Tokio Hotel Fanfictions
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Amélia - As lembranças não estão em fotos

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Eu estou imensamente feliz com os comentários! Obrigada meninas pelo carinho!

Obrigada Lara Monique Beta Reader por suas ideias... ( )

Eu demoro uma semana para postar porque acho que nem estão gostando. Mas, fico feliz que estejam acompanhando... Farei o meu melhor possivel! AMO VOCÊS...

Capitulo mais cedo essa semana... Trabalho... Beijos. Espero que gostem

Ah... Herika seja bem vinda...
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Capitulo 8
Abra o coração e feche a mente



“Eu nunca pensei em ninguém além de mim mesma. No fim das contas só estava sendo HUMANA, afinal todos só pensam em si mesmos. Somos egoístas. Quem se importa com os sentimentos alheios? As pessoas se importam com a vida alheia, não com os sentimentos nela envolvidos. E assim vivemos, somos humanos. Vivendo em uma selva de pedra chamada MUNDO, lutando por nossas próprias sobrevivências sem nos preocupar com o que sacrificamos por isso...”



Bill acordou e sentiu a cama quente demais. Jogou o edredom exageradamente grande para o chão e pulou da cama. Procurou algo pra vestir e só achou plumas, couro e coisas estranhas, pelo menos o que sobrou, já que doou a maioria aos mendigos. Por sorte achou uma camiseta meio transparente e rasgada, que combinou com uma calça jeans pouco maior que ele. Calçou uns tênis brancos e desgastados, bagunçou um pouco o cabelo e saiu para tomar café. Becca estaria lendo o jornal, sentada à mesa, com os pés estirados em outra cadeira, com uma cara de entediada, como sempre. Ele gostava disso. Era tão familiar esse jeito largado dela, era tudo o que ele queria ser e não sabia por quê.

Mas pra sua infelicidade ela não estava lá. Bill voltou para o segundo andar e correu para o quarto dela. Bateu na porta, como ela havia ensinado, mas ninguém disse nada. Então resolveu ir pelo jeito mais fácil e abriu a porta sem permissão. Encontrou a cama arrumada e as portas do armário vazio aberto. Ela tinha ido embora!

Saiu correndo para a garagem e não encontrou a moto dela. Voltou ao seu quarto desesperado, sobre o criado mudo dele, a câmera que ela havia deixado, com um bilhete de despedida. Ela havia ido embora. Sentiu a garganta arder e começou a chorar. Sentia-se completamente perdido sem ela. Becca era sua única referência no mundo, a única pessoa que parecia ser do mesmo planeta que ele. O que fazer? Só podia ser culpa daquele maldito ninho de ratos! Correu até o quarto dele e chutou a porta.

-O que fez com ela? Você brigou com ela? Você a mandou ir embora?

-Ladrão! - O irmão que ainda dormia se assustou e saltou da cama.

-Não Idiota! Sou eu!

-O que aconteceu? Por que me acordou tão cedo? - Tom parecia meio perdido.

-Cedo? São oito horas da manhã. Deus ajuda quem cedo madruga.

-Que horas você se levantou? - Tom o encarou perplexo.

-Seis e meia da manhã.

-Quando os alienígenas levaram meu irmão e te colocaram no lugar, seu clone? - Tom não parava de encarar Bill de uma forma cômica

-Onde está a Becca?

-Becca? - Tom se fez de desentendido

-Sim, Becca!

-Deve estar dormindo. - Tom mentiu, tentando aliviar a situação

-Mentiroso!

-Olha eu não sei, ela quis embora!

-É tudo culpa sua! - Bill franziu o cenho na esperança de intimidá-lo para que contasse a verdade.

-Não podia obrigá-la a ficar aqui!

-Então você sabe onde ela está?

-Lógico que não! - Quando se tratava de Bill, Tom era um péssimo mentiroso.

-Você sabe sim!

-Eu não sei! Ela deve estar a quilômetros de distância daqui agora!

-Não! A Becca não iria embora assim. - Bill afirmou com toda a certeza que não tinha.

-Eu tentei impedir! Mas, ela disse que não podia ficar!

-Ela gosta de mim! Eu sei! Ela me deixou a câmera dela! Eu sei que ela não está longe daqui! - Bill mostrou a câmera que havia encontrado. Tom apenas se perguntava por que ele nutria tanto carinho por alguém que sequer conhecia, e dele, seu irmão, ele sequer se lembrava.

-Entenda... Era o melhor.

-Não venha me dizer o que é melhor, você não sabe do que penso ou do que sinto!

-Eu te conheço melhor do que qualquer um conhece ou vai conhecer! - As palavras saiam quase que sem querer dos lábios de Tom.

-Se me conhece tão bem, então porque não me diz logo onde ela está?

-Já disse que não sei. - Tom sentia o nó na garganta.

-Eu sei que está mentindo. - Bill segurava a câmera com as duas mãos enquanto encarava o irmão.

-Como pode ter tanta certeza?

-Se me conhece tão bem, talvez eu te conheça melhor ainda... - Bill afirmou desta vez com uma certeza que fez parecer para Tom o velho Bill de sempre.

-Não vou te dizer onde ela está...

-Estava certo, você sabe. A escolha é sua. Se não me contar eu vou sair pelas ruas até encontrá-la!

-Não seja burro! Você sequer sabe para onde ir!

-Eu sei falar! - Bill virou as costas. Tom pensou que fosse um blefe, ele estava realmente falando sério.

-Tá bom! Você venceu! Eu te levo até ela! - O que Tom não sabia é que aquilo realmente era um blefe.


***


Becca chegou à sua quitinete estava escuro. Conservava na sua mente a imagem do que deixou pra trás e isso a incomodava de uma maneira estranha. Por que aquele garoto dormindo, abraçando um ursinho de pelúcia lhe parecia tão ridículo e ao mesmo tempo tão encantador? Ela não costumava acreditar na inocência dos outros, tão pouco na dele, já que não o conhecia antes, mas pelo que percebera aquele acidente parecia tê-lo mudado da água para o vinho... E a culpa era dela. Não sabia se isso era bom ou ruim, mas a culpa era dela.

Depois de uma semana de convivência com aquela chatice toda, resolveu voltar para casa. Sua vida precisava continuar, afinal Bill ficaria bem com o idiota do irmão dele, que foi assustadoramente gentil quando ela disse que precisava ir embora. Até ofereceu uma grana, que Becca não aceitou, claro. Mas ela tinha se divertido com aquele idiota como há muito tempo não se divertia. E depois pensou em como ele estaria na manhã seguinte e nos próximos dias que viriam. Tudo bem. Eles são riquinhos idiotas, Becca...Esqueça!

Jogou-se no estreito sofá da sala, encima de suas roupas sujas e limpas e abriu o notebook... Jogou as fotos do cartão de memória para o computador e resolveu revisá-las. No meio daquela infinidade de fotos, descobriu uma de Bill, fazendo careta, com uma expressão totalmente infantil, numa cara de trinta anos! Era estranho, mas ela não conseguiu não rir. O dia na praia, a doação de roupas, o passeio de carro tirando fotos pelo teto solar, o passeio de moto, o almoço no restaurante mexicano. Tom gritando com eles, como um pai gritando com os filhos. Era uma família, e Becca há muito tempo não sabia o que era isso. Mas, afinal, quem era Bill Kauliz?

Abriu o Internet Explorer, movida por uma incontrolável curiosidade e digitou no Google:

Bill Kaulitz

Encontrou diversas fotos de eventos importantíssimos e desfiles de moda que ele havia produzido. Era um cara importante. De repente, numa página da BILD, o site mais fofoqueiro da Alemanha encontrou um artigo cujo título começava com ''Os bastidores de uma farsa chamada Tokio Hotel'‘. Era a banda dele... Resolveu ler.

BILDE.DE
De acordo com Fontes o término da Banda mais famosa da Alemanha aconteceu devido o envolvimento da namorada de Tom, Ria Sommerfeld com o baixista Georg Listing, com quem mantinha um caso...Bill também mantinha um caso amoroso como manager da banda, David Jost com quem se relaciona desde os 15 anos.


Becca ficou perplexa com a capacidade de algumas pessoas mentirem. Ela continuou procurando informações. O que havia levado afinal, o fim da banda? Navegando pelas fotos de Bill, Becca se impressionou com a evolução do estilista. Do garotinho de Magdeburg com um sorriso doce, quase angelical, até o Glamour Fatale dos tempos atuais. Havia virado outro. Pareciam duas pessoas completamente diferentes. O jovem Bill se assemelhava ao Bill que ela conhecia; o desmemoriado. “O que havia acontecido?” Ela pensava. Quem era o Bill de antes e para onde ele havia ido. Becca viu entrevistas no You Tube, do garoto simples ao Glamuroso estilista da grife BTK, os amigos e ex-integrantes da extinta banda Tokio Hotel, Georg e Gustav, a amizade que tinham. A mudança repentina para Los Angeles e como tudo então ficou completamente diferente. Os outros dois foram ofuscados para não dizer esquecidos. Pouco se falava sobre eles. As fotos mal explicadas e às vezes mal compreendidas de Tom e Ria. Fãs revoltados a espera de um CD que nunca saiu... Anos a espera de uma nova turnê, muito se especulou, muito havia dito, mas a única coisa que saiu foi uma carta oficial, escrita em dois idiomas e assinada por eles anunciando o fim da banda Tokio Hotel.


“Aliens,
É com grande pesar que anunciamos o fim de um sonho que durou por mais de 10 anos. Tokio Hotel era nossa vida, nossos sonhos, nossos destinos, nossa origem. Era o ar que respirávamos. Vocês, nossos aliens, foram responsáveis por tudo o que construímos e tudo o que alcançamos. Vocês gritaram mais alto que qualquer fã e atravessaram 1000 oceanos, para ver um show nosso, que por tantas vezes fizemos com todo o amor que tínhamos. Enfrentamos tantos furacões e sol escaldante, sempre junto de vocês nossos aliens. E até mesmo o lado mais escuro dele. Como cães a solta na madrugada, soltando nosso barulho por ai sem nos importar com o amanhã. Vocês foram os melhores, nós seguiremos nossas vidas como motoristas fantasmas nas rodovias na vida, a espera de um destino. E viveremos o eterno agora, até que um dia possamos nos encontrar mais uma vez. Espero que um dia possam nos perdoar, por aquilo que não pudemos evitar e deixamos nossos sonhos morrerem.
Obrigado por tudo. É só o que podemos dizer...”


Logo abaixo centenas de comentários de fãs inconformados e revoltados.

“Obrigado? Obrigado por comprarem nossos CDs como palhaços, agora que não precisamos mais de vocês vamos acabar com essa farsa de banda e seguirmos a dupla BTK, por favor! Me poupe!”

“E é assim que acaba? Depois de tudo, é só isso?”

“Um discurso tão lindo para dizer Adeus?”

“Eu não posso acreditar! Só pode ser mentira. O Bill que eu conheço jamais faria uma coisa dessas!”

“Acorda minha filha! Ninguém conhece o Bill. É um mentiroso. Fingindo ser um doce esse tempo todo, o romântico, o mal compreendido! Era tudo uma farsa para ganhar status e a confiança dos fãs. No fundo é um gay reprimido que não podia se revelar enquanto tivesse contrato com a gravadora. Agora que acabou vai se tornar estilista e sair do armário”

“Que tipo de fã é você? Eu os amarei mesmo separados.”

“Eu não, me desculpe. Aprendi a gostar deles pelo elo que tinham agora que chegou ao fim só consigo perceber uma coisa: Eu estava cega. Tokio Hotel é uma grande mentira. E o seu Bill só nos enganou com aquele teatrinho de não deixar os sonhos se acabarem.”


Becca sentiu um nó na garganta. O que havia acontecido com ele? O Bill se transformou em algo que nem mesmo os fãs conheciam ou podiam acreditar ou aceitar. O velho fórum jogado as traças tinha uma última postagem, uma espécie de carta escrita por uma fã.

“Queridos aliens,

Há cerca de uma semana recebemos uma noticia que abalou todas as nossas estruturas com algo que nunca em minha vida pensei que fosse acontecer. Nossa amada banda se desfez como poeira ao vento. Eu espero que um dia esta mesma carta que escrevo a vocês possa ser lida por um dos hoje chamados integrantes da extinta banda Tokio Hotel. Eu amava essa banda com todas as forças que eu tinha. Briguei por eles quantas vezes fossem necessárias mesmo que eles nunca soubessem que eu existo. Aprendi que aja o que houver eu deveria ser eu mesma sem me importar com a opinião alheia, aprendi que sonhos são para toda a vida e devemos sempre lutar por eles. Aprendi que amizades devem ser eternamente verdadeiras. Aprendi que o mundo é pequeno demais quando se tem vínculos em comum. Que devemos sempre gritar mais alto e nunca deixar se abater. Aprendi a amar de verdade, Que as aliens são as melhores fãs do mundo, porque amamos a melhor banda do mundo.
Eu amava o estilo único de uma banda que quebrou todos os tabus e regras, sem deixar de ser os bons moços do rock. Com eles aprendi mais palavras em alemão do que aprendi em qualquer outro idioma. Aprendi a dizer “Ich Bin da!” “Reden” “Durch den Monsun” E tantas outras frases. Achava o Bill o melhor vocalista do mundo e ai de quem discordasse. O Tom era o mais gato e o mais fera na guitarra. Georg tinha os cabelos mais bonitos e Gustav era o melhor baterista do mundo. Paguei e pagaria quantas vezes fosse necessário para ver eles em qualquer lugar do mundo se eu pudesse. Amava cada detalhe deles. Arrepiava quando via os clipes, ou quando ouvia aquela musica nova pela primeira vez, e mais ainda se fossem as clássicas ouvidas milhares de vezes. Chorava por um pôster, um vídeo.
Eles eram meu sonho. Até que um dia, tudo se acabou como toda fantasia que termina e há uma semana através de uma carta oficial, eles disseram que era o fim. Fãs revoltados. Nenhum um vídeo, uma palavra de adeus, uma explicação. Era o mínimo que merecíamos depois de ficar horas votando em todas as premiações que eles participavam. Talvez tenhamos sido duras demais quando surgiram boatos de que Tom estava namorando. Tom nos perdoe. Não queríamos uma explicação. Apenas que deixassem que víssemos que era a sortuda que ganhou seu coração. Fomos alimentados por tantas mentiras nos últimos anos. Não precisa ter vergonha Bill, vamos aceitá-lo como é. Mas, não aguentávamos essas especulações se é gay ou não, ou com quem você estava. Não era cobrança. Era apenas para sabermos se tudo o que lemos é mentira. Somos fãs, a maioria vocês sequer sabem que existimos. Mas, iríamos amá-los como sempre do mesmo jeito. Por que decidiram morar em países diferentes? Era uma banda. Até então eram unidos. Então porque gravarem um cd que nunca saiu em países diferentes. Iludindo a mídia e os fãs de que estava tudo bem. Criaram um aplicativo para os gêmeos. Mas, era uma banda, não uma dupla.
Aos meus queridos ex-integrantes da banda Tokio Hotel, o que tenho a dizer? Vocês eram nossas vidas. E amávamos vocês, e os defendíamos. Eu me pergunto onde estão os garotos de Magdeburg? Será que se lembram de quem foram um dia? Sei que devem dizer que ninguém gostou de vocês antes do Tokio Hotel, que subiram graças ao seu talento. Mas, para se tornarem o que se tornaram, vocês não precisaram de fãs? De pessoas gritando por seus nomes, indo aos seus shows. Será que não precisam mais disso? Não né? Voaram alto... Tão alto que foram para muito longe de nós e não haveria mais nenhuma ponte que nos unisse. Será que Georg e Gustav se sentiram assim também? Ofuscados pelo brilho dos “Gêmeos do Rock”. Pensando bem era melhor que fizessem uma dupla. Ninguém sabia mais do paradeiro dos outros caras mesmo. Qual é mesmo o nome deles?
Foram dez anos. E nesses dez anos quanta coisa aconteceu! Eu era uma fã que brigava com qualquer um para defendê-los e vocês sequer podiam assumir para que soubéssemos quem eram as pessoas que amavam. Tom, você não nos deve satisfação, mas custava assumir que tinha alguém que amava, para que ficássemos felizes com sua escolha? Coisas esclarecidas. Ao invés disso ficamos a mercê de fotos de Paparazzi, que cada dia tinha uma nova coisa, uma nova “bomba” descabelando as aliens. Elas não iriam gostar? Isso não é importante. Importante era assumir as coisas como são para que não ficássemos todos os dias nos perguntando o que é verdade e o que é mentira.
Antigamente notícias sobre vocês eram raras. Eram discretos. Pouco se falavam sobre suas vidas. De repente, vocês se mudaram para a Terra dos paparazzi dizendo que queria sossego. Sossego? Em Los Angeles? Me poupe! Foram para o olho do Furacão. Jantares, festas badaladas, High Socyete. Pode dizer Tom que foi pela Ria e pode dizer Bill que foi para aparecer. Não é necessário máscaras. Não agora. É lindo dizer em entrevistas: “Não falamos sobre vida pessoal” quando sua vida pessoal ficou exposta para todos verem!
Era até legal Bill, você acenando para os paparazzi. Hoje você cobre o rosto como um idiota, sai às ruas de óculos escuros como se fosse um astro de Hollywood. Você era um astro do Rock. E era legal ver você de calça rasgada All Star e camisetas personalizadas. Sem essas roupas de grife e todas essas parafernalhas que o faz parecer com uma arvore de natal. Gostava do cabelo de espanador, gostava das calças baixas e justas, das camisetas e do tênis sujo, gostava dos dentinhos tortos e do rosto lisinho, gostava de você magrinho. Digam o que quiser, eu gostava daquele garotinho. Esse Robocop todo produzido e glamouroso me dá medo e sequer me lembra você. Parece outra pessoa. Com esse monte de piercings e tatuagens para parecer que é um RockStar heavy-metal-perdido-em-Hollywood!
E o que houve com os outros? Eles morreram? Georg, Gustav, onde vocês estavam esse tempo todo? Por que se deixaram cair no esquecimento? Vocês eram os pilares que sustentavam essa banda! Sem vocês era só Bill e Tom. E no fim das contas, foi o que se tornou? Por quê? Só Bill e Tom não têm graça. Não tem solos de baixo, ou de bateria. É só voz e guitarra. Não existe nada assim, não é legal. Não é uma banda. É uma dupla...
Eu sinto muito também. Se pudesse voltaria no tempo. Bill e Tom não iriam se mudar para Los Angeles. Georg e Gust fariam parte da gravação do disco fantasma que nunca saiu e nunca mais vai sair. Bill não iria fazer aquela musica ridícula com Fast East Moviment, nem aquelas tatuagens estranhas que parecem ter saído de algum centro de Voodoo e Macumba, ou sair com aquele monte de piercings parecendo um para raios. Tom iria parar com essa bobagem e assumir de uma vez por todas “Eu amo a Ria e pronto”, seria muito melhor.
Será que nos enganou Bill? Não foi você que disse que nunca deixaria de comer carne, que acreditava em amor verdadeiro, que escrevia musicas tão lindas que pareciam ter saído direto de seu coração. Que tinha aquele olhar inocente, que não se importava com o que os outros falavam de sua maquiagem ou de suas unhas pintadas. Não nos importávamos com isso. Nem com seu jeito doce. Aquele era nosso Bill. Esse cara todo glamouroso e marombado eu não o conheço.
A monção os levou para muito longe de nós, e não adianta pedir para que não saltemos. Vamos pular neste mar de amargura que vocês mesmos nos mostrou. Nada neste mundo dura para sempre. Agora somos apenas crianças perdidas, a espera daqueles sonhos que construímos juntos. Nós gritamos tão alto: “Por favor! Estamos aqui!” Ninguém nos ouviu, ninguém nos olhou. Eu não tenho que perdoar ninguém, vocês já fizeram a escolha. Até um dia em que vocês possam sair dessa realidade e sonhar de novo com o que sonhamos. Nossos sonhos, nossos destinos, nossas vidas, nossa banda. Ich werde dich immer lieben, Tokio Hotel!”


Becca permaneceu em silencio, sua mente fervia. Aquele Bill doce havia morrido? Era mesmo o fim? Não havia retorno? Ele seria aquele cara chato pelo resto da vida? Becca se despertou de seu transe quando a campainha da velha quitinete tocou, fechou o notebook e andou devagar até a porta. Olhou pelo olho mágico depois respirou fundo e encostou na porta. Era ele mesmo? Ele tocou de novo. Becca girou a maçaneta devagar. Parecia coisa do destino. Ela pesquisava sobre ele naquele momento e de repente ele surge em sua porta com um sorriso doce e um olhar ansioso.

-Becca! - Ele gritou assim que ela abriu a porta e a abraçou como se não a visse há anos.

-Cara, eu não to conseguindo respirar. - Becca disse tentando afastar o estilista

-Becca, por que você foi embora? E sem mim...? - Os olhos de Bill estavam marejados. Becca apenas desviou o olhar

-Como você veio sozinho?

-Ninho de Ratos me trouxe! - Becca olhou por cima do ombro de Bill, Tom aguardava encostado na parede no inicio do corredor com cara de poucos amigos.

-Ora, ora. As surpresas não param de acontecer.

-Becca, volte com a gente! Eu não me sinto a vontade naquela casa!

-Bill, eu não posso! - Becca disse o afastando.

-Por favor! - Becca pensava no que havia lido. Como uma pessoa poderia mudar tanto em tão pouco tempo?

-Eu vou ficar aqui na quitinete!

-Qui... Ti... Nete? - Bill fez uma cara de criança curiosa e depois sorriu.

-É. Esse apertamento em que estou.

-Posso ficar na quichinete com você?

-Quitinete! - Becca o corrigiu.

-Foi o que eu disse, Quichinete!

-Ai! Esquece! Não pode!

-Por favor!

-Não! - Ela era firme em suas palavras, não iria deixá-lo ali. Ele só iria atrasá-la.

-Posso pelo menos entrar? - Ele disse com uma cara de cachorro pidão que ela se enfureceu e deixou que ele entrasse.
Ele entrou no pequeno apertamento, enquanto olhava emocionado e ansioso para cada detalhe. Tudo parecendo que havia saído diretamente de um brechó ou de um filme antigo dos anos 60 e 70. Parecia uma criança em um parque de diversões.

-Cara, você mora naquela mansão e está impressionado com este... Muquifo?

-Sua quichinete é linda! Tudo tão bonitinho!

-É brega! Ninguém usa mais nada disso aqui hoje em dia. - Ela disse pondo as mãos na cabeça para ajeitar os cabelos vermelhos bagunçados. Nem Becca entendia alguém que preferia aquele apertamento ao invés da própria mansão.

-Naquela casa não tem nada disso!

-É porque é uma mansão chiquérrima com tudo de melhor que há em construção! - Becca nunca deixava as ironias, era sua marca registrada.

Bill andava pela sala, sentava-se no velho sofá, olhava da janela. Ela olhava para ele tentando entender a razão de tanta alegria em estar perto dela. Pensou no que Tom havia dito. Em dois dias eles viajariam para a Alemanha. Talvez eles nunca mais se vissem, e só de pensar em tal possibilidade, ela sentia a garganta arder. Ela se controlou o choro que estava vindo, não queria que ela a visse chorar nunca. Era o modelo de força para Bill, não iria decepcioná-lo daquela maneira.

-Você pode ficar... -Ela disse com a voz baixa como se estivesse presa na garganta.

-O quê? - Ele parou de admirar o vaso de hortênsias em cima da velha mesa de madeira.

-Você pode ficar aqui.

-Eu posso? - Os olhos dele cintilavam.

-Com uma condição.

-Qual? - Ele se endireitou no sofá para poder encará-la.

-Você vai com seu irmão para a Alemanha, visitar sua família.

-Eu? Com Ninho de Ratos?

-Ah não vai aceitar? Pode ir então! - Ela disse apontando para a porta.

-Não! Eu...

-E então?

-Não sei se posso confiar nele... - Ele disse desconfiando de Tom.

-Ele é seu irmão gêmeo. Faria tudo por você. E fez... Até por a mulher que mais odeia dentro da casa dele. Isso é amar demais. - Becca disse olhando para a direção de Tom que observava de longe. Havia se aproximado da porta, mas mantinha-se do lado de fora.

- Eu vou com ele, então. Eu nem sei onde é Alemanha, mas vou com ele. Mas, você tem que me deixar ficar aqui com você.

-Por dois dias! Depois você vai com seu irmão!

-Tudo bem!

Ela se aproximou do Ninho de Ratos. Ele permanecia em silencio e desconfiado.

- Oi pra você também, Ninho de Ratos!

-Hum! Isso tudo é culpa sua! Se não tivesse atropelado ele, nada disso estaria acontecendo...

-Tudo bem se ele ficar aqui por dois dias?

-Você já encheu a cabeça dele, quem irá tirar ele daqui agora? - Ele dizia olhando para outra direção, como se quisesse evitar o olhar dela.

-Eu... Eu só vou ficar dois dias com ele. Prometo que não vou fazer nada que ele não queira.

-Se você engravidar dele, eu tomo o filho de você!

-Deixe de ser idiota! Eu nunca faria isso na situação em que ele está! Aliás, eu nunca faria isso com ELE. Imbecil! Além do mais, ele, no estado em que está, é o ser mais ingênuo e doce que eu já conheci.

-Ele era assim. Há muito tempo... - Tom olhou para Bill

-O que aconteceu? – Becca olhou para Tom curiosa.

-Nada.

-Não seja grosso! Eu só perguntei!

-E eu só respondi. – Tom era seco nas palavras.

-Tudo bem.

Tom pensou por um instante. Depois olhou para Becca que o encarava desafiadoramente como sempre.

-Tudo bem se for para a Alemanha com a gente?

Becca se assustou com a pergunta que ficou sem resposta por um longo tempo até cair em si.

-O que disse?

-Eu te perguntei se tudo bem para você ir com a gente para a Alemanha! – Ele disse de forma impaciente. – Ele disse que vai. Mas, nós sabemos que ele não arreda o pé daqui sem você.

Becca encarou Ninho de Ratos, depois desviou o olhar para Bill. O que havia acontecido no passado? O que levou ao fim da banda. Ela estava curiosa, queria respostas. Queria ajudar.
-Tudo bem. Eu vou. Como parte de nosso acordo. – Ela acabou aceitando. No fundo tinha um motivo muito maior que a puxava para lá. E ela se recusava a aceitar a verdade.

