bem como tem feito nesses últimos capítulos porque assim não há choque elétrico para ninguém … a não ser choques físicos

Amei amei ver que o toque do Bill fez arrepio nela … afinal está a chegar a parte interessante

Continua curiosa por mais ...



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25 Re: Humanoid Chronicles em Dom Out 14, 2012 8:55 pm

Anny V.

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Moderadora
Ella McHoffen escreveu:
Amei amei ver que o toque do Bill fez arrepio nela … afinal está a chegar a parte interessante

Já tava na hora de uma coisa assim acontecer Rolling Eyes

Domada? Ai ele merecia um soco.

Será que ela vai se juntar a ele pra destruir os projetos do próprio pai?
Acho que vai precisar de um bom motivo pra isso acontecer. Alguma coisa que ela tenha certeza que seja verdade.

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