-Ótimo! Vamos Bill, vamos pegar nossas coisas e fazer nossas malas. Daqui nós viajamos.

-Como assim daqui nas viajamos? – Becca ficou sem entender.

-Ora Becca, eu vou ficar dois dias com o Bill aqui. Para garantir de que não tente nada com meu irmão.

- Não cabe você aqui.

-Deve estar espaço para mim na sua cama... – Tom deu uma piscadinha.

-Ninho de Ratos! – Bill reclamou.

- Seu pervertido!

Tom já havia saído com Bill. Algumas horas mais tarde os dois estavam na pequena quitinete, para tristeza, ou alegria de Becca...






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Espero que gostem... Posto novo capitulo semana que vem... Beijos e bom feriado a todas vocês... lol!

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Velho, me emocionei com a carta da fã ;(
É exatamente isso que eu sentiria sabe. Ficaria triste mas com respeito à eles.
Por que será que a banda acabou? Agora fiquei intrigada. Espero que a Becca descubra alguma coisa porque também estou curiosa Razz
Mesmo sem memória os dois se entendem e sem conhecem nem. É o laço de gêmeos *-* -Q
Meu Deus imagina os três numa quitinete? KKKKKKKKK Ai só eles mesmo.
Olha pensamento fértil do Tom: ela engravidar do Bill nessas circunstâncias... :p
Já começou com a safadeza, tava demorando lkkkkkkk

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Adorei o rumo que a fic tomou *-*
O Bill perder a memória, pra Becca poder saber como ele era antes e por quê ele mudou!
Também me emocionei com a carta da fã e também sinto a mesma. Acho que o desenrolar dessa fic vai ser muito bom. E é impressão minha ou o Tom e a Becca estão se "entendendo" kkkkkkkkkk. Quero respostas !

Continuaaaaa

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Capitulo 9
Viagem no Tempo


“Dizem que o tempo é a resposta para tudo. Eu acho que no fim das contas o tempo apenas ameniza aquelas dores que devem ser esquecidas. Mas, elas estão lá. Dentro do coração de cada ser que já conheceu o sofrimento um dia. Como uma cicatriz na pele, que não importa o quanto queira, elas nunca desaparecerão... Até que um dia a morte nos leve...”



Cerca de quase duas semanas depois do acidente, Bill se mantinha da mesma forma: Sem se lembrar de nada. Nem de Tom, nem da vida que tinha, nem tampouco da banda que um dia tivera. Tom então decidiu viajar com o irmão para a Alemanha, onde “conheceria” a mãe, o padrasto, o amigo de infância Andreas e outras pessoas que eram próximas. Primeiro iriam direto para Hamburgo onde a mãe os aguardava, depois seguiriam viagem para Magdeburg onde passaram a maior parte da infância e da adolescência. Becca acabou se tornando uma peça importante na vida deles, mesmo que sem querer. Deixou de lado todos os planos que havia feito e iria seguir viagem para um país que só conhecia o nome. Hospedá-los por dois dias na “Quichinete” foi outra loucura, mas ela não pode resistir aos olhos brilhando de Bill e muito menos perderia a chance de ver o Ninho de Ratos furioso com a situação, depois dos dois dias na quitinete eles seguiriam direto para a Alemanha.

Os gêmeos chegaram à quitinete a tarde com uma serie de malas, enquanto Becca tinha apenas uma mochila pronta. Tom olhou com sarcasmo para a pequena mala da viajante e sorriu debochadamente.

-Isso é tudo o que vai levar? - Tom disse apontando para a mochila de Becca.

-E o que você tem a ver com isso? - Ela respondeu de forma “simpática”.

-Eu só perguntei. - Tom disse com cara de ofendido.

-E eu só respondi. - Ela respondeu erguendo uma das sobrancelhas.

Bill estava mais radiante em viajar. Mais especificamente em viajar com a Becca. Não sabia quem era Simone, nem Gordon e muito menos quem era Andreas. Mas, a sensação de seguir viagem dava um ar de liberdade. Talvez fosse por isso que gostava tanto de Becca. Ela era todo o significado de Liberdade.

-A Alemanha deve ser linda né Becca? - Ele perguntou com os olhos brilhando.

-Não sei. Nunca fui lá. Na verdade, eu nunca pretendia ir lá.

-A Alemanha é muito linda Bill. - Tom respondeu ignorando Becca.

-Então, o que estão fazendo aqui se lá é tão lindo? - Becca perguntou, enquanto Tom a fulminava com os olhos.

-Não é da sua conta. - Tom se esforçava para manter a calma. Não queria tocar naquele assunto em uma hora daquelas.

-Deve ser por sua namorada né? Ain! O amor é tão lindo. - Becca ironizou colocando o dedo na língua como sinal de ânsia de vômito.

-Se for ou não. Isso não te diz respeito. - Tom respondeu procurando um local no sofá que não tivesse coberto de livros ou roupas.

-Então, porque não vai levar ela? - Becca perguntou olhando para os lados como se a estivesse procurando.

-Por que você se intromete tanto em assuntos que não lhe diz respeito?

-Eu só estou te perguntando “Senhor Nervosinho”. - Ela ironizou de novo fazendo aspas com os dedos.

-Não. Ela não vai “Senhora Intrometida”. Tem outros compromissos. - Tom repetiu a cena tentando não se irritar com ela naquele momento.

-Eu entendo. Carreira de modelo deve ser muito cansativa. Tirar fotos, deitar, rolar, dar a patinha...

-Já chega! Como você consegue ser tão irritante? - Tom estava vermelho de tanta raiva que o fazia parecer com um grande pimentão malagueta.

-Da mesma forma que você consegue ser tão chato! - Becca respondeu. Não fazia o tipo que leva desaforos para casa.

-Eu estava sendo legal com você. Te acolhi em minha casa, fui simpático, gentil... E-

-Ora, não fez mais que sua obrigação, Ninho de Ratos!

Bill assistia a cena calado, sem nada poder fazer ou dizer. Ninho de Ratos estava sendo legal com ele. E ele gostava de Becca, sem mesmo saber o porquê. Era como se a tivesse conhecido em algum lugar e não sabia onde e nem como.

-Gente! Chega! Ninho de Ratos para de brigar com a Becca! Becca pare de brigar com o Ninho de Ratos. Vocês têm que se dar bem! - Bill tentou em vão apaziguar a situação.

-Eu me dar bem com esse daí? Só nos seus sonhos Bill! - Becca disse ironizando como sempre a situação.

-A recíproca é verdadeira! Eu te odeio da mesma forma que me odeia. Sua...

-Ei! - Bill ficou entre os dois, evitando uma possível catástrofe. - Eu queria muito que vocês não brigassem... - Tom desviou o olhar e abaixou a cabeça, Becca manteve a pose.

-Tudo bem Bill... Então vamos esquecê-lo. Tenho um lugar para te levar agora... - Becca disse lhe estendendo a mão.

-Você não vai a lugar nenhum com ele. Já não basta o que tem ocorrido nos últimos dias! - Tom interferiu nos planos de programa de fim de tarde de Becca e Bill.

-Desculpa ai Papai! - Becca disse em tom de deboche. - O Bill vai comigo sim!

-Será que dá para vocês pararem de falar de mim como se eu não estivesse aqui? Parecem duas crianças! Depois dizem que a criança sou eu! Eu hein!

-Eu só acho que não deveria ir com ela. - Tom disse meio sem graça após a bronca.

-Eu nem sei para onde vamos... Becca para onde vamos?

-É surpresa! - Becca disse dando uma piscadinha.

-Que legal! Eu vou sim! - Bill disse com os olhos brilhando.

-Não Bill! Espera! - Tom disse parando o irmão que já saia pela porta.

-Eu vou de todo jeito você sabe. - Bill disse adianto o assunto.

-Eu sei. Por isso eu vou com vocês!

-Qual é! - Becca disse indignada. - Você não vai! Até porque nós vamos de moto!

-E eu vou logo atrás de carro. - Tom disse pegando as chaves.

-Ai que ótimo!

-Ai que péssimo! - Becca disse saindo acompanhado de Bill.

Curiosamente naquele dia tão frio típico daquela estação, o sol brilhava como nunca. Becca foi de moto na frente com Bill, enquanto eram acompanhados por Tom em seu carro. Um novo esportivo recém lançado de uma marca muito famosa de carros alemães. Becca via o sol se deitar lentamente em direção ao horizonte. Era o fim da tarde se aproximando. O destino naquele dia: um dos cartões postais da cidade: O letreiro de Hollywood*.
Eles se aproximaram de uma área próxima ao letreiro. Localizado em terreno áspero e íngreme, é cercado por barreiras para impedir os acessos não autorizados. Em 2000, o Los Angeles Police Department instalou um sistema de segurança com detector de movimento e câmaras de circuito fechado. Qualquer movimento nas áreas marcadas do restrito é disparado um alarme que avisa a polícia. Mas, a vista mesmo assim ainda era muito bonita de onde eles estavam.
Eles desceram da moto. Logo em seguida Tom chegou de carro.

-Olha Bill! Isso é que é vista! Aqui tem um dos mais belos pores do sol que eu já vi na vida. E olha que eu ainda nem rodei o mundo!

-Pretende rodar o mundo Becca? - Bill perguntou extasiado.

-Claro! Imagine! Conhecer o Coliseu em Roma, o Taj Mahal na India, a Muralha da China...! Vai ser incrível! - Ela rodopiava como uma criança. Tom achava graça da forma como ela levava vida: sem se preocupar com nada, nem com ninguém. Simplesmente vivendo a vida. Como alguém poderia ser assim?

-Você nos trouxe aqui para falar de seus sonhos?

-Não Ninho de Ratos! Eu não te trouxe aqui, você veio porque quis. Eu trouxe o Bill. - Ela olhou para o relógio, depois olhou para o Horizonte. - Está na hora! O sol vai se por!

-Nos trouxe aqui para ver o por do sol? - Tom perguntou indignado.

-Vem Bill! Eu trouxe minha máquina nova. Vamos tirar fotos. - Tom a observava sem entender o que leva uma pessoa sair pelo país em cima de uma moto tirando fotos de pores do sol.
Ela fotografava cada detalhe enquanto o sol tingia o céu de vermelho e laranja. Tom não percebeu, mas os olhos dele brilhavam como estrelas enquanto se deparava com aquela cena tão maravilhosa, ficou se perguntando em como seria o por do sol de outros países. Só então ele entendeu porque ela queria rodar o mundo...

-Que vista linda... - Bill disse sem tirar os olhos do pôr do sol.

Os três estavam sentados na beirada de um rochedo um pouco acima das cercas do Letreiro que os presentearam com uma vista inesquecível.

-É linda mesmo Bill... Ah! Já ia me esquecendo! - Becca mexeu na mochila e tirou um caderninho de capa vermelha com uma foto de um crepúsculo. - É pra você! - Ela disse entregando o caderno a Bill.

-Pra mim? - Ele pegou o caderno como se tivesse acabado de receber a chave de um carro novo ou de uma nova mansão.

-É para você escrever tudo aquilo que se lembrar ao longo da viagem... - Becca disse sorrindo. No fundo ela queria que ele se lembrasse de tudo. Mas, acima de tudo queria que ele se lembrasse de quem ELE sempre foi. Do garotinho de Magdeburg que ela viu naquelas fotos e que transbordava alegria e ingenuidade.

-Becca... Eu não sei o que dizer...

-Que tal um obrigado? - Becca disse sorrindo. Tom assistia a cena de longe. Preferiu se sentar distante de Becca e suas loucuras.

-Olha que linda da capa! - Bill disse com um olhar tão radiante quanto os raios solares.

-Gosto de tirar fotos do pôr do sol. - Ela levou à câmera á frente do rosto e clicou.


-Porque gosta tanto de pôr do sol? - Bill disse retirando a caneta que estava presa à espiral do caderno.


-Por quê? Meu pai tinha um avião... Meio velhinho e antigo, mas dava pra voar de vez em quando. Daí ele me levava pra ver o pôr do sol, lá encima todo fim de semana.


-Que legal! Sempre quis voar!


-Desde quando? - Becca aproveitou, pra ver se ele estava se lembrando de alguma coisa.


-Desde... -Bill olhou para frente, surpreso. - Desde que morava em Magdeburg...


-Você está se lembrando, vamos escreva isso no caderno! - Becca sorriu e apertou a mão dele.


-É. Parece que sim! - Ele sorriu e olhou pra ela.


Ambos os olhos brilhavam de satisfação, mas Becca foi a primeira a voltar a si e voltar a encarar o sol.


-Acho que sei por que não me sinto bem longe de você.


-Por quê? - Ela disse confusa.


-Você é tão parecida comigo.


-Não sou não! - Becca franziu o cenho.


-É sim. Lembro muito pouco sobre mim, mas o que lembro é igualzinho a você! Portanto, você é minha única referência de mim mesmo.

Tom parou para pensar nas palavras de Bill. Depois olhou para Becca. Os olhos de Bill brilhavam tanto que por um momento Tom poderia dizer que ele gostava mesmo dela...


___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
*Localizado no Mount Lee em Hollywood, havia sido criado em 1921 como peça publicitária do Comércio Virado para o Sul. Ele se estende sobre uma cordilheira de quase 570 metros que separa Hollywood e boa parte de Los Angeles do Vale San Fernando ao norte. Ele foi construído por H. J. Whitley a fim de divulgar um novo loteamento residencial em Los Angeles, sendo chamado inicialmente de Hollywoodland. Em 1949 as Letras LAND foram removidas. Em 1939 o letreiro ficou abandonado e se deteriorou, não sendo destruído por um triz. Em 1978, várias pessoas quiseram ajudar, cada um doando 27777 dólares para a compra de uma letra, totalizando 250000 dólares . Com 9 m (30 pés) de altura e 15 m (50 pés) de largura, o letreiro é um dos maiores e mais conhecidos marcos do mundo. Passou por bons e maus momentos em suas várias décadas de vida. Em setembro de 1932 a atriz Peg Entwistle saltou do H do letreiro e morreu.

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Hm Tom e Becca : ódio acaba virando amor hein :p
Que bom que o Bill tá se lembrando, mas agindo dessa maneira tranquila :}
Quero ver como vai ser quando eles chegarem na Alemanha. ^^
Faz sentido o que o Bill disse pra Becca.
Quero saber logo o que eles estão escondendo e porque a banda se separou
continuaaaaaa muié

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Pâmee Oliveira escreveu:Hm Tom e Becca : ódio acaba virando amor hein :p
Que bom que o Bill tá se lembrando, mas agindo dessa maneira tranquila :}
Quero ver como vai ser quando eles chegarem na Alemanha. ^^
Faz sentido o que o Bill disse pra Becca.
Quero saber logo o que eles estão escondendo e porque a banda se separou
continuaaaaaa muié

Eu acho que a Becca faz o Bill se lembrar do que esqueceu, até mesmo antes do acidente.
Tom tem namorada, é? Daqui a pouco ele larga ela pela Becca Razz

Comtinuaa

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Capitulo 10
Deixe o passado onde está


“Por que é tão difícil nos desapegarmos de certas pessoas, de certos lugares, de certos momentos, de certos passados? Estamos acostumados a fingir que tudo está bem quando tudo está ruindo ou a fugir das coisas quando elas talvez não tenham mais conserto. E também estamos acostumados a sermos resistentes às mudanças. Talvez por acreditarmos que nunca vamos nos habituar... Mas, na vida só não há jeito para a morte... Por que então fugir, quando se pode lutar?”


Algumas horas de viagem cansativa para uma Becca que mal conseguia dormir. A última vez que havia entrado em um avião fora a cerca de cinco anos. Ela mal se lembrava da sensação que tinha quando tirava os pés do chão. Bill havia pegado no sono ao lado de Becca. Ele se assimilava a um anjo dormindo com aquela expressão de tranquilidade e inocência. Era difícil encontrar pessoas tão ingênuas de tal maneira. Por que o mundo era tão cruel afinal?

O avião pousou no aeroporto internacional de Hamburgo às nove da manhã. Havia sido uma viagem desgastante e Becca acordou, com o aviso estridente da aeromoça dizendo que haviam chegado. Olhou para o lado e viu Bill dormindo profundamente ao lado de Tom, que também dormia. Eles eram tão bonitos e tão unidos. Suspirou. No fundo, sentia um pouco de inveja dos dois. Ter uma família, um irmão em quem pudesse se apoiar e confiar. Algo que nunca teve. Becca chamou por Bill. Ele abriu os lindos olhos castanhos e sorriu pra ela.

-Já chegamos?

-Já. Você vai ver sua mãe... Não tá feliz?

-Estou, mas...

-Mas?

-Não estou muito confortável em ver os meus amigos. Tenho um sentimento ruim com relação à isso.

Becca se lembrou de quando o avião levantou voo. Bill pegara sua mão e apertara, porque era a primeira vez que voava e se sentia inseguro. Ela acabou se recordando de quando era uma criança e como ela apertou a mãe de seu pai com medo do primeiro voo.

Ao desembarcarem seguiram com destino à casa da Mama Kaulitz em um carro que já os aguardava no aeroporto. A vista que Becca via dentro do carro a impressionou de tal forma que a deixou de boca aberta. Hamburgo era simplesmente linda! Os prédios modernos misturados a um estilo medieval. Era a primeira vez que ela ia a Europa e tal como sempre imaginou, a era mesmo outro mundo. A enorme mansão de Mama Kaulitz era situada em uma área nobre da cidade próximo às margens do rio Elba. A cidade cercada de água e muito verde dava uma sensação de paz para quem havia se acostumado com a loucura das grandes cidades americanas.

O motorista parou em frente à mansão de Mama Kaulitz, o portão eletrônico se abriu lentamente. O belo condomínio em que moravam era de segurança extrema e só entravam pessoas autorizadas. Com direito à vistoria no carro em caso de pessoas desconhecidas. Tom desceu do carro e foi ao encontro de uma bela mulher morena com as maçãs do rosto rosadas e salientes e olhinhos tão doces como os de Bill, que Becca prontamente identificou como a mãe deles. Tom a abraçou enquanto Bill observava de longe sem se mover. Tom disse algo para a mãe, provavelmente em alemão, pois Becca não conseguia entender. A mãe deles levou as mãos ao rosto em expressão de surpresa com o que Tom havia lhe dito. Ela se aproximou de Bill com uma cara triste e lhe falou em um inglês de sotaque extremamente carregado.

-Filho... Que bom ver você! Eu senti tanta sua falta!

-Eu... Também... - Bill disse sem conhecer a mulher à sua frente.

-Eu sou sua mãe! Lembra-se de mim? Tom me disse que não se lembra de muitas coisas. Nem mesmo de seu idioma natal...

-Você é minha mãe... Eu... Sinto-me tão bem perto de você... Me sinto em casa.

-Está em casa filho... Com sua mãe e seu irmão. E nós amamos você.

Bill sentia-se acolhido por ela. Ele não a reconhecia, mas pelos sentimentos que tinha por ela, sabia que era alguém a quem amava muito e poderia confiar sempre.

-Ora e quem ser essa moça? - Ela disse se referindo à Becca.

-Esta moça é uma amiga nossa mãe! - Tom interveio, sem dizer que se tratava da mulher que o havia atropelado. Explicar para a mãe que Bill tem certo apego pela mulher que o atropelou iria dar um pouco de trabalho.

-Que linda! E como se chamar essa linda moça?

-Becca! - Bill respondeu. - Ela é linda mesmo né? - Becca ficou levemente corada com o elogio de Bill, mas disfarçou para que ninguém percebesse.

-Olá Becca! Seja bem vinda a nosso Lar! - A mãe dos gêmeos abraçou Becca, o que a deixou surpresa e desconfortável. Há muito tempo, talvez nunca, havia sido tão bem acolhido por uma mãe daquela forma. - Eu me chamo Simone

-Muito prazer... - Becca estava tímida e sem muita reação.

-Vamos entrar! Gordon estar na cozinha hoje! Estou com medo dele por fogo na casa!

Simone era uma mulher moderna e bem resolvida. Ela havia criado os filhos praticamente sozinha quando separou-se do então marido Jörg. Algum tempo depois iniciou um relacionamento com Gordon com quem veio a se casar formalmente doze anos depois. Gordon era o amigo, irmão mais velho dos dois. O pai que haviam conhecido. Jörg fora um pai ausente e pouco se falava dele, principalmente pelas brigas e processos judiciais em que estavam envolvidos. A decoração da mansão de Mama Kaulitz era de encher os olhos de qualquer admirador de arte. Simone era artista plástica e tudo em sua casa era de extremo bom gosto.

Gordon surgiu da cozinha ao vê-los. Um roqueiro nato. Cabelo grande, bandana, barbicha no queixo, camiseta de alguma banda muito antiga que Becca nunca havia visto. Ele surgiu vestindo um avental de pimentinhas vermelhas e luvas. O cheiro que vinha da cozinha era até bom o que fez Becca pensar se o gosto era do mesmo jeito.

-Herzlich Willkommen! - Ele disse ao vê-los. Tom se aproximou e disse o que para Becca pareceu ser “Bill não entende o próprio idioma”. Gordon corrigiu-se na mesma hora. - Bem vindos!

-Tudo bem Gordon? - Tom respondeu. -Bill, este é nosso padrasto, Gordon.

-Como vai? - Bill lhe estendeu a mão como se ele fosse um estranho qualquer.

-Que saudades de você! - Gordon o surpreendeu com um abraço caloroso.

-Tudo bem... Agora me solte... Não consigo respirar... – Bill disse meio sufocado com o caloroso abraço.

-Me Desculpe Bill! Como se sente?

-Bem...

-E esta moça quem ser? - Ele disse apontando para Becca.

-É nossa amiga, Becca. - Becca olhou para Tom com uma cara de “desde quando somos amigos?”.

-Olha! Pensei ser sua namorada Bill! - Becca ficou vermelha com a afirmação. Aquela família era mesmo louca, era só o que ela pensava. - E Ria? Por que não a trouxe Tom?

-Ela tinha trabalhos a fazer e não pode vir.

-Eu sentir muito! Vamos comer! O almoço esta servido!

-Espero que esteja tão gostoso quanto o cheiro! - Simone disse abraçando Bill.

O almoço em família fez Bill se sentir realmente em casa. Simone se esforçava para agradar o filho sem cansá-lo ou pressioná-lo a nada. Becca mantinha-se tímida, porém no fundo ela se sentia muito bem em poder fazer parte de uma família de novo. Os risos, o carinho, os abraços... Tudo lhe fazia lembrar quando seu pai estava com ela...

Após o almoço Bill e Becca foram levados a seus respectivos quartos. Desta vez o quadro havia se invertido e era ela que não queria ficar longe deleS. Afinal estava num país estranho que não conhecia nada. Apesar das constantes brigas, Tom se esforçava para ser cordial com Becca.

-Este é seu quarto. Espero que te acolha bem. Se precisar de alguma coisa, pode pedir a minha mãe. Ou para mim. – Ele disse mostrando o quarto a Becca.

-Está ótimo. Já dormi em locais piores.

-Amanhã cedo vamos dar uma volta pela cidade. Se quiser vir conosco será bem vinda.

-Eu agradeço muito sua hospitalidade. Eu acho que vou gostar muito daqui. É uma cidade simplesmente linda e... Enorme.

-É cidade-estado. Tem muitos pontos turísticos e ótimos lugares para lazer. Vai poder tirar muitas fotos para sua coleção...

-Com certeza! – Ela disse se apoiando na porta.

-A propósito, o que vai fazer com todas essas fotos? – Ele disse curioso.

-É segredo Ninho de Ratos... – Ela sorriu. Ele virou as costas, tentando disfarçar. Mas, ele deu um sorriso discreto no canto da boca assim que ela fechou a porta.


***

Becca levantou-se cedo como de costume. Todos ainda dormiam. Ela abriu a janela de seu quarto com vista para a cidade. A cidade com edifícios que misturava o passado com o presente, repleto de verde e água. Sem sombra de duvidas um das mais bonitas da Europa.

Conforme prometido, Tom levou os dois “turistas” para um passeio pela cidade. Eles saíram de carro em busca dos pontos turísticos de Hamburgo. Apreciaram a beleza da Igrejas de Hauptkirchen, cinco igrejas luteranas uma seguida da outra que possuem grande beleza. St. Michaelis, popularmente chamado de Michel, é a igreja mais famosa da cidade. É um marco da cidade dedicada ao arcanjo Miguel, possui uma grande estátua de bronze, de pé acima do portal da igreja. Possui uma torre de 132 metros totalmente coberta de bronze é uma característica proeminente do horizonte de Hamburgo e sempre foi uma marca de desembarque para navios que navegam pelo rio Elba. Michel é a maior igreja em Hamburgo. A torre, que oferece uma excelente vista sobre a cidade e o porto, pode ser escalada, mas há também um elevador.

Becca pegou sua câmera e começou a tirar fotos de todos cantos da igreja, todas as imagens e pinturas que via. Era magnífico.

-Já pensou em se casar? - Bill perguntou à Becca que se assustou com o eco da voz dele.

-Não. Não posso me prender... Sou livre demais pra isso. - Sua resposta saiu mais grossa do que pretendia, mas agora já tinha dito.

-Eu vivo pensando em fazer isso... Lembrei de outra coisa.

-Do quê?

Ele abaixou a cabela e riu, meio envergonhado.

-Do que eu acreditava.

-E no que você acreditava?

-Acreditava que um dia pudesse encontrar alguém que me completasse e me amasse pra sempre... Mas comecei a achar que era uma besteira e agora, também acho.

-Eu não. - Becca deu de ombros e saiu, distraidamente pela catedral, deixando Bill sozinho com o eco da sua resposta tranquila.

Tom como sempre observava tudo de longe. Acabou entrando no assunto meio que sem querer.

-Então você não acha que casamento é besteira. – Becca se virou para encarar Tom e sua pergunta de efeito. Ela sorriu.

-Não acho. Besteira é o que as pessoas fazem com o casamento... - Tom retribui o sorriso para Becca.

Eles seguiram seu passeio turístico: Os canais de Hamburgo, o Monumento a Otto Von Bismarck, a Filarmônica do Elba, o Jardim Botânico de Hamburgo, o Museu Kunsthalle, o Parque Ohlsdorf... Becca era verdadeira turista, tirando fotos de cada detalhe de Hamburgo, ela sentia o vento bater em seu rosto e sentia a liberdade fluir por todo o seu corpo. Tom às vezes se perdia observando a louca turista americana, o que deixava seus sentimentos confusos com relação à ela. Eles estavam no Porto de Hamburgo, Becca tirava fotos dos navios que desembarcavam, enquanto Bill fazia anotações em seu caderninho de recordações que estavam tendo. Becca estava sentada a beira do cais em frente ao mar.

-Está se recordando de alguma coisa Bill? – Becca perguntou sorrindo.

-Algumas coisas que eu gostava. Eu me lembro de que passeava aqui com meus cachorros. E eu trouxe alguém aqui certa vez.

-Quem? – Becca tentou fazer com que se lembrasse.

-Eu não me lembro...

Becca observou Tom de longe que fazia uma ligação ao celular. Ela logo deduziu que se tratava da namorada. Mas, disfarçou para que ele não percebesse que ela o observava. Assim que terminou a ligação ele se aproximou dos dois que o aguardavam.

-Vamos para casa. Mamãe deve ter providenciado nosso almoço e hoje quero saborear a comida dela. Nada de restaurantes!

-Ok!

Eles retornaram na hora exata do almoço. Becca estava se sentindo tão bem em meio aquela família que a única coisa em que pensava era em como iria ser depois que desse adeus a tudo aquilo e voltasse a sua vida solitária de sempre.

Depois do almoço Simone os levou para a sala de estar onde mostrou a eles centenas de fotos e recordações. Ela mostrou fotos da infância dos gêmeos afim de que isso ajudasse Bill a recuperar-se da amnésia temporária.

-Bill, estes são você e sua irmão quando estavam começando a andar... - Ela mostrou ao Bill na esperança de que se recordasse do passado.

-Olha que gracinha! De macacãozinho azul e chapeuzinho!!! - Becca estava encantada com as fotos.

-E quem sou eu aqui? - Bill perguntou tentando se identificar.

-E você ainda dizia que não somos parecidos né? - Tom debochou.

-Você é o que tem a olhar mais doce e amoroso... - Simone disse sorrindo.

-Que legal! Tem mais fotos? - Bill disse empolgado

-Um monte! - Ela tirou dezenas de álbuns de uma caixa branca que guardava consigo. - Esta foi...

-A primeira vez que fomos à praia! - Bill disse se recordando.

-Bill! Esta se lembrando! - Becca disse empolgada. - Vamos escreva isso! - Ela lhe estendeu o caderninho. Ele escreveu o que se lembrava.

-Eu me lembro que Tom levou um caldo quando entrou no mar. Mamãe não queria que entrássemos, mas Tom sempre foi teimoso. Eu tive medo... Só entrei quando você segurou minha mão mãe...

-Oh Meu filho! – Simone deu um caloroso abraço no filho.

Becca engoliu seco e depois se afastou. Tudo que se relacionava a amor materno a deixava triste e magoada. O convívio com a mãe dela nunca foi dos melhores. Tom percebeu e a acompanhou logo em seguida.

-O que houve? - Ele questionou curioso.

-Nada. - Ela continuou a andar pela sala, observando as fotos sobre as prateleiras. - Quem são? -Ela disse apontando para dois rapazes, um de cabelos compridos e olhos verdes e o outro gordinho de óculos.

-Velhos amigos... - Tom disse com certo ressentimento.

-O que houve com eles?

-Eles eram integrantes da... Banda... - Ele abaixou a cabeça como se aquilo o machucasse muito. -... O baixista e o baterista. Georg e Gustav. -Ele apontou para o cabeludo e o gordinho respectivamente.

-E onde estão?

-Quem sabe!

-Não eram amigos?

-Éramos... - Tom encarando a fotografia dos ex-integrantes.

-Por que a banda acabou Ninho de Ratos? - Becca tentou entrar no assunto.

-Esqueça. Não é importante.

-É importante sim! Tudo que estiver relacionado ao passado do Bill é importante!

-Isso só vai machucá-lo mais.

-Tom... - Ele se assustou ao ouvir o próprio nome dito por Becca.

Ele andou até a varanda da casa, o tempo começava a esfriar com a chegada do outono. Parecia buscar a melhor resposta para aquela pergunta: “Por que a banda acabou?”. Olhou para Bill se divertindo com a mãe no cômodo ao lado. Respirou fundo e se virou para Becca.

-Nós éramos muito amigos. Tokio Hotel era nossa vida. Nós éramos uma família. Eu, Bill, Georg e Gustav. Desde a adolescência compondo, tocando, cantando. A gente sabia que um dia nós iríamos crescer e ter nossas vidas. Mas, nunca pensei que tudo fosse acabar assim. Eu acreditei que iríamos até o fim entende? O fim das nossas vidas! Como Iron Maiden ou Rolling Stones. Tokio Hotel era nosso sonho. Mas... Ai veio... Aquele furacão em nossas vidas, aquela bomba. Nós fomos para Los Angeles porque acreditávamos que ia ser melhor. Para nosso disco, para nossa carreira. Sermos mais vistos, entrar no mercado americano de vez. Porque o pop domina o mundo, e uma banda de rock sofre muito com isso. Não existe meio termo no rock! Ou você é Heavy Metal, ou você é emo, ou você é Indie, ou você é pop... E nós tínhamos um estilo único sabe Becca? Tínhamos o estilo Tokio Hotel! Sabe o que é isso? Ganhamos no VMA em 2008 da Millie Cyrus, da Katy Perry! Ganhamos dezenas de prêmios, vendemos milhões de cópias de CD’s e DVD’s! Daí um dia... Tudo foi por água a baixo. - Tom estava segurando algo na garganta. Talvez, se Becca não estivesse com ele naquele momento, ele teria chorado como uma criança.

-Se te machuca tanto não fale...

-Tudo bem... Eu vou continuar. Você quer saber né? Eu pensei que eles não iam se importar com nossa ida para Los Angeles.

-Eles...?

-Todo mundo! A mídia, os fãs, nossos amigos! Eu achei que estava tudo bem! Eu não sou do tipo que fala de vida pessoal! Queriam me apedrejar por causa da Ria! Mas, nós íamos voltar! Era o retorno triunfal! CD novo, visual novo, casa nova! Até a namorada dele a trair!

-O quê? - Becca se assustou com a frase, pensou ter ouvido errado. - Como você disse?

-O nome dela é Amélia. Ele a conhecia desde a adolescência. Era apaixonado por ela. Eles só engataram romance no fim de 2009. Sempre fomos muito discretos. Ele queria se casar com ela, levar ela para Los Angeles com a gente. Quando ele voltou para contar às idéias que tinha para ele. Ela terminou com ele, dizendo que havia se apaixonado por outro. Mas, depois ela confessou que havia traído ele com alguém muito próximo a nós...

-E onde ela está agora?

-Eu não sei... Talvez tenha voltado para Magdeburg. Era onde morávamos antes da banda.

-E... - Becca pensou por um instante antes de perguntar. - Ele ainda a ama?

-Isso é importante para você?

-Eu... D-digo... N-não! É só curiosidade. - Becca hesitou em responder.

-Até mais do que deveria. Por isso ele se tornou o que se tornou...

-Eles nunca mais se falaram?

-Não. Foi melhor... – Tom parecia cada vez mais engasgado. Becca não imaginava que o fim da banda se tratava de uma traição daquelas e muito menos o valor que aquela mesma banda tinha para eles

-Eu sinto muito. - Becca pousou pegou a mão dele e soltou logo depois.


-Nunca disse isso pra ninguém. - Tom a olhou e ela pode ver os olhos dele marejados. Isso era triste.


-Eu não sei o que te dizer... Não sabia que se tratava de algo tão delicado deste jeito...


-Becca, se eu pudesse voltar no tempo... Eu teria feito de tudo para evitar o fim!


-Infelizmente Tom... A vida é muito injusta e não nos dá a chance de revertermos certos erros que são inevitáveis... Um dia eu quis voltar no tempo, corrigir os velhos erros, mas eu só colecionei mágoas, feridas profundas que nunca se cicatrizaram, o jeito é começar do zero de agora para frente... –Tom se assustou ao vê-la de repente tão frágil e tão emotiva falando de seus sentimentos de forma tão arrependida. Ela disfarçou e prosseguiu, não queria que ele a visse chorar. – Por que você não o leva para Mag... Mag...


-Magdeburg? – Ele a corrigiu.


-Sim. Para que ele reveja a antiga escola, os antigos amigos.


-Ninguém naquela cidade gostava da gente, mas... Acho que vai se bom para ele relembrar o passado. Vamos voltar para a sala... – Ele se virou para Becca e tocou sua mão de leve. –Obrigado...

Ela corou de leve e apenas sorriu. O passado precisava ser relembrado, porque para Becca não era uma simples traição que fez do Bill o homem que havia se tornado e que levou ao fim uma banda que era simplesmente uma família...


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*A Cidade Livre e Hanseática de Hamburgo é uma cidade-estado localizada no norte da Alemanha, nas margens do Rio Elba. Hamburgo fica no ponto onde o rio Elba encontra os rios Alster e Bille. A área central da cidade situa-se em volta do ‘’Binnenalster’’ ("Alster interior") e o ‘’Außenalster’’ ("Alster exterior") sendo ambos lagos formados pelo rio Alster. A ilha de Neuwerk e duas outras ilhas no Mar do Norte também fazem parte de Hamburgo, e formam o Parque Nacional Marítimo Hamburgo Wadden.Durante a Segunda Guerra Mundial Hamburgo sofreu uma série de bombardeios devastadores, que mataram 42 000 civis. Por causa disto, e devido às novas diretrizes dozoneamento urbano da década de 1960, o centro da cidade perdeu muito de sua antiga arquitetura. De 1938 a 1945 um campo de concentração nazista foi estabelecido no distrito de Neuengamme. Alguns de seus prédios foram preservados, e o local hoje serve de memorial.

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Sam McHoffen

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Shocked Quantos capitulos eu perdi?! Quantas coisas aconteceram!

Amélia sua vadia! Como pôde fazer isso?!
E Biiill por que se abater assim?! Você deveria ter levantado a cabeça e seguido em frente, passado por cima dessa mulher, mesmo que tu ainda ame ela, deveria pelo menos deixar ela pensando que você é mais forte do ela pensa! Não gostei de saber que o Bill virou essa Paris Hilton de calça por causa do que essa Amélia fez! Bill foi um bocó fazendo isso! Evil or Very Mad

affraid Gustav ou Georg trairam o Bill assiiiiim?! Ah paaara, tem algo mal contato ai, não poooode! Amigo que é amigo mesmo não faz isso com o outro, ainda mais sabendo que o Bill amava essa mulher. Sinceramente?! Não acredito que nenhum dos meninos faria algo desse tipo, ainda mais com o Bill que se mostra o mais romantico deles, e que se tiver com alguém é pra valer mesmo!
Pra mim tem algo errado nessa história, acho que essa Amélia armou pra cima dos meninos! Não quero acreditar que um dos G's traiu o Bill dessa maneira, me recuso a aceitar!

Pelo visto a Becca e o Tom já estão bem amaveis um com o outro, isso é bom! O Tom já esta confiando nela... Mas acho que a Becca esconde alguns segredinhos ai!

Continue Jocielle!'

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Capitulo 11
Amélia



“E se pudéssemos escolher cada peça de nosso passado? O primeiro amor, o primeiro beijo, os primeiros erros. Será que cometeríamos menos enganos? Será que sofreríamos menos? De certa forma sempre erramos e sempre vamos errar. A diferença é que às vezes nos fazemos de vitimas e nos lamentamos eternamente por aquilo mesmo que plantamos. Essa é a vida afinal, marcada de erros e acertos e de consequências no final...”.



Ela se levantou cedo como de costume. Embora odiasse aquela rotina chata, era o trabalho que pagava todas as suas contas no fim do mês. Os cabelos um dia vermelhos, agora estavam castanhos escuros bem ao tom natural, compridos que se estendiam ao meio das costas, lisos. Formada há cinco anos em publicidade, ela mantinha firme junto com mais dois amigos de faculdade a empresa de marketing empresarial. Morava em um apartamento no centro da cidade de Hamburgo há quase dois anos. Sempre quis sair dali, mas depois acabou desistindo. O elevador estava quebrado, desceu pelas escadas. Teve de pegar o metro porque o velho carro estava de novo na oficina. “Será que vai ficar pior?”. Ela chegou ao escritório que ainda estava vazio, seus amigos sempre chegavam tarde. Adiantou alguns trabalhos que iria fazer naquele dia antes. Os amigos Damian e Jans eram antigos colegas de faculdade e dividiam com ela o escritório de marketing.

-Bom dia! – Um rapaz alto e loiro e extremante elegante disse ao entrar no escritório.

-Bom dia Damian! – Ela respondeu.

-Antes que você fale alguma coisa Jans já está chegando.

-Eu nem ia dizer nada. Só cheguei mais cedo para antecipar alguns projetos.

-E o que vamos fazer hoje à noite? – Damian perguntou tirando alguns papeis da pasta.

-Eu vou para casa dormir. Tenho andado muito cansada!

-Acorda! Você não sai de casa há meses! Só pensa em trabalho!

-Alguém tem que trabalhar né Damian?

-Você não vive! Você não bebe, não fuma, não sai de casa, nenhum relacionamento seu dura mais que duas semanas. Que vida frustrante é essa? – Damian disse ironicamente.

-Tudo bem eu vou procurar um tratamento e fazer uma terapia com um psicólogo ou um analista, antes que eu me enforque com um ramo de salsa!

-Dá pra parar? – Ele disse sentando-se em frente a ela.

-Eu estou sendo mala de novo? – Ela perguntou fazendo careta.

-Muito!

-Eu sei... Mas, é que eu não vejo graça nenhuma em sair de casa ultimamente.

-Nós moramos em Hamburgo! Tem muita coisa a se fazer aqui!

-Me desculpe Dam, mas com a canseira que tenho andado, prefiro ir para casa dormir...

-Chata! – Damian tirou da pasta uma revista de celebridades e começou a folhear ela ergueu os olhos para a capa e de repente sua expressão mudou por completo. A manchete escrita em letras grande dizia: “BILL KAULITZ RETORNA A HAMBURGO DEPOIS DE QUASE DEZ ANOS. SERÁ QUE DESSA VEZ É DEFINITIVO?”. Ela se levantou quase que imediatamente e pegou um copo de água. Damian se assustou e foi atrás dela.

-Amélia? O que aconteceu? Está passando mal?

-Eu acho que vi um fantasma só isso...

-Deixe de brincadeiras! Eu vou te levar ao hospital.

-Está tudo bem... Eu só pra casa. Vou descansar um pouco. Eu retorno depois do almoço. Você me leva? Meu carro esta na oficina.

-Lógico! Vamos!

As recordações do passado vieram como erupção em sua mente. Tudo o que havia dito, vivido, os erros que havia cometido. A garganta dela ardia e as lágrimas quase inevitáveis vieram a tona. Damian se recusou a perguntar qualquer coisa. Porque sabia que o quer que fosse a machucava muito e ele não queria vê-la sofrer como da outra vez...


***


Becca acordou no meio da noite com sede. A jarra de água que estava ao lado da cama estava vazia. Ela levantou-se devagar com medo de fazer barulho demais para não acordar todo mundo. A cozinha estava com as luzes apagadas. Ela acendeu a lâmpada que ficava sobre a geladeira e o fogão. Sempre tomando cuidado para não fazer muito barulho.

-Sem sono? - Tom surgiu na porta assustando Becca.

-Ai que susto! – Ela disse antes de tomar mais um gole de água. – Eu estou com sede.

-Eu estou sem sono. Coisa rara de se acontecer.

-Deve ser preocupação com Bill.

-Deve. Ele é muito importante para mim... – Tom disse abrindo a geladeira e pegando água para tomar também.

-Acho lindo isso... – Ela disse sentando em uma das cadeiras próximas ao balcão no centro da cozinha.

-O que? O jeito que eu tomo água? – Ele disse sorrindo.

-Lógico que não! Eu estava falando do carinho que tem por seu irmão!

-Nós somos gêmeos! Tudo que o afeta, afeta a mim também... Você tem irmãos?

-Não...

-Nem família?

-Tenho uma mãe... Meu pai morreu há uns dois anos.

-Eu sinto muito... – Tom disse meio constrangido.

-Está tudo bem... Eu superei. Eu acho.

-E sua mãe?

-Eu acho que ela está na Flórida, ou no Colorado... Quem sabe? Ela nunca liga. A última vez que soube ela estava em um teatro à beira da falência no Texas, tentado reerguer sua carreira novamente.

-Carreira? – Tom disse curioso.

-Sim. Ela foi uma atriz famosa. Hoje não passa de uma estrela decadente e bêbada.

-Eu sinto muito.

-Eu não. - Tom ficou assustado com a resposta fria de Becca. Sentia que algo em relação à sua mãe lhe fazia sofrer, mas não quis continuar o assunto. Era madrugada e tudo o que não queria era fazê-la ficar triste naquela hora. Aliás, não queria vê-la triste nunca. Gostava do sorriso dela. -Seu jeito de olhar me incomoda. - Ele a ouviu dizer e despertou.
-Ham... Desculpe. - Ele sorriu, sem graça, e voltou a atenção para o copo. - Por quê?-Resolveu perguntar.

-Ah, sei lá... Parece que eu sou um daqueles códigos Morse e você é um espião tentando me entender! - Ela revirou os olhos e sorriu

-Entender? Se você é um código Morse, eu teria que decifrar, não?

-Tanto faz. - Ela riu e bebeu o resto da água. - Olha assim pra todas as amigas do seu irmão?

-Sabe como é, né? É o meu charme... - Ele deu uma piscadela e voltou a olhar para o copo.

-Que merda!Você acabou de me cantar... É isso? - Ela riu, franzindo o cenho ao mesmo tempo.

-Entenda como quiser.

-Imbecil. - Becca riu e foi lavar o copo.

-Ah, qual é? Não quer ser decifrada? - Tom a seguiu.

-Esse é o MEU charme! -Becca se virou pra ele e espirrou água no seu rosto.

-Não... Eu não ouvi isso... – Ele disse sorrindo. - Tem um ser humano por baixo dessa armadura toda? Um ser humano charmoso? - Ele gargalhou, meio alto.

-Bobão! Vai acordar a casa toda!

-Convencida! – Ele a encarou e se aproximou um pouco mais dela. Ficaram se encarando, até os risos se converterem em dois finos sorrisos tímidos. – Seus olhos têm uns pontinhos... Esquisitos. – O coração de Becca, de repente, parecia uma bomba relógio que contava apenas os milésimos de segundos.

Movida por algo não identificado, Becca inclinou sua cabeça para um lado e fechou os olhos, o que deu passagem a Tom para que ele desse o próximo passo. Os lábios dele tocaram os dela de leve e as mãos dele escorregaram pelas suas costas, parando na cintura. Os lábios de Tom tinham gosto de creme dental e cigarro. Uma combinação nada agradável, ao contrário do beijo dele, que era maravilhoso. Mas ela não devia estar fazendo isso! E quanto ao Bill? E quanto à namorada de Tom? E quanto às suas próprias regras sobre não envolver com mauricinhos?

Ela virou o rosto e limpou os lábios, sem graça.

-É melhor a gente ir dormir... Tom...

-Mas... Já...? – Ele disse sorrindo e literalmente cortando o clima.

-Não! - Ela rolou os olhos e o empurrou. - Eu durmo na minha cama e você na sua! - Bufou e foi andando para a porta da cozinha.

-Ei! Becca espera! Volta aqui. Não foi isso que eu quis dizer! Qual é a sua? - Ele parecia meio revoltado na última pergunta.

-Sei lá... Pergunta pra sua namorada ''qual é a dela''?

Becca subiu as escadas e voltou para seu quarto. Cobriu a cabeça com o edredom e suspirou, lembrando-se do peito de Tom contra o seu. Fazia muito tempo que não tinha nada com ninguém. Ela gostava de ser livre, e pra continuar sendo ela criou regras para si mesma, regras que não deviam ser violadas. Não com um cara como o Tom. Talvez com Bill, mas não com Tom. O irmão mais velho, o Ninho de Ratos, era o tipo de cara que ela deveria manter bem longe.


***


Becca acordou com um ódio mortal de si mesma, acompanhado de uma grande culpa por violar uma de suas regras e por sentir um inexplicável arrependimento por ter dormido sozinha. Talvez ela devesse ficar com Tom. Só um pouco de sexo e ela continuaria sendo livre. Mas ela sabia que não funcionava assim. O passado lhe alertava o tempo todo que ela não sabia ser assim. Se ela começasse a se envolver com alguém, não sairia em bom estado. Só tinha medo de que jamais acontecesse com ela. Ela desceu as escadas como se nada tivesse acontecido.



-Bom dia... - Tom disse, meio sem graça.

-Bom dia. - Becca não o olhou.

-Ham... Eu... Acho que te devo...

-Não... Não deve nada. Foi só... Sono.

-É... Foi sono. - Ele concordou, aliviado.

-Ninguém se levantou ainda, que milagre acordar tão cedo.

-Eu queria falar com você antes de todos se levantarem.

-Comigo?? – Ela abaixou a cabeça, ao sentir seu rosto queimar. Não queria que ele a visse envergonhada, porque esse não era o tipo de imagem que gostava de passar.

-Calma! É só sobre a conversa que tive com você ontem a respeito da banda... Eu tomei uma decisão e quero compartilhar com você.

-O que é? – Ela perguntou curiosa.

-Acho que vou procurar meus velhos amigos...

-Você fala Gregory e Gunther?

-Georg e Gustav? Sim. – Ele sorriu parecendo se recordar de alguma coisa.

-Eu acho ótima ideia. Conversar com eles. Trazer eles para “conhecerem” o Bill. Quem sabe ele não se recorda do passado. Eu vi uns vídeos no Youtube também, porque não mostra alguns para ele?

-Aquele era um canal que a gente tinha... Nem sabia que ainda existiam vídeos na internet...

-Tem! Cartas de fãs, vídeos feitos por elas com trechos do show, vídeos do canal que tinham! Entrevistas! – Ela estava visivelmente empolgada com a situação o que o deixava encantado.

-Você pesquisou isso tudo?

-Eu... Eu me senti muito culpada desde o acidente. Acho que é o mínimo que eu posso fazer por ele.

Ele tocou os ombros dela de leve.

-Não foi culpa sua... Como você disse, foi um acidente. – Ela se sentiu muito pior ainda com a voz consolável de Tom e seu gesto de perdão. O irmão mais velho de Bill, que até então a detestava, estava sendo gentil e a perdoando. Então por que ela não conseguia se perdoar?

-Obrigada... - Murmurou meio atônita.

-Não tem que me agradecer. - Ele sorriu.

Agora sim sua vontade era de beijar ele até o fim do mundo e isso era tão medíocre. Ela não acreditava que pudesse estar passando por isso, tendo esse tipo de pensamento. Não. Ela tinha que se livrar disso o quanto antes.

-Vamos? - Ele abriu a porta da sala.

-Para onde? - Ela sentiu seu rosto ferver de novo, mas dessa vez agradeceu por ele estar de costas e não vê-la.

-Vamos atrás de Gregory e Gunther!

Eles saíram para o frio de Hamburgo, rumo à promessa de reconciliação.
Dizem que a vida é uma caixa de surpresa que nos engana frequentemente. Às vezes erramos tentando acertar. Às vezes acertamos, mesmo quando achamos que daria errado. Um coração de fogo pode virar gelo, e dois corações de gelo podem virar fogo... Tudo depende da temperatura à que são submetidos, do grau de amor à que são expostos.



Última edição por J.Hachiko em Sab Dez 15, 2012 4:11 am, editado 1 vez(es)

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Sam McHoffen

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No inicio é a Amélia?! Shocked
Avá que ela vai dar uma de arrependida?! Não sei muita coisa dela, mas sei lah, tem algo nas história que não me desce! Suspect

Aêê até que enfim Becca e Tom se entenderam em?! Ainda bem!
A Becca fez certo de ter se afastado do Tom, mas quero que os dois fiquem juntos.

Tom vai falar com os G's é?! Me gusta isso! Laughing

Continue!

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Oh desculpa tá chegando só agora viu :/ É que eu sou preguiçosa kkkk
Enfim: Becca se apaixonando pelo Tom? Até parou de chamar ele de Ninho de Ratos :p
Pobre da família do Bill, ainda bem que eles foram bem compreensivos :}
O que será que ele vai sentir quando rever o Gustav e o Georg?
Peraeeee a separação da banda tem a ver com a traição da namorada do Bill a Amelia? WAAAAAS? Ok.
Poste o próximo quero ver o Gregory e Gunther em ação Very Happy

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Olha eu de volta!!!! Espero que o Natal e o Ano Novo de vocês tenham sido maravilhosos!
Eu confesso que pensei em abandonar esta fic um milhão de vezes. Não sei se vocês entenderiam... Eu queria criar algo muito melhor do que tudo o que fiz! Chamei uma das melhores escritoras de fics que eu conheço para fazer a minha betagem, mas... Mesmo assim, eu não conseguia entrar na historia. Faltava sentimento em minhas narrativas, faltava um pouco mais de alma e menos desespero dos livros policiais. Daí eu pensava: "Poxa! Qual o problema? Por que mesmo eu corrigindo e tentando melhorar ficava tão vago?" Eu só percebi depois que o que faltava era dedicação, amor, sentimento... Eu queria escrever tão bem quanto as escritoras famosas de quem sou fã e das escritoras deste forum que são espetaculares... Mas, eu descobri: Cada um desenvolveu seu estilo. Isso é o legal da originalidade! Eu não preciso escrever como elas, preciso me inspirar nelas, admirá-las!

Então eu pensei nas leitoras que lêem esta fic, na banda que amo tanto. Uma historia que surgiu do nada e de repente acabou virando a fic principal. Eu tenho duas outras fics engavetadas que eu nunca postei porque: "Ninguém vai ler mesmo!". E eu ainda vou postá-las! Tudo é prática no fim das contas! Eu vou me dedicar a esta fic com amor e tentar fazer o melhor que posso. Se as narrativas ficarem corridas como E L James e Sidney Sheldon e minhas personagens tão aguadas quanto a Kristen Stewart, eu tento melhorar no proximo capitulo e no proximo e no proximo! Tudo para levar a cada uma das meninas que tiram um pouco do seu tempo para lerem esta fic enquanto poderiam estar fazendo outra coisa, como lendo outra fic.

Para finalizar, agradeço a cada comentário que recebi, que embora poucos eu li e reli com a mesma emoção que se lê o primeiro comentário de uma fic! Amo vocês! Obrigada MESMO por tudo!
Obrigada Lara Monique por tudo! De agora em diante, bom ou ruim... É comigo.... E me desculpe, queria ter mais tempo para coisas importantes... A vida as vezes não dá muito tempo quando se tem que ir atras de um futuro melhor.... BEIJOS. Aproveitem a Leitura, espero que gostem.

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Capitulo 12
Desenterrando o passado



“Dizem que a verdadeira amizade sobrevive até mesmo ao tempo. No fim somos almas gêmeas no sentido de amor fraterno e união um verdadeiro amigo deve sempre ser levado no coração, mesmo que não ganhemos o mesmo tratamento em troca...”.

Amélia mantinha o olhar fixo a janela de seu apartamento, as malas estavam prontas no chão do seu quarto. Recordava-se de um passado tão distante que parecia ser outra vida. Um dia ela foi chamada simplesmente de Amy, apelido carinhoso que ganhou na infância. Ela curtia bandas de rock e levava a vida de forma desregrada e sem lei. Pensava que ia morrer cedo, afinal esse era o destino dos que se deixavam levar pela vida. Ela gostava de cabelos com cores exóticas, piercings e tatuagens. Depois de um tempo acabou se tornando uma mulher como todas as outras. A “Mulher Moderna” que todos classificavam, não usavam piercings, nem cabelos vermelho cor de fogo, e escondiam as tatuagens. Vestiam terninhos, trabalhavam fora, eram independentes. A carreira dos sonhos como rockstar acabou se tornando planos impossíveis que foram trocados por uma simples, porém lucrativa carreira de publicidade. Seu celular tocou. Por um instante, pensou em recusar a chamada, porém quando viu o nome no visor, não pensou duas vezes.

-Eu ia te ligar! - Ela disse já sabendo de quem se tratava.

-Eu fiquei sabendo na semana passada. Ouvi rumores, mas não pensei que ele viria mesmo. Como você está? - Uma voz masculina disse do outro lado da linha.

-Eu estou bem. Apesar de tudo eu estou bem.

-Se precisar de qualquer coisa, eu estou aqui.

-Eu sei. Mas, eu queria que estivesse comigo sempre... - Ela disse com a voz chorosa.

-Eu... Eu não posso... Não é que eu não queira, você significa muito pra mim você sabe...

-Tudo bem. Eu não quero falar sobre isso outra vez. Não vou me magoar ainda mais. Ele sempre vai ser presença em nossas vidas, perto ou longe. Nós sabemos disso. Você foi vê-los? - Ela questionou mudando de assunto.

-Não... Eu não creio que queiram me ver também. Você sabe.

-Eu acho que vou viajar.

-Para onde Amélia? - Ele perguntou de forma ansiosa.

-Eu vou para Magdeburg, ver meus pais. Mostrar a eles que eu estou bem.

-Francamente Amy! Você está fugindo! Hamburgo é muito grande! Você irá vê-lo tão fácil!

-Não é isso! Eu não me importo se ele está aqui!

-Então porque não fica aqui? Aliás, por que não conversa com ele?

-Não! O passado tem que ficar onde ele está! Conversar com ele só irá nos ferir ainda mais! Será que não é você que quer falar com ele?

-Eu queria... Queria que tudo fosse apagado para começarmos do zero... Corrigir todos os erros, e tudo voltar a ser como era antes.

-Ainda se sente culpado? - Ela perguntou já sabendo da resposta.

-E como não sentir?

-Eu já te disse um milhão de vezes: A culpa foi minha. Eu me arrependo sim! Mas, nós sabemos que era inevitável!

-Mia...

-Não! Chega de se culpar! De carregar esse fardo a vida toda! Não adianta tocar no passado, pedir perdão a ele, ou fugir para onde quer que seja! Ele fugiu primeiro! Ele nos deixou aqui! Eu só vou retribuir o gesto dele e ficar longe o suficiente como ele mesmo disse que queria ficar da gente! Você se lembra disso? - Ele não respondeu. - E saiba de mais uma coisa, eu quero deixar claro que não adianta, mesmo que ele nos ame ou nos odeie, eu nunca vou deixar de amar você!

Ele demorou a responder do outro lado da linha. Talvez esperando que o nó na garganta de desfizesse. E respondeu quase que em sussurro.

-Eu também... Sempre vou amar você.

Ele desligou. Amélia não sabia mais o que fazer, nem para onde correr. Ela só queria ficar o mais longe possível de todo aquele alvoroço que um dia ela mesma causou. A garota sem lei, ainda mantinha traços de sua personalidade forte, mas não queria ter que encarar Bill outra vez. Talvez o orgulho dela fosse grande o suficiente para dizer: “Me desculpe eu estava errada.”


***

Becca e Tom saíram cedo no carro dele. A primeira parada seria na casa de Gregory, Georg. Ele havia se mudado para uma cidade vizinha, a cerca de 50 km de Hamburgo, Lüneburg, para que pudesse criar a filha Nina, com a esposa com mais tranqüilidade e que pudesse preservá-las.

A viagem não foi demorada, Becca apreciava as belas paisagens alemãs com os olhos brilhando. Tom de vez em quando se virava devagar para observá-la e de certa forma sentia-se bem quando estava com ela. Mesmo quando ela estava brigando com ele ou o lhe dando apelidos desagradáveis. Ela mantinha a câmera nas mãos e as vezes registrava uma ou outra foto.

-Se quiser eu paro para você tirar alguma foto com mais precisão. - Ele disse sorrindo sem tirar os olhos da estrada.

-Não precisa. Na volta à gente para. Eu costumo identificar primeiro aqueles locais que dariam as melhores fotos.

-Eu ainda estou curioso a respeito do que irá fazer com tantas fotos! Notei também que as vezes você escreve, principalmente à noite.

-Você anda me observando demais não acha? - Ela deu de ombros.

-Só vejo de vez em quando. Mas, mesmo assim me deixou curioso!

-Ainda vai ficar curioso! Na hora certa eu te conto!

-Quando voltarmos, eu vou te levar a um lugar! - Ele disse, olhando para ela rapidamente.

-Não vou para Motel nenhum com você!

-Não é nada disso sua pervertida! Eu sou comprometido e sou fiel!

-Sei... - Ela disse desconfiando da fidelidade de Tom. - E onde é?

-Vai ficar curiosa... Na hora certa você vai saber!

-Sem graça!

-Tá vendo como eu me sinto?

E nesse clima de descontração eles seguiram viagem para Lüneburg. Becca tentava mentir para si mesma, fingindo que não estava se divertindo e que tudo aquilo que vivia naquele momento, não fazia a menor diferença em sua vida.

A cidade de Lüneburg era simplesmente encantadora. De tamanho mediano e com pouco mais de 73 mil habitantes. O centro histórico faz com que Lüneburg pareça um museu ao ar livre, a cidade com mais de 1.000 anos que sobreviveu à segunda guerra mundial e tornou-se uma das maiores produtoras de sal do mundo, conservando o cenário medieval que dá charme a cidade. Por se tratar também de uma cidade Universitária, Lüneburg era repleta de bares.

Georg havia se mudado para Lüneburg logo há cerca de quatro anos, queria um ambiente o mais agradável possível para que Lara tivesse uma gravidez saudável e longe de todo o tumulto que a banda havia se envolvido. A esposa de Georg, Lara quem escolheu a cidade para morarem. Ela gostava de ambientes bem alegres e de conforto. O ideal para criarem a pequena Nina.

Georg era um homem discreto e reservado. Nunca havia exposto a então namorada Lara, quem conhece há cerca de 10 anos. Manteve o namoro em sigilo, o casamento e a gravidez. Nunca gostou de ser uma celebridade. No fundo só queria tocar baixo, que era o que mais gostava. Tom havia sido seu melhor amigo desde os tempos de Devilish, o antigo nome da banda. Mas, haviam perdido contato desde o escândalo da separação da Banda Tokio Hotel. Ele sentia falta de todo aquele calor que as fãs davam a eles, dos shows lotados, do companheirismo que tinham um com o outro. Depois do termino da banda, ele acabou entrando para outra banda, junto com o amigo Gustav, chamada Paranoid. Um pouco menos famosa que a anterior e com uma batida mais Heavy-Metal que atingia um público menos feminino e mais roqueirões cabeludos. Os demais integrantes eram compostos por grandões descamisados e lotados de tatuagens e que gritavam ao invés de cantar, fazendo gestos obscenos para uma platéia ensandecida. Georg apenas tocava, sossegado como sempre, quase invisível. O resto do show ficava por conta do vocalista com um estilo que misturava Slipknot e Kiss.

A banda Paranoid havia dando uma trégua dos shows e estavam em estúdio gravando o próximo CD. O estúdio de gravação era a Sony e tinha sede em Berlim. Georg só viajaria para gravar sua parte, o que aconteceria em três meses. Por isso aproveitou a trégua para ficar em casa com a esposa e a filha. Tinha medo de não ver a pequena Nina crescer devido às turnês com a Paranoid.
A mansão onde moravam ficava em um condomínio fechado no centro de Lüneburg. Cercado de árvores e com segurança a fim de preservarem o máximo de privacidade que pudessem. Tom e Becca chegaram ao portão de entrada do condomínio. Tom havia pego o endereço com o antigo manager da banda, Peter Holfman que ainda mantinha contato com Georg. Ele não conseguia esconder a ansiedade em rever o velho amigo. Tom na verdade tinha medo da reação de Georg e de como iria recebê-lo depois de tudo.

-Você não quer ir adiante? - Becca perguntou ao perceber a apreensão de Tom.

-Eu quero. Mas, estou com medo.

-De que?

-Sei lá! Nós éramos amigos entende?

-Amigos de verdade estarão no coração um do outro não importa o que aconteça!

-Você tem amigos Becca? Existe alguém que você carregue no coração?

-Tem sim...

-E onde ela está? - Ele perguntou curioso. Becca desviou o olhar e pareceu buscar algo no vazio e distante.

-Em um lugar longe o bastante que eu não possa alcançá-la...

Tom percebeu que aquilo a machucava. Becca era uma mulher repleta de mistérios e com um passado ferido, que ela escondia com uma armadura. No fim das contas, eles não eram tão diferentes quanto ele imaginava que eram. Ele olhou para o portão e depois seguiu um pouco mais adiante.

-Vamos entrar? - Ela perguntou ao vê-lo se aproximar da portaria.

-Vamos... Eu ainda carrego meu amigo em meu coração...

O porteiro o reconheceu assim que ele abriu o vidro do carro.

-Tom Kaulitz?

-Sim. Eu preciso visitar um amigo.
-E quem é? Me desculpe são normas do condomínio...

-Tudo bem, cara. Eu vou visitar Georg Listing. Estamos em duas pessoas.

-Sim senhor! Pode passar... E... Minha filha era muito fã da banda de vocês... Será que o senhor poderia autografar para mim? - O porteiro disse entregando um bloco de papel e uma caneta para Tom.

-Claro! Qual o nome dela?

-Emily.

-Aqui está. - Tom entregou o bloco para o porteiro que o agradeceu carinhosamente. Ele sentiu uma certa emoção em poder assinar novamente como guitarrista da banda Tokio Hotel, mas disfarçou para que Becca não percebesse o quão frágil estava sendo.

Tom parou o carro em frente à mansão de Georg. Por se tratar de um condomínio fechado, a casa não tinha muros tão altos e nem grades. Tom desceu do carro e seguiu em direção à porta. Ele levou a mão à campainha e a tocou meio hesitante. A esposa de Georg surgiu na porta. Os olhos expressivos e grandes ficaram ainda maiores ao ver Tom parado na porta. Ela não havia mudado muito desde a última vez que Tom a havia visto. Os cabelos um dia curtos estavam de tamanho mediano, ondulados e castanhos. Magra e com um rosto meio infantil que dava a impressão de ela não ter nem 18 anos.

-Lara... - Tom foi o primeiro a dizer algo para quebrar o clima de espanto da Sra. Listing.

-Há quanto tempo Tom...

-Georg está?

-Está sim. - Ela respondia de forma seca.

-Eu posso entrar? - Tom perguntou olhando fixamente nos olhos de Lara.

-Se me prometer que não irá insultá-lo como o cretino do seu irmão fez... Pode.

-Ele é meu amigo. Sempre vai ser. Eu só quero conversar com ele por um instante. Se eu ofendê-lo por algum motivo, pode me expulsar daqui a tapas se você quiser!

-A proposta é tentadora. Entre. - Ela abriu passagem para Tom. Lara observou Becca, que retribuiu o olhar da mesma forma. - Namorada nova? Você não muda mesmo hein?

-Não. Essa é só uma amiga.

-Sei... - Lara disse com um ar irônico, mas não disse mais nada.

Tom e Becca aguardaram Georg Listing na sala. Lara disse que ele estava passando algumas músicas no baixo. A pequena Nina brincava com a babá no quarto de brinquedos. Eles ouviram o som do baixo vindo de um cômodo acima deles. Provavelmente Lara havia aberto a porta do quarto que era todo à prova de som. Tom reconheceu no mesmo instante a música Black da banda deles que Georg tocava no baixo. Sentiu um aperto no coração ao perceber que Tokio Hotel também fazia falta ao baixista.

A música parou rapidamente. Eles ouviram os passos vindos da escada. Georg surgiu no alto da escada. O tempo havia passado para ele devagar. A vasta cabeleira um pouco maior e mais rala e a barba por fazer. Ele havia perdido um pouco de peso mais ainda tinha os braços fortes e a mesma expressão serena. Ele encarou o velho amigo como se visse um fantasma. Se aproximou meio receoso, talvez com medo do que Tom viria a lhe dizer.

-Você é a ultima pessoa que eu pensaria em ver hoje. - Georg disse para um Tom tímido.

Becca lhe deu um cutucão nas costelas, encorajando-o a dizer algo. Tom engoliu seco e lhe estendeu a mão.

-Como vai?

Georg olhou para a mão dele estendida e retribuiu o gesto.
_______________________________________________________________________
*Lüneburg é uma cidade da Alemanha, capital do distrito de Lüneburg, estado de Baixa Saxônia. Fica a cerca de 50 km de Hamburgo. Foi em Lüneburg que faleceu o nazista e Reichsführer-SS Heinrich Himmler, por suicidio. Fonte: Wikipedia
Lüneburg, situada na região idílica entre o Elba e a Heide. Em Lüneburg, a histórica cidade hanseática, produtora de sal. Com mais de 1.000 anos de história, é uma das mais bonitas no norte da Alemanha. Lüneburg sobreviveu intacta à Segunda Guerra, conservando o maravilhoso cenário medieval da cidade. Ao mesmo tempo, Lüneburg é ainda uma cidade universitária e milhares de estudantes confere a ela um ar alegre e charmoso. Dizem até que Lüneburg tem a maior índice de bares da Alemanha. Fazer compras no centro também é puro prazer – nos belos prédios antigos de gabletes, excelentes lojas convidam o cliente a descobrir novidades. É conhecida como a “Cidade Salgada” devido à economia da cidade, que é basicamente da indústria de sal. Que ficou conhecido por lá como o “Ouro Branco”.
Fonte: www.germany.travel

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Sam McHoffen

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Ok, vou comentar o capitulo primeiro, lá embaixo falo do teu comentario!...

Não sei porque, mas antes eu achei que a Amélia era uma vagabunda que havia traido o Bill... só que lendo esse capitulo acho que tem mais coisa por trás disso tudo. Amélia e Gustav?! O Gustav?! Wow!
Tipo, eu acho que é o Gustav, já que o Georg tah com a Lara a tanto tempo...
Estou curiosa pra saber o que realmente aconteceu com Amélia e Bill... nem sei direito o que pensar dessa estória! :/

Sinto que o Tom tah começando a gostar realmente da Becca, e acho que isso talvez faça bem aos dois! Smile
Aiii, esse capitulo foi tenso!
Lara mal humorada hahahaahahaha
Caramba, toh curiosa pra saber o que vai acontecer entre Georg e Tom... apesar que acho que mesmo depois de anos, a amizade desses dois ainda vai prevalecer! Pelo menos assim espero!

Agora sobre teu comentário ali em cima. Toh até com medo de falar... mas se eu disser algo que tu não goste, pode me xingar ok?! Eu deixo! Embarassed
Uma vez, eu fiz uma crítica numa fanfic sua, não sei se tu ainda se lembra disso. Mas eu me lembro disso, e comparado o que eu lia naquela fanfic e o que leio nessa daqui.... você evoluiu muiiiiiito na tua escrita! A outra fanfic tu colocava o drama em alguns capitulos, depois em metade de um se resolvia e já vinha outro drama. Já aqui tu conseguiu organizar isso, o drama na hora certa.
O que eu acho é que tu se prende muito aos teus escritores, tu quer escrever como eles... Tu ama o Sheldon não é?! Pois bem, eu particularmente acho a escrita dele chata, mas se tu for fazer algo do nivel dele, tem que ser um suspense, ou descrever praticamente a vida toda de um personagem... Já se tu quer algo como o Harlan (aquele fodão hahaha), tu tem que fazer um suspense extremamente bem elaborado... Porque vamos combinar, ele sempre surpreende no final! Eu ainda quero escrever algo do tipo do Harlan, mas é pra mim mesmo, porque dúvido que eu chegue aos pés dele.
Mas a questão aqui é... esses autores são de suspense, romance policial... Tu tah querendo colocar o Tokio Hotel nisso, misturado com romance. E particularmente, as fanfics mais lidas do TH é de romance, drama e comédia... Porque eles se encaixam mais nisso, do que num suspense policial.
Acho assim, se tu quer fazer uma boa estória, tu consegue siiim! Basta se dedicar a ela e fazer com carinho... e sem pensar em ser uma escritora do nivel dos nossos autores favoritos. E acima de tudo, você tem que se achar, o gênero que você consegue escrever melhor.
Tu disse que a fic vai ficando meio desesperada, tu vai apressando as coisas... Já tentou fazer um roteiro da fic? Não um resumo pra saber a estória, mas sim um roteiro, onde tu coloca o que vai ter em cada capitulo? Talvez isso dê certo, muitas escritoras fazem isso... tu pode ter uma ideia melhor pra não ter acontecimentos antes da hora e também pra organizar a estória, pensar em cada detalhe antes de escrever.
Nessa estória, eu acho que tu tah bem melhor na escrita, escreve em 3º pessoa que é algo realmente assustador pra mim, porque acho super difícil escrever em 3º pessoa... Sinceramente?! Acho que tu colocou um pouco da tua raiva pelos meninos demorarem tanto a lançarem um álbum aqui... Você tem razão nisso, mas ficou um pouco forte... Mas talvez eu esteje errada!
Outra coisinha, não se prenda muito a história da cidade ou dos lugares, isso é meio irrelevante, dê mais valor ao sentimento, a estória... Cita só o lugar por onde foram, ai coloca a história ou descrição embaixo, como tu fez aqui com esse capitulo
Bem... o que posso dizer é não desistir. Se tu gosta da estória, gosta de escrever, busque um jeito de melhorar, até achar o que você escreve melhor, pesquisa algumas coisas que possam te ajudar! Eu estarei aqui pra ler! Smile
E se eu disse algo que não gostou, desculpe, essa não foi a intenção! Sad

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Obrigada! Eu simplesmente adorei o seu comentário! Como eu te disse, escrevi um monte de Fanfics e as engavetei por medo de ninguém ler... Uma bobagem (Assim que eu terminar vou postar todas elas). Eu melhorei a escrita com isso. Lendo, escrevendo. Eu só tenho muita dificuldade no romance. Tenho medo de pesar a mão. Acho que é isso na verdade. O medo. Medo de não lerem, medo de pesar a mão, medo de estragar a historia. Eu preciso pensar que eu não preciso ter medo. A historia está na minha mente só precisa ter um jeito de explorar.

Eu preciso te contar um segredo. Eu escrevo em sequencia. É estranho né? Eu elaboro todo o enredo, mas na verdade os diálogos, as cenas e tudo mais eu escrevo na hora mesmo!

Escrever em terceira pessoa é realmente difícil. Porque descrever sentimentos de outra pessoa é muito mais complicado. E eu não escrevo em primeira pessoa desde Darkside of the sun 1 e 2. E de lá pra cá, embora não poste já escrevi três com Amélia.

Eu gosto muito de pesquisar sobre as cidades que escrevo. É melhor para que possa imaginar todo o lugar, as pessoas, a cultura. Eu gosto de detalhes. Mas nem todo mundo gosta. Romances normalmente não tem muitos detalhes (exceto 50 tons de cinza que a autora faz questão de mostrar o quão rico Mr.Grey é descrevendo os humildes bens materiais que ele possui. É só para nos esquecermos que ele é um maníaco. E nos lembrarmos que ele é um maniaco MILIONÁRIO..kkkkkkkkkkkk)

Eu me inspiro nos livros errados (E sem falar nos filmes de ação. ) para escrever romance kkkkkkkkkk. Mas mesmo assim ainda ta saindo algo legal na minha opinião. E não. Amélia não vai ser um romance policial. Tem algumas coisas que virão pela frente. Porque a banda acabou, porque o Bill foi embora, porque o romance dele com a Amélia acabou, o que vai ser do Bill, o que vai rolar entre Tom e Becca, o que aconteceu no passado da Becca e por ai vai...

Bem, eu não diria raiva dos meninos por não lançarem o CD. Eu acho que foi observação. A partir de comentários de algumas fãs em fóruns e tudo o mais. Como a namorada do Tom, o novo estilo do Bill, os G's que nunca aparecem. Dai eu imaginei: Imagine se um dia, por algum motivo qualquer a banda acabasse. O que seria a vida depois do Tokio Hotel? A maioria das fãs diria: "Eu nem consigo imaginar!" Mas eu imaginei. Utilizei o Álbum demorado como um estopim, o novo estilo do Bill como uma nova forma de viver a vida, os G's terem sumido. Embora realmente incomode você ficar aguardando por um album há quase quatro anos, é como esperar pela nova temporada de seu anime favorito e ela nunca sair!

Não quer dizer que a banda não possa voltar no fim desta historia... quem sabe?

Você não me ofendeu. É triste para um ser humano que não sabe ouvir uma critica construtiva! Tudo será acrescentado em melhorias.
Obrigada mesmo!
Beijos!!!

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Sam McHoffen

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Que bom que tu não se ofendeu, fico feliz com isso! Very Happy

Eu te entendo completamente nesse medo de postar algo, eu também sinto isso. Como você, eu tenho várias fanfics começadas, mas acabo não postando por medo de ninguém ler, de não estar bom o suficiente. Acho que o problema maior é queremos ser boas comos nossos autores favoritos! hahaha

Isso do romance, eu acho que é até porque tu lê mais coisa policial, mas acho que não te impede de escrever um bom romance! É só tu deixar aquela pessoa melosa dentro de ti vir a tona. Razz

Eu também faço isso, escrever na hora. Mas o que falei do roteiro, é meio que tu pensar na estória por cima, sem falas, só os acontecimos mais importantes. Ai tu coloca, por exemplo: primeiro capitulo apresentação da Becca, contar um pouco dela. Apresentação da vida do Bill atualmente. Segundo capitulo: Contar que a banda acabou, o que ele faz no momento. Acidente com a Becca.
Algo assim, só pra tu ter ideia dos pontos principais que vão acontecer em cada capitulo. Eu conheço muitas autoras que fazem isso e acham até mais fácil pra escrever, elas dizem que é pra não se perder e não fujir do que realmente quer fazer.

Eu bato palmas pra quem consegue escrever em 3º pessoa! Porque é realmente complicado!

Eu particularmente, imagino tudo na minha cabeça, desde a cidade, a casa até os personagens. Muitas pessoas preferem coisas mais reais, como tu. É importante descrever o lugar, muitas pessoas gostam disso... Só tenta deixar isso mais dentro da estória, como a personagem adimirando a cidade, o ponto turistico, em vez de contar a história da cidade... Bem, só uma opnião minha!

Morriiiii com teu comentario de 50 Tons de Cinza! Eu não consegui terminar de ler aquele livro, a escrita pra mim é amadora, não de uma grande estória pra virar livro. E o cara é um sadomazoquista, e como tu disse, a autora tenta encobrir os podres dele com a beleza, o dinheiro... E acho que com alguma história da infância dele (eu acho). Mas a pior parte, não me chame de doida, é que só uma coisa ficava gritando na minha cabeça quando tentei ler 50 Tons: CREPÚSCULO! Ai tu fala: como assim? Crepúsculo não tem nada haver com 50 Tons! Mas pra mim tem, muita coisa em 50 tons que corresponde a Crepúsculo, só que de uma maneira menos sobrenatural e mais sexual! Mas deixa eu parar de falar desse livro ahahhaha

Éh, eu percebi que aqui tah mais pra drama com uma pitada de suspense. E de todas as fics que já li sua, essa aqui foi a melhor! E para de falar do que vai acontecer, porque eu fico mais curiosa do que já sou naturalmente! Sad

Entendi essa dos meninos... Bem, é meio que uma raiva de muitas fãs. Eu particularmente achei aquela carta que tu escreveu forte. Mas não mal escrita, nada disso. É que prefico um pouco ignorar essa raiva da banda, e ler isso na tua fic foi realmente assustador pra mim. Pior ainda imaginar um fim da banda. Tem três coisas que eu não consigo nem sequer cogitar a ideia: Tom sem Bill ou Bill sem Tom, a morte de algum dos meninos, e o fim da banda, com cada um seguindo carreira separadamente em outras bandas. E ler isso na tua fic, imaginar, foi assustador pra mim! Sad

Pro fim da estória, talvez a banda volte, mas acho que mais importante que isso é os meninos se entenderem novamente. E o tudo o que aconteceu ser esclarecido. Tenho minhas suspeitas sobre o enredo, mas não tenho certeza de nada, mas quero que eles voltem a serem os amigos que são hoje!

Acho que uma crítica construtiva é ótimo pra quem sabe parar e olhar aquilo com atenção, pra tentar melhorar! Eu já recebi críticas, e ainda recebo, sinceramente adoro todas elas, porque me fazem ver o que estou fazendo de errado e tentar melhorar. Eu só não aceitaria se alguém chegasse e falasse: ai que merda de fic, você escreve mal, paaare de escrever!
Acho que isso nem seria crítica, e sim insulto... Mas não é o caso!
Na minha opnião, tu tem que continuar escrevendo sim! É algo que tu goste e que faz bem! Tem algumas coisas aqui outra alih, mas quem é que faz as coisas perfeitas?! Ninguém!
Como eu disse, estarei aqui pra ler tuas fics... e principalmente descobrir o que se passou com Bill e Amélia, e o que vai acontecer daqui pra frente! Razz

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41 Re: Amélia - As lembranças não estão em fotos em Qui Maio 02, 2013 12:27 am

OLHA EU DE VOLTA!!!!

Hoje eu recebi uma espécie de "visita" de alguém muito especial para mim... Eu sinceramente achei que nunca mais voltaria a postar uma fic na vida. Dai alguém me disse que queria que eu continuasse, porque isso é o que eu gosto. E quando se gosta de alguma coisa você tem que correr atrás não importa o que aconteça. Então decidi voltar e pretendo terminar. Em respeito aos leitores que poucos ou muitos esperam de mim um final surpreendente...
Obrigada mesmo! E aproveitem a leitura... Pretendo melhorar a cada novo capitulo...
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Capitulo 13
Deixe a máscara cair


“As pessoas têm o péssimo hábito de acreditarem naquilo que lhes convém. A verdade é tão relativa no fim das contas. Você pode contar da maneira que mais lhe convir, ou simplesmente filtrar aquilo que for lhe favorecer. Uma meia verdade não é uma mentira? Da mesma forma que Omitir é diferente de Mentir? Somos humanos. Eu pensava que o mundo fosse melhor se eu fosse sempre verdadeira, mas agora, analisando friamente eu vejo que a única pessoa que sofria sendo verdadeira... Era eu... Que bom seria se o mundo inteiro deixasse a máscara cair...”


Georg apertou a mão de Tom com certa firmeza que para Becca parecia ser um “abraço tímido”. Os olhos de Tom pareciam lacrimejar discretamente. Lara apenas observava silenciosamente. Ela saiu em direção ao quarto da filha e a pegou no colo. A loirinha de cabelos ondulados e olhos verdes expressivos sorriu para Becca que retribuiu de forma carinhosa à pequena Nina. Tom seguia em silencio, talvez buscando a melhor coisa a dizer. Queria iniciar a conversa, mas não sabia como. Georg acabou aliviando sua aflição iniciando a conversa.

-Não pensei que veria você tão cedo...

-É... Nem eu... - Tom falava de forma tímida. Para a surpresa de Becca, Tom apresentava-se cada vez mais como uma pessoa tímida que se esconde por trás de um homem “pegador” e conquistador.

-E... O que trouxe você aqui Tom? - Georg pulou todas as cordialidades como convidar para se sentar, ou oferecer algo para beber. Talvez, ele pensasse que Tom também não queria nenhuma dessas formalidades.

-Eu... Preciso de sua ajuda... Na verdade, é um favor... - Tom dizia meio sem jeito, meio tímido.

-Minha ajuda? E o que eu poderia fazer por você?

-Na verdade, é pelo Bill. - Tom ergueu a cabeça e disse com mais firmeza. Era tudo pelo irmão dele e também pelo melhor amigo que estava a sua frente.

-O que houve com ele? - Georg franziu o cenho.

-Ele sofreu um pequeno acidente e...

-Acidente? Ele está bem?

-Está. Ele só teve umas esfoliações. O problema é que ele teve uma lesão no cérebro e acabou perdendo a memória temporariamente...

-Perdeu a memória? Quer dizer... Ele não se lembra de nada?

-Nada. Nem de nós.

-Isso é mesmo muito triste... E como eu posso ajudar? - Georg era simples e seco. Depois de tanto tempo, as pessoas acabam criando muros ao invés de pontes. Tom e Georg haviam viajado para longe demais um do outro e não havia retorno. Ou havia?

-Georg, eu queria que você visitasse meu irmão, conversasse com ele. Talvez ele se lembre de alguma coisa!

-Tom... Eu sei o que ele representa para você e sei como está preocupado com ele, mas...

-Mas...?

-Eu não creio que possa ajudar. Eu sinto muito...

-Georg, eu sei que ele disse coisas horríveis a você, mas, isso é muito importante. Eu preciso que ele se recorde.

-O que disse para mim e para todo mundo naquele dia é passado. Mas, não dá sabe? Eu to feliz entende? Amo minha esposa e minha filha, elas são minha vida! Paranoid não é como Tokio Hotel foi um dia, mas eu pelo menos faço o que gosto e não terminei meus dias como um bancário frustrado! Mas, o Bill disse que não precisava de nenhum de nós. Não entendo porquê ele precise agora.

-Georg...

-Tom, eu sei o que está tentando fazer... Quer fazer o mesmo que tentou naquela época. Você queria manter a banda viva. E agora quer que ela nasça outra vez. Eu sinto muito... Tokio Hotel morreu há muito tempo e você sabe.

-Não é só pela banda Georg. Nós somos Tokio Hotel e isso nunca vai mudar. Assim como não vai mudar o que você representa para mim, meu amigo! - Tom tocou os ombros de Georg. A expressão serena dele ganhou um sorriso de leve.

-Por favor, assim me constrange, me olhando desse jeito eu vou me apaixonar... - Georg fez um beicinho.

-Qual é? Não corta o clima! O que eu digo é sério. Bill precisa de nós todos juntos outra vez. Para que ele possa se lembrar de que fomos uma família um dia.

-Você faz tudo parecer tão fácil...

-Pode me chamar de idiota, eu não ligo. Mas, eu acredito entende? Eu ainda acredito na família que nós éramos... Eu nunca quis que fosse assim. Se pudesse voltaria atrás.

-Eu também Tom, mas infelizmente não volta. Eu posso até ir... Mas, não se vai adiantar falar com ele!

-Tudo bem! Você indo já ajuda muito! Valeu cara! - Tom olhou para o amigo com uma expressão triste -Georg, eu ainda não pedi desculpas...

-Pelo que? - Georg franziu o cenho.

-Por tudo. Por dizer besteiras, por me afastar, por brigar, por não ter ido ao hospital quando sua filha nasceu, nem ao batizado dela. Por não termos feito aquela festa de casa nova. Eu fui um péssimo amigo...

-Deixe de drama! Nós somos amigos não somos? Me dê um abraço! - Ele abriu os braços para Tom.

-Não. - Tom deu de ombros.

-Ora! Deixe de ser mau! Me dê um abraço que eu te perdôo!

-Cara... - Tom disse quase sussurrando. - Tem gente olhando. - Ele disse se referindo á Becca.

-Namorada nova...?

-Não. É só uma amiga...

-Sei... Mas... Ele não vai se importar... - Tom deu um abraço meio sem jeito, meio de lado, meio “mano” em um Georg que sorria.

Becca mantinha-se em silêncio apenas observando. Ela se recordava de um passado distante... De um tempo em que acreditava que uma verdadeira amizade iria durar para sempre, sobrevivendo a tudo o que viesse pela frente até mesmo a morte. Ali parada diante daquela cena, ela percebeu que estava errada. Algumas pessoas se vão antes da hora e a única coisa que resta são suas lembranças guardadas no coração.

-Mas venham! Vamos almoçar, Lara preparou algo para nós... - Georg disse os guiando para a cozinha. - Seu nome é Becca né? - Georg perguntou para a ruiva.

-Sim.

-Eu sou Georg, muito prazer. - Ele lhe estendeu a mão e ela retribuiu o gesto. - Nem deu tempo de lhe cumprimentar. Há quanto tempo estão juntos hein?

Becca corou tanto que sentiu o rosto arder.

-S-somos só amigos Georg. - Becca respondeu quase que sem fôlego.

-Sei... - Georg disse com ar meio irônico que provavelmente aprendeu com a esposa. - Por enquanto...

-Eu ainda estou com a Ria, Georg, como eu te disse ela SÓ uma amiga! - Tom disse interrompendo.

-Ainda mesmo hein? E quando vão se casar? - Becca sentiu mais o peso da pergunta do que o próprio Tom. Ela desviou o olhar para que ele não percebesse o quanto aquela questão a incomodava.

-Ainda não sei.

-Ela não veio? - Tom encarou com uma cara de “Pare com isso seu indiscreto, sem noção!”

-Não. Ficou em Los Angeles... Trabalhos.

Georg finalmente percebeu que estava sendo indiscreto e mudou de assunto. Principalmente depois de ver o rosto de uma Becca furiosa.

-Vamos então?

A visita aos Listing acabou sendo prazerosa. Georg como bom anfitrião que sempre foi os recebeu de forma acolhedora. Tom acabou se deixando levar e ficando mais solto. E diferente do que imaginavam ambos não haviam mudado com a distância e o tempo.

-Está tocando para na Paranoid cara??? - Tom disse de forma debochada.

-O vocalista deles é muito louco, você não tem noção! Ele é uma mistura de todos os roqueiros mais loucos que eu já vi na vida. Ele até se parece com aquele roqueiro sem noção que Tom Cruise interpretou em Rock of Ages!

-Stacee Jaxx? - Becca soltou uma gargalhada.

-Ele é tão caricato quanto!

Dizem que na vida, os relacionamentos são como laços que se unem às pessoas umas às outras. Naquele dia Becca percebeu que não era tarde demais para que ela unisse laços a pessoas incríveis...

***

Bill almoçou com a mãe e o padrasto. Tom e Becca haviam saído cedo e ninguém sabia onde haviam ido. A mãe só pensava no pior dizendo um típico:”coitadinha da Ria...”. Bill aproveitou para reler textos que escrevia, ver filmes que gostava, ouvir musicas que gostava, presentes que deu à mãe, cartas que escreveu e que recebia. Depois do almoço, ela lhe levou a uma salinha repleta de recordações, como o primeiro show, o primeiro disco, a primeira foto dos gêmeos.

-Veja querido. Aqui estão fotos que você um dia me pediu para guardar. Você me dizia que todo o seu passado cabia em uma caixa. Você quer ver? - Ela disse segurando uma caixa redonda na cor preta.

-Quem é esse rapaz mãe? - Ele disse se referindo à primeira foto.

-Não é rapaz! É Ina! Sua ex-namorada! - Ela disse se referindo à moça gordinha com um corte de cabelo estilo “Joãozinho” raspado nas laterais.

-Sério?

-Ela era um encanto. Você nunca ligou muito para aparência, o que importava era o interior, as qualidades, as coisas em comum...

-E este? É este mesmo né?

-Andreas. Ele está viajando, mas virá para cá ainda esta semana. O melhor amigo que você e seu irmão tinham. Não se lembra?

-Vagamente...

-Olha estas: Aqui foi aniversário de vocês de 18 anos... Olha o seu cabelo!

-Eu tinha esta cara de menina?

-Você ainda tem... Só deixou a barba crescer. Sempre foi muito bonito! - Simone passou a mão em seu rosto de uma forma tão carinhosa que ele fechou os olhos para que pudesse apreciar ao máximo aquele momento. - Veja esta. Aqui foi quando você entrou para o Star Search! Devia ter uns treze anos.

-Pelo visto eu nunca tive muita noção de roupa! - Ele disse olhando para a saia escocesa que vestia.

-Sempre foi muito elegante! Você desenha maravilhosamente bem e tem um bom gosto divino.

-Está dizendo isso porque é minha mãe!

-Seu bobo! Aqui foi em Paris...

-Meu cabelo parece um espanador! E o Tom... Bem... Essa calça cabia pelo menos uns três dele dentro dela!

-Tom e seu estilo Rapper! - Eles riram do irmão mais velho.

-E esta? - Bill pegou uma foto no fundo da caixa. Parecia ter sido posta no fundo de propósito. Antes aparentava ser uma foto de duas pessoas, mas agora tinha só uma. Uma moça de cabelos vermelhos vivos curtos na altura do pescoço. A maquiagem carregada em tons de preto e azul. Lábios vermelhos, vestida com uma saia de couro, botas pretas de coturno, meias arrastão e camiseta do Marilyn Manson. Bill sentiu o coração apertar e a garganta arder. Ver a foto daquela garota lhe fazia mal, mas ele ainda não sabia por quê.

-Quem é essa moça mãe? - Simone se espantou ao ver a foto nas mãos de Bill.

-Pensei que você tinha queimado todas elas...

-Queimado? Quem é ela? - Bill franziu o cenho e encarou a mãe querendo resposta.

-Ninguém importante... - A mãe desconversou.

-Ninguém importante? Por que esta foto estava na caixa? Parece que tinha alguém aqui abraçado com ela...

-E-ela... Bem... É Amélia, Bill... O nome dela é Amélia...

-Amélia... - Bill parou por um instante. Uma lembrança vaga surgiu em sua mente...

[...]

-Meu nome é Amélia...

-Você é ótimo!

-Quero que fique assim comigo para sempre... Você promete?

-Eu amo você!

-Me desculpe... Não dá mais...

-Eu me apaixonei por outro...
[...]


Bill largou a foto como ela tivesse pegado fogo em sua mão. Ele respirava com dificuldade enquanto a mãe olhava para ele sem saber o que dizer. Lágrimas silenciosas surgiam.

-Quem é Amélia?

-Não se lembra filho? Ela foi sua namorada...

-Por que eu me sinto tão mal assim? - A mãe hesitou em contar toda a história. Não queria vê-lo sofrer mais uma vez.

-Você gostava muito dela...

-E onde ela está?

-Eu não a vejo faz muitos anos...

Bill se levantou devagar. Ele não sabia o que pensar. A mente fervilhava com o excesso de lembranças que vinham desconexas. Precisava sair, clarear a mente.

-Mãe, eu quero dar uma volta na cidade. Acho que Becca e Tom vão demorar.

-Eu vou pedir ao motorista que te leve...

-Certo, eu vou trocar de roupa.

Algumas pessoas marcam nossas vidas somente por existir. Outras simplesmente passam por nós e existem aquelas que marcam mesmo quando são esquecidas. Aquecendo nossos corações, sendo vistas em lembranças. Infelizmente a vida não nos deu a opção de “DELETE”...

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Capitulo 14
Inesquecível



“Até hoje eu me pergunto: ‘Por que sentimentos são tão traiçoeiros? ’. Seja amor, ou seja ódio, seja tristeza ou alegria, não importa como e por quem, eles sempre vêem como a luz do sol que entra e pela janela e toma tão de repente. Eu fico imaginando como seria se soubéssemos quando estamos apaixonados. Será que eu se soubesse teria evitado você?”



Bill olhava da janela do carro. A mente ainda fervilhava com todas as informações que surgiram depois de ver a foto. As pessoas nas ruas olhavam para Bill como se ele fosse um fantasma, enquanto a única coisa em que pensava era um nome: Amélia. Pediu para que o motorista andasse devagar sem muita direção enquanto ele esfriava a cabeça. Os bares da cidade tinham casais sentados do lado de fora, tomando um chocolate quente e jogando conversa fora. Sentiu um aperto no peito, uma vontade de fugir ou de chorar. Ele acenou para o motorista pediu que ele parasse. Desceu do carro e andou devagar. As pessoas tentavam não demonstrar surpresa ao ver o ex - Tokio Hotel andando pelas ruas. Uma mulher caminhava em sua direção de forma apressada. Magra, de estatura mediana, cabelos castanhos escuros, vestida com um sobre-tudo cinza, meias pretas, sapatos de salto, saia de cós alto e camisa de cetim, falando ao celular sem olhar para frente. Bill ainda tentou desviar dela, mas o esbarrão foi inevitável. Ela ergueu a cabeça meio sem graça.

-Me desculpe eu... - Mas ela não conseguiu terminar a frase.

-Está tudo bem moça? - Bill disse amparando a mulher.

A mulher havia perdido a cor. O rosto dela para Bill era muito familiar, mas naquele momento ele não se lembrava de onde. Ela manteve a expressão de espanto olhando fixamente nos olhos dele.

-Você se machucou?

-E-eu estou bem... Bill...

-Você me conhece?

-Só da TV... - Ela desviou o olhar. - Por favor, me dê um autógrafo? - Ela disse tirando da bolsa, um papel e uma caneta.

-Ah! Sim. Eu era famoso, ou sou... Sei lá! E que nome eu escrevo...

A mulher voltou a fitá-lo, depois voltou os olhos para o bloco de papel. Queria fugir dali, queria sair de perto dele, que brincadeira ele estava fazendo. Ela disse apenas com a voz baixa.

-Amy...

-...Para ...Amy,... Com amor... Bill. Aqui está. - Ele entregou o bloco a ela.

-Obrigada. Preciso ir. Até mais...

-Até mais.

Ela andou mais depressa que podia sem olhar para trás. Queria sair de perto dele o máximo que pudesse. A chamada do celular ainda na linha.

-Encontrei com ele! - Ela dizia chorando. - Encontrei-me com o Bill! Ele fingiu que não me conheceu! Foi horrível!

A outra pessoa do outro lado da linha apenas respondeu.

-Vá para casa agora, eu estou indo para lá.

Bill ficou para observando a mulher se afastar. Se esforçava para se recordar de seu rosto, dos olhos verdes, do sorriso doce. Ele retornou para o carro e pediu que fosse levado de volta. Só pensava em descansar. A cabeça doía, ele estava zonzo. O ser humano e suas manias. Tudo na vida se resolveriam tão fácil se as pessoas simplesmente deixassem o orgulho de lado e dissesse tudo o que sentem. Ao invés disso se disfarçam com a máscara da indiferença, para que ninguém o quão fracos podem ser.

***

Georg se despediu de Becca e Tom, eles seguiram de carro enquanto a pequena Nina acenava com a pequena mãozinha no colinho da mãe. Tom havia combinado com o velho que iria dar uma festa para reunir os velhos amigos. Queria que Bill se sentisse em casa novamente e recordasse de todo o seu passado. A principio, Georg foi contra a ideia de uma festa, mas acabou aceitando, pois seria bom para rever amigos queridos que a muito tempo não via, como o padrasto dos gêmeos, que na opinião dele, era o cara mais louco que conhecia. Georg era filho único, por isso sentia um apego grande às pessoas como se todas fizessem parte de sua família. Era o que acontecia com Tom.
Eles pegaram a estrada à tarde, a previsão de Tom era que chegassem á Hamburgo antes do pôr do sol. Ele dirigia atento à estrada enquanto (dessa vez) era observado por Becca.

-O que foi? - Ele perguntou ao vê-la observando-o

-Está feliz...

-É uma pergunta?

-Não. É uma afirmação.

-Gostei muito de revê-los. Pensei que ele estivesse me odiando.

-Por que ele te odiaria? Por que optou ficar ao lado do seu irmão na decisão de por um fim da banda?

-É. Eu poderia ter feito mais do que fiz...

-Não poderia. Não dependia só de você. Mas, têm um amigo de volta!

-É... Não sabe como isso me faz bem.

-Eu sei... - Ela ficou observando o musico calada.

-Pare de me olhar assim. Está me deixando sem graça... - Ele disse sorrindo. - Eu sei que eu sou bonito, mas me olhando assim eu me sinto constrangido.

-Ai Tom! Francamente!

-Olha só!

-O que foi? - Ela disse sem entender.

-Me chamou de Tom...

-Eu só me esqueci tá Ninho de Ratos! - Ela disfarçou. Tom sorriu, gostava de ver ela brava e vermelha como a Tinker Bell, a cada vez que se sentia envergonhada por algum motivo.

-Tenho um lugar para te levar ainda.

-É mesmo! Espero que não seja nenhuma brincadeira de mau gosto! - Becca vestia a armadura a cada batalha nova, mesmo que a batalha fosse ela contra ela mesma.

Ele parou o carro.

-O que você vai fazer? - Ela perguntou franzindo o cenho.

Ele abriu o porta-luvas e retirou o que parecia ser uma venda.

-Calma. Não estraga a surpresa. - Ele disse com a voz serena. - Eu só quero manter segredo até chegarmos. Confie em mim... Só dessa vez? - Ele olhou fixamente nos olhos dela que corou.

-Só dessa vez... - Ela se virou enquanto ele a vendava. - Espero que o lugar que nós vamos não tenha camas redondas e nem espelho no teto!

-Pode ficar tranquila! O céu é o limite...

-Que coisa brega Tom!

-Há! Disse Tom de novo!

-Não disse não! Impressão sua Tony Manero!

Eles seguiram de volta à Hamburgo. Ela sentia o coração bater tão depressa que ela se lembrou de quando tinha 13 anos e deu seu primeiro beijo. No fundo, a sensação era a mesma. Ela ansiava pelo beijo dele como uma menina de treze anos. O toque de leve nos lábios dela na noite anterior parecia queimar. Um calor gostoso como o sol aquecendo a pele.
Tom parou o carro.

-Fique aqui, eu vou abrir a porta.

-Quanto cavalheirismo!

Ele abriu a porta e segurou a mão dela para que ele pudesse andar com tranquilidade.

-Pare bem aqui. - Ele disse a firmando, tocando em seus ombros.

-É agora que eu tenho que dizer as últimas palavras?

-Não. É agora, que eu tiro a venda. Preparada?

-Para com esse suspense! - Ele desamarrou a venda dela. Ela abriu os olhos e se deparou com um dos pores do sol mais lindo que havia visto na vida. O Porto de Hamburgo repleto de Navios e contêineres. O sol se deitava no horizonte tingindo de vermelho e laranja a imensidão do mar. O céu realmente era o limite.

-Aqui! Sua máquina! Vá em frente! - Ele lhe entregou a máquina fotográfica. Tom apenas observava aquela mulher sorrir a cada flash, encantado com o sorriso dela. Ela finalmente se virou para ele com os olhos brilhando.

-Obrigada!

-Não há de quê. Eu só me lembrei que gostava de por do sol, e Hamburgo tem um dos portos mais lindos do mundo. E o por do sol aqui é abençoado, sim assim eu posso dizer.

Ela sorriu. Pensou na noite anterior, nos lábios quentes dele e na necessidade que tinha de beijá-lo. Pensou em tantas coisas ao mesmo tempo. Em Bill, em Ria, na vontade de amar outra vez sem que fizesse alguém sofrer, e por um instante, não pensou em mais nada. Ele chegou mais perto dela, tocou em sua cintura. As mãos tão fortes e quentes a fazendo estremecer. Sentiu o perfume dele, um cheiro amadeirado que misturava ao cheiro de roupa limpa e a cigarro Malboro. Ela pôs as mãos no peito dele. Não eram necessárias palavras. Os lábios se chocaram em um beijo cheio de necessidade, de urgência.
Tom não estava errado. O céu era mesmo o limite. É até onde se pode ir quando se ama...


***


Amélia abriu a porta de casa com os olhos marejados. Queria fugir para longe dali. De toda aquela loucura. Ter visto Bill assim tão de repente foi muito difícil para ela. Um homem já a aguardava sentado em um de suas poltronas na sala.

-Ainda tem as chaves? - Ela perguntou ao ve-lo

-Pensei que tinha tido um enfarte...

-Gustav... Ele fingiu que não me conheceu! Foi horrivel! – Ela se virou para o rechonchudo ex-baterista da Tokio Hotel. O tempo parecia não ter passado para ele que apenas havia ganhado uns quilinhos a mais. Mantinha a mesma expressão serena atrás dos óculos de aros grossos.

-Georg me ligou enquanto eu vinha para cá, parece que Tom esteve na casa dele. Pelo que me contou Bill perdeu a memória em um acidente.

-Sério?

-Sério. Eles o trouxeram para tentar recuperar a memória, retornando as origens.

-Ele quer é nos matar isso sim!

-Parece que o Tom quer nos reunir em uma festa...

-O quê? – Amélia ficou atônita.

-Sim. Eu, Georg, e talvez até você quem sabe...?

-E você vai Gust?

-Com que clima?

-Ele não se lembra de nada. – Ela disse se sentando na poltrona a frente da de Gustav.

-Mas, eu e todos lá nos lembramos. Georg ainda convive comigo. Não é tão fácil assim. Aquela briga foi horrível! Eu te defendi e ainda sobrou para mim.

-Ele nunca vai me perdoar.

-Bill sempre será orgulhoso. Prefere morrer a dar o braço a torcer. Você tem que continuar sua vida... Esquecer seu passado.

-Viver por nada é o mesmo que estar morto. – Ela deslizou até o chão e ficou de sempre para Gustav. Tocou a mãos dele de leve. – Poderia ter aceitado ficar comigo...

-Ele já achava que era eu o outro... Se começássemos um relacionamento só iria piorar minha situação.

-Já está tudo perdido. Sabe que eu amo você... E não diga que não me ama.

-Eu nunca diria isso. Mas, eu não posso. Ele ainda é meu amigo, mesmo que me odeie por algo que eu nem fiz.

-Gust... Por favor... – Ela se aproximou mais dele e ele apenas a afastou, tocando de leve em seus ombros.

-Gostei de você desde a primeira vez que te vi. Eu ficava pensando em todos os jeitos de dizer que te amava. Daí você começou a namorar o Bill. Eu tive que respeitar afinal, éramos todos amigos. Foi quando você conheceu aquele homem. Justo aquele homem! E eu, bobo que eu era, inventei aquela mentira descabida para te proteger, dizendo para ele que estávamos juntos. Afinal eu tive de escolher entre duas catástrofes. E agora que esta sozinha, desesperada e sofrendo, quer que eu te console...

-Não seja duro comigo!

-Eu estou te dizendo a verdade como sempre te disse. Por uma inconsequência sua você dissolveu uma banda de mais de 10 anos. Pense nisso.

-Então... Por que ainda fala comigo?

-Sei lá... A gente fica burro quando ama Amy...

-Eu queria ir embora daqui. - Ela disse escondendo as mãos no rosto.

-Fugir só piora as coisas. Agora eu preciso ir. Georg me espera no Studio, vamos gravar a nova canção da Paranoid. Qualquer coisa me ligue. – Ele lhe deu um beijo no rosto e saiu sem olhar para trás.

Amélia ficou no chão da sala. A mente dela parecia dar um nó a cada lembrança que invadia sua mente. No fundo, ela sabia que precisava do perdão de Bill, de lhe dizer toda a verdade para poder sossegar em paz. Era como um criminoso no corredor da morte esperando a morte chegar. No fim sua vida não passou de um mar de arrependimentos.

***

Becca se livrou do doce beijo de Tom quando finalmente voltou a raciocinar. Ela sentiu o peso da culpa por estar se deixando levar mais uma vez em um relacionamento sem futuro e que lhe traria sofrimento. O maior medo de Becca, era sofrer.

-Não. – Ela disse se afastando e limpando os lábios de leve.

-Becca, qual o problema? Somos adultos não somos?

-É claro que somos, mas... Você tem alguém!

-Ela está a quilômetros de distancia daqui.

-Isso não importa. Eu não quero sofrer entende? Não quero mergulhar de novo em um relacionamento tão bom e de repente ver tudo ir por água abaixo...

-Talvez comigo seja diferente!

-E você deixaria tudo por mim?

Tom se assustou com a pergunta, que não conseguiu responder. Ele ficou parado a observando sem saber o que dizer. Talvez ele buscasse uma resposta que não a magoasse. Ou na verdade, ele realmente não soubesse o que dizer.

-Seu silencio diz tudo. Não convém deixar um relacionamento sólido por uma “aventura”. Eu também não deixaria. Vamos voltar para casa e fingir que nada disso aconteceu. O porto de Hamburgo é mesmo magnífico. Obrigada.

Ela entrou no carro e deixou Tom parado sem nada responder. Ele a seguiu. Durante o resto da viagem não trocaram uma palavra.

O destino pode ser engraçado ou não. Ele coloca em nossos caminhos tantas opções tentadoras e no fim só se pode escolher uma. É o certo pelo duvidoso. Mas, no fim todos são duvidosos. Aquilo que durou uma vida pode se acabar em segundos, da mesma forma que aquilo que começou em segundos... Pode durar uma vida...

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Sam McHoffen

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Que booooom que tu voltou Jocy! Estava aqui me perguntando como eu ficaria sem saber todos os misterios e o final dessa fic! Mas fico feliz de tu ter voltado... Bem, vamos aos capitulos!

Confesso que fiquei emocionada do Georg perdoar o Tom e pedir um abraço. É realmente estranho imaginar esses dois brigados e sem se falar por anos, e imaginar eles fazendo as pazes, é ótimo! Mas espero que eles nunca tenham uma briga assim. Mas confesso que se eu fosse pensar nos verdadeiros, acho que eles se dariam um abraço de urso, com ou sem gente por perto u.u

Paaaara tudo! A Amélia tinha um caso, mas não era com o Gustav?! Choooocada aqui! Shocked
E eu aqui achando que jah tinha entendido toda a estória. Agora fiquei mais perdida que cego em tiroteio.... Maas, jah que o Gustav só falou que era o cara que a Amélia gostava, para não dar mais confusão... Por quem a Amélia estava apaixonada? Shocked
Espero que minhas suspeitas não se confirme...
E a Amélia, eu até gostei dela nesse capitulo, parece que ficou uma pessoa melhor... mas não, ela não ficou. Pelo visto ela foi e sempre será uma vaca!

Aiiii, eu não sei nem o que falar sobre Becca e Tom. Eu acho que o Tom tah gostando da Becca, mas não sei se ele ainda ama a Ria ou apenas se acostumou a ficar com ela... Mas sei lah, eu queria que ele ficasse com a Becca, apenas pra ela superar todos seus problemas e por ai vai.

Continua Jocy!'

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44 Re: Amélia - As lembranças não estão em fotos em Dom Maio 05, 2013 11:11 pm

Capitulo 15
Escolhas


“Acho que sofreríamos menos se sempre soubéssemos o que estamos fazendo... Eu não sei o que o destino me reserva. No fundo ninguém no mundo sabe. Mas, tudo nessa vida sempre foi feito de escolhas sejam elas boas ou ruins. A vida não teria graça se não fosse assim. Eu fico me perguntando, será que se eu tivesse feito a escolha certa tudo seria diferente?”

Becca desceu primeiro do carro, enquanto Tom o manobrava para dentro da garagem. Bill aguardava ansioso na sala. Eles entraram na mansão dos Kaulitz meio receosos e desconfiados como uma criança que acabou de aprontar.

-O que houve? – Bill perguntou preocupado.

-Deu tudo errado filho? – Simone questionou Tom.

-Não, com Georg deu tudo certo. Ele disse que virá se dermos um coquetel aqui.

-Ai que maravilha! – Simone comemorou. – Então eu vou começar a preparar tudo. Você deveria ligar para Ria e pedir que ela venha não filho?

Becca apenas desviou o olhar quando ouviu o nome da namorada do Kaulitz mais velho. Ela sentia um aperto no peito, uma sensação horrível de ciúme e inveja que nunca havia pensado em sentir na vida. Tom se constrangeu. Até uns dez minutos atrás, antes de chegar ao Porto, ele sequer se lembrava dela.

-Eu acho que ela não vai poder vir. Eu conversei com ela mais cedo, parece que ela terá um desfile no dia do coquetel. Ela lamenta não poder vir.

-É mesmo uma pena filho.

-Bem, pelo menos acho que vou “conhecer” muita gente né? – Bill fez as aspas com os dedos.

-É sim. Eu vou ligar para o Peter e o David, e outros amigos aqui do país. Amanhã tentarei entrar em contato com o Gustav.

-Eu vou subir então. Preciso descansar um pouco, minha cabeça está doendo muito. – Becca disse assim que Tom terminou de falar.

-Fique para o Jantar Becca.

-Não, eu vou subir Simone, obrigada. Estou sem fome.

-Não se sente bem Becca? – Bill perguntou preocupado com a ruiva.

-Não muito, deve ter sido a viagem. Boa Noite! – Becca subiu as escadas em direção ao quarto em que se hospedava. Seu estomago parecia revirar. Não conseguia parar de pensar o quão boba estava sendo de novo.
Tom tentou não se importar, queria pensar que aquilo era apenas uma aventura mesmo e deixar tudo como sempre foi.
-Então também vou subir e tomar um banho, preciso descansar.

A água quente caia sobre o corpo de Becca e as lembranças misturadas e desconexas vinham em sua mente. Se lembrava da mãe, do primeiro amor e de tudo que havia deixado para trás junto com o tempo. Ela fechou o registro do chuveiro e vestiu um roupão branco de algodão. Da janela de seu quarto dava para ver as estrelas. Ela sentou-se na cama, as lágrimas quase involuntárias brotavam devagar, enquanto ela se esforçava para não chorar. Ela ouviu alguém bater na porta.

-Becca? – Era a voz de Bill do outro lado.

-Entra. – Ela secou o rosto rapidamente, para que ele não percebesse. Ele entrou devagar e sentou-se ao lado dela.

-Eu... Eu sei o que está acontecendo... – Bill começou a falar devagar.

-O que? – Becca se surpreendeu com a fala do ex-vocalista.

-Você e o Tom...

-Não seja bobo! Não temos nada! – Becca mentia. Tinha medo da reação de Bill.

-Eu sou um desmemoriado, mas não sou idiota. Eu gosto muito de você...

-Bill, não há nada entre a gente. Eu não quero que se magoe com uma bobagem dessas.

-Becca! Tudo bem... Eu gosto de você. Mas, não dessa forma. Gosto porque você me lembra alguém que eu não sei, e esse alguém foi muito valioso para mim. Tudo bem se você gosta do Tom. Ele é uma pessoa legal, e agora acho que não consigo me imaginar sem ele. E acho que você também não...

Talvez fosse verdade. Ela não conseguiria viver longe dele. Nem de Tom, nem de Bill e nem daquela vida tola que estava se acostumando. Uma família. Pensar em Tom era um sofrimento. Não sabia se aquilo era realmente um alivio por saber que poderia lutar por Tom, ou se só aumentava mais a duvida e a dor que tudo aquilo lhe causava.

-Becca... Não queria te magoar me desculpe!

-Não Bill! Tudo bem. Não foi nada que você fez.

-Tom tem uma namorada. Eu a conheci antes de virmos para cá. Ela foi se despedir dele, você tinha saído para comprar umas coisas. Ela tem os cabelos loiros. Vi umas fotos também, parece que ela tinha os cabelos tão vermelhos quanto os seus.

-Eu vi umas fotos dela nas colunas de fofoca.

-Mas, acho que deveria ir à luta. Você gosta dele!

-Não gosto. É só aventura. Paixão. Momento.

-Não quer lutar por ele? – Bill perguntou.

-Não tenho porque lutar. Ele tem uma namorada e eu devo simplesmente aceitar. Não posso me prestar ao papel de ser apenas mais uma aventura na vida dele! Vai contra tudo o que acredito! Eu odeio traição! Odeio que as pessoas mintam para mim! Não posso fazer isso com essa mulher que eu sequer conheço!
Bill sentiu uma forte dor de cabeça. A palavra TRAIÇÃO martelava em sua cabeça e milhares de frases iam e vinham em sua mente.

[...]

-Diga que é mentira...

-Não é. É mesmo o fim. Não posso continuar esta farsa. Eu amo outra pessoa.


[...]

-Eu me recuso a acreditar que vocês tenham me traído...

-É melhor você aceitar.

[...]



-Bill! Tudo bem com você? – Becca perguntou preocupada.

-Eu... E-Eu me lembrei de algumas coisas... – Ele disse ainda com a mão na cabeça.

-Do que se lembrou?

-Eu acho que fui traído...

-Por quem Bill? – Becca queria que Bill se recordasse, embora soubesse da historia em partes.

-Eu não me lembro! Não me lembro!

-Não precisa se esforçar tanto. Essas lembranças estão ai com você. Em algum momento elas iram aparecer.

-Tudo bem... Vamos deixar isso de lado por enquanto... O importante é você e o que está sentindo. – Ele fez uma pequena pausa como quem buscasse as melhores palavras - Sabe Becca, eu acho que as pessoas deveriam parar de sofrer por antecipação e deixar as coisas simplesmente acontecerem. É claro que existem as escolhas, e dependendo do que escolhermos podemos ser felizes ou não. Você pode ser feliz se quiser, não sei nada sobre você, mas acredito que queira ser feliz.

Becca observou atenta o Bill a sua frente. Ela parecia outra pessoa. De garoto mimado a um homem sério e integro que acredita na felicidade a qualquer custo. Ela começou a pensar que talvez o Bill Kaulitz estivesse muito além das roupas caras e dos sapatos de grife.

-Você está me surpreendendo... – Becca disse calmamente.

-Eu? Por quê?

-Eu pensava em você de outra forma.

-Não é a primeira pessoa que me diz isso. Eu preciso saber o que houve me lembrar de tudo. Eu me recuso a acreditar que eu seja a pessoa que eles dizem que eu sou. Mesquinho, egoísta e egocêntrico. Será que eu sempre fui assim?

-A sua mãe iria te mostrar umas fotos. Ela te mostrou? Não ajudou em nada.

-É verdade! Eu estava me esquecendo! Espere aqui um segundo!

Bill correu até seu quarto e pegou a caixa de fotos que sua mãe havia lhe mostrado. Entrou ansioso no quarto de Becca, na esperança de que algo ali o ajudasse a se lembrar de tudo.

-Veja estas são as fotos.

Becca analisou foto a foto. A namorada Ina, as fotos dos gêmeos, do pai dos Kaulitz, da mãe, avós amigos e familiares. Viu uma foto de Georg, ainda jovem, o outro que ela acreditava ser Gustav. Mas, nenhuma a intrigou mais quanto a última foto.

-Minha mãe disse que ela se chama Amélia... – Becca sentiu um arrepio, lembrou-se da historia contada por Tom da namorada que traiu Bill. Ela observou atentamente a foto. De longe, com os cabelos vermelhos, a semelhança era grande entre ela e Becca. Tinha um estilo mais hard rock.

-E o que se lembrou dela?

-Algumas frases, alguns momentos. Ela dizendo que me amava, depois ela dizendo que queria ficar comigo para sempre e depois ela dizendo que havia se apaixonado por outro.

-Ela te traiu...?

-Sim. É a única coisa que me lembro. Amélia me traiu. Mas, eu não sei com quem.

-Contou a mais alguém o que havia se lembrado?

-Não. Eu acho que esta história vai me machucar muito quando eu me lembrar dela... Preciso dormir um pouco e acho que você também. O dia foi muito longo.

-Descanse Bill e... Obrigada por tudo.

-A única pessoa que merece agradecimento aqui é você... Boa noite.

Ele lhe deu um beijo no rosto e saiu. Becca deitou-se olhando para o teto. O dia seguinte seria mais longo ainda e ela tinha muito medo do que viria a seguir. Queria sair de perto de Tom, de Bill e de toda aquela vida cômoda e agradável, mas por mais que quisesse, ela não conseguia.

***

Becca acordou assustada. Pela segunda vez naquela semana ela estava sonhando com Tom. Ela vestiu-se com um jeans rasgado e uma camiseta do Nirvana. Desceu as escadas devagar e sonolentamente. Bill ainda dormia, ainda era um pouco cedo e ele estava se acostumando novamente com o fato de dormir o máximo que podia. Gordon tomava um café enquanto assistia a um telejornal local que Becca não entendia sequer uma palavra. Ele se assustou com a presença dela. Ele raramente ficava no mesmo cômodo que ela e pouco lhe falava. O que deixava Becca de certa forma constrangida.

-Bom dia. – Ela disse educadamente.

-Bom dia... – Ele disse com a cabeça baixa. – Eu já vou sair, se quiser assistir alguma coisa, pode trocar de canal e...

-Por favor, não se incomode por minha causa. Tome seu café sossegado e assista seu jornal. Eu não entendo nada mesmo.

Ele manteve-se no mesmo lugar enquanto Becca servia-se de café. Era a primeira vez que ficava sozinha com Gordon desde que havia chegado.

-Então... Tom ainda não levantou né? Nem ele, nem Bill. – Ela puxou assunto.

-Bill ainda dorme. Tom saiu há cerca de uma hora...

-Ele? Tão cedo assim?

-Pois é...

O silencio voltara a reinar na cozinha.

-Acho que deveria desistir dele... –Gordon começou a falar.

-De quem? – Becca se fez de desentendida.

-De Tom. Você é uma pessoa legal. E ele tem um compromisso. Não acredito que ele a deixará por você.

-Acho que o senhor está entendendo errado...

-Eu sei das coisas Becca. Sou mais velho que você e conheço Tom há anos. Desde que era um garotinho. Não quero que se magoe.

Becca engoliu seco e pensou calmamente na melhor resposta naquele momento. Ela colocou a xícara sobre o pires e encarou firmemente o olhar do Trümper.

-Senhor, eu não estou aqui para tomar o namorado de ninguém. Estou aqui para ajudar uma pessoa a quem prejudiquei a recuperar sua memória. E realmente não acho que ele deveria mesmo deixar a namorada dele por nada. Com licença.

Ela não tinha nada contra Gordon Trümper. Na verdade, ela sabia que ele estava certo. Mas, não poderia deixar que ninguém dissesse o que teria que fazer.

-A carne é fraca moça... Quando menos você espera, você cai em tentação.

-Por que esta dizendo isso senhor?

Gordon ficou sem reação diante da pergunta. Becca aguardava a resposta. Parecia um jogo de xadrez e ela mal podia esperar pelo próximo movimento. Antes que Gordon pudesse dizer qualquer coisa, Tom entrou na cozinha. Becca se assustou ao vê-lo.

-O que houve com você?

Ela olhou atentamente o novo visual do guitarrista. Os cabelos antes lanzudos enrolados em um coque desalinhado de dreads agora estava liso e amarrado para trás. O tamanho um pouco acima dos ombros, preto.

-Wow! Ficou muito bom Tom!

-Você achou Gordon?

-Muito melhor que aqueles dreads, deve ser mais fácil de cuidar também?

-Com certeza! – Becca ficou calada com a boca meio aberta sem saber o que dizer. – Não gostou Becca?

-Ahn... Sim. Ficou muito boni... Ficou muito bom! – Ela disse meio desconcertada.

-Agora você não pode me chamar mais de Ninho de Ratos!

-Não adianta ter mudado o visual viu Ninho de Ratos!

-Então vamos? – Ele disse apontando para a porta.

-Para onde? Você acabou de chegar!

-Gustav está na cidade. Não podemos deixar esta oportunidade passar.

-Vamos, então. –Becca olhou para Gordon com um olhar de “essa conversa não terminou aqui”.

Becca ainda tinha o rosto corado, ao perceber o quanto Tom era lindo. Ele tinha os lábios delicados e bem desenhados. O nariz certinho e levemente empinadinho. Os braços tão fortes e o olhar tão doce. Ela nunca se cansava de observá-lo.

-O que foi? – Ele disse ao perceber que ela o observava.

-Nada.

Ele ligou o carro e eles seguiram viagem. O inicio silencioso chegava a ser incomodo para ambos. Tom foi o primeiro a tomar atitude.

-Então... Ainda não pedi desculpas para você.

-Tudo bem... Eu me deixei levar. – Ela tentava não olhar para ele em momento algum.

-Eu não quero que você sofra sabe? Quero dizer, você é legal. Aliás, você é ótima. Mas, eu ainda não sei o que quero da vida. Tudo tem sido duro e difícil para mim... E...

-Tudo bem Tom. Tudo vem no tempo certo. Até mesmo a cura para todas as nossas dores...

-Alguém te machucou no passado? Te magoou?

Ela olhou para a janela do carro. Todas as lembranças ainda estavam lá em sua mente. Parecia uma cicatriz e nunca iria sumir, mesmo que não doesse mais.

-É... Magoou sim.

-Mas, não vai me contar vai?

Ela respirou fundo. Tocar neste assunto outra vez iria doer muito.

-Só se me contar sobre Amélia...

-Amélia? – Tom empalideceu.

-Sim. Cada detalhe. Como tudo aconteceu e por que você ainda não disse tudo ao Bill.

Ele virou em rua estreita e tranquila e parou o carro. Só o nome da mulher que destruiu suas vidas já o assustava.

-É um assunto delicado. – Ele começou a falar.

-A minha história também é.

Ele passou a mão na cabeça. Ele também queria saber mais sobre Becca e não podia perder essa oportunidade.

-Então tá. Eu conto pra você.


***

Gustav estava tocando sua parte em uma nova musica da banda Paranoid. Na noite anterior havia recebido uma ligação desesperada de Amélia pedindo que nunca a abandonasse. Ele ainda se lembrava da primeira vez que havia a conhecido no colégio.

[...]

Eles ainda moravam na pequena cidade de Magdeburg. Ele sempre foi tímido e calado. Não gostava muito de se misturar. Ele aguardava na entrada da escola quando ele a viu entrar. Eles tinham quase a mesma idade. A diferença era só de um ano, mas, estudavam na mesma classe, pois ela era adiantando nos estudos. Ela vestia um jeans rasgado no joelho e uma camiseta do Metallica. Os olhos pintados de preto, o piercing no nariz e o cabelo preto cortado um pouco acima dos ombros. Era o primeiro dia dela na escola.
Ela não gostava de falar muito, ele tampouco. Os dias iam se passando e ele nunca teve coragem de falar com ela. A aula naquele dia era de química. A professora, Srta. Fischer, falava com sua voz irritante de sempre sobre uma matéria que Gustav não entendia e nunca entendeu.

-Bom, gente, a matéria deste próximo capítulo eu quero que vocês se reúnam em duplas e faça um trabalho dele para mim. Ok? Ele vai valer nota de teste!

O barulho da sala começou a aumentar com as turmas se movimentando de um lado para o outro. Gustav iria chamar um dos amigos mais nerds para ajudar ele com a matéria, mas algo naquele dia o surpreendeu.

-Você já tem dupla Schäefer? – A voz de Amélia o fez voltar a atenção novamente para ela.

-N-Não. – Ele disse corando as bochechas.

-Se importa se eu fizer com você?

-Não. De forma alguma.

-Posso ir à sua casa depois da aula?

-Claro. – Ele corou de leve, enquanto seus colegas se cutucavam entre si.

Naquele dia mesmo, ela o acompanhou até em casa. Tudo parecia um sonho. Eles se tornaram amigos desde então. Ele lhe emprestou cd’s, assistiram filmes juntos. Conversaram sobre o futuro. Mas, por mais que ele se esforçasse, ela nunca o viu além de um amigo. Pouco tempo depois ele ingressou em uma banda com o amigo Georg e os gêmeos que haviam conhecido recentemente.
Os pais de Amélia se mudavam muito. Ela chegou a deixar a cidade por alguns anos, deixando um Gustav desolado. Eles se falavam todos os dias por telefone, ou por e-mail. Gustav se esforçou para nunca perder os laços.
Ela era para Amélia um ombro amigo, um companheiro. Alguém em que ela podia sempre confiar. Mas, até hoje ele se arrepende de tê-la apresentado a Bill. Naquela época a dor maior era de perdê-la para um amigo. Depois ele iria entender, não era só isso que viria a seguir...

Amélia retornou a Magdeburg cerca de três anos depois. Muita coisa havia acontecido desde que então. A banda mudou de nome, fez sucesso, gravaram um disco. E o nome Tokio Hotel estava sendo conhecido em todo o país. Gustav chegou a acreditar que Amélia talvez o notasse mais depois da fama, mas ela só tinha olhos para o vocalista Bill Kaulitz. Ele fez tudo a pedido dela. Já que era fã da banda.

-Não acreditei quando vi o clipe na TV! Eu sabia que um dia ficaria famoso e agora vai me apresentar ao Bill! Não acredito!
Eles entraram no estúdio. Os cabelos agora vermelhos de Amélia reluziam sobre as luzes. Os garotos mais novos, mas ainda assim estilosos como sempre. Amélia lembrava uma versão mais nova de Becca. Bill a encarou e depois abriu um largo sorriso.

-Bill, Tom e Georg... – Gustav disse apontando para cada um. – Esta é Amélia.

-Muito prazer, eu sou Bill. – Ele disse sorrindo.

-Eu sou Amélia. – Ela apertou sua mão.

[...]


-Espera Tom! Então, foi o Gustav que apresentou eles?

-Foi sim. Mas, antes não tivesse apresentado. Ele realmente gostava dela e se jogou intensamente neste relacionamento. Eles pareciam um casal tão lindo. Até que um dia ela decidiu jogar um balde água fria em tudo... Eu ainda me lembro bem...

[...]
-Como assim vocês vão para Los Angeles?

-Amélia, tente entender. É para nosso bem.

-Bill, eu não posso aceitar isso! Você ás vezes parece ter vergonha de mim!

-Não diga uma bobagem dessas! Eu amo você! Faria tudo por você!

-Bill, eu quero que fiquemos juntos para sempre.

-Eu também Amy...

-Então por que você não me assume? Pare de fingir para todos que está solteiro.

-Eu quero poupar você entende? Depois eu prometo que volto e levo você para morar junto comigo. Daí o mundo saberá que não existe ninguém que eu ame mais que você.

Bill e Tom embarcaram naquela mesma noite. Amélia não gostava da ideia, mas teve de aceitar. Amélia era um groupie e preferia um namorado roqueiro, mesmo que morasse em outro país. Mas, ela não podia manter as coisas como estavam. Ele não demorou a visitar a namorada que deixou no país. Tentava ir com frequência para vê-la. Eles ainda tinham um disco pela frente. O tempo foi passando.
Mas, como a chegada de um inverno rigoroso, Amélia se tornou fria e distante.
Naquele dia, ele havia ido ao país para visitar a família e a namorada. Já haviam se passado mais de dois anos desde a mudança para outro país. Ele havia ido ao apartamento da namorada antes de ir ao estúdio encontrar-se com a banda.

-O que houve com você? – Bill perguntou franzindo o cenho.

-Nada Bill. Está tudo bem.

-Não está. Conheço você. Eu vim de Los Angeles só para ver você.

-Deveria ter ficado lá.

-Não me trate assim como se eu nada significasse para você! – Bill respondeu de forma irritada.

-Eu realmente precisava ter uma conversa séria com você. Bill, não adianta ficarmos fingindo que está tudo bem. Não está. Eu...

-Você o quê Amélia?

-Eu me apaixonei por outro e acho que devemos parar por aqui...

Bill não conseguia acreditar em cada palavra dita naquela frase. Era mesmo o fim depois de tantos planos que haviam feitos juntos. Ele se sentou na poltrona da sala dela. Ela estava morando em um apartamento em Hamburgo desde que havia começado a namorar Bill e ele havia se mudado de Magdeburg.

-Diga que é mentira...

-Não é. É mesmo o fim. Não posso continuar esta farsa. Eu amo outra pessoa.

-Quem?

-Não adianta dizer...

-Quem? – Bill excedeu o tom de voz.

-Não posso dizer!

-Quem Amélia? – Ele estava alterado.

-Gustav.

Bill ficou pálido como uma folha de papel. O nome de seu amigo dito nos lábios da mulher que ele amava sendo o grande amor da vida dela.

-Pelo amor de Deus, me diga que não é o mesmo Gustav.

-É ele sim Bill. Eu descobri que eu o amo desde os tempos do colégio.

Bill ficou se reação por alguns instantes. Até que resolveu ir tirar a historia a limpo. Não podia acreditar naquela piada de mau gosto.
Gustav estava no estúdio da banda. Ele estava sentado sozinho no meio da sala. Era uma manhã de inverno. Ele parecia aguardar pela chegada de Bill. Georg, Tom e os managers da banda discutiam sobre uma canção.
A porta se abriu bruscamente. A imagem de um Bill aterrorizado apareceu. Gustav manteve a mesma expressão séria. Bill parou em sua frente.

-O que houve Bill? – Tom perguntou preocupado.

-Deixem eu e Gustav sozinhos, por favor. – Bill pediu a todos que se retirassem.

Tom franziu o cenho, sabia que viria bomba a seguir.

-Já pode parar com a piadinha de mau gosto. – Bill disse com a voz tremula assim que todos saíram.

-Ela já te contou...

-Eu me recuso a acreditar que vocês tenham me traído...

-É melhor você aceitar.

-Por Deus isso é verdade...? – Bill ainda chorava.

-É sim.

-Por quê? Por quê? Eu nunca fiz nada para você, por que você me traiu deste jeito? Você me apresentou ela, lembra-se?

-Eu sempre amei Amélia, fiquei arrependido do que fiz. Eu não deveria ter apresentado ela para você.

-Pare de falar de maneira tão calma! – Bill o levantou da cadeira o puxando pela gola da blusa que Gustav vestia. Embora, um pouco mais magro e mais fraco na época, a raiva conseguiu lhe dar forças inimagináveis.

-Eu não posso falar de outra forma.

-Desde quando?

-Desde que você foi embora. Ela ficou carente. Eu disse que a amava e ela me aceitou.

-E por que só me contaram agora? Gustav me diga que se arrepende e eu perdoo vocês. Eu não vou guardar rancor eu...

-Ela não te contou?

-O quê Gustav?

-Ela tá grávida...

[...]


-O quê? – Becca não conseguiu esconder uma reação – Amélia estava grávida???


-Estava sim. Nós ouvimos tudo da outra sala, mas Georg achou melhor não interferir. Mas, isso não era o pior. Ainda teria muito mais...

[...]

Bill socou o rosto de Gustav com toda a força que tinha. Ele queria matá-lo, trucida-lo, acabar com a raça daquele traíra mentiroso e depois iria fazer da vida daquela miserável um verdadeiro inferno.

-Ele pode ser meu filho desgraçado! – Bill disse com toda a sua raiva.

-Não, ele não é. Ele é meu. Ela está grávida de seis semanas. Um mês e meio. Você saiu daqui a dois meses e meio. Não existe a menor possibilidade deste filho ser seu.
Bill sabia que era verdade. A relação havia esfriado há muito tempo. Havia muito mais que dois meses que o impediam de ser pai daquela criança.

-Seu desgraçado! – Bill voltou a socar Gustav que ainda se recuperava do golpe anterior. Neste momento Tom e Georg entraram na sala, seguidos de David e Peter, os managers da banda.

-O que está acontecendo? – David disse nervoso.

-Esse maldito! Suma da minha frente! Eu não acredito que tenha feito isso comigo, você fez um filho nela! Por que Gustav? Diga-me por quê?

-Calma Bill... – Tom disse segurando o irmão.

-Precisamos manter a calma. Somos uma equipe. – Peter interferiu.

-Não! Não somos uma equipe! Nem equipe, nem família e nem banda. Acabou!

-Não podemos acabar com a banda! – Georg disse.

-Não faça isso, eu saio da banda. – Gustav interferiu.

-Cala a boca! Não estou falando com você! – Bill gritou para Gustav.

-Não podemos tomar uma decisão assim... – Tom disse tentando apaziguar a situação.

-Eu decido! Eu comecei isso! Eu decido.

-Você não fez tudo sozinho. – Georg disse tentando manter a calma. – Aliás, vocês decidiram nos deixar de fora de tudo, mas ainda éramos uma banda antes de decidirem se hollywoodizarem.

-Isso nunca foi problema para vocês, agora é? – Tom disse para Georg.

-Chega! – Peter tentava em vão acalmar os nervos.

-Chega mesmo. Eu e Tom vamos voltar amanhã para Los Angeles. Mande uma carta oficial anunciando o fim da banda. Eu não quero nunca mais ver nenhum de vocês.

-Não pode tomar uma decisão assim! – David disse aterrorizado.

-Eu não quero mais cantar nesta banda... – Bill virou as costas e saiu.
Tom balançou a cabeça negativamente. E saiu logo em seguida. Não havia muito o que se fazer...

[...]


-... Eu me lembro de que ainda tentei convencê-lo, mas, foi em vão. Na manhã seguinte retornamos a Los Angeles. Não podíamos tocar sem um vocalista. Não seria mais Tokio Hotel. Georg disse que mesmo se tirássemos Gustav, não haveria o mesmo clima. Peter e David foram responsáveis pela carta oficial. Jornalistas ficaram acampados na porta de nossas casas e nosso telefone não parava de tocar. Até hoje eu não posso acreditar naquilo. - Tom finalizava a história.

-E onde está o filho dela? Ela mora com Gustav? – Becca perguntou.

-Ela perdeu o filho quatro meses depois. Segundo minhas informações.

-Ela ainda mora com o Gustav?

-Eu não sei ao certo.

-E quer mesmo encontrar com ele?

-Eu ainda acho que falta alguma coisa nesta historia... Se Gustav realmente quisesse Amélia, teria feito isso há mais tempo. Eles eram amigos, estudavam juntos. Por que ele iria se aproveitar disso dessa maneira? Colocar em risco o futuro da nossa banda, por uma besteira?

-A carne é fraca... - Ela disse se lembrando do que Gordon havia dito.

-Talvez. Mas, Gustav era muito leal.

-Então você acredita na inocência deste Gustav?

-Não boto minha mão no fogo, mas Amélia nunca foi uma santa... Eu preciso falar com o Gustav. Preciso criar coragem de fazer o que não fiz antes...

-Você está certo. Vamos então. Ele está nos esperando...

***

Gustav estava perdido em suas lembranças. Tudo havia retornado com a volta de Bill. E para piorar ele recebe uma ligação do próprio Tom pedindo para conversar com ele. Não sabia o que iria fazer. No fundo ele não se perdoava pelo que havia feito. Colocou sua conta em risco por uma mulher e jogar no ralo tudo o que havia construído até então.
Ele ouviu passos vindos do elevador. Devia se preparar emocionalmente. Era Tom que havia chegado...
Talvez a escolha a ser feita não seja a melhor. Mas, não sabemos o futuro. Se soubéssemos, cometeríamos menos erros...

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45 Re: Amélia - As lembranças não estão em fotos em Seg Maio 06, 2013 12:17 am

Sam McHoffen

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affraid Santa mãe de Deus!' Que capitulo foi esse?!!!!
Jocy, se tu vesse minha cara agora, tu iria tah chorando de rir! Estou de olhos arregalados e empolgada... Desde o inicio da fic fiquei me perguntando o que havia realmente acontecido com o Bill, e eis que tah ai algumas coisas do fim da banda! Mas ok, xo comentar outras coisas primeiro. u.u

Eu não gostei da conversa da Becca com o Gordon, eu acho que por um lado ele tah certo, mas eu tenho esperanças que o Tom veja que está apaixonado pela Becca... e ela bem que podia lutar um pouquinho pelo Tom né?! Tentar ser feliz.

Bill, seu fofo!' Ele tah de voooolta, o Bill que amo! *---*
Adorei o que ele falou pra Becca, ela deveria lutar pelo Tom, que é um cara legal e acho que gosta dela. E até que enfim ele começou a ver o Tom como o irmão dele novamente!

E dessa estória toda do fim da banda: que loucuuuuuura!
Essa Amélia foi uma filha da puta! Toh pagando pra ver eu conseguir gostar dessa mulher até o fim da fic, viu!
Mas eu toh com o Tom, nesse angu tem caroço u.u
O Gustav não iria fazer algo assim com o Bill... ele não pooooode ter feito isso! Me recuso a acreditar que ele fez uma merda tão grande assim com o Bill! Então espero que o Gustav tenha dito todas essas merdas porque a Amélia tava numa enrrascada, e ele por amar ela inventou tudo isso.

Jocy, ler esse fim da banda, com toda essa confusão não foi legal! Espero que nada assim aconteça, seeerio! Sad
Contiiiiinua logo, toh doiiiiida pra saber toda a verdade (apesar de achar que o Gustav ainda não vai contar isso, mas espero que ele conte tuuuudo o que aconteceu realmente)... E a história da Becca, é claro! Razz

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46 Re: Amélia - As lembranças não estão em fotos em Seg Maio 06, 2013 10:52 pm

Capitulo 16
O Fio vermelho do Destino


“Eu fiquei parada apenas observando... Queria poder voltar no tempo e mudar o mundo. Mas, existem coisas na vida que somente o tempo poderá interferir. No mundo não existem coincidências... Há apenas o inevitável... Será que o destino mandou você naquele momento?”

Gustav tentou esboçar alguma reação ao ver o velho amigo parado na porta. Mas, parecia que suas pernas não tinham forças o suficiente para prosseguir. Ele havia se lembrado do quanto aquela banda era importante para Tom. Para Tom e para todos eles e como uma decisão mudou todo o rumo da história. Tom também não sabia o que fazer, queria dizer que sentia muito, que deveriam esquecer o passado e seguir em frente. Mas, o peso daquela frase era demais para ele carregar. Becca estava do lado de fora encostada na parede ela não queria interferir naquela conversa. Tom se aproximou mais um pouco. Seu coração pulsava tão intensamente que ele pensou que iria passar mal. Jamais em sua vida pensou que falar com o Gustav fosse doer tanto assim.

-Você... Não mudou muito... – Tom começou a falar. Não sabia mesmo como conversar.

-Só engordei mais um pouco... – Gustav disse com a voz baixa.

-Eu disse para maneirar na pizza...

-É...

O silencio às vezes chega ser incomodo quando não precisamos dele. Quando as palavras precisam ser ditas para que se criem laços entre as pessoas.

-Então... Eu fiquei surpreso com sua ligação... O que queria falar comigo? – Gustav quebrou o silencio tentando ir logo ao assunto que tanto o atormentava.

-Você deve saber o que aconteceu com o Bill...

-Georg me contou por alto, mas não entrou em detalhes.

-Bill teve um acidente, e perdeu temporariamente a memória. E o médico pediu para que tentássemos fazer com que se lembre aos poucos de sua vida...

-Entendi e... Por que você veio atrás de mim?

-Gustav, nós iremos dar um coquetel no fim desta semana e eu gostaria muito que você participasse.

Gustav pareceu surpreso com o convite. Ele não acreditava que realmente fosse convidado, principalmente depois que tudo aconteceu.

-Não acho que terei clima para isso. – Gustav disse olhando para baixo.

-Você fez parte de toda essa história também...

-Eu engravidei a namorada do seu irmão... Como acha que poderei encará-lo outra vez? Como acha que eu pude aceitar você aqui? Conversar com você... Sua família, nossos amigos? E Amélia...

-Você e Amélia... então... ainda estão juntos? – A pergunta parecia uma bomba no colo de Gustav prestes a se explodir. Qualquer resposta ali diante daquele Tom observador poderia por tudo a perder.

-Não... Nos separamos quando ela perdeu o bebê. Ela ainda se sente muito culpada...

-Aquela mulher é a maior vadia que eu já conheci em toda minha vida! Não me diga que ela se arrepende ou sente remorso por alguma coisa! Ela destruiu nossas vidas! - Tom se excedeu sem querer.

Gustav engoliu seco. Não podia defendê-la. Mesmo que tivesse mudado a maneira de ser, ela não podia apagar o passado que tinha e nem tudo o que havia feito.

-Entendo como se sente... Mas, eu também sou culpado. – Gustav disse em um tom cheio de remorso.

-Agora não é hora para acharmos culpados. É hora de acharmos respostas. Gustav, o que quer que aquela mulher tenha feito, é melhor você me dizer agora. Por que eu não acredito que você tenha feito aquilo por simples esporte!

-Não há respostas Tom... Foi um erro... Só isso.

-Gustav! Era o Bill... Seu amigo. Meu irmão. O vocalista da nossa banda, do NOSSO sonho! Você jogou tudo fora, por... Ela?

-Eu amava Amélia... Eu... Amo...

-Eu sei que ama. Sempre amou. Desde o dia que você a apresentou ao Bill, mas conhecendo você como eu conheço, eu me recuso a acreditar que você tenha sido tão filho da mãe como você foi.

-Tom... As pessoas cometem erros. Muitos deles. O que fiz foi um erro e acredite ou não eu me arrependo todos os dias.

Tom parou por um instante e refletiu sobre aquela frase. Arrependimento. Era a palavra que resumia tudo. Culpado ou não, ele estava arrependido e para ele isso bastava.

-Faça como quiser Gustav. Eu ainda acho que tudo aquilo não foi como parecia. Queria ter te dito isso antes, mas eu não pude. Se houver algo mais que me queira contar, eu vou estar sempre disponível. E esqueça o passado. Como Bill não se lembra de nada, iremos fingir também que nos esquecemos de tudo.

-Não pode apagar o que aconteceu.

-Eu não quero nada disso. Quero apenas viver o presente... O Coquetel é no sábado. Você é, como sempre foi e sempre será, bem vindo em nossa casa.

-Acha mesmo que eu vou? Pelo Bill?

-Acho sim. Eu tenho certeza.

Se Tom não tivesse virado as costas para sair teria visto um Gustav sem reação parado no meio da sala com os olhos encharcados de emoção. Becca tocou o ombro de Tom, ela sabia o quanto voltar ao passado depois de tudo era muito difícil. Ela mesma não conseguiria encarar todos os demônios do passado que a atormentam. Tom entrou no carro e seguiu de volta para casa. Becca tentou não dizer nada. Ele segurava um nó na garganta. Ele não se conformava. Não podia ter sido simplesmente como foi. Deveria haver algo mais e realmente havia...

-Pode chorar se você quiser... Eu vou fingir que não vi... – Becca tentou quebrar o gelo.

-Tudo bem... Já está passando...

-Você acha que ele vai?

-Eu tenho certeza...


***


Bill anotava com frequência todas as lembranças que tinha. A casa e a família o ajudavam muito a recordar de tudo. Tom e Simone ficaram por conta de acertarem os preparativos do coquetel. Enquanto Becca tentava esquecer tudo o que havia tido com Tom, estava muito difícil fingir que nada havia acontecido. Por outro lado estava agradecida por ele estar muito ocupado com o coquetel e ter se esquecido da promessa que ela havia feito em contar sobre sua vida. Seria duro para ela se recordar de tudo.

Bill estava no jardim escrevendo algumas coisas de que gostava e algumas coisas que se lembrava. Becca caminhou devagar até o jardim. Tentou não desconcentrá-lo ao sentar-se ao seu lado, mas ele logo percebeu a presença dela.

-Oi... – Ele disse sorrindo.

-Oi... – Becca disse retribuindo o sorriso.

-Como foi com o Gustav ? – Bill perguntou.

-Bem... Eu acho... Ele deve vir.

-Eu acho que tinha um sentimento forte por ele. Cada vez que vejo as fotos dele me dá uma paz...

Becca não quis contar o que sabia. Era melhor que ele o visse primeiro. Ela então havia entendido que Gustav era uma pessoa muito importante para Bill, um amigo querido. Por que então Gustav decidiu traí-lo daquela forma. Becca também não entendia por que havia sido traída. Algumas pessoas simplesmente traem...

-Você também me dá muita paz... – Becca encostando a cabeça no ombro dele.

-Você acha?

-Sim.

-Becca, será que eu sou uma pessoa muito ruim...? - Ele disse com o olhar triste.

-Por que está dizendo isso?

-Eu às vezes sinto que as pessoas me escondem coisas. Coisas do passado. Pessoas que eram minhas amigas e não são mais.

-Entender as pessoas é a coisa mais difícil da vida... - Ela pensou um pouco. Não gostava de vê-lo triste daquela maneira. Perdido. Ele lembrava sua versão na adolescencia. Quando tudo parecia perdido. - Por que você não deixa de deprê e vamos dar uma volta na cidade. Pedimos ao motorista para nos levar ou vamos de táxi. Vamos tomar um café... Você gosta de café?

-Adoro café!

-Então vamos!

-Tom não vai achar ruim? Eu nem tive tempo de elogiar o novo visual dele!

-Não se preocupe! Ele está muito ocupado no momento. Vamos sair de fininho que ele nem irá nos ver! Vamos! – Becca o puxou pelo braço e eles saíram correndo em direção ao motorista da família. Tom estava com uma decoradora decidindo onde ficariam as mesas. Ele só viu quando os dois entraram no carro e saíram rindo e se divertindo e por alguma razão que ele desconhecia aquilo o incomodava muito.

Becca só queria que Bill se distraísse, conhecesse novas pessoas. Ela tinha esperanças de que uma pessoa boa poderia fazê-lo esquecer-se de Amélia. Talvez fosse em vão, mas não custava tentar.

***

Amélia andava de um lado para o outro. Aguardava Gustav chegar. Ela havia entrado em pânico quando ele havia dito que Tom falou com ele. Ela temia que ele já soubesse de tudo, e que o pior tivesse acontecido. Quando a maçaneta da porta girou, ela não sabia se sentia alivio ou medo.

-Gustav! - Ela se jogou nos braços dele.

-Está tudo bem... Ele não sabe de nada... Agora pode me soltar.

-Pare de ser grosso comigo! – Ela chorava copiosamente.

-Já chega tá? Você não amadurece? – Gustav não media palavras quando se tratava de Amélia.

-Eu me esforço para isso. Tenho um emprego, moro sozinha.

-Amy, isso não basta. Você precisa de muito mais que isso para amadurecer.

-Não me de lição de moral! O que ele queria com você?

-Na verdade não te interessa.

-Gust! Por favor, sabe como é importante para mim!

-Ele queria conversar comigo. Me chamar para o coquetel, rever o Bill.

-Coquetel? Rever o Bill? Não você não vai né?

-Eu não sei...

-Ele não disse nada sobre mim? – Ela havia se acalmado e falava normalmente.

-Quem? Tom? Não vai querer ouvir o que ele disse sobre você...

-Foi tão horrível assim?

- “Aquela mulher é a maior vadia que eu já conheci em toda minha vida...”

-Tá! Pode parar! – Ela se sentou no sofá ao lado de Gustav. Em alguns momentos ela era uma criança birrenta e mimada implorando por atenção. Em outros ela era uma mulher perdida e atormentada pelas próprias consequências de suas escolhas.

-O que foi? – Gustav perguntou.

-Eu... Eu sou tão arrependida. Será que tudo teria sido diferente, se eu tivesse escolhido você ao invés dele?

-Claro. O chifrudo hoje seria eu. – Gustav dizia de forma irônica.

-Não é isso. Eu fiz tanta gente sofrer. Eu queria tanto e hoje... Eu não tenho nada.

-Acho melhor você procurar um tratamento, é o melhor a fazer. – Ele dizia de forma seca e ríspida.

-Por favor. Você me trata mal todos os dias, mas hoje você está pior.

-Eu venho toda a hora que você precisa. Te dou meu ombro para você chorar. Cobri todas as suas burradas, assumi culpas por você! O que mais você quer que eu faça?

Ela mantinha a cabeça baixa sem nada dizer. Se os papeis tivessem invertidos talvez ele soubesse o quanto o peito dela ardia e o quanto a consciência pesava todos os dias em que ela pensava nisso.

-Sabe como foi difícil para mim? Ver o Tom diante de mim, acreditando em mim? Eu fiz todos eles sofrerem e ele ainda me aceita na casa dele. Ainda quer que eu lhe conte tudo porque ele não aceita que eu tenha realmente feito o que fiz! - Ele continuou.

-Mas, você não vai contar vai?

-Não Amélia. Você continua a mesma egoísta mimada de sempre. Eu não vou contar nada que você fez. Eles não merecem sofrer mais. Ao contrario de você...

Ele se levantou e se dirigiu a porta.

-Você acha que eu não sofro? Que eu não me acho um lixo? Uma vadia? Olha só para mim: o que eu tenho? Nada. Eu deveria ter pensado, deveria não ter cometido tantos erros, ter sido menos imatura. Mas, eu não posso corrigir. Eu não tinha escolha. Acha que não dói quando penso no meu filho?

Gustav revirou os olhos e deu um sorriso irônico.

-Que filho? O que você abortou por ser covarde demais para assumi-lo? Por ser covarde para sequer tê-lo deixado viver? Você não prestou nem para abandoná-lo!

-Gustav... Não diga isso! Hoje ele teria quase seis anos!

-Chega Amélia! Minha cota de você deu por hoje! Eu preciso ficar longe de você. Você... Me faz mal...

-Gustav, eu só tenho você...

-Chega...

Gustav virou as costas e saiu. Ele se esforçava muito para entendê-la. Ele não sabia se a amava. Talvez no fundo aquilo fosse apenas pena por ver aquela mulher provar as consequências de tudo o que plantou. Ele sabia que ela sofria que se arrependia de tudo, do filho que não deixou nascer, da traição, de ter perdido Bill e acabado com o sonho dele, por simples egoísmo e capricho. Porém, ele não podia passar o resto da vida passando mão na cabeça dela... Seria ser fraco demais.

Mas, da mesma forma que não se pode retornar o curso de um rio, não se pode voltar no tempo, mesmo se desejarmos com toda a nossa força... Nunca será suficiente...


***


Bill e Becca tomavam café em um restaurante nas extremidades da cidade. Bill tentou disfarçar com uns óculos e um boné. Não queria que a mídia inteira divulgasse sua vida na imprensa marrom. Eles riam enquanto Becca lhe contava historias sobre suas viagens pela América do Norte. Bill se distraia com ela, como todas as suas aventuras.

Foi quando Becca sentiu alguém lhe tocar o ombro de leve. Ela se virou devagar.

-Becca? Não acredito... É você?

Becca levantou da cadeira com um salto.

-Alice?

Becca tinha uma amiga antes de sair de sua cidade. Alice. Ela era a única amiga que teve na vida. Alice, tinha os cabelos lisos e grandes muito pretos e os olhos muitos expressivos. Redondos e vibrantes. Os lábios desenhados em forma de coração. O corpo magro e esguio, ela não era muito alta, mas também não estava abaixo da média. Quando Becca decidiu deixar a cidade, foi ela que a presenteou com a câmera que sempre carrega consigo. Elas trocavam e-mails. A última vez que haviam escrito uma para a outra havia sido há quase cinco meses, quando Alice disse que iria estudar na Europa, mas ainda não sabia ao certo onde. Depois haviam perdido o contato.

-Não acredito que é você! Vi você de longe, quando passava aqui em frente! O que está fazendo aqui Becca?

-Eu estou... Bem... De férias...? - Becca disse tentando entender a propria situação.

-Que bom, fico feliz!

-E você? O que faz aqui? – Becca perguntou enquanto Bill apenas observava as amigas conversarem.

-Eu estou estudando. Ganhei uma bolsa na faculdade de Harvard e pouco tempo depois eu me formei em medicina, fiz mestrado e agora estou fazendo doutorado.

-Não acredito! Realizou mesmo o sonho de ser médica?

-Graças a Deus!

-Sente-se Alice, venha tomar um café com a gente. Eu nem te apresentei meu amigo... Este é Bill. Bill está é minha melhor amiga desde o jardim de infância... Alice.

Bill retirou os óculos para olhar atentamente aos olhos da jovem Alice. Ela lhe estendeu a delicada mão para cumprimentá-lo com um lindo sorriso no rosto.

-Muito Prazer... – Ele disse calmamente.

-O Prazer é todo meu...

Dizem que no mundo não existem coincidências. No tear que tece nossas vidas não existem pontas soltas. Todos os fios estão entrelaçados entre si e revestidos de significado.

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47 Re: Amélia - As lembranças não estão em fotos em Ter Maio 07, 2013 12:11 am

Sam McHoffen

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Guuuuuustav, seu burro!' Toh com raiva do Gustav, seeerio! Eu acho que o Gustav colocou a vida dele a perder por causa de uma mulher idiota que não lhe da o menor valor! E eu toh com o Tom, em tudo que ele pensa!
A Amélia pelo visto não aprendeu nada com todas essas burradas que ela fez... mas acho que um dos motivos é que o Gustav passa a mão na cabeça da Amélia, mesmo ela fazendo merda atrás de merda, vem o Gustav tentando tapar isso tudo... E o único que acaba se ferrado é o próprio Gustav. A Amélia pode estar arrependida, mas ela continua imatura e não tenta pelo menos ser uma pessoa melhor! Enquanto o Gustav continuar passando a mão na cabeça da Amélia, e mentindo por ela, sem dúvida ele vai sofrer e ela continuar pisando em que estiver na frente!

Opa!' Sinto um ciúmes da parte do Tom?! Acho que o Tom se mordeu de ciúmes do Bill e da Becca. Só espero que ele faz a coisa certa em relação ao sentimentos dele.

Aiiiii Jocy! Maldade isso ai de tu não contar os segredos da Amélia e da Becca. Toh morrendo de curiosidade pra saber o que esse povo tanto esconde!

Sinto que Bill vai se apaixonar?! E pela Alice?!... Bem, espero que sim! Espero realmente que essa Alice seja uma ótima pessoa, que consiga conquistar a tão difícil confiança do Bill. E quero muiiiiito que esse Bill (seja o metido a divã, o crianção, ou esse fofo que tanto adoro) seja muito feliz, porque ele sofreu demais nessa fic, e merece realmente isso!

Continue Jocy!'

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Capítulo 17
Alice



“Que sabor a liberdade tem? Sentir o vento no rosto, de braços abertos como se quisesse abraçar o mundo. Talvez quisesse mesmo. Eu nunca entendi o sentimento que um pássaro tinha ao alçar seu primeiro vôo, ou uma lagarta ao virar borboleta. Mas, vendo você com aqueles olhos tão brilhantes e aquele sorriso tão largo, eu percebi que sentimento se tinha quando se alçava o primeiro vôo...”


O primeiro dia de aula era sempre triste. E Becca sabia disso. Recém-chegada aquela pequena cidade que o pai dela havia escolhido para morar. Havia perdido a conta de quantas vezes havia se mudado de escola. Filha de um cineasta famoso e de uma atriz que um dia havia sido uma das maiores estrelas de Hollywood, mas que havia se tornado cada dia mais em uma pobre estrela decadente. Becca vestia o tradicional terninho escolar para a escola conservadora de meninas. Pablo Moratto Giovanelli exigia que a filha fosse preservada de todos. Não queria que a mídia descobrisse sobre a pequena Becca Smith Moratto.O sobrenome Smith viera da mãe, Madeleine Smith, que ela não via há quase dois anos.

Os pais dela haviam se separado quando ela ainda era muito jovem e não entendia que algumas coisas não dependem de nossa vontade. Madeleine acabou envolvendo-se com drogas ilícitas e houve a queda livre de sua carreira. Era o inicio de uma jornada sem volta de uma estrela decadente. Pablo Moratto ganhou a guarda da pequena Becca na justiça e se mudou para longe da ex-esposa, que nunca procurou pela filha desde então. Ela havia ficado em Los Angeles onde tentava em vão alavancar a carreira.

E Becca sentia. A falta da mãe era um fardo muito grande para ela carregar. Naquele dia, ela havia ingressado em uma das melhores escolas de Cape Charles no estado de Virginia. Com pouco mais de 1000 habitantes foi o lar de Becca por muitos anos. Becca aguardava na entrada vestindo suas meias três quartos e a mochila nas costas. Os cabelos de um loiro platinado amarrado por um laço vermelho.

-Oi. – Becca se assustou e virou logo em seguida.

A garota de sobrancelhas grossas e olhos muito vivos lhe abriu um sorriso radiante. Os cabelos muitos pretos amarrados em uma trança espinha de peixe que ela lhe contou depois que havia sido feito pela mãe dela.

-O-oi... –Becca disse meio tímida e receosa.

-Você é nova aqui né?

-É o meu primeiro dia...

-Muito bem então. Eu sou Alice! Muito prazer.

-Eu sou Becca.

-Bem vinda Becca
!

Alice tornou os dias melhores para uma Becca que buscava algo para se distrair da triste realidade que tinha. Queria esquecer que os pais haviam se separado e que a mãe morava longe demais
O sonho de Alice sempre foi a medicina. E parece que o sonho dela estava mais do que realizado.

Becca estava observando atenta os olhos brilhantes de Bill enquanto ouvia a radiante Alice lhe falar. De certa forma ela compreendia bem o que Bill sentia, afinal ela sentiu a mesma coisa quando a conheceu. Era um dom que Alice tinha.

-Becca onde você está morando?

-Eu estou na casa dele! – Becca disse apontando para Bill.

-Oh Meu Deus você se casou? – Alice disse de forma perplexa.

-Não. É uma longa historia.

-Queria tanto por os papos em dia com você. E você Bill? Eu tenho a impressão de que já vi seu rosto em algum lugar...?

-Deve ser impressão sua... – Bill se recusou a falar de quem se tratava o que deixou Becca intrigada.

-O Bill é um pouco tímido pelo que você pode ver. – Becca riu.

-Eu percebi. É uma pena eu não poder ficar muito. Tenho que ir para casa.

-Nós também já estamos indo, né Bill? O irmão dele deve estar louco nos aguardando.

-Eu queria tanto que fosse em minha casa! Eu vou te passar o numero do meu celular e meu endereço. Eu te aguardo lá hoje a noite. Pode ser? – Alice disse anotando os dados em um guardanapo.

-Claro!

-Se quiser me visitar qualquer dia desses será muito bem vindo! – Alice disse apertando a mão de Bill que corou de leve.

-Eu vou sim. Será um prazer.

Becca viu Alice se afastar. Eles saíram logo em seguida. Bill se mantinha calado e pensativo, com um sorriso de leve em um dos cantos da boca. Becca sabia o que significava, não eram necessárias palavras para descrever.

***

Tom estava andando de um lado para o outro, olhando para o relógio. Estava inquieto e pensativo. Queria ter ido correndo atras deles, mas quando viu jjá estava longe. Sentia ciumes dela como nunca havia sentido de outra mulher. Ele queria saber o que ela pensa, onde ela vai. Queria fazer parte da vida dela. Mas, já existia alguém para que ele se preocupasse.

-O que houve meu filho? – Simone perguntou ao perceber a inquietação do filho.

-Eles estão demorando. Saíram sem dizer nada e ainda não retornaram

-Não se preocupe com eles. É até bom vê-los tão próximos. Ela tem ajudado tanto o Bill. Eu não me queixaria se eles formassem um casal.

Tom sentiu um frio no estômago. A palavra “casal” não lhe soava bem quando se tratava de Becca e outro homem. Mesmo que ele fosse seu irmão.

-Não acho que eles tenham nada a ver um com o outro. – Tom disse tentando não parecer que se importava.

-Está brincando? Eles têm muito em comum. E o Bill gosta dela, ela se preocupa com ele. Quem sabe Becca não traz mais alegria a vida que aquela Amélia ajudou a destruir.

-Não pode perdoá-la né Mãe?

-Eu não conseguiria. Mas, acredito que um dia alguém o fará curar todo o estrago que aquela mulher causou, sem amnésias... Espero que este alguém seja a Becca.

Tom começava a pensar que a mãe tinha razão. Becca e Bill seriam um ótimo casal. Mas, e os sentimentos dele?

Ele ouviu o carro chegar e o portão se abrir. Eles haviam chegado. Ele ficou na entrada da casa os aguardando, enquanto os dois desciam do carro. Bill e Becca sorriam e brincavam como crianças que acabaram de vir do parque de diversões.

-Onde vocês estavam? – Tom disse pondo as mãos na cintura.

-Por ai... Mamãe... – Becca debochou da pose de mãe mandona de Tom.

-Isso não é uma piada Becca. É sério. Onde estavam?

-Tomando um café... – Bill disse tentando aliviar os nervos do irmão.

-Há quatro horas?

-Não se preocupe Tom. Saímos tomamos um café, demos uma volta por ai. E depois fomos para um luxuoso quarto de hotel e enchemos uma banheira bem quente e espumante. Tiramos nossas roupas e...

-Chega! Não precisa entrar em detalhes. Vamos comer! –Tom virou as costas e seguiu para dentro da casa. Sentia o rosto queimar só de imaginar a cena.

-Tom... Nós não- - Bill tentou explicar antes de ser contido por Becca.

-Deixa! – Ela deu uma piscadinha. Adorava ver Tom constrangindo quando isso raramente acontecia.

***

O resto da tarde foi de muita correria para a o coquetel que a família iria dar. Tom ligava para os amigos mais próximos, enquanto a mãe cuidava do restante dos detalhes. A segurança seria reforçada e todos os convidados deveriam manter o sigilo.
Becca desceu as escadas correndo em direção a porta, passando apressada por um Tom que estava sentado com uma lista de convidados nas mãos.

-Onde você vai? – Ele nem se deu conta de quando perguntou.

-Vou encontrar uma pessoa...

-Aqui? Que pessoa? Um familiar? Você não me disse que tinha familiares alemães.

-Sim. Não te interessa. Não. Eu não tenho familiares aqui. Acho que respondi tudo na ordem certa... Se o interrogatório terminou eu vou indo.

-Eu te levo.

-Não precisa.

-Por quê? É homem?

-Eu vou indo tá bom...

Becca deixou Tom com uma mistura de raiva e ciúme que a qualquer momento iria explodir. Ele sentiu uma furia imensa. A mãe o observava de longe e só deu uma risadinha balançando a cabeça negativamente.

A casa de Alice não ficava muito longe dali. O taxi a deixou na entrada do apartamento. Alice já a aguardava ansiosa. Ela discou o numero 708, a voz de Alice ecoou do outro lado.

-Sim?

-Sou eu.

-Um minuto Becca.

O portão principal destravou e Becca entrou. O prédio tinha toda a estrutura moderna. O apartamento dela ficava no décimo andar e tinha uma bela vista da cidade. Alice a recepcionou com um sorriso largo no rosto e a convidou para entrar. O apartamento dela era simples e moderno ao mesmo tempo. A carreira de medicina parece que ia muito bem para Alice. Elas se sentaram e Alice lhe serviu uma cerveja.

-Então amiga, como vai a vida. Desde que se despediu de mim eu nunca mais vi você. – Alice disse abrindo a cerveja.

-Aconteceram tantas coisas Alice. Tantas! Que eu precisava mesmo te contar com calma.

-Quem é aquele rapaz? Seu namorado? Marido?

-Ele é a razão de tudo. – Becca deu um suspiro.

Becca começou a contar de tudo desde o inicio em Los Angeles até onde estavam agora. Alice ouvia tudo atentamente e com uma expressão de surpresa. A vida de Becca nunca foi das mais tranquilas, mas tudo aquilo era mesmo surpreendente.

-Então... estou aqui... – Becca terminou de contar tudo o que havia acontecido e deu um gole demorado na cerveja.

-Espera. Deixa eu absorver a informação: Você atropelou um homem, ele perdeu a memória, ele se apegou a você, daí o irmão dele te ameaçou e você teve de ficar perto deles e você está afim do cara que te ameaçou e eles são ninguém menos que alguns dos maiores ídolos deste país? E agora vocês estão aqui para tentar fazer com que o cara que você atropelou recupere a memória?

-É basicamente isso.

-Wow! É muita coisa até mesmo para você. – Alice mantinha-se de boca aberta.

-E você?

-Minha vida não tem tanta adrenalina. Eu ganhei uma bolsa para estudar doutorado em Hamburgo e aqui estou. Só isso.

-E você se casou? – Becca disse pondo os pés sobre a mesa de centro.

-Claro que não. Não tenho muito tempo para isso! Vamos falar só de você por enquanto, tá?O tal Tom...

-O que tem ele? – Becca tentou se fazer de desentendida.

-Me fale sobre ele.

-Ele tem namorada. Ele é meio arrogante, mas tem um coração de ouro. Só quer o bem do irmão gêmeo acima de qualquer coisa. – Ela pensou no carinho que Tom tinha com o irmão.

-E o que sente por ele?

-Eu não sei ao certo. Afeto. Talvez...

-Isso você sente pelo Bill. Pelo que me contou com o Tom é tudo diferente.

-Ele não se importa comigo. É só carência. Pelo momento. Pelo Bill. Ele se sente grato por mim e quer me agradecer.

-É só?

-É Alice.

-Não confunda as coisas. Ele não é o Ethan. – Alice disse com a voz séria.
O celular de Becca vibrou no bolso dela. Era uma mensagem. Ela ficou vermelha e os olhos brilharam de repente.

-O que está escrito? Não querendo ser curiosa... – Alice fez um beicinho e olhou para o lado em que Becca estava.

-“SE O HOMEM NÃO QUISER TE TRAZER ME LIGUE. EU NÃO QUERO QUE ANDE POR AI SOZINHA EM UM PAÍS DESCONHECIDO. TOM” - Becca sentiu algo diferente do que ja havia sentido. O coração arder de forma incomoda e as famosas "borboletas" no estômago.

-Ai Alice, ele não se importa comigo! É só carência... bla bla bla. – Alice disse imitando a voz da amiga.

-Engraçadinha.

-Vai ligar né?

-Eu não sei. Eu não quero ficar alimentando falsas ilusões.

-Você não muda mesmo né?

-Não posso ficar me iludindo. Bill vai recuperar a memória e eu... Bem... Terei de ir embora e deixar tudo para trás. Nada ali me pertence.

-Becca... Nada nos pertence neste mundo. Nem nossos próprios corpos. – Alice fez uma pausa. - E... por falar em Bill... Ele é solteiro?

-Por quê? Está interessada nele?

-Não! Quero dizer... Ai... Não sei. Achei ele diferente... – Alice estava vermelha. Becca gostava disso.

-Antes disso tudo ele era um homem amargurado e ressentido vivendo uma vida frustrada. Antes de se tornar um estilista famoso, ele tinha uma banda e uma namorada que o traiu com o melhor amigo e baterista da banda que eles mantinham com sucesso a mais de 10 anos. Furioso, Bill acabou com a banda e com o sonho de todos eles...

-Que horror! E onde está essa mulher? – Alice estava cada vez mais perplexa com toda a historia.

-Ninguém sabe.

-Ele deve ter sofrido tanto né? – Alice disse pondo a garrafa sobre a mesa.

-Nada que uma mulher como você não possa dar um jeito!

-Eu sou médica não psicóloga!

-É sério Alice. Se quiser conhecê-lo melhor. Será muito bom para ele... Agora eu preciso ir.

-Liga para o Tom...

-Nunca!

-Becca são onze horas da noite e você vai chamar um táxi? Eu até ia te levar, mas eu me recuso. Quero que ligue para o Tom.

-Não...

-Eu acho que ele é valioso demais para você. Não perca a oportunidade. Se for para ser só o hoje, que seja então.

Becca entendeu o recado. Quantas vezes na vida deixou escapar oportunidades unicas por medo. Talvez não teria futuro e não teria. Mas, ela queria aproveitar cada segundo que pudesse. Pegou o celular e ligou para Tom. Ele atendeu de forma rápida.

-Alô?

-Tom? Estava dormindo?

-Não. Estava esperando você me ligar.

-Pode me buscar se quiser, eu vou passar o endereço. Quando chegar me liga que eu desço.

-Certo.

Alice observava atenta. Ela conhecia a amiga que tinha. Sabia que Tom era muito mais valioso do que ela fazia parecer. Ele não demorou a chegar. Becca se despediu da amiga e desceu pelo elevador. Tom estava a aguardando na entrada. Ela saiu cobrindo a cabeça com o capuz do casaco, e entrou no carro dele.

-Que homem desagradável você foi arrumar hein? – Ele disse assim que ela entrou.

-Ainda bem que você é muito bom...

-Não vai vê-lo mais vai...? – Ele disse olhando para o prédio.

Becca iria deixá-lo mais curioso. Mas, ela estava feliz demais para isso.

-É só uma amiga de infância que eu encontrei hoje de manhã.

Ele olhou para frente e ligou o carro. Ela manteve-se olhando para a janela, tentando esconder o sorriso. Ele também tentava esconder a felicidade estampada em seu rosto, ao saber que não havia homem algum. Embora, ele sempre soubesse disso.

Eles chegaram em casa e tentaram não fazer muito barulho. O quarto dela ficava de frente para o de Bill e o de Tom ficava ao lado do dele. Ele pôs a mão na porta. Ela ficou parada atras dele respirando com dificuldade tentando criar coragem. Ele parou e a observou ansioso esperando algo que o surpreendesse.

-Por favor... Eu ainda não te agradeci.

-Não há de quê. – Ele abriu a porta e ela entrou logo em seguida. De certa forma decepcionado.

-Não é isso. Eu queria... Te pedir uma coisa... – Ela começou a dizer meio nervosa.

-Pode pedir... – Ele disse tentando entender a situação.

O mais intimo sentimento de Becca só pedia uma coisa e ela, por alguma razão não conseguia mais segurar.

-Posso ficar aqui com você?

Ele ficou um tempo tentando entender o pedido. Ele sabia o que significava e todas as consequências que teria pela frente. Ele foi até a porta e a trancou. Depois virando-se calmamente para ela, olhando profundamente em seus olhos respondeu:

-Pensei que nunca ouviria isso.

Ele aproximou o rosto dela e a beijou nos lábios. As mãos dele lançaram-se na cintura dela a apertando contra seu corpo. O coração dela batia intensamente. Ela passou as mãos nos cabelos dele enquanto ele lhe beijava o pescoço. A barba dele lhe fazia arrepiar. Ele a deitou em sua cama e despiu a camisa deixando a mostra o peito nu e definido. Becca retirou a blusa que vestia, enquanto ele lhe tirava a calça. Ela se deixava levar por aquele momento. Era o que ela queria e deseja com todas as forças, essa certeza crescia cada vez. As mãos dele passavam em suas costas desabotoando o sutiã vermelho que ela vestia. E de repente, não havia mais preocupações, nem dores, nem mágoas. Tudo estava entregue ali naquele momento. O que viria depois pertencia ao amanhã e para eles o que importava era só aquele momento.

O amor pode ser tão surpreendente e fascinante que nem dá tempo para as pessoas percebê-lo. Um simples sorriso, olhar toque é mais do que suficiente. Ela pensava em muitas coisas. Mas, naquele momento ela não podia pensar em mais nada.

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Sam McHoffen

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Aaaaaaaaaahhhhh! Tom e Becca, Becca e Tom!
Até que enfim a Becca e o Tom se deixaram levar pelo sentimento deles! Saaanta Alice!
Apesar do Tom estar traindo a Ria, o que não é nada legal, fico feliz porque ele tah gostando da Becca, e ela dele, mas espero que o Tom saiba admitir que o que ele sente pela Becca é maior do que o sentimento pela Ria, e esses dois consigam se acertar. Sinto que a Simone jah percebeu que os dois estão se gostando e falou da Becca e do Bill só pra passar ciúmes no Tom...

Adooooorei a Alice, só espero que ela seja uma boa pessoa e que consiga conquistar o Bill. Que consiga conquistar a confiança e o amor dele, que ela o ensine a ser feliz novamente. Que ele consiga esquecer a Amélia. E se a Alice não fizer isso... bem, é só me chamar que eu não me importo nada nada de tentar "consertar" o Bill! u.u

Ethan? Quem é Ethan?! Espero que no próximo capitulo o Tom cobre a história da vida da Becca, e que ela conte todos seus segredos pra ele (e pra mim, porque eu acho que toh mais curiosa do que o Tom pra saber o da vida da Becca u.u)

Contiiiinue Jocy!'

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Capitulo 18

Passado Adormecido




 
“Eu acreditei em amor por muito tempo. Mas, o amor é como aquela flor que está na sua janela, se não for cuidada, regada e tratada com carinho e atenção, ela irá murchar até morrer. Talvez todo o amor que estava em mim murchou e morreu. Ou talvez aquela sementinha ficou lá, apenas esperando alguém cuidar para ele renascer... Eu ainda acredito que foi você que recuperou o real sentido de amor para mim...”
 
 
Becca abriu os olhos devagar. Ela se sentia como se estivesse acordado de um sonho bom. Estava deitada sobre o peito de Tom, ouvindo sua respiração e suas mãos a envolverem em um abraço quente e caloroso. Ela queria que aquele momento nunca se acabasse. Jamais. Era bom demais para ser verdade. Ela parou para observá-lo enquanto ele abria lentamente os olhos.
 
-Bom dia... - Ela disse sorrindo.
 
-Bom dia... - Ele disse meio rouco e sonolento.
 
-Eu não quis te acordar...
 
-Ser acordado por uma mulher tão linda não é para qualquer um.
 
Ela sorriu delicadamente. Ele lhe acariciou o rosto. Becca sentia tudo de novo. Parecia uma jovem adolescente. O frio na barriga, a emoção. Mas, nem tudo estava resolvido. Ainda tinham outras pessoas envolvidas na situação. E ela não sabia como resolver. A namorada de Tom, Bill, a família dele, a mídia, a fama dele. Becca levantou-se devagar, queria sair dali o mais rápido que pudesse antes que não pudesse fazer isso mais. Ela deveria ter saído antes que ele acordasse, seria melhor para ambos. Aquilo era um sonho.
-Mas, já vai levantar? - Ele disse sem nada entender.
 
-Eu... Eu acho melhor a gente esquecer tudo isso.
 
-O que?  - Ele disse sem nada entender.
 
-Foi um erro.
 
-Espere ai, converse aqui comigo, o que aconteceu? Há meio minuto você...
 
-Há meio minuto eu estava sonhando, agora eu acordei. - Ela terminou de se vestir enquanto ele a observava calado. - Tom, não podemos nos esquecer de quem somos e de como são nossas vidas. - Ela disse com os olhos lacrimejando e depois saiu. Tom ficou no mesmo lugar imóvel, tentando entender o porquê de ela complicar tanto as coisas.
Becca entrou em seu quarto e se jogou na cama. Queria ficar ali pelo resto do dia. Ela deveria ter aproveitado mais a estadia ao lado dele, porém nada daquilo lhe pertencia. Naquele dia, ela não desceu para tomar café. Tom disse à família que havia a visto sair para fazer caminhada e que chegou com dor de cabeça e se deitou. Todos sabiam que era mentira, mas pela expressão do Kaulitz mais velho, foi melhor fingir que acreditavam.
 
***
 
Bill decidiu sair pela cidade. O coquetel seria na noite seguinte, talvez a resposta para todas as suas dúvidas e incertezas. A manhã agradável de sexta-feira estava com a temperatura amena. As pessoas aproveitaram o raro sol para passear com seus cães e andar de bicicleta. Bill aproveitava também, mesmo que atrás de óculos escuros no banco de trás de um carro de luxo. Eles passavam pelas ruas devagar, enquanto dobrava uma esquina ele viu a figura de certa mulher que havia conhecido antes, Alice. Passeando com um fofíssimo Chow-Chow cor de caramelo que parecia um grande bichinho de pelúcia. Ele sentiu um calor tomar conta de seu peito como nunca havia sentido antes na vida, ele fez sinal para que o motorista parasse. Ele abaixou o vidro e sorriu para a jovem.
 
-Bill! - Ela disse sorrindo - Bom dia.
 
-Bom dia...
 
-Você deveria estar do lado de cá. É mais saudável.
 
-Eu não sei se deveria... - Ele disse meio tímido.
 
-Ser sedentário não é nada legal sabia? Desce deste carro e venha caminhar um pouco comigo! O sol hoje decidiu dar o ar de sua graça, devemos aproveitar.
 
-Tom me disse para evitar paparazzi.
 
-Que se danem os paparazzi. Você é um ser humano como qualquer outro. Vamos!
 
-Montanha, eu vou caminhar um pouco, me acompanhe de longe se quiser.
 
-Sim senhor. - Montanha disse sorrindo.
 
Bill desceu do carro, e caminhou devagar ao lado de Alice. O sol realmente estava radiante, mas nada se comparava ao calor que emanava de Alice e de todo a sensação que ela lhe trazia. Ele se sentia perto dela como se estivesse sendo banhado por sutis e quentes raios de sol.
 
-Como ele se chama? - Bill disse se referindo ao cachorro.
 
-É a Rihanna.
 
-Rihanna? - Ele achou graça do nome.
 
-Gosta de cachorros Bill?
 
-Sim. Eu... - Ele se lembrou de que amava cachorros. Tirou do bolso o caderninho que Becca havia lhe dado e escreveu.
 
-O que você tanto escreve?
 
-Eu não me lembro de algumas coisas desde um acidente que eu tive recentemente. Eu moro em Los Angeles, daí minha família achou melhor eu viajar para meu país natal para que eu me recorde de algumas coisas.
 
-É uma terapia. Mas, você sabe que este bloqueio é psicológico né?
 
-Psicológico?
 
-Sim. A princípio realmente você pode ter sofrido de amnésia, mas elas não são tão duradouras assim. Você me parece uma pessoa perfeitamente normal, eu acredito que seja algo que você queira esquecer.
 
-Então você não acha que eu estou doente?
 
-Eu não vi seus exames, mas eu acredito que não. É tudo psicológico. Já procurou um profissional da área?
 
-Não. Por causa do acidente, eles me levaram para um neurologista.
 
-Certo. Eu sou médica. Conheço ótimos psicanalistas. Eu vou te levar em um excelente. Vou marcar com ele e entro em contato com você.
 
-Faria isso mesmo? - Ele disse empolgado.
 
-Claro. Hoje mesmo se quiser.
 
-Becca estava certa, você é ótima. - Ele disse com os olhos brilhando.
 
-Ela disse isso? Ela é que é uma amiga maravilhosa. Ela me falou muito bem de você também.
 
-Sério? - Ele disse sorrindo.
 
-Sério. Gosta dela? - Ela perguntou ansiosa pela resposta.
 
-Sim. Ela é uma pessoa única.
 
-Está apaixonado por ela?
 
-Não! É como uma irmã, uma amiga querida. Não consigo pensar nela de outra forma. Becca me lembrava muito o Tom. Eu achava no começo que realmente eu a amava, mas depois eu passei a amá-la de outra forma. Com um sentimento puro e único.
 
-Então... Vocês são só amigos...?
 
-Sim...
 
-Que bom...
 
-Que... Bom? - Bill sentiu o rosto corar de leve.
 
-É. Isto significa que você está livre e desimpedido.
 
-Sim... Eu acho... Por que a pergunta? - Ele questionou meio sem graça.
 
-Por nada...
 
Ele olhava para os lados. Sentia-se meio sem jeito ao lado dela. Ela tinha uma energia vibrante e cheia de luz que lhe aquecia o coração.
 
-Amanhã nós iremos dar um coquetel. Você não gostaria de ir? - Bill perguntou meio tímido.
 
-Coquetel? Nossa! Claro... Será um prazer. - Os olhos expressivos de Alice encontraram-se com os de Bill, por um instante eles pararam no meio do parque em que estavam e ficaram apenas se olhando. Por um minuto eles ficaram assim apenas se olhando. Alice foi a  primeira a voltar para o mundo real sorrindo sem jeito.
 
-Vamos continuar andando né? Você anda muito sedentário! Espera! Vou ligar para o meu amigo Psicanalista e vamos ver se ele pode te atender, ok? - Ela tirou o celular do bolso do moletom e procurou na agenda. - Alô? Frinz? É a Alice. Dos EUA. Como vai? Que bom. Eu vou bem também. Eu estou precisando de um favor seu. Na verdade é para um amigo. Gostaria de te encontrar, você tem tempo agora? Que ótimo. Estamos indo para ai! Ainda bem que estou bem perto de seu consultório. Obrigada. - Ela desligou o celular e se virou para Bill. - Ele está nos aguardando. Vamos lá.
 
-A pé?
 
-Claro seu sedentário!
 
O consultório do Dr. Frinz ficava a três quarteirões do parque onde estavam. Era situado em um prédio recém construído com a fachada espelhada, de aproximadamente 35 andares.
 
-Em que andar é o consultório dele? - Bill perguntou olhando para cima
 
-Vigésimo primeiro.
 
-Nós vamos de escada?? - Bill perguntou horrorizado.
 
-Não. Vou ser legal com você. Vamos de elevador.
 
Dr. Mohamed Frinz era um homem jovem na casa dos 30 anos neto de libaneses. Os cabelos escuros, barba cheia e sobrancelhas grossas lhe davam a aparência de um sheik árabe dos Emirados. Alice lhe dizia isso com freqüência.
Dr. Frinz tinha uma jovem secretária, Emma. Estudante de filosofia com aparentemente uns 20 anos. Ela sorriu ao vê-los. Alice era amiga muito próxima do psicanalista.
 
-Que bom vê-la Srta Alice. Dr. Frinz a aguarda.
 
-Obrigada Emma.
 
Emma abriu a porta da sala do Dr. Frinz sorridente e os anunciou. A sala tinha um estilo moderno em cores claras com janelas grandes que deixava tudo muito arejado. Dr.Frinz sempre dizia que queria sempre dar um ar mais alegre aos seus pacientes. O divã ficava de frente para uma das janelas com uma vista da cidade e do céu que naquele dia em especial estava muito mais azul que de costume.
 
-Minha querida amiga americana! Alice. Quem bom poder revê-la! - Frinz a recebeu com um abraço.
 
-Eu digo mesmo velho amigo... Este é meu amigo de que lhe falei... Ele se chama Bill.
 
-Muito prazer Bill. - Ele lhe estendeu a mão, Bill educadamente retribuiu o gesto.
 
-O prazer é todo meu.
 
-Sentem-se, por favor. Vamos conversar um pouco.
 
Bill lhe contou sobre o acidente e sobre a amnésia. Através de um telefonema, seus exames foram encaminhados por e-mail da clinica de Los Angeles onde ele havia sido atendido. Dr.Frinz analisou calmamente os exames enquanto Bill lhe dizia das coisas que se lembrava. Dr.Frinz escutava tudo atentamente.
 
-Muito bem. Olhando seus exames eu tenho a certeza de que você sofreu mesmo a lesão. Mas, pelo tamanho da lesão já era para estar recuperado no máximo na semana seguinte. O que me leva a crer que Alice estava certa. É realmente um problema psicológico. Deve ter algo na sua vida que não queira se lembrar e isto acabou gerando um bloqueio. Há quanto tempo está sofrendo de amnésia.
 
-Há quase dois meses.
 
-Eu vou precisar conversar mais com você. Vamos iniciar uma terapia.
 
-Que dia?
 
-Agora mesmo. Por favor, deite-se no nosso divã e sinta-se à vontade. Eu vou preciso que você nos deixe a sós Alice, por favor.
 
-Claro. Eu aguardo lá fora.  - Alice se retirou logo em seguida deixando apenas Dr.Frinz e seu paciente.
 
-Vamos começar Bill. Você está pronto?
 
-Estou...
 
Talvez a vida seja mesmo um livro em branco e quem escreve nossas histórias somos nós mesmos. Talvez ele tenha o inicio, mas só nós saberemos o seu final e o seu destino. Não se pode fugir das escolhas, não se pode fugir do passado. Mesmo que você o adormeça, entorpecido em sentimentos frios, um dia ele virá à tona. Não importa o quanto você se esforce para evitá-lo. Ele estará sempre lá…

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